14.3.14

"Pinóquio" no Sábado Tem do Casarão do Boneco

É o décimo quinto e mais novo espetáculo do In Bust Teatro com Bonecos. Inspirado na narrativa de Carlos Collodi, o grupo conta a história do boneco de madeira que, por merecimento, se transforma em menino de verdade, com muito bom humor e misturando atores e bonecos. É neste sábado, 15 de março, às 19h, dentro da programação “Sábado Tem. Domingo que vem!”, do Pirão Coletivo. A entrada é franca e o público paga o quanto quiser, se quiser, após a apresentação.

A Dramaturgia é de Adriana Cruz, com direção do Maurício Franco e produção de Cristina Costa. Os bonecos, cenário e figurinos são de Anibal Pacha. A Sonoplastia concebida por Paulo Ricardo Nascimento e Dandara Nobre. A narração é de Marton Maués. Adriana Cruz e Paulo Ricardo Nascimento assumem ainda a função de atores manipuladores.

Maurício Franco já dirigiu outros espetáculos como  “À Sombra de dom Quixote” (Miasombra), “O Outro e a mulher morta” e “Pro Ensaio Geral” (BAI - Bando de Atores Independentes), mas é sua primeira direção para um espetáculo do grupo In Bust.

“O Maurício já tinha feito outras coisas com o in Bust, como as pinturas do cenário do Catolés e Caraminguás, que são dele. Mas na direção mesmo, é  a primeira vez”, diz Paulo Ricardo Nascimento, do In Bust, e um dos integrantes do Pirão Coletivo, um movimento de encenação da produção teatral feita em Belém do Pará, e que reúne, além do in Bust, mais seis grupos da cidade.

A iniciativa, que vem dando cada vez mais certo, parece que só vem reforçar uma parceria que já existia há muito anos entre atores, produtores, técnicos e diretores de teatro. “O Pirão Coletivo é a constatação de uma mistura que já existia. Acho que é assumir a mistura pelos coletivos que o compõem, não apenas pelos indivíduos. Isso também é uma maneira digamos sustentável de por todos os grupos em cena sempre e ir preenchendo mais espaços da cidade com atividade de arte cênica”, comenta Paulo Ricardo.

Casarão do Boneco prevê mais atividades


O Casarão do Boneco, sede do grupo, é um dos pontos de realização das ações do Pirão Coletivo, além da Casa Dirigível, que ocupa aos domingos, um sim e um não, a Praça da Trindade.  A ideia, porém, é ir muito além e revitalizar por inteiro o espaço que há muito tempo vem se abrindo ao público.

“É preciso dizer que as atividades internas de ensaios, atelier, treinos, do In Bust e de grupos parceiros, na verdade nunca pararam e não vão parar. Agora estamos reabrindo para o público e a proposta é um pouco maior. Além das oficinas de Circo e do Sábado Tem e Domingo que Vem, que já estão acontecendo no Anfiteatro do Casarão, vamos começar com atividades nas salas, como remontar exposição, realizar oficinas de formação em teatro com bonecos para educadores, encontro de contadores de histórias e ações de contação para escolas”, anuncia Paulo.

Restauro - Tudo isso se configura em luta pela revitalização do Casarão do Boneco. Por vários motivos de fundo estrutural, o Casarão ainda está com a abertura para o público um tanto restrita.

“Ele tá precisando, no final das contas, de restauro. O volume de atividade que estamos pondo lá é exatamente pra mostrar o potencial contido nele e a importância dele (como de qualquer outro espaço cultural, principalmente os que são iniciativa de grupos e fazedores de cultura) para a cidade, e paralelamente ir buscando mecanismos que nos permitam as pequenas reformas e reparos necessários”, diz Paulo.

Enquanto isso, estão sendo feitos os devidos procedimentos para depois iniciar uma obra um pouco maior. “Vamos elaborar um projeto de restauro, buscar financiadores ou patrocinadores etc. Só não podemos deixar o Casarão parado senão ficará no esquecimento e a história futura dele será a mesma de tantos outros que cairam ou foram demolidos. Nem pensar!”, conclui. 

Serviço
Pirão Coletivo apresenta “Pinóquio”, neste sábado, 15, às 19h, no Casarão do Boneco – Rua 16 de Novembro, 815. A entrada é franca. O público paga quanto quiser, se quiser e gostar, após a apresentação. Mais informações: 91 8134.7719.

12.3.14

A magia do universo infantil no Teatro Gasômetro

Em cena, o lúdico e o cênico são unos. Papel, imagens animadas e brinquedos compõe o cenário de "Fragmentos de Sonhos do Menino da Lua", que vem conquistando plateias desde 2007 e neste final de semana em Belém, em cinco apresentações, promete encantar crianças e adultos. No Teatro Estação Gasômetro (Parque da Residencia), no sábado, 15,  com sessão às 16h e 18h. No domingo, 16, às 10h, 16h e 18h.. Entrada gratuita. Patrocínio da BR Petrobrás Distribuidora.

Produção de Brasília, a peça é inspirada na obra L'Opera de la Lune do francês Jacques Prévert e conta a história de Miguel Moreno, um menino melancólico que nunca conheceu seus pais e que, à noite, é levado pela Lua para viagens fantásticas e poéticas. 

A narrativa é conduzida pela Senhorita Anaïs, uma atrapalhada professora de astronomia-filosófica que está à procura do verdadeiro amor. Enquanto isso, a montagem explora a união entre a linguagem teatral, animação gráfica e música. 

A animação, feita pelo artista plástico João Angelini, foi elaborada artesanalmente com recortes de papel e aquarela. O cenário, criação de William Ferreira, traz carrinhos utilizados pelos atores e que apresentam várias possibilidades de uso. O tom surrealista, próprio do texto, também aparece no figurino criado por Alessandro Brandão e inspirado em Tim Burton. Para completar a atmosfera onírica, Mateus Ferrari compôs uma trilha original que cantada ao vivo pelo elenco.

Recortes de papel pintados com aquarela dão vida a bonecos de 15 centímetros. Eles se transformam em enormes desenhos de 1,5 m, que, quando projetados na tela de cinema, compõem o cenário. A animação ganha movimento com a fala e os diálogos dos personagens, e a sequência de desenhos se mistura, de forma sincronizada, às cenas. 

Além de dirigir, Miriam Virna atua como a professora Senhorita Anais junto com elenco formado por três expoentes do teatro brasiliense: Alessandro Brandão, Catarina Accioly e William Ferreira.

O espetáculo foi premiado no Zilka Salaberry de 2011, principal prêmio dedicado ao teatro para infância e adolescência no Brasil. Miriam Virna, diretora e autora do espetáculo, venceu o prêmio de Melhor Atriz. A montagem também foi indicada às categorias de cenário, dramaturgia e figurino.

Fragmentos de Sonhos do menino da Lua, já se apresentou em Brasília, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Goiânia, sempre com patrocínio do CCBB.  Em Brasília e Rio de Janeiro, onde realizou temporadas mais longas, foi reverenciado pela crítica. Públicos de todas as idades se encantam com a montagem que traz o humor com elemento essencial.

Sobre Miriam Virna - Premiada diretora de teatro e nome de destaque na cena teatral brasiliense. Dirigiu e adaptou espetáculos de grande sucesso de público e crítica. Foi duas vezes vencedora do Prêmio SESC do Teatro Candango com os espetáculos As Ridículas de Molière e Contos de Alcova, que receberam o prêmio de Melhor espetáculo, Trilha Sonora e Figurino em 2008 e 2006 respectivamente.

Com As ridículas... levou também o prêmio de Melhor Direção. Dirigiu ainda Fragmentos de Sonhos do Menino da Lua, patrocinada pelo CCBB e Funarte e considerada uma das três melhores produções teatrais de 2007 pelo Jornal Correio Braziliense. Outros dois de seus trabalhos, Decamerão e Brandura, foram indicados entre os melhores espetáculos pelo mesmo prêmio em 2004 e 2005 respectivamente.

ELENCO

Catarina Accioly - Adulta 4
Kael Studart - Menino da Lua
Iuri Saraiva (Stand-In) - Adulto 1
Miriam Virna - Srta Anais
William Ferreira - Adulto 2

FICHA TÉCNICA

Tradução: Adalberto Müller
Texto e Direção: Miriam Virna
Trilha Sonora Original: Mateus Ferrari
Animação, Programação Visual e Operação de Video: João Angelini
Cenografia: William Ferreira
Iluminação: Dalton Camargos
Figurinos: Alessandro Brandão
Operação de Luz: Emmanuel Queiroz
Operação de Som: Caetano Maia
Produção Local e Assessoria de Imprensa Belém: Michel Guerrero 
Produção Local e Assessoria de Imprensa Manaus: Três Cultura Produção Comunicação
Produção: Quartinho Direções Artísticas
Produção Executiva e Direção de Produção: Maíra Carvalho

Serviço
Fragmentos de Sonhos do Menino da Lua. No Teatro Estação Gasômetro (Parque da Residência). Neste final de semana, nos dias 15 (16h e 18h) e 16 de março (10h, 16h e 18h), com patrocínio da BR Petrobrás Distribuidora. Entrada franca, com retirada do ingresso na bilheteria, aberta uma hora antes de cada sessão. Mais informações: 91 8134.7719.

"Imagética" ganha exposição e catálogo no MHEP

Bob Menezes
As obras de artistas agenciados, pertencentes ao acervo da Kamara Kó Galeria de fotografia, estão na exposição “Imagética”, que será aberta esta noite, e no catálogo, que também será lançado nesta quarta-feira, 12, às 19h, no MHEP. A coleção traz estéticas e técnicas diversificadas da linguagem fotográfica.

Alberto Bitar, Alexandre Sequeira, Anita Lima, Armando Queiroz, Bob Menezes, Cláudia Leão, Danielle Fonseca, Flavya Mutran, Guy Veloso, Ionaldo Rodrigues, Keyla Sobral, Mariano Klautau Filho, Miguel Chikaoka, Octavio Cardoso, Pedro Cunha, Roberta Carvalho e Walda Marques estão na mostra e integram o catálago, que tiveram curadoria da pesquisadora em arte Marisa Mokarzel e de Makiko Akao, coordenadora da Kamara Kó.

Trazendo textos em português e em inglês, o catálogo oferece pequena biografia dos 17 artistas. Além disso, é ilustrado com as novas obras do acervo da Kamara Kó. Tem 151 páginas, confeccionado em papel couché e capa dura. Ao todo, são 121 obras da recente produção contemporânea fotográfica paraense.

Anita Lima
Para Makiko Akao, a publicação é um instrumento de divulgação da produção contemporânea e tem uma finalidade específica. “É como se fosse um portfólio, não é uma publicação de livro de arte. 

Tanto é que procuramos colocar obras diferenciadas de cada artista, e não uma linha de ensaio, justamente para difundir os diversos segmentos de trabalhos dos artistas”, explica. O público poderá levar um exemplar para casa pelo preço de custo de R$ 50.

“A exposição foi pensada para a feira de fotografia SP-Foto, realizada em agosto de 2013, em São Paulo. Por conta disso, apresenta a proposta da diversidade entre os fotógrafos. O foco mais evidente é dar visibilidade a obras destinadas a uma feira de fotografia. Já o catálogo apresenta a documentação condensada de obras de artistas que tem carreiras consistentes, e densidade em suas proposições”, explica Marisa Mokarzel.

Octavio Cardoso
A iniciativa tem parceria com o Governo do Estado do Pará e a Secretaria Especial de Promoção Social, por meio da Secretaria de Estado de Cultura. O secretário Paulo Chaves Fernandes, em texto feito especialmente para o catálogo, destaca que a busca por experiências estéticas é uma das características dos artistas.  

“Vejo nesta coleção de fotógrafos paraenses, na contramão da mesmice que invade a fotografia, a procura de um novo caminho, onde o fazer fotográfico interfere no real, seja pelo olhar apurado e surpreendente da cena, seja na manipulação com os infinitos recursos que a informática oferece”, descreve.

Roberta Carvalho
Serviço
Abertura da exposição e lançamento do catálogo “Imagética”. Nesta quarta-feira, 12,  às 19h, no Museu Histórico do Estado do Pará (Palácio Lauro Sodré, na Praça D. Pedro II, s/n – Cidade Velha).

Visitação: de 13 a 28 de março, de terça a sexta, das 10h às 18h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 14h. Entrada franca. Classificação: livre. Informações: 4009-8805 / 8838. 

Visite também a Kamara Kó Galeria - Travessa Frutuoso Guimarães , 611 – Campina. De terça a sexta-feira, das 15h às 19h, e aos sábados, das 10h às 13h. Informações:  kamarakogaleria@gmail.com ou (91) 3261-4809 / (91) 3261-4240 / (91) 8117-9730 / (91) 8175-1073.

11.3.14

Cinemúsica para grandes compositores no Da Paz

Em circulação com a  Camerata Brasil, o projeto vai completar um total de 26 apresentações gratuitas este ano, entre concertos públicos e didáticos, em  13 cidades brasileiras.  Em Belém, o Cinemúsica homenageia Dorival Caymmi, Tom Jobim e Heitor Villa-Lobos e conta com a participação especial de Dori Caymmi, nesta quinta-feira, 13 de março, às 20h, no Theatro da Paz. Entrada franca.

Idealizado pelo pianista paulista Marcelo Bratke e pela artista plástica Mariannita Luzzati, o projeto Cinemúsica, que também foi premiado no Sarajevo Winter Festival - Art of Touch,  celebra dois gigantes da música do nosso País: Dorival Caymmi: um compositor popular com espírito erudito, e Heitor Villa-Lobos: um compositor erudito com alma popular.

A apresentação é um tributo a Caymmi cuja obra, segundo Marcelo Bratke, “reveste-se de uma simplicidade maravilhosa”. O projeto traça um paralelo entre as obras destes dois grandes compositores, onde o erudito e o popular nutrem-se mutuamente e se completam para revelar ao público a diversidade da cultura e da música brasileiras.

Os concertos  já percorreram várias cidades do Brasil, entre elas São Paulo, Mariana, São Luis, Vitória, Corumbá e Aracaju. No Pará, o pianista Marcelo Bratke e a Camerata Brasil já passaram por Marabá e Canaã dos Carajás  e  agora chegarão em Belém repetindo o grande sucesso daquelas apresentações. Depois de Belém, o projeto irá para Nova Lima, Itabira, Rio de Janeiro e Carajás.

Dori, em participação especial
Cinema e música - O espetáculo enfoca os elementos da natureza que inspiraram Dorival Caymmi através de u concerto multimídia no qual o cenário é o filme intitulado “Mar” da artista plástica Mariannita Luzzati, que leva o expectador a vivenciar um estado profundo de contemplação. Os arranjos das obras de Caymmi foram feitos especialmente para este projeto por seu filho, o compositor, cantor e violonista Dori Caymmi.

Camerata Brasil - Projeto sociocultural de Marcelo Bratke, a Camerata Brasil é patrocinada pela Vale, que tem recebido o aval de importantes instituições do Brasil e do mundo, dentre as quais o Ministério das Relações Exteriores, Arts Council of England, The New York Times, Yomiuri Shimbun, Rede Globo e BBC de Londres.

O Programa Camerata Brasil já realizou, desde sua criação, 4 grandes turnês nacionais e 3 turnês internacionais, totalizando 86 concertos públicos e 62 concertos didáticos no Brasil e no exterior, bem como centenas de workshops pedagógicos na cidade de Vitória, em parceria com a Faculdade de Música do Espírito Santo, através do Núcleo Brasil de Sustentabilidade Musical criado por Bratke em 2011.

Criado por Marcelo Bratke em 2007, e recentemente elogiado pelo jornal The New York Times, por ocasião de um memorável concerto que realizaram juntos no Carnegie Hall em Nova York, o projeto da Camerata Brasil oferece o desenvolvimento pessoal e artístico a jovens estudantes de música oriundos de áreas desfavorecidas da sociedade brasileira, integrando-os a jovens músicos em fase de profissionalização através de apresentações públicas e didáticas realizadas por todo o Brasil, respeitando e valorizando o ser humano através da arte e desenvolvendo potenciais.

“Acredito que o intercâmbio cultural criado através desta integração viabiliza a inserção destes jovens no mercado musical nacional e internacional” diz Bratke.

Programa dos Concertos
Introdução: John Cage In a Landscape

Dorival Caymmi
  • O bem do  Mar
  • Promessa de Pescador
  • O Vento
  • É Doce Morrer no Mar
  • Saudade da Bahia
  • Canção da Partida
  • Acalanto
  • O que é que a Baiana Tem
  • Canção de Mãe Menininha
Heitor Villa-Lobos
  • Cirandinhas
  • Trenzinho do Caipira das Bachianas Brasileiras n. 2
Antonio Carlos Jobim
  • Garota de Ipanema
  • Stone Flower
  • Wave
Serviço
Apresentação do projeto Cinemúsica, da Camerata Brasil. Participação especial de Dori Caymmy. Nesta quinta-feira, 13 de março, às 20h, no Theatro da Paz. Entrada franca. Patrocínio da Vale e Lei Rouanet. Mais informações:  91 4009-8750.

10.3.14

Música na Estrada abre inscrição para a 4ª edição

Casa de Folha, viajou em 2013
Abertas até dia 10 de abril, as inscrições podem ser feitas através do site do projeto, acesse e leia o edital. Não há restrição às participações. Podem se inscrever cantores, bandas e grupos musicais que residam e atuem no Estado do Pará, desde que tenham 50% de repertório autoral para o show proposto. A ideia é trabalhar com a cultura paraense, estimulando a criatividade e expondo para novas plateias, a diversidade musical da região.

No ano passado, por exemplo, a carreta palco levou para os municípios de Bragança, Primavera, Marapanin e Curuçá, alternadamente, a banda de heavy metal Madame Saatan, o sambista Arthur Espíndola, além da energia latina do Projeto Charmoso, junto com a Gang do Eletro.

“É sempre uma alegria enorme cair na estrada com gente tão boa, todos sempre interessados em levar boa música ao interior”, diz Márcio Macedo, da MM Produções, e coordenador do projeto, que este ano tem patrocínio da Vale e Lei Rouanet.

Percorrendo universos sonoros, que vão do carimbó ao jazz, da música experimental ao super popular tecnobrega, tudo cabe na carreta-palco. “Na primeira edição, tivemos orquestra de violoncelos, dividindo palco com a brasiliense Soatá. Em 2011 vimos o Charme do Choro tocar junto com o Manari e o Guitarrada Açú. O público ficou muito surpreso com a junção. A gente mais ainda”, comenta Márcio.

Depois de visitar cidades do nordeste paraense, este ano, o projeto vai chegar a mais quatro municípios, desta vez, situadas no sudeste do Pará: Canaã dos Carajás, Parauapebas, Marabá e Curionópolis, já no mês de maio.

Os acordes da orquetsra juvenil de violoncelos
“Esta é uma região pouco explorada por nós da capital. Já estive por lá várias vezes em outros projetos e percebo o quanto os municípios são receptivos e muito carentes dessa musicalidade ‘diferente’ que queremos pôr na vitrine. Precisamos nos conectar a todo este grande Estado. Com a atuação da Vale muito próxima a esta região, a decisão foi imediata”, diz Márcio.

Além da divulgação da música paraense, o objetivo também movimentar a sua cadeia produtiva, privilegiando o conteúdo autoral e promovendo o encontro de artistas, produtores e público, para torça de experiências profissionais.

“Sempre buscamos convidar artistas locais. Dessa vez não será diferente. Em cada cidade um ou mais artistas locais sobem à carreta-palco para realizar este intercâmbio que considero a alma do negócio. Mas os convidados ainda não estão definidos”, explica o coordenador.

O processo de seleção é simples, mas criterioso.  Depois de preencher o cadastro disponível on line, devem ser anexados links de redes sociais, facebook, soundcloud e outras informações à respeito do trabalho artístico proposto. Serão aceitas inscrições somente pela internet.

Gang do Eletro e Projeto Charmoso no mesmo palco (2013)
“Assim que encerrarem as inscrições, checaremos se todos os inscritos mandaram a ficha de inscrição. 

Quem mandou, sobe para a plataforma de análise que também é online, ligada a uma planilha compartilhada. 

Depois disso, durante dois dias, um grupo de cinco profissionais ligados à música fará sua audição individual e indicará os artistas que mais se destacarem”, diz Márcio.

“Sempre há alguns empates técnicos que procuramos discutir democraticamente, até chegar num consenso. A gente sugere alguns parâmetros, mas deixa o curador bem à vontade. Não é uma tarefa fácil. É sofrido deixar muita gente boa de fora, mas o projeto não tem como abarcar todo mundo”, complementa.

Serviço
4º Música na Estrada. Inscrições:  http://musicanaestrada.com.br.  Além de links (02) de vídeos publicados no youtube, e áudios (02), também é obrigatório encaminhar por e-mail (contato@musicanaestrada.com.br), com carta de anuência assinada pelo responsável da banda e mais  duas fotos de qualidade do trabalho inscrito. O resultado será divulgado no dia 15 de Abril. Mais detalhes no edital. Mais informações: 91 8109-7792 / 3355-8668 / https://www.facebook.com/suamusicanaestrada.


Mais sobre Um Porto Para Elizabeth Bishop

Em três dias de espetáculo, quem esteve no Theatro da Paz neste final de semana, saiu de lá extasiado. O jornalista Ismael Machado assistiu no sábado a apresentação. Abaixo suas impressões, sobre a densa interpretação de Regina Braga, publicada originalmente na Revista Eletrônica O Grito, no site da UOL.

NESSE BAFO QUENTE VIREI OUTRA

A transformação da estrangeira Elizabeth Bishop, interpretada por Regina Braga, diz muito sobre o Brasil e os brasileiros

Por Ismael Machado*
De Belém

Já sabendo estar contaminado pelo vírus da aids, o escritor Caio Fernando Abreu acabou por reunir uns textos aparentemente sem ligação entre si e lançou Estranhos Estrangeiros. Os anos 1990 corriam céleres. A ideia de se sentir estrangeiro dentro do próprio corpo, ou do país, da comunidade, grupo etc, sempre foi cara ao cinema e à literatura. Na música, em alguns artistas, como Bob Dylan, por exemplo. 

Foi o estranhamento a sensação inicial a atingir a poeta americana Elizabeth Bishop, em 1951, quando aportou no Brasil. A lufada de calor a pegou em cheio, como um bafo quente a avisar que por esses trópicos não passaria incólume. Bishop não apenas sobreviveu como metamorfoseou-se por completo em década e meia morando no Brasil.

Esse período, pouco cronologicamente, para alguns, resultou em mais de uma vida para a escritora. No Rio de Janeiro passaria apenas 15 dias. Ironia do destino, pode-se pensar que cada dia corresponde a um ano, o que justificaria os 15 anos em terras brasileiras. Elizabeth Bishop amou, ganhou, perdeu, sofreu, espantou-se, se divertiu, odiou, resignou-se, entendeu e mergulhou. O mergulho foi no mais assustador e profundo universo: o de si próprio.


Vídeo oficial do espetáculo

Tudo isso está inserido no monólogo Um Porto para Elizabeth Bishop, que encerrou temporada curta em Belém, no Teatro da Paz. Foram três noites, iniciadas na sexta-feira, 7 de março. A peça, baseada nesse profundo hiato de tempo da vida de Elizabeth Bishop acabou por se tornar um veículo ideal para a atriz Regina Braga, alçar um voo que poderia ser complicado, denso demais ou até monótono. Denso sim, monótono não.

Rico em sutilezas o drama interpretado pela atriz faz dois saltos. O primeiro é íntimo, interior, onde o público acompanha de perto a transformação da escritora. Como pequena lagartixa querendo sair do casulo e se transformar em borboleta, Bishop mergulha em uma natureza viva, verde, úmida, quente que entranha nos poros dela e vai arrancando aos poucos camada por camada de uma proteção arraigada no selo do desenvolvimento de países mais ‘civilizados’.

É o Brasil, onde na mesma frase, patrão se torna ‘filha’ e ‘senhora’, que vai sendo descortinado e comparado, examinado, percebido pelo olhar agudo e espantado de Elizabeth Bishop. Como animal acuado, primeiro ela tenta se defender para só depois deixar-se envolver pelo que recebe e encontra no caminho. 


É fascinante acompanhar essa trajetória da personagem na interpretação de Regina Braga. 

Sem maiores solavancos, ela conduz a plateia por um caminho aparentemente cego, cheio de curvas, mas ao mesmo tempo límpido, como a água com que ela lava os cabelos da amada Lota Macedo, a arquiteta e urbanista que a ‘seduziu’, assim como o país fez com ela.

O outro passeio é por um Brasil otimista, que venceria a primeira Copa do Mundo, que transitaria de Vargas a JK e depois desceria aos porões de uma ditadura que, apesar disso, ainda assim não perderia o viço. Bishop espanta-se com uma ‘revolução’ que surge e no dia seguinte as pessoas mal se dão conta dela.

É um país que parece um tanto perdido visto de longe. Mas que desperta, em alguns momentos certa nostalgia na plateia que ri das próprias características que nos distinguem como povo a olhos não acostumados conosco. A peça estreou em 2001 e já teve várias outras temporadas, inclusive fora do país. A direção de José Possi Neto foi feita para dar vazão ao trabalho de Regina Braga. E funciona. Em cena, Regina-Elizabeth sofre e goza. Ama e chora. Ri e se desespera. Como estranha e estrangeira, se torna íntima e pessoal.

Ao final, talvez o retrato feito sobre nós mesmos, não seja o melhor, mas é certamente caloroso. Entre o ritmo desorganizado que imprimimos, um país onde, como dizia Caetano, tudo mal começa e já é ruína, abraçamos também uma possibilidade de diálogo com um futuro que pode ser sim, mais harmonioso. Aos olhos de uma poeta, isso pareceu possível.
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* Ismael Machado é jornalista e autor do livro Sujando os Sapatos- O Caminho Diário da Reportagem (IAP). Venceu o prêmio Vladmir Herzog pela série “O Dossiê Curió”, sobre Sebastião Rodrigues de Moura, o Major Curió, um dos nomes mais relacionados à Guerrilha do Araguaia.

7.3.14

Regina Braga encantada com Bishop e o Da Paz

Não é a primeira vez que ela vem a Belém, mas é sim, sua estreia no palco do Theatro da Paz. A atriz chegou de São Paulo, na madrugada de quinta, 6, à capital paraense e pela manhã fez questão de ir ao teatro ver o andamento da montagem de cenário do espetáculo."Um Porto para Elizabeth Bishop" estreia nesta sexta-feira, 7, às 21h, e fica em cartaz ainda neste sábado, 08, também às 21h e no domingo, 09, ás 18h. Ingressos à venda por R$ 20,00  (R$ 10,00 a meia), na bilheteria do teatro. 

A atriz está em estado de contentamento. Amiga da cantora paraense Leila Pinheiro, ela chegou aqui toda avisada de que lugares não deixar de ir, restaurantes que frequentar e pessoas que deveriam estar na plateia. Nas entrevistas de ontem, ela falou sobre peça e de seu próximo papel no cinema, Irmã Dulce, e respondeu curiosidades do público à respeito do filho, o ator Gabriel Braga, protagonista da novela da Globo (o Laerte, de "Em Família), e  do marido, o médico Dráuzio Varella.

Atenta e espirituosa, ela não escondeu a emoção de estar trazendo o espetáculo a Belém.  “Gosto muito dessa cidade e sempre desejei trabalhar no Theatro da Paz”, disse. Eu estou felicíssima, porque era uma vontade antiga que eu tinha. Vim várias vezes aqui, a passeio, e sempre tive um deslumbramento de atuar nesse teatro”, diz. Depois mais duas entrevistas, voltou ao Theatro da Paz, onde pela primeira vez atuará. Chegou cheia de fôlego e passou todo o espetáculo, fazendo as devidas marcações de luz.

Paixão  - Regina tem paixão pelo o que faz.  Atua desde menina e muita gente ainda lembra dela em “Meu Pé de Laranja Lima”, mas este espetáculo, em especial, a faz flutuar. “Eu tenho uma longa história com a Bishop. São muitos anos de convivência”, comenta. “Estreamos no início dos anos 2000 e já fiz várias temporadas”, diz.

“Essa história é muito interessante, mostra a poeta que veio para o Brasil em 1951 pra dar uma olhada, passar uns poucos dias no Rio de Janeiro e acabou ficando uma vida aqui no Brasil, mais de 15 anos, inclusive chegou a conhecer Belém”, conta a atriz.

Elizabeth viajou pelo rio Amazonas numa gaiola, veio à capital paraense, a Manaus e a Santarém e no final da vida escreveu as memórias dessa viagem, realizada muitos anos antes, revelando que o norte do Brasil teve grande impacto sobre ela. “Esses relatos são lindos. Através do texto “Viagem à Vigia”, sabe-se que Bishop foi até o município paraense, acompanhada por Rui Barata, nos anos 1960.

Regina busca mais informações sobre a passagem dela por aqui. “Fiz este espetáculo em Ouro Preto e Rio de Janeiro, cidades por onde ela passou. E é muito forte quando aparecem pessoas que a conheceram, que são testemunhas do que eu to falando no palco. Quem sabe em Belém haja alguma testemunha dessa história também?”, diz em tom de desejo.

Empatia - Chama atenção a empatia que o texto causa no público, ao revelar o olhar estrangeiro de Bishop sobre o Brasil. Mas na primeira cena, que mostra a chegada dela no Porto de Santos, em dezembro de 1951, o olhar de Elizabeth é de desalento..

"Elizabeth olha aquilo e acha tudo horrível. De Santos vem pra são Paulo, depois vai pro Rio e fica doente. A chegada dela no Brasil foi um desastre, foi uma tragédia atrás da outra e aos poucos ela vai se encantando. O país tem um papel fundamental na vida dela, tanto do ponto de vista pessoal e emocional, quanto profissional”, .

Basta dizer que cinco anos depois de sua chegada, em 1956, ela ganha o prêmio Pulitzer de Poesia, escrevendo sobre o Brasil, no Brasil. É um dos momentos de alumbramento do espetáculo, além, claro de toda a sua trajetória amorosa com a urbanista Lota de Macedo Soares. Para chegar a este resultado, foi preciso mergulhar fundo nesta personagem que é tão encantadora, inteligente e sensível. O trabalho de pesquisa, porém, não foi difícil.

“A Bishop escrevia cartas. É um hábito que não existe mais, e ela escrevia diariamente aos amigos americanos, falando sobre o Brasil e do que estava acontecendo com ela, o que ela achava dos brasileiros. Isso foi editado pela Companhia das Letras, gerando o livro Uma Arte”, diz.

E o livro, para Regina, é uma fonte inesgotável. “Eu não paro de ler, até hoje, e cada vez que refaço a Bishop, leio mais um pedacinho, então o espetáculo é inteirinho feito com as palavras dela , tiradas desse livro, das cartas”, revela.

Monólogo - O espetáculo se passa o tempo todo em um cenário. Há apenas dois figurinos e uma luz branda, tendo ao fundo projeções que mostram cenas de um Rio de janeiro do passado. 

É um monólogo, mas engana-se quem ainda tem aquele velho e equivocado preconceito para com os espetáculos feitos com um só ator em cena. Na verdade, podemos ver vários personagens ali, principalmente Lota. Tive a oportunidade de acompanhar o ensaio de ontem e garanto: você mergulha fundo nessa história e enxerga todos os persongens, que inclusive fizeram a história desse país.

“O que o espetáculo tem de mais interessante é a historia da permanência dela no Brasil, uma mulher sensível e inteligente como ela, tudo que ela fala sobre a gente. É muito bem construído pela Marta Góes”, ressalta Regina, à respeito da autora do texto.

História - Em cerca de 30 cenas rápidas, “Um Porto para Elizabeth Bishop” mostra a convivência da poeta com os brasileiro, mostrando o que ela viveu na década de1950 no Brasil. Passamos pelo Modernismo, o começo da Bossa Nova, a renúncia de Jânio Quadros, a copa do mundo na Suécia, o carnaval carioca.

“Tudo isso é comentado por ela, que estava vivendo de perto estas situações. O espetáculo faz uma revisão histórica do Brasil, que vai até depois da revolução de 64 e chega aos anos 1970, quando ela vai embora pros EUA, para em seguida morrer em Boston. Então é um texto que interessa muito as pessoas, é comunicativo. Faço este espetáculo com o maior prazer”, assume.

E tem motivo de sobra pra isso. O espetáculo é responsável também pelo reconhecimento da poeta no Brasil. “Quando estreamos em 2000, ela era relativamente desconhecida aqui. Não existia, inclusive, nada dela traduzido para o português. 

Hoje a poeta vem sendo cada vez mais conhecida, não só no Brasil, como nos EUA, onde ela é considerada uma das maiores escritoras modernas americanas”, vai dizendo Regina, de forma fluente, demonstrando o quanto ela tem de intimidade com o tema.

"Canto e encanto" nas fotografias de Agis Junior

Andrea Pinheiro
Além de talentosas, elas trazem os traços de beleza, observados pelo fotógrafo Agis Junior. Em “Mulheres que cantam e encantam”, ele  foca seus momentos flagrantes, donas dos palcos ou quando fazendo participações em shows, roubando a cena. A exposição abre nesta sexta-feira, 7, no Parque Shopping Belém, onde permanece até dia 16 de março.

“Mulheres que cantam e encantam” é uma exposição de imagens e de vozes. Grandes intérpretes paraenses são homenageadas e que representarão todas as mulheres. 

A exposição, para Agis Junior tem sabor de risco, sobretudo porque elas não posaram para o fotógrafo. "A imagem aconteceu no campo das incertezas, das variações e oscilações do movimento e da luz, e, ainda assim, nasceu, eternizando um momento. A isso a fotografia se presta muito bem e eu as homenageio com o registro de seus retratos”, diz. 

Encantado com a fotografia, ele tem se dedicado muito além de um mero passa tempo. Fácil vê-lo por aí em eventos sociais e culturais da cidade. “Eu sempre fotografei, desde os tempos analógicos das câmeras fotográficas. Cheguei a revelar em casa fotos em preto e branco”, vai logo dizendo.

Na cidade, porém, muita gente o conhece como profissional da farmácia de manipulação. E ainda, aquele que extrai dos aromas e sabores da floresta para produzir cosméticos que se utilizam de “Insumos d'Amazônia”.

A paixão pela fotografia, desta vez, vai além do passa tempo e agora o chama para uma ação profissional, fotografar cantoras paraenses para uma exposição que homenageia o feminino plural. “Eu mesmo escolhi as cantoras, e tive os meus motivos”, diz ele.

Alba Maria
Tudo começou... (risos) quando ele foi a um show da Jeanne Darwich. "Nós nos conhecemos há muito tempo, somos amigos e foi minha primeira experiencia em fotografar o palco. Fiz as fotos dela, gostei do resultado e me viciei nesse cenário de muito movimento e pouca luz"", conta.

Depois, estava apresente na apresentação da cantora Emilia Monteiro, dia desses no Sesc Boulevard, e quem estava lá? Dona Onete que, em sua participação especial, acabou roubando a cena e o olhar de Agis. Nem me espanto. 

A rainha do carimbó chamegado é campeã nisso. Também já a vi roubar todos os aplausos e atenções do público em outro show, anos atrás numa Black Soul Samba da vida, no bar Palafita. Andrea Dias, cantora paulista que estava por aqui, até desceu do palco para também aplaudi-la. Ponto para o Agis, pela escolha.

Já a Alba Maria, para ele, é “importante, uma intérprete forte, arrebatadora. Além de ser extremamente fotogênica, sensual. Amo de paixão. Sou eterno fã”, diz.  É dona de uma bela voz. Musa pra ele, porém, parece ser Gigi Furtado que na exposição ganhou não três, como as demais, mas sete fotos.

“A Gigi é muito especial, tem uma voz que dá voltas e voltas, vai longe. Invadiu as minhas lentes. Ela é suave, macia e extremamente cativante. Ela diz que sou o fotógrafo oficial dela. Sempre que posso vou atrás dela fotografar e já tenho uma coleção de imagens. Além de tudo isso, tornou-se uma grande amiga e incentivadora. Amo fotografa-la, ela faz caras e expressões faciais que nunca são as mesmas e sempre tento flagrar”, explica.

Gigi Furtado
Agis também colocou Andrea Pinheiro em primeiro plano. “É uma cantora extremamente afinada. O Sesc Boulevard desaba sempre quando ela canta. Ela me deu imagens lindas com sua beleza. Tanto que a foto que me arrebatou foi a que escolhi pra divulgar a exposição. Ela tem os olhos lindos”, elogia.




As roupas coloridas de Larissa Leite chamaram atenção do fotógrafo. “É uma jovem cantora e compositora que consegue contagiar todo o publico. Faz diferente de todas as outras, tem uma pegada eletrônica nos seus arranjos de samba. Adorei ter visto e aproveitei pra fotografar o show”, conta. Fechando o leque feminino cantante da vez, está Nazaré Pereira, flagrada em sua alegria de cantar.

Galeria de arte se abre à produção dos Terreiros

"Nós de Aruanda - Artistas de Terreiro" já foi assunto aqui no blog. Arthur Leandro, envolvido na curadoria e organização nos falou sobre as perspectivas da exposição, cuja segunda edição será aberta nesta sexta-feira, 7, às 19h, e segue com programação diversa de 10 a 28 de março, sempre das 9h às 19h, na Galeria Theodoro Braga, do Centur. Abaixo, trecho de um dos textos de Aruanda, livro de crônicas de Eneida de Moraes, seguido de texto dos organizadores da mostra.

"Quando foi mesmo que ela chegou pela primeira vez a meus ouvidos, não sei. Era apenas uma palavra, mas trazia um cheiro violento de terra e de liberdade, gosto de fruta madura, uma palavra apenas, porém usando paladar e olfato. 

Por que me embalava tanto como se fossem os braços de minha mãe? Pés se arrastavam, corpos dançavam, vozes cantavam e ela vinha clara e sonora, não se explicando ou definindo, mas evocando lembranças, saudades, passado, distante país, tempos idos, mocidade, vida vivida... 

Aruanda é o país que sempre trazemos dentro de nós, país de Liberdade e de Paz, país sem desigualdades nem ódio, sem injustiças ou crueldades. (...) Aquele que carregamos como uma arma ou uma joia tão brilhante, pois foi por nós construído, vivido, criado, e por nós defendido. (...) Em Aruanda o lírio é mais lírio e as estrelas brilham com maior intensidade, porque tomamos parte direta na construção de toda a paisagem."

Eneida de Moraes (“Aruanda” [crônicas], Livraria José Olympio Editora – Rio de Janeiro, 1957)

Aruanda é uma referência ao porto de São Paulo de Luanda, lugar de onde partiam os negros sequestrados e trazidos ao Brasil na condição de escravos, e a referência ficou na memória coletiva como o lugar onde se encontraria novamente a liberdade que vinha com as lembranças do continente de origem. Aruanda chama, Aruanda acolhe, Aruandas dão-se as mãos!

Nós de Aruanda, nossas Aruandas, nosso passado, nosso presente e nosso futuro! E ao mesmo tempo um tempo-lugar-fantasia-documento de nós, sobre nós. Nós que somos filhos e filhas de tantos santos quanto são os tempos das Áfricas amazônidas. 

Espaços-tempo reunidos para superar concepções que separam a arte da religiosidade e das tradições afro-brasileiras. Arte-Aruanda deve ser entendida como território tradicional negro que tem uma vontade imensa de transpor esse muro gigantesco que separa comunidades tradicionais do mundo branco normatizado.

Na contracorrente da indústria cultural, nós de Aruanda caminhamos em qualquer lugar e transitamos por estrada trilhada entre folhas que não separam a vida da arte, caminhamos para a política da construção do nosso lugar em todos os lugares. Misturados ao solo que nos abriga, somos parte desta terra preta, terra fértil, que alimenta novos brotos em território/terreiro que gera a vida!

Vidas exuberantemente diversas, selvagens, fortes, mágicas, e, porque não, criativas...   Verás de tudo um pouco, de memórias, objetos do cotidiano, oferendas, práticas ritualísticas, enfrentamento político, afirmação de identidades a construir sonhos, narrativas e poéticas.... Práticas artísticas diversificadas, e se por aqui a arte te parecer mais viva, é porque revertemos a violência colonizadora para nos tornarmos paisagem de reconstrução do cosmos cultural sustentado em afetos.

Arthur Leandro, Isabela do Lago e Aurilene Ferreira

Serviço
Exposição Nós de Aruanda - Artistas de Terreiro. Galeria Theodoro Braga - FCPTN (Centur). Abertura: 7 de março de 2014. Visitação: 10 a 28 de março de 2014, de segunda a sexta, das 9h às 19h. Entrada franca.

4.3.14

Sérgio Sampaio com tributo, finalmente em Belém

No dia 12 de março, Pedro Vianna, banda e convidados vão colocar o bloco dos sampaiófilos na rua, ou melhor, no Teatro Waldemar Henrique, com o show  "Cada Lugar na sua Coisa". Que venha e seja lindo, como é a obra desse artista ímpar, que teve reconhecimento tardio, mas ainda não o merecido, na cena popular da música brasileira.

Há anos eu venho esperando por este momento. Um show tributo a Sérgio Sampaio, em Belém do Pará.

Muitos outros já foram realizados país afora. Um deles, intitulado "Balaio do Sampaio", realizado no Rio de Janeiro, dois anos após a sua morte, trazendo participações de cantores como Alceu Valença e Jards Macalé. Assim, saiu o CD "Balaio do Sampaio" (1998).

Depois o selo de Zeca Baleiro lançou "Cruel", em 2005, e "Sinceramente" (2011). Estava comprada a briga pela recuperação da obra de Sérgio. Disso tudo pra cá, o gigante despertou, e inúmeros outros músicos, menos conhecidos do grande público, também já lhe renderam homenagens. Chegou a nossa vez.

Este artista sempre me impressionou pela maturidade musical, poética, de texto direto, irônico, sensível. Desde que me deparei com suas canções, a partir de encontros com amigos, fãs incondicionais, como eu acabei me tornando, nutria a vontade de produzir algo cênico em um musical, com direito a vídeos e outras gravações raras com o artista. Sou grata à jornalista Jecyone Pinheiro, que me levou para além do Bloco.

A iniciativa de A Senda Produções trará como cenografia, a projeção de imagens editadas em mapping. "Tá tudo certo, a videocenografia, a banda, o release, o teatro agendado, já paguei o Ecad", me disse Pedrinho (Vianna), entusiasmado, em uma manhã de sábado, ainda em fevereiro, via rede social. 

Naquele momento, o repertório estava sendo fechado e debatemos à respeito, afinal com uma obra tão intensa e extensa, essa parte da produção foi certamente a mais difícil. Questionei ausências irreparáveis. "Não tenho como por tudo no repertório, nem um terço do que gostaria de cantar. É muita coisa", me disse ele quase desesperado (risos). Mas será que vai entrar "Leros, leros e boleros"?

Entraram 15 músicas, que incluem “Velho bandido”, “Que Loucura”, “Cala a boca Zé Bedeu”, “Muito além do Jardim”, “Rosa Púrpura de Cubatão", "Polícia, Bandido, Cachorro e Dentista”...

Quando recebi a primeira versão do repertório, com 13 músicas então, estavam de fora as belíssimas "Quero encontrar um amor", “Brasília” “Cabras Pastando”, "Não tenha medo não", “Velho Bode”, “Eu sou aquele que disse”, “Menino João”, “Labiritnos Negros”, “Ninguém vive por mim”,  “Quatro paredes”, "Foi ela", "Real Beelza",“Rauzito Seixas”, uau, todas, para mim, sucessos em potencial, entre tantas outras. Depois do balaio escolhido, só fazendo o segundo tributo, o lado B do lado B!

Trajetória - O capixaba Sérgio Sampaio foi daqueles artistas não devidamente reconhecidos em seu tempo. Nasceu em 13 de abril de 1947. Faria 67 anos em 2014. Infelizmente, em 1994 ele nos deixou. 

Ironia, mas o artista sofreu com seu maior sucesso. Em plena ditadura Médici, estourou nacionalmente com a marcha-rancho "Eu quero é botar meu bloco na rua".

A canção tornou-se histórica, como um dos mais contundentes protestos da MPB contra a ditadura. "Odete", "Viajei de trem" e "Meu pobre blues" demonstram sua versatilidade como compositor, mas parecia, de certa forma, estar aprisionado àquele sucesso tão marcante. 

Foi aplaudido pela crítica com "Velho bandido" e o LP “Tem que acontecer”, porém não conseguiu uma repercussão popular significativa. Sua incompatibilidade com a indústria musical, fez com que a partir de meados dos anos 70 ele trilhasse um caminho solitário à margem do mercado, gravando apenas mais um LP, o independente "Sinceramente", de 1982, e fazendo shows em teatros underground e bares.

Quando morreu, tinha acabado de fechar contrato com a "Baratos Afins" para lançar um disco de inéditas, o Cruel, o que teria teria consolidado a retomada da carreira, renovada no início dos anos 1990, quando ele tinha se mudado para a Bahia. Não houve tempo.

O disco que planejava lançar em 1994, depois de 12 anos sem gravar, esbarrou num problema: sua morte, no dia 15 de maio, após uma crise de pancreatite, previsível diante das angústias e abusos alcoólicos cometidos ao longo de 47 anos de vida.

Foram necessários mais 12 anos para que as derradeiras (e incompletas) gravações chegassem ao CD “Cruel”, empreitada de um aplicado discípulo, o cantor e compositor maranhense Zeca Baleiro, que com esse lançamento inaugura seu selo independente Saravá Discos.

Paixão Vianna - Pedro tem uma longa relação com a obra de Sampaio e uma profunda identificação com o repertório do autor, é autor de mais de três livros de poesia e tem uma carreira musical acidentada.

“Participei de muitos festivais de música dentro e fora do estado, fiz alguns shows em teatro até início de 2000, mas nunca tive uma atuação musical frequente na noite.”

O show traz o intérprete de volta aos palcos da cidade, prestando assim um tributo à figura de Sergio Sampaio, que vem tendo sua obra revisistada por alguns intérpretes de peso nos últimos anos, e cada dia arrecada mais fãs e é redescoberto pela nova geração.

“Tenho muitos amigos, e pessoas conhecidas, que, como eu, tem uma profunda admiração pela obra do Sérgio. Hoje é fácil ver o grau de repercussão, ainda que póstuma, que ele tem na internet. São dezenas de blogs, sites e conteúdos relacionados à vida e obra dele.”

Arrolado entre os "malditos" da MPB setentista - Jards Macalé, Luiz Melodia, Jorge Mautner, entre outros - rotulado de "compositor de uma música só", Sérgio Sampaio tinha muito mais a oferecer. Permaneceu um artista puro, que, mesmo longe dos holofotes da mídia, fez do ato de compor e cantar sua própria razão de ser.

Deixou um balaio precioso de músicas. Um tesouro a ser descoberto por intérpretes dos mais variados gêneros. Foi esse balaio que o escritor, cantor e compositor Pedro Vianna revirou para retirar as canções que formam o repertório do show “Cada lugar na sua coisa”.  

Banda e participações - No show. Pedro será acompanhado por uma banda de grandes instrumentistas da música popular paraense, formada por Quiure Soares na guitarra, Príamo Brandão no contrabaixo e Moacyr Rato na bateria e Dan Bordalo nos teclados.

Ainda contará com a participação especial dos artistas Arthur Espíndola, Gigi Furtado e Ziza Padilha, que dividirão o palco com Pedro em três musicas. O público terá a chance de conferir a intervenção em videomapping do VJ Kauê Lima no cenário do show. Arranjos e direção musical, de Quiure Soares.

Além de apresentar no repertório os clássicos do compositor como Eu quero é botar meu bloco na rua, Meu pobre Blues e Que loucura, Pedro promete agradar os “sampaiófilos” com composições não tão conhecidas do grande público, mas extremamente representativas da obra do compositor.

Serviço
O show acontecerá no dia 12 de março, quarta feira, às 20 horas, no Teatro Waldemar Henrique. Os ingressos custarão R$20,00 no dia do show, e R$15,00 antecipados nas lojas Ná Figueiredo. Patrocínio do CESEP, realização de A Senda Produções. Apoio Cultural Governo do Estado do Pará, Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves, Funtelpa, Rede Cultura de Rádio e TV, Abelhuda e Posto Paraense. Mais informações: 91 8908-6486 e 8838-3980. 

(Holofote Virtual com informações da assessoria de imprensa)