1.12.21

10 anos de Guitarrada Patrimônio na Feira do Livro

Mestre Vieira criador de um patrimônio paraense
Foto: Renato Reis/Acervo Projeto 50 Anos de Guitarrada
A Guitarrada, gênero musical que desde 2011 é reconhecido como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Estado, vai ganhar destaque, neste domingo, 5, em três momentos da 24ª Feira Pan Amazônica do Livro e das Multivozes, aberta na quarta-feira, 1, no Mangueirinho, em Belém do Pará. 

A Guitarrada estará presentes em três momentos distintos da programação. No início da tarde, às 14h, haverá uma sessão especial de exibição da série de animação Os Dinâmicos", uma produção 100% paraense, inspirada nas músicas de Vieira e Seu Conjunto, o grupo com o qual Vieira gravou 13 LPs. Os músicos Lauro Honório, Luis Poça e Dejacir Magno, que integram o grupo vão participar da abertura sessão. 

Ao todo são 13 episódios de 5 minutos. O  projeto foi selecionado pelo Edital de financiamento PRODAV-8/FSA/Ancine. Cada episódio inicia com ensaios da banda, num estúdio-casa que fica na copa de uma Samaumeira, próxima a uma praia na cidade de Barcarena.  A aventura começa quando os músicos são  interrompidos pelo som de uma a sirene, trazendo o pedido de socorro de alguma criança sempre que a floresta está em perigo.  

Aí a palavra mágica é pronunciada: “DI NA MI ZAR”!! Mestre Vieira empunha sua guitarra mágica transformando todos em super-heróis. As aventuras dos Dinâmicos revelam, através do mágico universo da animação, as características, o linguajar, os costumes e as lendas da Amazônia presentes na obra de Mestre Vieira.  Há lendas também de duas outras regiões, o Cabra Cabriola, do Nordeste, e o Ipupiara, do sudeste.

Em seguida, às 15h, haverá um bate papo comigo e com o historiador de Barcarena, o professor Luiz Antônio Valente Guimarães. Vamos falar de guitarrada enquanto patrimônio, por meio da trajetória e projetos que envolvem a difusão e salvaguarda da obra de Mestre Vieira. Participo dessa conversa junto ao professor Luiz Antônio Valente Guimarães, historiador de Barcarena, com mediação de Bruno Rabelo, músico guitarrista, pesquisador e um dos autores do blog Lambadas das Quebradas, além de estar a frente junto com outros músicos, do Clube da Guitarrada.

A ideia é passear por vários temas e entrar em alguns detalhes sobre os projetos que foram desenvolvidos com objetivo de difundir e salvaguardar a obra e trajetória de Mestre Vieira. Vou falar de como tudo aconteceu para realizarmos o projeto dos 50 Anos de Guitarrada e todos as demais ações que vieram e ainda estão sendo apresentadas, envolvendo o reconhecimento da obra de Mestre Vieira como um importante legado deixado à cultura paraense.

Os Dinâmicos fazem o show de encerramento da feira 

Os Dinâmicos - Raízes da Guitarrada, formada por
por músicos do grupo Vieira e Seu Conjunto. 
Depois do bate papo ainda teremos à noite, música, com a apresentação do show de "Os Dinâmicos – Raízes da Guitarrada", comandada por Lauro Honório (guitarra), Dejacir Magno (vocal) e Luís Poça (teclado). 

Além deles,  a banda conta ainda com Cassinao Neto (baixo), filho do baterista do grupo Vieira e Seu Conjunto, Cassiano Pereira, já falecido; Jairo Rocha (bateria), Dhiosy Marques (guitarra base), que também são de Barcarena, e Carlos Canhão Brito (percussão). 

Após o encontro iniciamos novo projeto intitulado “Mestre Vieira e Os Dinâmicos”, apresentado naquele mesmo ano Festival Se Rasgum. Outras apresentações vieram em 2012, como a gravação do DVD Mestre Vieira – 50 Anos de Guitarrada, no Theatro da Paz, e a participação da Feira da Música de Fortaleza, realizada no Centro Cultural Dragão do Mar. Em 2014, o projeto encerrou, mas me inspirou a fazer a série de animação que vamos mostrar na feira. 

Bruno Rabelo e Mestre Curica
Foto: Ariana Jardim
Em 2015, determinados a seguir com o grupo, mesmo sem ter Vieira como guitarrista solo, Os Dinâmicos resolveram entrar em estúdio. Gravaram o primeiro CD da carreira, já com nova formação, dando inicio a carreira autoral do grupo. O álbum intitulado Os Dinâmicos e Mestre Vieira foi lançado pelo selo Na Music, com produção de Mestre Vieira.

A banda estava desativada há quase 40 anos quando em 2011, reunimos novamente os músicos, que seguiam suas vidas já longe da música, mas que nunca haviam esquecido tudo que aconteceu durante o percurso de 12 anos do grupo Vieira e Seu Conjunto. 

Os Dinâmicos recebem no palco, neste domingo, Mestre Curica e Bruno Rabelo. Curica dispensa maiores apresentações, e mesmo Bruno Rabelo, que integrou a banda Cravo Carbono, e chegou a tocar com Vieira, entre 2015 e 2016, assim como Carlos Canhão Brito Jr. Pela primeira vez, a iniciativa do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Cultura (Secult),  será realizada na Arena Guilherme Paraense –  o Mangueirinho. 

Vicente Cecim e Zeneida Lima são os autores homenageados

Os autores homenageados deste ano foram anunciados ainda no ano passado: o escritor Vicente Cecim, que faleceu em junho deste ano, e a pajé e escritora Zeneida Lima, que terão espaços de destaque para suas obras. 

Este ano, a feira abre espaço às vozes dos artistas homenageados, do autor paraense, da inclusão, da tecnologia e às vozes da juventude. A ideia é garantir que todas essas expressões criativas sejam compreendidas por meio de ações transversais, presentes na programação. 

“Será um evento bonito, com experiências novas de acessibilidade e inovação. Sabemos que nossa gente está ávida por esse reencontro com o livro, com os autores, com as expressões culturais ligadas ao fazer literário e à oralidade, tão presente em nossa identidade amazônica. Nosso desafio é fazer um evento saboroso, dinâmico, porém atento e comprometido com os cuidados sanitários que são uma obrigação do nosso governo”, garante a Secretária de Estado de Cultura, Ursula Vidal. 

Das 9h às 21h, os visitantes poderão conferir uma programação gratuita, com espetáculos cênicos, recitações poéticas, teatro de bonecos, contação de histórias, Papo Cabeça, rodas de conversa, Encontros Literários e apresentações musicais de artistas regionais. Uma das novidades deste ano é o Cine Curau, criado para dar destaque às obras audiovisuais produzidas por Vicente Cecim. Nesta edição, os visitantes da Feira do Livro também poderão esticar o passeio até o Centro de Ciências e Planetário do Pará, mediante agendamento prévio. 

Chega cedo que a edição se conecta a Planetário

Os visitantes da Feira do Livro também poderão esticar o passeio até o Centro de Ciências e Planetário do Pará, mediante agendamento prévio. Além de espaços como a grande Arena Multivozes, direcionada para a arquibancada, onde o público poderá se posicionar para acompanhar a programação, a Secult confirmou a montagem de 36 estandes de diversas livrarias. 

Em 2021, a organização da feira priorizou o contrato com livrarias, sebos, distribuidoras e editoras de livros da região, por meio de cadastramento na plataforma Mapa Cultural do Pará. No total, 19 foram credenciadas e habilitadas. Também confirmaram presença duas livrarias que atuam em Belém: Cultura e Fox, além da editora Boitempo.

“Neste formato menor foi preciso reduzir o número de estandes, que não serão cobrados este ano. Em contrapartida, os expositores doarão um percentual de suas vendas em livros para bibliotecas públicas e de base comunitária. Os espaços de comercialização estão divididos por perfil de obra literária para garantir a diversidade de oferta ao público”,  diz Ursula Vidal, titular da pasta de cultura do Estado.

O Ponto do Autor é um espaço voltado para o lançamento de obras, comercialização e autógrafos. Devem passar por lá pelo menos 83 autores credenciados. Dentre os lançamentos confirmados, estão os da própria Secult, com obras como:  “Letras que flutuam”, de Fernanda Martins; “Memórias da Cabanagem”, de Paulo Evander e Leonardo Torii; “Anjo dos Abismos e outras linhas”, de Ruy Barata; “Os Animais da Terra”, de Vicente Cecim; “Poemas da minha vida”, de Jorge Lima; e as obras impressas da Coleção Caruani, com os títulos infantis “Macaco ambientalista”, “Perigo na floresta” e “Garça empoada”, de Zeneida Lima. Também será relançado o livro da série “Violão Paraense”, com biografia e partituras de Nego Nelson.

Anote as ações voltadas à Guitarrada

Domingo, 5 de dezembro

Na Arena Multivozes:

14h - Exibição de episódios da série de animação "Os Dinâmicos"

15h - Roda de Conversa - Guitarrada Patrimônio e Mestre Vieira 

No palco externo

20h Os Dinâmicos - Raízes da Guitarrada + Mestre Curica + Bruno Rabelo

Confira a PROGRAMAÇÃO a programação completa.

(Holofote Virtual com informações do site da feira)

Tapajazz agora é um patrimônio cultural paraense

Tito Barata e Guilherme Taré
Foto: Sérgio Malcher

É isso mesmo, gente. O Tapajazz acaba de se tornar Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Estado do Pará, uma conquista regada a muito suor e dedicação. A notícia chega logo após a realização da 9ª edição do festival, em Alter do Chão, Santarém, que rendeu um grande Tributo ao violonista Sebastião Tapajós, patrono desta iniciativa e que nos deixou em 2 de outubro, mas que marcou presença com sua música!

“É uma vitória que não é só minha, mas de todos os paraenses, por terem um festival potente com edições anuais, feito por uma equipe  comprometida. Agradeço aos que vestem essa camisa, a equipe técnica, os artistas e os patrocinadores que acreditam na iniciativa”, disse o produtor Guilherme Taré, ao receber a notícia publicada no Diário Oficial do Estado, onde está a sanção do Governador Helder Barbalho.

O Tapajazz é um acontecimento, por receber artistas grandiosos, realizar atividades culturais e formativas, além de entretenimento à população. Há dois anos que Belém também recebe uma mostra especial, que já ganhou o palco do Teatro Waldemar Henrique, em 2020, e o do Teatro Margarida Schivasappa do Centur, em agosto de 2021. A magia, porém, é maior à beira do Tapajós, em Alter do Chão, lugar de beleza turística que tem despertado o interesse das pessoas em todo o país e também do exterior.  

No ano passado, a população de Santarém ficou privada da edição ao ar livre, mas pôde acompanhar as apresentações da capital, pela Internet. É que com a Pandemia, todas as edições do festival passaram a ser transmitidas pelo canal de Youtube do Tapajazz, e ficam ali disponíveis para quem e quando quiser, acessar shows como de Armandinho Macedo, Badi Assad, Amazônia Jazz Band, Márcio Jardim, Arismar do Espírito Santo, Ney Conceição, Andreson Dourado, só para citar algumas das atrações que estiveram recentemente em Alter do Chão, na 9ª edição. 

Também já passaram por lá, estrelas renomadas do jazz nacional, como Hermeto Paschoal, Hamilton de Holanda, Toninho Horta e Yamandu Costa, além de grandes nomes da música paraense, como o patrono o violonista e compositor Sebastião Tapajós, que nos deixou no dia 2 de novembro, mas que permanecerá sempre junto com sua música.

Sonho sonhado junto se torna realidade cultural em Santarém

Guilherme Taré foi o primeiro a acreditar, em Santarém, que o sonho de ter um grande festival de jazz na Amazônia, era possível. E um sonho só se torna realidade quando sonhado junto com muitas outras pessoas.  

“Tenho muitos agradecimentos a fazer hoje, e começo pela Deputada Marinor Brito (PSOL), que teve a sensibilidade como presidente da comissão de cultura da Assembleia Legislativa do Estado que apresentou o requerimento, que por sua vez passou por unanimidade na ALEPA”, diz o produtor e também músico percussionista.

A lista de agradecimentos, na verdade, é bem maior. “Quero agradecer também ao Deputado Chicão, que foi muito importante na condução de tudo, assim como o relator do projeto, e agradeço ainda a Secretária de Cultura do Estado, Ursula Vidal, que antes mesmo de estar titular da pasta, já apoiava esse projeto e agora não nos abandonou, mesmo nas horas mais difíceis”, comenta. 

Taré cita ainda o apoio incondicional do músico Alcides Alexandre Ferreira. “Esse cara é um irmão que eu tenho, aquele irmão que não é de sangue, mas uma escolha recíproca entre nós, ele sempre me acolheu nos momentos difíceis, fiquei muitas vezes em Belém, na casa dele”, continua Taré, que também traz na alma e no sangue a música, pois é percussionista que já ganhou o mundo ates de voltar ao Pará com a ideia de realizar um evento musical a altura das tradições que o município sempre teve em relação à música.  

Descontração. Artistas no meio do público.
Foto: Sérgio Malcher

“Esse momento é muito importante pra mim, sinto felicidade e gratidão. Posso até estar esquecendo de citar pessoas aqui nominalmente, mas quero que todos e todas saibam que estou agradecido. Aos meus parceiros daqui de Santarém e à toda comunidade de Alter do Chão, à Casa do Saulo e também ao Holofote Virtual, ao Dako que faz a sonorização de qualidade, à equipe de transmissão, ao jornalista Tito Barata que apresenta o evento, e a todos os músicos que participam, aceitam o convite e fazem o festival engrandecer mais ainda”.

Guilherme Taré, aliás, já está tramando coisas em sua mente criativa e musical. Ele espera que o Tapajazz seja cada vez mais itinerante, sem nunca, claro, deixar de ser realizado em sua casa. “Esse reconhecimento como patrimônio cultural de natureza imaterial do estado, nos possibilita agora ir mais longe, tendo a liberdade de trânsito por todo o Pará. Estou profundamente emocionado”, finaliza Taré, que já está pensando na edição de 2022, aguardemos! 

E sigam o @tapajazz que tem sempre novidades por lá! O Holofote Virtual se sente também feliz e honrado em fazer parte, desde 2020, desse projeto. Vida longa! 

29.11.21

Festival Se Rasgum realiza duas edições em 2022

Os ingressos para a 16a edição já começam a ser vendidos no próximo dia 3 de dezembro. Enquanto isso, a produtora Se Rasgum também já anuncia as primeiras atrações para novembro de 2022

De 14 a 16 de janeiro, a 16a edição do festival trará programação híbrida com shows no Theatro da Paz e na Usina da Paz do Icuí, e tudo com transmissão ao vivo no Youtube/serasgum. Entre as atrações confirmadas estão Adriana Calcanhoto, Dona Onete, Nilson Chaves, Liege, Cards Macalé, Ana Suav, entre outros.

Enquanto isso, a equipe também já anuncia as primeiras atrações de novembro. Foram feitas seletivas de bandas durante todo o mês de setembro e dez artistas foram escolhidos, entre eles, Íris da Selva (PA), Karen Francis (AM) e MC Super Shock (AP) são os primeiros anunciados

Todos vão participar de um processo de mentoria de carreira, com direito a pitching com compradores do mercado nacional e internacional e gravação de uma faixa inédita, que será divulgada em playlist oficial do festival na Deezer no dia 16 de dezembro.

As Seletivas Se Rasgum têm patrocínio master da Oi e apoio cultural do Oi Futuro através da lei Semear de incentivo à cultura via Governo do Estado do Pará e Fundação Cultural do Pará, além do player Oficial Deezer. O projeto também foi selecionado pelo Edital de Multilinguagens - Lei Aldir Blanc Pará. 

Íris da Selva, em 2022 no Se Rasgum

Íris da Selva é artista trans não-binario da Amazônia. Nascide em Belém (PA), tem em sua música a mistura da MPB com fortes elementos do carimbó e tendo na espiritualidade o seu elemento condutor nas composições, numa busca de apresentar ao mundo sua percepção das delicadezas e entrelinhas da vida. Ela é uma das atrações garantidas para novembro de 2022. 

Além dela, a cantora, compositora e instrumentista amazonense Karen Francis também conquistou seu lugar entre as dez vagas disponíveis. 

Filha de uma moçambicana e desde cedo teve muito contato com os ritmos africanos, que veio influenciar diretamente na sua arte, com canções que bebem também do universo R&B e que narram suas experiências enquanto mulher negra e lésbica na periferia de Manaus, além de discussões sobre desejos, ancestralidade e negritude.

Já o Mc Super Shock, multi-artista negro, vem se destacando no cenário musical e audiovisual da Região Norte, se dedicando ao rap e hip hop no estado do Amapá. Começou sua carreira em 2009 e desde então vem se dedicando ao fomento do gênero seja por meio de oficinas, palestras, bailes, festivais, duelos, batalhas de MC’s ou produção audiovisual, sendo o rapper que tem mais produções audiovisuais em festivais de cinema dentro e fora do Estado do Amapá.

 Sigam @serasgum pra ficarem mais por dentro. 

28.11.21

Márcio Jardim lança o álbum solo Amazônia Ímpar

Capa: Ilustração Gabriela Maurity

Já está nas plataformas, o disco Amazônia Ímpar, primeiro álbum solo de Márcio Jardim, integrante fundador do Trio Manari, referência em percussão amazônica. Neste trabalho, ele apresenta seu lado compositor e arranjador, ressaltando tambores e parceiras com Jacinto Kahwage e Willian Jardim. O projeto foi realizado com apoio do Edital de Música – Lei Aldir Blanc Pará, SECULT, Secretaria Especial de Cultura/Ministério do Turismo e Governo Federal.

"Não mate a mata verde / Não tire os trens dos trilhos A floresta é um tesouro Um legado precioso / Terra de nossos avós / E herança de nossos filhos Não apague da memória Nossa história ribeirinha”. 

O texto de Ronaldo Silva, na voz de Lucas Pantoja, abre o álbum "Amazônia Ímpar", trabalho no qual Márcio Jardim foca em seu trabalho autoral, reunindo 8 composições gravadas a partir de um Set específico de tambores, montados pelo músico para compor os arranjos.  "Eu sempre quis fazer um disco pensando na percussão. Neste meu trabalho é o que vem na frente. Criamos um Set para fazer base percussiva como se fosse uma bateria, mas não a percuteria e sim os tambores, onde tem a divisão dos médios, graves e agudos”, explica Márcio.

Obra de sua estreia como solista, o disco instrumental traz os sotaques únicos do Carimbó, Marabaixo e toda ancestralidade do Batuque Afro-amazônico, frutos de uma pesquisa de longa data sobre os ritmos amazônicos feita pelo músico, construindo assim verdadeiras pérolas dessa diversidade e tradição sonora, em diálogo com as harmonias do Jazz e com os diversas estilos e gêneros da música universal. “Estou usando tambores da Amazônia, mas também de Cuba e da Venezuela, pois resolvi misturar nesse Set de percussão, com influências amaz6onicas e mundiais", diz Márcio que escalou 02 Colepuias, 01 Curimbó, 01 Barricão, 01 Djembe, 01 Batá e 01 Quinto, dos quais surgiram as melodias.  

Na faixa que dá título ao trabalho (Amazônia Ímpar), não só a rítmica, como também as tonalidades das afinações dos tambores foram base para a melodia e harmonia da música. William Jardim, o guitarrista, teve que adaptar algumas melodias, buscando a rítmica melódica concebida nos tambores, que dão todo o conceito do disco, privilegiando as rítmicas amazônicas. “Essa é uma música composta para percussão, onde há compassos ímpares, pares e ritmos amazônicos. Tudo partiu dos tambores, da própria melodia, das harmonias. Geralmente nos discos, as melodias e harmonias vem na frente e a percussão vem pra complementar esse não foi ao contrário", reforça.

Ouça: AMAZÔNIA ÍMPAR

Processo de construção, parceria e universidade

O músico revela que o mergulho na construção do disco e no processo de criação, o fez transformar o álbum também em seu Trabalho de Conclusão do Curso de Licenciatura em Música, que ele cursa pela UFPA.  “Vi que tinha tudo a ver, porque dentro do disco, eu falo da questão dos tambores, um pouco da minha história, um pouco de tudo já está ali, então esse trabalho também se transformou no meu TCC, ganhando o mesmo título que o disco", conclui.

A produção executiva do trabalho é de Carlos “Canhão” Brito Jr. “O processo todo contou com o Canhão que tem sido muito importante nesse disco e na minha carreira, pelo entendimento dele da percussão, da música e a seriedade e força dele como produtor”, afirma Márcio, ressaltando uma amizade que beira os 30 anos de carreira de ambos. 

“Estudamos juntos no conservatório Carlos Gomes, entramos no mesmo ano no grupo de percussão, tem admiração e respeito, tem muita história, mas naturalmente cada um seguiu seu caminho. Esse disco é uma celebração aos laços afetivos que os tambores nos proporcionaram, e ainda nos proporcionam”, conta Carlos Canhão, que fez a Direção Artística do DVD do Trio Manari, e a Produção e Direção Artística do Jardim Percussivo. 

“Estou muito feliz em poder contribuir com o trabalho desse Amigo Irmão que os tambores me trouxeram, é uma celebração a arte, a amizade mesmo, pois ele gravou com os filhos (William e Wesley), Luiz Pardal,  Jacinto Kahwage, Adelbert Carneiro que são pessoas muito importantes na trajetória dele. Traz ainda texto do Ronaldo Silva, letra do Allan Carvalho e também é dedicado ao Mestre Sebastião Tapajós, com quem o Márcio conviveu e aprendeu muito até sua partida”, complementa Canhão. 

Do samba à pesquisa dos ritmos amazônicos

Márcio nasceu em família de músicos e teve contato com a percussão muito cedo através de rodas de samba em sua casa onde foi seu primeiro palco. Desde então passou a se dedicar à música, tendo como seu primeiro instrumento, o pandeiro. Iniciou seus estudos no conservatório Carlos Gomes, na turma de percussão clássica, com o gosto pela música e por sua dedicação, logo se tornou membro do grupo de percussão. 

Com o passar do tempo e com a ajuda de dois amigos também percussionistas (Kleber Benigno e Nazaco Gomes), iniciaram um grupo de estudos, daí então surgiu o Trio Manari, onde passaram a ser reconhecidos não somente no estado do Pará como também no Brasil e no Mundo. 

A partir desse grupo, Marcio Jardim tem se apresentado em constantes participações com grandes e renomados artistas como: Sebastião Tapajós, Lia Sophia, Fafá de Belém, Nilson Chaves, Pepeu Gomes, Paulinho Moska, Celso Viáfora, dentre outros artistas; além de participações em várias turnês pelo mundo como: Canadá, Argentina, Suriname, Portugal, França, Alemanha, Bélgica, Inglaterra e Estados Unidos.

Marcio Jardim também atua como professor, formando jovens percussionistas. Ele também criou e dirige o Grupo Jardim Percussivo, que desenvolve as pesquisas sonoras dos ritmos afro amazônicos, reunindo jovens percussionistas. O projeto resultou no primeiro CD, lançado em 2017. E no início do ano que vem será lançado o segundo, desta vez, reunindo ainda um e-book e um mini documentário sobre o processo, desenvolvido via emenda parlamentar, com coordenação da FADESP.

FICHA TÉCNICA

Produção Executiva: Carlos “Canhão” Brito

Direção Musical: Márcio Jardim

Arranjos: Márcio Jardim em parcerias com Jacinto Kahwage e William Jardim

Músicos:

Percussão: Márcio Jardim

Guitarra: William Jardim

Baixos: Wesley Jardim, Adelbert Carneiro e Príamo Brandão

Violões: Gileno Foinquinos e Davi Amorim

Piano e Teclados: Jacinto Kahwage e Luiz Pardal

Vocais: Suzane Cavalcante/ Simone Portela/ Andréa Pinheiro/ Lucas Pantoja 

Flauta: Jonathan Miranda

Violino e Gaita: Luiz Pardal

Saxofone: Marcos Vinicius

Comunicação

Ilustração e Designer: Gabriela Mauriti 

Fotografia: Cláudio Ferreira e Carlos “Canhão” Brito 

Assessoria de Comunicação: Luciana Medeiros

Estúdios

Técnicos de Gravação: Jacinto Kahwage / Hélio Silva 

Assistente de Gravação: Marcelino Santos

Mixagem e Masterização: Jacinto Kahwage

Gravado nos Stúdios: Mídas Amazon/Publikmusic/Studio Jardim. 

Masterizado: Mídas Amazon

Músicas

01 - Amazônia Ímpar (Dedicada ao Mestre e Amigo Sebastião Tapajós)

Música e Arranjo: Márcio Jardim e Jacinto Kahwage

Percussão – Márcio Jardim

Teclados e Samples – Jacinto Kahwage. Voz – Lucas Pantoja

Texto – Ronaldo Silva

02 – À Sombra da Samaumeira

Música e Arranjo – Márcio Jardim e Jacinto Kahwage

Percussão – Márcio Jardim

Teclados – Jacinto Kahwage

Vocais – Suzane Cavalcante e Simone Portela

03 - Beira de Rio

Música e Arranjo: Márcio Jardim e William Jardim

Percussão – Márcio Jardim

Guitarra – William Jardim

Baixo – Wesley Jardim

Piano Elétrico – Jacinto Kahwage

Violão – Gileno Foinquinos

Flauta – Jonathan Miranda

Vocais – Suzane Cavalcante e Simone Portela

04 – Afro Amazônia

Música e Arranjo: Márcio Jardim/William Jardim/Jacinto Kahwage

Percussão – Márcio Jardim

Guitarra – William Jardim

Baixo – Wesley Jardim

Teclados – Jacinto Kahwage

Flauta – Jonathan Miranda

Vocais – Suzane Cavalcante e Simone Portela

05 – BaoBarra (Dedicada a Carlos Barra)

Música e Arranjo: Márcio Jardim e William Jardim

Percussão – Márcio Jardim

Guitarra – William Jardim

Baixo – Príamo Brandão

Teclados – Jacinto Kahwage

Violino: Luiz Pardal

Saxofone – Marcos Vinicius

Vocais – Suzane Cavalcante e Simone Portela

06 – Pro Nosso Jardim

Música: Márcio Jardim e Alan Carvalho

Arranjo, Piano e Gaita: Luiz Pardal Percussão – Márcio Jardim

Violão – Davi Amorim

Baixo Acústico – Adelbert Carneiro Flauta – Jonathan Miranda

Vocal – Andréa Pinheiro

07 – Merengue para Gegeu (Dedicada a Rogério Sampaio) 

Música: Márcio Jardim e William Jardim

Arranjo: Márcio Jardim/William Jardim/Jacinto Kahwage

Percussão – Márcio Jardim

Guitarra – William Jardim

Baixo – Wesley Jardim

Teclados – Jacinto Kahwage

Violão – Gileno Foinquinos

Flauta – Jonathan Miranda

Vocais – Suzane Cavalcante e Simone Portela

08 – Batuque pro Mundo

Música e Arranjo: Márcio Jardim e Jacinto Kahwage

Percussão – Márcio Jardim

Teclados, Programação e Vocal – Jacinto Kahwage

Serviço

Lançamento do álbum "Amazônia Ímpar”, o primeiro disco solo do percussionista Márcio Jardim. Em todas as plataformas digitais de distribuição da música. Contato: (91) 98531.8816. 

Acesse o álbum: YouTube Music

Instagram: @marciojardim_oficial


26.11.21

MANA reúne mais de 50 convidadas na 3ª edição

Dona Onete, de volta aos palcos
O Festival MANA 2021 abre hoje (26), em formato híbrido, com programação online e presencial, até 2 de dezembro. A 3ª edição do projeto chega com novidades, experiências imersivas que levam o público ao interior da Amazônia para ouvir o batuque das mestras do carimbó, e percorre estradas até os quilombos do Amapá, que ecoa o tambor da origem afro-índigena do Norte. O projeto tem patrocínio da Natura Musical e Oi, apoio cultural do Oi Futuro, via Lei de Incentivo à Cultura Semear, do Governo do Estado do Pará e Fundação Cultural do Pará.

Nesta terceira edição, as apresentações presenciais estão de volta à programação. O teatro do SESI, na capital paraense, recebe encontros entre a força da tradição da cultura popular e a inventividade da música contemporânea amazônica. São mais de 50 mulheres de diversas regiões do país no evento que ainda traz shows, painéis de debate, oficinas, mostra audiovisual, grafite e projeções mapeadas nos centros urbanos do Brasil.  

O festival também marca a volta de Dona Onete aos palcos, em show com participação da Mestra Bigica. Para colocar o público para dançar, Layse & As Sinceras, nome da nova cena da música paraense que flerta com o brega e a lambada, abre a primeira noite, que segue com o show de uma das bandas mais icônicas do Pará: Fruto Sensual. O festival traz ainda “Vozes da Floresta”, show inédito, um feat entre a cantora Naieme, que tem feito um resgate fundamental da sua ancestralidade indígena, e o grupo de carimbó Tamboiara, composto exclusivamente por mulheres.

Entre as novidades da 3ª edição, duas experiências imersivas e cinematográficas que serão exibidas ao público presente no SESI e também disponibilizadas online. As carimbozeiras e mestras do Sereia do Mar mostram seu batuque em um show especial, onde o público poderá imergir na visualização em 360º. Criado há mais de 20 anos por agricultoras da área rural de Marapanim, interior do Pará, o grupo é pioneiro na formação de uma banda de carimbó composta só por mulheres, e traz canções que falam sobre o protagonismo feminino, sua relação com a terra e as lendárias sereias que povoam o imaginário das populações do Salgado Paraense.

O MANA também promove o primeiro encontro entre a cantora e compositora baiana Luedji Luna, um dos destaques da MPB contemporânea, e Patrícia Bastos, voz fundamental na difusão da cultura Amazônida. Ao lado do violonista Dante Ozzeti (SP) e percussionistas do Amapá, as artistas, que ainda não se conheciam pessoalmente, se conectam no quilombo do Curiaú, ao som dos tambores de marabaixo e sob a história de resistência do povo afro-índigena.

Oficinas e painéis 

Renata Beckman, guitarrista e  roadie

O Festival MANA abriu inscrições para oficinas gratuitas voltadas à profissionalização de mulheres que atuam no mercado da música. São quatro temas que serão abordados nos encontros presenciais e virtuais, nos dias 30 de novembro, 1º e 2 de dezembro. As inscrições seguem enquanto houver vaga.

Renata Beckman, instrumentista e integrante do duo Guitarrada das Manas, ministra a oficina presencial “Roadie: por trás de um grande show, dentro e fora dos palcos". Ser roadie é fazer o suporte técnico antes, durante e depois de uma apresentação. Na oficina, além de apresentar funções, as participantes poderão conhecer mais sobre cabos, instrumentos e equipamentos, além de discutirmos o papel subjetivo do nosso trabalho, que é trazer segurança e confiança para as musicistas e músicos que estão no palco. “Vamos trabalhar teoria e prática, passando pela elétrica, pela afinação e pela montagem de um palco”, diz Renata.

As fotógrafas Tereza e Aryanne, com extensa experiência em produção de retratos de artistas, ministram a oficina “A imagem da música: criando imagens através da fotografia”.  A oficina terá uma parte teórica e também prática. “A música sugere sentimentos, a imagem dessa música a acompanha, dá significado, resulta na memória visual daquela artista, divulga aquele disco, aquele show. Conta uma história, marca uma fase”, relatam as fotógrafas. 

Tulipa Ruiz ministra oficina

A jornalista Juliana Sá fala diretamente do Rio de Janeiro em sua oficina online. Experiente assessora de imprensa, Sá acompanha de perto a carreira de inúmeros artistas, sobretudo os independentes, e trabalha na construção de estratégias de comunicação deste nicho. Na oficina, a jornalista abordará as etapas de estruturação e planejamento de comunicação de um trabalho artístico. A partir da aproximação e diálogo com as inscritas, irá expor as diferentes estratégias para a circulação midiática de álbuns, EPs, singles e shows.

A cantora, compositora e ilustradora Tulipa Ruiz ministra a oficina online “Ilustração e música”. Os encontros se darão a partir da troca de relatos sobre a imagem do som, considerando o repertório da artista e dos participantes da oficina. A ideia dos encontros é decupar memórias gráficas de sons que amamos e estimular a criação de novos desenhos inspirados na música.

O evento traz também seis painéis de debate para a troca de experiências e o estímulo à formação de uma rede entre mulheres da música. Este ano, o projeto homenageia Fafá de Belém, uma das artistas mais importantes da região Norte e do Brasil. Fafá fala sobre sua trajetória no painel “O canto da Amazônia que atravessou rios e mares”. Versando sobre tecnologia e interação, “Experiências imersivas - novos formatos para música”. Sobre comunicação em tempos de redes sociais, o painel “O futuro do artista é ser produtor de conteúdo?”. Haverá ainda o debate “O que a música da Amazônia tem a dizer pro Brasil e pro mundo”; além do painel sobre mulheres autoras de canções e, por fim, outro sobre “Imagem e Música: criação de um conceito artístico”.

Inscrições para oficinas gratuitas do Festival MANA 2021 

www.festivalmana.com. 

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23.11.21

Dand M. de volta ao circuito com “Preciso cantar”

Dand M. faz pocket show, nesta quinta-feira, 25, no Quiosque do Horto, a partir das 20h, apresentando seu primeiro álbum “Preciso Cantar’, realizado com apoio do edital de Música da Secult-Pa, via Lei Aldir Blanc. A apresentação conta com o violonista Rafael Guerreiro, que assina a direção musical do álbum, e do baterista e percussionista Carlos Canhão Brito, produtor musical do trabalho. Na ocasião, o também poeta autografa o livro  “Poezia Graal ou 33 doses de vinho”. 

A primeira veia artística de Dand M. é a poesia. Foi através dela que ele também se voltou de forma profissional à música. Quatro livros lançados, prêmios na trajetória e mais de 40 letras compostas em parcerias diversas. Em “Precio Cantar”, o primeiro álbum de sua carreira, ele reafirma estas e ainda faz novas conexões. 

A primeira música foi feita em parceria com Pedrinho callado, a partir de um poema, “Sábios", que é uma das faixas do álbum Preciso Cantar. “Canal do Galo”, parceria com Paulo Lobo, já gravada por Pedro Vianna, também entrou no disco, assim como “Café Pequeno”, feita com Felipe Cordeiro. “Preciso cantar”, música que dá título ao álbum, é uma parceria com Arthur Nogueira, já gravada por ele e Cida Moreira, a quem a canção, inclusive, é dedicada.

Após a apresentação ao vivo, Dand M. convida a todos para fazer a audição completa do disco, que possui 8 músicas, sendo cinco inéditas “Sábios”, “Cavalo de Cazuza” e “Sons do Mundo”, ambas compostas em parceria com Vinícius Leite;  “Meu Novo Normal”, feita este ano em parceria com Rafael Guerreiro; e “Pra quem Gosta”, única música em que Dand M. assina sozinho a autoria, contando com os arranjos do grupo. 

Gravaram no disco também, o Cláudio Darwich no baixo elétrico, acústico e teclado – cuja trajetória vem do rock`n roll puro e punk. A preparação vocal foi de Thalia Sarmanho, que também fez backing vocal e há ainda participação dos músicos Nego Jó – Trombone (Canal do Galo) e Cézar – Cavaco (Canal do Galo / Pra Quem Gosta). A pré-produção do disco foi realizada no Fábrika Studio e a gravação no Studio Z, com mixagem e masterização de Thiago Albuquerque. A produção executiva é de Luciana Medeiros, com fotografia de capa de Cláudio Ferreira e design de Roberta Carvalho. 

Para ouvir o disco:

https://www.youtube.com/channel/UCTCKN9Vl66D7a2znyjxs9tQ

https://open.spotify.com/album/6hLeCfsTACfGQi68EupfH9?si=-yaau-0BThaTlB05Z4KPLQ&utm_source=whatsapp

Para ver o Vídeo-Release:

https://www.youtube.com/watch?v=yCCiKcnr6Cs

Serviço

Pocket Show e Audição "Preciso Cantar”, com Dand M (voz), Rafael Guerreiro (violão) e Carlos Canhão Brito (percussão) - Contrapartida ao Prêmio do Edital de Música – Lei Aldir Blanc Pará, SECULT, Secretaria Especial de Cultura/Ministério do Turismo e Governo Federal. Nesta quinta-feira, 25 de novembro, às 20h, no Quiosque do Horto – Praça Milton Trindade – Mundurucus, entre Dr. Moraes e Quintino. Mais informações: (91) 98134.7719.

Noites de música instrumental na beira do Tapajós

Badi Assad e Lívia Mattos
Foto: Sérgio Malcher (Ago. 2021)
O Tapajazz está de volta ao presencial em Alter do Chão, Santarém. De 25 a 27 de novembro às margens do Tapajós, o festival receberá entre outras atrações Arismar do Espírito Santo, Armandinho Macedo, Badi Assad e Amazônia Jazz Band. Pela primeira vez estaremos sem Sebastião Tapajós, cuja presença, no entanto, será sentida através de sua música.

O Tapajazz é um dos poucos festivais de música instrumental existentes no Pará, sendo o único da região oeste. Recentemente, por essa sua peculiaridade e também por sua trajetória de nove anos, a ALEPA aprovou Projeto de Lei, por unanimidade, para que ele se torne um patrimônio cultural de natureza imaterial da região.

“Para mim foi uma grande surpresa, queria agradecer a Presidente da Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa do Estado, a Deputada Marinor Brito, que foi quem apresentou o requerimento para tornar o Tapajazz um patrimônio Cultural do Estado do Pará. Isso demonstra a nossa dedicação e perseverança”, comemora Guilherme Taré, o idealizador do evento. 

Depois de passar um ano sem realizar o Tapajazz em Alter do Chão, ele afirma que o presencial é que dá todo sentido ao projeto. "É muito interessante estar retomando com o festival em Santarém, Alter do Chão, de forma presencial, pois o glamour do festival é essa sua relação com a beira do rio Tapajós. Eu não via sentido em permanecer com o festival aqui em local fechado. Por isso surgiu a ideia de levar uma mostra para Belém. Mas agora, cá estamos de novo, próximos da beira desse rio que, junto com o nosso querido violonista, inspirou o nome do festival”, diz o produtor.

Andreson Dourado, com Sebastião Tapajós
Foto: Divulgação

Guilherme Taré escalou, entre outras atrações, para a abertura desta quinta-feira, 25, o show lançamento do EP “Trilhas de Igarapés”, de Andreson Dourado, pianista de Santarém. 

“O trabalho solo dele ainda não havia sido apresentado no festival e tomamos a iniciativa este ano. O Andreson foi durante 10 anos o pianista que acompanhou o Sebastião Tapajós”, segue Taré. 

O primeiro dia terá ainda show de Maurício Maestro, que já participou do Tapajazz na edição de 2020, em Belém e, para encerrar a noite, haverá um grande show de Arismar do Espírito Santo, que é multi instrumentista, toca contrabaixo, guitarra, violão, piano e bateria, e também faz composições e arranjos harmônicos muitas vezes inusitados. O músico transita com impressionante desenvoltura por diversos estilos, seja jazz, samba, choro e até rock. “Ele foi parceiro do Sebastião Tapajós, chegando a fazer um disco lindo com ele e Sivuca. Ele estará aqui, nesta grande homenagem”, comenta Taré.

Um grande Tributo à Sebastião Tapajós

Armandinho Macedo e sua banda (Ago 2021)
Foto: Sérgio Malcher

Na sexta-feira, 26, teremos o Quinteto Tributo, reunindo músicos que sempre tocaram com Sebastião Tapajós e também a Amazônia Jazz Band, que esteve na programação da Mostra Belém, em agosto, e retorna agora ao festival para apresentar seu repertório e também homenagear Sebastião Tapajós. Desta vez, porém, ele não estará à frente com seu violão. 

"Ainda não caiu a ficha dessa ausência física. Sebastião era um amigo, um irmão, um pai de todos nós, um cara que botava todo mundo debaixo do braço e cuidava. Ele sempre me incentivando, participou de todas as edições, até a Mostra Belém, em agosto. Foi emocionante. Agora não o teremos presente, mas a obra dele será reverenciada, respeitada, admirada e divulgada. Sebastião Tapajós deixou um legado imenso pro mundo inteiro, não foi só pra nós”, comenta Taré. 

O festival de música instrumental que surgiu em Santarém, também vem realizando, desde 2020, uma mostra também de três dias, em Belém. Este ano, a edição na capital foi realizada em agosto, como uma prévia do que vai acontecer agora em Alter do Chão. Três das atrações desta edição também se apresentaram no Teatro Margarida Schivazappa. Por isso, no dia 27, o encerramento promete novas emoções.. 

O primeiro show da noite será com Badi Assad e Lívia Mattos, duas artistas versáteis e multi instrumentistas que encantaram o público da Mostra Belém e vão com certeza encantar o público de Alter do Chão. Será a vez da presença feminina no Tapajazz chegar também em Santarém. O show que encerra de fato o evento será do guitarrista baiano, criador da Guitarra Baiana, Armandinho Macedo.  O músico incendiou a plateia em Belém e promete fazer um show inesquecível também em Alter do Chão.

Serviço

Tapajazz em Santarém. De 25 a 27 de novembro, em Alter do Chão, 20h, de forma presencial e com transmissão ao vivo pelo canal de Youtube do festival. Patrocínio do Banpará, por meio da lei Rouanet, Secretaria Especial de Cultura e Ministério do Turismo. Apoio do Governo do Pará,  Secult e Fundação Cultural do Pará,  Holofote Virtual, Casa do Saulo, Prefeitura de Santarém, Unimed e Nominal Rent a Car. Realização da Fábrica de Produções.

22.11.21

Realejo recebe Mestre Luis Pontes de Ananindeua

Mestre Luis Pontes
Foto: Ana Ribeiro

Depois de receber Mestre Lourival Igarapé, o projeto Batuque de Sábado, do Espaço Cultural Realejo  apresenta, nesta semana, o Mestre Luis Pontes, do município de Ananindeua. Atuante há 30 anos na cultura popular, ele traz em seu currículo participações em trabalhos como a banda Arcano XIX, grupo Kamu, grupo Tabajara de Marituba, além de ser fundador do grupo de Experiências Percussivas Estrela do norte. O músico será acompanhado por Cuité e os Vagalumes da Marambaia.

Poeta, cantor e compositor, ainda na adolescência, Mestre Luis Pontes iniciou seu percurso através da poesia. Ao longo das décadas de 80 e 90, participou de alguns Grupos Folclóricos, como o Asa Branca, de Icoaraci/PA, Tabajara, de Marituba/PA e o Grupo Amazônia. Além desses grupos, atuou ainda na Banda de Folk Rock Arcano 19, onde exploravam a fusão entre o Rock e a cultura musical e folclórica regional. 

Em 1999, o mesmo fundou o Grupo Kamu, que veio a tornar-se o Projeto Kamu. Em 2002, afastando-se do Projeto, o Mestre fundou o Grupo de Experiências Percussivas Estrela do Norte, em que segue em atividade. Socialmente engajado, Mestre Luis Pontes atua em movimentos sociais, tendo participado da fundação da Associação Amigos da Natureza – entidade voltada para ações de preservação e educação ambiental, a qual presidiu ao longo de quatro anos –, da ONG Bacurau – na qual funcionava o Projeto Kamu. 

A inspiração do mestre vem da observação dos variados elementos do cotidiano humano, em suas composições, o simples e o complexo se entrecruzam, como na vida. As várias dimensões da ação humana reverberam em suas poesias, que buscam explorar as dimensões socioambientais, sociopolíticas e afetivas das relações humanas, propondo, ora elogios ao ambiente circundante ou às suas relações, ora a emergência da necessidade de buscarmos uma consciência crítica de nós mesmos, de nossa atuação ambiental, política e social, e ainda, de nossa dimensão humana. 

O carimbó segue sendo uma expressão artístico-cultural de práticas sociais e saberes diversos. Observa-se através de seus praticantes, a luta pela concretização de ações públicas voltadas para a sua legitimação, no qual contribuíam para a valorização, produção e circulação do ritmo na cidade. O próprio reconhecimento do carimbó como patrimônio cultural imaterial do Brasil é resultado desta luta.

O projeto Batuque de Sábado é produzido e idealizado por Cuité Marambaia, Gabiru Cigano, Ana Ribeiro e Racquel Prudente, com o intuito de incentivar e valorizar a produção dos mestres da região metropolitana. 

Serviço

Batuque de Sábado. Neste sábado, 27,  a partir da 19h , no Espaço Colaborativo Realejo. A noite conta ainda com a participação da Dj Karol Onça, lançando o seu set musical recheado de carimbó, merengue, cumbia e ritmos latinos. Na programação tem ainda feira colaborativa de marcas locais, que reúne lojas como Flor de Jambu, Flauerloja, Fogoyó, Eulauea e Igor Diniz para exposição. Instagram: @batuquedesabadoanoite. Endereço: Alcindo Cacela, 699. Ingressos: 10 reais.

Álbum de estreia de Inesita mescla rock e carimbó

Foto: Teresa Maciel
Chega ao público, no próximo dia 24 de novembro (quarta-feira), o EP “Cada Objeto Uma Canção”, de Inesita, com seis faixas inéditas e uma já lançada em setembro deste ano, a cantora e musicista apresenta seu estilo único, que mescla rock, carimbó e outros ritmos regionais - mistura esta, que já pôde ser conferida em “Céu no Olhar”, parceria com a icônica Nazaré Pereira, que abriu a nova fase da carreira da artista.

A artista já dá a dica conceitual do álbum através do próprio título, “Cada Objeto Uma Canção”. Isso porque, as sete canções são representadas por sete objetos aleatórios que, juntos, formam a capa do disco: um ventilador, uma lua, uma ampulheta, um sapato, um pedaço de madeira, um globo e um livro de poesia. “Gosto das representações subjetivas da arte e do quanto isso instiga e conecta o público ao meu trabalho. Embora eu tenha em mente qual objeto corresponde a cada música, não vou dar isso ‘mastigadinho’ (risos). Vou deixar que cada ouvinte faça sua assimilação e venha me contar”, diz.

“Cada Objeto Uma Canção” marca uma nova era, mais leve, na carreira de Inesita. Ela lembra que, à época de “Vertical”, seu single instrumental lançado com videoclipe em 2020, ainda se encontrava muito pressionada pela necessidade de produzir, decorrente dos tempos pandêmicos e de isolamento social. “Esse álbum representa a Inês recarregada de ‘Vertical’, época em que eu me via para baixo, triste, sem ver ninguém, dadas as necessárias medidas sanitárias para conter a covid-19. Eis que agora, porém, apresento uma Inesita ressurgida das cinzas, com muita esperança de que dias melhores virão”, completa.

O tom mais otimista já pôde ser conferido em “Céu no Olhar”, parceria lançada em setembro deste ano com ninguém menos que Nazaré Pereira, cantora acreana de mais de 40 anos de carreira, dona do sucesso junino “Xapuri do Amazonas”. A canção fala “essencialmente sobre amor”, como definido por Inesita à época do lançamento. Com boa repercussão local, Inesita chegou a se apresentar no projeto “AmpliSessions”, onde apresentou três músicas inéditas do álbum.

“Quando a gente está apaixonada, qualquer lugar com o nosso amor é bom, dar um passeio, ver a lua... Tudo vira poesia. E é disso que se trata a música, é essencialmente sobre amor. Um trecho especial ‘Céu no olhar tem Carolina’, que eu escrevi pensando na minha namorada, é o que me conecta à Nazaré, que também cita o nome ‘Carolina’ no seu sucesso ‘Chero de Carolina”, conta a artista paraense, que compôs a música e traz a importância política de levantar a bandeira do amor LGBTQIA+ para suas letras.

Inesita também é compositora, contrabaixista e traz no seu trabalho um time de músicos renomados e participações especiais, como a parceria de Carolina de Sá Ribeiro na composição de “Vento Novo”, Léo Chermont (produção e guitarra), João Lemos (guitarra), Junhão (bateria), Márcio Jardim (percussão), Luciano Lira (vocal) e DBL (sintetizadores). “Cada Objeto Uma Canção” tem incentivo da Lei Aldir Blanc Pará.

Instagram: @inesita_inesita

Youtube: https://www.youtube.com/channel/UCwLji6s_1MgOksNcr8bsMcA

Mestre Curica lança álbum de guitarrada e carimbó

Mestre Curica
Fotos: Gabriel Dietrich

Mestre Curica lança registro audiovisual e disco que reúnem Carimbó e Guitarrada. No projeto, os dois gêneros musicais são executados com seus respectivos instrumentos, revelando a pluralidade musical do trabalho. Além do documentário, que será lançado no dia 26, o álbum estalará nas plataformas da música no dia 27, quando também ocorrerá o show de lançamento, às 20h, no Espaço Cultural Apoena, com ingresso a R$ 15, 00. A noite conta ainda com a discotecagem de ritmos regionais com a Dj Jack Sainha.

“Os Carimbós e as Guitarradas de Mestre Curica” traz uma pequena mostra das várias expressões musicais dominadas por Mestre Curica, além de um registro audiovisual da história de vida e parcerias desse consagrado representante da cultura paraense. O projeto conta com participação de Aldo Sena e de jovens talentos da música paraense, resultando em um formato de show e bate-papo que faz um passeio pela sua diversa carreira e obra musical, transitando entre o Carimbó e a Guitarrada. 

“O vídeo exibe apresentações do Mestre, como banjista e solista, na sua guitarra, executando suas canções. Da mesma forma, a banda, num primeiro momento, toca com instrumentos tradicionais do Carimbó pau e corda e, num segundo momento, toca os instrumentos elétricos da guitarrada. Essa ideia que trouxemos para o projeto foi para acentuar o pioneirismo dele na história da música paraense, quebrando de paradigmas entre tradição e modernidade” explica afirma Bruno Rabelo, idealizador e produtor musical do projeto.

No total, são dez músicas, escolhidas dentre as mais consagradas de Curica, além de uma inédita "De Bragança para Belém", que é uma homenagem do mestre à sua esposa, Dona Leo (natural da cidade cortada pelo Rio Caeté), e ao seu pai, Raimundo Leão Ferreira, antigo trabalhador da outrora Estrada de Ferro. Para Mestre Curica, realizar este projeto é mais uma grande experiência ao longo de seus 56 anos de carreira artística. “É um projeto que vai ficar pra resto da vida, valorizando ainda mais minha trajetória como músico. Fiquei muito agradecido a todos que se empenharam em realizá-lo, principalmente meus músicos que fizeram um som de primeira”, avalia Curica.

O vídeo traz um registro documental que resgata a história de vida de Curica, que nos anos 70, foi um dos pioneiros do Carimbó tradicional com a gravação do banjo na era dos LPs, junto ao Mestre Verequete e, 30 anos depois, com os Mestre da Guitarrada. 

“O projeto visa homenagear a histórica carreira de Mestre Curica, enquanto Mestre vivo da cultura popular paraense, incentivando o diálogo entre diferentes gerações e linguagens musicais, experimentando saberes e sonoridades das manifestações do Carimbó e Guitarrada e salvaguardando a produção e a difusão dos conhecimentos desse importante representante da cultura popular paraense”, defende a produtora executiva do projeto, Lorena Pantoja.

Nos relatos de Curica no vídeo, é possível ouvir grandes fatos históricos da música paraense, como a entrada dele no conjunto Uirapuru, criado no fim dos anos 60, por Mestre Verequete, e a consequente participação em gravações de discos consagrados do Carimbó paraense. Entre as histórias dedicadas a Guitarrada, Curica rememora o famoso grupo Mestres da Guitarrada, que surge a partir da pesquisa do músico e produtor Pio Lobato, então estudante, no anos 1990, e que resultou em 2004, no lançamento de um álbum em 2004, produzido em parceria com a Funtelpa, reunindo Curica, Aldo Sena e o saudoso Mestre Vieira. As entrevistas feitas com o Mestre e demais músicos que integram o documentário, foram capitaneadas pela cantora e instrumentista, Layse Rodrigues.

Além do registro audiovisual, haverá também o lançamento do disco “Carimbós e Guitarradas”, com a junção de todas as músicas apresentadas no vídeo, mais uma faixa bônus. “O trabalho registrado em vídeo ficou tão rico que resolvemos também fazer um álbum ao vivo oficial de carreira do Mestre com esse resultado. O disco será lançado pelo selo Brio Produções, criado por nós para esse fim”, detalha Bruno Rabelo.

Junto com Mestre Curica, participaram das gravações do projeto os músicos Marcelino Santos (banjo e percussão), Zé Augusto (guitarra), Daniel Cordeiro (sax), Tony da Flauta (flauta), Paulinho Bernardes (bateria), Silvano Cardoso (baixo), Aldo Sena (guitarra) e Bruno Rabelo (guitarra). Selecionado pelo Edital de Culturas Populares - Lei Aldir Blanc 2020, o projeto foi gravado pela equipe da Maruja Produções, no Espaço Cultural Apoena, em várias etapas. A captação e edição de áudio foi do Estúdio Casa, de Armando Mendonça. 

Serviço 

Acompanhe a agenda de lançamento: Dia 26, será disponibilizado o documentário no Youtube e o disco,  nas plataformas, no dia 27, quando também ocorrerá o show de lançamento, às 20h, no Espaço Cultural Apoena (Duque de Caxias, 450, altos). Ingressos: R$ 15,00. Saiba mais pelo perfil do mestre no Instagram @mestrecurica.