30.3.12

Patrícia Gouvêa lança livro no Café Fotográfico

Fundadora do Ateliê da Imagem Espaço Cultural, no bairro da Urca, no Rio de Janeiro, Patrícia Gouvêa está em Belém, participando do III Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia, para o qual foi selecionada. Aproveitando sua passagem pela cidade, ela lança, nesta sexta-feira, 30, no primeiro Café Fotográfico do ano, evento promovido pela Fotoativa, o livro “Membranas de Luz”, a partir das 18h, no Instituto de Artes do Pará. Não perca. A entrada é franca. 

"Membranas de Luz: os tempos na imagem contemporânea" é fruto da pesquisa de mestrado em Comunicação e Cultura pela ECO/UFRJ da fotógrafa, com orientação de Katia Maciel, artista, professora da UFRJ e pesquisadora do CNPq. “O livro saiu ano passado no Rio pela Azougue Editorial, editora dirigida por Sergio Cohn, que vem fazendo um excelente trabalho de pesquisa e publicações na área de cultura e pensamento. 

O conceito de TEMPO e seus múltiplos desdobramentos e experiências constitui um eixo na minha pesquisa com fotografia e outros suportes”, explica. O bate papo com a autora será norteado por este conceito que, de acordo com a resenha escrita por Eurípedes G. da Cruz Junior, pesquisador do IBRAM, que trabalha no Museu Nacional de Belas Artes, a autora desconstrói a noção de tempo congelado, morte do fluxo, derivados do instantâneo ou da pose, senhores absolutos dos domínios da linguagem fotográfica, existente de forma conceitual nas pessoas. 

“Em Membranas de Luz, a artista Patrícia Gouvêa desconstrói essas noções como pretexto e ponto de partida para levar o leitor além da superficialidade, instiga-lo a refletir, junto com ela, sobre transcendências – sair da mera reação às imagens para a experiência das mesmas, em especial aquelas que “nascem sob o signo da necessidade, as imagens apresentadas pela arte, que estimulam a inteligência poética e a reflexão crítica e filosófica sobre o mundo”, afirma Eurípedes. 

Diário Contemporâneo - O encontro fotográfico também vai ser uma boa oportunidade para conversar com Patrícia sobre as obras que estão expostas na Mostra “Memórias da Imagem”, principal exposição do III Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia, aberta na última quarta-feira, na Casa das Onze Janelas. 

“Eu e Isabel Löfgren fomos selecionadas juntas com 2 obras de nossa série e projeto em andamento Banco de Tempo, que gerou a exposição homônima em cartaz desde janeiro na Galeria do Lago/Museu da República (RJ). A expo segue até 29 de abril e foi concebida para a "Série Duplas" da Galeria do Lago”, explica.

De acordo com ela, a série é formada de vídeoinstalações, fotografias e uma intervenção de texto nos bancos do Jardim da República, “fruto de uma imersão no local ao longo de mais um ano, onde o desafio foi criar uma obra que fizesse o link entre o jardim e a galeria, e entre o Museu da República, ex-sede das residências dos presidentes da República, e a contemporaneidade”. No Prêmio Diário Contemplorâneo, as obras “Rotas de Fuga” e “Lécture Sur L'herbe” são, respectivamente, um vídeo realizado em 3 canais e uma instalação com vídeo e fotografia.

“Estamos muito felizes com a seleção para o Prêmio e acho incrível que uma iniciativa como esta floresça fora do "eixão" e que proponha uma visão sobre a fotografia que vá além da questão do suporte fotográfico, o que comprova que o Pará sempre esteve à frente no pensamento sobre a fotografia. Isso é comprovado pelas seleções anteriores da Keyla Sobral e da Roberta Carvalho, por exemplo. A curadoria do Prêmio está de parabéns!”, exalta.

Relação com Belém – Mas não é de hoje que o fluxo entre Patrícia e Belém do Pará vem transcorrendo. Miguel Chikaoka que a recebe nesta sexta-feira, pela Fotoativa, por exemplo, a conhece desde os anos 1990, quanto ela esteve em Belém fotografando o Círio de Nazaré e de quando fundou, em 1999, o Ateliê da Imagem. 

“Hoje, o Ateliê é uma das principais referências brasileiras no ensino, produção e pensamento sobre a fotografia e a imagem. Nos últimos anos vem se destacando como produtora cultural”, diz Chikaoka. É lá que está em exposição, desde o início de março, a mostra “Symbiosis”, da artista visual Roberta Carvalho, à convite e com curadoria de Patrícia. 

“Sempre organizamos exposições, mas neste segundo espaço pudemos ter uma Galeria permanente, um espaço que é um desafio, porque é um corredor, mas por isso mesmo estimulante, porque não é um espaço sacralizado da arte como uma galeria do tipo ‘cubo branco’. Conheci o trabalho da Roberta no Festival Paraty em Foco ano passado e amei! Aí voltando de lá, ela passou no Ateliê para conhecer e a gente conversou, fiz o convite”, comenta a fotógrafa que já conhece mais da fotografia paraense.

Patrícia reconhece o forte movimento de fotografia do Pará, segundo ela, muito conhecido e citado no Rio e no Brasil todo. “Já estive em Belém fotografando o Círio e tive o prazer de conhecer o Chikaoka, Paula Sampaio (que me acolheu em sua casa), a Walda Marques, entre outros. Depois conheci o Guy Veloso, que se tornou um grande amigo, o Dirceu Maués, e recentemente a Roberta Carvalho, minha mais nova velha amiga”, finaliza. 

Serviço
O Café Fotográfico com participação de Patrícia Gouveia, autora do livro: “Membranas da Luz – Os tempos na imagem contemporânea” é nesta sexta-feira, 30/03, no auditório do IAP, a partir das 18h. Visite também as mostras do III Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia: “Memórias da Imagem”, na Casa das Onze Janelas, até dia 28 de maio, e “Pra ter de onde se ir”, do artista convidado Miguel Chikaoka, no Museu da UFPA. Tudo com entrada franca. Mais informações: http://www.diariocontemporaneo.com.br/

The Wall na antena Parabólica de Ismael Machado

Sim. Fui ao show de ontem no Rio de janeiro e foi ótimo (as fotos estão na minha Linha do Tempo). Abaixo, segue o texto enviado pelo jornalista Ismael Machado para publicar aqui no Holofote e que está hoje, também, em sua coluna, a Parabólica, no Caderno Por Aí, do Diário do Pará.

Ele também viu The Wall, o filme, em Belém, mas diz que foi no Cinema Olimpia. Outra pessoa no Facebook também me questionou, lembro, porém, nitidamente, da fila no Cinema Palácio, que se estendia ao longo da Manoel Barata. Vai ver que foi exibido nos dois cinemas. Primeiro em um e depois no outro, em momentos diferentes. Não importa. Valeu! Temos agora estas imagens, feitas ontem à noite, no Engenhão. E a crônica de Bill.

The Wall
Ismael Machado

Quando Michael Jackson morreu, escrevi aqui nesse espaço, que para muitos que conheci no início dos anos 80, o autor de Thriller nem de longe era amado. Muito pelo contrário. Para o bem e para o mal havia uma divisão entre as diversas tribos sonoras. Michael estava do outro lado do muro. E embora ele tenha caído, com muitas barreiras sendo transpostas, para mim Michael ficou por lá, sentadinho ao pé do muro. E não me fez falta alguma.

Falo em muro porque naquele período um leitor enfurecido me escreveu questionando e ironizando se naquela época eu ficava ouvindo Pink Floyd. Claro, respondi. Não só o Pink Floyd, como Led Zeppelin, Bob Dylan, Rush, AC/DC e tantos outros. Depois vieram U2, Echo, Legião etc, mas isso é outra história.

Falo de muro também porque, embora não seja meu disco preferido da banda, ‘The Wall’, o clássico floydiano de 1979, marcou intensamente toda uma geração. Um exercício de psicanálise musical perpetrado principalmente pelos traumas e angústias do baixista Roger Waters, o disco duplo ganhou as telas de cinema pelas mãos do diretor Alan Parker. 

Waters diz ter detestado a versão cinematográfica, mas o público não. Fiz parte da fila que se acotovelou para ver o filme no cinema Olímpia, ainda na primeira metade dos anos 80. Tempo em que se pagava para assistir a uma sessão e depois se podia ficar ali, assistindo a outra e outra e outra. 

Em tempos de filmes de rock, minha turma costumava entrar na primeira sessão, mais ou menos 13h30 e sair lá pela última. Era bacana. E em tempos de videocassetes incipientes ainda, lembro de termos conseguido um aparelho emprestado de um carinha com casa de piscina e altos muros, em frente ao Lourdes, o colégio das freiras de Icoaraci e exibido no salão paroquial da igreja matriz. 

Acreditem, foi um choque. No sábado passado, o fotógrafo Renato Reis almoçou um peixe aqui em minha casa e ficamos, em dado momento, conversando sobre o quanto gostávamos de rock progressivo, que a partir de meados dos anos 80 passou a ser mal visto. Aos poucos começa a recuperar a aura perdida.

Nesse contexto, Pink Floyd ainda é a principal referência. Dizem que vai haver uma reunião dos sobreviventes para um show ano que vem em Buenos Aires, no Rock in Rio. Por enquanto, a pedida é a íntegra de ‘The Wall’, que Roger Waters apresenta em palcos brasileiros. Vem com toda a parafernália a que tem direito. 

E dizem ser um espetáculo impactante. Trambolhos de luzes e imagens em espetáculos grandiosos, não são mais novidades no mundo da música pop. Tornaram-se regra e não exceção. Em muitos casos, disfarçam a precariedade da música em si, de pouco viço, como Lady Gaga, por exemplo. 

 O que torna ‘The Wall’ diferente nesse quesito é a força das canções. Estarão lá ‘Mother’, ‘Hey You’, ‘Confortably Numb’, ‘Nobody Home’, entre tantas. São canções que sobreviveram à passagem do tempo. Ganharam relevância. O limbo da história não as engoliu.

Há quem questione o fato de que muitos jovens ainda ‘perderiam’ seu tempo ouvindo essas velharias. Led Zeppelin, Beatles, Mutantes, Roberto Carlos, Creedence, Pink Floyd...por que gastar ouvidos com isso? Deem opções melhores. Enquanto isso, olho novamente meu ingresso para o show de amanhã. Chegou pelo correio. É pista. Em frente ao palco, torcendo para que não chova, pensarei na frase de André Forastieri sobre o Creedence e a adaptarei: se você não gosta de Pink Floyd, desculpe, eu não tenho nada a dizer a você.

29.3.12

The Wall, o show, chega 30 anos depois do filme


O 1º show desta turnê no país já aconteceu. Foi no domingo (25), em Porto Alegre, fruto do disco mais bem-sucedido da  banda, um álbum duplo (1979), que vendeu 23 milhões de cópias, levando-o às telas do cinema como "Pink Floyd - The Wall". A próxima parada de Waters é hoje no Rio de Janeiro, e em seguida, 1º e 4 de abril,  em São Paulo. 

Sim é tudo monumental e de verdade. O  ex-baixista da lendária banda Pink Floyd está entre nós pela segunda vez, só que agora com esta turnê incrível do The Wall. Mas vamos voltar 30 anos no tempo, indo mais exatamente ao Cinema Palácio, em Belém do Pará, numa tarde ensolarada de um sábado, não lembro qual o mês, mas o ano era 1982 e a sessão a das 14h. 

Na Rua Manoel Barata com a Presidente Vargas, fechado no final dos anos 1990, sendo hoje a sede de uma igreja, destino, aliás, de inúmeros outros cinemas espalhados pelo país, o saudoso cine Palácio tinha uma fila gigantesca para a compra de ingressos. O filme em cartaz era The Wall, mas quem disse que eu, na altura dos meus 12 anos, sabia do que se tratava? Não, eu estava ali pra ajudar a Ana, minha amiga de colégio, a encontrar Pedro, o garoto que ela gostava e tinha ido atrás, me pedindo para acompanhá-la. 

Hoje sinto o quanto devo a ela por isso, não fosse assim, talvez ainda demorasse mais uns aninhos até conhecer Pink! Para resumir, não encontramos Pedro. Ele tinha simplesmente evaporado ou, quem sabe, se escondido (risos). Ana abandonou a sessão, desolada. 

Para mim, obviamente, já era tarde demais. Fiquei grudada naquela poltrona vermelha. Olhos fixos na tela. Martelos marchando numa animação gráfica inesquecível à minha frente. Não, eu não sairia mesmo e mal acreditava no que estava vendo. Foi catarse! O que era aquilo? Bem, quando descobri, minha vida, meus conceitos, meu senso e olhar estético, minha escuta, nunca mais seriam os mesmos. Viagem sem volta. 

O irônico nisso tudo é que nunca mais vi a Aninha, mas o Pedro é praticamente um colega de profissão. E três décadas depois, cá estou, a poucas horas de ver The Wall, agora no palco. Ah, tudo bem, não é a mesma banda, com Roger Waters, Nick Mason, Richard Wright e Syd Barrett, este substituído em 1968 por David Gilmor, todos bem sabem por quê. Mas há Waters e The Wall, que ele idealizou e se tornou um dos álbuns mais importantes da história mundial da música. 

No palco, pelo que já se viu da turnê, que iniciou por Porto Alegre, o clima metafórico do filme, dirigido por Alan Park, é cheio de simbologias, vai permear todo o show. 

As animações gráficas do cartunista e ilustrador Gerald Scarfe, feitas para o filme, ganharam novas dimensões e saem de fato da tela para viver bem junto a Roger Waters, as cenas mais emblemáticas do filme, uma verdadeira ópera-rock, onde o protagonista é Pink, narrador de sua própria história . 

Uma estrela do rock, ele é depressivo e está com estado emocional cada vez mais alterado, o que se vai intensificando ao longo do filme. Músicas como "The Little Boy That Santa Claus Forgot” e "Another Brick In The Wall" vão ilustrando tudo e nos dando asas, nos provocando anseios e compaixão. Filho de mãe superprotetora, ele acaba casando, mas é traído pela esposa, enquanto está, olha só, numa turnê. Ao saber da traição, Pink procura garotas de programa e acaba se deprimindo mais, levando-se ao isolamento. 

Waters esteve aqui em 2007, com outro show, o do álbum "The Dark Side of the Moon", também, este, um clássico da banda, sem a menor sombra de dúvida. “The Wall” já excursionou antes, na década de 1980, mas pela Europa. A turnê atual iniciou há dois anos, nos EUA. 

Já não vejo a hora de estar no Estádio Engenhão, situado no famoso bairro do Engenho de Dentro, o que só me deixa mais louca pra chegar até lá! Depois de presenciar  aos 15 anos o Rock in Rio (1985), será esta uma emoção maior, agora já passando dos 40! Gostou? Curta no Facebook.

Mostra reúne aspectos diversos de Miguel Chikaoka

“Pra ter de onde se ir” abre nesta quinta-feira, 29, no Museu da UFPA, como parte da programação do III Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia. Com uma idealização que iniciou bem antes, em dezembro de 2011, através de longas conversas, ora por e-mail, entre Mariano Klautau Filho, que coordena o prêmio, e Miguel Chikaoka, ora em encontros que fugiram ao horário executivo, a mostra traz recortes e faz pontuações clássicas e inéditas de sua obra. Além do texto sobre a exposição, leia ao final, uma entrevista com o fotógrafo. 

Idealizador da Associação Fotoativa, Miguel Chikaoka estuda e experimenta metodologias na arte-educação direcionada para a atividade fotográfica, em ações que repercutem para além do estado do Pará. O fotógrafo abre mostra especial dentro da programação do III Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia, como artista convidado. Para construir a exposição “Pra ter de onde se ir” foi necessário percorrer inúmeras ideias, uma vez que a obra de Miguel é tão vasta quando diversa. 

Partiu-se da seguinte ideia: realizar uma série que representasse todas as facetas do fotógrafo e ao mesmo tempo um trabalho representativo de seus vários traços, aproveitando material que ainda não tivesse sido mostrado ao público, mas sem que isso se tornasse uma retrospectiva de sua carreira. 

“A mostra não se obriga a uma retrospectiva de toda minha carreira. Vamos concentrar na leitura de recortes e pontuações, apontando algumas ‘pegadas’. Afinal, continuo vivo e caminhando...”, disse Miguel à Mariano, em uma das trocas de email que os dois mantiveram no final do ano passado. 

Foi preciso encontrar em fotos de diferentes épocas e lugares um fio condutor que apresentasse as características de sua fotografia de rua, por exemplo, e pensar num conjunto de trabalhos experimentais em pin-hole ou similares feitos ao longo dos processos das oficinas realizadas pela Fotoativa ao longo desses mais de 30 anos de trajetória, vividos a maior parte deles no Pará.

Fotografia em cor, imagens noturnas de cidade do interior, além de uma série inédita e recente, além dos "clássicos" em P&B. Pensou-se realmente em tudo e o resultado da curadoria de Mariano, que alcançou os objetivos inicias, acabou trazendo o nome da exposição, inspirado no poema “A Cabana”, de Max Martins.

"É preciso dizer-lhe que tua casa é segura/ Que há força interior nas vigas do telhado/ E que atravessarás o pântano penetrante e etéreo/ E que tens uma esteira/ E que tua casa não é lugar de ficar/ mas de ter de onde se ir". 

“Penso que as imagens do poema falam de algum modo na errância, nos pontos fixos e móveis da existência. A errância, como poética, acho que dialoga com o recorte que fizemos do teu trabalho e com os teus movimentos em Belém, na fotografia e nas imagens”, comentou Mariano com Miguel, que na hora, topou o título. 

Fundador da agência Kamara Kó, na qual desenvolve foto-reportagens e trabalhos de documentação sobre questões sociais e ambientais da Amazônia, Atualmente Miguel está empenhado em projetos do Centro Cultural SESC Boulevard e do Núcleo de Formação e Experimentação da Fotoativa e continua participando ativamente das articulações da Rede de Produtores Culturais da Fotografia no Brasil (REDE) e na Amazônia (REDEAMAZONIA). 

No dia 05 de abril, ele bate papo com o público, com mediação de Mariano Klautau Filho, coordenador do prêmio e de Joaquim Marçal (RJ), que estará em Belém para ministrar oficina sobre “História da Fotorreportagem no Brasil: A fotografia na imprensa do Rio de Janeiro de 1839 a 1900″.  

Holofote Virtual: Como você define esta exposição? 

Miguel Chikaoka: Um recorte sobre minha produção autoral ao longo da minha carreira, com a curadoria do Mariano. Nem retrospectiva tampouco uma panorâmica, mas pontuações pinçadas. 

Holofote Virtual: Na tua opinião, como definir fotografia contemporânea? É definível?

Miguel Chikaoka: Não me preocupo muito com as classificações, mas é certo que estamos vivendo um momento de fluidez, de incertezas. Já faz algum tempo que a fotografia saiu do congelamento para diálogo e fusão com outras linguagens para constituir uma zona híbrida. 

Hoje a fotografia deixou de ser uma escrita operada tão e somente com a matéria luz. A fotografia. ao operar com outras fontes luminosas, saiu do estático, da luz fixada, para ganhar novos contornos e movimentos. Acho que ela incorporou a transitoriedade. 

Holofote Virtual: Como será conduzido o bate papo com o público?

Miguel Chikaoka: Vai ser uma conversa a partir de um breve relato de experiência e do que orienta o meu envolvimento atual com a fotografia. 

Holofote Virtual: A Fotoativa está próxima de completar 30 anos de fundação. É um sonho teu que continua fluindo e dando bons frutos, desencadeando e evoluindo com o movimento da fotografia paraense. Como você avalia tudo isso? 

Miguel Chikaoka: Uma semente precisa de condições favoráveis para germinar e terra fértil para crescer, florescer, dar frutos. Isso que tu chamaste de sonho é uma semente que veio de outras terras, de outras vivências, de construção coletiva pautada no favorecimento ao crescimento individual. 

Então, a Fotoativa pode ser vista como algo semelhante, que aqui encontrou ambiente favorável e terra fértil para crescer. Historicamente vejo como herdeira de experiências coletivas anteriores, como o Fotoclube do Pará dos anos 50 e do Fototificina e Fotopará, no primeirra metade dos anos 1980. Apesar do reconhecimento alcançado, acho que há muito o que fazer pela e com a fotografia na região, sobretudo no campo da educação, voltada para formação cidadã e pelo crescimento de uma consciência crítica.

28.3.12

Teatro de revista no palco do Cláudio Barradas

A Belém dos anos 1930, sob a ótica dos hóspedes da viúva Possidônia, mulher fogosa que abriga tipos engraçadíssimos em sua casa, que virou pensão. “A Casa da Viúva Costa” retoma o melhor estilo do teatro de revista na cidade das mangueiras. Em cartaz de 29 de março a 1º de abril, sempre às 20h, no Teatro Claudio Barradas.

Dona Possidônia, uma viúva alegre e vivaz que abriga em sua pensão charmosa uma gama de personagens interessantes. Desde o engraçado e sorrateiro mordomo até um belo e ambíguo estudante de medicina, o espetáculo, no formato de teatro de revista, traz a plateia para perto do palco e faz dela uma grande cúmplice de todas as loucuras que estes personagens realizam dentro da pensão da distinta e ambígua Viúva Costa. 

O texto, escrito pelos grandes dramaturgos paraenses Antonio Tavernard e Fernando Castro, foi mantido intacto. Nenhum tipo de adaptação foi feita pelos diretores do espetáculo, tornando a obra ainda mais real à época, permitindo que a plateia conheça e se divirta com as expressões nada comuns com à atualidade, num retrato fiel de uma Belém quase desconhecida de seus habitantes. 

Os atores cantam músicas de grandes compositores paraenses como Waldemar Henrique, Cyrillo Silva, Brito Monteiro e Centil Puget. Dessa forma, a peça busca reviver esta década com todo o charme e elegância que a “Paris Tropical” tinha a oferecer na época.

A mais recente encenação de “A Casa da Viúva Costa” foi a 25 anos atrás, justamente em comemoração ao aniversário de 25 anos da Escola de Teatro e Dança da UFPA, com a direção de Wlad Lima. 

A encenação deste espetáculo este ano remete aos 50 anos da Escola, desta vez sob a direção de Paulo Santana e Marluce Oliveira. O espetáculo é acima de tudo uma grande homenagem ao teatro paraense, e os atores-alunos do curso técnico de formação em ator da ETDUFPA convidam o público a conhecer esta excêntrica casa. E a se divertir muito na platéia. 

Ficha técnica - Dramaturgia: Antonio Tavernard e Fernando Castro / Músicas: Waldemar Henrique, Cyrillo Silva, Brito Monteiro e Centil Puget / Direção: Marluce Oliveira e Paulo Santana.

Elenco: Léo Andrade, Deyvyth Gylhermeth, Bárbara Viana, Fernando Sarmento, Rogério Jacenir, Luiz Girard, Diana Flexa, Cecílio Leitão, Thainá Chemelo, Harles Oliveira, Gabriela Mendonça, Cristiano Sousa, Bernard Freire, Dio Balieiro, Amanda Oliveira, Rosa Nascimento, Valéria Lima, Camila Góes.

Cenografia: Anderson Miranda e Cristiano Benjamin / Figurino e Concepção de Maquiagem: Leonildo Santos, Alicia Hanson, Ana Miranda e Mariléia Aguiar / Assessoria de Imprensa: Leandro Oliveira / Fotos: Caled Garcês / Concepção Gráfica: Delianne Lima e Cristiano Sousa. 

Serviço
Espetáculo "A Casa da Viúva Costa", direção de Marluce Oliveira e Paulo Santana. De 29 de março a 01 de abril, sempre às 20h, no Teatro Cláudio Barradas (Jerônimo Pimentel, n° 546, próximo a D. Romualdo de Seixas). Ingressos a R$20, com meia entrada para estudantes. Informações: 8172-4280 | 8378-8385 | 8165-5954.

Som novaiorquino nas pistas da Black Soul Samba

É fim de mês na Black Soul Samba, momento de celebrar a comunhão entre os DJs de Belém. Nesta sexta chegam junto os DJs Morcegão, Eduardo The Master e Nassif Jordy. Ao lado de Homero da Cuíca, Eddie Pereira, Uirá Seidl, Fernando Wanzeller e Kauê Almeida eles passeiam por todas as vertentes da black music. 

Amigo antigo da Black Soul Samba, Nassif Jordy foi o primeiro DJ convidado das festas, ainda no Espaço Cultural Cidade Velha, quando as noites do BSS eram itinerantes. Nesta nova apresentação, ele promete o melhor da era do hip hop direto pro Palafita. “Tem muita diferença entre o rap de Nova Iorque e o da Califórnia. O que vou tocar é o old school, com os pioneiros do rap de N.Y.”, adianta Nassif Jordy sobre seu set nesta noite de 30 de março. 

O DJ, que também é produtor e repórter, conta que morou na “grande maçã” em 1996, exatamente no ano em que o hip hop estava no auge. Na bagagem o DJ trouxe nomes como Krs-one, A tribe called quest, Beastie Boys e muitos outros que estarão na pista da Black Soul Samba. Fã de rap desde muito cedo, o DJ teve na sua experiência com a cultura negra nova iorquina a confirmação dessa paixão.

“Eu comparo o hip hop em Nova Iorque ao samba no Rio de Janeiro, pois é a presença de todo o estilo na vida da comunidade, não apenas na música, mas no jeito de falar, vestir e viver. É tudo enraizado na vida deles”, acredita Nassif.

Dj Morcegão
O palco é do vinil  - Além de Nassif, a Black desta sexta terá ainda outros grandes e especiais convidados: DJ Morcegão e DJ Eduardo The Master, ambos também velhos conhecidos do coletivo. 

Com a presença deles, a noite terá uma pista especial só para os vinis; assim quem se ligar num som mais roots será agraciado na pista principal com as seleções especiais resgatadas por Homero da Cuíca, Fernando Wanzeller, Eduardo The Master e Morcegão. 

E pra lá também vão os raps e hip hop, desta vez sob o comando do DJ Morcegão, um dos mais antigos e já consagrados DJs de black music em Belém.

Pedagodo de profissão, Morcegão é integrante do Coletivo Casa Preta, onde realiza trabalhos de cidadania com crianças no bairro da Terra Firme, em Belém. Para ele, esta foi a melhor forma encontrada de trabalhar concretamente a cultura do hip hop.

"Fazemos oficinas de percussão com eles, e mostramos que o rap é para melhorar a vida das pessoas”, acredita. Em 30 anos de carreira com DJ, Morcegão já teve a honra de abrir shows de artistas importantes como MV Bill e Racionais MC. 

Para o set da BSS, ele garante que levará batidas dançantes, mas sem fugir do hip hop, em especial os brasileiros como Thaíde e os já citados Racionais e MV Bill . Tudo no vinil. Subindo pro funk, o rei do scratch Eduardo The Master, leva as batidas do funk pra pista da beira do rio. Discotecando há 15 anos, o DJ se especializou no modo nova iorquino de mixar depois de assistir aos campeonatos anuais dos MCs de Nova York. 

“Me especializei na técnica e hoje consigo improvisar com scratchs numa pista. E isso acontece de acordo com o público, não tem como preparar sem saber a vibe”, informa. Eduardo recebeu a alcunha “the master”, exatamente pelo termômetro que ele tem das pistas e de como consegue acrescentar scratchs em cima das músicas. 

Quem não sabe o que é, sem dúvida já viu um DJ fazendo um movimento com a mão sobre o disco, em movimentos rápidos, pra frente e pra trás, isso é o scratch, uma técnica que só deve ser colocada por quem sensibilidade de encaixá-la no momento certo.

É nesse ponto que Eduardo se destaca. Pra Black desta sexta, Eduardo The Master, leva o melhor do funk mundial, indo de James Brown à Tim Maia e de Kool and the Gang a Grandmaster Flash. Com os vinis no palco principal, a pista alternativa será comandada pelos afrobeats, reggaes, rap’s, tropicálias e brasilidades afro de Kauê Almeida, Uirá Seidl, Eddie Pereira e Nassif Jordy. Numa noite permeada por todos os estilos da música negra e suas vertentes no mundo e no Brasil. 

Serviço
Black Soul Samba, 30 de março, a partir das 21h, no bar Palafita (Siqueira Mendes, ao lado do Píer das 11 Janelas – Cidade Velha) - R$ 10,00 Rádio Black.

(com informações de Dani Franco).

27.3.12

Prontos para a abertura do Diário Contemporâneo

Pedro Hurpia
Fotos: Irene Almeida

Muito trabalho e retoques finais. Os artistas que estão em Belém para participar da abertura do salão que reúne obras premiadas e selecionadas pelo III Prêmio Diário Contemporâneo, passaram o dia de ontem e hoje empenhados na montagem de seus trabalhos. A exposição conta com 23 criações, entre fotografias, instalações e vídeos. A abertura é nesta quarta-feira, 28, na Casa das Onze Janelas, a partir das 19h, com entrada franca.

Além dos artistas premiados Lucas Gouvêa (PA), Ilana Lichtenstein (SP) e o Coletivo Garapa (SP), chegaram a Belém, esta semana, alguns dos fotógrafos que tiveram obras selecionadas para a exposição principal do evento.

Patrícia Gouvêa e Isabel Löfgren, por exemplo, apresentam duas obras, “Rotas de Fuga” e “Lécture sur L'herbe”. A segunda é formada por uma instalação com vídeo e uma fotografia e Rotas é um vídeo em 3 canais.

“Nestes dois trabalhos, realizamos ações efêmeras que reconfiguram o uso do Jardim da República, no Rio de Janeiro, como local de passagem ou de repouso pelos freqüentadores. Ora carregamos e trocamos de mãos uma mala antiga pelas aléias dos jardins, ora permutamos livros retirados desta mesma mala sobre o gramado. A mala é outro elemento importante neste projeto, um receptáculo de memórias, desejos e referências”, explica Patrícia, que está em Belém.

Formada em produção editorial pela ECO-RJ, especialista em fotografia pela UCAM/RJ ela é Mestre em Tecnologias da Imagem e Estética da Imagem, e fundadora-diretora do Ateliê de Imagens Espaço Cultural (RJ), onde está em cartaz a exposição Symbioses, da artista visual paraense Roberta Carvalho, premiada no ano passado pelo salão.

Leo Caobelli (Garap
Pedro Hurpia, que também estará na abertura, é Bacharel em Artes Visuais pela Unicamp e com diversos prêmios recebidos em mostras e salões paulistas.

“Esta instalação que estou apresentando no Diário Contemporâneo, consiste num resultado de um projeto desenvolvido no programa de residência artística do SÌM - Samband Íslenskra Myndlistarmanna - em Reykjavík, Islândia”.

O artista realizou, durante um mês, um conjunto de imagens na região portuária da capital islandesa e para esta montagem selecionou doze fotografias e sete pinturas que fazem parte desta instalação. “A especificidade da memória embutida no suporte pictórico, em contraponto com a da imagem fotográfica, foi o ponto de partida para este projeto intitulado Harbour View”, diz.
Roberta Dabdab chegou nesta segunda-feira em Belém. , que iniciou a carreira como assistente de fotografia, trabalhando para os principais fotógrafos de moda e publicidade atuantes na época, passando depois para fotojornalista (O Estado de S. Paulo e Jornal da Tarde e Folha de S. Paulo). Foi onde, segundo ela, encontrou um terreno extremamente propício para o desenvolvimento e aprimoramento da linguagem fotográfica.

A série da artista, intitulada S/T  reflete sobre um paradigma novo para a fotografia, o momento em que ela se funde com a imagem digital e mergulha no caldeirão de produção de imagens geradas nesta contemporaneidade.

“Trata-se de uma instalação que busca um entendimento sobre a memória visual adquirida na relação do espectador através das associações entre sua síntese, as fotografias esvaziadas de cenas fotografadas e os textos que narram estas cenas”.  De acordo com ela, a ideia é desautomatizar os olhares e criar uma linguagem capaz de desenvolver uma memória cognitiva a partir das referências de cor e forma.

“Isso parte do pressuposto de que com um mundo ‘hiper imagético cheio de informações’ precisamos aprender a reduzir, a buscar sínteses e a nos permitir voltar a exercitar a imaginação. O trabalho opera numa espécie de jogo com imagem e texto”, conclui Roberta.

Roberta Dabdab e Ilana
Mais - O paulista Fábio Messias Martins de Souza, selecionado com a obra "Essa luz sobre o jardim" e Marian Starosta, com "Mikvot, também vieram. Trabalhando  com fotografia desde 1982 e com vídeo desde 1985, já foi coordenadora de Artes Visuais na Casa de Cultura Mario Quintana, em Porto Alegre, do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, e já organizou eventos e exposições de arte.

Os demais trabalhos da exposição têm assinaturas de Alberto Bitar (PA), Ana Emília Jung (Milla Jung) (PR), Coletivo Cêsbixo (PA), Érico Toscano Cavallete (SP), Fabio Okamoto (SP), Fernando Bohrer Schmitt (SP), Gabriela Lissa Sakajiri (SP), Gordana Manic (SP), Isabel Maria Sobreira de Santana Terron (SP), Lívia Afonso de Aquino (SP), Marian Wolff Starosta (RJ), Renato Chalu Pacheco Huhn (PA), Romy Pocztaruk (RS), Tuca Vieira (SP), Vanja von Sek (PA) e Wagner Yoshihiko Okasaki (PA).

Após a abertura da mostra Memórias da Imagem, vai abrir a exposição “Para ter de onde se ir”, de Miguel Chikaoka, o artista convidado deste ano, no dia 29 de março, esta quinta-feira, a partir das 19h, no Museu da UFPA.

De 02 a 06 de abril será realizado o mini-curso “Uma introdução à história do livro fotográfico”, com Joaquim Marçal Ferreira de Andrade - pesquisador da Divisão de Iconografia/Fundação Biblioteca Nacional e professor adjunto de fotografia da PUC-Rio. Em maio será realizada a oficina “Ensaio - resumindo uma ideia”, com Octávio Cardoso, de 14 a 24 de maio.

A atividade vai desenvolver dois ensaios fotográficos tendo como objetivos editá-los em uma página de jornal cada um. Octávio vai dividir a turma em dois grupos de 6 fotógrafos cada, que em seguida sairão à campo. No intervalo de dez dias haverá dois encontros intermediários para discussão e avaliação, com a participação de um designer gráfico para a montagem das páginas.

Serviço
III Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia. Abertura dia 28 de março, às 19h, no Espaço Cultural Casa das Onze Janelas (Cidade Velha). No dia 29, quinta-feira, vernissage da exposição “Para ter de onde se ir”, de Miguel Chikaoka, a partir das 19h, no Museu da UFPA (Gov. José Malcher, c/ Generalissimo). Mais informações: http://www.diariocontemporaneo.com.br. Realização do jornal Diário do Pará. Patrocínio da Vale e Governo do Estado do Pará. Apoio Espaço Cultural Casa das Onze Janelas - SIM /Secult-PA, Museu da UFPA, Sol Informática e Instituto de Artes do Pará.

Mestre Vieira - 50 Anos de Guitarrada está no ar

Já está no ar a Fã Page do projeto Mestre Vieira - 50 Anos de Guitarrada. 

Patrocinado pela Vivo - Programa Conexão Vivo e Lei Semear do Governo do Estado do Pará, o projeto vai lançar em outubro deste ano, um documentário sobre a trajetória do guitarrista e um DVD, cuja gravação do show está prevista para junho deste ano. 

O blog vai dar uma parada básica hoje. Por enquanto, curtam a pagina: https://www.facebook.com/mestrevieirapa. Acessem também o site de Mestre Vieira e Os Dinâmicos. E aqui, uma entrevista com o Mestre Vieira para um site de notícias sobre música, de Natal - RN.

Até o final de abril, o site oficial do projeto (by Roberta Carvalho) também estará no ar. A previsão para o lançamento do making of também é final de abril, inicio de maio deste ano. A produção do projeto está em busca de espaço para estes lançamentos em Belém e Barcarena, com show de Mestre Vieira e Os Dinâmicos. Mais informações: 91 91 8304.3371 (Luiza Bastos).

26.3.12

Cinema, psicanálise e bate papo no cine do IAP

Dois filmes na sessão desta segunda-feira, 26, no Cineclube Alexandrino Moreira. O curta “De Assalto”, de Ronaldo Rosa, e “Procura-se Janaína, de Miriam Chnaiderman. Após a exibição, haverá bate papo com o diretor do curta metragem. A partir das 19h, no Instituto de Artes do Pará – Pça Justo Chermont, ao lado da Basílica de Nazaré. Entrada franca. 

Filmado em 2004, e tendo como locações, Belém, Ananindeua, Alça Viária e Mosqueiro, o curta De Assalto só foi lançado em 2010. Uma série de dificuldades impediu que a montagem fosse finalizada antes disso. Feito de forma independente, a questão financeira foi um dos grandes obstáculos. 

Uma vez pronto, o filme já foi exibido em inúmeras mostras cineclubistas e está é a segunda vez que o IAP recebe o trabalho do diretor, que mostra a história de dois jovens da classe média que se envolvem com o chamado “pequeno tráfico” . 

De Assalto é um filme urbano que tem como tema as drogas e a amizade. Revela uma Belém noturna, chuvosa, onde se vê a madrugada da cidade. Conta com a participação, nos papéis principais, de dois não atores, Jorge Fleury e Rafael Oliveira, que têm ótima atuação, preparados por Cláudio Barros. E traz ainda participações especiais das atrizes e irmãs Olinda e Zê Charone. Na figuração, modelos, atores e amigos. 

O filme também contou com apoio do Corpo de Bombeiros do Pará, responsável por todas as chuvas presentes nas cenas. Com mais de 25 anos na área Ronaldo Rosa, realizou o filme em parceria com a equipe de produção do Grupo Cuíra, e recebeu um patrocínio inicial da Sol informática, além da parceria das produtora Digital e Fábrica de Imagens. 

Psicanálise e Cinema – Na sessão desta semana, após o curta, será exibido também o documentário “Procura-se Janaína”, de Miriam Chnaiderman, que em 2008 faturou o 5º Femina - Festival Internacional de Cinema Feminino.

Procura-se Janaína conta a história de abandono de filhos pelos pais. A psicanalista e cineasta Miriam Chnaiderman acompanha a trajetória de Janaína, que viveu na Febem nos anos 1980, depois de ser abandonada aos cinco meses de idade. 

Miriam Chnaiderman é psicanalista, documentarista e ensaista, membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sédes Sapientiae. Esse é seu sétimo documentário tendo dirigido entre outros: “Dizem que sou louco”, ” Artesãos da Morte”, “Gilete Azul” e Passeios no Recanto Silvestre”. 

Programação

De Assalto, de Ronaldo Rosa 
Ficção/Pará/2004/14 min.
Após a exibição, bate papo com o realizador
Sessão em parceria com a ABDeC Pará


Procura-se Janaina, de Miriam Chnaiderman
Documentário/São Paulo/2007/54 min.
Sessão em parceria com o Itaú Cultural
Produção integrante do projeto CINCO SOBRE CINCO – Rumos Itaú Cultural

25.3.12

Diário Contemporâneo abre mostra esta semana

Obra de Lucas Gouvêa
Foram ao todo 260 inscrições vindas de 18 Estados e de mais de 40 cidades. O Salão do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia, lançado em 2010, chega a sua terceira edição consolidando-se como um grande painel da nova fotografia brasileira. 

O projeto é uma realização do jornal Diário do Pará e conta com o patrocínio da Vale e apoio do Espaço Cultural Casa das Onze Janelas do Sistema Integrado de Museus/Secult-PA, do Museu da UFPA, da Sol Informática e do Instituto de Artes do Pará. Além da mostra, o evento traz ainda uma ótima programação de palestras e oficinas têm como objetivo discutir a fotografia contemporânea no país. 

A abertura, no próximo dia 28 de março, na Casa das Onze Janelas, reunirá trabalhos de 23 artistas, sendo três deles os premiados. O Prêmio Memórias da Imagem, tema do salão este ano, ficou com o Coletivo Garapa, de São Paulo. A fotógrafa paulista Ilana Lichtenstein foi contemplada com Prêmio Diário Contemporâneo e o paraense Lucas Gouvêa, arrebatou o Prêmio Diário do Pará. Eles estarão presentes na cerimônia de abertura, quando receberão prêmios no valor de R$10.000,00, cada. 

Obra de Ilana Lichtenstein
Para Ilana Lichtenstein, que virá de São Paulo participar da abertura, diz que “a fotografia contemporânea pode ser tudo que o artista considerar como tal para o seu uso: e não só diferentes suportes de movimento, volume e etc., como também o próprio conteúdo gerado pela fotografia 'moderna' ou 'clássica', que pode ser absorvido e vivificado mais uma vez. São camadas que se misturam, somam, não esmagam uma à outra”. 

Já o fotógrafo Paulo Fehlauer, do Coletivo Garapa, também de São Paulo, diz que talvez a característica mais marcante da fotografia contemporânea seja a dificuldade de restringi-la a campos específicos. “Nos nossos projetos, buscamos sempre trabalhar o diálogo da fotografia com outras linguagens, como o vídeo e a literatura. Estamos interessados nesse hibridismo que expande o campo fotográfico”, opina ele que chega no dia da abertura do salão. 

O paraense Lucas Gouvêa diz que nada define a fotografia contemporânea. Participando pela primeira vez do salão, o estudante de Artes Visuais na UFPA, acredita que fotografia e contemporânea são duas palavras que em si tem amplas desapropriações conceituais. 

“A fotografia hoje em dia define o mais plural significado da reprodutibilidade, se encontra em todos os lugares, nos celulares, nos outdoors, nos documentos, na televisão, nos rituais humanos. E a contemporaneidade está fatalmente ligada ao tempo, todo artista é contemporâneo, ao seu tempo, a sua existência. Talvez o primeiro fotógrafo contemporâneo, tenha sido Platão quando escreveu sua alegoria da caverna”. 

Obra do Coletivo Garapa
Artistas já estão em Belém - Além deles, já está em Belém, Patrícia Gouvêa, uma das artistas selecionadas para a mostra. Formada em produção editorial pela ECO-RJ, especialista em fotografia pela UCAM/RJ e Mestre em Tecnologias da Imagem e Estética da Imagem, também pela ECO. É fundadora e diretora do Ateliê de Imagens Espaço Cultural, onde está em cartaz a exposição Symbioses, da artista visual paraense Roberta Carvalho, premiada no ano passado pelo salão. 

Também já está na capital paraense, Pedro Hurpia, Bacharel em Artes Visuais pela Unicamp e com diversos prêmio recebidos em mostras e salões paulistas e Marian Starosta, que vem trabalhando com fotografia desde 1982 e com vídeo desde 1985. Foi coordenadora de Artes Visuais na Casa de Cultura Mario Quintana, em Porto Alegre, do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, e já organizou eventos e exposições de arte. 

Além deles, marca presença,ainda, Roberta Dabdab, que iniciou sua carreira como assistente de fotografia, trabalhando para os principais fotógrafos de moda e publicidade atuantes na época, passando depois para fotojornalista (O Estado de S. Paulo e Jornal da Tarde e Folha de S. Paulo), onde encontrou um terreno extremamente propício para o desenvolvimento e aprimoramento da linguagem fotográfica. 

Serviço 
III Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia. Abertura dia 28 de março, às 19h, no Espaço Cultural Casa das Onze Janelas. Entrada franca. Realização do jornal Diário do Pará. Patrocínio da Vale. Apoio Espaço Cultural Casa das Onze Janelas - SIM /Secult-PA, Instituto de Artes do Pará, Governo do Estado do Pará, Museu da UFPA e Sol Informática. Informações: (91) 3184-9327 / (91) 8128-7527.

24.3.12

Histórias de Pau e Corda na tela da TV Cultura


Sancari (Belém), Os Quentes da Madrugada (Santarém Novo), O Uirapuru (Marapanim) e Sabiá (Curuçá). Estes são os quatro grupos de carimbó retratados no documentário “Pau e Corda: Histórias de Carimbó”, produzido pela TV Cultura do Pará, com direção de Robson Fonseca. 

A emissora vai exibi-lo no próximo domingo, 1º de abril, às 18h30, na faixa Cultura.DOC, mas amanhã, 25, no Cine-Teatro Maria Sylvia Nunes, haverá uma sessão especial para participantes e apoiadores do documentário, a partir das 18h. 

Pau e Corda, de acordo com Robson, reúne videoclipes de cada um dos grupos, além de depoimentos e bate papos, que mostram e falam da história dessa gente que mantém acesa a chama dessa cultura rica e singular na sua diversidade. “Os Quentes da Madrugada, por exemplo, produz um som com tambores fortes, encorpados e trazem letras que retratam o cotidiano de quem produz o carimbó do lugar, que são os pescadores, tiradores de caranguejo”, diz Robson.

Além disso, o grupo é de Santarém Novo, onde iniciou a campanha pelo carimbó patrimônio imaterial. Já o Sancari, um grupo urbano, costuma embalar festas, aniversários e festivais, mas levando o carimbó legítimo ao público.

“Já havíamos pesquisado alguns grupos, colhido histórias e penso que nossa escolha não poderia ser mais acertada, não que os grupos escolhidos sejam melhores que outros, não isso. 

Falo da diversidade que conseguimos nessa escolha. Realizar um projeto deste exige uma organização e logística complicadas por conta de nossa geografia, além disso, tempo e verba de produção foram parâmetros pra construção dessa rota”, explica.

"Os quatro grupos representam uma pequena parte dos mais de 160 grupos existentes”, conclui. Esteticamente, Robson revela que a proposta foi trabalhar com a linguagem do videoclipe, cujas técnicas ele admite dominar melhor. “O documentário tem uma ‘pegada’ de ‘road movie’, edição dinâmica e a trilha é parte muito importante na narrativa do doc.,como num vídeo clipe, onde é sempre a música que dita o ritmo”. 

Perguntado se pretendeu dar um foco turístico ao filme, Robson afirma que não. “Isso de turismo passa longe, apesar de termos trabalhado uma fotografia com muitas imagens de cartão postal, assinada por André Mardock, que tem uma sensibilidade muito particular. Durante todo o processo discutimos muito sobre a dinâmica da câmera no documentário. O que o documentário visa no final é mostrar para os próprios paraenses uma cultura tão rica que muitos de nós não conhecíamos. Os ritmos, as cores, as letras, tudo é muito gostoso de se ver no Carimbó”, explica. 

A produção e pesquisa do filme foram de Felipe Cortez. “Cria nova da TV Cultura, que surpreendeu com uma pesquisa competente e produção impecável. 

Durante alguns meses o Felipe manteve contato com alguns grupos e com a pesquisadora Julia Amorim do IPHAN. Daí fomos discutindo e construindo o nosso roteiro. Felipe e eu fizemos visitas para conhecer e fechar todo o esquema de gravação com os grupos”. 

Com vários trabalhos realizados em audiovisual, Robson Fonseca, publicitário, jornalista, diretor, editor e apresentador de TV, fez parte do núcleo de criação do programa Invasão e editou e apresentou o Sete 7 independente. Trabalhou também com montagem e pós produção do documentário Tocando Rabeca e dirigiu os videoclipes Sincera – Admitir (direção roteiro e montagem) , Delinquentes – Versão de Pescador de mestre Lucindo (direção roteiro e montagem)  e Vinil Laranja – Unfacelles Bride (direção roteiro e montagem) 

Estes são alguns dos trabalhos realizados, no currículo de Robson Fonseca, que também já recebeu o prêmio Funtelpa 2010, de Melhor reportagem para “Rapel na Alça” e no Festival Noites com Sol, pelo Melhor Vídeo Clipe “Delinquentes”. Com toda esta experiência, porém, o trabalho mais recente deixou seus registros em Robson.

"Em todos os lugares em que passamos a vivência foi intensa e incrível. A generosidade dessas pessoas é coisa que foge totalmente aos padrões desse mundo moderno. Por todos os lugares que passamos o acúmulo de aprendizado e experiências não cabe em nenhuma universidade.

O mais incrível é como eles abriram as portas de suas casas com carinho de amigos muito próximos. E o legal é que toda a equipe tinha muita consciência disso e não estava ali, apenas para um trabalho de gravação de um vídeo mas sim para sentir e compartilhar aquelas experiências”, ressalta. 

Robson traz na memória a paixão dos grupos pelo carimbó, mas a história de Mestre Manoel chamou atenção. “Ele realiza um trabalho incrível com crianças de Marapanim. Não sei precisar quantas pessoas foram envolvidas”. 

Belém - O documentário contou, ainda, com imagens e depoimentos feitos em Belém, com câmeras de Jacob Serruya, Samuel Rodrigues e Hélio Furtado.

“A equipe que viajou, contou com Felipe Cortez na produção, André Mardock na fotografia, comigo na Direção e Gilberto Bessa na Luz e maquinária. Além dos grupos, tivemos participação de algumas pessoas que entram como interferências entre as histórias dos grupos, como Pinduca, Danilo Bracchi, Jayme Katarro, Lu Guedes e Samilly Maria”. 

Depois de Pau e Corda, a ideia agora é repetir a dose. “Quem sabe daqui um tempo façamos o Pau e Corda II... Essa experiência serviu para mostrar que as histórias de carimbó não se esgotam em um documentário, muito pelo contrário, com mais 160 grupos espalhados no Estado inteiro, ainda tem muito carimbó para ser mostrado”, finaliza Robson.

A hora e a vez da MPB no documentário musical

Mautner, ontem, na abertura do Tudo é Verdade no RJ
Cinema e música, casamento perfeito. Assim, entre Maracatus Atômicos e Panis et Circencis foi declarado aberto, esta semana, o 17º Festival É Tudo Verdade. Na quinta, 22, em São Paulo, e ontem, 23, no Rio de Janeiro.

O festival, que em 2008 premiou “Pan-cinema Permanente”, sobre o poeta e compositor Waly Salomão, de Carlos Nader, vem reafirmar, este ano, a  maturidade do gênero documentário musical, cada vez mais consolidado no país.

Foram exibidos, respectiviamente, nas sessões de abertura,  “Tropicália”, de Marcelo Machado, e  “Jorge Mautner - O Filho do Holocauto”, de Pedro Bial, que aliás, só conseguiu chegar no final da sessão carioca, segundo o também diretor do filme,  Heitor D´Alincourt, porque estava confinado no reality show.  Enfim,  o festival começou este ano duas vezes musical e tropicalista.

Neste sábado, 24, também será exibido no Rio, “Tropicália”. Para quem foi à abertura de ontem, vai ficar impressão de que um é a continuidade do outro. Caetano e Gilberto Gil, por exemplo (expoentes do movimento que traz ainda Mutantes, Gal, Tom Zé e Bethania), também participam ativamente de “O Filho do Holocausto”, realizado com a co-produção do Canal Brasil.

Afinal, faz parte da história deste compositor, o filme “Demiurgo”, uma espécie de pornochanchada filosófica, segundo Caetano e Mautner, feito no exílio deles em Londres, no final da década de sessenta, sem falar nas inúmeras parcerias, onde Gil e Caetano interpretam Jorge Mautner, cuja obra também marca profundamente o movimento tropicalista. Justo! Para o crítico Amir Labaki, idealizador e diretor do festival, os filmes escolhidos para abrir o evento dialogam, apesar de serem muito diferentes em suas linguagens estéticas. 

"A coincidência de terem ficado prontos ao mesmo tempo mostrou que são filmes que rimam, que dialogam – têm até sequências de arquivo comuns. Por outro lado, são estilisticamente muito diferentes.  ‘Tropicália’ se estrutura sobretudo sobre a articulação de um raro material de arquivo e deixa a ferramenta da entrevista apenas para a parte final do filme. Já o filme do Pedro Bial e do Heitor D’Aliconcourt se estrutura sobretudo em cima de depoimentos e músicas, com inserção muito pontual de material de arquivo”, diz.

O astral daquele finalzinho dos 1960, porém, não estava só na tela. Não. Prestigiando a sessão carioca estavam, entre outros, Gilberto Gil, o próprio Maunter, Nelson Jacobina, Eduardo Coutinho, Jards Macalé.

No filme, Mautner conta a própria história, narrando trechos de seu  livro de memórias, mas também traz a filha do músico, que fala de sua infancia com o pai. O primeiro assunto da conversa gira em torno do nome da moça: Amora - sem referencia à fruta, mas sim com o feminino de Amor, segundo Mautner. "Ainda bem que vocês me colocaram na psicanálise aos 8 anos. Isso salvou a minha vida, além de todo o amor que vocês me deram", disse.

O filme faz uma longa reflexão em cima dos pensamentos filosóficos, anárquicos e de amorosidades de Mautner. "Quando ele chegou em Londres foi amor à primeira vista", diz Caetano. "Ele veio para nos enterter, inventava tudo", arremata Gil e todos caem na gargalhada. Com gosto de alegria e entremeadado por imagens de arquivo e conversas de Maunter com amigos, o filme traz 26 músicas do repertório surpreendente do violinista, interpretado por ele e por Caetano e Gil, acompanhados pelos músicos Kassim, Jacobina, Pedro Sá,  Berna Ceppas e Domenico Lancelotti.

Em cartaz Vale dizer que não é somente dentro de festival È Tudo Verdade que os documentários musicais estão literalmente pipocando. 2012 abriu com chave de ouro, tendo as estreias de dois longas que passeiam pela obra de dois importantes artistas da música nacional.

O Começo, o fim e o Meio”, que estreou nesta sexta, 23, retrata os loucos anos de Raul Seixa e “A música, segundo Tom Jobim”, já desde o início de janeiro, que vem fazendo jus à carreira emblemática e ímpar do maestro compositor de Garota de Ipanema, uma das canções mais tocadas em todo o mundo e que, aliás, acaba de completar 50 anos.

Mais uma vez haverá vem aquela impressão de continuidade, pois Gil, Gal, Caetano, mais uma vez os Tropicalistas, estão inseridos nos dois filmes, como protagonistas de uma época. O filme sobre Tom Jobim, por exemplo, traz Gal cantando a primeira música do filme “Se todos fossem iguais a você”. Linda, sedutora, ela ganha toda a atenção da plateia. Com narrativa musical plena, a obra de Nelson Pereira dos Santos e Dora Jobim traz momentos que na verdade todos nós já vimos alguma vez na vida, como o duo de Tom com Sinatra, com Elis.

No entanto, a pesquisa mergulhou mais fundo e na tela também estão imagens raríssimas do compositor e seus diversos interpretes espalhados pelo Planeta Terra. Sem nenhum diálogo, este é um filme que faz valer a máxima de que as imagens, e eu acrescento ainda a música, valem mais do que mil palavras. É imperdível.

Em “O Início, o fim e o meio”, dirigido Walter Carvalho e Evaldo Mocarzel, está "a vida e obra do maior ícone do rock brasileiro, desvendando suas diversas facetas, as parcerias com Paulo Coelho, os casamentos e os fãs que ele continua a mobilizar 20 anos depois de sua morte".
Ainda não fui ver, mas é fato que, mais uma vez, na tela, se verá Tropicalistas, uma vez que as imagens do Festival Phono 73, do qual, além de Raul, participaram Caetano, Gal, Bethania e Gil. Aliás, querendo ver, tem este DVD nas locadoras.

Bem, se a gente for contabilizar, com certeza veremos que isso tudo faz parte de uma coisa só, com várias pontas que se entrelaçam e se estendem soberanas para além da linha do horizonte.

E como um filme único sobre a música brasileira seria algo impossível e interminável de se fazer, o jeito é ir contando aos poucos esta maravilhosa história da MPB.  Paulinho da Viola, Tom Zé, Wilson Simonal, Nana Caymmi, Maria Bethania já foram biografados no cinema, graças a nova febre do documentário musical que se fortifica no pais.

Mas ainda falta fazer muito. Quero saber agora, quando é que surgirão focadas as histórias de Jorge Bem Jor, Tim Maia e Rita Lee, Baden Powell, além de outros ícones, e indo além, amplificando as sonoridades vindas também de regiões extras ao eixo Rio São Paulo. No Pará, há projetos em andamento, como o de Mestre Viera, ícone das Guitarradas do Pará, e a de Mestre Damasceno, do carimbó marajoara.

Em meio a festa, também houve a tristeza da despedida. No mesmo dia em que abriu o festival no Rio de Janeiro, também morreu Chico Anísio, cuja história também invadirá os cinemas em 2013, trazendo além dos inúmeros momentos da trajetória humoristica do artista, sua última entrevista concedida aos diretores Fábio Porchat e Ian SBF. "Qual é a Graça" vai trazer ainda, mais de 100 entrevistas com personalidades do humor brasileiros, diretores e cartunistas de diversas gerações. Há também um quê de musical. Lembram de Chico Anísio - Baiano e Os Novos Caetanos? Pois, é. Vai por aí.

Abertura do festival, no Espaço Itaú de Cinema Botafogo
É Tudo Verdade – Enquanto isso, o principal festival brasileiro de documentários, já considerado também um dos mais importantes na América Latina, acontece simultaneamente no Rio e em São Paulo, até 1° de abril, com sessões competitivas de filmes longas e de curta metragem nacionais e internacionais, além de programas especiais e retrospectivas imperdíveis.

Em uma delas, está a mostra "Coutinho - O Caminho até 'Cabra'", que homenagea o grande Eduardo Coutinho, exibindo além de Cabra Marcado para Morrer, Coutinho Repórter, Crônica de um Verão, Exu, Uma Tragédia Sertaneja, O Pistoleiro da Serra Talhada, Seis Dias de Ouricuri e Theodorico – O Imperador do Sertão. Tudo com direito a debate com o documetnarista, no Instituto Moreira Salles, nos altos da Gávea.

Ao cumprimentar o público, Amir Labaki ressaltou o crescimento do evento e os parceiros, como o Oi Futuro, o BNDES e o Centro Cultural Banco do Brasil, além claro, da Petrobrás e Ministério da Cultura. Todos eles, acreditando cada vez mais no gênero documental como difusor da cultura brasileira. A novidade deste ano fica por conta da realização do festival novamente em Brasília (abril) e também, pela primeira vez, em Belo Horizonte (maio).

Para saber mais da programação, do É Tudo Verdade, entre no site do evento.

23.3.12

Cia. Fé Cênica se apresenta no SESC Boulevard

Em Belém pela primeira vez a , a peça Perfídia Quase Perfeita , encenada pela companhia paulista é dirigida pelo paraense Claudio Marinho. Trata-se de uma comédia dramática, escrita por Carlos Correia Santos. Mistério, humor e poesia são os ingredientes do texto que foi um dos contemplados no ano de 2006 pela Seleção Brasil em Cena, concurso promovido pelo Centro Cultural Banco do Brasil, do Rio de Janeiro. Não deixe de ir. Nesta sexta, 23, sábado, 24 e domingo, 25, no Centro Cultural Ssec Boulevard, às 20h, com entrada franca.

A encenação da Cia. Fé Cênica teve sua estreia em 2010 no Fringe, a mostra paralela do Festival de Curitiba, e no ano seguinte foi apresentada em duas temporadas na capital paulista. A trama de “Perfídia Quase Perfeita“ se desenrola dentro de uma radionovela dos anos 1950. No último capítulo o casal Cezinha (Geraldo Machado) e Dagmar (Viviane Bernard) precisa desvendar um mistério. 

O marido acorda atordoado no chão da sala e a mulher conta para o perplexo e desmemoriado Cezinha que houve uma traição conjugal e desentendimento que resultou num disparo de revólver. O caixão no meio da sala reforça a informação dada por ela: um deles está morto e o outro está alucinando. Até chegar ao desfecho da história, Cezinha e Dagmar dão espaço para outros personagens, como, a eufórica Dilma Daiane e o mal humorado Johnson e Johnson, que são ouvintes do programa. Situações inesperadas, erros dos radioatores e jingles dão ar cômico ao trabalho. 

O espetáculo resulta numa homenagem aos antigos programas de rádio. Toda a história é narrada e comentada por um locutor, que no texto original existe como voz em off. Durante os ensaios o diretor Claudio Marinho lia as falas do locutor somente para auxiliar na criação das cenas com os atores. Mas de tanto fazer isto, o grupo percebeu que o personagem poderia aparecer em cena. É o que acontece na montagem, o diretor acabou cedendo à ideia de também atuar. 

“Em Perfídia Quase Perfeita buscamos a riqueza de nuances no trabalho dos atores para criar um clima de humor ácido e crítico. O objetivo é fazer na frente da platéia um ardiloso jogo cênico, com suspense, poesia e humor. Primeiro tratei de observar os dois atores para depois entrar em cena”, conta Claudio Marinho. 

Sobre o texto e a parceria com a Cia. Fé Cênica Carlos Correia Santos diz: “Perfídia Quase Perfeita é um texto muito importante para mim porque tem representado uma ponte fantástica entre a minha dramaturgia e o cenário teatral do sudeste, sempre cobiçado pelas possibilidades de visibilidade. Primeiro, a dramaturgia venceu o Seleção Brasil em Cena, com leitura dramática dirigida pela Stella Miranda e depois ganhou essa linda montagem da Fé Cênica que já nos permitiu subir aos palcos em Curitiba e São Paulo. A montagem do Cláudio é a prova de que a produção teatral com DNA nortista tem caminho aberto para o mundo. Tenho orgulho desse trabalho pelo grau de excelência e pela oportunidade que me deu de fazer dessa equipe um núcleo de amigos, irmãos”.

O autor, que tem como característica acompanhar de perto as montagens de seus textos marcou presença nas duas estreias. “Perfídia Quase Perfeita” integra um projeto iniciado em 2007, com o objetivo de montar peças de dramaturgos paraenses. Desde que as atividades se iniciaram o grupo encenou também “Fogo Cruel em Lua de Mel”, de Nazareno Tourinho, apresentando-se em quatro temporadas entre os anos de 2007 e 2009; duas versões da peça “As Ruminantes”, de Saulo Sisnando, em 2009. O grupo ainda montou a peça infantil “A Fábula das Águas”, também de Carlos Correia Santos, com estréia em 2011 na capital paulista e apresentações no interior do Estado.

Ficha técnica

Elenco: Viviane Bernard, Geraldo Machado e Claudio Marinho
Iluminação: Sônia Lopes
Trilha sonora original: Cláudio Hodnik
Operação de som: Roger Magno Nunes
Cenário e figurinos: Geraldo Machado e Viviane Bernard
Fotos: Lenise Pinheiro
Design gráfico: Reinaldo Elias
Produção local: Sue Pavão
Direção de produção: Geraldo Machado e Claudio Marinho
Texto: Carlos Correia Santos
Direção: Claudio Marinho


Serviço
A peça “Perfídia Quase Perfeita” será apresentada no Centro Cultural SESC Boulevard (Boulevard Castilho França, 522/523, em frente à Estação das Docas). Sessões nos dias 23, 24 e 25 de março, às 20h. Entrada franca. Classificação etária: 14 anos. Duração: 50 minutos. Informações: (91) 3224-5305 ou 3224-5654.

(com informações de Carlos Correia Santos)

21.3.12

Jorge Bastos lança “Hemorragia” em São Paulo


O livro do poeta e crítico literário Jorge Henrique Bastos, um paraense radicado em São Paulo, traz homenagem a dois nomes ilustres da literatura paraense, o filósofo Benedito Nunes e o escritor Haroldo Maranhão. O lançamento será nesta sexta-feira, 23, a partir das 18h, na Livraria Martins Fontes - Vila Buarque - , na capital paulista. 

Editado pela Reflexão, "Hemorragia" reúne poemas escritos entre 1999 e 2009. Traz textos que refletem as experiências vividas pelo autor, neste período, em Portugal, Espanha e Brasil. É o segundo livro de Jorge Henrique, que já lançou também “A Idade do Sol”. 

Entre outros trabalhos, como editor, em 1994 organizou o livro "A Criação do Mundo Segundo os Índios Ianomami" para a Editora Hiena, além de dirigir uma coleção de ensaios para a editora Pergaminho, onde publicou Paul Valéry, Mathew Arnold e Alexander Blok. Traduziu René Char, Yves Bonnefoy e Ezra Pound.

Nascido em Belém do Pará, Jorge morou em Lisboa, onde foi jornalista no semanário português Expresso e atuou na área editorial. Antes de ir morar na Europa e passar por lá 16 anos seguidos, ele viveu em São Paulo, ligado ao ramo editorial, e em seguida o Rio de Janeiro, onde conheceu Haroldo Maranhão e também Benedito Nunes, que visitava seu amigo constantemente. De Lisboa retornou em 2006, fincando residência em São Paulo. 

Mesmo morando fora do país, Jorge sempre manteve contato com Haroldo e Benedito. Quando escreveu os poemas deste segundo livro, os enviou ao filósofo que não só leu, como lhe devolveu a obra com uma surpresa. 

“Enviei uma cópia do livro para o Benedito ler, pois mantinha contato com ele e com o Haroldo Maranhão, por cartas. Ele leu e para minha surpresa a resposta veio em forma de estudo que ele escreveu sobre o livro”. Completamente inédito, o estudo sairá depois num livro que Victor Pinheiro - estudioso da obra de Benedito Nunes - está organizando e será publicado em Belém pela Secretaria de Cultura do Estado.

Jorge conta que regressou logo depois disso para o Brasil, porém seus compromissos profissionais o impediram de lançar o livro até então. “Mas ele precisava ser publicado, ainda mais porque o Benedito faleceu em 2009. Aproveito e faço uma homenagem a ele e ao Haroldo no livro”, explica o poeta, que foi entrevistado pelo Holofote Virtual e falou mais sobre sua obra e o encontro com os saudosos Benedito Nunes e Haroldo Maranhão.

Jorge Henrique Bastos, em São Paulo
Holofote Virtual: Benedito Nunes faleceu em decorrência de uma hemorragia, aos 81 anos. O título do livro faz alguma alusão a isso?

Jorge Bastos: Não, este título já existia desde Portugal e não faz menção ao filósofo.

Na verdade é uma imagem que trouxe desde a minha juventude em Belém, quando vi uma pessoa acidentada na carroceria de um carro e que me impactou para sempre, mas observa que a ilustração da capa é um quadro do Francis Bacon que deforma tudo.

Isso me fez pensar na vida, no nosso destino, no sentido da morte, e me acompanhou ao longo da vida até a escrita do livro. Hás de ver que há um poema que dá título ao livro, e refere-se um pouco a esse fato distante. Acontece que na origem do meu regresso para o Brasil está o falecimento de um grande amigo meu, Pedro Henrique Bortolon. Como demorei para editar o livro por questões que já expliquei, o Benedito acabou falecendo também. Por isso dedico in memoriam o livro para ele e o Pedro. 

Holofote Virtual: Como foi o processo de trabalho para fazer este livro? 

Jorge Bastos: Minha produção poética é muito lenta. Escrevi meus primeiros poemas em Belém, mas logo em seguida eu mudei para São Paulo, depois Rio de Janeiro, em seguida Lisboa, e regressei definitivamente para o Brasil só em 2006. Ou seja, foi uma longa temporada homérica. Como deve imaginar, essa "deslocalização" contínua, essa deriva, fez-me experimentar muitas coisas, conhecer línguas e literaturas, paisagens e expressões. 

Costumo dizer que procuro atingir uma tensão poética que me leve a escrever o poema após todo um processo estético, emocional. A Emiliy Dickinson afirmou que o verdadeiro poema é como uma "descarga elétrica que atravessa a espinha dorsal". Só os grandes poetas conseguem atingir isso. Na medida do possível, procuro fazer o melhor e exprimir-me da forma mais verdadeira. 

Holofote Virtual: Como você conheceu Benedito Nunes e Haroldo Maranhão? 

Jorge Bastos: Em 1985 mudei para São Paulo, e no ano seguinte a Martins Fontes, editora onde trabalhava, transferiu-me para a filial do Rio de Janeiro, onde conheci o Haroldo Maranhão. Já lera praticamente todos os livros do Haroldo, e nos tornamos muito próximos nesse período, pois eu morava bem perto da sua casa no Aterro do Flamengo. Todas as vezes que o Benedito ia ao Rio, o Haroldo me ligava e saíamos para almoçar, não sem antes o Benedito passar pela livraria e fazer sua razia bibliófila. Fizemos isso várias vezes, e muitas mais conversamos longamente sobre figuras como o Mário Faustino, o Max, etc.

Era muito engraçado, um trio de paraenses atravessando o centro antigo do Rio, contando piadas e rindo discretamente. Tenho muitas saudades desse tempo, do Haroldo, que quando faleceu eu ainda estava em Portugal, e até hoje recordo como a notícia me abalou no meio do verão sufocante lusitano. O resultado está num poema deste livro, o "Pertença". O mesmo aconteceu quando soube do falecimento do Benedito e do Max. Escrevi uma rememoração sobre o Haroldo e sobre o Max que o Elias Pinto teve a amabilidade de publicar no Diário do Pará. 

Holofote Virtual: O que mais te impressiona em Benedito Nunes? 

Jorge Bastos: Quando mudei para Portugal, em 89, levei toda minha biblioteca.

Os livros do Benedito me acompanharam, e acompanharam todo meu desenvolvimento como jornalista, função que assumi por quatro anos após aterrissar em Portugal. O Benedito foi um ser admirável, um ensaísta completo e dos mais estimulantes que surgiu no pensamento brasileiro, e não só. Seus estudos sobre Clarice, Cabral e Guimarães Rosa nortearam minhas indagações. Mas há um livro sobre o qual me debrucei vezes sem conta, o estudo profundíssimo sobre Heidegger, o Passagem para o Poético.

Tenho acompanhado junto ao Victor o seu trabalho de reedição da sua obra. É um trabalho que o Benedito iria se orgulhar. Mas acho que, como paraense, seu amor pela terra, e a decisão de nunca sair de lá (embora viajasse muito) são fatores que todos deveriam saudar.

Holofote Virtual: Quais trabalhos editorias você já realizou? 

Jorge Bastos: São vários livros, de Herberto Helder a O. Henry, traduzido por Fernando Pessoa, antologia da poesia brasileira, o Macunaíma, do Mário de Andrade, obras que publiquei no Brasil e em Portugal. Sem contar o trabalho editorial propriamente dito, e que está nos catálogos de editoras como a Martins/Martins Fontes. Quando voltei para o Brasil, trouxe três inéditos que só agora começo a publicar. 

Holofote Virtual: Como será a divulgação de Hemorragia. Pretende lançá-lo em Belém? 

Jorge Bastos: Ainda não sei se lançarei em Belém, meu trabalho como editor, e num momento que enfrento um novo projeto, não me permitem ausentar-me de Sampa. Mas talvez mais para frente consiga uma surtida relâmpago, até para aproveitar e mostrar meu apoio ao Lúcio Flávio Pinto que está sendo perseguido de forma vil pela justiça paraense.