16.5.22

Amazônia Encena na Rua vem de Rondônia ao Pará

O Amazônia Encena na Rua sai de sua casa, em Porto Velho, Rondônia, pela primeira vez, e chega ao Pará no mês de junho. Em Belém haverá uma vasta programação, entre os dias 5 e 12 de junho, com apresentações no anfiteatro da Praça da República, em escolas e comunidades, e com ações formativas, incluindo debates com a realização do IV Seminário Amazônico de Teatro de Rua. As inscrições para as oficinas iniciam nesta semana, acompanhem pelo site e confiram desde já os espetáculos que estarão em cartaz. É tudo gratuito. Depois de Belém o evento ainda segue para tres outros municípios paraenses, com programação entre os dias 15 e 25 do mesmo mês.

Este é o 13º festival, edição que inaugura o formato de uma itinerância que além da Amazônia tem pretensões de chegar também à América Latina, em um futuro próximo.  Por enquanto, além de passar por Belém, o festival ainda seguirá para mais três municípios paraenses: Xinguara, Marabá e Parauapebas, numa iniciativa desafiadora. 

O festival reúne grupos do teatro de rua dos nove estados que integram a Amazônia Legal: Pará, Rondônia, Roraima, Amazonas, Mato Grosso, Acre, Amapá, Maranhão e Tocantins. Desde seu surgimento, o evento mantém as suas três principais metas: oferecer espetáculos de teatro, circo e dança; ações formativas e ciclos de debates. Além dos grupos amazônidas, também há espetáculos convidados, este ano vindos do Rio de Janeiro e do Distrito Federal.  

A edição tem patrocínio do Instituto Cultural Vale, com realização da Secretaria Especial da Cultura, Ministério do Turismo e Governo Federal. A iniciativa é do O Imaginário, fundado em 2005 com o objetivo de pesquisar e investigar as diversas linguagens artísticas. Em seus trabalhos, discute a relação entre o público, o teatro e a cidade. 

“O primeiro grande foco é fazer com que esses grupos de teatro da Amazônia Legal possam, uma vez ao ano, se encontrar, pra discutir as questões relacionadas a estética, e toda sua forma de conteúdo”, diz Chicão Santos, artista, professor e militante cultural, que criou e coordena o festival. 

Nascido na cidade de Cacoal, no interior de Rondônia, Chicão Santos é  palhaço, diretor e produtor teatral, que se mudou em 1995 para a capital Porto Velho, onde deu continuidade a suas atividades artísticas, que sempre dialogaram em transversalidades, tendo o teatro como elemento condutor de transformação pessoal, social e cultural. Em 2005, ao funda O Imaginário, ampliando seu alcance e criando os embriões e alicerces para o Amazônia Encena na Rua .

Na entrevista a seguir, ele, que só chega na semana que vem a Belém, nos conta mais sobre o surgimento do festival e suas missões, desafios e expectativas, afinal é um retorno às ruas, após dois anos de clausura pandêmica. O clima é de celebração, expectativas pelo encontro, que de certo será de muita troca cultural. Confira!

Chicão Santos em ação (Porto Velho-RO)
Foto: Reprodução, Internet

Holofote Virtual: Belém já está na expectativa da chegada do Amazônia Encena na Rua. Eu já conhecia o festival de longe, mas queria saber como foi exatamente que surgiu o projeto e o que te levou a realizar um festival de teatro amazônico, e na rua?

Chicão Santos: Foi em 2007, quando estive na Bahia e participei da criação do movimento brasileiro de teatro de rua, foi quando tive clareza de que deveria realizar um festival de teatro em Porto Velho, onde não havia nenhum. 

A gente circulava já por outros festivais da Amazônia, como no Acre, em Manaus, e em Belém e a ausência de um festival em Porto Velho foi ficando cada vez mais evidente. Então quando retornei da Bahia, a Caixa tinha lançado um edital para premiar festivais. Inscrevemos o projeto e fomos contemplados.  

O primeiro festival aconteceu em 2008, com baixo orçamento, trazendo grupos para Porto Velho (RO), vindos do Acre, Roraima e Amazonas, além da participação de Narciso Telles, ator, diretor e professor atualmente do curso de teatro da UFU (Uberlândia-MG), mas na época ele ainda morava no Rio. Fizemos  a programação durante uma semana, e no final de semana fizemos cinco rodas de apresentação em praça pública  e em cada uma tinham pelo menos 800 pessoas, foi uma coisa linda.  

Holofote Virtual: E já são 13 edições com esta. Nesse percurso todo, como esse festival te atravessa e como se cruza com a sua própria trajetória?

Chicão Santos: Eu sempre fui um provocador da cena, sempre nas minhas ações e nos coletivos que participo, discutimos a questão do teatro, do público e da cidade, e canalizamos para a popularização do teatro. 

Naquela primeira edição, nós colocamos mais de 8 mil pessoas na programação. E assim fazendo trabalhos em escolas, blitz e levando o teatro pra todo lugar. 

Eu coordenei também um projeto chamado Escola Aberta, onde a gente reunia as comunidades nas escolas, dando oficinas. Era um lugar de muitas atividades em todos os lugares, também fazendo caravanas pelos rios e na BR, sempre discutindo essas questões. Então na minha trajetória, o festival passa por esse lugar da popularização do teatro, da inclusão, da promoção do acesso às pessoas tudo oferecido gratuitamente.

Holofote Virtual: Como surge a ideia de tornar este projeto itinerante? 

Se deixar, ela canta (Circo, Amapá))
Foto: Divulgação
Chicão Santos: A gente já havia discutido essa possibilidade de itinerância no 3º seminário, e feito algumas propostas de circulação. Em 2020 o projeto foi aprovado no edital da Vale, só que veio a pandemia e não conseguimos realizar naquele ano. Efetivamente, estamos realizando isso agora. Foi um processo de construção. Nossa expectativa é somar com os coletivos. 

Além do mais, Belém é muito importante para Amazônia. Sempre é desafiador e muito difícil organizar eventos em qualquer cidade do Brasil. E lógico que quando saímos do lugar da gente, os desafios aumentam, pois precisamos estabelecer novas relações com fornecedores, parcerias, grupos, setor público, além do próprio público e coletivos da cidade, mas a gente tem tido boa receptividade e temos estabelecido ótimas conexões. 

Holofote Virtual: Quais são as expectativas de vocês com Belém?  

Chicão Santos: Nossa expectativa é aprofundar nossa relação com a cidade de Belém, tão importante para toda a Amazônia. Queremos estabelecer vínculos com a cultura, tenho muitos amigos aí em Belém. Vamos ter com certeza uma troca muito legal e isso acaba tornando menores os desafios. Esperamos que as pessoas participem e partilhem suas experiência.

Sodade (Dança, Amazonas)
Foto: Divulgação

Holofote Virtual: O que podemos esperar da programação em Belém, sendo que depois vocês ainda seguem para outros municípios paraenses? É um fôlego e tanto...

Chicão Santos: Temos várias frente de trabalho, em Belém. A Praça da República será a arena principal, onde haverá as apresentações noturnas, no anfiteatro. Durante o dia vamos fazer o bate volta em escolas e comunidade, com os grupos que vão fazer apresentações, e também teremos três oficinas, uma delas dentro de escolas e outra na Praça da Republica, além do IV Seminário Amazônico de
Teatro de Rua, que fecha a parte formativa, trazendo o debate sobre as políticas públicas voltadas às artes cênicas. 

Depois iremos para Xinguara, Parauapebas e Marabá. Estamos levando três espetáculos e uma oficina; e também estamos fazendo registro audiovisual para gerar um documentário sobre todas essas questões do festival. Vamos enfrentando as distancia e celebrando as conexões.

Fashion Fake (Pará)
Foto: Carol Abreu

Holofote Virtual: Qual tua visão acerca de teatro de rua no Brasil e mais especificamente na Amazônia?

Chicão Santos: Nós temos trabalhado ao máximo para dissolver essa visão de que nos somos periferia do país ou que nos somos o patinho feio, excluídos do processo. É bom lembrar que nós representamos 74% do território nacional, então nós estamos mais para ser o teatro brasileiro, acaso isso fosse calculado pela territorialidade. 

Anos atrás isso passava despercebido, porque RJ e SP dominavam todo o tipo de teatro, uma cultura que vinha desde o Império, mas depois da criação da Rede Brasileira de Teatro de Rua e da Rede Teatro da Floresta a gente conseguiu demarcar muitas estratégias e questões no cenário nacional.  O teatro está numa efervescência, voltando às ruas, ocupando os espaços. A gente vai fazer com que esse teatro cresça e conquiste mais espaços pra gente falar da nossa cena, trazer esses temas da transformação do ser humano, da sociedade dos lugares da cidade.

O Cavaleiro Perfumado / Foto: Beatriz Brooks

Holofote Virtual:
 Tem muita gente fazendo teatro de rua no país?

Chicão Santos: Temos várias experiências exitosas, como no Cariri, no Nordeste, no Acre, SP, RJ, Brasília e Bahia. Temos um movimento muito forte de teatro de rua e com o Amazônia Encena, a gente quer consolidar isso de forma mais abrangente que integre todas as regiões. Pena que os recursos são poucos,  poderíamos possibilitar mais grupos, mais trocas, mas os custos são muito altos, e assim fica impossível sair do Rio Grande do Sul, por exemplo, para vir ao norte do país. É sempre uma dificuldade esses custos, mas vamos superando. 

Vamos ter também uma conversa na Escola de Teatro e Dança da UFPA. Estarão conosco, três atores, professores doutores em teatro, André Carreira (Santa Catarina), Narciso Telles (Uberlandia) e Michele Cabral (Maranhão), numa mesa redonda com os alunos, demonstrando esse prazer de trabalhar também dentro das academia nesse momento de retomada. 

Holofote Virtual: A itinerância já vinha sendo gestada. E porque resolveram iniciar por Belém?

Chicão Santos: Por conta das nossas conexões, foi fácil escolher por onde começar. Belém é a capital que foi porta de entrada para a ocupação também do nosso estado (Rondônia), trazendo os navios, barcos e os trabalhadores pra construção da Estrada de Ferro Madeira Mamoré, uma obra civil da maior importância em todos os tempos, e que possibilitou a formação da sociedade rondoniense, então esse vinculo com Belém, pela água nos torna bastante próximos e também com certeza temos que celebrar isso.  É como a gente estivesse devolvendo algo à cidade de Belém. Estamos muito felizes e contentes com a realização do projeto. E este ano será um divisor de águas, queremos celebrar com os coletivos. 

13.5.22

Web-doc aborda a arte e a cidadania na periferia

Ordep fazendo grafitagem no Jurunas
Foto: Deco Barros
Já está no ar o primeiro episódio do webdocumentário “Arte e Cidadania: Caminhos que se cruzam em Belém do Pará”, que conta a história e apresenta o trabalho de seis artistas de bairros periféricos da capital paraense: Carol Magno, Ordep e Samu Periférico, do Jurunas; e Laura Sena, Awazônia e Núcleo Sociocultural e Ambiental São Joaquim, representado pelo músico Manoel Fonseca, do Barreiro. O webdoc é uma produção da ONG Rádio Margarida, com o patrocínio da Equatorial Pará, por meio da Lei Semear, do Governo do Pará. A cada semana, deverá ser lançado um novo episódio.

Para os/as artistas, esta é uma oportunidade de dar mais visibilidade para seus trabalhos, que fazem a diferença na realidade dos seus bairros, e trazer uma outra visão sobre o que é produzido nessas comunidades. 

“Achei uma ideia brilhante difundir a cultura que existe na periferia paraense e seus artistas, o povo que faz de fato a cultura e que transforma a vida e os olhares da sociedade como um todo”, comenta Laura Sena, uma das artistas participantes do webdoc.

Para José Arnaud, diretor geral do webdocumentário, a produção tem sido uma experiência rica que permite uma aproximação com pessoas e realidades que muitas vezes não possuem visibilidade e não chegam ao conhecimento da população de Belém. “Só a arte para propiciar isso para a gente, esse diálogo entre as periferias e os artistas de Belém”, comenta.

Múltiplas linguagens para diversas realidades

Carol Magno
Foto: Deco Barros

O webdoc mostra como a produção dos artistas está entrelaçada à história e à cultura dos seus bairros, e como suas iniciativas promovem um exercício de cidadania com a população. Tudo isso mostrado através de múltiplas linguagens: fotos, textos e vídeos compõem juntos toda essa narrativa. 

“A linguagem do webdocumentário está nos proporcionando a liberdade de criar por várias frentes. Assim a gente consegue ter uma profundidade maior na abordagem de cada subtema”, explica José Arnaud. 

O diretor também conta que cada episódio do webdoc aborda um subtema, totalizando seis: A Arte e seus/suas artistas; Barreiro e Jurunas: o chão por onde andamos; Porque produzir arte na periferia de Belém?; O percurso artístico e sua relação com a periferia; Atravessamentos cotidianos: a vida em comunidade; e De sonho em sonho se transforma a realidade.

Visibilidade e valorização 

Manoel Fonseca no Núcleo São Joaquim
Foto: Deco Barros
Segundo José Arnaud, essa produção traz ganhos não apenas para os artistas que participam do webdoc, mas também para toda a cidade, porque abre a possibilidade de um debate sobre quem são as pessoas que estão nas periferias de Belém. 

“Abre um debate sobre o fato de que o centro urbano da cidade não é o único espaço onde tem produção artística, onde tem pessoas comprometidas com mudanças sociais, e a gente vai entender que dentro das periferias existem pessoas que estão no dia a dia lutando pela melhoria da cidade”, comenta.

O diretor também ressalta a possibilidade que o webdoc traz de debater sobre o cenário da arte e da cultura na cidade. “A partir desse webdocumentário a gente espera propiciar debates em vários espaços públicos, como escolas e espaços culturais, acerca dessa produção artística que é feita na periferia de Belém e as suas potências de transformação social”, avalia. 

Para Michelle Miranda, Analista de Responsabilidade Social da Equatorial Pará, que patrocina o webdoc por meio da Lei Semear, essa é uma forma de apoiar e valorizar os artistas de Belém, especialmente nesse período que estamos vivendo, em que diversas atividades deixaram de ser realizadas. “É uma forma de gerar novas oportunidades para que os artistas possam ser reconhecidos. Além disso, gera perspectiva e esperança a outros jovens da comunidade por meio da arte, afinal, a arte também transforma vidas”, comenta.

Samu Periférico
Foto: Deco Barros

O webdocumentário é uma ação do Projeto "Artecidad(e)ania - Web em Movimento", realizado pela ONG Rádio Margarida. A iniciativa já realizou oficinas de produção multimídia com jovens de 16 a 21 anos, também dos bairros Jurunas e Barreiro.  

O projeto, que tem o patrocínio da Equatorial, por meio da Lei Semear, tem como objetivo promover a cultura, a cidadania e o protagonismo de jovens de bairros da periferia da capital paraense.

A Lei Semear (Lei 6.572 de 2003) é uma política de fomento à cultura que visa estimular a pesquisa e produção no campo cultural através da concessão de incentivo fiscal às empresas que patrocinam a realização de projetos culturais no Estado do Pará, como é o caso da Equatorial Energia, patrocinadora do projeto Artecidad(e)ania – Web em Movimento, produzido pela Rádio Margarida.

Pela lei, o estado concede abatimento sobre ICMS às pessoas jurídicas (empresas) no Pará que patrocinam os projetos aprovados em seleção pública realizada pela Fundação Cultural do Estado do Pará.

Link para o webdoc

http://radiomargarida.org.br/webdoc/

Serviço

Rádio Margarida lança webdocumentário “Arte e cidadania: caminhos que se cruzam em Belém do Pará”, que mostra a história e a vida de 6 artistas do Jurunas e do Barreiro. 

(Holofote Virtual com assessoria de imprensa)

6.5.22

Gerações do Carimbó na Praia do Vai Quem Quer

Mestre Jaci e Priscilla Duque
Foto: Uirandê Gomes

Neste sábado, 07 de maio, Mestre Jaci e Cobra Venenosa realizam um encontro entre gerações do carimbó pau & corda, ancestral e contemporâneo, na Ilha de Cotijuba, a partir das 20h. O evento terá entrada gratuita, com colaboração voluntária no famoso “chapéu do mangueio”, expressão usada pelas novas gerações do carimbó.

No último dia 20 de abril, o grupo de Mestre Jaci, criado em Icoaraci, “Os Caçulas da Vila”, completou 22 anos de atuação, alegrando rodas da Cultura Popular. Ainda engatinhando e aprendendo nas vivências entre a capital e as comunidades, o carimbó da Cobra Venenosa, por sua vez, completou, no dia 2 de maio,  6 anos existindo e entoando um canto de liberdade e ousadia no Carimbó Pau & Corda contemporâneo.

A poética de Mestre Jaci, atualmente com 69 anos, é uma viagem pela Baía do Guajará e seus braços de rios que lhe abastecem. Um olhar sensível à realidade de um pescador urbano que passou a vida entre o rio e o asfalto. A dura realidade de quem vive a depender dos rios, a devoção aos Santos padroeiros, as praias e ilhas encantadas e a charmosa Vila de Icoaraci ganham ritmo nas composições desse poeta pescador de sonhos.

Jaci é contemporâneo do Mestre Verequete, filho de pescador e professora, criou-se em cima da canoa tirando matapi - usado para pegar camarão - e rede para garantir a sobrevivência da família. Foi o primeiro vocalista do grupo “Irmãos Coragem”, trabalho liderado por seu tio “Dodó”, e um dos grupos mais tradicionais em Icoaraci na década de 1970. O Mestre se orgulha por ser pescador artesanal e por passar boa parte de seus dias às margens da Ilha de Caratateua, conhecida como distrito do Outeiro.

Com Os Caçulas da Vila, Mestre Jaci fez um resgate de grande importância. Mestres que vinham esquecidos e afastados do cenário ganham nova vida e voltam à cena, tendo suas composições de volta às rodas. Mestre Coutinho e Mestre Saraiva (em memória) antigos integrantes do conjunto Uirapuru do Mestre Verequete, Mestre Bené (em memória), mestre Thomaz (Os Africanos de Icoaraci) são alguns nomes que integraram o mais novo, à época, grupo de Carimbó da Vila Sorriso.

Mestre Jaci e “Os Caçulas da Vila” foram atração no III Festival Se Rasgum (2008), também se apresentou nas duas edições do projeto “Mestres Urbanos da Vila de Icoraci”, em 2017 (independente) e em 2018, contemplado pelo edital Pauta Livre, no Teatro Experimental Waldemar Henrique. Em 2017, foi um dos mestres titulados pelo Prêmio Carimbó Nosso Patrimônio (IPHAN). Além disso, em 2018, Mestre Jaci foi premiado pelo extinto Ministério da Cultura (MINC), no edital “Selma do Coco de Culturas Populares”. 

“Para celebrar nossa parceria - pois com muito carinho e respeito trabalho desde 2017 com o Mestre -, e a resiliência desses dois projetos que podem se dizer opostos complementares da raiz ao hype, convidamos vivos e ‘encantades’ amazônicos das águas, ruas, matas e igarapés para viver carimbó à beira da água doce, sob a luz da lua, saudando mais um lugar de afeto, o “Espaço Cultural e Solidário Maré Sonora”, para os encontros de carimbozeirxs, poetas e outrxs sonhadorxs que ousam se manter vives, vibrantes e esperançosos de novos dias”, afirma Priscila Duque, do grupo Cobra Venenosa, uma das atrações neste sábado. 

O microfone estará aberto às intervenções poéticas e ‘carimbozeiras’ para os entusiastas interessades em somar vibração e alegria para a roda de carimbó acontecer.  A festa conta ainda com três convidados: Luizan Pinheiro,  professor da Faculdade de Artes Visuais da UFPA, compositor e carimbozeiro. Vindo de Marapanim da Praia de Tamaruteua nos anos 70, transita entre a universidade e a cultura popular. 

Ele também fundou e criou o Carimbó Tamaruteua junto com amigxs e parceirxs que tocavam juntos desde 2013: Lu Bessa, Priscila Duque, Tom Vasconcelos, Karol Teixeira e outrxs. Entre suas músicas estão: É Tamaruteua!, Carimbó Tamaruteua Bate!, Chico Braga é Demais! Porrada Seca!... Lançou nas plataformas digitais: Carimbó Tamaruteua: carimbó é vida!(2019) e LP (Luizan Pinheiro): canções urbanas, praianas, existenciais…..Lado A (2021). 

Outro convidado é Mateus Moura, artista e educador. Gosta de compor e aprende muito no processo, principalmente em roda. “Com o Cobra Venenosa já viajei pelo Brasil e rolaram altas sintonias. Cotijuba é um lar antigo, para onde sempre retorno e faço oferendas. Nessa participação prometo saudar mestres como Chico Braga e sumidades como Matinta Pereira. Também apresentarei músicas inéditas!” anuncia o artista. 

Serviço

O quê? Inauguração do Espaço Cultural e Solidário “Maré Sonora” com Mestre Jaci, Cobra Venenosa + convidados (Mateus Moura e Luizan Pinheiro) + Roda aberta;

Quando? 07 de maio (sábado);

Onde? Praia do Vai-quem-quer (Ilha de Cotijuba);

Que horas? A partir das 20h.

(Holofote Virtual com Assessoria de Imprensa)

23.4.22

Cinema Olympia completa 110 de portas fechadas

Cine Olympia, em 2018
 Foto: Otávio Henriques/Projeto Circular
Patrimônio de Belém, o Olympia chega aos 110 anos com pouco a comemorar. Em 2020, a pandemia suspendeu as sessões e o cinema passou o resto do ano esquecido. Reabriu em janeiro de 2021, no dia 12, para uma sessão especial de aniversário de Belém. Depois disso, fechou as portas, chegando a 2022 desativado.

Em mais de um século, grandes filmes foram projetados em sua tela e festivais locais e internacionais foram realizados no cinema Olympia, testemunha e vítima do tempo, local onde muitas emoções foram vividas e debates realizados sobre o cinema paraense, brasileiro e estrangeiro. É sonho de todo cineasta paraense exibir seu filme naquele telão, mas isso se tornou praticamente impossível, pois o equipamento de projeção está sucateado, assim como toda sua parte interna. 

Há meses que a situação do cinema vem sendo debatida pelas redes sociais. Até Pedro Veriano, um dos nossos críticos de cinema mais respeitado, autor de livros que contam as histórias do nosso cinema, se manifestou no Facebook pedindo que a prefeitura cuide do assunto com urgência. Vas últimas semanas não faltaram histórias sobre esse importante espaço cultural da capital contadas por cinéfilos, críticos e  pesquisadores da sétima arte, também nos principais veículos de comunicação do Estado. 

O Olympia já passou por muitas crises, mas nunca havia ficado por tanto tempo fechado. O título de cinema mais antigo em funcionamento ininterrupto no Brasil ainda lhe cabe? 

Em resposta às severas críticas da população à prefeitura, o atual presidente da FUMBEL - Fundação Cultural do Município de Belém -, o historiador Michel Pinho, informou publicamente a situação grave do cinema, o que não é uma novidade, mas também garantiu que seriam tomadas providências. Na semana seguinte, teve inicio uma “manutenção preventiva”,  “para salvaguardar o patrimônio”, “a fim de abri-lo o mais rápido possível para a população”. Os reparos no telhado, porém, estão longe de atender a real necessidade do prédio. 

 Construído em 1912 pelos empresários Carlos Teixeira e Antonio Martins, donos do Grande Hotel e do Palace Theatre, respectivamente, o prédio original tinha influência da arquitetura da Belle Époque, o movimento francês do século 19 que inspirou e caracterizou a modernização de Belém, no governo de Antônio Lemos. Na década de 40, o espaço recebeu detalhes ornamentais no estilo “art deco” e na década de 60 passou pela segunda reforma que lhe trouxe a fachada atual, além de poltronas estofadas, refrigeração ambiente e tapeçaria na área interna. Depois disso, o prédio recebeu pequenas manutenções que não resistiram aos dois últimos anos.

Espaço Municipal Cine Olympia e projeto de reforma

Foto/reprodução: Irene Almeida/Diário do Pará

Não é a primeira vez que a população sai em defesa do Olympia. Em 2006, artistas, ativistas culturais, amantes da sétima arte se mobilizaram e ocuparam, em fevereiro daquele ano, o hall do Olympia, realizando uma grande manifestação de protesto e depois preenchendo os mais de 400 lugares na plateia, para assistir ao que seria a última sessão, pois os herdeiros da família Severiano Ribeiro, proprietária do cinema ameaçava vende-lo caso o poder público não tomasse uma iniciativa. 

No dia seguinte, representantes de associações de cinema e cultura do Estado se reuniram com o então prefeito de Belém, Dulciomar Costa (PTB), para achar uma solução. Foi aí que se propôs a gestão compartilhada entre o poder público e os proprietários, o que se concretizou em 2007, com a criação do Espaço Municipal Cine Olympia, como existe até hoje, mas sem que nenhuma reforma consistente tenha sido feita, como também foi solicitado na época.

Em 2012, quando o Olympia foi declarado, pela Lei 8.907, patrimônio histórico e cultural do município de Belém, tivemos esperança disso se concretizar. A Fumbel já estava até finalizando o processo de licitação do restauro, via financiamento da Prefeitura, junto ao PAC das Cidades Históricas/Iphan. O projeto era da Secretaria Municipal de Urbanismo (Seurb), e em agosto de 2015, aguardava-se a liberação de recursos, mas nada aconteceu. 

Em 2017, fazendo uma reportagem sobre o PAC das Cidades Históricas, deparei-me com o projeto de reforma, que previa reforma na parte externa e interna do cinema e compra de som e projetores digitais.  Na planta, se via a modernização da sala de exibição, além da criação de um café, uma livraria e um espaço para oficinas de cinema, justamente como aquela comissão em 2006 havia proposto, mas para tornar o projeto de restauro completo realidade esbarra-se em outra questão, a necessidade de comprar o prédio da família Severiano Ribeiro, proprietária do cinema, um acordo a que ainda não se chegou. Como então, garantir a reforma que queremos?

20.4.22

Cine-Debate Arte pela Vida no cine Líbero Luxardo

No âmbito da 7ª Edição da Feira de Empreendedores LGBTI+ de Belém,  o Comitê Arte pela Vida exibe, dia 23 (sábado), às 16h, no Cine Líbero Luxardo, do Centur, uma sessão especial do primeiro filme produzido sobre AIDS no mundo: "Buddies", realizado em 1985 por Arthur Bressan Jr.

A iniciativa que visa sensibilizar e informar o público sobre a importância da prevenção e da conscientização em torno das doenças sexualmente transmissíveis, em especial o HIV, abre o projeto Cine-Debate Arte pela Vida, com bate-papo após a projeção e o ingresso revertido na doação de dois quilos de alimentos para famílias em situação de vulnerabilidade social.

Como constata Chico Vaz, um dos coordenadores do Comitê, essa pandemia silenciosa continua presente e crescendo, sobretudo entre os jovens ( em Belém, a maioria dos casos atinge a população de 14 a 29 anos). E, neste contexto, o audiovisual, ressalta, é uma ferramenta importante para mobilizar e impactar as pessoas. "'Buddies' é uma obra pioneira a tratar do assunto e nos permite retomar um olhar acerca dos primeiros anos da infecção. Um período de muita dor, apreensão e intolerância", complementa.

Esse retorno às origens reforça ainda a luta do Arte pela Vida, organização não-governamental que atua há mais de 25 anos na assistência, acolhimento e suporte social aos portadores do vírus HIV em Belém e região meteopolitana. 

"Escolhemos as expressões artísticas para agrupar e difundir nossos esforços e agora incorporamos o cinema nessa empreitada", destaca Chico Vaz que acrescenta que "além do Líbero, vamos promover exibições em outros espaços como no Sesc Ver-o-Peso, sempre com debate após as sessões dos filmes".

Para os voluntários do Comitê também é uma questão de visibilidade. Por isso a importância de associar o projeto de cinema, nesse primeiro momento, à Feira dos Empreendedores LGBTI+ de Belém,  que movimenta as praças do Artista e do Povo, na sede da Fundação Cultural do Pará. 

"O evento, voltado para a promoção de negócios, já conta com ações culturais como shows, performances, rodas de conversas, desfile de moda e música com DJs. Integrar o Líbero Luxardo ao circuito é muito importante para nós", finaliza Chico Vaz.

Buddies (EUA, 1985)

Direção: Arthur J. Bressan Jr.

Duração: 78 minutos

Classificação: 14 anos

Sinopse - Quando David, um yuppie gay de 25 anos, se voluntaria a ser um buddy para pacientes com AIDS, ele conhece Robert, 32 anos, um jardineiro californiano de verve altamente politizada, que foi abandonado pelos amigos e pela família. À medida que David muda sua visão ao conhecer Robert, nós também mudamos. Passado quase todo em torno do quarto de hospital, o filme é centrado nos dois personagens (o resto do elenco pode ser apenas ouvido). Um retrato atemporal de uma era da história LGBTQ, este foi o primeiro filme produzido sobre a AIDS.

(Texto: Adolfo Gomes)

Serviço

Cine-Debate Arte pela Vida, dia 23/4 (sábado), 16h, no Cine Líbero Luxardo (Centur) - Av. Gentil Bittencourt, 650. 

Ingresso: doação de dois quilos de alimentos não-perecíveis. 

Realização: Comitê Arte Pela Vida. 

Apoio: Fundação Cultural do Pará.

Contato/informações: 

Chico Vaz 91 98280-2188

(Holofote Virtual com assessoria de imprensa)


17.4.22

"Para Sempre Ruy" e outras homenagens ao poeta

Até o final deste ano preparem-se para ouvir, cantar, ler e conhecer muito mais o Ruy Paranatinga Barata, em todas as suas vertentes, indo do poeta ao político, do advogado ao professor e letrista. Vai ter prêmio, álbum, songbook e biografia, como antecipa na matéria a seguir, o filho do poeta, o jornalista Tito Barata.  para começar, o show “Para Sempre Ruy” vai reunir mais de 60 profissionais, nos dias 28 e 29 de abril, às 20h30, no palco e nos bastidores do Teatro Margarida Schivasappa do Centur.  Os ingressos começam a ser vendidos nesta terça-feira, 19, na bilheteria do teatro, confere as informações no final da matéria.

“Para Sempre Ruy” vai trazer aquele repertório recheado de grandes canções da parceria com Paulo André Barata e alguns outros compositores, mas com detalhes que Tito Barata não ousa contar para não estragar a surpresa. Ele faz a direção geral do espetáculo, que tem direção musical de Ziza Padilha e produção executiva da Talentos da Amazônia, somando mais de 60 profissionais, entre intérpretes, músicos, arranjadores e técnicos. 

"O Ruy encantava a juventude, sempre, e todas as pessoas que hoje o homenageiam, foram seus alunos, conviveram com ele ou são os filhos de quem ele era amigo. Vai ser um show com roteiro para se emocionar de várias formas, rir, chorar, bater palmas”, afirma Tito, em entrevista ao blog. “Convidamos artistas do circuito dos barzinhos e da música instrumental para fazer uma retrospectiva das músicas dele com o Paulo André, contando algumas historinhas sobre elas, mas não vou contar os detalhes, haverá muitas surpresas”, diz o jornalista e também filho de Ruy Barata.

A iniciativa conta com o apoio do Governo do Pará e da Fundação Cultural do Pará, além de amigos e parlamentares. Toda a renda será revertida para instituições de apoio aos mais vulneráveis. Uma delas é a Cooperativa Social de Trabalho de Arte Feminina Empreendedora – COOSTAFE, que reúne mulheres detentas do sistema penitenciário. Elas também estão confeccionando os adereços e acessórios que os artistas usarão no espetáculo, compondo os figurinos assinados por Maurity Ferrão.

“Também receberão parte da renda, a República do Pequeno Vendedor, o Centro Nova Vida e a Biblioteca Rosa Luxermburgo”, complementa Tito que comemora todas as demais iniciativas programadas para homenagear Ruy Barata este ano. "Em 2020 iríamos marcar o centenário de nascimento do Ruy com todas elas mas não deu por causa da pandemia. Este ano tudo melhorou, os teatros reabriram e em janeiro resolvemos que não daria mais para esperar", diz Tito.

Prêmio e musical além de biografia e songbook

Depois de "Para Sempre Ruy" será lançado, no mês de junho, o Prêmio Ruy Barata, com cerimônia marcada apara o dia 24, véspera da data de nascimento do artista, na cidade de Santarém, em 25 de junho 1920. E no final do ano, nos dias 30 de novembro, 1 e 2 de dezembro, será apresentado um musical que terá direção do professor, ator e diretor Alberto Silva Neto. 

Tem mais. Vai ter biografia e songbook, além de um álbum. Estamos gravando, e já tá quase terminado, inclusive, o disco que fará parte do songbook, que vai sair talvez no segundo semestre. Gravamos no Rio e aqui em Belém, e entre os intérpretes estão Zeca Pagodinho, Maria Rita, Zé Renato, Áurea Martins, Mônica Salmaso, Joyce, Leila Pinheiro, Jane Duboc, Fafá, Vital Lima”, revela. 

A personalidade múltipla de quem não se rendia ao obvio e nunca fez a poesia pela poesia ou a arte pela arte, também será revelada em maiores detalhes ao público. Está saindo a biografia de Ruy Barata, que está sendo escrita pelo roteirista e biógrafo Denilson Monteiro, um paraense que mora no Rio de Janeiro, autor também das biografias do Chacrinha, Carlos Imperial, Cartola, Erasmo Carlos, entre outros. É um cara experiente e está trabalhando há um ano e meio nisso. Em maio, ele deve finalizar entrevistas aqui em Belém”.

“Ainda não tem nome definitivo mas vamos falar de como ele se tornou poeta e dessa trajetória na política, na advocacia, como professor, como político caçado. Vai ser muito importante, não só para o Ruy, mas para nos alertar que temos valores aqui importantíssimos que precisam ter suas historias recuperadas, como as histórias do Central Café, que  será em parte contada nesta biografia”, acredita Tito. 

Ele se refere a quando Ruy passa a frequentar a roda de papo do Central Café, no centro de Belém, liderada pelo professor Francisco Paulo do Nascimento Mendes, que reunia a sua volta a mais brilhante geração de intelectuais paraenses, formada por Mário Faustino, Paulo Plínio Abreu, Benedito Nunes, Haroldo Maranhão, Waldemar Henrique, Machado Coelho, Nunes Pereira, Cauby Cruz, Napoleão Figueiredo e Raimundo Moura, entre outros, em 1943.

Tito também diz que é muito importante para ele como filho, poder produzir algo que possa salvaguardar essa obra. "Hoje confesso que estou preparado e consigo lidar melhor e de forma mais distanciada, embora haja sempre um envolvimento emocional. Fico orgulhoso, no bom sentido disso tudo, e feliz de estar divulgando a obra dele, que acho muito rica do ponto de vista estético e filosófico”, conclui. 

Serviço

“Para sempre Ruy”, show em homenagem a Ruy Barata, nos dias 28 e 29 de abril às 20h30, no teatro Margarida Schivasappa (Centur). Ingresso a preço única: R$ 50,00. Venda antecipada na bilheteria do teatro: dias 19, 20, 23 25, 26 e 27 de abril, horário comercial. Para outras formas de pagamento, entrar em contato: (91) 98088.95.21.

12.4.22

Alepa reconhece Siriá como patrimônio cultural


Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa) reconhece o Siriá como patrimônio cultural e imaterial do estado do Pará. De autoria da deputada estadual Dilvanda Faro (PT), o Projeto de Lei 391/2021 foi aprovado por unanimidade pelos deputados e deputadas, nesta terça-feira (12). Agora, o PL segue para sanção do Executivo.  

Depois da Guitarrada e do Carimbó, é a vez do Siriá, enquanto gênero musical, ser reconhecido como patrimônio cultural imaterial do Pará. O gênero foi reinventado pelo cametaense Mestre Cupijó na década de 1970, ao misturar diversos ritmos tradicionais da região do Baixo Tocantins, como o Samba de Cacete. A notícia se espalha e é comemorada por músicos e familiares do mestre.

"É muito importante que a cultura do nosso povo seja reconhecida. O Siriá vem da manifestação do Samba de Cacete mas o papai foi quem, a partir dos anos 70, repaginou o ritmo que ficou como hoje a maioria das pessoas conhece”, diz Osvaldo Castro, um dos três únicos filhos vivos de Mestre Cupijó, que aprendeu a tocar com o pai e o acompanhava em algumas de suas apresentações.

"Fico muito feliz em saber que algumas pessoas se importam com isso. Esse reconhecimento é importante não só para o Mestre Cupijó, mas para todo o povo cametaense e do estado também. Nossa musica é autêntica, precisa ser preservada e fomentada para que continue sendo repassada para as novas gerações", conclui. 

Jorane Castro, cineasta e sobrinha de Cupijó, contou a história do músico em seu documentário “Mestre Cupijó e seu Ritmo”, um projeto que se desdobrou em DVD e num baile, que circula em casas de show e festivais de música. O longa traz depoimentos de pessoas que eram próximas ao Mestre e uma mescla de imagens de arquivo que apresentam as falas de Cupijó, bem como de seus filhos e de várias integrantes do projeto. 

“O Siriá foi um ritmo inventado pelo Mestre Cupijó, os dois estão intimamente ligados. Não é carimbó, como comumente se confunde, é um ritmo que ele inventou a partir dos ritmos tradicionais do baixo Tocantins”, explica Jorane. "Ele pesquisava muito os ritmos tradicionais e ouvia muita música nas rádios, e como artista e interprete dessas culturas, ele acabou misturando muita coisa que se transformou no que se conhece hoje como o Siriá", diz Jorane.

Cupijó mistura samba de cacete, banguê e merengue

O multi-instrumentista Joaquim Maria Dias de Castro, mais conhecido como Mestre Cupijó, acelerou as batidas e incluiu arranjos de sopro, agregando, ainda, a influência caribenha, como o mambo e o merengue. “A banda dele, que era o saxofonista, já usava instrumentos elétricos, como baixo e guitarra, teclado, além de bateria. A música dele é uma criação, além de ser um mestre da cultura popular, assim como o Vieira, que criou a Guitarrada, e a Dona Onete que criou o Carimbó Chamegado. Eles todos merecem ser homenageados, reconhecidos e nós tivemos a sorte de conviver com eles”, celebra Jorane Castro.

Gileno Foinquinos,  músico cametaense chama atenção para uma história curiosa sobre a origem do Siriá. “O Siriá deve ser oficializado como gênero musical, ao se tornar patrimônio, mas não era um ritmo, era uma música feita no gênero musical chamado Samba de Cacete. Temos poucos catálogos sobre isso, então qualquer iniciativa que evidencia a existência  e fomentar os nosso ritmos é muito louvável, pra mim é maravilhoso”, diz.

“Este Projeto de Lei tem como objetivo reconhecer e dar o devido valor para o gênero musical reinventado pelo cametaense Mestre Cupijó, para que as novas gerações de músicos encontrem as antigas gerações, e, assim, descubram e conheçam melhor a música popular do nosso Pará”, destaca a deputada Dilvanda Faro, autora do PL.

Além de músico e compositor, Cupijó foi vereador e advogado. Morreu em Belém no dia 25 de setembro de 2012, acometido por um câncer. Afastado dos palcos por conta da doença, ele reclamava do ostracismo. 

Vamos aguardar que o PL seja sancionado,  tornando o Siriá patrimônio e que a partir disso sejam criadas políticas públicas que fomentem essa cultura no Pará. Isso vale para todos os demais gêneros musicais já reconhecidos como patrimônio cultural imaterial. 

(Imagens desta postagem são reproduções da Internet)

4.4.22

Rock na Floresta para o lançamento de Intoxicated

Dead Level lança o 1o álbum gravado em estúdio, com festa que reúne as bandas Delinquentes, Shildrain e Warpath. Neste sábado, 9 de abril, a partir das 18h, no Parque dos Igarapés. Ingressos já estão à venda e dão direito ao CD. 

Desde que foi lançado nas plataformas de música, em março deste ano, "Intoxicated" vem ganhando espaço em canais liderados por estrangeiros no Youtube, como o canal 666 MR. DOOM (220.000 inscritos) e no Holy Parish of Doom (20.000 inscritos), além de sair no site Norte-Americano “Doomednation” e no site Belga “Shoot me again”, entre outros.  

A celebração dessa repercussão será no "Rock na Floresta", que vai reunir, além da Dead Level, três bandas importantes do underground do rock paraense. A “Shildrain”, duo peso-pesado, que tem influências de heavy/thrash e sludge, foi formada em 2015 por Alexandre (guitarra e vocais) e Augusto Maia (bateria). A banda lançou o EP "Drained", com 5 músicas, em 2019; e dois singles, “Trash”, em 2017, e “Eremite”, em 2020. O terceiro single, “Reckoning”, será lançado este ano, em junho.

Outro show será com o grupo "Warpath", banda que está de volta à cena celebrando uma carreira de dez anos. O grupo já lançou CDs Demo e EP e segue divulgando e solidificando o nome do Thrash/Speed Metal paraense no cenário nacional. Formada por Márcio (baixo/vocal), Danilo (guitarra) e William (bateria), a banda já foi campeã na seletiva regional do Wacken Metal Battle e disputou a final da batalha das bandas no Festival Roça ‘n’ Roll (Varginha MG), ficando entre as cinco primeiras bandas. Além disso, já realizou turnê pelo norte e nordeste do Brasil e pela Europa passando por 8 países.

Fotos: Júlio Douahy

Para fechar o evento com chave de ouro, a Delinquentes, uma das bandas de rock mais antigas do Pará em atividade, entrará em cena! Trazendo em suas músicas letras de protesto, encontrando eco em um autêntico hardcore crossover genuinamente amazônico, a banda tem um currículo repleto de grandes festivais, turnês, coletâneas nacionais, além de três discos, um DVD, vários videoclipes e muito material gravado. 

A Delinquentes passou por todas as grandes transformações da cena independente paraense, e se firmou na história da música local sem nunca ter parado de tocar, desde 1985. Já a Dead Level, fundada em 2015, está há pouco mais de seis anos nessa cena, com seu som mesclado de influências Stoner-Doom, Garage punk e Hard Rock setentista. Embora já tenha lançado singles e EPs, “Intoxicated” é o primeiro álbum autoral do grupo, gravado em estúdio. As oito faixas mantém o tom crítico do grupo, trazendo letras que apontam para um cenário de intoxicação social, mental e espiritual. 

"Intoxicated" já está nas plataformas digitais de música desde o início do mês de março. O trabalho foi realizado de forma independente e contou com apoio e esforço conjunto de quase todos os músicos que tocaram ou já tocaram na banda, incluindo a formação atual: Uirá Seidl (vocais), Arthur Fonseca (baixo), Fause Pereira (guitarra) e Beto Brasil (bateria). A expectativa com o ‘Rock na Floresta” é de que seja um grande evento, oferecendo uma boa estrutura e com um público significativo.



“O line do evento conta com bandas proeminentes no cenário local, que já apresentaram e ainda apresentam trabalhos consistentes que vêm abrindo portas para outros grupos. Fico feliz que possamos lançar este álbum num espaço como o Parque que já realizou tantos eventos musicais espetaculares, e o Rock na Floresta sem dúvida promete, e muito”.  Uirá Seidl, da banda Dead Level

 

Ingressos: R$ 10,00 (antecipado), com promoção do combo (ingresso + CD Dead Level "Intoxicated"), ou R$ 15,00 na portaria. Caso opte pelo combo, via Sympla, o CD será retirado no dia e local do evento, apresentando RG conforme sua efetivação da compra no site. Obrigatório uso de máscaras e apresentação de carteira de vacinação.

Ouça “Intoxicated”

https://www.youtube.com/watch?v=FQJvp-TnCPk&feature=youtu.be

www.deadlevelstonerock.bandcamp.com

https://www.youtube.com/watch?v=w-TIxYFt_4o

Acompanhe a banda pelas redes sociais: 

FB: facebook.com/deadlevelstoner

Instagram: instragram.com/deadlevelstoner

Ficha técnica

Vocals:  Uirá Seidl 

Electric guitar at tracks 01, 02, 04, 05 and 06: Leonardo Venturieri

Electric guitar at tracks 03 and 08: Aramys Souza

Electric guitar at track 07: Fause Pereira

Bass: Arthur Fonseca

Bass in track 8: Paulo Siqueira

Drums: Beto Brasil 

Keyboards at track 06: Andro Baudelaire

Backing Vocals at tracks 04 and 07: Andro Baudelaire

Sound effects: Andro Baudelaire and Uirá Seidl

Gravado no Abbey Monsters Studio – 2021

Mixagem e Masterização: Andro Baudelaire

“Monteiro Lopes” com exibição no Líbero Luxardo

Trazendo como tema a relação inter-racial e homoafetiva entre duas mulheres e, como pano de fundo, a criação do doce regional, o curtametragem terá exibição única neste sábado, 9, às 15h30, no Cine Líbero Luxardo. A sessão será única e acompanhada pela diretora Bianca D’Aquino, que vai bater um papo com o público ao final. A entrada é gratuita, com retirada de ingressos 1h antes da sessão, com lotação reduzida para 66 pessoas. Neste sábado, 9, ás 15h30, no Cine Líbero Luxardo. 

“Monteiro Lopes” é o curta metragem que entra para o catálogo do cinema paraense no início de abril trazendo a diversidade LGBTQIA + à frente e atrás das câmeras. Escrito e dirigido por Bianca D’Aquino, o filme baseia-se na história do famoso biscoito da cidade de Belém para narrar a história de Mariana Lopes e Júlia Monteiro, personagens que passam por uma jornada de descobertas e construção de afetos, trazendo a visibilidade de questões LGBT+ para o cinema paraense contemporâneo. 

Na história, Mariana Lopes e Júlia Monteiro são descendentes de donos de padarias concorrentes. Enquanto Júlia foi criada com liberdade e espírito explorador, que lhe permitiram descobrir seus desejos e talentos culinários, Mariana, por outro lado, teve uma criação rígida e um pai conservador que lhe cerceava a todo momento. Conforme a amizade e o posterior romance entre as duas avança, Mariana percebe sua dificuldade em lidar com a própria sexualidade e decide ir embora de Belém. Anos mais tarde, ao retornar à cidade, Mariana reencontra Júlia e agora precisará lidar com os conflitos não resolvidos de sua juventude.

As questões LGBT+ como pilar da narrativa 

Júlia e Mariana passam por muitas descobertas. Uma foi criada com liberdade e espírito explorador, que lhe permitiram descobrir seus desejos e talentos culinários, e a outra, com a criação rígida e um pai conservador. O contraste destas realidades irá gerar conflitos sobre sexualidade, conservadorismo e afeto que irão definir o desenrolar da ficção.

“A realização de um filme regional com protagonistas femininas e dirigido por uma mulher da população LGBTI+ (que tem como ponto central uma relação inter-racial e homoafetiva, cujo o pano de fundo é a criação de um doce regional) contribui para a visibilidade destas questões dentro da sociedade e também no fortalecimento de nossa cultura dentro e fora do Estado podendo no futuro servir como referência para outros realizadores”, diz Bianca D’Aquino.

Contemplado pelo edital de Audiovisual da Lei Aldir Blanc, o curta foi gravado, produzido e ambientado na cidade de Belém por uma equipe e elenco inteiramente paraense e conduzido pela diretora estreante, Bianca D’Aquino. Movimentar e integrar a cadeia de profissionais do audiovisual paraense foi uma das premissas desta produção.

“Fazer cinema no Norte do país é fortalecer o Norte, como território capaz de realizar e dominar sua própria narrativa, e também reforçar a identidade e os profissionais locais - fato que julgo por si só como um ato de resistência e inquietação, necessários para o estabelecimento de uma produção audiovisual Amazônica consistente”, defende a diretora.

O filme, que terá apresentação única em Belém, para se manter o ineditismo exigido pelos festivais de cinema, é acompanhado por uma trilha sonora original produzida pelo cantor e compositor Pratagy e traz como grande tema a música “Afeto”, escrita e interpretada pela cantora Malu Guedelha, nomes emergentes da novíssima música paraense. 

“O convite surgiu por parte da diretora, quando o filme ainda estava apenas escrito. O roteiro ainda estava se desenvolvendo e li algumas versões dele, e foi em cima disso que comecei a compor pequenas peças musicais inspiradas nos momentos descritos. É interessante pra mim participar de uma trilha sonora porque diferente do que faço na minha carreira, com músicas mais longas e com vocais, aqui vão ser pequenos trechos de música que precisam passar a ideia da totalidade da sensação da cena, é sempre um desafio”, conclui o músico.

Confira o trailer: 

https://youtu.be/DPZCq4DtM3E 

Serviço

Lançamento do Curta Monteiro Lopes. Neste sábado, 9, às 15h30, no Cine Líbero Luxardo – Fundação Cultural do Pará – Av. Gentil Bittencourt, entre Quintino Bocaiúva e Rui Barbosa. Entrada gratuita (retirada de ingressos 1h antes da sessão - 66 lugares)

Artista paraense é destaque em exposição Alemã

Xan Marçall, natural de Belém, é um dos destaques na exposição “Encantadas - Brazilian Transcendental Arts“, que iniciou no dia 12 de março, em Berlim, na Alemanha. Ela apresenta o filme “Sob a Terra do Encoberto“, uma obra experimental, que mistura documentário e ficção e traz histórias de pessoas trans marcadas pelo território geográfico nortista e nordestino. O longa faz parte de uma plataforma curatorial sobre processos de transmigrações e transancestralidades, a partir do Norte e Nordeste do Brasil.

A exposição levou diversas artistas nortistas e nordestinas a Berlim. Xan Marçall foi uma das artistas amazônidas convidadas pela curadoria para escrever e dirigir o filme, em co-autoria com a pernambucana Libra. “O filme é uma cartografia sobre as transcestralidades no Norte e Nordeste do Brasil, em que poesia, espiritualidade, política, educação, ativismo e cosmovisões afro-indigenas são fundamentos nos processos existenciais, identitários de pessoas trans/travestis nesses territórios”, explica Xan.

“Sob a Terra do Encoberto“ é o primeiro longa-metragem de Xan Marçall. Atriz e professora de formação, estreou no cinema através de “IAUARAETE“, um curta metragem lançado em 2020, que recebeu dois prêmios em festivais internacionais: prêmio Elke Maravilha de melhor atriz de curta-metragem no 14º Festival de Cinema e Cultura da Diversidade Sexual For Rainbow e 17º Festival Internacional Panorama Coisa de Cinema na categoria Melhor Direção de Arte. A previsão para lançamento no Brasil é para o segundo semestre de 2022.

Xan comemora a visibilidade às pessoas trans amazônidas e destaca a falta de oportunidade e incentivo à formação em cinema para artistas T. “Existe um movimento independente e articulado de pessoas trans e travestis no cinema, que tem movimentado a cena audiovisual no Brasil. No entanto, a presença de trans e travestis amazônidas ainda é extremamente insignificante - não menos poderosa e inventiva. No Norte, temos problemas sérios de acesso à formação no cinema para pessoas T, pois fazer cinema no Brasil é caro. A grande realidade é que não temos dinheiro para pagar essas oportunidades. Então, em especial, nós, travestis e pessoas trans da Amazônia, temos feito um trabalho precursor no cinema“, conclui.

Xan Di Alexandria de Oliveira Moura, conhecida artisticamente como Xan Marçall, reside há um ano em Salvaterra, na Ilha do Marajó. No ramo da arte, iniciou no teatro, ainda na adolescência, na Casa da Linguagem e trabalhou com nomes importantes da cena paraense, como Wlad Lima e Cláudio Barros. Com 20 anos de carreira no teatro, Xan destaca como referências artísticas, o coreógrafo Ronal Bergman, a atriz Nilza Maria, as mestras contadoras de histórias de Belém e o Grupo In Bust de Teatro.

A experiência no cinema tem sido uma nova forma de se comunicar e memorizar histórias para Xan. Diferente do teatro vivo, feito pontualmente, no cinema, ela destaca a oportunidade de se continuar após essa vida. “Penso que se trata de uma memória sobre uma arte transgênera produzida em Belém, no Pará, na Amazônia. Entendendo a memória como uma ação que, ao mesmo tempo, preserva e conserva a produção de uma artista travesti na Amazônia ao modo amazônico, que insiste por uma poética cabocla, ribeirinha, negra e indígena, em suas particularidades e complexidades“, diz.

(Com informações da assessoria de imprensa da artista)

29.3.22

Vira Rumos leva espetáculo ao Waldemar Henrique

Fotos: Rafael Monteiro
Baseado no texto Agreste (Malva-Rosa) de Newton Moreno, com direção e adaptação de Mika Nascimento, o espetáculo "Desmedida", da Troupe Vira Rumos, aborda a forma como sociedade (des) valorizar as pessoas, de acordo com seus próprios valores e suas próprias medidas. Em cartaz no dia 31 de marco e no dia 1o de abril, às 20h, no teatro Waldemar Henrique, em Belém. Ingressos antecipados, adquira online.

No palco, a peça conta a história de um casal que tem sua vida calma e tranquila sacolejada pela intolerância e preconceito da comunidade que os rodeava. Na forma de um drama poético, o texto trata da luta diária das pessoas que, por vontade própria ou não, se colocam em posição de enfrentamento à discriminação e à violência contra a mulher.

O espetáculo Desmedida explora as linguagens do teatro, da música e da dança e conta com o mergulho cultural em práticas e tradições de distintas regiões, fazendo uma abordagem das problemáticas sociais, convidando o público a fazer seus próprios questionamentos.

A encenação é da Troupe Vira Rumos,  grupo de linguagem cênica cuja origem está ligada ao teatro popular e teatro de rua. Criado em 2015, a partir de oficinas e laboratórios vivenciados em espaços de formação e qualificação em educação não formal, o grupo atua de forma independente, desenvolvendo um trabalho com pesquisas, montagens, oficinas, jogos e brincadeiras.

No que se refere às vivências e montagens, o grupo tem a valorização da cultura popular como um dos pilares no seu desenvolvimento intra e interpessoal. Através de contos, lendas, fábulas, folguedos, danças regionais, cantigas e brincadeiras de roda, o grupo também desenvolve para o público oficinas de resgate cultural e pertencimento originário .

Composto, em sua maioria, por mulheres, a Troupe Vira Rumos ainda exprime em suas montagens questões sociais como: desigualdade de gênero, princípios éticos e moralistas, religião e luta de classes, homofobia e violência contra a mulher. Biank Brito, Julianne Stael e Jessica Britosão são jovens atrizes com passagens em vários grupos de teatro de Belém e que realizaram diversas formações no espaço de oficinas do Curro Velho/Fundação Cultural do Estado do Pará - teatro, dança, música, cultura popular, teatro de bonecos etc. 

As artistas são integrantes efetivas da Troupe Vira Rumos e assumem a Coordenação Executiva deste novo projeto do grupo. Para este trabalho o grupo conta ainda com a colaboração de Marcelo Vilela na co-direção e iluminação cênica, Pawer Martins na direção musical e Cacau Novais na preparação vocal do elenco.

Serviço

Espetáculo Desmedida, no Teatro Experimental Waldemar Henrique, nos dias 31 de março e 01 de abril às 20h. Os ingressos custam R$30,00 (inteira) e R$15,00 (meia) e estão à venda na plataforma Sympla (link https://bit.ly/3CnhL48). É obrigatório apresentar o comprovante de vacinação no dia do evento.

Classificação etária: 16 anos.

(Holofote Virtual, com informações da assessoria de imprensa)

25.3.22

Jardim Percussivo: novo álbum, doc e songbook

O álbum “Jardim Percussivo Vol. 2” chega às plataformas de música neste sábado, 26, acompanhado por um e-book, contendo o songbook do disco, e um minidocumentário, com registros feitos durante o processo de aprendizado e resultados do projeto. O projeto foi realizado com apoio financeiro da emenda parlamentar do Dep. Edmilson Rodrigues.

É o segundo álbum do Jardim Percussivo, grupo que chegou a ter 10 e 15 jovens, mas desta vez, desenvolvendo o projeto em parceria com a Escola de Música da UFPA, o Jardim Percussivo contou com a participação de três alunas do curso de licenciatura em música e com a coordenação acadêmica da professora Ana Maria Camargo, que também tem formação em percussão. 

Loba Rodrigues, Hannah Maia e Roberta Evi foram as bolsistas do projeto, em que tiveram aulas práticas com Márcio Jardim, passando por todo o processo de ensaios, estudos e gravação em estúdio. O trabalho contou ainda com a produção musical do músico percussionista e produtor cultural Carlos “Canhão” Brito Jr., que já acompanha o projeto desde 2015. 

O Jardim Percussivo surge quando Márcio Jardim, um dos fundadores do Trio Manari, reuniu, pela primeira vez, em um estúdio improvisado nos fundos de sua casa, no bairro da Pedreira, em Belém, um grupo de jovens de baixa renda para ensiná-los a tocar percussão, além de apresentar-lhes os percursos da música, com a experiência do estúdio e das apresentações. 

Os meninos e meninas foram chegando e o grupo foi um dos convidados do festival Sonido, realizado pela Se Rasgum Produções, em 2016. E já havia um videoclipe no canal de Youtube, de uma das faixas do primeiro CD que foi lançado em 2017, com um show no Teatro do Sesi, o primeiro CD. Naquela ocasião, houve apoio de amigos e aos poucos ganhou reconhecimento no meio cultural. Em 2019, com o apoio financeiro da Emenda Parlamentar do então Deputado Federal Edmilson Rodrigues, foi possível realizar este novo projeto. 

Ouça, veja e compartilhe:

Lançamento do Jardim Percussivo Vol. 2. Neste sábado (26), o álbum em todas as plataformas de música. Instagram (@jardimpercussivo), Youtube (https://www.youtube.com/watch?v=nYtGAv98bOo) e plataforma Issuu (https://issuu.com/jardimpercussivo) gratuitamente.

FICHA TÉCNICA

Projeto “Jardim Percussivo”

Coordenação

Ana Margarida Leal Lins de Camargo

Direção Musical

Márcio Jardim 

Produção

Carlos "Canhão" Brito Jr. 

Bolsistas

Loba Rodrigues, Hanna Maia, Roberta Evi

Comunicação

Luciana Medeiros

Identidade visual e designer

Carol Abreu

Direção de vídeo 

Luciana Medeiros

Edição e finalização de vídeo

André Vaz

Entrevistas

Carlos "Canhão" Brito

Luciana Medeiros

ÁLBUM

Direção musical

Márcio Jardim

Produção musical

Carlos “Canhão” Brito Jr.

Bateria e percussão

Márcio Jardim

Percussões

Loba Rodrigues, Hanna Maia, Roberta Evi

Guitarras

William Jardim

Baixos

Wesley Jardim

Teclados

Edgar Matos

Saxofones e flauta

Marcos Ribeiro 

Técnico de gravação: Hélio Ton Silva

Mixagem (Publik Music e Studio Z): Hélio Ton Silva e Thiago Albuquerque

Masterização/Studio Z: Thiago Albuquerque

Gravado do Studio Publik Music

SONGBOOK

Organização: 

Luciana Medeiros

Compositores:

Márcio Jardim

William Jardim

Wesley Jardim

Textos:

Ana Margarida Lins Leal de Camargo

Márcio Jardim

Carlos "Canhão" Brito Jr.

Hannah Alice Maia

Bruna Lobato Rodrigues

Roberta Evilazia Costa

Edição: 

Luciana Medeiros

Revisão: 

Léa Fernandes

Transcrição das partituras:

Carlos "Canhão" Brito Jr.

Ricky Sandres

Marcos Ribeiro

Revisão da transcrição

Márcio Jardim 

William Jardim

Projeto gráfico e editoração

Carol Abreu

REALIZAÇÃO 

UFPA - FADESP - ESCOLA DE MÚSICA DA UFPA

CENTRAL DE PRODUÇÃO CINEMA E VIDEO NA AMAZÔNIA - HOLOFOTE VIRTUAL - PUBLIK MUSIC.