10.3.17

Coleção Ipsis traz obras de Elza Lima e Guy Veloso

A coleção Ipsis de Fotografia Brasileira, iniciativa criada em 2013 para prestigiar a fotografia nacional, inicia o ano lançando dois nomes do notável cenário da fotografia paraense: Elza Lima e Guy Veloso. O lançamento nos dias 24 e 25, respectivamente, durante a realização do  7º Festival de Fotografia de Tiradentes, em Minas Gerais, tem direito a um bate papo com os fotógrafos e com Eder Chiodetto, responsável pela organização, pesquisa, organização e textos das publicações.

Criada em 2013 com o propósito de homenagear a produção nacional de Fotografia em livros de imbatível qualidade e preço acessível, a coleção Ipsis de Fotografia Brasileira apresenta a produção de fotógrafos referenciais que pesquisam a brasilidade em suas diversas manifestações. Araquém Alcântara, Nelson Kon, Cristiano Mascaro e Thomaz Farkas compõem os 4 primeiros volumes.

E agora os volumes 5 e 6, com Elza Lima e Guy Veloso. Ela, com um trabalho intenso permeado de inovações, ambos desenvolveram linguagens próprias que abordam temas densos, que evoca o onírico e faz uma narrativa de poética singular sobre a vida de ribeirinhos e caboclos amazônidas. E Guy, com seu trabalho, que nos transporta para um mergulho inquietante e profundo na fé dos devotos de diversas religiões praticadas no Brasil.

Premiados e reconhecidos dentro do cenário nacional da fotografia, nem Ela e nem Guy possuíam uma publicação inteiramente dedicada a suas obras. A fotografia entrou na vida de Elza antes mesmo que tivesse consciência dela quando, ainda criança, descobriu fascinada dentro de um armário uma foto que o bisavô havia trazido da Europa. 

Elza Lima  -Salinas, Pará, 1989
Ao retratar o interior da região amazônica ela relembra o rico imaginário vivenciado na infância ampliado com a leitura de clássicos, de obras sobre a Amazônia e de mitologia: “Acredito que um bom fotógrafo está sempre respaldado no imaginário. Meu trabalho é muito voltado para o sonho.”

Uma cultura imaterial existente, riquíssima, que emociona e transcende,assim Guy Veloso define as manifestações religiosas que fotografa há 30 anos, com especial destaque aos penitentes que cometem auto-flagelo, um dos destaques da 29a Bienal de Arte de São Paulo.

Trabalho dedicado, vivenciado, fruto de uma pesquisa aplicada, que abriu um diálogo tão intenso entre autor e objeto fotografado que findou numa rara e extraordinária situação:“virei meu próprio tema”, diz o fotógrafo.

© Guy Veloso - Tambor de Mina, Belém, Pará, 2011
Cuidadosamente selecionados por Eder Chiodetto, renomado curador da área de Fotografia e organizador da Coleção Ipsis, Elza e Guy são representantes de peso da fotografia contemporânea documental com trabalhos expressivos que abordam de forma distinta, singular, aspectos de nossa cultura. 

Eder define o trabalho de Elza como uma "poética fluída e especial, que cria a possibilidade de fabular por meio das composições labirínticas que intercalam diversos planos, fato que confere grande originalidade à obra da artista". 

Sobre a produção de Guy, o curador destaca a intensidade da imersão alcançada pelo fotógrafo com o tema de seu trabalho que ultrapassa a própria fotografia e remete ao transe, criando uma transcendência entre o autor e sua área de pesquisa. A ideia do "transe", aliás,  foi a chave que o curador propôs ao autor para selecionar obras de seu imenso acervo.

Através das escolhas de Eder Chiodetto, a Coleção Ipsis de Fotografia Brasileira contribui para o enriquecimento da área lançando o primeiro livro dos autores que ainda não possuíam publicações dedicadas exclusivamente às suas obras.

Serviço
Lançamento da Coleção Ipsis de Fotografia Brasileira, volumes 5 e 6 no 7º Festival de Fotografia de Tiradentes, informações na fanpage do evento.

Cinebiografia de Elis Regina chega ao Cine Estação

A vida de Elis Regina - indiscutivelmente a maior cantora brasileira de todos os tempos -, é contada nesta cinebiografia em ritmo energético e pulsante. O filme “Elis” será exibido a partir deste domingo, às 10h, 16h e 19h, no Cine Estação das Docas.

Por Augusto Pacheco

Protagonizado por uma inspirada Andréia Horta, o filme do estreante Hugo Prata traz algumas das mais relevantes passagens da carreira e vida pessoal da gaúcha, como a chegada ao Rio de Janeiro no dia do golpe de 1964; o primeiro contato com o boa praça Luiz Carlos Miéle e o charmoso Ronaldo Bôscoli (seu primeiro marido); o rápido sucesso e amadurecimento musical; o terror imposto pelos militares; a parceria amorosa e artística com o pianista César Camargo Mariano (que rendeu espetáculos históricos como “Falso Brilhante”, “Transversal do Tempo” e “Saudade do Brasil”); a maternidade e o fim da vida.

“Ela foi tragada pela própria labareda, com a voz das deusas do Olimpo, do fundo das águas, dos ventos... traduz muitas energias fora do corpo humano”.

É assim que Andréia Horta descreve a icônica cantora. Zé Carlos Machado, que vive Romeu (o pai  de Elis), ressalta que a música era a maneira que a cantora encontrava para se expressar politicamente: “Ela somatizava todos os conflitos, os paradoxos, as alegrias, as esperanças desse país através da sua voz, através da sua alma”. “Ela era um diamante”, completa o diretor Hugo Prata.

Em janeiro de 1982, a morte precoce de Elis Regina causou enorme comoção nacional. Mais que uma das maiores cantoras da música popular brasileira no auge da maturidade artística, Elis encarnava as esperanças de um país cansado de quase duas décadas de regime militar, sonhando com a volta do irmão do Henfil. 

Trinta e quatro anos depois, “Elis”, a cinebiografia da Pimentinha apresenta sua incrível trajetória às novas gerações e, claro, para que os milhões de fãs voltem no tempo e se deliciem descobrindo um pouco mais da sua história.

Trilha traz obras menos conhecidas

Na trilha sonora, espaço para grandes sucessos e fonogramas menos conhecidos, além de músicas de outros artistas como Nara Leão e Cartola. 

“Fascinação” é uma valsa de Maurice de Féraudy e Dante Marchetti. Mais de uma versão em português foi feita. Entretanto, a que ficou mais famosa, marcante na voz de Elis Regina, foi a de Armando Louzada. “O Bêbado e a Equilibrista", composta por Aldir Blanc e João Bosco, foi uma das mais famosas interpretações de Elis, principalmente por ser uma canção com papel importante na época que prenuncia o fim da ditadura militar. 

"Madalena", de Ivan Lins, se tornou um clássico da MPB, graças a interpretação vibrante e alegre da cantora. Entre os clássicos: “Arrastão” (Edu Lobo e Vinicius de Moraes), “Velha Roupa Colorida” (Belchior), Atrás da Porta (Chico Buarque e Francis Hime) e Cabaré (João Bosco e Aldir Blanc).

O elenco conta com nomes fortes da dramaturgia nacional como Lucio Mauro Filho, Caco Ciocler, Zé Carlos Machado e Julio Andrade, que vivem respectivamente Miéle, Cesar Mariano, Romeu (o pai de Elis) e o dzi croquette Lennie Dale.

Na 44ª edição do tradicional Festival de Gramado, Andréia Horta levou o prêmio de Melhor Atriz e o longa conquistou o prêmio de Melhor Filme pelo júri popular.

Elis, de Hugo Prata. 113 minutos. 14 anos.

Datas e horários:
12 (domingo): às 10h, 16h e 19h
19 (domingo): às 10h, 16h e 19h
26 (domingo): às 10h, 16h e 19h

Ingressos: R$ 12,00. Meia-entrada: R$ 6,00. Estudantes mediante apresentação de carteira expedida pela entidade estudantil. Gratuidade: pessoas acima de 60 anos. A bilheteria funcionará aos domingos de 9h às 19h. Realização: Organização Social Pará 2000, que administra a Estação das Docas.

8.3.17

Batuque de Vênus abre roda especial de carimbó

Uma roda de carimbó pra chamar as boas energias. Vem ouvir esse tambor, nesta quarta-feira, 8 de março, em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, com Renata Del Pinho no show "Batuque de Vênus", acompanhada por Renata Beckmann (Banjo), Duda Souzza (Percussão) e Dulce Cardoso (Percussão). Na Casa do Fauno - Rua Aristides Lobo, 1061, entre Benjamin e Rui Barbosa. A apresentação (22h) integra a abertura da exposição "Recortes de Territórios Poéticos" (19h), que reúne a obra das artistas Nina Matos, Elieni Tenório, Carla Beltrão, Bia Cabral e Lígia Árias. Na Casa do Fauno - Rua Aristides Lobo, 1061, entre Benjamin e Rui Barbosa.

Para animar uma festa, nada melhor do que um bom batuque feito por mãos e voz femininas. É o que a cantora Renata Del Pinho nos propõe no show “Batuque de Vênus”. 

Renata Del Pinho avisa que vai cantar seus carimbós autorais, mesclando-os às obras de nossos grandes mestres Verequete, Lucindo, Dona Onete, Chico Braga entre outros. "Estamos preparando tudo com muito carinho, a fim de promover uma linda roda de carimbó para comemorar o nosso dia”, diz Renata, que será acompanhada por Renata Beckmann (Banjo), Duda Souzza (Percussão) e Dulce Cardoso (Percussão), instrumentistas que serão apresentadas a um novo público.

“Eu as conheci tocando na Orquestra Pau e Cordista e me apaixonei por elas”, comenta Renata Del Pinho, que também se apaixonou pelo ritmo desde criança, quando ia passar férias em Marudá e Algodoal, terra de Chico Braga, e Marapanim, de Mestre Lucindo. “Eu me metia sempre nas rodas de carimbo. Depois de uns anos comecei a compor”, complementa.

Renata Del Pinho vem ganhando cada vez mais reconhecimento na cena musical da cidade apostando na fusão de ritmos como jazz, blues e música brasileira, com elementos regionais. Além estar sempre no palco, este mês a agenda dela está repleta, ela também trabalha para o lançamento de seu primeiro álbum, intitulado “Som de Cafuzo”.

“No projeto desse meu primeiro CD, o Som de Cafuzo, o carimbó é um dos grandes expoentes. Estamos ainda em fase de captação de recursos, mas já fechamos com o Selo Ná Music e neste primeiro semestre vamos gravar”, comemora.

Filha de violonista e cantora lírica, Renata Rodrigues de Pinho traz na genética o talento musical. As aulas de balé clássico, ainda na infância, estimularam o curso de Canto Lírico no Conservatório Carlos Gomes na adolescência e vieram as apresentações em saraus e espetáculos eruditos. A partir de 2005, a cantora deixou sua veia no popular e iniciou apresentações em espaços culturais da cidade, apresentando um repertório construído também por suas influências do Samba, Bossa, MPB, Black Music, Blues, Soul e Jazz.

Serviço
Show “Batuque de Vênus” (22h – entrada R$ 15,00) + Abertura da exposição “Recortes de Territórios Poéticos” (19h ÀS 22h – entrada franca). Nesta quarta-feira, 8 de março, Dia Internacional da Mulher”, na Casa do Fauno - Rua Aristides Lobo, 1061, entre Benjamin e Rui Barbosa. Informações e reserva de mesa: 91 98705.0609. A exposição ficará aberta até dia 8 de abril, com visitação de terça (10h às 19h) a sábado (10h à meia noite) e aos domingos, das 10h às 16h.

Exposição traz o feminino na arte de cinco artistas

“Recortes de Territórios Poéticos” reúne o trabalho de cinco artistas cujas trajetórias trazem como marca e inspiração a questão feminina e suas adjacências. Nina Matos, Elieni Tenório, Lígia Árias, Carla Beltrão e Bia Cabral serão as anfitriãs a nos conduzir pelo universo da arte, no dia internacional da mulher. A curadoria é de Nina Matos. Abertura às 19h. Na Aristides Lobo, 1061, entre Benjamin e Rui Barbosa. Entrada franca.

A coletiva traz como principal característica, o ponto em comum nas cinco artistas participantes, a expressão do feminino em suas obras.

Nina Matos, que assina também a curadoria da mostra, utiliza basicamente o desenho e a pintura, com algumas incursões em construções digitais, as obras são forjadas como retratos e takes de cenas do cotidiano, apresentando decodificações de relações humanas. 

“Nesta coletiva, apresento obras referentes ao universo feminino ‘Exposed’ e ‘A Eterna Liu-chiang dos Postais Vermelhos”’, diz Nina. “Construo meu trabalho a partir de apropriações e ressignificações. Em boa parte delas, sou o auto-referente, acompanhado da ampliação da observação do outro, da forma como as pessoas se colocam em sociedade e cumprem seus papéis”, conclui Nina Matos.

A artista já realizou cinco individuais, participou de vários projetos coletivos, bem como, participação e premiações em Salões Nacionais. Em 2005, recebeu bolsa de estudo  do Ministério da Cultura da Espanha para cursar arte em Madri, em 2006 foi selecionada no Projeto Rumos Visuais do Itaú Cultural ,participando de um circuito de exposições nacionais.

Em 2014 integrou o Projeto Circuito das Artes- Triangulações de itinerância nacional.  Possui obras no acervo do Museu de Arte de Belém, Museu do Estado do Pará, Museu da Universidade Federal do Pará, Museu Casa das Onze Janelas, Casa da Memória da Unama, Fundação Cultural de João Pessoa e Museu de Arte Brasil Estados Unidos.

Trabalhando atualmente na Curadoria, Pesquisa, elaboração e coordenação de Projetos Expositivos da Divisão de Curadoria, Pesquisa e Museografia do Museu de Arte de Belém, Nina Matos já coordenou a Galeria Municipal de Arte de Belém, dirigiu o Mabe e também o Museu de Arte Contemporânea Casa das Onze Janelas. Integrou de 2011 a 2014 o Conselho Nacional de Incentivo à Cultura do Minc, na titularidade da cadeira de Artes Visuais.

SERES ELEMENTARES - BIA CABRAL

Bia Cabral traz à exposição trabalhos da série DEVAS, com diferentes tipos de seres não-humanos intimamente ligadas e integradas à natureza. Bia Cabral propõe uma perspectiva humana sobre as Devas, seres invisíveis a olho nu. 

Elas fazem parte do imaginário da artista, onde neste lugar em seu subconsciente, existe um jardim/floresta secreta de uma exuberante beleza em todos os sentidos, fauna e flora, onde é habitado por estas entidades elementais que trabalham com a energia de símbolos e arquétipos.

“Devas são seres encantados de luz, sabedoria, magia e conhecimento oculto, com poderes de cura, transmutação, transformação, mudança e renascimento, sendo as guardiãs e mantenedoras deste lugar”, explica a artista.

Paraense, natural de Belém, Bia vem atuando nas áreas de artes plásticas e hand made de objetos de arte. Trabalha principalmente com as técnicas de pintura em aquarela e acrílica, mas também passeia pelo óleo e técnica mista.

UNIVERSO FEMININO - ELIENI TENÓRIO

Eleini Tenório dá continuidade ao universo feminino sempre presente em sua produção. "Vou apresentar três obras em objetos de parede, da fase Fragmentos do Corpo. Elas consistem em Corselet estilizados em suporte de papelão e papel de parede importado”, diz a artista.

Elieni Tenório vem desenvolvendo atualmente, pesquisas na utilização de diversas técnicas e suportes visando ampliar sua visão plástica na representação do seu universo feminino. 

A obra da artista Elieni Tenório encontra-se publicada no Projeto Rios de Terras e Águas: Navegar É Preciso - livro educativo sobre arte e patrimônio cultural, Realização: Unama/Patrocinador Petrobras (2010).

Nascida em 1954, no Mazagão – AP, ela já realizou diversas individuais no Brasil e no exterior. Desse período, destacam-se as seguintes exposições: “Obsessão" - Galeria Belllevue-Saal, Wiesbaden, Alemanha 2008; Bienal Internacional de Arte Siart (La Paz – Bolívia 2009); 15° Bienal Internacional de Gravura de Sarcelles, França 2011, entre outras.

DESENHOS - LÍGIA ÁRIAS

Lígia Árias nos presenteia com desenhos em técnica mista, que colhem visões do mundo e das coisas, apresentando aqui, tipos humanos da Série Retratos. Lígia Árias é da Costa Rica, mas reside no Brasil desde o ano de 1978. 

Desenhista, Pintora, Aquarelista, Escultora, Restauradora e Curadora. Na Série Retratos, através de uma linguagem silenciosa e movimento contínuo, encontramos um lugar em que não existe excesso nem falta e sim técnica e poética perfeitamente integrada à espera de nossa contemplação. Com formação em Artes Plásticas , integra o Setor de Museografia do MABE desde a sua fundação.  

Já realizou individuais na Galeria Fidanza, do Museu de Arte Sacra; “Amazônia”, em 2004 e, na Galeria Municipal de Arte, “ Recortes da Amazônia”, em 2002 . Integrou três edições do Salão Arte Pará, e várias coletivas locais e Nacionais em cidades como Santo André, São Bernardo e Brasília.

TECIDOS E GRAVURAS - CARLA BELTRÃO

Carla Cabral vai apresentar na coletiva, trabalhos em tecido, gravura/tecido calcinado sobre tecido, onde variados processos são inseridos na pesquisa e na feitura das obras. 

Do Rio de Janeiro, ela já mora há muitos anos em Belém. Atuou como arte educadora na Fundação Papa João XXIII e foi instrutora de arte e oficio no Núcleo de Produção da Fundação Curro Velho, onde também foi instrutora de Arte e Oficio no Projeto de Extensão em Comunidades Urbanas, Rurais, Quilombolas e Indígenas.  

Carla Beltrão atua como gravadora, pintora e educadora, com mostra e premiações artísticas em salões, museus locais, nacionais e internacionais.  A artista desenvolve experiências pedagógicas em arte, Pesquisas de sustentabilidade no meio ambiente, atua como arte educadora em projetos sociais e comunitários. 

Serviço
Abertura da exposição “Recortes de Territórios Poéticos” (19h) e show “Batuque de Vênus” (22h). Nesta quarta-feira, 8 de março, Dia Internacional da Mulher”, na Casa do Fauno - Rua Aristides Lobo, 1061, entre Benjamin e Rui Barbosa. Informações e reserva de mesa: 91 98705.0609. A exposição ficará aberta até dia 8 de abril, com visitação de terça (10h às 19h) a sábado (10h à meia noite) e aos domingos, das 10h às 16h.

4.3.17

Paulo Nunes lança a 2a edição de livro de poemas

É a segunda edição de “Ou: Poemas não são Linguagens”, que sai revista e com poemas inéditos. O lançamento será realizado nesta terça-feira, 7, às 20h30, na Unama da Alcindo Cacela, dentro da programação do seminário de estudos Confluências, do programa de Pós-Graduação em Comunicação, Linguagens e Cultura da Unama.

Paulo Nunes, leitor e sempre bem vindo colaborador no blog, é ligado ao programa de Pós-Graduação em Comunicação, Linguagens e Cultura da Unama,  como professor e pesquisador, e onde estuda autores amazônicos e da negritude lusógrafa, daí a oportunidade de lançar ou relançar esta sua obra em tal ocasião.

A reedição de "Ou: Poemas não são linguagens" denuncia uma característica do autor, que costuma revisitar a própria obra, sempre com fins a aperfeiçoá-la e claro dar aquela dose de ineditismo trazendo textos da mesma temáticas, antes não publicados. A reedição de "Ou: Poemas não são lingiagens" teve revisão feita, meticulosamente. Assim alguns poemas foram retirados enquanto outros, inéditos, incluídos. 

“Afinal dez anos afastam a primeira edição da segunda, o que propicia uma maior maturidade quanto à enunciação de cada poema”, diz o texto de divulgação.

O livro é subdividido em 3 partes: “O homencídio”, “Quadrante” e “Artimanhas, um abecê”. São poemas que refletem a condição de vida contemporânea, a preocupação com a linguagem, a forte inclinação ao pendor memorialista, que atravessa, não raro, os poemas.

É uma obra independente. O formato é de bolso, com 103 páginas. A capa e edição são do próprio autor. A arte final, é de Elailson Gomes.  Sim, é uma obra independente. Traz prefácio de Gutemberg Guerra, professor doutor da UFPA, memorialista, cronista do jornal O Correio do Tocantins. O texto de orelha é assinado pela jornalista Linda Ribeiro, escritora e professora, ligada à Cultura Rede de Comuniação - Funtelpa. 

Serviço
Lançamento do livro "Ou: Poemas não são linguagens", de Paulo Nunes. No auditório D 200, Unama, av. Alcindo Cacela, 287, na terça-feira, 7 de março, às 20: 30 horas, após a mesa redonda “Enunciações literárias”. O valor é R$ 25,00 e tem venda promocional para a aquisição de dois  exemplares.

1.3.17

Cedric Myton no especial do Rototom Rádio Reggae

O jamaicano Cedric Myton, líder da The Congos, uma das lendas do reggae,  está de volta à Amazônia. Para registrar sua passagem por Belém, o Rototom Rádio Reggae - programa da Rádio Cultura do Pará - traz neste sábado, 4 de março, uma apresentação da banda no festival Rototom Sunsplash de 2016.  O programa vai ao ar às 18h e já será um esquenta para o show ao vivo, a partir das 20h, no Parque dos Igarapés, dentro do "reggae reunion", como parte de sua turnê nacional.

Por Fabrício Rocha

Durante o espetáculo Rototom Sunsplash, gravado na Espanha, em 2016, você confere Watty Burnett, Kenroy Fyffe & Ashanti Roy, ao lado de Cedric Myton tocando faixas de todos os disco da banda, incluindo o clássico álbum 'Heart of the Congos' do final da década de 70, que surgiu em parceria com  Lee "Scratch" Perry. Além de uma performance de palco impressionante para senhores do alto dos seus 70 anos fazendo harmonização vocal como se ainda estivem nos anos 60.
  
Cedric Myton nasceu na pequena Ilha da Jamaica. Aos dezesseis anos de idade gravou a primeira canção com o grupo The Tartans, "Dance All Night" onde chegou ao número um nas paradas da música Jamaicana. Em 1975 Cedric e Lincoln Thompson formaram o grupo Royal Rasses, com "Humanity" e o posterior single com o mesmo nome, ainda é relembrado como uma das mais consagradas canções da história da música jamaicana. Um ano depois formou um dos grupos Roots mais aclamados de todos os tempos - The Congos.

Tinham na formação original Cedric Myton, Watty Burnett Lindberg "Preps" Lewis e Roydel Johnson. Um ano depois, Roydell Johnson deixou o grupo. "Congo Ashanti", segundo disco do grupo, foi promovido extensivamente na Europa pela gravadora CBS (Francesa). 

The Congos e Toots & The Maytals apareceram juntos no filme "Image Of Àfrica". Nesse mesmo ano sairia o terceiro registo do grupo, alusivo ao filme. "Face The Music" saiu em 1981, um dos projeto mais sólidos do grupo depois de "Heart Of The Congos", bem harmonizado, bem tocado. É também um clássico. .

Ao longo da segunda metade da década de oitenta e ainda hoje, The Congos reside e atua regularmente nos Estados Unidos. "Natty Dread Rise Again" pela RAS Records, marcou o regresso do grupo depois de quinze anos afastados dos estúdios. Nesse mesmo ano a gravadora britânica, Blood & Fire, brindou os fãs do The Congos de todo o mundo, com o relançamento em dois CD's, de "Heart Of The Congos", acrescido dos bônus, "Row Fisherman Row" e "Congoman", versões 12’ single, cedidas pela Island Records e duas versões Dub.

Dois anos depois surgiu "Reggae Revival" para a VP Records, um projeto que marcou uma nova etapa na longa história da banda. Foram (re)lançados em compact disc pelo mesmo selo a maior parte do catálogo do grupo. 

Logo depois foi lançado o primeiro registro ao vivo com a A-Team band, e este ano "Lion Treasure", uma coletânea da longa jornada deste grupo musical jamaicano. Paralelamente, Cedric Myton trabalhou ao longo destes anos com os grupos English Beat, General Public e os conhecidos Fine Young Cannibals.

Serviço
Programa Rototom Rádio Reggae apresenta o show da banda The Congos no festival Rototom Sunsplash, gravado na Espanha, em 2016. Sábado, 04 de Março de 2017, Rádio Cultura do Pará - 93,7Mhz, 18h

Saiba mais:

https://www.youtube.com/watch?v=B0DO19D9ENM
The Congos "Youth Man"- Rototom Sunsplash 2012

https://www.youtube.com/watch?v=zymS2DtA9fg
Cedric Myton "Congo" at Garance Reggae Festival 2014

https://www.youtube.com/watch?v=YlD7FcuP6hQ
Kingston All Stars - Cedric talks about the 1st Tartans Recording Session

https://www.youtube.com/watch?v=T3BMkdizBgI
ROD ANTON & CEDRIC MYTON - COME TOGETHER (Official Music Video)

https://www.youtube.com/watch?v=kQRHBoq3Xp4
Novo Dia - Ponto de Equilíbrio part. The Congos

"731 são doze" duas vezes no Casarão Viramundo

O Dirigível Coletivo de Teatro e o Viramundo apresentam "731 são doze", neste sábado, 4, e domingo, 5, sempre às 19h. A performance passeia pela memoria de um casarão na Cidade Velha. Ingresso: R$ 20,00 com venda antecipada e on line para garantir a vaga: www.coletivodirigivel.com.

A performance traz a história do Casarão Viramundo, convidando o público a uma experiência-ritual, de revirar porão, sótão, sala de estar, quartos e quintal.

"Não se trata apenas da casa em si, mas principalmente dos cômodos e gavetas de cada um destes corpos, afinal, o nosso corpo-vida é o principal labirinto que percorremos desde o momento em que nascemos. Acontece que renascemos a todo momento. Os labirintos de si jamais serão os mesmos, há sempre um lugar em nós que desconhecemos e que, portanto, somos estrangeiros”, pontua Ana Marceliano, integrante do Dirigível.

Construída na antiga Casa Dirigível Espaço Cultural, que ficava na Rua Padre Prudêncio Nº 731, bairro da Campina, a performance trazia uma imersão dos integrantes do Dirigível na poesia de Fernando Pessoa e na história da casa até virar sua sede. 

O trabalho circulou o país e se transformou com os laços estabelecidos com outros grupos de teatro independente: Casa da Outra - Cia A Outra (Salvador/BA), Ponto dos Truões - Trupe dos Truões (Uberlândia/MG), Casa Vermelha - Teatro Em Trâmite (Florianópolis/SC) e Teatro Elétrico - Grupo Liquidificador (Brasília/DF).

Após essa circulação, em 2015, e três anos de funcionamento, sem subsídios públicos, a sede do Dirigível Coletivo de Teatro fechou por falta de políticas de incentivo à cultura. De acordo com o grupo, após voltar para Belém, ficou definido que a próxima apresentação do "731 são Doze" deveria ser retroalimentada com outra essência: a do encontro com outros coletivos artísticos.

Para isso seria necessário que houvesse parceria com outros artistas que mantêm espaços culturais em na cidade. Em 2016, alguns integrantes do Dirigível se aproximaram do Casarão Viramundo, residência artística cientifica que trabalha na intersecção entre arte, cultura e saúde por meio da educação popular e o teatro de rua.

Entre idas e voltas, encontros e trocas dos dois coletivos nasceu o desejo em realizar uma imersão nesse casarão da Cidade Velha, lugar de memórias, de muitas travessias, porto de partida e de desembarque para uma nova viagem.



Serviço
Performance “731 são Doze” nos dias 4 e 5 de março, às 19h. No Casarão Viramundo (Tv Capitão Pedro Albuquerque, 318 – entre Rodrigues dos Santos e Ângelo Custódio. Bairro: Cidade Velha). Ingresso: R$ 20 (valor único). A compra dos ingressos deve ser feita antecipadamente, pois as vagas são limitadas. Para isso, acesse o site: www.coletivodirigivel.com. Não é recomendado para menores de 18 anos.

23.2.17

LG Lopes e Teo Nicácio se apresentam em Belém

“Todo artista tem de ir aonde o povo está. Se foi assim, assim será”, cantou o mineiro Milton Nascimento. Ao pé da letra, é o que Luiz Gabriel Lopes e Téo Nicácio, vindos também de Minas, têm feito. Em circulação pela região norte, eles estão em Belém. Fazem show, nesta sexta-feira, 24, no Centro Cultural Sesc Boulevard (entrada fraca) e, no sábado, 25, na Casa do Fauno (R$ 10,00).

Para as apresentações em Belém, nesta sexta e sábado, o duo traz na bagagem canções com ricas harmonias vocais e belos arranjos para dois violões. Serão shows parecidos, não iguais. “Sempre temos espaço para o improviso. O repertório é muito vasto, temos muitas canções e então a gente vai adequando de acordo com o momento e respostas do público. Vai ser tudo imprevisível, uma surpresa”, avisa Luiz Gabriel Lopes.

LG Lopes, como aparece na capa de seu segundo disco solo, “O fazedor de rios” (2015), é carioca, nascido em 1986 no Rio de Janeiro, mas criado na pequena cidade de Entre Rios de Minas, em Minas Gerais. Ele e Teo Nicácio, compositor e multi artista dos malabares, já tinham passado por Belém em janeiro e na oportunidade rolou apresentação surpresa no Gotazkein, antes de seguirem para Manaus (AM), Porto Velho (RO), Rio Branco (AC).

“A circulação é toda independente. Faz parte de uma vontade de pesquisa sobre a cultura do norte, a cultura os modos de vida, a história do povo daqui, e sobre o qual no sudeste há pouca informação, não sabemos ao certo o que acontece aqui, por isso o interesse de vir e conhecer com vivência. Todo o nosso trabalho é independente”, diz LG, que possui influências diversas, da música brasileira, em todas as suas vertentes, regiões e geografias, como ele mesmo define. 

“A cena musical contemporânea, especialmente a cena de minas que é muito rica, é influência muito forte. Tem muita gente do nosso meio produzindo, assim como as coisas e a vida, as viagens, os encontros, tudo isso é influência”, diz.

Integrante de bandas independentes como Graveola, na ativa desde 2004, e TiãoDuá, LG é um dos idealizadores e produtores do festival Cantautores (em Belo Horizonte).  Lançou o primeiro trabalho, em 2010, “Passando Portas”, o segundo em 2016 e este ano, ainda no primeiro semestre, vai lançar o terceiro álbum, intitulado “Manas”, disco com linguagem musical simples, segundo o artista, produzido com a banda Cangaço Livre, da qual o parceiro Teo Nicácio, também integra.

“O formato é baixo, guitarra, bateria e flauta. O disco começa a ser mixado e deve sair ainda neste primeiro semestre. Há canções minhas e em parceria com Teo, que também canta e toca, e outras canções minhas inéditas e de outras épocas. A linguagem, simples, é baseada em ritmos brasileiros, mas também com essa abordagem de power trio de guitarra, com alguma coisa assim híbrida, no meio do caminho”, define.

Cena musical de Belém é forte, diz o compositor

O músico já tinha vindo para Belém algumas outras vezes, atraído pela cena musical que vem reverberando pelo país. Para ele, a cena é bem forte desde o pessoal mais antigo,  até os mais contemporâneos. “Tem muita força a cena daqui. O Pará é um lugar muito rico, de uma cultura rica, de muitos encontros e miscigenação cultural, um lugar que alimenta musicalmente”, diz.

Pergunto se ele conhece a cena musical daqui. “Sim, conheço. Desde o pessoal mais antigo, como o Nilson Chaves, quanto os contemporâneos, como Felipe Cordeiro, Aila, os meninos do Strobo, Juca Culatra e Arthur Nogueira, entre outros que fico sempre muito feliz em encontrar”, diz ele que também acrescenta. 

Nem só pelos estados e regiões brasileiras, o artista também se lança em temporadas pela Europa. Há um ano, ele estava em Lisboa, em Portugal , em Portugal. “Nestas circulações a ideia é encontrar pessoas legais, espalhar o nosso trabalho autoral, a música que a gente tem feito e, nesta perspectiva do corpo a corpo, chegar nas pessoas, na proximidade e poder estabelecer esta troca. Os projetos são muitos, principalmente continuar fazendo musica autoral, sobrevivendo aos desafios de ser artista independente no Brasil”, finaliza LG.

Serviço
Duo Luiz Gabriel Lopes e Téo Nicácio. Nesta sexta-feira, 24, às 19h, no Centro Cultural Sesc Boulevard, e no sábado, 25, a partir das 22h, na Casa do Fauno (Rua Aristides Lobo, 1061, entre Benjamin e Rui Barbosa). Entrada R$ 10,00. Reserva de mesa: 91 98705.06.09.

17.2.17

Alberto Bitar reúne obras da série "Sobre o Vazio"

Cenários esvaziados de pessoas e objetos. Ambientes preenchidos apenas pela subjetividade da imaginação, da recordação e da memória.  Estas são características de alguns trabalhos que compõem a série Sobre o Vazio, do fotógrafo paraense Alberto Bitar, vencedora do Prêmio Banco da Amazônia de Artes Visuais 2017. Abertura, dia 21, às 18h30, no Espaço Cultural do Banco da Amazônia.

A exposição vencedora vai reunir pela primeira vez no mesmo espaço as séries que a compõe: Qualquer Vazio, Todo o Vazio, Completude, sem título e Breve Vazio, constituídas ao longo de seis anos dos vinte e cinco anos da carreira do fotógrafo.   

Além das questões existenciais que rondam a obra do artista, a série também traz outro elemento quem de sua pesquisa, o dialogo entre a fotografia e o vídeo. Nelas, as imagens capturadas pela câmera fotográfica  se dilatam e se esgaçam rompendo fronteiras entre o movimento e o estático. “A partir do interesse pelo movimento apreendido na imagem fixa passei a desenvolver trabalhos com o auxilio do suporte do vídeo, mas quase sempre utilizando como base imagens estáticas. São trabalhos que nos fazem pensar nos primórdios do cinema, mas não deixam de ter em sua essência aspectos da linguagem fotográfica”.

Levado pela sensação de solidão provocada pelos vestígios de memórias deixados em ambientes como o apartamento onde viveu com a família por mais de vinte anos, Alberto Bitar mergulhou nesta busca como um caçador de lembranças. 

Primeiro, fotografando a série Todo Vazio, recolhendo imagens do lar onde teve importantes momentos da vida antes de ser repassado para outros moradores. Depois foi fotografando quartos de hotéis recém abandonados por seus hóspedes, que ele recolheu imagens para o Qualquer Vazio.

As duas séries produzidas de forma e em tempos distintos foram reunidas lado a lado em 2011 na exposição resultante do XI Prêmio Marc Ferrez de Fotografia.  Se por um lado, o apartamento revela um vazio provocado pela pessoalidade do ambiente familiar, por outro, a impessoalidade reverbera e provoca a imaginação de quem vê. “Fico pensando sobre o quão pessoal ou impessoal podem ser esses dois ambientes, aparentemente diferentes, mas que, independente do tempo de permanência dos seus habitantes, podem guardar, nas memórias dessas pessoas, lembranças e saudades de momentos importantes nas suas histórias”, explica.

Temporal - Depois de contemplados pelo XI Prêmio Marc Ferrez de Fotografia, da Fundação Nacional de Artes – Funarte, órgão nacional responsável pelo desenvolvimento de políticas públicas de fomento às artes visuais, à música, ao teatro, à dança e ao circo, a série ganhou outros elementos, com obras produzidas ao longo dos últimos anos.

Em 2010, o autor continuou a pesquisa fotografando ambientes da casa que seria sua próxima morada e registrou as possíveis memórias que ali existiam e ficcionou as que um dia poderia ter ali. Surgiu então Completude, que passou a integrar a série. Em 2013, o fotógrafo incluiu mais uma série em Sobre o Vazio. Breve Vazio retrata o cenário de fora, de uma janela, que dá conta da breve solidão deixada por alguém que não estava no lugar certo, na hora certa. Este trabalho foi selecionado pelo Arte Pará do mesmo ano.

“Sobre o Vazio foi sendo concebida aos poucos, ao longo do tempo, porém nunca foi apresentada de forma única. Por isso, essa exposição é tão importante, pela primeira vez o público poderá conhece-la de forma integral, de como foi sendo construída, como um quebra-cabeças que ganhou forma e sentido”, declara.

Serviço
Exposição: “Sobre o Vazio”, de Alberto Bitar. Abertura: dia 21 de fevereiro, às 18:30h. Visitação: de 22 de fevereiro a 7 de abril, de segunda a sexta, das 9h às 17h. Na Avenida Presidente Vargas, n°800, Espaço Cultural do Banco da Amazônia. Informações: afbitar@gmail.com / 98335-2345.

15.2.17

Carimbó do "Raiz Unidos do Paraíso" na Casa Velha

O espaço cultural Casa Velha 226 e o movimento da Campanha do Carimbó dão continuidade ao Circuito Carimbó Nosso Patrimônio. A edição nº 02 – O Carimbó da Região Metropolitana de Belém, neste sábado, 18, recebe o Grupo de Carimbó Raiz Unidos do Paraíso, de Santa Bárbara do Pará, cidade cercada de rios e igarapés a meio caminho de Mosqueiro. A programação inicia às 17h, com roda de conversa, e segue pela noite, com a apresentação do grupo. 

Por Isaac Loureiro
Campanha Carimbó Patrimônio

O Circuito é uma iniciativa que busca proporcionar valorização e visibilidade para grupos, mestres e mestras do carimbó tradicional do Pará. São artistas em sua maioria desconhecidos do grande público, mas amados e respeitados por suas comunidades, onde sustentam uma rica e diversa produção cultural independente, cultivando tradições belíssimas com muito suor e paixão, acreditando firmemente na força e validade de seu trabalho.

São alguns desses mestres e grupos, plenos de conhecimento e sabedoria, imensamente generosos no esforço de colocar em prática e compartilhar o que sabem, que estamos recebendo na Casa Velha 226, nos três primeiros sábados de fevereiro, dando continuidade e fortalecendo as iniciativas de valorização e fortalecimento do carimbó promovidas pela Campanha do Carimbó, movimento cultural protagonizado por grupos e lideranças carimbozeiras do Pará e que vem articulando todo o processo de registro e salvaguarda desse bem cultural como patrimônio imaterial nacional junto ao IPHAN, desde 2005, dizem os produtores do evento.

Mestres das comunidades urbanas do carimbó

Ílson (Foto: Yasmin Alves)
Nesta edição, a proposta é receber grupos e mestres de carimbó da Região Metropolitana de Belém, trazendo os diferentes sotaques e expressões carimbozeiras existentes e resistentes em Belém, Ananindeua e Santa Bárbara do Pará. 

São grupos e mestres que revelam as singularidades e a beleza do carimbó produzido em ambiente urbano e semi-urbano, nas periferias de grandes cidades ou em pequenas cidades próximas da capital, com trajetórias e referências diversas mas com algumas coisas em comum, como a paixão pela raiz tradicional e seu compromisso inabalável com essa tradição.

Nos dois primeiros sábados de fevereiro (04 e 11) o Circuito recebeu respectivamente o grupo Sancari, fundado no bairro da Pedreira em Belém por migrantes vindos do Marajó e do Salgado, e o grupo Amigos do Carimbó, criado no bairro de Águas Lindas em Ananindeua por mestres oriundos da região Bragantina. Agora neste terceiro sábado, dia 18, o convidado é o grupo Unidos do Paraíso, da cidade de Santa Bárbara do Pará.

Grupo surge do sonho de dois irmão

Cazuza e Ílson (Foto: Yasmin Alves)
Fundado há 19 anos pelos irmãos Ílson e Cazuza, o Grupo de Carimbó Raiz Unidos do Paraíso, como eles gostam de ser chamados, é uma expressão autêntica da tradição carimbozeira na região metropolitana de Belém. O grupo nasceu  do sonho desses dois irmãos, mestres de cultura popular, que decidiram iniciar um conjunto de carimbó na sua cidade natal.

Surgiu assim um dos grupos mais queridos do carimbó tradicional da região, com seu sotaque rural e ribeirinho, o "carimbó da água doce" como diz Mestre Cazuza, cantor e compositor do grupo.

Aglutinando outros apaixonados pelo carimbó que moram nessa cidade, os dois irmãos tornaram o Unidos do Paraíso uma experiência concreta da ideia de que o carimbó é uma só família. Em sua modesta casa, onde funciona também a sede do grupo, convivem músicos, dançarinos, jovens produtores, amigos e visitantes que sempre procuram os mestres para ouvir e aprender sobre essa tradição ancestral. E todos são sempre bem recebidos, com sorrisos e um cafezinho que nunca falta na mesa.

Aliás, os dois irmãos e mestres fundadores do grupo merecem um destaque especial. Com um sorriso sempre presente no rosto, Mestre Ílson e Mestre Cazuza são conhecidos por sua alegria e simpatia profundas, sempre prontos para festejar e compartilhar essa energia que emana pura felicidade. Recentemente celebraram a conquista do título de patrimônio cultural nacional pelo carimbó, uma vitória da qual participaram ativamente através da Campanha do Carimbó desde 2008, quando conheceram o movimento e dele nunca mais se afastaram.

Registro e participação em festivais

Mestre Cazuza (Foto: Cris Salgado)
Entre as várias ações e projetos já realizados pelo grupo, se destacam sua participação em diversos festivais de carimbó, como o Fest Rimbó (Santarém Novo) e o Pau & Corda do Carimbó (Belém), além da realização do seu próprio festival em Santa Bárbara, o Encontro das Águas, que já teve duas edições e está preparando sua versão 2017.

O grupo possui um registro sonoro feito através da parceria da Campanha do Carimbó com o Selo Mundo Melhor (SP) em 2008, e um CD artesanal gravado ao vivo no Espaço Cultural Coisas de Negro em Icoaraci (Belém) em 2015.

Por esse e outros motivos, vivenciar o som do Unidos do Paraíso é nos deixar iluminar pela generosidade, integridade e alegria do verdadeiro carimbó, aquele que nasce e cresce em nossas comunidades, nutrido pela sabedoria e ancestralidade de nossos mestres e mestras, nos fortalecendo e motivando cada vez mais nas ações de valorização e reconhecimento desse nosso patrimônio.

As atividades do Circuito serão registradas pelo Coletivo Má Fé, parceiro da iniciativa, que irá captar imagens para produzir conteúdo audiovisual sobre os grupos e mestres convidados. Esse conteúdo (mini-docs, vídeo-clipes) será disponibilizado a cada grupo e na internet.

Serviço
Roda de Conversa e Show Musical com o Grupo Unidos do Paraíso - Circuito Carimbó NOsso Patrimônio Edição Nº 02 – O Carimbó da Região Metropolitana de Belém. Na Casa Velha 226, Trav. Gurupá, nº 226, entre Dr. Malcher e Cametá, Cidade Velha. Neste sábado, 18 de fevereiro com Roda de Conversa com o grupo, a partir das 17h, e show entrando pela noite. Ingresso: R$ 5,00. informações: (91) 98395-7360 e (91) 98191-6690 / 99969-3572.