2.3.10

Caciporé Torres abre mostra de inéditos na Galeria Elf

A mostra “A Materialidade da Forma” reunirá 20 trabalhos inéditos de sua mais recente produção, sendo serigrafias, relevos e múltiplos.

O artista estará em Belém para montagem, esta semana, e vernissage da mostra, que acontece no sábado, dia 06, a partir das 11h.

O escultor, reconhecido internacionalmente, é conhecido por suas obras monumentais de aço instaladas nos espaços urbanos. É a segunda exposição individual do artista em Belém, cidade com a qual mantém vínculos afetivos.

Para esta exposição, o artista traz quadros em relevo feitos com uma massa branca de gesso e pó de mármore.

“São trabalhos de dimensões reduzidas se comparados à produção monumental que possui, mas grandiosos porque apresentam uma visão ampla e iluminada”, explica Lucia Chaves, da Elf.

Esses trabalhos são contrapostos a outros de outra época e sentido inverso: Caixa Tabu, relevo da década de 70, feito de aço, cuja pintura negra e vermelha não oculta a rudeza do material nem as marcas de solda que emendam os pequenos pedaços de chapa que constituem o trabalho. A composição, escura e fechada, evoca os mistérios femininos, bem apropriados ao dia 8 de março, data em que se homenageia a mulher.

Dada à impossibilidade de trazer a Belém suas grandes obras metálicas, serão apresentados, também, múltiplos feitos a partir dos estudos realizados para a construção de Modular Rio (Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, 2006) e A Grande Coluna (Museu Brasileiro da Escultura, São Paulo, 2007).

Serviço
A Galeria Elf está em novo endereço: Passagem Bolonha, 60. Nazaré. Mais informações: (91) 3224-0854.A mostra permanecerá aberta a visitações até 17 de abril, de segunda a sexta, das 10h às 13h e das 15h às 19h. Aos sábados, das 10 às 14h.

1.3.10

Músicos e interpretes se reúnem para celebrar a música autoral

É a proposta de Bandália, show idealizado pelos cantores Arthur Nogueira e Juliana Sinimbú e pelas bandas Clepsidra e O Meio do Mundo, que entra em cartaz nesta quinta-feira, a partir das 21h, no Café com Arte.

Durante a apresentação, um jogo de interferências é proposto: Arthur Nogueira interpreta canções de seu álbum mais recente, Mundano, mas também divide os vocais do rock Descontrolado com Renato Torres.

Por sua vez, o cantor e guitarrista, que junto a Mauricio Panzera (baixo) forma a banda Clepsidra, apresenta antigos sucessos e canções inéditas do grupo, além de acompanhar Juliana Sinimbú.

A cantora leva pela primeira vez ao palco o repertório de seu álbum de estreia, a ser lançado em 2010, e interpreta um samba de Felipe Ribeiro, membro da banda O Meio do Mundo. Junto com Felipe, que toca violão e bateria, também fazem parte do grupo André Coruja (voz e baixo), Inês Fernandes (voz, teclado e baixo) e Willy Benitez (bateria). Formado em 2009, O Meio do Mundo mistura rock e baladas intimistas com ritmos brasileiros, como carimbó, samba e baião.

Em meio às canções próprias, Bandália ainda inclui versões para clássicos de Jards Macalé, Tom Zé e Arrigo Barnabé. O projeto segue em cartaz durante todo o mês de março, às quintas-feiras, no mesmo horário e local.

Serviço
Bandália – Com Arthur Nogueira, Juliana Sinimbu, Clepsidra e O Meio do Mundo. Quintas de março no Café com Arte (Ruy Barbosa, 1437). 21h – R$10 – Info: 8153-1779.

Artes cênicas em discussão

O Fórum Permanente de Teatro elaborou proposta de Plano Estadual de Teatro, que deverá compor o Plano Estadual de Cultura e reger as políticas públicas estaduais para os diversos setores culturais e artísticos do Estado.

A proposta que o Fórum Elaborou teve referências em documentos que foram elaborados em discussões em outros Estados, no Colegiado Setorial de Teatro, na Assembléia Setorial de Teatro do Pará, e no próprio Fórum. Leia mais: aqui.

Custo Amazônico - Dando continuidade às discussões propostas pelo Forum Permanente de Teatro acontecerá, nesta quarta-feira, dia 3 de março, uma reunião com representantes de artes e cultura dos nove estados da Amazônia Legal para discutir o conceito: Custo Amazônico. O local é o auditório do Banco da Amazônia, na Presidente Vargas, das 15h às 18h.

APAD faz nova eleição - A Associação Paraense de Dança (APAD) está se preparando para mudar sua diretoria para o biênio 2010-2012. A eleição será no dia 16 de abril. Mas para votar, antigos e novos associados deverão efetuar cadastro junto à APAD, até 30 de março, mediante pagamento de taxa de inscrição e comprovação mínima de cinco anos de atividades em dança.

Maiores informações podem ser adquiridas pelos e-mails apadbelem@gmail.com e teatroedancaiap@gmail.com ou pelos telefones 88473264/ 81897564/ 84121137.

27.2.10

Marton Maués fala de trajetória e pesquisa clown

Após colocarem o pé na avenida e arrebatarem o povo, no desfile campeão da Escola de Samba Bole-Bole, os Palhaços Trovadores aprontam mais uma. E das boas! A estréia de “Mão de Vaca”, novo espetáculo do grupo “Os Palhaços Trovadores”, na última quinta-feira, 25, levou grande público para o Anfiteatro da Praça da República.

A adaptação do grupo para o texto “O Avarento”, arrancou muitas risadas e ganhou a platéia, em delírio. É a prova de que Molière continua atual. Mas a história do homem avarento ganhou outras dimensões ao ser apimentada pela performance dos clowns Trovadores. Vá conferir de perto. O espetáculo ficou em cartaz neste final de semana, até o sábado, 27, mas volta de 04 a 06 de março, no mesmo local, sempre a parti das 20h.

Para 2010, o grupo ainda tem muitos outros planos. Como: o espetáculo que vão montar, experimentando o boneco, num trabalho junto ao grupo In Bust Teatro com Bonecos, e a Casa do Palhaço, sede que o grupo acaba de ocupar e que precisa de apoio e incentivo para colocá-la em funcionamento.

O fundador e diretor do grupo, Marton Maués diz que a vitória da Bole-Bole foi mérito da própria escola, graças à competência da carnavalesca Claudia Palheta. Uma grande homenagem ao grupo. Avisa que “Mão de Vaca” está bem montado e revela que antes de querer ser ator, pensou em se tornar diretor de cinema.

Antes da estréia da peça, logo depois da experiência carnavalesca, Marton Maués respondeu a uma entrevista do Holofote Virtual. Generosamente, conseguiu, à pedido do blog, fotos para ilustrar nosso bate papo. As fotos do “Mão de Vaca”, no anfiteatro da República, são recentíssima. Fiz na última quinta-feira.

O resultado está logo abaixo. Uma deliciosa conversa em que viajamos até os anos 80, quando ele iniciava sua jornada no teatro e falamos do trabalho desenvolvido há 11 anos com os Trovadores.

Ele relembra momentos ao lado de “monstros sagrados”, como Cláudio Barradas, Luiz Otávio Barata, Zélia Amador, Henrique da Paz e Walter Bandeira, além da escola de teatro e sobre a experiência de ter desfilado na avenida do samba. Como professor, que também é, nos dá uma verdadeira aula de clown. Com vocês, respeitoso público, Marton Maués.

Holofote Virtual: Lá se vão 11 anos e vários espetáculos. Entre eles “O Hipocondríaco”, baseado na obra “O Doente Imaginário”, do francês Molière, que parece te apaixonar. É também a partir de outro texto dele, “O Avarento”, que surge o espetáculo “Mão de Vaca”, cuja estréia aconteceu neste final de semana. Alguma afinidade maior com o autor?

Marton Maués: Sim, o Molière é maravilhoso, genial, e como nós (guardadas as devidas proporções), também alimentava seu trabalho com elementos da cultura popular de sua época. Depois de O Hipocondríaco fiquei alimentando a idéia de um segundo Molière. Há tempos, assisti uma montagem de O Avarento, no Rio de Janeiro, com o Rubens Corrêa.

Teve também a montagem recente do Paulo Autran, seu canto do cisne. Li algumas traduções do texto e fui me apaixonando cada vez mais. Fiz projetos, casei a idéia com meu doutorado que começava e estamos agora em cartaz.

Holofote Virtual: Como ficou a montagem?

Marton Maués:
Acho que o espetáculo está muito bom, bem desenhadinho, com uma boa adaptação, sobretudo com elementos próprios da nossa linguagem, da poética dos Palhaços Trovadores.

Holofote Virtual: O espetáculo é resultado de tua pesquisa de doutorado. Quanto tempo vocês levaram neste processo?

Marton Maués: Dia 05 de março comemoraremos um ano de trabalho. Realizamos leituras, treinamentos de improvisação e muitos ensaios abertos ao público. A resposta foi maravilhosa. Muitas cenas, detalhes de cenas, são sugestões dadas pelo público. Agora com as chuvas e a necessidade de intensificar os ensaios, voltamos à sala. De brincadeira, digo aos Trovadores que vamos usar as roupas luxuosas do carnaval para montar mais um Molière: O Burguês Fidalgo.

Holofote Virtual: Os Palhaços Trovadores foi o primeiro grupo em Belém a trabalhar a linguagem do clown. Colocando o pé na avenida, de prima, arrebatou o também primeiro título de Campeã do Carnaval Paraense da Escola de Samba Bole Bole. Como foi viver esta experiência, já deu pra cair a ficha?

Marton Maué: A “ficha” caiu logo no dia seguinte ao resultado. Somos um grupo que trabalha muito, organiza sua rotina, pesquisa, ensaia, se apresenta em diversos lugares, mas temos claramente a dimensão do que somos (pelo menos eu tenho). Somos um pequeno grupo de teatro da cidade de Santa Maria de Belém do Grão Pará. Como o cantor Belchior, sem dinheiro no bolso (ou no banco) e sem parentes importantes.

Nosso trabalho tem um alcance bem limitado ainda, restrito a um centro. Quem ganhou o carnaval foi a Bole-bole, graças a um trabalho competente da carnavalesca Claudia Palheta e sua equipe, que souberam interpretar muito bem para a avenida nossa modesta história.

O carnaval é uma arte mais popular que o teatro. O Guamá é um bairro de tradições populares ricas e merecia comemorar esse título, até porque a escola já vem realizando um trabalho longo com a comunidade. Nós, dos Palhaços, nada fizemos, além de ser e estar de corpo e alma na avenida. O samba do Vetinho é muito bonito, muito bom, e foi cantado com garra e alegria na avenida e, acredito eu, isso deu o título à escola. Carnaval tem todo ano, este foi da Bole-bole e nós curtimos com eles essa vitória.

Holofote Virtual: Sempre foste do samba e do carnaval?

Marton Maués: Essa é boa. Sempre brinquei carnaval sim, desde os bailes infantis, em Macapá, vestido de índio de sarrapilheira. Não diria que sou do samba, não. Adoro samba, principalmente os mais tradicionais (não digo de raiz porque pra mim raiz é macaxeira).

Acho o Cartola um gênio e sou apaixonado pela Mangueira. Acho que a Mangueira não deveria mais concorrer, só se apresentar como atração (hahahaha). Choro ao vê-la pela televisão e prometi a mim mesmo que ano que vem estarei no sambódromo só para ver a Mangueira.
Mas não curto carnaval assim com entusiasmo faz tempo. O grupo, desde sua fundação, vem sendo convidado a sair nas escolas, e nós vamos, com nossas roupas de palhaços mesmo.

Holofote Virtual: Então já tinham saído em uma escola antes ...

Marton Maués: Já saímos no Quenzão (ganhou), no Rancho (ganhou), na Grande Família (ganhou) e este ano também saímos no carro abre-alas da Xodó da Nega e quase ganhamos. Veja só, me disseram que além de pés grandes somos pés quentes. Agora confesso, da avenida mesmo, gosto de sair em carro alegórico, é maravilhoso, eu me sinto. (hahahaha).

Holofote Virtual: Como aconteceu o convite da Bole-Bole?

Marton Maués: Sou amigo da Cláudia Palheta há muito tempo. Não conhecia o lado carnavalesco dela, só ouvia falar muito. Mas quando ela veio a minha casa para falar do enredo para o grupo e consolidar o convite, todos nós nos emocionamos. Estava lindo e ela sabia tudo de nós, leu tudo, conhecia minha dissertação de mestrado, que conta a história do grupo, de cor e salteado (hahahaha). Nós nos entregamos a ela e ao Eduardo, que dividiu o trabalho com a Cláudia.

Para nos aproximarmos da comunidade, que com certeza não sabia quem éramos, realizamos um espetáculo na quadra da escola, num domingo de “arrastão”. Foi nosso espetáculo de carnaval, “Ó, abre alas!” e, de início frio, o público depois brincou a valer conosco e saímos à rua com eles, cantando e dançando. Foi emocionante. Fomos outras vezes, mas não acompanhamos tudo porque estávamos também ensaiando e nos apresentando. Mas no dia do desfile foi pura emoção, vestimos a camisa da escola. Eu chorei varais vezes durante o desfile. Foi lindo!

Holofote Virtual: Vocês participaram de alguma forma nas decisões coreográficas, por exemplo?

Marton Maués: Ali, na comissão de frente, o mérito todo é do coreógrafo, Beto Benone, que foi um dos fundadores dos Palhaços Trovadores, e dos integrantes da comissão, com a carnavalesca, claro.

O que me emocionou, quando assisti um ensaio deles, é que ali estão presentes alunos e ex-alunos e também ex-trovadores, como a atriz Suely Brito, da Cia dos Notáveis Clowns. Essas pessoas, com uma formação acadêmica, dada pela escola de Teatro da UFPA é que fizeram o diferencial.

Eu, como professor da escola, artista de teatro, e amigo deles, fiquei muito feliz e orgulhoso. Só contribuí na escolha dos palhaços ali representados, que são grandes nomes da arte da palhaçaria, como Carequinha, Arrelia, Piolim, Alecrim, Nequinho, Tortel Poltrono, Benjamim de Oliveira, Grock, Annie Fratellini e outros. A ideia também é poética, o garoto que sonha em ser palhaço e é visitado por estes anjos do picadeiro. Estava realmente tudo muito bonito. Um luxo de criatividade.

Holofote Virtual: Vamos sair da avenida e voltar ao picadeiro. De onde tirastes o Tilinho, teu clown?

Marton Maués: Todo Palhaço é, ou deve ser, uma extensão de seu próprio ridículo. O Tilinho sou eu meio infantil, debilóide, parlapatão e brincalhão. É meu lado maluco, cara de pau. Sou muito tímido (acreditem!), mas o Tilinho me joga pra frente, me lança na fogueira. Embora meu barato mesmo seja dirigir espetáculos, dirigir palhaços. O Tilinho fica um pouco contido pelo diretor. O dia em que ele se soltar eu serei um sucesso nacional (hahahahaha)

Holofote Virtual: Como essa linguagem surge na tua vida?

Marton Maués: Vejo circo desde pequeno. A primeira peça de teatro que vi foi em um circo, A Escrava Isaura. Era horrível, e maravilhoso aos meus olhos de menino. Eu cresci em Macapá querendo ser diretor de cinema (já era maluco).

Em Belém conheci a fundo o teatro e me apaixonei. Trabalhei com “monstros sagrados” como Cláudio Barradas, Luiz Otávio Barata, Zélia Amador e Henrique da Paz. Foram meus mestres, minhas escolas. Virei diretor e professor e, apaixonado por folguedos populares e teatro de rua, acabei me deparando com a linguagem do palhaço. Fiz um curso, estudei muito sozinho, pesquisei, juntei o que aprendi sobre palhaço com o que já sabia de teatro, fiz um caldinho e comecei a espalhar esta idéia boa na cidade. Deu no que deu. Está dando.

Holofote Virtual: Não começastes com o Clown. Desde a década de 80 trabalhas com teatro e já atuaste e dirigiste espetáculos com grandes nomes da nossa cena. Como foram estes anos e o que ficou dessas experiências para o palhaço que hoje te guia?

Marton Maués: Ficou tudo. Uma linda história, um grande aprendizado. Devo tudo a eles, principalmente Claudio Barradas e Henrique da Paz. Claudio foi meu primeiro grande mestre, com ele me apaixonei definitivamente pelo teatro, contraí o vírus sem cura. Muita coisa interessante, de contestação e de olhar para o teatro de um modo mais contemporâneo, aprendi com o Luiz Otávio, um visionário.

Agora, o Henrique da Paz foi o grande parceiro com quem exercitei todas as dores e delícias da profissão, o prazer da criação, as minúcias, filigranas. Ainda hoje o considero um grande companheiro de batalha. Ele é um grande ator, um criador teatral.

Holofote Virtual: Como foi a lida direta com o Barradas, no início da tua carreira, na montagem de “O Carro dos Milagres” (conto de Benedicto Monteiro)?.

Marton Maués: Não foi fácil, tudo era novo para mim. Mergulhei fundo naquilo tudo, ensaiávamos de segunda a domingo, horas a fio. Eu só queria saber de teatro. A montagem levou mais de um ano, exercícios minuciosos, o Claudio espremia todo mundo, tirava o que podia de cada um.

Foi um grande aprendizado, sobretudo com relação ao texto, à expressão verbal. Exercitávamos, sem muita experiência, claro, cada detalhe das palavras, suas forças, nuances, entonações, pausas. Era um verdadeiro aprendizado e utilizo muito do que aprendi com ele ainda hoje com meus alunos. Apaixonei-me pelo teatro e por ele.

Holofote Virtual: O que tu destacarias na história do teatro paraense destas ultimas décadas?

Marton Maués: Acho que principalmente a pesquisa acadêmica e o ensino estão dando um salto e impulsionando os criadores e futuros criadores. Alguns grupos estão mais parados, mas em função da academia, a arte do teatro e da dança, tendem a crescer. Estão crescendo.

Holofote Virtual: O que significa a Escola de Teatro e Dança da UFPA para o teatro em nossa região?

Marton Maués: A escola de teatro está dando um salto para o futuro, construindo uma nova história dentro da universidade e dentro da cidade. E isso já faz um tempo. A capacitação dos professores, com mestrado e doutorado, o ingresso de novos professores ligados diretamente à categoria e a criação de novos cursos é parte desse impulso, desse salto, digamos.

A aproximação da academia com os produtores, os fazedores de teatro da cidade foi muito boa, gerou uma série de linhas de pensamento e pesquisas. Novas frentes estão sendo abertas: o teatro físico, antropológico, os clowns, os folguedos. Isso tudo gera mais e mais pensamento, mais questões, idéias e pesquisas.

Muita coisa nova vai aparecer. Temos na escola os cursos técnicos de teatro e dança, cenografia, figurino, as licenciaturas em teatro e dança, a especialização em estudos contemporâneos do corpo e mais o mestrado em artes do Ica. É uma ebulição, uma efervescência que vai gerar muita conseqüência ainda. Quem viver, verá.


Holofote Virtual: Quais as tuas disciplinas no curso?

Marton Maués: Eu dou aulas de clown, corpo e máscara, expressão vocal e também trabalho com teatro infantil, mas no momento estou licenciado para o doutorado.

Holofote Virtual: O Walter Bandeira também era professor da escola. Há um ano, ele se foi. Tinhas uma grande amizade por ele, que também era professor de expressão vocal. Quais as melhores lembranças?

Marton Maués: Eu e o Walter éramos os professores de voz e dicção, que chamamos agora de expressão vocal. Fizemos concurso juntos, ele passou em primeiro lugar – claro – e eu em segundo.

Trabalhamos juntos também em um projeto dele que era O Resgate da Radionovelas, com alunos e ex-alunos. Ele montou um pequeno estúdio. Outros professores estão levando a tarefa em frente.

Conheço o Walter desde o tempo de Cena Aberta. Ele fazia orientação vocal dos atores, estava sempre por lá pelos ensaios. Saíamos do ensaio de quinta-feira e íamos para o Maracaibo ver o Walter cantar. Dedicava sempre músicas “aos meninos do teatro”. Era uma amigão, maravilhoso, inteligente, alegre, amoroso. Conquistava todo mundo com sua graça, beleza e carinho. E ensinava muito bem, sem sonegar nada. Ríamos muito, falávamos muita besteira, o que faz um bem danado para a vida.

Muita gente acha minha voz muito parecida com a dele. Por causa disso vivo dando susto nas pessoas, alunos e funcionários (hahahaha). Alguns loucos me acham inclusive parecido com ele. Acho que temos sim, coisinhas em comum. Sinto muito a falta dele e lembro somente de bons momentos, muito riso e pouco siso.

Holofote Virtual: Os Trovadores também estão com uma sede. Isso é ótimo, pois se torna um espaço de referência para investigação e criação no clown. Em que pé estão as coisas?

Marton Maués: Estamos batalhando a restauração do nosso espaço, uma casa cedida em sistema de comodato a nós pela Santa Casa de Misericórdia. Vai se chamar Casa dos Palhaços e vai abrigar nossos ensaios, treinamentos, guarda de material, uma lojinha da marca Palhaços Trovadores, uma pequena biblioteca.

Bom, estamos sonhando em realizar muitas coisas lá, tornar aquele um espaço vivo, a trabalhar com crianças e adultos. Vamos precisar de muitos parceiros e já temos alguns. Como disse o Caetano Veloso na canção Merda: “Não existe gente como a gente de teatro”. Não existe mesmo. Mas ainda falta muita coisa para que a Casa dos Palhaços comece a funcionar.

Holofote Virtual: Vocês fazem audições para novos clowns? Há como alguém ingressar no grupo?

Marton Maués: Temos um esquema de estágio, que dura de seis a um ano, para quem tem alguma formação em palhaço. Depois desse período a pessoa pode ingressar ou não no grupo, depende dela e de nós, ou até mesmo ter seu período de estágio renovado.

O estagiário vivencia nosso dia a dia, faz os treinamentos, participa de alguns espetáculos, caso seja necessário, carrega o material do grupo e, quando fazemos alguma apresentação remunerada, recebe 50% do valor do cachê de um integrante.

Nos Palhaços Trovadores tudo o que recebemos é dividido igualitariamente, cabendo sempre 20% do arrecadado à manutenção do grupo. Não existem hierarquias. Eu ganho o mesmo que os atores ganham. Quer dizer: todos ganham pouco, mas todos ganham. Bom, no momento o grupo conta com 14 integrantes e está fechado a novas admissões.

Holofote Virtual: Pode parecer simples, mas para fazer um clown, pelo que se vê no “tablado” dos Trovadores, não basta ser engraçado. Como é que o ator situa-se na linguagem do clown? Não deve ser tão fácil.

Marton Maués: É, realmente não é fácil. Tem procedimentos técnicos que são fundamentais. E é importante saber que ser engraçadinho ou engraçado na vida não é o mesmo que ser engraçado no palco. O palco tem sua realidade, suas regras, é preciso dominá-las.

Palhaço não faz gracinha, faz graça! Ouvi muito isso de minha professora. É ela está certa. A linguagem do palhaço é corporal e ele não é um personagem, ele é a dilatação de nossos ridículos, de muito que está em nós e não queremos mostrar, por medo, trauma ou frustração.

Para ser ator, para ser principalmente palhaço é preciso ter coragem de se desnudar, se mostrar por dentro. O olhar do palhaço tem que ser claro, aberto, verdadeiro. Ele não deve mentir ao público, pois o público tudo vê, principalmente o público infantil.

O palhaço tem necessidade de contato com o outro, com o público, mas deve saber fazer isso com o coração aberto. Isso exige verdade e técnica. A verdade do palco se adquire com técnica. O nariz do palhaço é uma máscara, a menor máscara do mundo, mas que não deve esconder quem ele é.

Agora, penso também que cada um é um, cada pessoa tem seu processo e em meio a isso tudo, a esses procedimentos técnicos todos, exercícios etc, tem muito mistério. Mas a vida é cheia de mistérios, né?

Holofote Virtual: Projetos dos Trovadores para 2010?

Marton Maués: Em termos artísticos temos a estréia de “O Mão de Vaca”, o nosso O Avarento. Também um espetáculo que vai unir duas linguagens: o palhaço e o boneco. Vai ser dirigido pelo Aníbal Pacha, grande parceiro do grupo, e se chamará em princípio “O Menor espetáculo da terra”.

Nasceu de uma vontade nossa de investigar a linguagem da In Bust, depois que algumas pessoas do grupo fizeram um trabalho particular com o Aníbal e voltaram empolgadas.

Dei a idéia e escrevi o projeto que foi contemplado com o edital Cláudio Barradas, da Secult. A In Bust é um grupo muito batalhador, de pesquisa e criação profícua. Assemelha-se, de certo modo, com os Trovadores, tanto que nos confundem sempre e vice-versa. Eles e nós nos divertimos com isso. Agora estaremos juntos.

Walter Freitas estréia espetáculo dia 18 de março no Teatro Waldemar Henrique

Os ensaios do Fundo Reino, novo espetáculo do dramaturgo, jornalista, arquiteto e compositor Walter Freitas estão acontecendo na Casa da Linguagem.

A montagem é resultado do Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz e a estréia está marcada para 18 de março, no Tetaro Waldemar Henrique (Veja o cartaz ao lado).

Escrita em versos, transita entre a destruição, o descaso e a banalização da violência, fazendo uma abordagem mítica e lúdica sobre o poder e a Amazônia, numa trama que acontece nas profundezas de suas águas.

Walter, que já foi premiado em 2004 com uma bolsa do Instituto de Artes do Pará, resultando na montagem do “Tambor de Água”, diz que este novo trabalho é uma fábula sobre a sede de poder, calcada em um quadrilátero amoroso.

Entusiasmado com o novo projeto, Walter aguarda o público. "Intriga, sexo, feitiço, traição, morte... Que as pessoas venham ajudar na busca pela chave do Fundo Reino. Ver uma sessão de necrofilia subaquática, mas invertida. Descobrir se o universo feminino prepondera, de fato", diz.

Mais informações: 8134.7719.


26.2.10

In Bust faz apresentações no Casarão do Boneco e no Teatro Maria Sylvia Nunes

Serão as primeiras apresentações abertas do grupo em 2010.

O grupo vinha trabalhando até então internamente, envolvido nas reuniões setoriais de teatro para a Conferência Nacional de Cultura que ocorrerá no mês de maio, em Brasília, e no planejamento de seus próximos projetos.

Com saudades do contato mais direto com o público, para este retorno, o grupo escolheu dois espetáculo clássicos de seu repertório.

Ambos circularam durante o ano de 2009 em várias comunidades de Belém e por municípios paraenses, através dos projetos “Sábado Comunidade” e “Bonecos na Estrada – Em Caravana”.

O espetáculo Fio de Pão, a lenda do Cobra Norato será a atração de sábado, 27, no Casarão do Boneco, a partir das 19h. O espetáculo é uma deliciosa comédia sobre a lenda da cobrinha que quer virar gente. É toda contada e cantada, por uma família nordestina, através do cordel. Além disso, interativo, pois o In Bust praticamente coloca o público na cena.

Este ano, o In Bust alterou um pouco sua agenda de apresentações no Casarão do Boneco. Os sábados, por exemplo, não serão mais alternados. Agora, haverá uma apresentação mensal, aberta ao público, geralmente no último sábado de cada mês.

“A gente precisou reduzir um pouco a atividade frequente e periódica no Casarão, pois estamos com a meta de sair para festivais brasileiros de teatro de formas animadas e não temos como prever as datas, já que estes festivais dependem de apoios para acontecer. Então, a qualquer momento podemos ter confirmações de viagens”, explica Paulo Ricardo, integrante do grupo.

No domingo, 28, “O Curupira – Um Milhão de Nós”, que também provoca risos na platéia, além de um medinho quando o menino dos pés virados pra trás aparece em cena, será apresentado no Teatro Maria Sylvia Nunes, a partir das 17h30. As duas apresentações terão entrada gratuita.

Gravação - A apresentação de O Curupira será gravada em vídeo e fará parte do material que será enviado para os referidos festivais a serem realizados durante este ano em vários estados brasileiros. Por isso, a presença do público é indispensável.

Novo projeto - A partir de março, o In Bust também inicia uma agenda de ensaios do espetáculo “Catolé e Caraminguás”, o mais recente do grupo, montado com apoio do Prêmio Cláudio Barradas – de fomento às artes cênicas da Secult-Pa.

É que nos mês de maio, haverá saídas do grupo rumo aos municípios de Rondon do Pará, Marabá, Cametá e Abaetetuba. É o “Circula Catolé”, projeto vencedor do Prêmio de Teatro Miryan Muniz, da Funarte.

Serviço
Apresentações do grupo In Bust Teatro com Bonecos neste final de semana. No sábado, dia 27: "Fio de Pão - A Lenda da Cobra Norato", às 19h no Casarão do Boneco. No domingo, dia 28: "O Curupira – Um Milhão de Nós", às 17h30, no Teatro Maria Sílvia Nunes, na Estação das Docas. Entrada franca nos dois eventos. Mais informações: 91 8110.5245 ou 91 8134.7719.

25.2.10

Maca Maneschy em noite cheia de bossa no Baiacool Jazz Club

Tom Jobim passou boa parte da vida dele defendendo que a bossa é brasileira e ninguém tasca, mas é o compositor mais tocado pelos músicos de jazz de todo o mundo.

Isso quer dizer que se a bossa nova não era jazz, ela virou jazz. Os próprios jazzistas a adotaram.

Seja lá como for, é numa casa jazzística que o músico e compositor Maca Maneschy inicia hoje uma temporada de show de bossa nova. E Maca é sem dúvida entre os paraenses, o músico que mais assume o estilo em sua carreira.

A temporada seguirá por todo o mês de março, sempre às quintas-feiras, no Baiacool Jazz Club, a partir das 21h.

Maneschy diz que se identifica com o gênero há bastante tempo, na verdade, desde que o início de sua carreira. De tom intimista, o compositor diz que gosta desse estilo justamente porque para interpretá-lo não é preciso gritar.

Para ele, Bossa Nova é um estado de espírito. Canta-se a beleza, o amor e as paisagens. Com um jeito descontraído, Maca também coloca no repertório canções próprias que vão no mesmo tom de banquinho e violão que consagrou a bossa .

No repertório, não vão faltar canções de João Gilberto, Tom Jobim e Vinicius de Moraes, consagrados pelo movimento que surgiu no final da década de 50, na capital carioca, mas que contagiou o país inteiro, tornando-se em seguida um dos gêneros musicais brasileiros mais conhecidos em todo o mundo.

Serviço
Show de Bossa Nova, com o compositor, interprete e violonista Maca Maneschy. No Baiacool Jazz Club, toda quinta-feira, sempre a partir das 21h. Na Mundurucus, 1985, próximo à Dr. Moraes.

Sessão emociona cineclubistas na periferia de Santarém

O cineclubista Mateus Moura, da Associação Paraense de Jovens Críticos de Cinema manda notícias de Santarém, onde estão acontecendo as primeiras sessões itinerantes do projeto Inovacine, cineclube que nasceu da parceria entre a associação e a Fapespa – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Pará.

Ontem foi exibido um filme de Charles Chaplin. Não era o programado. Estava previsto pra ser mostrado “A Grande Ilusão”, de Jean Renoir.

O espaço onde aconteceu, porém, divulgou a sessão como infantil. Não foi problema. Logo após a sessão que acabou sendo de improviso, Mateus estava emocionado.

“Acabamos de exibir ‘Luzes da Cidade’ para mais de 30 crianças na periferia de Santarém. O equipamento que pertence à Fapespa é garantia de botar sessão onde a gente quiser. A APJCC ainda sonha com essa autonomia e acreditamos que não está longe”, disse.

Enquanto "montavam o circo" Mateus lembra que houve uma discussão. “E então, passar ou não passar o filme do francês? No fim, coincidentemente, um plano B surgiu no meu porta-dvd: Charles Chaplin... Renoir sem dúvida aprovaria a substituição, e se sentaria feliz no meio da criançada”.

Segundo ele, nenhuma das pessoas presentes tinha ido ao cinema, antes. “Só tinham visto filmes na TV. Mudo, preto e branco, várias novidades. A maioria tão nova que não tinha iniciado o bê-a-bá, eu fiquei na condição de leitor dos poucos letreiros do filme”.

Em sua descrição emocionada da cena, Mateus relata “risadas, atenção e maravilhamento... foi um sonho.

No fim, a tentativa de conversa... lona! Como eu tinha imaginado, esse é o último nível do aprendizado, a didática com o público infantil é só pra samurai faixa vermelha mesmo. Um dia a gente chega lá”.

Por isso, o filme não chegou a ser discutido ou analisado. “As crianças só se manifestaram - com um gesto, como Carlitos ensinou - para responder a uma pergunta: Vocês querem mais? mais cinema, mais filmes como esse?". A resposta foi o bom e velho "ok", finalizou Moura.

A itinerância do Inovacine irá até o mês de maio e ainda passará pelos municípios de Ananindeua, Bragança, Altamira e Marabá.


24.2.10

Palhaçoes Trovadores estreiam espetáculo inspirado em obra de Molière

“O Mão de Vaca” é uma livre adaptação do clássico francês “O Avarento”, de Molière.

Fotos:
Janduari Simões


Centrada no universo dos palhaços, com estréia marcada para o dia 25 de fevereiro, quinta-feira, às 20h00, no Anfiteatro da Praça da República.

É a segunda vez que utiliza um texto deste dramaturgo. Em 2006, o grupo já havia montado O Hipocondríaco, adaptado da obra “O Doente Imaginário”.

As propostas se assemelham, na atual montagem a encenação também utiliza como idéia central a chegada de uma trupe de palhaços de um circo decadente com a incumbência de apresentar uma peça de Molière.

Sem muitos recursos, a trupe se utiliza do pouco que tem para a montagem da peça: bancos velhos, roupas gastas, instrumentos avariados.

O personagem principal, Harpagon, é um velho avarento que trata mal seus empregados e animais, e só pensa em economizar seu dinheiro e em querer casar os filhos, Elisa e Cleanto, com pretendentes ricos para acumular mais e mais riqueza. A avareza do personagem principal é evidenciada através da pobreza da trupe de palhaços, há anos na estrada.

O figurino dos palhaços é feito com tecido barato, sem muita variação de tons e estampas. Estão gastos e remendados, dando a medida da pobreza da trupe e da avareza do personagem principal.

O cenário é composto somente de bancos velhos, recolhidos pelo grupo em feiras e pequenos estabelecimentos comerciais, a maioria trocada por bancos novos com os antigos proprietários.

A trupe chega à praça cantando e fica sentada nestes bancos, funcionando como um coro sempre em cena. De lá saem os personagens, cada um a sua vez, para realizar suas cenas e, assim, desenrolar a história.

Em cena - Harpagon, o velho mão de vaca, quer casar com uma jovem, Mariana, mesmo esta não tendo dinheiro para o dote, o que lhe desagrada muito. Seu filho, Cleanto, está apaixonado pela mesma jovem e fala de seu amor para a irmã, Elisa, também enamorada.

Elisa ama Valério, um fidalgo que está à procura da família, perdida em um naufrágio, e que para ficar perto da amada finge-se de criado de seu pai. Mas o velho pão duro pretende casar a filha com um senhor endinheirado, Anselmo, e o filho com uma rica viúva. Instaura-se então um grande conflito entre eles, cheio de quiproquós e peripécias, resolvidos ao final com a ajuda dos empregados.

A poética utilizada pelos Palhaços Trovadores, cunhada durante 11 anos de experimentações e criações do grupo, mescla a linguagem do palhaço a elementos da cultura popular. Como nos folguedos, o grupo sempre introduz o espetáculo com um canto de chegada, uma chegança.

O elenco mantém-se em cena o tempo todo, funcionando como um coro, reagindo ao que acontece no centro da cena com os personagens e também realizando a sonoplastia do espetáculo, composta de sons e canções, todas originais e de autoria do grupo.

Ao final sempre acontece a tradicional “rodada de chapéu”, esta inserida no contexto da peça, e a trupe parte com um canto de despedida, prometendo sempre voltar.

Canções populares e trovas, além de um contato direto com o público também caracterizam o trabalho dos Palhaços Trovadores.

Nas montagens do grupo são os palhaços de cada ator os intérpretes dos personagens das peças. O palhaço empresta, assim, seu próprio jeito de ser e ver o mundo para cada personagem que faz. É o ator que conduz o palhaço que, por sua vez, interpreta o papel.


23.2.10

Festival de Belém do Cinema Brasileiro é adiado para abril

Programada para hoje, a abertura de sua 6ª edição do Festival de Belém do Cinema Brasileiro foi adiada para o mês de abril.

O motivo, de acordo com um dos coordenadores do festival, o produtor Emanoel Freitas, foi a burocracia.

“O festival foi novamente adiado por conta de burocracias na liberação dos recursos junto a Lei Rouanet, por isso adiamos para abril”, diz Freitas que já adianta:

"O lançamento do Circuito Festcine 2010 será nos dias 06 e 07 de março, na Comunidade do Igarapé Combu na Ilha do Combu, a partir das 18h".

Durante esta semana, no período em que seria realizado, de 23 a 28 de fevereiro -, o festival vai apresentar, no Cinema Olympia, a mostra “Melhores do FestCineBelém”. Com entrada gratuíta, sempre as 18h30.