11.8.16

Kamara Kó lança Projeto “Minha Primeira Obra”

Partindo do conceito de que a obra é para apreciar e também ser adquirida, a Kamara Kó lança o projeto “Minha Primeira Obra”, que incentiva a formação de novos colecionadores de arte, pesquisadores e público em geral amantes de arte. A abertura é dia 18 de agosto, às 19h.

Criada com objetivo de ser um interlocutor na aquisição de obras artísticas, assessorando clientes interessados em desenvolver os conhecimentos para uma boa apreciação da arte fotográfica, a Kamara Kó reúne, hoje, em seu quadro, artistas premiados e renomados nacional e internacionalmente. 

Com participação em salões de arte e mostras coletivas, possuem obras em acervos importantes de museus de São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Nova York, Paris etc. 

Obras criadas em linguagens, técnicas e suportes distintos, a produção desses artistas oferece uma rica e peculiar diversidade. São imagens urbanas, documentais, abstratas, humanas, universais e utilizando técnicas diversas como várias formas de expressão de artes visuais contemporânea. 

Quem são eles e quais obras na mostra

A iniciativa da Kamara Kó vai reunir em cada edição quatro artistas, que terão três de suas obras, ofertadas ao público, com desconto a partir de 30% somente nas tiragens em exposição. Na mostra de lançamento, estão trabalhos de Alexandre Sequeira, Keyla Sobral, Miguel Chikaoka e Pedro Cunha.  

Alexandre Sequeira traz um vasto currículo na área de Artes Visuais desenvolve trabalhos em fotografia e participou de exposições no Brasil e exterior, o qual se pode destacar “Une Certaine Amazonie” na França; Bienal Internacional de Fotografia de Liège/ Bélgica; “Quatro Artistas Brasileiros” Engrame/ Canadá e Projeto Portfólio em São Paulo/Brasil entre outros.

Das obras do artista Alexandre Sequeira, que compõe a exposição, encontram-se três imagens inéditas da série “O tempo das coisas” produzidas em 2015, todas em sua primeira tiragem sendo exibidas pela primeira vez, extraordinariamente, em “Minha Primeira Obra”.

O público também vai poder conferir e adquirir as produções de desenhos em nanquim e o luminoso em Led da série “Eis aqui o silêncio que me povoa”, de Keyla Sobral, que irão compor o cenário da exposição. 

Keyla Sobral, artista Visual, com formação em comunicação e publicidade, já editou a revista eletrônica Não-Lugar (www.naolugar.com.br) e participa ativamente da vida cultural da cidade, em mostras coletivas e individuais, assim como em eventos fora de Belém. Participou e foi premiada em diversos salões de arte. 

Miguel Chikaoka dispensa apresentações para muitos, mas vale ressaltar que ele nasceu em Registro (SP), morou na França, iniciando sua atividade com a fotografia, mas assentou raízes em Be¬lém (PA), onde a mais de 35 anos desenvolve um trabalho pedagógico que se tornou referencial no Brasil. 

É também pesquisador persistente do campo da imagem e da luz, e sua atuação como professor está imersa em uma poéti¬ca que se estende, de modo orgânico, à sua produção fotográfica. Mas, possivelmente por se dedicar integralmente à atividade pe-dagógica, Chikaoka pouco apresenta sua imensa produção autoral propriamente dita, aos cuidados da Kamara Kó Fotografias.

Em “Minha Primeira Obra”, Miguel no trás obras em preto e branco com sobreposição em negativos, produzidas nos anos 90, os quais, além de premiadas, pertencem também ao acervo do Museu Casa das Onze Janelas (PA).

Em Pedro Cunha, mostram-se os traços urbanos impressos em suas obras. Entra elas, "Estava lá em 2007" e "Encontros da série Continua na minha memória”, além de We are de “Urbana Íris”, produzidas entre 2007 e 2013. 

Inquieto, andante, Pedro executa outros movimentos, mistura-se à veloz multidão urbana, imprimindo a si mesmo o lento ritmo de quem, atento, percebe o passo quase inaudível daquele que caminha pelas ruas, centrado em si, habituado à paisagem, aos corriqueiros deslocamentos. 

O artista já participou de salões como Salão Arte Pará (Fundação Romulo Maiorana, Belém, 2007); Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia (RBA, Belém, 2013 e 2015); Pará cartografias contemporâneas (SESC São Paulo, 2009); O olhar que vem da terra (Galeria Virgílio, São Paulo, 2012); Além de um lugar (Caixa Cultural, Brasília, 2014), entre outras. 

Serviço
Abertura da Mostra do Projeto “Minha Primeira Obra”. Dia 18 de agosto, às 19h, na Kamara Kó – Galeria – Travessa Frutuoso Guimarães, 611 – entre General Gurjão e Riachuelo. Bairro da Campina.  Fone: Telefone: 3261-4809.

Mais informações

9.8.16

De volta o Ensaio Aberto na Sala Mestre Laurentino

O projeto Ensaio Aberto da loja-selo Ná Figueredo após um ano ausente retorna com duas bandas autorais da nova safra: Dead Level e Irene. A programação começa às 17h, na sala Mestre Laurentino, com entrada gratuita.

O Grunge com letras em português da banda Irene, formada por Luciano Costa (guitarra e voz) Eduardo Moura (baixo e voz) Otávio Moraes (bateria e voz),  apresentará algumas de suas composições já conhecidas do público, tais como: “Carmem em N.Y” e e “Evasiva”, faixas já gravadas, com produção de Fernando Dacko.

Logo em seguida, o palco é tomado de assalto pelo grupo Dead Level, apresentando as canções de seu primeiro single "Hellcome / Dead Level", produzido por Andro Baudelaire do grupo Vinyl Laranja, além de diversas outras canções próprias, com sua amálgama ominosa de Hard Rock, Stoner-Doom e Proto-Punk, com os músicos Uirá Seidl (vocal), Leo Venturieri e Aramys souza (guitarras), Paulo Siqueira (baixo) e Alan Sampaio (bateria).

Inspirada nos Riffs pesados de Tony Iommi (Black Sabbath) e em bandas pioneiras como Pentagram e Iggy Pop and The Stooges, o Dead Level imprime em suas composições uma pegada pesada, singular e poderosa.

Serviço
Ensaio aberto com Dead Level e Irene. Loja Ná Figueredo – Av. Gentil Bittencourt, 449. Neste sábado, 13, a partir das 17h. Informações: 3224-8948 / 98362-1793.

Mostra de Teatro do Absurdo no Cláudio Barradas

O grupo de Teatro Palha, com 35 anos de história, traz à cena, de forma gratuita, três clássicos dos fundadores do teatro moderno, dentro do projeto “Encenações do Teatro do Absurdo”, com mostra de 16 a 21 de agosto, no Teatro Universitário Cláudio Barradas.

Nesta primeira versão, a mostra é um convite ao público à aproximação de questões existenciais através do vazio da existência dos dias e dos clássicos de um teatro comprometido em expressar o sentido do sem sentido da condição humana.

Os espetáculos “Onde terás que esperar”, “Acontece que até hoje ninguém chegou e ninguém espera chegar” e “A facilidade vem ao começar, com a vida e a morte” são resultado de um intenso processo de pesquisa realizado pela companhia com a orientação do diretor, Paulo Santana, que há anos mergulha em uma intensa relação com o gênero. Os textos que serviram como recorte para os espetáculos são Esperando Godot, de Samuel Beckett, Fando e Lis, de Fernando Arrabal e As Cadeiras, de Eugéne Ionesco. 

Os três autores são os principais nomes do Teatro do Absurdo, gênero teatral surgido no começo da década de 1950 na França e que tem como principais características a retratação dos temas relacionados a aspectos e fatos inesperados do cotidiano em enredos absurdos, com personagens de comportamento estranho e, muitas vezes, sem possibilidade de existência na vida real. 

O próprio Samuel Beckett já foi visitado pelo grupo em 2011 no espetáculo “Quantos infelizes ainda o seriam hoje se tivessem descoberto a tempo em que ponto estavam”, que fez recortes de diversas obras do autor, resultando em um trabalho de entrega física e emocional intensa para toda a equipe.

Totalmente gratuito, o projeto, contemplado pelo edital do Banco da Amazônia, pretende, através dos espetáculos, democratizar o gênero na cidade e levar a produção artística do grupo a um grande número de pessoas. Serão encenados dois espetáculos por dia, com elencos distintos, nos horários de 18h e 20h30.

PROGRAMAÇÃO

“Onde terás que esperar...”
Recorte do texto “Esperando Godot” de Samuel Becket
Com: Camila Goés; Etna Campbell; Marília Araujo; Giscele Damasceno e Malu Rabelo.
Sessões das 18h: 18 e 21 de agosto | Sessões das 20h30: 16 e 19 de agosto.

“Acontece que até hoje ninguém chegou e ninguém espera chegar..."
Recorte do Texto “Fando E Lis” de Fernando Arrabal
Com: Abigail Alves, Luiz Girard, Elias Hage, Arnaldo Ventura e Léo Andrade.
Sessões das 18h: 16 e 19 de agosto | Sessões das 20h30: 17 e 20 de agosto.

“A facilidade vem ao começar, com a vida e a morte..."
Recorte do Texto de “As Cadeiras” de Eugène Ionesco
Com: Abigail Alves, Edson Chagas e Luiz Girard.
Sessões das 18h: 17 e 20 de agosto | Sessões das 20h30: 18 e 21​​​​ de agosto

Ficha Técnica
Recortes e adaptação: Grupo Palha;
Direção: Paulo Santana;
Preparação Corporal: Camila Goés (Elenco feminino);
Criação de Cenografia e Confecção: Léo Andrade e Paulo Santana;
Criação de Adereços e Confecção: Paulo Santana e Elenco;
Criação de Figurino e Confecção: Paulo Santana e Ila Falcão;
Criação de Iluminação e execução: Malu Rebelo;
Objeto Cênico Luminoso: Tarik Coelho;
Criação e execução de Visagismo/Sonoplastia: Nelson Borges;
Assessoria de Imprensa: Leandro Oliveira;
Cartaz: Delianne Lima
Produção: Tânia Santos;
Patrocínio: Bando da Amazônia
Apoio Institucional: Escola de Teatro e Dança da UFPA – ETDUFPA e Teatro Universitário Cláudio Barradas
Realização: Grupo de Teatro Palha

Serviço
No Teatro Universitário Cláudio Barradas (Rua Cônego Jerônimo Pimentel, 547, Esquina com Dom Romualdo de Seixas, Umarizal). Entrada franca.

7.8.16

Pregões, a Melodia das Ruas em nova circulação

Viajar divulgando a diversidade cultural local e interagindo com artistas de outras cidades é uma experiência de cidadania, que o Grupo Quaderna terá, pela segunda vez, este ano. O programa Sesc Amazônia das Artes levará a turnê do projeto “Pregões – A Melodia das Ruas” para mais três cidades da região norte e um no nordeste.

O show, que já circulou por cinco capitais nortistas em maio passado, se prepara novamente para pegar a estrada. A nova turnê inicia com um show no Sesc Boulevard, em Belém, na próxima terça-feira, dia 9 de agosto e em seguida, liderado pelos compositores Allan Carvalho e Cincinato Marques Jr., o Quaderna segue para realizar apresentações em Teresina (PI), Cuiabá (MT), Macapá (AP) e Manaus (AM), numa circulação que vai até 18. 

Cincinato ressalta a importância da iniciativa do Sesc nesse projeto. “É uma instituição que se destaca hoje na elaboração e execução de atividades culturais na região, e não somente em uma, mas em várias linguagens. Em Ji-Paraná (RO) conhecemos artistas de teatro do Amapá com quem tivemos uma integração interessante. Essa iniciativa de integrar artistas de linguagens diferentes promove a construção de um território cultural com uma linguagem realmente amazônida”, avalia o compositor que também é professor de geografia na UFPA.

O conceito de região é “estendido”, já que a Amazônia legal compreende além dos estados da região Norte, parte do Maranhão e o Mato Grosso. O Piauí, cuja capital está inclusa no roteiro do programa, não é oficialmente um estado amazônico. “Circular pela região nos mostra com clareza o que é o chamado ‘custo amazônico’”, ressalta.

No âmbito dos movimentos culturais o “custo amazônico” é um conceito amplo, que engloba o déficit histórico de políticas públicas culturais na região e evidencia o gasto extra (às vezes, “extravagante”) das produções com a realidade econômica e social para se realizar arte e cultura. “Um exemplo forte disso, que ficou evidente na nossa primeira viagem pela região, são as rotas aéreas disponíveis no Brasil, que por interesse econômico das companhias, tornam nosso trajeto longo e custoso”, observa Allan Carvalho.

Entre shows e aeroportos

Durante onze dias, a dupla, acompanhada de mais cinco músicos,  viajou para fazer cinco shows. Os intervalos de dois ou três dias entre as apresentações poderiam ter sido gastos com uma interação maior com o público e os artistas de cada cidade, promovendo redes e intercâmbio mais sólidos como é a proposta do projeto Sesc Amazônia das Artes. Mas eles gastaram mais tempo entre aeroportos e aviões. “De São Luís para Ji-Paraná fizemos os trajetos São Luís-Belo Horizonte, Belo Horizonte-Brasília, Brasília-Cuiabá e Cuiabá-Ji-Paraná. Ou seja, descemos para depois subir de novo”, explica Allan.

Mesmo assim, a dupla teve tempo de fazer algumas apresentações extras no Maranhão e em Rondônia, onde os amigos e artistas locais abriram espaço na pauta de seus projetos para recebê-los. Observando isso o projeto promove, ao final dessa segunda série de shows, um bate papo em Manaus com grupos locais, onde serão debatidas questões culturais. "O Sesc Amazônia das Artes é um dos poucos projetos que possibilita artistas da região circularem pela própria Amazônia. Para nós é excelente porque o ‘Pregões’ é um pedaço de Belém circulando pela região", ressalta Cincinato, observando a característica do show.

Foto: Elielton Amador
Repertório - O Quaderna leva nessa viagem canções de seus dois premiados discos. O primeiro foi lançado em 2006 como resultado de uma pesquisa para o extinto Instituto de Artes do Pará (IAP) sobre a influência nordestina na produção da música da Amazônica. O segundo surgiu em 2012, também como resultado de bolsa do IAP, e foi lançado em 2014 pelo programa Natura Musical. “Melodia das Ruas” traz referências aos pregões – os gritos “de marketing” dos vendedores de rua.

Mais de 90% do repertório é autoral. São canções em ritmo de boi-bumbá, de xote, modinha e outros estilos tradicionais que ora dialogam com a música contemporânea, como em “Canto Encantado” (Cincinato Jr. e Ronaldo Silva), “Filho Preto” (Allan Carvalho e Aninha Moraes), “Orquestra” (Allan Carvalho e Cincinato Jr.) e “Extra, Extra” (Allan Carvalho e Cincinato Jr.), que dividem espaço com clássicos como “Filho de Tupinambá” (Ary Lobo e Barbosa da Silva) e “Baião Psicodélico” (Zé Gonzaga).

Em Belém, a dupla pretende fazer uma apresentação especial, já que em casa é possível integrar a ação com outros grupos e artistas locais. Os músicos que acompanham a dupla são Alcir Meireles (flauta, teclado e direção musical), Ziza Padilha (violão), Baboo Meireles (contrabaixo), Bruno Mendes (bateria), Harlei Bichara (sax e flauta), além de Allan e Cincinato cantando.

SESC Amazônia das Artes
  • 9 de agosto às 19h – Belém - Sesc Boulevard – Entrada Franca
  • 11/08 - Teresina (PI)
  • 13/08 – Cuiabá (MT)
  • 15/08 - Macapá (AP)
  • 18/08 – Manaus (AM)

Informações: (91) 3224-5654 e (91) 4005-9584 / 4005-9587 (Sesc no Pará).  Outras informações: (91) 98168 7474.

(Holofote Virtual, com informações da assessoria de imprensa)

5.8.16

Natureza e alma na obra de Francelino Mesquita

Crescentia Cujet traz obras feitas com cuieira, ou cabaceira, as famosas “cuias”. Fruto de investigação de materiais da natureza, o trabalho do artista também é preenchido por uma espiritualidade que o acompanha em sua trajetória. Com 26 exposições no currículo e mais de 15 anos de carreira, o artista é dotado de profundo senso simbólico em suas representações. A terceira mostra do artista na Galeria Theodoro Braga fica aberta ao público até dia 31 de agosto, e é um dos projetos contemplados no edital Pauta Livre 2016, do programa Seiva da FCP.

“A minha exposição é uma invenção do novo com uma tradição, ou estilo artístico de uma representação do artesanato (ortifato) da nossa região, em obra de arte contemporânea, no meu campo escultórico no vazio, onde os desenhos geométricos tridimensionais interpretarão o passado com o presente, explorando a iconografia marajoara e tapajônica em formas abstratas”, explica o artista.  

Crescentia Cujete

Por Renato Torres
músico, poeta e arte educador

“Nossas representações criativas do passado são moldadas não pelo que sabemos ser verdade sobre o passado, mas pelo que acreditamos ser verdade sobre o presente.” (Henrietta Moore, The problems of origins. Poststructuralism and beyond. 1995, p.51)

Com uma trajetória peculiar voltada a materiais imbuídos de um forte caráter cultural da região norte do Brasil, Francelino Mesquita é um artista visual dotado de profundo senso simbólico em suas representações. Em 2008 apresentou nesta galeria a mostra Mauritia Flexuosa, um misto de escultura/desenho/instalação/móbile, utilizando a tala do miriti; em 2014, retorna com Estereoscopia, novamente cruzando os mesmos vértices ao utilizar a bucha do miriti, explorando sua leveza e movimento. 

Desta feita, o artista empreende sua pesquisa formal do campo escultórico no vazio com base no fruto da cuieira, ou cabaceira, cujo nome científico, Crescentia Cujete, dá nome à exposição.
O termo tupi Kuya e’tê (cuia verdadeira), raiz etimológica da palavra cuia, aponta sinais dessa busca estética do artista, que procura relacionar reflexivamente arte e artefato, função prática e poética do objeto.

Grafismo e ancestralidade

As cuias de Mesquita podem não servir para o mingau ou o tacacá, tampouco para a ressonância vibrante de berimbaus, mas em seus recortes precisos, sinuosos, geométricos ou biomórficos, evocam identidades imemoriais ligadas à ancestralidade indígena, aos grafismos marajoaras e tapajônicos, reordenando suas cabaças inventadas na árvore-galeria, cujo fruto direto são as sombras projetadas na parede; um fruto-em-movimento, cinemático e metamórfico. 

Se a arte é um fato em constante devir, cuja espacialidade é plena de vazios a serem preenchidos pelo olhar que observa, dialoga e frui, os cuités de Francelino possivelmente tangem essa verdade profunda que a existência humana corrobora, nas palavras do compositor Maurício Pereira: sou recipiente e não tenho forma/ porque sou areia do fundo do mar.

Crescentia Cujete revela ainda uma espiritualidade insuspeita na trajetória do artista, em sua investigação de materiais da natureza. Sua preocupação em esculpir a ausência é flagrante, assim como a reiterada afirmação da leveza e do movimento, e o privilégio dado ao conteúdo residual das sombras projetadas – o que nos leva invariavelmente a pensar na Caverna de Platão. 

Suas obras de arte (como, aliás, devem ser todas as que são dignas desse nome) traduzem uma realidade mais profunda do que a mera materialidade de seus suportes consubstanciados; se empenham numa narrativa silenciosa e contundente sobre identidade e patrimônio cultural sem, contudo, limitarem-se a historicidade e à reprodução. Para além, buscam a liberdade da invenção, ou a verdade do que acreditamos ser o presente, no dizer de Moore. As cabaças de Francelino são, cada uma, a sua cuia verdadeira.

Serviço
Exposição “Crescentia Cujete”. Galeria Theodoro Braga. Av. Gentil Bittencourt, 650 – Subsolo da Sede da Fundação Cultural do Pará. Abertura: Dia 4 (quinta-feira) às 19h. Visitação até o dia 31 de agosto – 9h às 18h, de segunda à sexta. Informações: 3202-4313.

3.8.16

Edital Brasil de Todas as Telas anuncia resultado

A segunda edição da Chamada Pública da Linha de Produção de Conteúdos destinados às TVs Públicas teve seu resultado divulgado hoje, 3 de agosto. Na Região Norte, foram escolhidas 12 propostas, originárias dos estados do Amazonas (06 propostas), Pará (02 propostas), Tocantins (01 proposta) e Acre (02 propostas). 

Das 828 inscrições, nos cinco editais regionais abertos simultaneamente em dezembro de 2015, foram selecionadas 57 propostas.  Os projetos resultarão em 218 horas de programação brasileira qualificada, produzida em 20 unidades federativas, a ser exibida em cerca de 215 canais dos segmentos comunitário, universitário e educativo e cultural do Campo Público de Televisão.

Nos editais das cinco regiões do País, foram contempladas 54 empresas brasileiras independentes. Da Região Norte foram selecionadas 12 propostas; da Região Nordeste, 11 propostas; à Região Centro Oeste coube 12 propostas; da Região Sudeste foram escolhidas 11 propostas e a da Região Sul, 11 propostas.

“O campo público de televisão tem atraído cada vez mais o interesse dos produtores independentes. Porque eles percebem que é um espaço de aproximação com a sociedade, um espaço propício para a diversificação e a circulação das obras audiovisuais brasileiras. É gratificante perceber que, em sua segunda edição, essa chamada pública se mantém oxigenada, permitindo assim, ampliarmos as vozes que atuam em todas as regiões do País. Com a descentralização da produção, valoriza-se a pluralidade e a diversidade da Cultura brasileira”, diz o diretor-presidente da ANCINE, Manoel Rangel.

Com o intuito de garantir maior permanência da programação nas grades dos canais, este ano foram priorizadas as obras seriadas. Ao todo foram selecionadas 46 séries, sendo 10 de animação, 16 de ficção e 20 documentais, voltadas para os públicos infantil, juvenil e adulto. Já projetos não seriados, foram selecionadas 11 obras documentais, destinadas ao público adulto. Os formatos de programação foram previamente debatidos em dezembro de 2015 durante o Seminário de Programação da Linha de Produção de Conteúdos destinados às TVs Públicas, promovido pela ANCINE em conjunto com as entidades do campo público de comunicação Secretaria do Audiovisual e a Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

Para esta linha serão destinados R$ 60 milhões do Fundo do Setorial do Audiovisual (FSA).  A abertura da terceira edição desta Linha já está prevista para dezembro deste ano, de acordo com o Calendário de Financiamento do Biênio 2016/2017.

Resultados por região:

Na Chamada Pública PRODAV 08/2015 - Região Norte, foram escolhidas 12 propostas, originárias dos estados do Amazonas (06 propostas), Pará (02 propostas), Tocantins (01 proposta) e Acre (02 propostas). Veja aqui os contemplados desta região.

Na Chamada Pública PRODAV 09/2015 - Região Nordeste foram selecionadas 11 propostas, dos estados de Pernambuco (05 propostas), Bahia (01 proposta), Piauí (01 proposta), Ceará (03 propostas) e Sergipe (01 proposta); Veja aqui os contemplados desta região.

A Chamada Pública PRODAV 10/2015 - Região Centro Oeste selecionou 12 propostas originárias do Mato Grosso (03 propostas), Mato Grosso do Sul (02 propostas), Goiás (03 propostas) e também do Distrito Federal (04 propostas); Veja aqui os contemplados desta região.

Da Chamada Pública PRODAV 11/2015 - Região Sudeste selecionou-se 11 propostas, sendo 03 de São Paulo, 03 do Rio de Janeiro, 04 de Minas Gerais e 01 do Espírito Santo; Veja aqui os contemplados desta região.

Finalizando a lista, na Chamada Pública PRODAV 12/2015 - Região Sul foram selecionadas 11 propostas, sendo 06 do Rio Grande do Sul, 03 do Paraná e 02 de Santa Catarina. Veja aqui os contemplados desta região.

Saiba mais:

O Programa Brasil de Todas as Telas, lançado em julho de 2014, foi moldado para atuar na expansão do mercado e na universalização do acesso às obras audiovisuais brasileiras. Os resultados do Programa vêm superando as metas estabelecidas. Já foram 437 longas-metragens e 396 séries ou telefilmes apoiados. A aposta no investimento em desenvolvimento de projetos também foi bem-sucedida, rendendo a estruturação de 69 núcleos criativos em todas as regiões do país, e garantindo o desenvolvimento de 700 novos projetos de obras audiovisuais.

Em seu terceiro ano, o Programa Brasil de Todas as Telas garante a continuidade de uma política pública vigorosa para o audiovisual brasileiro. A Linha de Produção de Conteúdos destinados às TVs Públicas destaca-se por seu pioneirismo na realização de cinco editais regionais simultâneos com o objetivo de nacionalizar a produção de conteúdos audiovisuais independentes. 

Em sua primeira edição, os editais resultaram na participação de 26 unidades federativas e 768 propostas inscritas – maior número já alcançado por uma linha do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e a realização de mais de 80 oficinas de capacitação para formatação de projetos, nas cinco regiões do País. Do total de propostas inscritas, 94 foram selecionadas, contemplando 83 empresas brasileiras independentes.

Os projetos da primeira Chamada Pública da Linha começam a ser exibidos no segundo semestre deste ano. Serão aproximadamente 250 horas de programação inédita (20h de obras seriadas de animação; 51h de obras seriadas de ficção; e 179h de obras seriadas e não seriadas de documentários) para cerca de 200 canais de programação do Campo Público de Televisão.

A linha é operada por meio de uma parceria entre a ANCINE, a Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura e a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), e conta com o apoio da Associação Brasileira de Televisão Universitária (ABTU), Associação Brasileira de Canais Comunitários (ABCCOM) e Associação Brasileira de Emissoras Públicas Educativas e Culturais (ABEPEC).

Protagonismo, Centro Histórico e Redes Sociais

A troca de conhecimento sempre foi uma das mais importantes engrenagens da sociedade, que na atualidade também se utiliza de plataformas virtuais, on line, intensificando esta realidade, podendo mudar a forma como você enxerga e revela para o outro, tanto o mundo quanto o seu próprio bairro. Essa é a ideia central da oficina de "Produção de Conteúdo e Comunicação em redes sociais", que será realizada nos dias 20 e 21 de agosto, na sala Guará do Hotel Princesa Loução. O público alvo é quem mora e trabalha no Centro Histírco de Belém.

As inscrições podem ser feitas, gratuitamente, até dia 15 de agosto, on line, no site do Circular – www.projetocircular.com.br. É só preencher e enviar a ficha de inscrição no link do banner da oficina. São apenas 20 vagas, direcionadas a pessoas a partir de 18 anos, que preferencialmente trabalhem ou morem no Centro Histórico de Belém. 

O objetivo da oficina é trazer conhecimentos e prática de Comunicação em Redes Sociais, com ênfase em facebook e instagram, tendo como público alvo preferencial, moradores e trabalhadores do Centro Histórico de Belém. A iniciativa é da Na Cuia, revista online de jornalismo cultural independente, fundada por alunos de Comunicação da UFPA, no final de 2014, em parceria com o Circular Campina Cidade Velha e a Associação de Moradores e Comerciantes da Campina, com apoio do Hotel Princesa Louçã.

Juliana Araújo e Mariana Guimarães, da Na Cuia
A oficina será conduzida por Mariana Guimarães, aluna da habilitação Publicidade e Propaganda, responsável pelo planejamento de comunicação e comunicação institucional da revista; e pelas alunas de jornalismo Bianca Brandão, diretora de fotografia, Madylene Barata, repórter e fotógrafa, e Juliana Araujo, que além de repórter é também a editora da revista.  

Elas irão apresentar aos participantes, conceitos ligados à comunicação integrada e redes sociais, estimulando os alunos a produzirem conteúdos diferenciados com os próprios smartphones, revelando olhares sobre os bairros da Campina, Reduto e da Cidade Velha. No último dia, os alunos participarão da cobertura, em tempo real, da 13ª edição do Circular Campina Cidade Velha, que será realizada no domingo, dia 21 de agosto.

Realizar uma oficina de comunicação para moradores e trabalhadores do Centro Histórico de Belém já era também uma ideia do Projeto Circular, que fechou a parceria com a equipe da revista e também com a associação dos moradores da Campina, que é parceria do projeto desde a edição passada.

A equipe da revista reunida
O Circular se une à equipe da Revista Na Cuia e à Associação de Moradores e Comerciantes da Campina para mais uma iniciativa que visa o protagonismo do Centro Histórico de Belém. 

O projeto, que acredita na força da comunicação em rede, já vínhamos dialogando com a Associação de Moradores e Comerciantes da Campina, assim como estende, agora, o convite à Associação dos Moradores da Cidade Velha e a todos que vivem no Reduto também, ou seja, nos três bairros que integram o Circular. 

O Circular Campina Cidade Velha é uma iniciativa da sociedade civil, junto às comunidades dos bairros da Campina, Cidade Velha e Reduto, formado por artistas, moradores e empreendedores, com realização da Kamara Kó Fotografias, Ministério da Cultura e Governo Federal, com patrocínio do Banco da Amazônia e Lei Rouanet. Conta ainda com apoio da Setur, IPHAN, Macieira Filmes, Rede Cultura de Comunicação e Milton Kanashiro, por meio de Doação de Pessoa Física via Lei Rouanet. 

Serviço
Oficina de "Produção de Conteúdo e Comunicação em redes sociais – Facebook e Instagram". Dias 20 e 21 de agosto, na Sala Guará - Hotel Princesa Louçã, que apoia a iniciativa, uma parceria entre a Revista na Cuia, Projeto Circular e Associação dos Moradores do Bairro da Campina. Mais informações: 3088.5858 e 98134.7719.

Documentário traz a voz poderosa de Janis Joplin

Ela criou um lugar para as mulheres no mundo do rock. Ela foi a pioneira. Seu nome: Janis Joplin. A garota branca, com a voz negra e feroz que invadiu a cena musical, é o tema do documentário “Janis: little girl blue”, em cartaz no Cine Estação das Docas. Dirigido por Amy Berg (indicada ao Oscar pelo documentário “Livrai-nos do Mal”), o filme revela a história de um dos maiores ícones do rock n’ roll na virada dos anos 60 para a década de 70. “Janis: little girl blue” fica em cartaz até o final de agosto no Cine Estação das Docas, e traz também extraordinárias performances ao vivo de clássicos como "Piece of My Heart," "Cry Baby," e " Me and Bobby McGee."

“Janis: little girl blue” levou sete anos para ser concluído e centra o foco na breve carreira e na intimidade da cantora, por meio de imagens de arquivo (algumas inéditas), correspondências pessoais de Janis e entrevistas com seus contemporâneos. 

Passados 46 anos da morte de Janis Joplin, a vida breve, sofrida e gloriosa da cantora pode ser vista em imagens de sua passagem por San Francisco (cidade onde se apresentou em bares e casas noturnas), até virar sensação no Festival Monterey Pop, quando arrebatou plateias com blues e rocks em interpretações passionais e debochadas.

Sua única passagem pelo Brasil também é mencionada no filme, com trechos de performances ao vivo de canções icônicas, tanto da fase com a Big Brother & the Holding Company, quanto em sua carreira solo. Janis Joplin veio ao Brasil para tentar se livrar de consumo de drogas. No Rio de Janeiro foi a praia, inferninhos e escolas de samba. Na volta aos EUA, meses depois, sofreu recaída e morreu de overdose, aos 27 anos.

Com narração de Chan Marshall (mais conhecida como Cat Power), “Janis: little girl blue” retrata a carreira conturbada da cantora que fez fama e fortuna com voz rasgada e entrega total ao público. Por ironia do destino, sempre reclamava das apresentações para grandes audiências, ao declarar que após amar mais de 20 mil pessoas, ia dormir sozinha num quarto de hotel.

Ouvindo blues e cantando folk com os amigos

Janis Joplin nasceu na cidade de Port Arthur, no Texas, nos Estados Unidos. Ela cresceu ouvindo músicos de blues tais como Bessie Smith, Leadbelly e Big Mama Thornton, e cantando no coro local. Joplin concluiu o curso secundário na Jefferson High School, em Port Arthur, no ano de 1960, e foi para a Universidade do Texas, na cidade de Austin, onde começou a cantar blues e folk com amigos.

Cultivando uma atitude rebelde, Joplin se vestia como os poetas da geração beat. Mudou-se do Texas para San Francisco em 1963. Passou a morar no bairro de North Beach e a trabalhar como cantora folk.

Depois de retornar a Port Arthur para se recuperar do vício das drogas, ela voltou para San Francisco em 1966, onde seu interesse pelo blues a aproximou do grupo Big Brother & The Holding Company, que estava ganhando algum destaque entre a nascente comunidade hippie em Haight-Ashbury. A banda assinou um contrato com o selo independente Mainstream Records e gravou um álbum em 1967. Entretanto, a falta de sucesso de seus primeiros singles fez com que o álbum fosse retido até seu sucesso posterior.

O auge da banda foi a sua participação no Festival Pop de Monterey, com uma versão da música "Ball and Chain" e os marcantes vocais de Janis. O álbum seguinte da banda, Cheap Thrills, de 1968, fez a fama de Janis: foi seu álbum de maior sucesso. Continha a música “Piece of my heart”, que atingiu o 1º lugar nas paradas da revista Billboard e se manteve na posição durante oito semanas não consecutivas.

Ao sair da banda Big Brother, no final de 1968, Janis formou um grupo chamado Kozmic Blues Band, que a acompanhou no festival de Woodstock. Com o grupo, Janis gravou o álbum “I Got Dem Ol' Kozmic Blues Again Mama!” de 1969, que veio a ser premiado como disco de ouro, mas que não alcançou o mesmo sucesso de Cheap Thrills. 

O grupo se separou, e Janis formou o Full Tilt Boogie Band. O resultado foi o álbum Pearl de 1971, lançado após sua morte, e que teve, como destaque, as músicas "Me and Bobby McGee" (de Kris Kristofferson) e "Mercedes-Benz", escrita pelo poeta beatnik Michael McClure e feita como um presente de aniversário para John Lennon, que faria aniversário em 9 de outubro.

O documentário “Janis: Little Girl Blue”, de Amy Berg retrata a artista a partir de um olhar íntimo e revelador a respeito de suas escolhas artísticas e pessoais. Tem 107 min. 14 anos. Confira o trailer: https://www.youtube.com/watch?v=M0iKbR92lYQ

Datas e horários
  • 03/08 (quarta), 19h
  • 04/08 (quinta), 19h
  • 21/08 (domingo): 10h,18h e 20h30
  • 23/08 (terça), 19h
  • 24/08 (quarta),19h
  • 25/08 (quinta), 19h

Ingressos: R$ 12,00. Meia entrada R$ 6,00: crianças de 3 a 12 anos e estudantes mediante apresentação de carteira de estudante expedida pela entidade estudantil. Gratuidade: pessoas acima de 60 anos e crianças de 0 a 2 anos.

​Verequete em especial de homenagem na Cultura

Um dos nomes mais importantes da cultura paraense faria 100 anos neste mês de agosto. O centenário ganha homenagem da TV Cultura, que gravou ontem, no Espaço Cultural Coisas de Negro, em Icoaraci, o especial “Centenário Mestre Verequete”, com participação do Grupo Uirapuru. 

O programa especial terá duração de uma hora e será exibido pela TV, Rádio e Portal Cultura, no dia 26 de agosto,  quando ele faria 100 anos, e quando se comemora também o Dia Municipal do Carimbó.

Além do grupo Uirapuru, que acompanhou Verequete em sua trajetória, outros seis artistas participaram do projeto: Grupo Quaderna, Nazaré Pereira, Olivar Barreto, Lúcio Mouzinho, Thaís Ribeiro e Pedrinho Callado, que também assina a produção musical. Eles fizeram releituras da obra do grande ícone do carimbó tradicional.

Cada artista regravou duas músicas do mestre, e as releituras já estão na programação da Cultura FM. Segundo Beto Fares, diretor da Cultura FM e idealizador do projeto, a proposta é revisitar a obra de Verequete, divulgando o nome do mestre entre as novas gerações. “Ele é uma das pessoas que urbanizou o carimbó, mas sem tirar as diretrizes principais. Também colocou elementos do candomblé - e isso fez uma grande diferença”, explica.

Para Pedrinho Callado, o carimbó é a grande matriz da música paraense. As releituras, no entanto, não se restringem ao ritmo imortalizado por Verequete. “Temos cúmbia, lambada, carimbó elétrico, mas o carimbó de raiz está na base do projeto. É uma revitalização da obra, sem perder a essência”, diz ele, que toca vários instrumentos na banda que compõe o projeto, ao lado do contrabaixista Ney Rocha e dos percussionistas Rafael Barros, Franklin Furtado e JP Cavalcante.

Com 33 anos de carreira, o músico Lúcio Mouzinho diz que se sentiu honrado pelo convite. “É muito especial participar desta homenagem ao grande ícone da nossa música. Vi várias apresentações do Mestre Verequete com o Grupo Uirapuru, acompanhei a trajetória dele. Sem dúvida, ele foi único ao trazer para o carimbó a religião de matriz africana”, diz o artista.

1.8.16

Projeto de intercâmbio na cena teatral de Belém

De 5 a 15 de agosto, o Grupo Liquidificador de Brasília - DF estará na capital paraense pelo Projeto Conspirações em Rede, etapa Conexão Elétrica, trazendo as performances Janta I e Janta II para o SESC Boulevard, Da Tribu e Casarão do Boneco, além da realização de uma oficina de dramaturgia na Fundação Cultural do Pará – Oficinas Curro Velho. 

Além das apresentações o grupo Liquidificador realiza ainda uma vivência com o Coletivo Dirigível de Teatro, ação que dá continuidade à parceria iniciada em 2015, enquanto o coletivo paraense migrava pelas cinco regiões do Brasil, pelo prêmio Miryam Muniz de Teatro da FUNARTE. A partir desta experiência surge também o Conexões em Rede, que teve início em janeiro deste ano, quando foi recenido, aqui em Belém, o grupo Teatro Em trâmite de Florianópolis – SC.  Micro-política cultural realizada em rede por grupos de teatro, o Conexões em Rede tem como objetivo proporcionar o intercâmbio artístico de forma autônoma e afetiva. 

Iniciativa do Dirigível Coletivo de Teatro, a ideia é fazer circular pela capital paraense, espetáculos vindos de outras regiões do país para apresentação de espetáculos, realização de oficinas e intercâmbio artístico, assim como incentivar a circulação de espetáculos produzidos em outras cidades.

Conexões em Rede -  II Etapa - Conexão elétrica 

Belém recebe o Grupo Liquidificador com os Solos “Janta I – Comida é amor”, que estreou no ano passado no café do espaço F508 em Brasília, performado por karinne Ribeiro; e “Janta II – Ratoeira”, performado por Fernando Carvalho, que fará sua estreia em Belém. 

Ambos foram dirigidos por Fernanda Alpino, e cada interprete escreveu a história, haverá ainda a Oficina de Dramaturgia e uma vivência artística a ser realizada com o Dirigível Coletivo. “Partindo da premissa que é na hora da comida que as pessoas se reúnem para trocar ideias e afetos, concebemos o projeto Janta: Espetáculo Comestível do Grupo Liquidificador que reúne o público em torno de uma mesa de jantar para vivenciar, enquanto come, histórias ficcionais e biográficas dos interpretes-criadores” explica a performer Karinne Ribeiro.

Grandes negócios são fechados durante jantares e almoços. É ao redor da mesa que a família se reúne nos finais de semana para comer e, de quebra, matar a saudade. Os casais celebram o amor em jantares românticos, à luz de velas. E é na cozinha, espremidos entre geladeira, fogão, armários e utensílios, que os amigos gostam de passar o tempo, preparando uma confortante refeição enquanto trocam confidências e desabafos. É indiscutível o poder que a comida tem sobre o ser humano.

“Janta I – Comida é amor” 

“Janta 1” é a quarta montagem do Grupo Liquidificador, e marca a estreia da integrante Fernanda Alpino como diretora. 

O espetáculo acontece durante um jantar íntimo, no qual todos se sentem a vontade para compartilhar histórias e sentimentos. O motivo do encontro: a anfitriã está de coração partido e precisa dos amigos por perto para tentar expurgar um pouco a dor. Os amigos: o público. 

O grupo, que em outros espetáculos também brinca com os limites do espaço cênico, sai da sala de teatro para apresentar-se em uma cozinha, uma copa, um café, uma sala de jantar. A plateia é a convidada da atriz para uma noite de conversas, desabafos e confissões amorosas, tudo ao sabor de um delicioso escondidinho de frango, outro vegano de legumes, feitos pela atriz. 

O cardápio de “Janta 1” parte da premissa de um bom ambiente para equipe e para o público, afinal, um jantar entre amigos pressupõe acolhimento, conforto e aconchego. O famoso confort food surgiu da união de boas lembranças de criança, como purê de batata, frango desfiado e torta de legumes. De sobremesa, café coado e creme de limão. A dramaturgia, elaborada pela atriz com colaboração da diretora, costura trechos e cenas de autores como Woody Allen, David Foster Wallace, Lena Dunham e textos tirados do diário de Karinne sobre suas aventuras e, sobretudo, desilusões amorosas. 

O jogo é aproximar anfitriã e convidados, como em um jantar comum, para depois distanciá-los, como em um espetáculo convencional de teatro. Então, num instante ela pode estar ao seu lado, perguntando de sua vida e contando sobre a dela, para no seguinte estar sob um foco de luz interpretando um texto do Woody Allen.

Ficha Técnica - Direção e concepção: Fernanda Alpino. Dramaturgia e atuação: Karinne Cristina Ribeiro. Consultoria culinária: Camila Bastos. Iluminação: Ana Quintas. Figurino: Fernanda Ferrugem. Design gráfico: Bárbara Alpino e Fernanda Alpino. Fotos: Raquel Pellicano. Produção executiva: Kael Studart. Ass. de produção: Iza Cavanellas e Fernando Carvalho. 

Jantar II - Ratoeira

O Príncipe da Groenlândia descobre um assassinato brutal dentro da história de sua família, ele resolve convidar amigos pra jantar com o pretexto de ler o texto teatral "Senhora dos Afogados”, de Nelson Rodrigues. 

Para amenizar os tormentos oriundos de suas relações com seus familiares assassinos, o príncipe anfitrião recebe seus convidados para um jantar. Ele se encontra assombrado pelos fantasmas dos seus antepassados e batalha, às vezes sem sucesso, para se distanciar deles, questionando os papéis de gênero dentro da estrutura familiar. No meio do jantar uma surpresa que era uma ratoeira.

Fernando Carvalho é ator e dramaturgo de “Janta II”, com direção de Fernanda Alpino. Durante o jantar, Fernando pega emprestado trechos e imagens de Hamlet como forma dar suporte e/ou contraposto ao seu discurso, buscando ampliar para outros contextos em diálogo com o público, testemunhas do conflito participantes na discussão. 

Ficha Técnica - Direção e concepção: Fernanda Alpino. Dramaturgia e atuação: Fernando Carvalho. Consultoria culinária: Camila Bastos. Iluminação: Ana Quintas. Realização: Grupo Liquidificador. Ambos os espetáculos tem classificação indicativa 12 anos e duração de aproximadamente 120 minutos ou o tempo de um jantar. Realização: Grupo Liquidificador.

Oficina de Dramaturgia - A oficina tem o foco na dramaturgia e surge das experiências vivenciadas pela atriz e dramaturga Karinne Ribeiro, juntamente com a diretora artística Fernanda Alpino, para a criação do espetáculo “Janta I – Comida é amor”. A partir de jogos de improviso cada participante irá criar uma breve história baseada em sua biografia. Ao final da oficina, as histórias serão compartilhadas, num formato de encenação simples.

PROGRAMAÇÃO

“Janta I – Comida é amor”

  • Data: 05 de agosto - Sesc Boulevard - Boulevard Castilho França, 522/523 – Campina. Às 19h - Entrada franca (retirada de ingressos 1h antes).
  • Data: 06 e 07 de agosto - Da Tribu Loja Morada – Rua Carlos Gomes,117 entre Campos Sales e Frutuoso Guimarães – Campina. Às 19h. Ingresso: R$ 20,00.

“Janta II - Ratoeira”

  • Data: 12, 13 e 14 de agosto - No Casarão do Boneco - Av. 16 de Novembro, 815 – Cidade Velha. Às 20h. Ingresso: R$ 20,00. Capacidade do jantar: 20 pessoas.
  • Oficina de Teatro Improvisação - Início dia 11/08 (terça, 11 e quinta, 14). Local: Oficinas Curro Velho - Rua Professor Nelson Ribeiro, 287 – Telégrafo. Horário: 14h às 16h. Investimento: R$20,00 (gratuito para estudantes da rede pública).

Serviço
Os ingressos podem ser comprados pela internet, através do site www.sympla.com.br, pesquisar por Janta – Espetáculo comestível do Grupo Liquidificador, pelo whatsapp (61) 982182638 ou pelo telefone fixo 4141-1489.