15.5.18

Theatro da Paz dá início às "Sinfonias de Inclusão"

Serão cinco encontros com a Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz. O primeiro será nesta quarta-feira, 16, das 9h às 11h, com os alunos do Instituto Felippe Smaldone, portadores de deficiência auditiva. A realização é do Governo do Pará, por meio da Secult e Academia Paraense de Música, com apoio do Banco da Amazônia.

Os participantes além de uma visita monitorada pelo teatro terão acesso ao trabalho desenvolvido pelo maestro e os músicos da orquestra. Por meio de uma metodologia de visitação inclusiva própria, o "Sinfonias de Inclusão" vai funcionar este ano como um projeto piloto que pretende estabelecer e oferecer um ambiente de musicalização e arte acessível, capaz de estimular e aguçar diferentes experiências sensoriais. “Esperamos proporcionar o usufruto do direito à cultura e a inclusão de pessoas com deficiências na programação regular do Theatro da Paz”, diz Paloma Carvalho, coordenadora de projetos do Theatro da Paz.

Os participantes terão a oportunidade de interagir com os elementos que constituem a OSTP: músicos, instrumentos musicais, sons, melodias e demais possibilidades oriundas do encontro entre visitantes e esse grupo sinfônico. O maestro conduzirá as possibilidades de interação artística junto aos expectadores, considerando as peculiaridades de cada grupo visitante. 

“É gratificante a orquestra fazer parte desse projeto e poder se apresentar para esse público. Esse é um momento emocionante tanto para nós que tocamos, quanto para eles que participam”, diz. Miguel Campos Neto, da OSTP.

O projeto prevê o atendimento a alunos com diversas deficiências e a metodologia das visitações vai variar de acordo com cada grupo. No caso dos alunos surdos haverá uma visita guiada até a sala de espetáculo, onde eles poderão apreciar a execução e movimentos da OSTP e depois subirão ao palco para sentir as vibrações dos instrumentos e até a tocar em alguns dos instrumentos. Tudo sendo acompanhado por um intérprete de Libras. 

Depois da visita dos alunos do Instituto Felippe Smaldone será a vez de receber o público de deficientes visuais, no dia 13 de junho. Os convidados serão do Instituto Álvares Azevedo, que terão uma visita muito mais descritiva além de uma maquete do teatro para que os alunos possam entender como o teatro fisicamente em sua estrutura externa. Em ambas as visitas os alunos também poderão conversar com o maestro da OSTP sobre a história e o trabalho desenvolvido pelos músicos. 
Contato direto com músicos e instrumentos da OSTP

O Instituto Felippe Smaldone participa do projeto com 25 alunos, sendo onze deles do 4º, e oito do 5º ano, além de seis alunos que são integrantes do Grupo de Teatro Cara Corpo. A visita será acompanhada também pela arte educadora do instituto, Lourdes Guedes, graduada em educação artística com habilitação em música. 

“A turma que vamos levar nesta quarta-feira, ao Theatro da Paz, vai visitar ter um tradutor intérprete, e vai também ter o contato direto com a orquestra, os músicos. Vai ser muito bom, porque aqui na escola eles já têm contato com musica, nesse ponto não será pura novidade, mas muitos deles nunca entraram em um teatro e nunca viram pessoalmente a maior parte dos instrumentos que vão conhecer neste projeto”, diz Lourdes. 

Para ela, o projeto do Theatro da Paz é de extrema importância e uma responsabilidade da instituição. “O mais interessante é que a coordenação do projeto veio até a instituição ver quem é esse público, antes de formatar as ações a serem desenvolvidas. Isso que é bom, pois não vão só abrir as portas esperando que esse público chegue até lá, vieram saber mais das especificidades e de como eles poderiam receber estas informações no teatro”, diz Lourdes.

Ela diz que os surdos não têm tido acesso às questões culturais nem em Belém e nem no resto do país. “Não há acessibilidade pois tudo acontece na língua oral e a língua deles é a de sinais”, explica. “Há uma lei sobre os espaços públicos disponibilizarem esses acessos, mas isso ainda é muito raro”, complementa. 

Para a educadora, o que temos hoje em acessibilidade à arte ainda é pontual. Pensar nos direitos e igualdade social e cultural exige trabalho e empenho de instituições e artistas. “As pessoas ficam nos seus afazeres artísticos e culturais de forma tradicional, seja por desinteresse ou desconhecimento de como receber e fazer um espetáculo que vai ter um surdo ou mudo na plateia. Isso dificulta fazer esses espetáculos com acessibilidade. Então quando o Theatro da Paz abre essa oportunidade, é de uma importância enorme”, conclui.

Sobre o Instituto Felippe Smaldone

O Instituto Felippe Smaldone é uma entidade filantrópica, sem fins lucrativos, cuja renda advém de doações de terceiros e convênios com órgãos públicos: SEDUC E SESPA para cessão de funcionários e FUNPAPA para repasse de recursos do Fundo Nacional de Assistência Social especificamente usado na reabilitação da linguagem. A entidade é especializada no atendimento as crianças portadoras de deficiência auditiva severa e profunda, que precisam de cuidados educativos pelo seu desenvolvimento social, psicológico cognitivo, afetivo e escolar.

O Instituto foi fundado e é mantido pelas Irmãs Salesianas dos Sagrados Corações, uma Congregação Religiosa de origem Italiana, fundada no fim do século passado pelo Sacerdote napolitano Bem Aventurado Filippo Smaldone, que além de oferecer a sua vida a serviço da educação e evangelização do jovem surdo da Itália meridional, quis fundar uma Congregação de mulheres Consagradas a esta Missão.

Serviço
Projeto Sinfonias de Inclusão. Nesta quarta-feira, dia 16 de maio, com alunos surdos do Instituto Felippe Smaldone. Das 9h às 11h, no Theatro da Paz -  Rua da Paz, sem número, Campina, Belém/Pará. Telefone: (91) 4009-8750.

Cia do Tocantins traz espetáculo e oficina a Belém

O Artpalco traz duas apresentações do espetáculo “Outra História de Francisco” e ministra uma oficina em Belém, tudo nesta sexta-feira, 18 de maio, mas em espaços diferentes. 

As sessões do espetáculo serão no Teatro Cláudio Barradas, às 16h para público de escolas públicas, ongs e alunos de teatro, e às 18h, com ingressos a R$ 20,00 e R$ 10,00, a meia entrada. A oficina é de contação de história e será realizada no Casarão dos Boneco, com entrada gratuita.

Através de uma trupe de palhaços, a peça traz uma versão bem humorada da história de São Francisco de Assis ainda criança, que junto com seus amigos recebe a missão de proteger os animais. O espetáculo faz uma viagem pelo universo da cultura popular, levando para a cena personagens como Bumba Meu Boi, Ema, Homem da Cobra, entre outros.

"Já estivemos em Belém em 2015 e 2016 com outro espetáculo infantil, a Poção do Amor. O público foi muito receptivo, a apresentação foi maravilhosa Estamos ansiosos para voltar à cidade e o público pode esperar uma apresentação ainda melhor, para rir, se emocionar e se divertir”, afirma o diretor Luiz Navarro.

A peça une elementos como música, na interpretação dos pernambucanos Nice Albano e Zé Caetano, dança e teatro, com um elenco de oito atores. “É um musical infantil, que aborda uma tarde na infância do menino Francisco, aquele que futuramente se tornaria um dos maiores exemplos de amor da humanidade: Francisco de Assis”, adianta Navarro.

O Grupo Artpalco nasceu na cidade de Uberlândia (MG), mas adotou o Tocantins como atual estado de residência, na cidade de Araguaína. Diversas produções do grupo já garantiram pelo Brasil afora recordes de público e bilheteria. O grupo possui também um teatro de bolso na cidade e uma escola de teatro. No repertório do grupo há mais de 15 montagens, entre elas “Adolescência”, “Apocalipse – Entre o bem e o mal”, “A Poção do Amor”, “Divas Insanas”, “A namorada dos três porquinhos”, “Geringonça”, ” E se a gente se conhecesse outra vez” e “Casos Insanos”.

Oficina - Além do espetáculo, o grupo Artpalco também irá ofertar a oficina gratuita de contação de histórias “Te contei ?”, que ganha espaço no Casarão dos Bonecos (Rua 16 de novembro, n. 815). Na sexta-feira de manhã, de  9h30 ao meio dia. Com número de vagas limitadas. Para se inscrever é necessário ligar ou enviar uma msg via whatsapp para o número 981777504. As inscrições são gratuitas.

Ficha Ténica
Texto e Direção: Luiz Navarro
Elenco: Eilson J. Ramos, George Henrique, Iramar Cardoso, Paulo Egídio e Tatiane Breve
Músicos: Nice Albano e Zé Caetano
Direção Musical e Trilha Sonora: Nice Albano e Zé Caetano
Iluminação: Luiz Navarro
Coreografias: Janep Coelho
Cenografia: Thiago Araújo
Figurinos: Síntia Alves
Maquiagem: Luiz Navarro
Fotos: Vinícius Cantuares e Pablo Xuxa
Design Gráfico: Will Belchior
Produção Executiva: Cinthia Abreu
Coordenação Geral: George Henrique

Serviço
"Outra história de Francisco", Artpalco (TO) . Nesta sexta-feira, 18h, com sessões às 16h (especial) e 18h, com venda de ingressos R$ 20,00 (meia R$ 10,00). Patrocínio Atacadão Supermercados, através da Lei Rouanet do Ministério da Cultura, com apoio da Secretaria de Cultura de Aracaju.

11.5.18

Márcio Jardim faz show memorável no Schivasappa

Fotos do blog e contribuições de Reginaldo Santos
A força da ancestralidade do tambor, dizem, é capaz de fazer chover, para lavar a alma. Aqueles que sabem disso não se deixaram vencer pela chuva que caiu torrencialmente sobre Belém, na última quarta-feira, 09 de maio. E quem conseguiu chegar ao Teatro Margarida Schivasappa do Centur, não se arrependeu. 

O Show “Conexão Amazônia - Márcio Jardim e Convidados”, projeto contemplado pelo edital Pauta Livre - Programa Seiva - da Fundação Cultural do Pará, superou as expectativas. Foi um espetáculo de percussão, precisão e muitos encontros no palco. Tudo isso por culpa de Márcio Jardim que tem em mais de dua décadas ao longo de sua trajetória vem se conectando e originando inúmeros projetos no campo da percussão.

“Posso contar esses 20 anos de uma carreira profissional, mas na verdade eu já tocava desde muito antes”, relembra ele, que foi criado nas rodas de samba em sua casa, e as que ele frequentava no bairro da Pedreira, onde mora até hoje, local que se tornou referência de ensino de música, com o projeto que ele desenvolve, batizado de Jardim Percussivo. Tudo isso tendo o apoio incondicional Dona Socorro, que também fez uma participação inesquecível nesta noite de quarta-feira.

Márcio Jardim sempre se viu rodeado por muita gente, músicos, artistas da música, o que não passou despercebido no “Conexão Amazônia”, trazendo a participação do grupo Tamboiara, Jardim Percussivo, Trio Manari e Jacinto Kahwage. Isso já seria o suficiente para o show, construído meses antes, mas não foi assim, isso não bastou. 

Davi Amorim, Sebastião Tapajós, Igor  Capela nos bastidores
Em mais um registro de Reginaldo Santos da Conceição.
Ao longo da semana que antecedeu a apresentação, outras participações surgiram e os bastidores do projeto no dia do espetáculo se tornou um show à parte. As atrações extras foram chegando. Desde o início da tarde, Manoel Cordeiro e Felipe Cordeiro já estavam lá. O contrabaixista Minni Paulo Medeiros deu o ar da graça para cumprimentar Márcio Jardim, assim como o guitarrista Davi Amorim.

E teve mais, os percussionistas Arythanan Figueiredo, Douglas Dias, João Paulo Pires, Bruno Mendes, além de Wilson Monteiro, foram chegando um a um e, de repente, quase todos estavam passando o som para se apresentar a menos de duas horas depois. Já anoitecendo, chegaram serelepes e de baixo de uma chuva ainda fina, os violonistas Sebastião Tapajós e Igor Capela.

Márcio Jardim é assim e quem chega perto logo compreende sua maior grandeza, o jeito simples, além do talento inegável. No palco, uma grande festa percussiva, encontro de gerações, com mestres e jovens músicos que já despontam no cenário da música paraense. 

Show trouxe músicas inéditas e muitos encontros

Jacinto Kahwage, Márcio e Jardim Percussivo abrem o show
O show abriu com Márcio Jardim e Jacinto Kahwage, que apresentaram as composições “Lundu” e “Marabaixo”, do ainda inédito CD de ritmos amazônicos, feito com percussões, teclados e sintetizadores. Em breve um novo show será realizado para lançar o álbum. No palco, além de Márcio e Jacinto, entraram ainda Marcelino Santos, Tamara Aviz e Lucas Magalhães nas percussões. Crias do Márcio, pelo projeto Jardim Percussivo.

Em seguida entram Nazaco Gomes e Kleber Benigno “Paturi”, que junto a Márcio Jardim retomam o Trio Manari. No palco, eles se olham e tocam “Luanda” e “Dançando no Rio”, composições que estão no disco mais recente e no primeiro disco, respectivamente, gravados pelo grupo. Também aparecem na cena Wesley Jardim (baixo) e William Jardim (guitarra), filhos de Márcio e integrantes do grupo Jardim Percussivo, projeto que vem potencializando uma novíssima geração de músicos paraenses. 

Márcio, Nazaco e Paturi vibraram num encontro que remeteu há anos de trabalho e pesquisa realizados sobre ritmos amazônicos e confecção de instrumentos de percussão com o DNA da Amazônia. O grupo, projetado internacionalmente, é responsável por inúmeras participações dos três em festivais nacionais e internacionais. A partir do Manari, Márcio Jardim gravou em mais de cem discos, transitando nos estúdios e palcos, com diversos compositores. O Trio Manari é hoje uma referência da Percussão amazônica não só no Brasil, mas no mundo.

Tamboiara, a força feminina no tambor e na voz
Na plateia, um público aquecido e formado por gente importante nesta cena musical, vendo tudo isso, como o maestro Nelson Neves, regente da Amazônia Jazz Band, da Fundação Carlos Gomes, e outro maestro, Vanildo Monteiro, que coordenou nos anos 1990, o projeto Percussão Brasil, onde originaram os estudos que resultaram na criação do Trio Manari. 

Depois desse reencontro, o show retorna ao trabalho inédito de Márcio e Jacinto, que tocam “Mazurca”, acompanhados de Marcelino, Tamara e Lucas. A seguir, a apresentação cresce e chega a “Maré Alta”, música na qual entram os demais integrantes do Jardim Percussivo, Katarina Chaves e Gabriel Gomes, que tocam ainda “Jardim dos Pássaros”, parceria de Márcio e Luiz Pardal, ambas gravadas no primeiro CD do grupo, lançado em dezembro de 2017, com um grande show no Teatro do Sesi.

Toda a energia e emoções já estão à flor da pele. Na plateia, o público já estava se dando por satisfeito quando fecha esse set e entra na cena nada menos que Sebastião Tapajós e Igor Capela. A participação deles foi definida um dia antes com um telefonema do próprio Sebastião, dizendo que tinha acabado de chegar a Belém e queria participar do show. 

No palco, Sebastião Tapajós e Igora Capela, no registro de 
Reginaldo Santos da Conceição.
O violonista, reconhecido mundialmente, entra no palco e pede o microfone. “Eu quero dizer a vocês que o Márcio é um dos maiores percussionistas do mundo e é meu amigo”. Aplausos da plateia. Tocaram “Aos da guitarrada”, tendo no baixo Wesley Jardim. 

Ao final, Márcio também pegou o microfone, agradeceu e disse: “Eu não podia deixar ele de fora”. Aplausos. Os dois mantém uma relação de amizade e realizações profissionais que já são de longa data. Acompanhando Sebastião Tapajós em shows, Márcio também já produziu dois discos do violonista. As parcerias entre eles seguem a todo vapor.

Sebastião Tapajós e Igor Capela se despedem e entram no palco as nove integrantes do Tamboiara, a força feminina nos tambores desse show. Abrem com “Roda de Batuque” e cantam “Linda Flor do Luar”. O grupo acaba de gravar um EP, produzido por Márcio e em breve terá lançamento. Outro show que de certo será imperdível. As meninas arrebatam o público e saem de cena. 

Indo para o final do show, sozinho no palco, Márcio Jardim, com seu instrumento de escolha e especialidade no universo da percussão, o Pandeiro, chama os amigos percussionistas, Bruno Mendes, Wilson Monteiro (cuíca), Arythanan Figueiredo, João Paulo Pires e Douglas Dias. Com exceção de Arythanã, da velha guarda, os demais fazem parte de uma geração que desponta na cena após a grande explosão do Trio Manari e que agora é sucedida pelos meninos e meninas do Jardim Percussivo. 

Márcio Jardim, com pandeiro, um show a parte
Os músicos atendem o chamado do pandeiro de Márcio e entram em fila, tocando cada um o seu pandeiro, além da cuíca de Wilson. “Essa é uma geração de ouro. E quero chamar agora a rainha do Samba, dona Socorro”, diz Márcio se referindo a sua mãe, que sempre organizava as rodas de samba das quais ele, ainda menino, participava em casa. 

E ela entoa... “Quando eu não puder pisar mais na avenida... Não deixa samba morrer...”, e segue com muitos batuques. Dona Socorro com destreza canta e dança rodeada por todos os músicos participantes do show. Neste momento, todos os convidados são chamados de volta ao palco. 

Dona Socorro manda um novo batuque e em seguida, Márcio chama mais uma participação inusitada, o guitarrista Manoel Cordeiro, que ocupa o seu lugar no palco. Segue o show e todos finalizam com “Pretinhos do Mangue”, single do Jardim Percussivo lançado no carnaval de Cametá deste ano. A festa foi potente e a ideia é que tenha desdobramentos. “Isso aqui é o início de um projeto de um encontro de percussão que estamos pensando em realizar ano que vem”, anunciou Márcio Jardim. Evoé! 

Dona Socorro comanda a roda de batuque
O “Conexão Amazônia” foi idealizado para trazer à tona as parcerias e encontros musicais de Márcio Jardim ao longo de seus 20 anos de trajetória durante o ano de 2018. Tem produção minha (Luciana Medeiros), com direção musical do Márcio Jardim e direção artística de Carlos Canhão, que além de produtor, é músico percussionista. 

Tivemos na equipe, profissionais de peso na técnica de som, Silvio Amorim e Sérgio Brito, a quem agradecemos todo o carinho e atenção, e no desenho de luz, o artista visual Cláudio Castro. No palco contamos com Paulo Henrique. A realização desse primeiro espetáculo foi da Central de Produção Cinema e Vídeo na Amazônia, com apoio do Edital Pauta Livre, Cultura Rede de Comunicação, Guiart, UEPA, Na Figueredo, Promusic e Comunicação do Holofote Virtual. Agradecimentos especiais ao Teatro Margarida Schivasappa, em espacial à direção de Cláudia Pinheiro e toda a equipe que nos recebeu.

8.5.18

A Amazônia através das artes chegando a Belém

Vai começar a programação do Sesc Amazônia das Artes. A partir desta sexta-feira,11, se ligue na programação que traz música, cinema, teatro, dança, circo, literatura, artes visuais, intervenção urbana e oficinas, vindos do Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins, tendo o Piauí como convidado, devido à sua proximidade geográfica e identificação sociocultural. 

Em sua 11ª edição, o projeto se consolida como uma das mais importantes iniciativas de circulação de manifestações artísticas fora dos grandes centros urbanos. 

O projeto acontece simultaneamente em dez Estados até o fim do ano, com objetivo de provocar um intercâmbio de experiências e troca de informações sobre as manifestações artísticas de grande parte do Brasil. Em Belém, o Amazônia das Artes inicia nesta sexta-feira, 11,  às 09h, com a intervernção urbana (IN)Visibilidade, de Rafael Barros, iniciando em frente à Loja Paris N'América, no Comércio. 

A proposta performativa engendra reflexão sobre as trans-identidades em vias públicas em uma combinação de vários elementos durante o seu ato. O espaço físico rege o trabalho. Pensada para espaços alternativos gera observação durante sua passagem e caminhada com as constantes intercalações entre os figurinos (ditos) masculinos e femininos, e complementando a fotografia com as ocasiões e interrupções que o próprio palco urbano vai propor. Classificação Livre.

No dia seguinte (12), às 18h, começam as apresentações no Sesc Boulevard, tem o espetáculo de teatro “Alice”, do Grupo Faces Jovem (MT), com classificação 14 anos. Na peça,  Alice não se vê como Fernando e quando começa a ir com roupas com as quais se identifica para Escola, sofre violência de alguns alunos e descaso dos professores que não podem e não querem discutir gênero. Entre as descobertas da adolescência e das fronteiras de seu próprio corpo, Alice luta pelo direito de ser feliz. A classificação é 14 anos.

Em seguida, no domingo (13), às 11h, tem o Coletivo Cartase, do Pará, com o espetáculo “(D)elas” é o convidado da mostra. A Classificação é 18 anos. A ação mostra a realidade e as dificuldades de ser Drag. Na peça, nove drag queens mantêm uma rotina de apresentações, porém já não possuem recursos suficientes para manter seu espetáculo, que é de onde tiram seu sustento. Com essas dificuldades, a união precisa prevalecer para que consigam manter seu emprego, seus sonhos e sua arte.  

Aliado a isso, a luta diária contra o preconceito, por conta da sua arte, seu gênero ou sexualidade: uma realidade enfrentada por essas personagens. O elenco é composto por artistas com larga experiência na cena paraense. (D) elas é um espetáculo para divulgar e enaltecer que arte não tem gênero.Classificação 18 anos.  OBS: Não será permitida a entrada de menores de idade, mesmo que acompanhado por responsável.

Na semana que vem, a programação começa na terça-feira, 15, às 19h, com o espetáculo- "Olhai Por Nós", da Lamira Artes Cênicas (TO). Classificação: 10 anos. Na sexta, 18, às 19h, será a apresentação do espetáculo "Mulher Do Fim Do Mundo", da Companhia Casa Circo (AP). Classificação: 16 anos. E no sábado, 19, às 19h, tem o espetáculo "Oração Para Um Pé De Chinelo", com Cia. Tanto De Lá Quanto De Cá (AC). Classificação: 12 anos. 

O Sesc Amazônia das Artes segue em agosto e outubro com espetáculos dos estados de Amazonas, Maranhão, Pará e Piauí. Em 2018, dos 14 trabalhos artísticos envolvidos, 11 estão circulando em 10 cidades e 10 Estados. Dentre os trabalhos selecionados, estão 10 mostras de cinema com a exibição de 05 filmes selecionados pela curadoria e mais 02 filmes de produção local. Além disso, o projeto conta com 18 oficinas, 13 intercâmbios, 08 conexões e 01 Fórum de Cinema que possibilitará 33.255 produções.

Depois de maio:

Agosto
04/08 - Espetáculo “Manauara em Extinção”, por Jander Manauara (AM)
05/08 – Espetáculo “Visões de Lampião”, por  Chico Nó e Zé Paulo (MA)
11/08 – Espetáculo ‘”ATENAS: MUTUCAS, BOI E BODY”, por Santa Ignorância Cia De Artes (MA)
16/08 – Espetáculo “ORIGEM”, de Waldiney Machado (PA)

Outubro
04/10 a 09/11 -Exposição “Persepções”, de Gabriel Arcanjo (PI)

Serviço
Mostra Sesc Amazônia das Artes.  No Centro Cultural Sesc Boulevard (Boulevard Castilho França, 522/523 - em frente à Estação das Docas). Informações: (91) 3224-5654 (Centro Cultural Sesc Boulevard). Confira a programação mais detalhada, no site do SESC Pará.

7.5.18

Márcio Jardim em show percussivo no Schivasappa

“Conexão Amazônia - Márcio Jardim e Convidados” estreia nesta quarta-feira, 09 de maio, às 20h, no Teatro Margarida Schivasappa - CENTUR. O projeto contemplado pelo Edital SEIVA Pauta Livre, da Fundação Cultural do Pará, traz ao palco parcerias e trabalhos desenvolvidos pelo percussionistas em 20 anos de trajetória. Ingressos antecipados (R$ 20,00) no Núcleo de Conexões Na Figueredo.

No palco a diversidade da música afro amazônica, paraense  e universal. “Espero que todos compareçam e gostem dessa mistura toda que vai rolar no palco”, diz Márcio Jardim que receberá, por exemplo, Kleber Benigno e Nazaco Gomes, celebrando as parcerias do Trio Manari. 

Também entram no palco os grupos Tamboiara, formado só por mulheres, e Jardim Percussivo, que traz jovens talentosos percussionistas, além de Jacinto Kahwage, instrumentista e arranjador. A banda base conta ainda com Edgar Matos, no teclado, e Wesley Jardim (baixo) e William Jardim (guitarra), também jovens músicos que despontam na cena musical amazônica. “O público pode esperar um show muito intenso, em todos os sentidos, mas principalmente nas percussões”. 

O Trio Manari traz forte a percussão, com tendências do Brasil e do mundo. “O grupo faz releituras das percussões no mundo misturadas as da Amazônia”, explica Márcio. Reconhecidos no meio artístico paraense, os três percussionistas iniciaram um trabalho no ano 2000 com o intuito de pesquisar os ritmos amazônicos para compor arranjos percussivos, dando uma linguagem universal a seus trabalhos. 

Marcio, Nazaco e Kleber Benigno (Paturi) saíram do Curso de Percussão do Conservatório Carlos Gomes, principal escola de musica do Pará, e passaram a realizar um trabalho pioneiro de mapeamento, documentação e recriação artística. Juntos realizaram uma série de oficinas de percussão que integram teoria musical e manipulação de instrumentos para jovens e adultos em vários projetos locais, nacionais e internacionais. Ao longo da trajetória, o Trio Manari se afirmou como referência na música brasileira, no campo da pesquisa e da execução percussiva com características amazônicas, o que lhes rendeu muitos trabalhos dentre os quais turnês por nosso país e pela Europa e EUA.

Entre tambores, teclados e sintetizadores

Tamboiara (Foto: Divulgação)
O Tamboiara é um grupo feminino de carimbó. “Estou produzindo”, diz Márcio Jardim. “Estamos terminando de gravar um EP e logo vamos lançar”, diz o músico que dá aulas às meninas do grupo. “Temos quase a mesma idade, mas virei professor delas”, comenta. 

O coletivo reúne mulheres instrumentistas e vocais de diversos projetos da capital paraense, como “Flôr D’Tambor” e “Mãos D’Mulher”, do espaço Cultural Etnias, além do Arraial do Pavulagem, Cabloco Muderno, Tambor e Corda, Orquestra de Choro do Pará, “Pará Caribe”.

A formação atual é composta por nove mulheres com direção musical do produtor e músico Márcio Jardim. O “Tamboiara” trabalha na perspectiva de constituir uma sonoridade brasileira amazônica, que tem como objetivo o estudo e pesquisa dos ritmos amazônicos, como o carimbó, Lundu, Quadrilha, Retumbão, Batuque e Marabaixo. Ritmos que estarão presentes no primeiro EP autoral do grupo.

Márcio também é professor dos jovens que integram o Jardim Percussivo, e que já circula fazendo participações e shows próprios, em Belém. "São ao todo uns 12 integrantes e acabamos de lançar o primeiro CD, com composições minhas", ressalta Márcio.

Márcio com o Jardim Percussivo (Foto: Cláudio Ferreira)
“O grupo faz parte de um projeto social de ensino de música, que desenvolvo no estúdio montado no quintal da minha casa no bairro da Pedreira”, continua  o percussionista. Nesta apresentação, o Jardim Percussivo estará representado por Jonielson Lopes, Lucas Magalhães, Tâmara Aviz, Marcelino Santos, Katarina Chaves, Gabriel Gomes.

A relação de amizade e parceria musical com Jacinto Kahwage é a mais antiga. “O conheço desde garoto, quando comecei a gravar no Midas (estúdio)”, lembra o músico que não esquece o apoio recebido de Jacinto e Luis Pardal, sócios no Midas Amazon Studio. 

“O que vou mostrar nesse show com ele, é um trabalho de percussão amazônica com teclados eletrônicos”, avisa. Além disso, o show vai apresentar Dona Socorro. “É minha mãe. Ela adora samba e vai fazer uma participação no final. William e Wesley são meus filhos e me acompanham na guitarra e baixo, além de Edgar Matos, no teclado, minha banda base”, declara. Na concepção de Márcio Jardim o primeiro “Conexão Amazônia” será um mini encontro de percussão. A direção musical é do próprio, com direção artística do percussionista Carlos Canhão Brito. 

Pandeiro e samba no inicio de sua formação

Foto: Cláudio Ferreira
Nascido em família de músicos, começou seu contato com a percussão muito cedo através de rodas de samba em sua casa, seu primeiro palco. Iniciou seus estudos no conservatório "Carlos Gomes", na turma de percussão clássica e logo tornou membro do grupo de percussão da instituição. 

Passando a se dedicar na música, seu instrumento de escolha foi o pandeiro. Junto a Kleber Benigno e Nazaco Gomes iniciou um grupo de estudo, do qual surgiu o Trio Manari onde passaram a ser reconhecidos não somente no estado do Pará como também no Brasil e no Mundo, protagonizando uma longa história musical. 

Admirado pelo vasto conhecimento nos ritmos da Amazônia e África, Márcio conta nesta sua trajetória com participação em mais de 120 discos, além de marcar presença em DVDs, shows e apresentações em todo o Brasil e alguns países da Europa e Américas.

Tem participação em gravações dos CDs de Lia Sophia, Patrícia Bastos, Nilson Chaves, Andréa Pinheiro, e do próprio Sebastião Tapajós, que ele acompanha constantemente nos shows, fazendo ainda a direção de 02 CDs do violonista (Aos da Guitarrada e Da Lapa ao Mascote). Já tocou com Fafá de Belém, Dante Ozete, Pepeu Gomes, Paulinho Moska, Celso Viáfora, Mestre Solano entre muitos outros.

Participou também de grandes eventos musicais como o Brazilian Day, Festival de Jazz da Guiana Francesa, Festival de Jazz da Alemanha, Percussive Arts Society International Convention e recentemente do Brazil Summerfest com a cantora Lia Sophia em New York.

Foto: Cláudio Ferreira
Percebe-se que em 20 anos não foram poucas as suas parcerias e Márcio gostaria de ir de show em show reunindo todas elas. “Eu comecei a tocar muito novo e por isso tenho diversas parcerias, muitos amigos. 

Não dá pra reunir todos num único show e que nesse primeiro momento, é mais voltado para a percussão. Mas no segundo semestre tenho vontade de fazer outro, reunindo os mestres Sebastião Tapajós e Solano, por exemplo, nomes já consagrados, e com os quais tenho também ligações, tocando e gravando discos”, finaliza.

Ficha Técnica
Direção Musical: Márcio Jardim
Direção Artística: Carlos “Canhão” 
Produção: Luciana Medeiros e Carlos “Canhão” 
Técnico de Pa: Silvio Amorim;
Técnico de Monitor: Sérgio Brito, 
Iluminação: Cláudio Castro; 
Roadie: Paulo Henrique

Músicos
Márcio Jardim - Percussão
Wesley Jarim – Contrabaixo
William Jardim – Guitarra
Edgar Matos - Teclados

Convidados
Jacinto Kahwage - Midas Amazon Studio 
Trio Manari: Nazaco Gomes – Percussão e Kleber Benigno - Percussão
Tamboiara: Simone Viana - curimbó/backing vocal; Tâmara Aviz - curimbó/backing vocal; Néia Silva - curimbó; Roberta Evi - banjo; Ana Terra - matraca; Antônia Costeseque - maracas; Ludimila Maia - reco; Verena Brito - flauta; Luana Alves - vocal;
Jardim Percussivo: Jonielson Lopes, Lucas Magalhães, Tâmara Aviz, Marcelino Santos, Katarina Chaves, Gabriel Gomes.

Serviço
Conexão Amazônia - Márcio Jardim e Convidados. Nesta quarta-feira, 9, no Teatro Margarida Schivasappa do Centur. Ingressos: R$ 20,00 e R$ 10,00 (meia), antecipados no Núcleo de Conexões Ná Figueredo - Av. Gentil, com Benjamin Constant. Na bilheteria do teatro, no dia da apresentação, a partir das 19h.  Realização Central de Produção e Blog Holofote Virtual. Apoio: Pro Music, Midas Amazon Studio, UEPA, GUIART e Cultura Rede de Comunicação, Núcleo de Conexões Na Figueredo. 



Curta "Ventre" discute a maternidade compulsória

“Ventre” estreou no dia 27 de janeiro, no Rio, e agora segue Brasil afora para a segunda exibição pública, em Belém (PA). A estreia do filme na capital paraense será no Cine Olympia, no dia 17, com debate, a partir das 17h. Nos dias 18 (sexta), 19 (sábado) e 20 de maio (domingo) haverá apenas a exibição  às 18h. Entrada franca.

O curta-metragem de 14 minutos fala sobre maternidade compulsória. Produzido entre junho de 2017 e janeiro de 2018 na Escola de Cinema Darcy Ribeiro, no Rio de Janeiro (RJ), discute a maternidade compulsória e direitos das mulheres. 

O debate também abordará o processo de criação do curta-metragem, tendo como participantes de Fábio Limah (diretor) e Kelly Tiburcio (protagonista). Também participam a Prof.ª Dr.ª Luanna Tomaz (ICJ/UFPA, especialista em gênero), a Prof.ª Dr.ª Bene Martins (ICA/UFPA, especialista em dramaturgia) e Marco Antonio Moreira (crítico de cinema).

“Ventre” foi dirigido pelo paraense Fábio Limah, radicado no Rio de Janeiro desde 2016. Ator, formado pela Escola de Teatro e Dança da Universidade Federal do Pará (2010), e mestre em Artes, pelo Programa de Pós-Graduação em Artes da UFPA (2014), Fábio é um dos fundadores do grupo de teatro “Os Varisteiros”, que, entre 2012 e 2014, apresentou na capital paraense espetáculos como “No Trono” e “Animalismo”. Estuda cinema na Escola Darcy Ribeiro desde junho de 2017, no Curso Intensivo de Formação em Realização Audiovisual, voltado para pessoas que não possuem condições financeiras de arcar com os custos de um curso regular da Escola.

A Escola de Cinema Darcy Ribeiro, localizada na cidade do Rio de Janeiro (RJ) e vinculada ao Instituto Brasileiro do Audiovisual (IBAV), criado em 1998 para fortalecimento e desenvolvimento do setor audiovisual no Brasil pelo ensino, pesquisa e formação profissional. A Escola foi criada em 2002, com a abertura de cursos regulares de Direção, Roteiro, Montagem e Produção Audiovisual. Nesses 16 anos, já formou mais de nove mil cineastas. É dirigida por Irene Ferraz e foi batizada em homenagem ao intelectual, antropólogo e político que inovou as estruturas de ensino no Brasil, Darcy Ribeiro.

Serviço
Ventre estreia no dia 17 de maio, às 17h, com debate após a exibição. Nos dias 18 (sexta), 19 (sábado) e 20 de maio (domingo) haverá apenas a exibição às 18h. Entrada franca.O Cine Olympia fica em Belém, na Av. Presidente Vargas em frente a Praça da República.

(texto enviado pela assessoria de imprensa do curta metragem)

5.5.18

3 meses depois algo de bom no reino da guitarrada

Barcarena é festa para o lançamento do projeto “Filhos do Mestre”, neste sábado, 5, no Espaço Amazon Fest. Em memória a Mestre Vieira, falecido dia 2 de fevereiro, o show produzido pelos filhos conta com Mestre Curica, Ginno da Guitarra, Mestre Solano, Os Dinâmicos - Raízes da Guitarrada e do músico Bruno Rabelo.

A iniciativa que busca manter viva a memória de um artista cuja importância extrapola as fronteiras do país, é a ponta de um fenômeno de afeto e respeito conquistados por Mestre Vieira ao longo de sua jornada aqui na terra. Desde que ele partiu para as estrelas, que vários músicos da cidade têm olhado de forma mais apaixonada pela guitarrada. Não é só uma impressão. 

Talvez seja uma forma de lembrar Joaquim de Lima Vieira, uma maneira de não deixar que se apague sua memória e dessa cultura musical ser repassada às novas gerações. Além disso, surgem conversas de se abrir uma escola de música de guitarrada, esforços em ajeitar a casa memorial que abriga o quarto de Mestre Vieira, com suas medalhas, guitarras, blusas de shows históricos, para receber o público. 

São todas ideias que valem à pena e são de uma coerência atroz quando se fala em preservar a memória de um mestre de nossa cultura, o criador da guitarrada em sua própria cidade. São iniciativas para se cultuar e reconhecer um patrimônio cultural imaterial. Barcarena, sendo o berço de Vieira, deveria dar esse exemplo, onde mais seria melhor para existir um Museu da Guitarrada, se não na cidade em que viveu o mestre, onde está sua casa, que também precisa ser preservada?

Mestre Vieira (1934 - 2018) deixou um legado musical de reconhecida importância para a cultura brasileira. Iniciou muito jovem, gravou vários LPs, viu a lambada se internacionalizar, nos anos 1990, e voltou a tona, uma década depois, mostrando novamente ao mundo seu talento e inventividade. Em 2008 ele já havia recebido a Medalha de Honra ao Mérito da Cultura Brasileira, representando o grupo Mestres da Guitarrada, ali já um reconhecimento a ele como o criador do ritmo. 

Mais recentemente, estivemos em Niterói, no Rio de Janeiro, para receber mais uma premiação nacional, uma placa da FUNARTE e UFF, reconhecendo a ele a criação do ritmo e sua importância para a cultura brasileira. Levamos uma apresentação simbólica do grupo "Os Folhos do Mestre", com apenas Waldecir e Wilson, que se apresentaram acompanhando um áudio do próprio Mestre Vieira tocando músicas como Loirinha, Guitarrada Magnética, Guitarreiro do Mundo e Lambada das Quebradas, já anunciando os 40 anos do primeiro disco gravado por Vieira e Seu Conjunto e lançado em 1978.

Filhos do Mestre reúnem amigos e admiradores da guitarrada

A ideia de criar Os Filhos do Mestre surgiu quando o Vieira ainda estava vivo, em 2017. Trazendo a obra do guitarrista à tona, tem como objetivo manter as sonoridades originais mescladas a releituras. Trazendo a obra do guitarrista à tona, mantendo sonoridades originais mescladas a releituras.  Além de Wilson (teclado) e  Waldecir Vieira (baterista),  o grupo conta mais um irmão na percussão, Waldir Vieira, além dos guitarristas de Barcarena, Dhiosy Marques, que aprendeu guitarrada ouvindo Vieira e Seu Conjunto, e Rodrigo Magno, de apenas 16 anos, seguidor do Mestre, com quem ainda teve oportunidade de tocar e aprender muito. O baixo foi assumido por mais um músico de Barcarena, Leidyson Silva.

O projeto teve pré-lançamento em Belém na II Feira Livre de Arte e Cultura do Fundação Cultural do Pará - CENTUR, em março, e agora se afirma na terra de Mestre Vieira, onde o lançamento começou a ser divulgado pelas redes sociais, mas também com carro som na rua, faixas pela cidade e está sendo divulgando pessoalmente pelos filhos músicos. "Levamos convite em mãos para algumas pessoas, os que gostavam do papai. Então está sendo tudo bem aceito e encaminhado, em cima de nossas expectativas", me conta Wilson Vieira.

O show traz participação de Mestres Solano e Curica, dois grandes amigos e parceiros de Mestre Vieira. Também estarão presentes Os Dinâmicos, que reúne Lauro Honório, Dejacir Magno e Luis Poça, músicos que tocaram com Mestre Vieira e gravaram LPs nas décadas 19080, além de Cassiano Neto (baixo), Jairo Rocha (bateria), Waldo Possa (voz) e Bob (percussão). O grupo cresceu e agora, além de Dinâmicos, também leva no nome Raízes da Guitarrada.

Tocam de Vieira, e mandam pesado na cúmbia, merengue e lambada, que nada mais são ritmos que entremeiam a própria guitarrada. Outra participação especial é de Ginno da Guitarra, projeto de Idalgino Cabral, músico que gravou alguns LPs, com Mesre Vieira, e também chegou a integrar o projeto Mestre Vieira e Os Dinâmicos, entre 2011 e 2012. Ele acaba de gravar o primeiro CD, se lançando guitarrista, e homenageando Vieira. É obra de discípulo para mestre.

Bruno Rabelo também leva sua guitarra para esta homenagem. Ele, além de pesquisar guitarrada, também tocou na banda Cravo Carbono com Pio Lobato que estava descobrindo o ritmo e se unindo a Mestre Vieira para uma jornada com Os Mestre da guitarrada. Bruno Rabelo convidado a participar do projeto Mestre Vieira e Seu Conjunto Musical, em 2015, viajou conosco a Recife e fez turnê de lançamento de Guitarreiro do Mundo, último CD lançado por Vieira. 

O show traz produção e direção musical de Waldecir Vieira e Wilson Vieira. "Nos organizamos para fazer um lindo lançamento do projeto Os Filhos do Mestre. Para realizar a festa contamos com algumas parcerias. A secretaria de cultura tá ajudando na decoração do espaço. Pedimos a prefeitura palco, iluminação e som e outros amigos fizeram propaganda. Alguns amigos nos deram pequenos apoios financeiros para cobrir custos de produção", diz o tecladista.

O repertório do show faz um grande passeio por músicas que foram tiradas dos primeiros ao últimos LPs e CDs. "Desde que papai se foi que decidimos que vamos cuidar de seu legado, tanto da parte musical, mas também material. 

Achamos importante e fundamental dar continuidade ao seu legado. Por isso eu e Waldecir tomamos a frente desse projeto, mas tudo com apoio dos meus irmãos Kim, Tuta e Waldir, que também tá tocando com a gente. Já deu certo, temos outras datas já marcadas de shows", continua.

Além do projeto Filhos do Mestre já há outra iniciativa de memória em andamento, a escolinha de futebol para crianças, que leva o nome do músico, fundada pelo filho Wilson Vieira, tecladista, e um dos mais apaixonados pelo esporte, puxando ao pai, que fundou pelo menos uns três times de futebol em Barcarena, entre eles, o Clube Atlético Barcarenense.

O time, aliás, que continua na ativa, cede espaço à escolinha, mas essa história é outra, e parte dela já contada no mini doc  “Passe de Mestre - Histórias de Música e Futebol”, feitop ara o projeto Sonora Pará - TV Cultura. Por enquanto melhor que contar, é viver, estou indo ver de perto esta festa, que também comemora o nascimento de Joaquim Ferreira Vieira, outro filho percussionista do guitarrista.

4.5.18

"A Visita da Velha Senhora" fica três dias em Belém

Até onde você é capaz de ir pelo dinheiro? A pergunta é a chave para a reflexão provocada pelo espetáculo “A Visita da Velha Senhora”. O texto, escrito em 1956 pelo suíço Friedrich Dürrenmatt, usa a ironia ao abordar a fragilidade dos nossos valores morais, a justiça e a esperança. No Teatro do SESI hoje (4), e sábado (5), às 20h30, e domingo, 6, às 19h.  

É a primeira vez que a atriz Denise Fraga vem a Belém."Eu sempre quis chegar até aqui, com um os meus espetáculos, mas é muito difícil viajar com um espetáculo como esse por exemplo. Estou muito feliz em ter conseguido", diz ela.  Curiosa para conhecer a cidade, indagava, nesta quinta-feira (3), sobre a cena cultural cidade e seus encantos que tanto ouve falar. No elenco também está uma paraense, Maristela Chelala, assim como na produção, Marita Prado. “Quando vamos ao Ver o Peso? E onde é mesmo que vamos no sábado, no Combu?”, perguntava ela, ontem (3), entre uma entrevista e outra, concedida à imprensa local.

A atriz, muito conhecida no país pelos diversos trabalhos desenvolvidos na televisão, onde o humor sempre permeou, queria mesmo era falar sobre o espetáculo. “É o mais importante. A peça é muito atrativa em vários sentidos, é espetaculosa, densa, tem humor, texto inteligente, música ao vivo, ótimos atores em cena, estamos chegando com muita vontade para estes três dias de apresentação".

“Venham todos ver, eu garanto, garanto que vão gostar", convida. "Nós esperamos o público na porta, porque isso nos dá até mais responsabilidade na hora de encenar. Gosto de ver o público de perto”, enfatiza a atriz. "A gente gosta de olhar o púbico de frente, e na chegada é uma ótima oportunidade da gente mostrar que teatro é algo vivo, é presença", continua.

A Visita da Velha Senhora é o que chamamos de teatro de verdade. Feito com sangue nos olhos. É o que se entende do tanto que Denise Fraga nos conta sobre a montagem, que já lotou teatros em São Paulo e Rio de Janeiro, nas temporadas de estreia em 2017. São 13 atores em cena, cenário caprichado, figurinos luxuosos. Entrando em turnê pelo país este ano, o espetáculo acabou de ser apresentado em BH (MG) e depois de Belém segue para várias cidades, tendo um final de semana de apresentações em cada uma delas, até agosto. 

Gentil e atenciosa, apaixonada pelo que faz, interessada no outro, diz que sempre teve vontade de trazer um espetáculo seu para Belém, mas a oportunidade surgiu apenas agora. No elenco, além de Denise Fraga e Maristela Chelala, o espetáculo conta com os atores Tuca Andrada, Fábio Herford, Romis Ferreira, Renato Caldas, Eduardo Estrela, Beto Matos, Luiz Ramalho, Rafael Faustino, David Taiyu, Fábio Nassar e Fernando Neves.

O senhor dinheiro como ditador de nossas vidas

Fotos de cena: Cacá Bernardes
“Precisamos ganhar dinheiro, mas precisamos disso para nos libertar e não aprisionar.  O senhor mercado, o senhor dinheiro, que faz todos os conchavos, é nosso grande ditador”, diz Denise. “E nós precisamos falar sobre isso, sobre a injustiça social do país. Acho triste ter a maternidade condicionada ao dinheiro. O mundo precisa de renovação. E a peça traz isso. É algo espetaculoso, tem música ao vivo. O público sai encantado”, afirma.

“A Visita da velha Senhora” tem como cenário a pequena Güllen, cidade arruinada em que os trens passam ao largo pela ausência de perspectiva que justifique uma parada num lugar que já foi uma cidade distinta, décadas atrás, com sua economia girando em torno das fábricas locais. 

Claire Wäscher tinha 17 anos e vivia um romance com Alfred Krank, o homem por quem foi apaixonada na juventude, mas que a abandonou grávida por um casamento de interesse e a escorraçou da cidade, que ele também destruiu. 

Eis que anos depois ela retorna já com 62 anos, milionária, dona de uma fortuna incalculável. Aguardada pela população local como única pessoa capaz de salvar a cidade da ruína, ela chega e propõe algo que colocará todas as “pessoas de bem” numa prova de fogo. 

“Dou um milhão para quem matar Alfred Krank”, diz a mulher magoada e hoje perversa protagonista dessa história. Obra-prima da dramaturgia, o espetáculo é construído por uma rede de cenas que se entrelaçam, cheias de humor e ironia, com um desfile de personagens humanos e reconhecíveis que pouco a pouco, vão escancarando a nossa fragilidade diante do grande regente de nossas vidas: o dinheiro.

Espetáculo traz o riso como constatação da verdade

O texto de Friedrich Reinhold Dürrenmatt permanece atual, embora tenha sido escrito há décadas atrás, e nos coloca com a cabeça bem aqui no nosso próprio país. “Tem noites que eu dou o texto no palco e parece que estou falando daquela notícia que acabou de ser dada pela imprensa e as pessoas riem, confirmando”, comenta. "Eu fiquei especialista em risada. E tem aquela que eu chamo 'pior que é', que  a pessoa começa a rir devagar como se estivesse constatando a verdade".

Tendo a risada como métrica cômica, ela acredita que é balela dizer que o público de hoje não quer pensar. “O humor é alimento para a inteligência. Ninguém ri daquilo que não entende”, diz. “Eu sinto como se viesse da coxia com um espelho na mão e falasse, olha como nós somos ridículos. É  uma felicidade compreender o texto, e nós fazemos questão de que tudo seja perfeitamente compreendido”, avisa. 

A atriz, com 32 anos de carreira, diz que já foi muito feliz em tudo que já fez no teatro em televisão e cinema. No momento não há planos para voltar à TV, porque está muito envolvida com a turnê do espetáculo e está fazendo dois filmes. “Já fui muito feliz em tudo que fiz, porque sempre fui engajada. Ser engajado é estar no coletivo e quanto eu estou engajada, estou preocupada em estar junto. Você é importante neste mundo e tem que fazer a sua parte”. 

O teatro e o afeto para a transformação

“O teatro transforma, pode nos resgatar, nos fazer rever as coisas. O teatro traz consciência. É transformador”, afirma Denise Fraga, que segue com diversas reflexões acerca dessa engrenagem econômica a que todos nós acabamos submetidos. E quando o assunto chega à política, ela rebate. “De direita eu não sou mesmo. Eu sou humanista, penso que devemos fazer algo com essa vida que a gente inventou. Trabalhe em sua casa para ser feliz. Passar o dia inteiro sorrindo pra que se odeia e chegar em casa e maltratar quem você mais ama, não é justo. O afeto é algo revolucionário”, aconselha.

A direção do espetáculo é do marido e parceiro de muitas empreitadas, Luiz Villaça. A montagem, sofisticada, conta com cenários e figurinos do mineiro Ronaldo Fraga. A direção musical é do maestro Dimi Kireeff, o desenho de luz, de Nadja Naira, da companhia brasileira de teatro, e a preparação vocal, de Lucia Gayotto. Na equipe técnica ainda, Keila Bueno assina as coreografias e a preparação Corporal, e Simone Batata, o visagismo. A produção executiva é de Marita Prado, também paraense.

A Visita da Velha Senhora teve nominações ao Prêmio Shell nas categorias Melhor Atriz (Denise Fraga) e Melhor Figurino (Ronaldo Fraga) e ao Prêmio Aplauso Brasil nas categorias Melhor Atriz (Denise Fraga), Melhor Direção (Luiz Villaça), Melhor Arquitetura Cênica (Ronaldo Fraga) e Melhor Espetáculo Independente.

Serviço
A Visita da Velha Senhora. Dias 04, 05 (20h30) e 06 de maio (19h). Teatro do SESI - Av. Almirante Barroso, nº 2540, Marco. Classificação: 14 anos. Duração: 120 min. Gênero: Comédia Trágica. Ingressos: R$ 70,00 (inteira)/R$ 35,00 (meia)/R$ 50,00 (inteira)/R$ 25,00 (meia)  - Bilheteria: (91) 3366-0971/0972.


1.5.18

Mastodontes amplia o bando na festa Manada

Grupo faz ode à produção musical autoral de Belém celebrando a diversidade criativa atual, na  primeira edição da Manada, dia 11 de maio, no Açaí Biruta. A festa conta com a presença d`O Cinza e Keila, além do som dos DJs Bambata Brothers e FRNCSCSD, em um set com instalações e videomapping, e bazar Olê Olá, com roupas e artes de mulheres convidadas. Os ingressos já estão à venda. (Texto de Allan Bordalo, da assessoria de imprensa da festa Manada).

Diversificada, e às vezes desconhecida, a música autoral produzida em Belém já reivindicava mais espaços de convivência e conexões. Percebendo este momento de efervescência em vários estilos, o bando Mastodontes convida manas e manos perdidos pela cidade para celebrar a coletividade e dar início à Manada, festa voltada para reunir a produção original da capital paraense. 

Nada menos do que doze pessoas compõem o Mastodontes – e aí fica fácil entender o porquê do grupo se intitular um bando. Tantas cabeças e vozes juntas nem sempre são coisa fácil de se administrar. “Nenhuma reunião é rápida, o processo é lento mesmo”, diz Ana Marceliano, uma das vozes do bando. Porém, essa é a essência do Mastodontes, que se reúne em manada porque, fundamentalmente, respeita sua característica de agregar e valorizar a diversidade. “E também porque para bater tambor a gente precisa de mãos”, explica Luciano Lira, cantor e violonista do grupo.

Mastodontes (Foto: Bruno Passos).
Outra pedra fundamental do Mastodontes é o teatro, bagagem de vários integrantes da banda, e o que ajuda a explicar o tom espetaculoso e único de cada apresentação do grupo, e o relacionamento visceral dos fãs com a banda, sempre convidados a viver aquele momento intensamente – não à toa fãs foram convertidas em integrantes do bando: Bruna Cruz e Fernanda Noura, duas das vozes do coro. 

“O teatro está presente em quase tudo do bando”, assinala Larissa Medeiros. “Nem sempre nas músicas”, completa ela, valorizando o caldeirão de influências musicais do grupo, que une a MPB ao afoxé, xote, rock, maracatu e outros – ritmos responsáveis pela catarse provocada no público. Essa catarse de emoções faz parte do que o grupo entende ser também uma espécie de dever político no momento atual. “Fazemos arte, música ou teatro, no sentido de provocar a humanidade em nós em um momento que vivemos uma mecanização total das nossas relações. As coisas estão artificiais e superficiais, então tudo o que pudermos fazer no sentido de aproximar os corpos é válido”, acrescenta Ana.

Mastodontes (Foto: Bruno Passos)
E essa aproximação falada se reflete na vontade de que essa manada seja cada vez mais diversa – e em versos como “Conexões se desfazem, refazem, a vida é um quebra cabeças”. 

“Temos várias Beléns, que muitas vezes não se conhecem, mas cada uma delas está vivendo e produzindo suas coisas”, diz Luciano Lira, justificando o conceito para formar o inusitado line up do Manada, que tem ainda o rock com pitadas de MPB d’O Cinza, uma das grandes revelações da cidade, e o balaio sonoro assentado no Tecno-eletro-brega de Keila. 

Todos os artistas envolvidos acabaram de lançar EPs e integram o quadro da música autoral produzida na capital paraense: “O Lugar Onde Envelhecemos” (O Cinza), “Keila” e “Aperte o Play” (Mastodontes). E são, de fato, Beléns diferentes. 

Keila (Foto: Divulgação)
A da manauara Keila, que desenvolveu seu canto popular em Barcarena e posteriormente Belém, dá voz a partes esquecidas da cidade: a musicalidade e a dança impressas na cultura periférica – no caso da capital paraense, o Treme.

“No momento que vivemos, é muito importante reforçar que a arte e a música especificamente são caminhos para muitos jovens que vivem nas periferias. Temos muitos jovens talentosos perdendo oportunidades. Ou talvez seja o público que esteja perdendo essa oportunidade de conhecê-los”, reflete. Por isso Keila vê com empolgação a chance de reforçar seu  interação proposta no Manada. “Várias cenas de Belém vão se conectar”, diz.

Hoje ela se enxerga em uma grande fase pessoal, fazendo a própria direção musical e mostrando a artista que por algum tempo gestou durante os anos que esteve na Gang do Eletro. “Encontrei o eixo do meu trabalho, depois de dois anos fora da Gang, lançando meu trabalho, recebendo críticas, sendo acusada de estar perdida e concluindo que essa agora sou eu, sim. Estou na linha de trabalho que sempre pensei”, garante.

O Cinza (Foto: Manu Ph)
O Cinza talvez seja a grande surpresa da primeira edição do Manada. A banda prodígio nascida de colegas do ensino médio sempre teve claras intenções e marcou bem seu espaço na pluralidade da cena da cidade. 

“Sempre fomos uma banda autoral”, diz o guitarrista Leonardo Castro, que explica o surgimento e o sucesso relâmpago da banda de forma despretensiosa. 

“Criamos O Cinza e disponibilizamos algumas músicas na internet. Por algum motivo as pessoas ouviram. E gostaram”, diz ele, que vem colecionando surpresas agradáveis – como a de entrar no Manada.  “Foi um estranhamento bom. Quando recebemos o convite, e vimos que estaríamos com a Keila e o Mastodontes, pensamos como iríamos nos encaixar, e aí entendemos que o objetivo é a pluralidade. Ficamos muito gratos”, concluiu.

Serviço
Festa “Manada”, com Keila, O Cinza, bando Mastodontes, DJs Bambata Brothers + Bazar Olê Olá. No Açaí Biruta (Rua Siqueira Mendes, 186-314). Na sexta-feira, 11 de maio, a partir das 21h. Ingressos: R$ 20,00 a partir das 21h e R$ 25,00, a partir das 23h.   Vendas online:
https://www.sympla.com.br/manada__276578 - Lote promocional antecipado: R$ 15,00.