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29.3.23

Festival norteado pela obra de Sebastião Tapajós

O violão de Tião - Foto: Vanessa Barros

O Instituto Sebastião Tapajós realiza o 1º Festival de Violão Sebastião Tapajós, neste final de semana, nos dias 31 de março e 1º de abril, em Santarém. 

A iniciativa celebra, salvaguarda e difunde a obra do violonista paraense que ganhou projeção internacional, influenciou e continua encantando a todos com suas composições, muitas vezes complexas, mas repletas de sentimentos e ambiências das sonoridades que permeiam a região amazônica.

Ao todo foram 165 inscrições no festival. Os candidatos enviaram vídeos executando duas músicas de autoria de Sebastião Tapajós e dos mais de 100 candidatos, saíram 12 finalistas. Na etapa final venceram na categoria Jovem Violonista, Natanael Carvalho e Leonardo Araújo, ambos residentes em Minas Gerais; e na categoria Sênior, os violonistas Paulo Renato de Araçatuba (SP) e Fernando Santos, de Niterói (RJ). 

“O festival já inicia com uma boa receptividade e alcance. Tivemos inscrições das mais diversas regiões do Brasil, e mesmo que o Norte não esteja representado entre os premiados desta edição, tivemos um grande número de violonistas paraenses participando, inclusive indo a final entre os 12. “É sem dúvida um festival que vem trazer ao estado um olhar das demais regiões tanto para obra do Sebastião, quanto para outros novos violonistas”, diz o professor e violonista José Maria Bezerra, que integrou o júri com outros notórios especialistas da acadêmica e/ou artística no segmento do violão, Ravi Samaya e Neil Armstrong.

Natanael Carvalho - Jovem Violonista

Natanael Carvalho tem 17 anos e se deparou com o violão solo por conta própria em meados de 2020. “Desde então venho estudando sozinho em busca de ser um concertista de violão de 7 cordas”, diz o músico que é um dos premiados na Categoria Jovem Violonista. Ele conta que conheceu a obra de Sebastião Tapajós graças ao festival, cuja ação de divulgação chegou até ele em Nova Lima, cidade próxima de Belo Horizonte, em Minas Gerais, onde o jovem músico, que é goiano, vive.  

Para ele, o processo de seleção foi árduo e corrido. “Ironicamente parecido com a música que selecionei para representar nesse festival”. Ele se refere a música intitulada ‘200 por hora’ gravada no álbum “Violões”, de 1989. “A sensação é de esperança e fé que meu sonho é possível”, diz o jovem músico.

O outro músico vencedor na mesma categoria que Natanael, é Leo Araújo, da cidade de Ouro Branco, Minas Gerais, fixado atualmente em Belo Horizonte, onde cursou bacharelado em violão, concluído em 2018, pela Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG. Atualmente ele atua como violonista solo e em grupos, além de dar aulas de violão. 

Leo Araújo
Leo diz que não chegou a conhecer pessoalmente e nem presenciar um show do Sebastião Tapajós. “O primeiro contato que tive com a obra de Sebastião Tapajós foi por intermédio do meu pai, que perguntou se eu o conhecia. No período ele estava gostando de escutar guitarrada e pesquisando algumas referências do Pará. Acabei pesquisando mais sobre o Sebastião e encontrei um repertório muito variado, que ia da música da América Latina, passando pela música de concerto e pela música instrumental brasileira”, diz entusiasmado.

Já Fernando Santos iniciou-se no violão, também de forma autodidata, buscando informações com amigos. Depois estudou com o violonista Sobral Pinto, grande violonista, chorão e seresteiro de Niterói. “Com ele aprendi o caminho das serestas, choros e valsas brasileiras”, lembra o músico, que conheceu a obra de Sebastião Tapajós, com uns 19 anos, através de seu pai. 

“Ele me deu de presente o CD ‘Virtuoso’, acho que lançado no ano de 1997.  E comecei a tirar algumas coisas de ouvido mesmo. Mas, foi uma surpresa ver e ouvir aquele violonista tão forte e suave. E depois fui conhecer, as obras escritas por ele mesmo”, revela.

Paulo Renato - Violonista Sênior
Paulo Renato, que também venceu na categoria Sênior é bacharel em violão pelo Centro Universitário Conservatório Brasileiro de Música. Já tem experiência profissional e gravou em 2018 o primeiro CD solo chamado “Recital”, além de ter realizado diversos trabalhos na área musical. 

Ele diz que o primeiro contato com a obra o Sebastião Tapajos foi através do CD  projeto memória brasileira - Gravado ao vivo no Teatro Cultura Artística de São Paulo em 1989, em que participaram grandes violonistas brasileiros e no qual Sebastião Tapajos interpretou a peça 'A 200 por hora', de sua autoria. 

"Depois pude apreciar outros trabalhos como: El arte de la guitarra (1971) Trova LP - RP music (Argentina), Lado a lado. Gilson Peranzzetta e Sebastião Tapajós (1988) Visom LP, CD, Da Minha Terra - Jane Duboc e Sebastião Tapajós (1998) Jam Music CD. Agora, através desse festival, estou tendo um contato maior com a obra do Sebastião Tapajos e estou muito feliz em poder tocar algumas se suas musicas,” conclui Paulo.

Apresentações em dois espaços de Santarém

Fernando Santos - Violonista Sênior
As apresentações que ocorrerão em Santarém, serão realizadas na Casa da Cultura de Santarém e também no Selva, um anfiteatro situado na Casa do Saulo, cujo palco também recebe o nome de Sebastião Tapajós, uma homenagem feita pelo amigo e admirador Saulo Jennings. “O nome do teatro é uma homenagem a minha mãe Selva, a que me gerou que tem esse nome mesmo, e também a floresta, mas a ideia de homenagear o Tião dando seu nome ao nosso palco, surgiu com ele ainda em vida”, diz Saulo. 

O chef e empresário da gastronomia paraense lembra que deveria ser uma surpresa para o violonista, mas quando esteve em uma apresentação dele em Belém, antes da pandemia, quando o teatro ia começar a passar pela reforma, não segurou a emoção e contou pra ele, que aprovou a ideia. “É uma homenagem com muito orgulho por tudo que ele significa a nossa cidade e importância na musicalidade mundial trazendo essa notoriedade para nossa região”, conclui Saulo.

São inúmeros os admiradores de Sebastião envolvidos neste festival. O diretor artístico, o pianista Andresson Dourado, que foi companhia constante de Sebastião Tapajós em diversas apresentações. “Tocar Sebastião Tapajós sempre foi um desafio. Ele foi um compositor pós romântico que traz uma bagagem erudita romântica vinda de seus estudos na Europa, porém, com a modernidade da sua época e o que lhe diferenciava de tudo, que era seu regionalismo”, comenta o músico.

O pianista revela que o festival foi criado a partir de uma vontade do próprio Sebastião Tapajós. “O Instituto Sebastião Tapajós já dialogava com ele uma forma de estruturar este festival, que só aconteceu agora, mas cujo processo envolveu a participação de violonistas de todo território nacional. E todos que foram selecionados virão até Santarém se apresentar e conhecer de perto o lugar onde vivia nosso grande Tião”, diz Andresson.

Premiação conta com troféu e estreia de orquestra

Sebastião Tapajós - Foto: Vanessa Barros
O evento promove uma vasta programação musical, que contará com a presença dos vencedores do festival e convidado ilustres. No primeiro e no segundo dia o festival abre às 20h com a apresentação de Andresson Dourado e Igor Capella, músicos que acompanhavam Sebastião Tapajós em suas apresentações. Em seguida haverá apresentações de  Maria Lídia (voz e violão), José Maria Bezerra, que convida Adria Goés e Andresson Dourado, além do concerto de violão do paulista Ravi Samaya.

A celebração segue com a apresentação dos premiados, que além de uma premiação em dinheiro também receberão um troféu confeccionado especialmente para o festival, e encerra com o lançamento da Orquestra de Violões Sebastião Tapajós, outra iniciativa do Instituto Sebastião Tapajós que atualmente também oferece ações de mais dois projetos , o Cinturão Cultural que trabalha em várias frentes de debates e ocupações artísticas, e o acervo digital de Sebastião Tapajós , cujo tratamento resultará em um museu virtual para visitação e acesso do público à obra do violonista. 

“A instituição quer abrir uma porta para o mundo, através do legado de Sebastião. Tanto para os violonistas brasileiros quanto aos do Pará e dessa região do Tapajós. Estamos numa grande expectativa. Além do Festival de Violão, também criamos essa orquestra que contempla os violonistas do município. Lançamos um edital e contemplamos 16 violonistas da região. Há muitas instituições já aqui que já trabalham com música, é uma tradição em Santarém, então a orquestra também é uma ferramenta de visibilidade aos que estudam musica aqui”, diz Cristina Caetano, que está em sua segunda gestão como presidente da instituição.

“Vamos completar seis anos em abril e estamos com esses projetos e mais dois projetos, pois para nós é importante e fundamental manter essa memória viva de Sebastião Tapajós, realizando ações que dialogam com o que ele mais gostou de fazer em vida que foi tocar seu violão, compor e inspirar outros músicos. E esse também é um legado que ele nos deixa. Por isso, além de premiar estamos trazendo os violonistas selecionados para tocar aqui e sentir essa mesma atmosfera que tanto inspirou de Sebastião Tapajós”, finaliza Cristina Caetano.

Serviço

1º Festival de Violão Sebastião Tapajós – Dias 31 de março, na Casa do Saulo, e 1º de abril, na Casa da Cultura, em Santarém-Pa. A programação inicia às 20h, com participações, premiação e estreia da Orquestra de Violões Sebastião Tapajós.

PROGRAMAÇÃO

SEXTA-FEIRA (31/03)

20h – Cerimônia de abertura: 

20h15 às 20h:30 - Apresentação - Andresson Dourado e Igor Capella

20h30 às 20h35 Maria Lídia - Voz e Violão 

20h35 às 20h45 - Zé Maria Bezerra convida Adria Goés e Andresson Dourado

20h45 às 21h15  - Concerto de Violão -  Ravi Samaya

21h15 às 21h55 - Apresentação dos Premiados

Categoria Jovem Violonista

Leonardo Araújo 

Natanael Carvalho

Categoria Sênior

Paulo Renato

Fernando Santos

21h55 às 22h25 – Lançamento da Orquestra de Violões Sebastião Tapajós

SÁBADO (01/04)

20h às 20h30 - Apresentação - Andresson Dourado e Igor Capella convidam  Maria Lídia

20h30 às 21h - Concerto de Violão - Zé Maria Bezerra convida Adria Goés e Andresson Dourado

21h às 21h30 - Concerto de Violão -  Ravi Samaya

21h30 às 22h - Apresentação dos Premiados

Categoria Jovem Violonista

Leonardo Araújo

Natanael Carvalho

Categoria Sênior

Paulo Renato

Fernando Santos

22h às 22h30 – Lançamento da Orquestra de Violões Sebastião Tapajós

6.5.16

Sebastião Tapajós e convidados no Theatro da Paz

Artista paraense de maior projeção internacional na Música, aclamado pela crítica e por outros grandes músicos de vários países como um dos melhores violonistas do mundo, faz neste sábado, 7, no Theatro da Paz, apresentação única do show inédito "Por entre as árvores". Sebastião Tapajós traz com ele um grande elenco de artistas da música e da dança especialmente convidados. Os ingressos para assistir ao show são gratuitos, e estão à disposição do público na bilheteria do teatro.

Para Sebastião Tapajós, o espetáculo tem duplo caráter comemorativo, dos 74 anos de idade dele, completados a 16 de abril, e de 65 anos de violonismo, dos quais 64 como profissional. O espetáculo tem um solo de cada um dos instrumentistas participantes e do Trio Manari, de percussão, e apresentações dos músicos em formações diversas. O Centro de Dança Ana Unger apresenta a coreografia de uma guitarrada. Como cantores, participam do show Mestre Solano e Pedrinho Cavalléro. O repertório musical abrange os mais diversos gêneros.

Ao violão, além de Sebastião Tapajós, e merecedor de elogios dele, apresenta-se um dos músicos que tem sido um dos mais constantes convidados do virtuose para trabalhos em duo, o jovem belenense Igor Capela. 

Ao contrabaixo, internacionalmente reconhecido como um dos melhores músicos brasileiros da atualidade no instrumento, o belenense Ney Conceição, vindo do Rio de Janeiro, onde reside, apenas para o show, faz alguns dos pontos altos do espetáculo. Ao piano, é destaque o jovem santareno Andresson Dourado, professor de Música da Universidade do Estado do Pará - UEPA em Santarém, que assim como Ney está em Belém para participar do show. 

Um dos mais atuantes e festejados cantores de Belém, Pedrinho Cavalléro, interpreta uma composição que gravou há anos em primeira mão, “Navio Gaiola”, e outra inédita, “Extremo Norte”, ambas de autoria de Sebastião Tapajós, a primeira em parceria com Antônio Carlos Maranhão, a segunda em parceria com Billy Blanco. “Extremo Norte” é uma homenagem ao Pará e, em especial, a Belém. 

Mestre Solano
O veterano compositor e instrumentista Mestre Solano, com longa trajetória de sucesso popular no País, deve entusiasmar o público ao solar duas guitarradas e cantar um hit nacional, “Ela é Americana”, todas três composições próprias. Na percussão, o amazônico Trio Manari, formado por Márcio Jardim, Kleber Benigno e Nazaco Gomes, volta à cena, no palco do Theatro da Paz, para alegria dos fãs, após um longo tempo de ausência.

Inspiração "Por entre as árvores" 

O título do show, criado pelo próprio violonista Sebastião Tapajós, faz referência ao que ele vê quando olha para fora da saleta onde compõe e ensaia com jovens músicos discípulos, na atual residência dele, em uma área rural de Santarém: por entre as árvores, ao fundo, corre o rio Tapajós. 

Na segunda metade dos anos 1950, antes de partir de Santarém para Belém e uma trajetória de sucesso internacional, Sebastião adotou como sobrenome artístico, hoje legalmente incorporado à identidade nominal civil dele, o nome Tapajós, do rio azul que ao desaguar no Amazonas forma, na frente de Santarém, o mais bonito encontro das águas existente na Amazônia. 

Pedrinho Cavallero
Não é preciso decifrar sonhos para perceber que "Por entre as árvores" expressa o olhar por dentro de si de um Sebastião na maturidade. Quando menino, motivado por Sebastião, o pai, a tocar violão, e por Maria, a mãe, a apartar com estudo música e boêmia, ele foi sensível aos dois. 

E antes de partir de Santarém, ao olhar por entre as árvores da floresta, entreviu e incorporou o Tapajós, e saiu a fluir, música, pelo mundo afora. Hoje, por entre as árvores, encantado, Tapajós se vê a fluir como o rio da vida.

Sebastião Tapajós iniciou-se no violão aos seis anos, no instrumento do pai, do qual herdou o gosto pela música e o nome. Autodidata, foi influenciado, também, por João Pernambuco e Dilermando Reis, dois notáveis do violão no Brasil, que ele ouvia em Santarém em emissoras de rádio de Ondas Curtas. Ele conta que evoluiu como músico depois que pelo rádio conheceu o violão inovador de Garoto, um dos precursores da Bossa Nova. Em 1952, com 10 anos de idade, já muito conhecido em Santarém, como Babá, o filho do seu Marcião, ganhou o primeiro cachê. Aos 12 anos, em 1954, passou a trabalhar regularmente como violonista, tocando na banda santarena “Os Mocorongos”. 

Quando o alimento da alma torna-se o próprio sustento 

Em 1958, aos 16 anos de idade, já com o sobrenome artístico Tapajós, o jovem Sebastião mudou-se para Belém. Longe da família, passou a suprir sozinho o próprio sustento, como violonista, integrando outra banda de baile “Os Mocorongos”, desdobramento da banda homônima de Santarém. Foi como integrante dessa banda belenense que o violonista obteve o primeiro registro discográfico dele, em um long play. 

Ao mesmo tempo em que trabalhava como violonista, Tapajós estudava Contabilidade, na Fénix Caixeral Paraense, porque ser estudante era uma condição para poder integrar a banda Os Mocorongos. Formou-se contabilista, mas nunca exerceu essa profissão. Sebastião Tapajós recebeu em Belém aulas particulares de Teoria Musical, sucessivamente, com os professores Drago, Ribamar e Tácito Almeida. Posteriormente, no Rio de Janeiro fez um curso intensivo de Técnica Violonística, com um professor, violonista e compositor, de renome na época, Othon Salleiro. Findo o curso, voltou para Belém.

A inexistência de formação acadêmica em Violão no Brasil nos anos 1960, e principalmente o encanto que o jovem solista de Santarém despertava nos que ouviam a música dele, motivaram uma mobilização da comunidade luso-brasileira de Belém, que envolveu o Consulado de Portugal e a Reitoria da Universidade Federal do Pará – UFPA, então exercida pelo professor José da Silveira Neto, e resultou no custeio das despesas para que, em 1964, Sebastião Tapajós fosse estudar em Lisboa.

Carreira internacional iniciou em Lisboa

Na capital portuguesa, o catalão Emílio Pujol passava uma temporada dando aulas de aperfeiçoamento a alguns jovens violonistas de diversas nacionalidades, no Conservatório Nacional de Música de Lisboa. 

Juntamente com o espanhol Andrés Segovia, Emilio Pujol é um dos dois principais responsáveis iniciais pela consolidação do violão como instrumento de execução de peças musicais eruditas, cujo repertório ampliou como compositor. 

Sebastião Tapajós é o único brasileiro que estudou com Emílio Pujol. Esse é um dos motivos, embora não seja o único, que motivam o reconhecimento do virtuose parauara como um dos principais nomes da árvore genealógica mundial do violonismo. Em 1965, o violonista santareno desenvolveu novo período de estudos, desta vez de técnicas de guitarra latina (violão latino, em Espanhol), com Sanz de la. Masa, no Conservatório de Cultura. Hispânica, em Madri.

Serviço
“Por entre as árvores”, show de música e dança do violonista Sebastião Tapajós e convidados, Centro de Dança Ana Unger, Ney Conceição (contrabaixo), Andresson Dourado (piano), Igor Capela (violão), Mestre Solano (guitarra/voz), Trio Manari (percussão), Pedrinho Cavalléro (voz). No Theatro da Paz, neste sábado, 7, às 20h. Ingressos gratuitos, disponíveis na bilheteria do teatro. Apoio cultural: Governo do Pará.

(Holofote Virtual, com texto de Avelino Vanneta do Vale)

26.9.19

Encontro Amazônico de talentos no Theatro da Paz

O show de lançamento do CD “Encontro Amazônico”, na próxima quarta-feira, 2, às 20h, no Theatro da Paz, celebra a parceria recente mas já cheia de novidades, entre Sebastião Tapajós e Gonzaga Blantez, e também traz convidados, igualmente parceiros. O repertório conta ainda com clássicos da obra do violonista. Os ingressos têm preço único de R$ 30,00, válido a qualquer lugar do teatro, marcado no ato da compra que pode ser on line www.ticketfacil.com.br

Sebastião Tapajós e Gonzaga Blantez, compositores paraenses, ambos nascidos em Alenquer. Juntos, em poucos meses, eles compuseram mais de 50 músicas, das quais 10 estão neste CD. "Mas tem muito mais, ontem mesmo izemos mais uma canção. "Fizemos música para todas as cidades do baixo Amazonas, e isso já é outro disco", anuncia Sebastião Tapajós.

O show "Encontro Amazônico" conta com participações especiais. "Vamos receber a cantora Luccinha Bastos, que conheço desde que ela era criança, cantando, é um talento nato.  Além dela, Nilson Chaves, outro cara musical, inteligente, maravilhoso, e Luiz Pardal, esse nem se fala, é genial. Gosto muito dele. E ainda as vozes de Lucio Mouzinho e Patrícia Bastos", diz Sebastião Tapajós.

Sensível, bem costurado, apresenta, além das novas composições do álbum, clássicos da música de Sebastião Tapajós. A direção musical do disco e do show é de Igor Capela, que também estará ao violão, além de Andreson Dourado, ao piano, Príamo Bradão, no baixo, e Márcio jardim, na percussão. Juntos eles compõem com “Tião”, como é carinhosamente chamado pelos amigos e parceiros, o quinteto que vem apresentando e difundindo obra do violonista pelo país. 

Gonzaga, Tapajós, Pardal e Capela, no Theatro d Paz
“O show contará com 6 músicas novas do CD. E do Sebastião Tapajós haverá algumas feitas em parcerias também com Billy Blanco e Lourdes Garcez, entre outras”, diz Igor Capela.

E também é um grito pela Amazônia, para defende-la e valorizá-la por meio de uma sonoridade ímpar. “A Amazônia é nossa inspiração, o pulmão maior para nossa respiração”", diz Sebastião Tapajós, que faz questão de deixar um alerta sobre as recentes queimadas na floresta.

"Isso é uma coisa que sempre existiu e ninguém prestou atenção, o problema é que o verão é maior e aí a coisa se transforma em algo maior, mas eu acho errado, precisa cuidar para diminuir essas queimadas, principalmente se foi feito de propósito, o que eu não acredito, não é possível que o homem seja tão baixo para fazer um negócio desse com natureza, ele está é se queimando também".

Dois violões e dois rios como inspiração

O encontro reúne dois compositores que nasceram no mesmo município, Alenquer. “Gonzaga é meu conterrâneo, só que ele nasceu na cidade e eu nasci no rio Surubiú, numa casa no meio da água, esse rio que banha Alenquer. Lógico que isso traz uma certa afinidade entre nós, nascemos onde passa o mesmo rio, no Baixo Amazonas. Fora isso nós temos uma certa facilidade para compor. É gratificante trabalhar com ele, que é muito talentoso e tem uma abertura bonita pra gente compor”, conta Sebastião Tapajós, 77 anos.

Gonzaga Blantez é compositor e cantor cantor, além de poeta, há mais de 30 anos, também é Alenquerense, e morou mais de 20 anos na capital Amazonense. É autor do carimbó "Curió do bico doce", tema de "Ritinha" na novela global "A força do querer", que gerou grande repercussão ao artista, hoje com sete discos gravados. Graduado em Arte-educação com Habilitação em Música pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Blantez traz em sua obra uma relação profunda com as tradições culturais da Amazônia, com ritmos dançantes e das tradições amazônicas.

Ele conta que conheceu Sebastião Tapajós, pessoalmente, ano passado, apresentado por um amigo em comum. “A ideia inicial era se reunir para fazer um show, mas quando cheguei a Santarém, ficamos juntos, confinados, durante meses compondo e nos apresentando pela região. Na verdade, compomos para mais de cinco discos, fazíamos musicas diariamente, chegamos a fazer até quatro músicas por dia”, continua o músico.  

A identificação entre os dois foi imediata e promete ir além desse trabalho, como bem já se enfatizou no início dessa entrevista. “Foi difícil fechar nessas dez músicas, muitas ficaram de fora e nós gostaríamos de colocar de cima em outros projetos”, finaliza Blantez, que depois de morar 20 anos em Manaus, já se mudou para Santarém, onde para além do Surubiú, um novo rio os une e inspira, e que dá sobrenome a Sebatião, o Tapajós.

Homenagens e reconhecimento da obra

O músico soma mais de 40 anos de uma carreira que gerou divisas através de seu violão. “O início da minha carreira foi bem garoto, ainda criança, ouvindo rádio. Tinha um rádio à pilha e dava para ouvir algumas coisas que estavam se passando no Rio de Janeiro, eu ouvia Waldir Azevedo, Altamiro Carrilho. Depois eu acabei gravando com esse pessoal. Nunca imaginei que eu ia gravar com Hermeto Pascoal, Sivuca, Altamiro etc”, diz Tapajós que estudou na Europa, retornando em seguida a Santarém, onde mora até hoje e de onde sai par fazer shows pelo país.

Além de uma obra instrumental, Sebastião é autor de várias canções, em parceria com Marilena Amaral, Paulinho Tapajós, Billy Blanco, Antonio Carlos Maranhão, Avelino V. do Vale e outros compositores. Constam da relação dos intérpretes de suas canções artistas como Emílio Santiago, Miltinho, Pery Ribeiro, Jane Duboc, Maria Creuza, Fafá de Belém, Nilson Chaves, Ana Lengruber e Cristina Caetano, entre outros.

Igor Capela e Sebastião Tapajós
Segundo V. A. Bezerra, "o estilo de tocar de Sebastião Tapajós é vigoroso e incisivo, e o som que tira do instrumento é cheio e encorpado. Ele gosta de utilizar efeitos percussivos, variações de timbre (do som mais doce, tocando próximo à boca do instrumento, ao mais metálico, próximo ao cavalete do instrumento), sons harmônicos, repetição ritmada de acordes em ostinato e outros recursos".

“Eu acho que todo mundo pode tocar minhas músicas, mas tem que estudar. Tem músicas que são difíceis mesmo, você já vê também no Youtube, algumas coisas que conseguiram gravar, tá lá, é só ver. Eu acho maravilhoso que os jovens se interessem em estudar minha obra. É um caminho. Há um trio de violões que toca na Holanda e pelo mundo as minhas músicas, tocam muito. Fico feliz em vê-los, me orgulha”, diz Tapajós, que na Feira Pan Amazônica do Livro, fez show com a Amazônia Jazz Band e lançou o Livro de Partituras produzido pela Secult/Ioepa. 

“O livro está muito bonito, já foliei, mas ainda  vou olhar com mais cuidado. Esse tem cerca de 45 músicas, mas vão sair uns três volumes, tem muita música.  A Secult é que está organizando o que é melhor, e está tudo bem", diz o músico. "Sou grato às pessoas que sempre me apoiaram e vamos trabalhar. Não sou mais um garotinho, tenho 77 anos, mas tô aí e enquanto eu estiver vivo e Deus permitir vou tocar e fazer música”, comenta o violonista, que também é tema de um vídeo-documentário que está sendo produzido pela Funtelpa.

Serviço
Show de lançamento do CD Encontro Amazônico.  No Theatro da Paz, no próximo dia 02/10 (quarta-feira), às 20 h. Os ingressos já estão à venda, pelo preço único de meia entrada para qualquer lugar no Theatro da Paz, por R$ 30,00. Informações: (91) 4009-8758/ 8759/8756 | bilheteria@tdapaz.com.br

Horários da bilheteria:
Terça a Sexta das 09h às 18h
Sábado – 09h às 12h
Domingo – 09h às 11h
Em dias de espetáculos:
09h até o início de cada espetáculo.
Forma de Pagamento:
Bilheteria do Theatro da Paz: somente em dinheiro;
Site http://www.ticketfacil.com.br : cartões de crédito.

25.6.21

Sebastião Tapajós expõe registros de sua história

Sebastião Tapajós e o grupo de Waldir Azevedo na Europa

Na próxima semana tem convite para um tour muito especial pela galeria da “Exposição Virtual - Sebastião Tapajós”. A inauguração será na quarta-feira, 30 de junho, pelo site da fotógrafa Vanessa Barros, curadora do projeto selecionado pelo edital de artes visuais da Fotoativa e Secult-Pa, com apoio da Lei Aldir Blanc. 

Por meio da fotografia, recortes de jornais e revistas, capas de discos entre outros documentos que identificam lugares, situações, relações de amizade e profissionais do músico, a exposição passeia por diversos momentos da carreira de mais de 60 anos do violonista Sebastião Tapajós.

Ao todo são 30 imagens comentadas por artistas, músicos e parceiros de Sebastião Tapajós que relembram fatos de sua carreira, como por exemplo, a premiação de ‘Guitarra Criolla’, como melhor disco do ano em 1982, na Europa. Há também registros de suas apresentações no Theatro da Paz, os encontros com Astor Piazzola, Gilson Peranzzetta, Ednardo, Belchior, Billy Blanco entre tantos outros nomes da música, fazem parte da história de Sebastião Tapajós. 

Músicos e artistas comentam a memória da imagem

Álbum premiado na Europa em 1982

O violonista Igor Capela, o compositor Nilson Chaves, o maestro Nelson Neves, as cantoras Lucinnha Bastos e Jane Duboc; os produtores Carmem Ribas, que assina a executiva do projeto,  e Guilherme Taré, entre tantos outros amigos e parceiros, participam desse projeto, seja nas imagens ou por trás delas. Tudo poderá ser visto, pelo site www.vanessabarros.com.br

A exposição foi programada para ser itinerante, partindo de Santarém, passando por Alenquer, onde nasceu o violonista, Oriximiná e Belém, mas por causa da pandemia o formato do projeto foi alterado. Sebastião Tapajós completou 78 anos em abril e, pelo mesmo motivo, o aniversário foi comemorado pela internet. Desde 2020, ele segue o mais isolado possível, em sua residência, em Santarém, onde, com todos os cuidados, recebeu Vanessa para selecionarem juntos o material da exposição. 

Vanessa Barros é de Altamira, mas foi morar em Santarém, em 2014, onde estudou Direito, mas antes mesmo de se formar, passou a se dedicar à fotografia. "Eu digo sempre que a fotografia me escolheu. E é muito difícil você morar nesta região e não se encantar e registrar essas belezas" diz ela que é também é casada com o pianista Andreson Dourado, parceiro do violonista Sebastião Tapajós, o que facilitou o acesso ao vasto baú de memórias do músico. 

“Não tem quem não se encante com esse violão maravilhoso do Tião. Desde a primeira vez que eu o ouvi, foi assim. E com a proximidade que tivemos, por causa do Andreson, que toca com ele, acabei me interessando pela sua história. Descobri que ele tem amigos em cada canto desse país e do mundo. É muito incrível a sua trajetória”, diz Vanessa.

Trajetória e reconhecimento

Sebastião Tapajós é um dos maiores violonistas do país e não seria exagero dizer que também do mundo. O músico possui uma trajetória fascinante, que começa aos seis anos de idade quando ele inicia-se no violão. Em 1952, com 10 anos de idade, ganhou o primeiro cachê. Aos 12 anos, em 1954, passou a trabalhar como violonista, tocando na banda santarena “Os Mocorongos”.  Aos 16 anos,  ele veio para Belém, onde teve aulas particulares de Teoria Musical, até ir para o Rio de Janeiro fazer um curso intensivo de Técnica Violonística. 

Autodidata, foi influenciado, também, por João Pernambuco e Dilermando Reis, dois notáveis do violão no Brasil, que ele ouvia em Santarém em emissoras de rádio de Ondas Curtas. Assim, o músico conta que evoluiu muito depois conheceu o violão inovador de Garoto, um dos precursores da Bossa Nova.

Para seguir carreira, porém, já nos anos 1960, foi estudar violão na Europa. Em Lisboa consolidou o violão erudito ampliando seu repertório como compositor e em Madri, no Conservatório de Cultura Hispânica, dominou técnicas de guitarra latina. Em 1967, ele recebeu a cadeira de violão clássico do Conservatório Carlos Gomes de Belém, onde lecionou até julho de 1967.

O evento que deu impulso decisivo à sua carreira foi a execução da obra-prima de Villa-Lobos, o Concerto para Violão e Pequena Orquestra, com a Orquestra Sinfônica Nacional no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. A partir daí, seguiram-se vários convites para concertos no Brasil e no exterior. 

Em junho de 2020, Sebastião Tapajós, ao receber o título de Doutor Honoris Causa, pela Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), declarou: "A música é minha alma, meu porto seguro, minha vida".

Serviço

Exposição Virtual Sebastião Tapajós. Projeto selecionado pela Lei Aldir Blanc – Edital de Artes Visuais Fotoativa e Secult-Pa. Acompanhe também pelas redes sociais @fotografavanessabarros, onde as Mini oficinas “Como fazer boas fotos pelo celular” e “Como editar profissionalmente suas fotos pelo celular” poderão ser acessadas gratuitamente. 

9.7.21

Um tour virtual pela história de Sebastião Tapajós

Um dos mais importantes violonistas do país, o paraense Sebastião Tapajós, um mestre do violão amazônico e latino, é homenageado na exposição que leva o seu nome e que pode ser acessada de qualquer lugar do planeta, pela internet, numa galeria virtual durante todo o verão paraense. Para passear pela história do músico acesse o site (vanesaabarros.com.br). O projeto é um dos selecionados pelo edital de artes visuais da Fotoativa e Secult-Pa, com apoio da Lei Aldir Blanc”
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"Postura, violão apoiado na perna esquerda, disciplina, estudo, um tímido sorriso. Uma pessoa simples, sensível, artista gigante que com seu talento e paixão pelo violão, levaria nossa Cultura e apresentaria seu inconfundível dedilhar de Santarém para o mundo inteiro. Grande Tião!". A descrição não é mas bem caberia a essa foto atual de Sebastião Tapajós, aos 78 anos, mas na verdade é um comentário da cantora Lucinnha Bastos, sobre uma foto em que vemos Sebastião Tapajós, aos 16 anos, empunhando seu violão.

Violonistas, intérpretes, artistas e produtores participam da exposição como autores dos textos legenda das imagens. Além da intérprete, também tecem comentários sobre fotografias e outras imagens, os violonistas Igor Capela, Delcley Machado, Nilson Chaves, Nego Nelson, Sergio Abalos, e ainda, Gilson Peranzzetta, Billynho Blanco, Carmem Ribas, Jane Duboc, Luiz Pardal e Lourdes Garcez, entre outros. 

Para Paulinho Moura, 7 cordas, por exemplo, "Sebastião Tapajós tem uma importância enorme no mundo da música popular brasileira e na música mundial. Ele fez com que o Choro fosse conhecido lá fora. Ele é um divulgador do Choro, apoiador do Choro. Ele é meu mestre”, diz ele em um dos trechos do texto na exposição, acerca de uma foto em que o músico se apresenta com o Charme do Choro, grupo formado em Belém, por instrumentistas mulheres.

Ao todo são 30 imagens em fotografias, recortes de jornais e revistas, além de capas de discos e outros documentos estão na exposição virtual, que nos revelam encontros de Sebastião Tapajós com Waldir Azevedo, Astor Piazzola, Ednardo, Belchior, Billy Blanc, além de fatos da carreira mais recente e encontro com as novas gerações da música e do choro, gênero que marca sua trajetória de mais de 60 anos.

A curadoria da exposição é da fotógrafa Vanessa Barros, com produção executiva de Carmen Ribas. Ambas possuem uma relação de amizade de longa data com o músico. Ribas vem tratando de alguns projetos com o violonista, e Vanessa, casada como o pianista Andreson Dourado, que toca com Sebastião Tapajós há alguns anos, teve oportunidade, por também morar em Santarém, morada do músico, acesso a seu baú de memórias.

Ela é de Altamira, mas foi morar em Santarém, em 2014, onde estudou Direito, mas antes mesmo de se formar, passou a se dedicar à fotografia. "Eu digo sempre que a fotografia me escolheu. E é muito difícil você morar nesta região e não se encantar e registrar essas belezas. E ao conhecer Sebastião Tapajós, fiquei mais encantada ainda, não tem quem não se encante com esse violão maravilhoso. Desde a primeira vez que eu o ouvi, foi assim. E com a proximidade que tivemos, acabei me interessando pela sua história. Descobri que ele tem amigos em cada canto desse país e do mundo. É muito incrível a sua trajetória”, diz.

Trajetória e reconhecimento

Aos 16 anos, em Belém

Sebastião Tapajós tem uma trajetória fascinante, que começa aos seis anos de idade. Aos dez, ele ganhou o primeiro cachê e, aos doze, passou a trabalhar como violonista, na banda santarena “Os Mocorongos”. Aos 16 anos,  veio para Belém, onde teve aulas particulares de Teoria Musical, até ir para o Rio de Janeiro fazer um curso intensivo de Técnica Violonística.

Autodidata, foi influenciado por João Pernambuco e Dilermando Reis, dois notáveis do violão no Brasil, que ele ouvia em Santarém em emissoras de rádio de Ondas Curtas. Para seguir carreira profissional ele precisa evoluir em seus estudos e na falta de um curso superior no Brasil, já nos anos 1960, foi estudar violão na Europa. 

Em Lisboa consolidou o violão erudito ampliando seu repertório como compositor e em Madri, no Conservatório de Cultura Hispânica, dominou técnicas de guitarra latina. Em 1967, ele recebeu a cadeira de violão clássico do Conservatório Carlos Gomes de Belém, mas o evento que deu impulso decisivo à sua carreira foi a execução da obra-prima de Villa-Lobos, o Concerto para Violão e Pequena Orquestra, com a Orquestra Sinfônica Nacional no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. 

A partir daí, seguiram-se vários convites para concertos no Brasil e no exterior. Em junho de 2020, Sebastião Tapajós, ao receber o título de Doutor Honoris Causa, pela Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), declarou: "A música é minha alma, meu porto seguro, minha vida".

AGENDE-SE

Exposição Virtual Sebastião Tapajós. Projeto selecionado pela Lei Aldir Blanc – Edital de Artes Visuais Fotoativa e Secult-Pa. 

Acesse a galeria: 

www.vanessabarros.com.br

Acesse também o podcast com a curadora:

https://open.spotify.com/episode/7muV9FUF3M1Ytf6njxSyjI

8.10.18

Tapajós reúne gerações no palco do Theatro da Paz

Uma apresentação repleta de afetos e parcerias. É assim que chega ao palco do Theatro da Paz, nesta sexta-feira, 12 de outubro, às 20h, o show “Gerações Tapajós”, cujos ingressos começam a ser distribuídos nesta quinta-feira, 11, a partir das 9h, na bilheteria do teatro e pelo www.ticketfacil.com na internet. 

Artistas, músicos, cantores e compositores que possuem influência e proximidade com o violonista, como Nilson Chaves, Jane Duboc, Leila Pinheiro, Mestre Solano, Salomão Habib, Ney Conceição, Nego Nelson, Luiz Pardal, Lúcio Mouzinho e Paulinho Moura, farão uma grande homenagem ao músico, que estará também acompanhado pelo violonista Igor Capela, que faz a direção musical do show, Márcio Jardim (percussão) e Andreson Dourado (teclado).

“Estou muito feliz de estar com Sebastião Tapajós e tantos artistas, músicos queridos nesta noite inesquecível na nossa Belém adorada e no Theatro da Paz. Muita emoção junta. Ufa! Vamos homenagear, louvar, reverenciar e nos emocionar com as músicas lindas e tocantes que Sebastião há tantos anos compõe e nos ilumina. Pequenino de tamanho - um gigante tocando.

A gente se reencontrou em 2017 e foi para o palco junto com a Orquestra Jovem Vale Musica e hoje, sob as bênçãos de N.S. de Nazaré vamos todos cantar suas músicas. Que noite nos espera!!! Saúde e muita paz, Tião querido, tu és o coração inteiro do Pará batendo forte”, diz Leila Pinheiro.

Será um encontro de artistas de diversas gerações que acompanham o trabalho e a trajetória de um dos mais importantes violonista do mundo. O espetáculo faz um recorte dessa trajetória que abrange composições eruditas, folclóricas e populares e que inspiram e influenciam diferentes gerações de artistas, alguns de expressão nacional e internacional.

No repertório,  20 músicas de Sebastião Tapajós, a maioria composições individuais e o restante em parceria. Não ficarão de fora sucessos como Milonga do sabiá, Pro Baden, Um pro Ney, Igapó, Cheiros do Pará, Ana Luíza, Luá Joá, Aos da guitarrada e Rei Solano, entre as autorais. Das parcerias estão Navio Gaiola (Letrista: Antonio Carlos Maranhão), que terá interpretação de Nilson Chaves, A flauta (Letrista: Billy Blanco), que terá interpretação de Jane Duboc, Desencanto (Letrista: Billy Blanco), com Leila Pinheiro e a novíssima Bem mais (tributo à Edna Savaget - Letrista: Lourdes Garcez), que será interpretada também por Leila Pinheiro.

“Vamos estar todos juntos nesta homenagem no dia 12de outubro, com Sebastião Tapajós e convidados. Ele que é o nosso amado mestre, um violão paraense dos mais conhecidos no planeta terra, e merece toda nossa homenagem. É o nosso compositor, anjo e amigo”, diz emocionada a cantora Jane Duboc que gravou “Da Minha Terra “, o primeiro e único álbum lançado da parceria entre a cantora e o violonista e compositor. Foi o 13o álbum dela e o 26o do Sebastião Tapajós.

Sebastião Tapajós se formou em música na Europa e realizou recitais em diversos países, tem cerca de 60 CDs lançados, sendo eles referências no Brasil e no mundo. O músico também chegou a ser professor de Violão Clássico no Conservatório Carlos Gomes, de 1966 a 1967. Nos últimos anos, o violonista vem compondo um grande número de novas obras, experimentando novas estéticas e revisando sua vasta produção.

Em 2010, fez a direção artística do CD Cristina Caetano interpreta Sebastião Tapajós e Parceiros. Em 2011, produziu e lançou os CDs Cordas do Tapajós e Conversas de Violões, com o músico Argentino Sérgio Ábalos. Em 2012, lançou Suíte das Amazonas e remasterizou o clássico Painel, uma de suas obras mais conhecidas em todo o mundo. Em 2013, lançou e realizou turnê nacional com o CD Da Lapa ao Mascote, e lançou o DVD Sebastião Tapajós e amigos solistas. Em 2017, lançou o CD Memórias.

“Conheci o Sebastião Tapajós em 1968 através de uma carta do maestro Waldemar Henrique quando estava indo para o Rio de Janeiro. A partir daquele momento nos tornamos amigos, parceiros e gravamos o disco 'Amazônia Brasileira', lançado na Europa, por um selo alemão. Desde então foram vários shows, apresentações. Ele é um grande amigo, irmão, parceiro, uma pessoa linda e generosa e transbordando de talento, musica”, ressalta Nilson Chaves.

O artista também já tocou com nomes conhecidos da música brasileira e internacional, incluindo Hermeto Pascoal, Zimbo Trio, Waldir Azevedo, Paulo Moura, Sivuca, Maurício Einhorn, Joel do Bandolim e Yamandu Costa, Gerry Mulligan, Astor Piazzolla, Oscar Peterson e Paquito D'Rivera. Além de sua obra como instrumentista, é autor de várias canções, em parceria com Marilena Amaral, Paulinho Tapajós, Billy Blanco, Antonio Carlos Maranhão, Avelino V. do Vale, Lourdes Garcez, Gonzaga Blantez e outros. 

Constam da relação dos intérpretes de suas canções, artistas como Emílio Santiago, Miltinho, Pery Ribeiro, Jane Duboc, Maria Creuza, Fafá de Belém, Nilson Chaves, Ana Lengruber, Cristina Caetano, Andréa Pinheiro, Alba Maria, Nanna Reis, dentre outros.

Bastante popular no exterior, onde é considerado um dos violonistas mais criativos e originais, Sebastião vê suas obras serem constantemente regravadas em CDs, nos diferentes países onde se apresentou. Seu disco "Guitarra Criolla", de 1982, ganhou diversos prêmios na Europa, incluindo o Grande Prêmio do disco da Alemanha, assim como "Terra" (1992). Por diversas vezes ganhou o Prêmio SOCIMPRO, por suas músicas serem as mais executadas no Brasil. Em 1997 registrou em disco sua parceria com Gilson Peranzzetta, no CD "Afinidades".

Serviço
Show “Gerações Tapajós”, com Sebastião Tapajós e convidados: Nilson Chaves, Jane Duboc, Leila Pinheiro, Mestre Solano, Salomão Habib, Ney Conceição, Nego Nelson, Luiz Pardal, Paulinho Moura e Lúcio Mouzinho. Entrada franca. Os ingressos poderão ser retirados a partir desta quinta-feira, 11, às 9h, na bilheteria do Theatro da Paz ou on line www.ticketfacil.com. Realização Teatro da Paz, SECULT, Governo do Estado. Informações à imprensa: 91 98134.7719. 

18.3.11

“Encontro das Águas” reúne Sebastião Tapajós, Simone Almeida e Trio Manari

Pintura do artista Apolinário, exposta no Mascote (Santarém-PA)
O violonista Sebastião Tapajós e a cantora Simone Almeida se apresentam pela primeira vez juntos, nesta sexta-feira, 18, e sábado, 19, no Teatro Margarida Schivasappa, do Centur. O espetáculo tem participação especial do Trio Manari, o contrabaixista Adelbert Carneiro e o pianista Edgard Matos.

Por Avelino V. do Vale*

Ouvido por telefone, da cidade natal, Santarém, no oeste do Pará, onde reside desde 1997, Sebastião Tapajós informou que o repertório do show “Encontro das Águas” tem duas composições inéditas, ambas de autoria dele, em parceria com outros dois paraenses, Billy Blanco e Paulo André Barata, cada um parceiro em uma das músicas.

O violonista conta que as duas composições tiveram uma mesma fonte de inspiração: o Ver-o-peso. E revela que considera o Ver-o-peso um lugar encantador desde que conheceu Belém, onde residiu, ainda jovem, nos anos 60, em dois períodos, o primeiro, tendo se mudado de Santarém para desenvolver estudos de Teoria Musical, o segundo, após concluir a formação acadêmica em violão, em Lisboa e em Madri.

De título Ver-o-peso, uma das duas músicas de Sebastião Tapajós que no show com a cantora Simone Almeida são mostradas pela primeira vez em público tem letra. A letra foi criada por Billy Blanco, compositor radicado no Rio de Janeiro que é o mais antigo dentre os poucos parceiros letristas de Sebastião Tapajós, por sua vez, um compositor de poucas músicas letradas, que, na maioria, têm Billy como autor das letras.

Parcerias com Paulo André Barata e Billy Blanco (foto: Bruno Pellerin).
Ver-o-peso é uma das músicas que Simone Almeida e Sebastião Tapajós interpretam juntos. É, também, um dos números em que aos dois se somam no palco do teatro do Centur, o contrabaixista Adelbert Carneiro, o pianista Edgar Matos e o Trio Manari.

A outra composição inédita do show Encontro das Águas é intitulada Manhãs no Ver-o-peso. Trata-se de uma música instrumental, ou seja, sem letra. Ela é tocada apenas por Sebastião Tapajós, ao violão solo. Segundo o solista, Manhãs no Ver-o-peso foi criada por ele e por Paulo André Barata quando de recente estada dele, Tapajós, em Belém, durante uma das visitas que costuma fazer ao amigo e compositor belenense, na residência deste.

Anteriormente, Sebastião Tapajós e Paulo André Barata já eram parceiros em duas composições musicais: a primeira, um samba-enredo, feito com outros autores, para a escola de samba Acadêmicos da Pedreira, música em que o violonista diz ter tido “uma participação muito pequena, para atender ao convite do Paulo André, lá pelos anos 90”; a segunda, do ano 2000, a canção-choro Quebranto, que tem letra de Avelino do Vale.

Simone Alveida, romântica e eclética.
Simone Almeida apresenta repertório diverso

É evidente nesse repertório a versatilidade como intérprete vocal que ela desenvolveu ao longo dos 15 anos de carreira, que comemora este ano. Além da versatilidade, o repertório vocal do espetáculo indica outro forte componente da identidade artístico-musical dela, o de intérprete do cancioneiro amazônico, que ela tem contextualizado como cantora do amor em várias dimensões, favorecida por um timbre vocálico ao mesmo forte e suave.

Simone Almeida brinda o público do show desta sexta e sábado, no Teatro do Centur, com interpretações de duas músicas de Sebastião Tapajós que ela faz pela primeira vez: uma, a de Ver-o-peso, a inédita dele e de Billy Blanco, outra, a de um dos sucessos do violonista, Igapó, que não tem letra.

A cantora interpreta Igapó fazendo vocalize, em trilha sonora que se prenuncia uma das mais bonitas do show. O estilo romântico tem um dos principais momentos na performance vocal de Simone Almeida no espetáculo quando ela interpreta o maior sucesso discográfico dela, a canção Meu Grande Amor, composição de Eudes Fraga.

Meu Grande Amor será música título de um CD comemorativo de 15 anos de carreira a ser lançado pela cantora em 2011, além de um disco de louvores, intitulado O Amor Maior.

A versatilidade de Simone Almeida transparece tanto da diversidade de autores quanto da diversidade de gêneros musicais que ela interpreta. Eudes Fraga está presente no repertório com outra música além de Meu Grande Amor, uma composição com letra de Joãozinho Gomes.

Os outros autores interpretados pela cantora vão de Waldemar Henrique, referência em música da Amazônia brasileira, até uma criação do grupo Abuela Coca, do Uruguai, passando por Ruy Baldez e Chico Sena, dentre outros.

A música uruguaia é interpretada por Simone Almeida com letra em Português, em versão de título Caminhando, feita por Fernando Dako, guitarrista e compositor, que é marido dela, e, como ela lembra com perceptível satisfação, tem sido o diretor artístico dos mais recentes shows que ela realizou.

Diversidade de gêneros musicais - Simone Almeida interpreta canções, marabaixo  e até o que o contrabaixista Adalbert Carneiro denomina "ritmos afro-amazônicos e carimbó-choro", este, uma fusão que só tem precedentes em composições de Sebastião Tapajós, com registro pelo violonista no CD Choros e Valsas do Pará.

Algumas das músicas do show no Teatro Margarida Schivasappa estarão no CD comemorativo Meu Grande Amor. A cantora conta que esse disco será uma coletânea de interpretações dela que ela própria selecionou dos repertórios de vários CDs, dentre eles os dois discos solos que já fez, Recado, de 2003, e Quando Teu Amor Chegou em Mim, de 2007.

Juntamente com faixas pinçadas desses CDs solos, estará no CD coletânea, já em fase de finalização, músicas gravadas por ela em CDs de vários intérpretes. Dentre esses discos de onde transporá faixas avulsas em que canta estão um CD com músicas da programação 5ª Cultural, do Banco da Amazônia, e dois da série Uirapuru, da Secretaria de Cultura do Pará – Secult/PA, sendo um destes o CD de composições de Galdino Penna e outro o CD de composições de Antonio Carlos Maranhão.

Manari toca Suíte das Amazonas, com Tapajós.
Noite percussiva - O Trio Manari, constituído pelos percussionistas Márcio Jardim, Nazaco Gomes e Kléber Benigno, tem participação especial no show Encontro das Águas. 

Os três destacam-se em um número que fazem com Sebastião Tapajós, um trecho da Suíte das Amazonas, de autoria do violonista, e que dá título a um CD já gravado, a ser lançado, disco tripartite do solista santareno, do trio de percussionistas e do contrabaixista Ney Conceição.

No show, o Trio Manari toca, também, em músicas que Simone Almeida canta acompanhada por Adelbert Carneiro, no contrabaixo, Edgar Matos, no piano, e, em alguns números, por Sebastião Tapajós, ao violão.

*Avelino V. do Vale é jornalista e compositor (avelino.vanetta@gmail.com)

15.4.23

Um museu virtual sobre obra de Sebastião Tapajós

O Instituto Sebastião Tapajós (IST) entrega hoje o museu virtual criado para abrigar parte do acervo que vem sendo pesquisado, tratado e organizado, registrado e digitalizado em Santarém-Pa, onde viveu o músico até outubro de 2021. Neste sábado (15), qualquer pessoa poderá visitar a exposição no site.

A ação antecede o domingo, 16 de abril, quando o músico faria 81. Nesta data também completam seis anos do IST, criado para cuidar, difundir, salvaguardar esta obra, além de trabalhar diversos projetos que incentivam a arte com a qual o violonista tanto nos encantou, a música. 

Frederico Teixeira assina a construção do ambiente virtual, que abriga o acervo. “Teremos uma exposição de longa duração, com highlights do acervo, imagens que foram digitalizadas e são raras e acho que será a primeira vez que o grande público vai ter acesso”, diz Fred, que embora já conhecesse Sebastião Tapajós, acabou realmente mergulhando na obra dele por causa desse projeto. 

“A partir desse contato com a obra e neste universo mais ligado a Santarém, fiz um mergulho muito incrível nesse rio que é Tapajós. Fiz um trabalho de consultoria, auxiliei no processo de digitalização de tudo isso. Estar dentro desse projeto e acompanhar esses desafios mais ligados a virtualidade foi um prazer pra mim, além de desenvolver a identidade visual do IST, nesta nova fase, com o museu, o instituto e também o festival de violão”, conclui ele que também é responsável pela realização do museu virtual Itamar Assumpção.

O acervo de Sebastião Tapajós está dividido por categorias. Há a parte musical com partituras, discografia, capas de LPs, cartazes, mas também há cartas, livros e muitos documentos. De acordo com Antonio Neto, especialista em conservação e restauro em acervos de suporte em papel, a parte documental foi encontrada em bom estado, mas estava muito desorganizada. 

“Quando fui fazer o projeto de conservação encontramos  tudo muito desorganizado e para realizar o trabalho de conservação e acondicionamento desses documentos todos, é necessário minimamente organizar. Então essa foi a parte mais demorada, porque de forma geral, tudo estava em um bom estado, fizemos pequenos reparos”, diz Antonio Neto.

O especialista conta ainda que o acervo traz muito material de divulgação sobre shows, turnês, press release, folder, cartaz, parte de hemeroteca, com recortes de jornais e revistas, além de documentos que falam sobre a historia da carreira dele, como autorizações de direitos autorais, além dos discos, tanto os gravados no Brasil, quanto na Alemanha. "Ele viajava muito pra lá, onde tinha empresário. Há discos com dedicatórias de outros artistas também. Ele fazia muito esse intercâmbio com outros músicos”, continua Neto.

O acervo conta de maneira impecável a trajetória do músico. “Tem pouca coisa pessoal, é essencialmente um acervo que conta uma história profissional, anos 1960, com os Mocorongos, ainda em Belém. E tem material da época em que ele foi se aprimorar tecnicamente na Europa. É uma trajetória muito bem sucedida e que chegou também ao Japão, Espanha, além da Alemanha. Percebe-se que foi um artista mais valorizado fora de seu país. Embora ele tenha feito inúmeros shows e turnê, os discos dele eram mais vendidos no exterior”, conclui. 

A museóloga Sandra Rosa, mestre em Ciência da Informação, foi responsável pelo diagnóstico das condições do acervo após a enchente na casa do músico. No final de julho de 2022, ela já estudava o acervo e fez, na ocasião, um levantamento da tipologia e outras demandas. Somente em outubro deu inicio ao processo de musealização do acervo.

“Essa metodologia consiste no processo de aquisição, conservação, pesquisa, documentação e comunicação. O acervo nesse período já estava no Instituto Sebastião Tapajós para processo de conservação e restauro e posteriormente digitalização. E então pude elaborar a proposta de documentação em plataforma digital, que consistiu na elaboração do plano de classificação do acervo pelo thesssauro museológico, elaboração da ficha catalográfica e metodologia de preenchimento”, conta Sandra.

O processo de digitalização foi realizado junto com os bolsistas, que passaram por treinamentos e oficinas. Foi possível então fazer o plano de classificação e nomeação dos itens por códigos conforme a tipologia do acervo. Foi somente em janeiro deste ano que iniciou o processo de documentação e pesquisa dos documentos e objetos para construção do acervo digital.

“Essa atividade foi desenvolvida com os bolsistas e a museóloga, durante o mês de janeiro e fevereiro, quando estive no Instituto para organização do espaço,  sendo reserva técnica, laboratório de pesquisa, sala de exposição em construção e administração. Em março, minha atividade se desdobrou entre a documentação e a comunicação, sendo a exposição virtual e acervo digital junto com os bolsistas, coordenador do projeto e profissional do desenvolvimento da plataforma do museu virtual”, finaliza a museóloga, que segue no projeto para finalizar a demanda de documentação no ambiente digital, junto aos bolsistas.

IST surge com a 10 discos chegam da Alemanha 

A ideia de trabalhar e organizar a obra de Sebastião Tapajós existe desde 2017, quando também foi fundado o Instituto que leva seu nome. Amigos e familiares estavam reunidos na casa do violonista quando a entrega de uma caixa vinda da Alemanha, enviada pelo empresário do músico na Europa, Klaus Schneider, mudou o rumo da conversa. 

“Era uma caixa com 10 LPs, e entre eles, grandes clássicos da música do Sebastião Tapajós, como Guitarra Crioula, Guitarra Latina e Terra, entre outros. E foi naquele momento que entendemos que a obra dele precisava ser cuidada de forma que não só fosse dado acesso a pesquisadores, como também fosse um incentivo para que novos talentos conhecessem sua obra. E foi assim que no dia 16 de abril de 2017, fundamos o Instituto Sebastião Tapajós”, lembra Jackson Rêgo Matos, um dos diretores e sócio fundador do IST.

Dois anos se passaram desde aquele dia até que ano passado, um incidente natural acabou acelerando o processo de organização do acervo, que estava na sala da casa, situado na parte dos fundos, de cara para o rio que inspirou o músico durante sua vida, e com a enxurrada, ela quase inundou. Por sorte não houve danos irreparáveis. De acordo com a presidente do IST, Cristina Caetano, todo o acervo foi verificado e recebeu tratamento sob todos os critérios museológicos. 

“Além da lama que se aproximava, formou-se uma cratera no quintal. Houve problemas de ordem estrutural também por conta de outra obra realizada ao lado da casa dele. Foi tudo desesperador, houve risco de desabamento. Foi aí que retomamos o contato com o atual prefeito de Belém, Edmilson Rodrigues, que quando estava deputado federal nos direcionou uma emenda que foi finalmente executada em 2022, após este incidente. Ele foi visionário, porque é difícil que as pessoas tenham essa sensibilidade para entender o valor de uma obra como essa”, diz Cristina Caetano, que finaliza sua segunda gestão a frente do IST.

Edmilson Rodrigues é um entusiasta e admirador da obra do músico. Para ele, Sebastião Tapajós é um "gênio brasileiro e um dos mais importantes músicos do universo. São poucos que extrapolam na espécie de normalidade criativa. E é emocionante perceber que ele conseguiu conciliar um talento de grande força criativa, uma formação técnica do mais alto nível com base teórica rigorosa, um estilo de singularidade extrema, e portanto, uma carreira classificável de nível clássico e formação erudita. Mas, ao mesmo tempo, desenvolveu uma produção de caráter popular como pouquíssimos músicos em toda a história da humanidade. Então, o Instituto Sebastião Tapajós faz justiça com a obra desse nosso imortal e efetivamente eterniza a obra dando para sempre a qualquer cidadão do mundo a possibilidade de conhecer a obra mais portentosa de um músico brasileiro", comentou o atual prefeito de Belém. 

Processo de atualização do site será contínuo

A maioria das coisas da exposição que inaugura o Museu Virtual Sebastião Tapajós  vieram do acervo pessoal da Dona Tanya Macião, que foi esposa de Sebastião e é a guardiã desse legado. Durante o processo do levantamento dos materiais foram encontradas muitas coisas que nem ela mesma lembrava que tinha, como uma caixa cheia de recomendações, malas antigas carregadas de memória.

“Eu convivi com um gênio, mas que era uma pessoa simples, humilde e amorosa. E é isso que se reflete neste acervo, onde destacamos esta genialidade de compositor, simples e grandioso como o rio tapajós que ele dizia ser”, comenta Dona Tanya, viúva do músico. Para ela, a disponibilização do acervo de Sebastião Tapajós na internet uma forma de dar oportunidade a todos de conhecer um pouco da vida e obra do músico.

O trabalho focado no acervo teve início em 2022. Em parceria com o programa Luz Ação na Amazônia, um projeto de extensão da UFOPA, coordenado por Jackson Rêgo Matos, quatro bolsistas da instituição foram selecionados para atuarem no trabalho com o acervo. Foram contratados profissionais da museologia e da área de conservação, além do designer para a criação do ambiente virtual da exposição. Para coordenar a pesquisa, foi convidado o historiador Dr. e professor da UFOPA, Gefferson Ramos.

“Esse museu será alimentado aos poucos, além do que já vai trazer, nesta inauguração. Este site,  a partir do incrementos que ele for recebendo,  será um instrumento de educação musical, pois além de tudo há partituras do artista que estarão disponibilizadas aos estudiosos e aos amantes da música. As pessoas também vão encontrar informações seguras e precisas sobre a obra e trajetória do músico. E não será uma coisa estática. Queremos que as pessoas entendam que o site estará sendo alimentado por outros itens que também venham a ser doados”, diz o professor Gefferson.

Ele se refere a acervos privados referentes a Sebastião Tapajós, que por ventura possam ser doados, para serem tratados e disponibilizados no site de forma pública. “Este lançamento do museu portanto, não é um ponto de chegada, mas sim de partida, um instrumento agregador sobre essa obra", conclui.

Serviço

Lançamento do Museu Virtual Sebastião Tapajós. Neste sábado, 15 de abril de 2023, a partir das 20h, no site institutosebastiaotapajos.org