25.11.22

Leona Vingativa lança videoclipe Let’s Go To Hexa

Foto: Lucas Mont

Embalado por uma versão “tecno rock doido” do hino da Copa 2010, “Waka Waka”, da Shakira, o novo videoclipe chega ao público no próximo domingo (27), véspera do segundo jogo do Brasil no Mundial do Catar. A música é marcada por referências LGBTQIAP+ e à cultura periférica.

“Vocês podem esperar muita animação e muito Pajubá. O Pajubá é o dialeto utilizado pelas LGBTQIAP+ nas periferias. Nessa linguagem, ‘mulher’ vira ‘mapô’, ‘mentira’ vira ‘ekê’, entre outros termos que vocês vão conhecer em ‘Let’s Go To Hexa’. Esse trabalho nasceu da ideia de fazer uma música para a comunidade LGBTQIAP+ na copa. Minha expectativa é que o público abrace esse lançamento como sempre abraçou tudo o que eu fiz”, explica.

“Let’s Go To Hexa” é o terceiro lançamento de Leona com temática de Copa do Mundo. Aliás, foi justamente uma paródia alusiva ao Mundial que deu à artista um de seus primeiros virais: “Eu Quero Um Boy” (2014), versão de “Todo Mundo”, de Gaby Amarantos e Monobloco, hit da copa realizada em solos brasileiros. Já no campeonato seguinte, sediado na Rússia, Leona lança “Close e Carão na Copa 2018”. 

A artista conta que já existe uma pressão sobre ela para um bem humorado lançamento em anos de copa. “Meus fãs já vinham me pedindo para eu lançar o clipe da Copa. Com a parceria do meu produtor Renan Carmo, escrevemos a letra e a gente arrasou! E quisemos colocar o Pajubá e a ‘gaymada’, que muitos conhecem como queimada ou cemitério, que fez parte da infância de muitas de nós”, conta.

Para entrar no clima do campeonato, Leona desafiou a influenciadora digital Lupita Maravilha em uma partida de “gaymada”. Na batalha, o time Jurunas, liderado por Leona, enfrenta o time Guamá, que tem Lupita à frente. O clipe ainda traz diversos personagens conhecidos por quem acompanha as influencers nas redes sociais, como Paulo Colucci, a “Aleijada Hipócrita”, a “Bailarina” e a família Maravilha, além de moradores do bairro do Jurunas, onde o vídeo foi gravado.

Foto: Lucas Mont

“Tive a honra de trabalhar com pessoas que fazem parte do meu dia a dia, da minha vida. É o caso da minha amiga e vizinha Lupita, que sempre que eu preciso, ela está comigo, uma parceria de muitos anos”, diz Leona. Lupita também não escondeu a empolgação com a nova colaboração com Leona e reafirma a torcida pelo Hexa: “Espero que esse clipe chegue até o Catar e que a gente também seja campeão da Copa, né?”, brincou.

Um videoclipe repleto de referências à comunidade LGBTQIAP+ ganha um peso ainda maior na Copa deste ano, realizada no Catar, país com legislação discriminatória à homossexualidade. Para Leona, a música é uma forma bem humorada de protestar contra a homofobia e acolher os torcedores que se vêem excluídos diante da política do país que sedia o Mundial. 

“Nós, enquanto LGBTQIAP+, também somos brasileiros, também somos torcedores e a gente também quer fazer parte das comemorações, afinal, a Copa é de todos! É por isso que, este ano, optamos por construir uma música baseada no dialeto do Pajubá e na nossa ‘gaymada’. Com esse lançamento, a gente reafirma a nossa luta para vencer o preconceito e por mais respeito”, diz.

Sobre Leona

Leona ficou conhecida nacionalmente aos 10 anos de idade, a partir de 2008, pelos seus vídeos postados no Youtube, algo pouco comum na época. Nascida na periferia de Belém, no bairro do Jurunas, chamou atenção por seu talento para interpretação e improvisação mesmo tão nova, e por seus bordões tão falados até hoje. 

Após ganhar uma música de presente de sua madrinha, a cantora Gaby Amarantos, resolveu se lançar no mundo da música, produzindo hits, como “Eu Quero Um Boy”, “Frescáh no Círio” e “Não Pode Esquecer o Guanto”. Em 2021, foi convidada por Anitta para participar da gravação do videoclipe de “No Chão Novinha”, parceria da popstar mundial com Pedro Sampaio. As filmagens ocorreram em Belém, no Ver-O-Peso e na Vila da Barca.

Serviço

Leona lança videoclipe ‘Let’s Go To Hexa’

Quando? Domingo, 27 de novembro 

Onde? Canal da Leona no Youtube

Letra da música:

Leona na área

Leona na área

Chegou a copa

O Brasil vibrando

A bola no chão

O Neymar caindo

E as ‘bichas’ ‘grelhando’

O Brasil unido

Queremos o hexa

As irmãs ‘nervosa’

Agora ele vem

E a gente faz festa

Chamei as ‘trava’

E as ‘ursos’

E as ‘passivas’ tudo

Convoquei as ‘poc poc’

Chamei as ‘não binarie’ que é bem

E as ‘mapô’ podem vir também

Que a gente vai ganhar

‘Ilê’ arrumado sem ‘ekê’

‘My place’ joga o ‘purakê’

‘Manjheuri en el plato’ e um ‘picu’ babado

Let’s go to hexa

Ficha técnica:

Direção - Fabio Ramos

Assistente de Direção - Paulo Mendes

Assistente de Camera - Tauren Prado e Kamila Ferreira

Produção - Mandajob Produções 

Produção Executiva - Renan Carmo

Produção Musical - Will Love

Gravação de Voz - Tião (Estúdio BlackMamb4 Records)

(Holofote Virtual com texto de Fernando Assunção, da assessoria de imprensa)

22.11.22

"Mulheres da Sala 4" estreia no Espaço das Artes

Fotos: Gabriel Farias

Pesquisa, memória, consciência social, revolta e imaginação fundem-se no espetáculo "Mulheres da Sala 4", em cartaz no Espaço das Artes de Belém de  26 e 27 de novembro, 03 e 04 de dezembro, sempre às 19h. Ingresso: R$40 (inteira), R$20 (meia e antecipado). 

Regina, Elza, Arlete, Betânia e Clara, cinco mulheres muito diferentes que se veem forçadas a conviver no espaço diminuto daquela cela do Pavilhão dos Primários no presídio da Rua Frei Caneca no Rio de Janeiro. 

Enquanto testemunhamos cerca de 24 horas da opressiva rotina supervisionada pelo cabo Hélio da Silva e pela funcionária Das Dores, assistimos às complexas relações de conflito e companheirismo que se vão estabelecendo entre essas personagens. Na dura realidade daquele junho de 1937, toda pequena alegria, como um sonho bonito, uma fruta, uma bola e o som da voz do marido, é um motivo para apegar-se à vida. Seus nomes, biografias, dores, anseios e amores são todos ficcionais, mas oferecem um vislumbre do que foi a vida das verdadeiras Mulheres da Sala 4 e nos convida a refletir sobre a realidade passada sobre os presos políticos em uma era de ditadura e um anseio que tempos sombrios como estes não retornem.

“Foi um processo de muita conexão com a história de vida de cada mulher, mesmo que não tenhamos vivido exatamente o que elas viveram, o fato de todas compartilharem sonhos e dores nos une de alguma forma”, diz a atriz Giscele Damasceno que dá vida à Dona Regina, que foi presa por simplesmente ter um Livro em sua casa, que era considerado como suspeito.

“A palavra que eu usaria pra descrever o processo é “conhecimento”, durante todo o processo eu adquiri muito conhecimento sobre esse período, fiz muitas pesquisas, assisti muitas coisas e fui muito tocada por tudo que essas mulheres viveram durante a ditadura”, comenta a atriz Kate Por Deus que é quem nos relata a história durante o espetáculo.

De acordo com a atriz Eliane Gomes “O espetáculo Mulheres da sala 4 foi o processo mais potente que já participei em toda minha vida. Ele me tocou de várias formas. O nosso processo de pesquisa foi intenso, recheado de textos indutores, filmes, roda de conversas onde podíamos falar sobre o cenário da ditadura e por muitas vezes compará-lo ao cenário atual. Nossos ensaios foram regados de laboratórios onde trabalhamos muito os aspectos psicológicos dos nossos personagens. Uma vivência e tanto, um aprendizado pra vida.”

O espetáculo Mulheres da Sala 4 tem direção de Breno Monteiro e Leonardo Sousa, com produção de Lauro Sousa, figurinos de Lucas Belo, dramaturgia de Claudia Vidal, fotos de divulgação de Gabriel Farias, Identidade Visual de Everton Pereira e Leonardo Sousa. No elenco temos Eliane Gomes, Érika Mindelo, Everton Pereira, Evs Cris, Giscele Damasceno, Jamilly Donza, Kate Por Deus, Nilton Cézar e Ruthelly Valadares. É uma produção independente que faz parte da comemoração de 6 anos da Companhia Paraense de Potoqueiros, com o apoio do Espaço das Artes de Belém.

Ficha Técnica

Direção: Breno Monteiro e Leonardo Sousa

Dramaturgia e Pesquisa: Claudia Vidal

Produção e Maquiagem: Lauro Sousa

Figurinos: Lucas Belo

Cenografia: Breno Monteiro e Lauro Sousa

Sonoplastia: Leonardo Sousa

Iluminação: Breno Monteiro

Fotos: Gabriel Farias

Artes: Everton Pereira e Leonardo Sousa

Elenco: Eliane Gomes, Érika Mindelo, Everton Pereira, Evs Cris, Gisele Damasceno, Jamilly Donza, Kate Por Deus, Nilton Cézar e Ruthelly Valadares. 

Serviço

Espetáculo Teatral "Mulheres da Sala 4". Sessões: 26 e 27 de novembro, 03 e 04 de dezembro de 2022, sempre às 19h.  Ingresso: R$40 (inteira), R$20 (meia e antecipado). Local: Espaço das Artes de Belém - Rua Tiradentes, 35 – Reduto. Ingressos antecipados com valor promocional no site Sympla: https://www.sympla.com.br/mulheres-da-sala-4__1796721

19.11.22

A 9a edição do Festival Tapajazz em Alter do Chão

Na próxima semana que for a Alter do Chão, em Santarém-Pa, terá um atrativo a mais para se apaixonar pelo lugar. De 24 a 26 de novembro é onde será realizada a 9a edição do Tapajazz. O palco montado na Praça 7 de Setembro receberá atrações com os diversos sotaques instrumentais do Brasil. 

Os três dias de música à beira do Tapajós contam com músicos paraenses, do Ceará, São Paulo, Rio de Janeiro e Amapá. De Santarém, teremos o Canto de Várzea, que movimentou a cena musical da cidade entre os anos 1980 e 1990. Nesta edição do Tapajazz,  comemora seus  40 anos, com o mesmo espírito e o ritmo da vida amazônica, com que surgiu. 

O público também vai conferir a apresentação do Trio Lobita, cujo show traz canções do universo do samba, do choro e autorais, dividido entre instrumental e cantado. Em 2017, o grupo também lançou o disco Na Marola, com repertório autoral e em parceria com outros artistas e músicos especialistas em maxixe, polca, baião e choro.

Alan Gomes, de Macapá (AP), também marca presença. Atuando como musicista profissional desde os 11 anos de idade, já contabilizando 32 anos de trajetória, como cantor, compositor, músico e diretor musical. Em seu trabalho, mistura os ritmos da cultura da Amazônia com demais estilos musicais universais, destacando os tambores de batuque e marabaixo que são os sons tradicionais da cultura amapaense, sua identidade.

O violonista Zé Paulo Becker, que fez uma belíssima apresentação no Tapajazz Mostra Belém, em setembro, retorna para mostrar o espetáculo ao público de Santarém. No palco, ele estará acompanhado por Dudu Oliveria, no sax e flauta; Rodrigo Villa, no contrabaixo e de Cassius Theperson, na bateria. Já o  guitarrista Delcley Machado, é mais uma atração do Pará. Ele, que já esteve em Alter do Chão anos atrás, acompanhando, neste mesmo palco, o guitarrista mineiro Toninho Horta, mostrará seu trabalho autoral. 

Michel Pipoquinha e Pedro Martins, pela primeira 
vez no Tapajazz.
O Tapajazz também traz, pela primeira vez, o show de Michael Pipoquinha e Pedro Martins, jovens que se envolveram com a música na infância e seguiram carreira, se apresentando pelo mundo. Ambos são artistas precoces. O guitarrista e compositor Pedro Martins surpreende com sua capacidade de ser profundo com tão pouca idade. Michael Pipoquinha teve seus primeiros contatos com o violão, na infância, através de seu pai, Elisvan Silva, que também é musico. Em 2007 com 11 anos, começou a se apresentar profissionalmente. 

Também é imperdível a apresentação de Filó Machado, cantor, compositor, multi-instrumentista, arranjador e produtor, com 60 anos de carreira, 13 discos gravados e 1 indicação ao Grammy Latin Jazz, recebendo o merecido título de "mestre da música". Ele apresentará canções autorais, inéditas e releituras de grandes obras da MPB. Estará acompanhado por Felipe Machado, seu neto, cantor, violonista e compositor, e por Lisandro Massa, pianista e arranjador, que fecha o trio.

Jane Duboc, que estará de volta ao Pará, se apresentará, mais uma vez com a Amazônia Jazz Band, com novidades no repertório, para homenagear o grande Sebastião Tapajós. Juntos, gravaram, entre outros trabalhos, o Cd “Da Minha Terra”, uma obra clássica da música paraense. A parceria com a Amazônia Jazz Band teve inicio com a gravação do DVD da big band, em 2016, no Theatro da Paz. 

O patrocínio desta 9a edição é da Equatorial Pará, via Lei Semear, do Governo do Estado. A realização é da Fábrica de Produções. O Tapajazz é primeiro festival de jazz do interior amazônico e um dos quatro do gênero na nossa região. Em 2021, o festival também foi decretado Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Pará.  Este ano, como em todos os anteriores, o músico Sebastião Tapajós receberá homenagens do músicos. O saudoso violonista, falecido em 2021, inspirou o nome do projeto, assim o rio que lhe deu o nome artístico.

PROGRAMAÇÃO

QUINTA-FEIRA,  24 DE NOVEMBRO

CANTO DE VÁRZEA (PA) – 20H

TRIO LOBITA (PA) – 21H

SEXTA-FEIRA, 25 DE NOVEMBRO

ALAN GOMES (AP) – 20H

ZÉ PAULO BECKER (RJ) – 21H

DELCLEY MACHADO (PA) – 22H

SÁBADO, 26 DE NOVEMBRO

MICHAEL PIPOQUINHA E PEDRO MARTINS (SP) – 20H

FILÓ MACHADO TRIO (RJ) – 21H

JANE DUBOC E AMAZÔNIA JAZZ BAND – 22H

Serviço

9º Tapajazz, de 24 a 26 de novembro, com apresentações no palco montado em frente à Praça da igreja de Nossa Senhora da Saúde, em Alter do Chão, Santarém – Pa. Patrocínio Equatorial Pa, via Lei Semear, Governo do Pará. 

Maria José na exposição do Prêmio Tomie Ohtake

A artista Maria José Batista participa em São Paulo da abertura da exposição resultante do 8o Prêmio Tomie Ohtake que em 2022 premiou 10 artistas mulheres, selecionadas entre 1.898 inscritas. "Foi uma surpresa - eu não esperava ser selecionada entre tantas artistas inscritas. Sendo o prêmio de uma instituição tão importante como é o Instituto Tomie Ohtake, recebo como uma valorização do que eu faço e da minha trajetória, mulher amazônida e periférica. É também uma oportunidade de mostrar nacionalmente o meu trabalho".

A arte de Maria José é expressão de um olhar atento ao seu redor: "eu olho para o cotidiano da minha cidade, do meu bairro e o entorno. Lanço meu olhar também aos ribeirinhos, que falam de uma Amazônia onde todos nós estamos incluídos", diz a artista, que começou a atuar no campo artístico em 1997 depois de fazer oficinas na então Fundação Curro Velho, com Mestre Nato (1952-2014), e vem participando de exposições e projetos culturais dentro e fora do estado.

Na exposição, também estão obras de Clara Moreira - Recife, PE; Guilhermina Augusti - Rio de Janeiro, RJ; Jasi Pereira - Salvador, BA; Josi - Itamarandiba, MG; Marjô Mizumoto - São Paulo, SP; Panamby - Raposa, MA; Terroristas del Amor - Fortaleza, CE;  Vulcanica Pokaropa - Presidente Bernardes, SP, além de Moara Tupinambá, também de  Belém, como Maria José.

A seleção coube ao júri formado por Aline Albuquerque, Júlia Cavazzini, Horrana de Kássia Santoz, Priscyla Gomes, Renata Bittencourt, Rita Vênus e Sallisa Rosa. Cada artista recebeu a quantia de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para despesas relacionadas à produção e transporte das obras, além de acompanhamento do júri por meio de conversas on-line, visando o enriquecimento e o aperfeiçoamento de suas pesquisas e práticas, evidenciando o caráter formativo da premiação. A oitava edição se completa com a publicação de um catálogo impresso com as obras presentes na mostra.

Realizado desde 2009, o prêmio promove em 2022 uma edição especial voltada exclusivamente a artistas mulheres trans, cis e pessoas não binárias, buscando reconhecer trajetórias e potencialidades, respondendo à falta de visibilidade historicamente conferida a essas produções.

Serviço

8º Prêmio Artes Tomie Ohtake. Em São Paulo, de 19 de novembro até 05 de fevereiro de 2023. Mais informações: https://premioartes.institutotomieohtake.org.br/

18.11.22

Festival de Barcarena deixa de fora artistas locais

O Festival do Abacaxi sempre foi cultuado pelo povo de Barcarena. Mestre Vieira, quando vivo, era atração e levava ao palco, a Guitarrada, gênero musical reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Pará. Este ano, porém, a prefeitura deixou de fora os artistas locais. Indignados, eles tentaram ser recebidos pelo prefeito Renato Ogawa. Não foram atendidos. Em outubro, os músicos chegaram a se manifestar pelas redes sociais e escreveram uma Carta Aberta que não foi publicada na ocasião. Havia esperança de que houvesse mais compromisso para com a cultura local, dentro do "Mega Festival", como destacou, nesta sexta, 18, o caderno encartado no jornal O Liberal.  O blog recebeu a carta e a publica, na íntegra, a seguir: 

CARTA ABERTA AO POVO DE BARCARENA, VISITANTES E IMPRENSA 

Pela 1ª vez em 40 anos, a prefeitura de Barcarena não apresenta os artistas da terra no Festival do Abacaxi. Sem justificativa aparente, a atual gestão da prefeitura de Barcarena, através da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, não incluirá atrações locais na programação do 40º Festival do Abacaxi. É a primeira vez, em 40 anos de festival, que isso está acontecendo. Essa atitude revoltou nós músicos e artistas em geral da terra do criador da Guitarrada, Mestre Vieira.

Todos os anos, desde que o evento foi criado, na década de 1980, com objetivo de incentivar o cultivo do abacaxi nas áreas rurais do município e apresentar aos visitantes toda a arte e cultura local, havia uma agenda de apresentações musicais com os artistas da terra, grupos folclóricos e de danças, mas com o passar dos anos e com o crescimento do festival, os eventos foram mudando de local e formato. 

Vale lembrar que os primeiros eventos foram realizados na frente da cidade e depois passou ao Centro de Exposição Cultural Professora Maria Siqueira, construído no centro de Barcarena, com capacidade de acomodar mais de 10.000 pessoas, e onde todos os cantores e bandas da cidade se apresentavam, inclusive a maior atração da cidade, Mestre Vieira. 

Na administração anterior já começaram a desvincular os artistas locais do palco principal, criando um “Circuito Cultural”, que acontecia uma semana antes do Festival do Abacaxi, e no qual só as bandas locais se apresentavam. Até aí tudo bem, aceitamos, pois de qualquer forma ainda se oportunizou trabalho e visibilidade aos grupos locais. Atualmente, porém, nem uma coisa e nem outra, pois não contrataram nenhuma atração do município de Barcarena para a festa deste ano de 2022. É a primeira vez que isso acontece. 

Por conta disso, uma comissão de músicos foi até a Prefeitura de Barcarena pedir explicações da exclusão da classe artística do município no referido festival, e nos foi informado pelo Chefe de Gabinete, Sr. Paulo César, que encaminhou a situação ao Secretário de Cultura, Sr. José Oscar Vergolino, mas que ao ser procurado por nós, informou que não daria mais tempo de organizar um evento só para contemplar os músicos locais.

Esperaram que a classe se manifestasse para pensar nisso? Fomos pegos de surpresa, pois todos já esperavam pela participação, afinal somos os artistas da terra, mas foi esta a resposta e é esse o valor que essa administração atual da prefeituras dá a uma categoria que se esforça para fazer o melhor, que sempre está a postos para animar as noites em bares, bailes, formaturas, etc.  

Não somos contra a contratação de atrações, que inclusive recebem sempre cachês milionários, sejam elas nacionais e até de fora do país. Queremos e merecemos de ter mais respeito e valorização em nossa própria Terra, a terra do Mestre Vieira, o qual nos deixou o legado da Guitarrada. 

Em 2011, a Guitarrada foi decretada Patrimônio Cultural do Estado do Pará, pela Lei de n° 7.499, reconhecendo a devida importância do ritmo para a cultura do estado. Aqui em Barcarena, onde nasceu o gênero, temos gente de valor e um grande número de bandas de qualidade, com diversos trabalhos realizados e gravados. 

Somos chefes de família que temos a música como ofício e/ou complementação dos nossos rendimentos e nos esforçamos para apresentar o melhor. Fica aqui a nossa indignação e repúdio aos nossos gestores atuais. Esperamos que com esta carta as nossas vozes sejam ouvidas e que a situação seja revertida. 

A cultura é a identidade de um povo. Sem ela, perdemos não apenas nossa identidade, mas nossos valores e princípios.  

Comissão de músicos de Barcarena-Pa, em 24/10/2022

Manifesto Visagento estreia com duas temporadas

Vandiléia Foro estreia "Manifesto Visagento", resultado da conexão entre uma pesquisa de mestrado e outras fabulações artísticas que alimentam as ações poéticas da artista. O espetáculo tem 40 minutos, traz interação com o público e se apresenta por meio de sobreposições de imagens trabalhadas com um pano que vai desdobrando-se em várias figuras. As apresentações serão neste final de semana, dias 19 e 20, na Olaria Mundiar e, no Teatro Waldemar Henrique, de 23 a 25 de novembro, em ambos os espaços sempre às 20h.

“Manifesto Visagento” é um feitiço cênico que parte das sensações causadas pela quedas e desabamentos que todos nós passamos na vida. Essa dança pessoal em que sensações movem o desabamento do corpo/alma em um grito de sufocamento e livramento, deslocando a artista em suas conexões com curandeiras da mata e mães do corpo que banham e lavam a vida, em ato de benzeção. “Nesse espetáculo convido ancestralidades caboclas e danço pela cura do mundo.  É um ato de delírio cênico que move o corpo e o faz ter coragem para enfrentar qualquer queda e a transformá-las em dança”, define a artista.

Vandiléia Foro nasceu em Icoaraci/Belém e tem vivido o teatro desde 1997, quando participou da primeira oficina de teatro e contação de histórias na Biblioteca Pública Municipal Avertano Rocha. A partir daí mergulhou de cabeça no teatro formando-se no curso técnico da Escola de Teatro e Dança da Ufpa. Além do Pará, já participou de trabalhos em Belo Horizonte e São Paulo, experiências que contribuíram para firmar sua trajetória. 

“Hoje busco nas artes da cena, conectar e acoplar as linguagens cênicas que gosto muito como a Dança Butô, a performance, o teatro de formas animadas, a contação de histórias. Minha formação acadêmica também contribui para minhas pesquisas no teatro”, continua ela que também é Licenciada em História, Mestra em Artes, atualmente Doutoranda no Ppgartes UFPA. 

"Manifesto Visagento” também pode ser visto como um desdobramento da pesquisa da artista com o barro e suas memórias. Em 2017, ela apresentou "VerParacuri", para o qual pesquisou o teatro de formas animadas em elação com o artesanato do Paracuri e o barro foi matéria prima do trabalho.  No Manifesto Visagento a relação com o barro vem por conta da artista morar em uma casa antiga construída por barro, onde hoje também existe o espaço cultural Olaria Mundiar.

“É preciso dizer que minha casa passou por uma queda, uma parte da parede caiu e quando ela veio abaixo era muito barro a vista. Esse acontecimento foi disparador para a pesquisa do mestrado e que se  transformou no espetáculo”, explica a atriz, prestes a trazer seu 'Manifesto Visagento" ao público, escolhendo dois espaços significativos em sua vida e que dialogam diretamente com o proprio espetáculo e suas interações.

A Olaria Mundiar tem sido o espaço em que ela tem experimentado fabulações artísticas e é também sua moradia e onde durante a pandemia, o isolamento social disparou seus delírios criativos para essa construção. “Naquele período chegamos a apresentar um experimento cênico chamado “Manifesto Visagento do Mundo”, pelo YouTube. Nesse sentido, este novo “Manifesto Visagento" é um desdobramento disso e penso que a primeira apresentação presencial precisa ser realizada na própria Olaria Mundiar”, explica Vandi. 

Além da Olaria, o espetáculo também será mostrado no Teatro Experimental Waldemar Henrique. “Esse lugar também conversa bastante com o Manifesto Visagento. Desejo desde já criar esse caminho para as outras apresentações. Ter uma trabalho que dialoga com teatros e com espaços culturais independentes como casas, casarões e espaços institucionalizados”, conclui.

O espetáculo conta com uma equipe de diversos profissionais já experientes das artes cênicas paraense, contando com o apoio da equipe do Casarão do Boneco e Tárik Coelho. Na direção, a atriz, pesquisadora e diretora Adriana Cruz, com produção do Produtores Criativos e divulgação do Holofote Virtual – Comunicação Arte Mídia.

Ficha técnica

Direção: Adriana Cruz 

Atriz: Vandiléia Foro 

Fotos e Iluminação: Marckson de Moraes

Operação de luz: Wellington Bruno

Trilha sonora: Cincinato Marques Junior 

Operação de som: ĺtalo Matta

Registro de Imagem: Cincinato Marques Junior 

Cartaz: Vandiléia Foro

Produção: Produtores Criativos / Cris Costa, Fafá Sobrinho, Thiago Ferradaes, Andréa Rocha e Nanan Falcão 

Divulgação: Holofote Virtual – Comunicação Arte Mídia

Agradecimentos: Casarão do Boneco e Tárik Coelho

Serviço

Espetáculo “Manifesto Visagento”. Apresentações: Dias 19 e 20, na Olaria Mundiar (Trav. Gurupá, 178 – Cidade Velha) e de 23 a 25, no Teatro Waldemar Henrique (Praça da República - Campina), sempre às 20h. Ingressos: antecipado R$15,00 , no dia R$ 20,00 (inteira) R$10,00 (meia). Informações: 91 98269-0206 . Mais informações: (91) 98269-0206/ (91) 98134.7719.

2.11.22

Botos cinzas que me encantaram em Mocajuba-Pa

Não é lenda, vou logo avisando! Em Mocajuba, no Pará, tem uma tradição que você não acreditaria se eu não mostrasse aqui, com direito a reels no Instagram. Esses e outros botos cinzas se aproximam cotidianamente do trapiche que fica em um mirante construído especialmente em homenagem a eles, no atual mercado da cidade. De forma dócil, eles interagem com o público e até nadam com as pessoas. Como não se encantar?

Estive no município recentemente e conheci a Luiza Pereira e o Ricardo Calazans que tomam conta e cuidam dessas belezuras. Ela é médica veterinária, coordenadora do Mirante do Boto, trabalha pela prefeitura; e ele é cientista, especialista em cetáceos (ordem de mamíferos aquáticos), pesquisa e escreve sobre estes animais em revistas científicas. 

E tudo isso começou há 52 anos, quando um pescador começou a interagir com uma bota, dando pedaços de peixe para ela. Os filhotes já nasceram próximos e seguiram a tradição da mãe. Aos poucos as crianças também começaram a interagir com eles, quando desciam para lavar a louça do peixe que seus pais vendiam no mercado. 

Foi assim que mais e mais crianças e depois os adultos também foram chegando. E quando viram, todos os dias lá estavam os botinhos na beira do rio, próximos ao mercado antigo, fazendo gracinhas e recebendo pedaços de peixes da população. Em 2013 vieram pesquisadores interessados nos estudos e puderam observá-los bem de perto. A partir de 2017, a prefeitura assumiu a questão e, buscando preservar a saúde dos animais, construiu o Mirante do Boto. 

Ricardo me disse que mesmo vindo à beira receber peixes, nenhum deles perdeu seu instinto de liberdade e seguem caçadores pelo rio Tocantins. E Luíza me explicou que eles também são muito inteligentes e foram percebendo que quanto mais graciosos e brincalhões eles são, mais ganham peixes. Eles são ao todo 17 botos, machos, fêmeas juvenis, filhotes. Todos são monitorados e têm nome e também a atração turística mais adorável da cidade. 

Mocajuba é uma cidade encantadora, também por seus vários recantos, sua beira rio deliciosa e suas praias, além de possuir muita floresta e sítios no entorno, onde é possível se deliciar com manga, bacuri, cupuaçu. A feira, aliás, é farta em frutas, peixes e especiarias. Soube que as férias de julho são animadas por lá. Gostei muito do povo também, alegre e tranquilo. Fica a dica! A distância em linha reta entre Mocajuba e Belém é de 243 km, cerca de 4 horas de viagem.

Siga: @botosdemocajuba

Veja o reels: @holofote_virtual

1.11.22

Memória de Mestre Vieira celebrada em Barcarena

Em 2012 - Gravação do DVD Mestre
Vieira - 50 Anos de Guitarrada.
Foto: Renato Chalú

Joaquim de Lima Vieira teria completado 88 anos, em 29 de outubro. Todos os anos, em Barcarena, mesmo após seu falecimento em 2018,  a data é celebrada. Este ano, porém, o dia caiu na véspera das eleições, por isso a festa será nesta quinta-feira, 3 de novembro, como sempre, realizada em frente à casa Mestre Vieira, a partir das 18h30, com direito a um passeio ciclístico, shows e lançamento de livro sobre a obra e vida do músico. A realização é da Família Vieira e do Fã Clube 100% Barcarenense.

A programação começa fazendo alusão a um hábito que o guitarrista tinha de pedalar pela cidade. Um passeio ciclístico sairá, às 18h30, da frente da casa em que ele viveu, em Barcarena, percorrendo algumas vias, em direção ao Cafezal, de onde retornará ao ponto inicial. A iniciativa da homenagem partiu do Coletivo Pedal Para Todos, que realiza passeios ciclísticos semanais no município. Haverá um carro som tocando músicas de Mestre Vieira e vários participantes usarão camisas floridas, relembrando estilo do artista se vestir para suas apresentações musicais. 

“Mestre Vieira sempre amou andar de bicicleta. Todas as manhãs, ele pegava sua bicicleta e saia para fazer compras na feira e ir outros lugares. Muitas vezes nós queríamos levar ele de carro, mas ele não aceitava. Gostava de pedalar e ir parando e falando com as pessoas, era uma rotina diária de Mestre Vieira”, diz o filho tecladista, Wilson Vieira .

Enquanto segue o passeio, na frente da casa Mestre Vieira (R. Santo Antônio), a partir das 19h, haverá apresentações musicais, que trazem a participação de vários grupos e músicos de Barcarena, além de convidados. Estão confirmados Os Dinâmicos, Waldo Possa, Di Maravilha, Dinho Santos, Essência Marques, WV10, Filhos do Mestre, Jéssica Costa, Nazareno Muniz, Trilha, Saulo Caraveo e DJ Manoel Pressão.

“A gente sabe que essa união de gêneros musicais sempre esteve junto com Mestre Vieira. Em seus discos e CDs, ele gravou bregas, forró, baião, mas tudo convertido para o gênero Guitarrada. E pra gente é uma alegria imensa realizar todos os anos essa festa, junto com vários outros artistas de seguimentos diversos. Isso mostra o respeito e o carinho que todos tinham com Mestre Vieira, e isso só fortalece a nossa cultura e nossa Guitarrada, legado deixado pelo eterno Mestre Vieira”, diz o filho baterista e produtor musical, Waldecir Vieira.

LANÇAMENTO

O Songbook Mestre Vieira
Foto: Gabriel Dietrich

Nesta quinta-feira, 3, dentro da programação dessa festa, vamos também, finalmente lançar o songbook Mestre Vieira em Barcarena, a convite da família Vieira e do Fã Clube 100% Barcarenense. 

Haverá sessão de autógrafos, venda e também faremos doação de exemplares a instituições sociais e de ensino do município para que mais pessoas tenham acesso a sua obra. O livro integra o projeto Inventário Mestre Vieira e traz  informações e registros de sua vida e obra, além de 30 partituras. No site, que também faz parte do projeto, há também fotografias, vídeos e outros materiais, coletados durante os 10 anos em que acompanhei sua trajetória de perto. 

Em 2012, gravamos o DVD Mestre Vieira – 50 Anos de Guitarrada (Lei Semear), com duas noites de apresentações no Theatro da Paz. O grupo Vieira e Seu Conjunto também nos inspirou a realizar uma série de animação intitulada Os Dinâmicos (Prodav-2014/Ancine), em que os músicos se transformam em heróis quando ganham super poderes com os acordes da guitarra de Mestre Vieira. Já o Inventário foi um projeto escrito em 2017 com objetivo de organizar esse acervo. Foi selecionado pelo Rumos Itaú Cultural, resultando no songbook e na repaginação do site. 

Incentivo à cultura da Guitarrada em Barcarena

Banda Filhos do Mestre - Foto: Otávio Henriques

A festa de aniversário do Mestre sempre foi comemorada, mas começou a se tornar tradição mesmo, em 2014, quando em comemoração aos seus 80 anos foi realizado um grande show na frente da cidade.  Depois disso, incentivadas pela família Vieira e pela professora Betinha, então presidente do Fã Clube 100% Mestre Vieira, as celebrações passaram a ser realizadas, todos os anos, na frente da casa de Mestre Vieira. 

Em 2017, a festa voltou a ocupar as ruas. Após o almoço com os amigos e um breve descanso, ele foi levado em carro aberto, novamente até a orla de Barcarena, onde no palco, atrações locais e de Belém se apresentaram para ele e cantaram parabéns. Foi sua última apresentação. Vieira faleceu em 2 de fevereiro de 2018, mas em outubro daquele ano, a tradição continuou, como segue até hoje. 

“É uma grande honra poder continuar esse legado da minha mãe, que foi presidente do Fã Clube de Mestre Vieira, que sempre foi pra gente uma inspiração de música, de alegria e de cultura, porque eles nos representava e continuará sempre nos representando. Nós,  como fã clube, temos uma grande honra de continuar essa festa. Convido a todos para participar dessa festa aqui no município de Barcarena”, diz Martinha Barbosa, filha da prof. Betinha, falecida em 2021, em decorrência da pandemia da Covid-19.

Dia Municipal da Guitarrada e Festival do Abacaxi


Os Dinâmicos - Raízes da Guitarrada, em 2021
Foto: Luciana Medeiros 
Em 2019, por meio de um requerimento do Vereador Laurival Filho, incentivado por pessoas da comunidade, tendo à frente a professora Betinha, a data de 29 de outubro foi decretada Dia Municipal da Guitarrada. O que espera-se com isso? Que sejam promovidas iniciativas de incentivo e fomento à cultura da Guitarrada no município, por meio de políticas públicas.

Por enquanto nenhum movimento em direção a isso, pelo contrário. O 40o Festival do Abacaxi, por exemplo, o evento cultural de maior estrutura realizado pelo município, este ano não vai apresentar nenhum grupo de guitarrada, quebrando outra tradição, pois quando estava vivo a participação de Mestre Vieira, em todos os anos, era obrigatória.  E para espanto maior, não foi só a guitarrada ficará de fora do Festival do Abacaxi deste ano, como não haverá nenhuma atração do município, seja lá que for o estilo musical. 

Músicos e artistas de Barcarena escreveram em suas redes sociais sobre o assunto, revelando a insatisfação da classe artística, indignada com a gestão do prefeito Renato Ogawa na área da cultura. Disseram que em 40 anos é a primeira vez que isso está acontecendo e até agora nenhuma explicação foi dada aos artistas, que justificasse essa espécie de boicote à cultura local, na minha opinião. Este ano, o evento cresceu e deixará de ser realizado no Centro de Exposição Cultural Professora Maria Siqueira, com capacidade para 10 mil pessoas, para ocupar, de 4 a 6 de novembro, só com atrações nacionais, um complexo bem maior, construído no Cafezal. 

LEGADO E RELEVÂNCIA

Mestre Vieira, em 2017 - Forte do Castelo
Foto: Luciana Medeiros

Mestre Vieira gravou 13 LPs, 4 CDs, participou de projetos especiais como Mestres da Guitarrada e Os Dinâmicos, e segue influenciando várias gerações de músicos, em especial, guitarristas. Nascido em Barcarena, em 29 de outubro de 1934, ele foi responsável por criar a Guitarrada. Em 2008, recebeu a Medalha de Honra ao Mérito Cultural, pelo então ministro Gilberto Gil. Em 2011, o gênero musical criado por ele, foi reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Pará (Lei nº 7.499/2011), via PL de autoria do deputado Carlos Bordalo. 

Dada a relevância de sua obra, o mesmo deputado, em 2021, apresentou na Assembleia Legislativa do Pará (ALEPA), uma moção que propõe à Secretaria de Estado e Cultura-SECULT, a criação do Memorial Mestre Vieira na Fundação Cultural do Pará, mas até o momento sem notícias de que esteja em andamento. Mais recentemente, também está tramitando na ALEPA, em Belém, um Projeto de Lei  de autoria da Dep. Dilvanda Faro, que torna a obra de Mestre Vieira Patrimônio Cultural do Pará. O PL (225/2022) está na Comissão de Cultura, aguardando entrar em votação.

Serviço

Sarau Mestre Vieira - Quinta-feira, 3 de novembro, em Barcarena-Pa, a partir das 18h30, com passeio ciclístico - Saída da Casa Memorial Mestre Vieira, na R. Santo Antônio, onde haverá shows, concursos de dança e lançamento do songbook Mestre Vieira, a partir das 19h.

Saiba mais:

www.mestrevieira.com.br (site)

@mestrevieira_guitarrada (Instagram)

@inventariomestrevieira (Facebook)

Aquisição do livro/Songbook Mestre Vieira

(91) 98134.7719

Jovens realizam Maré Mobilizadora pela Amazônia

Fotos: Cojovem
O “Maré Mobilizadora” já impactou mais de 500.000 pessoas durante a jornada de mobilizações no Pará. Com a proposta de mitigar os impactos das mudanças climáticas na região e incentivar o protagonismo das juventudes em causas sociais para a preservação da floresta amazônica e de seus povos, o projeto fortaleceu e formou 17 coletivos de jovens paraenses, alcançando 29 territórios do estado com ações online e offline.

O objetivo é a conscientização da sociedade em prol de seus direitos e do meio ambiente, além da distribuição de mais de 4 mil materiais como cartazes, lambes, cartilhas e informativos por meio de uma jornada formativa que premiou em dinheiro os três grupos que mais se destacaram durante o processo. Todas as mobilizações culminam em uma imersão presencial para desenvolver uma agenda pautada nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) para nortear políticas públicas, projetos e programas construídos por juventudes organizadas.

Concebido pela ONG Cooperação da Juventude Amazônida para o Desenvolvimento Sustentável (COJOVEM) com o apoio do Instituto Clima e Sociedade (ICS) e The Nature Conservancy (TNC), dentro do Programa A Maré tá pras Juventudes, o projeto tem o objetivo de mobilizar as juventudes da Amazônia paraense para agirem em suas localidades, sendo estimulados a debater e comunicar sobre pautas como mudanças climáticas, direitos fundamentais, educação midiática e cidadania, em espaços online e offline, cocriando perspectivas mais resilientes e sustentável para os seus territórios. 

Dessa forma, foram 111 jovens selecionados, passando por 10 formações e diversos desafios que culminaram nos três grupos que mais pontuaram durante a jornada: 1° lugar foi para o coletivo Jovens pelo Futuro Xingu, do município de Altamira, recebendo R$7.000,00; 2° lugar foi para Coletivo Gaya, do município de Limoeiro do Ajuru, recebendo R$5.000,00; e o 3° lugar foi para o Cursinho Popular Marielle Franco, do município de Castanhal, recebendo R$3.000,00.

Para Kenai, jovem ativista integrante do coletivo Jovens pelo Futuro Xingu, participar da Maré Mobilizadora foi uma vivência transformadora dentro do seu trabalho com o ativismo: “Foi uma experiência única, uma experiência de cooperação. Já participei de outros programas e grandes formações de acompanhamento, mas nada foi como o Maré nesse sentido de estar cooperando diariamente, fazendo conexões e tratando diretamente sobre o nosso território, focado nas especificidades de cada um deles”.

E complementa: “O mais desafiador foi construir o dia das juventudes e o dia das Amazônias, porque exigiu uma articulação e liderança para além do escritório, do logístico, administrativo, para essa parte de engajar mesmo as pessoas, que muitas vezes não temos oportunidade de falar aqui no município [Altamira], por não existirem esses espaços. Então, a gente estar lá ajudando a construir esses espaços para as pessoas se expressarem, foi muito bonito! Ver a forma como as pessoas foram impactadas pelas ações e também estar nesse papel de puxar essa onda de transformação me animou muito!”  

Além das premiações em grupo, 14 juventudes que se destacaram individualmente durante a Maré Mobilizadora foram convidadas a assumirem o título de Embaixadores da Cooperação da Juventude Amazônida para o Desenvolvimento Sustentável e a participarem da cocriação de uma agenda de mitigação dos impactos da crise climática nas juventudes do Estado do Pará

Após a enchente da maré, vem o “Rebujo”, a matéria que está nas profundezas dos rios, misturada, amorfa, diversa e que vêm à superfície com efervescência devido ao movimento dos peixes. Essa movimentação vem da juventude unida e organizada para a construção de uma agenda de diretrizes e proposições para políticas públicas, projetos e programas que mitiguem os impactos das mudanças climáticas nas juventudes paraenses.

Com esta premissa, nasceu o Rebujo da Maré, um projeto de pesquisa e levantamento de informações sobre o cenário de políticas públicas e demais oportunidades para participação cidadã das juventudes no Estado do Pará, objetivando a construção de uma agenda sociopolítica propositiva das juventudes para materializar a mudança que querem ver nos seus territórios. Até o momento, as formações e ações propostas no Maré Mobilizadora obtiveram resultados muito positivos, se fundo a coordenadora do projeto. Ela diz que "o advento da COVID-19, somado a todo o processo de ausências de oportunidades para as juventudes, muitos jovens ficaram inertes e desacreditados das possibilidades de mudança de suas realidades". 

Ela também informa que logo perceberam que as formações seriam importantes para o processo de conscientização. "Conscientizá-los acerca do cenário de vulnerabilidade socioambiental o qual nós, povos da Amazônia paraense vivemos, foi super importante pra gente ecoar nossas narrativas em espaços que muitas vezes as desvirtuam. Esses resultados desaguam no Rebujo, onde através de metodologias participativas iremos cocriar uma agenda com diretrizes para políticas públicas, projetos, programas e editais que busquem mitigar as  vulnerabilidades sociais, econômicas, culturais e ambientais nas juventudes paraenses”, afirma Karla Giovanna Braga, Coordenadora de Projetos e Sustentabilidade da COJOVEM.

Serviço

Siga a @maretaprasjuventudes e a @cojovem.br nas redes para ficar por dentro das movimentações das juventudes paraenses

Conheça os coletivos premiados: 

1) @jovenspelofuturoxingu 

2)  @mobilizagaya

3) @c.pmarielle 

(Holofote Virtual com Na Cuia Produtora Cultural)

Coleções Científicas em debate no Museu Goeldi

Foto: Paula Sampaio
Pesquisadores de vários lugares do país estarão em Belém de 7 a 11 de novembro, para o Simpósio “Coleções Científicas e a Construção do Conhecimento”, a ser realizado no Campus de Pesquisa do Museu Goeldi, em Belém. 

Ao ouvir falar de uma coleção, geralmente pensamos num conjunto de objetos que são preciosos para alguém. Seja por sua raridade, seja pelo valor afetivo de suas peças. No caso das coleções científicas, o maior tesouro são as informações. Seu foco é não apenas preservar objetos, espécimes e documentos, mas gerar dados para pesquisas e garantir que o conhecimento circule no presente e no futuro. 

O Simpósio vai debater como as coleções científicas atuam na salvaguarda da herança natural e sociocultural do planeta e também como servem de base para a construção do conhecimento, seja na pesquisa básica ou na inovação. E também sobre seu uso por outras comunidades além dos cientistas: em processos culturais e identitários, em exposições e atividades de divulgação, no auxílio à formulação de políticas públicas, na gestão ambiental e territorial e nas tomadas de decisão acerca da diversidade biológica ou sociocultural.

Estarão presentes representantes de museus, centros de pesquisa, universidades, pesquisadores indígenas e instituições que possuem os maiores acervos de fauna e flora do país, além de importantes acervos arquivísticos, com papel importante na pesquisa e inovação sobre biodiversidade e conhecimentos socioculturais. 

A organização é do Museu Goeldi em colaboração com o Museu de Astronomia e Ciências Afins – MAST (RJ), Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA (AM) e Instituto Nacional do Semiárido - INSA (PB). O coordenador geral é o pesquisador do Museu Goeldi Cleverson Rannieri Santos. A Comissão Executiva é composta por pesquisadores de seis instituições.

Acervos para estudos e pesquisas científicas

Foto: Uriel Pinho

Uma coleção científica é um acervo que registra qualquer tipo de item com finalidade de estudá-lo cientificamente. Esses itens podem ser naturais, bióticos (como plantas, animais...) e abióticos (como os minerais), e também socioculturais (como peças artísticas e históricas) e arquivísticos (como fotos e documentos). Esses registros são devidamente tratados, conservados e documentados, de acordo com procedimentos e normas específicas a cada tipo de coleção. O objetivo é garantir a integridade, segurança e acessibilidade de forma perene a cada peça, registro ou testemunho.

Cleverson Santos explica que uma coleção científica “serve com uma fonte básica para os mais diversos tipos de pesquisas, sejam elas primárias, como para levantamentos de fauna ou flora, ou até mesmo de inovação quando utilizada para indústria farmacêutica por exemplo. Nestas coleções encontramos os mais diversos tipos de dados que podem compor relatórios, estudos, artigos e outros documentos que sirvam desde a formação de recursos humanos até orientar políticas públicas”.

O Museu Goeldi, sede do Simpósio “Coleções Científicas e a Construção do Conhecimento”, é uma instituição científica de referência, detentora de grandes coleções no Brasil. São 19 coleções científicas com foco na Amazônia, englobando diferentes áreas do conhecimento nas Ciências Naturais e Humanas, e que possuem mais de 4,5 milhões de itens tombados, resultado de um trabalho de coleta e pesquisa que se iniciou no século XIX e continua no presente, agregando novas tecnologias e metodologias de análise e compartilhamento com diferentes públicos.

“Estes acervos não são meramente depósitos de informação, são extremamente dinâmicos e englobam um processo: o de transformar e construir conhecimentos. Assim, são importantes não somente para a conservação, desenvolvimento e uso adequado de recursos na Amazônia, mas para o futuro de toda a humanidade” aponta Cleverson Rannieri.

PROGRAMAÇÃO

O evento, de caráter nacional, contará com 02 conferências, 10 mesas redondas e 03 workshops técnicos sobre conservação, segurança e gestão de dados e acervos, abordando áreas tão variadas quanto as Engenharias, a Etnografia, a Linguística, a Arqueologia, os Arquivos, a Saúde, e diferentes áreas da Biologia e da Inovação. Haverá ainda uma exposição sobre as coleções de algumas das mais importantes instituições científicas do Brasil: o Museu Paraense Emílio Goeldi, o Instituto Nacional do Semiárido, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, o Museu Nacional do Rio de Janeiro e a Fundação Oswaldo Cruz.

Inscrições gratuitas e online: aqui.

Fonte: Agência Museu Goledi,
Texto: Uriel Pinho 
Edição: Joice Santos