10.3.10

Cinema ambiental, itinerância e um bate papo com Ismael Machado

O cinema ambiental pede passagem sob nossos túneis de mangueiras. Chega a Belém, na próxima semana, dia 15, a mostra itinerante do Festcine Amazônia, que ganhará aqui, duas sessões.

Uma especial para o público infantil e adolescente, pela manhã, no Teatro Fundação Curro Velho e, à noite, no IAP, na programação do Cineclube Alexandrino Moreira.

Na Fundação Curro Velho, o evento será visto por cerca de 300 crianças que fazem parte das oficinas ministrada na instituição.

A vinda do Festcine Amazônia acontece coincidentemente no dia da abertura do segundo módulo de oficinas do Curro Velho.

É também um momento de homenagem ao “Ano Internacional da Biodiversidade”, instituído pela AIB - A Assembléia Geral das Nações Unidas, com o propósito de aumentar a consciência sobre a importância da preservação da biodiversidade em todo o mundo.

Na sessão do Cineclube Alexandrino Moreira, a mostra será aberta com um filme do fotógrafo Alberto Bitar, premiado pelo festival do ano passado. E ainda serão mostrados documentários dirigidos por Jurandir Costa, mas com roteiro do jornalista Ismael Machado, também prata da casa.

Organizado há sete anos por uma equipe encabeçada por Jurandir Costa e Fernanda Kopanakis, em Porto Velho, Rondônia, o festival defende a natureza focando o cinema voltado às temáticas ambientalistas.

Desde 2008, o evento criou pernas e circula durante o ano por várias capitais brasileiras, e ainda pela Bolívia, Peru, Colômbia e até Portugal. Mas não será a primeira vez que a mostra itinerante chega por aqui.

Logo no primeiro ano de circulação, em 2008, a mostra dos filmes premiados, naquela edição, foi realizada na Vila Sorriso. A centenária Biblioteca Avertano Rocha, na orla de Icoaraci, recebeu a sessão, que por sinal ficou lotada.

Chegar aqui foi escolha dos organizadores, que mantém uma relação antiga ainda com o cinema paraense. Em 2005, estivemos em Porto Velho, à convite do festival, para a cobertura do evento, pela TV Cultura do Pará.

Ismael Machado, à época, estava repórter do Programa Cultura Paidégua e eu produzia as reportagens e entrevistas que trouxemos de lá. Ismael já tinha morado em Porto Velho, e conhecia bem o movimento audiovisual praticado às margens do rio Madeira.

Na ocasião, levamos vários curtas paraenses que foram exibidos em uma sessão dedicada ao cinema paraense. E na mostra oficial, entre os homenageados, estava outra paraense, a atriz Dira Paes, que recebeu uma bela homenagem.

No telão, viu-se projetadas seqüências de cada um dos filmes de sua carreira. E olha que não são poucos.

Com o Mapinguari (troféu do festival) nas mãos e muitas lágrimas nos olhos, ela agradeceu o prêmio aplaudida por uma platéia calorosa.

O pessoal do Festcine Amazônia sabe homenagear e emocionar seus convidados.

Estavam também presentes e também foram homenageados, gente como os documentaristas Jorge Bodansky e Hermano Pena, além do ator Marcos Palmeira, que levou ao festival um documentário sobre os índios Xavantes. Estávamos na terceira edição, em 2005.

No ano seguinte foi melhor e presenciamos, mais uma vez, o entusiasmo dos organizadores. Em 2006, o cinema foi para dentro dos Terreiros de Candomblé, mas também a vários outros espaços espalhados pela periferia da cidade.

É que o festival já não cabia mais nas salas de projeção. Na quarta edição, entre os convidados ilustres, cito o grande Nelson Pereira dos Santos e Zelito Viana, que nos brindaram com suas histórias vivenciadas no cinema nacional.

Em 2007, Alberto Bitar e Paulo Almeida, também paraenses, marcaram presença.

O curta “Enquanto Chove”, que estava inscrito na mostra competitiva, levou a estatueta do Mapinguari pelo Prêmio de Melhor Linguagem em Curta Metragem.

Bitar gostou tanto que, na sétima edição, inscreveu novo trabalho. E não é que levou mais um prêmio! Em 2009, “Quase Todos os dias São Paulo” (foto) venceu na categoria de Melhor Vídeo Experimental.

O filme, já disse, vai abrir a sessão que acontecerá a partir das 19h, no IAP, com a presença de Alberto, claro. O público terá chances de ver também os bastidores da itinerância de 2008, filmada paralelamente às mostras.

“Uma Só América” e “O Circo do Cinema”, ambos com roteiros do jornalista Ismael Machado, agora no Diário do Pará, são o resultado audiovisual desta empreitada. E é o próprio Ismael que nos conta um pouco mais sobre esta experiência, na entrevista que segue abaixo.


Holofote Virtual: O que dizem e mostram estes documentários?

Ismael Machado: São dois olhares sobre a itinerância do festival e, ao mesmo tempo, uma reflexão sobre a Amazônia, com seus problemas, suas possibilidades e a percepção de que podemos, como moradores dessa região, termos diálogos mais próximos.

‘Uma só América’ parte do olhar de um boliviano, o Abraham, sobre a Amazônia, como uma região sul-americana.

O Abraham (na foto abaixo) é um professor universitário, socialista, fala cinco línguas, mas vive de forma muito simples. Ele foi uma espécie de tradutor, divulgador, facilitador etc, do Festcine na Bolívia, no Peru e na Colômbia.

A ideia foi mostrar como ele via a questão amazônica. Então escrevi as falas dele que mostram essa reflexão. No fundo, é como se disséssemos que os rios que nos separam, na verdade nos unem. Somos um povo só.

Já o do Circo, foi para aproveitar o palhaço Bob. No interior de Rondônia, o Bob sempre foi uma espécie de animador de auditório antes dos filmes serem exibidos. Escrevi pensando nele como alguém que vai observando as imensas dificuldades dos moradores ribeirinhos e do interior de Rondônia.

Holofote Virtual: Como acontece a tua parceria com o Festcine Amazônia? Ismael Machado: A parceria com o Festcine na verdade, é a historia de uma amizade. Com o Jurandir Costa, com a Fernanda Kopanakis, com o Levy... Eles me convidaram para acompanhar a itinerância, como jornalista mesmo. Vivi com eles as aventuras de enfrentar as dificuldades da estrada, de levar os filmes a lugarejos pobres.

Holofote Virtual: Você acompanhou todas as filmagens?

Ismael Machado:
Acompanhei as filmagens. Uma experiência enriquecedora. Depois o Jurandir me fez a proposta de fazer um roteiro para dois documentários que seriam produzidos a partir dessas viagens.

Sem contar que combinamos de eu escrever um livro a respeito da itinerância do festival. Ele me enviou as imagens, me disse mais ou menos qual era a ideia e eu comecei a escrever o texto, indicando as possibilidades. Foi tudo feito a distancia, com muita troca de e-mails.

Holofote Virtual: Já tinha feito roteiros para documentários ou ficção, antes?

Ismael Machado:
Oficialmente foi a primeira experiência como roteirista de documentário, mas não é algo tão distante assim do universo em que vivo, já que trabalhei anteriormente em televisão, editando matérias, fazendo reportagens. Não me é um mundo tão estranho assim.

Serviço
Mostra Itinerante do Festcine Amazônia. Em Belém, no dia 15 de março. No teatro Fundação Curro Velho, das 9h30 às 12h30 e no Cineclube Alexandrino Moreira, das 19h às 22h. Entrada franca. Mais informações: 8134.7719.

Um comentário:

Marcos Antéro Sóter disse...

Olá Luciana, Ismael e eu trabalhamos juntos um tempo no jornal alto Madeira, em Porto Velho, mas depois perdi o contato, será que vc tem aí o email dele???