8.5.19

Música como elo cultural entre Pará e Cabo Verde

Naldinho Freire vai lançar seu 4o álbum. E isso poderia ser marcado apenas com um show, o que não seria pouco, pois o disco já traz em si 30 participações, em 12 faixas, mas “sem chumbo nos pés”, como o nome sugere, foi além e, com financiamento de emenda parlamentar do Dep. Federal Edmilson Rodrigues, em convênio com a UFPA, trouxe a Belém representantes da cultura cabo-verdiana, que realçam o intercâmbio entre Cabo Verde e Pará. 

Mario Lúcio, ex-ministro da Cultura de Cabo Verde, e Manuel di Candinho, atualmente Vereador da Cultura e Turismo na Câmara Municipal de São Domingos, chegaram na segunda-feira, 06, e nesta terça-feira,  7, participaram de dois eventos. Pela manhã, estiveram na mesa de abertura e debates de um seminário na Universidade Federal do Pará (UFPA), que propôs debater, refletir e estimular as práticas de intercâmbio, estreitando os laços entre os dois países, pela difusão da cultura e do turismo. 

O evento foi realizado por meio do Programa de Extensão Escritório Modelo de Práticas Acadêmicas em Turismo (Empactur), com programação que durou o dia todo, no Auditório José Vicente Miranda Filho, no Instituto de Ciências Jurídicas (ICJ), no Campus Profissional da UFPA. 

Já à noite, o intercâmbio se deu pela música, em um encontro emocionante no Núcleo de Conexões Na Figueredo, que reuniu músicos paraenses da guitarrada com os dois artistas cabo-verdianos, que mostraram os vários ritmos de sua cultura africana, como o Funaná, a Coladeira e a Morna. O blog acompanhou tudo e estará também nos bastidores da terceira etapa desse projeto, o show de lançamento de "sem chumbo nos pés", nesta sexta-feira, 10, às 20h, no Teatro Margarida Schvasappa do Centur.

Noite de ritmos, encontros e conexões

Além de Manuel de Candinho e Mario Lúcio, a programação intitulada "Do Funaná à Guitarrada", nesta última terça-feira, contou com Mestre Curica (ex-Mestres da Guitarrada), o banjista Marcelino Santos, com os guitarristas Bruno Rabelo (Cais Virado), na mediação da ação, pelo Clube da Guitarrada, e Renata Beckman (Guitarrada das Manas), o baixista Gabriel Dietrich e a baterista Layse Rodrigues (Farofa Tropical) e com a percussionista Loba Rodrigues (Caruana). A noite foi de trocas e interação, em improvisos inimagináveis. Quem foi, foi. E para quem não foi, torcemos que haja nova oportunidade. Os cabo-verdianos já manifestaram a vontade de ver, ouvir e interagir também, com o choro paraense... 

Nascido no Tarrafal em Cabo Verde, o músico e compositor Mario Lúcio é uma das figuras mais reconhecidas da cena cultural e musical cabo-verdiana, tanto local como internacionalmente. Escritor premiado, ele também marca a nova poesia cabo-verdiana com o livro “Nascimento de Um Mundo”. 

Mario Lúcio é um dos mais conceituados pensadores da sua geração, autor do “Manifesto a Crioulização”, a obra mais atual sobre o fenômeno da Crioulização no mundo, de que é um pensador expoente.  Foi Ministro da Cultura de Cabo Verde, e lançou a nova epistemologia sobre a Cultura, com a obra “Meu Verbo Cultura”.

Ícone da guitarra cabo-verdiana, Manuel di Candinho é outra grande expressão de seu país. Nascido na Ilha de Santiago, ele é o atual guitarrista do mítico grupo “Bulimundo”, no qual assume a guitarra principal. Conta-se que a história da música de Cabo Verde é indissociável de sua própria história, que inicia em 1978, no interior da ilha de Santiago.  

A Bulimundo levou o Funaná até às zonas urbanas e à diáspora cabo-verdiana espalhada mundialmente. Originalmente tocado com acordeão diatônico e facas que marcam o ritmo raspando barras de ferro (o Ferrilho),  como se fosse o triângulo do forró brasileiro, ele foi eletrificado pela Bulimundo, lhe abrindo os horizontes para o mundo.

Candinho é atuante no circuito musical de seu país, fazendo a direção de shows de artistas como Cesária Évora e Mayra Andrade. Saiu de Cabo Verde no início dos anos 1980, fixou residência, por dois anos, em Portugal, tocando ao lado de músico angolanos e moçambicanos, e partiu em seguida para a Holanda, onde morou por 30 anos. Em 2008, já de volta a Cabo Verde, conheceu Naldinho Freire em um festival de música na Ilha do Sal. O músico brasileiro havia sido convidado por Mario Lúcio, então Ministro da Cultura do país, e a conexão nunca se desfez, resultando neste momento histórico em Belém do Pará. 

“sem chumbo nos pés” no palco do Schivasappa

A estadia dos músicos cabo-verdianos em Belém retoma seu objetivo inicial, na noite desta sexta, quando Naldinho Freire subirá ao palco do Teatro Margarida Schivasappa do Centur, para o lançamento de seu quarto disco, “sem chumbo nos pés”, um trabalho marcado pela canção, utilizando violão de madeira, corda de aço e nylon, em diálogo com a música eletrônica. 

Além das 30 participações em suas composições, o álbum foi gravado em mais de uma cidade, passando por mais de um estúdio, extrapolando as fronteiras do Brasil. “Quando eu estava na cidade que eu queria e pretendia uma participação de um ou mais artistas, conseguíamos um estúdio e eu já gravava ali mesmo. Em João Pessoa, gravei com Pedro Osmar, e Adeildo Vieira, pessoal do Musiclube da Paraíba, as meninas Déa Limeira, Gláucia Lima, que são da minha época, anos 90. Esse momento foi quando estava na circulação do show com Beá Santos (Guitarrada das Manas), que inclusive fez a direção no estúdio dessas gravações, na Paraíba”, conta Naldinho Freire. 

Em Cabo Verde, gravou a guitarra de Manuel di Candinho, a voz guia de Mario Lúcio, e todo o seu violão, também guia para a música "Pretty Down". “A guitarra ficou tão legal que a gente está utilizando essa guitarra mesmo no disco. Candinho toca muito, é um virtuose da guitarra, mas também toca piano, é um grande músico.  O Mario Lúcio, depois esteve em Fortaleza para um concerto dele, e lá ele colocou a voz definitiva. O Ivan Ferraro, criador da Feira da Música de Fortaleza, nos ajudou a arrumar um estúdio. Esse trabalho traz muitas energias”, diz o músico.

A captação da guitarra para o CD ocorreu em 2017 no XL estúdio – Cabo Verde/ África. Com programações eletrônicas da instrumentista e produtora musical paraense, Beá Santos, e do músico e produtor musical, Marcel Barretto, além da participação do músico paraense Leo Chermont (Strobo).


E assim será o lançamento de "sem chumbo nos pés", repleto de  cores e nomes. Manuel di Candinho e Mario Lúcio participarão da música “Pretty Down”, terceira faixa gravada no álbum, que sai pelo selo Na Music, com direção musical de Marcel Barretto e produção executiva da MM Produções. 

O show promete mais emoções, ainda com a participação  dos paraenses Ramón Rivera, Lucas Torres, Natália Matos, Juliana Salgado, Gláfira, Pedro Vianna e Andrea Silveira (flautista paraense radicada em Natal), com projeções do VJ Lobo, direção artística de Camila Honda e iluminação de Patrícia Gondim.

Ficha Técnica do show

Produção Executiva: MM Produções
Produção: Inês Silveira
Direção de arte/Direção de cena: Camila Honda
Iluminação: Patrícia Gondim
Projeções: VJ Lobo
Apresentação: Marcelo Pinheiro
Produção Musical: Marcel Barreto
Voz, Violão: Naldinho Freire
Guitarra, Programações: Lucas Torres
Assessoria de Imprensa: Luciana Medeiros
Marketing: Projeto Caos

Serviço
Lançamento de “sem chumbo nos pés”. Dia 10 de maio, às 20h, no Teatro Margarida Schivasappa do Centur. Ingressos à venda pelo sympla a R$ 2.50 (http://bit.ly/sympla_semchumbonospes) ou no dia do show, na bilheteria do teatro – R$ 2,00. Mais informações: http://bit.ly/show_lançamento.

7.5.19

Ellie faz audição e lançamento do primeiro álbum

Fotos: Estúdio Tereza e Aryanne
A artista finca os pés na composição e mergulha em novas experiências para revelar identidade musical no álbum de estreia, já disponível nas plataformas de música e que poderá também conferido faixa a faixa, hoje (7), às 19h, na Kasa Koentro, com pocket show e exibição de video clipes. O show de lançamento é domingo, 12, no mesmo horário, no Teatro Waldemar Henrique, lugar histórico para o rock paraense. A apresentação contará com a participação da rapper Bruna BG, com a qual Ellie gravou “Bela Moça”, seu primeiro single. O ingresso custa R$ 20. 

“Mulher semente a aflorar”. O trecho da autobiográfica “Crisálida”, faixa título do álbum de estreia da paraense Ellie Valente, descreve bem o processo de construção do trabalho que chegou às plataformas digitais no dia 3 de maio. 

Formada em música pela Universidade do Estado do Pará (UFPA), ela começou a carreira como guitarrista, passou três anos na banda Álibi de Orfeu, viveu experiências acompanhando outros artistas e, depois de dez anos de trajetória, percebeu uma vontade intensa de criar um trabalho com assinatura própria. “Bateu uma necessidade de existir musicalmente”, resume. 

O desejo trazia alguns desafios pela frente, que a musicista abraçou com determinação. Ellie queria atuar em todas as etapas do projeto, então partiu para o canto e a composição, novidades para ela. Começou a exercitar a escrita e, para o trabalho de voz, recorreu à orientação da preparadora Marisa Brito, também cantora e compositora.

No processo, vieram letras inspiradas em histórias de amigos de Ellie, em situações existenciais e no universo feminino. Nascia o repertório do disco – na maior parte assinado por ela, sozinha ou com parceiros – que veio em três etapas, preservadas no resultado final. A artista queria que o álbum refletisse o momento de transição que estava vivendo – o que é traduzido pelo título: a fase em que a larva se prepara para se tornar borboleta. “Amadurecendo a cada dia, crescendo e cada passo que dou, é um aprendizado. A borboleta vem depois.” Assim, o disco reúne desde as composições que ela considera mais cruas até o que veio mais maturado, depois de um ano em estúdio.

Para a produção musical, Ellie Valente procurou o grande amigo de faculdade Rodrigo Rafael Ferreira, parceria que foi essencial para concretizar o trabalho: “Foi um irmãozão. O disco não aconteceria se não fosse ele.” Na sonoridade, os dois buscaram apresentar um apanhado das referências da cantora, como a estética das décadas de 1980 e 1990.

O disco Crisálida traz um recorte do universo feminino contemporâneo, do ponto de vista de dentro pra fora, com temas que falam de questões femininas, coisas existenciais, sobre amor, sensualidade e prazer. Prazer que, aliás, transcende aos gêneros, assim como as questões existenciais inserem-se em temas políticos. Ou seja, um universo no mais amplo sentido da palavra. Tem a sensação de unhas compridas arranhando as costas, deixando um pouco e carne viva, um misto de raiva a desejo.

Em termos sonoros, o disco agrega muito das referências de Ellie Valente, com muitos riffs, muitos solos (que trazem um som pesado), com arranjos que “falam” tanto quanto as letras, além de apresentar diferentes aspectos de sua identidade musical. Para isso, optou por usar timbres variados, não homogêneos, e valorizou os solos de guitarra.  Gravaram com ela o próprio Rodrigo (teclado e sintetizadores), Ed Guerreiro (guitarra), Tiago Belém (bateria), Sergio Barbosa (guitarra), Sidney KC (baixo), Luan Lacerda (baixo), Igor Capela (violão), Peder Caiman e Luca Caiman (guitarra e baixo). 

Guitarrista se entrega a nova fase da carreira

Antes chamada Elaine Valente (seu nome original) e dedicada à nova fase da carreira, a guitarrista se reinventa e inicia este novo tempo com o nome artístico Ellie Valente. O desejo pessoal de seguir novos rumos profissionais tocando, experimentando e criando sua nova identidade resultou na dedicação integral à produção de seu primeiro trabalho autoral como guitarrista, compositora e cantora.

Com mais de dez anos de carreira, Ellie é violonista, guitarrista e professora de música. Iniciou sua carreira com a Banda Mahara, composta integralmente por mulheres, em 2003. A partir de 2010, a guitarrista passou a integrar uma banda de rock autoral paraense permanecendo na formação durante três anos. Em 2014 decidiu seguir carreira solo, tocando com diversos artistas da música paraense. No mesmo período, participou dos arranjos e gravação das trilhas para o documentário “Balanço do Rock - A mais tribal de todas as festas”.

Na ocasião, foi formada a banda Malaco Símios com integrantes de diversas gerações de músicos das bandas que marcaram a cena rock paraense. Sua participação com diversos artistas a colocou como uma das homenageadas pelo cantor e compositor Luiz Caldas. O artista baiano lançou um disco em homenagem às Guitarradas do Pará (2016), e uma das faixas leva o sobrenome da guitarrista.

Entregue por inteiro a esta fase de renascimento musical, Ellie celebra o que a nova etapa traz. “Se aprende dando o passo. Dei o primeiro.” Como na letra de Crisálida: “Aventura apaixonada/ Vaga miragem, transformou/ O que era no que há de vir”.

O DISCO

“Crisálida” traz nove faixas: “Intro” (Ellie Valente/Rodrigo Ferreira/Sérgio Barbosa); “Crisálida” (Ellie Valente/Renato Torres); “Me ame” (Ellie Valente); “Ego” (Ellie Valente/Renato Torres); “Bela Moça” (Liège/Lívia Mendes/Ellie Valente), com participação de Bruna BG (PA); “Pra onde ela corre” (André Coruja); “Lua e Sol” (Ellie Valente/Renato Torres), com participação do duo Caimans (SP); “Abusos” (Ellie Valente/Amanda Coelho); e “Magnética” (Nanna Reis/Rodrigo Ferreira). O disco foi realizado com recursos obtidos através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura “Tó Teixeira - Guilherme Paraense” do município de Belém/PA. 

CROWDFUNDING 

Prestes a lançar o primeiro álbum “Crisálida”, Ellie decidiu contar com os fãs para colaborar com o show lançamento por meio de financiamento coletivo. Disponível no Kickante, a campanha fica aberta até o dia 11 de maio, com meta de R$ 13.200 mil e colaborações a partir de R$ 10. Além de funcionar como uma pré-venda do álbum e de ingressos, há outras opções de recompensas para os apoiadores, como download antecipado das faixas, audição do disco, pocket show exclusivo, jantar e até a guitarra que será usada no show de lançamento em Belém. Para colaborar com a campanha de pré-venda e show de lançamento, basta acessar: http://bit.ly/EVCamp.

REDES SOCIAIS

FICHA TÉCNICA 

Gravado no Mango Studio entre agosto e setembro de 2017 (bateria), Pulsar Studio em setembro de 2017 (baixo) e no Studio MK3 entre fevereiro e setembro de 2018 (guitarra, baixo, violão, vozes), em Belém/PA e Disenso Studio em São Paulo/SP, outubro de 2018 (voz).

  • Mixado por: Iuri Freiberger - Porto Alegre/RS
  • Masterizado por: Gilberto Ribeiro Jr.- São Paulo/SP
  • Produção Musical: Rodrigo Rafael Ferreira
  • Co-produção: Ellie Valente
  • Produção Executiva: Sandro Santarém
  • Fotos: Estúdio Tereza e Aryanne
  • Criação/Direção de Arte/Figurino/Make up: Alma Negrot
  • Projeto gráfico/Direção de Arte/Ilustração: Aryanne Almeida
  • Direção vocal: Marisa Brito
  • Direção backing vocals: Adriano Cruz (faixa Crisálida)
  • Músicos: Voz: Ellie Valente, Guitarra: Ed Guerreiro, Teclado e sintetizadores: Rodrigo Rafael Ferreira, Bateria: Tiago Belém, Guitarra: Sergio Barbosa, Baixo: Sidney
  • KC, Baixo: Luan Lacerda, Violão: Igor Capela, Guitarra e baixo Caimans (Peder Caiman e Luca Caiman). Participações: Bruna BG (Bela Moça), Caimans (Lua e Sol).

Serviço
Lançamento “Crisálida”, de Ellie Valente. Audição nesta terça-feira, 7, às 19h, na Kasa Koentro, com Pocket show e exibição de videoclipes - Na Angustura, 2579. E show de lançamento do álbum, neste domingo (12), às 19h, no Teatro Waldemar Henrique ( Av. Presidente Vargas, 645 – Campina). Ingresso: R$ 20,00. Informações: (91) 983914039.

4.5.19

O silêncio como instalação na Galeria Ruy Meira

“Tenho medo de perder este silêncio” apresenta 5 ambientes criados pelas artistas Izabela Leal, Galvanda Galvão, Jossete Lassance, Luciana Brandão Carreira e Mayara La-Roque, que usam instalações artísticas para abordar o tema do Silêncio, provocado pelo texto do escritor Felipe Cruz. Curadoria de Márcio Lins. Na Casa das Artes, 09 de maio, às 19 horas - Praça Justo Chermont, 236, Nazaré, ao lado da Basílica de Nazaré.

A exposição nos convida a refletir sobre diversas representações de um silêncio que habita o cotidiano, o autoconhecimento e a interação com o outro. Integra o projeto Literatura por elas, da Casa da Linguagem em parceria a Casa das Artes, especialmente dedicado à divulgação e difusão da criação literária produzida por mulheres. 

O projeto foi realizado em três etapas: Os encontros presenciais com as autoras, para leitura e reflexão sobre arte, criação e crítica literária; A versão audiovisual, os perfis poéticos, cujo lançamento ocorreu em dezembro de 2018 e essa exposição de poesia, que apresenta as cinco autoras convidadas, com a exposição - Tenho medo de perder este silêncio: Cinco Vozes Femininas.
  
PROGRAMAÇÃO - 16 de maio, às 19h

CONFLUIR - Encontro com artistas: Literatura por Elas, conversa com algumas das artistas em exposição na Casa das Artes.

Serviço
“Tenho medo de perder este silêncio”  abre com vernissage, no dia 09, às 19 horas, na Galeria Ruy Meira-  Casa das Artes - Praça Justo Chermont, 236, Nazaré, ao lado da Basílica de Nazaré. Fica aberta até dia 30, com entrada gratuita, nos horários de 09h às 18h.

(Holofote Virtual, com informações da Fundação Cultural do Pará)

3.5.19

Intercâmbio traz músicos caboverdianos a Belém

Manuel di Candinho, também vereador da cultura em seu país
De 7 a 10 de maio, Manuel di Candinho, guitarrista compositor  da ilha de Santiago, e Mário Lucio, compositor, pintor e poeta, estarão em Belém para participar de seminário cultural, encontro musical com a guitarrada e do show de lançamento do CD "sem chumbo nos pés", de Naldinho Freire, paraibano radicado em Belém. Ingressos para o show (10/5) já disponíveis pelo sympla: a R$ 2.50.  

Tudo isso integra o projeto “Intercâmbio Turístico e Cultural Brasil-Cabo Verde”, realizado, por meio do Programa de Extensão Escritório Modelo de Práticas Acadêmicas em Turismo (Empactur).

A programação dos músicos em Belém inicia na terça-feira, 7 de maio, num seminário que se propõe a debater, refletir e estimular as práticas de intercâmbio, estreitando os laços entre os dois países, pela difusão da cultura e do turismo, que será realizado no Auditório José Vicente Miranda Filho, no Instituto de Ciências Jurídicas (ICJ), no Campus Profissional da UFPA.

No mesmo dia, a partir das 19h, eles estarão no Núcleo de Conexões Na Figueredo, participando do “Encontro da Guitarrada com o Funaná”, aberto ao público. Haverá mesa com os músicos e compositores cabo-verdianos Manuel de Candinho e Mario Lucio, Mestre Curica, membros do Clube da Guitarrada, com mediação de Bruno Rabelo e apresentação do cantor Naldinho Freire. O debate abordará as nuances que aproximam os  acordes da Guitarrada do Pará o Funaná, típico do país africano Cabo Verde. 

Participação no lançamento de “sem chumbo nos pés”

Mario Lucio, ex Ministro da Cultura de Cabo Verde
Após o encontro com a guitarrada, Manuel di Candinho e Mario Lucio ficam em Belém para os ensaios (8 e 9 de maio) e preparativos do show de lançamento de “sem chumbo nos pés”, de Naldinho Freire, no dia 10 de maio, às 20h, no Teatro Margarida Schivasappa do Centur. Além deles, a apresentação contará ainda com participação dos paraenses, Ramón Rivera, Lucas Torres, Natália Matos, Camila Honda, Juliana Salgado, Gláfira, Pedro Vianna, Andrea Silveira e Pinduca.

Mario Lucio é uma das figuras mais reconhecidas da cena cultural e musical caboverdiana, tanto local como internacionalmente. É o escritor mais premiado do país internacionalmente. O poeta, que marca a viragem na nova poesia caboverdiana com o livro “Nascimento de Um Mundo”, é também um dos mais conceituados pensadores da sua geração, autor do “Manifesto a Crioulização”, a obra mais atual sobre o fenómeno no mundo.  Foi Ministro da Cultura de Cabo Verde, e lançou a nova epistemologia sobre a Cultura, com a obra “Meu Verbo Cultura”.

Ícone da guitarra cabo-verdiana, Manuel di Candinho é atuante no circuito musical de seu país, fazendo a direção de shows como de Cesária Évora e Mayra Andrade. Formou o primeiro grupo em Cabo Verde, em 1977, Os Camponeses, mas foi no início dos anos 1980 que ele começou a se firmar com uma carreira profissional. É vereador da cultura, em seu país.

Fixou residência, por dois anos, em Portugal, onde integrava o Africa Star. Em terras lusitanas, paralelamente, tocou ao lado de músico angolanos e moçambicanos, no grupo musical Jóia Bantu. 

Partiu em seguida para a Holanda, onde morou por 30 anos. Tocando em diversos grupos, entre eles o Tropical Show, em 1985, rodou pela Europa e esteve na Espanha, onde integrou, em 1988, o “Safari”. 

Retornou a Holanda e, na década de 1990, participou do grupo Master Blaster, Gil&Perfect e Coladance. Em 2008, fundou o Escoladera, com mestres e professores do ensino superior de música em Holanda. Neste ano também dá início a parceria com Naldinho Freire, em Países da Europa e em Cabo Verde.

PROGRAMAÇÃO

Terça-feira, 7 de maio
9h às 18h - Seminário Intercâmbio Turístico e Cultural Brasil-Cabo Verde - Auditório do Instituto de Ciências Jurídicas (ICJ) – UFPA.
19h - Encontro da Guitarrada com o Funaná – com produtores, músicos paraenses - Núcleo de Conexões Na Figueredo - Av. Gentil Bittencourt, próx. a Trav. Benjamin Constant.

Sexta-feira, 10 de maio
20h – Show de lançamento do álbum “sem chumbo nos pés” - No Teatro Margarida Schivasappa do Centur. Ingressos já estão disponíveis pelo sympla (R$ 2,50): http://bit.ly/sympla_semchumbonospes  No dia do show, na bilheteria do teatro, a R$ 2,00.

Escambau das Bandas Bazar: música, moda e arte

Um sábado que promete animar o fim de semana objetivo de fomentar a cultura local com bate papo sobre produção de musical e cultural. Participação de artistas, produtores culturais, lojistas e público em geral. Das 12h às 19h, no Espaço Cultural Apoena.

Serão dez estandes na a feira/bazar, que traz também novas marcas de roupas, acessórios e muitos presentes para os dias das mães, produzidos genuinamente por empreendedores paraenses que fomentam a cultura do Estado. 

A programação é para toda família e começa com aquele tradicional almoço regional do Espaço Cultural Apoena, recheado de boa música com DJ´s, palco aberto, show com a banda Les Rita Pavone, telão com videogame livre e um desfile de moda com as marcas  PoPoPô (Xarel - Amazônia jazz band), Ventura (Proefx), La Tienda de Las Chicas (Lari Xavier), assim como Matriarcado, Ponto Um e Afrodite, que  trazem o que há de mais novo das estamparias exclusivas e moda contemporânea . 

Falando ainda sobre música, a programação traz o bate papo com artistas, produtores culturais e lojistas, como o Mercadão da Eletrônica. o selo Ná Music, com Luyan Sales, dá uma palavra sobre a produção autoral e registro de músicas. Quebrando conceitos, às 15h, um inusitado desfile de moda Plus Size, ao som do DJ ProefX, seguido às 16h pelo show da banda Les Rita Pavone.

E para quem quiser tomar aquele tacacá e curtir um bate papo, às 17h é a vez da oficina de “criação de música para celular”, com Marlos Monteiro, da escola de música SuperEst. Logo em seguida, a participação do Projeto MOA - Centro de produção musical com tecnologias digitais é um projeto de formação na área de produção musical com uso das tecnologias que tem como o público alvo jovens da periferia, tais como Jurunas, Condor, Terra Firme e Cremação.  

O evento, entrada gratuita, abre a possibilidade de fazer contato e troca de experiências sobre o mercado da música. Haverá também sorteio de uma tatuagem e tem apoio do Tattoo Maniac Studio, Espaço Cultural Apoena, Ná Figueredo e escola de música SuperEst. 

PROGRAMAÇÃO

12h  - Almoço dançante regional

13h às 14h - Dj, Palco Livre e Ná Music

15h - Desfile de moda Plus Size

16h - Show da banda Les Rita Pavone

17h - Superest

18h - Moa

Serviço
Escambau das Bandas Bazar. Neste sábado, 4, das 12h às 19h, no Espaço Cultural Apoena -  Av. Duque de Caxias, 450. 

2.5.19

Campanha para chão e teto do Casarão do Boneco

Foto: Otávio Henriques /acervo Projeto Curcular
Há 15 anos de portas abertas à cidade, a edificação centenária pede, mais uma vez, cuidados. A campanha “Do Chão ao Teto, Salve o Casarão do Boneco” foi lançada esta semana, na terça-feira, 30 de abril, véspera do feriado, com um evento performático, para apresentar à imprensa e convidados, as etapas e intenções da arrecadação, além de revelar os bastidores de uma gestão compartilhada. 

Quem olha o Casarão do Boneco desse ponto de vista pode não imaginar a vida e as tramas artísticas que se passam lá dentro. Há mais de uma década, o espaço vem desenvolvendo o fazer teatral, circense e realizando oficinas e contação de história, formando plateia e se abrindo de forma incondicional para a cidade, que também o acolhe. 

O público  tem sido a principal fonte de apoio a sua manutenção, mas agora a coisa é mais séria e vai precisar de todo mundo, muito mais do que se imagina. A Campanha “Do chão ao Teto, Salve o Casarão do Boneco”, lançada nesta última terça-feira, em uma ação que fruto de um esforço coletivo, prevê três ações para buscar recursos para reformas, que são urgentes. 

Será criada a Vaquinha ‘on line’, uma campanha de financiamento coletivo, por meio da internet, que deve ser lançada junto com a segunda ação, a Mostra de Teatro, que será realizada no dia 31 de maio, no Margarida Schivasappa. A terceira iniciativa será um show com várias bandas, no Insano Marina Club, no dia 22 de abril. Tudo que for arrecadado na bilheteria será revertido à obra chega a quase 20 mil reais. 

Na noite de apresentação da campanha, entre os que atenderam ao chamado, estavam presentes os atores Yeyé Porto, Paulo Porto, o vereador Fernando Carneiro e a Deputada Estadual, Marinor Brito, a equipe de reportagem da TV Cultura do Pará, entre outros convidados, que foram levados a um passeio pelo Casarão do Boneco. O blog estava também presente e acompanhou tudo. 

Habitantes apresentam os espaços aos convidados 

Pedro Olaia mostra a sala de figurino 
Foto: Victoria Rapsodia
Maurício Franco (Bando de Artistas Independentes), Nanan Falcão (Figurinista), Lucas Alberto (Cia. Sorteio de Contos), Paulo, Nascimento, Cristina Costa e Adriana Cruz (In Bust Teatro Com Bonecos), Thiago Ferradaes, Fafá Sobrinho e Andrea Rocha (Produtores Criativos), Virgínia Abastos (Vida de Circo), Cincinato Marques (músico e geógrafo),  Marina Cruz (Projeto Vertigem), Leonel Ferreira (Cia Madalenas de Teatro) e Pedro Olaia (performer) se revezaram para mostrar aos convidados os cômodos, a estrutura e o estado em que se encontram os dois alvos desta campanha. 

A casa tem 116 anos e está com a estrutura ainda original. No salão de entrada, o espaço é multiuso, onde são realizadas oficinas, apresentações, exposições, feiras, cinema, rodas de conversa, etc.  Dos quartos do corredor, o primeiro é o ateliê de confecção de vários objetos, o segundo é de figurinos e que também funciona como quarto de hóspedes, e que em dias de apresentações, vira camarim. O terceiro é de cenários e o quarto, de adereços. Depois do quarto tem um depósito de acervo, incluindo equipamentos técnicos em uso; depois um escritório; em seguida a sala dos aparelhos do circo; banheiro e cozinha. 

Salão principal - multiuso
Foto: Otávio Henriques /Acervo Projeto Circular
Em cada espaço, uma dificuldade. Tudo foi mostrado, dito e performatizado pelos habitantes do Casarão, que abriga, hoje, diversos artistas e grupos da cidade de Belém, em uma dinâmica de gestão colaborativa. 

O Anfiteatro é acessado pelo público ao atravessar um belíssimo jardim, pela lateral da casa. Rodeado de Tajás, mangueiras e diversas outras espécies da flora amazônica, é  um dos poucos espaços da cidade a possuir um aparelhamento de circo. E também está precisando de uma boa reforma, por isso será  alvo de uma próxima campanha. 

A fachada é outro ponto. Precisa restauro, mas isso requer um projeto arquitetônico mais delicado, aprovado pelo IPHAN e Fumbel. Vai ficar para o futuro. Ao final do passeio, os convidados assistiram um vídeo e compartilharam alimentos oferecidos pelos artistas. Alguns sugeriram outras iniciativas e parcerias, todos trocaram ideias, além de se comprometerem em multiplicar informações sobre a campanha. 

Mesmo com a reforma o casarão não pode parar

Paulo Nascimento em entrevista à TV Cultura do Pará
Foto: Victoria Rapsodia
Espaço de criação e fruição, trabalho, acolhimento e ainda de fator histórico, o Casarão do Boneco” precisa de reparos, mas não pode parar de funcionar. Por isso, a reforma será feita por etapas, iniciando por ajeitar a calha de água que capta, ao mesmo tempo, a queda da chuva no telhado do salão, nos quartos e corredor. 

“Parece algo insolucionável, do tanto de mestres que já mexeram e tentaram arrumar e até hoje ninguém conseguiu. A chuva nem precisa ser das boas e uma cachoeira se forma bem na coluna abaixo da calha, pelo lado de dentro. Para solucionar, precisa mexer na estrutura de um dos telhados (o outro já foi reformado)”, diz Paulo Nascimento.

A reforma vai começar por reformar a estrutura que faz o encontro entre o corredor interno e o salão principal (de entrada). No corredor, já se vê rachaduras e um buraco. No salão, as tábuas corridas da beira estão afundando. “Vamos resolver tudo, deixar os pisos confortáveis para nós e para o casarão. E reformar o telhado da área dos quartos e corredor interno e mais a calha das águas furtadas”, finaliza Adriana Cruz.

Uma constante para manutenção do espaço

Convidados e Habitantes do Casarão
Foto: Victoria Rapsodia
Não é a primeira vez que se recorre às campanhas para a manutenção do casarão. Os artistas do coletivo também investem tempo de trabalho voluntário, doam parte de seus cachês de apresentações ou de ações em projetos aprovados em editais, para ajudar nas contas cotidianas (da água ao IPTU) e melhoria dos espaços da casa. 

“Isso se soma às arrecadações de eventos do Casarão, como o Amostraí, porcentagens das temporadas de espetáculos, das festas, das oficinas, ou seja, o público ajuda a financiar/manter o espaço. Além disso, no decorrer dos anos, muitas ações entre amigos foram realizadas com a finalidade de angariar fundos para pequenas reformas”, diz Marina Cruz.

A partir de 2015, a primeira campanha de financiamento coletivo moveu na casa muitos afetos, produções, conexões e ações. “Percebemos a força do apoio dos frequentadores das atividades públicas do Casarão, ou dos visitantes eventuais, e até mesmo de quem nunca foi, mas já viu, leu ou ouviu sobre”, explica. 

Em 2018, outra campanha, foi feita para a reforma das janelas e portas que acessam para o jardim. “Todas foram reparadas, financiadas por frequentadores amigos do Casarão, que, provavelmente acreditam e apostam nas culturas de convivências saudáveis, criativas e inteligentes, que vivam em diversidade, respeitem as crianças, atuem pela vida e pela abundância”, explica Cristina Costa. 

Contribua também indo à programação

Mural do pátio de entrada
Foto: Otávio Henriques /Acervo Projeto Circular
Enquanto aguardamos a Mostra de Teatro e a Vaquinha ‘on line’, no final deste mês, quem quiser desde já contribuir com o Casarão do Boneco, é só chegar lá no dia 11 de maio, quando será realizado mais um sábado do Amostraí, programação que reúne adultos e crianças para contação de histórias e apresentação de espetáculos. 

Também esta semana está sendo realizada uma oficina de customização de roupas, para o público infantil, com Nanan Falcão. Para saber mais sobre o Casarão do Boneco acessa o facebook: facebook.com/casaraodoboneco/ ou acompanha aqui pelo Holofote Virtual, que vamos cobrir e divulgar todas as ações.

Serviço
O Casarão do Boneco fica na Av 16 de novembro, 815. Batista Campos. Belém-PA). Fone: (91) 32418981. Mais informações: salvecasarao@inbust.com.br.

1.5.19

"Boulevard e Gardênias" estreia no Estúdio Reator

Jef Cecim com bonecos do espetáculo.
Foto: Dudu Lobato
A humanidade está sob ataque. Onde está a percepção, o sensório, as regras em meio ao caos das atitudes diárias? Em cartaz, no Estúdio Reator, “Boulevard e Gardênias” trata do nosso tempo, mas também reflete velhos gestos. Dois finais de semana: 2 a 4 e 9 a 11 de maio, sempre às 20h. 

8 anos depois da experiência com o Red Bag, Nando Lima e Jef Cecim se reúnem, mais uma vez, no espetáculo “Boulevard e Gardênias”. Nesta nova criação, Jef entrelaça corpo, objeto e um boneco mais exacerbado, crítico, inacabado. Tendo em cena, ainda, Dudu Lobato, o ator/manipulador traça um caminho desafiador em sua trajetória, sempre inovadora.“Aqui nesse Boulevard o objeto/ boneco/ator se desnuda. Não há truques, disfarces. É o boneco de beleza crua, inacabado”, diz Jef, que por muitos anos, ele o ator manipulador se manteve distante do boneco. 

Presente com figurino preto e luvas na atuação, o ator era invisível na cena, sem intervenções, como já se viu de forma já pulsante em Red Bag. “É o Jef  reinventando a si mesmo e, a técnica apurada por anos de trabalho, se desloca e se desafia, no encontro e, ao mesmo tempo, embate com os objetos que ele cria e manipula. Não são simples bonecos, são próteses, ideias e conceitos tornados matéria”, diz Nando Lima, que assina a direção do espetáculo.

A cenografia é composta por imagens de vídeos que grafitam texturas sobre placas de poliestireno, situando ou insinuando essa realidade polidimensional, criando um ambiente, um “plano geral” construído durante a ação pelos performers que algumas vezes aparecem com máscaras de animais, pontuando quase uma fábula que tramita entre o fogo da luz solar e a escuridão urbana.

O risco como performance da criação

Fotografia (frame de filme): Nando Lima
As ideias partiram de fragmentos da peça Paparazzi do dramaturgo Matéi Visniec, autor com o qual nando se identifica e que vem lendo há alguns anos. 

“Admiro e me identifico dom Matéi, o olhar 'nom sense', a critica afiada ao cotidiano, isso tudo está plasmado na obra dele, e quando falo em mastigação, o que estou fazendo é borrando todas as fronteiras,  sendo uma "reatuação", estou respondendo às provocações diárias, da casca que adquirimos vivendo nesse século e da forma atual que interagimos com o mundo, não sou ingênuo, pelo contrário sou ácido e exijo repertório, quero a bagagem de quem se arrisca a encontrar comigo'”, diz o diretor.

Dudu Lobato traz para a cena, o olhar da fotografia, interagindo com objetos /bonecos, sem as técnicas de manipulação de objetos, mas sob o domínio da performance. “Viramos ao avesso obras e artistas que admiramos; nesse caso específico olhamos também para Arthur Omar, Tadeusz Kantor, Pedro Cabrita Reis, além de revisitar "LIMITE" o filme de Mário Peixoto. Não temos pretensão de inventar novidades, mas somos despudorados na deglutição, o risco é nossa pauta”, finaliza Nando Lima.

Reator, lugar de fala

Foto: Dudu Lobato
O espetáculo foi gestado por quatro meses, no Estúdio Reator, onde agora estreia, reafirmando a longa parceria entre Nando Lima e Jef Cecim. 

“Essa parceria vem dos idos anos 1990, da nossa experimentação com a tecnologia vigente da época, onde tínhamos BGs, slide, spots de latas, sombras, também de cabeça pra baixo. Falo do sombra a l`ombre, que construímos no bar Go Fish, onde luz som e imagem já nos direcionava para os experimentos do Estúdio Reator”, diz Jef Cecim.

Lugar de experimentos e inquietações, o Estúdio Reator segue sua trajetória, como um espaço laboratório, atento às provocações do mundo. "Não é o ineditismo, mas a atenção a ideias verticais, que olham para o abismo e se jogam nele, é um túnel, espaço de dobra, submersão, onde cada vez que mergulhamos nos deparamos com os assombros do mundo", diz Nando LIma.

Pergunto a ele se há novidades, para além deste espetáculo. "Nenhuma novidade, mas muito trabalho sempre, tenho uma rotina diária de pesquisar o que acontece no mundo, faz algum tempo que decidi estar na 'borda' isso significa que aqui nessa beirada a rotina é ato de criar 'mas meus olhos continuam procurando por discos voadores no céu' ..amo..'", finaliza o diretor.

BOULEVARD E GARDÊNIAS

FICHA TÉCNICA

Performers
Jef Cecim
Dudu Lobato

Inspirado em "PAPARAZI"
Matéi  Visniec  

Confecção de objetos | bonecos
Jef Cecim

Figurinos
Jeferson Cecim | Nando Lima

Costuras
Telma Lima   

Cenografia | iluminação e sonoplastia
Nando Lima

Montagem de iluminação
Nelson Dantas

Portaria
Cristina Pessoa 

Fotografias
Dudu lobato

Vídeos
Arquivos REATOR
Jeferson Cecim
Dudu Lobato

Citação 
"LIMITE" Mario Peixoto (1931) 

Direção
Nando Lima

Serviço
Performance: Boulervard & Gardênias. No Estúdio Reator Travessa 14 de Abril, 1053 (entre Av. Gov. José Malcher e Av. Magalhães Barata). Dois finais de semana, de 02 a 04 e de 09 a 11 de maio, às 20h. Ingressos: R$ 20,00 (meia para estudantes). Mais informações: 981128497 e no site da performance: estudioreator.wixsite.com/boulevard.

30.4.19

Coletivo de Mulheres e a arte do feminino plural

A Casa da Linguagem será palco de um verdadeiro tsunami de poder feminino neste final de semana. Trata-se do “Sagrado M.AR – Feminino Plural”, uma programação de três dias, de sexta, 3, a domingo, 5, com workshops, bate-papos, exposições e feirinhas, tudo feito totalmente por mulheres. Inscrições: secretaria da Casa da Linguagem. Corre!

O M.AR (Mulheres ARtistas) é um coletivo de conexão feminina artística organizado para dar visibilidade e divulgar o trabalho das artistas plásticas, grafiteiras, ilustradoras, game designers, profissionais de animação, tatuadoras e quadrinhistas paraenses.

“Feminino Plural é isso: somos mulheres juntas, unidas, formando um movimento, um evento, juntas somos mais. A programação busca o reconhecimento. A ideia é impactar e fazer algo novo, mostrando que as mulheres estão no mercado, cada vez mais fortes e unidas”, comenta Helô Rodrigues, ilustradora e integrante do M.AR.

Tudo começa na sexta e encerra no domingo, abrangendo feirinha, desenho de retratos rápidos, live painting (batalha de arte), exposições, rodas de conversa e workshops ministrados por integrantes da rede, em um evento organizado totalmente por mulheres. Trata-se de uma ótima oportunidade para garantir o presente de Dia das Mães, com produtos autorais feitos por mulheres: de canecas a ilustrações feitas na hora.

De acordo com a ilustradora Ty Silva, a programação foi criada coletivamente, reunindo temas e atividades que elas consideram pertinentes: “A feira, por exemplo, traz monetização e é uma oportunidade de consumo de produtos autorais e de apoiar essas artistas. As exposições trazem a visibilidade, objetivo importante do grupo. Bate-papos e workshops permitem a troca de conteúdo e vivências entre público e artistas”.

Os workshops vão desde o uso da aquarela até o discurso da arte, a programação desmistifica tabus e preconceitos acerca da relação entre as mulheres. “Estamos mostrando que é possível nos unirmos, que não somos inimigas, nem concorrentes. Reunir tantas artistas busca acabar com a invisibilidade do nosso trabalho”, explica Renata Segtowick, ilustradora e integrante do M.AR.

PROGRAMAÇÃO
https://www.facebook.com/events/412502562896799/

Mais informações:
https://www.facebook.com/mulheres.artistas.pa

Serviço
Sagrado M.AR. – Feminino Plural. Local: Casa da Linguagem - Av. Nazaré, 31 - esquina da Av. Assis de Vasconcelos. Data: 03, 04 e 05 de maio. Inscrições: secretaria da Casa da Linguagem.

(Holofote Virtual com informações enviadas pelo Coletivo)

Josette Lassance lança as crônicas de suas viagens

Viagens que resultam em narrativas. Nas 224 páginas de “Buen Camino, há relatos da passagem da escritora pela cidade do Porto, Paris, Barcelona e finalmente o caminho de Santiago. Dividido em capítulos e publicado pela editora Pakatatu, o livro já está sendo vendido na Espanha e já foi traduzido para o inglês. O lançamento, em Belém, será nesta sexta-feira, 03 de maio, às 19 h na Casa das Artes, ao lado da Basílica de Nazaré.

Os escritos de “Buen Camino” soam como diários e narram os acontecimentos dos dias que a escritora passou viajando. “Caminhei pela Galícia, pelas estradas, rodovias e trilhas. Fiz três viagens. Em 2014, 2016 e 2017. O livro fala da primeira e da segunda. Fui até Finisterra, o fim do mundo, onde tem um farol e o marco zero do caminho de Santiago”, conta Josette.

Realizado de forma independente, sai agora pela editora Pakatatu, com prefácio de João de Jesus Paes Loureiro, Micheliny Verunsky e orelha da Mercedes Lopez. A inspiração, além do gosto próprio por viajar, também vem da literatura. A escritora mergulhou em relatos de viagem nas obras de Henry Miller, Jack Kerouac, Cheryl Strayed, além dos poetas franceses, Rimbaud e Baudelaire. “Todos esses escritores gostavam de escrever em suas viagens”, comenta. 

É a primeira vez que se arrisca a escrever sob o impacto de longas caminhadas pela Europa. Encontrou-se com diversas culturas, passou frio, teve medo, mas principalmente se deu ao alumbramento de se deixar caminhar. Além disso, o exercício do relato, lhe trouxe aprimoramento na escrita.

“Amadurecer a escrita é consequência de uma longa jornada, escrever com paciência, com prazer, degustando os momentos, observando e lendo. Principalmente aguçando a percepção. Mergulhando nos dias intensamente, olhando o outro sem superficialidade. O trajeto do caminho foi um acontecimento de mergulho espiritual. De forma pagã, é verdade. Busquei ter fé e refleti sobre a vida”, reflete Josette.

A autora já participou de diversas feiras do livro, como a de Porto Alegre e Fórum das letras, em Ouro Preto, em 2011. Tem poemas e contos publicados em antologias nacionais e internacionais, como Di Literatura Contemporânea, Trento, Itália, 1997 e Poesia do Grão Pará, RJ, organização de Olga Savary, de 2001. Ganhou o 1º Lugar no concurso “Chuva de Arte Amazônica”, Belém do Pará, 1981, e o 2º Lugar no II Concurso Internacional de Prosa e Verso de Ponta Grossa”, PR, 1999; e também no Concurso de Crônicas da Ed. Folheando, 2018. Atualmente participa do projeto Literatura por Elas e segue sua trajetória flanando nas esferas dos independentes. 

“Sempre fui independente. Com independência me sinto mais livre para escrever o que eu quiser. Sinto que tenho aperfeiçoado minha escrita, de uma forma peculiar, sim, mas sempre efêmera no quesito estilo. Escrever relatos, para mim, está sendo uma inovação e que me identifiquei muito porque viajar é um dos maiores prazeres da vida”, diz.

Uma jornada entre a prosa e a poesia

Escritora e professora, formada em História e Artes Visuais pela UFPA, e pós-graduada em Artes pela Universidade Estadual do Pará, Josette se considera um pouco poeta e contista, cronista e contadora de relatos reais.

“Tenho sim, poesias espalhadas em livros e publicações, mas o meu forte mesmo é a prosa.  Tenho quatro livros de contos, mas estou com três livros de poesia publicados e mais um agora que fiz junto com Olga Savary e Guiomar de Grammont que será lançado no Rio de Janeiro em julho deste ano”.

“Escrevi um poema sobre Belém que fez parte de uma plaquete junto com poetas do Pará, Belém 400 anos, publicado pelo site Cultura Pará, com organização do Vasco Cavalcante”. Paralelo a divulgação de seu novo livro, ela tem mergulhado em leituras. 

“Gosto de ler autores profundos, tenho lido ultimamente muitas biografias, história, arte, Hilda Hilst, Airton Ortiz, cartas de van Gogh, livros sobre cinema, fotografia, sou bem diversificada em leitura porque dou aulas de arte na escola pública e sempre me atualizo. Tenho lido bastante ultimamente porque me aposentei de um trabalho na parte da manhã”.

Para o lançamento de “Buen Camino”, com o espírito liberto, ela tem suas expectativas. “Gostaria de ler no dia do lançamento, ou que alguém lesse, uns trechinhos pequenos do livro. Terá um microfone no dia. Estou fazendo um pequeno coquetel, por minha conta, por isso estou vendendo camisas”.  O livro custa R$ 30,00 e a camisa também. “Mas se comprarem os dois, faço por R$ 50,00”, avisa. 

Publicações da autora

Vida de Bruxa (poemas); Os gatos nus passeiam sobre os telhados sujos (contos); Galeria dos Maus (poemas e crônicas), O Prédio (contos); Os cinco felizes (contos), Editora Pakatatu. Crônicas, Sonhos e Cafés e Buen Camino, Relatos de Viagem, 2019, Editora Pakatatu; Sintonias & Delicadezas, com Guiomar de Grammont e Olga Savary.  

Serviço
Lançamento de “Buen Camino, relatos de viagem”, de Josette Lassance. Nesta sexta-feira, 3, às 19h, na Casa das Artes (antigo IAP, ao lado da Basílica de Nazaré).

28.4.19

Paulo Nunes e os livros que habitam sua cabeceira

Paulo Nunes
Foto/DOL: Maycon Nunes
O Dia Internacional do Livro foi comemorado em 23 de abril, mas ainda estamos em tempo para falar sobre o prazer de ler um bom livro. O blog publica crônica do professor Paulo Nunes, que mexeu na memória, para tirar do baú ou simplesmente da mesa de cabeceira, uma lista de  livros importantes da literatura brasileira e que marcam sua trajetória. Dicas preciosas! 

Professor da Universidade da Amazônia e autor de, entre outros livros, Traço-Oco (Penalux), seminfinalista do prêmio Oceanos de Língua Portuguesa, Paulo Nunes tem uma paixão pela literatura, não só enquanto leitura ou criação, mas também como pesquisa.

Acaba de lançar o documentário Geração Peixe Frito, dirigido por ele e pela também professora e jornalista Vânia Torres. O filme é fruto da pesquisa acadêmica de alunos e professores da UNAMA e da UFPA. Realizado com finalidades didáticas, retrata os jovens jornalistas e literatos fundadores da Academia do Peixe Frito, entre eles Dalcídio Jurandir e Bruno de Menezes.

O lançamento foi há um mês na Casa da Linguagem, mas a boa notícia é que vai ter sessão no dia 6 de maio, às 16h, no Cibe Libero Luxardo, com bate papo com Alcione Nascimento, mestre em Comunicação, o escritor Salomão Larêdo e o próprio Paulo Nunes. Fiquem com as dicas preciosas dele, agora, um bom domingo!

Livro, livros de cabeceira - Paulo Nunes 

Livro de cabeceira... engraçado, ideia de que não tinha até agora me ocupado. As escolhas são tantas..  Há quem pense que os livros é que nos escolhem. Será? Como fazer para se decidir por um único livro, um 'de cabeceira’? 

Certa vez, minha neta disse, ‘Vô, você vive numa oficina de livros’. Cléa tinha 6 anos.... Bem, já que me meti nesta enrascada, o jeito é preparar um rol de livros que rondam minha cabeceira nestes 50 e tantos anos.

Começo por Sentimento do Mundo, de Drummond; uma coletânea de desalentos, atual e profunda, escrita pelo poeta mineiro mais universal do mundo. De Itabira a Belém, para uma antologia que me marcou, e me religa com minha ancestralidade: Batuque, de Bruno de Menezes. O preto que Bruno representa é marcadamente amazônida. Salto daí para os anos 80 do século XX para o Altar em Chamas, de Paes Loureiro. Todo belemense devia lê-lo. 

A eles se juntam Eneida e seu Aruanda, manifesto de humanismo socialista, e Menina eu vem de Itaiara, de Lindanor Celin... neste reaprendi um ‘jeito bragantino de ser’. E já que Bragança está em pauta, como não dizer de Maria Lúcia Medeiros e seu Zeus ou a menina e óculos? Sim, me identifico com aquela menina míope que servia as mesas do restaurante de sua mãe, um roteiro de encanto.

Edimilson de Almeida Pereira e seu O Livro de Falas é inesquecível; um grande poeta brasileiro da atualidade, ombro a ombro com Antonio Moura e seu Dez. E se Minas está na pauta, como não falar de Indez, de Bartolomeu Queirós? Uma narrativa que remete a ideia de que em cada um de nós morava uma roça. Do suave ao efetivo que é um soco no patriarcalismo brazuca. Trata-se do Livro de Lilith, de Cida Pedrosa, uma poeta que faz das palavras boas aliadas.

Clássicos? Hum... a Bíblia de Jerusalém (Gênesis, Salmos, Eclesiastes e Cântico dos Cânticos: textos que mexem com o leitor. No mundo de hoje vale viver sem Dom Quixote, de Cervantes? Quixote e Pança fazem falta. Dostoiévski ou Tosltói? Do velho ao novo mundo: Dalcídio Jurandir e sua importante novelística... como calar-se diante de Chove nos Campos de Cachoeira, aquonarrativa atravessada de personagens perturbadores: Irene, Felícia, dona Amélia, Alfredo, Eutanázio. Nunca mais fui o mesmo depois de ler o Chove. 

E se o assunto são os ‘maravilhamentos’, tem primazia o Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. A passagem em que Riobaldo afirma "Diadorim é a minha neblina..." é epifânico,  encantador. Tem ainda Dois irmãos, de Milton Hatoum (espécie de Esaú e Jacó redivivos, numa Manaus tão pacata quanto tumultuada); D. Casmurro, um Machado tantas vezes relido; e as viagens em Os Lusíadas, de Camões, e n’A Odisseia de Homero. Inês de Castro e Penélope são tão marcantes quanto Capitu; artimanhosas, proativas, sedutoras... 

Mas o ‘livro dos livros’, lido na casa de meus pais, é As Mil e uma Noites. Sherazade, a de artifícios orientais, me fez decidir ‘este é o meu livro de cabeceira’; recomendo, colecionador que sou, as edições da Brasiliense, da Ediouro ou da Cia. das Letras, traduzida por Mustafa Al Harouche, da USP. Toda vez que necessito de entusiasmo, Sherazade vem ao meu ouvido e me sopra uma de suas narrativas. Eu, leitor, não resisto. As noites árabes, ah! Literatura, livro de cabeceira.

(O blog agradece a colaboração do professor Paulo Nunes)