20.7.10

Jornada em Belém para fundar Federação Paraense de Cineclubes

Cerca de 60 cineclubes estarão representados na jornada que vai criar a Federação Estadual do setor, nos dias 23, 24 e 25 de julho, em Belém. A programação será desenvolvida na escola Salomão Mufarrej - Av. Tamandaré, 256 -, tendo como base e hospedagem dos participantes que virão de fora, o Colégio Paes de Carvalho - Rua João Diogo, Pça. da Bandeira.

Para ter ideia da onda cineclubista que se desencadeou há cerca de dois anos em Belém, retomando em escala maior o que se viu em décadas passadas por aqui, neste final de semana que passou, no dia 16, mais um cineclube foi inaugurado, desta vez em Bragança.

A iniciativa reativou o atual Museu da Marujada, como sala de cinema. Foi exatamente ali que funcionou por décadas o único cinema da cidade, próximo às margens do rio Caeté. E como uma coisa puxa a outra, o cinema vai ganhar mais espaço ainda na minha querida Bragança. Com apoio do projeto Aluno Repórter, que acaba de inaugurar estúdio de Rádio e TV, um programa para discutir cinema já está sendo criado e em breve será exibido em Tv aberta.

Amanhã, 21, inaugura o Cine ti-Bamburucema, no Terreiro Rundembo Ngunzo ti Bamburucema, na Terra Firme. É o terceiro Terreiro a fundar cineclube só em Belém. Há ainda o Cineclube Pedro Veriano, na Casa da Linguagem, coordenado pela ABDeC-PA, o Cineclube Alexandrino Moreira, coordenado pela ACCPA – Associação de Críticos de Cinema do Pará (ex-APCC) e o próprio Cinema Olímpia, que tem sido palco de exibições de cinema de arte. Mas há ainda e aqui estrão presentes, cineclubes do Marajó, Santarém, Marabá, Altamir, entre outros.

A Jornada Paraense de Cineclubes - JOPACINE tem como meta principal fundar a Federação Paraense de Cineclubes, mas pretende, ainda, discutir políticas públicas de incentivo aos cineclubes e estratégias de desenvolvimento da atividade cineclubista no Estado do Pará; aprovar o plano anual de atividades e o programa a ser cumprido pela diretoria; promover as relações políticas e sociais entre os cineclubes atuantes no âmbito do Estado do Pará; incentivar o intercâmbio entre os cineclubes paraenses e destes com os cineclubes dos demais estados brasileiros, contribuindo para o desenvolvimento do cineclubismo no Estado do Pará.

Esta semana já começam a chegar participantes cineclubistas de vários municípios paraenses, além do secretário geral do Conselho Nacional de Cineclubes, João Batista Pimentel Neto. A jornada vem sendo construída pela Associação Paraense de Jovens Críticos de Cinema/Cine + Cultura; Conselho Nacional de Cineclubes; Governo do Pará (Secult + Seduc + Fapespa + Sedect + Prodepa); IDEA 2010; Inovacine; Fapespa; Instituto Nangetu e Rede Norte de Cineclubes.

Podem participar da JOPACINE todos os atores do setor audiovisual e todas as organizações cineclubistas atuantes no Estado do Pará, representantes do poder público e da sociedade civil, assim como os representantes de instituições públicas e particulares, entidades da sociedade civil e outras nas quais sejam desenvolvidas atividades de caráter audiovisual e cineclubista.

As inscrições podem ser realizadas até a meia-noite do dia 23 de julho de 2010. Maiores informações poderão ser obtidas no site www.jopacine.wordpress.com, e-mail jopacine@gmail.com ou pelos telefones 91 8717.5666 e 91 8813.1891.

IDEA 2010: Festival Internacional de Teatro se espalha por toda a cidade

“Celebrar e praticar a diversidade cultural como uma garantia pela democracia viva e participativa e abraçar pedagogias baseadas nas artes e em nossas linguagens, saberes e técnicas de transformação para democratizar nossas comunidades e nosso mundo, com a possibilitar de um futuro sustentável e humano”.

É com este pensamento e prática que está acontecendo desde o último sábado, 17, em Belém, o VII Congresso Mundial da Associação Internacional de Drama, Teatro e Educação (IDEA2010 - Viva a Diversidade Viva! Abraçando as Artes de Transformação!).

A programação acadêmica se desenvolve até este próximo sábado, na Universidade Federal do Pará, onde são realizados os vários SIGs - Special Interest Groups (Grupos de Interesse Especial), que discutem um tema apenas durante a semana.

A programação cultural do Festival Internacional de Teatro/Festa Mundial das Artes de Transformação - está em vários espaços da cidade, como o Teatro Waldemar Henrique, Teatro Margarida Schivasappa do Centur, Teatro Universitário Cláudio Barradas, Teatro Estação Gasômetro e Anfiteatro, no Parque da Residência e na Casa da Linguagem, onde rolam várias oficinas.

Há programação ainda no Museu da UFAP, Parque dos Igarapés, Praça da República, Icoaraci e Outeiro.

Entre os cortejos, na sexta-feira, 23, o do imperdível Boi Faceiro de São Caetano de Odivelas (foto acima). A concentração inicia às 15h, na UFPA. No sábado, 24, no Parque dos Igarapés, acontece “A Grande Colheita da Esperança”, uma apresentação trasncultural com participação de 20 países, com representantes vindos da Europa, África, América Latina, EUA, Ásia, e Austrália.

No Museu da UFPA, segue a exposição Crédito N°5, do artista suíço Johannes Burr. O artista deu uma mala “de Crédito” contendo uma câmera de vídeo, fitas de vídeo cassete e contratos impressos no começo de junho 2010 às comunidades nos arredores de Icoaraci.

Fiquem atentos ao domingo, 25, de encerramento, quando acontecerá a culminância das oficinas de teatro de rua, com um cortejo puxado pelo grupo Tá na Rua, do Rio de Janeiro, que sairá em cortejo, da Casa da Linguagem, a partir das 9h. As Rodas de Dança e Cantos dos Povos Originários e Tradicionais da Amazônia podem ser acompanhadas no anfiteatro do Parque da Residência.

Na quarta-feira, 21, os Xicrin do Caeté de Marabá estarão presentes, assim como os Mestres Sabiá e Osmar Baldez, do Tambor de Crioula, da Comunidade de Camiranga-PA.

Dona Onete, 71, cantora nascida em Igarapé Miri, Marajó, e que faz parte, em Belém, do Coletivo Rádio Cipó, canta e conversa com o público na quinta-feira, 22, junto com o carimbo do Tio Milico de Fortalezinha (Maracanã). Além deles, as Erveiras de Ver-o-Peso e as Cuieiras de Santarém, expõem seus produtos no local.

No domingo estreou o espetáculo “Águas Profundas”, do Grupo Vichama do Peru. Tendo como tema a violação das terras camponesas e a destruição do meio ambiente e as mudanças climáticas, levando à escassez da água e ao aumento da onda de calor, a peça também foi apresentada nesta última segunda-feira.

O espetáculo é bem montado, belo cenário, que reproduz uma floresta devastada, e boa atuação do elenco. O texto é que fica a desejar, centrado no discurso da realidade social e ambiental, faltou elaborar mais sua poética para alcançar a emoção dos espectadores.

O calor que fez durante a apresentação no Teatro Waldemar Henrique, que ainda está sem seu sistema de ar instalado, deixou os espectadores (que lotou todos os espaços disponíveis) de abano na mão o tempo todo e com certa dúvida se a situação tinha ou não a ver com a proposta do espetáculo.

No Teatro Cláudio Barradas, da Escola de Teatro e Dança da UFPA (ETDUFPA), mostra nesta terça-feira, 20, o espetáculo “See me so that I my dream” (“Ver-me para que eu possa sonhar)”, do Grupo Kompani Linge, da Noruega.

A Companhia de Teatro Linge Kompani montou a peça que fala sobre sonhos e esperanças, e tudo que os seres humanos têm em comum, independentemente de raça, sexo ou ambiente cultural ou social.

Entre os dia 21 e 25 acontecem mais espetáculos no Barradas. “Every Day, Every Year, I am Walking” (“Cada dia, cada ano, eu ando”), do Grupo Magnet Theatre, da África do Sul, na quarta e quinta, às 20h.

Na sexta, é a vez da peça “Carne”, da Cia. de Teatro KIWI, que está desenvolvendo seu novo projeto de encenação em torno da questão de gênero e da violência contra a mulher, investigando as conexões entre patriarcado e capitalismo.

No domingo, 25, o In Bust apresenta o espetáculo “Sirênios”, 20h, com bonecos construídos a partir da tradição ribeirinha, misturando atores e bonecos na cena.

Neste mesmo dia, pela manhã, a partir das 10h, o In Bust também apresenta “Curupira – Um Milhão de Nós”, na Praça da República.

Serviço
VII Congresso Mundial da Associação Internacional de Drama, Teatro e Educação. Até 25 de julho, em vários espaços de Belém. Mais informações: 91 4009.8721 (Teatro Gasômetro); 91 3249.0373 (Teatro Cláudio Barradas); 91 3224.5656 (Teatro Waldemar Henrique); 91 3202.4316 (Teatro Margarida Schivasappa); 91 3248.1718 (Parque dos Igarapés); 91 3241.9786 (Casa da Linguagem) e 91 3224.0871 (Museu da UFPA). Para saber mais sobre o IDEA, clique AQUI.

19.7.10

Benedito Nunes recebe a maior premiação da Academia Brasileira de Letras

O filósofo, escritor, ensaísta, crítico literário e, como ele mais gosta mais de ser chamado, o professor Benedito Nunes recebe amanhã, 20, o Prêmio Machado de Assis, pelo conjunto de sua obra.

A premiação é a mais importante da Academia Brasileira de Letras (ABL), concedida, anualmente, desde 1941. A cerimônia acontece no Rio de Janeiro, no Petit Trianon do Rio de Janeiro, na data em que a ABL completa o 113º ano.

Entre as principais obras publicadas pelo professor Benedito, estão, O drama da linguagem, uma leitura de Clarice Lispector, estudo pioneiro sobre a autora, publicado em (1966), e Passagem para o poético - filosofia e poesia em Heidegger, vencedor do Jabuti em 1987. Outros títulos são, O dorso do tigre (ensaios literários e filosóficos – 1969); O tempo na narrativa (1988); Introdução à Filosofia da Arte (1989); A filosofia contemporânea (1991); No tempo do niilismo e outros ensaios (1993) e Crivo de Papel (ensaios literários e filosóficos - 1998).

Benedito Nunes receberá R$ 100 mil, um diploma e um troféu, na forma de um busto de Machado de Assis, criado pelo escultor Mário Agostinelli. Segundo a ABL, Benedito está na linha de grandes pensadores existenciais, como o alemão Martin Heidegger e o francês Jean-Paul Sartre, e pode ser classificado como “um estudioso capaz de construir pontes entre a interpretação do texto literário e a sondagem filosófica, no caso fenomenológico”.

Além do conjunto da obra, a premiação contempla outros escritores nas categorias “História e Ciências Sociais”; “Ensaio”; “Literatura Infantil”; “Ficção”; “Tradução”; “Poesia” e o “Prêmio Roteiro de Cinema”, cujos vencedores recebem R$ 50 mil. A Comissão Julgadora do Prêmio Machado de Assis foi formada pelos acadêmicos Eduardo Portella (presidente), Tarcísio Padilha, Lygia Fagundes Telles, Alfredo Bosi (relator) e Domício Proença Filho.

Fonte: informações da UFPA e ABL.

Na praia: Jeff Gardner, Victor Biglione e Ximba Uchyama no Baiacool Jazz Festival

Serão várias atrações em três dias de muita música boa na praia do Farol Velho, em Salinas.

O pianista e compositor Jeff Gardner é uma delas. Nascido em Nova, suas influências passam pelo clássico, jazz e, principalmente, pela música brasileira. Estudou com nomes lendários do universo jazzístico, entre eles, John Lewis, Don Friedman, Jaki Byard além de Nadia Boulanger (música erudita).

Este ano, o Baiacool Jazz Festival traz também na programação artistas como Ximba Uchyama, contrabaixista paulista, com mais de 20 anos de carreira, autodidata no instrumento, com influências de música brasileira e jazz.

E Victor Biglione, guitarrista argentino radicado no Brasil, que já foi integrante do conjunto A Cor do Som no início da década de 80. Mais tarde tocou ao lado de Ivan Lins, Emílio Santiago, Marcos Valle, Marina, Fátima Guedes, Sergio Mendes, Gal Costa e Wagner Tiso.

Consagrado como guitarrista principalmente de jazz e fusion, lançou o primeiro disco individual, "Victor Biglione", em 1986. Atuando também como compositor, desenvolveu trabalho ao lado do pianista Marcos Ariel, que resultou no disco "Duo Volume I" em 1994, depois do sexto disco solo de Biglione.

Tocou também ao lado de Andy Summers, ex-guitarrista do grupo The Police, e desse trabalho resultou o disco "Strings of Desire", de 1998. Além de várias participações em show e discos, compôs em 1996 a trilha sonora do filme "Como Nascem os Anjos".

Além deles, já é confirmada a participação do grupo Jazz & Pop; Larissa Wright & Cumbuca Jazz, Tony Blues, Beach Blues Trio, Adelbert Carneiro e Jungle Band. De 23 a 25 de julho, sempre a partir das 17h, oito shows de música instrumental de artistas locais e nacionais vão embalar o verão paraense.

Informações: A programação completa, dizendo quem toca em cada dia e com mais detalhes sobre a estrutura do festival em 2010, será divulgada nesta terça-feira, 21, à imprensa. Este ano, o Baiacool Jazz Festival tem patrocínio do SESC PA e apoio do Programa Bacana, Secult-PA, Fundação Tancredo Neves, Governo do Pará e Jungle Interativa. Contato para a imprensa: 91 8134.7719.

Salão de Humor abre inscrições e traz novidades este ano

1° lugar do ano passado, Rucke (Brasil - SP): Chuva para o rei

O 3º Salão Internacional de Humor da Amazônia - Ecologia no Traço ficou maior e agora o público terá nove dias para conferir o que há de melhor no humor gráfico mundial da atualidade. Mas esta é apenas uma das novidades para este ano.

Os cartunistas irão concorrer em três categorias. Além do tradicional tema Ecologia, o salão terá um tema livre e uma nova categoria, a de Caricatura.

Apostando na arte gráfica com humor como expressão de consciência e reflexão, a terceira edição também abre inscrições para a Mostra Competitiva “Minuto pelo Planeta”, que exibirá vídeos de um minuto produzidos em qualquer suporte sobre o tema Ecologia. A premiação é de R$ 1.500,00.

A programação traz ainda um Salão Paralelo, com destaque será para a exposição em homenagem a Euclides “Chembra” Bandeira. A mostra exibirá 10 caricaturas do escritor, jornalista, sambista, letrista e humorista.

Dentro da programação de formação e socialização, o evento terá mesas de debates e workshops. O salão também terá espaço para o Caricatura ao Vivo, em que caricaturistas profissionais irão fazer desenhos bem humorados dos visitantes.

O salão é aberto à participação de cartunistas do Brasil e do mundo. O evento entregará R$ 13.500 em premiações aos vencedores. Este ano serão selecionados um total de 150 trabalhos.
No ano passado, o Salão de Humor da Amazônia reuniu trabalhos de 25 países, expostos no Espaço São José Liberto, onde este ano também acontecerá o evento.

Os artistas concorrerão a uma premiação de R$ 12 mil. Os vencedores do tema Ecologia receberão R$ 4 mil (1º lugar) e R$ 2 mil (2º lugar). No tema livre, o 1º colocado receberá R$ 2 mil e o 2º, R$ 1 mil. Na categoria Caricatura, a premiação é de R$ 2 mil (1º lugar) e R$ 1 mil (2º).

As inscrições do 3º Salão de Humor da Amazônia podem ser feitas até o dia 25 de agosto, pelo site: www.salaohumordaamazonia.com. O evento será realizado de 17 a 27 de setembro, no Espaço São José Liberto.

Idealizado pelo cartunista paraense Biratan Porto e pela produtora Márcia Macedo, o salão é realizado pela Central de Produção - Cinema e Vídeo na Amazônia. O patrocínio é da Oi, através da Lei Semear, apoio cultural do Hilton Hotel (via Lei Tó Teixeira) e Oi Futuro, além de apoio institucional do Espaço São José Liberto.

18.7.10

Do cinema no tucupi à história do cinema paulista

Pedro Veriano e Máximo Barros, encontro histórico
No melhor estilo nunca te vi, sempre te amei, dois grandes pesquisadores do cinema brasileiro se encontraram, pela primeira, em Belém do Pará. Um é a memória viva do cinema pioneiro paraense, o outro, do cinema paulista dos anos 50. Em seguida, a entrevista com Máximo Barros, que esteve em Belém para participar de um festival de cinema de animação, o Bacuri.

Pesquisador, professor de cinema, montador, escritor, Máximo Barro é um notável contador de histórias, uma das figuras mais queridas do cinema paulista, graças a seu trabalho de muitos anos na Escola de Cinema da FAAP. Ao longo de sua carreira, montou mais de 50 longas, entre eles, filmes de alguns dos mais importantes cineastas paulistas: Ozualdo Candeias (A margem, O vigilante), José Mojica Marins (Meu destino em suas mãos), Walter Hugo Khouri (A Ilha), Rubem Biáfora (O quarto), além de alguns filmes de Mazzaropi, fitas religiosas e pornochanchadas.

Ele também já escreveu vários livros, entre eles, “Caminhos e Descaminhos do Cinema Brasileiro – a década de 50”, além de grandes contribuições à Coleção Aplauso, com as biografias dos cineastas José Carlos Burle, Agostinho Martins Pereira, o compositor Rogério Duprat, o ator Sérgio Hingst e a edição do roteiro de O caçador de Diamantes, de Vittoirio Capellaro. 

Pedro Veriano, leitor voraz do assunto, criou uma biblioteca própria tanto para avaliar os filmes que assistia, como também para aprender a realizar seus próprios filmes. Fez curtas metragens nos anos 50: “A Visita”, “Um Professor em Apuros”, “O Deus de Ouro”, “O Desastre”, “O Acidente”, etc. Entre as décadas de 60 e 90 fez também: “Curió” (documentário feito sob encomenda para o USIS), “O Vendedor de Pirulitos”, “Brinquedo Perdido”, “A Jaula” etc. 

No final da década de 1960, fundou o Cine-Clube da APCC – Associação Paraense de Críticos Cinematográficos, da qual até hoje faz parte. É pesquisador e memória viva da história do cinema em Belém, no âmbito da exibição e da produção de filmes.

Já lançou “A Crítica de Cinema em Belém” (Falangola/SECDET/1983), “Cinema no Tucupi” (SECULT/1998) e “Fazendo Fitas” (Editora UFPA), dizendo-o ser o último de sua contribuição para contar a história do cinema paraense. 

Pedro Veriano, 74, e Máximo Barro, 80, há cerca de seis anos vem se comunicando através de e-mails e telefonemas, realizando constantes trocas de livros e discutindo muito sobre o assunto que os une, o cinema. “Temos muito em comum. O Pedro Veriano tem toda uma bibliografia de cinema voltada para os inícios do cinema. A chegada dos primeiros filmes aqui no Pará, dos pioneiros do cinema paraense. Ele tem uma grande vivência, neste aspecto. Eu o conheço de obra e por telefone. A distância fez com tivéssemos uma convivência assim, e sempre trocamos livros”, disse Máximo em entrevista ao Holofote Virtual. 

E foi então que ele me contou que tinha muito interesse em ver Pedro pessoalmente, além de todos que possam estar, hoje, fazendo pesquisa neste campo das primeiras coisas no cinema, que também é o foco dele. “Gostaria muito em ter contato com estes grupos e manter estes contatos”, reforçou. 

Achei que seria fantástico promover este encontro e resolvi então arquitetar a situação. Era uma terça-feira, 06 de julho, quase 17h, quando o telefone tocou na casa de Pedro Veriano. Foi ele mesmo quem atendeu. Falei no Máximo pra ele, que imediatamente lembrou-se do amigo “virtual”. Expliquei que ele estava de passagem por Belém para ministrar oficinas de animação no festival "Bacuri - I Mostra de Cinema Infantil", que encerrou no sábado, 17, em Barcarena, para a qual eu fiz a assessoria de imprensa. 

Encontro histórico marcado e registrado em vídeo

Pedro, entusiasmado, me propôs recebê-lo no dia seguinte em sua casa. Fechado. Na tarde de quarta-feira, 07 de julho, finalmente os dois conversaram por mais de uma hora seguida, sem parar, sobre cinema e, desta vez, sem a ajuda das novas tecnologias. E eu pude acompanhar tudo, e melhor que isso, com uma câmera ligada. 

Não sou exímia fotógrafa, mas dei meu jeito, com uma câmera simples. Foram, na verdade, quase duas horas de um papo que percorreu vários momentos da história do cinema. Máximo, com interesse e curiosidade aguçada de um historiador, quis saber sobre Líbero Luxardo e a forma que ele filmava. Pedro Veriano, relatou várias situações de filmagens, a fase política de Luxardo, além de sua convivência com o cineasta paulista, autor de longas como "Um dia Qualquer", "Marajó Barreira do Mar" e "Brutos Inocentes". 

O professor da FAAP quis saber de "Um Diamante e Cinco Balas", um longa de Luxardo dado como desaparecido. Pedro fez uma revelação. "Sei com quem ele está ou pelo menos esta pessoa disse ter uma cópia", mas não revelou o nome dessa pessoa e isso não pôde ser, até o momento, comprovado. Infelizmente, Pedro não tem mais o número de telefone lhe dado como contato para que fosse ver a película. Máximo Barro instigou Pedro e o incentivou a não parar de colocar no papel ou nas páginas de seu blog, tudo que lhe vier à memória sobre os fatos cinematográficos paraenses. 

“Você não deve parar de escrever. Se nós não fizermos isso, as próximas gerações não saberão aquilo que nós sabemos, muito por termos vivido. Não deixe de escrever”, insistiu Máximo, encerrando assim um encontro histórico. O registro foi feito. Fiz duas cópias do material captado. Uma delas deixei no acervo do Museu da Imagem e do Som do Pará. A outra, o professor Máximo levou consigo para o acervo da FAAP, em São Paulo.

A seguir a entrevista realizada com Máximo Barros durante sua estadia em Belém, na semana de 06 a 10 de julho, período em que ele e o professor Eliseu Lopes Filho, também da FAAP, ministraram as oficinas de animação para um público de 02 a 12 anos.

Holofote Virtual: Você é montador de cinema em película. Como surge teu envolvimento com a animação de hoje?

Máximo Barro: Sempre me interessei por animação, mas não sou animador. Nunca tive oportunidade de montar um longa de animação. Mas sempre estive muito unido a esta área, pois é um dos departamentos mais interessantes do cinema, por causa da liberdade que o animador tem em relação ao filme. Já disseram que o único homem que faz obra dentro do cinema é o animador porque ele é o dono de cabo a rabo do filme. Não tem o ator, não tem o fotógrafo, não tem ninguém no meio...

Holofote Virtual: E como é esta experiência de trabalhar com pessoas de idade tão pequena assim?

Máximo Barro: Vinha trabalhando animação na FAAP, sempre com pessoas de maior idade. Agora também trabalho com crianças e isso é uma novidade, pois você percebe a quem a animação deveria ser verdadeiramente dirigida. A gente tem que ter muito cuidado, pois estamos formando uma geração para assistir cinema.

Formando a criança, para que ela tenha no cinema um de seus caminhos, estamos fazendo com que esta pessoa, aos 80, ainda participe da área cinematográfica. É o que devíamos pensar seriamente aqui no Brasil.

Quando cultuamos um grupo de criança de 02 anos até 12, isso é muito interessante porque está se formando um grupo de uma idade pequena interessado naquilo que deva ser o cinema. Pode ser que estas crianças nem venham a fazer cinema ou animação, mas serão sempre participantes como espectadores do mistério cinematográfico.

Holofote Virtual: Você tem livros lançados, alguns deles são biografias de pessoas ligadas à área do cinema...

Máximo Barro: Fiz uma biografia do músico Rogério Duprat, mas é um trabalho que aborda a música que ele escreveu para o cinema, até por que o Rogério já tem uma outra biografia, abordando seus discos e outras coisas, como de quando ele fazia orquestrações para a Bossa Nova, ele era uma pessoa muito influente naquele meio.

Então já há um livro muito bom neste aspecto, por isso eu me prendi às trilhas de cinema que ele fez e sobre o interesse que ele sempre teve, desde criança, pela obra cinematográfica. Trabalhamos em muitos filmes, convivi bastante com ele, que me falava com freqüência sobre estas coisas.

Holofote Virtual: O cinema está muito diferente daquele que você chegou a viver?

Máximo Barro: Montei 51 longas metragens. No ano passado montei dois filmes para um produtor da Bahia, um de ficção e outro documentário, ambos longas. Então pela primeira vez eu não trabalhei com a moviola (foto), eu trabalhei com material magnético e não foi uma experiência agradável para mim. A máquina atual tira muito da potencialidade do montador. Na moviola você é dono, domina tudo. Mas é claro que é interessante. Você não perde tempo abrindo as latas, ou em procurar tal tomada que você vai encaixar. É só apertar um botão e você já tem a tomada colada até, no sentido moderno da palavra, no lugar em que você quer. Sob este aspecto, isso é muito interessante.

Fiquei tão contate quando vi duas moviolas lá no Museu da Imagem e do Som do Pará. Aliás, o Museu da Imagem e do Som do Pará possui coisas preciosas. Como os cines jornais, que são de importância histórica (referindo-se aos cines jornais do Milton Mendonça). Lembrei que antes os cinejornais nacionais eram vaiados quando passavam no cinema. Mas quando a gente olha de novo para eles, vemos inaugurações de lojas, que hoje viraram grandes indústrias, temos a noção de que os cines jornais fixaram um momento histórico.

Não é igual a um jornal onde você tem uma fotografia estática, não é um relato, não é uma entrevista radiofônica, onde ficou a voz. Nos cine-jornais, as notícias eram mostradas dinamicamente, com som, imagem e movimento.

Holofote Virtual: Como você vê a história da produção de cinema no Brasil?

Máximo Barro: O cinema brasileiro não trabalha com curvas ascendentes e descendentes, mas sim em círculos que sobem e descem. Houve épocas em que fazíamos entre 120 a 140 filmes por ano. Só a Boca do Lixo (foto) fazia de 80 a 90 filmes, embora continue sendo odiada por gerações que nem sabem exatamente que espécie de filmes fez a Boca do Lixo.

A produção era intensa. O aluno saía da FAAP e no dia seguinte estava empregado fazendo longa, diferente de hoje que ele pode até estar empregado no dia seguinte, mas fazendo um comercial.

Hoje a propaganda é o caminho para você fazer um longa. Naquele tempo você fazia o longa e, depois, o comercial, para não sair do cinema... Você estava fazendo um comercial, mas no momento que surgisse um longa, pedia-se demissão.

A maioria das produções, agora, é digital, a tecnologia ajuda a baratear o cinema, pois não trabalha com negativos e laboratórios, que encarecem enormemente o orçamento de um filme. Mas o que vejo se fazer intensamente hoje, é o documentário, coisa que na minha época, eu posso garantir a você, como historiador, que na década de 50, fazia-se, no máximo, um documentário por ano.

Pelo que acompanho, são produzidos atualmente, no mínimo, um documentário e meio por semana. Então é um gênero que tinha ficado perdido lá nos cafundós e que agora assumiu uma importância extraordinária.

Holofote Virtual: Qual é o momento histórico atual do cinema nacional?

Máximo Barro: Pela primeira vez está se permitindo ao cineasta fazer aquilo o que ele gostaria de fazer e não o que é obrigado. Sempre trabalhamos em ciclos...

Tivemos a Chanchada, os estúdios Vera Cruz e o cinema industrializado paulista, o cinema independente e o cinema novo... a Embrafilme.

Na Era Collor, caímos numa depressão quilômetros abaixo de zero. A renovação, no final dos anos 90, veio através de alguém que estava fazendo um filme diferente, um filme histórico. E no Brasil, raramente se fez isso. Foi a Carla Camurati, com seu “Carlota Joaquina”, que mostrou esta nova faceta que poderia ser bastante usada no cinema brasileiro.

Por isso, as pessoas, quando dizem: vou fazer isso porque deu certo para 15 filmes iguais, está fazendo isso porque acha que é aquilo que vai dar certo. Ele vai se arriscar em alguma coisa que está na índole dele. Isso me agrada bastante.

Holofote Virtual: Ainda é um ato heróico fazer cinema? Com se manter nele, diante das dificuldades?

Máximo Barro: Ainda é um ato heróico. Fazer cinema é uma aventura, mas uma aventura extremante graciosa. Quando eu me despedi de um grupo de alunos da FAAP que estava se formando, falei de tantas dificuldades em se fazer cinema. Mas falei que eu tinha atravessado todas as crises do cinema brasileiro e assim mesmo continuava no cinema. Então que eles realizassem coisas que lhes dessem um retorno espiritual. Assim, despedi-me deles dizendo até amanhã, como se fossemos nos encontrar, agora não mais como professor e aluno, mas como profissionais, no mercado, nessa coisa gostosa que se chama fazer cinema.

15.7.10

Rumos Literatura prorroga prazo de inscrição para agosto

Com o objetivo de incentivar maior participação no programa de incentivo à literatura, que inclui atividades de formação, ampliação de rede relacionamento, apoio financeiro e publicação dos projetos selecionados, o Rumos Literatura prorroga o prazo de inscrição para até dia 13 de agosto.

Em sua quarta edição, o programa é dirigido aos interessados em desenvolver textos reflexivos sobre literatura e crítica literária brasileira contemporânea. A novidade desta edição é a possibilidade de estrangeiros, residentes fora do Brasil, também se inscreverem.

O programa busca colaborar no desenvolvimento de potencialidades ao estimular a formação do interessado em literatura na ampliação de sua rede de relacionamentos intelectuais e profissionais e, posteriormente, lançar e divulgar uma publicação com sua produção autoral.

O Rumos Literatura 2010-2011 conta com o apoio da Anpoll - Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Letras e em Lingüística (http://www.anpoll.org.br/site/) e da ABRALIC - Associação Brasileira de Literatura Comparada (http://www.abralic.org/).

O edital está dividido em duas categorias:

1. Produção Literária, para projetos de ensaio que tratem de um tema relativo à produção literária brasileira a partir do início dos anos 1980.

2. Crítica Literária, para projetos de ensaio sobre a produção crítica na literatura brasileira realizada a partir do início dos anos 1980.

Importante: o interessado não precisa escrever o ensaio final, apenas o projeto que será desenvolvido em 2011, conforme consta no edital.

Público alvo: todas as pessoas interessadas nos temas propostos pelo edital, independente do nível escolar e segmento de atuação profissional.

Leia o edital completo, regulamento, prêmios e saiba com se inscrever na página http://www.itaucultural.org.br/rumos/regulamento_literatura.pdf.

Dentre os prêmios, os selecionados receberão apoio financeiro mensal e remuneração referente ao licenciamento dos direitos autorais do trabalho concluído e aprovado.

E-mail tira dúvida: rumosliteratura@itaucultural.org.br. Acompanhe as notícias, entrevistas e comentários sobre o programa Rumos no blog http://rumositaucultural.wordpress.com/

Fonte: Rumos Literatura



14.7.10

Henry Burnett e Paulo Vieira preparam lançamento de Retruque/Retoque

O lançamento só vai acontecer na última semana do mês de julho, mas é sempre bom antecipar as boas notícias e as grandes parcerias.

Independentes e talentosos, Paulo Vieira, o poeta e escritor, e Henry Burnett, o músico e compositor, lançam no próximo dia 28, a obra “Retruque/Retoque”, no Teatro Margarida Schivasappa do Centur, a partir das 20h, com um show que também terá no palco, ao lado dos dois, a banda Clepsidra.

Contemplado com a Bolsa Funarte de Criação Literária, em 2009, o escritor e poeta Paulo Vieira iniciou uma jornada que resultaria em “Retruque”, um livro de poemas, o quinto de sua intensa produção literária, iniciada em 2004. Encartado ao livro, o CD “Retoque”, com 12 poemas musicados por Henry, à convite de Vieira.

Henry Burnett, 38, é paraense. Morou em Belém até seus 27 anos. Depois passou pelo Rio de Janeiro, Berlim e hoje está radicado em São Paulo. Mas nunca, nem de longe, quebrou os laços com Belém, que está viva nas músicas e letras dos CDs, já lançados, “Linhas Urbanas” (1996), “Não para Magoar” (2006) e “Interior” (2007).

Paulo Vieira, 31, também é paraense. Nasceu em São Miguel do Guamá e vive em Belém. É um dos escritores paraenses mais premiados atualmente. Já lançou: 'Infância Vegetal' (2004) e 'Orquídeas Anarquistas' (2007), com o Prêmio de Artes Literárias do IAP – Instituto de Artes do Pará; “Livro para pescaria com linha de horizonte”, premiado pela Casa de Cultura Mario Quintana, e “Livro para Distração na Tragédia”, ambos em 2009.

Em 2006, Paulo Vieira foi ver o show de lançamento do CD “Não Para Magoar”, de Henry. Nascia assim a amizade entre os dois, batizada com um bate papo após a apresentação, em algum bar da Cidade Velha. E a “Sagração da Amizade” acontece anos depois, agora, em “Retruque/Retoque”.

Henry Burnett já está em Belém para as articulações do show. Paulo Vieira, em Sampa, mas retorna dia 22 para participar dos ensaios que antecedem a apresentação do dia 28. Para já ir dando um gosto, acesse AQUI o link do MySpace de Henry com quatro músicas do CD Retoque: "Na Véspera", "Terra Firme", "Palhaço" e "Soneto Violáceo".

Cururu encerra curso de música com recital regado a Waldemar Henrique

Neste mês de julho, não dá pra dizer que as crianças não foram contempladas em Belém. Várias iniciativas foram além das colônias de férias como mero entretenimento, para matar o tempo da garotada enquanto os pais, sem folga, trabalham.

Oficinas de arte em museus da cidade e de cinema, como foi o caso da Bacuri - Mostra de Cinema Infantil, agitaram de forma artística e educacional a vida dos pequenos. Ainda tem muita coisa acontecendo, mas nesta quinta, 15, uma dessas iniciativas está encerrando.

O Projeto Cururu, que reuniu quarenta crianças e adolescentes, durante esta primeira quinzena, em aulas de música, encerra o curso em grande estilo, reunindo seus jovens violinistas, violistas e violoncelistas, no recital que acontecerá às 19h, no Centro Comunitário da Paróquia Santo Antonio de Lisboa, no “Centrão”, com entrada franca.

No repertório dos Corais infantil e juvenil, além do clássico “Coco Peneruê”, de Waldermar Henrique, os alunos do projeto também irão interpretar, sob regência do maestro Jonas Arraes, coordenador do projeto, as canções “Ciranda da Rosa Vermelha”, de Alceu Valença, “Cirandeiro, cirandeiro, ó”, de Edu Lobo, e “Brega Ecológico”, um antigo bolero arranjado por Ana Souza, que versa sobre a preservação ambiental da Amazônia.

Quem participou das classes de violino, viola e violoncelo terá a missão de interpretar obras de diversos compositores, com destaque para Shinichi Suzuki, considerado um dos autores mais importantes no método de ensino de cordas.

Segundo o coordenador do projeto, maestro Jonas Arraes, as aulas do Curso de Férias não foram focadas apenas no ensino da música. Durante os dias em que estiveram estudando, os pequenos também tiveram “momentos de lazer, reflexão e congraçamento”. Uma das atividades paralelas foi a exibição do filme italiano “Vermelho como o Céu”, de Cristiano Bortone, que conta a saga de um garoto que perdeu a visão em um acidente, nos anos 70, e que lutou contra tudo para alcançar seus sonhos.

O filme é baseado na história real de Mirco Mencacci, um renomado editor de som da indústria cinematográfica italiana. Após o filme, foram feitas reflexões conjuntas com os integrantes do projeto tendo como mote a palavra “superação”.

O Curso de Férias também contou com a orientação dos professores Anderson Paes e da professora Luciana Arraes, mestre em violino pela Universidade de Massachussetts Amherst, que atualmente mora nos Estados Unidos e aproveitou a vinda a Belém para ministrar o curso.

Luciana fundou o Projeto Cururu, em 2002, junto com a sua mãe, a museóloga Rosa Arraes, na tentativa de orientar musicalmente, por meio do canto coral, as crianças que frequentavam o Centrão.

Oito anos depois, já é possível contabilizar a extensão que o projeto ganhou: o Cururu já se apresentou no espetáculo “Sonhos para Dias Melhores”, no Teatro da Paz, em 2007, e fez parte do Auto do Círio nos últimos anos. Em reconhecimento, também ganhou, em 2006, o Prêmio Marketing Cultural da Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil (ADVB) e, em 2008, a Medalha Francisco Castelo Branco, da Prefeitura Municipal de Belém.

Serviço
Encerramento do Curso de Férias do Projeto Cururu. Nesta quinta-feira, 15, às 19h, no Centrão da Paróquia Santo Antonio de Lisboa (Rua São Miguel com Dr. Moraes, 943, no bairro da Cremação). Informações: 3242 6001.

Rui Moreira ministra oficina de criação na diversidade contemporânea

Ex-integrante dos grupos Cisne Negro e O Corpo, o bailarino Rui Moreira chega a Belém para ministrar a oficina de criação na diversidade contemporânea durante os dias 15 e 16, no Instituto de Artes do Pará.

O evento é uma parceria entre o IAP e a Associação Internacional de Drama, Teatro e Educação (IDEA).

A apropriação das técnicas acadêmicas mescladas com técnicas de danças étnicas e populares tem sido o grande mote criativo do bailarino. “O inesgotável e inspirador caldeirão de culturas do Brasil me toca profundamente, e venho transformando este interesse em peças coreográficas para diferenciados elencos”, afirma.

Na oficina, Moreira propõe uma investigação, uma mobilização de um coletivo disponível à “experienciação” criativa sobre três as questões: Que experiências humanas apontam caminhos para a superação dos conflitos étnicos no planeta?; Como se dão os processos de sensibilização e formação artística pelo ponto de vista das tradições étnico/ culturais?; Entendendo “tecnologia “como conjunto dos termos próprios a uma arte ou uma ciência, que futuros desejáveis as tecnologias nos permitem?

Para Moreira, “O termo ‘contemporâneo’ em dança remete a uma série de crises que desenvolvem estéticas que exprimem a diversidade de percepções do ‘nosso tempo’. As repetições de padrões, de atitudes resultam técnicas de dança cênica que determinam os diálogos entre os criadores e interpretes com o público. Com o uso de criatividade o artista apresenta seus problemas e procura receptividade e cumplicidade com este público”.

Paulista radicado em Belo Horizonte desde 1984, Rui Moreira é bailarino, coreógrafo, técnico em iluminação cênica e produtor de espetáculos.

Ele co-dirige a produtora Rui & Bete Promoções e Eventos Ltda e é presidente da associação de fins não econômicos “SeráQuê?”, onde também é diretor artístico da “Reeditores de Arte e Cultura”, projeto cultural direcionado a jovens em situação de risco social na faixa etária de 14 a 20 anos.

Sua carreira começou em 1979 e é fortemente marcada pela participação como intérprete no reconhecido Grupo Corpo, de Minas Gerais e nas companhias paulistanas Cisne Negro e Balé da Cidade de São Paulo.

A formação artística de Rui Moreira mescla a formação de dança acadêmica (dança clássica e moderna) com o interesse pelas manifestações populares; trabalhou com representativos elencos e criadores no Brasil e em outros países; seja com as companhias e agrupamentos artísticos do qual fez parte ou de maneira solo.

Serviço
Oficina de criação na diversidade contemporânea. Instrutor: Rui Moreira. Período: 15 e 16/07
Horário: da 9h às 13h e de 15h às 19h. Local: Instituto de Artes do Pará (Praça Justo Chermont, 236 ao lado da Basílica de Nazaré). Público alvo: bailarinos, atores, músicos de formações diversas com disponibilidade para “experienciação” criativa em dança. Numero de vagas: 20

Fonte: IAP