10.12.18

1o Festival de Curtas agita Bragança nesta semana

A Pérola do Caeté sedia o 1º Festival Curta Bragança, com programação nos dias 13 e 14 de dezembro, com objetivo de divulgar o curta brasileiro, fortalecer o diálogo entre os produtores nacionais e regionais, além de promover a produção audiovisual bragantina. Os premiados receberão o troféu "Valdir Sarubbi", em homenagem póstuma ao artista plástico bragantino, e o troféu Fabra. A realização é da Faculdade de Bragança – Fabra - e da Sapucaia Filmes. O festival conta com programação na Universidade Federal do Pará, campus Bragança, Rádio Educadora, Fabra e Praça das Bandeiras.

Divido em duas mostras competitivas, Mostra Curta Brasis e Mostra Curta Bragança, o festival traz ainda uma oficina de documentário, cujas inscrições ainda estão abertas até esta quarta-feira, 12. O evento oferece aos vencedores de cada categoria o troféu Valdir Sarubbi, homenagem “in memorian” ao artista plástico bragantino. O melhor filme do festival receberá o troféu Fabra.

Foram inscritos 42 dois filmes de São Paulo, 21 do Rio de Janeiro, 14 do Pará, 12 de Minas Gerais, 12 de Goiás, 6 da Bahia, 6 do Ceará, 5 do Rio Grande do Sul, 3 do Espírito Santos, 3 da Paraíba, 3 de Santa Catarina, 3 de Sergipe, 2 do Rio Grande do Norte, e 1 do Maranhão, 1 de Rondônia, 1 do Mato Grosso e 1 do Paraná. Seis filmes estão concorrendo também no concurso de melhor cartaz da edição 2018 do festival curta Bragança. A eleição é feita por enquete eletrônica no site oficial do festival, com votação até dia 13 de dezembro.

Na abertura, às 19h, no dia 13 de dezembro, o cerimonial conta com a exibição de um vídeo sobre o artista plástico bragantino Valdir Sarubbi, completando este ano 18 anos de saudades, com breve apresentação da professora e mestra Mariana Bordallo, que defendeu tese na UFPA sobre a representação da cultura bragantina na obra e vida do artista, falecido no ano 2000, em Sã Paulo.

“Estou muito feliz com esta homenagem, porque esse sempre foi meu objetivo quando fiz o Mestrado sobre ele, de trazer essa figura, não só o artista, mas a pessoa que ele foi, para ser reconhecida pelo povo bragantino. Ele não foi uma pessoa que nasceu aqui e foi embora, ele é muito próximo, viveu e conviveu, estava sempre perto, assimilou essa cultura, além da família dele ser daqui. 

Temos essa mistura de índio, português e negro. E quando Valdir resolveu deixar o Direito e fazer Arte, isso acabou aparecendo no trabalho. Em qualquer lugar onde sua obra está, a gente o reconhece como artista amazônico. E quem conhece a cultura bragantina, reconhece esta se manifestando na arte dele”, diz a professora e pesquisadora.

Mariana é graduada em Letras e Artes (UFPA), com especialização em Sociologia e Educação Ambiental com a monografia Pensar em Natureza é Falar de Arte (UEPA) e mestrado em Linguagens e Saberes da Amazônia com a dissertação Memórias que Tecem Arte - memórias afetivas e raízes culturais na obra de Valdir Sarubbi (UFPA/campus de Bragança), e professora da SEDUC. Além da abertura, ela realiza no dia seguinte, 14, uma roda de conversa  intitulada "Memórias que tecem arte", às 17h, Universidade Federal do Pará, campus Bragança.

Valdir Sarubbi foi um dos artistas plásticos mais significativos da região amazônica. Ele nasceu em Bragança, foi morar em São Paulo e apresentou seus trabalhos em muitos países da Europa e da América. Através de sua arte podemos identificar não só suas memórias afetivas, a família e os amigos, mas também, a cultura bragantina e amazônica. Conhecer a arte e a vida de Sarubbi permite aos bragantinos reconhecer-se e conhecer um pouco mais da história e da cultura de sua cidade.

A abertura do Festival Curta Bragança contará ainda com a exibição de um filme promocional do festival e show de Alex Ribeiro, músico e compositor da zona do salgado. Para San Marcelo, idealizador e coordenador do evento, o festival vem para marcar e gerar links da identidade cultural bragantina com o Brasil e com o mundo.

“O polo audiovisual de hoje formado em nossa região é de natureza complexa. Neste sentido, o festival busca reverberar uma produção inquieta, sem amarras, livre nas suas formas de expressão e linguagem estética e de gêneros, abarcando novos formatos, gerando novas posturas, abordagens, análises e conteúdo”, explica San Marcelo.

Na programação entre outras atividades paralelas, também será realizada a oficina "Documentando - O Cinema do Possível", que busca historiografar e dar ferramentas para que os participantes experimentem e discorram audiovisualmente sobre o gênero documental, que com o passar das décadas subverteu essa convenção e hoje é uma forma própria de arte – o cinema documentário. 

Abordar as diferentes vertentes, linguagens e estilos, partindo de exemplificações, além de fornecer diretrizes do “Cinema do Possível” para a construção narrativa e estética de filmes documentais dentro dessa perspectiva. Exercícios práticos serão aplicados, além do compartilhamento de técnicas de entrevista e de dinâmicas sobre a construção de ideias e personagens.

Oficina de Documentário

"DOCUMENTANDO - O CINEMA DO POSSÍVEL" - 14 de dezembro - manhã e tarde.
Local: Universidade Federal do Pará
Carga horária: (6 horas/aula)
Ministrante: Lorenna Montenegro – roteirista, jornalista, integrante do Coletivo Elviras de Críticas de Cinema e filiada à ACCPA.

As inscrições ainda podem ser feitas até dia 12 de dezembro, na Secretaria de Cultura, Desportos e Turismo (Estação cultural Armando Bordallo - Praça dos Eventos), das 8h às 14h, com direito a certificado. A taxa de inscrição é R$ 20,00 (vagas: 20).

PROGRAMAÇÃO

Quinta-feira, dia 13
Auditório Maria Lucia Medeiros – UFPA-Bragança

  • 19h – Cerimonial de Abertura do Festival
  • Exibição do Vídeo – Valdir Sarubbi / Breve apresentação por Mariana Bordallo.
  • Exibição de um filme promocional do festival.
  • Show com Alex Ribeiro

Sexta-feira, 14

Auditório Maria Lucia Medeiros – UFPA-Bragança
Das 9h às 11h30 - Das 15h às 17h -  Exibição da Mostra Competitiva

Auditório Fundação Educadora de Comunicação
17h – Roda de conversa - Memórias que tecem arte – Mariana Bordallo

Sala I – FABRA-Bragança
9h às 11h30 - Oficina de Documentário – Ministrada por Lorena Montenegro

Auditório Faculdade de Bragança – FABRA
15h às 17h30 - Oficina de Animação – Ministrada por Rosinaldo Pinheiro

Na Praça das Bandeiras
9h às 11h30 - Exibição da Mostra Competitiva 
15h às 17h30 - Exibição da Mostra Paralela

Auditório Maria Lucia Medeiros – UFPA-Bragança
17h30 às 19h - Exibição da Mostra Paralela (Sessão Livre)

20h – Cerimonial de encerramento do Festival
Exibição dos três filmes ganhadores do festival (Trechos).
Entrega da premiação.

MOSTRA CURTA BRASIS (20 FILMES SELECIONADOS)

  • À luz do sol - Documentário - 13min16s       - Belém/Pará - Edielson Shinohara – Cor -2017
  • A mulher do treze – Ficção - 16min-Vitória/Espirito Santo - Rejane Arruda- Cor- 2017
  • Aquarela-Ficção -15min - São Luiz / Maranhão - Thiago Kistenmacker e Al Danuzio – Cor-2018
  • Arquitetura do abismo – Experimental -17min-São Paulo -Pietro Santurbano – Cor-2018
  • BOLHA - Animação - 15min - Recife/Pernambuco-Mateus Alves  -Cor-2018
  • Caranguejo Homem –Ficção - 17min-São Paulo-Aline Pellegrini e Wallyson Mota-Cor-2018
  • Da terra vem-Documentário/Etnográfico-14min-Pelotas/Rio Grande do Sul-Camila Albrecht e Takeo Ito-Cor-2017
  • De Vez em Quando, Quando Eu Morro, Eu Choro-Ficção-15min-João Pessoa/Paraíba-R.B. Lima-Cor-2017
  • Em Torno do Sol-Ficção-12min-Natal / Rio Grande do Norte-Júlio Castro e Vlamir Cruz-P&B-2017
  • Fantasia de Índio-Documentário-18min-Recife/Pernambuco-Manuela Andrade-Cor-2017
  • Impávido Colosso-Documentário-15min-     Aracaju/Sergipe-Fábio Rogério e Marcelo Ikeda-Cor-2018
  • Kátharsis-Ficção-18min-Caxias do Sul/Rio Grande do Sul-Mirela Kruel-P&B-2017
  • Majur-Documentário-20min-Rondonópolis/Mato Grosso-Rafael Irineu-Cor-2018
  • Maria-Documentário-16min44s-Manaus/Amazonas-Elen Linth e Riane Nascimento-Cor-2017
  • Marias –Ficção-15min--Goiânia/Goiás-Edem Ortegal-P&B-2017
  • O Malabarista-Animação-11min-Goiânia/Goiás-Iuri Moreno-Cor-2018
  • Um Café e Quatro Segundos-Ficção-15min-Rio de Janeiro-Cristiano Requião-Cor-2018
  • Um filme de Baixo Orçamento-Ficção-13min-São Paulo-Paulo Leierer-Cor-2018
  • Vidas Cinzas-Documentário-15min-Rio de Janeiro-Leonardo Martinelli-P&B-2017
  • Você, morto-Ficção-19min-      Vila Velha/Espirito Santo-Raphael Araújo-Cor-2018


MOSTRA CURTA BRAGANÇA (6 FILMES SELECIONADOS)

  • Africateua-Etnográfico-19min36s-Bragança/Pará-Danilo Asp-Cor-2018
  • Covato – Desenterre seus segredos-Ficção-16min-Santarém/ Pará-Emanoel Franklin-Cor-2018
  • Me entende mais - Ficção - 11min-Belém-Pará-João Luciano-Cor-2018
  • Na Boca do Peixe-Documentário-8min- Bragança/Pará - Almirzinho Gabriel-Cor-2002
  • Pena e Maracá – A Encantaria do Fundo-Documentário/Etnográfico-20min- Rio de Janeiro-Leonardo Carrato e Daniel Meneguelli-Cor-2018
  • Shala-Ficção-11min- Belém/Pará-João Inácio-Cor-2016

5.12.18

Pedrinho Cavallero lança "Querelas da Amazônia"

O show de lançamento é hoje (5), na Cervejaria Oficial do Umarizal, na Rua Antonio Barreto, 1176, próx. Alcindo Cacela às 20h30 com entrada franca. Haverá várias participações de artistas que gravaram o disco e a banda base formada por Bruno Mendes na percussão, teclados Joísta Kzam, Edvaldo Cavalcante na bateria, baixo de Mario Jorge e nos sopros, Marcos Puff.

Após 5 anos sem lançar, o cantor e compositor Pedrinho Cavallero nos presenteia com um novo álbum que comemora 40 anos de parceria com o poeta Jorge Andrade.  "Fomos cobaia um do outro. Experimentamos, arriscamos, aprendemos juntos. Amadurecemos musica, poesia, amizade. Começaria tudo outra vez" conta Pedrinho Cavallero. 

O  Querelas da Amazônia reúne 14 composições de Pedrinho Cavalléro e Jorge Andrade e tem participação de grandes vozes da música popular como Lucinha Bastos, Andréa Pinheiro, Olivar Barreto, Alba Mariah, Simone Almeida, Eudes Fraga, Ilessi, Renata Rel Pinho, Karen Tavares, Bruno Benitez, Floriano e até o próprio Jorge Andrade canta na faixa de abertura junto ao parceiro Pedrinho Cavallero. "Um privilégio que virou orgulho ser amigo e parceiro do Cavallero... Compositor que sabe como poucos, o segredo de juntar música às palavras" diz Jorge.

Este CD é resultado do prêmio Seiva, Produção e Difusão de 2018, realizado pela Fundação Cultural do Pará e Governo do Pará e lançado também nas plataformas digitais com acesso gratuito aos usuários através da assessoria de Ná Figueredo.

O CD contou com a direção musical de Pedrinho Cavalléro, produção de Lany Cavaléro, fotos de Sergio Malcher,  encarte de Andréa Pinheiro, gravado em sua maior parte no Estúdio Z, de Thiago Albuquerque. Tem apoio da TV e Rádio Cultura e da Cervejaria Oficial.

Nazaco Gomes na expectativa do Sons da Floresta

Foto: Alan Soares /Arte: Vilson Vicente
Tudo pronto para o show de gravação do DVD "Sons da Floresta". Os ingressos ontem acabaram em duas horas, por isso a produção, a pedido do próprio Trio Manari resolveu realizar sessão extra, no Teatro Waldemar Henrique. A primeira será às 19h, já com lugares esgotados, e a segunda apresentação às 20h30, com distribuição dos ingressos, hoje (5), a partir das 16h, na bilheteria do teatro, na Praça da República, Av. Pres. Vargas. É gratuito. O projeto é contemplado pelo Rumos Itaú Cultural.

Enquanto a adrenalina toma conta da equipe envolvida na gravação de hoje, que marca a trajetória dos 18 anos do Trio Manari, o nosso papo será com Nazaco Gomes, fechando a série de entrevista sobre o grupo neste momento de celebração. Ele é o mais velho, recebendo reverências de Márcio Jardim e Kleber Paturi. Atuando em grupos folclóricos de Belém desde os 09 anos de idade, Nazaco começou seus estudos de percussão popular com o professor Arythanan Figueredeo, e posteriormente passou entrou para o curso livre de percussão do Conservatório Carlos Gomes com o professor Vanildo Monteiro.

Pesquisador de ritmos brasileiros, o músico atrela sua musicalidade ao estudo dos ritmos e tradições da história do Brasil, Nazaco dá ênfase nos tambores e ritmos Amazônicos, Latino-Americanos e Africanos e elabora arranjos percussivos para grupos populares. É especialista em sonoplastia de diversos sons da floresta, além de ter a expertise de confeccionar instrumentos de materiais recicláveis e atuar como arte-educador.

Com o Trio Manari viajou pelo mundo levando a percussão amazônica para diversos palcos e workshops ministrados na Universidade de Caiena, no PASIC (Percussive Arts Society Convencion) na Universidade de Columbia. Ele também já dividiu o palco com artistas como  Giovani Hidalgo, Naná Vasconcelos, Sebastião Tapajós, Fafá de Belém, Nilson Chaves, Celso Viáfora, Iva Rothe, Marco André, Patricia Bastos, dentre vários outros.

Holofote Virtual: Vocês estão se reunindo pela 1ª vez, depois de 18 anos de carreira, para gravar um DVD. O que esse trabalho traz de essência do Trio Manari?

Nazaco Gomes: Tudo que a gente já fez juntos, as ideias, as técnicas e outras coisas bacanas acumuladas nesses anos de carreira. Nas composições do DVD minha parte é mais dos graves, mais da levada. As quebradas ficam mais para o Márcio (Jardim) e o Paturi (Kleber Benigno). É muita figura junto e o grave embola se ele estiver quebrando junto, então a gente decidiu fazer só a levada mesmo para não embolar. Não é uma coisa que em um ensaio a gente possa tocar, é uma coisa complicada pra tocar. Faremos quatro peças só nós três no palco, só a percussão.

Holofote Virtual: Será uma celebração dessa trajetória de vocês...

Nazaco Gomes: É. Para esse DVD, a gente vem com o espírito de mostrar tudo o que a gente já passou, e que demonstra que somos daqui. Vem uma Floresta inteira junto com a gente. Vai ter tudo isso no DVD.

Holofote Virtual: Vocês construíram já um legado.

Nazaco Gomes: É, mas não que a gente tenha feito mais que os outros. Fizemos, digamos, coisas significativas, mas não só para nossa carreira, é algo de contribuição para a percussão do nosso estado, para a percussão Amazônica e para a percussão brasileira.

Holofote Virtual: Vocês colocaram a percussão Amazônica em outro patamar, é inegável. Nesses quase 20 anos de carreira, vocês passaram por vários lugares, sendo muito importante, a apresentação no PASIC (Percussive Arts Society Internacional Convention). Fala um pouco como foi experiência.

Nazaco Gomes: Isso foi na segunda vez que fomos aos EUA. A primeira vez foi em 2004 e a segunda em 2017, para o PASIC. E isso foi muito importante. Íamos tocar lá com um grande nome da música percussiva mundial, o Naná Vasconcelos, só que ele teve um edema pulmonar e não pode ir. Então quem assumiu o posto na época, foi o Giovanni Hidalgo, que tocou um show quase inteiro com a gente, nos fazendo os maiores elogios. 

Não entendíamos quase nada, porque ele falou em inglês, mas aquele momento foi muito bom, pois fomos ouvidos por outros grandes percussionistas do mundo todo, doutores, pós-doutores, mestrando e alunos de percussão. Não tocamos para leigo naquele dia. Havia mais de 3.000 pessoas da nossa área da percussão, e fomos aplaudidos de pé, então foi muito importante. 

Amigos nossos diziam que nos EUA, músico erudito não aplaudia de pé músico popular, mas só que a gente, eles aplaudiram. E aplaudiram de pé. Então conseguimos nosso objetivo de levar os ritmos daqui, o nosso som para ser aplaudido de pé no maior encontro de música percussiva do mundo.

Holofote Virtual: Para esse show, dentro da formação do Manari, tem uma concepção orquestral na montagem. Tu comandas a maioria dos tambores graves, o Márcio os médios graves e o Paturi os mais agudos. Dentro dessa concepção o que tem de peculiaridades novas nesses tambores, nessa concepção que vocês vão trazer para este DVD? Quais são as peculiaridade de cada set?

Nazaco Gomes: No meu caso, eu estava querendo diminuir as estantes, então eu fiz uma trave e coloquei, como em percussão erudita que às vezes a gente coloca na trave. Então eu coloquei vários instrumentos pendurados, que ficam bem ao meu alcance, porque eu vou tocar sentado, o curimbó é menor, já os instrumentos mais médios e agudos ficam na trave. 

No caso do Márcio (Jardim), tudo ficou mais centrado, como ele sempre faz com a gente, no apoio do bumbo, que não é de música comercial. É um bumbo mais seco, por causa do ajuste com os graves, e a parte mais metálica, com pratos cowbell. Tem caixa, tons e tambores que ele vai tocar com a mão também, além de um trio de congas, que é mais grave. A large, ele substitui por um “barricão”, que ele mandou construir, e isso então é uma novidade no set. O som do “barricão” vai ser usado no set dele.

Tem novidades também no set do Paturi, que vai usar umas latas que ele tem e que são muito interessantes para fazer melodias. Tem música que vai ser tocada só com nós três no palco, e vai ter essa melodia das latas com algumas coisas eletrônicas pelo fundo, não usando coisas graves. Enfim são coisas muito pequenas e poucas só pra ir orientando o tempo da música, porque tem música que tem muita mudança de compasso.

Holofote Virtual: Nesse DVD vai ter um repertório autoral de 07 músicas inéditas, fala um pouco desse repertório.

Nazaco Gomes: É, fizemos 07 novas músicas, especialmente pra gravação do DVD, mas vamos fazer também a música Dançando no rio, que não é inédita, mas ganhará uma nova roupagem, com a melodia e os baixos na Marimba. Nas demais composições, vão tocar os filhos do Márcio, William e Wesley Jardim, na guitarra e baixo respectivamente. Eles vão fazer os temas instrumentais. Já tocam com a gente desde criança.

Holofote Virtual: Podemos dizer que Dançando no rio é o “Hit” do Trio Manari, não é?

Nazaco Gomes: É. Essa música abriu muitas fronteiras, senão me engano em 2004 a gente tocou praticamente um ano numa rádio chamada rádio Gabriele, que é hispânica e pega a América do Sul inteira, a América Latina toda.

Tocamos durante um ano nesta rádio. Fomos para um festival em Caiena, que era um festival grande, então a gente conseguiu vender 98 CDs a 20 euros no festival depois da apresentação. Foi muito importante a gente tocar numa rádio fora do Brasil, e ter toda essa repercussão, graças a isso, hoje nós somos muito conhecidos na América Latina.

Holofote Virtual: Depois da gravação do DVD, qual vai ser o planejamento para mostrar essa produção?

Nazaco Gomes: Temos muitos amigos em tudo quanto é lugar. Na Suíça, na Alemanha, Inglaterra, EUA, por onde a gente passou. Vamos encaminhar esse material para eles para quem sabe ano que vem tenhamos perspectivas de viagem.

Holofote Virtual: O Trio Manari teve seu ápice nesse momento do PASIC, e depois deu uma, digamos assim, sumida ou o que houve, na sua opinião?

Nazaco Gomes: O que eu vejo é que não foi só a gente que deu esse tempo. No geral, e não é só um caso da percussão, o espaço para essa música que é mais “escondida”, não é uma música comercial, começa a ser invadido por muita música eletrônica. Nas rádios tem muita música sertaneja, e nesse momento todo, a cultura, eu acho que realmente, ela foi nivelada muito por baixo. Então quem faz uma música mais elaborada, mais de pesquisa, intelectual, não teve oportunidade, não se abriu essa oportunidade, não só aqui, mas no mundo inteiro.

Holofote Virtual: A história da percussão paraense tem gente importante antes de vocês, como Arythanã, que acaba de receber título de Mestre da Cultura, o Zé Macêdo, Dadadá e outros. Vejo que o Manari representa uma nova geração e também se coloca, pelo trabalho extremamente autoral e criativo, como um divisor de águas na percussão amazônica. Tu concordas com isso?

Nazaco Gomes: Eu acho que temos dois momentos em que a percussão na Amazônia tem uma mudança, a primeira quando chega por aqui o professor Luis Roberto Scioci Sampaio (Betão), que fundou o curso de percussão no Conservatório Carlos Gomes. A partir daí abrem-se as portas para uma percussão mais técnica. Depois nossa participação no grupo de percussão da Fundação é motivo de orgulho. O que fizemos e trouxemos como técnica de grupo de percussão surge após esses dois momentos.

Holofote Virtual: A geração anterior era mais intuitiva, não tinha muito acesso a esse estudo da técnica, devia ser mais complicado...

Nazaco Gomes: Com certeza, não tinha internet, a gente não tinha nada, era muito difícil, e como buscar isso? Escutando muito disco. Fomos privilegiados de ter escutado muita música latina, então a gente tem uma peculiaridade dessa escuta. Quando a gente toca samba, nosso agudo é no “E”, não é no tempo, então nosso samba já é diferente.

Holofote Virtual: É inegável que o Manari se tornou um divisor de águas na história da percussão paraense e também vem gerando percussionistas mergulhados nessa sonoridade amazônica...

Nazaco Gomes: É verdade, e agora já tá chegando uma nova geração, que é até de Manaus. Tem o Igor Saunier, que está lançando o livro Tambores da Amazônia, ele foi aluno nosso em oficinas lá em São Paulo. Hoje ele faz mestrado, que é em cima do livro que ele está construindo, então acho que é um legado que o Manari está deixando.

Holofote Virtual: E como estão teus trabalhos paralelos ao do Trio Manari, quais teus projetos?

Nazaco Gomes: Eu estou desenvolvendo um projeto junto com o percussionista Carlos “Canhão”, que é um livro de ritmos amazônicos que estamos desenvolvendo, devemos concluir agora em 2019, e as aulas/oficinas que eu dou no Marajó, no Curro-Velho. Também acompanho alguns artistas, mas de projeto mesmo é esse do livro que a gente deve lançar em 2019 e o DVD do Manari é claro.

Holofote Virtual: Mas a meta depois da gravação do DVD, é ganhar o mundo?

Nazaco Gomes: É. Pode ser, porque a gente entrou agora num momento político muito ruim, a gente está às escuras. Não sabemos o que vai acontecer. A arte depende de muita coisa para ser desenvolvida. Para viajarmos, dependemos das passagens, é muito difícil o artista se bancar sozinho, ter respaldo para isso é muito difícil, mas vamos ver se o novo gestor do estado vai olhar pra classe artística, né.

Holofote Virtual: Alguma coisa para concluir sobre essa trajetória do Manari?

Nazaco Gomes: Nossa trajetória é bem bonita, e como em toda a arte a gente tem nossas histórias de perdas e ganhos. É como acontece em qualquer outra profissão. O Manari teve seus altos e baixos durante esses 18 anos, mas a gente conseguiu segurar a onda, porque a gente tem uma história juntos, e a gente não vai abandonar isso do nada. 

Temos um laço afetivo muito forte, nós somos muito amigos, nossas famílias são amigas, então a gente tem essa força muito grande. E não é só para com o Manari, mas com todos os nossos amigos da percussão, principalmente os daqui da região.

Holofote Virtual: Tem mais alguma coisa que tu gostarias de acrescentar?

Nazaco Gomes: A única coisa que eu vou acrescentar é que estou ao lado de amigos, parceiros para ser feliz na hora de tocar.

4.12.18

Kleber Paturi num papo sobre o "Sons da Floresta"

Fotos: Alan Soares / Arte: Vilson Vicente
A montagem de palco, cenário, luz e som para a gravação do show "Sons da Floresta", que resultará no DVD homônimo, projeto contemplado pelo Rumos Itaú Cultural, iniciou hoje pela manhã. A apresentação aberta ao público será nesta quarta-feira, 5, às 19h, no Teatro Waldemar Henrique. Os ingressos começaram a ser distribuídos na bilheteria do teatro, mas quem quiser pode levar um quilo de alimento não perecível para doação. Serão apenas 200 lugares. Melhor correr. 

O papo de hoje aqui no blog é com Kleber Benigno, Paturi, como é chamado pelos amigos. Ele iniciou sua carreira nos anos 1990 com o grupo Mosaico de Ravena, inicialmente como roadie e depois como percussionista. Na época já estava no Conservatório Carlos Gomes, onde estudava percussão erudita.  Já conhecia Nazaco Gomes, mas foi lá que encontrou com Márcio Jardim para em pouco tempo dar início a uma pesquisa que resultaria na formação do Trio Manari, no ano 2000. São 18 anos juntos, mas Paturi costuma dizer que para além do grupo, só de amizade lá se vão três décadas. Eles andam fazendo as contas. 

Em sua trajetória pessoal, Paturi tocou em diversos outros grupos e com vários artistas, como Marhco Monteiro, por cinco anos, e com o Fruta Quente, com o qual viajou pelo Brasil e Portugal. Também trabalhou com o Grupo de Percussão erudita do Conservatório Carlos Gomes, gravou discos com Marhco Monteiro, Fruta Quente, Banda Alternativa, Edilson Moreno, Pinduca, Patricia Bastos, Pedrinho Callado, Dante Ozzetti, Andrea Pinheiro e outros, até entrar para o grupo Percussão Brasil,  que tinha no comando o maestro Vanildo Monteiro, professor de todos eles.

O músico tem influência do rock e da música latina - estudou dois anos com o músico uruguaio radicado em Belém, Daniel Benitez -, da Música Popular do Brasil e a Cultura Popular da Amazônia. Atualmente cursa licenciatura em música e o técnico em percussão na Emufpa, sendo aluno do maestro Vanildo Monteiro, que era o regente do Percussão Brasil.

Com direção de Caco Souza, que filma no Pará desde os anos 1990, a gravação do show para o "Sons da Floresta" será histórica e em clima de celebração. No palco, além do trio, há convidados especiais como Marcelino Santos, banjista e percussionista, Wesley Jardim, no baixo, e William Jardim, na guitarra. Jovens, o primeiro foi aluno e os demais são filhos de Márcio Jardim. 

Há ainda Felipe Ricardo e Daniel Serrão, os irmãos saxofonistas que são fãs do trio que acompanham desde a mais tenra idade. Serão ao menos três gerações no palco, contando ainda com os músicos Lulu Borges, no trombone, e Gerson Levy, no trompete. Na entrevista a seguir, Paturi também traz suas lembranças sobre a formação do grupo, as viagens que fizeram pelo mundo e também conta mais um pouco sobre o que o trio preparou para este DVD.

Holofote Virtual: A partir das tuas memórias, como surge o Trio Manari?

Kleber Benigno Paturi: O Manari foi formado a partir de outro grupo chamado Percussão Brasil. Foi quando tocamos no Canadá, éramos bem uns 20 percussionistas, que percebemos o interesse que as pessoas lá fora têm pelos ritmos do Norte do Brasil.

Eles gostaram muito e pediram o bis dessas músicas da região do Pará. Foi aí que caiu a nossa ficha. Chegando aqui começamos a pesquisar os ritmos do Norte. Fomos pesquisando devagarzinho e vimos que dava para montar um grupo. Então é isso, ano 2000. O grupo tem 18 anos, mas de amizade mesmo temos mais de 20.


Holofote Virtual: O nome do grupo é muito legal, como surge essa ideia?

Kleber Benigno Paturi O nome surgiu de uma brincadeira. O “Ma”, de Márcio, o “Na”, do Nazaco e o “Ri”, de Paturí, pegando a última e não a primeira sílaba do nome.

Holofote Virtual: Ficou parecendo uma palavra indígena...

Kleber Benigno Paturi Na verdade as coisas vão se encontrando, não foi nada pensado, mas é isso. Graças a Deus.

Holofote Virtual: Nesses 18 anos vocês já realizaram muitas coisas, como as participações em festivais importantes... 

Kleber Benigno Paturi: Participamos de festivais de word music. E isso só acrescentou, conhecemos muitos músicos, tanto percussionistas, quanto outros instrumentistas, guitarristas, baixistas, e fizemos um elo, amigos pelo mundo, tanto que a gente tem algumas coisas gravadas com gente de fora, que nunca ninguém falou nada, porque nem a gente fala, né? (risos).

Mas eles lançam aí fora, e isso é legal. Isso fez com que a nossa cultura musical ganhasse mais visibilidade. Muitas pessoas, antes da gente, já vêm divulgando isso, querendo um lugar ao sol. E é isso que a gente tenta fazer quando vai pra um festival desses, a gente não vende só o nosso grupo, a gente garante o lugar do nosso Estado, do Norte do Brasil nessa cena e mostramos o nosso trabalho, que nem mesmo o nosso país e nem o mundo conhece muito ainda.

Holofote Virtual: O Manari mergulha nessa pesquisa dos ritmos da Amazônia e utiliza instrumentos especiais, artesanais, específicos para o trabalho que desenvolve. É isso que vem caracterizando mais ainda o trabalho de vocês?

Kleber Benigno Paturi: Fomos aos festivais dos EUA e na França justamente porque temos uma sonoridade diferente. Nos classificamos porque a gente tocou Carimbó, Samba de Cacete. A gente foi pra lá por causa desses ritmos, por causa dessa nossa identidade cultural.

E chegando lá foi melhor ainda, porque eles só tinham visto pelo vídeo, ou só pelo áudio, e lá eles viram ao vivo, como é o som mesmo, e foi muito bom, muito emocionante, tanto que a gente conseguiu tocar com vários caras maravilhosos como o Alex Acuña, Giovanni Hidalgo, Luis Conti, que são percussionistas mundialmente conhecidos, caras que já gravaram com Dizzy Gillespie, Madonna, Michael Jackson, então são pessoas maravilhosas que ficaram nossos amigos assim, de a gente ter o e-mail, o telefone, isso é legal, isso é bom.

Holofote Virtual: Vamos falar das músicas inéditas que estarão no DVD. Estão trazendo a essência do Manari?

Kleber Benigno Paturi: Há músicas supernovas que são muito percussivas, e nessas músicas somos só nós no palco. Os nomes ainda estão sendo criados (risos). Também vamos regravar Dançando no Rio, que é do 1º CD. A gente está mergulhando mais no universo percussivo nesse momento, fomentando mais a percussão aqui do Norte para que seja mais vista aí fora do Brasil.

Holofote Virtual: Todo mundo percebe que têm tocado pouco juntos, digo enquanto show do Manarí, mas estão sempre tocando com outros artistas, e sempre que um de vocês vai tocar é apresentado como do Trio Manari, ou seja, o Manari está sempre presente na cena, é isso? 

Kleber Benigno Paturi: É legal isso, porque inclusive cada um tem seu trabalho solo e dá força um pro outro, então quando a gente vê outro amigo no projeto dele, não tem aquela coisa de “poxa, que merda, o cara não está comigo”, não. O cara tem que fazer o trabalho solo dele também, porque é o sonho dele, aquelas músicas que ele está tocando ali são do sentimento dele, algo individual e que ele pode botar o que ele quiser, porque ele não vai ter os outros amigos enchendo o “saco”. (risos).

Holofote Virtual: O que tu estás fazendo paralelamente ao projeto de gravação do DVD?

Kleber Benigno Paturi: Paralelamente, eu voltei a estudar, estou fazendo uma graduação em música, licenciatura em música, e também voltei a estudar percussão erudita, que é um curso técnico em percussão erudita, mas para formação mesmo. Não que eu vá me tornar um percussionista erudito, é mais para lapidar o que eu penso e é sempre bom estar estudar, né? 

Holofote Virtual: O que se pode dizer ao público que amanhã vai prestigiar a gravação do DVD?

Kleber Benigno Paturi: Uma coisa só, que todo mundo que for ao show possa se comover com o que a gente toca, e que realmente comece a dar valor a todos os artistas aqui da região. Eu há 18 anos falo a mesma coisa. Eu, Márcio Jardim e Nazaco, todos nós artistas paraenses não devemos nada para nenhum artista do Brasil. O que está faltando é o público aqui do Norte do Brasil valorizar também estes artistas. Aí a gente vai longe, é isso, bora fazer junto isso, um beijo pra todo mundo.

3.12.18

Márcio Jardim fala do primeiro DVD do Trio Manari

Fotos: Alan Soares. Ilustração e arte : Vilson Vicente
As gravações do 1o DVD do Trio Manari iniciam amanhã com entrevistas, que serão realizadas em locações externas, em Belém, mas o público poderá participar, nesta quarta-feira, 5, do show no Teatro Waldemar Henrique, às 19h, com entrada gratuita. Os ingressos começam a ser distribuídos nesta terça-feira, na bilheteria do teatro, que fica na Praça da República. Intitulado “Sons da Floresta”, o projeto foi contemplado pelo Programa Rumos Itaú Cultural 2018.  

Foram necessários 18 anos para chegar ao primeiro DVD, mas isso é só um detalhe. Formado por Márcio Jardim, Nazaco Gomes e Kleber Benigno “Paturi”, o Trio Manari vem pesquisando e difundindo a música amazônica, focada na questão instrumental percussiva e, mergulhado numa "orquestra" de sons que a floresta produz naturalmente, o grupo ganhou reconhecimento, assim como os percussionistas são hoje referências, com trabalhos pessoais e inúmeras parcerias e participações.  

O blog vai publicar até quarta-feira, uma entrevista exclusiva com cada um dos percussionista, iniciando com Márcio Jardim, que além do Trio Manari, hoje, vem se apresentando, produzindo e tecendo arranjos percussivos com Sebastião Tapajós, Lia Sophia, Fafá de Belém, Nilson Chaves, Pepeu Gomes, Paulinho Mosca, Celso Viáfora, dentre outros artistas, além de viajar o mundo com turnês pelo Canadá, Argentina, Suriname, Portugal, França, Alemanha, Bélgica, Inglaterra e Estados Unidos. Marcio Jardim também atua como professor, e recentemente criou e dirige o Grupo Jardim Percussivo, que com ajuda de amigos lançaram seu primeiro CD.

Nascido  em família de músicos, desde muito cedo ele já tinha o pé no batuque. Foi nas rodas de samba em sua casa que ele encontrou o primeiro palco. Desde então, passou a se dedicar à música, tendo como seu primeiro instrumento, o pandeiro. Depois disso foi estudar no conservatório Carlos Gomes, na turma de percussão clássica e lá conheceu seus dois grandes parceiros, com os quais criou, em 2000, o Manari. Na entrevista a seguir, realizada durante a sessão de fotos no Museu Emílio Goeldi, Márcio Jardim dá a sua versão do surgimento do grupo e fala de momentos importantes em toda essa trajetória. 

Holofote Virtual: De repente, 18 anos. Como foi que tudo isso aconteceu?

Márcio Jardim: Faz até mais tempo, a gente se juntou para fazer um estudo da percussão. No início o Nazaco não podia, ele é um pouco mais velho que nós e já tinha muitos compromissos na época. Eu e Paturi resolvemos encarar e como o Nazaco não podia na época, a gente chamou o Edson (Santana), que é percussionista também, e foi muito legal com o Edson, mas a liga não era a mesma que rolava entre nós três. Ficamos um tempo com Edson, ele tocava muito Atabaque, vinha do Candomblé, tocava muito, mas só que não deu aquela liga, e aí a gente deu uma pausa e quando nos reencontramos com o Nazaco, retomamos os estudos. E aí é que tudo começou a andar um pouco mais e fundamos o Manari.

Holofote Virtual: As pessoas muitas vezes se perguntam se o Manari terminou... Esse DVD significa aí uma volta definitiva do Trio Manari?

Márcio Jardim: Na verdade não é bem uma volta, porque a gente nunca parou, mas como a gente fez muita coisa separadamente, fica parecendo. Fazemos cada um muitos trabalhos e estamos envolvidos com muitas coisas. Eu tenho o projeto Jardim Percussivo, o Paturi tem as coisas dele, o Nazaco tem as coisas dele, então a gente não deu uma parada, a gente deu uma distanciada pra cuidar de outras coisas da própria vida mesmo. 

O Paturi tá fazendo faculdade, então todos começaram a fazer outras coisas, e no fundo, no fundo isso foi bom pro Manari. O meu trabalho com o Jardim Percussivo formando outros garotos, o Nazaco também formando outros alunos, então as pessoas não veem a gente tocando muito nesses últimos anos, acha que a gente está parado, mas na verdade a gente nunca separou, sempre trabalhamos e gravamos com muita gente, fizemos grandes trabalhos e seguimos assim.

Holofote Virtual: Qual é a concepção desse trabalho do DVD?

Márcio Jardim: O Manari, desde o início, tem a questão instrumental percussiva, e ele teve uma caminhada diferente, hoje a gente voltou pra onde o trabalho iniciou. Antigamente, o trabalho era mais raiz com percussão e sempre teve outros instrumentistas, mas a percussão sempre esteve mais na frente. Com o tempo, a gente foi trabalhando com vários cantores, compositores, as coisas foram mudando um pouco, ficou até muito popular, e a gente ficou trabalhando muito em função dos outros, do que do nosso próprio trabalho.

Agora a gente voltou para essa raiz, vão ter peças de percussão realmente grandes, com todo mundo fazendo partes diferentes, compartilhando mesmo dos tambores, porque os últimos trabalhos que a gente fez, como te falei, foi muito em cima das músicas das outras pessoas, trabalhamos mais para acompanhar, e agora não, estamos voltando às nossas raízes mesmo, e os tambores estão na frente.

Holofote Virtual: O DVD está trazendo músicas inéditas e uma regravação. Fala um pouco sobre o trabalho.

Márcio Jardim: São sete músicas, sendo que três chamei os meninos para trabalhar em cima do que eu já tinha escrito. Vão ter músicas do William (Jardim), que é meu filho. É música dele que o Davi Amorim (guitarrista) fez o arranjo. Tem um Merengue também, que era uma batida que a gente já tinha, e aí pegamos essa batida e pedimos pro Manasses (Malcher – trombonista) fazer um arranjo, que também está muito bacana.

Holofote Virtual: Como é que é o nome?

Márcio Jardim: Pois é, essa não. Os nomes ainda estão em andamento (risos), mas já tem a Suíte e a Titurito, que é o apelido de infância do William, e que agora foi pro disco. Tem um Boi, que foi o Nazaco que fez, e tem música que a gente está arrumando nome ainda, mas tá praticamente tudo pronto. 

Além das inéditas vamos regravar Dançando no Rio, que é uma música nossa que tocou muito aqui em Belém, tocou muito nas rádios, na rádio Cultura aqui, e marcou. Onde toca todo mundo sabe que é do Manari, então o Paturi teve a ideia de reformular essa música, chamando um amigo nosso, o Ziza (Padilha, músico, produtor arranjador) para fazer o arranjo para Marimba e Vibrafone, para dar outra sonoridade.

Holofote Virtual: Porque a escolha do Teatro Waldemar Henrique para a gravação?

Márcio Jardim: A gente até tentou outros lugares, mas Deus sempre faz as coisas do jeito certo, o Waldemar Henrique sempre foi um lugar onde a gente trabalhou muito, fizemos grandes shows lá, sempre com a casa cheia, então acho que acertamos na escolha, lá a gente se sente em casa mesmo.

Holofote Virtual: Quais as melhores lembranças e conexões do Manari ao longo dessa trajetória?

Márcio Jardim: Participamos de vários festivais por aí. Os mais fortes, que eu me lembre, foi o festival PERCPAM (Panorama Percussivo Munidal), produzido pelo Nana Vasconcelos e que que acontece em SP, RJ, BH. Participamos em SP, e foi quando a gente encontrou o (Giovanni) Hidalgo, o (Marcos) Suzano. A gente encontrou muita gente. O Naná Vasconcelos, inclusive, e foi quando a gente conversou com ele sobre nossa possível ida ao PASIC (Percussive Arts Society Internacional Convention), que é o maior encontro de percussão do mundo. 

Tivemos que correr atrás aqui por Belém. Falamos com o Ricardinho (Ricardo Coelho de Souza, percussionista paraense residente nos EUA, professor na University of Oklahomaa School of Music). Mandamos o material pra ele e conseguimos. O PASIC festival é assim o ápice da carreira do percussionista, um grande encontro de percussão mesmo, porque lá está todo mundo, os melhores bateristas, percussionistas do mundo, fomos realmente contemplados em estar lá.

Na época a gente ia fazer um show com o Naná Vasconcelos, mas como ele adoeceu não pôde ir, fomos nós três. Lembro que chegando lá encontramos novamente com o Giovanni Hidalgo, mas tu sabes como é, esses caras são famosos, e a gente achava que ele não ia mais lembrar da gente, mas nada disso, quando nos viu lá nos EUA, de longe, ele já começou a sorrir, veio abraçar a gente, nos reconheceu.

Acho que, querendo ou não, temos um trabalho que passa uma mensagem da alegria. Nós o convidamos pra tocar com a gente neste festival, já que o Naná estava doente e ele topou, mas a gente acreditou muito não. O cara é “endoser” da LP, que é a maior fábrica de instrumento de percussão do mundo, fica todo mundo atrás dele, mas ele falou que ia ... 

Nosso concerto ia ser às seis da tarde, quando deu cinco horas ele bateu lá, a gente não acreditou, ele chegou lá e aí passamos as músicas com o cara, ele ficou louco, queria tocar todas as músicas, só não conseguiu tocar todas na hora porque algumas eram complexas pra pegar na hora, tinha que entender melhor o que estava acontecendo, as figuras rítmicas e tal, mas ele tocou praticamente metade do show, ficou alegre, solou, foi maravilhoso, um negócio assim de outro mundo, inesquecível. 

Holofote Virtual: Quais os CDs já gravados pelo Manari?

Márcio Jardim: Temos o “Braços da Amazônia”, CD instrumental que nos lançou nestes festivais e shows mundo afora; temos outro CD com músicas cantadas, que fizemos junto com o Marco André. Gravamos o CD “Manari” com Sebastião Tapajós e o Ney Conceição. E tem um CD também com um baixista chamado Rubem Farias, que é de São Paulo, ainda não foi lançado, mas é um CD pancada também.

Holofote Virtual: São composições de vocês?

Márcio Jardim: É misturado. Tem músicas nossas, músicas dos caras, música em conjunto e tem um trabalho com o Dante Ozetti também. Então são cinco CDs na verdade.

Holofote Virtual: Outra peculiaridade desse trabalho está nos instrumentos do grupo, em busca de uma sonoridade mais autêntica da Amazônia. Como isso repercutiu no universo da percussão?

Márcio Jardim: No mundo percussivo mundial, tem aqueles instrumentos que já são bem batidos, mas que funcionam em qualquer trabalho, como Congas, Timbales, Bongo, e coisa brasileiras, como surdos, coisas assim, e quando a gente começou a trabalhar com os ritmos da Amazônia, a gente quis colocar nossos instrumentos na frente. Os primeiros a virarem a cara pra gente foram os próprios produtores, porque eles eram acostumados com esses outros instrumentos. 

A gente meio que impôs os nossos, que eles nem conheciam, porque antes, não sei se estou falando bobagem, mas as gravações que a gente escuta, tem muito as batidas nordestinas, né? Muito triângulo, zabumba, que é muito legal, mas empurramos mesmo nossos instrumentos. Usamos o Marabaixo e o Curimbó, e isso já foi uma coisa diferente, porque quando tu escutas as músicas nos discos, ou nos shows, a sonoridade é outra, mesmo trabalhando com os ritmos brasileiros e mundiais, a gente sempre preferiu usar nossos instrumentos.

Holofote Virtual: Tem alguma coisa que querias acrescentar, para encerrarmos, algo que aches importante?

Márcio Jardim: Eu acho importante falar das gerações que estão trabalhando junto com a gente, a gente já está um pouco mais velho, agora tem os meus filhos, os garotos que vão tocar, tem a geração dos meninos do sopro que também vão tocar, tem o Felipe (Ricard – saxofonista), tem o Manasses (Malcher – trombonista), que é outra geração já, então tem várias gerações e, dentro disso, acho importante essa troca com o Manari, porque a gente acaba dando uma linguagem atual para o trabalho. 

1.12.18

A 24ª edição do Circular está em clima sustentável

O Circular Campina Cidade Velha chega a sua 24ª edição, no domingo, 2 de dezembro, celebrando conquistas e realizações. Este ano, além das edições, o projeto ter recbido o 31º Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, uma das principais premiações de reconhecimento do Iphan às ações de preservação do Patrimônio Cultural Brasileiro, e também realizou o Fórum Circular – Patrimônio, Cidadania e Sustentabilidade, realizado em setembro, agregando diversos segmentos sociais e academia para conhecer diferentes experiências relacionadas às grandes intervenções urbanas, patrimônio cultural.  Ao final foi criada uma CARTA MANIFESTO, que pode ser lida e assinada no site da Avazz.Org (http://bit.ly/2ysaQqB).

Nesta edição derradeira do ano, o Circular traz novos parceiros. Desta vez, entra na circulação um novo espaço cultural na cidade, o Studio FDEZBelém, situado na Praça do Ferro de Engomar, onde ficava localizado o lendário Bar 3 x 4, marco do surgimento da Fotoativa em Belém. Na sua programação oferecerá ao público, como principal atividade, a educação através da linguagem fotográfica digital e suas vertentes. 

Na Galeria estará a exposição “Sob a Luz”, na loja, tem blusas, bolsas, camisas, etc. Na Praça, um FotoVaral de temáticas livros será atração, além do Studio Aberto, oferecendo exercícios práticos de ensaio fotográfico à luz do dia. Também haverá uma aula aberta sobre o tempo na fotografia, com participação da bailarina e professora de dança Nanssy Brandão, da Ballare Escola de Dança.

Foto: Otávio Henriques
O Instituto Histórico e Geográfico do Pará, localizado no histórico Solar do Barão do Guajará, um prédio belíssimo, situado na Praça D. Pedro I, entrou na circulação e abrirá com visitações e uma palestra sobre história da arte, em que será abordada a restauração da tela de D. Pedro I, de autoria de Manuel Pastana.

A Lojinha do Instituto Peabiru, inaugurada recentemente, está dentro do projeto a partir desta edição, reforçando as ações do bairro do Reduto, junto à Casa do Fauno. O novo espaço abrirá pela manhã com exposição de seus produtos, café da manhã, bate papo e um cortejo pela parte da tarde, seguido da apresentação do grupo Nação Ogan.

Outra boa nova desta edição é a programação vasta que o Largo de São João vai receber, com a participação de oficinas do Bike Anjo Belém, CIURB, Laboratório da Cidade e Verde Cidadão. Não deixe de visitar esta charmosa pracinha que fica na frente da Capela São João, uma jóia rara da nossa arquitetura. A programação inicia pela manhã com Yoga, venda de produtos dos Microempreendedores da Passagem do Carmo, Oficina de plantio e distribuição de mudas e muita brincadeira de rua. Leva a molecada que todos vão adorar.

Diversão e opções de presentes sustentáveis

O Espaço Cultural Banco da Amazônia traz uma programação variada e já em total clima natalino. Logo cedo pela manhã tem Aula de Ginastica e Ritmos para manter a saúde em dia, apresentação do Auto de Natal do Notáveis Clowns, Coral Vozes da Amazônia e às 11h, Pocket Show de Arthur Espíndola.

Na Associação Fotoativa, a programação é diversa e inicia pela manhã com yoga e café da manhã, seguindo o dia com oficinas, brechó, economia criativa, com a Da Tribu, comidinhas, Feira Marca D’Água, com impressos e publicações independentes, mesa de debate “Palavra: grito de guerrilha”, com participação de Bruno Passos (bike-som ludibriosa - viramundo), Priscila Duque (canto e poesia) e Paulo Meira (Rádio Catimbó), com mediação de Débora Oliveira (Coletivo Aparelho). Também haverá relato de experiência com Slam - Dandaras do Norte e música ao por do sol, com Lariza e João Urubu.

No Espaço Cultural Valmir Bispo Santos tem um Bazar Cultural recheado de novidades e presentinhos sustentáveis. E também tem comidinhas de origem orgânica com a Toró Gastronomia, além de lançamentos da Pizza de Jambú. Delícia!

Na Kamara Kó Galeria também novidade. Além da 7ª edição da exposição fotográfica “Coletivo de Dezembro”., que tem como objetivo facilitar o contato do público em geral com o mundo do colecionismo artístico, o espaço também estará inaugurando em suas instalações a Lojinha da Kamara Kó Galeria. Serão oferecidos Múltiplos de Arte de Andréa Feijó, Flavya Mutran, Guido Elias, Ionaldo Rodrigues Lucas Negrão, Paulo Meira e Pedro Cunha. A ideia é oferecer objetos pensados para serem produzidos em série, sem que exista uma peça original, mas que contenha a ideia que o artista quer propagar.

Tem sebo de livros na circulação, com a participação do Relicário, espaço que se dedica a celebrar a paixão literária, oferecendo um acervo de mais de 5 mil itens, incluindo raridades entre seus materiais, como um álbum de Belém de 1908.

A sede social da Assembleia Paraense abre com a exposição ARTEPHOTOCLUBE AP, que traz trabalhos de autoria de associados integrantes do coletivo Photoclube AP, além de obras de artistas plásticos paraenses. A exposição que apresenta uma diversidade de obras em desenho, pintura, gravura e fotografia tem um caráter de bazar filantrópico, com a venda dos trabalhos doados por esses artistas convidados destinada às obras assistenciais de uma instituição.

No Ouriço Arte e Bar haverá o estímulo ao desapeg, com a participação doo Bazar Zen e do Bazar Olê Olá, que se fundem com a proposta de brechó alternativo e itinerante. Em tempos que roupas e acessórios são produzidos, consumidos e descartados com muita rapidez, mudar um pouco a ordem desse ciclo e reintroduzir esse material no mercado é uma maneira para minimizar desperdícios. Também haverá oficinas e programação musical com os Djs Bruno Titan e Ian Vieira tocam brasilidades.

Para matar a fome, ouvir, passear e conhecer

Foto: Otávio Henriques
Nesta edição, termos a participação do Arquivo Público do Estado do Pará, onde o público poderá conhecer um pouco mais da história desta importante instituição arquivista, assim como dos documentos que estão sob sua guarda. Além disso, quem visitar o prédio vai poder conferir uma exposição montada somente para esse dia, vai ver também a exposição de 30 iconografias que formam uma coleção pertencentes à documentação manuscrita dos períodos colonial e imperial da história do Pará.

Também abrem para visitação o Centro Cultural Da Justiça Eleitoral e o Centro Cultural Sesc Boulevard, que traz o espetáculo "Risos&Sabores", com os palhaços Black e Estrelita, que embarcam em uma deliciosa aventura sobre o quanto é bom se alimentar bem e praticar atividades físicas. O Sistema Integrado de Museus também está na edição, abrindo para visitação, gratuitamente, das 9h às 13h, o Forte do Presépio, o Museu do Círio, o MEP, e a Corveta Museu Solimões.

Para matar a fome, além das comidinhas oferecidas na maioria dos espaços que integram a circulação, também abrirão nesta edição os Restaurantes Dona Joana e Retiro da Sé, um na Campina e outro na Cidade Velha, onde também o Bar do Rubão oferece iguarias bem paraenses além da sua famosa comidinha de boteco. Outro Bar Restaurante na circulação é o Nosso Recanto, na Praça do Carmo. A Tapioquinha da Dona Clea, na Carlos Gomes, 55, também estará aberta com suas deliciosas tapioquinhas, cuscuz e empadas, entre outros itens.

Na Discosaoleo tem três pockets shows. Começando às 11h, com o grupo de carimbo Caruana, um projeto experimental que mistura ancestralidade dos tambores com o som universal contemporâneo, e seguido pela parte da tarde com shows de Camila Barbalho e Nathalia Petta.

E temos também ROTEIROS GEO-TURÍSTICOS sbre a Belle Epoque. O ponto de saída será da Praça da Sereia, em frente ao Cinema Olímpia, às 8h30. O projeto é realizado pela Faculdade de Geografia e Programa de Pós Graduação em Geografia da UFPA. A ação promove caminhadas a pé gratuitas no Centro Histórico de Belém, em que são abordados o patrimônio material e imaterial, cultural e ambiental da cidade de Belém.

Pura arte em circuitos colaborativos

Na Cidade Velha abre o Ateliê e Galeria Jupati. Administrado pela fotógrafa Ursula Bahia, reúne fotografia, artesanato, apresentação de música, performance e também espaço de trabalho colaborativo, oficinas além de hospedarem temporário pelo aplicativo Airbnb. Na programação deste domingo, entre outras atrações, terá duas exposições “Maria - Um Olhar Feminino Sobre o Círio”, coletiva de fotografia, e “Encontros e Afetos”, do fotojornalista Paraibano Mano de Carvalho.

Também haverá oficina, bate papo, apresentação de Circense – Palhaço Espoleta, musical com Ian Lemos & Henrique Souza e infantil “Cantos de Encantaria”, com Renato Torres e Carol Magno. No encerramento, o show será de João Urubu. Além da programação cultural, haverá uma feirinha repleta de opções para presentear neste natal. No Ateliê do Zoca/Papel Na Amazônia você também encontrará sugestões ótimas para presentear.

O Coletivo Aparelho, na ocupação artística no Mercado do Porto do Sal, traz contação de história “Cadê a estrela da árvore?”, com Patrick Marques e o espetáculo teatro “Tomara que não Chova”, com a Cia. Los Gaiatos. (Palhaço Bolonhesa, Palhaço Trapo e Palhaço Provisório Porenquanto). Tudo pela manhã atendendo o público infantil.

Ainda pela manhã haverá a I Mostra de audiovisual com a exibição de “Porto de Memórias”, um filme produzido no Porto do Sal, “Uma aventura no celular e outros parangolés”, além de curtas de animação. A partir do meio dia, a roda é de choro com o Mercado do choro, mas também Vivências “Narrativas visuais” (práticas envolvendo a produção de imagens e textos, enredos, histórias para vídeos do núcleo de audiovisual do Porto do Sal).

No Espaço Vem, a loja autoral traz mais de 15 marcas da cidade e de outros estados: Atelielas, Osada Handmade, Pagu, Flor de Sal, Kaly Acessorios, Aciremamoura Acessórios, Ruthely , Lambes do Mal (BA), Wonderwall Decoração (SP), Augusta costura (BH), Estúdio Livree, Pinalloca, Souina. O espaço oferece ainda um Quintal Paraense, com comidinhas, Flash Tattoo e programação musical, com o show Brasilidades, de Armando e Messias Lyra.

No Xibé Cultural, na rua Cametá, tem apresentação do Grupo Musical Sonata, diretamente de Icoaraci. No repertório, muito samba de raiz exaltando o trabalho dos mestres Cartola, Monarco, Candeia, Nélson Cavaquinho, Manacéa, Paulinho da Viola, João Nogueira, Ciro Aguiar, Luiz Américo e Roberto Ribeiro, dentre outros, além de chorinho instrumental e sambas autorais do grupo da Vila Sorriso, que conta em sua formação com os seguintes músicos: Walter Macedo (violão 7 cordas), Rick do Cavaco (cavaquinho), Rodrigo Macedo (surdo), Simita Macedo (pandeiro e afoxê) e Messias Lyra (vocal).

A programação cultural oferece ainda aos visitantes a exposição fotográfica de Sandro Barbosa, peças em tecido da Tucha Confecções, eco jóias em cerâmica da renomada artesã Val Genú para o Ateliê Art' Genuína e esculturas em madeira do cantador e artesão Sérgio Salles, com foco na Fauna Amazônica. A cozinha do espaço oferece nesta edição festiva, além da cervejinha gelada e caipirinha, uma deliciosa feijoada completa e como novidade também a versão vegana. Ainda, carne assada ao molho ferrugem, leitão ao molho e tábua de frios.

Mais um pouco adiante, nas confluências do bairro Batista Campos, abrirá também o Casarão do Boneco, um espaço cultural autogestionado que contribui para o movimento teatral e para a diversidade cultural da cidade de Belém. Na programação haverá oficina de colagem para crianças, com Victoria Rapsódia, Feirinha de Natal Dell’arte, organizada pela lojinha do Casarão do Boneco.

O objetivo é escoar a produção de artistas e gerar renda para a manutenção do casarão, estimulando a economia local, criativa, justa e sustentável. A novidade fica por conta do almoço e lanches veganos a partir de 12h, uma parceria com o Caldeirão da Herbívora. No final do dia tem shows musicais, com as bandas Mobile Lunar e Dois na Janela. Entrada: pague o quanto puder.

O projeto Circular Campina Cidade Velha conta com patrocínio da Lei Rouanet e Ministério da Cultura por meio do edital do Banco da Amazônia. A realização é da Associação Amigos de Belém. Apoio institucional do IPHAN e UFPA.

PROGRAMAÇÃO COMPLETA
http://bit.ly/2FKJNgd

MAIS INFORMAÇÕES
Whatsapp: 91 98134.7719

30.11.18

Arte Pela Vida reúne vários artistas neste domingo

Epaminondas Gustavo
O pescador Epaminondas Gustavo, personagem criado pelo juiz Claudio Rendeiro, que vem arrastando multidões às gargalhadas nos últimos tempos, é uma das principais atrações do Show Arte pela Vida de 2018, no Teatro Margarida Schivasappa, dia 2 de dezembro, às 19h. Ingressos: $20/$10 (meia) ou 3k de alimentos não perecíveis.

Há 22 anos o comitê homônimo trabalha em prol de Pessoas Vivendo com o HIV-Aids (PVHA) realizando ações de valorização e solidariedade, como os cafés de acolhimento que seus voluntários realizam mensalmente na Uredipe Belém, onde circulam mais de 200 pessoas em uma única manhã .

“Os anos de luta nos fez perceber e participar ativamente na luta contra a AIDS. Passamos a ajudar mais pessoas vivendo com HIV/AIDS, no início, principalmente o Paravida que necessitavam de muita ajuda como alimentos, remédios específicos, aulas de teatro e chegamos a criar ate um mini teatro lá dentro”, lembra Francisco Vasconcelos, coordenador do grupo ha 21 anos.

Cia de teatro mãos livres (atores surdos)
Ele diz que depois foram surgindo novas ações como bazares, chás beneficentes e exposições, cuja renda era toda destinada a causa. Nesse tempo todo já foram doadas inúmeras cadeiras de roda, remédios, cestas básicas e até coisas que ajudavam as pessoas a voltarem a ganhar sua própria renda, como rede de pescar, isopor com água e refrigerantes para recomeçarem suas vidas. 

“Estávamos vendo um número grande de abandono de tratamento e com a ajuda das psicólogas e assistentes sociais, iniciamos o café mensal de acolhimento na URE DIPE, onde é feito o tratamento. No início, eles nem levantavam a cabeça para receber as doações, como pães, café com leite, frutas e etc. Agora, após mais de três anos, mensalmente, eles já interagem e sentimos as melhoras dentro da unidade”, diz Chico. 

O coordenador lembra que barreiras foram rompidas ao longo do tempo. “Agora eles fazem questão de dar depoimentos durante o evento. Para mim, a pior doença que veio com a AIDS, foi a doença social, a doença do preconceito e estamos aos poucos quebrar com este estigima!”, diz.

Joelma Kláudia
O show é uma das ferramentas de arrecadação de recursos do grupo: as doações serão transformadas em cestas a serem entregues aos pacientes no Café de natal. Mas também é o momento de culminância dos trabalhos do comitê, que sempre realiza o espetáculo no início de dezembro, pra lembrar o dia mundial de luta contra a aids, e chamar atenção para o avanço da doença entre os jovens, principalmente, e a premência de políticas mais eficazes a fim de conter a epidemia.

“A gente reúne excelentes atrações e durante o espetáculo serão passadas informações muito relevantes sobre HIV/AIDS e por tudo isso vale muito a pena ir, além de vai ajudar no natal das pessoas vivendo com HIV/AIDS”, diz Chico.

Música, teatro, dança, mímica, performance, poesia e humor são as expressões que o público assistirá no espetáculo, com a participação ainda de Joelma Klaudia, Cacau Novais, Cia. de Teatro Mãos Livres, Sarah D Montserrat, Renato Torres e Renato Gusmão, Cia. de Dança Waldete Brito, Anibal Pacha e Mariléa Aguiar, Danniel Lima e a Cia. de Dança Lucinha Azeredo. A direção é de Nando Lima. 

Para quem quiser acompanhar mais o trabalho do Arte Pela Vida, pode acessar a fanpage no facebok comiteartepelavida, onde há sempre várias informações sobre as ações do Comitê Arte Pela Vida e informações relevantes sobre HIV/AIDS. Há contato também pelo telefone 91 982802188.

SHOW ARTE PELA VIDA 2018
Direção: Nando Lima
Som: Paulo Miranda e Miranda Jr.
Luz: Luciana Porto
Roadie: Lúcio Oliveira
Cenografia: Nando Lima e Afonso Gallindo
Roteiro: Maria Christina
Logística: Davidson Porteglio
Divulgação: Comitê Arte pela Vida
Arte gráfica: Afonso Gallindo/ Matapi Produções
Produção: Comitê Arte Pela Vida

ARTISTAS CONVIDADOS
Anibal Pacha
Epaminondas Gustavo
Cacau Novais
Cia de dança Lucinha Azeredo
Cia de Teatro Mãos Livres
Cia Experimental de Dança Waldete Brito
Danniel Lima
Joelma Kláudia
Marcos Puff Cardoso
Mariléa Aguiar
Renato Gusmão
Renato Torres
Sarah D Montserrat
Yeyé Porto
Músicos ( ou banda base)
Figueredo Junior (guitarra)
Jônatas Gouveia (baixo)

APOIOS
Teatro Margarida Schivasappa / Governo do Estado
Gráfica Garrido
Malicia Pub
Cultura Rede de Comunicação
Holofote Virtual
Distribuidora Estrela do Norte
Eti Mariqueti
Stúdio Reator
Matapi Produções
Holofote Virtual e imprensa em geral

AGRADECIMENTOS
Claudia Pinheiro e equipe técnica do Teatro Margarida Schivasappa 
Adelaide Oliveira
Amélia Garcia
Ana Flor
Beto Paes
Cary John
Célio Fernandes
Francisco Vasconcelos
Gabriel Patrick
Jacqueline Schalken
Luciana Medeiros
Renata Alves
Renata Taylor
Serginho Pinheiro
Silvia Malheiros

SERVIÇO
Show Arte pela Vida. No Teatro Margarida Schivasappa. Domingo, 2 de dezembro, às 19h. Ingressos: R$ 20/ R$10 (meia) ou 3k de alimentos não perecíveis.

27.11.18

2o Prêmio Mundie de Fotografia já tem vencedor

A obra será lançada dia 03 de dezembro no MIS em São Paulo. “Um corpo-consciência transita entre imagens desdobradas de si mesmo evadindo-se das estruturas racionalizantes. Levita em direção ao pensamento sobre o imponderável da existência e o que persiste segredado como mistérios ágrafos. É o que parece perguntar a artista Sheila Oliveira nesta obra Biblioteca Íntima. Um corpo em transmutações a pensar sobre o nada".

O texto acima, assinado pelos editores Eder Chiodetto e Fabiana Bruno revelam um pouco dos questionamentos da artista vencedora do 2º Prêmio Mundie de Fotografia, patrocinado pela Mundie e Advogados. De acordo com os editores, “A obra de Sheila Oliveira, é invariavelmente, uma reflexão obstinada a vasculhar, nas dobras da existência, o que nos é essencial.”

O fotolivro Biblioteca Íntima reúne imagens feitas por Sheila Oliveira em 7 anos. Segundo a artista “a ideia de como um livro pode nos afetar mudando todo o percurso de vida é eminente. Meu trabalho fala sobre isso, sobre possiblidades de transformações."

Durante a cerimônia de premiação, também serão projetados para o público os trabalhos que receberam menção honrosa do júri: "Por Onde Nunca Andei" de Fernanda Zgouridi, “A Última Travessia do Navio Azul" de José Diniz e “Cura Áspera” de Léo Sombra.

O 2º Prêmio Mundie de Fotografia reitera o intuito dos sócios de Mundie e Advogados em promover as artes, a livre expressão e a fotografia contemporânea brasileira. O valor total do Prêmio foi um investimento direto do escritório em cultura, sem contar com leis de incentivo. 

Sheila Oliveira nasceu em São Paulo, em 1968, formou-se em Biblioteconomia e Documentação pela FESP, com Pós-Graduação em Arteterapia.  Dedica-se a fotografia profissional desde 1995. É sócia fundadora do estúdio Empório Fotográfico, dirigido à fotografia de gastronomia e atualmente dedica-se a fotografia de arte pesquisando assuntos que se referem ao sentir e pensar, pensar e agir e todas as conexões e reações no corpo e na alma, utilizando-se na maioria das vezes de autorretratos.

BIBLIOTECA ÍNTIMA
700 EXEMPLARES
2018 Sheila Oliveira| 2018 Fotô Editorial
FOTOGRAFIAS E REPRODUÇÕES
Sheila Oliveira
EDIÇÃO E TEXTO
Eder Chiodetto e Fabiana Bruno
COORDENAÇÃO EDITORIAL
Elaine Pessoa
DESIGN GRÁFICO
Fábio Messias
PUBLISHER
Eder Chiodetto
IMPRESSÃO
Ipsis Gráfica e Editora

Serviço
Lançamento do fotolivro Biblioteca Íntima e Cerimônia de Premiação do 2º Prêmio Mundie de Fotografia.
Quando: 03 de dezembro, às 19h
Onde: MIS-SP, Av. Europa, 158, Jardim Europa
Evento exclusivo para convidados
Estacionamento gratuito