30.7.21

Performance projeta escrituras em vídeo dança

“Flor das Águas’, criação de Carmem Virgolino , performer, produtora e pesquisadora, praticante de Bharatanatyam, estilo de dança indiana, é uma homenagem à Sarasvati, deusa hindu da sabedoria, das artes e da música. O lançamento é neste sábado, 31, no canal da Mostra Sesc, com recursos da lei Aldir Blanc, Secult-Pa e Governo do Pará, e apoio cultural de Só Flores Floricultura, Restaurante Matapy e Isckon Belém.

Numa conexão entre a Amazônia e a Índia, a artista Carmem Virgolino apresenta o projeto “Flor das Águas”, uma homenagem a Sarasvati, tendo a Dança Indiana como ponto de comunicação entre essas duas regiões, a priori tão diferentes, mas com pontos em comum, na maneira como estabelecem suas relações com a Natureza e a Espiritualidade. 

Carmem possui uma relação não só artística como também pessoal com a cultura e filosofia indianas e oferece neste vídeo-dança esse pushpanjali, que significa literalmente oferenda de flores, à deusa Sarasvati, mas também as forças femininas, o poder das águas e da floresta amazônica, assim como  a força de r-existência dos povos e vozes do terceiro mundo.

É inspirada em Sarasvati, também a protetora dos artesãos, pintores, músicos, atores, escritores e artistas em geral, de acordo com a filosofia Vaishnava, que Carmem interpreta uma coreografia filmada às portas de um dos rios da Amazônia, o Rio Guamá, na Baía do Guajará, evocando a energia indiana para o calor úmido de Belém do Pará, na Amazônia Transcendental. 

O vídeo-dança nos remete à Índia, para sentipensar a importância das águas para os povos originários, além da força das mulheres de tradição como detentoras de conhecimentos que apontam para um porvir no planeta, qual seja o cuidado com a natureza.

Praticante de Capoeira Angola, Dança afro-brasileira e Dança Indiana, no estilo Bharatanatyam, a artista desenvolveu, como educadora social, diversos trabalhos com Capoeira angola e Dança Afro-brasileira em projetos sociais e escolas públicas em Belo Horizonte e em Belém. 

Atuou como dançarina da Cia Primitiva de Arte Negra, em Belo Horizonte, e como coreira do grupo de Tambor de Criola Rosa de São Benedito (MG). Participou dançando no Festival Internacional de Dança Teatro Clássico Indiano Purva Festival, na cidade de Baroda- Índia.  

Carmem Virgolino possui graduação em letras, licenciatura em língua francesa, mestrado em Ciências Sociais com ênfase em Antropologia Social e atualmente é doutoranda em Artes pela Universidade Federal do Pará. Seguiu aulas de teatro no curso técnico de formação para atores na Escola de Teatro e Dança da UFPA, participou do Grupo GITA (Grupo de Investigação e Treinamento para Atuantes) da UFPA, e foi integrante da Cia Lama de Teatro. 

29.7.21

A ideia do novo restaurante que deu em websérie

No Ver-o-Peso | Foto: Laís Teixeira
Foi pensando em cultura e tradição que Thiago Castanho resolveu apostar em um novo projeto de restaurante, o Bayuca, com Y,  alusão à Yuca, do espanhol, que significa mandioca, iguaria que seria o carro chefe do cardápio, e que também se conecta muito bem com a cultura da baiuca, com C. O que é, quais são os tipos, o que que rola, quais as pessoas que consomem no dia a dia. Tudo isso já estava mapeado quando a Bohemia fez o convite para Thiago Castanho apresentar a websérie “Do Boteco à Baiuca”, que estreou na semana passada no canal @thiagocastanho, no Instagram, e que lança o segundo episódio nesta quinta-feira, 29 de julho, com uma visita do chef no Ver-o-Peso, para mostrar um dos principais ingredientes da culinária paraense, quem adivinha aí qual é? 


Thiago Castanho é um chef jovem e bastante conhecido em Belém, além de ter reconhecimento em todo o país, a partir de seu trabalho também como apresentador da série de gastronomia Sabores da Floresta no canal Futura, onde ele representa a culinária paraense e todas suas tradições, buscando sempre elementos regionais e receitas que conectem a natureza do Pará e da Amazônia. Em abril de 2020 ele anunciou o fechamento do Remanso do Bosque, restaurante requintado situado próximo ao Bosque Rodrigues dos Alves, no bairro do Marco, para inovar em um novo empreendimento, desta vez, privilegiando o ambiente simples e intimista das baiucas.

O planejamento para o novo restaurante iniciou em 2019, quando Thiago Castanho estudou melhor o conceito da versatilidade e da simplicidade das baiúcas. "Esse novo restaurante vai misturar a cultura de boteco com a das baiucas", explica o chef. "A ideia era ter aberto em julho de 2020, mas a pandemia não deixou. Criei a marca, identidade visual, o plano de negócio. E aí a Ambev percebeu isso e nos reunimos. A partir daí,  passamos então a criar o projeto da websérie", complementa.

Ainda na fase de pesquisa para o projeto do restaurante, ele visitou várias baiucas de Belém, fotografando pratos, pessoas e dando visibilidade a tudo isso em seu Instagram. "Comecei a perceber que embora elas sejam muito comuns de serem encontradas no Pará, isso não tem a reverberação midiática que merece". O termo estava caindo em desuso e se tornando pejorativo, "como se fosse ofensa chamar bar de boteco ou baiuca, pois seria como rebaixar o conceito do lugar". 

O projeto do restaurante também cria o Guia Baiucas de Belém, onde as pessoas poderão conferir as referências que ele foi buscar e também seria uma iniciativa de criar um percurso novo na cidade, promovendo o turismo cultural de valorização dessa tradição, o que acabou caindo como uma luva nos projetos que a Bohemia está traçando para desenvolver no Pará este ano.

“A baiuca tem a nossa estética, é a nossa cultura como algo simples. Vários artistas, inclusive, se inspiram nesta estética em suas obras, como o fotógrafo Luiz Braga e os artistas plásticos Emmanuel Nassar e Marinaldo Santos. As pessoas precisam ter um olhar diferenciado para isso e não menosprezar a baiuca, não colocar um restaurante ou um bar acima de uma baiuca. E neste sentido o projeto da webserie soma muito”, defende Thiago Castanho. 

Bohemia e Belém, a tradição como receita

Foto: Laís Teixeira
A Bohemia foi a primeira cervejaria brasileira, ela surgiu em 1953 e, apesar da cerveja ser do Rio de Janeiro, hoje ela é uma marca 100% nacional. Está em todo o Brasil, mas quando se fala de Belém do Pará, especificamente, há uma conexão perfeita. “Aqui tem muita tradição e cultura e Bohemia traz isso no DNA. Falar de Bohemia é falar dessa tradição e sobre o movimento das tradições, como elas vão se atualizando ou como elas continuam sendo importantes na vida das pessoas. Então quando conversamos com o Thiago Castanho, não tivemos dúvidas em apostar na websérie”, explica a gerente regional da Ambev, Thalita Barreto.

A expectativa é estreitar laços com o paraense e levar também essa tradição para mais pessoas. “A marca alcança todo o país e a gente acredita também que, ampliando essa conexão entre o Pará e a Bohemia, vamos conseguir levar essa cultura tão maravilhosa para a vida de mais pessoas”, diz Thalita Barreto.

Há receitas que não devem ou são muito difíceis de mudar, como a maniçoba, por exemplo. “Se mexer tem que ser algo muito bem pensado, porque a tradição dentro do sangue paraense é muito forte. Você vê que há discussões sempre acaloradas quanto ao açaí, quando se coloca granola. Isso é inconcebível na cabeça do paraense, isso. E a Bohemia tem essa mesma receita e identidade  desde que surgiu", comenta Thiago que ao todo vai apresentar 8 episódios da série "Do Boteco à Baiuca". 

E a Ambev comemora. "Estamos muito felizes com essa websérie. Ela está visualmente e musicalmente está muito linda, assim como todos os personagens, convidados nossos e do Thiago que participam e trazem inúmeras informações sobre a cultura paraense", conclui Thalita Barreto.

Serviço

São 8 episódios da webasérie "Do Boteco à Baiuca", que vão vão estrear de 15 em 15 dias até outubro, uma semana antes do Círio de Nazaré, sempre focando na tradição cultural de Belém, característica que se conecta aos conceitos que a Bohemia também cultiva. Para acompanhar, acesse o canal de Thiago Castanho: https://www.instagram.com/thiagocastanho/channel/

28.7.21

Em agosto o Tapajazz realiza sua 2a Mostra Belém

Sebastião Tapajós, Gilson Peranzzetta, Lenilson Albuquerque, Armandinho Macêdo, além de Badi Assad e Lívia Mattos, que este ano darão um tom mais feminino ao evento. O Tapajazz Mostra Belém 2021 será de 12 e 14 de agosto, às 19h30, no Teatro Margarida Schivasappa e terá ainda outros convidados. Além de presencial, terá transmissão pelo canal de Youtube do projeto, que este ano tem apoio da Lei Aldir Blanc. 

O Tapajazz nasceu há oito anos banhado pelas águas do rio Tapajós, em Alter do Chão, Santarém, no Pará. O primeiro festival de jazz do interior amazônico é também um dos quatro maiores do gênero na região. A ideia foi do produtor Guilherme Taré, da Fábrica Produções, que conhece a tradição musical do município e viu nisso a oportunidade e importância de se criar um festival de música, a altura da qualidade musical do violonista Sebastião Tapajós e do saudoso Maestro Izoca, ícones da região.

Desde então, em suas seis edições realizadas em Santarém, o festival já reuniu e uniu músicos do quilate de Yamandú Costa, Hamilton de Holanda, Toninho Horta, além dos paraenses Mini Paulo, Delcley machado, Márcio Jardim, entre muitos outros. Em 2020, não satisfeito em realizar o evento anual de três dias em sua cidade, Guilherme Taré resolveu trazer um recorte da iniciativa para a capital paraense.

E assim, ano passado, a 1ª edição do Tapajazz Mostra Belém ocupou o Teatro Waldemar Henrique. Em três dias, também, o evento teve um público restrito, presencialmente, e foi transmitido pelo Youtube, condições exigidas do momento pandêmico que ainda estamos vivendo. Alguns artistas se apresentaram no palco do teatro e outros entraram, de São Paulo e Macapá (AP), ao vivo, pela internet. 

Este ano, a segunda edição do projeto também terá formato híbrido, com programação de 12 a 14 de agosto, iniciando sempre às 19h30, no Teatro Margarida Schivasappa do Centur. A transmissão será pelo canal de Youtube, mas a diferença é que em 2021, todos os artistas estarão em Belém, chegando na véspera e frequentando uns os shows dos outros. O clima será de encontros, reencontros, muita música e novos ares ao festival.

O Tapajazz Mostra Belém em 2021 está sendo realizado com apoio do edital Festivália, da Lei Aldir Blanc, Secult-Pa e Governo do Estado do Pará e Fábrica de Produções. O patrocínio é da ALCOA. Apoio da Prefeitura de Belém, Casa do Saulo e Holofote Virtual.

Peranzzeta e Tapajós se reencontram no palco

Foto: Marcelo Castello Branco

Um recorte interessante do Tapajazz Belém este ano, será o reencontro entre Gilson Peranzzetta e Sebastião Tapajós, músicos que formaram um duo de muito sucesso em 1986, gravando discos como o CD “Lado a Lado”, lançado no Brasil e no Japão; “Afinidades”, lançado no Brasil e na Alemanha. 

A parceria os levou a turnês pelo Brasil, Europa e Japão. Eles ainda gravaram em trio, incluindo Hermeto Pascoal, além do CD Encontro de solistas, com  Sebastião, Gilson, Maurício Einhorn e Altamiro Carrilho. Tocaram juntos pelos anos 1990 e 2000, até Sebastião voltar a morar em Santarém-Pa.

O pianista é quem abre a programação no dia 12, com uma apresentação solo e retornará no dia 14, para uma participação, no show do violonista paraense. Maestro, compositor e arranjador carioca, nascido no subúrbio do Rio, Peranzzetta iniciou sua carreira em 1964, acompanhando artistas como Simone, Fátima Guedes, Gal Costa, Elizeth Cardoso, Gonzaguinha, Edu Lobo e Ivan Lins. 

Já gravou dezenas de discos e, mesmo na pandemia, ele não parou, e gravou um álbum, em casa, lançado nas plataformas digitais pela Fina Flor. Atualmente está gravando um novo CD, que vai se chamar Caderno Espanhol. Logo depois do Tapajazz Mostra Belém, ele se apresentará, como solista da Jazz Sinfônica de São Paulo e, em dezembro, com a Big Band Vale Jazz em Vitória. 

O pianista paraense, Lenilson Albuquerque, que estará em formação de quinteto, com baixo, bateria, sax e percussão, entra logo em seguida no palco. O artista vem atuando com grandes nomes da música paraense, morou em Minas Gerais, e fez shows internacionais como na cidade do México.  Arranjador e diretor musical, ele irá apresentar também, um pouco de seu repertório autoral. 

O tom feminino plural do evento!

Badi Assad | Foto: Alex Ribeiro

É a primeira vez que o evento contará com a presença feminina no palco. Taré explica que "já havia a intenção de trazer Badi Assad nas edições de Santarém, mas a agenda dela, assim como de outras e outros artistas, nem sempre encaixa com as necessidades do festiva, mas agora deu certo!", comemora.

Badi Assad vem mostrar, no segundo dia (13.08) da mostra, o show “Volta ao Mundo em 80 Artista”,  que é um dos desdobramentos do livro homônimo, lançado em 2018. O projeto além de show, se tornou CD, lançado nos EUA, onde a cantora está no momento cumprindo uma agenda, antes de voltar ao Brasil e voar para o Tapajazz, em Belém. A também violonista e compositora traz como convidada, a instrumentista baiana Lívia Mattos, desbravando assim, pela primeira vez, a presença feminina num palco principal do Tapajazz. 

"Lívia é uma das melhores artistas da atualidade e vem participando de todos os meus últimos projetos. Ela não poderia deixar de participar da primeira atuação de artistas mulheres no festival de Tapajazz ao meu lado!". (Badi)

A artista tem mais de 14 álbuns lançados em todo o mundo e mais de 40 países visitados em 25 anos de carreira. Versátil e sempre envolvida em novos projetos, ela lançou, nesta semana, uma série de vídeos em que ela canta canções censuradas na Ditadura Militar. Fica a dica pra você assistir e se deleitar, com música, narrativa e, principalmente, história.

Armandinho Macêdo traz guitarra e bandolim

Armandinho Macêdo | Foto: Divulgação
O músico está chegando aí com o show “Bandolim, Guitarra Baiana”, no qual fará um passeio musical pela carreira e trajetória, apresentando composições desde a época de sua banda A Cor do Som, passando por suas parcerias e influências em mais de 50 anos de carreira. No palco, ele estará acompanhado de Cesário Leone (baixo), Yacoce Simões (teclados), Márcio Diniz (bateria) e Emanuel Magno (percussão).

Armandinho Macêdo tem mais de 38 discos gravados, sendo os últimos “A Cor do Som - 40 Anos”, “B.A.S – Brazil Afro Symphonic” e "Armandinho Macêdo – Maria Vasco”, todos disponíveis para venda pelo perfil do artista, no Instagram. Nascido na capital baiana, ele é referência dos carnavais de Salvador, filho do criador do primeiro trio elétrico (Osmar Macêdo) com seu parceiro Dodô. 

A partir do cavaquinho eletrificado e tocado pelo pai Osmar e o parceiro Dodô, Armandinho Criou um novo modelo de guitarra em que acrescentou cordas, refez a afinação, acrescentou uma alavanca, diminuiu o tamanho, elaborou um novo design, aperfeiçoou, deu o seu estilo, registrou a marca, e a batizou de. “Guitarra Baiana”, criando um instrumento de características únicas que vem se tornando cada vez mais internacionalizado dando ao guitarrista uma projeção maior em todo o âmbito nacional. 

Sebastião Tapajós e convidados

Este ano, Sebastião Tapajós andou se queixando de estar longe dos amigos e dos palcos. Em junho, ele foi tema de uma exposição que traçou, por meio de fotografias, cartazes e capas de discos, sua trajetória de mais de 60 anos. Esta tudo em uma galeria virtual. Antes, em abril, ele comemorou nova idade, também pela internet. Em agosto, o jejum porém, vai ter fim. 

Anfitrião oficial do Tapajazz em Santarém, na capital paraense, ele não estará sozinho. Em Belém, o músico encerra a programação, no dia 14, recebendo a Amazônia Jazz Band, o baixista Ney Conceição, os cantores e compositores Nilson Chaves e Alfredo Reis, alem de Armandinho Macêdo e Gilson Peranzzetta que retornarão ao palco do Margarida Schivasappa.

Um dos violonistas brasileiros de maior prestígio no exterior, Sebastião Tapajós voltou a residir em Santarém, optando por uma vida simples, numa casa de frente para a praia de Pajuçara, mas em agosto, ele estará na capital paraense. Ao longo da carreira, tocou com nomes consagrados da música brasileira e internacional, da importância de Hermeto Pascoal, Sivuca, Paulo Moura, Waldir Azevedo, Astor Piazzolla, Gerry Mulligan, Oscar Peterson e Paquito D’ Rivera. Possui dezenas de discos gravados. Até hoje tem grande popularidade na Alemanha, onde já esteve 90 vezes e lançou mais de 30 discos.

Serviço

Tapajazz – Mostra Belém – 2021. De 12 a 14 de agosto, às 19h30, no Teatro Margarida Schivasappa do Centur. Gratuito. Haverá distribuição de ingressos respeitando as orientações e protocolos de saúde vigentes. Em breve novas informações. Siga o Tapajazz nas redes sociais @tapajazz. O Tapajazz Mostra Belém é um projeto selecionado pelo edital Festivália, da Lei Aldir Blanc, Secult-Pa e Governo do Estado do Pará em realização com a Fábrica de Produções, patrocínio da ALCOA. Apoio da Prefeitura de Belém, Casa do Saulo e Holofote Virtual. Siga o @tapajazz no Instagram e Facebook.

24.7.21

Entrevista: Gileno Foinquinos e o Voo do Carapanã

Lançado em abril deste ano, “Voo do Carapanã”  traz oito faixas autorais no estilo jazz amazônico. O projeto de gravação foi selecionado pelo edital de música Lei Aldir Blanc-Pa 2020. 

Paraense de Cametá, Gileno Foinquinos é considerado referência da guitarra jazzística. O contato com a música veio cedo, com o violão aos 6 de idade e aos 13 anos já tocava profissionalmente em bandas de baile e com artistas do cenário em Belém. 

Morando em São Paulo há mais de 30 anos, ele já tocou com muita gente da cena paulista e paraense. Já participou de diversos grupos, fez e continua fazendo inúmeras conexões musicais que vão do jazz instrumental à guitarrada, samba, carimbó. 

Há 20 anos ele desenvolve seu trabalho autoral, e atualmente integra a Silibrina, banda paulista com influências do jazz e ritmos da cultura popular brasileira. Voo do Carapanã é seu 8o disco, que conta com participação de músicos de gerações distintas, mas conectadas pela música instrumental, e laços de amizade, como César Augusto “Gugu” (bateria); os jovens e talentoso Wesley Jardim (baixo); Willian Jardim (guitarra), além de Márcio Jardim, Wendel Brandão e Joelson Lopes. A seguir, a entrevista com o músico sobre o álbum, a trajetória e as novidades que estão vindo aí na carreira neste segundo semestre.

Holofote Virtual: Vôo de Carapanã é seu oitavo disco, lançado no início deste ano, com 8 músicas!  Fala sobre as escolhas desse trabalho, desde as composições, ritmos e estilos musicais presentes, parceiras...

Gileno Foinquinos:
Sim é meu 8º disco. É um trabalho totalmente autoral onde desenvolvo minhas influências dos ritmos do Baixo Tocantins como banguê, samba de cacete, carimbó, entre outros. Assim, esse trabalho representa  um verdadeiro amadurecimento musical, pois consegui imprimir nesse trabalho um pouco mais de minha identidade, desenvolver uma linguagem própria e valorizar nossas raízes, transformando esse universo do jazz em sua vertente amazônica.  

Para esse trabalho "Voo do carapanã" ensaiamos em torno de 6 meses em busca de uma nova sonoridade, caminhos sonoros, formas de tocar, dinâmicas diferentes. Nosso resultado foi muito satisfatório em função do respeito e admiração mútuos que rolam entre nós. Assim, a reunião de duas gerações da música instrumental paraense a minha e a do baterista César Augusto (Gugu), quase cinquentões, com dois meninos os irmãos Willian Jardim, 18, e Wesley Jardim, 20, talentos que estão em plena ascensão no cenário musical paraense. 

Holofote Virtual: Você já havia trabalhado com eles de alguma outra forma?

Gileno Foinquinos: Acompanho os irmãos Wesley e William desde que são crianças, sempre frequentaram minha casa em Belém. Eu e o pai deles o Márcio Jardim somos amigo de longas datas, ele gravou meu primeiro CD de música instrumental o "Cacique Camutá", lançado em 1998 aqui em Belém e sempre estamos trabalhando e gravando juntos. 

Trabalhar com eles foi um grande presente pois acompanhar a trajetória deles desde o berço e vê-los tornarem-se grandes pessoas e exímios músicos profissionais não tem preço, só me orgulha e enriquece cada vez mais nossa música.Eles são talentosos refletem a nova geração da música paraense.

Acho muito importante valorizar e reverenciar nossos mestres da música e ao mesmo tempo oportunizar novos talentosos produzidos no Pará, passando conhecimentos, direcionando, fomentando o conhecimento e saberes culturais locais e concebendo a música como chave também de transformação social. Foi com essa concepção inovadora de agregar duas gerações da música e valorização dos ritmos regionais que desenvolvi o Voo do carapanã sob minha direção musical, produzido e gravado em Belém.

Holofote Virtual: A música instrumental paraense, aliás, tem uma história. Desde quando você se interessou por esse tipo de composição?

Foto: Renata Sobral
Gileno Foinquinos: Desde muito cedo inteirei-me pela música instrumental e isso foi graças ao convívio e influência de grandes músicos como Mini Paulo, Sagica, Kzam Gama, Pardal, Tinoco Costa,Dadadá Castro, Nego Nelson, Sebastião Tapajós que inclusive é grande amigo do meu pai. Meu pai (Lucimar Foinquinos), durante um longo período foi músico, guitarrista, e era integrante da banda Os populares de Cametá, isso me influenciou bastante apesar de ele ter tentado me sugerir seguir outros caminhos que não fosse a música... não teve jeito já estava completamente imerso nesse universo.

Nos anos 90, acompanhei o frenesi pelo qual passou a música instrumental paraense onde as praças da cidade ficavam lotadas por conta das várias apresentações que ocorriam pautadas nesse estilo de música. Em 1994, integrei a banda Amazônia Jazz Band e outras bandas de música instrumental muito ativas naquela época, as bandas Pandora e Estado de Espírito, grupos importantes na medida em que incentivaram a propagação da música instrumental pela cidade.

Belém é realmente uma fonte de grandes talentos. É incrível a nossa riqueza e versatilidade cultural, o poder de criação de música em todos os estilos: brega, carimbó,  guitarrada, música popular paraense e nesse caldeirão sonoro temos também a música instrumental. 

Holofote Virtual: Soube que você se inspirou em um estudo sobre o carapanã, para compor a faixa título. É isso? E o que exatamente imprimiu no disco?

Foto: Wesley Jardim

Gileno Foinquinos: Na verdade a ideia quando criei a música Vôo do carapanã que dá nome ao disco foi por que na época estudava muito a peça Voo do Besouro, do compositor russo Nikolai Rimsky-Korsakov, e percebi que era um verdadeiro desafio tocá-la, então inspirei-me nesta obra para criar a versão amazônica do Voo do Besouro. Coloquei esse nome pois sempre gostei da sonoridade dos termos do vocabulário indígena que inclusive uso também para nomear meus outros discos e composições. 

Neste sentido, considero o Voo do carapanã uma composição-desafio pois ao longo de muito tempo venho estudando-a para executá-la com primazia e sem escorregar no dedilhado, ela começa lenta, mas depois termina literalmente voando fazendo alusão ao voo rápido e frenético do carapanã. 

Holofote Virtual: A pandemia trouxe dificuldades e também abriu algumas portas no mundo digital. Como tem sido a difusão do disco, tens feito apresentações? Você acredita que esse ano as coisas melhorem, no que diz respeito ao trabalho presencial dos músicos?

Gileno Foinquinos: Confesso que não era muito adepto do mundo digital mas foi uma porta que se abriu, é fundamental usar as ferramentas digitais, precisamos nos reinventar pois essas alterações no mundo digital e expansão midiática vieram para ficar e são importantes para que o artista divulgue seu trabalho e alcance cada vez mais público.

Aderi aos novos formatos de apresentações musicais nos meios digitais e estou assimilando essa nova forma de fazer música. Entendo que o retorno presencial dos shows vai demorar um pouco mas é importante perceber que a vacinação está avançando e alcançando cada vez mais pessoas, isso nos enche de esperança para que possamos voltar também a fazer shows presenciais e sentir a interação e energia do público. 

Holofote Virtual: Você tocou e ainda toca com grandes músicos, paraenses e também nacionais. E conseguiu se estabelecer fora daqui vivendo de música. Conta um pouco dessa trajetória, o que foi mais difícil e como foi que rolaram os primeiros contatos com esse universo profissional, a partir de São Paulo.

Foto: Divulgação

Gileno Foinquinos: Com certeza foi difícil a inserção no cenário musical paulistano, pois São Paulo tem outra forma de respirar e viver a música é um universo de sonoridades e opções e em um primeiro momento precisamos nos adequar aos vários tipos de trabalhos. Inicialmente tocava em São Paulo com artistas locais como Matogrosso e Matias, Simoninha, Leo Maia... sempre fui de livre escolha, nunca me restringia a tocar somente um estilo musical, fiz algumas gravações com nomes importantes como Roberta Miranda e Roberto Carlos.  

Sabemos que o estilo instrumental não era uma vertente muito comercial então precisava trabalhar em diferentes frentes até me inserir e firmar meu trabalho autoral. Aos poucos fui estabelecendo uma rede de amizades muito importante, conheci  depois grandes nomes da música paulistana como Bocato, Nailor Proveta. Conheci um grande baixista Rubem Farias, aí ele montou um grupo de música instrumental Funk Brasil. 

Depois conheci o grande maestro Josoé Polia que convidou-me para participar da Orquestra de música Afro-brasileira (FILAFRO)  e então não parei mais, pois depois que a gente se insere as pessoas vão nos conhecendo pelo nosso trabalho, profissionalismo e vamos conquistando credibilidade. Atualmente sou guitarrista da Banda Silibrina  comandada pelo pianista Gabriel Nóbrega. Fiquei muito contente com o convite para integrar essa banda que é super respeitada no cenário musical brasileiro, é uma super responsabilidade que requer muita dedicação e uma carga horária de estudos diários.

Holofote Virtual:  Você é de Cametá, terra, por excelência, cultural e diversa, e onde também nasceu Cupijó.  Você costuma se inspirar na região em suas composições?

Foto: Divulgação

Gileno Foinquinos: Sim, o trabalho é completamente voltado para a cultura do Baixo Tocantins, precisamente a cidade de Cametá, minha cidade natal. Eu sempre fiz muitas pesquisas sobre os diversos ritmos de nossa região e agrego elementos do nosso folclore com diversos estilos no nosso Brasil e do mundo, tais como: choro, maxixe, música erudita e jazz e desenvolvo minha identidade e personalidade musical. Verdade. O mestre Cupijó é um dos grandes representantes da cultura de Cametá, inclusive meu pai estudou com ele. Conheci também a obra do mestre Manoel Verdaco o qual me influenciou também. 

Holofote Virtual: Quais os planos para esse segundo semestre, vai ter clipe desse novo trabalho, há uma agenda prevista?

Gileno Foinquinos: O segundo semestre está repleto de projetos. Em setembro já está previsto show de gravação do DVD do Voo do Carapanã no Teatro Waldemar Henrique. Estou desenvolvendo projetos culturais por meio de editais em São Paulo. Inclusive fiz recentemente temporada de música instrumental que está disponível no meu canal do Youtube.

Estou trabalhando em meu novo single chamado Desengano, um zouk, componho em diferentes estilos. Tenho parceria com grandes poetas aqui da cidade de Belém, o Dudu Neves e o Jorge Andrade, participamos com nossas composições de vários festivais de música pelo Brasil. Assim estou sempre na conexão Cametá/Belém/São Paulo, pesquisando, compondo e tocando Brasil afora. 

Para acompanhar as novidades: 

https://www.gilenoguitarra.com.br

Para ver mais:

https://www.youtube.com/watch?v=-uX1lEK9ULg

https://www.youtube.com/watch?v=oZxbpePXPJk

22.7.21

Bella na Mostra de Música Lambateria de Verão

A cantora e compositora se inscreveu e foi selecionada para participar do projeto, como uma das artistas autorais que seguiram produzindo durante a pandemia. O programa vai ao ar nesta sexta, 23, de julho às 19h30 no Youtube da Lambateria.

Com 24 anos, a atriz, cantora e compositora paraense lançou o primeiro EP da sua carreira em março de 2021. O trabalho autoral, intitulado Enlaço é composto por quatro faixas que mesclam ritmos latinos aos ritmos do Pará, e contam uma história de amor que fracassou, usando de elementos da natureza para causar um efeito sinestésico nas músicas. A artista, carrega em sua visualidade, os traços da sua terra com toques de contemporaneidade. 

Bella começou sua carreira na música em março deste ano com o lançamento de seu primeiro EP Enlaço, onde mistura ritmos latinos, Guitarrada e Carimbó.  Além da participação na mostra, ela irá gravar um single no Caverna Estúdio com produção e lançamento pela Lambada Produções. “Esse projeto é maravilhoso, que me deu a oportunidade de poder mostrar meu trabalho. Eu sempre frequentei a festa com meus amigos, era Lambadeira, e agora tô aqui, me apresentando”, festeja Bella, que lançou a carreira musical durante a pandemia.

A mostra estreou na a primeira sexta de julho, já trouxe encontros virtuais e oficinas. Além de música, também tem receitas, dicas de dança e clipes.  Nesta sexta, a chef Cássia Faria (@cassiafariagastronomia) ensina uma receita bem simples de torta de pizza, uma receitinha simples pra fazer com a criançada. Já o professor Rolon Ho (@rolon_ho) mostra um pouco da dança do TecnoBrega e o DJ Zek Picoteiro apresenta uma seleção caprichada de clipes de artistas paraenses.

“A Lambateria é uma festa que trabalha com o recorte da música paraense dançante. Com a pandemia, nós adaptamos nossas festas para a internet e desenvolvemos o projeto ‘Lambateria Live’ que teve mais de 140 horas de programação ao vivo. Depois do Festival em outubro do ano passado, os artistas que fazem parte do casting da Lambateria se dedicaram para lançar novos trabalhos e agora a gente volta com a Mostra de Música Lambateria de Verão, que vai ter shows inéditos, dança e entrevistas”, explica Sonia Ferro, da Lambada Produções, produtora realizadora da Lambateria. 

Os programas musicais são exibidos no Youtube da Lambateria, reunindo artistas paraenses que seguiram produzindo durante a pandemia e que tenham um repertório dançante composto por gêneros musicais latino-amazônicos.  Na última sexta-feira de julho, dia 30, o público irá conferir um compacto com os melhores momentos das apresentações musicais.

O projeto traz inclusão trazendo a tradução na Língua Brasileira de Sinais (Libras), com a intérprete responsável pelo projeto é Silvany Risuenho, profissional reconhecida na Comunidade Surda paraense Ao todo são cinco programas gravados no Centro Cultural Atores em Cena, um casarão antigo localizado na Av. Nazaré, e as receitas, nas cozinhas das chefs Cássia Faria (@cassiafariagastronoia) e Mariucha Morgado da Doceria Mariqueti. Já os shows foram gravados. 

A Mostra de Música Lambateria de Verão foi selecionada pelo Edital de Multilinguagens – Lei Aldir Blanc Pará, com apoio da Secult/ Governo do Estado, da Secretaria Especial de Cultura e do Ministério do Turismo / Governo Federal.

Serviço

Mostra de Música Lambateria de Verão

23 de julho – Artista convidada: Bella + receita + dica de dança + clipes + entrevista.

30 de julho – Compacto com os melhores momentos.

https://www.youtube.com/channel/UCSjbeM7TIuQGn2xwQM7_jBg

Nas sextas de julho, às 19h30, no Youtube da Lambateria Belém

Mais em: lambateria.com

Playlist Spotify

https://open.spotify.com/playlist/7jLu9vfCDX3WW9rlM3XOyF?si=e0047e881b4e44d1

20.7.21

Cinema no Marajó encerra com mostra de filmes

Grandes nomes do cinema local e internacional discutem sobre documentário durante quatro dias no encerramento do Projeto Cinema no Marajó, com programação de 22 a 25 de julho. Serão exibidos os filmes realizados durante as oficinas de introdução ao audiovisual, ofertadas pelo projeto a moradores das cidades de Breves e Melgaço. Iniciativa do Grupo de Pesquisa em Antropologia Visual VISAGEM, sob coordenação de Denise Cardoso, o projeto foi um dos projetos selecionado pelo edital de audiovisual – lei Aldir Blanc Pará 2020 e desde março vem sendo desenvolvido por uma equipe experiente. 

Os quatro curta-documentários produzidos nas oficinas de Introdução ao Audiovisual de Melgaço e Breves devem estrear na Mostra que será exibida totalmente online pela plataforma de Streaming Amazônia Flix (https://amazoniaflix.com.br/ ). “A ideia é apresentar aos jovens ribeirinhos este tipo de produção de modo que possam descobrir novas oportunidades e entender outros contextos da realidade que os circunda através do audiovisual” explica Denise Cardoso, coordenadora do Projeto.

Os alunos tiveram a chance de ter aulas com produtores, filmarkers e realizadores experientes que mesmo com as limitações impostas pela pandemia, conseguiram efetivamente aproximar a população ribeirinha do Cinema e da Fotografia através Rodas de Conversa com convidados especiais, do Brasil e de fora do país, e de oficinas de Fotografia e de Introdução ao Audiovisual (todas em modo online). 

A Mostra de Cinema Documentário é a última etapa do projeto e começa no dia  22 e vai até 08 de agosto. Durante esses 17 dias, os quatro filmes  produzidos durante as oficinas e ainda uma seleção especial estarão disponíveis para os interessados gratuitamente. 

A Abertura Oficial da  Mostra, com os integrantes da equipe, será às 17h do dia 22 pelo canal do Youtube do Projeto Cinema no Marajó. com o encerramento deve reunir Logo em seguida, às 18h, segue uma Roda de Conversa com Jorane Castro, Evandro Medeiros, Jorge Bodanzky, Alexandre Nogueira, Zienhe Castro, Chico Carneiro, Francisco Weyl e Felipe Pamplona (todos com filmes sendo exibidos na Mostra).

As Rodas de Conversa vão até dia 25/07 sempre com realizadoras e realizadores dos filmes em exibição. 


PROGRAMAÇÃO

Canal de Youtube

Dia 22

17h - Abertura da Mostra e apresentação do Projeto Cinema no Marajó.

18h - Roda de Conversa (via plataforma ZOOM) com os diretores dos filmes que serão exibidos na Sala Rio Laguna com: Jorane Castro, Jorge Bodanzky, Evandro Medeiros, Alexandre Nogueira, Francisco Weyl, Zienhe Castro, Chico Carneiro, Felipe Pamplona.

Dia 23

18h - Roda de Conversa com os diretores e as diretoras dos curtas-documentários exibidos na sala Rio Parauaú, que foram realizados durante o Projeto Cinema no Marajó.

Dia 24

18h - Roda de Conversa com José da Silva Ribeiro, Maria Alice Carvalho, Marcio Crux, Fernanda Campos, Sofia Carvalho e Denise Cardoso e Alessandro campos sobre os curtas produzidos durante o projeto “Um Salto a Melgaço: do Minho ao Amazonas - 2019/2020” exibidos na Sala Rio Anapú.

Dia 25

18h - Roda de Conversa  com os jovens diretores dos filmes exibidos na Sala Rio Pracaxí com Maria Alice Carvalho.

Filmes dos alunos

A arte de se reinventar todos os dias

Sinopse: Trabalhar na rua para sobreviver exige muita criatividade além força de vontade. Este documentário nos apresenta a rotina de dois destes profissionais que encaram os desafios deste tipo de ocupação em plena pandemia. Este curta-metragem é resultado da Oficina de Introdução ao Audiovisual realizada de modo virtual aos moradores de Breves do Marajó entre os dias 11 a 15 de maio de 2021.

Classificação: LIVRE | Duração: 00:05:00 | Ano de produção: 2021 | País de produção: Brasil PA | Direção: Tamires dos Santos e Taiane Santos.

Ficha Técnica: Roteiro: Jaqueline Brito Sanches, Taiane Santos e Tamires dos Santos |Fotografia: Andréa dos Santos, Jaqueline Brito Sanches, Taiane Santos e Tamires dos Santos |Som Andréa dos Santos e Jaqueline Brito Sanches |Produção: Tamires dos Santos e Taiane Santos

A gota d'água

Sinopse: Este documentário mostra as dificuldades em se conseguir água potável na cidade de Breves/Marajó, apresentando alguns de seus moradores e seus dramas diários. Este curta-metragem é resultado da Oficina de Introdução ao Audiovisual realizada de modo virtual aos moradores de Breves do Marajó entre os dias 11 a 15 de maio de 2021.

Classificação: LIVRE | Duração: 00:08:00 | Ano de produção: 2021 | País de produção: Brasil PA | Direção: Andressa Gonçalves.

Ficha Técnica: Roteiro: Gilvandria Almeida |Fotografia: Andressa Gonçalves e Rosilene dos Santos |Produção: Rosilene dos Santos e Max Kelvin Vasconcelos 

Mais informações: 

cinemanomarajo.grupovisagem.org/#oprojeto.

Naldinho e Ana Clara lançam canção em parceria

Naldinho Freire e Ana Clara
Fotos: Ketlen Santos e Tita Padilha, respectivamente

Ela é paraense e vem galgando uma carreira cheia de sutilezas e personalidade. Ele é paraibano, morou em outras cidades brasileiras até vir cair em Belém em 2016, onde morou até 2020, construindo uma história na cena paraense. De gerações diferentes, mas com afinidades em compartilhar música e poesia com o outro, Ana Clara e Naldinho Freire iniciaram parceira com a música Clareira, letra dela, música dele.

Ambos possuem trajetórias artísticas que já contam com shows e gravações. Ana Clara lançou o primeiro disco em 2015, já Naldinho, lançou o primeiro disco, um vinil, em 1995. Ana o conheceu quando ainda trabalhava na Rádio Cultura e o entrevistou à época em que o cantautor estava lançando, em Belém, o álbum “sem chumbo nos pés”, em maio de 2018, e, desde então vem acompanhando a carreira dele. “Acho o trabalho bem bonito e plural”, diz a cantora e compositora.

Ele tinha acabado de chegar na cidade e fez uma apresentação na Casa do Fauno, no Reduto, e assim concedeu algumas entrevistas na imprensa local. “Ana Clara, que era a apresentadora do programa Conexão, da Rádio Cultura, foi a primeira pessoa em uma rádio no Pará a me entrevistar”, lembra Naldinho que, mais adiante, por conta de sua ligação, também musical, com Natália Matos, acabou conhecendo o trabalho de Ana, pois as duas têm uma parceria também. Gostou do trabalho dela e este ano resolveu convidá-la, para comporem uma canção. 

“Nos comunicávamos de vez em quando, ele mandando atualizações do trabalho dele, e recentemente veio a conversa sobre compormos algo juntos. Eu lembrei dessa letra que eu tinha escrito há um tempinho, acho que fim de 2019 ou começo de 2020, que me pareceu ter a ver pra essa parceria e achamos que ela tinha um sentido forte nesse momento, uma luminosidade esperançosa que acho que calha bem pra agora”, comenta Ana.

A canção "Clareira", explica Naldinho, “traz um texto que condiz com o período que estamos vivenciando e nos convida a ficarmos atentos às fagulhas de esperança, fortalece a filosofia de que trata o multiartista Pedro Osmar - é coisa de poeta, navegar na contramão- , que através da música, das artes, conseguimos espantar o medo, baixar a febre”.

A canção, nessa primeira apresentação, vem com a voz dele, dois violões (cordas de nylon e aço) e uma sutil percussão (Moringa e ganzá). E é mais uma parceria em meio a uma invejável coleção que ele já possui. Residindo, hoje, em Santa Cruz de Cabrália, na Bahia, ele segue realizando inúmeras conexões, como tem feito em sua trajetória.

“Nesse período pandêmico tenho composto muito e construído parcerias à distância, portanto, chegou o momento de concretizarmos eu e Ana Clara uma parceria musical, eu na Bahia e ela em Belém do Pará. Ela me enviou o texto e fomos discutindo a melhor forma de trazê-lo para o universo da canção, chegamos ao formato que percebemos o diálogo texto-canção e que estávamos satisfeitos com a estética do trabalho musical. Após essa fase, iniciei o processo de gravação do registro audiovisual da canção e chegamos ao resultado que foi publicado no meu canal no Youtube”, conta ele.   

Projetos e novas parcerias   

Ana Clara e Lucas Padilha - Meio Amargo 
Foto: Tita Padilha

Ana Clara também coleciona boas parcerias. “Acho que as interações que a música possibilita são a minha parte preferida, entrar em contato com a visão do outro, aprender e contemplar caminhos diferentes, unir concepções.  Ele fez essa gravação que achei que ficou super bonita. Chegamos a pensar de eu colocar alguns elementos, também, só que como tô em fase de encerramento de dois projetos concomitantes, acabei não conseguindo fazer a tempo. Mas falei pra ele que gostaria de gravar junto quando for possível”, diz.

Ela acabou de lançar um clipe com o Meio Amargo, com apoio da Lei Aldir Blanc. A música chama-se "Golpe de Sorte", e está trabalhando o disco por meio de uma emenda parlamentar do então deputado Edmilson Rodrigues. Vem lançamento aí, em breve.

“O álbum já era um plano antigo, então estamos felizes de finalmente conseguir lançar, em breve. E também com o resultado, especialmente porque foi um processo desafiador pra gente produzir nesse período, sem reunir a banda e com cada integrante enfrentando diferentes tipos de dificuldades. Houve momentos em que achamos que não daria certo, por isso ver as músicas tomando forma tem sido muito gratificante”, conta a cantora.

Clareira, para ouvir no Youtube

Já Naldinho Freire,  tem recebido e provocado outros compositoras/es paraibanas/os, baianas/os, gaúchas/os, semeando sementes de sons e palavras para que se tornem árvores e frutificaram. “Em breve teremos um trabalho de composição com a compositora Ezra e o meu primeiro álbum o vinil "Lapidar", que está sendo trabalhado para ser lançado nas plataformas de streaming”, anuncia.

Diante desse corre artístico que cada um possui, por enquanto “Clareira” fica como está, até que as coisas possam convergir novamente. “Em conversas com Ana Clara já pensamos na possibilidade de gravarmos um single, um outro clipe com a participação dela , mas, o melhor é deixar fluir os acontecimentos em torno da canção, curtir esse resultado, divulgar para que as pessoas percebam a força dessa canção e o que ela tem a contribuir com esse momento que necessitamos de construir clareiras”, define Naldinho.

Para ouvir a música:

https://www.youtube.com/watch?v=yy6_CA4Z_7Y&feature=youtu.be

Mais sobre os compositores:

@naldinhofreireoficial

@anaclara.nm

19.7.21

Rádio Margarida festeja 30 anos com cortejo e live

A Rádio Margarida está completando este ano, 30 anos de atuação na defesa dos direitos humanos na Amazônia. Para celebrar a data, a ONG realizará uma programação especial com live artística, nesta terça-feira, 20 de julho. Haverá cortejo cultural e uma live!

A circulação pelas ruas de Belém vai contar com  um dos seus maiores símbolos: o Margaridinha, ônibus histórico da 2ª Guerra Mundial que esteve presente na primeira aparição pública da Rádio, em julho de 1991. Toda a programação respeitará os protocolos de segurança em saúde, em virtude da pandemia.

Para relembrar a primeira saída em 1991, no dia 20 de julho, o ônibus Margaridinha circulará pelo complexo do Ver-o-Peso, com participação de arte-educadores, dançarinos e bonecão mascote, uma trupe semelhante à que estava na primeira apresentação da ONG. Parte do elenco irá dentro do ônibus, e outra parte irá acompanhando do lado de fora. O cortejo não fará apresentações fixas para não provocar aglomerações. 

Além disso, será realizada também no dia 20 uma live com programação artística, incluindo apresentação teatral, teatro de bonecos, música e depoimentos de pessoas que fazem parte da história da Rádio Margarida. O evento será transmitido pelo canal da ONG no YouTube.

Para Osmar Pancera, fundador da Rádio Margarida, o objetivo da programação é dar visibilidade ao trabalho da ONG, importante para a garantia dos direitos humanos na nossa região, e marcar esta data em que foi feita a sua primeira ação, quando o ônibus Margaridinha circulou de Belém até a ilha de Mosqueiro levando uma concepção artística de um radioteatro ambulante. 

Ao longo dessas 3 décadas de história, a ONG realizou dezenas de projetos e produziu centenas de conteúdos educativos, a maior parte deles disponíveis no seu portal e canal do YouTube. Entre 2018 e 2019, visitou mais de 100 municípios no Estado do Pará. 

Agora, em 2021, realizou uma campanha para o município de Tucumã-PA voltada para o enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes, um dos temas mais trabalhados pela ONG. E também realiza no Marajó, em parceria com o UNICEF, o projeto Awuré Ubuntu, que tem como objetivo criar subsídios para o enfrentamento da violência sexual e do trabalho infantil nas cidades de Curralinho, Melgaço e Breves. 

Sobre a Rádio Margarida

Com o objetivo de promover os direitos humanos e, de maneira especial, o de crianças e adolescentes na Amazônia, a ONG busca levar informação, cultura e cidadania para as diferentes comunidades da nossa região. 

Com uma técnica própria de trabalho, o Método de Educação Popular – Rádio Ação, a Rádio utiliza as linguagens artísticas (teatro, teatro de bonecos, palhaço, brincadeiras, música) e os meios de comunicação social (audiovisual, impresso e digital) para sensibilizar e educar crianças, adolescentes e adultos de forma lúdica e acessível.

Alguns dos temas trabalhados pela ONG são: violência sexual contra crianças e adolescentes, trabalho infantil, violência doméstica contra crianças e adolescentes, bullying, drogas, educação, saúde, cultura e meio ambiente. Alguns dos conteúdos educativos produzidos já tiveram circulação nacional, como a série de vídeos produzidos em parceria com o MEC em 2008.

Ônibus “Margaridinha”

O “Margaridinha” é um veículo que remonta à 2ª Guerra Mundial e fazia parte de uma frota doada pelo exército suíço para instituições religiosas. Ele pertencia à República do Pequeno Vendedor (que deu origem ao Movimento de Emaús) e serviu, durante anos, como meio de transporte a muitos meninos e meninas em situação de rua.

Adquirido posteriormente pela Rádio Margarida, o ônibus foi todo reformado e esteve presente na primeira aparição pública da ONG, realizada no dia 20 de julho de 1991, num percurso que foi de Belém a Mosqueiro. Desde então, sempre levou arte, cultura, informação e educação para a capital e o interior do Estado do Pará. Durante algum tempo, esteve parado por problemas técnicos e falta de recursos para restauro. Mas no Círio de 2020, o veículo retornou às ruas de Belém numa ação que levou teatro e música pelas ruas da capital paraense.

Programação

Dia 20 de julho – Terça-feira

12h – Cortejo Artístico Cultural no Ver-o-Peso

Concentração: 11h em frente ao Sesc Boulevard

Após cortejo no Ver-o-Peso, o ônibus circulará por algumas ruas e avenidas de Belém.

19h – Live Comemorativa

19h00 – Abertura: Palhaço Claustrofóbico + Boneco Padre Bruno

19h05 – Videoclipe 30 anos (Asas da imaginação) 

19h10 – Depoimento Osmar Pancera (fundador da Rádio Margarida) - o início da história

19h20 – Espetáculo teatral “Domador e seus animais nada abestados” (teatro de bonecos)

19h30 – Apresentação musical com Renato Torres (música “Sorriso”)

19h35 – Apresentação do palhaço Claustrofóbico e do personagem Super ECA

19h40 – Depoimentos Carmen Chaves e Eugênia Melo (cofundadoras da Rádio Margarida) - projetos e prêmios

19h50 – Apresentação musical com Melyssa Albuquerque e Luciano Lira (música “Redução da maioridade penal”)

20h00 – Vídeo com depoimentos sobre a Rádio Margarida

20h05 – Espetáculo teatral “Árvore” (teatro de bonecos)

20h10 – Apresentação do palhaço Claustrofóbico e do boneco Vovô Osvaldinho 

20h15 – Depoimento Nayara Lima - O que nos move a continuar?

20h20 – Encerramento – Agradecimento com participação da bonecona Olímpia

Para saber mais:

Site: www.radiomargarida.org.br

Instagram: @radiomargarida

Facebook: facebook.com/radiomargaridaong

Youtube: youtube.com/radiomargaridaong


17.7.21

Thiago Castanho na websérie "Do Boteco à Baiuca"

Pensando em resgatar essa cultura, carregada de memória afetiva para o paraense, a Bohemia lançou nesta última quinta-feira (15), a websérie "Boteco à Baiuca", com o chef paraense. Ao todo serão 8 episódios lançados a cada 15 dias no perfil oficial de Thiago Castanho.

A Baiuca, um termo antigo do Pará, equivalente a boteco, já estava quase esquecida e em desuso pelos jovens, mas ganhou atenção da cerveja Bohemia, primeira cervejaria do Brasil, que olha e resgata as tradições de cada canto do país. 

Thiago Castanho, além de chef, é um baiuqueiro apaixonado pelo Pará. O paraense é conhecido pelo trabalho como apresentador da série de gastronomia Sabores da Floresta no canal Futura, ele representa a culinária paraense e todas suas tradições, buscando sempre elementos regionais e receitas que conectem a natureza exuberante do Pará e da Amazônia. 

A websérie terá oito episódios e levará os paraenses a uma viagem gastronômica e cultural pelas ruas de Belém. “Todo paraense das antigas se reconhece ao entrar numa baiuca, mas nem todo mundo da nova geração teve a oportunidade de viver essa experiência, ou só viveram a versão boteco dela”, conta Thiago Castanho logo no 1º episódio. 

Cada episódio da websérie contará uma história e levará o espectador para dentro das baiucas. Produtos, ingredientes, clientes, sabores, aromas serão retratados em cada cena, com toda a simpatia e conhecimento do chef. 

“A Bohemia não deixa as tradições se perderem com o tempo. A primeira cervejaria do Brasil é cultura e tradição em movimento, mergulhou nesses botecos, e valoriza as histórias e personagens que fazem parte deste universo, mostrando a relevância da Baiuca para a cultura paraense”, explica Thalita Barreto, gerente de marketing regional da Ambev.

Os episódios vão ao ar, a partir desta semana, até o final de semana que antecede o Círio de Nazaré, em outubro. Os programas inéditos serão veiculados sempre às quintas-feiras, de 15 em 15 dias, no IGTV de Thiago Castanho no Instagram. 

A Bohemia move tradições. Presente na vida dos brasileiros desde 1953, a Bohemia Puro Malte é uma cerveja para todos os momentos. Produzida com malte 100% importado e lúpulo Saaz, da República Tcheca, ela é clara, leve e muito refrescante. Tim, Tim! 

Para ver o primeiro episódio, vai lá no perfil do chef @thiagocastanho.

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14.7.21

Coletivo Mergulho lança o 1o álbum da trajetória

Fotos: Rogério Folha
"Cantos de Encantaria" é um projeto antigo do Coletivo Mergulho, formado por Renato Torres e Carol Magno, que experimentam a arte em vários formatos, e entram agora numa conexão mais profunda com a floresta e os encantados. O disco sai em CD físico, além de chegar, nesta quinta-feira, 15, em todas as plataformas digitais. 

Em 2013, Renato Torres e Carol Magno se encontraram e se tornaram parceiros na arte e na vida. Desde então passaram a realizar diversos projetos que tiveram como embrião o que agora se materializa em "Cantos de Encantaria", fruto de um processo longo, denso, repleto de intuição e alumbramento, criação e escuta na e da natureza; e que agora pode ser compartilhado com o mundo. 

"Esse é o nosso primeiro projeto juntos, temos os espetáculos, performances, mas esse trabalho é como se fosse o projeto mãe de todos os outros. Tudo começou de forma natural, a partir dos lugares que a gente ia e vivenciava algumas experiências que nos levaram a compor. E com o tempo, isso ganhou uma linguagem própria, uma cara. Ele fala, por meio da música, muito das imagens que a gente constrói sobre essa Amazônia, que está na nossa pele, na nossa carne. É uma forma de ver o mundo, de como esse lugar constitui a gente", comenta Carol Magno.

Renato Torres conta que no início foram sendo experimentadas habilidades e possibilidades que eles já possuíam e experimentavam unindo encenação, poemas e música, coisas que eles já gostavam de realizar, até que percebessem que ali havia algo a ser mais precisamente investigado. "A gente percebeu que havia um material falando mais especificamente dessas energias que a gente percebe como influências ou heranças afro indígenas, principalmente no norte amazônico, como a pajelança cabocla, e a maneira como as religiões de matriz africana e a própria espiritualidade indígena funcionam dentro do nosso ethos, nosso modo de viver”, diz o músico.

O projeto se concretiza, em meio a pandemia, a partir de emenda parlamentar do então Deputado Federal Edmilson Rodrigues. "Esse trabalho me transforma, provoca uma coisa que eu acho muito cara dentro da obra de arte que é a pausa, ele me faz parar para olhar pra dentro, pensar e refletir sobre tudo isso foi vivenciado esses anos, dentro dessas matas e igarapés. A possibilidade de realizar esse trabalho, em plena pandemia, foi algo  transformador. Esperamos que aqueles que escutarem o disco consigam sentir o que foi tudo isso, que todos sintam integralmente o que quisemos passar, traduzir", diz Carol. 

São ao todo 13 músicas e cada uma tem sua história

O disco chega completo, depois do lançamento de três singles. O primeiro, lançado em março, intitulado "Minha Mãe"; em junho, "Mergulho", e agora, em julho, "Riozinho", que vai também ganhar um clipe que será lançado no dia 23, com direção de João Urubu; concepção e confecção de figurinos, de Maurício Franco e Marileia Aguiar. O ensaio fotográfico feito no Combu, é assinado por Rogério Folha e Cristina Pessoa concebeu a maquiagem que transforma Carol e Renato, visualmente, em entidades indígenas. 

A música foi feita numa localidade específica na ilha de Colares, num sítio em que existe um belo igarapé, e após uma experiência sensitiva de Carol Magno, que durou uma noite em claro, ouvindo tambores e vozes que a chamavam para dentro da água. 

Já a canção "Encantado", a segunda canção do álbum, veio de uma experiência em Santa Bárbara, no meio do mato. "Chegamos a um igarapé e fomos seguindo seu leito até nos perceber na mata, num lugar de muita beleza e energia. Paramos num determinado ponto que parecia uma piscina e estávamos com mais um amigo e parceiro que compôs conosco a canção", relembra. 

O tema que veio ali naquele dia, fala de uma entidade que os acompanhava, algo que tinha a mesma sinuosidade do próprio leito do igarapé, como se fosse alguém que se transformava em cobra. "Este alguém invisível a andar pela mata observa esse canto e me sopra as palavras", diz a letra. "E assim percebemos que essas canções tinham uma conexão ou materializam essa conexão que estávamos, os três, ali sentindo”, diz o músico.

Para ele, viver em Belém e frequentar os demais municípios paraenses, os possibilitou adentrar na mata para ouvir com profundidade seus sons e formas de vida. Essa foi a chave de tudo, pois lhes permitiu  vivenciar junto às comunidades e moradores de cada lugar todas essas situações de ancestralidade e  conexão com a natureza. "Várias canções começaram a brotar nestas visitas, em que iam surgindo temas de orixás e outros que simplesmente tratavam de reverberações e vibrações que sentíamos nos lugares e não sabíamos nomear", continua Renato, que também possui um trabalho de produção musical para o teatro e de participação e criação de diversas bandas da cidade. 

Não há caráter religioso, mas essa obra nos religa à natureza

"Cantos de Encantaria" não traz cânticos religiosos de qualquer natureza e nem mesmo são pontos de terreiro. Os cânticos são de encantaria, mas trazendo a energias das nossas mandingas e receitas de cura, com os banhos de cheiro, de descarrego e de toda proximidade da natureza. 

"É evocativo de uma ambiência que vivemos quase que constantemente no norte", comenta o artista, sobre esse estado de permanente encantamento ou como disse João de Jesus Paes Loureiro, de maravilhamento do caboclo amazônico, ao olhar para toda essa exuberância da floresta.

Para o coletivo, essa ancestralidade afro indígena é algo que torna especiais as pessoas que vivem nesta região, mas é também uma tradição musical que já existe no Brasil. "Não estamos inventando nada, há muitas pessoas e compositores fazendo esse tipo de trabalho, se conectando com essa energia. Nosso diferencial é que também estamos conectados a um tripé formado pelo teatro, a poesia e a música", segue Renato.

Carol comenta que o disco que está sendo entregue esta semana, vem sendo maturado há algum tempo, com parceiros que somam no Coletivo Mergulho. "Cada pessoa que nos agregamos, e com muitas delas sonhamos e convidamos para contribuir com essa identidade amazônica que temos, que entendemos como esse lugar abundante, de natureza, espiritual, de força e energia", continua a artista, que além de artista-articuladora do Coletivo Mergulho, possui uma vasta produção acadêmica. É Mestra em Artes pelo Instituto de Ciências da Arte pela UFPA, tendo lançado em 2016, o livro "Feminino à queima roupa".

E assim, nesta nova produção do coletivo, há participações de músicos como Jade Guilhon, Katarina Chaves, Camila Barbalho, Armando de Mendonça, João Paulo Pires, JP Cavalcante, Marcelo Ramos, Tista Lima, Príamo Brandão, Rodrigo Ferreira e Paulo Borges. O disco  sai pelo selo carioca Labidad Produções, com apoio também da UFPA, via Fundação de Amparo e Desenvolvimento à Pesquisa - Fadesp e Faculdade de Comunicação. 

"Esse trabalho recebeu recursos de emenda parlamentar e somos muito gratos a todos que nos apoiaram, como Inês Silveira, que foi assessora de Edmilson quando deputado federal; e a professora Ana Prado, da Facom que foi quem coordenou o projeto, pela universidade", finaliza Renato.

Ficha Técnica

Produzido e dirigido  por Renato Torres e Carol Magno
Arranjos de Renato Torres e Carol Magno com a colaboração dos músicos
Pinturas da capa e encarte: Maurício Franco
Projeto gráfico: Eliane Moura
Fotos: Rogério Folha
Maquiagem: Cristina Pessôa
Cantos de Encantaria:
Carol Magno: voz, vocais
Renato Torres: voz, violão, ukulele e vocai
Assessoria de imprensa: Dani Franco

Participações especiais:

Jade Guilhon: viola (Lamento da Mãe D’água, Mergulho, Oxum e Oxóssi, Riozinho);
Katarina Chaves: percussão (Baia Morena, Cachoeira dos Pretos, Canto Pra Mãe do Mar, Minha Mãe, Riozinho);
Camila Barbalho: baixo elétrico (Chuva);
Armando de Mendonça: violino (Jurunaldeia, Mergulho, Minha Mãe, Oxum e Oxóssi, Riozinho);
João Paulo Pires: percussão (Canção Cigana, Chuva, Jurunaldeia, Maré Cheia, Lamento da Mãe D’água);
JP Cavalcante: percussão (Encantado, Oxum e Oxóssi, Mergulho);
Marcelo Ramos: violão 7 cordas (Baia Morena, Canto Pra Mãe do Mar);
Tista Lima: sanfona (Canção Cigana);
Príamo Brandão: baixo acústico (Cachoeira dos Pretos);
Rodrigo Ferreira: teclados (Maré Cheia);
Paulo Borges: flauta transversal (Chuva).

Serviço

Lançamento do álbum “Cantos de Encantaria” do Coletivo Mergulho. Nesta quinta-feira, 15 de julho de 2021. Nas plataformas Deezer, Spotify e Apple Music e nas redes sociais  do @coletivomergulho (Instagram e Facebook) e em breve na Loja Ná Figueredo. O disco foi gravado, mixado e masterizado no Guamundo Home Studio, por Renato Torres, com realização do Coletivo Mergulho, e produção da Reator Cultural Socioambiental. 

13.7.21

O Balanço do Rock nas ondas sonoras de um livro

Lançado recentemente pela Funtelpa, junto à celebração, o livro do Balanço do Rock contou com série de três programas especiais transmitidos pelo canal de Youtube do Portal Cultura. O último vai ao ar às 20h desta terça-feira, 13 de julho, claro, no Dia do Rock.

Há umas duas semanas chegou aqui em casa pelas mãos do baterista Carlos Canhão Brito (atualmente da banda Puget Blues, ex- A Euterpia entre outros grupos e projetos musicais), o livro "Balanço do Rock - a mais tribal de todas as festas", que comemora os 30 anos desse programa criado na Rádio Cultura do Pará. Ainda estou terminando de ler o livro, mas na data de hoje, impossível te-lo em mãos e não gerar o conteúdo de hoje aqui no blog. 

A narrativa é do jornalista Vladimir Cunha, que viveu e aborda as três décadas de história do programa, passeia por histórias diversas envolvendo as bandas, ensaios e tantos outros desdobramentos vinculados direta ou indiretamente ao programa Balaço do Rock. Leitura fluída e lembranças a flor da pele, para quem também viveu aquela época. Informativa e interessante pra quem chegou depois.

Para quem já leu Decibéis sob Mangueiras, do Ismael Machado, que se tornou um clássico sobre os rock paraense dos anos 1980 e inicio dos anos 1990, ler o "Balanço do Rock" se faz recomendado, pois é complemento com novidades. Traz visões e depoimentos de momentos retratados nas duas obras. Já se passaram 30 anos, mas em alguns dos pontos mais impactantes dessa história, as reflexões são catárticas. É o caso da fatídica noite do 3o Rock 24 horas. 

Eu estava lá e quando chegamos a Jolly Jocker estava no palco, mas a tensão já era grande nos arredores. Um anjo deve ter sussurrado em nossos ouvidos e saímos dali para dar um rolê e voltar depois, mas não houve depois. E não foi fácil ressurgir dos escombros deixados pelo incidente. A maior violência, porém, foi feita contra o rock que se tornou o único culpado de tudo aquilo. O peso do mundo caiu sob nossas costas, que ainda éramos tão jovens. E se tudo tivesse dado certo o Ismael e o Vlad estariam contando uma história bem diferente sobre a nossa cena rock, mas chega de lamentos.

Contextualizado o sentimento de liberdade que aflorava no país com a abertura política e tudo que houve depois nesta década, a introdução do jornalista e produtor Marcelo Damaso (Se Rasgum) é um convite para mergulharmos no texto que vem a seguir, retomando passo a passo os anos marcantes da virada dos anos 1980 para os da década de 1990. A capa do livro, assinada por Bina Jares, é inspirada numa Fita K7, algo marcante para o programa, como vocês lerão nas páginas desse livro, apresentado pelo atual presidente da Funtelpa, o radialista Hilbert Pinho Nascimento. 

Acho que todo mundo que o ler, aliás, sendo daquela geração, vai também fazer uma longa viagem até chegar aqui e se olhar, 30 anos depois. Em 80, assim como muita gente que se identificava com a música brasileira e o rock nacional, a rádio era sinônimo de diversão. Pré-adolescente, eu gravava e transcrevia as letras das canções que eu ouvia em alguns programas, e comecei, assim que tive recursos, a comprar vinis. Acabei indo pro Rock in Rio na metade da década. No Rio de Janeiro, não se falava em outra coisa que não fosse rock ou Circo Voador. 

Em Belém, ia-se ao La Cage (uma história que precisa ser contada pelos DJs) e aos shows dos grandes nomes da cena roqueira do Brasil, na Escola de Educação Física. Entre outros, vi Paralamas, Cazuza, Biquini Cavadão, Legião Urbana e Lobão (arghh, dá até raiva de cita-lo, mas tá na história, assim como a cena patética dele na Avenida Paulista pedindo a volta da Ditadura) e Rita Lee, mas também cheguei a ver As Mercenárias. O Vlad descreve muito bem todo esse cenário local, da galera que tava na rua fazendo e acontecendo. Lembrei que de vez em quando eu caía numa festinha de apê, onde para entrar tínhamos que ter senha, hahaha. Eu geralmente saía do lendário Bar 3 x 4 já com quem sabia mais do que eu das coisas. 

Estávamos em 1989 e eu já cursava o segundo ano de comunicação social, com uma queda irreversível  pelo jornalismo cultural. No ano seguinte, estava chegando à Funtelpa, mais especificamente à discoteca da Rádio Cultura, onde me abracei com muitos vinis. Na programação da radio, estavam Mariano Klautau, Beto Fares, Toni Soares, Luizão e outros que, não só nos apresentavam as novidades musicais de fora do circuito comercial, como também articulavam shows de Arrigo Barnabé, Dulce Quental e Ney Lisboa em Belém. 

Fim dos anos 1980 e o início do Balanço

Os anos 80 se foram e na década seguinte, Felipe Gilet e Marcelo Ferreira criavam o Balanço do Rock, programa que foi se firmando na medida em que compreendia que, para virar tendência era preciso ser autoral, e para ser autoral, precisava trazer seus protagonistas também para dentro da estrutura da rádio. E isso tudo aliado a profissionalismo e coragem, já que o rock não é o estilo que se aceita numa sociedade tacanha. 

As bandas sonhavam em gravar e ter videoclipe na MTV, e eu tinha voltado a trabalhar na Funtelpa, em 1992. Dois anos depois comecei minha jornada, também na redação do Diário do Pará, no Caderno de Cultura, vi nascer a ideia do Caderno Animal. Era frequentadora de carteirinha do Go Fish, onde vi ser construída e realizada a primeira Feira Mix e o movimento Drag Queem pioneiro de Belém. Eram várias cenas, além do rock, mas isso gera outro livro.

Não há espaço para saudosismo, mas é curioso e importante lembrar que não havia celular, mas sim, o conhecido Bip e as secretárias eletrônicas para nos comunicar. Tínhamos mais tempo uns para os outros, tipo presencial. Não havia selfies, mas tenho fotos em película e posso provar que estava lá. Nem sonhava que existiria a Internet como a conhecemos hoje, nem que estaria escrevendo sobre isso num blog, só pra dizer pra vocês que a história é igual ao rock, se faz vivendo de verdade e se está sempre disposto a virar o jogo!  

Leiam Balanço do Rock ouçam as bandas do tempo de vocês, conheçam as que vieram antes, gerem a nova cena e os roqueiros que queremos. Vivam o rock todos os dias! Tô pensando aqui que Vavá e Edidinho estão ouvindo, hoje, um som celestial. E que essa pandemia vai passar, os facistas vão cair, estejamos prontos, produzindo e mais concientes de tudo, principalmente politicamente. 

Para se inspirar, vejam logo mais o programa especial de 30 anos do Balanço do Rock que hoje (13), às 20h, recebe a banda Klitores Kaos, banda de Hardcore/punk/crust Feminista e Antiracista, formada em 2015 em Belém do Pará. Deixo aqui os parabéns ao Balanço do Rock, que estará ao vivo, pelo canal de Youtube do Portal Cultura, com apresentação de Raul Bentes, que comanda o programa em todas as noites de quarta-feira, na Rádio e Portal Cultura. 

Canal Portal Cultura

https://www.youtube.com/user/canalportalcultura/featured

Para saber mais:

http://www.portalcultura.com.br/node/54799