18.5.12

Ato cultural lembra e homenageia Valmir Santos

Um amplo espectro de lideranças religiosas, grupos culturais e artistas da terra se reúnem no dia 18 de maio na Cidade Velha para saudar o historiador professor e gestor público, Valmir Carlos Bispo Santos, falecido no último dia 19 de abril.

Em sua trajetória como ativista no movimento estudantil e cultural, o historiador exercitou uma liderança singular que empolgou e mobilizou pessoas de diferentes etnias, movimentos culturais, expressões religiosas e partidos políticos. 

De baixa estatura, mas com grande capacidade de expressão, alegre, vivaz, empolgado, tenaz e estimulante, a realidade plural e dinâmica do Brasil e da Amazônia cabia perfeitamente em sua forma de agir no mundo. Tinha a capacidade de montar um quebra-cabeça que reunia pessoas, projetos e desejos para transformar a realidade.

Ele agiu com esse objetivo na UFPa, onde se formou, na UNE (onde presidiu uma histórica gestão) e em todos órgãos e instituições por onde passou como dirigente. E é esta vida singular, inclusiva e democrática - interrompida no dia 19 de abril, dois meses após completar 50 anos, que os movimentos culturais e religiosos vão saudar no dia 18 de maio com um Ato Inter Religioso e Cultural na Cidade Velha, tantas vezes palco de intervenções e sonhos de mudança de Valmir Bispo. 

A cantora Adriana Cavalcante se une ao ato
Toda a programação está sendo organizada por familiares e amigos de Valmir, com apoio da Universidade Estadual do Pará, onde dirigia o Núcleo de Artes e Cultura. 

As atividades começam às 18h com o Ato Inter Religioso no Pier das Onze Janelas, que vai contar com celebrantes ligados aos cultos Afros Religiosos, aos movimentos Espírita, Wicca, Esotérico, Hare Krishna, às igrejas Católica do Brasil, Carismática Brasileira, Anglicana, Luterana e Santo Daime. 

As rodas de danças circulares Ocara, Mana-Mani e Roda Hera também participarão deste momento, que contará ainda com as mestres erveiras do Ver-o-Peso. Após o ato religioso e dançante, um Cortejo Cultural puxado pelos grupos afro religiosos, Boi garantido, Boi Caprichoso, Crupo Paranativo, Pássaro Colibri, Boi Flor do Campo e movimento Hip Hop vão conduzir os participantes em volta da Praça Frei Brandão, seguindo pela rua Dr. Assis até a Praça do Carmo.

Trio Lobita
Shows - Na Praça do Carmo, o palco será dos artistas Calibre, Renato Lu, Marcos Campelo, Milton Monte e Leandra Vital, Jirat, Olivar Barreto, Rosa Correa, Adilson Alcântara, Pedrinho Callado, Elói Iglessias, Andréa Pinheiro e Trio Lobita (Marcelo Ramos, Paulo Moura e Cardoso), Grupo Paranativo, Grupo Sancari, Quaderna, Adriana Cavalcante, Alba Maria, Lúcio Mouzinho, Tony Lisboa (gaita e blues), Coletivo Rádio Cipó (hip-hop, com 4 integrantes), Filhos do Luar, Bob Freitas, Nego Nelson e Maria Lidia.

A programação desta sexta-feira, 18 de maio, terá também a exibição de vídeos editados pela TV Cultura do Pará e que vão reunir um pouco da trajetória profissional e alegria de viver de Valmir Santos.

Projetos - No período que antecedeu sua partida, Valmir estava engajado em diversos projetos, como o projeto Novos Aruans, a ser desenvolvido no município de Barcarena, através do Núcleo de Desenvolvimento Humano e Econômico, da Fundação Vale e a Uepa. Sua principal característica é o suo da cultura local como instrumento catalisador para a realização de ações educativas-artísticos-culturais como forma de fortalecimento da cidadania e da identidade.

A ideia é identificar as comunidades, suas instituições e suas manifestações culturais, artistas e grupos locais, bem como as festas e eventos do calendário cultural – os elementos mais significativos do patrimônio material e imaterial da região de Barcarena. Desta forma, o trabalho resultará numa espécie de mapeamento cultural da região. 

Além disso, Valmir Santos, através do Núcleo de Artes e Cultura da UEPA, viabilizou para o ano de 2012, recursos para os Projetos de Extensão da Universidade via Programa de Extensão Universitária, do Ministério da Educação. 

O Programa Preservação do Patrimônio Histórico e Musical Paraense envolve quatro projetos e está com processo em curso no Ministério para o ano de 2013, ampliando o arco de ação com a inclusão do projeto para institucionalização da Uepa Jazz Band, coordenado pelo professor Ricardo Aquino. 

Entre outros projetos, destaca-se ainda o do Madrigal da Uepa, coordenado pelo professor Milton Monte. Com dez anos de criação, a ação nasceu de um projeto de Extensão da instituição. Nessa primeira década de existência, o grupo já se apresentou nas mais importantes salas de concerto e igrejas históricas da cidade de Belém.

Outro em que estava envolvido é o “Saúde Alegria”, sob a coordenação da professora Eliana Cutrim, que tem como proposta, humanizar os hospitais, por meio da música. O Quarteto de Corda da Uepa, também está na lista. O grupo nasceu durante os estudos de música da Universidade e segue realizando apresentações sob a orientação do professor Urubatan Castro. 

A trajetória de Valmir Carlos Bispo Santos - Nascido em Belém do Pará no dia 20 de fevereiro de 1962, 3º filho do engenheiro civil Valdir Sergio dos Santos e da professora Antônia Bispo Santos, irmão da psicóloga e empreendedora Vânia Santos, do engenheiro e empreendedor Valdir Santos Jr, do professor de economia Valcir Santos (UFPa) e da jornalista Joice Santos (MPEG).

1979 – Começa sua carreira de militante estudantil após ser aprovado entre os 20 primeiros colocados na área de Ciências Biológicas, aos 16 anos, no Curso de Medicina da UFPa.

1980 – 1982 – Participa do Diretório Acadêmico de Medicina da UFPa, lutando por melhores condições de ensino 1982 - participa da gestão do DCE/UFPa, com a chapa "Pé no Chão".

1983 – Troca a Medicina pelo curso de História da UFPa, articula o Centro Acadêmico de História, criando cargos novos, como as diretorias de Cultura e Esporte.

1984/85 - eleito presidente do DCE/UFPa, na chapa "Arueira", cuja gestão se destaca pela Campanha pela 1/2 passagem estudantil. No período, ocorre o primeiro enfrentamento do governador eleito Jader Barbalho com os estudantes. A mobilização envolvia a formação de comitês por cursos para pular a roleta dos ônibus - ação "EU PULO”-, marchas diárias até a residência do Governador, passeatas e comícios em frente a sede do Governo do Estado. Valmir Santos esteve à frente desta luta!

1987/88 - Eleito presidente da União Nacional dos Estudantes - UNE, em uma chapa composta por estudantes de correntes políticas identificadas com o PT - Partido dos Trabalhadores e dissidentes do PC do B, quebrando uma hegemonia de 10 anos de gestões ligadas ao PC do B. 

A gestão organizou a participação dos estudantes na Constituinte de 1987/88, no Movimento Pró-Participação Popular na Constituinte em oposição ao Centrão, na luta contra o aumento das mensalidades escolares, na luta pela Assistência Estudantil, mobilizou pela valorização da Cultura Popular, revivendo os CPCs, e realizando o festival QUARUP. 

A liderança de Valmir garantiu a unidade do movimento e inseriu na pauta da UNE questões caras a juventude como: comportamento, direitos individuais e liberdades individuais. 

1989/92 – Após se formar como bacharel em História, participa da equipe da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, cujo titular foi Paulo Freire, na gestão Luiza Erundina (então PT) na Prefeitura de São Paulo. 

1992/97 – Faz concurso e ingressa na Secretaria Municipal de Educação de Santos (SP), nas gestões de Telma de Souza e David Capistrano Filho (ambos do PT). Selecionado para o Programa de Mestrado em História da PUC-SP com projeto que analisa os movimentos abolicionistas e as marcas na paisagem urbana.

1998/2000 – Retorna a Belém e ocupa a Diretoria de Eventos Culturais e depois a Diretoria de Patrimônio Histórico e Cultural da FUMBEL, na gestão de Edmilson Rodrigues (então PT). 

2001/2004 - Vai para a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e assume a Direção do Bosque Rodrigues Alves, propõe, articula e consegue transformá-lo em Jardim Botânico de Belém, ampliando as possibilidades de captação de recursos da instituição. 

2004/2006- Participa da ong IMAZON como consultor e coordenador do projeto Belém Sustentável. Selecionado para o Programa de Mestrado em História Social da Amazônia (UFPa) com projeto que estudava a bacia aqüífera e a zona verde em torno de Belém, buscando analisar conflitos cotidianos entre a natureza (e sua preservação) com o desenvolvimento humano, problemas de habitação e a existência de notórias práticas culturais e saberes populares. 

2007/2010 – Assume a Superintendência da Fundação Curro Velho, na gestão de Ana Jùlia Carepa (PT) no Governo do Estado do Pará, ampliando as atividades da entidade para municípios do interior do Estado e incluindo quilombolas e etnias indígenas na linha de ação da Fundação. 

2011/2012 – Assume a Direção do Núcleo de Artes e Cultura da UEPA - Universidade Estadual do Pará, na gestão da Reitora Marilia Brasil. 

19/05/2012 – Valmir Carlos Bispo Santos é encontrado morto em sua casa em circunstância ainda não esclarecida. Ele já recebeu homenagens post mortem recebidas na ALEPA, Câmara Municipal de Vereadores de Belém, Associação Sul-Sul (Itália), UNE, Regional Norte do Ministério da Cultura, no Plenário II da Câmara dos Deputados, no Encontro Nacional do PT (Setorial de Cultura), Faculdade de História (UFPa) 

Serviço
18h - Ato Ecumênico – Viva Valmir – no Píer da Casa das Onze Janelas. 19h, show com participação de vários artistas,na Praça do Carmo. 20h - exibição de vídeos produzidos pela TV Cultura do Pará sobre a trajetória profissional do historiador. Entrada franca.

17.5.12

Alexandre Sequeira fala das relações da fotografia

O fotógrafo e pesquisador costuma dizer que a câmera é só um pretexto ou instrumento que ele utiliza para se aproximar das pessoas. Assim, ele adentrou no vilarejo de Nazaré do Mocajuba, no Pará, e mais tarde um em outra pequena vila, desta vez, em Minas Gerais. As duas estadias resultaram em trabalhos que já o levaram a eventos nacionais e internacionais. Mas nesta quinta, 17, ele está em Belém e fala destas experiências na palestra “Imagem, realidade e fabulação”, dentro das ações do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia, no IAP, às 19h, com entrada franca

Amor, olhar, atenção pelo outro. Seria esta, a definição que eu daria, se pudesse resumir assim, de forma tão simples, o trabalho que Alexandre Sequeira vem desenvolvendo ao longo de sua trajetória. Mas é muito mais que isso e na palestra que ele faz hoje, será possível entender melhor e de forma mais aprofundada sobre o seu processo de construção e que tanto tem haver com o tema central da terceira edição do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia: Memórias da Imagem.

Alexandre vai abordar sua relação com a fotografia enquanto documento e memória de algo que efetivamente aconteceu. Vai por isso, focar sua pesquisa mais recente, realizada na localidade de Lapinha da Serra, interior mineiro. O trabalho foi objeto de pesquisa de sua de dissertação de Mestrado, defendida na UFMG. 

Alexandre e seu Juquinha
“A palestra trata de nossa relação com a fotografia enquanto documento, enquanto memória de algo que efetivamente aconteceu. Mas a fala procura dirigir as atenções às relações que se estabelecem entre fotógrafo e fotografado, entre o que acontece antes ou mesmo depois do momento do registro. Relações estas que, de certa forma, relativizam ou ampliam esse valor de documento da fotografia”, diz.

Ele se refere a um certo “caráter performativo do ato fotográfico que envolve a todos que dele fazem parte e que, embora se tenha a impressão que diz respeito a uma produção fotográfica mais recente, na verdade acompanha a fotografia desde seu surgimento”, continua. 

“Procuro ilustrar a discussão com um trabalho que desenvolvi nos anos de 2009 e 2010 em um pequeno vilarejo do interior do estado de Minas Gerais – a vila de Lapinha da Serra. Esse trabalho foi objeto de pesquisa de minha dissertação de Mestrado, defendida na UFMG, e se desenvolveu a partir do meu encontro com um menino e seu avô, ambos moradores da pequena vila”, completa. 

Durante o período que passou na Lapinha da Serra, para ele a fotografia foi responsável pela construção de laços de convívio e afeto com alguns moradores locais, em especial com o menino Rafael, de 13 anos, e sua família.

A mulher do pé de manga
Impressões de mundo - “O trabalho desenvolvido em Lapinha da Serra tem o mesmo caráter relacional do desenvolvido em Nazaré do Mocajuba e de outro desenvolvido com dois adolescentes residentes na ilha do Combú e no bairro do Guamá. 

Na verdade, a fotografia se apresenta como um instrumento de aproximação e troca de impressões de mundo. O trabalho se afirma muito mais na relação que se estabelece do que na fotografia propriamente dita. Nesse sentido, a fotografia assume um caráter de documento construído a seis mãos, envolvendo eu, Rafael – um adolescente de 13 anos -, e seu avô, Seu Juquinha, de 84 anos”, explica. 

É no seio dessa família – a família Oliveira, que o fotógrafo começa a realizar uma série de serviços fotográficos que estreitaram e adensaram seus vínculos afetivos com o local e seus moradores. São fotos de identificação para documentos, restauração de fotografias desgastadas pelo tempo ou execução de álbuns fotográficos de família, que inicialmente o artista visual passou a executar. 

Porém, ao presentear o pequeno Rafael com uma pequena máquina fotográfica, Sequeira é conduzido a perceber Lapinha da Serra por outro ponto de vista, numa ordem que, em certos casos, não corresponde à realidade original, mas autentica uma série de outras ficções idealizadas. Ameaças de invasão de discos voadores ou aparições de figuras lendárias como a Mulher do Pé de Manga são apenas alguns dos temas da crônica visual que Rafael passa a registrar com sua pequena máquina fotográfica sobre os acontecimentos que animam sua vida em Lapinha da Serra. 

É dessa incursão pelas dobras do real que ele seleciona imagens que se convertem em uma série de cartões-postais que passam a ser ofertados a outros visitantes da vila, resultando na ressignificação de diversos valores do local. Com o avô de Rafael – Seu Juquinha –, o artista capta, edita e grava um CD com toadas compostas pelo antigo morador da vila.

O fotógrafo com Rafael
Retorno - O conjunto de fotografias produzidas ao longo dos dois anos pelo artista e por Rafael é guardado por ambos –, como um banco de dados passível de diferentes interpretações. Do mesmo modo, os relatos de Seu Juquinha, que por tantas vezes conduziram Sequeira por entre palavras, pausas ou entonações, no desafio de subverter os regimes do visível e do invisível, também servem como elemento indutor de ressignificações da vida em Lapinha da Serra. 

Os registros sonoros desses encontros, fragmentos de conversas e sons da ambiência do lugar, compõem uma partitura sonora que é também encaminhada de volta à vila, como contribuição ao trabalho educativo desenvolvido por alguns moradores no Espaço Cultural situado ao lado da pequena igreja local. 

A intenção é que o material possa servir como outra forma de tratar a história, a memória e as qualidades de Lapinha da Serra, junto às crianças e adolescentes, assíduos frequentadores daquele espaço; como um meio de replicar a fala de Seu Juquinha – figura tão importante para a vila –, dando ao passado através de sua permanente revisão, um sentido de retomada, essa sim, uma forma nobre da memória. 

Logo após defender a dissertação, Alexandre passou a ser convidado a falar do projeto em uma exposição na cidade de São Paulo, “Por aqui, formas tornaram-se atitudes”. A exposição reunia nomes da cena das artes visuais como Helio Oiticica, Ligya Clark, Ligia Pape, Laura Lima e muitos outros. E ele não parou mais. 

“Depois fui convidado a falar no Festival Internacional de Porto Alegre, no Festival de Fotografia de Recife, no Festival Internacional de Fotografia do Rio, no Festival de Fotografia de Manaus, numa palestra que proferi para o curso de Pós Graduação de Fotografia da Faculdade Armando Álvares Penteado em SP, em um curso de fotografia realizado no MAM de São Paulo e, mais recentemente, no Festival Internacional de Fotografia de Montevideo", conta. 

Lapinha da Serra é um vilarejo bem isolado, situado no meio da Serra do Cipó em MG e isso somado a uma agenda carregada de compromissos, Alexandre não tem conseguido retornar ao lugar, uma realidade, porém, prestes a ser modificada. 

“No fim de junho farei uma fala sobre a experiência em Belo Horizonte, no Palácio das Artes, dentro de uma exposição da qual farei parte, e já estou me programando para conseguir um carro e ir encontrá-los”, comemora e finaliza. 

Serviço 
3º Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia. Palestra “Imagem, realidade e fabulação”, com Alexandre Sequeira. No Instituto de Artes do Pará, a partir das 19h, com entrada franca – Praça Justo Chermont, ao lado da Basílica de Nazaré.

16.5.12

"Certeza" tem sessão especial no Cine Olympia

Persistir numa escolha que não precisava ser eterna. “Nenhuma escolha precisa”, acredita o jovem Pedro Tobias, diretor e roteirista de “Certeza”, projeto vencedor do Edital Ideal de Curta-Metragem que terá uma sessão especial de pré-estreia para convidados nesta quinta-feira, 17 de maio, no Cinema Olympia, às 19h. 

Paulo nunca teve dúvidas. Construiu os próprios planos com a certeza do amanhã. A namorada, Isabele, preferiu esperar a chegada do futuro e transformá-lo num tempo presente. Quando veio o momento de decidir caminhos, ela se encontrou no destino escolhido. Ele se decepcionou e mesmo assim, resolveu continuar. 

Ao retratar um tema comum – os conflitos que povoam a mente de centenas de jovens na fase do vestibular - “Certeza” descortina a vida. “Não acho que seja um roteiro ruim, mas não acho um roteiro excelente. É uma estória que pode acontecer com qualquer pessoa, e é pouco explorada no cinema”, avalia. O curta–metragem retrata os anseios que nos acompanham dia após dia. “Todo mundo faz escolhas, o tempo todo. 

No filme, eu quis passar a mensagem de que nem toda a escolha é eterna”, diz o jovem, que, aos 17 anos, resolveu escrever sobre as experiências que ele vivenciou com os amigos. O roteiro nasceu do olhar sobre vivências dele e dos outros no período em que as decisões confirmam ou modificam todo o sentido de uma vida.

Pioneirismo - É o primeiro trabalho profissional de Pedro Tobias, que venceu o edital de patrocínio do Grupo Ideal em 2011, numa iniciativa pioneira de fomento ao audiovisual por parte de uma instituição privada no Pará, em parceria com a Caianna Produções e a ABDeC-PA. 

Aos 18 anos, e com participações em dois curtas experimentais, resultado de oficinas de cinema em Belém, Tobias está apenas começando. “Eu sei que tô muito no início. Tenho muita coisa pra aprender. Aprender sobre as técnicas, sobre o ritmo do set de filmagem, sobre coisas que só a vivência vai me trazer”, reflete.

 Filmado entre os meses de fevereiro e março, “Certeza” é protagonizado pelos atores Enoque Paulino (Paulo) e Isadora Lourenço (Isabele) que vivem o casal de namorados cheio de conflitos desde o princípio do filme. O trailer está em exibição antes das sessões de “Os Vingadores”, na sala 2 do Moviecom Pátio Belém, e agora com a pré-estreia no centenário Olympia, Pedro tenta conter a empolgação .

“Eu tive muita sorte, porque eu sei que eu tenho muito pela frente. Fiquei muito feliz e honrado de poder exibir meu filme no Olympia, quero que o ‘Certeza’ seja o meu cartão de visita. Lembro que imaginava uma coisa muito pequena e ficou melhor do que eu imaginava”, comenta. 

Para o futuro, Tobias planeja inscrever o trabalho no maior número possível de mostras e festivais. Tem novos projetos, como a realização de um documentário, e sonhos.  “Espero que Certeza seja o primeiro filme de muitos”, deseja. 

 
Trailer - Ficou curioso de ver "Certeza". Por enquanto, assista o trailer, aqui, pois a previsão de estreia para o público é só no segundo semestre, pois o curta está sendo inscrito em festivais que exigem ineditismo. A pré-estreia de Certeza é especial e para convidados.

Mas o fato é que chegando à tela do Olympia, o filme marca a concretização de uma ideia iniciada com o lançamento do edital de patrocínio de curta-metragem em 2011. Ao lançar um edital de patrocínio de curta-metragem o grupo Ideal tornou-se a primeira instituição privada do Pará a investir e financiar diretamente a produção audiovisual paraense.

“Como instituição de educação nós nos identificamos com isso. Existe uma tradição muito pouco explorada no Brasil que é a tradição do mecenato. Há uma certa resistência do empresariado nacional em praticar isso. Mas o empresariado tem que sair da zona de conforto e exercer sua função social. E a vontade do Grupo é que, financiar a arte por acreditar nela, não seja uma atitude rara, que seja frequente”, destaca Manoel Leite Júnior, diretor de marketing do Grupo Educacional Ideal.

Sendas, espaço para pontos e fugas da linguagem

Dedicado à produção contemporânea em artes, o projeto é uma iniciativa de um grupo de poetas, artistas e intelectuais com objetivo de criar um espaço de leitura literária, exposição de obras, projeção de vídeos, debates e bate papo acerca das várias linguagens e suas produções. 

O projeto estreia nesta quinta-feira, 17, a partir das 19h, no Espaço cultural Pimenta de Cheiro. A ideia do grupo, formado por formado por Marcílio Costa, Antonio Moura, Nilson Oliveira e Aldrin Figueiredo, é ocupar este espaço e torná-lo uma referência para o debate, a apreciação e o pensamento acerca das manifestações contemporâneas, buscando uma fuga do discurso autorizado e demasiadamente acadêmico, por isso a proposta do projeto é acontecer em um local fora dos circuitos institucionais referendados.

Nos encontros cada autor convidado terá uma exposição (quando artes visuais) ou lançamento de sua obra (quando literatura). No caso da literatura, o autor fará uma seção de leitura que se estenderá para uma série de perguntas da pláteia em seguida irá autografar a obra lançada. Segue a mesma dinâmica para as demais linguagens, dentro de suas particularidades. Ou seja, um ambiente de leitura e "bate papo" sobre criação e linguagens. 

O projeto Sendas inicia suas atividades em parceria com a editora Edições do Escriba e com a doceria Pimenta de Cheiro. No ano de 2012, o projeto está lançando, juntamente com a editora, uma série de "plaquetes" (publicação que lembra o formato de folders) de 15 poetas da literatura paraense. Nomes como Paulo Plinio Abreu, Cauby Cruz, Max Martins, Maria Lucia Medeiros, Paulo Nunes, Antonio Moura e outros nomes da recente poesia feita em nosso Estado. 

O que é plaquete? Bem, nesta programação de abertura, o historiador Aldrin Figueiredo vai explicar, focando a sua importância na história da literatura.  Esta primeira edição conta com a participação do poeta e tradutor Antônio Moura, um dos maiores nomes da poesia brasileira contemporânea.

É ele quem abre o projeto com duas plaquetes dedicadas à sua poesia: A origem do mundo e Permanência, dois poemas que, nas plaquetes, dialogam cada um com uma pintura. O poema Permanência é dedicado ao filósofo Benedito Nunes, amigo e prefaciador dos livros de Moura. 

Serviço
Projeto Sendas. Nesta quinta-feira, 17, a partir das 19h, no Espaço Cultural Pimenta de Cheiro (Av.Governador José Malcher, 2125).

15.5.12

O cinema extremo, maldito, polêmico e estético

Chegou a hora de mais uma discussão dilacerante no Matadouro, projeto de cinema e educação aprovado pelo Programa Institucional de Bolsas de Extensão, o PIBEX/UFPa, com coordenação do Profº Dr. Luizan Pinheiro. Na sessão desta quarta-feira, 16, será exibido um dos filmes mais polêmicos dos anos 2000. “Subconscious Cruelty” é para quem gosta de fortes e bizarras emoções, mas que também vê nisso um nicho de discussão sobre a estética do cinema considerado maldito. No Atelier das Artes da UFPA, a partir das 18h30, com entrada franca.

A crítica convencional não é e nem poderia ser lá muito confortável, digamos assim, para Subconscious Cruelty (Crueldade Subconsciente), filme de Karim Hussain. 

Como o nome já sugere, o cineasta canadense parece tê-lo feito para chocar cruelmente os espectadores, pois nos leva a um mergulho profundo ao lado mais sombrio da mente humana. Há rituais malignos, sacrifício de recém-nascido, incesto, canibalismo, perversão sexual explícita e outras coisas do gênero. E sendo assim, cai como uma luva para no projeto Matadouro, cujo foco principal é a discussão de filmes extremos. 

Matadouro inaugurou, por exemplo, com Demência, de Carlos Reichembach e, em seguida, já exibiu também “Estrada Perdida”, do polêmico David Lynch. Mas "Subconscious Cruelty" supera ambos. É uma viagem aos abismos da mente e à capacidade de crueldade de todo ser humano. De tão impactante, virou uma espécie de filme osbcurecido e evitado pela mídia e festivais, mas ao memso tempo cultuado por um pequeno número de cinéfilos que conseguem separar o sangue da arte. 

O Diretor Karim Hussain demorou 5 anos para filmá-lo, tempo favorecidos pela censura. O canadense Karim Hussain já fez outros filmes, mas obviamente é mais conhecido por este. Com cenas extremas e imagens dilacerantes, literalmente, Karim fez um dos longas mais bizarros e polêmicos de todos os tempos. E por isso, já foi censurado e banido em quase todos os países onde foi exibido, mas possui uma aura de misticismo de fazer inveja a “O Exorcista”. 

Polêmios, malditos - A programação e curadoria são de Max Andreone e Mateus Moura, integrantes da Associação Paraense de Jovens Críticos de Cinema – APJCC. De acordo com eles, já há uma lista de uns 50 filmes escalados para as sessões do Matadouro. Mas o tema polêmico, segundo Mateus, não é necessariamente o critério principal de escolha dos filmes.

O principal critério da curadoria, segundo ele, é o extremo estético. "O polêmico vem no bojo (ou não). No caso do Subconcious e dos dois outros já exibidos, com certeza”, esclarece.  "Um filme como 40 Guns, do Samuel Fuller, ou uma animação como A bela adormecida também são filmes malditos, isso porque são reconhecidos comumente como filmes bobos, enquanto escondem um universo estético devastador”, diz o cineclubista. 

Para ele o ‘filme maldito’ causa polêmicas por tratar de temas a frente de seu tempo. Estes cineastas lidam com tabus sociais e culturais, como a violência, o sexo, a religião. “Queremos mudar essa ideia. Malditos são filmes que não figuram nos cânones estabelecidos de sua época, como aceitos. Filmes de estéticas que atravessam o belo instituído, para atingir a verdade da beleza instituinte. Só não são obras-primas, o que posso categorizar, porque escarnecem eles mesmos desses conceitos”, continua.

“Estão na fila, filmes considerados libertários, geniais, revolucionários e livres. Vamos exibir desde filme brechtiano, passando por vampiro classe Z, até underground americano e filme cabeçudo de experimentalismo formalista estruturalista vanguardista etc!!”, finaliza Mateus. 

Serviço
Matadouro é um projeto quinzenal. Nesta quarta-feira, 16, apresenta Subconscious Cruelty (Canadá/1999 - Direção, Roteiro e Edição: Karim Hussain). No Atelier de Artes da UFPA - campus profissional -, às 18h30. Entrada franca. Mais informações: http://matadouroufpa.blogspot.com.br/

14.5.12

Amazônia das Artes tem dança, teatro e música

São Batuques, do Amapá
É a última semana do projeto, no Pará. Para começar a segunda-feira, 14, tem apresetnação do grupo "São Batuque", de Macapá, que também estará em Castanhal. Também estão previstos os espetáculos "Plagium" e O Menino e o Céu, e ainda “La fábula”, da Cia Madalenas, e “O menor espetáculo da Terra”, dos Palhaços Trovadores, além da apresentação do "Boi Marronzinho”. O Amazônia das Artes está acontecendo na área livre e no Ginásio do Sesc da Doca, sempre com entrada franca.

Nesta segunda, 14, em Belém, e na terça-feira, 15, em Castanhal, sempre às 20h, o público poderá ver “São Batuques”, um espetáculo musical dos compositores Beto Oscar e Helder Brandão e busca essencialmente exaltar a riqueza poética e melódica das manifestações folclóricas afrodescendente do Estado do Amapá.

Por meio de músicas compostas por estes autores, influenciados pelos ritmos e ritos tradicionais de nossas comunidades quilombolas e por outras composições já editadas por compositores conhecidos do cancioneiro popular amapaense, principalmente os cantadores de batuque, marabaixo, zimba, sahire, tambor de mina, entre outros, associados ou não aos componentes da religiosidade, da música e dança.

Já o espetáculo “Plagium”, que será apresentado na terça-feira, 15, também às 20h, pretende questionar sobre a autoria em dança e quais ferramentas são usadas para que a construção de um espetáculo seja considerada autêntica. O Grupo Dançaurbana foi criado em 2002, por meio de um curso de verão realizado pelo Grupo Funk-se, logo depois chamada de Cia. Dançurbana. Nascido em Campo Grande, desde o princípio e até hoje, acredita na ideia de levar a arte a todos os lugares possíveis e de promover a integração com a comunidade.

Formada por jovens provenientes de projetos sociais realizados na periferia de Campo Grande/MS, a companhia é um agrupamento daqueles que se destacaram pelo seu empenho, participação e engajamento pela arte. Os integrantes da Cia. Dançurbana visam a dança como veículo de formação e de expressão sensória, e deste modo buscam o aprimoramento estético e técnico, além de tornar acessível o seu trabalho à sociedade em geral, possibilitando à população a apreciação da dança e transformação social pela arte.

Teatro -  Na quarta, 16, às 20h, teremos o espetáculo “O menino e o céu”, encenado pela Cia. de Teatro Infantil Faces, do Mato Grosso. Com medo de que seu único amigo, um jumentinho, morra de sede, o menino sai em uma grande jornada pelo sertão nordestino em busca de um passarinho que os ensinará a voar para que assim possam pedir às nuvens para voltar a chover e também chegar mais rápido ao Rio São Francisco. Nessa incrível jornada eles encontram um sapo que não consegue mais pular, um lagarto com mania de perseguição, um urubu carregado de maldade e duas asas brancas que vão fazê-lo acreditar que para voar é preciso apenas um grande sonho 

Cia Madalenss em "La Fábula"
Lá Fábula, o mais novo espetáculo da Cia Madalenas, será apresentado na quinta-feira, 17, às 18h. É mais uma oportunidade para quem ainda não viu a peça, encenada desde dezembro de 2011. 

A companhia, que já completou uma década de atuação, propõe neste trabalho, um mergulho no universo mágico presente em contos da literatura universal. A encenação usa como base, os fundamentos do teatro de rua, se valendo do mundo do ‘faz de conta’ para envolver o espectador na trama.

Dirigido pela atriz, dramaturga e contadora de histórias Ester Sá, a peça investiga a dramaturgia para apresentar as fábulas ao público sob outro ponto de vista. Ainda que alguns dos personagens sejam da literatura, o contexto do espetáculo, segundo Ester, é fabulesco. Tem-se então em cena personagens como Dom Quixote e sua ingenuidade, Homem de Lata e o seu coração generoso, o intrigante Velho do Saco e uma Rainha Altiva, que reúne várias referencias a rainhas dos contos de fada. Ela se alimenta de histórias, e terá sua fome aplacada por três súditos que exercerão a função de contadores de histórias.

Na quinta-feira, 17, ainda, só que às 20h, tem "O Menor Espetáculo da terra”, dos Palhaços Trovadores. A peça une as linguagens do clown e do teatro de bonecos e tem sido um sucesso entre pessoas de todas as idades. Nesta nova história, uma trupe de cinco palhaços é abandonada na beira da estrada pelo circo para o qual trabalhava. Sem rumo e sem esperanças, eis o dilema: desistir ou não de ser palhaço? Juntos, eles decidem montar o circo de seus sonhos, onde cada um vive a atração que sempre imaginou ser. É claro que ao longo do caminho eles aprontam poucas e boas, deliciando o público em gargalhadas.

Boi Marronzinho
É boi bumbá - O Boi Maronzinho é uma das estrelas da sexta-feira, 18, a partir das 18h. Com quase 20 anos de atuação, o boizinho surgiu no bairro da Terra Firme, em 1993, depois que quatro amigos resolveram criar um boi-bumbá como opção de entretenimento cultural.

A empolgação aumentou depois que o grupo conheceu o 'seu Reis' - mestre na arte de confeccionar bois e que mora em São Caetano de Odivelas, no nordeste do Pará. Hoje, instituído como uma associação, o Boi Marronzinho faz captação de recursos que são aplicados em atividades do movimento cultural durante todo o ano, tendo como marca a valorização da cultura popular na Terra Firme.

Encerramento - Encerrando a programação, o show “Centro Metropolitano”, do violonista e compositor Leonardo Luigi Perotto e do Grupo Palmas-Música Tocantins, se apresenta também na sexta-feira, 18, às 20h. A obra foi criada em dez movimentos, tenta conduzir o ouvinte por diferentes experiências estéticas dentro do enfoque do homem contemporâneo e de seu mundo em liquidez.

A música de câmara se justifica pela diversidade e profundidade da herança cultural associada à produção criativa de séculos de história. A apresentação de um repertório que não se encontra em constante exposição nos veículos de comunicação de massa, proporciona a criação de referências musicais alternativas, enriquecendo a vivência cultural e estética do público.

Centro Metropolitano - show
Leonardo Luigi Perotto graduou-se no curso superior de música – Bacharelado em Violão – na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM-RS) em 2003, tendo como orientadores os professores Krishna Salinas e Marcos Kröning Corrêa. 

O Grupo Palmas-Música é composto por músicos de formação acadêmica que residem na capital do estado do Tocantins. A representatividade do grupo se consolida pelas diferentes trajetórias de cada integrante, formando um núcleo a partir das diversas vertentes e escolas de aprendizado.

Circulação - O projeto Amazônia das Artes está em sua quinta edição, sempre com objetivo de estímular e difundir a produção artístico-cultural dos Estados abrangidos pela Amazônia Legal e por outros Estados que possuem características semelhantes. Atualmente, o projeto conta com a participação de onze Estados, sendo eles Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Piauí, Rondônia, Roraima e Tocantins. Dois projetos realizados por artistas paraenses foram contemplados pelo Amazônia das Artes, este ano, e já estão circulando pelos outros estados envolvidos: Os Palhaços Trovadores com “O menor espetáculo da terra” e o show “Tu já Rainha” da cantora Luê Soares.

Programação
14/05 – Espetáculo Musical “São Batuques”(AP) , em Belém, 20h e 15/05 em Castanhal, 20h
15/05 – Espetáculo de dança “Plagium?” (MS), 20h
16/05 – Espetáculo de teatro “O Menino e o Céu” (MT), 20h
17/05 – Espetáculo de Teatro “La fábula” (PA), 18h
17/05 – Espetáculo de Teatro “O menor espetáculo da Terra” (PA), 20h
18/05 – Espetáculo do grupo “Associação Cultural Boi marronzinho” (PA), 18h
18/05 – Espetáculo Musical “Centro Metropolitano” (TO), 20h

Mais informações:  Tel: (91) 4005-9587 / 9584


13.5.12

Cobra Coral mostra o som que vem da cerâmica

O som que vem do barro, com os fragmentos da iconografia Marajoara, tapajônica e rupestre, os ritmos regionais e os experimentos sonoros são os elementos que montam estética e sonora o carimbó cobra coral, que vai se apresentar neste domingo, 13, Dia das Mães, no Centro Cultural Sesc Boulevard, a partir das 19h. 

Está aí uma ótima programação pra quem quiser curtir este dia de homenagem, em família, mas fora de casa.  A entrada é franca e será uma experiência sonora diferente, pois o Cobra Coral é o primeiro grupo de música regional a tocar em instrumentos de cerâmica no estado. Através da utilização de peças cerâmico-percussivas, o grupo interage as olarias do Paracuri e as raízes do carimbó de Icoaraci, com o processo de construção em um novo conceito de artesanato e música. 

Além dos percussivos, o Cobra Coral também traz em sua formação, o banjo amazônico, flautas artesanais, contra baixo, pau elétrico e bateria, dosando as medidas sonoras da cultura popular de raiz e a multiplicidade de influências contemporâneas globais em composições autorais e letras que retratam os sentimentos e as relações do mundo com visões particulares da nossa terra. 

O Cobra Coral é formado por músicos autodidatas que tem ao longo de suas carreiras já participaram de mesmos grupos e se dedicam a estudos e pesquisa da música popular. Luizinho Lins (banjo/bandolim/voz), pesquisa ritmos e percussão, mas especificamente o banjo regional. Toca em grupos para-folclóricos, já foi diretor musical do hoje conhecido como Balé Folclórico da Amazônia – BFAM. Bolsista do IAP – Instituto de Artes do Pará -, no ano de 2004, com o projeto de pesquisa/estudo inédita sobre “ritmos tocados, na Marujada de Bragança, transportados para o banjo amazônico”.

Em 2005, a partir de sua pesquisa ministrou oficinas no IAP e atualmente ele se apresenta também no Espaço Cultural “Coisas de Negro”, que há doze anos, juntamente com outros amantes da musica popular, fazem a roda de carimbó mais tradicional de Belém, aos domingos. 

Faz também parte do grupo, o músico Silvio Barbosa (flautas/sax-soprano/voz), que vem estudando a flauta regional e tocando em grupos para-folclóricos, participando como arranjador também do BFAM. Silvio já participou de festivais Internacionais na Europa e no México, entre 2001 e 2006 e como bolsista do IAP, investigou as Flautas regionais, em 2007. É mais um integrante do grupo que se apresenta no “Coisas de Negro” em Icoaraci. 

Já Laerte (percussão) começou suas atividades musicais no grupo Guará-Pará e hoje é diretor musical do grupo. Participou da oficina de percussão de ritmos paraenses pela Bienal de música de Belém em 2003 e também trabalha com produção musical em Pro-tools. Michel Silva (percussão) integrou o Guara-Pará e o BFAM. 

Já participou de Festivais como: Encontro das Nações SC-2000; Festival de Folguedo de Teresina e Parnaíba PI-2001; Festival de Folclore de Tocantins TO – 2003. João Brito (contrabaixo) cursou apenas uma oficina de contrabaixo na escola do Sesc Belém e atualmente toca com o Guará-Pará e como músico contratado dos artistas locais. 

Serviço 
Grupo Cobra Coral. Show neste domingo, Dia das Mães. No Centro Cultural Sesc Boulevard – Castilhos França, em frente à Estação das Docas, a partir das 19h. A entrada é franca. Mais informações: 91 82987429.

11.5.12

Coisas de Negro mostra que Icoaraci é rock’n roll!

O final de semana traz uma boa surpresa e coloca na rota do bom e velho rock, o Coisas de Negro, espaço tradicional do autêntico carimbó, mas que não abre mão da diversidade e se rende, nesta sexta-feira, 11, ao Coisas de Rock, projeto que inicia com os grupos “Tabita Veloso e os Forjadores", "Bonsalvage" e a “Novos Camaleões”, banda lendária de Icoaraci. A programação inicia às 21h. Ingresso R$3,00.

Na virada da década de 1980 para os anos 1990, a chamada Vila Sorriso era um dos lugares mais efervescente da cena independente do rock em Belém.

Daquele movimento surgiram bandas que chegaram a gerar um festival de rock e depois uma ativa participação destas no não menos lendário Rock 24 Horas. Estavam entre elas a Falsos Adeptos, que teve como vocalista era o jornalista Ismael Machado (coluna Parabólica – Caderno Por Aí - Diário do Pará), a Anjos do Abismo, na qual estava o guitarrista Pio Lobato, e a Novos Camaleões, a única entre estas que permanece na ativa, embora sejam raras suas apresentações. 

Fundada pelos irmãos Hilton Santos (voz) e Humberto Costa (baixo), juntamente com os amigos Jorge Furtado (guitarra) e Alexandre Farias (o Xande - baterista), a banda começou com um som agressivo, mais sempre com forte influência do bom e velho rock'n'roll. Trilhando na cena rock paraense dos anos 90, passando por diversas formações. 

Os Novos Camaleões
Da atual estão os remanescentes fundadores Hilton Santos, Humberto Costa e Jorge Furtado, aos quais se une o baterista Zeca Teixeira.

 “A banda mantém o rock como base do seu trabalho, indo ao implemento de sons mais experimentais. 

Hoje com quase 200 belas composições ao longo de seus 22 anos de carreira, essa permanência na mudança é o que caracteriza os Novos Camaleões. Não temos disco gravado oficialmente, mas está em nossos planos um todo autoral”, diz o guitarrista Jorge Furtado. 

No show desta sexta eles prometem um repertório variado, composto por 19 músicas “cheias de energia, que com certeza não vai deixar ninguém parado, é sem dúvida um show muito especial”, continua o guitarrista, que também defende o espaço Coisas de Negro como um lugar aberto a novas experiências musicais. 

“Tivemos uma cena rock muito forte nos anos noventa, mas as pessoas em Icoaraci, possuem a cultura do ecleticismo”, diz. Quantos às participações, a Novos Camaleões, segundo Furtado, sentem-se bem à vontade. “Já tocamos juntos antes com a Tabita Veloso e os forjadores e com a Bonsalvage e temos uma grande amizade por todos”. 


Bonsalvage
Bonsalvage – Com a promessa de um CD em 2012, a Bonsalvage está sempre desbravando os caminhos, trazendo um som diversificado, trazendo sonoridades tradicionais, mas sempre, claro, voltadas ao rock. 

É formada por João Cirilo (vocal), Guto Ribeiro (baixista), Teko Martins (guitarra e voz), por Alexandre Brandão (guitarra) e Allan Jorge (bateria), autor da música "O mundo não é azul" interpretada pela cantora Tábita Veloso. 

Em março deste ano Teko Martins, João Cirilo e Guto Ribeiro foram entrevistados pelo Holofote Virtual. Naquele momento eles estavam se preparando para tocar em Santa Izabel e discutiram um pouco sobre esta descentralização da cultura do rock e da cena independente no Pará. 

“O movimento está organizado em Belém, mas isso está se difundindo pelo Estado. Apesar de existirem problemas muitas vezes, no geral é um bom cenário o que nos faz acreditar no circuito independente”, disse Guto. 

“Acreditamos neste circuito sim, porém achamos que a cidade necessita, além de mais espaços, incentivos para este tipo de produção, assim como a própria cena musical precisa se unir mais em torno de uma consciência coletiva de cooperação mútua onde a classe deva prevalecer”, opinou Teko Martins.

“A cena independente é importante, mas propiciar formas mais amplas de dar acesso às pessoas das coisas que são produzidas aqui é um fator determinante para a criação de uma cena musical efetiva”, finalizou Cirilo. Você pode acessar este bate papo na íntegra aqui: Entrevista Bonsalvage


Tábita – Cantora e compositora, Tábita Veloso é de Belém. Nos anos 2000 aos 13 anos atuava em espetáculos de dança e teatro, mas logo se entregou à música integrando o grupo Quarto de Canto. Não tardou a moça já estava vencendo festivais. 

Em agosto de 2011, acompanhada da banda Suíte Imaginária, defendeu a música compositor barato de André Moska, no III Festival de música popular paraense (promovido pela Rede Brasil Amazônia de Comunicação – RBA), e em outubro do mesmo ano, ao lado das bandas Crisantempo e Suíte Imaginária, venceu o III Festival Cultura de Música, realizado pela Rádio Cultura, onde 12 músicas escolhidas por um grupo de cinco jurados disputavam o voto popular. 

Este ano, com a mesma música vencedora do festival estadual (“O Mundo Não é Azul” de Allan Jorge), Tábita Veloso vence na categoria voto popular, o III Festival de Música da Associação das Rádios Públicas do Brasil (III Festival ARPUB), seu primeiro festival a nível nacional. A música vai render um videoclipe que já está em fase de produção e deve ser lançado em agosto. E mais. Tábita pretende lançar, junto com Os Forjadores, um CD para ser lançado entre o final deste ano e o início de 2013.

Os Forjadores são, na verdade os Bonsalvage Guto Ribeiro, Allan Jorge e Alexandre Brandão, tendo ainda André Moska  (guitarra e voz). "É muito engraçado quando as duas bandas tocam no mesmo evento. Já até sugeri da gente juntar tudo numa só banda. É divertido, a gente se entende", brinca Cirilo, vocal da Bonsalvage.

Serviço 
Projeto “Coisas de Rock”. No Espaço Coisas de Negro - Rua Lopo de Castro, entre a 5ª e a 6ª ruas. Nesta sexta-feira, 11, em Icoaraci – que fica a uns 30 minutos de Belém, 21h, com ingresso a R$ 3,00. Mais informações: 91 81611404 (Novos Camaleões).

Joelma Klaudia lança o DVD “Dias Assim” na Black

Joelma (Foto: Fábio Pina)
O show integra o circuito de divulgação deste seu novo trabalho e trará ainda covers de grandes nomes da “ black music”. Em uma hora e meia de espetáculo, a apresentação conta com as participações de André Leemax, Gigi Furtado e Bruno B.O. Nesta sexta-feira, 11, a partir da meia noite, no Palafita.

“Eu sou black em tudo. Na minha música, no minha voz, na minha aparência”. Quem já a viu no palco sabe, a afirmação de Joelma Klaudia é tão cristalina quanto as vozes das grandes cantoras de música negra. 

Com nove anos de carreira pelos bares e casas noturnas de Belém, a paraense de Altamira chega na Black Soul Samba com seu primeiro DVD, inteiramente gravado às margens do Rio Xingu. Segundo Joelma, a escolha de locação veio num momento em que era preciso registrar a área “antes que a hidrelétrica de Belo Monte a destrua”, diz a cantora Altamirense. 

“Quis registrar o rio ainda intocado, como nas lembranças da minha infância”, afirma. O ato emocional (e político) foi colocado num trabalho, que capturou ao vivo a energia de Joelma, e agora será mostrado ao fiel público da BSS.

 “Todas as músicas são releituras do que gravei no meu primeiro CD, Dias Assim, lançado em 2009. São canções autorais de compositores paraenses”, informa. Além das 10 músicas presentes no DVD, Joelma também promete surpresas e homenagens à ícones como Amy Winehouse. 

Nas releituras do DVD, o repertório tem canções assinadas pela própria cantora, como a faixa-título “Dias Assim”, e mais duas músicas "Para Mim que Era Tudo Brincadeira" e "Fotografia". Há ainda, composições de destacados autores paraenses, como Felipe Cordeiro, Renato Torres, Edir Gaya e Henry Burnett. Várias destas composições receberam novos arranjos para a gravação no DVD. 

Para as filmagens foram produzidos dois shows em Altamira, interior do Pará. Um à noite, com público, e outro durante o dia, apenas com a presença de alguns convidados. A noite black de Joelma Klaudia, será regada ainda pelos sons dos DJs Uirá Seidl, Kauê Almeida, Fernando Wanzeller e Eddie Pereira. Tudo com a melhor e mais abrangente pesquisa musical pelos ritmos do samba, afrobeat, carimbó, maracatu, soul e todas as cores da black music. 

Serviço
Além do show na Black Soul Samba, quem quiser conferir mais cedo o trabalho de Joelma, pode chegar no Centro Cultural Sesc Boulevard - Av. Castilhos França, em frente a Estação das Docas -, às 19h, onde ela também faz esta apresentação. A Black acontece no Bar Palafita, que fica na Rua Siqueira Mendes, ao lado do Píer das 11 Janelas, na Cidade Velha. Ingressos a R$10. Mais Informações:  (91) 8413 0861 / blacksoulsamba@yahoo.com.br/ (91) 8190 8270 / 8889 3639.  Visite o blog www.blacksoulsamba.blogspot.com

Aquivo Público (PA) ensina gestão de documentos

Funcionários do Arquivo Público do Pará e de outros órgãos estão juntos, desde o dia 09 de maio, se atualizando sobre o Programa de Gestão de Documentos, coordenado pela Associação dos Amigos do Arquivo Público do Estado do Pará e a FACCIO - Consultoria e Serviços Educacionais. 

Integrando o projeto “Preservação, Conservação e Acesso”, patrocínio da Petrobras, o curso Gestão e Eliminação de Documentos teve duração de três dias, no prédio do Arquivo Público, e encerra nesta sexta, 11. 

Ministrado pela Professora Doutora Ana Célia Rodrigues, coordenadora do curso de Arquivologia da Universidade Federal Fluminense, quem participou, descobriu modos mais seguros de descarte de material documental, além de métodos mais efetivos de se guardar essa documentação. O peocesso merece cuidados desde a sua produção e tramitação, para que na chegada aos arquivos, alguns deles sejam preservados e guardados e outros, que não tem valor documental, sejam eliminados. 

Para a Professora Ana Célia Rodrigues, infelizmente, o conceito de Gestão de documentos não abarca os Arquivos Permanentes, pois, de acordo com convenções arquivísticas, quando esta documentação se torna permanente já está provada o seu valor de guarda. Mas são os Arquivos Públicos que têm a responsabilidade de coordenar procedimentos de gerência de documentação que serão continuados por outros órgãos do Estado.

“Cabe aos Arquivos Públicos acompanhar a produção da memória do Estado, afinal são esses documentos que sustentam direitos e deveres do cidadão”, afirma. Para a professora, a eliminação de documentos, sem critérios, é um problema comum em todo o país, tendo como principal desculpa a obstrução do espaço físico. 

Um exemplo desta falta de percepção do que deve ou não ser guardado foi a eliminação de um volume substancial de cartas que a prefeitura de Santos, em São Paulo, recebeu quando elegeu seu primeiro representante diretamente depois de décadas de intervenção federal, uma mulher do Partido dos Trabalhadores. 

“Isso mexeu com o imaginário da população, que teve pela primeira vez uma mulher de um partido de esquerda como governante. Quando todo este volume foi descartado, muito dos anseios, reivindicações e vontades daquela sociedade da época que estava registrado foi perdida”, finaliza Rodrigues. 

Mais informações: (91) 3219 1110 / 8039 0058.