6.11.24

Fecant é declarado Patrimônio do Estado do Pará

O Festival Canção da Transamazônica (Fecant), realizado anualmente em Altamira, Sudoeste do Pará, acaba de ser declarado patrimônio cultural de natureza imaterial do estado. 

A Lei n. 10.752, publicada no Diário Oficial do Estado na última terça-feira, 5 de novembro de 2024, destaca a relevância desse evento para a preservação e promoção da cultura local.

Joelma Klaudia, cantora, compositora e idealizadora do Fecant, não esconde a emoção: "Hoje, a nossa luta foi reconhecida. A gente colocou Altamira no mapa cultural deste estado. As vozes do Xingu foram ouvidas e reconhecidas." Ela enfatiza a importância do festival na luta por educação, arte, cultura e o reconhecimento dos povos originários. "O Fecant é um projeto democrático e coletivo", completa.

Elias Santiago, deputado estadual e vice-presidente da Comissão de Cultura da Alepa, também celebrou a conquista. "Nosso papel é buscar fomentar a cultura paraense através de iniciativas que valorizam a nossa gente e a história." O Fecant, ao longo de seus anos de existência, tem proporcionado uma contribuição significativa para a sociedade local, reunindo talentos e promovendo a diversidade cultural.

10a edição do festival acontece nesta semana

Com a sua 10ª edição se aproximando, marcada para os dias 7, 8 e 9 de novembro, o festival promete uma programação recheada de emoções. O Fecant não se limita a ser um mero concurso de músicas originais; ele se transforma em uma plataforma de intercâmbio cultural, oferecendo shows gratuitos com artistas convidados e engajando projetos sociais que envolvem crianças e adolescentes, além de incentivar o turismo e a economia local.

Este ano, 37 candidatos de várias partes do Brasil, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro e Amazonas, competem por R$ 48.500 em prêmios. O line-up conta com artistas de peso como Zaynara, conhecida por seu estilo contagiante, e outros talentos que prometem agitar o público altamirense.

O apoio à realização do Fecant vem de diversas fontes, incluindo a patrocinadora Norte Energia e a Lei Semear, além de parcerias com a Secretaria Municipal de Cultura de Altamira e outras instituições. A união de esforços tem como objetivo não apenas celebrar a música, mas também fortalecer a identidade cultural da região.

A atmosfera de celebração e resistência cultural que envolve o Fecant reflete um compromisso contínuo com a arte e as tradições amazônicas. O festival, que já se consolidou como um marco na cena cultural do Pará, continua a ser um espaço onde as vozes da Transamazônica ecoam, promovendo a diversidade e a inclusão.

Com a chegada do Fecant, Altamira se prepara para viver momentos inesquecíveis. A arte se transforma em um poderoso instrumento de transformação social, e a cultura, a alma do povo paraense, brilha intensamente no coração da Amazônia.

5.11.24

Belém abre programação da 3a edição do !PULSA!

Elisa Lucinda.
Foto: Guto Muniz
Te prepara para dias intensos em Belém do Pará. É, gente. Mais pulsante do que nunca!! É que de 9 a 17 de novembro, a nossa magueirosa recebe e faz o !PULSA! Movimento Arte Insurgente, que vai ocupar diversos espaços na cidade, oferecendo atividades diversas de forma gratuita, com ingressos para os espetáculos, bailes e festa disponíveis pelo SYMPLA. A realização é da Olhares Instituto Cultural e Outra Margem, com patrocínio do Instituto Cultural Vale e Ministério do Cultura, via Lei Federal de Incentivo à Cultura.

O !PULSA! estará em lugares variados que vão dos tradicionais teatros Waldemar Henrique e Margarida Schivasappa, quanto locais de valorização da cultura comunitária e periférica, como o Mercado Porto do Sal e o Terreiro de Mina Dois Irmãos. São espetáculos, exposições, performances, shows, encontros, workshops, residências artísticas e intervenção urbana. 

A potência desta iniciativa está na representatividade de múltiplas expressões, evidenciando a pluralidade que identifica, valoriza e fortalece a rede cultural independente de Belém, em conexão com produções de outros estados como Piauí, Ceará, Rio de Janeiro e São Paulo. A programação teatral traz mais de 10 espetáculos que abordam temas profundos e provocativos, combinando performances cênicas com reflexões sociais. Entre eles, “Parem de falar mal da rotina”, com Elisa Lucinda, que será apresentado às 19h, nos dias 9 e 10, no Teatro Margarida Schivasappa.

Exposição e performance também marcam o primeiro dia

No sábado, 9, o primeiro dia da programação conta ainda com a inauguração da exposição “Organoléptica - Coletivo Vadios”, às 10h, na Kamara Kó Galeria, e com dois workshops. O Narrativas do afeto - A crítica que !PULSA! , que traz Kil Abreu, jornalista paraense radicado em São Paulo, das 9h às 13h, na Casa da Linguagem. E ainda o Troca de saberes e diálogos em Produção Cultural, às 11h, na Associação Fotoativa, com Jaya Batista, que atua como diretor teatral, preparador corporal e gestor cultural. 

De tarde tem mais e já vamos ter a primeira performance da programação intitulada “Ponto Final, Ponto Seguido”, de Uýra Sodoma, das 14h às 15h, na Praça da Bandeira, localizada na Rua João Diogo, bairro da Campina. Envolve um ritual em que Uýra planta simbolicamente no asfalto, evocando um sistema radicular que representa as memórias e as florestas encobertas pelo concreto urbano. Com uma trajetória internacional, Uýra, 33, bióloga e artista visual indígena em diáspora, traz sua arte como ferramenta de cura e reflexão sobre identidade e ecologia urbana.

No mesmo dia, o Centro Cultural Bienal das Amazônias, na Manoel Barata, 400, no centro comercial de Belém, sediará, das 15h às 16h30, a roda de conversa “Experiências de Ativismo Territorial”, com Pedro Alace, Gisiane B’Onça e Roberta Sodré, sob a mediação de Sâmyla Blois. Esse encontro explora o ativismo voltado para a defesa dos territórios amazônicos, discutindo experiências de resistência e preservação da cultura e da natureza.

O  primeiro dia encerra com o Baile do Mercado, no Mercado do Porto do Sal, uma das joias arquitetônicas da Cidade das Mangueiras. Na programação, a partir das 20h30, a obra-acontecimento proposta pela artista Elaine Arruda, artista criadora do Projeto Mastarel, vai reunir a comunidade, artistas e público em geral para a realização de uma festa de brega, como os tradicionais bailes da saudade, típicos da região norte do Brasil.

A Dj – Jack Saínha, do bairro da Terra Firme, traz em seus sets as sonoridades elétricas e calientes que embalam as festas paraenses. O passeio sonoro inclui Tecnobrega, Tecnomelody e Bregafunk trazendo a força das aparelhagens para as pistas. Em seguida, às 23h, teremos apresentação da Quadrilha Junina Fogo no Rabo, com o espetáculo “Vestidos de amor para o amor encontrar”. 

A programação do baile segue, à meia noite, com a banda Layse, cantora, instrumentista, compositora e diretora musical, que traz suas influências amazônicas e caribenhas. E às duas da madrugada, entra em cena a aparelhagem de carro automotivo. 

Elisa Lucinda abre a mostra de espetáculos do !PUSLA!

Dias 9 e 10 no Teatro Margarida Schivasappa
Foto: Guto Muniz
A comédia "Parem de Falar Mal da Rotina", estrelada pela atriz e escritora Elisa Lucinda, estreia nos dias 9, com reapresentação no dia 10 de novembro, às 19h00, no Teatro Margarida Schivasappa. Com histórias e poemas pessoais, Lucinda leva o público a uma reflexão divertida sobre o cotidiano, transformando-o em um espaço de criatividade e descoberta. 

Em um diálogo espontâneo, ela apresenta personagens e explora a beleza das rotinas diárias, inspirada na natureza e suas constantes renovações. Elisa Lucinda é uma premiada atriz, poeta e autora de 19 livros, conhecida por popularizar a poesia e promover a educação cultural.

"O impacto da peça na minha vida e desse livro são indescritíveis num parágrafo só. A Beth Carvalho falou que a vida do ser humano é antes e depois do Parem de falar mal da rotina”, diz Elisa Lucinda, que pela segunda vez é convidada do !PULSA!. 

A peça que virou livro, circular há 22 anos pelo país reunindo jovens, adultos e idosos. Trata-se de um monólogo protagonizado por uma atriz negra, que também é a autora, e que transformou o espetáculo em um fenômeno. A matéria-prima é a rotina, repassada em público e desconstruída do papel de vilã atribuído pelo senso comum. 

"Nunca é o mesmo espetáculo nem na mesma temporada. Eu acho que o público vai de novo por causa dessa renovação. Toda temporada eu acrescento coisas,  tiro coisas e  ponho novas cenas e toda noite,  durante a temporada, eu crio uma coisa nova e alguém anota e eu ponho no outro dia no espetáculo", explica a atriz. 

Até dia 17 de novembro a programação de espalha na cidade

Residencia artística Corpo Espinho na ETDUFPA
Foto: Maurício Pokemon
Trocas de saberes, encontros e debates. O !PULSA! fomenta uma cultura insurgente, plural e acessível, cujo processo de construção da programação contou com a colaboração de artistas e consultores locais, como Marise Maués, Marcia Kambeba e Wlad Lima, identificando as particularidades e demandas culturais da cidade.

Haverá festas, performances e cortejos ocupando locais de importância cultural e histórica da cidade. Trazendo à tona temas sociais e ambientais, conectando o público a experiências imersivas e reflexivas, temos o Circula que !PULSA! vertente especial, que integra agentes culturais locais e valoriza espaços autônomos e ações independentes de Belém, como a do Coletivo Aparelho no Mercado do Porto do Sal, na Cidade Velha, e a do Ateliê da 25, espaço colaborativo de artistas no bairro do Marco.

E além disso, há o aspecto formativo, uma delas, a residência "CORPO-ESPINHO," que explora a relação entre corpo e natureza, com Maurício Pokemon e Allexander Bomber e que já inicia nesta quarta-feira, 6, quando a equipe de organização já estará toda em Belém. Para detalhes de cada ação e informações sobre inscrições, acesse o site oficial do festival. Durante os dias do !PULSA! em Belém, após os espetáculos e as ações, os espaços Casa Apoena e Esther Lanches, na Cidade Velha, serão pontos de encontro informal e aberto a todas as pessoas participantes ou não do festival, com comidas, bebidas e música.

Como surge o !PULSA!

O !PULSA! surgiu do desejo comum de colocar lado a lado, em diversas cidades pelo Brasil, a combinação de saberes, de artistas e de origens, com a crença na afirmação de Nego Bispo (1959-2023): confluências, quando misturas nos permitem transformações, sem deixarmos de termos nosso lugar.

“Acreditamos que em todo local existe potência de criação, de imaginação que pode provocar a transformação social. Queremos também discutir outros sistemas de conhecimento, com pessoas que vêm de povos originários, quilombolas, de lutas contra o desmatamento, da crise climática”, conta Andreia Duarte. 

Para os idealizadores, o !PULSA! é um reflexo da articulação entre a direção, agentes culturais e artistas da cidade de Belém. “Antes de qualquer ação, nós ouvimos. Isso é fundamental para criarmos estratégias compartilhadas na construção da programação.”, coloca Guilherme Marques. 

Construindo a programação com escutas

Para construir a programação desta terceira edição, o primeiro passo foi estabelecer a “escutaria”, articulada com a consultoria de Marise Mauês, Marcia Kambeba e Wlad Lima, para se conectar com pessoas da cultura expandida da cidade: do movimento negro, de quilombo, de quilombo indígena, das artes cênicas, das artes visuais, de territórios públicos, além de artistas, produtores e pensadores. “A partir dessas primeiras conversas, foi possível começar  a moldar como seria criar um !PULSA! que fizesse sentido para Belém”, dizem os diretores

A construção no território também contou com mais três consultores artísticos, Alexandre Sequeira, Lívia Condurú e Romário Alves, que ajudaram a pensar o entrelaçamento entre o território, as ações em vários espaços e localidades. Ação inédita, o Circula que !PULSA! é resultado dessas ações e nasceu para integrar a programação local com artistas de outros lugares e incentivar a ligação do público a uma rede de espaços culturais na cidade. 

Serviço

!PULSA! Movimento Arte Insurgente -  De 9 a 17 de novembro, o !PULSA! em diversos espaços da cidade. A programação completa está no site https://pulsa.art.br/. A retirada de ingressos (gratuitos) é pelo SYMPLA. A realização é da Olhares Instituto Cultural e Outra Margem, com patrocínio do Instituto Cultural Vale e Ministério da Cultura, via Lei Federal de Incentivo à Cultura. Parceria institucional: Fundação Cultural de Belém, Prefeitura Municipal de Belém, Fundação Cultural do Estado do Pará, Secretaria de Estado de Cultura e Governo do Pará. Apoio Cultural: IBT - Instituto Brasileiro de Teatro. 

Saiba Mais:

Site: https://pulsa.art.br/

Instagram: https://www.instagram.com/pulsamovimento/

Ingressos gratuitos: https://pulsa.art.br/edicao-3/ingressos/



4.11.24

Denise Fraga pela primeira vez no Theatro da Paz

Foto: Divulgação
Ela apresenta "Eu de Você" em curta temporada, de  22 a 24 de novembro, às 20h, no Theatro da Paz. A apresentação faz parte da turnê Norte e Nordeste do Brasil, com patrocínio da Bradesco Seguros, Lei Federal de Incentivo à Cultura, MinC e Governo Federal. 

Unindo histórias reais à literatura, música e poesia, "Eu de Você" é uma obra idealizada por Denise Fraga, em colaboração com o produtor José Maria e o diretor Luiz Villaça. O espetáculo convida o público a refletir sobre a vida cotidiana e as conexões humanas. Afirmando que "a arte ajuda a gente a viver", Denise também enfatiza a cumplicidade que a literatura proporciona ao sofrimento e à alegria.

Em cena, a atriz será acompanhada de personagens inspirados em histórias reais, que refletem o cotidiano de diversas pessoas, trazendo uma abordagem de humor e empatia. No espetáculo, Denise também canta mais de dez canções, como clássicos de Chico Buarque e Elvis Presley, em uma mistura que promete emocionar.

"Eu de Você" se destaca também na acessibilidade, oferecendo intérprete em LIBRAS, audiodescrição e monitoria para pessoas neurodiversas em todas as sessões. Para informações sobre esses serviços, o público pode contatar a produção pelo e-mail comunicacao@niafilmes.com.br. Realização da NIA TEATRO e patrocínio da Bradesco Seguros, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, Ministério da Cultura e Governo Federal.

Não é a primeira vez da atriz em Belém. Denise Fraga apresentou aqui, em 2019, o espetáculo “A Visita da Velha Senhora”, também com direção de Luiz Villaça, no Teatro do Sesi.  Quem foi assistir presenciou a potência desta atriz em um palco. E agora, ela não vê a hora de pisar no monumental Theatro da Paz. Os ingressos já estão disponíveis, com preços variados, podendo ser adquiridos na bilheteira do Theatro ou pelo site Ticket Fácil.

Serviço

Espetáculo: Eu de Você

Datas: 22, 23 e 24 de novembro de 2024

Local: Theatro da Paz, Praça da República, Rua da Paz, s/n, Centro, Belém - PA

Ingressos: Bilheteria do Theatro da Paz e site Ticket Fácil

https://www.ticketfacil.com.br/tp-eu-de-voce.html

Preços: R$ 20,00 a R$ 140,00

Classificação indicativa: 12 anos

Duração: 90 minutos

Encontro traz diálogos entre Brasil e Guiné-Bissau

A Casa da Linguagem recebe nesta quarta-feira, 5, a partir das 9h, o evento “Antlânticos Lusógrafos: Diálogos literários Brasil e Guiné-Bissau”.  O encontro traz roda de conversa com Paulo Nunes e lançamento do livro O Candeeiro Pendurado, de Nhima Nanqui de Barros.

A iniciativa dialoga sobre a relação literária entre os dois países, apresentando a similaridade, diferenças e conexões da língua portuguesa. Segundo Paulo Nunes, a roda de conversa abordará questões essenciais sobre o relacionamento dos países Guiné-Bissau e o Brasil, especificamente no Pará, onde há uma relação muito forte que remota ao período colonial. 

“A temática interessa na medida em que vamos trabalhar de forma fraterna e igualitária, sem hierarquizações à língua portuguesa, que pertence a esses dois povos. O uso que se faz da língua é cultural, mas nesse diálogo, eu sempre dei por me afastar da ideia de uma lusofonia, que é um posicionamento extremamente colonialista por parte de Portugal, e prefiro me aproximar da ideia da lusografia, que prevê um relacionamento fraterno entre os países”, declara Paulo Nunes.

Reprodução da Internet
Na programação, a roda de conversa buscará gerar diálogos e trocas entre professores, pesquisadores e estudantes. 

“Esse evento será fascinante. Eu espero falar muito menos e ouvir muito mais esse belo português matizado de africanidades que é o português de Guiné-Bissau. Além disso, há o toque especial que é o sabor literário, que vai acontecer num espaço mágico, que é a Casa da Linguagem, e irá reunir outros professores de letras e diversos estudantes da cidade de Belém”, reforça Paulo Nunes.

O evento também é um momento de celebração entre Paulo e Nhima, que se conhecem desde 2010, quando a escritora foi monitora de Paulo na graduação em Letras da Universidade da Amazônia (Unama). Segundo ele, Nhima sempre foi uma aluna protagonista quando iniciaram pesquisas de literatura e negritude, onde estudaram os afro-amazônicos, os brasileiros e africanos que escrevem em língua portuguesa.

“A minha experiência com a Guiné-Bissau se deu com a Nhima Nanqui de Barros, agora professora, mas que foi minha orientanda em Belém, quando morou aqui no Brasil, e caminhou comigo nas pesquisas. Nhima me ensinou muito, mais muito mesmo, sobre seu país, sua vida, literatura, gente e culturas. Sempre tenho expectativas em aprender mais em meus encontros com essa professora e escritora incrível chamada Nhima Nanqui”, conta Paulo Nunes

Lançamento do Livro o Candeeiro Pendurado

Provocativo e criativo, o livro O Candeeiro Pendurado, da professora e escritora Nhima Nanqui de Barros, reúne cinco narrativas curtas que envolvem os leitores. Esse é o primeiro livro escrito pela escritora, que aos 23 anos saiu de Guiné-Bissau para prosseguir com o seu percurso académico no Brasil.

“O Candeeiro Pendurado não foi um livro planeado; escrevi-o sob a pressão do medo. Escrever histórias é algo que fazia há muito tempo, mas guardava-as. Às vezes mostrava-as a alguns amigos e familiares próximos, mas nunca passei disso. Em 2020, cheguei a Portugal para o nascimento do meu primogênito e uma semana após o nascimento dele, começou a pandemia de Covid-19. Eu tinha tanto medo do que poderia acontecer conosco e comecei a questionar-me: se acontecesse algo comigo, o que diriam ao meu filho? Que legado teria deixado para ele? Foi nestas perguntas sem respostas que comecei a inventar músicas e a contar pequenas histórias para ele. Foi assim que ‘O Candeeiro Pendurado’ se tornou uma realidade, um legado que vou deixar para o meu filho e ou meus filhos e a todas as crianças”, comenta Nhima.

A escritora conta que está um pouco ansiosa para o lançamento que representa e significa tanto para ela e seu legado. “Eu também estou “receosa” porque é o meu primeiro livro. Não sei como será a recepção do público. Acredito que este sentimento não é exclusivamente meu; qualquer pessoa que esteja numa situação de iniciante passa por isso. Aliás, o primeiro filho é sempre uma experiência ímpar e conta-se com a participação de todos no seu processo de educação para torná-lo num homem exemplar. Este livro é o meu filho também”, enfatiza ela.

Para a participação na roda de conversa, Nhima fala sobre a importância de debater sobre as relações entre os dois países: “A temática a ser abordada é muito importante, abrangendo um público diversificado. O Brasil e a Guiné-Bissau além da cooperação bilateral e comunitária que existe entre os dois países, há uma outra relação de irmandade e de sentimentos comuns, forjados pela colonização, hoje em dia essa ligação não é uma relação forjada, mas uma interação construída na aceitação do outro como o semelhante, na troca de ideias, na livre circulação de pessoas e bens, sem distinção de raça, cor e crença. É essa a nossa visão comum do mundo, expressa na nossa literatura!, reforça Nhima.

Serviço

Antlânticos Lusógrafos: Diálogos literários Brasil e Guiné-Bissau”. Horário: 9h, na Casa da Linguagem. Av. Nazaré, 31. Evento gratuito. 

(Holofote Virtual, com reportagem de Vagner Mendes) 

29.10.24

O cinema negro no Festival Zélia Amador de Deus

O Festival de Cinema Negro Zélia Amador de Deus abre as inscrições, nesta quarta (30), para sua quarta edição, mantendo seu compromisso com a valorização do audiovisual negro e originário, com foco especial nas produções amazônicas. 

Cineastas e produtores audiovisuais de todo o Brasil podem se inscrever gratuitamente até 15 de novembro, de forma online, em categorias que abrangem curtas-metragens, animações, videoclipes e múltiplos formatos. As produções devem ter sido realizadas entre janeiro de 2022 e novembro de 2024.

O festival busca impulsionar a visibilidade de filmes dirigidos por pessoas negras e originárias, concedendo prêmios em dinheiro que totalizam quase R$ 6 mil. O Troféu Zélia Amador de Deus será entregue nas seguintes categorias: Melhor Filme da Região Amazônica (R$ 1,4 mil), Melhor Animação Amazônica (R$ 1,4 mil), Melhor Filme Nacional (R$ 1,2 mil), Melhor Videoclipe (R$ 700) e Melhor Projeto em Múltiplos Formatos (R$ 700). A curadoria, realizada pela produtora Cine Diáspora, divulgará os resultados até 15 de dezembro.

Rafael F. Nzinga, diretor da Cine Diáspora, destaca a relevância do festival no cenário audiovisual. Segundo ele, “o 4º Festival de Cinema Negro Zélia Amador de Deus é uma iniciativa singular ao premiar produções da Amazônia, promovendo um olhar mais atento do mercado nacional e internacional para filmes realizados na região.” Ele também reforça a importância do evento no combate ao apagamento das produções audiovisuais negras, ainda invisibilizadas devido à escassez de recursos e políticas afirmativas voltadas para a região norte.

A quarta edição em Belém será em 2025

De 14 a 26 de janeiro, a programação é diversa com exibições de filmes, debates e oportunidades de formação audiovisual. O festival promoverá oficinas técnicas, como direção de fotografia, direção de arte, animação e distribuição de filmes, para desenvolver talentos locais. 

Como parte das atividades, a Ilha do Combu receberá um encontro da Associação dos Profissionais do Audiovisual Negro (APAN), reunindo realizadores da Amazônia para discutir a circulação de filmes negros e indígenas, dentro e fora da região. Duas masterclasses exclusivas — uma sobre distribuição de curtas-metragens e outra sobre coprodução indígena — complementarão a programação.

A iniciativa da produtora Cine Diáspora visa não apenas a exibição, mas também o fortalecimento das redes de produção audiovisual negra e indígena. Com mais de 100 filmes exibidos e 12 prêmios entregues em edições anteriores, o festival contribui ativamente para a formação e visibilidade de profissionais do audiovisual na região norte. 

Nesta edição, o evento contará com a participação de artistas renomados, como Francisco Ricardo, premiado com o Kikito de Ouro de direção de arte no Festival de Cinema de Gramado; Kauê Bentes, de Castanhal, PA, fundador do coletivo Cine de Rua; e Bitate Juma, do território indígena Juma em Rondônia, protagonista e produtor do filme “O Território”.

Serviço: Inscrições do 4º Festival de Cinema Negro Zélia Amador de Deus

Período: de 30 de outubro a 15 de novembro

Inscrição: Link para inscrição

24.10.24

Último Sábado Te Conto no Casarão do Boneco

Neste sábado, 26, a partir das 17h, o Casarão do Boneco encerra a programação do "Sábado Te Conto" com mais duas apresentações e muitas brincadeiras. Em cena, Adriana Cruz e Aníbal Pacha, fundadores do grupo in BUst teatro com Bonecos. A programação também conta com brincadeiras e musica para diversão de toda a família, com Cincinato Marques e Maridete Daibes.

O evento trouxe encantamento e aprendizado para crianças e famílias ao longo de outubro. A iniciativa promove cultura e diversão e arrecada fundos para a manutenção deste espaço histórico e cultural de Belém, um imóvel centenário, que enfrenta desafios constantes para se manter de pé, e ações como essa são essenciais para sua preservação. 

Neste encerramento, o público será presenteado com duas contações especiais. Aníbal Pacha apresenta "O Anjo", um ato cênico inspirado no conto de Hans Christian Andersen. A história traz a sensibilidadede um anjo que desce à Terra para guiar uma criança ao céu, sobrevoando os locais que foram especiais para ela em vida. 

Com uma atmosfera delicada e poética, a apresentação conduz o público a refletir sobre memórias e o amor eterno. A criação visual e a performance de Aníbal Pacha fazem de "O Anjo" um momento emocionante, que celebra a ternura e a simplicidade de sentimentos profundos. 

A outra contação "A Iara", de Adriana Cruz, mergulha no universo mítico da Amazônia. A narrativa conta como uma guerreira indígena se tornou um dos maiores mitos das águas, a sereia Iara. Utilizando bonecos e objetos, Adriana traz à cena o encanto da personagem que, com seu  canto, seduz e leva um caçador às profundezas do rio.  

A contação é rica em visualidade e oferece uma oportunidade única para crianças e adultos conhecerem mais sobre as lendas amazônicas, ao mesmo tempo em que exploram temas como coragem, amor e mistério. 

Retrospectiva de um mês de histórias e aprendizado 

O Casarão do Boneco é um espaço essencial para a vida cultural de Belém. É também um refúgio para a criatividade, onde artistas e comunidade se encontram, trocam experiências e cultivam a arte. A manutenção desse espaço significa garantir que novas gerações possam crescer em contato com a diversidade cultural e criativa da cidade. 

Iniciativas como o "Sábado Te Conto" são fundamentais para que o Casarão continue a ser um local vibrante, cheio de histórias e de vida, conectando crianças e adultos ao universo da arte e ao fortalecimento de laços comunitários. Durante as semanas anteriores, o "Sábado Te Conto "trouxe apresentações que estimularam a imaginação das crianças e abordaram temas importantes, sempre de forma lúdica e acessível.

No dia 5 de outubro, Nanan Falcão apresentou "Calças", que levou o público a refletir sobre a história por trás das roupas que vestimos, desde revoluções sociais até o cotidiano atual. As crianças aprenderam sobre diversidade e história de forma leve e envolvente. 

Na mesma data, Paulo Ricardo Nascimento trouxe a divertida e musical história "A lavadeira, o príncipe e o sapo que não lava o pé", que tratou de temas como amor e aceitação de forma criativa, com bonecos e música, mostrando como até um "chulé espetacular" pode ter um papel especial em uma história de amor. 

Já no dia 19 de outubro, a plateia se divertiu com  "Minha Mãe é um Problema!", de Adriana Cruz, que apresentou uma mãe um tanto excêntrica, guiando as crianças por uma jornada de aceitação e diversão. 

A história, adaptada do livro de Babette Cole, foi uma forma alegre de celebrar as diferenças e o amor familiar. No mesmo dia, Maridete Daibes trouxe "A Senhora Vento", uma contação que envolveu o público em uma reflexão sobre amizade e liberdade, estimulando a participação ativa das crianças, que brincaram e encenaram junto com a narradora. 

O "Sábado Te Conto" mostrou como histórias podem ser poderosas ferramentas de aprendizado. Por meio de contações ricas e cativantes, as crianças exploraram temas diversos, desde história e cultura até sentimentos e relações humanas. 

Neste último sábado, elas terão a chance de mergulhar na ternura de "O Anjo" e na magia amazônica de "A Iara", encerrando o mês com histórias que celebram a imaginação e a sensibilidade. 

Programação do dia 26 de outubro: 

O Anjo - Aníbal Pacha 

Entremeio divertido - Cincinato Marques Jr. e Maridete Daibes

A Iara - Adriana Cruz 

Ingressos: Adulto: R$ 30

Criança (maior de 2 anos): R$ 15

Informações e venda antecipada: 99174-2191 (Fafá) e98171-8282 (Cristina) 

Ficha Técnica: Projeto Sábado te Conto 

Realização: Coletivo Casarão do Boneco

Coordenação Geral: Adriana Cruz

Equipe: Maurício Franco, Thiago Ferradaes, Paulo Ricardo Nascimento, Aníbal Pacha, Cincinato Marques Jr., Nanan Falcão, Maridete Daibes, Fafá Sobrinho, Cristina Costa e Andréa Rocha

Bilheteria: Produtores Criativos

Assessoria de Imprensa: Luciana Medeiro

Apoio: Holofote Virtual, Padaria Verderosa, Design Criações 

23.10.24

Prefeitura lança primeiro edital municipal PNAB

Palacete Bolonha, sede
da Fumbel
A Prefeitura Municipal de Belém, por meio da Fundação Cultural de Belém (FUMBEL), informa que estão abertas as inscrições para o Edital de Chamamento Público nº 04/2024, Edital de Multilinguagens, voltado para a seleção de projetos culturais em diversos segmentos artísticos.

Além deste, até a próxima semana também serão lançados mais dois editais, voltados a Mestres e Mestras da Cultura e aos Pontos de Cultura / Cultura Viva.

O Edital de Multilinguagens visa selecionar e apoiar projetos culturais que representem a pluralidade da cidade. “Buscamos fortalecer as manifestações culturais locais, incentivando a pluralidade de vozes e a democratização do acesso à cultura", explicou Inês Silveira, presidente da Fundação Cultural do Município de Belém (Fumbel). Segundo ela, o edital surge como uma oportunidade para agentes culturais de Belém apresentarem propostas que valorizem a diversidade e estejam alinhadas aos interesses da comunidade.

Um dos aspectos de destaque é o compromisso com a inclusão. "Garantimos cotas específicas para grupos historicamente marginalizados, como pessoas negras, indígenas, com deficiência e LGBTQIAPN+, reforçando nosso compromisso com a diversidade, garantindo que diferentes perspectivas sejam ouvidas e valorizadas", ressaltou a presidente, destacando que a pluralidade é essencial.

Fortalecimento da economia criativa e do diálogo cultural

O edital abrange desde a produção de eventos culturais, como feiras e festivais, até iniciativas voltadas para a formação e capacitação de agentes culturais. "Isso significa que qualquer agente cultural, seja ele pessoa física ou jurídica, pode apresentar propostas que fomentem a cultura em suas mais diversas formas. Essa diversidade de propostas não só impulsiona a economia criativa da nossa cidade, mas também promove o diálogo cultural entre diferentes grupos e gerações, fortalecendo nossa identidade local", comentou Inês.

De acordo com Inês Silveira, o edital, de relevância nacional, faz parte de um esforço estruturado de financiamento à cultura no Brasil. "A PNAB, da qual este edital faz parte, representa um esforço conjunto entre a União, os Estados, os Municípios e a sociedade civil para promover uma cultura mais acessível e diversificada. Ao fornecer recursos para a produção cultural, estamos valorizando os artistas locais e contribuindo para um Brasil mais culturalmente rico e plural, onde todos têm a oportunidade de expressar suas experiências e histórias."

Inscrições abertas até 1 de novembro

O edital e o formulário de inscrição devem ser acessados pelo site da FUMBEL: www.fumbel.belem.pa.gov.br. As inscrições podem ser realizadas de 23 de outubro a 1 de novembro de 2024, até às 23h59, horário de Brasília.

Valor Total Disponível:

O valor total deste edital é de R$ 5.224.089,00, destinado ao fomento de até 100 projetos culturais que atendam às diretrizes estabelecidas.

Linhas de Inscrição:

O edital contempla duas linhas de inscrição:

1. Linha 1: Produção de Evento Cultural - Feiras, Mostras ou Festivais.

2. Linha 2: Projetos voltados para a produção, circulação de obras artísticas ou para a formação e capacitação de agentes culturais.

Quem Pode Participar:

Podem se inscrever agentes culturais que comprovem residência ou sede no município de Belém, com pelo menos cinco anos de atividade para a Linha 1 e dois anos para a Linha 2.

Como se Inscrever:

As inscrições devem ser realizadas exclusivamente através do site da FUMBEL: fumbel.belem.pa.gov.br, onde os agentes culturais poderão encontrar todas as orientações necessárias, incluindo a documentação exigida.

Cotas e Acessibilidade:

O edital também prevê cotas para pessoas negras, indígenas, com deficiência e LGBTQIAPN+, reafirmando o compromisso da FUMBEL com a inclusão e diversidade nas manifestações culturais.

Prazo para execução dos projetos:

Os projetos selecionados deverão ser executados até 05 de novembro de 2025.

Para mais informações, os interessados podem entrar em contato pelo e-mail: edital004multilinguagens.fumbel@gmail.com.

PNAB

A Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), instituída pela Lei nº 14.399, de 08 de julho de 2022, tem como objetivo fomentar a cultura nacionalmente, apoiando todos os Estados, o Distrito Federal e os Municípios brasileiros, durante 5 anos, a partir de 2023. Essa política pública contribui para a popularização e o fortalecimento da cultura em todo o país.

A PNAB representa uma oportunidade histórica para estruturar o sistema federativo de financiamento à cultura, com repasses contínuos da União aos Estados, Distrito Federal e Municípios.

Por meio dessa política, os investimentos regulares em projetos e programas culturais são possíveis, não apenas de forma emergencial, como aconteceu com a Lei Aldir Blanc 1 e a Lei Paulo Gustavo. Os entes federativos implementam ações públicas por meio de editais e chamamentos abertos para os(as) trabalhadores(as) da área da cultura, além de executar os recursos diretamente nas políticas culturais locais.

Mais informações: www.fumbel.belem.pa.gov.br

(Texto: Agência Belém)

Manoel e Felipe Cordeiro no Sonora Brasil do Sesc

Felipe Cordeiro e Manoel Cordeiro
Foto: Fernanda Brito
O show com a dupla será na sexta-feira (25), às 19h. Já no sábado (26), às 17h, eles encontram o público em uma roda de conversa. Toda a programação é gratuita, com classificação livre e está disponível no site sesc-pa.com.br. 

Seguindo na sua semana intensa de programação musical pelo projeto Sonora Brasil, o Centro de Cultura e Turismo Sesc Ver-o-Peso recebe, em seu palco, Manoel Cordeiro e Felipe Cordeiro, pai e filho que são referências da música paraense. 

O projeto do Sesc é voltado à valorização, preservação e difusão do patrimônio musical brasileiro. Com a temática “Encontros, Tempos e Territórios” propõe um aspecto fundamental do projeto, que é o olhar, a escuta e a valorização das territorialidades, da diversidade e das memórias por meio da expressão de seus autores e intérpretes. E este ano, o Pará, representando a região Norte, está circulando pelas demais regiões do Brasil com os artistas Manoel e Felipe Cordeiro.  

Um show voltado às sonoridades do Pará
Foto: Fernanda Brito
É uma oportunidade importantíssima da gente ter contato com a nossa música e, também, reforçar e reafirmar o conceito de música amazônica, de música da Amazônia”, refletiu Manoel Cordeiro sobre a importância do Sonora Brasil. 

Laços de parentesco e culturais unem Manoel e Felipe Cordeiro. “Somos pai e filho, mas somos, sobretudo, duas gerações com vivências complementares de música. A gente já expressa isso nos nossos trabalhos solo, mas quando a gente está junto isso fica bem mais presente”, finalizou Felipe.   

No show de 25/10, eles trazem para o palco do Sesc Ver-o-Peso a fusão de ritmos amazônicos como guitarrada, lambada e carimbó indo até a música eletrônica e pop. O encerramento da programação com a dupla ocorre no dia 26/10, com uma roda de conversa às 17h, onde discutem a diversidade da música amazônica, acompanhados por artistas locais e com a mediação da jornalista Luciana Medeiros.  

SONORA BRASIL  

É um projeto do Sesc que tem como objetivo desenvolver programações musicais com temáticas relacionadas à cultura brasileira. Ele faz parte da proposta de desenvolvimento das artes, com enfoque na valorização, na preservação e na difusão do patrimônio cultural brasileiro. Em 2024, cinco duplas circularão pelos estados das Regiões Norte e Nordeste e as outras cinco pelas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, ao todo o projeto passará por 56 cidades realizando um total de 214 apresentações.  

Serviço

Manoel e Felipe Cordeiro no palco do Sonora Brasil do Sesc   

Datas: 25 e 26/10/2024 

Classificação Livre 

Entrada gratuita 

E-mail: comunicacao@pa.sesc.com.br 

Site: sesc-pa.com.br 

Facebook: Sesc no Pará | Instagram: @sesc_pa | Youtube: Sesc no Pará  

Jonny Lobato ministra workshop de Improvisação

O Workshop de Improvisação no Carimbó, com participação da Orquestra de Carimbó do Pará (OCP), será nesta sexta-feira, 25, a partir das 10h, na Sala Ettore Bosio, do Instituto Estadual Carlos Gomes. 

De forma gratuita e sem inscrição prévia, a atividade faz parte de um extenso projeto financiado com recursos da Lei Paulo Gustavo, por meio da Secretaria de Cultura do Pará (Secult) e Ministério da Cultura.

“Esse workshop aborda de uma forma mais técnica aquilo que a gente faz na prática durante os nossos ensaios da OCP. A Orquestra foi formada com a intenção de unir o popular com o técnico, o músico popular com o músico técnico, pessoas que leem muito bem partitura, que têm dificuldade de improvisar, com pessoas que improvisam muito bem, mas que às vezes não sabem nem ler partitura, mas têm esse saber empírico tão grande”, comenta Jonny sobre o workshop.

A OCP é conhecida por promover ensaios abertos em praça pública, convidando músicos a levarem seus instrumentos e participarem ou até aprenderem de fato a tocar carimbó. “Os ensaios são para que haja essa troca de experiência. E ali a gente aborda as formas de execução. A gente tenta entrar numa linha de pensamento de um determinado compositor. Já o workshop traz isso de forma mais aprofundada, de uma forma mais técnica, voltada já para o público que lê partitura, eu digo isso em relação ao público do sopro, eles vão ter acesso aos arquivos que a orquestra produz, são arranjos exclusivos”, diz Jonny.

Serão abordadas obras de alguns compositores como Mestre Verequete, Mestre Lucindo, Mestre Cupijó e Mestre Pelé, que são a base do repertório da OCP, além de apresentar embasamento teórico de música, de pesquisa e de formas de improviso que Jonny vem trabalhando ao longo dos últimos anos. 

“Essas aulas serão práticas, a gente tem as músicas desses mestres escritas e principalmente adaptadas àquilo que se consome em escola de música, como peça solo, como duetos, trios e quintetos, então a gente vai fazer uma grande prática em conjunto”, projeta o instrutor.

As transcrições para partitura, com arranjos para o formato da Orquestra de Carimbó, serão disponibilizadas durante o workshop para os alunos apliquem a seus instrumentos, seja violino, flauta, clarinete, viola, violoncelo. “Vai ter uma acessibilidade para os instrumentos, de modo que não precisa o músico transpô-lo na hora. Então, a gente vai ver na prática como o carimbó se comporta na partitura, apesar de parecer uma coisa um pouquinho fechada, de um carimbó que é tocado livremente, que não está na partitura, mas a orquestra acredita muito que, através da partitura, a gente pode alcançar outros lugares”, acrescenta Jonny.

Serviço

O Workshop de Improvisação no Carimbó, com participação da Orquestra de Carimbó do Pará (OCP), será nesta sexta-feira, 25, a partir das 10h, na Sala Ettore Bosio, do Instituto Estadual Carlos Gomes.

21.10.24

Mostra simultânea celebra o cinema de animação

Voo
O Dia Internacional da Animação (DIA) chega à sua 21ª edição, celebrando a arte da animação com exibições e atividades em mais de 250 cidades do Brasil, 12 delas no Pará. Em Belém a mostra principal será no Auditório Eneida de Moraes (Palacete Faciola), e em Altamira, no Teatro Municipal Jarbas Passarinho. Marque a data: 28 de outubro, às 19h30. 

Também haverá sessões gratuitas em Acará, Breu Branco, Castanhal, Colares, Goianésia do Pará, Itaituba, Marapanim, Pacajá, Santarém (Alter do Chão) e São Sebastião da Boa Vista. A programação de cada cidade pode ser encontrada no site oficial.

Oficinas, workshops, bate papo e exibições que vão até novembro em algumas cidades. A mostra principal, porém, será no dia 28, marcando a data comemorativa que, há 21 anos, é celebrada com exibição simultânea em diversas cidades brasileiras. No Pará, haverá sessão em 12 cidades, com apoio da Lei Paulo Gustavo/Secult-Pa. 

A programação do Dia Internacional da Animação inicia, em Belém, na próxima semana, 26 de outubro, com workshops no Espaço Curro Velho, pela manhã e à tarde. No dia 28, além da Mostra Principal e simultânea às demais cidades, no Palacete Faciola, a programação também oferece ao público o "Estúdio Aberto de Animação", que poderá experimentar técnicas de animação como desenho animado, stop motion, pixilation e dublagem.

Chita
As oficinas são gratuitas e não requerem inscrição prévia, permitindo que qualquer pessoa participe e experimente diferentes técnicas de criação animada. Durante as sessões, que ocorrerão nos períodos da manhã e tarde do dia 28 de outubro, no Curro Velho, os participantes poderão aprender sobre o processo de animação infantil, seguido de atividades práticas para experimentar diferentes formatos.

Entre as técnicas disponíveis no Estúdio Aberto estão o desenho animado, que utiliza lápis, papel e mesa de luz para criar sequências de movimento, e o stop motion, uma técnica que manipula bonecos e objetos quadro a quadro. Outras modalidades incluem o pixilation, que utiliza pessoas reais em vez de bonecos, e a dublagem para animação, onde os participantes aprendem a gravar vozes sincronizadas com personagens animados. As oficinas serão realizadas no Núcleo de Oficinas Curro Velho, em Belém, e contam com o apoio cultural da Fundação Cultural do Pará.

Dia 30, no auditório do Curro Velho, haverá a exibição da mostra ambiental,  seguida por um bate papo com o animador Marcelo Marão.  Já no dia 31 de outubro, no Palacete Faciola, haverá a exibição do longa de animação “Bizarros Peixes das Fossas Abissais”, às 16h e da Mostra Paraense, às 17h20, seguida de bate papo “História da Animação Paraense e bastidores do DIA PA 2024”.

A produção local da mostra, em Belém, ficou por conta de Thalyne que, pelo segundo ano consecutivo fica com essa missão. "Foi trabalhoso, mesmo já tendo feito isso dois anos seguidos, é sempre bom tentar adaptar as programações aos interesses do público. Esse ano tentamos deixar as atividades mais dinâmicas, com foco em pessoas que não conhecem muito como é feita uma animação, e permitindo que eles experimentem um pouco desse processo", explica Thaly Chrys que, também atua na área da animação, desde 2017.

"Atualmente trabalho principalmente com animação tradicional e com storyboard. Tiver o prazer em animar em um dos curtas que vão ser exibidos na mostra do DIA (Maréu). Fiz storyboard pra dois curta metragens do estúdio Muirak, e estou animando para o curta "Guardiões da Cobra Grande", coletivo Luzko Fuzko, do qual faço parte, os três com previsão de lançamento em 2025.

Altamira como centro difusor da Mostra no Pará

Lenora Down
Recebendo o evento pelo segundo ano consecutivo, em 2024 Altamira é a sede da coordenação estadual do DIA no Pará, com uma programação extensa que se prolonga até novembro. Além das exibições de curtas, o evento oferecerá oficinas de animação 2D e stop motion, conduzidas por nomes de destaque na área.  O DIA acontece no município, com o apoio do Estúdio Xingu Oficina Criativa, Ione Lindoso Eventos e da Secretaria de Cultura da Prefeitura.

A programação começa no dia 28 de outubro com a abertura das sessões, seguida pela exibição da Mostra Nacional, que reúne curtas brasileiros voltados para o público a partir de 14 anos, e pela Mostra Internacional, com filmes de classificação indicativa de 10 anos. A noite termina com uma conversa exclusiva com o renomado animador Marcelo Marão, que compartilha sua experiência e reflexões sobre a arte da animação.

No dia 29 de outubro, Marão conduzirá oficinas de animação 2D, que acontecerão em dois turnos. As sessões da noite incluem uma Mostra Infantil e a exibição do longa-metragem "Bizarros Peixes das Fossas Abissais", dirigido por Marão, seguida de mais um bate-papo com o diretor.

A programação continua em novembro, com destaque para a oficina de stop motion com duração de três dias (4, 5 e 6 de novembro), conduzida pelas animadoras belenenses Luana e Maiara Esquerdo. Todas as oficinas são abertas a participantes de todas as idades, sem pré-requisitos. Para receber o certificado de participação, é necessário que os inscritos compareçam a todas as aulas. 

Já as noites de novembro contam com uma série de mostras especiais, como a Mostra Ambiental e a Mostra Histórica Paraense, além de conversas ao final das sessões, permitindo uma troca de ideias sobre os bastidores e o processo criativo na animação.

18 anos de história do DIA no Pará

A mala

O Dia Internacional da Animação acontece desde 2007 no Pará e em 2024 chega à sua 18ª edição. A primeira exibição do evento no Estado foi realizada em Belém. Essa iniciativa pioneira trouxe uma celebração da animação que cresceria ao longo dos anos, tornando-se uma parte do calendário de eventos culturais no Pará, ampliando a conexão do Estado com o evento. 

A coordenação estadual está sendo feita pela artista e pesquisadora Patrícia Lindoso, natural de Altamira (PA), que em sua dissertação de mestrado aborda a presença das mulheres no panorama histórico do cinema de animação paraense, que compreende quase cinco décadas, destacando três gerações de realizadoras.

A primeira, nos anos 1970, com Sandra Coelho de Souza e Maria Sylvia Nunes; a segunda nos anos 1990 com as irmãs Fernanda e Flávia Alfinito; e a terceira a partir dos anos 2010 com uma nova geração múltipla que inicia sua trajetória na animação principalmente através de oficinas e cursos de formação específicos ou de áreas relacionadas à animação.

Nesse contexto, a temática desta edição paraense tem o foco nessas artistas e suas produções e contribuições para a trajetória do cinema de animação do estado do Pará. A vinheta de abertura, feita especialmente para o evento, apresenta um pouco dessa abordagem histórica. Também será exibida uma mostra com um panorama regional de filmes de mulheres da animação paraense como parte da programação paralela.

Coordenar uma mostra de animação, abrangendo diversas cidades, foi também enfrentar desafios. “O processo de curadoria exigiu articulação e planejamento para reunir obras e participantes, além de coordenação com uma programação maior dentro de um evento já consolidado”, diz Patrícia Lindoso. 

Ainda assim, segundo ela, há planos de transformar a mostra em um evento marcante no calendário cultural paraense, com mais recursos e continuidade. “Isso permitirá mapear e incentivar novas gerações de animadores, especialmente no interior do estado, consolidando o impacto da iniciativa e fortalecendo o protagonismo feminino na animação, além de contribuir para uma maior representatividade de gênero e regionalidade no setor”, conclui.

PROGRAMAÇÃO BELÉM E ALTAMIRA

26 a 31 de outubro – BELÉM DO PARÁ

WORKSHOPS | CURRO VELHO 

DIA 26/10/2024

Manhã 

9h30 às 12h | Workshop de animação (Responsável: Thalyne Chrystyna) 

9h30 às 12h | Workshop de criação de personagens (Responsável: Gabs Fernandes) 

ESTÚDIO ABERTO DE ANIMAÇÃO | CURRO VELHO 

DIA 28/10/2024 

Manhã

9h30 às 10h | Sessão de Animação Infantil 

10h às 12h | Estúdio Aberto de Animação 

Tarde 

15h30 às 16h | Sessão de Animação Infantil 

16h às 18h | Estúdio Aberto de Animação 

Local: Núcleo de Oficinas Curro Velho | Rua prof. Nelson Ribeiro, 287 - Telégrafo - Belém - Pará 

EXIBIÇÕES E CONVERSAS

DIA 28/10/2024 – Noite | PALACETE FACIOLA 

19h30 às 21h30 | Mostra Principal 

DIA 30/10/2024 – Tarde | CURRO VELHO 

15h às 16h - Mostra ambiental

16h às 17h30| Conversa com o animador Marcelo Marão 

DIA 31/10/2024 – Tarde | PALACETE FACIOLA

16h00 às 17h15 | Longa metragem “Bizarros Peixes das Fossas Abissais” 

17h20 às 18h15 | Mostra Histórica Mulheres Paraenses

18h30 às 19h30 | Bate papo “História da Animação Paraense e bastidores do Dia Internacional da Animação Pará 2024”

28 de outubro a 6 de novembro - ALTAMIRA

28 DE OUTUBRO (SEGUNDA-FEIRA)

19h às 19h30 - abertura da sessão

19h30 - mostra nacional (classificação 14 anos)

20h30 - mostra internacional (classificação 10 anos)

21h30 às 21h50 - conversa com Marão

29 DE OUTUBRO (TERÇA-FEIRA)

9h às 11h - oficina de animação 2D de lápis no papel com Marão (turma manhã)

14h às 16h - oficina de animação 2D de lápis no papel com Marão (turma tarde)

18h15 às 18h30 - abertura da sessão

18h30 - mostra infantil (classificação livre)

19h30 - longa-metragem dirigido por Marão: “Bizarros Peixes das Fossas Abissais” (2024) (classificação 10 anos)

20h45 às 21h15 - conversa com Marão

4 DE NOVEMBRO (SEGUNDA-FEIRA)

9h às 12h - oficina de animação stop motion com Luana e Maiara Esquerdo (turma manhã)

14h às 17h - oficina de animação stop motion com Luana e Maiara Esquerdo (turma tarde)

18h45 às 19h - abertura da sessão

19h - mostra nacional (classificação 14 anos)

20h às 20h20 - conversa ao final da sessão

5 DE NOVEMBRO (TERÇA-FEIRA)

9h às 12h - oficina de animação stop motion com Luana e Maiara Esquerdo (turma manhã)

14h às 17h - oficina de animação stop motion com Luana e Maiara Esquerdo (turma tarde)

18h15 às 18h30 - abertura da sessão

18h30 - mostra ambiental (classificação livre)

19h30 - mostra histórica paraense (classificação 12 anos)

20h30 às 20h50 - conversa ao final da sessão

6 DE NOVEMBRO (QUARTA-FEIRA)

9h às 12h - oficina de animação stop motion com Luana e Maiara Esquerdo (turma manhã)

14h às 17h - oficina de animação stop motion com Luana e Maiara Esquerdo (turma tarde)

18h15 às 18h30 - abertura da sessão

18h30 - mostra infantil (classificação livre)

19h30 às 19h50 - conversa ao final da sessão

LOCAL: Teatro Municipal Jarbas Passarinho - Travessa Treze de Maio, 201 (ao lado do Cinema Lúcio Mauro), Bairro Jardim Uirapuru, CEP 68372-180, Altamira-PA.

INFORMAÇÕES E INSCRIÇÕES:

https://linktr.ee/diadaanimacaopa

https://www.instagram.com/diadaanimacaopa

diadaanimacaopa@gmail.com