12.4.12

Daniel Dú Blues faz show de despedida na Black

São 30 anos de carreira e o show do músico, nesta sexta-feira, 13, na Black Soul Samba é também sua despedida da cidade. Ao lado dele, os DJs Bernardo Pinheiro e Juliana Tuma sobem pras picapes Black mandando como convidados dessa festa. Nesta sexta, 13, no bar Palafita.

Ele começou sua carreira em 82, na época de ouro do rock nacional, no Rio de Janeiro, tocando no festejado Circo Voador. No final dos anos 80, estrelou bandas clássicas de Belém como “Solano Star”, “Nó Cego” e “O Orador”.

Produtor, arranjador e professor de guitarra, Daniel só se tornou “do blues” quando esteve em temporada na Espanha. Vivendo quatro anos em Barcelona, o músico deu aulas em praça pública e se apresentava em todos os lugares possíveis, incluindo estação de metrô, dando shows ao ar livre e aulas de guitarra blues. O retorno ao Brasil veio no final dos anos 90 e agora Daniel Dú Blues segue novamente para o Rio de Janeiro, onde assume novo trabalho musical.

A despedida é o show que ele montou para esta sexta, 13, que ao contrário do que muitos pensam, será um dia de sorte e alegria. “Estou com 30 anos de carreira a serem comemorados nessa festa maravilhosa de vocês!”, entusiasma-se. Com ele estão também Maurício Panzera no baixo e Willy Benitez na bateria, os três fazem a voz para sons de Eric Clapton, Steve Wonder, BB King, Jimi Hendrix, Tim Maia, Bebeto, Jorge Ben “e mais três músicas minhas”, avisa Daniel. 

E também tem DJs convidados para animar a festa Conhecido na cena eletrônica de Belém, Bernardo Pinheiro ingressou na discotecagem no auge do movimento de e-music por aqui, em 2001. Em mais de 10 anos, o publicitário que se tornou produtor e DJ, se radicou em São Paulo durante três anos, participando dos mais importantes projetos da cena eletrônica por lá. 

De volta à Belém desde 2010, Bernardo tem se dedicado à pesquisa musical. Seus sets passam principalmente pelas vertentes do jazz, soul, afro, latin, brazuca, funk, disco e rock. Sobrinho da cantora Leila Pinheiro e filho do DJ Alberto Pinheiro – famoso por discotecar nas décadas de 70 e 80 – Bernardo diz que suas influências vem da família. 

Com a versatilidade no sangue, a Black desta sexta pode esperar um set diverso e repleto de surpresas. Ela estreou na noite a cerca de cinco meses, e já é aclamada pelo sons nacionais que coloca na pista. Juliana Tuma garante que seu set será cheio de nostalgia, de Jovem Guarda à Tropicália, com muito Gil, Caetano, Mutantes...

“Vamos retroceder, porque isso é que é bom de verdade!”, acredita. Frequentadora assídua da Black Soul Samba, Juliana diz se sentir honrada em tocar nesta sexta. “Frequento a festa desde uma das primeiras edições, sempre fui fã. Até que enfim, uma excelente opção na sexta-feira pra quem gosta de boa música”, afirma. Falando com humildade sobre a profissão de DJ, Juliana Tuma diz que está apenas começando.

“Não sei nada perto desses meninos (os DJs Black Soul Samba), os quais admiro bastante, mas vou aprendendo. Comecei com um convite pra brincar mesmo, e não é que o povo gostou? Vamo que vamo! Espero todo mundo lá hein!”, convida. 

Serviço 
Daniel Dú Blues e DJs convidados Bernardo Pinheiro e Juliana Tuma na Black Soul SambaNesta sexta, 13 de abril de 2012, a partir das 21h, no Bar Palafita, que fica na Rua Siqueira Mendes, ao lado do Píer das 11 Janelas, na Cidade Velha. Ingressos a R$10 Mais Informações: (91) 8413 0861 / www.blacksoulsamba.blogspot.com

10.4.12

Exposição traz a paisagem carioca para Belém

Em “RIO Landscape - O Rio que passa na minha cidade”, Edney Martins traz ao público imagens do Rio de Janeiro feitas através de seu celular. A mostra será apresentada num fotovaral feito com fios de aço, reunindo cenas poéticas e cotidianas da capital carioca. Abertura nesta quinta, 12, no espaço cultural do Tribunal de Contas do Estado (TCE).

Ele é paraense e já participou de salões e exposições, entre eles, o X Arte Pará, além de coletivas em Belém e em Paris. Depois seguiu fotografando e registrando tudo aquilo que o emocionou pelo caminho. Há três anos, porém, ele deixou Belém e está morando  no Rio de Janeiro.

“E logo que cheguei ao Rio, tive a alegria de acompanhar da minha janela, no Arpoador, o movimento das estações. Assim, registrei os diferentes lugares que o sol se põe, a forma com que as pessoas interagiam com aquele pedaço de areia”, detalha o fotógrafo que vê nesta mostra uma oportunidade de aproximar ainda mais o Rio de Janeiro de Belém.

“A capital paraense tem uma relação de irmã com o Rio de Janeiro. Fico feliz quando vejo a quantidade de paraenses que moram no Rio, mas que nunca deixaram de vir a Belém. Essa relação do paraense com o Rio vem de muito tempo, e isso está registrado nas histórias das duas cidades. Fazer uma exposição em Belém, retratando o Rio, é uma forma de homenagear essa ligação por meio das minhas emoções”, afirma o fotógrafo que está na capital paraense para a abertura de sua exposição. 

Ao todo, o artista vai apresentar nove fotografias em formato 50x50, feitas com uso de um iPhone e impressas em papel montval, fine art com PH neutro, o que garante uma qualidade de obra de arte a cada uma delas. Cada uma dessas imagens está devidamente numerada e conta com certificado de autenticidade, emitido pela Kamara Kó, galeria que reúne as obras do fotógrafo.

“Muitas dessas imagens são feitas em ambientes conhecidos, mas por serem realizados em momentos distintos do que estamos acostumados, carregam em si um abstracionismo que fala bastante sobre o meu trabalho. São fotografias que trazem em si as telas do que vejo nos meus momentos próprios”, acrescenta Edney Martins. 

Com a exposição, o fotógrafo também quer colocar em discussão o uso das inúmeras imagens que hoje coletamos com os aparelhos celulares, cada vez mais poderosos do que muitas máquinas digitais.

 “A questão é o quanto essa transitoriedade nos permite sentir isso, porque hoje vejo gente que se surpreende por encontrar fotos dentro de seus próprios aparelhos, feitas por elas mesmas e, com isso, acessam a emoção que as fez produzir isso. Nessa correria do dia a dia, temos muita beleza e poesia ao alcance de nós, sem a necessidade de irmos a um lugar paradisíaco”, lembra Martins. 

“Achamos que é preciso nos deslocar muito para ver algo que faça nosso dia mais belo, mas não é bem assim. Se diminuirmos um pouco o passo, conseguimos ver uma poesia que está no nosso cotidiano. Podem dizer que isso é fácil estando no Rio, mas e aquela chuva chegando em Belém? E a luz do final de tarde na beira do rio? E o amanhecer no Veropa? Tem coisa linda em todo o canto”, complementa. 

A curadoria é de Cláudia Porto, artista plástica paraense que, segundo Edney, está se destacando na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio. “Ela faz parte de um grupo de pintores selecionados dentro do Parque Lage que está sendo considerado similar ao da famosa geração 80, que teve Beatriz Milhaes, Cildo Meireles e outros no meio". Para ele, a obra de Cláudia Porto possui "uma densidade impressionante. Ainda vamos ouvir falar muito da obra dela”, antecipa Edney.  

Leia o texto de Cláudia Porto para a exposição

“Poderiam ser cartões-postais, aquarelas no Montval, música, cenas de um filme, poemas no varal, e são fotografias, feitas da matéria-prima paisagem de tantas “cidades” em uma, ou outra, reconhecida como Rio de Janeiro.

Na exposição fotográfica RIO Landscape, além de um clássico cartão-postal, pôr do sol em Ipanema, Edney Martins divide a sala, praia urbana, o Pão-de-Acúcar, passa mostrando a enseada de Botafogo, guarda uma tarde, talvez madrugada minimalista no Leblon em seus tons, camadas de elegância; chega a Santa Teresa, um portal tão perto do xadrez geométrico no centro do Rio de outras estações, ritmos diversos.

O convite lançado é para muito mais que um passeio, encontro. Reconhecer e olhar são dicas desse trabalho múltiplo que nos oferece mais do que aparências, revela atmosferas de passagens, captura de instantes e beleza, desafiando o olhar sobre fronteiras entre cores, turnos, lugares, às vezes, na sutil leitura das horas, linhas, planos naturais e urbanos. Podemos olhar pelo lado de dentro, por meio dessas janelas, com familiaridade.

A potência, ou a essência de muitas delas, pode vir também de alguma coisa que transborda ou que está fora dos quadrados, além do impresso no conjunto de 9 fotografias (primeiras ampliações, 50x50cm) que se mostram em estética Instagram. E ouso dizer que há recriação de paisagens, quase pintura. É possível ainda descobrir memórias, avançar em uma experiência presente em cada uma delas. Ao nosso alcance, as fotos parecem ainda falar e perguntar, com uma simplicidade elegante, sobre o lugar que desejas encontrar, conviver enquanto o tempo segue.

Cláudia integra o Grupo de questões da pintura na contemporaneidade - Escola de Artes Visuais- Parque Lage- RJ 

Serviço
Abertura da exposição “RIO Landscape - O Rio que passa na minha cidade” dia 12 de abril. A exposição pode ser visitada até maio no TCE, na Travessa Quintino Bocaiúva, 1585, Nazaré Belém. Fone: (91) 32100555.

Concurso premiará projetos de curtas de animação

A Rede Cultura de Comunicação, em parceria com o Instituto de Artes do Pará (IAP), lança na nesta terça-feira, dia 10, o I Concurso de Apoio à Produção de Curta-Metragem de Animação para Interprogramas da TV Cultura e Portal Cultura. 

Além de estimular a realização de curtas de animação, o concurso tem o objetivo de fomentar o debate, a produção e a teledifusão de obras de audiovisual de animação inéditas de realizadores independentes do Pará. 

Serão selecionados cinco projetos, cada um com três propostas inéditas de curtas, dentro dos seguintes temas: Meio ambiente (água, lixo, preservação da natureza), Cultura de Paz, Tolerância (racial, religiosa, sexual), Memória (patrimônio público ou personalidades da cultura paraense), Amazônia e Infância/Adolescência. Cada animação deverá ter um minuto de duração.

Cada projeto contemplado receberá R$ 18 mil (dezoito mil reais) e os curtas serão lançados durante a XVI Feira Pan-Amazônica do Livro e exibidos na grade de programação da TV Cultura e também no Portal Cultura. Podem participar autores/realizadores residentes e domiciliados no Pará com no mínimo dois anos de permanência. 

Para os interessados em participar, será realizada uma oficina, na sede do IAP, de 4 a 6 de maio, com a presença de dois realizadores de renome nacional, que falarão sobre a produção de séries animadas para TV e sobre mercado nacional e internacional de animação. O edital estará disponível na íntegra nos sites www.portalcultura.com.br e www.iap.pa.gov.br

As inscrições podem ser realizadas até dia 23 de maio, através dos Correios ou pessoalmente, na sede da TV Cultura (Av. Almirante Barroso, 735, Bairro do Marco – CEP: 66093-020), no horário de 9h ao meio-dia e de 14h às 17h. 

9.4.12

Cinema paraense no Festival de Cannes outra vez

Uma das locações - Ladeira do Castelo - Feira do Açaí
“Juliana contra o jambeiro do diabo pelo coração de João Batista”, direção de Roger Elarrat, foi selecionado para o festival, que acontecerá em maio, na França. Com duração de 21 minutos, ele não estará na mostra competitiva, mas na paralela Shortfilm Corner. 


No Festival de Cannes, a curta-metragem é representada pela Competição, no final da qual o júri das curtas-metragens entrega uma Palma de Ouro, e pelo Short Film Corner, um espaço profissional dedicado aos encontros, aos intercâmbios e à promoção dos filmes.

"Cannes Curta-metragem” reúne estas duas entidades numa dinâmica complementar de modo a oferecer um panorama completo da criação mundial em formato curto e a estimular a criatividade dos seus protagonistas, reunindo-os em torno de workshops e conferências num espaço dedicado no Palácio dos Festivais.


A notícia chegou para Roger nesta segunda-feira, 09 de abril, por email. “Mandaram convite pra dois membros, passe livre!”, disse ele ao Holofote Virtual. Nada mal para começar a semana, heim!
Sim, Cannes seleciona mais um filme da produção de cinema paraense. Em 2001, apenas um curta-metragem brasileiro representou o país em uma das prestigiadas mostras de Cannes e foi um dos nossos, “As Mulheres Choradeiras” (Jorane Castro), exibido como parte da Quinzena dos Realizadores. Agora, mais uma vez, estaremos lá.

“Juliana contra o Jambeiro do Diabo pelo Coração de João Batista” foi realizado no ano passado, em Belém e arredores. Trouxe elenco e ficha técnica, profissionais que atuam em Belém e têm dado maior expressão à sétima arte produzida aqui. 

Roger dirigindo Henrique da Paz, em Miguel Miguel
É o terceiro trabalho em curta metragem do diretor, depois de “Vernissage”, um vídeo experimental, e “Visagem”, animação em stop motion. Na carreira, Roger traz, ainda, o documentário “Chupa-Chupa: a história que veio do céu”, e a minissérie “Miguel Miguel”, baseada na obra do escritor paraense Haroldo Maranhão. 

O curta, que vai à França, acabou de ficar pronto e tem 21 minutos. “Pô, fiquei muito feliz mesmo e surpreso, não sabia se ia passar”, diz ele que pretende lança-lo em Belém no mês de agosto e será inscrito em outros festivais do país.

Aos 31 anos, ele diz que prepara o primeiro longa metragem, mas não revela muito ainda sobre o projeto, que tem uma estrada extensa ainda pela frente até que se concretize. Mas a boa noticia é que ele já tem um longa só que ele nasceu como uma minissérie. É “Miguel Miguel”, que até agora só foi exibido ao público em capítulos. “Vamos lançar a versão em longa na semana de aniversário do Olympia, dentro de uma Mostra da TV Cultura do Pará”. A programação acontecerá na semana que vem, comemorando os 100 anos do Cinema mais antigo do Brasil em funcionamento ininterrupto. 

Roger Elarrat é de Belém, onde fez Comunicação Social, em jornalismo, e já tem alguns anos de docência. O trabalho com audiovisual vem desde 2000, quando fez assistência de direção do vídeo “Matinta Pereira”, de Jorge Vidal. Atualmente, paralelo aos projetos pessoais, ele trabalha como assessor especial da presidência da Funtelpa, coordenando novos projetos da emissora. “Criamos pilotos, oriento equipes e já dirigi um monte de coisas lá, como vinhetas de abertura de programas. Dirigi o institucional da TV 2012 e dirijo o Serenata Dum Dum”. 

Leoci Medeiros, em uma das cenas gravadas em Belém
É festa - “Juliana contra o jambeiro do diabo pelo coração de João Batista” é um roteiro de Roger e de Adriano Barroso, tem produção executiva de Camila Kzan, coordenação de produção de Teo Mesquita, direção de fotografia de Emerson Bueno, direção de arte de Boris Kenz, trilha sonora de Leonardo Venturieri, arte gráfica de Otoniel Oliveira, som direto de Márcio Câmara. 

No elenco, Leoci Medeiros, Geisa Barra, Nani Tavares, Tiago Assis e André Luiz Miranda. Esse pessoal acaba de ganhar motivo pra passar a semana toda comemorando. Veja mais detalhes da ficha técnica e outras curiosidades sobre o projeto, no blog do filme.

Vladimir Herzog e o espaço cultural on line no IAP

O Instituto de Artes do Pará traz hoje uma sessão especial em homenagem ao Dia do Jornalista, comemorado na semana passada, no dia 07. Na programação, será exibido o documentário “Vlado 30 anos Depois”, de Mônica Teixeira, lançado em 2005, quando se completaram três décadas desde que o jornalista, então diretor de jornalismo da TV Cultura de São Paulo, saiu de casa para nunca mais voltar. Em seguida será aberta uma mesa para discutir o espaço para a cultura no jornalismo on line. Tudo isso nesta segunda-feira, 09 de abril, a partir das 19h, com entrada franca. O IAP fica na Praça Justo Chermont, ao lado da Basílica de Nazaré. 

Herzog foi jornalista, professor, dramaturgo. Tinha outras paixões como a fotografia e o cinema. Nasceu Vlado, mas passou a assinar "Vladimir", pois achava seu nome muito exótico para nós, dos trópicos. Ele nasceu no extinto Reino da Iugoslávia. No Brasil, casado com a publicitária Clarice Herzog, tornou-se referência na luta pela democracia no Brasil, após 1964. Foi militante do Partido Comunista Brasileiro. Acabou torturado até a morte. 

Naquele dia 25 de outubro, de 1975, Herzog ficou horas prezo no DOI-CODI, junto a outros companheiros de profissão, mas imaginou que seria ouvido e responderia sobre a suspeita de pertencer ao PCB e em seguida voltaria para casa. Ledo engano. No início da noite daquele mesmo dia o comando do então II Exército anunciou que Herzog, na verdade assassinado, se enforcara em uma das celas. É esta a triste história contada no documentário, que tem como intenção fazer com que ela nunca seja esquecida e nem se repita. 

O debate que segue após o filme certamente iniciará com comentários sobre este fato horrendo de nossa história política e seguirá com um bate papo sobre o espaço para a cultura nos meios virtuais, debate para o qual fui convidada, como representante do Holofote Virtual, e agradeço pelo reconhecimento, mas para o qual não poderei ir por estar fora de Belém. 

No entanto, como é óbvio, o tema que me interessa. Depois de iniciar uma trajetória no jornalismo cultural, nos primórdios década de 1990, como repórter e depois editora do ex-Caderno D, hoje Você, no Diário do Pará, tive o prazer de fazer parte do programa Cultura Pai D’égua, na Tv Cultura do Pará, entre 2003 e 2008. E foi com minha saída da TV Cultura no final daquele ano,aliás, que resolvi fazer o Holofote Virtual. 

O crescimento da produção cultural da cidade e a maior atenção do público à informação cultural foram incentivos suficientes para isso, e mais, pois sempre acreditei que através da cultura pode se transformar as condições e as relações humanas. Além disso, meu interesse pessoal por tudo que é ligado à arte e meu envolvimento com o movimento cultural da cidade de Belém determinaram em muito esta quase obcessão que possuo em manter o blog atualizado e como fonte de conteúdos inéditos para a grande rede, tentando dar mais voz aos artistas independentes sejam eles da cultura popular, contemporânea, experimental ou já estabelecidos no mercado. A ideia é que muito em breve ele se amplie, alcançando também a produçãocultural nos outros municípiosdeste imenso Pará.

O jornalismo cultural on line tem ajudado a reverter situações pendentes no jornalismo cultural impresso, à revelia dos profissionais que nele atuam e que sabem muito bem que nosso foco não se limita à produção diária do que está em cartaz ou vai estrear na semana que vem, embora isso seja de enorme interesse dos consumidores da notícia cultural. 

É mais que isso, é uma responsabilidade social, que informa e também forma opinião. E o surgimento de sites culturais que começam a absolver mão de obra especializada vem também atraindo o interesse de jovens jornalistas com o desejo de atuar nesta área, sempre muito desvalorizada dentro das redações do jornalismo seja ele impresso, televiso ou mesmo radiofônico, com raras exceções, diga-se.

Há muitas diferenças entre o que limita o cultural no jornalismo impresso e de web. No primeiro, o espaço precisa ser dividido com publicidade, aquela que “paga” os jornalistas e sempre ganha de nossos textos e fotos. Na internet, aqueles tendem a ser curtos, mas é uma regra que não precisa ser seguida por todos. Não é, na maioria das vezes, pelo Holofote, como vocês já devem ter percebido. 

O jornalismo on line, de forma geral, também deu voz ao público, que deixa de ser um mero leitor da notícia, abrindo-lhe a chance de “colaborador". Percebendo isso, os impressos também abrem esta frente quando inauguram suas versões on line. Mas foram os blogs, hoje cada vez mais profissionais, e as redes sociais, que se tornaram as principais fontes de informação cultural, abrindo margem para a criatividade e conquistando, muitas vezes, aquele leitor mais exigente, que deseja fugir do convencional, desde que conduzidos com ética, sempre ela, não esqueçam. 

A discussão desta noite no IAP ganha maior importância por colocar em pauta a construção e os caminhos emergentes tomados para o uso da linguagem cultural na web, com seus hipertextos e diante das suas diversas formas interativas. O hibridismo cultural, a apropriação social dessas novas tecnologias, tudo isso conta e só a partir desses entendimentos, é que poderemos unir a realidade ao caráter conceitual reconhecido no espaço on line. Parabéns a todos os jornalistas, sejam eles da área cultural ou não, em especial à Lúcio Flávio Pinto, e ao IAP, por trazer à tona esta discussão. Tentarei acompanhar à distância.

5.4.12

Cia Moderno completa dez anos dançando Belém

Para comemorar a primeira década desta trajetória, a companhia apresenta o espetáculo “Lírica Morada”, que estreia no Theatro da Paz, no dia 19 de abril, e já tem agendadas apresentações no Rio de Janeiro e turnê por cinco cidades da Amazônia Legal, como premiação pelo Ministério da Cultura. 

Trazendo temas regionais ou a abordagem do “específico” que os temas universais assumem em Belém, o espetáculo “Lírica Morada” surge a partir do poema “Pare ler como quem anda nas ruas”, de João de Jesus Paes Loureiro.

O poeta já tem história ao lado da companhia – orientou a dissertação de mestrado da diretora artística da Cia, Ana Flávia Mendes e inspirou, com suas obras carnavalescas, o espetáculo “Serpentinas e Poesia”, de 2010. 

“Mais que representar as nossas ruas de pedras na Cidade Velha, as fachadas de antigos casarões ou a plasticidade do Ver-o-Peso, tentamos observar a cidade como se fôssemos suas próprias ruas, as paredes dos prédios ou os galhos centenários das mangueiras”, explica Ana Flávia. 

Além de 14 bailarinos, "Lírica Morada" tem a participação de cinco músicos, da figurinista Cláudia Palheta, dos iluminadores Sônia Lopes e Tarik Coelho, do diretor executivo Gláucio Sapucahy e do dramaturgo Saulo Sisnando. 

“O espetáculo fala sobre nós, sobre amar, viver, morrer, sofrer e ser feliz em Belém: amamos esta cidade. E não estamos aqui porque somos prisioneiros... Estamos aqui porque queremos estar aqui. Porque somos felizes em Belém. Porque amamos nossos amores aqui, porque perdemos nossos pais aqui, porque estudamos aqui, porque nos divorciamos aqui. Porque é aqui que somos isso que somos”, acrescenta o dramaturgo Saulo Sisnando.

Temas que identificam culturalmente o Pará, avanço estético-pessoal. A Cia vive um momento especial de reflexões e concepções cênicas. “Até pouco tempo, perseguimos obsessivamente o desejo de ter uma dança autoral, direcionando a investigação sobre imanências com vistas a implementar um vocabulário de movimentos próprio”, diz Ana Flávia. 

“Acredito que agora estejamos em outra fase, na qual já não importa tanto o vocabulário de movimentos, mas sim o nosso desejo de compreender quem somos, em que lugar estamos e o que nos faz ser Companhia. Essa busca acabou nos aproximando de forma mais evidente das nossas próprias vidas”, complementa a diretora. 

Além das montagens , a companhia vem atuando também em projetos como o Festival Escolar de Dança do Pará (Fedap) e o Aluno-Bailarino-Cidadão, que atende cerca de 50 estudantes das redes públicas com aulas de dança e acompanhamento psicológico e pedagógico. 

“Nada é fácil, nada veio fácil. Não somos somente artistas da cena que desejam estar no palco sob luzes e aplausos. Temos um comprometimento social com a cidade. É importante difundir nosso trabalho, mas o que desejamos de fato é que Belém seja melhor, por isso estudamos e trabalhamos tanto”, resume Ana. 

Serviço 
“Lírica Morada” - dias 19, 20 e 21 de abril, sempre às 20h30. Venda de ingressos na bilheteria do Theatro da Paz. Mais informações: 91 8146.3039 / 3222.7879.

4.4.12

"Pro ensaio Geral" em temporada na Casa da Atriz

A montagem é do grupo BAI - Bando de Atores Independentes - e conta a história de Científica, mãe de Divina, uma transexualque deseja realizar um grande sonho, ser atirz e montar um grande espetaculo.A temporada começa  nesta quinta-feira, 05, e vai até dia 22 de abril, sempre de quinta domingo, às 20h.

Divina perdeu o pai aos seis anos de idade e foi criada pela mãe, que precisou lutar sozinha ao lado da filha, hoje, uma artista da noite, ela faz dublagens de grandes divas da música. Mas não é isso que a faz feliz, pois seu desejo é produzir uma peça teatral. Divina vai em busca  desse sonho. “Pro Ensaio Geral” aborda este momento da vida das duas,  cujo ápice será a estreia do espetáculo montado por Divina. 

"O enredo, aparentemente cotidiano, esconde os mistérios da vida, as relações humanas e como elas se desenvolvem, as disputas de poder no seio familiar, os sonhos de pessoas aparentemente comuns que trazem em si a alma do artista". 

|Ficha técnica|

Direção: Vandiléia Foro 
Dramaturgia: Maurício Franco e Sandra Perlin 
Elenco: Maurício Franco, Malu Rabelo e Sandra Perlin 
Figurino: Maurício Franco 
Iluminação: Malu Rabelo 
Sonoplastia: O bando 
Operação de sonoplastia: Vandiléia Foro / Rafael Couto 
Consultoria de Produção: Produtores Criativos Produção: Rafael Couto 

|Serviço|
Temporada:  5a a domingo, às 20h – até 22 de Abril de 2012. Na Casa da Atriz (Oliveira Belo, 95 - entre Generalíssimo Deodoro e Dom Romualdo de Seixas). Ingressos: R$ 15,00 e R$ 8,00. Venda antecipada para os dias 08, 12, 15, 19, 22, 26 e 29 de abril - R$ 10 e R$ 5 Informações: 91 8701.3909 / 8156.9636.

2.4.12

Intervenção urbana reflete a ditadura em Belém

Há quarenta e oito anos a cidade Belém também sofria as consequências do golpe militar iniciado em Minas Gerais. O General Ramagem, Chefe do Comando Militar da Amazônia na época, ordenou a prisão de centenas de políticos, estudantes e trabalhadores a partir do dia primeiro de abril de 1964. 

Os presos foram levados para diversos pontos de Belém que hoje estão desativados ou tem finalidade completamente diferente, como é o exemplo da Casa das Onze Janelas, que atualmente é ponto turístico da capital. Esse quadro de violência e censura caiu no esquecimento. 

Para alertar sobre o grave processo político estabelecido pós-64, o historiador e fotógrafo Michel Pinho interviu no espaço urbano, identificando com placas, que imitam sinalização de trânsito, os locais onde as prisões e torturas eram executadas. 

A escolha do 1º de abril, Dia da Mentira, não foi por brincadeira, ela é a data verdadeira do aniversário de 48 anos do golpe. Sua intervenção foi um grito em protesto contra o terror dos assassinos e torturadores da ditadura em Belém, e buscou alertar para o caráter ditatorial e ilegal do regime implantado no país inteiro. 

“Não podemos e nem devemos esquecer, a democracia brasileira é uma conquista recente. Os crimes que os agentes do Estado cometeram como estupro, sequestros seguidos de morte e ocultação de cadáveres são hediondos. A anistia foi promulgada em 1979 pelo general Figueiredo e impede a prisão desses homens. Temos que rever essa decisão”, sentencia Michel. 

Embora o registro fotográfico tenha se limitado apenas a lugares mais conhecidos como a Casa das Onze Janelas, Largo da Trindade, Casa do Estudante Universitário do Pará, além das avenidas Nazaré e José Malcher, os centros de tortura e prisão na capital paraense foram mais numerosos. 

Até hoje não há a versão correta da história e da natureza ditatorial do regime de 1964, seu caráter ilegal e inconstitucional pouco são mencionados, e sua atuação em Belém pouco foi refletida ou questionada nesses 48 anos completados.

“A intenção é motivar que os leitores da ação busquem informações, perguntem sobre o silêncio ensurdecedor sobre a ditadura em Belém do Pará.” finaliza o historiador. A intervenção foi registrada e parte das fotografias pode ser vistas no endereço: http://www.michelpinho.com.br/territorio-do-medo-a-ditadura-militar-em-belem/

(com informações de Deborah Cabral)

Mini curso aborda a história do livro fotográfico

O mini-curso de Joaquim Marçal “Uma Introdução à História do Livro Fotográfico” inicia hoje às 18h, no Instituto de Artes do pará, dando continuidade à programação do III Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia. Ainda dá tempo de se inscrever. É gratuito. Acesse a ficha de inscrição no site do evento.

O mini-curso vai abordar as origens do livro fotográfico no exterior e no Brasil, e a utilização de originais fotográficos, de ‘cópias fiéis’ e a introdução dos processos de reprodução fotomecânica. A trajetória do livro fotográfico, os distintos gêneros e o estado da arte. 

Joaquim Marçal Ferreira de Andrade é mestre em design pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e doutorando em história social na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Pesquisador da Divisão de Iconografia da Biblioteca Nacional, é também professor de fotografia no departamento de Artes & Design e no curso de arquitetura e urbanismo da PUC-Rio, além de lecionar na grade de especialização em fotografia da Universidade Candido Mendes.

É autor de História da fotorreportagem no Brasil: A fotografia na imprensa do Rio de Janeiro de 1839 a 1900 (Campus, 2003), que mostra os principais aspectos técnicos da foto, sem se prender apenas no Rio de Janeiro. “O jornalismo fotográfico, devido ao enorme alcança das publicações que o utilizam, exerce maior influência sobre o pensamento e a opinião pública do que qualquer outro ramo da fotografia”, diz W. Eugen Smith, em frase citada no livro.

Na introdução o autor conta que poucos anos após a sua descoberta e rápida disseminação, a fotografia já se fazia presente nas páginas de muitos jornais ilustrados estrangeiros. O tempo passou, o fenômeno alcançou a imprensa brasileira. No entanto, ter uma fotografia significava ter a mediação de mão do artista ou artesão. 

O conteúdo deste livro tem importância não só para repórteres fotográficos, mas para quem gosta de apreciar a fotografia como um todo. A obra é divida em cinco capítulos que tratam a fotografia e a imprensa ilustrada brasileira no século XIX, além de comentar o design da página impressa: os processos de criação das imagens, a paginação e a impressão, a fotografia na imprensa ilustrada do Rio de Janeiro, 1839-1879, a fotorreportagem e as novas conquistas da imprensa ilustrada com fotografias, na Europa e nos Estados Unidos, além da imprensa carioca. 

A publicação da editora Campus, lançada em 2004 (281 páginas) resgata a história da fotografia que com o avanço da tecnologia perde cada vez mais a credibilidade. Este livro dá a oportunidade de voltar ao passado e reviver os fatos que já fizeram história. 

Serviço
Inscrições abertas para o mini-curso "Uma introdução à história do livro fotográfico", ministrado por Joaquim Marçal (RJ), no Instituto de Artes do Pará - Pça. Justo Chermont, ao lado da Basílica de Nazaré -, das 18h às 21h. Acesse a ficha de inscrição pelo site http://www.diariocontemporaneo.com.br

1.4.12

Arte e educação para comunidades paraenses

Por Jecyone Pinheiro
 
Assimilar noções de cidadania e respeito de forma lúdica e fazer do aprendizado e conscientização uma brincadeira pra lá de séria faz do teatro uma ferramenta muito feliz na hora de preparar novos cidadãos. 

Na semana em que se comemora o Dia Mundial do Teatro, a experiência da ONG Rádio Margarida, que há 20 anos trabalha o teatro como arte-educação em Belém do Pará, é a prova de que se pode aprender brincando e que a diversão é uma ótima fonte de inspiração na hora de se transmitir valores sólidos.

 “Trabalhamos em três vertentes: o teatro com atores, de bonecos e o clown”, diz José Arnaud, coordenador da ONG Rádio Margarida. No teatro, o clown é o palhaço, mas não aquele modelo clássico de palhaço que se vê em circo. Um clown no teatro é basicamente: o próprio ator de forma "exagerada".

Arnaud conta que o teatro é utilizado no trabalho de educação popular assim como outras linguagens onde as informações que se quer transmitir são repassadas para o público dentro de um determinado contexto.

“Utilizamos essa ferramenta tanto em projetos maiores, como o de educação fiscal que fizemos em parceria com o governo do estado em que íamos às escolas apresentando o espetáculo e falando sobre as varias vertentes da educação fiscal - como em projetos para adultos, a exemplo do aleitamento materno e a prevenção à dengue”, lembra Arnaud, ao ressaltar que a escolha da vertente teatral depende do público que se quer atingir. “O que muda é a abordagem do assunto.

Ao contrário do que se pensa, o adulto acaba aproveitando o teatro de bonecos ao assimilar a mensagem a ser transmitida”. Eugênia Melo, coordenadora de Projetos da ONG, explica que o teatro de bonecos possibilita conversar, dialogar, transmitir informações que são muito difíceis de serem trabalhadas com crianças. “É o caso de violência sexual, que temos um espetáculo - Lenda de Sombra e Luz, no qual os personagens das lendas amazônicas interagem com as crianças e adolescentes, transmitindo informações mais lúdicas e sensibilizando a plateia para a temática".

O trabalho teatral da Rádio Margarida já foi apresentado para públicos diversos desde comunidades ribeirinhas ou que vivem às margens das estradas. “Realizamos um trabalho interessante onde os personagens e palhaços visitavam as casas das pessoas numa espécie de teatro ambulante, foi bem legal porque as pessoas ficam mais abertas para conversar, uma vez que o palhaço quebra o gelo e facilita o diálogo”, finaliza Arnaud ao destacar que essa troca de informações com a comunidade através do personagem facilita a interação.

Rádio Margarida - O Centro Artístico Cultural Belém Amazônia, mais conhecido como Rádio Margarida, foi criada em julho de 1991 e trabalha com a educação popular. As ações da ONG são voltadas para o atendimento das necessidades humanas, principalmente de crianças e adolescentes. 

A Rádio Margarida tem como missão irradiar arte, cultura e educação popular para a melhoria da qualidade de vida na Amazônia. A ONG utiliza o método de educação popular Rádio/Ação que envolve linguagens artísticas e meios de comunicação para uma ação transformadora.

“Assim, a ONG realiza projetos, campanhas, eventos e pesquisas voltadas para a educação, saúde, meio ambiente, cidadania, arte, cultura e comunicação social”, explica Eugênia Melo, coordenadora de projetos da ONG Rádio Margarida.

Entre as ferramentas educativas utilizadas, estão peças teatrais, vídeos, músicas, radionovelas e spots, que são finalizados em dvd, cd, cd-room, livros, entre outros. A sede da Rádio Margarida fica em Belém do Pará, mas suas atividades atingem várias regiões da Amazônia e de outros estados brasileiros, tanto em ações diretas com o público, como também, por meio de produções educativas. A ONG já recebeu premiações nacionais e internacionais. Um reconhecimento as suas iniciativas e projetos realizados, principalmente, em defesa dos direitos da criança e do adolescente.

Serviço
ONG Rádio Margarida. Avenida Governador José Malcher, 189 – Nazaré – Belém, PA. Fone: (91) 3212 2496.