27.9.18

Um Fórum e 4 dias para Circular nos Mercedários

O auditório do Mercedários, tudo pronto para abertura.
Nem só de debates se faz a programação do Fórum Circular – Patrimônio, Cidadania e Sustentabilidade. A programação começa nesta quinta-feira, 27, pela manhã com reunião do Iphan. A abertura oficial será às 19h, com a apresentação do Quarteto de Cordas da EMUFPA, seguida da palestra "Experiência Circular", com Makiko Akao, idealizadora do projeto Circular Campina Cidade Velha.

Em seguida haverá uma cerimônia com a presença do reitor da UFPA, Emmanuel Tourinho, e a equipe gestora do projeto para colocar a bandeirola do Circular no Prédio dos Mercedários, jóia rara do centro histórico de Belém, datado de 1640.  A noite encerra com mais uma apresentação, no pátio externo do prédio, do Coral de Saxofones da Escola de Música da UFPA.

No repertório do Quarteto de Cordas da Escola de Música da UFPA (EMUFPA), três peças, sendo duas de compositores paraenses. Coordenado pelo professor Cristian Brandão, o grupo é formado pelos violinistas Celson Gomes e Joziely Britto, pelo violista Rodrigo Santana, e pelo violoncelista Cristian Brandão, todos professores da Universidade.

Já o Coral de Saxofone também da EMUFPA, que encerra a programação da quinta-feira, é formado por alunos e professores da classe de saxofone e saxofonista da cena local, tem na coordenação o professor Marcos Cardoso (sax soprano) e conta com a participação de Marcos Ribeiro (sax alto), Raíza Rocha (sax barítono) e Jorge Freitas (sax barítono), alunos da EMUFPA. No repertório, The Heavens are telling, de Frans Joseph Haydn, com arranjos de Bruce Evans, Barroquinho Nº1, de Oli Augusto Demuti, Cinco Gerações, de Osmar do Trombone, Spain, de Chick Corea, Libertango, de Ástor Piazzolla entre outras.

No hall do auditório, o estande de livros da Edufpa
Trazendo mesas de debates, palestras e relatos de experiências, o fórum segue até domingo, 30, trazendo como foco as discussões que envolvem o centro histórico, mas também oferecendo uma pequena programação cultural. As inscrições ficaram abertas de agosto até início de setembro, atendendo o limite de lugares do auditório do Mercedários/UFPA, que são 200, mas de acordo com a organização do evento, foi feito um esforço para receber 240 inscritos. “Há ainda uma lista de espera por causa de possíveis desistências”, diz a arquiteta Dorotéa Lima, convidada pelo projeto para coordenador o Fórum. 

O estande da Editora da UFPA estará em pleno funcionamento no hall contíguo ao auditório e no pátio interno uma feirinha criativa ficará em funcionamento de quinta a sábado, das 9h às 18h, e no domingo, das 9h às 15h, oferecendo comidinhas, economia criativa, fotografia e arte em geral produzidas pelos gestores e artistas que integram a rede de mais de 40 parceiros do Circular.

Prédio datado de 1640
No domingo, misturando ritmos ancestrais amazônicos a elementos do rock dos anos 60 e do jazz e buscando, o Trio Chamote encerra os quatro dias do evento, com apresentação às 18h, ao ar livre, na Praça das Mercês. 

O grupo desenvolve processos criativos de uma nova linguagem para a música instrumental amazônica, se alimentando de pesquisas distintas à cerca da música folclórica paraense, desenvolvida por seus integrantes: Charles Matos (bateria), Luizinho Lins (banjo amazônico) e Silvio Barbosa (flauta transversa).

“Esperamos assim contemplar o público circulante, que poderá transitar por um prédio histórico que estava fechado há dois anos, visitar a feirinha durante a programação e o estande de livros da editora da universidade. Vamos encarrar num clima das domingueiras do Circular Campina Cidade Velha, na praça das Mercês”, conclui Tamara Saré.

O Fórum Circular Patrimônio, Cidadania e Sustentabilidade é uma realização do projeto Circular Campina Cidade Velha, em parceria com a Associação Amigos de Belém. O evento conta com patrocínio do Banco da Amazônia e Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet. Copatrocínio da UFPA, IPHAN e Funtelpa - Cultura Rede de Comunicação. Apoio da IOEPA, Hotel Princesa Louçã, Sol Informática, Centro Cultural Sesc Boulervad, Mirante Designer, Papel da Amazônia e Rede de Parceiros do Circular. 

Serviço
27 a 30 de setembro - Fórum Circular. Local:  Mercedários/UFPA - Rua Gaspar Viana, 125 - Campina-Belém. Programação: www.projetocircular.com.br/forumcircular

25.9.18

"Árvore de Mim" em temporada no Oficina Assim

Fotos: Rodolfo Mendonça
Um mergulho poético-performático no qual a artista Michele Campos submerge em um oceano escuro e não palpável, mas presente e pulsante dentro das tantas mulheres que somos. No Espaço Oficina Assim, dias 27, 28 e 29 de setembro, sempre às 20h, com entrada franca.

O que somos além da soma de nossos antepassados? Quem nos permite escolher quais desses nós precisam ser desatados durante a caminhada? Quais histórias queremos perpetuar e quais devemos romper? Estas são algumas das perguntas presentes no espetáculo "Árvore de Mim", parte final da trilogia de Michele, que chega num momento singular para a atriz, vivenciado pela gravidez que gerou sua primeira filha. 

Uma gestação que encerra um ciclo de 10 anos fora de Belém, período em que estudou mestrado e doutorado na Universidade do Estado do Rio de Janeiro - Unirio, sendo o doutorado em formato sanduíche Rio de Janeiro - Paris; e durante os quais criou e apresentou as performances "Ritos" (2012) e "Para Você" (2014) que integram essa trilogia.

Michele explica que "o Árvore de mim são as três gerações que vêm acima de mim. O que é ouro e o que é dor. E com sabedoria cortar os galhos podres e se formar em cima dos bons. Como curar as dores do percurso, desde a infância até a transformação da criança, mãe, anciã. As gerações. Acho que ele (o ato-poético) fala de morte, da mulher que morre quando pari, da nova que nascerá em um tempo demorado, doido, rasgado. Como falar do que não pode ser falado, do lado obscuro e sombrio nosso. Da não divisão do bom e do mau. Somos uma só, múltiplas dentro de uma matriz", diz.

A performance é resultado dos anos de pesquisa cênica da atriz que fecha com este espetáculo a trilogia iniciada em 2012 com a performance "Ritos", seguida de "Para Você", em 2014. Com intensa pesquisa em Alejandro Jodorowsky, Carl Jung, Friedrich Nietzsche, Antonin Artaud, Carlos Nejar, dentre outros, Michele leva essas referências e estudos do eu para seu palco, aprofundando em si os espaços de corpo, tempo e memória. 

Ficha Técnica

Patricia Gondim - Visualidade cênica, concepção e desenho de luz; 
Mauricio Franco - Pesquisa e confecção de figurino;
Mateus Moura - Concepção musical e ambientação sonora; 
Waldete Brito - Colaboração cênica;
Amanda Melo - Contra-regragem e apoio técnico;
César Aires - Arte gráfica e design de mídia; 
Rodolfo Mendonça - Fotos e filmagem;
Dani Franco - Assessoria de Comunicação (textos, redes sociais e imprensa);
Lívia Condurú - Produção;
Michele Campos de Miranda - Pesquisa, dramaturgia, direção e performance.

Serviço
"Árvore de Mim" se apresenta em temporada como resultado do Prêmio Fusão e Difusão Artística do Edital Seiva, da Fundação Cultural do Pará. Dias 27, 28 e 29 de setembro no Espaço Oficina Assim, sempre às 20h, com entrada gratuita e retirada de ingressos uma hora antes de cada apresentação no próprio Espaço. Lotação de 20 pessoas. Apoio: Take 1- Doceria Artesanal e Café e Vintage Studio Hair. Classificação: 16 anos.

(com informações da assessoria de imprensa)

Fórum Circular discute Centro Histórico de Belém

Fotos: Otávio Henriques e Cláudio Ferreira
Provocar reflexões que tenham como premissa a recuperação do patrimônio existente nos bairros mais antigos de Belém, mas com foco nas pessoas e por meio de processo democrático. Esse é o principal objetivo do Fórum Circular - Patrimônio, Cidadania e Sustentabilidade que abre nesta quinta-feira, 27 e segue até dia 30 de setembro, no Mercedários/UFPA, no bairro da Campina, em Belém do Pará. 

A programação começa com uma atividade extra do Iphan, pela manhã, às 9h, e segue à noite, às 19h, com a palestra "Experiência Circular", com Makiko Akao, idealizadora do projeto e parceiros convidados, além da apresentação do Quarteto de Cordas da Escola de Música da UFPA.   O Iphan vai apresentar, na manhã desta quinta-feira, 27, uma proposta de normativas de intervenções nas áreas de tombamento federal de Belém. 

"Vamos discutir com moradores e usuários dos bairros da Cidade Velha e Campina as normas de preservação do centro histórico de Belém, de modo que a população possa opinar e sugerir parâmetros e diretrizes para a normativa que está sendo elaborada pelo Iphan, com a participação da Universidade Federal do Pará, bem com de órgãos da PMB e do Governo do Estado", diz Cyro de Almeida Lins, superintendente do Iphan.

À noite após a palestra de Makiko Akao, o reitor da UFPA, Emmanuel Tourinho, e a equipe gestora do projeto participam da cerimônia para fincar a bandeirola do Circular no Prédio dos Mercedários, um dos mais antigos do contexto histórico de Belém, datado de 1640. O encerramento da noite, conta ainda com apresentação de mais um número musical, do Quarteto de Saxofone também da EMUFPA.

“Será momento oportuno para entender e fortalecer a rede de parceiros, onde todos, moradores dos bairros, suas associações e movimentos locais assim como parceiros institucionais que têm apoiado o Projeto Circular estarão reunidos fisicamente pela primeira vez”, diz Dorotéa Lima, coordenadora do Fórum Circular.

De 28 a 30, a programação traz diversas mesas, relatos e debates sobre várias experiências de intervenções urbanas relacionadas ao patrimônio cultural,  organização social e economia da cultura. As discussões terão diversos eixos temáticos de interesse público, a partir dos quais serão produzidos indicativos para a criação de um plano de reabilitação do centro histórico de Belém. Os resultados serão sistematizados resultando em um documento a ser amplamente divulgado e entregue às autoridades municipais e estaduais.

“O Circular tem uma grande expectativa em relação a esse fórum. É um momento onde poderemos ter a dimensão concreta do tamanho e da força de nossa rede. Moradores dos bairros e suas associações, movimentos locais assim como parceiros institucionais que tem estado apoiando o Projeto Circula estarão todos se mobilizando em busca das soluções e viabilidades para o centro histórico de Belém”, diz Tamara Saré, coordenadora do Circular.

Parcerias e participação social

Na sexta, 28, pela manhã, a 1a mesa traz como tema “Cidade, patrimônio e participação social”, contando com as explanações sobre “O patrimônio cultural frente às grandes intervenções urbanas e as parcerias público-privadas”, com a Profa. Dra. Márcia Sant’Anna – Arquiteta e Urbanista, FAU/ UFBA e “Patrimônio cultural, planejamento urbano e participação social”, com a Profa. Dra. Natália Miranda Viera – Arquiteta e urbanista, FAU/ UFPE.

O debate será mediado pela Profa. Msc Alice Rosas - Arquiteta e Urbanista, UNAMA/Grupo SER Educacional, tendo como debatedores a Profa. Dra. Roseane Norat  - Arquiteta Urbanista,  Lacore –UFPA e o Prof. Msc. Michel Pinho - Historiador e fotógrafo, Fotoativa.

Na segunda mesa a discussão traz como tema “Potencialização do capital humano e produção de conhecimento sobre o centro histórico”, eu contará com os relatos da Profa. Msc. Josianne  Dias -  Terapeuta Ocupacional, atriz,  UEPA, sobre o Coletivo Aparelho, e do Prof. Esp. Flávio Nassar –  Arquiteto, Fórum Landi, FAU/ UFPA, sobre “A atuação do Fórum Landi no centro histórico de Belém”. A mediação será da Msc. Jorane Castro – doutoranda, diretora, roteirista e produtora, ICA/UFPA, tendo como debatedores Lucas Nassar – Arquiteto e urbanista, Laboratório da Cidade e o Prof. Abel Lins - Professor e tradutor, integrante da Rede da Sereia – moradores do bairro Cidade Velha.

Durante a tarde, a terceira mesa traz “Propostas e projetos com impacto na área do CHB”. 

Serão debatidos os projetos “Projeto Porto Futuro”, com Dina Elarrat, da Secretaria Nacional de Portos/MINTER e Danielle Abreu – Arquiteta e urbanista, da Companhia das Docas do Pará, e “Desenvolve Belém – Centro Vivo”, com João Cláudio Klautau - Administrador de empresas, Presidente da CODEM. A mediação será da Profa. Msc. Taynara do Vale Gomes – FACI Wyden, tendo como debatedores a Profa. Dra. Roberta Rodrigues - Arquiteta e urbanista, da FAU/UFPA e a Profa. Dra. Natália Miranda Vieira – Arquiteta e urbanista, da FAU/UFPE.

A palestra "Patrimônio vivo: projeto de reuso e participação social", do Prof. Dr. Nivaldo Andrade- Arquiteto e urbanista, UFBA, IAB, será a última explanação do dia, antes da reunião dos grupos de trabalho. A mediação será de Cyro Almeida – Antropólogo, Superintendente IPHAN-PA, tendo como debatedores, a Profa. Dra. Helena Tourinho - Arquiteta e urbanista, Unama – Grupo SER Educacional e Zê Charone - Atriz e produtora do Grupo Cuíra de Teatro.
Patrimônio e desenvolvimento

O sábado, 29, inicia com a palestra “Campus Mercedários da UFPA”, com a Profa. Dra.  Roseane Norat - Coordenadora de Extensão -  Lacore/FAU/UFPA, Profa. Dra. Thais Sanjad - Coordenadora de Pesquisa - Lacore/FAU/UFPA e Flávia Palácios - Coordenadora de Ensino - Lacore/FAU/UFPA. A mediação será de Akel Fares - Arquiteto e Urbanista- CODEM, presidente CAU-PA, tendo como debatedores o Prof. Dr. Mariano Klautau - Artes visuais, Unama /SER Educacional e Miguel Chikaoka - Fotógrafo e educador, Associação Fotoativa, Kâmara Kó.

Na 4a mesa estarão as experiências de parcerias para a reabilitação de áreas protegidas e desenvolvimento local, no projeto Porto Digital, com Leonardo Guimarães - Arquiteto urbanista, Diretor do Porto Digital e “O caso de Penedo, a experiência do IPHAN AL”, com Mário Aloísio Melo – Arquiteto e Urbanista, Sup. IPHAN-AL.

A mediação será do Prof. Msc. Paulo Ribeiro- Arquiteto e urbanista, FAU UFPA/ FACI, tendo como debatedores o Dr. Cristiano Borba - Arquiteto e urbanista, Fundação Joaquim Nabuco, Direitos Urbanos PE, a Prof.MSC. Maria Cláudia Bentes Albuquerque, advogada, professora, presidente da Comissão de Direito Urbanístico e Planejamento Urbano da OAB-PA/, Comissão de Direito Urbanístico/ OAB.

À tarde, na 5a mesa, o tema será “Possibilidades de desenvolvimento socioeconômico”, com Antônia Ferreira - diretora presidente e responsável pelo Núcleo de Ações Educacionais Museu da Favela – RJ, Filipa Bolotinha - Economista, gestora de projetos e coordenadora geral da Associação Renovar a Mouraria (Lisboa-PO), Goretti Tavares - Profa. Phd. Faculdade de Geografia/UFPA, Roteiro Geo Turístico e Lorena da Rocha Martins - economista, Coordenador de Microcrédito do Banco da Amazônia. A mediação será do Prof. Phd. Sílvio Lima Figueiredo – Turismólogo, NAEA/UFPA, tendo com debatedores o Prof. Phd. Fábio Castro - Comunicação, Facom/ UFPA e o Prof. Dr. Valcir Bispo dos Santos – Economista, FACECON UFPA.

Turismo e ocupação no espaço público

O terceiro e último dia do fórum inicia com a sexta mesa que trará experiências de organização e participação social com atuação na defesa de interesses locais frente a projetos urbanos e turísticos, trazendo a experiência da Associação Renovar a Mouraria, com relato de Filipa Bolotinha – Economista, gestora de projetos, coordenadora geral/Renovar a Mouraria (Lisboa-PO) e um papo sobre Direitos  Urbanos, com o Dr. Cristiano Borba - Arquiteto e urbanista, Direitos Urbanos, FUNDAJ PE.

A mediação será de Armando Sobral  - Artista visual/Arte educador, tendo como debatedores Dr. Milton Kanashiro  - Embrapa/Rede Circular e Profa. Nádia Cortez Brasil – Apbel. Os grupos de trabalho, no final da tarde, abordarão Ações emergenciais, os indicativos para um plano de recuperação, requalificação e organização Social do Centro Histórico de Belém.

Os resultados do Fórum Circular serão produzidos em grupos de trabalho, sistematizados em relatório, amplamente divulgados na imprensa e mídias sociais e entregues/encaminhados às autoridades. 

O objetivo é que as propostas emergenciais para viabilizar melhorias na área sejam incorporadas a um plano de requalificação do centro histórico de Belém, a ser viabilizado pela gestão pública (União, Estado, Município), na expectativa que estas venham constituir políticas de Estado, integrar a legislação (PDU) e o planejamento governamental.

O Fórum Circular Patrimônio, Cidadania e Sustentabilidade é uma realização do projeto Circular Campina Cidade Velha, em parceria com a Associação Amigos de Belém. O evento conta com patrocínio do Banco da Amazônia e Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet. Copatrocínio da UFPA, IPHAN e Funtelpa - Cultura Rede de Comunicação. Apoio da IOEPA, Hotel Princesa Louçã, Sol Informática, Centro Cultural Sesc Boulervad, Mirante Designer, Papel da Amazônia e 
Rede de Parceiros do Circular. 

Circular avalia quatro anos de atuação

A ideia inicial era desenvolver eventos culturais que, ao envolver o público, trouxessem um novo sentido para os bairros mais antigos de Belém, além de proporcionar uma relação sensorial e educativa sobre o conceito de preservação do patrimônio por meio de um convívio entre moradores, gestores, população da cidade e poder publico. Assim surge o projeto Circular Campina Cidade Velha com o formato de realizar, de dois em dois meses, entre abril e dezembro, domingos com programações culturais no centro histórico de Belém. (Foto: Cláudio Ferreira).

O projeto será um dos temas da programação do Fórum Circular Patrimônio, Cidadania e Sustentabilidade. Na palestra de abertura, na quinta-feira, 27, Makiko Akao contará um pouco da trajetória do projeto. “Ao formatar o Circular, elaborei um plano de gestão para três anos de projeto, cuja missão era ser um interlocutor na transformação do perfil do bairro. Ao rever as metas propostas no plano inicial vejo que muitas ações foram realizadas, mas algumas não exatamente como queríamos e precisam de reajustes. O Fórum Circular é uma oportunidade de fazer essas avaliações”, diz Akao.

Em pouco mais de quatro anos, o Circular já realizou 23 edições e este ano apresenta o seu primeiro fórum. O projeto marcou presença na cidade, firmou inúmeras parcerias e passou a ser identificado pelas bandeirolas fincadas em casarões e prédios históricos que integram o projeto. 

Além das edições lançou quatro números da revista digital Circular, um documentário e formou uma rede de  mais 40 espaços culturais situados no centro histórico de Belém e ações de ocupação de espaços públicos que têm como premissa o Direito à Cidade, tema que estará presente nas discussões, trazendo experiências realizadas em outras cidades.

“Estão na pauta dos debates os projetos Núcleo de Ações Educacionais Museu da Favela, do Rio de Janeiro, e a Associação Renovar a Mouraria, de Lisboa, entre outros. A programação traz diversos outros temas que discutirão como essas e outras ações podem trazer melhorias para moradores e pequenos comerciantes no nosso Centro Histórico. Após todas essas exposições também teremos mais subsídios para desenhar o futuro do Circular, qual o papel que lhe cabe”, conclui Makiko.

Parceria entre Circular e UFPA reabre Mercedários

Construído em 1640 para receber os frades Pedro de La Rua e João das Mercês, o Mercedários estava há quase dois anos fechado enquanto se aguardava uma decisão judicial para definir quem assumiria a gestão do espaço. Vários projetos de ocupação foram apresentados até que a UFPA conquistou a missão. A notícia foi recebida de forma positiva pela comunidade dos bairros e gestores culturais que integram o Circular. 

O reitor da UFPA, Emmanuel Tourinho, diz que a realização do  Fórum Circular como primeira ação aberta ao público no prédio que também abrigará cursos de pós- graduação e onde também se desenvolverá ações na área do patrimônio, é uma oportunidade, entre outras coisas, para desde já estreitar os laços com a comunidade do entorno.

“O evento possibilitará um debate qualificado e consequente sobre o futuro do patrimônio histórico da cidade de Belém, reunindo a população interessada, especialistas e entes públicos que compartilham a responsabilidade e o interesse em garantir a proteção e a conservação de bens que são de enorme valor para toda a sociedade – o que está inteiramente alinhado com a vocação da UFPA”, diz Tourinho. 

O fórum vai reunir moradores, gestores de espaços culturais, convidados de outros projetos e do poder público com objetivo de discutir ações e políticas voltadas ao patrimônio e formas de ocupação de espaços públicos situados no centro histórico de Belém.

“Essa iniciativa realizada no auditório do Mercedários/UFPA marcará do melhor modo o início do nosso trabalho nesse prédio que é, ele mesmo, um patrimônio valioso a ser conservado e que será ocupado pela UFPA com atividades voltadas à valorização e proteção do centro histórico da cidade. Pela convergência de propósitos, estou certo de que esta será mais uma de muitas importantes parcerias da UFPA com o Projeto Circular”, afirma.

Serviço
Fórum Circular – Patrimônio, Cidadania e Sustentabilidade. De 27 a 30 de setembro no Mercedários/UFPA. Programação completa: www.projetocircular.com.br/forumcircular.

24.9.18

Maranhão na Tela abre inscrições para região Norte

A décima primeira edição do Festival Maranhão na Tela será de 15 a 24 de novembro em três locais diferentes de São Luís e ampliará sua abrangência para estados da região Norte. Cineastas e produtores culturais de nove estados das regiões Norte e Meio Norte poderão inscrever seus filmes e projetos. As inscrições foram prorrogadas até dia 1º de outubro pelo site (www.maranhaonatela.com.br). Para a mostra competitiva são gratuitas, enquanto que para as rodadas de negócios variam entre R$ 100,00 e R$ 70,00.

Além da ampliação para região Norte, esta edição do festival terá pela primeira vez um ambiente de mercado, o Maranhão na Tela LAB, no Centro Cultural Vale Maranhão (CCVM). Além disso, exibirá parte de sua programação em um novo local, o Kinoplex Golden, em uma parceria inédita com a Kinoplex, a maior rede de cinemas 100% brasileira, que também irá divulgar o festival em toda sua rede de salas e meios de comunicação no Brasil.

As mostras serão realizadas nas salas KinoEvolution, que possuem tela gigante, com tecnologia de imagem e som de última geração e Kinoplex Platinum, o cinema de luxo da rede, com poltronas super espaçosas e reclináveis, ambas no Kinoplex do Golden Shopping, no bairro do Calhau. "É um enorme salto de qualidade e um privilégio para o festival poder exibir sua programação nas melhores salas de cinema do Maranhão", afirma Mavi Simão. Os filmes serão exibidos também no Cine Praia Grande.

"Estamos no Brasil há mais de 100 anos e chegamos ao Maranhão há cerca de um ano. Somos 100% brasileiros e para nós a valorização da cultura local é um compromisso. Sempre apoiamos o cinema nacional e estamos muito felizes em sediar o festival.", declarou Luiz Severiano Ribeiro Neto, pres idente da Rede Kinoplex.

O festival foi idealizado pela produtora Mavi Simão em 2006 e é realizado pela Mil Ciclos Filmes. O evento conta com o patrocínio da Oi e do Governo do Estado do Maranhão, através da Lei de Incentivo à Cultura, do MinC e da Ancine, através do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e do BRDE, com apoio cultural do Instituto Oi Futuro, da Rede Kinoplex e do Sebrae; além de apoio institucional do Instituto de Conteúdos Audiovisuais Brasileiros (ICAB) e colaboração da Brasil Audiovisual Independente (BRAVI). A identidade visual do evento é baseada em seis trabalhos de óleo sobre papel cartão do artista maranhense Walter Sá.

Atividades ampliadas

Até o ano passado, o Maranhão na Tela era focado no fortalecimento do audiovisual maranhense. Na edição 2018, o evento amplia suas ações de fomento para as regiões Norte e Meio Norte, incluindo nove estados. Com isso, a competitiva de filmes maranhenses, antes chamada de Mostra Maranhão de Cinema, passará a se chamar Mostra Nossa Cinema e selecionará cinco longas e dez curtas, em caráter competitivo. Os filmes maranhenses não selecionados para competição serão exibidos em caráter i nformativo.

O Maranhão na Tela LAB será composto por painéis e rodadas de negócios, laboratório de pichting e masterclasses com importantes nomes do audiovisual brasileiro. Serão reunidos em seu ambiente de mercado executivos da TV, do cinema e das mídias digitais. A iniciativa conta com a colaboraç&ati lde;o da Brasil Audiovisual Independente (BRAVI), com o apoio institucional do Instituto de Conteúdos Audiovisuais Brasileiros (ICAB).

Os projetos que participarão das rodadas de negócios serão selecionados pelos próprios executivos do mercado audiovisual. Para aumentar a competitividade dos maranhenses, o festival irá realizar quatro laboratórios, em parceria com o Sebrae, nas áreas de ficção, animação, documentário e game. Todos direcionados a potencializar a apresentação dos projetos no ato da inscrição e, em caso de seleção, nas rodadas de negócios.

“O objetivo da ação é compartilhar conhecimento e fomentar novos negócios nas regiões Norte e Meio Norte”, afirma Mavi Simão. As produtoras dos nove estados poderão inscrever até três projetos por CNPJ. Também será permitida a inscrição de roteiristas pessoas físicas, com foco nas rodadas de negócios com produtoras.

Serviço
Maranhão na Tela 2018. De 15 a 24 de novembro. Locais: Kinoplex Golden – Golden Shopping, Calhau Centro de Criatividade Odylo Costa, filho e Centro Cultural Vale Maranhão – CCVM, Praia Grande.  Realização: Mil Ciclos Filmes. Patrocínio: Oi, Minc/Ancine/FSA. Apoio cultural: Oi Futuro, Rede Kinoplex e Sebrae. Apoio institucional: ICAB. Colaboração: BRAVI. Mais informações: 98 981791113.

20.9.18

Jackie Carvalho lança nova coleção de moda

Fotos: Tereza e Aryanne
Um dos casarões históricos mais importantes de Mosqueiro é também um relicário de memórias afetivas. Às margens do rio-mar, o Hotel Farol foi erguido para abrigar uma grande família que surgiu do romance entre um bragantino e uma jovem lusitana, na década de 1930. Essa história íntima de amor, se tornou parte da memória coletiva da região, inspirou a mais nova coleção de moda da designer Jackye Carvalho, que mostra as peças inéditas em desfile no próxima sexta (21), às 19h, no espaço Ná Figueredo, em Belém. A entrada é franca.

Premiado em 2018 pelo Seiva - Programa de Incentivo à Arte e à Cultura, da Fundação Cultural do Pará, do Governo do Estado, o projeto “Hotel Farol – Design do Afeto” remete à visualidade arquitetônica do prédio, tombado como Patrimônio do Estado do Pará. Repleto de azulejos portugueses, objetos seculares trazidos da Europa e traços das residências tropicais, o prédio, que data de 1931, é o mais antigo hotel em atividade na ilha.

Forjado sob a influência do estilo Art Déco, o espaço foi construído pelo advogado Zacharias Mártyres para abrigar seus 15 filhos, fruto do casamento com Adelaide de Almeida, lusitana que chegara ao Pará aos 9 anos de idade. A residência foi sendo ampliada a cada ano e passou a receber amigos do casal, que vinham de Belém para passar os feriados em Mosqueiro, o que deu ao local o nome de “Casa dos Amigos”. Atualmente administrado por filhos e netos de Mártyres, o hotel é cartão-postal da ilha. “O projeto trata das memórias não só do hotel, mas memórias afetivas que giram em torno dele”, diz a designer.

Jackye trouxe para as peças a geometria que marca o Art Decó e da Bauhaus, escola artes plásticas e arquitetura de vanguarda da Alemanha. Por meio da técnica de sublimação, a designer estampa nas peças o grafismo dos pisos e azulejos no hotel.

As imagens foram gravadas em roupa de brechó, seguindo a técnica do upcycling – que parte de peças reutilizadas que são customizadas e estampadas de forma manual. “No Curro Velho, já como professora, me aproximei muito do debate sobre moda sustentável, reaproveitamento, artesanato, e há dez anos me engajo nessa área”, diz a criadora, que há desde 2008 pesquisa e desenvolve projetos de moda sustentável na Amazônia.

“Aliar isso a história de um lugar tão emblemático como o Hotel Farol deu fruto a um trabalho muito particular, que valoriza nossa identidade cultural. A própria família Mártyres ficou surpresa com a ideia do projeto: nossa, mas a nossa história vai ir pra passarela?”, conta.

Upcycling é um modelo de produção e consumo voltado para a geração de valor e responsabilidade socioambiental por meio da ressignificação de processos e produtos. Utiliza-se de materiais no fim de vida útil para dar uma nova utilidade. “Trata-se de uma abordagem das mais inovadoras na economia criativa hoje”, destaca Jackye.

Um dos celeiros para a ressignificação de produtos e para aplicação do Upcycling são os brechós. Mais do que um local de "coisas velhas", o brechó vem tornando-se um mercado crescente economicamente e um grande símbolo de responsabilidade ambiental para a questão do pós-consumo. “Os brechós proporcionam o surgimento de uma nova economia baseada no descarte: nada mais sustentável do que reaproveitar o que se tornaria lixo para gerar renda e diminuir o impacto negativo da indústria da moda no meio ambiente”, diz a designer, que percorreu diversos brechós do centro comercial de Belém para garimpar as peças que serviram de base para a criação da coleção.

Serviço
Desfile da coleção de moda “Hotel Farol – Design do Afeto”, de Jackye Carvalho, na sexta (21), às 19h, no espaço Ná Figueredo, em Belém. A entrada é franca. Realização: Seiva - Programa de Incentivo à Arte e à Cultura, da Fundação Cultural do Pará, do Governo do Estado.

(com informações da assessoria)

18.9.18

Exposição “Baía” Pinturas de Armando Sobral

A exposição individual do artista traz uma série extensa de trabalhos executados com óleo sobre tela, em tamanhos variados que vão de pequenos estudos a grandes dimensões. A abertura será na quinta-feira, 27, às 19h. "Baía" integra a programação de aniversário de 63 anos do Centro Cultural Brasil Estados Unidos. 

Armando Sobral retornou a Belém em 2001, depois de muitos anos em São Paulo, e aqui montou um atelier de gravura, mas foi em 2003 que passou a se dedicar a pintura a óleo sobre tela. A exposição reflete a imersão no universo da paisagem. 

“Trata-se da dimensão do incomensurável, das relações das atmosferas”, explica o artista. “Quando eu me remeto a essas paisagens não tem nada estável em relação a isso, é uma espécie de um tempo que decorre”, finaliza Sobral sobre o tema recorrente desde então.

Armando Sobral começou essa série em 2003, quando se debruçou sobre o tema de uma foto que fez em 1998 quando retornava de Soure e tragicamente soube que sua mãe  havia sido hospitalizada, de um processo terminal. Durante a viagem, ele fez o registro fotográfico de uma paisagem. Primeiramente fez alguns desenhos à carvão, que depois foram ganhando outras dimensões. 

Apesar da travessia ao Marajó ser o local que sempre faz alusão nas pinturas, Sobral pondera que hoje está em outra relação com o tema, quando diz  “Hoje meus trabalhos não estão mais associados aquele episódio, mas quando olho para o rio, penso nessa relação de transição de vida, de tempo, de ciclo. Eu busco na pintura uma relação figurada com esse universo que é quase inapreensível, que é o universo da água, do ar das atmosferas”. 

Serviço
Exposição “Baía”. Abre na próxima quinta-feira, 27, às 19h, na Galeria de Artes do CCBEU-MABEU, até 23 de outubro. Visitas guiadas podem ser agenadas. Informações: 3221.6143 ou www.ccbeu.com.br.

"Macaréu" homenageia Mestre Vieira e Dona Onete

Noites do Norte e Mestre Vieira - Out. 2017 - RJ
Guitarradas, cúmbias e carimbós. O grupo carioca Noites do Norte lança em Belém o EP "Macaréu", numa homenagem a Mestre Vieira e Dona Onete. Domingo, 23, às 19h, no Apoena, com participação especial de Félix Robatto e Juca Culatra, e dos músicos André Macleuri (baixo), Wilson Vieira (teclado) e Carlos Canhão (bateria). 

Em Janeiro de 2016, o Conjunto Noites do Norte lançou seu primeiro álbum, “Baile das Formigas” e  se tornou uma referência da música do Norte do país no Rio de Janeiro. O grupo, que há alguns anos vem sendo a sensação das noites cariocas transformou-se em um bloco de Guitarrada, desdobrando-se, ainda, em carimbós e choros, sempre mantendo essa coerência sonora que o destaca.

No show em Belém será feita uma homenagem ao LP "Lambadas das quebradas", de Mestre Vieira, que completa 40 anos. No repertório estão entre outras músicas, "Lambada da baleia" e a faixa título do disco, além das músicas do primeiro álbum "Baile das Formigas" e do novo EP "Macaréu", todas autorais. 

“Esse é o mote principal do conjunto, a mistura da música nortista e do sudeste, remontando a própria história da guitarrada em um dos pilares da sua origem: o choro misturado com ritmos latinos. A certeza é que ninguém consegue ficar parado”, diz Mig Martins.

Conexões com a múica da região Norte

No centro, Mig Martins passa a guitarra de Mestre Vieira, 
antes do show no Centro de Artes da UFF (2017. Niteroi-RJ)
O músico esteve em Belém outras vezes, participando, em 2013, do show de lançamento do “DVD Mestre Vieira 50 anos de Guitarrada”, projeto que desenvolvi entre 2011 e 2014.

“Eu soube do lançamento no Rio de Janeiro e entrei em contato com a produção. Fui super bem recebido e cheguei a Belém por conta própria, para um anoite memorável. Foi uma realização ter tocado com Mestre Vieira e também com os demais músicos que estavam naquela noite do lançamento. A partir daí mantive contato com todos eles, recebendo alguns também no Rio”, diz Mig.

Depois desse contato, a relação com Mestre Vieira se estreitou. Em 2015, Mig Martins acompanhou os shows de Mestre Vieira, que foram realizados no Caixa Cultural do Rio de Janeiro. Em outubro de 2017, o criador da guitarrada voltou ao Rio de Janeiro e se apresentou no evento de aniversário da banda, realizado na sede do Fluminense, no bairro de Laranjeiras. Casa lotada e um delírio coletivo na plateia quando o guitarreiro entrou em cena. 

Show de aniversário do grupo Noites do Norte. Out. 2017. RJ
Mestre Vieira estava acompanhado pelos filhos Wilson e Waldecir Vieira, para uma apresentação no projeto Territórios da Arte, em Niterói, e aceitou o convite para fazer essa participação com o Noites do Norte.

Mig Martins também retribuiu o gesto e integrou o show do músico, que fizemos dois dias depois no Centro de Arte da UFF, em Niterói, o último fora do Pará. E antes de voltar a Belém, o músico ainda teve mais um encontro com o Noites do Norte. Uma gravação nos altos de Santa tereza.

“Para nós foi uma honra e muito emocionante para todos do grupo. Gravamos com ele Lambada Portuguesa, sendo este um de seus últimos registros antes de fazer a passagem e vamos mostrar na abertura do show do Apoena”, comenta Mig.

Para saber mais:

Video gravado com o Mestre Vieira

CD Baile das Formigas

Programa Experimente no Multishow

Show de aniversario do Circo Voador com participação do Pedro Luis

Serviço
Lançamento do EP Macaréu, com show em homenagem a Mestre Vieira e Dona Onete. Neste domingo, 23 de setembro, a partir das 19h, no Espaço Cultural Apoena – Av. Duque de Caxias, 450 – Belém. Ingresso R$ 10,00Mais informações: 98134.7719.

15.9.18

Unidade e culminância no 1o EP de Ramon Rivera

Fotos: Rodrigo Correia
Inspirado no processo de cicatrização que substitui os tecidos normais lesados ou seccionados, gerando uma marca ou da fissura e sua reconstituição lenta, dolorosa e gradual, o primeiro EP da carreira de Ramon Rivera traz três músicas autorais inéditas. “Cicatriz” resulta das experiências do artista com e na cidade. O lançamento será no dia 19 de setembro, próxima quarta-feira, às 19h, no Espaço Na Figueredo.

Por Bianca Levy

Arranjos bem trabalhados e referências que remontam o jazz, rock psicodélico, música latina e música popular brasileira. Como sugere o próprio nome do trabalho, o EP foi construído em um processo lento, de continuidades e descontinuidades. Cerca de dois anos separaram o início da gravação ao lançamento deste material que agrega tempos e bagagens do passado e presente do artista. 

Para Ramón, mesmo com o transcurso do tempo, a vivência e a experiência estética e conceitual destas cicatrizes ainda estão abertas. “Este EP tem um conceito ligado à memória. Essa ideia de cicatriz dispara um conceito poético de memória física que o nosso corpo carrega, e o EP é a materialização desta memória. 

Apesar das músicas serem antigas, no sentido de tempo de maturação, esse conceito de “Cicatriz” ainda é muito forte em mim, pois ele traz momentos preciosos que viraram canções. E nesse sentido eu não sei dizer quando essa cicatriz vai fechar. Talvez quando o público recepcionar o trabalho, rolar uma identificação e eles devolverem o feedback disso tudo, quando eu realmente sentir uma gratidão por me expor tanto nessa criação”, explica.

Como em todo trabalho bem lapidado, esta “cicatrização poética” se constituiu em um material pungente, de um multiartista que além da voz e do trabalho impecável com a guitarra –primeiramente na banda Les Rita Pavone e atualmente com o Dois na janela-, traz no début musical os conhecimentos das outras linguagens com as quais ele trabalha, como o teatro, o cinema e a docência. Ouvir as faixas de “Cicatriz” é adentrar em um universo estético e sensorial fértil e instigante. 

EP representa o impulso na carreira do artista

"Este EP veio pra culminar anos de trabalho, me dedicando ao teatro, à composição musical dentro do teatro- que eu comecei fazer dentro do teatro, mas que acabou se espraiando pra fora dele; e hoje em dia, no encontro com o cinema. Então eu nunca consigo trabalhar se não for dentro desta unidade, nem raciocinar estas linguagens de forma unilateral, separadamente, pois pra mim elas são altamente ligadas, unas num sentido integral, como nos rituais primitivos que deram origem ao teatro”, diz Ramon.

 “Cidade Morena”, “Sequela Flor” e “Recuerdaste” são os nomes das três faixas do compacto. A primeira, contém influência do soul music brasileira (Marku Ribas, Carlos Dafé, Cassiano), e além do groove, traz em sua letra uma pegada política, ao questionar a democracia racial e o título de cidade morena à Belém. “Sequela Flor” é, como enfatiza o artista, “a música que define o conceito do EP: um Arrocha Rock Artaudiano”. Com influências de teorias teatrais que exploram o próprio conceito de cicatriz, como a Dramaturgia pessoal do ator e o Teatro da Crueldade, a canção é dedicada à mãe de Ramón. Já “Recuerdaste”, é uma música acústica que fala de amor. Com letra em espanhol, ela faz alusão à ancestralidade paterna latina do músico.
     
Para Dan Bordallo que assina a produção de parte do trabalho pelo Estúdio Casarão Floresta Sonora, o cuidado dispensado à produção do EP resultou em material que é, na verdade, uma surpresa boa para a cidade e uma aposta em um músico que desponta na cena. “Agora que a gente finalizou o trabalho, eu vejo como este processo cuidadoso, gerou bons resultados. É um som meio tropical, pop, mas com elementos distintos e raízes no que já foi feito antigamente. Então a galera que gosta do que tá rolando na música atualmente vai gostar”, afirma Dan. 

Ele é complementado também pelo sócio do estúdio Léo Chermont que acompanhou de perto as gravações: “O EP tem uma sonoridade boa e foi feito em um momento em que o Ramón está se encontrando musicalmente dentro de todo o repertório que ele tem. É um disco muito legal de um artista bom que está aí”, resume.

As faixas do Ep “Cicatriz” serão lançadas virtualmente no mês de agosto nas plataformas do músico. A agenda do lançamento está sendo fechada e os shows serão feitos em formato de power trio com os músicos Ismael Rodrigues na bateria e Elder Queiroz no contrabaixo, Para acompanhar a divulgação do trabalho, é só acessar as redes sociais do músico. 

Serviço
Lançamento do EP nesta quarta-feira, 19, às 19h, no Espaço Na Figueiredo. Av. Gentil Bittencourt, próximo a Banjamin Constant. Entrada gratuita.

“Kamburão” faz sua estreia no Casarão do Boneco

O grupo de teatro Casa de Mundiar, em parceria o espaço cultural Casarão do Boneco, apresentará, na próxima quarta-feira, 19, às 20h, o espetáculo Kamburão, uma performance com  Fabricio Lobo, Mauricio Franco e Vandiléia Foro e direção de Iara Souza. O trabalho mistura a obra de Franz Kafka e o experimento com objeto, para criar uma cena vertiginosa, onde o texto de K. é editado em cena num jogo de improviso atravessado por um objeto central, um camburão.

Segundo o Grupo, a obra de Kafka é um labirinto de conflitos e acontecimentos que enredam os personagens numa teia nonsense, e é essa teia, desprovida de sentido e pautada nas sensações, que os afetam e possibilitam a transposição de uma  leitura singular e pessoal das obras para uma escrita de cena performativa. 

Se fosse possível um ponto de vista comum sobre a obra de K. poder-se-ia dizer que ela revela uma capacidade enorme que temos de inventar problemas e estarmos entorno deles uma vida inteira. Kamburão é um mergulho nessa espécie de existencialismo agitado de K. Sua  obra é um prato cheio para a exploração dos corpos em estado de  improviso, reinventado uma multiplicidades de existências possível nas dobras que fazemos entre os corpus e Kafka.

O corpo camburão é o objeto de conecção, fazendo dos performes estrangeiros que se relacionam e se recriam na improvisação, performance dissonante, corpos que se afetam, atritam, silenciam e constroem imagens abertas, diluindo-se um nos outros, esquizofrenia politicamente potente. 

A cada deslocamento múltiplas possibilidades abertas. Experimentar, experimentar, experimentar...avançar sobre as coisas do mundo e quere-las intangíveis. Agir e agitar a superfície dos corpos, nos encontros, nas conexões, nas zonas de contato, nos entre dos corpos.

Ficha técnica

  • Perfomers:  Fabrício Lobo , Maurício Franco. Vandiléia Foro.
  • Direção: Iara Souza
  • Fotos: Danielle Cascaes
  • Filmagem: Cláudio Castro

Serviço
Espetáculo Kamburão. Na próxima quartafeira, 19, às 20h, no Casarão do Boneco. Ingressos R$ 20,00. Na Av. 16 de Novembro, 815.

(Com informações de Iara Souza)

Concerto da OSTP encerra o XVII Festival de Ópera

O XVII Festival de Ópera encerra hoje, às 20h, com o concerto de encerramento dentro do Theatro da Paz.  Os ingressos estão esgotados, mas quem estiver a fim de acompanhar a apresentação, a Tv Cultura do Pará fará a transmissão também pelo portal www.portalcultura.com.br

O programa contempla compositores como Carlos Gomes, Verdi, Rossini, Bernstein, Loewe, Falla, e terá a regência do maestro assistente da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz, Pedro Messias, que está há um ano em Belém e atua ao lado do maestro Miguel Campos Neto, regente titular. O evento tem direção de Gilberto Chaves e João Augusto Ó de Almeida.

Esta será a primeira oportunidade de Messias à frente da sinfônica e ele destaca três pontos do programa importantes para o público: a execução de obras do brasileiro Carlos Gomes, que tem relação especial com Belém; o resumo das obras deste ano do festival, “A Vida Breve”, do espanhol Manuel de Falla, e “Um Baile de Máscaras”, de Giuseppe Verdi; e trecho de musicais, uma grande novidade, como trecho de “My Fair Lady”, que também já foi adaptado para os cinemas. Os solistas serão Andrey Mira (baixo), Juliane Lins (soprano), Glaucivan Gurgel (tenor), Rodolfo Giugliani (barítono), Lanna Bastos (soprano), Kézia Andrade (soprano) e Fernando Portari (tenor).

“Esse concerto coroa tudo que aconteceu este ano, com a parte do balé que tem grande influência da música espanhola, na obra do Falla. Faremos também a abertura de uma ópera de Verdi, que quem assistiu ‘Um Baile Máscaras’ vai reconhecer algumas partes, o que vai dar para perceber como o compositor em diversas óperas traz a mesma ideia em sua obra, uma identidade do compositor transpassando as composições. É um repertório que mostra também a melhor parte da orquestra”, comenta o maestro.

Como regente que busca se conectar com as produções de ópera brasileiras, Pedro diz que a escolha por árias de “Lo Schiavo”, de Carlos Gomes, foi uma herança de seus mestres e professores de São Paulo, sua cidade natal. Ele veio para Belém após passar pelo Teatro São Pedro, na própria capital paulista, para aprimorar ainda mais seus estudos na área de regência.

“Acho importante sempre trazer o nome de Carlos Gomes para perto da gente. O Rodolfo vai cantar sozinho ‘Sonho de amore’, e acabei optando por essa ária para dar vazão ao máximo a esse compositor”, explica Pedro Messias. Ele destaca, ainda, o sucesso recente de musicais como “O Fantasma da Ópera”, uma produção que tem rodado o mundo inteiro com diversas montagens, e por isso também decidiu trazer um pouco desse universo para o Concerto de Encerramento.

A escolha foi por “My fair Lady”, um clássico do austro-americano Frederick Loewe, e por trechos de “West Side Story”, do compositor Leonard Bernstein, que também já virou filme, pela ocasião do centenário de seu nascimento - o que tem gerado comemorações em diversos eventos de música erudita.

“Ele é um dos meus compositores favoritos e foi uma indicação minha. Tem sido crescente o interesse do público pelos musicais e estes dois são musicais robustos, que têm uma linguagem estética muito bem feita e muito próxima da ópera. ‘My Fair Lady’ foi um grande musical. E Bergstein foi compositor., pianista e regente, um gênio da época dele, faria 100 anos e também quis comemorar essa data aqui em Belém”, conclui Pedro Messias..

Programa

GIOACHINO ROSSINI (1792-1868)
La gazza ladra – Abertura

GIUSEPPE VERDI (1813-1901)
Macbeth – Come dal ciel precipita
Andrey Mira, baixo 

WOLFGANG AMADEUS MOZART (1756-1791)
Cosi fan tutte – In uomini, in soldati
Juliane Lins, soprano

MITCH LEIGH (1928-2014)
Man of La Mancha – The impossible dream
Glaucivan Gurgel, tenor

GIUSEPPE VERDI (1813-1901)
Un ballo in maschera - Eri tu che macchiavi
Rodolfo Giugliani, barítono

CARLOS GOMES (1836 -1896)
Lo Schiavo - Oh ciel di Parahyba
Lanna Bastos, soprano

GIUSEPPE VERDI (1813-1901)
Un ballo in maschera - Saper vorreste
Kézia Andrade, soprano

LEONARD BERNSTEIN (1918-1990)
West side story – Tonight
Lanna Bastos, soprano
Fernando Portari, tenor

MANUEL DE FALLA (1876-1946)
La Vida Breve - Dansa espanhola
Ballet da ópera

LEONARD BERNSTEIN (1918-1990)
West side story – Maria
Fernando Portari, tenor

CARLOS GOMES (1836-1896)
Lo Schiavo –Sogni d’amore
Rodolfo Giugliani, barítono

FREDERICK LOEWE (1901-1988)
My fair Lady -  I Could Have Danced All Night
Kézia Andrade, soprano

GIACOMO PUCCINI (1858-1924)
Turandot  - Nessun dorma
Fernando Portari, tenor

(com informações de Dominik Giusti , da assessoria de imrpensa da OSTP)

14.9.18

Ingmar Bergman celebrado no Cine Líbero Luxardo

Como parte das atividades culturais que celebram vida e obra de Ingmar Bergman (1918-2007), será exibido neste, sábado, 15, às 16h, o clássico “Persona”, com grandes interpretações de Liv Ullmann e Bibi Andersson. O centenário do cineasta tem apresentação do jornalista e especialista em Estudos sobre Cinema, Augusto Pachêco, e bate-papo com o público após a exibição do filme. 

Na abertura do filme, equipamentos de cinema projetam várias imagens rápidas que mostram crucificação, animais, trechos de uma comédia de cinema mudo e um menino que acaricia uma imagem borrada. A história começa quando a enfermeira Alma é escolhida para cuidar de Elisabeth Vogler, uma atriz que entrou em colapso em uma de suas apresentações e a partir daí se isolou do mundo, permanecendo em constante silêncio.

O roteiro foi escrito num momento difícil da vida do diretor, quando ele se recuperava de uma grave pneumonia. O processo de escrita durou apenas nove semanas. Posteriormente, o cineasta confessou ser extremamente apegado ao filme e acreditar ter sido salvo por ele: “Se eu não tivesse encontrado forças para fazer esse filme, eu provavelmente estaria arruinado”.

“Persona” é o primeiro de uma série de filmes em que o diretor Ingmar Bergman e a atriz Liv Ullmann trabalharam juntos. A parceria marcante pode ser vista em “A Hora do Lobo”, “Vergonha”, “Paixão de Ana”, “Gritos e Sussurros”, “Cenas de um Casamento”, “Face a Face”, “O Ovo da Serpente”, “Sonata de Outono” e outras produções para cinema e TV.

A programação é uma realização do Centro Cultural Sesc Boulevard, com entrada franca e distribuição do catálogo “O Lobo à Espreita”, publicação sobre a vida e obra do realizador sueco Ingmar Bergman.

Serviço
Centenário de Ingmar Bergmam. Sábado (15), às 16h, no Centro Cultural Sesc Boulevard. Exibição de “Persona” (1966). 16 anos. 130m. Entrada franca. End. Castilho França, 522. Fone: 3224 5305. Contatos: Augusto Pachêco (98307-9730).

Casa das Artes recebe o Festival Musical Vegano

Além de feira de produtos naturais, orgânicos, veganos, economia criativa e colaborativa, a programação desta nova edição do Festival Vegano traz a música como carro chefe. Haverá mostra de expressões musicais produzidas na Amazônia e também atividades paralelas, focadas nas temáticas socioambientais. A programação é resultado do Prêmio Produção e Difusão Artística 2018. Neste sábado, das 8h às 22h, na Casa das Artes. Entrada gratuita.

O festival traz além de culturas saudáveis e de resistencia, espaço e estrutura para que os artistas possam se expressar de forma livre, responsável e engajada, inspirados nas temáticas vegana e socioambiental, de respeito à diversidade e de combate às opressões sociais sejam colocadas em pauta. 

A ideia da feira é incluir uma nova geração de artistas independentes da cena musical regional paraense e amazônica, os convidando a dialogarem com o público acerca de temática como veganismo, direito dos animais, sustentabilidade, consumo consciente, racismo, machismo e outras questões relevantes.

Haverá discotecagem durante todo o dia e shows com as bandas Feira equatorial, Somaúma, One Love Sounds, Caruana, Slam Dandaras do Norte, Cobra Venenosa e Vozes de Fulô. O evento vem sendo realizado desde 2016, com esse mesmo objetivo de promover economias criativas colaborativas e comunitárias. 

"Durante todo o evento teremos apresentação de Grupos Musicais e de diversas performances e intervenções artísticas, além da Feira Vegana, Práticas de Bem estar e Compartilhamento de Saberes", diz Flávio Oliveria, um dos idealizadores do festival.

Programação
  • Feira Orgânica - 8h às 12h
  • Exposição e vendas  dos produtores orgânicos da associação Pará Orgânicos, Produtores do MST, do grupo de consumo agroecológico - GRUCA e Instituto Alachaster
  • Feira Vegana - 10h às 21h30
  • Exposição e venda de produtos artesanais veganos 
  • Praça de alimentação - 8h às 22h
  • Apresentações musicais

Atividades colaborativas
  • 8h Yoga -  Amazon Yoga Inbound
  • 9h30 Roda de conversa: Envenenamento civilizatório: as contramedidas do veganismo
  • 11h Oficina de cultivo de mudas
  • 16h Oficina de contato improviso
  • 16h30 Performance de dança Afro 
  • 17h Roda de dança circular - Grupo Roda de Hera
Serviço
Festival Musical Vegano 2018 - Na Casa das ARtes (antigo IAP) - Praça Justo CHermont - ao lado da Basílica de Nazaré. Entrada gratuita, das 8h às 22h.

Guitarrada de Aldo Sena volta aos palcos de Belém

O guitarrista Aldo Sena está de volta à cena musical de Belém, após quatro anos em que ele divide a morada entre Belém e Fortaleza. O músico integrou no início dos anos 2000, o conjunto Mestres da Guitarrada, ao lado de Mestre Vieira (criador do gênero) e Mestre Curica. O reencontro com o público paraense é nesta sexta-feira, 14, no Espaço Cultural Apoena, a partir das 22h. O ingresso custa R$ 15,00.

Aldo Sena começou a carreira como músico profissional na capital paraense no fim dos anos 70. Possuidor de uma técnica original e peculiar, é considerado um dos maiores guitarristas do país. São 40 anos de carreira, e mais de 20 álbuns lançados, entre discos solo e os LPs da série Guitarradas.

Depois de quatro anos, o músico volta para Belém e já entra estúdio para gravar o 22º álbum, com regravações de seus grandes sucessos, que também estarão  no repertório desta sexta-feira - guitarradas, carimbós, cúmbias, merengues e boleros. Aldo vai relembrar músicas dos anos 80 e homenageará Mestre Vieira, Igarapé-Miri - a cidade natal-, e a música cubana. Promete!

No palco, ele será acompanhado por Bruno Rabelo (Cais Virado) na guitarra base, Rubens Stanislaw (Arraial do Pavulagem) contrabaixo, Douglas Dias (Orquestra Pau Cordista de Carimbó) percussão e Adriano Souza (La Pupuna) bateria. A DJ da festa será Layse Rodrigues (Farofa Tropikal).

É um show imperdível, oportunidade para quem curte, pesquisa e se interessa pela música paraense. A discografia de Aldo Sena, juntamente com as de Mestre Vieira, Mário Gonçalves, Mestre Solano e Oseas, são fundamentais  para a consolidação do gênero Guitarrada. O músico tem inúmeros sucessos ao longo de sua carreira como "Solo de Craque", "Lambada Complicada", 'Melô do Tibúrcio", "Cercando Frango", "Lambada Classe A" e "Lambada dos Brasileiros",  entre outros. Em 2004, a gravação do disco "Mestres da Guitarrada" (selo Funtelpa) que, ao lado de Curica e Mestre Vieira, lançou a guitarrada em território nacional.

Serviço
Show Aldo Sena. Nesta sexta-feira, 14, no Espaço Cultural Apoena, a partir das 22h - Av. Duque de Caxias, 450 (esquina com Antonio Baena). Ingresso: R$ 15,00 (vendidos na hora do show).

9.9.18

Arenas Amazônicas Vol.1 ganha lançamento na Fox

"Arenas Amazônicas", projeto dos jornalistas Rogerio Almeida, Lilian Campelo e Daniel Leite Junior, reúne sete narrativas distribuídas em três volumes, a maior parte já publicada pelo site paulista Agência Carta Maior. O primeiro volume, abordando os coletivos do movimento negro, de mulheres e cultura, será lançado nesta segunda-feira, 10, a partir das 18h, na Livraria da Fox  - Rua Dr. Moraes no Bairro Nazaré na cidade de Belém-Pará.

O conjunto de reportagens sublinha ações coletivas de jovens e pessoas mais experientes em diferentes flancos: cultura, política, direitos humanos e cidadania. Os textos desse orimeiro volume foram produzidos quando o também educador Rogerio Almeida ainda era ligado ao setor privado, e morava em Belém. Na época Almeida era vinculado à Unama, Universidade da Amazônia. A ideia em produzir a coleção soma mais de seis anos, e só agora foi possível viabilizar o primeiro volume, que contempla frações da história das professoras Zélia Amador e Hecilga Veiga e da ativista do movimento negro Nilma Bentes.

As periferias da insular Belém, a exemplo da Pedreira, Icoaraci, Terra Firme e Guamá, e região metropolitana, caso do bairro da Guanabara são notados fora do esquadro comum dos meios de comunicação da cidade, que preferem o aspecto policialesco. Grafiteiros, DJs, educadores, professores, estudantes, biscateiros, aposentados e desempregados são personagens da obra. Estes, a partir de inúmeros coletivos se impõem como protagonistas de sua própria História, onde afirmam suas identidades coletivas ou individuais como negros, artistas, cidadãos das “quebradas”, que em Belém são conhecidas como baixadas.

Rogerio Almeida não estará presente no lançamento, mas será representado por Lilain Campelo e Daniel Leite Junior, que assinam os texto nos demais volumes. Rogério é maranhense de São Luís,  graduado em Comunicação Social pela UFMA. Possui especialização e mestrado em Planejamento do Desenvolvimento pelo NAEA/UFPA, com pesquisa laureada com o Prêmio NAEA. Atualmente cursa doutorado em Geografia Humana/USP.  

Arenas Amazônicas traz no segundo volume a peleja das populações locais e suas formas de enfrentamento aos grandes projetos. Encontra-se em fase de revisão, e até o início de maio poderá ser baixado na grande rede. O terceiro tem a ambição de tratar sobre a comunicação popular. Este consta em fase de pesquisa e produção.

O projeto teve patrocínio do Banco da Amazônia e este primeiro volume já foi lançado na Feira Pan-Amazônica do Livro deste ano, no Espaço Coisa de Negro e no Prêmio de Música da Rádio Exu, realizado no Espaço Cultural Apoena, e na UNIFESSPA na cidade de Marabá.
Link da rede social: www.facebook.com/rogerioalmeidaarenas/

Serviço
Lançamento do Livro “Arenas Amazônicas Vol.1”.  Segunda, 10 de setembro – a partir das 18h. Livraria da Fox – Dr. Moraes 584. 

8.9.18

Amostraí traz lendas em caixas e muitas histórias

Na cena cultural deste sábado, 8, a pedida para quem está com as crianças é chegar no Casarão do Boneco. O Amostraí, que agora acontece sempre no segundo sábado de cada mês, traz em sua programação a delicada e instigante arte do Teatro de Caixas, com Jeferson Cecim, dentro do projeto Encaixotando Lendas. Haverá também contação de histórias e espetáculo de teatro.  Tudo a partir das 18h, pagando quanto puder na entrada. Haverá pipoquiero na área e, dentro do casarão, a lojinha Dell'Arte , com peças autorais e produtos criativos.

A ideia do Amostraí é te chamar para assistir artes cênicas, numa programação que possibilita juntar quem é ou já foi criança, com a política de contribuição consciente do pague o quanto puder, que oportuniza assim um amplo acesso para a cidade e o entorno do Casarão.

Neste sábado, vai ter “Matinta Pereira”, “O Fantasma do Casarão Bibi Costa” e “A Moça do Táxi”, lendas urbanas traduzidas em pequenas cenas que podem ser vista através de um buraco numa caixa cênica. As caixas farão os entretempos das contações de histórias e o espetáculo, distribuídas pelos caminhos do casarão. 

Foto: Fabrizio Alvarez
O projeto Encaixotando Lendas traz as lendas do Casarão Bibi Costa, que fica na Governador José Malcher, esquina da Joaquim Nabuco, em Belém, e onde vive o fantasma de um escravo que foi torturado até a morte.

Também está no roteiro a já conhecida história de Josefina Conte, a moça que depois que morre continua saindo do túmulo para passear táxi todo ano em seu aniversário, e da Matinta Pereira que todo mundo já conhece muito bem. 

O projeto foi premiado pelo Programa Seiva da Fundação Cultural do Pará, realizado num processo que trouxe um caráter de experimentação e formação aos participantes, pois além de Jeferson Cecim, o projeto contou com Biank Brito e Geovane Serra, atores que não tinham tido contato com esse tipo de teatro.

Lendas e revolução na contação de histórias

Foto: Cláudio Ferreira
Na contação de história Fátima Sobrinho traz a encantadora A-Aya e a Criação do Mundo, narrativa baseada no Mito da Canoa Encantada e no dia a dia dos indígenas da etnia Xavante. A atriz interpreta uma avó indígena que narra a criação do mundo de forma mágica, lúdica e poética. Isso aproxima as crianças, prende atenção de adulto, nos encanta. A narrativa é uma livre adaptação do texto “As Histórias da A-Aya”, de Antônio Carlos dos Santos Carvalho, dirigida por Vandiléia Foro. 

Já Leonel Ferreira, da Cia. Madalenas: Mundiado, faz um mergulho no imaginário popular amazônico e conta os causos do "Caçador e a Cobra Grande", "O Pescador e a Sereia", "Foi Boto, Sinhá" e "O Pajé Apaixonado" (a lenda do peixe-boi), todos ligados ao universo da encantaria, em momentos de suspense e diversão.

Foto: Cláudio Ferreira
Tem mais uma. “Quem vai pagar o pato?” traz a história de três galinhas que vivem no galinheiro do Pato Putrião. Minorca, Conchinchina e Dominique trabalham todos os dias para o mato, até a exaustão, ganhando migalhas, na promessa de viver dias melhores no futuro, o sonho pregado pelo Pato. 

Elas acabam entendendo que tudo que ele quer é que ela engordem para produzir cada vez mais, pois quer alcançar o ovo inalcançável. Putrião está subordinado a Raposa, dona de todos os galinheiros da região. Vai ter revolução!

A encenação, criação e direção são colaborativas, realizadas pelo Gemte - Grupo Experimental de Teatro, com roteiro de ação e criação de enredo da Alice Alves, consultoria de musicalidade do Diego de La Percursa, o Registo fotográfico do Yuri Amorin, os figurinos do Mauricio Franco e visagismo do Wagner Guimarães, que também está e no elenco com Marvin Muniz e Yuri Granha. A Direção geral é assinada em dupla por Keila Sodrach e Lú Maués.

Produção colaborativa e parcerias

Foto: Cláudio Ferreira
A Dell'arte estará aberta, mas além das peças autorais de Nanan Falcão, Victoria Rapsódia, Maurício Franco e Inaê Nascimento,  a lojinha coletiva que habita o Casarão do Boneco também tem livros, cosméticos naturais artesanais e roupas de brechó. O intuito é fazer circular produções e ações que emerjam da economia criativa, colaborativa, consciente e justa e para gerar renda e colaborar com a manutenção do próprio Casarão. 

O Casarão do Boneco é um espaço cultural autogestionado, que contribui para o movimento teatral e para diversidade cultural da cidade. O Amostraí é produzido e realizado colaborativamente pelo coletivo de artistas do Casarão, por parcerias como o Holofote Virtual e a Panificadora 16 de Novembro e pelo público que vem ser feliz com a programação. 

Serviço
Amostrai - Mostra mensal de artes cênicas do Casarão do Boneco. Data: 08/09. Hora: 18horas. Local: Casarão do Boneco. Av. 16 de Novembro 815 - http://bit.ly/OndeficaCdB. Pague o quanto puder. Informações: (91) 32418981.