29.12.18

Festival Latinidade encerra o ano na beira do rio


No último domingo do ano, 30 de dezembro, o Festival Latinidade encerra as atividades na beira do rio, com shows de Bruno Benitez e Jeff Moraes. A partir das 16h30, no Marina Amazônia Legal (Av. Bernardo Sayão entre Timbiras e Caripunas). Ingresso: 1kg de alimento ou R$ 10,00, na bilheteria.

Os shows de Bruno Benitez e de Jeff Moraes compõe a tendência de revalorização da sonoridade latina que tanto influenciou a música amazônica. Em duas edições realizadas, o Latinidade já teve em seus palcos, 12 artistas diferentes. O formato itinerante já passou por teatros, casas noturnas e espaços públicos, sempre apresentando a diversidade dos gêneros musicais latinos e a influência da música latina no Pará e suas ramificações. 

O show do músico e anfitrião do festival, Bruno Benitez, por exemplo, traz repertório repleto de carimbó, lambada, salsa, candombe, tecnobrega, tango, cúmbia, entre outras misturas latino amazônicas. “Mostrarei músicas do meu segundo álbum Miscigenado e coisas do primeiro, o CD Coração Tambor, além de alguns clássicos das canções latinas que fazem parte do mesmo universo no qual o CD foi concebido, ambiente latino amazônico e todas as suas influencias”, diz Bruno. 

O guitarrista ressalta que num primeiro momento, o nome do festival pode soar como coisa estrangeira, mas que a latinidade é mais "o estado de espirito da alegria de conviver com sua cultura que é isso que temos aqui na Amazônia”. 

Em 2019, Bruno espera captar recursos e buscar parcerias a fim de ampliar este formato de itinerância e percorrer outros espaços, fora de Belém. “Sempre fazemos em três etapas, em cada edição, e queríamos chegar às ilhas, aos municípios, e fazer shows com artistas desses lugares”. 

O convidado da última edição é Jeff Moraes, artista que emerge das rodas de batucadas em ocupações artísticas de praças da cidade. Foi a partir daí que Jeff Moares ganhou os palcos com um trabalho voltado à música brasileira e agora se prepara para em 2019 focar numa carreira solo. O show que ele traz para o Festival Latinidade será, de acordo com o cantor, uma viagem musical pelo Brasil. 

“Vai ter da musica regional às canções de influências latinas, além de samba rock, a música soul do Rio de Janeiro, as sonoridades afros da Bahia, tudo isso e muito mais estará presente no palco, como Gil, Tim Maia, Mateus Alaeluia, Joãozinho Gomes”, diz Jeff, que encerra o ano comemorando conquistas. 

“2018 foi ano que começou com força e muitas lutas, com proposições, conquistas. A minha careira deu uma guinada por conta de fazer a apresentação de um programa de TV, o Sons do Pará, que foi um especial sobre os 50 anos do brega. Foi um ano importante, lancei videoclipe Yabás, numa parceria com o produtor e Dj paraense ProefX, me formei em Teatro na Ufpa, teve altos e baixos, mas foi também um ano de muita revolução e luta”, analisa.

Jeff entende a Amazônia como um caldeirão cultural, de múltiplas cores, essências, sabores, sonoridades, mas também muitas carências, que vêm sendo dribladas pelos próprios artistas e ativistas culturais. 

"As dificuldades existem mas seguimos nesta contramão, ocupando os espaços e fazendo as coisas acontecerem. O  Festival Latinidade traz isso também, e vamos fechar o ano com chave de ouro, será bonito", afirma. Para 2019, o artista está otimista e anuncia que tem vídeo clipe novo chegando, além de iniciar um novo trabalho em estúdio. “Acredito que 2019 trará realizações e será um ano de muita cultura para todos nós”, aposta Jeff. 

Serviço
2ª edição do Festival Latinidade 2018 – 3ª etapa. Neste domingo, 30, a partir das 16h30, no Espaço Marina Amazônia Legal - Na Av. Bernardo Sayão entre Timbiras e Caripunas (antigo Porto de Marés). Ingresso pode ser trocado por 1kg de alimento não perecível ou R$ 10,00, na bilheteria. Apoio: Prefeitura de Belém, Lei Municipal de Incentivo a Cultura Tó Teixeira, e patrocínio da Universidade da Amazônia (UNAMA). Realização da MM Produções.

Úrsula Vidal traz esperança para a área da cultura

Helder Barbalho (MDB-PA), governador eleito, convidou a jornalista Úrsula Vidal, até então filiada ao PSOL, para assumir a pasta da cultura em seu governo. Convite feito e aceito. A notícia movimentou a sexta-feira, 29 de dezembro, com um debate longo que se instalou pelas redes sociais. O ponto mais polêmico foi o político partidário, mas em contraponto, a escolha foi muito bem recebida por fazedores de cultura que aguardam há décadas uma renovação na Secult.

Úrsula Vidal tem 46 anos e uma atuação reconhecida na área da cultura. De forma autoral, como realizadora audiovisual. Ela também conhece a cena cultural em sua diversidade e com a qual durante muitos anos estreitou laços por meio de seu trabalho jornalístico no SBT (Belém). O programa ETC e Tal foi um marco e se tornou uma vitrine indispensável para a cultura paraense.

Em 2016, ela entrou para a política ao aceitar o convite para se filiar à REDE, partido pelo qual saiu candidata à prefeitura, ficando em terceiro lugar no número de votos. Em fevereiro deste ano saiu do partido para se conectar ao PSOL e se candidatar ao Senado, obtendo número expressivo de votos, para quem pela primeira vez mostrava sua força ao restante do Estado. (Correção: Antes de se filiar à REDE, Úrsula Vidal já havia sido do PPS).

Durante essa campanha teve oportunidade de reunir e debater com artistas de várias linguagens, mas também fazer incursões em outros municípios, com perspectivas para a cultura de cunho social. É fato que a identificação natural da jornalista com a área da cultura traz esperança e entusiasmo. A situação caótica de ausência de políticas públicas para a cultura pede passos firmes e corajosos.

Não foi surpresa absoluta o convite de Helder. Identificada com a nova cena do fazer cultural, em transe com as culturas de gênero, feministas, LGBT, negra, indígena e popular, entre os nomes que circularam pelos bastidores da cultura em Belém, o dela era o mais esperado pela classe artística. 

A executiva do PSOL Pará repudiou o aceite de Úrsula, que se desfiliou do partido que, em nota divulgada e amplamente multiplicada pelas redes sociais diz que considera "um erro político o ingresso de Úrsula no governo estadual” do MDB. Penso que o aspecto político partidário da situação existe, mas a realidade pede urgência.

É salutar que se inverta a lógica da Secult de Paulo Chaves, glorificada por uma parte da sociedade, pelos Festivais de Ópera,  Feira do Livro e grandes obras. São projetos que têm a sua importância, já trabalhei enquanto jornalista algumas vezes, mas isso perde sentido quando se pensa na falta de políticas mais inclusivas e de fomento da cultura em sua diversidade nos quatro cantos desse estado que de tão grande a gente costuma chamar de país. Portanto não é uma engrenagem fácil, mas também não é aceitável que em 16 anos de PSDB e 4 de PT tão pouco tenha sido feito para reverter isso.

Não sabemos como a Secult será repassada e nem qual orçamento e autonomia a nova secretária terá para a atender as demandas. E não esqueçamos que a gestão do país ano que vem não será fácil para a área da cultura. Em nível estadual, primeiro, é preciso tomar pé da situação e passar pela fase de transição, que esperamos não seja muito longa, pois tudo urge.

Haverá novas emoções nos próximos dias, pois a área da cultura ainda espera, entre outras, pelas indicações à Fundação Cultural do Pará, que gere também  a Lei de Incentivo do Estado - Semear -, o Complexo Cultural do Centur, o IAP e Curro Velho, pasta importantíssima para a cultura também, e que teve como gestora a artista plástica Dina Oliveira. 

Na área da comunicação, quem assumirá a Cultura Rede de Comunicação, cuja presidência vinha sendo exercida, há oito anos, com maestria, pela também jornalista Adelaide Oliveira? O jogo político usará de sua máxima estratégia. Vamos aguardar,  mas 2019 já começou!

(Todas as fotos utilizadas para ilustrar este texto, foram baixadas da página oficial de Úrsula Vidal, no facebook)

26.12.18

Banco da Amazônia divulga patrocínios para 2019

Circular é um dos contemplados (via Lei Rouanet)
Por meio dos Editais Públicos de Patrocínios, em 2019, o Banco da Amazônia vai patrocinar, em toda a região amazônica, 112 projetos que abrangem os segmentos social, cultural, esportivo, ambiental e de eventos (feiras, congressos e exposições). Deste total, 42 foram selecionados somente no Estado do Pará. O valor destinado para patrocinar estes projetos será de R$ 2,55 milhões.

Ao todo, o Banco recebeu 751 projetos para o Edital de Patrocínios, sendo que o maior número foi do Pará, onde foram protocolados 332 pedidos. O segundo colocado em inscrições foi o Amazonas, com 107 projetos. De acordo com o Secretário Executivo do Banco, Alcir Erse, neste valor está contido o apoio financeiro à cultura que a Instituição oportuniza por meio da Chamada Pública para a Lei Rouanet, que é de R$ 700 mil e, ainda, o quanto é destinado através do Edital de Pautas do seu Espaço Cultural que é de R$ 75 mil.

Segundo o coordenador de Patrocínios do Banco, Ewerton Alencar, a análise dos projetos inscritos levou em conta se o projeto apresentou compatibilidade entre as despesas e atividades necessárias à execução do projeto, ações inovadoras para a comunidade amazônica, melhores práticas de sustentabilidade e socioambientais e se estava em acordo com o Edital divulgado.

Arthur Nogueira também garantiu patrocínio 
“Os projetos foram apresentados conforme os critérios dos Editais e avaliados por uma equipe técnica de comunicação do Banco. Agora, haverá a fase de homologação dos projetos, onde os selecionados deverão apresentar todas as suas documentações de acordo com o exigido no Edital”, informou o coordenador.

Os projetos para a realização de feiras e exposições têm suas ações alinhadas com o incentivo ao desenvolvimento do agronegócio regional, ao turismo, ao micro empreendedor individual, à indústria e a micro e pequenas empresas.

Os projetos culturais, incentivados ou não por Lei Municipal, são voltados à Literatura, Eventos Culturais, Música, Audiovisual e Artes Cênicas. Já os de cunho esportivo incentivam esportes olímpicos e paralímpicos. Os da área ambiental ou de cunho educativo são sobre sustentabilidade ambiental e os da área social se propõem a ações de promoção à inclusão.

A Chamada Pública para a Lei Rouanet 2019 é voltada à seleção de projetos culturais incentivados pela lei federal, com objetivo em contribuir para a melhoria do acesso à cultura regional. Neste edital, o Banco da Amazônia contempla projetos de artes cênicas (teatro, dança, performance, ópera e circo), cinema (mostras e festivais) e música, sendo priorizados àqueles que apresentarem diversidade temática, multiplicidade de linguagens e, principalmente, qualidade artística.

Pássaro Colibri terá patrocínio para 2019 (via Lei Rouanet)
O Edital de Pautas do Espaço Cultural, também denominado “Prêmio Banco da Amazônia de Artes Visuais” destina-se à seleção de projetos para serem expostos na galeria da Instituição, localizado em Belém. 

O Espaço Cultural completará 17 anos de existência em 2019 e é reconhecido pela classe artística regional e nacional como apoiador de projetos de artistas consagrados, mas também como formador de novas expressões regionais que tem sua arte admirada e reconhecida.

Os selecionados foram Maria Madalena Pinho com a mostra “Paisagens da Memória – Trajetórias de um olhar”, o qual  terá fotografias de Geraldo Ramos; Elaine Arruda, com a exposição Mastarel; e Marcelo Silva, com o projeto “Chamando os ventos: Por uma cartografia dos Assobios”.

A relação completa dos projetos aprovados encontra-se no site institucional:  Resultado_Edital_Banco_Da_Amazônia
Resultado_ Edital_Banco_Rouanet 

21.12.18

Bianca Leão lança "Caleidoscópio de Memórias"

Os poemas escritos ao longo dos últimos sete anos trazem à tona diferentes situações e sentimentos diversos. O livro sai pela editora Empíreo, com lançamento no próximo dia 26 de dezembro, às 17h30, na Livraria da Fox  (Tv. Dr. Moraes, 584 - Nazaré).

Da mesma forma como um caleidoscópio, ao ser revirado, o livro de poemas de Bianca cria diferentes formas e imagens. O leitor, ao virar suas páginas, será remetido a diferentes memórias e experiências peculiares, define Bianca Leão, 31, jornalista, mestranda do Programa de Pós-Graduação Comunicação, Cultura e Amazônia (PPGCom/UFPA).

Desilusões amorosas, cenas cotidianas, sonhos, propostas e outros temas abrem diversas possibilidades de interpretação a partir da subjetividade de cada leitor. Os textos são imagéticos e remetem a diferentes lugares e situações. 

As ilustrações são de Tarcila Alvarenga, ilustradora carioca, que tem como inspiração Raymond Briggs e Beatrix Potter, e gosta de trabalhar com lápis de cor, nanquim, grafite e aquarela. A autora bateu um papo com o blog e falou um pouco mais sobre seu processo criativo.

Holofote Virtual: Sete anos de poemas neste livro...

Bianca Leão: Na verdade são só 15 poemas. Mas, para ser bastante sincera, quando os escrevi, por ser muito nova, tive medo de publicá-los e achá-los bobos depois. Então deixei passar uns anos e selecionei os que eu realmente gostava para publicação. O resultado disso foi muito positivo porque tenho poemas com sonoridades bem diferentes, sobre situações diferentes, o que  torna a alusão a um caleidoscópio de memórias bem válida, porque as imagens que se formam por meio dos poemas são bem diversas.

Holofote Virtual: Você sempre escreveu, como isso tomou ênfase na tua vida?

Bianca Leão: Sempre escrevi. Brincava de fazer livrinhos com textos e ilustrações e entregava aos parentes quando eu era criança. Acho que escolhi fazer jornalismo muito mais porque eu gostava de escrever do que por interesse em notícias. Mas a escrita lírica especificamente há muito tempo - não sei especificar quanto - é um dos meus caminhos preferidos para a minha compreensão de mim mesma e do mundo, para a ressignificação de situações. 

Holofote Virtual: Como se constroem os teus poemas ? As poesias se remetem a sua vida? Traz um quê de experiências próprias?

Bianca Leão: Sim, as poesias trazem um pouco da minha vida, das minhas experiências mas, ao mesmo tempo, elas falam de todo mundo, de sentimentos e sensações humanas. Elas podem remeter a situações que eu nunca vivi porque elas conversam mais com sentimentos do que com fatos. 

Quanto ao processo de construção, muitas vezes os poemas me vieram à mente em momentos bem inadequados. Às vezes os versos vinham mais ou menos como se eu lembrasse de uma música, só que eles só existiam na minha cabeça. Às vezes eu estava atrasada para ir para algum lugar, ou tinha acabado de acordar,mas eu sabia que se eu não escrevesse eu iria esquecer, então escrevia. 

Holofote Virtual: Fala um pouco do processo editorial do livro, quanto tempo levou entre a concepção e o lançamento? 

Bianca Leão: Comecei a conversar com a ilustradora em setembro do ano passado. A Tarcila Alvarega, que fez minhas ilustrações, é carioca e, por sorte, namora um dos meus melhores amigos, que é paraense. Digo "por sorte" porque a Tarcila é muito competente e entendeu muito bem o espírito do livro. O projeto gráfico ficou melhor que eu esperava. 

Depois disso, comecei a pesquisar a editora e cheguei à conclusão de que a Empírio seria uma ótima opção, porque os livros dela costumam ter uma boa aceitação no mercado local. E aí fiz um novo amigo, que é o Filipe Larêdo, publisher do livro. Fora ele, escolhi fazer todos os demais processos do livro com mulheres e não me arrependi das escolhas. Desde a maquiagem que eu fiz para as fotos de divulgação com a Nayana d'Oliveira até a finalização do livro com a Priscila Castro. Todas mulheres talentosíssima, que fizeram toda a diferença para o resultado final. 

Holofote Virtual: Projetos futuros...

Bianca Leão: Atualmente eu sou mestranda, pesquisadora bolsista do PPGCom da UFPA e pesquiso pessoas em situação de rua. Paralelamente, já começo a pensar em outros projetos literários, dessa vez, um livro em prosa. Porém, eu pretendo manter esse viés mais lírico. Ou, futuramente, fazer algo mais voltado para o humor.  Humor é bem difícil de fazer. Seria um projeto mais ousado, talvez.

11.12.18

Dayse Addario em circuito com Melodia das Chuvas

No próximo dia 12 de dezembro, quarta-feira, a cantora Dayse Addario, Zarabatana Jazz Band e Cameratamazônica iniciam o circuito de shows do projeto Melodia das Chuvas. O show gratuito será no Teatro Margarida Schivasappa dentro do 45a Enarte e Projeto Sarauparauara.

Após o lançamento do disco virtual, o CD físico chega agora para iniciar este circuito em celebração aos 30 anos de carreira de Dayse. Pensado para ser um presente de aniversário pra Belém, o projeto levou pouco mais de três anos para chegar ao público. Intitulado "Melodia das Chuvas", o trabalho tem a voz de Dayse Addario à frente da Zarabatana Jazz Band e da Cameratamazônica, que dão o tom jazzístico e de câmara para as músicas amazônicas. Tudo com direção musical e arranjos de Ziza Padilha que assina todo o projeto e regência da maestrina Cibelle J. Donza.

Com canções que passeiam pelos 30 anos de trajetória artística de Dayse Addario, o disco tem texto de abertura de Edgar Augusto e traz composições de Guilherme Coutinho, Walter Bandeira, Edir Gaia, Edson Coelho, Saint Clair Du Baixo, Almino Henrique, Paulinho Moura, Ziza Padilha, Dudu Neves, Nilson Chaves, Antonio Carlos Maranhão, Rafael Lima, Joãozinho Gomes, Ronaldo Silva, Macário Lima, Alfredo Reis, Paulo Uchôa e Március Cabral.

Para este show no dia 12 haverá ainda participações especiais de Bruna Magalhães, Mayara Cavalcante, Luiz Pardal ( Guitarra Baiana), Felipe Bruno (Violino),  Antônio Neto(Baixo) e Coro Infantil Clave do Céu. No geral, mais de 50 músicos estarão no palco do Margarida Schivasappa. 

A realização é da Universidade Federal do Pará - UFPa, Instituto de Ciências da Arte - ICA, Escola de Música da UFPa - Emufpa e Fundação Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa - Fadesp, com apoio da Emenda Federal do Deputado Edmilson Rodrigues. O disco Melodia das Chuvas tem patrocínio do Banco da Amazônia e Ministério da Cultura através da Lei Rouanet de Incentivo à Cultura. Todo o circuito de lançamento tem apoio cultural da Academia Top Fit, Cia Paulista de Pizza, Músicaparaense.org, Rosário Instrumentos, Pro Music, Doceria Amorosa e Zarabatana Produções.

Serviço
Show de lançamento do disco Melodia das Chuvas - 30 anos de carreira de Dayse Addario, com Zarabatana Jazz Band & Cameratamazônica Teatro Margarida Schivasappa - Fundação Cultural do Pará (Centur) - Avenida Gentil Bittencourt, 650. Dia 12 de dezembro de 2018, quarta-feria, 20h. Entrada Franca. Retirada de ingressos: Escola de Música da UFPa - Emufpa - Avenida Conselheiro Furtado, 2007; e na secretaria do Teatro Margarida Schivasappa (andar térreo do Centur).

(com informações da assessoria de imprensa)

“Saramago – os pontos e a vista” chega a Belém

Foto: Carol Quintanilha
Trazendo o mesmo conteúdo exibido em São Paulo, com ajustes apenas na cenografia, a primeira itinerância da exposição ‘Saramago, os pontos e a vista’ ficará em cartaz no Museu do Estado do Pará (MEP), de 15 de dezembro a 17 de fevereiro de 2019, com curadoria de Marcello Dantas e patrocínio do Santander, por meio da Lei Rouanet.

Saramago foi um intenso viajante, em especial nos últimos anos de sua vida, quando a maior parte do material audiovisual da exposição foi captado. Essa natureza errante marcou nossa opção por criar um desenho que se inspira nas caixas de transporte, malas e ícones de movimento como o carro. A exposição ganha esse contorno do espírito de um homem inquieto em permanente busca por expandir o seu alcance e aliviar a dor do planeta”.

Baseada na integração de quinze módulos, cada um composto de breves textos explicativos e objetos cênicos, que se mesclam com a projeção de vídeos de momentos da vida de Saramago, selecionados a partir do acervo de imagens do diretor português Miguel Gonçalves Mendes, que produziu o filme José e Pilar após anos de convivência com o casal. De forma lúdica e interativa, o público terá contato com mobiliários e acessórios originais do escritor: óculos, lupa e cama, que integram o acervo da Fundação José Saramago.

Marcello Dantas, o cruador
Foto: Christian Maldonado
Ao todo, serão aproximadamente 500m² de área expositiva, montada em seis salas do pavimento térreo do MEP. Cada módulo aborda uma dimensão da vida do escritor, como sua visão sobre a vida e a morte, lugares por onde passou e o encontro com a jornalista, escritora e tradutora espanhola Pilar Del Río, com quem se casou em 1988. No espaço destinado à cronobiografia, estarão disponíveis livros para consulta, além de fotos e vídeos, muitos deles também cedidos pela Fundação José Saramago. 

Para Marcos Madureira, vice-presidente executivo de comunicação, marketing, relações institucionais e sustentabilidade do Santander, “O encontro do Santander com o premiado Nobel de literatura, por meio desta exposição, está atrelado à memória, um dos alicerces que dão sentido à vida. Estamos muito felizes em poder trazer essa mostra aos paraenses após exibição no Farol Santander, em São Paulo, que foi um sucesso de público, e esperamos o mesmo aqui em Belém”.

Além de ressaltar que o Pará possui uma cultura efervescente, Paulo Cesar F. de Lima Alves, superintendente executivo da rede Norte do Santander, destaca que o Estado tem grande potencial econômico. “O Pará é uma das principais regiões da estratégia de expansão dos negócios do Santander no Brasil”.

No dia 14 de dezembro, às 17h30, véspera da abertura da mostra ao público, ocorrerá a sessão de abertura da exposição, na Sala das Artes do MEP, com falas institucionais, e palestra do professor Carlos Reis, da Universidade de Coimbra. Às 19h30, haverá a visita oficial à área da exposição, seguida de coquetel e sessão de autógrafos da edição brasileira do livro Diálogos com José Saramago, de Carlos Reis, da editora da Universidade Federal do Pará, ed.ufpa. Nos dias 14, 15 e 16 de dezembro, a Livraria da ed.ufpa estará com um estande no MEP, com diversas obras de José Saramago, com destaque para a sua produção ficcional publicada no Brasil pela Companhia das Letras.

A produção é da Magnetoscópio e a realização é do Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura; da Fundação José Saramago; da Reitoria da Universidade Federal do Pará (UFPA) e da Cátedra João Lúcio de Azevedo Camões, I.P|UFPA, com o apoio do Governo do Estado do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Cultura do Pará (SECULT), Sistema Integrado de Museus e Museu do Estado do Pará (MEP).

Proposta narrativa

Foto: Carol Quintanilha
A exposição proporciona ao visitante um encontro com as dimensões da vida de Saramago que permearam sua produção literária. Para isso, os módulos expositivos foram organizados de forma linear, mas não cronológica, convidando o visitante a um passeio guiado pelo universo do autor. Para isso, haverá ilustrações no piso indicando o percurso de toda a área expositiva. 

A ideia é que o visitante veja o mundo pela perspectiva de Saramago, reconheça seu comportamento inquieto e desassossegado frente ao mundo, ou simplesmente acompanhe o autor ao relatar memórias, devaneios e reflexões sobre a vida. Em um dos módulos expositivos, intitulado Visão, o público poderá assistir ao autor falando sobre o estado de cegueira do mundo atual. Para isso, os visitantes usarão óculos interativos que simulam o grau de miopia do próprio autor, experimentando em um primeiro momento a sensação de vista nublada e que é normalizada ao final da exibição do vídeo.

Essa proposta narrativa expressa a postura inquieta de Saramago em busca do autoconhecimento. Como dito pelo autor em uma de suas obras mais festejadas, Ensaio sobre a cegueira, durante a vida deve-se buscar uma coisa que há “dentro de nós”, “uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos”. Assim como nos livros do autor, cada visitante viverá uma experiência imaginativa particular, na qual realidade e literatura se mesclam e fazem cada um (re)pensar o seu papel no mundo. 

O homem-escritor Saramago

Crédito: Arquivos Fundação Saramago
Filho e neto de camponeses, José Saramago nasceu na aldeia de Azinhaga, província do Ribatejo, em Portugal, no dia 16 de novembro de 1922. Seus pais emigraram para Lisboa quando ele não havia ainda completado dois anos. Fez estudos secundários que, por dificuldades econômicas, não pode prosseguir. O seu primeiro emprego foi como serralheiro mecânico, tendo exercido depois diversas profissões: desenhista, funcionário da saúde e da previdência social, tradutor, editor, jornalista. 

Publicou o seu primeiro livro, o romance Terra do Pecado, em 1947, tendo estado sem publicar até 1966. Trabalhou durante doze anos em uma editora, onde exerceu funções de direção literária e de produção. Colaborou como crítico literário na revista Seara Nova. Em 1972 e 1973 integrou a redação do jornal Diário de Lisboa, onde foi comentador político, tendo também coordenado, durante cerca de um ano, o suplemento cultural daquele vespertino. Pertenceu à primeira Direção da Associação Portuguesa de Escritores e foi, de 1985 a 1994, presidente da Assembleia Geral da Sociedade Portuguesa de Autores. Entre abril e novembro de 1975 foi diretor-adjunto do jornal Diário de Notícias. 

A partir de 1976, passou a viver exclusivamente do seu trabalho literário, primeiro como tradutor, depois como autor. Em fevereiro de 1993 decidiu dividir o seu tempo entre a residência habitual em Lisboa e a ilha de Lanzarote, no arquipélago das Canárias (Espanha). Em 1998 foi-lhe atribuído o Prêmio Nobel de Literatura. José Saramago faleceu aos 87 anos, em 18 de junho de 2010, em Lanzarote. Sua obra é reconhecida como um dos maiores legados da literatura contemporânea. 

Crédito: Arquivos Fundação Saramago
A exposição em Belém integra o calendário oficial de celebração dos 20 anos de atribuição do Prêmio Nobel de Literatura a José Saramago, com eventos organizados pela Fundação José Saramago em parceria com entidades públicas e privadas, em Portugal e em vários outros países. 

As celebrações tiveram início em outubro, com a visita a Lanzarote dos Primeiros-Ministros de Portugal e Espanha, António Costa e Pedro Sánchez, e à ilha convertida em jangada de pedra ao encontro de outros continentes. Posteriormente, ocorreu o Congresso Internacional José Saramago: 20 Anos com o Prêmio Nobel, na Universidade de Coimbra, assim como foram realizadas conferências em diversos países.

As comemorações se encerram no dia 15 de dezembro, em Lisboa, com a estreia mundial da sinfonia Memorial, composta por António Pinho Vargas, que assinala os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Com essa sinfonia, baseada em três romances de José Saramago, será lançada a proposta da Declaração Universal dos Deveres Humanos.

Serviço
Exposição “SARAMAGO – Os pontos e a vista”. Entrada franca. Museu do Estado do Pará (Endereço: Praça D. Pedro II, s/n - Cidade Velha, Belém). Funcionamento: De terça a domingo, no período de 15 de dezembro de 2018 a 17 de fevereiro de 2019. Horários: De terça a sexta, das 10h às 17h; sábado, domingo e feriados, das 9h às 13h. 

(Holofote Virtual com assessoria de imprensa UFPA)

10.12.18

1o Festival de Curtas agita Bragança nesta semana

A Pérola do Caeté sedia o 1º Festival Curta Bragança, com programação nos dias 13 e 14 de dezembro, com objetivo de divulgar o curta brasileiro, fortalecer o diálogo entre os produtores nacionais e regionais, além de promover a produção audiovisual bragantina. Os premiados receberão o troféu "Valdir Sarubbi", em homenagem póstuma ao artista plástico bragantino, e o troféu Fabra. A realização é da Faculdade de Bragança – Fabra - e da Sapucaia Filmes. O festival conta com programação na Universidade Federal do Pará, campus Bragança, Rádio Educadora, Fabra e Praça das Bandeiras.

Divido em duas mostras competitivas, Mostra Curta Brasis e Mostra Curta Bragança, o festival traz ainda uma oficina de documentário, cujas inscrições ainda estão abertas até esta quarta-feira, 12. O evento oferece aos vencedores de cada categoria o troféu Valdir Sarubbi, homenagem “in memorian” ao artista plástico bragantino. O melhor filme do festival receberá o troféu Fabra.

Foram inscritos 42 dois filmes de São Paulo, 21 do Rio de Janeiro, 14 do Pará, 12 de Minas Gerais, 12 de Goiás, 6 da Bahia, 6 do Ceará, 5 do Rio Grande do Sul, 3 do Espírito Santos, 3 da Paraíba, 3 de Santa Catarina, 3 de Sergipe, 2 do Rio Grande do Norte, e 1 do Maranhão, 1 de Rondônia, 1 do Mato Grosso e 1 do Paraná. Seis filmes estão concorrendo também no concurso de melhor cartaz da edição 2018 do festival curta Bragança. A eleição é feita por enquete eletrônica no site oficial do festival, com votação até dia 13 de dezembro.

Na abertura, às 19h, no dia 13 de dezembro, o cerimonial conta com a exibição de um vídeo sobre o artista plástico bragantino Valdir Sarubbi, completando este ano 18 anos de saudades, com breve apresentação da professora e mestra Mariana Bordallo, que defendeu tese na UFPA sobre a representação da cultura bragantina na obra e vida do artista, falecido no ano 2000, em Sã Paulo.

“Estou muito feliz com esta homenagem, porque esse sempre foi meu objetivo quando fiz o Mestrado sobre ele, de trazer essa figura, não só o artista, mas a pessoa que ele foi, para ser reconhecida pelo povo bragantino. Ele não foi uma pessoa que nasceu aqui e foi embora, ele é muito próximo, viveu e conviveu, estava sempre perto, assimilou essa cultura, além da família dele ser daqui. 

Temos essa mistura de índio, português e negro. E quando Valdir resolveu deixar o Direito e fazer Arte, isso acabou aparecendo no trabalho. Em qualquer lugar onde sua obra está, a gente o reconhece como artista amazônico. E quem conhece a cultura bragantina, reconhece esta se manifestando na arte dele”, diz a professora e pesquisadora.

Mariana é graduada em Letras e Artes (UFPA), com especialização em Sociologia e Educação Ambiental com a monografia Pensar em Natureza é Falar de Arte (UEPA) e mestrado em Linguagens e Saberes da Amazônia com a dissertação Memórias que Tecem Arte - memórias afetivas e raízes culturais na obra de Valdir Sarubbi (UFPA/campus de Bragança), e professora da SEDUC. Além da abertura, ela realiza no dia seguinte, 14, uma roda de conversa  intitulada "Memórias que tecem arte", às 17h, Universidade Federal do Pará, campus Bragança.

Valdir Sarubbi foi um dos artistas plásticos mais significativos da região amazônica. Ele nasceu em Bragança, foi morar em São Paulo e apresentou seus trabalhos em muitos países da Europa e da América. Através de sua arte podemos identificar não só suas memórias afetivas, a família e os amigos, mas também, a cultura bragantina e amazônica. Conhecer a arte e a vida de Sarubbi permite aos bragantinos reconhecer-se e conhecer um pouco mais da história e da cultura de sua cidade.

A abertura do Festival Curta Bragança contará ainda com a exibição de um filme promocional do festival e show de Alex Ribeiro, músico e compositor da zona do salgado. Para San Marcelo, idealizador e coordenador do evento, o festival vem para marcar e gerar links da identidade cultural bragantina com o Brasil e com o mundo.

“O polo audiovisual de hoje formado em nossa região é de natureza complexa. Neste sentido, o festival busca reverberar uma produção inquieta, sem amarras, livre nas suas formas de expressão e linguagem estética e de gêneros, abarcando novos formatos, gerando novas posturas, abordagens, análises e conteúdo”, explica San Marcelo.

Na programação entre outras atividades paralelas, também será realizada a oficina "Documentando - O Cinema do Possível", que busca historiografar e dar ferramentas para que os participantes experimentem e discorram audiovisualmente sobre o gênero documental, que com o passar das décadas subverteu essa convenção e hoje é uma forma própria de arte – o cinema documentário. 

Abordar as diferentes vertentes, linguagens e estilos, partindo de exemplificações, além de fornecer diretrizes do “Cinema do Possível” para a construção narrativa e estética de filmes documentais dentro dessa perspectiva. Exercícios práticos serão aplicados, além do compartilhamento de técnicas de entrevista e de dinâmicas sobre a construção de ideias e personagens.

Oficina de Documentário

"DOCUMENTANDO - O CINEMA DO POSSÍVEL" - 14 de dezembro - manhã e tarde.
Local: Universidade Federal do Pará
Carga horária: (6 horas/aula)
Ministrante: Lorenna Montenegro – roteirista, jornalista, integrante do Coletivo Elviras de Críticas de Cinema e filiada à ACCPA.

As inscrições ainda podem ser feitas até dia 12 de dezembro, na Secretaria de Cultura, Desportos e Turismo (Estação cultural Armando Bordallo - Praça dos Eventos), das 8h às 14h, com direito a certificado. A taxa de inscrição é R$ 20,00 (vagas: 20).

PROGRAMAÇÃO

Quinta-feira, dia 13
Auditório Maria Lucia Medeiros – UFPA-Bragança

  • 19h – Cerimonial de Abertura do Festival
  • Exibição do Vídeo – Valdir Sarubbi / Breve apresentação por Mariana Bordallo.
  • Exibição de um filme promocional do festival.
  • Show com Alex Ribeiro

Sexta-feira, 14

Auditório Maria Lucia Medeiros – UFPA-Bragança
Das 9h às 11h30 - Das 15h às 17h -  Exibição da Mostra Competitiva

Auditório Fundação Educadora de Comunicação
17h – Roda de conversa - Memórias que tecem arte – Mariana Bordallo

Sala I – FABRA-Bragança
9h às 11h30 - Oficina de Documentário – Ministrada por Lorena Montenegro

Auditório Faculdade de Bragança – FABRA
15h às 17h30 - Oficina de Animação – Ministrada por Rosinaldo Pinheiro

Na Praça das Bandeiras
9h às 11h30 - Exibição da Mostra Competitiva 
15h às 17h30 - Exibição da Mostra Paralela

Auditório Maria Lucia Medeiros – UFPA-Bragança
17h30 às 19h - Exibição da Mostra Paralela (Sessão Livre)

20h – Cerimonial de encerramento do Festival
Exibição dos três filmes ganhadores do festival (Trechos).
Entrega da premiação.

MOSTRA CURTA BRASIS (20 FILMES SELECIONADOS)

  • À luz do sol - Documentário - 13min16s       - Belém/Pará - Edielson Shinohara – Cor -2017
  • A mulher do treze – Ficção - 16min-Vitória/Espirito Santo - Rejane Arruda- Cor- 2017
  • Aquarela-Ficção -15min - São Luiz / Maranhão - Thiago Kistenmacker e Al Danuzio – Cor-2018
  • Arquitetura do abismo – Experimental -17min-São Paulo -Pietro Santurbano – Cor-2018
  • BOLHA - Animação - 15min - Recife/Pernambuco-Mateus Alves  -Cor-2018
  • Caranguejo Homem –Ficção - 17min-São Paulo-Aline Pellegrini e Wallyson Mota-Cor-2018
  • Da terra vem-Documentário/Etnográfico-14min-Pelotas/Rio Grande do Sul-Camila Albrecht e Takeo Ito-Cor-2017
  • De Vez em Quando, Quando Eu Morro, Eu Choro-Ficção-15min-João Pessoa/Paraíba-R.B. Lima-Cor-2017
  • Em Torno do Sol-Ficção-12min-Natal / Rio Grande do Norte-Júlio Castro e Vlamir Cruz-P&B-2017
  • Fantasia de Índio-Documentário-18min-Recife/Pernambuco-Manuela Andrade-Cor-2017
  • Impávido Colosso-Documentário-15min-     Aracaju/Sergipe-Fábio Rogério e Marcelo Ikeda-Cor-2018
  • Kátharsis-Ficção-18min-Caxias do Sul/Rio Grande do Sul-Mirela Kruel-P&B-2017
  • Majur-Documentário-20min-Rondonópolis/Mato Grosso-Rafael Irineu-Cor-2018
  • Maria-Documentário-16min44s-Manaus/Amazonas-Elen Linth e Riane Nascimento-Cor-2017
  • Marias –Ficção-15min--Goiânia/Goiás-Edem Ortegal-P&B-2017
  • O Malabarista-Animação-11min-Goiânia/Goiás-Iuri Moreno-Cor-2018
  • Um Café e Quatro Segundos-Ficção-15min-Rio de Janeiro-Cristiano Requião-Cor-2018
  • Um filme de Baixo Orçamento-Ficção-13min-São Paulo-Paulo Leierer-Cor-2018
  • Vidas Cinzas-Documentário-15min-Rio de Janeiro-Leonardo Martinelli-P&B-2017
  • Você, morto-Ficção-19min-      Vila Velha/Espirito Santo-Raphael Araújo-Cor-2018


MOSTRA CURTA BRAGANÇA (6 FILMES SELECIONADOS)

  • Africateua-Etnográfico-19min36s-Bragança/Pará-Danilo Asp-Cor-2018
  • Covato – Desenterre seus segredos-Ficção-16min-Santarém/ Pará-Emanoel Franklin-Cor-2018
  • Me entende mais - Ficção - 11min-Belém-Pará-João Luciano-Cor-2018
  • Na Boca do Peixe-Documentário-8min- Bragança/Pará - Almirzinho Gabriel-Cor-2002
  • Pena e Maracá – A Encantaria do Fundo-Documentário/Etnográfico-20min- Rio de Janeiro-Leonardo Carrato e Daniel Meneguelli-Cor-2018
  • Shala-Ficção-11min- Belém/Pará-João Inácio-Cor-2016

5.12.18

Pedrinho Cavallero lança "Querelas da Amazônia"

O show de lançamento é hoje (5), na Cervejaria Oficial do Umarizal, na Rua Antonio Barreto, 1176, próx. Alcindo Cacela às 20h30 com entrada franca. Haverá várias participações de artistas que gravaram o disco e a banda base formada por Bruno Mendes na percussão, teclados Joísta Kzam, Edvaldo Cavalcante na bateria, baixo de Mario Jorge e nos sopros, Marcos Puff.

Após 5 anos sem lançar, o cantor e compositor Pedrinho Cavallero nos presenteia com um novo álbum que comemora 40 anos de parceria com o poeta Jorge Andrade.  "Fomos cobaia um do outro. Experimentamos, arriscamos, aprendemos juntos. Amadurecemos musica, poesia, amizade. Começaria tudo outra vez" conta Pedrinho Cavallero. 

O  Querelas da Amazônia reúne 14 composições de Pedrinho Cavalléro e Jorge Andrade e tem participação de grandes vozes da música popular como Lucinha Bastos, Andréa Pinheiro, Olivar Barreto, Alba Mariah, Simone Almeida, Eudes Fraga, Ilessi, Renata Rel Pinho, Karen Tavares, Bruno Benitez, Floriano e até o próprio Jorge Andrade canta na faixa de abertura junto ao parceiro Pedrinho Cavallero. "Um privilégio que virou orgulho ser amigo e parceiro do Cavallero... Compositor que sabe como poucos, o segredo de juntar música às palavras" diz Jorge.

Este CD é resultado do prêmio Seiva, Produção e Difusão de 2018, realizado pela Fundação Cultural do Pará e Governo do Pará e lançado também nas plataformas digitais com acesso gratuito aos usuários através da assessoria de Ná Figueredo.

O CD contou com a direção musical de Pedrinho Cavalléro, produção de Lany Cavaléro, fotos de Sergio Malcher,  encarte de Andréa Pinheiro, gravado em sua maior parte no Estúdio Z, de Thiago Albuquerque. Tem apoio da TV e Rádio Cultura e da Cervejaria Oficial.

Nazaco Gomes na expectativa do Sons da Floresta

Foto: Alan Soares /Arte: Vilson Vicente
Tudo pronto para o show de gravação do DVD "Sons da Floresta". Os ingressos ontem acabaram em duas horas, por isso a produção, a pedido do próprio Trio Manari resolveu realizar sessão extra, no Teatro Waldemar Henrique. A primeira será às 19h, já com lugares esgotados, e a segunda apresentação às 20h30, com distribuição dos ingressos, hoje (5), a partir das 16h, na bilheteria do teatro, na Praça da República, Av. Pres. Vargas. É gratuito. O projeto é contemplado pelo Rumos Itaú Cultural.

Enquanto a adrenalina toma conta da equipe envolvida na gravação de hoje, que marca a trajetória dos 18 anos do Trio Manari, o nosso papo será com Nazaco Gomes, fechando a série de entrevista sobre o grupo neste momento de celebração. Ele é o mais velho, recebendo reverências de Márcio Jardim e Kleber Paturi. Atuando em grupos folclóricos de Belém desde os 09 anos de idade, Nazaco começou seus estudos de percussão popular com o professor Arythanan Figueredeo, e posteriormente passou entrou para o curso livre de percussão do Conservatório Carlos Gomes com o professor Vanildo Monteiro.

Pesquisador de ritmos brasileiros, o músico atrela sua musicalidade ao estudo dos ritmos e tradições da história do Brasil, Nazaco dá ênfase nos tambores e ritmos Amazônicos, Latino-Americanos e Africanos e elabora arranjos percussivos para grupos populares. É especialista em sonoplastia de diversos sons da floresta, além de ter a expertise de confeccionar instrumentos de materiais recicláveis e atuar como arte-educador.

Com o Trio Manari viajou pelo mundo levando a percussão amazônica para diversos palcos e workshops ministrados na Universidade de Caiena, no PASIC (Percussive Arts Society Convencion) na Universidade de Columbia. Ele também já dividiu o palco com artistas como  Giovani Hidalgo, Naná Vasconcelos, Sebastião Tapajós, Fafá de Belém, Nilson Chaves, Celso Viáfora, Iva Rothe, Marco André, Patricia Bastos, dentre vários outros.

Holofote Virtual: Vocês estão se reunindo pela 1ª vez, depois de 18 anos de carreira, para gravar um DVD. O que esse trabalho traz de essência do Trio Manari?

Nazaco Gomes: Tudo que a gente já fez juntos, as ideias, as técnicas e outras coisas bacanas acumuladas nesses anos de carreira. Nas composições do DVD minha parte é mais dos graves, mais da levada. As quebradas ficam mais para o Márcio (Jardim) e o Paturi (Kleber Benigno). É muita figura junto e o grave embola se ele estiver quebrando junto, então a gente decidiu fazer só a levada mesmo para não embolar. Não é uma coisa que em um ensaio a gente possa tocar, é uma coisa complicada pra tocar. Faremos quatro peças só nós três no palco, só a percussão.

Holofote Virtual: Será uma celebração dessa trajetória de vocês...

Nazaco Gomes: É. Para esse DVD, a gente vem com o espírito de mostrar tudo o que a gente já passou, e que demonstra que somos daqui. Vem uma Floresta inteira junto com a gente. Vai ter tudo isso no DVD.

Holofote Virtual: Vocês construíram já um legado.

Nazaco Gomes: É, mas não que a gente tenha feito mais que os outros. Fizemos, digamos, coisas significativas, mas não só para nossa carreira, é algo de contribuição para a percussão do nosso estado, para a percussão Amazônica e para a percussão brasileira.

Holofote Virtual: Vocês colocaram a percussão Amazônica em outro patamar, é inegável. Nesses quase 20 anos de carreira, vocês passaram por vários lugares, sendo muito importante, a apresentação no PASIC (Percussive Arts Society Internacional Convention). Fala um pouco como foi experiência.

Nazaco Gomes: Isso foi na segunda vez que fomos aos EUA. A primeira vez foi em 2004 e a segunda em 2017, para o PASIC. E isso foi muito importante. Íamos tocar lá com um grande nome da música percussiva mundial, o Naná Vasconcelos, só que ele teve um edema pulmonar e não pode ir. Então quem assumiu o posto na época, foi o Giovanni Hidalgo, que tocou um show quase inteiro com a gente, nos fazendo os maiores elogios. 

Não entendíamos quase nada, porque ele falou em inglês, mas aquele momento foi muito bom, pois fomos ouvidos por outros grandes percussionistas do mundo todo, doutores, pós-doutores, mestrando e alunos de percussão. Não tocamos para leigo naquele dia. Havia mais de 3.000 pessoas da nossa área da percussão, e fomos aplaudidos de pé, então foi muito importante. 

Amigos nossos diziam que nos EUA, músico erudito não aplaudia de pé músico popular, mas só que a gente, eles aplaudiram. E aplaudiram de pé. Então conseguimos nosso objetivo de levar os ritmos daqui, o nosso som para ser aplaudido de pé no maior encontro de música percussiva do mundo.

Holofote Virtual: Para esse show, dentro da formação do Manari, tem uma concepção orquestral na montagem. Tu comandas a maioria dos tambores graves, o Márcio os médios graves e o Paturi os mais agudos. Dentro dessa concepção o que tem de peculiaridades novas nesses tambores, nessa concepção que vocês vão trazer para este DVD? Quais são as peculiaridade de cada set?

Nazaco Gomes: No meu caso, eu estava querendo diminuir as estantes, então eu fiz uma trave e coloquei, como em percussão erudita que às vezes a gente coloca na trave. Então eu coloquei vários instrumentos pendurados, que ficam bem ao meu alcance, porque eu vou tocar sentado, o curimbó é menor, já os instrumentos mais médios e agudos ficam na trave. 

No caso do Márcio (Jardim), tudo ficou mais centrado, como ele sempre faz com a gente, no apoio do bumbo, que não é de música comercial. É um bumbo mais seco, por causa do ajuste com os graves, e a parte mais metálica, com pratos cowbell. Tem caixa, tons e tambores que ele vai tocar com a mão também, além de um trio de congas, que é mais grave. A large, ele substitui por um “barricão”, que ele mandou construir, e isso então é uma novidade no set. O som do “barricão” vai ser usado no set dele.

Tem novidades também no set do Paturi, que vai usar umas latas que ele tem e que são muito interessantes para fazer melodias. Tem música que vai ser tocada só com nós três no palco, e vai ter essa melodia das latas com algumas coisas eletrônicas pelo fundo, não usando coisas graves. Enfim são coisas muito pequenas e poucas só pra ir orientando o tempo da música, porque tem música que tem muita mudança de compasso.

Holofote Virtual: Nesse DVD vai ter um repertório autoral de 07 músicas inéditas, fala um pouco desse repertório.

Nazaco Gomes: É, fizemos 07 novas músicas, especialmente pra gravação do DVD, mas vamos fazer também a música Dançando no rio, que não é inédita, mas ganhará uma nova roupagem, com a melodia e os baixos na Marimba. Nas demais composições, vão tocar os filhos do Márcio, William e Wesley Jardim, na guitarra e baixo respectivamente. Eles vão fazer os temas instrumentais. Já tocam com a gente desde criança.

Holofote Virtual: Podemos dizer que Dançando no rio é o “Hit” do Trio Manari, não é?

Nazaco Gomes: É. Essa música abriu muitas fronteiras, senão me engano em 2004 a gente tocou praticamente um ano numa rádio chamada rádio Gabriele, que é hispânica e pega a América do Sul inteira, a América Latina toda.

Tocamos durante um ano nesta rádio. Fomos para um festival em Caiena, que era um festival grande, então a gente conseguiu vender 98 CDs a 20 euros no festival depois da apresentação. Foi muito importante a gente tocar numa rádio fora do Brasil, e ter toda essa repercussão, graças a isso, hoje nós somos muito conhecidos na América Latina.

Holofote Virtual: Depois da gravação do DVD, qual vai ser o planejamento para mostrar essa produção?

Nazaco Gomes: Temos muitos amigos em tudo quanto é lugar. Na Suíça, na Alemanha, Inglaterra, EUA, por onde a gente passou. Vamos encaminhar esse material para eles para quem sabe ano que vem tenhamos perspectivas de viagem.

Holofote Virtual: O Trio Manari teve seu ápice nesse momento do PASIC, e depois deu uma, digamos assim, sumida ou o que houve, na sua opinião?

Nazaco Gomes: O que eu vejo é que não foi só a gente que deu esse tempo. No geral, e não é só um caso da percussão, o espaço para essa música que é mais “escondida”, não é uma música comercial, começa a ser invadido por muita música eletrônica. Nas rádios tem muita música sertaneja, e nesse momento todo, a cultura, eu acho que realmente, ela foi nivelada muito por baixo. Então quem faz uma música mais elaborada, mais de pesquisa, intelectual, não teve oportunidade, não se abriu essa oportunidade, não só aqui, mas no mundo inteiro.

Holofote Virtual: A história da percussão paraense tem gente importante antes de vocês, como Arythanã, que acaba de receber título de Mestre da Cultura, o Zé Macêdo, Dadadá e outros. Vejo que o Manari representa uma nova geração e também se coloca, pelo trabalho extremamente autoral e criativo, como um divisor de águas na percussão amazônica. Tu concordas com isso?

Nazaco Gomes: Eu acho que temos dois momentos em que a percussão na Amazônia tem uma mudança, a primeira quando chega por aqui o professor Luis Roberto Scioci Sampaio (Betão), que fundou o curso de percussão no Conservatório Carlos Gomes. A partir daí abrem-se as portas para uma percussão mais técnica. Depois nossa participação no grupo de percussão da Fundação é motivo de orgulho. O que fizemos e trouxemos como técnica de grupo de percussão surge após esses dois momentos.

Holofote Virtual: A geração anterior era mais intuitiva, não tinha muito acesso a esse estudo da técnica, devia ser mais complicado...

Nazaco Gomes: Com certeza, não tinha internet, a gente não tinha nada, era muito difícil, e como buscar isso? Escutando muito disco. Fomos privilegiados de ter escutado muita música latina, então a gente tem uma peculiaridade dessa escuta. Quando a gente toca samba, nosso agudo é no “E”, não é no tempo, então nosso samba já é diferente.

Holofote Virtual: É inegável que o Manari se tornou um divisor de águas na história da percussão paraense e também vem gerando percussionistas mergulhados nessa sonoridade amazônica...

Nazaco Gomes: É verdade, e agora já tá chegando uma nova geração, que é até de Manaus. Tem o Igor Saunier, que está lançando o livro Tambores da Amazônia, ele foi aluno nosso em oficinas lá em São Paulo. Hoje ele faz mestrado, que é em cima do livro que ele está construindo, então acho que é um legado que o Manari está deixando.

Holofote Virtual: E como estão teus trabalhos paralelos ao do Trio Manari, quais teus projetos?

Nazaco Gomes: Eu estou desenvolvendo um projeto junto com o percussionista Carlos “Canhão”, que é um livro de ritmos amazônicos que estamos desenvolvendo, devemos concluir agora em 2019, e as aulas/oficinas que eu dou no Marajó, no Curro-Velho. Também acompanho alguns artistas, mas de projeto mesmo é esse do livro que a gente deve lançar em 2019 e o DVD do Manari é claro.

Holofote Virtual: Mas a meta depois da gravação do DVD, é ganhar o mundo?

Nazaco Gomes: É. Pode ser, porque a gente entrou agora num momento político muito ruim, a gente está às escuras. Não sabemos o que vai acontecer. A arte depende de muita coisa para ser desenvolvida. Para viajarmos, dependemos das passagens, é muito difícil o artista se bancar sozinho, ter respaldo para isso é muito difícil, mas vamos ver se o novo gestor do estado vai olhar pra classe artística, né.

Holofote Virtual: Alguma coisa para concluir sobre essa trajetória do Manari?

Nazaco Gomes: Nossa trajetória é bem bonita, e como em toda a arte a gente tem nossas histórias de perdas e ganhos. É como acontece em qualquer outra profissão. O Manari teve seus altos e baixos durante esses 18 anos, mas a gente conseguiu segurar a onda, porque a gente tem uma história juntos, e a gente não vai abandonar isso do nada. 

Temos um laço afetivo muito forte, nós somos muito amigos, nossas famílias são amigas, então a gente tem essa força muito grande. E não é só para com o Manari, mas com todos os nossos amigos da percussão, principalmente os daqui da região.

Holofote Virtual: Tem mais alguma coisa que tu gostarias de acrescentar?

Nazaco Gomes: A única coisa que eu vou acrescentar é que estou ao lado de amigos, parceiros para ser feliz na hora de tocar.

4.12.18

Kleber Paturi num papo sobre o "Sons da Floresta"

Fotos: Alan Soares / Arte: Vilson Vicente
A montagem de palco, cenário, luz e som para a gravação do show "Sons da Floresta", que resultará no DVD homônimo, projeto contemplado pelo Rumos Itaú Cultural, iniciou hoje pela manhã. A apresentação aberta ao público será nesta quarta-feira, 5, às 19h, no Teatro Waldemar Henrique. Os ingressos começaram a ser distribuídos na bilheteria do teatro, mas quem quiser pode levar um quilo de alimento não perecível para doação. Serão apenas 200 lugares. Melhor correr. 

O papo de hoje aqui no blog é com Kleber Benigno, Paturi, como é chamado pelos amigos. Ele iniciou sua carreira nos anos 1990 com o grupo Mosaico de Ravena, inicialmente como roadie e depois como percussionista. Na época já estava no Conservatório Carlos Gomes, onde estudava percussão erudita.  Já conhecia Nazaco Gomes, mas foi lá que encontrou com Márcio Jardim para em pouco tempo dar início a uma pesquisa que resultaria na formação do Trio Manari, no ano 2000. São 18 anos juntos, mas Paturi costuma dizer que para além do grupo, só de amizade lá se vão três décadas. Eles andam fazendo as contas. 

Em sua trajetória pessoal, Paturi tocou em diversos outros grupos e com vários artistas, como Marhco Monteiro, por cinco anos, e com o Fruta Quente, com o qual viajou pelo Brasil e Portugal. Também trabalhou com o Grupo de Percussão erudita do Conservatório Carlos Gomes, gravou discos com Marhco Monteiro, Fruta Quente, Banda Alternativa, Edilson Moreno, Pinduca, Patricia Bastos, Pedrinho Callado, Dante Ozzetti, Andrea Pinheiro e outros, até entrar para o grupo Percussão Brasil,  que tinha no comando o maestro Vanildo Monteiro, professor de todos eles.

O músico tem influência do rock e da música latina - estudou dois anos com o músico uruguaio radicado em Belém, Daniel Benitez -, da Música Popular do Brasil e a Cultura Popular da Amazônia. Atualmente cursa licenciatura em música e o técnico em percussão na Emufpa, sendo aluno do maestro Vanildo Monteiro, que era o regente do Percussão Brasil.

Com direção de Caco Souza, que filma no Pará desde os anos 1990, a gravação do show para o "Sons da Floresta" será histórica e em clima de celebração. No palco, além do trio, há convidados especiais como Marcelino Santos, banjista e percussionista, Wesley Jardim, no baixo, e William Jardim, na guitarra. Jovens, o primeiro foi aluno e os demais são filhos de Márcio Jardim. 

Há ainda Felipe Ricardo e Daniel Serrão, os irmãos saxofonistas que são fãs do trio que acompanham desde a mais tenra idade. Serão ao menos três gerações no palco, contando ainda com os músicos Lulu Borges, no trombone, e Gerson Levy, no trompete. Na entrevista a seguir, Paturi também traz suas lembranças sobre a formação do grupo, as viagens que fizeram pelo mundo e também conta mais um pouco sobre o que o trio preparou para este DVD.

Holofote Virtual: A partir das tuas memórias, como surge o Trio Manari?

Kleber Benigno Paturi: O Manari foi formado a partir de outro grupo chamado Percussão Brasil. Foi quando tocamos no Canadá, éramos bem uns 20 percussionistas, que percebemos o interesse que as pessoas lá fora têm pelos ritmos do Norte do Brasil.

Eles gostaram muito e pediram o bis dessas músicas da região do Pará. Foi aí que caiu a nossa ficha. Chegando aqui começamos a pesquisar os ritmos do Norte. Fomos pesquisando devagarzinho e vimos que dava para montar um grupo. Então é isso, ano 2000. O grupo tem 18 anos, mas de amizade mesmo temos mais de 20.


Holofote Virtual: O nome do grupo é muito legal, como surge essa ideia?

Kleber Benigno Paturi O nome surgiu de uma brincadeira. O “Ma”, de Márcio, o “Na”, do Nazaco e o “Ri”, de Paturí, pegando a última e não a primeira sílaba do nome.

Holofote Virtual: Ficou parecendo uma palavra indígena...

Kleber Benigno Paturi Na verdade as coisas vão se encontrando, não foi nada pensado, mas é isso. Graças a Deus.

Holofote Virtual: Nesses 18 anos vocês já realizaram muitas coisas, como as participações em festivais importantes... 

Kleber Benigno Paturi: Participamos de festivais de word music. E isso só acrescentou, conhecemos muitos músicos, tanto percussionistas, quanto outros instrumentistas, guitarristas, baixistas, e fizemos um elo, amigos pelo mundo, tanto que a gente tem algumas coisas gravadas com gente de fora, que nunca ninguém falou nada, porque nem a gente fala, né? (risos).

Mas eles lançam aí fora, e isso é legal. Isso fez com que a nossa cultura musical ganhasse mais visibilidade. Muitas pessoas, antes da gente, já vêm divulgando isso, querendo um lugar ao sol. E é isso que a gente tenta fazer quando vai pra um festival desses, a gente não vende só o nosso grupo, a gente garante o lugar do nosso Estado, do Norte do Brasil nessa cena e mostramos o nosso trabalho, que nem mesmo o nosso país e nem o mundo conhece muito ainda.

Holofote Virtual: O Manari mergulha nessa pesquisa dos ritmos da Amazônia e utiliza instrumentos especiais, artesanais, específicos para o trabalho que desenvolve. É isso que vem caracterizando mais ainda o trabalho de vocês?

Kleber Benigno Paturi: Fomos aos festivais dos EUA e na França justamente porque temos uma sonoridade diferente. Nos classificamos porque a gente tocou Carimbó, Samba de Cacete. A gente foi pra lá por causa desses ritmos, por causa dessa nossa identidade cultural.

E chegando lá foi melhor ainda, porque eles só tinham visto pelo vídeo, ou só pelo áudio, e lá eles viram ao vivo, como é o som mesmo, e foi muito bom, muito emocionante, tanto que a gente conseguiu tocar com vários caras maravilhosos como o Alex Acuña, Giovanni Hidalgo, Luis Conti, que são percussionistas mundialmente conhecidos, caras que já gravaram com Dizzy Gillespie, Madonna, Michael Jackson, então são pessoas maravilhosas que ficaram nossos amigos assim, de a gente ter o e-mail, o telefone, isso é legal, isso é bom.

Holofote Virtual: Vamos falar das músicas inéditas que estarão no DVD. Estão trazendo a essência do Manari?

Kleber Benigno Paturi: Há músicas supernovas que são muito percussivas, e nessas músicas somos só nós no palco. Os nomes ainda estão sendo criados (risos). Também vamos regravar Dançando no Rio, que é do 1º CD. A gente está mergulhando mais no universo percussivo nesse momento, fomentando mais a percussão aqui do Norte para que seja mais vista aí fora do Brasil.

Holofote Virtual: Todo mundo percebe que têm tocado pouco juntos, digo enquanto show do Manarí, mas estão sempre tocando com outros artistas, e sempre que um de vocês vai tocar é apresentado como do Trio Manari, ou seja, o Manari está sempre presente na cena, é isso? 

Kleber Benigno Paturi: É legal isso, porque inclusive cada um tem seu trabalho solo e dá força um pro outro, então quando a gente vê outro amigo no projeto dele, não tem aquela coisa de “poxa, que merda, o cara não está comigo”, não. O cara tem que fazer o trabalho solo dele também, porque é o sonho dele, aquelas músicas que ele está tocando ali são do sentimento dele, algo individual e que ele pode botar o que ele quiser, porque ele não vai ter os outros amigos enchendo o “saco”. (risos).

Holofote Virtual: O que tu estás fazendo paralelamente ao projeto de gravação do DVD?

Kleber Benigno Paturi: Paralelamente, eu voltei a estudar, estou fazendo uma graduação em música, licenciatura em música, e também voltei a estudar percussão erudita, que é um curso técnico em percussão erudita, mas para formação mesmo. Não que eu vá me tornar um percussionista erudito, é mais para lapidar o que eu penso e é sempre bom estar estudar, né? 

Holofote Virtual: O que se pode dizer ao público que amanhã vai prestigiar a gravação do DVD?

Kleber Benigno Paturi: Uma coisa só, que todo mundo que for ao show possa se comover com o que a gente toca, e que realmente comece a dar valor a todos os artistas aqui da região. Eu há 18 anos falo a mesma coisa. Eu, Márcio Jardim e Nazaco, todos nós artistas paraenses não devemos nada para nenhum artista do Brasil. O que está faltando é o público aqui do Norte do Brasil valorizar também estes artistas. Aí a gente vai longe, é isso, bora fazer junto isso, um beijo pra todo mundo.