7.5.15

Ceronha Pontes desvela a cena de Camille Claudel

Contemplado pelo Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz 2014, na categoria de circulação, “Camille Claudel” agora ganha duas apresentações em Belém, nos dias 8 e 9 de maio, às 20h, no Teatro Cláudio Barradas.  O espetáculo também será mostrado em São Luis (MA), Vitória (ES) e São Paulo (SP), trazendo à tona o gênio de Camille, impresso nas formas que esculpiu, e em sua exuberante e implacável personalidade complexa e conflituosa.

Em cena, a atriz Ceronha Pontes, que concebeu o projeto e no qual ela atua de muitas formas. “Pesquisar, escrever, atuar, dirigir, produzir. São muitas as minhas funções no espetáculo. Em todas, no entanto, sou uma atriz realizando. Não me esqueço disso e fico muito atenta aos meus limites”, diz ela, que está vindo a Belém, pela primeira vez. “Não faço isso porque tenho super poderes. Faço porque é inevitável”, complementa.

Camille Claudel morreu em 1943, aos 79 anos de idade, pobre, sozinha numa cama de hospício, onde ficou por mais de 30 anos. Em vida, foi atormentada por um amor impossível, pelos preconceitos da sociedade francesa do século 19 e pela doença que a levou ao isolamento. A própria família a renegou. 

A história da escultora já conhecida também pelo cinema e literatura, na narrativa do espetáculo de Ceronha Pontes, não segue uma ordem cronológica. Em discussões às vezes dóceis, às vezes acaloradas, a atriz revela o rancor que corrói Camille Claudel, que em cena se confronta com as injustiças a que foi vitimada e o preconceito de gênero que permeou toda a sua trajetória, além do tolhimento artístico que lhe impunha Rodin e a sociedade.

Uma marca no espetáculo são as esculturas de Camille. “Quis que meu corpo pudesse representá-las de modo que, aquela legião de criaturas extraordinárias atravessassem o gestual, com toda naturalidade.

Quem conhece as obras vai identificá-las. Quem não conhece, vai pressenti-las. Camille ficou na sua obra. Mais do que em qualquer biografia que se escreva. Seu sofrimento e seu talento raro, seu amor e sua solidão, esculpidos em mármore. Para sempre”, comenta a atriz que utiliza barro e terra em cena.

Após o primeiro dia de apresentação, o público será convidado a um debate com a atriz Ceronha Pontes sobre Arte e Loucura, com participação do ator, artista visual e performer Nando Lima, do Estúdio Reator, e de Lia Navegantes, Lia Navegantes é psicanalista, Membro da Associação Lacaniana Internacional.

Ceronha Pontes é formada em Filosofia pela Universidade Estadual do Ceará. Iniciou sua carreira no teatro em 1991, no Curso de Arte Dramática da Universidade Federal do Ceará, concluído com a montagem de “Viúva, Porém Honesta”, de Nelson Rodrigues, sob a direção de Bruno Correia Lima. 

O Coletivo Angu de Teatro, grupo que ela integra, esteve em Belém com o espetáculo “Angu de Sangue”, em 2008. Na época, ela ainda não era da trupe, por isso, será sua primeira vez em Belém. E quanto a isso, há entusiasmo.

“Todos me dizem da alegria e amabilidade de sua gente. Além disso, quero comer de tudo e dançar o seu carimbó. Não por acaso Belém foi a primeira cidade escolhida para a nossa circulação. Obviamente, que é uma super oportunidade de mostrar nosso trabalho, mas principalmente de ampliar nossos conhecimentos sobre nosso próprio país, tão grande, tão diverso e rico”, diz a atriz, que esticou mais ainda o papo com o Holofote Virtual.

Holofote Virtual: Como iniciou o seu interesse pela história de Camille Claudel. 

Ceronha Pontes: Apesar de ter nascido de mãe escultora, só atentei para a obra de Camille depois dos vinte anos. Até lá tudo o que eu sabia era que ela tinha sido amante de Rodin. Foi quando uma amiga me mostrou a imagem de Sakuntala.

Eu perguntei quem tinha feito e ela me que disse que Camille Claudel. E seguiu me apresentando outras figuras: A pequena Castelã, A Valsa, A Implorante... Foi nesse dia que fui apresentada à artista Camille Claudel, e ela me arrebatou. Esta mesma amiga me apresentaria a sua correspondência e então não pude mais parar. 

Holofote Virtual: Você imaginava que faria um espetáculo?

Ceronha Pontes: Não percebi de imediato que uma investigação já havia começado e que resultaria numa peça de teatro porque eu, indignada, não saberia me calar. Demorei nove anos, porque nesse momento eu sabia que não estava madura o bastante para leva-la à cena. Nem como atriz, nem como mulher. Precisava viver mais, dentro e fora de cena até me sentir preparada. 

O primeiro texto resultou muito longo, e nada atraente, pois minha necessidade de ser fiel à história era muito forte. Numa leitura para convidados percebi que eu ainda não tinha a peça. Disseram que o texto parecia uma biografia e, pior, autorizada por Rodin, de tão cautelosa que fui. Que eu não devia ter medo da “loucura” de Camille.

Depois desta conversa abandonei a cronologia e segui a lógica das minhas lembranças. Abandonei o papel e fui escrever com meu corpo na sala vazia. Através desses improvisos eu pude descobrir o que mais me perturbava e convocava em Camille.

Em cena, indo e vindo de um ambiente a outro como numa costura em linhas tortas, Camille aparece na Villeneuve da sua infância, no ateliê (o seu e também o de Rodin), no hospício e no Inferno. Rodin concebia As Portas do Inferno, quando conheceu Camille. Uma escultura inspirada na obra de Dante, e também nos Paraísos Artificiais, do Baudelaire. Sobre este último autor, eu havia feito antes um trabalho curto a partir de Um Comedor de Ópio e não creio em coincidências.

Holofote Virtual: Após a apresentação do primeiro dia, o público será convidado a participar de um debate sobre arte e loucura. Como tem sido estas discussões por onde vocês passam, e qual a tua visão acerca do assunto?

Ceronha Pontes: São sempre muito enriquecedoras. Esse assunto não se esgota. A arte e a loucura se avizinham na medida em que são modos diferentes e quase sempre incômodos de enxergar e exercer a realidade. Camille traz essa discussão, sobretudo porque sua internação foi uma perversidade. Um diagnóstico duvidoso, uma sentença cruel. Na verdade ela foi punida por causa de sua genialidade. Desafiava todas as convenções e impunha sua arte revolucionária numa época em que gênios de saia não eram bem-vindos. 

Holofote Virtual: O que te move para esta circulação com o espetáculo?

Ceronha Pontes: Uma obra que nasce da minha indignação, da minha devoção, do meu desejo, então eu sigo o instinto e me amparo na humildade e na busca de conhecimento. Eu só sei ir. E não vou sozinha. Nunca. 

Nada disso seria possível sem os esforços dos meus companheiros de trabalho. Desde aqueles que realizaram a primeira montagem lá no Ceará aos que hoje seguram todas as ondas comigo em Pernambuco.

Com Tadeu Gondim eu vou de olhos fechados. É um produtor com alma de artista. Sensível, tem muito respeito por esse trabalho, o que é fundamental. Não está aí para vender a peça, o que tornaria impossível a nossa relação, mas para fazer ecoar o clamor de Camille. “Eu exijo em altos brados a minha liberdade”, dizia ela. 

O Sávio Uchoa é um querido parceiro do Angu. Confiamos absolutamente na sua sensibilidade. E o Walter Façanha fez com que a peça tivesse duas atrizes: eu e a iluminação. E é uma alegria contracenar com todas as criaturas que sua luz sugere. E assim seguimos, em estado de alegria e aprendizagem constantes, encontrar o elemento que falta para que o teatro se faça: o público. 

Holofote Virtual: Além de teatro, você também atua em cinema, como é isso?

Ceronha Pontes: Fiz poucos filmes, mas foram experiências bem felizes, com as quais aprendi muito. Entre outras participações mais breves, já fui a Mulher Biônica, um filme inspirado no conto Creme de Alface, do Caio Fernando Abreu, do cineasta cearense Armando Praça. 

Também a Elisa, protagonista do ainda inédito Anedonia, do diretor estreante André Valença, de Pernambuco. Recentemente filmei uma participação no Big Jato, do Cláudio Assis e foi uma alegria, ele é mesmo um sujeito raro.

Holofote Virtual: Seja teatro, cinema, você respira tudo isso. E certamente deve estar envolvida em outros projetos... Quais?

Ceronha Pontes: Sim, estou montando um espetáculo musical ao lado de Gonzaga Leal, intérprete pernambucano por quem tenho enorme carinho e admiração. Gonzaga é o mentor do espetáculo e me confiou a dramaturgia, além de me convencer a cantar com ele. Um desafio e tanto. A direção é do André Brasileiro, com quem já trabalho no Coletivo Angu. É uma homenagem ao poeta Manoel de Barros e vai se chamar Concerto de Assobios. 

Além disso, estou investigando a vida e a obra da poetisa uruguaia Delmira Agustini, razão de minha vinda a Montevideo, para uma temporada de estudos de seis semanas. Uma mulher extraordinária que pretendo levar à cena em 2016.

Onde ver

Espetáculo “Camille Claudel”, com Ceronha Pontes (Recife-PE). Dias 8 e 9 de maio, às 20h, no Teatro Cláudio Barradas - Jerônimo Pimentel, 546, esquina com a Travessa D. Romualdo de Seixas. Ingresso: R$ 20,00 (R$ 10,00 meia). Mais informações: 91 98134.7719 (whatsapp).

6.5.15

Felipe Cordeiro estreia com "É Fogo" no canal Vevo

Estrelado pela atriz Cristina Lago, o clipe "É Fogo" tem direção de Tarcísio Lara Puaiti e João Felipe Freitas. O lançamento será nesta quinta-feira, 7 de maio, dando início à parceria entre Felipe Cordeiro e o canal Vevo, onde em breve haverá mais conteúdos do artista. 

A música está no álbum "Se Apaixone pela Loucura do Seu Amor". Na telinha, ela ganha imagens em  plano sequência, traçando uma narrativa que sugere as mudanças de sensações presentes na letra da canção, mostrando os extremos de viver o gelo e o fogo numa paixão.

O roteiro foi idealizado também por Tarcísio, que por gostar muito da música, propôs ao Felipe a gravação do clipe. A parceria entre Cordeiro e Tarcísio começou em 2014, quando o diretor gravou em estúdio no Rio de Janeiro o clipe da canção "Problema Seu", também do disco "Se Apaixone.

Para o novo 'É Fogo', o diretor sugeriu um filme sem a presença do músico, mas que pudesse transmitir todo o sabor e intensidade da canção, que fala sobre um amor avassalador. O também diretor João Felipe Freitas entrou no processo na escolha do cenário. A gravação do vídeo foi sobre um trecho de um viaduto em demolição no centro da Cidade Maravilhosa. As cenas ao ar livre, com a noite da cidade, as luzes dos carros passando, à beira do porto, situa a música num universo bem urbano.


  • Direção: Tarcísio Lara Puaiti  e João Felipe Freitas
  • Atriz: Cristina Lago
  • Produção: Imagem Tempo
  • Direção de fotografia: Gustavo Pessoa
  • Direção de produção: Beto Cattabriga
  • Assistente de direção: Igor Souza



5.5.15

Branco Medeiros está de volta à cena do desenho

Ele desenha, ilustra e conta histórias com traços e palavras, sempre necessárias em sua obra, mas afirma que nunca fez quadrinho. Mesmo assim, sua produção é referência para uma geração de artistas gráficos e quadrinistas, atuantes hoje no mercado paraense, nacional e internacionalmente. Em um bate papo com o blog, o artista  fala de sua inserção neste universo e de seu trabalho, além de revelar que, depois de um longo tempo sem produzir, ele está, aos poucos, voltando ao mercado.

Desde que voltou a desenhar mais sistematicamente, Branco expõe seus desenhos, on line, em sua página do facebook. Os mais recentes, feitos declaradamente para sua namorada, contam a história com um cara que tem uma casa antiga na cabeça e uma mulher alada que meio que enlouquece o pobre do sujeito, confere aqui neste link.

Em breve, Branco também avisa que vai ter uma nova página no ar: "A Paixão Segundo FB", que trará desenhos nesta mesma linha, de imagem versus texto. “Mas como eu trabalho suuuuper devagar, ainda estou montando a página. Quando tiver uns dez desenhos (tem um!), eu divulgo pros amigos”, promete. 

Desenhista paraense reconhecido como um dos talentos da geração dos anos 1980, com virada para os anos 1990, Branco Medeiros também está no documentário “VHQ - uma breve história do quadrinho paraense” (Dir. VIcente Souza), que traça uma boa parte da história do quadrinho paraense, desde os anos 1970 até a atualidade, trazendo participações também de Eliezer França, Luiz Claudio, Andrei Miralha, Marcelo Marrat, Gian Danton, Miguel Imbiriba, Alan Yago, Alex Barros, Paulo Emmanuel, Lupa e Joe Bennett, nomes que situam a história do quadrinho por aqui. 

Lançado em abril deste ano, o trabalho apresenta uma pesquisa relevante, mapeia coisas importantes, mas peca, na minha opinião, pela falta de imagens. “Também achei que faltou mais quadrinho”, concordou Branco concordou, identificado no documentário, como o primeiro cara a elaborar quadrinhos no computador.

"Acho que a ideia do Vince era mais dar voz às pessoas que fizeram a cena dos quadrinhos nos anos 1990 e 2000 e a solução visual que ele escolheu foi aquela. Eu também acho que podia ficar um pouco mais rico com os desenhos propriamente ditos, até porque tem umas coisas muito boas daquela meninada”, arrematou, pelo in Box do facebook. Agora, vamos ao bate papo!

Holofote Virtual: Estás de volta ao mercado?

Branco Medeiros: Parei de fazer trabalhos gráficos em 2004, 2005, para trabalhar mais no computador, tanto com artes visuais quanto com programação, que é um treco que eu curto muito. Mas agora estou meio que de volta no mercado, mas devagar, porque nem tenho tanto tempo assim, e desenhando de novo, o que era uma coisa que eu não fazia havia uns dez anos.

Holofote Virtual: No documentário VHQ... é informado que tu foste o primeiro desenhista a usar o computador na arte do quadrinho... 

Branco Medeiros: O que eu gostava era da sucessão narrativa que o quadrinho permitia. Com o quadrinho você tem claramente um recorte no tempo e no espaço, e isso permitia contar o fragmento da história daqueles personagens”, explica.

Fui um dos primeiros a trabalhar com ilustração toda feita no computer em Belém, mas acho que quando começaram a usar computador pra fazer o tipo de arte que se tem hoje, já era quase anos dois mil, que foi quando os computadores ficaram rápidos o suficiente pro aguentar manipular todas aquelas informações. O que se tinha antes era bem característico, tipo ‘isso foi feito no computador`..

Holofote Virtual: Como é que o quadrinho era revelado no teu trabalho...

Branco Medeiros: Eu gostava de imaginar uma história, e "quadrinizar" no quadro uma parte da narrativa. O leitor ficava incumbido de entender (ou inventar) o que tinha acontecido antes e o que ia acontecer logo em seguida, porque os quadros eram só uma página da história toda. As outras "páginas" estavam nas cabeças de quem via o quadro.

Holofote Virtual: Gostava? Não imaginas mais?

Branco Medeiros: Gosto ainda, claro. Falei ‘gostava’ porque isso era o que eu fazia naquela época, era o quê, final dos 80, acho que até o comecinho dos 90. Depois disso eu parei de desenhar um tempo e quando voltei a desenhar era outro tipo de desenho, inicialmente umas fadinhas pra colorir pras filhotas depois ploft, uns desenhos eróticos... Agora o motivo são os flyers do facebook. Essas "charges" que combinam imagem e um texto completamente desconectado.

Holofote Virtual: Nunca pensastes em fazer animação?

Branco Medeiros: Por trás dos panos eu tenho estudado as ferramentas mais usadas, mas pensando em ambientes interativos, tipo jogos. No fundo, no fundo, é como se fossem aqueles trabalhos lá dos anos 80, mas com esse componente de interação com o leitor, que pode definir o rumo da narrativa. Mas é só conjetura por enquanto, ainda estou estudando as ferramentas. Meu xodó é um livrinho digital pra colorir para adultos, com as mulheres aladas que eu gosto de desenhar.

Holofote Virtual: Quais são os projetos próximos?

Branco Medeiros: Não tem planos, plano... só algumas "diretrizes", digamos assim. É legal estar desenhando de novo depois de muito tempo achando que eu não tinha mais o que dizer através do desenho. E é divertido fazer coisas pra um consumo imediato, como é o caso do face. Tipo tu postas um desenho e pessoas que tu curtes ou até gente que tu não conheces vai lá e opina, curte, etc. Eu quero fazer mais com isso, por isso essa ideia do "Paixão segundo FB", é um projetinho legal que eu acho que vai ficar quase pronto logo logo.

4.5.15

Curso faz “Introdução à Obra de Jacques Lacan”

Promovido pelo Corpo Freudiano Escola de Psicanálise – Seção Belém, o curso “Introdução à Obra de Jacques Lacan” será ministrado pelo psicanalista e professor Doutor Marco Antonio Coutinho Jorge, nos dias 22 e 23 de maio, em Belém.  Vai abordar os conceitos fundamentais na obra do psicanalista francês e marca o início das atividades do V Encontro Nacional do Corpo Freudiano, evento que reunirá psicanalistas de todo o Brasil e convidados internacionais, na capital paraense.

O Real, o Simbólico e o Imaginário são alguns dos conceitos essenciais na obra de Lacan a serem abordados nos dois dias de atividades do curso, que traz a Belém Marco Antonio Coutinho Jorge, autor de diversos livros sobre o tema e um dos maiores especialistas na obra do psicanalista francês. O curso ocorrerá no Auditório Central, do colégio Ideal, no dia 22 de maio, às 19h, e no dia 23, às 9h. O investimento para estudantes é de R$60 e R$100 para profissionais. Os participantes que cumprirem as seis horas de carga horária receberão certificados.

O estudo sobre as psicoses na psicanálise foi iniciado por Freud e desenvolvido mais detalhadamente por Lacan. Freud publicou um estudo de caso, tendo como base de análise o livro auto-biográfico do juiz de direito Daniel- Paul Schreber. Neste estudo, o criador da psicanálise destaca a lógica dos diferentes tipos de delírio paranóico e formula a maior novidade trazida pela psicanálise para esse campo clínico: o delírio não é a doença, mas a sua tentativa de restabelecimento.

Jacques Lacan, posteriormente, contribuiu para a questão indagando sobre o tratamento possível das psicoses, estabelecendo hipóteses sobre sua causa, seu desencadeamento e sua estabilização. As ideias do psicanalista francês impulsionaram as pesquisas sobre o assunto.

O evento marca o início das atividades do V Encontro Nacional do Corpo Freudiano, que reunirá em Belém, nos dias 30 e 31 de outubro e 01 de novembro, psicanalistas brasileiros e estrangeiros, entre eles, o francês Alain-Didier Weill, que trabalhou durante 15 anos com Lacan e foi um de seus analisandos. A edição 2015 do Encontro tem como tema “O inconsciente à céu aberto: as psicoses na Psicanálise”. Mais informações podem ser obtidas através do endereço eletrônico quintoencontro.com.br.

O ministrante do curso, Marco Antonio Coutinho Jorge, é professor Associado do Instituto de Psicologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Procientista da UERJ; Médico psiquiatra; Doutor em Comunicação e Cultura; Psicanalista fundador e Diretor do Corpo Freudiano Escola de Psicanálise Seção Rio de Janeiro (Associação Membro de Convergencia - Movimento Lacaniano para a Psicanálise Freudiana). Marco Antonio Coutinho Jorge é membro das seguintes associações: Associação de Psicanálise Insistance (Paris/Bruxelas); Associação Psiquiátrica do Estado do Rio de Janeiro; Associação Brasileira de Psiquiatria. 

Ele também compõe a Sociedade Internacional de História da Psiquiatria e da Psicanálise (Paris). Autor de diversas obras e artigos publicados no Brasil, Canadá, Colômbia, França, Itália e México; profere conferências e seminários em diversas cidades do Brasil e do exterior sobre os conceitos fundamentais da teoria e da clínica psicanalítica; a conexão arte/psicanálise e a formação do psicanalista. Traduziu para o português as seguintes obras de Jacques Lacan: Os complexos familiares e Da psicose paranoica em suas relações com a personalidade.

Lacan - Jacques- Marie Émile Lacan nasceu em 13 de abril de 1901, em Paris. Formou-se em medicina, passando da neurologia à psiquiatria. Em 1931, conhece Salvador Dalí, com quem mantém uma troca intelectual frutífera e amigável; e Margarite Pantaine (ou Anzieu, seu sobrenome de casada), cujo o tratamento ficou conhecido como o Caso Aimée e originou a tese de doutorado defendida por Lacan, em 1932. No mesmo ano, entra para a Sociedade Psicanalítica, iniciando sua jornada pela psicanálise. 

A partir da década de 50, no pós-guerra, inicia seus seminários e uma retomada dos textos freudianos. No verão de 1964, não sem muito dissenso no meio psicanalítico, Lacan cria a Escola Freudiana de Paris. A instituição é posteriormente dissolvida em 1980, pelo o seu criador considerar que não mais preenchia a função para a qual havia sido criada. No ano seguinte, Lacan é submetido a uma cirurgia para a retirada de um tumor maligno. Alguns dias depois da cirurgia, uma infecção generalizada é desencadeada, provocando dores insuportáveis, processo interrompido – com a concordância dos familiares – por uma dose letal de morfina.

Corpo Freudiano - É um lugar de transmissão da Psicanálise voltado para o ensino e a pesquisa, que reúne psicanalistas, estudantes de Psicanálise e estudiosos de outros campos do saber. Seu objetivo é sustentar um espaço discursivo que mantenha uma relação essencial com o saber, seja este da Psicanálise, seja de outros campos teóricos que importem na fundamentação e no aprimoramento dos desenvolvimentos freudianos. Seu eixo teórico é constituído pela obra de Sigmund Freud e pelo ensino de Jacques Lacan. 

O Corpo Freudiano é composto por oito seções, sediadas em sete cidades brasileiras (Belém, São Luiz, Imperatriz, Teresina, Fortaleza, Goiânia, Campos, Rio de Janeiro) e na capital francesa, Paris. Além das seções, o Corpo possui ainda sete núcleos (João Pessoa, Cuiabá, Dourados, Barra Mansa, Macaé, Teresópolis, São Paulo).

Serviço
Curso “Introdução à Obra de Jacques Lacan”, com Marco Antonio Coutinho Jorge. De 22, às 19h, e 23 de maio, às 9h. Carga Horária: 6 horas. R$60,00 estudante. R$100,00 profissional. No Auditório Central do Colégio Ideal – Rua dos Mundurucus, 1412. Mais informações e inscrições: 91 32230816/ 982128688 -  belem@corpofreudiano.com.br/ quintoencontro.com.br

“Olho de Boto” aborda o casamento homoafetivo

No interior da Amazônia, durante a década de 1960, quando o país está sob o poder dos militares, dois homens decidem se casar e para isso recorrem ao universo mítico das crenças da região. Este é o mote do livro “Olho de Boto - Um Romance Homo(ama)zônico”, do escritor paraense Salomão Larêdo, que será lançado no dia 6 de maio, a partir das 17h, na livraria da Fox, em Belém. A entrada é gratuita.

Com o selo da Editora Empíreo, o livro é a 40ª obra do autor, que se inspirou em fatos reais para construir a narrativa ficcional – descrita por Salomão como fantástica. A história se passa no vilarejo de Inacha, localizado na comunidade de Juaba, no município de Cametá, no nordeste do Pará. Inajá e Inajacy, o casal protagonista, pedem a um pajé que transforme um deles em mulher para que possam efetivar a união matrimonial.

“O romance é cheio de situações escabrosas, inventadas ou superestimadas. Trago as metáforas e as polifonias do ser humano que habita a floresta, a natureza, a vida num manancial de águas, de riqueza de todos os reinos: vegetal, animal e mineral. O livro tem muitos personagens que circulam em meio a uma enorme variedade de temas e situações peculiares e características na sociedade humana que deve ter o compromisso de descontruir desigualdades e injustiças”, explica.

A obra busca um amparo aos casais homoafetivos e é uma postura política do escritor. Por esse motivo, com seu posicionamento de defesa em relação às minorias oprimidas, que são quase sempre personagens principais de suas publicações, “Olho de Boto” incita o amor, a compreensão, o respeito. O texto procura mostrar o direito à liberdade que todo ser humano deve ter, para decidir sobre sua própria vida e trilhar suas escolhas.

“Este novo romance aborda não apenas o tema da homoafetividade, mas todas as nossas questões sócio-políticas, de tudo que precisamos saber, discutir, estudar e nos posicionar como cidadãos culturais, cidadãos sexuais, democráticos, como leitor que pensa, que tem senso crítico, consciência política, que  não é intolerante, intransigente, que sabe e procura   amar o outro, respeitar o outro, que é preocupado com o bem comum, com a igualdade como bem coletivo”, defende Salomão.

Um Romance Homo(ama)zônico - Inacha é um povoado pacato e ordeiro da floresta amazônica, onde ninguém contesta o poder do regime militar recentemente implantado no Brasil. Porém, tudo muda quando um acontecimento grandioso é agendado: dois homens decidem se casar, décadas antes do mundo discutir os relacionamentos homoafetivos. 

Inspirado em fatos reais, Salomão Larêdo apresenta um romance contestador, que deseja disseminar o amor livre por todos os lugares e criticar a incompreensão e a violência comuns numa terra tão afastada da civilização.

O romance nos romances contém muitas passagens, histórias, numa narrativa em que os personagens vivem situações as mais inusitadas e difíceis para conseguir realizar o sonho de contrair núpcias em que os pajés são convocados para realizar a metamorfose e transformar em mulher a noiva que, junto com o noivo passam por inúmeras dificuldades, incitamentos, provações e provocações dos curiosos que enchem as ruas do lugar para prosseguir no sarro, na gozação meio escárnio homofóbico coletivo ao casal submetido ao vexatório e incômodo exame médico comprovativo do gênero.

Sobre o autor - Salomão Larêdo nasceu na Vila do Carmo, município de Cametá, no Pará, região Amazônica, na madrugada do dia 23 de abril de 1949. É autor de diversas obras, incluindo romances, contos e poesias. Com seu estilo, o paraense envolve o leitor no imaginário amazônico, revelando todas as suas belezas e idiossincrasias. “Olho de boto” é a quadragésima obra publicada pelo autor, que já recebeu prêmios por todo o país, incluindo o Monteiro Lobato da União Brasileira de Escritores, pelo livro “Sarrabulho”.

Editora Empíreo – Editora brasileira de literatura: romance, poesia, fantasia, não-ficção, música, quadrinhos e tudo o que for apaixonante, com sede em São Paulo. Tem a missão de publicar literatura de qualidade e rica em cultura que edifique seus leitores usando os mais variados temas e formatos. O nome faz referência à palavra latim Empyreus, uma adaptação do grego antigo, “dentro ou sobre o fogo (pyr)”, Empíreo é o mais alto dos céus, o local reservado para as divindades e para a perfeição.

Serviço
Lançamento do Livro “Olho de Boto - Um Romance Homo(ama)zônico”, do escritor paraense Salomão Larêdo, será no dia 6 de maio, às 17h, na livraria da Fox (Travessa Dr. Moraes, 584 – Batista Campos), em Belém. A entrada é gratuita. Informações: (91) 4008-0007 /(11) 2309-2358 / (11) 97687-9696 / filipe@editoraempireo.com.br. Valor: R$ 39,90.

Conheça o hotsite do livro: http://olhodeboto.com/
Visite o site da editora: www.editoraempireo.com.br  
Compre o livro: http://loja.editoraempireo.com.br/product/1018168/olho-de-boto
http://www.saraiva.com.br/olho-de-boto-8872515.html
Veja o vídeo com depoimento de Salomão Larêdo: https://vimeo.com/122037504

26.4.15

Arte e loucura em cena no Teatro Cláudio Barradas

A atriz Ceronha Pontes e a MC Apoio, em parceria com a Atos Produções Artísticas, apresenta, em Belém, o espetáculo “Camille Claudel”, contemplado pelo Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz 2014, na categoria de circulação. As apresentações serão realizadas nos dias 8 e 9 de maio, às 20h, no Teatro Cláudio Barradas. Após o primeiro dia de apresentação, o público será convidado a um debate com a atriz Ceronha Pontes sobre Arte e Loucura, com participação do ator, artista visual e performer Nando Lima, do Estúdio Reator, e de Lia Navegantes, Psicanalista, Membro da Associação Lacaniana Internacional.

O espetáculo, que se apresentará também em São Luis(MA), Vitória(ES) e São Paulo(SP), traz à tona o gênio de Camille, impresso nas formas que esculpiu, e em sua exuberante e implacável personalidade complexa, conflituosa. 

Em cena, a personagem se confronta com seus fantasmas, numa narrativa que não segue, necessariamente, uma ordem cronológica. Em discussões às vezes dóceis, às vezes acaloradas, manifesta o rancor que a corrói e passa a limpo, as injustiças a que foi vitimada, o preconceito de gênero que permeou toda a sua trajetória e o tolhimento artístico que lhe impunha Rodin e a sociedade.

A intérprete e autora da dramaturgia, Ceronha Pontes modela uma Camille Claudel que aos poucos vai se desgastando pelos anos de reclusão forçada e abandono no manicômio, amargurada pelo pouco crédito que lhe deu a sociedade francesa de sua época, e ressentida com Rodin, que não a assumiu como mulher, nem a defendeu quando a acusaram de copiar a arte do mentor.

À medida que a personagem é revelada, se materializam, no corpo da atriz, com o barro e a argila – rudimentos do ofício de esculpir, as formas femininas tão presentes no legado de Claudel. Martelo e cinzel, extensões das mãos de quem burila poesia nas pedras, modelam o ar e produzem o som agudo que remete de imediato a essa expressão artística. O espetáculo estreou em 2006 e desde então vem recebendo elogios de crítica e público, por onde passa.

Sobre a atriz - Radicada no Recife (PE), Ceronha Pontes é formada em Filosofia pela Universidade Estadual do Ceará. Iniciou sua carreira no teatro em 1991, no Curso de Arte Dramática da Universidade Federal do Ceará, concluído com a montagem de “Viúva, Porém Honesta”, de Nelson Rodrigues, sob a direção de Bruno Correia Lima. 

A atriz também fez oficinas e cursos de dramaturgia com grandes nomes do teatro e da dança, como José Celso Martinez Correia, Débora Colker, Luís Carlos Vasconcelos, Luís Carlos Maciel e o saudoso ator Rubens Correia. No Colégio de Direção Teatral (1997-1999), do Instituto Dragão do Mar, teve acesso à construção da sua auto-expressão. Estagiou em 2002, no Centro de Pesquisas Teatrais (CPT), em São Paulo. 
Atualmente, Ceronha integra o Coletivo Angu de Teatro (Que esteve em Belém com o espetáculo Angu de Sangue em 2008) e divide-se entre seus trabalhos com teatro e cinema. 

Ficha Técnica

Espetáculo:  Camille Claudel
Gênero: Drama (indicação: a partir de 16 anos)
Dramaturgia, Direção e Atuação: Ceronha Pontes
Cenário
Concepção : Yuri Yamamoto
Confecção: Yuri Yamamoto, Ceronha Pontes, Gustavo Araújo e Sr. Isaque.
Concepção de Iluminação: Walter Façanha
Operação de luz: Sávio Uchôa
Sonoplastia: Ceronha Pontes
Operação de som: Tadeu Gondim
Figurino: Ceronha Pontes
Orientação: Marcondes Lima
Confecção de figurino: Maria Lima e Antônia Castro
Coordenação de produção: Tadeu Gondim e Ceronha Pontes.
Realização: MC Apoio 
Incentivo: Funarte e Governo Federal – através do Prêmio Miryam Muniz de Circulação 2014

Serviço
Espetáculo “Camille Claudel”, com Ceronha Pontes (Recife-PE). Dias 8 e 9 de maio, às 20h, no Teatro Cláudio Barradas. Ingresso: R$ 20,00 (R$ 10,00 meia). Produção e comunicação/Belém: Três - Cultura Produção Comunicação. Apoio: Teatro Cláudio Barradas | Restaurante Dona Joana| Hotel Grão Pará | Blog Holofote Virtual. Mais informações: 91 98134.7719 e 3088.5858.

Fotoativa em Residência traz oficinas e vivências

Contemplado pelo Programa Rede Nacional Funarte Artes Visuais – 11ª Edição, do Ministério da Cultura, o projeto reúne artistas residentes, que estão promovendo uma série de atividades em Belém e no interior do Pará. Quem quiser, pode participar, se inscrevendo gratuitamente no site da Associação (www.fotoativa.org.br). 

A fotógrafa Débora Flor fará neste domingo (26), uma oficina de desenho, câmera obscura e pincel de luz com crianças de 8 a 12 anos da comunidade do Porto do Sal, no bairro da Cidade Velha. Já a artista Malu Teodoro passará três dias em Colares, município no nordeste do estado, para uma vivência com os participantes. A ação ocorrerá entre 1º a 3 de maio.

De acordo com Malu, “trata-se de uma proposta sobre o estar junto em convívio, observar os modos como nos relacionamos, e criar novos jogos a partir do encontro e da supressão da cisão entre o eu e o outro, entre o eu e o mundo. Esse encontro em retiro propõe uma investigação sobre a existência em um outro mundo possível”, define a artista.

Randolpho Lamonier, que veio de Minas Gerais, propõe a atividade “Trocas de Paisagens”, nos dias 8, 9 e 10/05, para a elaboração de mapas afetivos e de uma experiência de deriva fotográfica em grupo por Belém. “Esta vivência propõe um encontro para trocas de paisagens, memórias e estórias, e a tentativa de que cada um represente a sua cidade particular e íntima, ponto de encontro entre o eu e o outro”, descreve.

Wellington Romário proporá vivências a partir da criação de ambientes para momentos de compartilhamento. “O café da manhã que tem como ponto de partilha os sonhos que cada um teve na noite anterior e suas possíveis interpretações. A roda de conversa de final do dia ou de pós-chuva para falar das projeções sobre o amanhã”, define.

As atividades com os residentes do projeto “Fotoativa em Residência – Dois de cá, dois de lá” vão até 10 de maio. Participação gratuita. Informações: (91) 3225-2754 ou (91) 9 8226 4094. Visite: www.fotoativa.org.br


Programação

“Olhos do Porto”, com Débora Flor
Oficina de desenho, câmera obscura e pincel de luz
Público-alvo: crianças entre 8 e 12 anos da comunidade do Porto do Sa
Vagas: 15.
Data:  26/04 (sábado e domingo)
Horário: 9 às 12h.
Local: Porto do Sal

“Olhar Devagar", com Malu Teodoro
Imersão de três dias em Colares-PA
Público-alvo: adultos que pesquisam formas de se relacionar através da arte.
Vagas: 10
Data: 1º a 3/05
Os participantes devem prever custos de transporte, estadia e alimentação.

“Trocas de paisagens”, com Randolpho Lamonier
Público alvo: estudantes, artistas, qualquer pessoa interessada em contar histórias.
Idade recomendada: a partir de 14 anos
Datas: 8/05, das 19h às 22h, e 9 e 10/05, das 9h às 12h.
Local: Casarão da Fotoativa

Vivências, com Wellington Romário
Vagas: ilimitadas.
Data: em aberto e junto das propostas de atividade dos outros residentes.
Local: Casarão da Fotoativa e Espaço Reator, a convite do performer Nando Lima.

25.4.15

“Kiuá Nangetu!”, ode artística à afro-religiosidade

Os mesmos  Jinkisi (orixás) que guiam as tradições de matriz africana podem servir de inspiração para o fazer artístico. Com esta possibilidade em mãos, artistas do terreiro Mansu Nangetu realizam um projeto inovador em Belém, o “Kiuá Nangetu! Poéticas de Resistência Negra”, que desde o início de março vem realizando intervenções na capital paraense, a fim de aproximar a sociedade à força estética pouco visibilizada que a cosmologia afro-religiosa emana. 

As atividades se estendem até final de março, com performances e rodas de conversa.  O Holofote Virtual em parceria com o núcleo de comunicação do projeto, a partir de hoje, passa a publicar uma série de matérias sobre as atividades e intervenções que estão preenchendo a cidade  com a força da poética negra.

Por Luiza Cabral

Contemplado pela 3ª edição do Prêmio Nacional de Expressões Culturais Afro-brasileiras, o projeto se utiliza da arte como dispositivo de reflexão sobre o preconceito contra as religiões de matriz africana.  Oito artistas associados ao terreiro de candomblé Mansu Nangetu participam das ações do “Kiuá”. Em suas obras, eles apresentam como resultado uma ação vivencial e interventiva, ocupando espaços diversos da cidade. O grupo também convidou artistas de outros terreiros para participarem das ações.

“O ‘Kiuá’ vem para celebrar dez anos de atuação do Instituto Nangetu, que é uma organização dentro do terreiro que tem como finalidade realizar atividades de afirmação da identidade de matriz africana, preservada nos territórios tradicionais negros na Amazônia. Nesta década de existência, criamos projetos como a WebTv Azuelar, o cineclube Nangetu e outras atividades relacionadas à comunicação. 

Nossos artistas participam desde a primeira  exposição ‘Nós de Aruanda’, de artistas de terreiro, que em maio realiza a sua terceira edição. Esse histórico de ações que mesclam linguagens, todas sempre muito próximas das artes, nos fizeram propor um projeto especial para dar visibilidade à produção poética que vem sendo realizada dentro do terreiro”, conta Arthur Leandro, coordenador do projeto.

A primeira ação do “Kiuá Nangetu!” ocorreu em Mosqueiro. Na beira da Praia de São Francisco, a artista Isabela do Lago realizou a intervenção “Mikaia te espera na Kalunga”, em que saudou Mikaia (Iemanjá), com uma pintura lançada às águas. Logo depois, foi a vez do artista Carlos Vera Cruz propor uma vivência gastronômica na feira do Ver-O-Peso. 

Mametu Nangetu, em “Fundamento”, foi à Avenida Duque de Caxias replantar o bosque que ela tinha cultivado desde 1988, árvores que foram derrubadas pela Prefeitura de Belém. 

“É muito triste quando você planta algo e as pessoas tiram depois. Este trabalho diz sobre nossa perda de território, algo que o povo de terreiro entende muito bem o que é”, explica Mametu. Tatá Kinamboji (Arthur Lenadro), Tatá Kafungeji (Rodrigo Ethnos) e Tatá Kafunlumizo (Angelo Imbiriba) também já realizaram suas ações.

“As artes visuais é um campo muito restrito do mundo das artes, normalmente protagonizado por camadas mais abastadas da sociedade, feito pela e para a elite. Então, é um espaço importante de confrontamento, também queremos o ‘negrume’ amazônida representado ali”, justifica Arthur Leandro.

Nego Banjo e Tatá Kitauanje (Delleam Cardoso) realizam suas intervenções ainda no mês de maio, e aínda terá uma intervenção midiática coletiva com a rádio Azuelar na UFPA na manhã do sábado, dia 16 de maio. As atividades encerram com a realização de uma roda de conversa com todos os artistas participantes do projeto, marcada para o dia 28 de maio, no Instituto Nangetu.

Programação
  • Conversa de griôt - estórias cantadas com Nego Banjo, vivência de Nego Banjo. Icoaraci, 9 de maio de 2015 - a partir das 9h.
  • Morada de mamãe,, intervenção de Táta Kitauanje (Delleam Cardoso). Orla do Portal da Amazônia. 10 de maio de 2015 - a partir das 7h.
  • Faladô! intervenção midiática, Rádio Azuelar, Mametu Nangetu, Ogã Jayro Pereira, Mãe Nalva, Mametu Muagilê. Campus do Guamá - UFPA. sábado, 16 de maio de 2015 - a partir das 9h no Campus do Guamá, área do profissional da UFPA (próximo ao bloco Gp.
  • Roda de conversa com os artistas, lançamento do catálogo e projeção com os registros dos trabalhos. Na quinta-feira, 28 de maio de 2015. 18h 
Anote
Instituto Nangetu, Tv. Pirajá, 1194 – Belém/PA. Para mais informações, acesse o blog kiuanangetu.blogspot.com.br e a página: http://migre.me/pBwjm. Apoio na divulgação: blog Holofote Virtual.

24.4.15

Livando Malcher expõe "Do Místico ao Mágico"

A série de ilustrações "Do Místico ao Mágico", criadas pelo designer e artista Livando Malcher podem ser vistas desde o dia 10 deste mês, de terça a domingo, a partir das 18h, no Composição Arte e Bar. A exposição segue até o dia 10 de maio.

A exposição reúne trabalhos do artista que apresentam recortes de uma realidade fantasiosa que ao mesmo tempo em que revela uma identidade local, também faz uma interpretação das relações entre seres na natureza.

Para Livando, a série é parte de uma reflexão-prática da busca por equilíbrio, entre matéria e mente, elo entre formas, entre seres. 

"As ilustrações apresentam um olhar profundo sobre a magia da (re)conexão com o grande espírito da Terra e a necessidade de voltarmos nossa atenção para os seres que aqui habitam, buscando o equilíbrio e reafirmando a interdependência entre todos", acrescenta o artista.

A série também integra a programação do Composição Arte e Bar, que participa da edição deste ano do concurso Comida di Buteco. O concurso segue até o dia 10 de maio.

Sobre o artista - Livando Malcher é graduado em Design pela Universidade do Estado do Pará e atua como designer gráfico e ilustrador desde 2002. Atualmente  executa projetos de design, direção de arte e ilustração com perfis culturais, sociais e ambientais no Pará e em outros estados.

Suas ilustrações já tiveram exposições realizadas em ações como o "Ocupa Solar", durante a Primeira Virada Cultural de Belém e no município de Bragança, durante o XV Encontro Regional dos Estudantes de Letras.

Também teve exposições realizadas de maneira independente no início deste ano em Pernambuco, nas cidades de Recife, Olinda, Porto de Galinhas e Maracaipe.

Serviço
Exposição "Do Místico ao Mágico" de Livando Malcher. De terça a domingo até 10 de maio, a partir das 18h, no Composição Arte e Bar - Praça do Ferro de Engomar, Entre Veiga Cabral e Arciprestes Manoel Teodoro, S/N, Batista Campos, Belém.

Icoaraci recebe mostra de fotografia pinhole

O Liceu Mestre Cardoso em Icoaraci recebe neste sábado (25), a partir das 9h, o resultado da oficina de fotografias pinhole, realizada no Marajó, pelo projeto “Minha Ilha – Campos abertos do Marajó”, contemplado com o XIV Prêmio Marc Ferrez de Fotografia, da Fundação Nacional de Artes (Funarte). A entrada é gratuita. 

Estudantes do 9º do Liceu e da escola Adaltino Paraense, em Cachoeira do Arari, participaram da programação, que incluiu uma oficina de fotografia. Eles construíram câmeras artesanais e produziram imagens do local onde vivem. 

Fotos dos vaqueiros de municípios do Marajó, feitas por Octavio, também foram expostas nas duas escolas. Para a maioria, a experiência com a prática fotográfica foi a primeira incursão em uma atividade artística. 

“Esse trabalho foi bem criativo para mim e meus colegas, porque eu sei que isso vai me beneficiar no futuro. Com a exposição aqui deu pra gente saber como é no Marajó. Este trabalho que tivemos de montar uma câmera, quem sabe se no meio de nós podem sair fotógrafos ou inventores”, diz Cristian Pereira da Silva, estudante.

Para Glaucyane Couto, aluna do Liceu, o contato com as paisagens marajoaras provocou algumas dúvidas sobre o tempo e a natureza.

“Queria saber mesmo como é Cachoeira do Arari, deve ser linda. Será que lá tem muitos gados? Muitas vacas? Muitos bois e bezerros? Já imaginei um monte de coisas lindas. Como deve ser a chuva praí? Deve ser linda. Aqui a gente não acompanha o pôr do sol, praí vocês já devem ver o pôr do sol”, poetiza.

O fotógrafo Octavio Cardoso ficou surpreso com a reação dos alunos, que na escola Adaltino Paraense, logo após a visita da equipe do projeto, acabaram realizando uma feira cultural. “Houve um desdobramento que a gente não esperava. Eles apresentaram elementos da vida do vaqueiro, como as roupas, ferramentas e até mesmo a comida tradicional, o ‘frito’, que foram expostos na escola. Alguns vaqueiros foram ao encontro dos alunos e conversaram sobre a sua vida”, conta Octavio. 

Cerâmica - Como parte da ação socioeducativa, estudantes com deficiência visual tiveram uma experiência sensorial para “ver” as fotos a partir placas de cerâmica, que têm o relevo de uma fotografia. O objetivo foi conseguir reunir todos os alunos, de olhos vendados, para que tocassem o objeto e tivessem uma nova experiência sensorial. As placas foram confeccionadas em argila por Guilherme Santana.

“A experiência para os jovens por despertar o olhar sobre a paisagem e a cultura, e pela construção de um objeto, que é a câmera artesanal. A proposta da exposição com mídias táteis é possibilitar não só a acessibilidade dos portadores de deficiência visual, mas também oferecer a todos a percepção da imagem de outra forma”, diz Simone Moura, professora de arte, que conduziu as ações.

O projeto - Contemplado com o XIV Prêmio Marc Ferrez de Fotografia 2014, da Fundação Nacional de Artes (Funarte), o projeto “Minha Ilha – Campos abertos do Marajó”, idealizado pelo fotógrafo Octavio Cardoso, faz um registro do vaqueiro e dos campos do arquipélago. 

O artista fez diversas viagens para fazendas de gado da região para a captura de imagens, a fim de fotografar este trabalhador em momentos de transição: tanto do clima, entre as secas e cheias, quanto da própria prática de manejo do boi. Ao final, uma exposição será montada no dia 9 de maio, no Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), em Belém.

Serviço
Exposição de fotografias pinhole com alunos do projeto “Minha Ilha – Campos abertos do Marajó” ocorre no próximo sábado (25), a partir das 9h, no Liceu Mestre Cardoso, localizado na Travessa dos Andradas, 1110, Ponta Grossa – Icoaraci. Visitação: até 19 de maio. Entrada gratuita. 

(Texto enviado pela assessoria de imprensa)