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26.4.21

Milton Aires estreia obra cênica de dança-teatro

Curral de Peixe compõe o projeto de pesquisa “Cena-memória: poética de atuação de um ator dançarino”, do paraense Milton Aires. A obra foi selecionada pelo Edital de Atividades Artísticas da Lei Aldir Blanc, da Secretaria de Cultura de Goiânia. A produção é da JamboeJambú, coprodução da ACERCA e apoio do IFG e BACAE. O lançamento é quinta, 29, às 20h, pelo YouTube da produtora.

No cerrado brasileiro, um artista recria ambientes e lugares de sua tenra infância até a vida adulta na Amazônia paraense. Nesse retorno ao passado, corpo e memória são os guias para um encontro com suas origens. A casa antiga nas margens de um rio, as primeiras experiências de aprendizado em família, as construções de amor, afeto e identidade. As alegrias, despedidas e saudades. 

Resultado do Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Licenciatura em Dança do IFG - campus Aparecida de Goiânia, a obra cênica de dança-teatro estava prevista para estrear em 2020,  com apoio do Edital PROEX / IFG InspirArte 2020, mas com a necessidade de isolamento social imposta pela pandemia da COVID- 19, que instituiu ao mundo inteiro uma pausa e interrupção das atividades presenciais e de aglomeração, tudo foi adiado. 

“Após três meses da pandemia no Brasil, foi perceptível que a quarentena não seria tão breve e que aquele estado de exceção perduraria sem prazo para terminar”, diz Milton Aires, que nasceu em Ponta de Pedras, no Marajó, fez carreira no teatro e dança, em Belém, e que desde 2015, vive em Goiânia (GO), onde além de estudar, criou a JamboeJambú Produtora, junto com Patrick Mendes.

As atividades foram reiniciadas em meados de julho, através de um aporte aprovado no Edital InspirArte, um programa emergencial de fomento a ações de Arte e Cultura no período de isolamento promovido pela Pró-Reitoria de Extensão do IFG – Instituto Federal de Goiás. Neste novo contexto a proposta foi atualizar o trabalho prático e adaptá-lo para o formato audiovisual. Etapa feita de forma remota pelo artista criador Milton Aires, que contou com as colaborações fundamentais do artista Patrick Mendes, que assumiu a captação e direção de vídeo, e a orientação artística de Tainá Barreto, por meio de encontros virtuais.

O desafio então passou a ser a composição para essa outra linguagem, fenômeno que naturalmente alterou a dramaturgia e as paisagens que passaram a ambientar a cena-memória em Curral de Peixe, avesso da cena-memória. Produção que obedeceu a um ciclo próprio de experiência prática. “Num primeiro momento estudamos o roteiro partindo de uma observação dos espaços da casa e quintal, que se mostraram potentes a ocupação das cenas, seguido de ensaios pontuais e testes de câmera que auxiliaram na reconfiguração do roteiro para a versão audiovisual” comenta Milton.

O passo seguinte foi trabalhar a direção de arte do espaço para atender às necessidades do novo roteiro. A ambientação e adaptação cenográfica para cada acontecimento de modo que os ambientes aludissem as imagens poéticas de um trapiche, ponte, um lago, curral de peixe e quintal de interior, paisagens essenciais que compõem a narrativa construída.

Já na última fase vieram os processos de gravação e edição das imagens capturadas, norteados por elementos da criação de vídeo-dança e videoarte, bem como, da experimentação própria da linguagem audiovisual. “Um momento prazeroso do trabalho e de enorme maturidade também. Percebemos que o encontro da cena presencial com a linguagem do vídeo se deu ali. A adaptação do trabalho reflete nosso contexto, atualiza e traduz o processo de criação enquanto obra audiovisual, transmitindo um último e necessário aprendizado, as possibilidades de um trânsito entre as linguagens na arte contemporânea” comenta Patrick Mendes, um dos realizadores.

FICHA TÉCNICA

Produção: Jambo e Jambú

Coprodução: ACERCA

País, ano, duração: Brasil, 2021, 27'

Com: Milton Aires

Direção: Milton Aires e Patrick Mendes

Orientação artística: Tainá Barreto

Serviço
Curral de Peixe, Avesso da Cena-memória Obra autoficcional de Milton Aires Estreia nesta quinta-feira, 29 de abril e ficará disponível até dia 1 de maio de 2021), no Canal YouTube / jamboejambu. Informações acesse: https://linktr.ee/curraldepeixe

Mais sobre Milton Aires aqui no blog:

18.4.19

David Matos ministra oficina de roteiro no Sesc

Foto: Camila Lima
Roteirista do programa Catalendas (TV Cultura do Pará), e das séries “Icamiabas na Cidade Amazônia” e “Brinquedonautas”, do Estúdio Iluminuras, David Matos ministra a oficina Formatação do Roteiro Audiovisual, de 22 a 27 de abril, das 14h às 17h, no Sesc Ver-o-peso. Apenas  12 vagas.

A formatação do roteiro dá uma noção aproximada de páginas por minuto no tempo de um filme. Dominar esta técnica requer, além de prática, o conhecimento de códigos fundamentais do Master Scenes, um formato simples, amplamente identificado na escrita de roteiros pela área de cinema, e que permite ao roteirista se concentrar no fundamental: contar uma história.

Não é a primeira vez que a oficina será ministrada, mas o formato precisou ser revisto, o que trouxe de certa forma, um novo desafio a David. “Com a diminuição da carga horária das oficinas na maioria das instituições – como o Curro Velho e o SESC – a onde desenvolvo este trabalho, foi preciso rever o conteúdo para ser ministrado em 20 horas, mas sem frustrar os participantes. Então, passei a usar curtas de animação para exemplificar a parte teórica/escrita do roteiro tornando o conteúdo mais divertido e simplificado”, diz ele que é roteirista de 13 temporadas do programa Catalendas (TV Cultura do Pará), e das séries “Icamiabas na Cidade Amazônia” e “Brinquedonautas”, do Estúdio Iluminuras.

Foto: Patrick Mendes
Holofote Virtual: Quais os maiores desafios do roteiro?

David Matos: O Catalendas contava histórias dentro de uma narrativa de, no máximo 13 minutos. Nas Icamiabas na Cidade Amazônia e no Brinquedonautas, do Iluminuras, esse tempo era mais curto e onde além da narrativa ainda se tem mais cuidado com o que é visto na concepção do enquadramento, os detalhes da ação num ritmo vertiginoso combinando cenário, diálogos, expressão e movimentação dos personagens. Isso tudo me levou a desenvolver hoje este curso.

Holofote Virtual: Esse curso é para quem já tem noção de roteiro?

David Matos: Para o Newton Cannito – cineasta, roteirista e escritor; Doutor em Cinema e TV pela Universidade de São Paulo – depois que se domina a técnica cada um define seu processo criativo. Acho que começar o roteiro pelas etapas básicas – log line, story line, escaleta –, antes de chegar a escrita do roteiro propriamente dito nos poupa tempo e nos garante uma limpeza da ideia a ser desenvolvida. Ou seja, lapidar uma velha máxima de que menos é mais antes de ir pra escrita do roteiro com suas linhas de ação e cenas.

É como o processo de alfabetização: primeiro conhecemos as vogais, depois as consoantes, juntamos umas com as outras e assim por diante. Mas nada impede de quem não participou da oficina anterior – Fundamentos do Roteiro Audiovisual – de participar desta. Vamos partir da formatação da escrita de uma cena para roteiro audiovisual com todos os códigos, desde o princípio.

Holofote Virtual: Estás escrevendo algum roteiro no momento? Como estão os teu projetos?

David Matos: Passo muito, mas muito tempo lapidando ideias, argumentos, tendo certeza da construção de trama, personagens e cenas. E nisso ocupo meu tempo em estudar roteiros, lendo ou observando a estrutura de novas séries. Estou em fase de pesquisa para voltar a escrever o Catalendas, que deve voltar a grade da programação local no segundo semestre, e dar ao programa status como objeto de estudo num mestrado em Comunicação Social.

Holofote Virtual: E o teatro de formas animadas? Como isso se mantém presente na tua vida?

David Matos: Venho desenvolvendo um artigo com Milton Aires, no Coletivo Miasombra, sobre nosso processo de trabalho no espetáculo À Sombra de Dom Quixote, em cartaz e em transformação desde 2010. Além disso estou investindo num processo de formação, o Coletivo IMI (Ideias Movem Ideias) para trabalhar com professores e educadores em Teatro de Bonecos com reaproveitamento de material descartável de uma perspectiva de atividades sustentáveis em sala de aula.

Holofote Virtual: Como tem sido esta experiência das oficinas?

David Matos: Sobre o curso, preciso agradecer ao Centro de Cultura e Turismo Sesc Ver-o-Peso, por meio da coordenação da Carol Abreu, do núcleo de cinema, que está me disponibilizando uma estrutura maravilhosa onde vou poder trabalhar com os alunos de forma confortável, utilizando um programa de formatação simples, mas eficiente. Esta é a minha quarta oficina de roteiros no SESC onde venho avançando por módulos. 

Serviço
Inscrições abertas até dia 22 de abril.
Período: 22 a 27/04, 
De terça à sábado.
Horário: das 14h às 17h,
Investimento:
R$ 6,00 para trabalhadores do comércio  
R$ 21,00 para dependentes, estudantes e conveniados 
R$ 32,00 para o público em geral
Local: Centro de Cultura e Turismo Sesc Ver-o-Peso(Antigo Sesc Boulevard).
Av. Boulevard Castilhos França, 522/523, Campina - Belém. 
Informações Adicionais, pelo contato:
(91) 3252-0227 / 4005-9591 e 0800-941-1242

8.6.18

"Assim Seja ..." traz o papel do cuidador para cena

“Assim Seja... O Divino High Tech” está em cartaz nesta sexta (8), sábado (9) e domingo (10), às 20h, no Casarão do Boneco, com Sandra Perlin e Maurício Franco, em cena, e Nando Lima, na direção. O ingresso custa R$ 20,00 e R$ 10,00 (meia).

Nem tragédia, nem comédia. "Tem gente que acha o espetáculo triste, mas eu vejo algumas coisas engraçadas”, diz a atriz Sandra Perlin. Maurício Franco interpreta um homem religioso da Umbanda, e ela, uma mulher doente que é cuidada por ele. Os dois vivem uma relação intensa no dia a dia e nas dificuldades em cuidar e ser cuidado. O tratamento é à base de água e ervas.

“É um espetáculo misterioso, porque que tem dia que minha personagem é temperamental. Nem eu sei como ela estará de humor, se vai estar mais impaciente, por exemplo. E quebramos com o estereótipo delicado e feminino do cuidador, que no espetáculo é um homem que tem algumas dificuldades com a delicadeza”, diz a atriz.

Uma prece aos cuidadores, que dedicam tempo enorme de sua vida ao outro, mas que nem sempre ganha reconhecimento por isso, o Assim Seja... surgiu em 2015 de uma observação sobre os cuidadores. “Quando vamos a um velório, o protagonista sempre é  o morto”, diz Sandra Perlin. “Não é comum perguntarmos quem cuidou dele, deu banho, trocou? Quem secou seu sangue e seu vômito, quem trocou suas roupas e penteou seu cabelo? Quem você cuidará e quem cuidará de você?”, reflete.

Sandra Perlin e Maurício Franco formam o grupo B.A.I. – Bando de Atores Independentes. No repertório o B.A.I. tem ainda os espetáculos  “Três”, “Seis Meses” e “Pro Ensaio Geral”, da Trilogia de Mitos. Lembro de ter visto no Maria Silvia Nunes também “O Outro e a Mulher Morta”, que tinha como ponto de partida a obra “Medéia”, um clássico do dramaturgo grego Eurípides. Tinham vários atores em cena, misturava a linguagem cênica com recursos do audiovisual, uma boa equipe técnica por trás, com de Maurício Franco e de Milton Aires. 

“Somos um bando porque sempre convidamos artistas e outros profissionais para somar conosco", diz Sandra."A dramaturgia de Assim Seja... traz, por exemplo, a estética do grupo, mas quem vem dirigir a gente é o Nando Lima. Embora ele amalgame e se una a isso, também insere uma trilha sonora que tem tudo haver com a estética do Reator, que é o seu espaço de criação e atuação”, continua Sandra Perlin.  

"Assim Seja... " conta também com Pauli Baños, na operação da sonoplastia, e o Dudu Lobato, que fez os registros fotográficos e audiovisuais, e a Andrea Rocha, na produção.

Já fez pelo menos cinco temporadas na cidade e volta ao Casarão do Boneco, dentro das Temporadas CDB, projeto dos integrantes do coletivo que utiliza o casarão para ensaios e que buscam escoar suas produções, mas nem sempre conseguem se inserir na estrutura de pautas dos teatros da cidade e encontram no casarão uma possibilidade sustentável de apresentar seus espetáculos.

Desde 2014 o Casarão do Boneco vem se firmando com atividades regulares abertas ao público, programações das mais variadas: oficinas, espetáculos, rodas de conversa, residência artística, workshops ocupando seus diferentes espaços.  Ao todo são mais de 40 artistas entre atores, iluminadores, contadores de histórias, produtores, designer, fotógrafo, dançarinos, bonequeiros, uma polivalência artística que alimenta a casa. 

Serviço 
Temporadas CDB. Ingressos 20 reais (inteira) e 10 reais (meia-entrada). No Casarão do Boneco (Av. 16 de Novembro- 815, entre Veiga Cabral e Pça. Amazonas). Assim Seja, o Divino High Tech (Bando de Atores Independentes). Dias 08,09 e 10 de Junho, às 20h - Classificação: 16 anos.

10.10.17

Projeto traz experiência em residência artística

A“Amostra-Cena In/Visível” é composta de workshop, mostra cênica e bate papo, tendo como foco os relatos e trocas de experiências do projeto “Dançar o Invisível: Intercâmbio Artístico em Dance-Theater”, contemplado pela Fundação Nacional de Artes – FUNARTE no edital Bolsa Funarte para Formação em Artes Cênicas 2016 – Residências em Circo, Dança e Teatro. A programação é gratuita e será realizada nos dias 13 e 14, na Escola de Teatro e Dança da UFPA.

"Amostra-Cena In/Visível”, que chega a Belém nesta semana, é uma ação de compartilhamento de experiências e vivências em dança e teatro, sendo resultado da residência artística vivenciada entre o ator e bailarino Milton Aires, com o dançarino e coreografo de butô, Tadashi Endo, no Butoh Centrum MAMU, na cidade Göttingen na Alemanha; e nas vivências com as coreografas: Maya M. Carroll, em curso intensivo na escola CND em Lyon, França; Workshop intensivo com Nina Dipla, no Studio Menagerie de Verre, em Paris.

Os intercâmbios ocorreram entre julho e setembro deste ano, trabalhando temas como criação e pesquisa de movimento coreográfico, dramaturgias e performance pessoal, que consequentemente serão abordados na “Amostra-Cena In/Visível”.

A intenção é que, a partir de processos de formação em residências e intercâmbios artísticos realizados na Alemanha e na França no ano de 2017, se dê continuidade à residência artística, no Brasil, com o intuito de expandir as ações do projeto por meio da formação e oferecer uma contrapartida à sociedade e artistas brasileiros, promovendo momento de troca. A proposta busca contemplar espaços e lugares que possuam relação artística pulsante e ascendente culturalmente.

Programação > Belém

(I) Workshop “O In/visível no Corpo Dança Teatro”
 _Dias: 13 e 14 /Out/2017 _Horário: 10h as 14h 

(II) Amostra-Cena In/visível: Demonstração de processo -in progress
_Dia: 14/Out/2017 às 19h
Demonstração de cenas, células coreográficas e dramatúrgicas, pesquisadas e criadas em processos de intercâmbio.

(III) Um papo visível: diálogo criativo sobre formação em residência.
_Dia: 14/Out/2017 _ Após apresentação 

Serviço
Inscrição no e-mail: jamboejambu@gmail.com. Intensivo de trabalho em dança e teatro para atores e dançarinos, focado no corpo como reduto de investigação e criação da performance cênica inventiva e autoral. Programação gratuita. A Escola de teatro e Dança da UFPA fica na D. Romulado de Seixas, 820, Umarizal, Belém.

17.11.15

"Órfãos do Eldorado" filma a estética do imaginário

Daniel OLiveria e Guilherme Coelho
Adaptar Milton Hatoum, embora ele nos sugira imagens cinematográficas em suas narrativas, não parece ser tarefa lá muito fácil, mas foi o que o diretor, roteirista e produtor carioca Guilherme Coelho fez, ele adaptou o romance “Órfãos do Eldorado”, escrito em 2008, para o cinema, realizando o primeiro longa de ficção de sua carreira, que sempre foi mais voltada ao documentário. O resultado nos remete a um imaginário atuante e de poética visual, além de uma adaptação brilhante, que fazem do filme, um dos melhores já realizados, tendo como pano de fundo a Amazônia, só que mais... Esqueça os clichês. 

O filme acaba de estrear no circuito comercial, mas a sessão de pré-lançamento, em Belém do Pará, no dia 9 de novembro, numa sala do Cinépolis, ainda está na retina. Foi lotada e emocionante. Concorida. Na trama tem abuso sexual e incesto, que são revelados de forma silenciosa, por pequenos gestos, mas também por cenas repletas de sensualismo e nudez. 

E também fala de desejo e vingança, fala de injustiças sociais e abuso de poder, fala de solidão, ódio e amor. Os conflitos familiares que marcam os romances de Hatoum, estão presentes. O autor também aparece no filme, já numa sequencia final, mas simbólica. E tudo isso em meio a uma fotografia transgressora do tempo, favorecida pela montagem, que nos leva pra dentro daquela história.

Cena tensa, com Daniel Oliveria e Dira Paes
O par protagonista é Dira Paes e Daniel de Oliveira. No elenco, ainda, uma constelação de paraenses, como Henrique da Paz, Adriano Barroso, Natal Silva, Paulo Fonseca, Milton Santos de Jesus e Cleodon Gondim, entre outros atores e profissionais que também atuaram na produção local do filme.

O público que não conseguiu cadeira, sentou-se na escada, uma não prática da direção do cinema, que naquele momento teve que se dobrar ao desejo do público de ficar e assistir o filme. “Foi uma ótima surpresa ver o interesse das pessoas no livro do Milton, no nosso filme, no trabalho dos atores. Estou realizado. Mostrar o filme em Belém, e ser recebido como um filme ‘de’ Belém, é uma das melhores coisas que eu poderia querer”, ressalta o diretor Guilherme Coelho.

A trajetória de Arminto Cordovil (Daniel Oliveria) e Florita (Dira Paes) em Órfãos do Eldorado, levou 30 dias pra ser filmada e mais de um ano pra ser finalizada e chegar ao lançamento. Rodado no Pará, o filme foi teve  a maioria das cenas na capital e Icoaraci. Nos quatro últimos dias, ainda imprimiu toda a beleza das pequenas praias e ilhas situadas no Arquipélago das Anavilhanas, no Rio Negro.

Belém, em primeiro plano

Mariana Rios, uma das cenas com Daniel
“Pesquisamos também filmar em Óbidos, Bragança, Parintins e Itacoatiara. Mas eu tinha, e tenho agora ainda mais, uma relação afetiva com Belém. Belém é a musa do filme. Belém nos vestiu com a sensibilidade que precisávamos pra encarar a responsabilidade com a obra literária do Milton (mas também do Dalcídio Jurandir), e honrar a tradição das artes visuais do Pará. Todos nós, equipe e elenco, saímos transformados do filme, e Belém é a grande responsável por isso”, diz Guilherme Coelho, entusiasmado.

Todo este entusiasmo é de se entender melhor ainda ao saber que Guilherme Coelho tem raízes paraenses. O diretor disse que já tinha vontade e era um sonho antigo filmar no Pará. “Meus avós são paraenses. Ou melhor, minha avó é paraense, e meu avô tem ‘do Amazonas’ no sobrenome – mas cresceu em Belém. Eu nunca tinha ido a Belém, ou ao Norte, até oito anos atrás quando fui fazer um documentário pra ONG de educação da Bia Cardoso, num projeto dela em Paragominas”, conta Guilherme Coelho, que ainda esteve por três dias em Belém pra pesquisar sobre a vida de seus avós.

“E me apaixonei. Amor mesmo. Eu amo Belém, amo as conversas sobre livros que se têm nas esquinas, a tradição da fotografia paraense, a comida, a música, os amigos que eu fiz e que nestes últimos oito anos me fizeram ser quem eu sou”, comenta.

Desde o lançamento até aqui, Guilherme Coelho não parou. Já deu inúmeras entrevistas, participou de debates realizados nas estreais do filme em festivais no Rio de Janeiro, entre outros compromissos, que estão impulsionando a carreira do filme.

“A repercussão tem sido ótima pra mim, pois tenho visto que o filme continua com as pessoas, dias depois de assisti-lo, e que a história do filme é completada pela imaginação dos espectadores. Isso no Rio, em Varsóvia, em Chicago, em São Paulo e agora, de volta às origens, em Belém também”, disse o diretor ao Holofote Virtual, entre outras coisas que você lê a seguir.

Daniel Oliveria filma em um bar na Cidade Velha
Holofote Virtual: O roteiro funde personagens e omite outros para livremente trabalhar a profundidade das personagens Arminto e Dinaura, ela uma peça fundamental na história. Fala um pouco sobre este processo de adaptação do livro para o roteiro, como fostes enveredando pelas opções eleitas para a tela.

Guilherme Coelho: Pois é, o processo de adaptação não foi fácil. Acho que mais importante que entender qual história contar, os realizadores de cinema devem hoje pensar como contar qualquer história. Em ÓRFÃOS, o “como” para influenciou muito o “o que”. Descobri cedo no processo que o caminho para trazer às telas o lindo livro do Milton seria ter liberdade para criar uma narrativa sugestiva, que nos permitisse filmar, atuar e assistir ao filme com subjetivação.

Eu queria deixar que a espectadora completasse a história do filme, com suas fantasias e vivências. Acho que hoje no cinema não se trata mais em falar de “finais abertos”, mas sim em “filmes abertos”, com múltiplas entradas para os espectadores. Assim, o filme continua na cabeça de cada um, de diferentes maneiras. A experiência estética me parece mais interessante, tal como um bom livro que completamos com nosso imaginário, ou uma instalação de arte contemporânea.

Adriano Barroso e Guilherme Coelho, pré-estreia em Belém
Holofote Virtual: Você trabalhou com atores incríveis, citando os daqui, temos Henrique da Paz e Natal Silva, que estão muito bem, assim como Adriano Barroso, ator que já acumula uma experiência e segue atuante no cinema, mas também com Cleodon Gondim, velha guarda do teatro e jornalista, e ainda um elenco com pessoas necessidades visuais. Como foi tudo isso?

Guilherme Coelho: Só a Dira podia falar Florita. Só o Daniel de Oliveira tem a doçura e a loucura pra viver o Arminto. A Mariana Rios foi uma descoberta maravilhosa pra mim, e levou o filme pra outro lugar. O Adriano Barroso foi das primeiras pessoas que conheci em Belém, e escrevi o papel pra ele. O personagem dele no filme é uma fusão de três personagens do livro. Natal, Henrique da Paz, Paulo Fonseca, Cleodon, Milton Aires, Luciana Borges, Keila Gentil, Paulo Sergio Farias e até o Milton Hatoum. Estes foram o sal da terra do filme. Atores de teatro e cinema do Norte do país, que me ajudaram a conjugar a segunda pessoa do singular de maneira correta, e deram ao filme uma autenticidade na atuação que nós buscávamos.

Hatoum e Guilherme em debate do filme no Rio de Janeiro
Holofote Virtual: A primeira cena na praia é surreal. Vira e mexe ela se repete ao longo da história. Quais foram suas referências para construir esta sequência, ela é muito emblemática, ficou na minha cabeça...

Guilherme Coelho: Essa cena é especial por ter sido atuada de maneira vigorosa pela Dira Paes, com enigma pela Mariana Rios, e com candura pelo jovem Arthur Codeceira. A luz do Adrian Teijido, no final de uma tarde que choveu cântaros, e a arte da Marghê Pennacchi criaram a atmosfera, algo além do real. E finalmente, os cortes descontínuos da montagem da Karen Harley deram à cena uma sintaxe de sonho. E eu espero que, em sonho, o espectador continue relembrando o filme.

A sequência de abertura está no livro de maneira muito parecida com o que temos no filme, o que é uma felicidade pra mim. O Milton nos deixou tão livres para criar uma outra obra, a partir da obra dele, que eu fico feliz que a primeira cena do filme, a cena que tenta nos colocar em outro tempo e espaço, seja tão fidedigna ao livro.

Holofote Virtual: O filme trata de conflitos familiares, de abuso sexual, amor entre irmãos. O final sugere rendenção, ou pior um novo ciclo para a mesma história, enfim,  deixa o público meio atônito (risos). Sempre foi este o desfecho escolhido pelo roteiro ou o filme foi te mostrando o caminho?

Guilherme Coelho: A adaptação foi nos levando pra uma redenção pra esta história, que pode ser encarada como uma tragédia. Mas tragédias não tem redenção, então... A cena final, assim como a cena de abertura do filme, são muito parecidas com o que o Milton descreve no livro. Mas no filme, o final tem uma personagem que não está no livro, e que muda o sentido da história – e a vida do Arminto.

Elenco paraense reunido na pré-estreia em Belém
Holofote Virtual: O longa já está no circuito comercial. Como enxergas este universo da distribuição, hoje, no Brasil, com salas digitais, isso facilitou a vida do produtor e para a carreira dos filmes brasileiros?

Guilherme Coelho: Eu acho um enigma a distribuição e exibição de cinema. São tantas variáveis que contribuem para a venda de ingressos, que eu prefiro não pensar muito nisso e trabalhar pra fazer o melhor que eu posso em cinema artesanal – um termo que eu acho melhor que “autoral”. Eu só sei que o modelo econômico deste cinema artesanal, de arte, independente, está em crise no mundo inteiro. Mas não tem jeito, temos que continuar fazendo cinema, e cinema como laboratório da vida. Assim, a arte vence o mercado.

Holofote Vitual: Órfãos do Eldorado, teu primeiro longa de ficção. Um desafio? 

Guilherme Coelho: Eu fiz documentários nestes últimos 15 anos, e espero em breve voltar a fazê-los. Documentários de cinema direto, e de cinema de encontro, de entrevistas. Filmes ligados ao realismo, ao naturalismo. O grande desafio pra este projeto do ÓRFÃOS foi como conceituar um filme estilizado, com estranhamento, que depende de uma construção de uma atmosfera, de um clima. E isso é feito com a direção de arte. 

Os meus amigos Marcelo Gomes e Marcos Pedroso, e a diretora de arte, Marghê Pennacchi me ensinaram muita coisa, e eu adorei a experiência. Ficção é sobre nós. Documentário é sobre os outros. Mas não acredito que exista tanta diferença entre os dois gêneros. Acredito é que temos que aproximar a ficção do documentário e o documentário da ficção, como Godard definiu o melhor cinema.

Holofote Virtual: A estadia aqui na região te inspira a outros trabalhos?

Guilherme Coelho: O único problema de filmar na Amazônia é que quando acaba a produção, só lhe resta a Islândia, a Patagônia, a Nova Zelândia e talvez Galápagos. Rs. Eu quero me encantar de novo por uma geografia. Mas eu prometi aos meus filhos que o próximo filme seria no Rio, pra eu não ter que viajar tanto. Vamos ver se eles se lembram dessa promessa. 

29.7.15

Territorio Paranoá e a Cultura do Pará em Brasilia

“Território Paranoá – o Cerrado Amazônico” abre hoje, 29, no Complexo Cultural da Funarte em Brasília, destacando a cultura paraense, com mostras que vão da gastronomia ao teatro, do cinema ao artesanato e, claro, à música. A iniciativa é do grupo de Belém, Miasombra, contemplado com o Edital de Ocupação do Teatro Plínio Marques – Funarte.

Até o mês de dezembro, Brasília será palco de mais uma ação de ocupação multicultural, e que propõe um novo eixo artístico no país. 

A cidade, reconhecida por sua multiplicidade gerada por nortistas, nordestinos, cariocas, paulistas, mineiros, indígenas, calungas e tantos outros povos e etnias, recebe, a partir desta quarta-feira, 29, até dezembro deste ano, o projeto “TERRITÓRIO PARANOÁ – EIXO CERRADO AMAZÔNICO”, que trará a diversidade da produção artística e criativa do Distrito Federal, Belém (PA) e Goiânia (GO). 

Os quentes da madrugada - carimbó
A iniciativa é do Coletivo Miasombra, grupo de Belém, que em parceria com A Trama – Associação de Teatro e Dança da Amazônia, com patrocínio do Ministério da Cultura, Governo Federal, por meio do Edital de Ocupação do Teatro Plínio Marcos 2015, para o Complexo Cultural Funarte no Distrito Federal. 

Contemplado em outros editais como Prêmio Myriam Muniz 2009 – Funarte; Festival de Cenas Curtas Galpão 2011 – Prêmio especial do Júri e Edital Pauta Mínima 2014 – Grupo Teatro Cuíra do Pará, o Miasombra é um coletivo de artistas que pesquisa desde 2009, o Teatro de Animação, Teatro de Sombras, Cinema e Performance. De forma colaborativa, horizontal, surge na cidade de Belém o Coletivo Miasombra, ligado diretamente ao Estúdio Reator, que se dedica ao estudo da performance do teatro, artes plásticas e tecnologia. 

O núcleo atuante do coletivo é composto por: Aline Chaves, David Matos, Luciana Medeiros, Milton Aires, Márcia Lima, Patrick Mendes e Thiago Ferradaes. Em seu repertório possui a premiada cena, “Makunaíma em a Àrvore do Mundo e a Grande Enchente” e o espetáculo “À Sombra de Dom Quixote”, contemplados pelos prêmios e editais:

Teatro, música, artesanato e cinema

A programação do Território Paranoá – O cerrado Amazônico inicia hoje (29), com a “SEMANA PARAENSE DE CULTURA” – dedicada às expressões culturais do Pará, com destaque para as Artes Cênicas, Cultura Popular, Gastronomia, Música e Artesanato, sendo todas as atividades gratuitas.

Todos os dias, a partir das 17h, são instaladas barracas tradicionais no Jardim da Funarte, no Eixo Monumental. Artesões, cozinheiros e coletores de ervas explicam a origem dos pratos, transmitem a sabedoria do Pará e expõe a arte regional.

O artesanato regional é um caldeirão de misturas, com técnicas indígenas, cabocla e amazônida. No repertório estão colares, cerâmicas, cestaria, trabalho em látex e outros materiais. Algumas com característica utilitária, e muitas destinadas ao adorno, transmitem beleza e exuberância ao espaço que ocupam.

Paralelo às barracas, a partir das 19h horas de 29 a 31 de Julho, 18h no dia 1 de Agosto, e 20h em 2 de Agosto, há uma diversificada programação, que envolve teatro com bonecos, grupo de carimbó e sessões de cinema.

Cinema - A Mostra de Cinema do Território Paranoá será realizada, nesta primeira etapa, nos dias 29 e 30 de julho. Na primeira sessão, dia 29, a Mostra reúne filmes da cineasta paraense Jorane Castro. 

Serão exibidos curtas metragens de ficção dirigido por ela em três fases da carreira: “As Mulheres Choradeiras”, de 2000, “Quando a Chuva Chegar”, de 2006 e “Ribeirinhos do Asfalto”, que traz no elenco a atriz Dira Paes, realizado em 2010. 

Também serão exibidos os curtas documentais “Mãos de Outubro”, de 2009, com direção de Vitor Souza Lima, e “Ópera Cabocla”, de Adriano Barroso, ambos com produção executiva de Jorane Castro por meio de sua produtora, a Cabocla Filmes. Na ocasião estarão disponíveis para venda os DVDs com os curtas.

No dia 30 de julho, o público assistirá a três documentários do projeto Visceral Brasil, com Dona Onete, Mestre Laurentino e Mestre Vieira, ícones da cultura paraense, todos com mais de 70 anos de idade e ainda em franca produção. 

Música - Um dos destaques vai para a Gang do Eletro - formada em 2008 e ganhadora do Prêmio Multishow em 2012, a trupe mistura música dance europeia com carimbó, tecnobrega (ritmos locais), adicionando pitadas latinas de cumbia e reggaeton.O grupo de carimbó Os Quentes da Madrugada também está na lista de atrações, oriundos da Irmandade de Carimbó de São Benedito – fundada em meados do século XIX, na cidade de Santarém Novo. Os “Quentes” são fiéis à origem do ritmo, da mesma matriz africana do samba e paraense por excelência.

In Bust teatro com Bonecos
O músico e produtor Manoel Cordeiro, e sua banda, trazem um show que sintetiza as sonoridades suburbanas e influências caribenhas, lambada, o boi-bumbá, o carimbó, e coloca em primeiro plano suas composições e seu estilo. Música instrumental virtuosa, mas cheio de dança.

Teatro  O Grupo In Bust teatro com Boencos tabéme Sá com uma mostra de seu trabalho. Vão apresentar tr6es espetáculos, “Curupira”, “Fio de Pão”, “Sirênios”, todos com temáticas e pesquisa voltadas para a Amazônia.

PROGRAMAÇÃO
29 (quarta)
17h. Feira de comidas típicas, artesanato, ervas amazônicas (Jardim da Funarte)
19h. Cine Paranoá  (Jardim da Funarte)

Sessão Amazônica - Mostra Jorane Castro – Cabocla Filmes
As Mulheres Choradeira (15 min)
Quando a Chuva Chegar (15.min)
Ribeirinhos do Asfalto (15 min.)
Mãos de Outubro (20 min.)
Ópera Cabolca (26 min.)

30 de julho (quinta)
17h. Feira de comidas típicas, artesanato, ervas amazônicas (jardim da funarte)
19h. Cine Paranoá (Jardim da Funarte)

Sessão Pai D'égua  - Mostra Visceral Brasil – Dir. Márcia Paraíso
Dona Onete - A encantadora de botos (26.min)
Estilo Laurentino (26 min.)
O Sotaque da guitarra – Mestre Vieira (26min.)

20h. Curupira - 10 milhões de nós - In Bust teatro com bonecos (PA) (Teatro Funarte Plínio Marcos)

31 de julho (sexta)
15h. Território de Diálogos Culturais (Teatro Funarte Plínio Marcos)
17h. Feira de comidas típicas, artesanato, ervas amazônicas (Jardim da Funarte)
19h. Fio de Pão - A Lenda da Cobra Norato / In Bust Teatro com Bonecos (PA) (Teatro Funarte Plínio marcos)
20h. Os quentes da madrugada (PA) (grupo de carimbó) (Teatro Funarte Plínio Marcos)

1° de agosto (sábado)
17h. Feira de comidas típicas, artesanato, ervas amazônicas (Jardim Funarte)
18h. Sirênios / In Bust Teatro com Bonecos (PA) (Jardim Funarte)
21h. Gang do Eletro (PA) (Teatro Funarte Plínio Marcos)

2 de agosto (domingo)
17h. Feira de comidas típicas, artesanato, ervas amazônicas (Jardim Funarte)
20h. Manoel Cordeiro (PA) (Teatro Funarte Plínio marcos)
21h. Os quentes da madrugada (PA) (Jardim Funarte)

Local
Eixo Monumental, Setor Divulgação Cultural - Brasília, DF, 70070-350
(61) 3322-2076"

6.1.15

Reator: mês híbrido e sensorial nas Onze Janelas

O ano começa ousado, com a abertura da Ocupação REATOR, nesta quinta-feira, 8 de janeiro, no Centro Cultural Casa das Onze Janelas. A programação traz ao público um recorte da produção já desenvolvida, em quatro anos de fundação do Estúdio REATOR, um espaço que para além das experimentações, traz vivências sensoriais aos que o frequentam. Nando Lima, fundador do espaço, conversou com o Holofote Virtual e falou mais sobre o pensamento do Reator e da ideia da ocupação.

“O REATOR vai bem obrigado”, me diz Nando Lima, quando pergunto sobre o planejamento para este ano. 

“Estamos começando o ano assim, saindo um pouco de casa, nos expondo”, continua o cenógrafo, diretor teatral e performer paraense, uma das cabeças mais inventivas e criativas que eu conheço no meio artístico paraense, um mestre em se apropriar da solidão e criar, através da performance, uma personagem para melhor se conhecer.

Desde 2010, quando iniciou suas atividades, o Estúdio Reator já foi o "palco" e o laboratório, não importa em que ordem isso acontece, de espetáculos diversos, híbridos, que abraçam várias linguagens - a dança, o teatro, a performance, a música, a instalação sonora, uma exposição fotográfica, a criação de vídeos, projeções, e muitas vezes, isso tudo se mistura, resultando em algo que pode ficar entre o sonho e o irreal, o absurdo e a realidade, mas se concentra em arte, aquela que em seu estado puro, provoca o homem.

Há quatro anos, acreditando na experimentação da performance, na troca artística e sensorial, em produzir coisas que possam mexer um pouco com o marasmo que existe dentro de nós, presos em nossos cotidianos, o Estúdio Reator parece que não coube mais em si, somente ali, localizado na Trav. 14 de Abril, em Belém do Pará.

A ideia da Ocupação Reator, na Casa das Onze Janelas, é levar para um espaço público, a sua própria vivência,  pontuar um pouco do tudo que nestes último anos, artistas que passaram por lá, criaram, colaboraram ou se fundiram com o Reator, como, entre outros, Andreia Rezende, Milton Aires, Pedro Olaia, Leo Bitar, David Matos, Danilo Bracchi, Jeferson Cecim, Sônia Nascimento, Maurício Franco, Marcia Lima, Thiago Ferradaes, Luciana Medeiros, Ana Lobato, Adriana Cruz, Marluce Oliveira, Valeria Andrade, Marcelo Rodrigues, Ana Cláudia e Cristina Costa. Vindos de áreas de diversa, eles se encontram no que seriam os princípios do Reator.

“Começamos a achar algumas identidades possíveis, mostrando nossas performances híbridas e arriscadas, não conformadas e ou debochadas. Repercutimos na cidade, participando de bolsas  de criação artística, ou recebendo alunos da ETDUFPA para visitas, e para além; em frentes como São Paulo, e nos pixels da internet. Além do trabalho do 'ar', que são os encontros para conversas regadas ao vinho e ao pão na 'laje' , de onde tem saído parcerias e projetos.

Para melhor traduzir o clímax do Estúdio, na abertura, dia 8, a partir das 19h, além da instalação, já disponível na ocupação, haverá apresentação de performances e o Bar Reator estará aberto ao público, que vai interagir com trechos de “Red Bad”, performance de Jeferson Cecim, que já esteve mais de uma vez em temporada no Estúdio Reator, sendo depois disso, também apresentada em São Paulo; de Sweet Batata, com Nando Lima e Moon, com Andreia Rezende. Todas estas montadas e apresentadas no Reator.

Depois da abertura da Ocupação, o público será convidado a participar de várias Fusões, que se estenderão até dia 23 de janeiro, último dia da ocupação. Quem estiver ou passar por lá, poderá compreender melhor o espírito do Estúdio Reator, so qual nos fala mais, Nando Lima, na entrevista que segue. Após o bate papo com ele, você tem mais detalhes sobre a programação e links com textos sobre s ações do Reator, que já foram publicados pelo blog.

Holofote Virtual: Nando, qual a ideia principal desta ocupação?

Nando Lima: Essa Ocupação REATOR acontece a partir do convite do Armando Queiroz, para ocupar o Centro Cultural Casa das 11 Janelas, agora em janeiro de 2015. 

O REATOR gera, há 4 anos, performances em progresso, trabalhos assinados individualmente mas cujo os processos de construção admitem e assimilam interferências de outros artistas, e ao serem colocados à publico necessitam interagir,como um pingue-pongue sensorial. Essencialmente a Ocupação REATOR abarca esses trabalhos revigorando as suas interfaces, misturando-os, retroalimentando construtos, relendo-os.

Holofote Virtual: A programação escolhida é tudo o que já passou pelo Reator?

Nando Lima: A programação engloba quase tudo que foi feito no REATOR desde 2010, ano em que abri o Estúdio. A proposta veio em dezembro, a partir de uma conversa com o Armando, o que me deu um tempo curto e por isso quase impossível para produzir os conteúdos, parcerias, mídia, etc, já que vamos abrir a Ocupação REATOR publicamente nesta quinta-feira, 08 de janeiro 2015, às 19h.

Holofote Virtual: Como vem sendo construída a ocupação?

Nando Lima: O programa foi e está sendo discutido com os parceiros com quem costumo trabalhar, em reuniões com as pessoas e longas horas de elaboração das "oficinas".

Fizemos visitas ao espaço da Casa: a sala Valdir Sarubbi, para prospecção; a construção do espaço virtual no Second Life, do ambiente da Ocupação REATOR. Tudo isso vai determinando o que será mostrado, ou o que acontecerá, o que será posto e se instalará: Simbiótica mistura de vídeos, fotografias, objetos e adereços cenográficos, sonoplastias, equipamentos, que constroem um ambiente propício para a convivência e o estímulo entre artistas e público.

Holofote Virtual: Por onde passa a interação com o público?

Nando Lima: Intensamente, a Ocupação REATOR, além de ser um espaço que está aberto a visitação pública, será um lugar de trabalho permanente. De 08 a 23 teremos um "túnel" interativo, com conversas, troca de experiências, exercícios de linguagem. Será um lugar de passagem, mas principalmente, um ambiente de confluências com atmosferas diferenciadas, em permanente alerta ao ato criativo, as subjetividades, a filosofia, ao risco.

Holofote Virtual: O que há de novo em 2015?

Nando Lima: Em fevereiro de 2015 começamos a mostrar a performance "à Sombra dos Homens Ausentes", um trabalho sobre narcisos, espelhos, abraços, e saudades, contando comigo e Dudu Lobato.

Holofote Virtual: Você acha que Belém vem atentando mais para os espaços independentes?

Nando Lima: Eu acho que finalmente estamos percebendo que a liberdade de criação cabe em fortes, potentes, e pequenos frascos, e que essas essências podem ser raras, e que decidimos para quem queremos oferecer.

Holofote Virtual: E o que mais podemos esperar de você em 2015

Nando Lima: "Eu sempre quis muito/ Mesmo que parecesse ser modesto/ Juro que eu não presto/Eu sou muito louco, muito..."  (Caetano Veloso)

Holofote Virtual: Você é massa, massa.... (risos)

Nando Lima: Eu permanentemente estou em estado de criação; fiz 51 anos e descobri que eu adoro ter essa idade, e poder fazer o que me interessa, acordo e rego as plantas, tomo café... e penso: qual é a performance  que vou fazer hoje? Tenho tantos projetos e tantas possibilidades, e melhor: o meio para realizá-los...

Estou fazendo isso neste momento, enquanto escrevo e respondo pra vc; a criação  não "vem" ela é! o cotidiano e suas burrices estão nos cercando o tempo todo... mas há uma dimensão em que as outras coisas vibram... dou um pulo e nessa "vibe"  permaneço.

Veja + detalhes da programação

De 09 a 11 (15h às 19h), tem a FUSÃO 1- MODOS Híbridos vai propor e realizar a gravação, em vídeo, com depoimentos de artistas que passaram pelo REATOR e suas propostas. 

Dirigido e gravado por Ana Lobato e Marcelo Rodrigues, essa atividade acontece de maneira aberta dentro do espaço da Ocupação, e após a gravação, os arquivos de vídeo se incorporarão, ao acervo do Reator que estará sendo mostrado. No dia 10, às 19h, também está o lançamento do filme “Rosalina”, de Ana Lobato.

De 13 a 17 de janeiro, a FUSÃO 2 (15h às 19h) – Casa da Performance convida artistas e outros interessados, a participarem do programa, que focado na performance, dialogará com o público através de interações e exercícios de linguagem; que acontecerão dentro da OCUPAÇÃO REATOR. Os temas debatidos e os exercícios sensoriais vão ser trabalhados durante 4 dias seguidos, de maneira a construir uma performance a ser mostrada no dia 17 de janeiro.

De 20 a 23 de janeiro, a FUSÃO 3 (15h às 19h) traz o  workshop RESOLUME, ministrado por Nando Lima. Ele repassará as noções básicas do Resolume, um programa para interações em performances com vídeo e som, uma prática de Nando, dentro do Estúdio Reator. Ele abordará desde o modo de Construção de "Composições", no programa, até a interação entre som e imagem, chegando ao Clímax, chamada apresentação final.

Para participar da Fusão 2 – Casa da Performance, é necessário se inscrever no dia da abertura da Ocupação, ou baixar o aplicativo do Reator no link  http://apps.appmakr.com/reator1 e se inscrever desde agora através dele.

Anote: Ocupação REATOR. De 8 a 23 de janeiro de 2015, no Centro Cultural Casa das Onze Janelas – Complexo Feliz Lusitânia (Rua Siqueira Mendes, s/n - Cidade Velha, Belém-PA). Realização: Casa das Onze Janelas e Estúdio Reator.

O que já rolou pelo Reator

Parceiro do Reator, o blog tem acompanhado diversas de suas criações. Fiz aqui um apanhado de links, com textos que já foram publicados ou construídos pelo Holofote Virtual, e que também podem ajudar a percorrer as entrelinhas desta história. São textos sobre o show Invento, com Sônia Nascimento, a estreia do espetáculo À Sombra de Dom Quixote, Red Bag, Sweet Batata, entre tantas outras ações de Nando Lima, que partem da pesquisa sobre uma performance tramada à luz e som.

LINKS

Em 2011

Em 2012

Em 2013

Em 2014

23.10.14

Histórias para adultos ganham espaço no Sesc

Intitulada “Contação de Histórias para Adultos”, a programação teve, na última terça-feira, 21, o ator Milton Aires, que nos contou várias histórias em seu "Makunaíma - Cosmogomias Ameríndias”.

O ator trouxe de volta um trabalho que iniciou em 2010/2011, com uma pesquisa que resultou na curta cena “Makunaíma: Em a Árvore do Mundo e a grande enchente”, apresentada em São Paulo, na Sede Luz do Faroeste, e depois no 12º Festival de Cenas Curtas, do Galpão Cine Horto, em Belo Horizonte.

Para a contação de história no Sesc, Milton fez adaptações. Agregou à narrativa, a voz, para contar histórias que envolvem Macunaíma, um mito brasileiro, imortalizado pela obra de Mário de Andrade que o chamou de Herói sem Caráter. A ideia, porém, é dar continuidade à montagem do espetáculo, que explora basicamente ruídos e movimentos corporais.

A contação de histórias funcionou como um despertar de retorno para Milton que, em Makunaíma: Em a Árvore do Mundo e a grande enchente, se desdobra em cinco personagens na cena. Baseando-se nas histórias sobre a origem do mundo contadas a partir dos mitos indígenas, o espetáculo mostra as aventuras de Macunaíma e seus irmãos em busca de comida numa época de escassez na Amazônia.

As histórias do espetáculo fazem parte do trabalho do estudioso alemão, Theodor Koch-Grünberg, publicadas em Berlim no início do século passado. Theodor viajou várias vezes pelo Brasil, a primeira delas em 1896, como membro da expedição liderada por Hermann Meyer, que buscava alcançar a foz do Rio Xingu. 

Sua contribuição é fundamental para o estudo dos povos indígenas da Amazônia, seus mitos e suas lendas. Suas observações e relatos de viagem constituem uma importante fonte para a antropologia, a etnologia e a história indígena.

Os mitos transcritos por Koch-Grunberg também foram utilizados por Mário de Andrade no seu Macunaíma – o herói sem nenhum caráter (1928), que transcreveu, às vezes literalmente, as narrativas registradas pelo etnólogo ao narrar muitos dos episódios vividos por Macunaíma e por outros personagens desse romance marco do modernismo brasileiro.

Na torcida para ver o espetáculo para o qual tive o prazer de contribuir, no processo de pesquisa, iniciada em abril de 2011, logo depois que Milton retornou de São Paulo, onde estava fazendo o curso “O Visível e o Invisível no Trabalho do Ator-Dançarino”, ministrado pelos professores Carlos Simioni (LUME) e Tadashi Endo (Mamu Butoh Centre), realizado no Teatro de Tábuas (Campinas-SP).

O que já rolou - As contações de história para adultos já acontecem há quase dois anos. Em 2014, entre outras histórias, a programação já contou, em junho, com "A Pratinha é Ouro", com as atrizes Sandra Perlim e Márcia Lima e, em setembro, com o texto "Maria Dagmar", história contada por Adriana Cruz e Gil Ganesh. 

Baseada no texto homônimo de Bruno de Menezes, "Maria Dagmar" é mulher, paraense, pobre, bela, igual a muitas outras da cidade de Belém, porém, nascida da palavra do nosso escritor em 1950. A narradora, Adriana Cruz, apresenta a narrativa como quem lê um livro, utilizando música e narração de poesia para criar uma atmosfera poética.

Atentos - "Esse projeto já acontece há uns dois anos e hoje podemos dizer que há um público crescente e fiel participando, assim como há grandes talentos em nossa região como o Milton, que precisam de espaço e apoio para difundir seu trabalho", diz José Maria Vilhena, gerente do Sesc Boulevard. 

A ação faz parte do projeto de literatura do Sesc Boulevard, que também oferece contação de histórias infantis todos os sábados de manhã. As contações de histórias para adultos rolam uma vez por mês. A próxima ainda não está divulgada. Mas fica ligado que a programação é sempre em uma terça-feira, às 18h, no Cine Teatro do Sesc Boulevard.

2.10.14

Miasombra estreia com novidades no Pauta Mínima

A arte milenar de contar histórias com sombras é o foco do grupo Miasombra que surgiu com a pesquisa desta linguagem para a montagem do espetáculo “À Sombra de Dom Quixote”, em cartaz, a partir desta quinta-feira, 2, até domingo, 5, com sessões sempre às 20h, no Teatro Cuíra  - Edital Pauta Mínima.  Em sua terceira temporada, o espetáculo se mostra, mais uma vez, revisitado, sempre experimentando luz e sombra e trazendo novos resultados. 

A experimentação em busca de resultados que contemplem as novas apresentações é o desafio do grupo. A cada nova dimensão física de espaço, um novo espetáculo. O Mia Sombra formatou "À Sombra de Dom Quixote", no Estúdio Reator (2010/2011), e o reinventou na temporada no Sesc Boulevard (maio de 2014).

“Outro dia conversávamos sobre uma companhia de teatro que se apresenta com o mesmo espetáculo, há mais de dez anos e de como eles o resignificam, sempre que o mesmo é encenado. Desejo isso para o nosso espetáculo. A renovação sempre”, continua Milton Aires, que integra tanto o universo da encenação, como o da produção, dentro do projeto.

“O  Cuíra é o maior espaço que vamos ‘enfrentar’. E o processo de experimentação que norteia o projeto, está ligado às potencialidades e dificuldades que os espaços nos impõe a cada montagem. Desta vez, as necessidades de resoluções técnicas vão estabelecer um confronto direto com a nossa relação com o espetáculo no sentido de termos que abrir mão de alguns elementos estéticos”, considera David Matos, o diretor, que assina também a dramaturgia do espetáculo.

Em cena, a história de Dom Quixote, ganha um novo viés. A ideia do projeto era buscar a essência desse cavaleiro que existe em cada um de nós e não recontar a história do personagem. 

“No espetáculo, nossos cavaleiros enviam cartas ao Sr. Quixote para que ele não desista de seu sonho, de sua Ducineia. E é como se estas cartas fossem enviadas a nós mesmos, aos nossos Quixotes internos, para que não desistamos de nossos sonhos e desejos”, observa Milton Aires.

 “A sombra é um personagem que nos leva ao encontro com um quixote que estaria situado em uma pós obra do Cervantes, à sombra, a margem ou em algum lugar não muito claro”, diz ele. 

“O teatro de sombras, nesse espetáculo, nos ajuda a chegar próximo dessa imagem de um sonho inacabado. Nesse sentido outros elementos somam-se a sombra, como a presença dos atores e bonecos, tão importantes para a encenação, como a Luz e a escuridão”, complementa o ator que realizou, em 2009, um sonho, ao concretizar o espetáculo, ao aprovar seu projeto no Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz. Ali um desafio se impôs não só a frente de seu núcleo iniciático, mas a todos que foram se envolvendo e formam hoje o coletivo.

À sombra do Oriente - O teatro de sombras é uma das mais antigas manifestações teatrais do Oriente, presente em países como Índia, Indonésia, Tailândia, Sri Lanka e China. Por isso é que durante muito tempo, tanto na Europa quanto aqui no Brasil, nós conhecíamos o Teatro de Sombras como Sombras Chinesas. 

O interesse por essa arte vem crescendo de modo significativo no país, nos últimos anos, o que é possível confirmar quando nota-se a existência de grupos dedicados a ela em São Paulo, nos trabalhos da Companhia Quase Cinema, o Grupo Sombras e Lendas e a Companhia Fios de Sombra; em Curitiba, com o Grupo Karagowzk; em Porto Alegre, com a Companhia Lumbra Teatro de Animação. Há ainda grupos que montam vez ou outra um espetáculo com sombras. 

Não é o caso do Miasombra, cujo interesse é o teatro de sombras só que com um querer a mais. “Nós já experimentamos e continuamos a experimentar este espetáculo, mas agora acho que chegou a hora de assumir. Queremos fazer cinema, com o teatro de sombras”, disse David Matos, durante um dos ensaios do grupo para esta nova temporada.

De fato. A reprodução da realidade já não é o que estimula os artistas, que se interessam pela recriação do real, utilizando diversos processos criativos, como a sombra de silhuetas recortadas em diversos tipos de materiais; a sombra obtida com objetos tridimensionais; e as sombras corporais. E isso tudo junto, bem pode ser cinema.

“O trabalho que faço nas oficinas de roteiro que ministro têm influenciado cada vez mais no espetáculo, porque nossa pretensão sempre foi dar ao espetáculo uma característica de narrativa cinematográfica. Estamos cada vez pensando nessa transformação da dramaturgia teatral para a estrutura dramática do cinema”, explica David Matos, diretor, que assina também a dramaturgia grupo.

O Miasombra mistura todos estes processos, fruto de um dramaturgismo, que Milton Aires explica caber perfeitamente na figura do direto David Matos. “O dramaturgista é uma especie de "demiurgo" que acompanha, orienta e evidência peculiaridades da carpintaria da criação de um processo teatral, conduz de forma colaborativa o processo. David, além de ser o nosso olhar de fora da cena, o diretor do espetáculo, também exerce esse papel em nossa rotina de trabalho. Ele significa, provoca questões e cria junto conosco as resoluções estéticas e dramatúrgicas que o espetáculo deve ter e como essa criação vai chegar até o público”, diz Milton.
    
Através da coletividade e compartilhamento de informações, o grupo ainda tem mais planos para o seu Dom Quixote, que continuará sua jornada. Para David Matos, tudo é possível, pois a maior dificuldade que inviabilizaria qualquer projeto seria a falta de generosidade, e quanto a isso não há dificuldade para o grupo.

“Porque é isso que somos, é o que fazemos entre nós, é o que doamos para o projeto: generosidade. Seja ela de tempo, conhecimento, limitações, tudo. Nos reencontros ou quando estamos longe é isso que nos une. Simples assim”, finaliza David.

Serviço
À Sombra de Dom Quixote”, de 2 a 5 de outubro, no Teatro Cuíra - Rua 1 de Março, bem na esquina da Riachuelo. O ingresso custa R$ 10,00 com meia entrada a R$ 5,00, para estudantes. Mais informações: 91 8134.7719.