10.4.12

Concurso premiará projetos de curtas de animação

A Rede Cultura de Comunicação, em parceria com o Instituto de Artes do Pará (IAP), lança na nesta terça-feira, dia 10, o I Concurso de Apoio à Produção de Curta-Metragem de Animação para Interprogramas da TV Cultura e Portal Cultura. 

Além de estimular a realização de curtas de animação, o concurso tem o objetivo de fomentar o debate, a produção e a teledifusão de obras de audiovisual de animação inéditas de realizadores independentes do Pará. 

Serão selecionados cinco projetos, cada um com três propostas inéditas de curtas, dentro dos seguintes temas: Meio ambiente (água, lixo, preservação da natureza), Cultura de Paz, Tolerância (racial, religiosa, sexual), Memória (patrimônio público ou personalidades da cultura paraense), Amazônia e Infância/Adolescência. Cada animação deverá ter um minuto de duração.

Cada projeto contemplado receberá R$ 18 mil (dezoito mil reais) e os curtas serão lançados durante a XVI Feira Pan-Amazônica do Livro e exibidos na grade de programação da TV Cultura e também no Portal Cultura. Podem participar autores/realizadores residentes e domiciliados no Pará com no mínimo dois anos de permanência. 

Para os interessados em participar, será realizada uma oficina, na sede do IAP, de 4 a 6 de maio, com a presença de dois realizadores de renome nacional, que falarão sobre a produção de séries animadas para TV e sobre mercado nacional e internacional de animação. O edital estará disponível na íntegra nos sites www.portalcultura.com.br e www.iap.pa.gov.br

As inscrições podem ser realizadas até dia 23 de maio, através dos Correios ou pessoalmente, na sede da TV Cultura (Av. Almirante Barroso, 735, Bairro do Marco – CEP: 66093-020), no horário de 9h ao meio-dia e de 14h às 17h. 

9.4.12

Cinema paraense no Festival de Cannes outra vez

Uma das locações - Ladeira do Castelo - Feira do Açaí
“Juliana contra o jambeiro do diabo pelo coração de João Batista”, direção de Roger Elarrat, foi selecionado para o festival, que acontecerá em maio, na França. Com duração de 21 minutos, ele não estará na mostra competitiva, mas na paralela Shortfilm Corner. 


No Festival de Cannes, a curta-metragem é representada pela Competição, no final da qual o júri das curtas-metragens entrega uma Palma de Ouro, e pelo Short Film Corner, um espaço profissional dedicado aos encontros, aos intercâmbios e à promoção dos filmes.

"Cannes Curta-metragem” reúne estas duas entidades numa dinâmica complementar de modo a oferecer um panorama completo da criação mundial em formato curto e a estimular a criatividade dos seus protagonistas, reunindo-os em torno de workshops e conferências num espaço dedicado no Palácio dos Festivais.


A notícia chegou para Roger nesta segunda-feira, 09 de abril, por email. “Mandaram convite pra dois membros, passe livre!”, disse ele ao Holofote Virtual. Nada mal para começar a semana, heim!
Sim, Cannes seleciona mais um filme da produção de cinema paraense. Em 2001, apenas um curta-metragem brasileiro representou o país em uma das prestigiadas mostras de Cannes e foi um dos nossos, “As Mulheres Choradeiras” (Jorane Castro), exibido como parte da Quinzena dos Realizadores. Agora, mais uma vez, estaremos lá.

“Juliana contra o Jambeiro do Diabo pelo Coração de João Batista” foi realizado no ano passado, em Belém e arredores. Trouxe elenco e ficha técnica, profissionais que atuam em Belém e têm dado maior expressão à sétima arte produzida aqui. 

Roger dirigindo Henrique da Paz, em Miguel Miguel
É o terceiro trabalho em curta metragem do diretor, depois de “Vernissage”, um vídeo experimental, e “Visagem”, animação em stop motion. Na carreira, Roger traz, ainda, o documentário “Chupa-Chupa: a história que veio do céu”, e a minissérie “Miguel Miguel”, baseada na obra do escritor paraense Haroldo Maranhão. 

O curta, que vai à França, acabou de ficar pronto e tem 21 minutos. “Pô, fiquei muito feliz mesmo e surpreso, não sabia se ia passar”, diz ele que pretende lança-lo em Belém no mês de agosto e será inscrito em outros festivais do país.

Aos 31 anos, ele diz que prepara o primeiro longa metragem, mas não revela muito ainda sobre o projeto, que tem uma estrada extensa ainda pela frente até que se concretize. Mas a boa noticia é que ele já tem um longa só que ele nasceu como uma minissérie. É “Miguel Miguel”, que até agora só foi exibido ao público em capítulos. “Vamos lançar a versão em longa na semana de aniversário do Olympia, dentro de uma Mostra da TV Cultura do Pará”. A programação acontecerá na semana que vem, comemorando os 100 anos do Cinema mais antigo do Brasil em funcionamento ininterrupto. 

Roger Elarrat é de Belém, onde fez Comunicação Social, em jornalismo, e já tem alguns anos de docência. O trabalho com audiovisual vem desde 2000, quando fez assistência de direção do vídeo “Matinta Pereira”, de Jorge Vidal. Atualmente, paralelo aos projetos pessoais, ele trabalha como assessor especial da presidência da Funtelpa, coordenando novos projetos da emissora. “Criamos pilotos, oriento equipes e já dirigi um monte de coisas lá, como vinhetas de abertura de programas. Dirigi o institucional da TV 2012 e dirijo o Serenata Dum Dum”. 

Leoci Medeiros, em uma das cenas gravadas em Belém
É festa - “Juliana contra o jambeiro do diabo pelo coração de João Batista” é um roteiro de Roger e de Adriano Barroso, tem produção executiva de Camila Kzan, coordenação de produção de Teo Mesquita, direção de fotografia de Emerson Bueno, direção de arte de Boris Kenz, trilha sonora de Leonardo Venturieri, arte gráfica de Otoniel Oliveira, som direto de Márcio Câmara. 

No elenco, Leoci Medeiros, Geisa Barra, Nani Tavares, Tiago Assis e André Luiz Miranda. Esse pessoal acaba de ganhar motivo pra passar a semana toda comemorando. Veja mais detalhes da ficha técnica e outras curiosidades sobre o projeto, no blog do filme.

Vladimir Herzog e o espaço cultural on line no IAP

O Instituto de Artes do Pará traz hoje uma sessão especial em homenagem ao Dia do Jornalista, comemorado na semana passada, no dia 07. Na programação, será exibido o documentário “Vlado 30 anos Depois”, de Mônica Teixeira, lançado em 2005, quando se completaram três décadas desde que o jornalista, então diretor de jornalismo da TV Cultura de São Paulo, saiu de casa para nunca mais voltar. Em seguida será aberta uma mesa para discutir o espaço para a cultura no jornalismo on line. Tudo isso nesta segunda-feira, 09 de abril, a partir das 19h, com entrada franca. O IAP fica na Praça Justo Chermont, ao lado da Basílica de Nazaré. 

Herzog foi jornalista, professor, dramaturgo. Tinha outras paixões como a fotografia e o cinema. Nasceu Vlado, mas passou a assinar "Vladimir", pois achava seu nome muito exótico para nós, dos trópicos. Ele nasceu no extinto Reino da Iugoslávia. No Brasil, casado com a publicitária Clarice Herzog, tornou-se referência na luta pela democracia no Brasil, após 1964. Foi militante do Partido Comunista Brasileiro. Acabou torturado até a morte. 

Naquele dia 25 de outubro, de 1975, Herzog ficou horas prezo no DOI-CODI, junto a outros companheiros de profissão, mas imaginou que seria ouvido e responderia sobre a suspeita de pertencer ao PCB e em seguida voltaria para casa. Ledo engano. No início da noite daquele mesmo dia o comando do então II Exército anunciou que Herzog, na verdade assassinado, se enforcara em uma das celas. É esta a triste história contada no documentário, que tem como intenção fazer com que ela nunca seja esquecida e nem se repita. 

O debate que segue após o filme certamente iniciará com comentários sobre este fato horrendo de nossa história política e seguirá com um bate papo sobre o espaço para a cultura nos meios virtuais, debate para o qual fui convidada, como representante do Holofote Virtual, e agradeço pelo reconhecimento, mas para o qual não poderei ir por estar fora de Belém. 

No entanto, como é óbvio, o tema que me interessa. Depois de iniciar uma trajetória no jornalismo cultural, nos primórdios década de 1990, como repórter e depois editora do ex-Caderno D, hoje Você, no Diário do Pará, tive o prazer de fazer parte do programa Cultura Pai D’égua, na Tv Cultura do Pará, entre 2003 e 2008. E foi com minha saída da TV Cultura no final daquele ano,aliás, que resolvi fazer o Holofote Virtual. 

O crescimento da produção cultural da cidade e a maior atenção do público à informação cultural foram incentivos suficientes para isso, e mais, pois sempre acreditei que através da cultura pode se transformar as condições e as relações humanas. Além disso, meu interesse pessoal por tudo que é ligado à arte e meu envolvimento com o movimento cultural da cidade de Belém determinaram em muito esta quase obcessão que possuo em manter o blog atualizado e como fonte de conteúdos inéditos para a grande rede, tentando dar mais voz aos artistas independentes sejam eles da cultura popular, contemporânea, experimental ou já estabelecidos no mercado. A ideia é que muito em breve ele se amplie, alcançando também a produçãocultural nos outros municípiosdeste imenso Pará.

O jornalismo cultural on line tem ajudado a reverter situações pendentes no jornalismo cultural impresso, à revelia dos profissionais que nele atuam e que sabem muito bem que nosso foco não se limita à produção diária do que está em cartaz ou vai estrear na semana que vem, embora isso seja de enorme interesse dos consumidores da notícia cultural. 

É mais que isso, é uma responsabilidade social, que informa e também forma opinião. E o surgimento de sites culturais que começam a absolver mão de obra especializada vem também atraindo o interesse de jovens jornalistas com o desejo de atuar nesta área, sempre muito desvalorizada dentro das redações do jornalismo seja ele impresso, televiso ou mesmo radiofônico, com raras exceções, diga-se.

Há muitas diferenças entre o que limita o cultural no jornalismo impresso e de web. No primeiro, o espaço precisa ser dividido com publicidade, aquela que “paga” os jornalistas e sempre ganha de nossos textos e fotos. Na internet, aqueles tendem a ser curtos, mas é uma regra que não precisa ser seguida por todos. Não é, na maioria das vezes, pelo Holofote, como vocês já devem ter percebido. 

O jornalismo on line, de forma geral, também deu voz ao público, que deixa de ser um mero leitor da notícia, abrindo-lhe a chance de “colaborador". Percebendo isso, os impressos também abrem esta frente quando inauguram suas versões on line. Mas foram os blogs, hoje cada vez mais profissionais, e as redes sociais, que se tornaram as principais fontes de informação cultural, abrindo margem para a criatividade e conquistando, muitas vezes, aquele leitor mais exigente, que deseja fugir do convencional, desde que conduzidos com ética, sempre ela, não esqueçam. 

A discussão desta noite no IAP ganha maior importância por colocar em pauta a construção e os caminhos emergentes tomados para o uso da linguagem cultural na web, com seus hipertextos e diante das suas diversas formas interativas. O hibridismo cultural, a apropriação social dessas novas tecnologias, tudo isso conta e só a partir desses entendimentos, é que poderemos unir a realidade ao caráter conceitual reconhecido no espaço on line. Parabéns a todos os jornalistas, sejam eles da área cultural ou não, em especial à Lúcio Flávio Pinto, e ao IAP, por trazer à tona esta discussão. Tentarei acompanhar à distância.

5.4.12

Cia Moderno completa dez anos dançando Belém

Para comemorar a primeira década desta trajetória, a companhia apresenta o espetáculo “Lírica Morada”, que estreia no Theatro da Paz, no dia 19 de abril, e já tem agendadas apresentações no Rio de Janeiro e turnê por cinco cidades da Amazônia Legal, como premiação pelo Ministério da Cultura. 

Trazendo temas regionais ou a abordagem do “específico” que os temas universais assumem em Belém, o espetáculo “Lírica Morada” surge a partir do poema “Pare ler como quem anda nas ruas”, de João de Jesus Paes Loureiro.

O poeta já tem história ao lado da companhia – orientou a dissertação de mestrado da diretora artística da Cia, Ana Flávia Mendes e inspirou, com suas obras carnavalescas, o espetáculo “Serpentinas e Poesia”, de 2010. 

“Mais que representar as nossas ruas de pedras na Cidade Velha, as fachadas de antigos casarões ou a plasticidade do Ver-o-Peso, tentamos observar a cidade como se fôssemos suas próprias ruas, as paredes dos prédios ou os galhos centenários das mangueiras”, explica Ana Flávia. 

Além de 14 bailarinos, "Lírica Morada" tem a participação de cinco músicos, da figurinista Cláudia Palheta, dos iluminadores Sônia Lopes e Tarik Coelho, do diretor executivo Gláucio Sapucahy e do dramaturgo Saulo Sisnando. 

“O espetáculo fala sobre nós, sobre amar, viver, morrer, sofrer e ser feliz em Belém: amamos esta cidade. E não estamos aqui porque somos prisioneiros... Estamos aqui porque queremos estar aqui. Porque somos felizes em Belém. Porque amamos nossos amores aqui, porque perdemos nossos pais aqui, porque estudamos aqui, porque nos divorciamos aqui. Porque é aqui que somos isso que somos”, acrescenta o dramaturgo Saulo Sisnando.

Temas que identificam culturalmente o Pará, avanço estético-pessoal. A Cia vive um momento especial de reflexões e concepções cênicas. “Até pouco tempo, perseguimos obsessivamente o desejo de ter uma dança autoral, direcionando a investigação sobre imanências com vistas a implementar um vocabulário de movimentos próprio”, diz Ana Flávia. 

“Acredito que agora estejamos em outra fase, na qual já não importa tanto o vocabulário de movimentos, mas sim o nosso desejo de compreender quem somos, em que lugar estamos e o que nos faz ser Companhia. Essa busca acabou nos aproximando de forma mais evidente das nossas próprias vidas”, complementa a diretora. 

Além das montagens , a companhia vem atuando também em projetos como o Festival Escolar de Dança do Pará (Fedap) e o Aluno-Bailarino-Cidadão, que atende cerca de 50 estudantes das redes públicas com aulas de dança e acompanhamento psicológico e pedagógico. 

“Nada é fácil, nada veio fácil. Não somos somente artistas da cena que desejam estar no palco sob luzes e aplausos. Temos um comprometimento social com a cidade. É importante difundir nosso trabalho, mas o que desejamos de fato é que Belém seja melhor, por isso estudamos e trabalhamos tanto”, resume Ana. 

Serviço 
“Lírica Morada” - dias 19, 20 e 21 de abril, sempre às 20h30. Venda de ingressos na bilheteria do Theatro da Paz. Mais informações: 91 8146.3039 / 3222.7879.

4.4.12

"Pro ensaio Geral" em temporada na Casa da Atriz

A montagem é do grupo BAI - Bando de Atores Independentes - e conta a história de Científica, mãe de Divina, uma transexualque deseja realizar um grande sonho, ser atirz e montar um grande espetaculo.A temporada começa  nesta quinta-feira, 05, e vai até dia 22 de abril, sempre de quinta domingo, às 20h.

Divina perdeu o pai aos seis anos de idade e foi criada pela mãe, que precisou lutar sozinha ao lado da filha, hoje, uma artista da noite, ela faz dublagens de grandes divas da música. Mas não é isso que a faz feliz, pois seu desejo é produzir uma peça teatral. Divina vai em busca  desse sonho. “Pro Ensaio Geral” aborda este momento da vida das duas,  cujo ápice será a estreia do espetáculo montado por Divina. 

"O enredo, aparentemente cotidiano, esconde os mistérios da vida, as relações humanas e como elas se desenvolvem, as disputas de poder no seio familiar, os sonhos de pessoas aparentemente comuns que trazem em si a alma do artista". 

|Ficha técnica|

Direção: Vandiléia Foro 
Dramaturgia: Maurício Franco e Sandra Perlin 
Elenco: Maurício Franco, Malu Rabelo e Sandra Perlin 
Figurino: Maurício Franco 
Iluminação: Malu Rabelo 
Sonoplastia: O bando 
Operação de sonoplastia: Vandiléia Foro / Rafael Couto 
Consultoria de Produção: Produtores Criativos Produção: Rafael Couto 

|Serviço|
Temporada:  5a a domingo, às 20h – até 22 de Abril de 2012. Na Casa da Atriz (Oliveira Belo, 95 - entre Generalíssimo Deodoro e Dom Romualdo de Seixas). Ingressos: R$ 15,00 e R$ 8,00. Venda antecipada para os dias 08, 12, 15, 19, 22, 26 e 29 de abril - R$ 10 e R$ 5 Informações: 91 8701.3909 / 8156.9636.

2.4.12

Intervenção urbana reflete a ditadura em Belém

Há quarenta e oito anos a cidade Belém também sofria as consequências do golpe militar iniciado em Minas Gerais. O General Ramagem, Chefe do Comando Militar da Amazônia na época, ordenou a prisão de centenas de políticos, estudantes e trabalhadores a partir do dia primeiro de abril de 1964. 

Os presos foram levados para diversos pontos de Belém que hoje estão desativados ou tem finalidade completamente diferente, como é o exemplo da Casa das Onze Janelas, que atualmente é ponto turístico da capital. Esse quadro de violência e censura caiu no esquecimento. 

Para alertar sobre o grave processo político estabelecido pós-64, o historiador e fotógrafo Michel Pinho interviu no espaço urbano, identificando com placas, que imitam sinalização de trânsito, os locais onde as prisões e torturas eram executadas. 

A escolha do 1º de abril, Dia da Mentira, não foi por brincadeira, ela é a data verdadeira do aniversário de 48 anos do golpe. Sua intervenção foi um grito em protesto contra o terror dos assassinos e torturadores da ditadura em Belém, e buscou alertar para o caráter ditatorial e ilegal do regime implantado no país inteiro. 

“Não podemos e nem devemos esquecer, a democracia brasileira é uma conquista recente. Os crimes que os agentes do Estado cometeram como estupro, sequestros seguidos de morte e ocultação de cadáveres são hediondos. A anistia foi promulgada em 1979 pelo general Figueiredo e impede a prisão desses homens. Temos que rever essa decisão”, sentencia Michel. 

Embora o registro fotográfico tenha se limitado apenas a lugares mais conhecidos como a Casa das Onze Janelas, Largo da Trindade, Casa do Estudante Universitário do Pará, além das avenidas Nazaré e José Malcher, os centros de tortura e prisão na capital paraense foram mais numerosos. 

Até hoje não há a versão correta da história e da natureza ditatorial do regime de 1964, seu caráter ilegal e inconstitucional pouco são mencionados, e sua atuação em Belém pouco foi refletida ou questionada nesses 48 anos completados.

“A intenção é motivar que os leitores da ação busquem informações, perguntem sobre o silêncio ensurdecedor sobre a ditadura em Belém do Pará.” finaliza o historiador. A intervenção foi registrada e parte das fotografias pode ser vistas no endereço: http://www.michelpinho.com.br/territorio-do-medo-a-ditadura-militar-em-belem/

(com informações de Deborah Cabral)

Mini curso aborda a história do livro fotográfico

O mini-curso de Joaquim Marçal “Uma Introdução à História do Livro Fotográfico” inicia hoje às 18h, no Instituto de Artes do pará, dando continuidade à programação do III Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia. Ainda dá tempo de se inscrever. É gratuito. Acesse a ficha de inscrição no site do evento.

O mini-curso vai abordar as origens do livro fotográfico no exterior e no Brasil, e a utilização de originais fotográficos, de ‘cópias fiéis’ e a introdução dos processos de reprodução fotomecânica. A trajetória do livro fotográfico, os distintos gêneros e o estado da arte. 

Joaquim Marçal Ferreira de Andrade é mestre em design pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e doutorando em história social na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Pesquisador da Divisão de Iconografia da Biblioteca Nacional, é também professor de fotografia no departamento de Artes & Design e no curso de arquitetura e urbanismo da PUC-Rio, além de lecionar na grade de especialização em fotografia da Universidade Candido Mendes.

É autor de História da fotorreportagem no Brasil: A fotografia na imprensa do Rio de Janeiro de 1839 a 1900 (Campus, 2003), que mostra os principais aspectos técnicos da foto, sem se prender apenas no Rio de Janeiro. “O jornalismo fotográfico, devido ao enorme alcança das publicações que o utilizam, exerce maior influência sobre o pensamento e a opinião pública do que qualquer outro ramo da fotografia”, diz W. Eugen Smith, em frase citada no livro.

Na introdução o autor conta que poucos anos após a sua descoberta e rápida disseminação, a fotografia já se fazia presente nas páginas de muitos jornais ilustrados estrangeiros. O tempo passou, o fenômeno alcançou a imprensa brasileira. No entanto, ter uma fotografia significava ter a mediação de mão do artista ou artesão. 

O conteúdo deste livro tem importância não só para repórteres fotográficos, mas para quem gosta de apreciar a fotografia como um todo. A obra é divida em cinco capítulos que tratam a fotografia e a imprensa ilustrada brasileira no século XIX, além de comentar o design da página impressa: os processos de criação das imagens, a paginação e a impressão, a fotografia na imprensa ilustrada do Rio de Janeiro, 1839-1879, a fotorreportagem e as novas conquistas da imprensa ilustrada com fotografias, na Europa e nos Estados Unidos, além da imprensa carioca. 

A publicação da editora Campus, lançada em 2004 (281 páginas) resgata a história da fotografia que com o avanço da tecnologia perde cada vez mais a credibilidade. Este livro dá a oportunidade de voltar ao passado e reviver os fatos que já fizeram história. 

Serviço
Inscrições abertas para o mini-curso "Uma introdução à história do livro fotográfico", ministrado por Joaquim Marçal (RJ), no Instituto de Artes do Pará - Pça. Justo Chermont, ao lado da Basílica de Nazaré -, das 18h às 21h. Acesse a ficha de inscrição pelo site http://www.diariocontemporaneo.com.br

1.4.12

Arte e educação para comunidades paraenses

Por Jecyone Pinheiro
 
Assimilar noções de cidadania e respeito de forma lúdica e fazer do aprendizado e conscientização uma brincadeira pra lá de séria faz do teatro uma ferramenta muito feliz na hora de preparar novos cidadãos. 

Na semana em que se comemora o Dia Mundial do Teatro, a experiência da ONG Rádio Margarida, que há 20 anos trabalha o teatro como arte-educação em Belém do Pará, é a prova de que se pode aprender brincando e que a diversão é uma ótima fonte de inspiração na hora de se transmitir valores sólidos.

 “Trabalhamos em três vertentes: o teatro com atores, de bonecos e o clown”, diz José Arnaud, coordenador da ONG Rádio Margarida. No teatro, o clown é o palhaço, mas não aquele modelo clássico de palhaço que se vê em circo. Um clown no teatro é basicamente: o próprio ator de forma "exagerada".

Arnaud conta que o teatro é utilizado no trabalho de educação popular assim como outras linguagens onde as informações que se quer transmitir são repassadas para o público dentro de um determinado contexto.

“Utilizamos essa ferramenta tanto em projetos maiores, como o de educação fiscal que fizemos em parceria com o governo do estado em que íamos às escolas apresentando o espetáculo e falando sobre as varias vertentes da educação fiscal - como em projetos para adultos, a exemplo do aleitamento materno e a prevenção à dengue”, lembra Arnaud, ao ressaltar que a escolha da vertente teatral depende do público que se quer atingir. “O que muda é a abordagem do assunto.

Ao contrário do que se pensa, o adulto acaba aproveitando o teatro de bonecos ao assimilar a mensagem a ser transmitida”. Eugênia Melo, coordenadora de Projetos da ONG, explica que o teatro de bonecos possibilita conversar, dialogar, transmitir informações que são muito difíceis de serem trabalhadas com crianças. “É o caso de violência sexual, que temos um espetáculo - Lenda de Sombra e Luz, no qual os personagens das lendas amazônicas interagem com as crianças e adolescentes, transmitindo informações mais lúdicas e sensibilizando a plateia para a temática".

O trabalho teatral da Rádio Margarida já foi apresentado para públicos diversos desde comunidades ribeirinhas ou que vivem às margens das estradas. “Realizamos um trabalho interessante onde os personagens e palhaços visitavam as casas das pessoas numa espécie de teatro ambulante, foi bem legal porque as pessoas ficam mais abertas para conversar, uma vez que o palhaço quebra o gelo e facilita o diálogo”, finaliza Arnaud ao destacar que essa troca de informações com a comunidade através do personagem facilita a interação.

Rádio Margarida - O Centro Artístico Cultural Belém Amazônia, mais conhecido como Rádio Margarida, foi criada em julho de 1991 e trabalha com a educação popular. As ações da ONG são voltadas para o atendimento das necessidades humanas, principalmente de crianças e adolescentes. 

A Rádio Margarida tem como missão irradiar arte, cultura e educação popular para a melhoria da qualidade de vida na Amazônia. A ONG utiliza o método de educação popular Rádio/Ação que envolve linguagens artísticas e meios de comunicação para uma ação transformadora.

“Assim, a ONG realiza projetos, campanhas, eventos e pesquisas voltadas para a educação, saúde, meio ambiente, cidadania, arte, cultura e comunicação social”, explica Eugênia Melo, coordenadora de projetos da ONG Rádio Margarida.

Entre as ferramentas educativas utilizadas, estão peças teatrais, vídeos, músicas, radionovelas e spots, que são finalizados em dvd, cd, cd-room, livros, entre outros. A sede da Rádio Margarida fica em Belém do Pará, mas suas atividades atingem várias regiões da Amazônia e de outros estados brasileiros, tanto em ações diretas com o público, como também, por meio de produções educativas. A ONG já recebeu premiações nacionais e internacionais. Um reconhecimento as suas iniciativas e projetos realizados, principalmente, em defesa dos direitos da criança e do adolescente.

Serviço
ONG Rádio Margarida. Avenida Governador José Malcher, 189 – Nazaré – Belém, PA. Fone: (91) 3212 2496.

30.3.12

Patrícia Gouvêa lança livro no Café Fotográfico

Fundadora do Ateliê da Imagem Espaço Cultural, no bairro da Urca, no Rio de Janeiro, Patrícia Gouvêa está em Belém, participando do III Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia, para o qual foi selecionada. Aproveitando sua passagem pela cidade, ela lança, nesta sexta-feira, 30, no primeiro Café Fotográfico do ano, evento promovido pela Fotoativa, o livro “Membranas de Luz”, a partir das 18h, no Instituto de Artes do Pará. Não perca. A entrada é franca. 

"Membranas de Luz: os tempos na imagem contemporânea" é fruto da pesquisa de mestrado em Comunicação e Cultura pela ECO/UFRJ da fotógrafa, com orientação de Katia Maciel, artista, professora da UFRJ e pesquisadora do CNPq. “O livro saiu ano passado no Rio pela Azougue Editorial, editora dirigida por Sergio Cohn, que vem fazendo um excelente trabalho de pesquisa e publicações na área de cultura e pensamento. 

O conceito de TEMPO e seus múltiplos desdobramentos e experiências constitui um eixo na minha pesquisa com fotografia e outros suportes”, explica. O bate papo com a autora será norteado por este conceito que, de acordo com a resenha escrita por Eurípedes G. da Cruz Junior, pesquisador do IBRAM, que trabalha no Museu Nacional de Belas Artes, a autora desconstrói a noção de tempo congelado, morte do fluxo, derivados do instantâneo ou da pose, senhores absolutos dos domínios da linguagem fotográfica, existente de forma conceitual nas pessoas. 

“Em Membranas de Luz, a artista Patrícia Gouvêa desconstrói essas noções como pretexto e ponto de partida para levar o leitor além da superficialidade, instiga-lo a refletir, junto com ela, sobre transcendências – sair da mera reação às imagens para a experiência das mesmas, em especial aquelas que “nascem sob o signo da necessidade, as imagens apresentadas pela arte, que estimulam a inteligência poética e a reflexão crítica e filosófica sobre o mundo”, afirma Eurípedes. 

Diário Contemporâneo - O encontro fotográfico também vai ser uma boa oportunidade para conversar com Patrícia sobre as obras que estão expostas na Mostra “Memórias da Imagem”, principal exposição do III Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia, aberta na última quarta-feira, na Casa das Onze Janelas. 

“Eu e Isabel Löfgren fomos selecionadas juntas com 2 obras de nossa série e projeto em andamento Banco de Tempo, que gerou a exposição homônima em cartaz desde janeiro na Galeria do Lago/Museu da República (RJ). A expo segue até 29 de abril e foi concebida para a "Série Duplas" da Galeria do Lago”, explica.

De acordo com ela, a série é formada de vídeoinstalações, fotografias e uma intervenção de texto nos bancos do Jardim da República, “fruto de uma imersão no local ao longo de mais um ano, onde o desafio foi criar uma obra que fizesse o link entre o jardim e a galeria, e entre o Museu da República, ex-sede das residências dos presidentes da República, e a contemporaneidade”. No Prêmio Diário Contemplorâneo, as obras “Rotas de Fuga” e “Lécture Sur L'herbe” são, respectivamente, um vídeo realizado em 3 canais e uma instalação com vídeo e fotografia.

“Estamos muito felizes com a seleção para o Prêmio e acho incrível que uma iniciativa como esta floresça fora do "eixão" e que proponha uma visão sobre a fotografia que vá além da questão do suporte fotográfico, o que comprova que o Pará sempre esteve à frente no pensamento sobre a fotografia. Isso é comprovado pelas seleções anteriores da Keyla Sobral e da Roberta Carvalho, por exemplo. A curadoria do Prêmio está de parabéns!”, exalta.

Relação com Belém – Mas não é de hoje que o fluxo entre Patrícia e Belém do Pará vem transcorrendo. Miguel Chikaoka que a recebe nesta sexta-feira, pela Fotoativa, por exemplo, a conhece desde os anos 1990, quanto ela esteve em Belém fotografando o Círio de Nazaré e de quando fundou, em 1999, o Ateliê da Imagem. 

“Hoje, o Ateliê é uma das principais referências brasileiras no ensino, produção e pensamento sobre a fotografia e a imagem. Nos últimos anos vem se destacando como produtora cultural”, diz Chikaoka. É lá que está em exposição, desde o início de março, a mostra “Symbiosis”, da artista visual Roberta Carvalho, à convite e com curadoria de Patrícia. 

“Sempre organizamos exposições, mas neste segundo espaço pudemos ter uma Galeria permanente, um espaço que é um desafio, porque é um corredor, mas por isso mesmo estimulante, porque não é um espaço sacralizado da arte como uma galeria do tipo ‘cubo branco’. Conheci o trabalho da Roberta no Festival Paraty em Foco ano passado e amei! Aí voltando de lá, ela passou no Ateliê para conhecer e a gente conversou, fiz o convite”, comenta a fotógrafa que já conhece mais da fotografia paraense.

Patrícia reconhece o forte movimento de fotografia do Pará, segundo ela, muito conhecido e citado no Rio e no Brasil todo. “Já estive em Belém fotografando o Círio e tive o prazer de conhecer o Chikaoka, Paula Sampaio (que me acolheu em sua casa), a Walda Marques, entre outros. Depois conheci o Guy Veloso, que se tornou um grande amigo, o Dirceu Maués, e recentemente a Roberta Carvalho, minha mais nova velha amiga”, finaliza. 

Serviço
O Café Fotográfico com participação de Patrícia Gouveia, autora do livro: “Membranas da Luz – Os tempos na imagem contemporânea” é nesta sexta-feira, 30/03, no auditório do IAP, a partir das 18h. Visite também as mostras do III Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia: “Memórias da Imagem”, na Casa das Onze Janelas, até dia 28 de maio, e “Pra ter de onde se ir”, do artista convidado Miguel Chikaoka, no Museu da UFPA. Tudo com entrada franca. Mais informações: http://www.diariocontemporaneo.com.br/

The Wall na antena Parabólica de Ismael Machado

Sim. Fui ao show de ontem no Rio de janeiro e foi ótimo (as fotos estão na minha Linha do Tempo). Abaixo, segue o texto enviado pelo jornalista Ismael Machado para publicar aqui no Holofote e que está hoje, também, em sua coluna, a Parabólica, no Caderno Por Aí, do Diário do Pará.

Ele também viu The Wall, o filme, em Belém, mas diz que foi no Cinema Olimpia. Outra pessoa no Facebook também me questionou, lembro, porém, nitidamente, da fila no Cinema Palácio, que se estendia ao longo da Manoel Barata. Vai ver que foi exibido nos dois cinemas. Primeiro em um e depois no outro, em momentos diferentes. Não importa. Valeu! Temos agora estas imagens, feitas ontem à noite, no Engenhão. E a crônica de Bill.

The Wall
Ismael Machado

Quando Michael Jackson morreu, escrevi aqui nesse espaço, que para muitos que conheci no início dos anos 80, o autor de Thriller nem de longe era amado. Muito pelo contrário. Para o bem e para o mal havia uma divisão entre as diversas tribos sonoras. Michael estava do outro lado do muro. E embora ele tenha caído, com muitas barreiras sendo transpostas, para mim Michael ficou por lá, sentadinho ao pé do muro. E não me fez falta alguma.

Falo em muro porque naquele período um leitor enfurecido me escreveu questionando e ironizando se naquela época eu ficava ouvindo Pink Floyd. Claro, respondi. Não só o Pink Floyd, como Led Zeppelin, Bob Dylan, Rush, AC/DC e tantos outros. Depois vieram U2, Echo, Legião etc, mas isso é outra história.

Falo de muro também porque, embora não seja meu disco preferido da banda, ‘The Wall’, o clássico floydiano de 1979, marcou intensamente toda uma geração. Um exercício de psicanálise musical perpetrado principalmente pelos traumas e angústias do baixista Roger Waters, o disco duplo ganhou as telas de cinema pelas mãos do diretor Alan Parker. 

Waters diz ter detestado a versão cinematográfica, mas o público não. Fiz parte da fila que se acotovelou para ver o filme no cinema Olímpia, ainda na primeira metade dos anos 80. Tempo em que se pagava para assistir a uma sessão e depois se podia ficar ali, assistindo a outra e outra e outra. 

Em tempos de filmes de rock, minha turma costumava entrar na primeira sessão, mais ou menos 13h30 e sair lá pela última. Era bacana. E em tempos de videocassetes incipientes ainda, lembro de termos conseguido um aparelho emprestado de um carinha com casa de piscina e altos muros, em frente ao Lourdes, o colégio das freiras de Icoaraci e exibido no salão paroquial da igreja matriz. 

Acreditem, foi um choque. No sábado passado, o fotógrafo Renato Reis almoçou um peixe aqui em minha casa e ficamos, em dado momento, conversando sobre o quanto gostávamos de rock progressivo, que a partir de meados dos anos 80 passou a ser mal visto. Aos poucos começa a recuperar a aura perdida.

Nesse contexto, Pink Floyd ainda é a principal referência. Dizem que vai haver uma reunião dos sobreviventes para um show ano que vem em Buenos Aires, no Rock in Rio. Por enquanto, a pedida é a íntegra de ‘The Wall’, que Roger Waters apresenta em palcos brasileiros. Vem com toda a parafernália a que tem direito. 

E dizem ser um espetáculo impactante. Trambolhos de luzes e imagens em espetáculos grandiosos, não são mais novidades no mundo da música pop. Tornaram-se regra e não exceção. Em muitos casos, disfarçam a precariedade da música em si, de pouco viço, como Lady Gaga, por exemplo. 

 O que torna ‘The Wall’ diferente nesse quesito é a força das canções. Estarão lá ‘Mother’, ‘Hey You’, ‘Confortably Numb’, ‘Nobody Home’, entre tantas. São canções que sobreviveram à passagem do tempo. Ganharam relevância. O limbo da história não as engoliu.

Há quem questione o fato de que muitos jovens ainda ‘perderiam’ seu tempo ouvindo essas velharias. Led Zeppelin, Beatles, Mutantes, Roberto Carlos, Creedence, Pink Floyd...por que gastar ouvidos com isso? Deem opções melhores. Enquanto isso, olho novamente meu ingresso para o show de amanhã. Chegou pelo correio. É pista. Em frente ao palco, torcendo para que não chova, pensarei na frase de André Forastieri sobre o Creedence e a adaptarei: se você não gosta de Pink Floyd, desculpe, eu não tenho nada a dizer a você.