27.12.19

Os Dinâmicos animam pré-reveillon da Lambateria

As raízes da guitarrada no pré-reveillon em Belém
Fotos: Otávio Henriques
Dica quente para quem ficar em Belém neste final de semana. O pre-reveillon da Lambateria Casa de Dança traz baile de guitarrada e outros ritmos paraense, com Os Dinâmicos. A noite conta com a participação do DJ Eddie Pereira,  da Black Soul Samba. Neste sábado, 28 de dezembro, a partir das 21h. ingressos on line, no Sympla e na bilheteria da casa.

“Os Dinâmicos - Raízes da Guitarrada” estão de volta a Belém, neste sábado, 28 de setembro, para animar o pré-reveillon da Lambateria Casa de Dança, que contará, também com a participação do DJ Eddie Pereira, da Black Soul Samba. Trazendo músicas inéditas, o repertório do grupo mistura ritmos quentes como cúmbia, guitarrada, lambada, salsa, carimbó e outras sonoridades latino e afro amazônicas, que prometem não deixar ninguém parado no salão. 

“Os Dinâmicos” foi a primeira banda de Mestre Vieira, antes dele gravar o primeiro LP, passando a se chamar Vieira e Seu Conjunto. Lauro Honório (guitarra base), Luís Poça (teclado), Dejacir Magno (vocal) e Idalgino Cabral (baixo) gravaram vários dos LPs do criador da guitarrada, lançados entre os anos 1979 e 1990, e só retomaram a carreira em 2011, mais uma vez para acompanhar Vieira. Em 2015, eles gravaram o primeiro CD, com produção musical e participação do mestre, dando inicio a carreira autoral do grupo.

Grupo vai gravar novo disco em 2020
Atualmente, Os Dinâmicos, que adotaram ainda um subtítulo, Raízes da Guitarrada, trazem na formação também Jairo Rocha (bateria) e, apresentando, o jovem Guten Berg (guitarra solo). Além do show, o grupo prepara um novo disco para ser lançado em 2020, com repertório totalmente autoral, novos arranjos e uma cara própria. 

“Temos ensaiado constantemente e estamos preparando o repertório do próximo disco, além de cumprir agenda de shows em Barcarena e também em municípios vizinhos”, diz Luís Poça. Os Dinâmicos se apresentaram recentemente na festividade de Nossa Senhora da Conceição, em Abaetetuba, e além deste sábado, em Belém, estarão no dia 30 de dezembro como uma das principais da festa de aniversário de Barcarena.

Lauro Honório, Luís Poça, Idalgino Cabral e Dejacir Magno também comemoram o sucesso da série de animação intitulada “Os Dinâmicos”, inspirada em diversas músicas de Vieira e Seu Conjunto, sendo obra de homenagem a eles e Mestre Vieira. O projeto foi selecionado pelo Edital de financiamento PRODAV-8/FSA/Ancine. Trazendo 13 episódios de 5 minutos, com direção de Luciana Medeiros e Afonso Gallindo, teve produção executiva da Central de Produção Cinema e Vídeo na Amazônia. Já foi exibida em TV Públicas e Universitárias e ganhou exibições públicas em Barcarena, Santa Luzia e Belém.

Dejacir Magno, 1o cantor a gravar lambada
“É muito gratificante esse trabalho. Eu nunca imaginei que um dia poderia me transformar em desenho animado”, conta Dejacir Magno, o primeiro vocalista de Vieira e Seu Conjunto e o primeiro cantor a gravar uma lambada, segundo o pesquisador Saulo Caraveo, que recentemente defendeu sua dissertação de Mestrado sobre a guitarrada paraense.

Para Lauro Honório, a continuidade da banda e a animação são maneiras também de manter viva a obra de Vieira. “Para este pré-reveillon da Lambateria Casa de Dança pretendemos mostrar o melhor da guitarrada, ritmo que agente contribuiu muito com o Vieira, mas também terá um repertório com músicas paraenses famosas”, diz o guitarrista.

Idalgino Cabral, que tinha se afastado do grupo em 2018, retornou a banda este ano. Antes, ele chegou a gravar um disco de guitarrada. “Iniciei uma carreia solo, mas ao chamado dos Dinâmicos resolvi retomar a banda e realizar um trabalho autoral junto com eles”, diz o baixista.

Jairo Rocha entrou no grupo em 2011, quando Mestre Vieira se reencontrou com seus antigos músicos. “Eu sempre ouvia Mestre Vieira na infância, nas festas que tinham perto de casa, em Barcarena. Quando veio a oportunidade de estar junto com eles, não pensei duas vezes. Gravei o DVD dos 50 anos de guitarrada e segui junto. Espero que em 2020, com nosso novo disco, possamos circular pelo Estado fazendo muitos shows”, diz.

Gutten Berg: o desafio da guitarra solo
O músico mais novo do grupo é Guten Berg, também morador de Barcarena, e que assume o desafio da guitarra solo, o principal instrumento da guitarrada e que representa e personifica a obra de Vieira.

“É um desafio muito grande assumir esse instrumento, pois todo mundo espera uma grande performance, já que era a posição do mestre Vieira. Quando toco as músicas dele, me esforço bastante para que o público reviva as emoções da guitarrada original que ele criou, mas também estamos encontrando nossa própria linguagem e nos trabalhos autorais certamente o público terá boas surpresas”, comenta.  

O suingue da música negra e paraense será foco do Eddie Pereira, um dos DJs fundadores do Coletivo Black Soul Samba, que acabou de completar 10 anos de resistência na cidade. “Para mim, é uma honra tocar neste pré-reveillon, junto a esses músicos que possuem uma histórica importante no cenário da música paraense”, diz Eddie.

Serviço
Show “Os Dinâmicos – Raízes da Guitarrada”. Dia 28 de dezembro, na Lambateria, a partir das 23h. A casa abre 21h, com música eletrônica e participação do DJ Eddie Pereira. Ingressos R$ 25,00 na bilheteria ou pelo sympla. Lambateria Casa de Dança – Rua 28 de setembro, 1155, entre Doca e Quintino – Reduto. Mais informações e contato para shows: (91) 98134.7719/98409.2686.

Circuito Mangueirosa vem de casa nova para 2020

Fantasias e muita festa!
Polêmicas com blocos no centro histórico, lamúrias e reclamações sobre o finado carnaval de Belém. É assim em meio a essas questões e anseios da população, que surgiu, ano passado, o Circuito Mangueirosa. Com sucesso de público e crítica, reunindo vários blocos, este ano, o evento volta com mais força e lança, neste sábado, 28, a programação do circuito 2020, inaugurando a Casa Mangueirosa, espaço que vai começar a agitar o carnaval desde janeiro, até a apoteose no complexo Ver-o-Rio. A noite de lançamento terá shows de Félix Robatto, Bando Mastodontes, DJs Azul, Lux, Rebarbada e Zek Picoteiro.

Nascido a partir da união de seis produtoras culturais (Bando Mastodontes, Bloco Filhos de Glande, Lambada Produções, Mastodontes Mea Chuta, Melé e Se Rasgum) que atuam no Estado, o Circuito Mangueirosa tem o objetivo de revitalizar o Carnaval de rua de Belém, desfilando, de forma gratuita e acessível, quatro blocos que fazem um passeio pela diversidade musical do Estado. A primeira edição do Circuito foi em 2019, quando mais de 40 mil brincantes desfilaram em quatro dias de folia.

Para a abertura oficial do Circuito, que este ano tem o selo Natura Musical, via Lei Semear, a noite contará com artistas que fazem parte do projeto. O veterano Félix Robatto abre a noite com o show dançante que já é conhecido nas quintas de Belém, afinal já são três anos em cartaz com a Lambateria, que ano passado desfilou como bloco de Carnaval dentro do Mangueirosa.

Félix apresenta os Lambadeiros do Trovão, grupo de percussão que traz os gêneros musicais paraenses, como Lambada e Carimbó, tocados com pegada de bloco de rua. O projeto vai desfilar pela primeira vez no Carnaval 2020 pelo bloco Lambateria. Eles vão comandar o cortejo do Ver-o-Rio para a Casa Mangueirosa no sábado, 22 de fevereiro.

Félix Robatto, do bloco Lambateria
“Esse show vai ser muito especial porque, além de marcar o lançamento do Circuito Mangueirosa, vai ser a apresentação do Lambadeiros do Trovão, um projeto que eu queria realizar há algum tempo e que pudemos iniciar com uma oficina realizada recentemente durante o Circular. O Pará tem uma cultura muito rica e diversa e eu fico muito feliz de ver tantas vertentes juntas, realizando um Carnaval democrático”, revela Robatto.

O encerramento é do Bando Mastodontes, grupo musical que é destaque da nova cena musical paraense e que vai apresentar um show especial de carnaval e que antecipa o que virá no Circuito. Neste sábado, o bando vai ganhar o reforço da cantora e compositora Luê e de Mateo, integrante da banda Francisco El Hombre, que farão uma participação especial. 

Já vai ser um bom esquenta, neste sábado, mas se anime mais ainda, porque a Casa Mangueirosa receberá bailes de pré-carnaval, bem como realizará programação gratuita de qualificação profissional por meio de oficinas, palestras, workshops e mesas de debate de incentivo e qualificação da mão-de-obra local, contribuindo para a profissionalização do mercado da música paraense. Com capacidade para 1500 pessoas, o espaço também está aberto para receber pautas de atuações culturais durante o período. Acompanhe aqui pelo blog que. agente vai divulgar cada etapa!

Cinco dias de folia em fevereiro no ver-o-Rio

Bando Mastodonte, que estará no lançamento 
e dia 22 de fevereiro puxará o bloco Manada
Criado para ser opção à população da capital paraense durante o feriado de Carnaval, o circuito oferece programação aberta para a cidade durante o Carnaval contando com a participação de artistas que trazem em seu repertório a música paraense, estimulando o turismo e movimentando a economia na capital neste período, resgatando tradições culturais e resgatando o Carnaval de Belém para que volte a ser uma atração turística-cultural da agenda da cidade. 

Este ano, a programação segue gratuita e iniciará dia 21 de fevereiro, a partir das 18h. Nos dias 22, 23, 24 e 25, a folia começará às 12h no Complexo Turístico, com atrações até as 19h30, horário em que os foliões saem em cortejo pela Av. Marechal Hermes em direção à Casa Mangueirosa (antigo Porto Music), onde a programação segue com atrações convidadas e cobrança de ingressos a preços populares (a partir de R$ 15). 

No dia 22 de fevereiro, quem desfila é o Bloco Lambateria, com Félix Robatto e convidados. Já no dia 23, é a vez do Bloco Manada, comandado pelo Bando Mastodontes. No dia 24, o Bloco Lucha Libre assume o comando e no dia 25, o tradicional Bloco Filhos de Glande fecha a folia.

Programação de Lançamento 
Sab. 28 Dez

21h - Abertura casa com DJ Azul 
22h20 - DJ Rebarbada
23h40 – Félix Robatto com participação dos Lambadeiros do Trovão
1h – DJ Lux
2h - Bando Mastodontes com participações de Luê e Mateo (Francisco El Hombre)
3h – DJ Zek Picoteiro

Serviço
Lançamento do Circuito Mangueirosa de Carnaval 2020. Neste sábado, 28 de dezembro, a partir das 21 horas na Casa Mangueirosa (Tv. Praça W Henrique, 2-42 - Reduto – antigo Porto Music). Ingressos antecipados a R$ 10 pelo www.ingresse.com/lancamentomangueirosa2020. Na hora, R$ 20. Informações: (91) 99300-9509. 

Patrocínio: Natura Musical, Semear, Fundação Cultural do Pará e Governo do Pará. Cerveja Oficial: Draft Sub Zero. Produção: Bando Mastodontes, Filhos de Glande, Lambada Produções, Mea Chuta, Melé Produções e Se Rasgum Produções. Realização: Circuito Mangueirosa. 

23.12.19

Série Janína disponibiliza a ultima edição de 2019

Já está disponível a última edição do fanzine de quadrinhos Belém 2019, uma das séries mais influentes das HQs paraenses, com autoria de Emmanuel Thomaz e Emerson Coe. Em formato de 15 × 21,5 cm, 18 páginas, capa colorida, miolo PB, a série Janaína traz mais uma história intrigante.

Vinte e cinco anos depois, a fanzine Belém 2019 chega com uma aventura inédita da jovem pagé Janaína. “O Hibernante” é uma HQ em preto e branco, roteirizada por Emerson Coe e com desenhos de Emmanuel Thomaz.

Os criadores originais Marcelo Marat e Emerson Coe iniciaram a série com 4 curtas histórias. Tendo continuidade com roteiros de Marcelo Marat, a série se desenrolou por mais 10 HQs no traço de Emmanuel Thomaz sendo publicadas regularmente em seu fanzine Horizonte Zero até o fim dos anos 2000!

Com uma mistura de terror cósmico e mitos locais, a trama de “O Hibernante” começa em 1939 na Alemanha quando um oficial do exército nazista de Hitler recebe a missão de encontrar uma bebida mística em meio a floresta amazônica. O problema é que o preço para descobrir esse segredo pode ser muito alto.

A série de quadrinhos Janaína é uma das mais influenciadoras da cena local. Publicada originalmente em 1994, ela serviu como inspiração para várias HQs, animações que viriam a surgir no estado, em um universo sombrio em que os mitos, visagens e assombrações da floresta, invadem a capital criando um horror urbano. 

O fanzine é a última edição do ano, mas também  o começo de uma novo projeto. O editor quer lançar uma coletânea em breve com todos os quadrinhos de Janaína e além do desenvolvimento de HQs completamente novas para a série.

Serviço
Janaína - O Hibernante" - Valor R$ 7,00. A edição pode ser adquirida de duas formas. Ou diretamente com o editor, pelo e-mail nitronorato@bol.com.br ou na loja Kryptonita que fica na Av. Pres. Vargas, Nº560, Galeria Comercial, Alberto Lopes, entre Riachuelo e Aristides Lobo/ WhatsApp - (91) 98911-4044.

17.12.19

Diálogos artísticos focam Mercado do Porto do Sal

A partir do diálogo entre arte e cultura ribeirinha, a artista Elaine Arruda e o mestre de carpintaria naval João Aires inauguram a mostra “Mastarel: Rotas Imaginais” na próxima quinta-feira (19), às 18h30, no Espaço Cultural Banco da Amazônia, com curadoria de Vânia Leal. A entrada é  gratuita.

Fotografias, gravuras, desenhos, livro de artista, documentos e objetos que fazem parte da pesquisa de doutorado de Elaine, na Universidade de São Paulo (USP), contam a história do desenvolvimento da obra “Mastarel”, instalada em 2016 no topo do mercado, às margens da baía de Guajará. O prédio histórico de nossa cidade é visto como um barco imaginário.

A exposição reúne elementos da pesquisa visual e material no entorno do Mercado do Porto do Sal, localizado no bairro da Cidade Velha, na capital paraense. O nome da mostra é uma alusão ao conceito de uma “Amazônia Imaginal”, segundo o autor Vicente Franz Cecim, que descreve esse estado entre o real e o imaginário.

Quando instalada, há três anos, a ideia era lembrar a presença dos mastaréus (parte superior do mastro) nos barcos e o prórpio território ribeirinho como uma referência ao passado de tradições que estão desaparecendo, deslocando simbolicamente a margem do rio para cima do mercado por meio da instalação artística. Desta vez, os artistas observam as narrativas e a poesia da obra, a partir da relação das pessoas que moram nas palafitas ao redor do mercado e que circulam e trabalham diariamente por lá - um desdobramento do sentido inicial da obra.

“Passamos a pensar o próprio mercado como um barco, a partir das entrevistas com os moradores. Uma das feirantes, a Arlete, que tem um restaurante em um box, me relatou que as pessoas chegam ao mercado e se referem à ele como um barco, perguntam quando o barco vai navegar. Ela responde que todos os dias. Foi a partir disso que começamos a pensar nesse espaço como pertencente à uma Amazônia do passado, entre o real e o imaginário”, comenta Elaine Arruda.

Para seu João Aires, que atuou como marceneiro durante 26 anos e é um dos únicos responsáveis pela manutenção dos barcos que atracam nos portos da Cidade Velha, a obra traz a lembrança de suas antigas demandas de trabalho. “O mastarel existia nos barcos e nas canoas, mas hoje os barcos se modificaram. Tudo mudou. Me sinto feliz que isso trouxe curiosidade nas pessoas, eu converso, explico. Fico emocionado em falar dessa obra que realizamos juntos”, comenta o mestre.

Em proposta de site specific (obras criadas para um determinado local e em diálogo com a sua história e pessoas), “Mastarel” foi o resultado de uma relação de pesquisa sobre a paisagem ribeirinha da Cidade Velha. 

Contemplada com o Prêmio de Pesquisa e Experimentação Artística 2016, da Fundação Cultural do Pará (FCP), a ideia era que a obra ficasse por 30 dias no topo do mercado, mas por conta de uma repercussão positiva junto à comunidade, o Iphan concedeu parecer favorável à permanência do mastro. Com isso, a estrutura recebeu iluminação de Lúcia Chedieck bem como restauros periódicos.

Serviço
Exposição “Mastarel: Rotas Imaginais”, de Elaine Arruda e mestre João Aires, com curadoria de Vânia Leal. Abertura nesta quinta, 19, às 18h30, no Espaço Cultural Banco da Amazônia (Av. Pres. Vargas, 800 - Campina). Entrada gratuita - Visitação: 20/12 a 30/01/2020, de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h.

(Holofote Virtual com informações da assessoria de imprensa)

O carimbó de São Caetano de Odivelas no Apoena

É isso mesmo. Na terra da cultura do Boi de Máscaras e dos simpáticos Cabeçudos, outra manifestação tradicional do Pará se faz presente, o Carimbó. O Grupo Suatá, de São Caetano de Odivelas, apresenta no próximo sábado, 21, o show Sotaque Odivelense, no Espaço Cultural Apoena, a partir das 22h. Ingresso R$ 10,00.

Trazendo em seu repertório, composições autorais e de grandes mestres compositores de outros municípios, o Suatá é atração certa em diversos eventos locais como Festival do Caranguejo, Festival Junino, Verãodivelas, a homenagem durante a Procissão Fluvial de São Pedro e durante a Trasladação da Imagem de São Caetano no período do Círio.

O Suatá também já fez apresentações em Cidades como Vigia de Nazaré, São Miguel do Guamá, Santa Izabel do Pará, Santa Maria do Pará, Santarém Novo, Curuçá, Santo Antônio do Tauá. Aqui em Belém, esteve na Praça Waldemar Henrique, Tuna Luso, Clube do Remo, Pará Clube e na Assembleia Paraense.

Agora o grupo pretende expandir suas apresentações ainda mais e não só na capital. Atualmente o Suatá conta em sua formação, com 07 músicos e 04 dançarinas, que trabalham o carimbó tradicional de raiz e praiano com sotaque odivelense. Sim, porque quem pensa que carimbó tem uma sonoridade só em todo os lugares do Pará, se engana. Cada grupo possui fortes características do lugar onde surgiu. O carimbó  odivelense é único, assim como o de Santarém Novo, de Marapanim ou Algodoal.

Ação visa o fortalecimento do ritmo no município

A apresentação deste sábado em Belém, faz parte dessa  proposta de divulgação e visibilidade do Carimbó do município de São Caetano de Odivelas no cenário cultural paraense. "O espaço Apoena possui todo um apelo cultural de inserção e valorização da cultura paraense, em um ambiente aconchegante e acessível ao público desse movimento artístico", diz Rondi Palha, da coordenação do grupo.

Fundado em 23 de agosto de 1993, o Grupo de Carimbó Sauatá, foi criado com a proposta de trabalhar danças folclóricas do Estado do Pará como siriá, maçariquinho, lundun marajoara, pretinha d’angola, entre outras. No primeiro momento, que durou até 2006, o grupo se consolidou como uma das principais atrações culturais de São Caetano de Odivelas, tendo paralisado suas atividades temporariamente em 1996. Retomou suas atividades em 1998, com nova direção e nova formação musical, mas ainda com a proposta de trabalho com danças folclóricas. 

Em 2004, o grupo novamente teve suas atividades paralisadas por motivos diversos, retomando a cena apenas em 2009, com o foco totalmente no trabalho com o carimbo de sotaque odivelense, somando na discussão da campanha Carimbó Patrimônio Brasileiro. Desde então, o grupo passou a fomentar a valorização do ritmo em São Caetano de Odivelas, propondo discussões acerca da inclusão do carimbó no ensino local e na participação em eventos culturais locais e regionais. 

Ficha Técnica
Mestre Garrincha: Voz Principal
Rafael Garça: Banjo e Voz
Pedro Palha: Clarinete
Ricardo Santos: Percussão e Vocal
Leonardo Soares: Percussão e Vocal
Dado Palha: Percussão
Rondi Palha: Maracas e Vocal
Dançarinas: Sara Aquino, Bárbara Aquino, Maria Eduarda Palha e Jacimara Soares
Produção: Rondi Palha e Talita Aranha
Coordenação Geral: Rondi Palha

Serviço
Apresentação do Grupo de Carimbó Sauatá de São Caetano de Odivelas, sob o Show Sotaque Odivelense, no Espaço Cultural Apoena. Neste sábado, 21, às 22h - Av Duque de Caxias, 450 Altos - Pedreira.

Festival de Ópera traz a última encenação do ano

De temática natalina Amahl e os Visitantes da Noite, de Gian Carlo Menotti, é a última peça do XVIII Festival de Ópera do Theatro da Paz. Nesta terça-feira (17), às 16h, com entrada gratuita para alunos das ações do Programa Territórios Pela Paz (TerPaz) e, às 20h, com ingressos à venda na bilheteria do Theatro.

Em Belém da Judéia, Amahl - um garoto com dificuldades de locomoção - e sua mãe, acolhem no casebre onde vivem, os três Reis Magos e um pajem, que se dirigiam para conhecer o Menino Jesus. Por milagre, Amahl é curado e, feliz, entrega sua bengala aos reis como presente ao menino Jesus. Esse é contexto em que se passa em "Amahl e os Visitantes da Noite",  obra do compositor italiano.

Naturalizado norte-americano Gian Carlo Menotti (1911 - 2007), que nasceu em Cadegliano-Viconago (Itália) e começou a escrever canções quando tinha 7 anos de idade. Aos 11 anos, escreveu libreto e música para a sua primeira ópera, A morte de Pierrot. Iniciou sua aprendizagem formal em Milão, no Conservatório Verdi, em 1923.

Depois da morte de seu pai, Menotti foi com a mãe para os Estados Unidos e ingressou no 'Curtis Institute of Music de Filadélfia' (Pensilvânia). Em 1951, o compositor escreveu a ópera de Natal Amahl e os Visitantes da Noite para o 'Hallmark Hall of Fame', um programa antigo e de muito sucesso na televisão americana - que entrou para a história como a primeira ópera composta exclusivamente para televisão - estreando na noite de Natal do mesmo. Foi um sucesso tão grande que durante um longo tempo permaneceu como um clássico dos programas de Natal nas redes de TV do país.

De acordo com o próprio Menotti, no período de sua infância na Itália, a imagem do Papai Noel não era tão forte, mas havia a tradição de contar a história do Natal através dos Reis Magos. Ele e seu irmão brincavam de interpretar e na brincadeira o Rei Gaspar era surdo. Gian não soube explicar o motivo ou de onde surgiu essa referência, porém, no momento em que compôs a ópera, ele lembrou de seu irmão e incluiu essa característica ao Rei Gaspar, dando uma leve comicidade ao personagem.

Ópera encena crítica social, esperança e fé 

Em Amahl e os Visitantes da Noite, conseguimos perceber como era a visão de um ítalo-americano no pós-Segunda Guerra Mundial e imaginar o quanto de crítica social está embutida na história do nascimento de Cristo, que não é o foco da obra, mas a ideologia do Natal, que está no se despir das vaidades inerentes aos seres humanos e ajudar a quem precisa. A ária da mãe, por exemplo, carrega parte desse pensamento, principalmente quando ela pergunta "será que os ricos sabem como é alimentar uma criança?", "será que eles sabem como é sobreviver na pobreza?".

Por ser uma ópera composta para televisão, ela possui um tempo diferente. É mais curta, com árias menores e para o maestro Pedro Messias, o que se está fazendo no teatro é a revisão do que Menotti pensou para televisão. "Reger Amahl é uma oportunidade maravilhosa, uma emoção enorme, uma honra grande e eu estou muito feliz. Tenho certeza que a platéia vai gostar muito do resultado. Teremos uma formação reduzida da Orquestra com apenas 25 músicos".

A ópera Amahl e os Visitantes da Noite possui apenas um ato. Além do elenco, conta com o coro preparados pelo maestro Vanildo Monteiro, a partir do "I Curso de Formação em Ópera" que selecionou vinte cantores líricos profissionais e que receberam capacitação musical e cênica e para que, ao final de quatro anos, estejam preparado com excelência, para formar um corpo fixo de cantores líricos do Theatro da Paz. E ainda a participação dos bailarinos Marlus Estumano e Alane Dias.

A programação do festival, que se expandiu ao longo de 2019 em várias ocasiões e apresentações,  só encerra dia 22 de dezembro, às 20h, com o Concerto Sinfônico “O Messias”, de G.F. Haendel (OSTP e Coro), mas esta será a última apresentação de uma ópera.

Em 2020, segunda a secretária de cultura Úrsula Vidal, o Festival será realizado durante o ano todo - ampliando o campo de trabalho para todos os artistas e técnicos envolvidos nas produções. "Já temos no Pará um corpo técnico altamente qualificado para as demandas da produção operística. Estas ações de incentivo e capacitação valorizam ainda mais os enormes talentos que temos aqui. Além disso, a extensão do calendário de montagens e récitas também foi uma inovação extremamente positiva. Isso gerou uma ativação maior da cadeia produtiva da ópera, ao longo de todo este semestre. São centenas de músicos, cenotécnicos, aderecistas, costureiras e produtores de cena envolvidos nas montagens e musicais durante a metade do ano. É qualificação e atividade econômica andando juntas", afirmou a secretária. 

Ficha Técnica
Diretor Geral: Daniel Araujo
Diretora Artística: Jena Vieira
Diretora de Produção: Nandressa Nuñez
Direção Musical: Miguel Campos Neto
Direção Cênica: Jena Vieira
Maestro: Pedro Messias
Direção Geral: Daniel Araújo
Direção de Produção: Nandressa Nuñez
Regente do Coro: Vanildo Monteiro

Elenco
– Amahl, Laura Silveira (Soprano)
– A mãe, Ana Ester Neves (Mezzo)
– Gaspar, Andrew Lima (Tenor)
– Melchior, Idaias Souto (Baixo-Barítono)
– Baltazar, Homero Velho (Baixo)
– Pajem, Yatanaã Figueiredo (Barítono)

Bailarinos
– Marlus Estumano
– Alane Dias

Técnica
Pianista co-repetidora: Ana Maria Adade
Cenário: Claudio Bastos e Nandressa Nuñez
Figurinos: Claudio Rego
Visagismo: Omar Junior
Desenho de luz: Rubens Almeida
Direção de palco: Cláudio Bastos
Legenda: Gilda Maia
Coreografia: Aline Dias

Serviço
XVIII Festival de Ópera do Theatro da Paz apresenta a ópera Amahl e os Visitantes da Noite em três sessões: a primeira récita na terça-feira (17), às 16h com entrada franca para os alunos que participam das ações do TerPaz. No mesmo dia às 20h, acontece a segunda récita e quarta-feira (18), a terceira récita às 20h. 

Ingressos -  R$ 40 (frisas, platéia, varanda e camarote de 1ª), R$30 (camarote de 2ª e galeria), R$20 (paraíso) mais 1 quilo de alimento não perecível. Todas as posições aceitam meia entrada. Os interessados também poderão adquirir pelo site www.ticketfacil.com.br . Informações pelo telefone (91) 4009-8750.

13.12.19

Publicação destaca produção de artistas mulheres

Galvanda Galvão
A Obscena Pensadora é a nova publicação independente do selo Casulo Cultural, que será lançada na próxima quarta, dia 18, a partir das 18h, no Espaço 310. A festa de lançamento da publicação on-line será o disparo da campanha de financiamento coletivo para impressão e distribuição da edição.

A publicação reúne textos, fotografias, colagens e outras expressões de produção exclusiva de artistas paraenses: Adriane Lima, Bruna Suelen, Carol Pabiq, Pamela Alves, Flávia Danielle Câmara, Luzia Gomes, Renata Aguiar, Pamela Raiol e Josiane Martins. Contém ilustrações de Beatriz Paiva, Gabriela (Gabirú) Pereira, colagens de Victória Rapsódia e fotografia de Renata Aguiar, Ana Carla Oliveira e Aíssa Matos.

“É um espaço criado para o debate feminino, que pauta a diversidade com a intenção de promover um espaço de existências e vivências das diferenças, que possa nos aproximar mais umas das outras e outros, pois acreditamos que a diversidade humana é o que nos torna tão dinâmicas, múltiplas e coloridas”, afirma a artista Pamela Alves, que integra a produção da revista.

DJ Ananindeusa
Artistas mulheres também vão dar o tom da festa com música, a partir das 18h, com Mostra Sibila de Cinema Expandido, organizada pela artista Galvanda Galvão, na calçada do Espaço 310, abrindo a cena para a rua. As projeções são de cenas expandidas curtas, videoartes, filmes de Allyster Fagundes, Bea Morbaq, Chantal Ackerman, Galvanda Galvão, Izabela Leal, Luana Peixe, Marcela Inajá, Marise Maués e Waleria Américo.

A cantora Yvana abre a programação musical às 20h com o pocket show Delírio, com repertórios de cantoras brasileiras, e na sequência, às 21h, tem a DJ Vic Rapsódia com os beats na nossa festa influenciada pelo som das mulheres e da periferia, passando pelo rap, reggae, black music e brasilidades. 

A DJ Ananindeusa chega às 22h para mostrar toda a sua influência da música feminina e negra, regional e nacional, e às 23h Thais Badu entra em cena com rimas e mensagens que a música urbana expressa, em seu trabalho batidas eletrônicas, regionais e brasileiras.

A ideia de produzir a Obscena Pensadora surgiu a partir do grupo de estudos sobre feminismos "Manas", que durante o ano de 2017 se desenvolveu no salão da Casa de Artista, e na galeria e estúdio experimental Casulo Cultural, idealizado pela artista, fotógrafa e produtora Renata Aguiar. Para as artistas, do desejo de unir mulheres que escrevem na e para Amazônia criaram a publicação de forma totalmente colaborativa, doando tempo e trabalho para construir a publicação.

Casulo Cultural

O antigo espaço Casulo Cultural
Tudo iniciou em uma casa, localizada no histórico bairro da Campina, nos altos de um antigo casarão de esquina, se impôs por sobre as ruas do bairro, carregando consigo o projeto do fluir cultural, onde o trabalho colaborativo e a iniciativa coletiva buscam a difusão de conhecimentos artísticos e culturais, para que possam alçar outros voos. Para Renata, espaços como o Casulo surgem como alternativa à falta de incentivo à arte e cultura locais. 

“Por falta de espaços suficientes, ou suficientemente abrangentes para abarcar toda uma geração crescente de criativos, artistas e produtores culturais, que não se enquadram ou não desejam se enquadrar nas possibilidades dos espaços institucionais, patrocínios e editais de multinacionais e bancos” afirma.

De um espaço físico, a atuação dos artistas partiu para a produção editorial, mostrando a potência da arte em coletivos, iniciativas coletivas, reforçando as atividades de arte arte independente. O editorial é colaborativo para criação, produção e publicação de arte. Surgido com o fim do espaço cultural, casa de artista e galeria/estúdio experimental homônimo que existiu no bairro da campina, Belém/PA por três anos. Em 2018 publicou a revista Casulo #00 e o livro/catálogo Reinos Místicos.

Serviço
Lançamento da Revista Obscena Pensadora #1, no espaço 310 (Rua Carlos Gomes, 310), 18h às 0h com Mostra Sibila de Cinema Expandido (calçada do espaço 310), DJs Rapsódia e Ananindeusa e cantoras Yvana e Thais Badu. Contribuição consciente: até as 21h a partir de R$ 10, 00 - E após este horário, a partir de R$ 15,00.

11.12.19

BoulevArte realiza sua 5ª edição em novo espaço

Pontuando a economia criativa em Belém, o BoulevArte está de volta, com extensa programação, agora no Espaço Náutico Marine Club,  às margens do rio Guamá, próximo a UFPA. Neste domingo, 15 de dezembro, das 8h as 20h. 

Quebrando um jejum de quase três anos, a nova edição ganhou outra morada, mas a programação cultural mantém o formato dos anos anteriores com teatro infantil, contação de histórias, shows e inclui ainda a canoagem havaiana e Yôga. Entre as atrações musicais haverá show do Trio Manari, Farofa Tropikal, DJ ProEfx, Orquestra Aerofônica e Zarabatana Jazz Band.  Participam da feira criativa, cerca de 60 expositores que souberam da iniciativa e se inscreveram.

“Fizemos chamamento e o filtro era ordem de chegada, além de análise do produto ou serviço oferecidos. Estamos fazendo uma edição praticamente na marra e é bacana perceber que muita gente desejava tê-lo de volta. Temos um patrocinador apenas, com uma cota de 10 mil reais. O aluguel dos stands de expositores pagará o restante. Estamos fazendo milagre”, diz Ney Messias, idealizador e um dos produtores executivos do evento, em entrevista ao blog.

Além da feira focando no plano mais comercial, o 5º BoulevArte prevê também ações formativas e  debates. “Teremos algumas palestras sobre temas ligados à alimentação saudável e autoconhecimento. A grana é curta, mas ano que vem tem mais”. Para 2020, estão previstas mais três edições, sendo duas delas no Espaço Náutico, onde os produtores encontraram uma ótima estrutura e depois, a ideia é voltar ao local de origem do evento. 

O BoulevArte nasceu em 2014 e desde então teve 4 edições realizadas de forma não sistemática, mas todas na Praça dos Estivadores, localizada no antigo Boulevard da República, criado no início ao processo de urbanização de Belém no auge do enriquecimento da Borracha, às margens da baia do Guajará, e hoje conhecido como Boulevard Castilho França, o que inspirou o nome da iniciativa. 

"O Espaço Náutico é formidável e tem como dono o ‘seu Carlos’ e se não fosse ele o evento não aconteceria. Ele está viabilizando tudo a partir de sua empresa de shows. Abriu as portas e pediu pra gente entrar. Sou eternamente grato a ele. A terceira edição de 2020 estamos querendo fazer na nossa casa original e já estamos atrás de parceria para isso”, avisa.

Economia criativa cresce no mundo todo

Farofa Tropikal, umas das atrações do domingo
A economia criativa tem crescido a olhos vistos em Belém, com destaque ao empreendedorismo de mulheres, LGBTI, da cultura negra e de outros segmentos que vêm despontando e chamando atenção em diversas feiras que foram realizadas ao longo do ano. 

O movimento criativo está em todo o país e mais do que isso. No início deste ano, a ONU divulgou um relatório global sobre a economia criativa no mundo.  Ao longo de 13 anos, segundo o documento, houve crescimento de mais de 7% de bens criativos, na área da exportação. "Design e artes visuais estão entre os setores de maior desempenho, com moda, design de interiores e joias representando 54% de exportações de bens criativos em economias desenvolvidas e 70% (incluindo brinquedos) em economias em desenvolvimento", ressalta a publicação.

A economia criativa se vale de capital intelectual e cultural, valor econômico à criatividade, impulsionando a indústria criativa que, por sua vez, se transforma em renda, empregos e novas receitas de exportação, enquanto promove a diversidade cultural e o desenvolvimento humano. 

“A cada edição do BoulevArte surgem novos empreendedores criativos, que mal comportaria num só evento. Creio que seja uma maneira nova e mais humana de ver a economia. A economia criativa se dá em pequenos arranjos de produção, de uma forma mais ética, sempre levando em consideração que existe uma dimensão humana por trás do negócio. Não estamos falando só em ganhar dinheiro”, conclui Ney Messias.

Serviço
5º BoulevArte, com programação neste domingo, 15, das 8h às 20h, no Espaço Náutico Marine Club (Av. Bernardo Sayão, ao lado da UFPA). Mais informações: @BoulevArte / contato@boulevarte.com.br

9.12.19

Leia Mulheres traz obras de Maria Lúcia Medeiros

Em Bragança é mês de celebrar São Benedito e, não à toa, também foi o escolhido para a ler duas obras de Maria Lúcia Medeiros, escritora bragantina cujo legado, impregnado dessa cultura, é hoje de difícil acesso, pela falta de uma política editorial de publicação e reedição, o que restringe obras de inúmeros autores, ainda mais aquelas escritas por mulheres. A ação integra um movimento mundial e será realizada no sábado, 21 de dezembro, às 16h, na conhecida Praça do Coreto.

Projeto colaborativo para a divulgação e incentivo à leitura de autoras, o Clube de Leitura Leia Mulheres se espalha por todo o país.  Em Belém, por exemplo, o encontro de dezembro será no domingo, 15, no Museu Emílio Goeldi, das 9h às 12h, para ler  "O papel de parede amarelo", da escritora Charlotte Perkins Gilman. Trazendo temáticas diversas, como feminismo, racismo, obras indígenas, periféricas e tantas outras, não importa, o único critério que define o poema, texto ou conto a serem lidos é que seja de autoria de uma mulher. No mais a discursão é livre, sem sistematização acadêmica.

“Bragança no mês de dezembro irradia cultura, história, música, literatura, o clima muda, os tambores de São Benedito ressoam por todos os lados, então escolhemos a escritora Maria Lúcia Medeiros como a autora da vez. Vamos ler o conto Quarto de Hora, mas também o poema Benquerença, que foi publicado na obra antologia da Marujada organizada por Valentino Dolzane do Couto”, me explica Larissa Fontinelli, uma das idealizadoras do Leia Mulheres Bragança, em entrevista ao Holofote Virtual.

Há dois anos que o grupo vem se afirmando no cenário cultural da cidade, situada às margens do rio Caeté, no nordeste paraense. O primeiro encontro aconteceu em janeiro de 2018, mas já era um desejo antigo das mediadoras oficiais e iniciais, Karina Castilho - uma leitora voraz, naquele momento, caloura do curso de Letras, e Larissa Fontinele - professora de Literatura na rede pública de ensino que, nesta edição, divide a mediação com Bianca Goes.

A opção sempre foi por organizar as rodas em espaços públicos, mas por conta de algumas dificuldades, os primeiros encontros ocuparam bibliotecas de escolas e outros espaços, até que o grupo passou a se encontrar com mais frequência no coração da cidade, o Coreto histórico Pavilhão Senador Antônio Lemos, na Praça Antônio Pereira, a conhecida Praça do Coreto.

O espaço fica em frente ao Museu da Marujada, bem pertinho da orla e da igreja de São Benedito. Desde que a roda passou a ser realizada lá o público, que era em média 5 mulheres, por encontro,  triplicou. A intenção agora é dar mais espaço a autoras da região e estender as rodas para outros lugares próximos de Bragança.

“O clube de leitura se fortalece a cada encontro e, inclusive, já promoveu encontros com as escritoras do mês, como a Márcia Kambeba, escritora indígena brasileira que mora em Castanhal. E como a parceria tem dado muito certo e mudado muitas formas de pensar, o grupo se ampliou para o município de Capanema, com quatro mediadoras: Andréa Ribeiro, Deyse Abreu, Roberta Laíne e Valdete Gomes”.

Larissa Fontinele estuda literatura há quase vinte anos, quando ingressou no curso de Letras. “Tive a oportunidade de ter aulas como o professor José Arthur Bogéa, amigo pessoal de Maria Lúcia que nos possibilitou o encontro com a autora. Na ocasião lemos o conto Velas, por quem?”, diz Larissa, que aquela altura não sabia da importância da autora, não conhecia seus textos e nem tinha ideia de que futuramente ela faria tanto sentido em sua vida. 

“Tempos depois escrevi uma monografia para o término da minha especialização em estudos literários: Noites e noites com Maria Lúcia Medeiros: Leitura de alguns contos notívagos da obra, sob a orientação do mestre Joel Cardoso. Minha pesquisa acadêmica em literatura também me levou para outra autora bragantina, Lindanor Celina. Atualmente pesquiso literatura de autoria de mulheres indígenas”. Na entrevista a seguir, converso um pouco mais com ela sobre o surgimento do grupo em Bragança.

Holofote Virtual: Como vocês conheceram o Leia Mulheres?

Larissa Fontinele: O primeiro contato com o Clube de Leitura Leia Mulheres se deu através das redes sociais. É importante frisar que o Leia Mulheres é um projeto colaborativo para a divulgação e incentivo à leitura de autoras. A mediação deve ser sempre feita por mulheres. Homens são bem-vindos apenas para participar das rodas de conversa. A coordenação nacional fica por conta de Juliana Gomes, Juliana Leuenroth e Michelle Henriques, que cuidam das redes sociais, do site do projeto e de possíveis parcerias com editoras.

Holofote Virtual: Que autoras já foram lidas durante estes dois anos de rodas?

Larissa Fontinele: Nesse período já lemos para mais de 20 obras. A nossa primeira leitura foi a obra Olhos D’agua, de Conceição Evaristo. Naquele encontro sentimos a dimensão da importância de ler autoras que nos representam efetivamente nas nossas lutas, dores e vitórias diárias, entre olhos cheios d’agua nos conhecemos e reconhecemos, já lemos desde a líder revolucionária russa Alexandra Kolontai passando por clássicas brasileiras como Clarice Lispector até as mais contemporâneas Djamila Ribeiro, Tatiana Nascimento, Márcia Kambeba, Grada Kilomba e Joice Berth. 

Holofote Virtual: Qual é a principal dinâmica da roda?

Larissa Fontinele: Enquanto mediadoras, cabe a nós conduzirmos a roda de conversa, deixar fluir a ponto em que todos sintam-se à vontade para compartilhar suas impressões sobre a leitura.  O que se espera sempre é que os participantes da roda falem sobre o que sentem a partir da leitura do texto literário, ou seja, como a leitura ultrapassa seu corpo e sua voz, qualquer pessoa pode chegar e sentar-se conosco, compor a roda e se expressar.

Holofote Virtual: Como se deu a curadoria para chegar a estes dois trabalhos da autora?

Larissa Fontinele: A autora já estava na nossa lista de leituras desde o ano passado, mas decidimos incorporá-la a nossa roda de conversa neste mês tão lindo em que Bragança respira renovação de ares. A escolha da narrativa e do poema se dá exatamente pelo espaço afetivo da memória que a escritura da Maria Lúcia compõe em sua literatura, como não se encantar com um texto reflexivo de uma mulher para outra mulher (nós, leitoras), em uma passagem como esta:

“Nem tive precisão de olhar para trás. Já era o dia seguinte e o Sol que me fizera despertar anunciava o dia pelo meio. Pus-me a caminho. Deparei-me dona, senhora de mim, possuinte dos meus próprios passos, sem saudades”. 

(Trecho do conto Quarto de Hora). 

Ou ainda, como não lembrar e sentir os ares de Bragança:

“O rio é minha cidade
O pai, a mãe, a família, 
Raízes galhos trançados
No tempo que nem sabia.”

(Poema Benquerença)

Maria Lúcia Medeiros (1942 - 2005)
Sente, me diz o que sentes? Pois é, a gente sente. A escrita da Maria Lúcia é isto, esse sentimento de tudo em nós, por isso, gostamos tanto do seu texto, e reconhecemos a importância de suas obras para literatura nacional.

Holofote Virtual: Momento de muitas trocas e um grande incentivo a literatura feita por mulheres! 

Larissa Fontinele:  Nosso objetivo é mostrar para as editoras que estas obras devem fazer parte do mercado editorial, infelizmente e atualmente, só conseguiremos encontrar a obra em sebos de livros usados, uma ou outra obra da Maria Lúcia Medeiros perdida nas estantes.

Por isso, fizemos a digitalização do conto e do poema dela, ou seja, de partes das obras para darmos conta dessa demanda que o mercado não quis suprir, isso é um ato de resistência literária também, aproveitamos, então, para manifestarmos o nosso descontentamento com os nichos do mercado que detém obras de autoras e as escondem em seus limbos editoriais. Queremos mais autoras paraenses publicadas!

(Fotos cedidas por Larissa Fontinele)

Exposição traz temáticas e narrativas ribeirinhas

“Rios e Redes: uma poética sobre o tempo” abre nesta sexta-feira, 13 de dezembro, às 18h, na galeria do Centro Cultural da Justiça Eleitoral do Pará. A programação conta com exibição de um vídeo e show de carimbó. Entrada gratuita.

A  temática é ribeirinha, inspiração para a produção de mais de 20 peças elaboradas pelo Mestre Francisco Coelho (redes de pesca), o Chico das Rede, Roberta Mártires, que trabalha com moda autoral, a partir do crochê (Atelier Multifário), e Paulo Emílio, mestre na papietagem (Atelier Na Garupa). A curadoria é de João Cirilo Neto. 

Roberta Mártires vem tecendo em linhas, suas ideias, dando formas a criações inusitadas, de vestir e usar. A artista-artesã, agitadora e produtora cultural, ao propor o projeto de exposição ao edital do Centro Cultural da Justiça Eleitoral do Pará, teve como objetivo exercitar o olhar e a relação de artistas, artesãos, amigos e fazedores de cultura com a cultura ribeirinha, os rios e seus habitantes, aspectos tão caros a nossa realidade e identidade.

Roberta Mártires
Foto: Faustino Castro
“Lá, onde a cidade pulsa barulhenta a qualquer hora do dia ou da noite, ouço relatos de uma cidade ribeirinha, de seus becos, e de sua resistência periférica, e percebo os outros que lá estão junto comigo. A Liberdade de criação, os trabalhos autorais e as fronteiras do bairro onde moro, e onde trabalho se misturam, pois não só finco meus pés neste lugar de trabalho, como ainda moro na Cidade Velha, primeiro bairro de Belém. Um bairro central cheio de misturas, odores e sensações que guarda o maior número de Museus da capital, entretanto, não recebe suas artes ribeirinhas".

Francisco Coelho é o mestre inventivo das redes e teias artesanais: redes de segurança, de esportes, de pescas e de dormir. É possível encontrá-lo no Mercado Francisco Bolonha, o conhecido Mercado das Carnes, localizado no Complexo do Ver o Peso, bem em frente ao Solar da Beira. Criador de belíssimos matapis, de paneiros, luminárias, puçás e de tantos outros objetos que saem de suas mãos com materiais que reutiliza e subverte em seus usos anteriores, Chico faz a primeira incursão em espaço expositivo e suas criações ganham destaque em plasticidade e formatação. 

“É importante ressaltar que eu e Paulo Emílio já nos colocamos como artistas, já o Chico é um mestre e que tem um dos trabalhos mais fortes dentro da exposição.  Ele faz  um trabalho que não é voltado ao universo artístico, seu trabalho junto a pesca artesanal contribui para trazer o alimento às pessoas e é disso que ele também se alimenta. Ele está no mercado desde criança, primeiro no Ver-o-Peso e depois nesta barraca que ele ocupa no Mercado de Carne, onde eu também exponho a Multifário. Ele não se via como artista, mas para mim ele é peça chave desse projeto”, diz Roberta Mártires.

Paulo Emílio
Foto: Otávio Henriques
Paulo Emílio Campos, com sua produção escultórica, iniciada em 1989, apresenta um olhar politizado e bem humorado sobre o cotidiano e sobre o universo da arte. As criações, feitas em papietagem, a partir de materiais tão simples como o papel e o amido de milho, tecem comentários sobre as relações de homens e mulheres em sociedade e com meio-ambiente. Versáteis, suas criações exploram todas as possibilidades em termos de suportes, montagens destilando camadas e camadas de significados.

O convite está feito. O público verá instalações e uniões de objetos e esculturas que refletem a contribuição entre os artistas, dentro de seus ofícios, resultando em obras feitas em caráter de coletividade. Um vídeo produzido pelo Coletivo Mergulho (direção e montagem: Carol Magno / som e áudio: Renato Torres)  também será exibido, contendo o relato dos participantes, e haverá show de carimbó do grupo Cuité Marambaia. A noite de sexta promete começar bem ali pela Campina.

Serviço
“Rios e Redes: Uma Poética sobre o Tempo" - mostra contemplada pelo edital da galeria de artes do CCJE/2019. Abertura nesta sexta-feira, 13, às 18h, no Centro Cultural da Justiça Eleitoral do Pará (R. João Diogo, 254, bairro da Campina). A exposição ficará aberta até janeiro, sempre de terça a sexta-feira, das 9h às 17h. No dia 18 de dezembro haverá uma feirinha dentro do espaço, aberta ao público das 9h às 14 horas, com trabalhos de artistas convidados que produzem peças autorais. Entrada gratuita.

7.12.19

Violão Solidário encerra o ano com show na praça

Com rock, samba e chorinho, concerto do Projeto Violão Solidário reúne artistas em shows gratuitos na Praça da República. Apresentação, que celebra o primeiro ano do projeto de musicalização que atendeu 90 crianças de escolas públicas, será neste domingo (8), às 9h, no anfiteatro da Praça da República. 

Cerca de 90 alunos de escolas públicas participaram de cursos gratuitos de musicalização sob a batuta de Diego Santos, destaque da nova geração do chorinho, e Nego Nelson, um dos maiores instrumentistas do país. Da música regional ao rock, o show traz ainda a participação de convidados como Sammliz, Trio Lobita, Allan Carvalho e Pedro Viana.

O projeto é uma plataforma de valorização da cultura paraense, especialmente do violão enquanto instrumento fundamental na música popular brasileira. A iniciativa aposta na arte como meio de contribuir para a formação estética e cidadã de meninos e meninas entre 10 e 15 anos, estudantes de escolas públicas e advindos de famílias de baixa renda. O propósito é fazer da música ferramenta pedagógica e estratégica na redução da violência e diminuição da evasão escolar.

Para a coordenadora geral do projeto, Narjara Oliveira, a iniciativa oportuniza uma introdução à linguagem artística e transforma o relacionamento escolar. “Quando se coloca um adolescente para fazer uma oficina de violão, estamos trazendo, inevitavelmente, informações que eles nunca tiveram. E isso muda a vida das pessoas”, pontua. “Atrelamos a participação no projeto ao com comportamento e desempenho deles na escola e isso tem modificado a forma com que eles lidam com os colegas, como eles lidam com o patrimônio, porque tudo isso nós cobramos deles”, conta Narjara.

O primeiro módulo de oficinas, que atendeu 30 estudantes, foi realizado no Fórum Landi, com aulas ministradas por Diego Santos, professor do naipe de violões e regente do projeto Choro do Pará. Já a segunda etapa formou 60 alunos da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Rui Barbosa, que realizaram o curso com Nego Nelson, artista de renome nacional com mais de 50 anos de carreira.

A diretora da escola Rui Barbosa, Márcia Maia, explica que a oportunidade de estar em contato com a música traz vários impactos aos alunos. “É uma oficina de música tão importante, com impactos social, afetivo e emocional. Ter o projeto Violão Solidário e a presença do Nego Nelson é motivo de orgulho e satisfação e nós ficamos muito agradecidos”, diz Márcia.

“Nossos alunos, muitos com históricos de carências das mais variadas, se sentem estimulados. Muitos deles relatam que já se veem como artistas e imaginam um futuro na arte. É emocionante”, relata Josefa Silva, coordenadora pedagógica da escola.

Coordenador pedagógico do projeto, Nego Nelson partilhou a experiência de 35 anos na área de arte educação. Ele foi professor de violão durante 15 anos no Conservatório Carlos Gomes e ao longo de 20 anos na Fundação Curro Velho, além de já ter participado de inúmeros projetos de musicalização através do violão pelo estado do Pará. 

“Só o fato de eles virem para o curso e ficarem nessa integração, como a atividade paralela, por meio do violão, melhora o desempenho do aluno na escola, melhora em matemática, português, melhora em tudo. Eles podem experimentar se é isso o que eles querem, aguçando o potencial artístico das crianças”, diz  Nego Nelson.

Daieny Fernandes, aluna do 9º ano da Escola Estadual Rui Barbosa, na Cidade Velha, é só expectativa para o primeiro concerto da carreira. “Eu sempre achei bonito tocar violão e depois de ter escutado sobre toda história do guitarrista americanos Robert Johnson, passei a ter mais vontade de aprender a tocar. As oficinas me incentivaram, mais ainda, a continuar, porque eu realmente já pensei em criar muitas coisas, já que eu tenho muitas inspirações para poemas”, conta a aluna.

Do regional ao rock

No concerto na Praça da República, três turmas de alunos irão apresentar um repertório com clássicos da música brasileira, como Asa Branca, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, e Uirapuru, do maestro paraense Waldemar Henrique. A surpresa fica por conta de Suzie Q, do Creedence.

A programação traz o recital de Diego Santos, com músicas autorais. Violonista e compositor, ele é um dos destaques da nova safra de instrumentistas do Pará. Em 2018 participou do Festival Internacional de Choro de Paris e ainda se apresentou nas cidades de Amsterdam na Holanda e Lyon na França, com o projeto Mercado do Choro.

Em seguida, sobe ao palco Nego Nelson.  Sumidade da música brasileira, ele já produziu músicas para teatro, filmes e documentários. Participou de festivais e shows com artistas de renome nacional como Leny Andrade, João Donato, Leila Pinheiro, Fafá de Belém, Billy Blanco, Arismar do Espírito Santo, Maestro Laércio de Freitas e outros. Se apresentou em países como França e Itália, e possui sete discos autorais, além de participações como instrumentista em mais de vinte CDs de outros artistas.

O concerto encerra ao som do Trio Lobita, que reúne grandes artistas: Paulinho Moura (violão 7 cordas), Tiago Amaral (clarinete) e Andréa Pinheiro (voz e pandeiro). O grupo surgiu em 2012, resultado das reuniões sonoras realizadas na casa do cartunista Biratan Porto, chamada de Terças de Cordas. Canções do universo do samba e choro e autorais fazem parte do repertório do trio, dividido entre instrumental e cantado. Em 2017, o grupo lançou o disco Na Marola, com repertório autoral e em parceria com outros artistas, que teve a produção enriquecida com a participação de músicos especialistas em maxixe, polca, baião e choro.

Serviço
Concerto do projeto Violão Solidário, neste domingo, 8, às 9h, no anfiteatro da Praça da República. Entrada franca.

Movimento cultural agita este domingo no Bengui

Um domingo inteiro de festa para celebrar e fomentar, através da mobilização popular e artística,  a produção cultural de artistas do bairro. Além de apresentações artísticas, também será realizada uma feira gastronômica, com bebidas artesanais e capoterapia. O “Ame o Bengui: Um pirão de cultura” é um projeto da Associação dos Moradores do Bengui (Amob) em parceria com a Secretaria de Cultura do Estado (Secult). Neste domingo, 8, das 9h às 21 horas. A ação ocorrerá no perímetro em frente a Amob, na travessa São Pedro.

Pouco se fala desse lado do Bengui, celeiro ou palco para artistas com destaque até no cenário nacional como o ainda morador do bengola Edilson Moreno, compositor de muitos jingles e tantos bregas que estão na mente e na boca do povão e o também artista, porque não? Do futebol jogador hoje consagrado jogador do Vasco da Gama / RJ e ídolo do Paysandu, Yago Picachu. E que recebia o hoje cantor Afonso Cappelo cantor finalista do The Voice Brasil de 2016 que frequentava, quando podia, a banca de batata frita dos Madruguitas e ficava rodeado de amigos e o papo rolava solto com direito a roda de violão.

Registro marca parceria da Amob com a Secult
E é justamente esse Bengui que está abrindo as portas aos novos olhares de nossa cidade, que chegou até a Secretária de Cultura, Ursula Vidal e despertou o interesse de montar essa parceria neste projeto piloto que conseguiu unir tanta gente num período tão conturbado e bi polarizado. Assim que o povo bengolano possa conhecer a arte produzida no próprio bairro e que moradores de outros bairros possam também prestigiar isso, assim como os moradores da periferia vão aos eventos do centro que o pessoal do centro possa e queira ter interesse no que a periferia diminuindo mais ainda distâncias e diferenças que independem de suas classes.

A Associação já vinha realizando há sete anos sem patrocínio algum apenas com recursos captados dentro do grupo denominado “Amigos da Boa Música”, projetos culturais que envolveram shows de tributos a Renato Russo e Raul Seixas, o Fest Rock Periferia, com bandas autorais e covers, peças teatrais que circularam em escolas públicas do bairro, resultado de oficinas realizadas para os jovens junto com a UFPA.

Evento quer ser contínuo somando novas parcerias

Neste domingo, as apresentações  musicais ficam por conta de Kleyton Silva, vocalista da banda Na Cuíra, Em forma de samba, Lima Neto, Extinção Humana, Klitores Kaos e Banda Influenza. Na dança regional terá o Paránativo e o Grupo canto do Aracuã. Tem dança clássica também com o balet do NEP, projeto com crianças desenvolvido no Núcleo de Educação Popular Raimundo Reis, Capoeira com o grupo Ubuntus. A encenação será com o Grupo de Teatro Palha, expositores M4m4 Freak, Tinta Preta, Pitoresco tatoo,  que dará como prêmio uma tatuagem no valor de 100 no bingo que será realizado em meio ao evento. É isso aí, o 3º Ame o Bengui estará recheado de opções para entreter o domingo de feriado venha e confira. Realização Amob e Secult.

Existe a intenção de tornar esse evento em periódico trimestral ou semestral, com a ambição de receber futuramente nomes como Gaby Amarantos, Felipe Cordeiro, Keila Gentil, Nelsinho Rodrigues, Wandelei Andrade, Dona Onete, entre outros, se já foram ao Rock in Rio é possível dar uma palinha no 4º ou 5º Ame o Bengui. Está em andamento e fase de aprovação um trabalho voltado para o grafite com a intenção de  fazer uma gigantesca galeria a céu aberto. Patrocinadores, cooperadores, apoiadores virtuais de ideias assim, o Bengui conta com vocês, acreditem na iniciativa!

Este será o 3º, os dois primeiros foram na década de 1990 e recebeu no auge de sua carreira a banda Mosaico de Ravena, que mesmo com muita chuva se apresentou e foi um dos mais marcantes momentos para os jovens( hoje senhores) daquela época.

6.12.19

Mateus Araújo estreia "Chico Buarque de Chambre"

Ao completar sua residência de dois anos na capital francesa, como recipiente do Prêmio Icatu de Artes, o maestro, compositor, pianista e violinista Mateus Araújo apresenta o concerto “Chico Buarque de Chambre”, na próxima segunda-feira, 9, às 19h30, na Cité internationale des Arts de Paris. Bati um papo com ele e com Landa de Mendonça, cantora e atriz, sua convidada, e também companheira.

Em sua trajetória, Mateus Araújo já dirigiu extenso repertório sinfônico e lírico, assim como desenvolveu um trabalho educacional com orquestras jovens no Rio de Janeiro. Como compositor e arranjador teve obras apresentadas em Nova Iorque, Paris, Zurique, Leipzig, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Campinas e Belém, entre outras cidades e países, com sucesso entre músicos, público e crítica. 

Em 2018, estreou na Cité des Arts de Paris seu livro "88 Prelúdios para 88 Notas" para piano solo. Neste ano, seguiram-se as estreias da Sonata para Clarineta e Piano e do  Concerto para Quinteto de Cordas e Orquestra em Pistoia, além da peça Triálogos, em São Paulo e Zurique.

Nesta nova apresentação, ele convida a atriz e cantora Landa de Mendonça e um quarteto de cordas formado por jovens brasileiros já atuantes na cena musical parisiense: os violinistas Walber Matos (PA), Rafael Gonçalves do Carmo (PR), o violista Adyr Francisco (RJ), e o violoncelista Abner Borges (SP). Mateus estará ao piano, assinando composição e arranjos. 

Landa é natural de Belém-PA, estudou Teatro e Canto Popular na Universidade Federal do Pará, na Escola de Teatro Martins Pena e no Conservatório Brasileiro de Música no Rio de Janeiro. Com mais de 20 anos de experiência em Teatro e Cinema, ela se dedica a cantar um repertório desenvolvido sobre a pesquisa da música popular brasileira.

Graduado em Composição pelo Conservatório Brasileiro de Música, Mateus Araújo trabalhou como regente titular e convidado de importantes orquestra brasileiras, desde sua participação no concurso mundial Maazel em 2002. Como titular, esteve a frente da Orquestra Jazz Sinfônica (1999/2000), Sinfônica de Ribeirão Preto (2003/04), Sinfônica do Teatro da Paz (2005/09), OSB Jovem (2012/13) e Sinfônica Jovem do Rio de Janeiro (2016/17). 

“Chico Buarque de Chambre” é composto por uma abertura original intitulada Poema pro Chico (2019) e uma suite com dez das canções mais icônicas de Chico Buarque, arranjadas para uma formação de câmara: voz, piano e quarteto de cordas. É ao mesmo tempo uma homenagem ao universo buarqueano e à música de câmara universal, como um ciclo estruturado em estilo clássico contemporâneo.

Estão no repertório, Roda Viva (1967), Construção/Deus lhe pague (1971), Gota d’Água (1975), O que será (1976), Cálice (1978), O meu guri (1981), A volta do malandro (1985), Joana Francesa (1990) e Vai passar (1990). Todas as canções e letras são de Chico Buarque, exceto Cálice, de Gilberto Gil e Chico Buarque, e Meu Guri, de Francis Hime e Chico Buarque. De Paris, envolvidos com os últimos ensaios, recebendo brasileiros que moram em cidades próximas, Mateus e Landa responderam a entrevista do blog, confiram! 

Holofote Virtual: Cantar Chico Buarque se tornou um ato revolucionário, também fora do país? Vocês sabem do que estou falando. Além disso, qual foi a inspiração maior para escolher esta obra para interpretar neste projeto?

Landa de Mendonça: Com certeza, é um ato revolucionário resgatar uma expressão gigante de nossa cultura que está sendo atacada. Se alguns textos de Chico carregam denúncias sociais, que elas possam vir à tona. A inspiração foi a própria qualidade de sua obra, sua importância e beleza, que é nossa grande referência de criatividade e comunicação. 

Mateus Araújo: Numa época onde estes valores estão sendo desprezados ou até intencionalmente diminuídos, nossa consciência nos impulsiona a querer defender e compartilhar nossa visão de qualidade, e se possível trazendo mais conexões. É uma questão até de responsabilidade. Imagino o ímpeto que deve sentir um bombeiro vendo uma casa pegando fogo na sua frente com pessoas aprisionadas dentro.

Holofote Virtual: Chico é também um lugar de fala para as mulheres. Você já tinha feito outros trabalhos com a obra dele, Landa?

Landa de Mendonça: Chico sempre esteve presente, desde o tempo de escola, e assim que me inclinei ao teatro e a música, vi que seu texto nunca perdeu a força, e carregava a universalidade atemporal dos grandes gênios. E para as mulheres realmente é uma luva, um luxo, um bálsamo e um antídoto contra a opressão. Aos poucos fui aprendendo e imaginando o que eu poderia acrescentar como intérprete de  algumas canções. Fui compondo um repertório e também participei de uma montagem da Gota d’água.

Holofote Virtual: Mateus, o show também celebra esses dois anos de residência na França. Como tem sido esses anos e esse projeto ao acaso representa uma despedida? Vai circular para além dos telhados de Paris?

Mateus Araújo: Paris foi a cidade capaz de catalisar o desenvolvimento artístico da humanidade e aqui surgiu a expressão vanguarda, de avant-garde. Aqui existe uma perspectiva única sobre o tratamento das sonoridades, e este caminho é explorado por tantos compositores. Encontrei muitos compositores que trabalham com novidades e músicas eletrônicas, mas escrevem bastante tradicionalmente, com tonalidade e coloridos desenvolvidos nos séculos XIX e XX. 

No ano passado pude concluir meu projeto de 88 Prelúdios para 88 Notas que, apesar de utilizar somente recursos acústicos, foi uma maneira inédita de fazer música. Entre tantos trabalhos em construção e desenvolvimento, este era um sonho acalentado há muito tempo. Achei que neste momento era o mais importante a se fazer: traduzir a música popular brasileira para a formação de concerto. 

O desafio de constituir um conjunto onde os elementos da música popular e de concerto estejam absolutamente equilibrados. Quando se faz concertos de música popular com orquestra ou instrumentos acústicos, em geral uma das partes acaba incapacitada de demonstrar todo seu potencial. Então posso dizer que meu objetivo é diferente de  colocar uma nova roupagem, mas sim abordar uma nova visão musical, independentemente de qualquer sofisticação. Com essa proposta e este conteúdo, espero mesmo que circule além dos telhados de Paris. O Brasil merece e o mundo merece.

Holofote Virtual: Como está a dinâmica do show, o repertório. E a Lelê também vai participar? Vi uns vídeos

Mateus Araújo: Foi um processo de criação conjunto, cheio de debates e descobertas, e principalmente cheio de verdade. Como se diz em alemão - “Hausmusik”, a música que fazemos em casa; ensaiamos separadamente com cada músico, e sim, a Letícia, participa, claro, ela é a flor que cresce no seio familiar com seus talentos sendo desenvolvidos naturalmente.

Holofote Virtual: Vocês estão aí no meio artístico. Falando de política, como as loucuras que estamos vivendo aqui, repercutem aí?

Landa de Mendonça: Infelizmente, a exploração dos governos e a distorção dos fatos é uma tendência global generalizada, mas a falta de compromisso com a educação no Brasil é assustadora. Vemos e sentimos os ataques à cultura e à ciência. O que poderia nos tirar do buraco é justamente a educação, e nossa cultura é que nos define. Passamos vergonha todo santo dia. 

Holofote Virtual: Voltando ao show, como estão os preparativos e as expectativas para essa estreia mundial ?

Mateus Araújo: A expectativa é grande, mas já podemos sentir que a receptividade será calorosa. Uma coisa que sentimos aqui é que o interesse e o respeito pela arte podem ser correspondidos.

Holofote Virtual: Landa, experiência na Europa, o que impacta na tua trajetória? Alguma saudade do Rio ou Belém? Contrastes?

Landa de Mendonça: Estar aqui significa pensar no que temos para oferecer de melhor, enxergar o melhor em nós mesmo e desejar a superação. Por enquanto, saudades monstruosas de açaí, rs.

Holofote Virtual: Mateus, teus sonhos daqui por diante?

Mateus Araújo: Meu sonho é continuar aprendendo e compartilhando este aprendizado, sempre com a maior verdade possível, mesmo quando isto possa parecer distante do fluxo do sucesso. Não existe nenhum sonho que ultrapasse o anseio pela integridade artística.