7.4.11

A Diversidade Religiosa no Brasil em debate na galeria Fotoativa

Fotografia de Bob Menezes
Inspirada nas celebrações católicas e afro-brasileiras, a mostra abre nesta quinta feira, 7, reunindo imagens de 25 fotógrafos. “Não confirmamos o ditado de que religião e política não se discute, fomos na contra-mão: abrimos o debate”, avisam os organizadores da mostra Michel Pinho e Guy Veloso. 

A paixão dos paraenses, o Círio de Nazaré, o hibridismo religioso do Vale do Amanhecer, o Candomblé e os Terreiros de Tambor de Mina, a Umbanda, os Cultos hindus, judaicos e evangélicos, além das danças, saias e fitas da Marujada de Quatipuru, enfim a religião e o profano. Nada escapou ao olhar destes fotógrafos.

“Uma parte deles é muito jovem e isso acaba trazendo um vigor visual bastante intenso. É um olhar do fascínio pelo rito, pela dança e pelas cores da religiosidade alheia. Mas podemos observar trabalhos mais delicados, onde a fé está presente para além da imagem, na indicação de um gesto ou plantada na paisagem”, diz o fotógrafo Michel Pinho, responsável pela edição das fotos.

Pela temática, imagina-se a quantidade de fotografias que os organizadores devem ter recebido. Basta lembrar que todos os anos, em Belém, centenas de fotógrafos acompanham o Círio de Nazaré, uma paixão visual, sem dúvida. Irene Almeida, por exemplo, faz o trajeto pela fé e a fotografia a fez enxergar a manifestação religiosa de outra maneira.

“A fotografia fez com que eu continuasse a acompanhar de forma diferente, antes como alguém que via o círio apenas da praça e hoje de dentro e penso que até mais próximo, registrando a fé das pessoas que pra mim é incrível e emocionante. Lembro que um ano não pude estar presente, por motivo de doença e foi como se aquele ano estivesse faltando algo”, diz.

De Francilins
 É claro que a escolha do tema gerou pequenos embates na hora da finalização da montagem, como a colocação da foto de Alan Soares, uma Ganesha (deusa do hinduísmo) no início da exposição. Nada que não se possa discutir como na maioria das vezes se pensa quando o assunto é religião.

Por isso, há de tudo. Os batuques do Tambor de Mina e as danças da umbanda estão presentes pelas lentes de Thiago Araújo e Anita Lima, que dialogam intensamente com a imagem de Fatinha Silva, retratando a Marujada.

“É um assunto conflitante realmente, mas se é tratado com respeito, tudo fica mais simples. E esta foi a linha adotada pelos idealizadores da exposição. O curador recebeu várias imagens e selecionou as que mais se identificavam com a leitura a ser dada pela mostra. Esta nossa diversidade é que faz a beleza deste nosso País”, diz Fátima Silva.

Após algumas discussões, a decisão dos organizadores da mostra foi dar um viés político e não privilegiar exatamente uma única narrativa religiosa em detrimento de outra. “A edição foi feita junto com Michel Pinho, idealizador do projeto. Iniciamos fazendo aproximações entre as fotos de acordo com as tons e cores. Algumas montamos em bípticos, dada a comunhão de estilos entre 2 fotógrafos diferentes”, explica Guy Veloso.
O Vale do Amanhecer, em Planaltina, DF
 Tradição - Para Michel Pinho, a fotografia paraense tem por tradição o envolvimento com causas sociais e polêmicas. De acordo com ele uma breve pesquisa revela mostras e exposições sobre violência contra a mulher, sobre o trânsito, moradia, patrimônio histórico. 

“Acompanho o Guy Veloso, desde que passei a militar na Fotoativa, sabia do envolvimento dele com a religiosidade popular e quando recebi um convite para fotografar uma festa de Alabi (festa do candomblé Ketu) fomos juntos. Isso se tornou rotina e assim tivemos a oportunidade de conhecer uma parcela dos terreiros afro-brasileiros de Belém.

Fiz essa digressão necessária, pois havia uma tradição de discussão de temas polêmicos dentro da fotografia paraense mas, no tocante a religião, as exposições que tenho conhecimento eram individuais, como me falou recentemente Geraldo Ramos. Portanto, poderíamos problematizar a religiosidade brasileira com múltiplos olhares. O Guy direcionou determinados fotógrafos, e outros mandaram fotos de arquivos para compor a mostra”, finaliza Michel.

De Analú Morais
Fotógrafos nesta mostra: Alexandra Farah, Analú Morais, Ana Morkazel, Alan Soares, Anita Lima,Bob Menezes, Cinthya Marques, Emídio Contente, Fatinha Silva, Francilins, Guy Veloso, Irene Almeida, Joyce Nabiça, Luciana Bezerra, Michel Pinho, Paulo Gomes, Roberto Malato, Rafael Araújo, Shamara Fragoso, Tamara Saré, Tarso Sarraf, Thiago Araújo, Valério Silveira, Vinicius Xavier, Wagner Okasaki.

Serviço
Exposição Coletiva Diversidade Religiosa Brasileiro. Abertura: 07/04, às 19h. Visitação: 08 de abril a 08 de maio, de segunda a sexta (09h ás 13h e 15h às 18h) e sábado (09 ás 13h). Na Galeria da Fotoativa – Praça das mercês, n.19 – Comércio – Telefone: 3225-2754.

6.4.11

Rafael Lima marca presença do Teatro Margarida Schivasappa

O cantor apresenta  o show “Visceral”, nesta quinta-feira, 07, no Teatro Margarida Schivasappa do Centur, a partir das 20h30. Acompanhado por excelentes músicos, o artista promete uma noite de canções inéditas, sem deixar de lado obras que marcam sua trajetória.

E tudo o mais poderá ser uma grata surpresa. “Para se ter idéia, outras canções, até ontem, no ensaio, ainda eram incorporadas à apresentação”, disse o músico. Não bastasse ter voz para todos os ritmos e em suas letras, a temperatura e a cor amazônica, o artista também arrebatou uma banda de primeiríssima que fará de “Visceral” um dos momentos inesquecíveis de sua carreira. 

No baixo, está o excelente MG Calibre, com quem Rafael fse apresentou no Festival de Jazz de Montreux, na Suiça (1994). Nos efeitos e na percussão está outra fera, Zé Macedo, que integrou na  década de 1970, junto com Rafael, Minni Paulo e outros músicos, a Banda Sol do Meio Dia, a primeira a aparecer na cena da música instrumental paraense (para saber  mais dessa história, acesse a Revista PZZ). O show conta ainda com o regente da Amazônia Jazz Band, Ricardo Aquino, no vibrafone e marimbas, e com o professor e saxofonista Marcos Puff.

Além de inéditas como “Ferina”, “Cantilena” e “Sonho Cabano”, que farão parte do primeiro CD que o músico está gravando no Brasil, pelo selo Ná Figueredo, também estão no repertório músicas já conhecidas de seu público, mas que ganharam novos arranjos apresentação. Tudo bem visceral, como propõe o nome do show.

“Fiz Sonho Cabano quando voltava de uma ocupação de uma das fazendas do Daniel Dantas há cerca de ano e meio passado. Estava participando da ação junto ao MST ”, conta o artista que traz na veia o sangue cabano.

Rafael já tem cinco Cds lançados, todos gravados fora do país, sendo um duplo, ao vivo, feito em Berna , na Suíça; outro gravado ao vivo no festival de Montreux e os outros registrados em estúdios entre a Suíça, o Canadá e São Paulo, caso do primeiro trabalho “Arribadas” (1989/1993). Clique aqui para baixar e ouvi-lo.

Edição esgotada, agora só na internet
Novo CD - O sexto trabalho conta com a participação de outros grandes músicos e parceiros. Além de Calibre, Zé Macedo, Ricardo Aquino e Marcos Puff, que estarão no show, a gravação tem ainda Príamo Brandão (baixo), Márcio Jardim (perc.), Lenilson (teclados), Minni Paulo (contrabaixo acústico) e Toninho Abenatar (sax). A previsão de lançamento é para já, no mês de maio. Vamos ficar na torcida.

“É o primeiro Cd que gravo no Brasil, aqui em Belém. A relação com o Ná é boa como, digamos, tomar açaí e deitar numa rede pra tirar uma sesta. Estou há mais de um ano nesse projeto”, diz.

Irreverente, polêmico muitas vezes, mas acima de tudo um artista genial, Rafael Lima consegue canalizar boa parte dessa energia para seus trabalhos. “Sempre acho que tento fazer coisas novas, não canções novas. Ainda continuo achando que tem muita regionalice por aqui, como diria meu parceiro, o grande Juracy Siqueira que, aliás, tem música minha e dele nesse show”, disse ao Holofote Virtual.

Com foco na Amazônia, Rafael não separa sua música do debate políticoe avisa. “Em tempos de xenofobias baratas, vide o Amazonino Mendes, tocarei uma canção que chama-se 'Manauara', canção que fiz em 2004, nunca gravada, que fala de uma mulher nascida literalmente no meio da mata, e daí viajamos pelas mazelas e belezas de nossa querida floresta”.

No Cena Musical (TV e Rádio Cultura/PA), com Juçara e Calibre
Trajetória - O fato é que a música de Rafael Lima tem cruzado diferentes fronteiras e enfrentado as mais diversas platéias, mundo afora, em festivais de música, normalmente voltados para o jazz, mas com uma visão progressiva, ou o jazz/fusion, por exemplo, como a música de Miles Davis, Jaco Pastorius, Weather Report, Egberto Gismonti, Hermeto Paschoal, entre outros. E isso, seja na América do Norte, na Europa, ou no Caribe. 

É dentro desse contexto que se pode citar alguns eventos que Rafael Lima vem se apresentando ao longo desses anos: Montreux Jazz Festival, Suíça 1994; Stelli sotto State, Milão, Italia, 2005; Festival Latino Americano, MIlão Italia 1992; Otawa International Jazz Festival, 1989; Festival de Jazz de Barcelona, 2004; Varese Jazz Festival, Varese, Italia, 2005; Blue Sky Festival, Crareedon, Canadá, 1989; Festate World Music, Chiasso, Suíça 1991; Festival contra o Racismo e a Xenofobia, Locarno, Suíça, 1993; Festival de Cinema de Locarno, Suíça 199; Mariposa Festival, Berye/Toronto Canada 1987; Jazz in the Garden, Lausanne, Suíça 1997; KWT Jazz Festival, Toronto, Canadá, 1987; Les Toniques Festival Lausanne, Suíça 1998; Podring Jazz Festival, Biel, Suíça, 1995; Cully Jazz Festival, Cully, Suíça, 1996.

No Brasil, alguns fatos são relevantes na carreira do artista como a Bienal do Livro de Paulo, 1986; Projeto Pixinguinha Nacional, 1984; Fórum Social Mundial, c/ Walter Freitas, Porto Alegre, 2003; "Vereda Brasil", show de Rafael Lima e Walter Freitas, 2002/2003, Belém, Florianópolis, Porto Alegre; "Um grito na mata" show de Lima e Walter Freitas, Belém, 1990; "Prata Alumiã" show de Rafael Lima e Walter Freitas, Belém e Macapá, 1993; Produção do CD "Zarabatana" de Macário Lima, 2005; Produção do show "Música no Pulmão da Terra" de Macário Lima e Amigos, 2007. 

No ano passado, Rafael Lima apresentou, também no Schivasappa, o show 'Reinavam com o castiçal', opereta inspirado em trechos de diálogos, que foram transformados em música, do livro 'Primeira manhã' (1968), do romacista brasileiro Dalcídio Jurandir. No palco, foi acompanhado da filha Juçara Abe, que desta vez, por não estar em Blém, não acompanhará o pai. O show "Reinavam..." trouxe ainda composições autorais inspiradas nos livros de “Chão dos lobos” (1976) e “Chove nos campos de Cachoeira” (1941), também de Dalcídio. 

(Nesta matéria, colaborou Elis Marchioni)

4.4.11

Conexões da dança paraense com o mundo

Ícaro Gaya e Danilo Bracchi, em Berlim
Tão longe e tão perto, conectados por meio das redes sociais, Danilo Bracchi, diretor e coreógrafo, e Ícaro Gaya, ator e bailarino, ambos da Companhia de Investigação Cênica, de Belém, mandam notícias da Europa, onde estão desde o mês de fevereiro, passando por uma experiência  proporcionada pelo projeto Conexão Dança, aprovado no Edital de Residência em Artes Cênicas da Funarte.

O projeto, que já está em sua segunda etapa, iniciou no ano passado, com a residência artística do bailarino Jhullyam Breno, vindo de Itaituba para Belém, após um processo de seleção e audição. O jovem morou em Belém durante dez meses, onde passou por um longo processo de formação artística.

Jhullyam não só fez aulas de dança, mas também de teatro e circo; participou dos processos de criação da Companhia de Investigação Cênica, atuando em seus espetáculos e acompanhando a rotina de trabalho de uma Cia. de dança profissional.

“Nesta perspectiva, poderemos ter bailarinos capacitados a ministrar oficinas, montar a sua própria companhia e desenvolver trabalhos no interior, com bailarinos da Companhia de Investigação Cênica e com as companhias de sua cidade natal”, explica Danilo Bracchi.

Intercâmbio - Depois disso, neste segundo momento, são os integrantes da Companhia que passam por aperfeiçoamento. Há um mês e meio no Velho Mundo, Danilo e Ícaro vêm participando de aulas diversas e visitando espaços ligados a arte e cultura européia. Em abril e maio, antes de retornar ao Brasil, eles se preparam para iniciar workshops em Berlim e em Paris.

Na opinião do coreógrafo, conectar o interior com a capital  do Estado, e a dança, com outras linguagens, significa pensar uma Companhia de forma diferente, primando pelo trabalho e crescimento coletivo e construindo uma rede de intercâmbios entre bailarinos e artistas de várias cidades e vertentes artísticas.

“Agregar, trocar e conectar são as palavras que resumem mais esta ação da Companhia de Investigação Cênica, que caminha para seu 4º ano de existência crescendo através do trabalho com a arte”, diz Danilo.

Em contato pelo Facebook com o Holofote Virtual, Danilo Bracchi contou como o projeto vem se desenvolvendo em sua etapa internacional e disse que, toda a troca de experiência adquirida pelos bailarinos, em breve, será mostrada e compartilhada com outros artistas paraenses. Confira o bate papo com ele logo abaixo.

Holofote Virtual: Os dias devem estar mais corridos do que nunca pra vocês. Conta um pouco...

Danilo Bracchi: Já nos primeiros dias em Berlim participamos de um dia inteiro de programação voltada para a dança na TanzFabrik, que terminou com uma Jam Session de Contato improvisação e música ao vivo. 

Fomos assistir a estréia mundial do novo filme do diretor Wim Wenders: Pina. Conferimos a 8ª edição do Festival de teatro, dança e performance Berlin 100º no prédio 2 do Teatro HAU (Hebbel am Uffer - teatro privado que possui três estruturas físicas, um centro de disseminação de novos grupos dança, teatro e música, apresentando trabalhos de grupos com caráter mais experimental e não convencional. Visitamos também a exposição de Salvador Dalí, em seu Museu, no centro de Berlim.

Holofote Virtual: Como vocês dividem o tempo com as aulas?

Danilo Bracchi: Estamos participando de aulas de dança contemporânea, alternando entre os estúdios de dança TanzFabrik (fizemos, até o momento, aulas com as artistas Britta Pudelko – professora regular da Companhia de Sascha Waltz, e Maya Lipsker – que também já desenvolveu trabalhos na companhia de Sascha Waltz) e o estúdio LaborGras (com Renate Graziadei – dançarina que já trabalhou com Nina Wiener e hoje, junto com Arthur Stäldis forma o coletivo LaborGras).

Holofote Virtual: Quais os próximos passos depois destes quase dois meses em Berlim?

Danilo Bracchi: Em abril faremos um workshop de Butoh com a artista Minako Seki, artista que fundou um dos primeiros grupos de Butoh em Berlim, um do método de Laban com Jan Burkhardt, outro chamado Teaching Young People, com Jo Parkes, para desenvolver habilidades para dar aulas de dança para adolescentes e outro chamado Conversation and Negotiation, com Maya Lipsker, direcionado à criação coreográfica e improvisação. Em Paris faremos workshops, para bailarinos e coreógrafos, com a artista Nina Dipla, bailarina e coreógrafa que já trabalhou como assistente coreográfica de Pina Bausch.

Holofote Virtual: Quais são os planos para o Brasil?

Danilo Bracchi: No Brasil, a terceira etapa acontecerá em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre, incluindo os artistas paraenses Milton Aires e Marina Mota, e dando sequência a capacitação técnica e teórica, dividida em aulas, apreciação de espetáculos e encontros de pesquisadores em dança. O destino final do projeto, a quarta etapa, será o retorno a Belém, quando iremos dividir toda a experiência adquirida com outros integrantes da Companhia e com a comunidade, oferecendo oficinas, workshops, aulas abertas etc.

O projeto Conexão Dança - Residência também conta com o apoio da Sol Informática, Estúdio Reator, Clínica Diogo Bonifácio, Mapiguari Design, Secult, M. Levy Arquitetura, Quintal Produções Artísticas e Habitare.

"Hélio Oiticica - Museu é o Mundo" abre em seis espaços da cidade

A partir de amanhã, o público já poderá visitar a programação, que conta com exposição de obras e filmes do artista. A mostra poderá ser vista em seis espaços diferentes, até dia 06 de junho. A abertura é nesta terça-feira, 05, às 19h, no Museu do Estado do Pará, com entrada franca.

Este será um dos mais importantes acontecimentos culturais  realizados em Belém este ano. Hélio Oiticia foi um pintor, escultor, artista plástico brasileiro dos mais performáticos.  Morou em Nova York nos anos 70 e de volta ao Rio de Janeiro, em 1980, morreu aos 42 anos. É considerado um dos artistas mais revolucionários de seu tempo e sua obra experimental e inovadora é reconhecida internacionalmente. 

Mostra - Com curadoria de Cesar Oiticica Filho, (sobrinho) Fernando Cocchiarale e Wagner Barja, a mostra cobre todos os períodos da produção do artista. Itinerante, já circulou por São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, mas em cada cidade que chega adquire um contorno especial.

“O que mais impressiona no legado de Hélio Oiticica é o poder de síntese que ele sempre teve na pauta das traduções de seu programa artístico. Desde os Metaesquemas, que são desenhos geométricos tradicionais, passando pelos outros projetos: Relevos, Bilaterais, Bólides, Ninhos e a diversas arquiteturas nomeadas até os Parangolés, o Hélio realizou uma ação continuada ininterrupta. Ele sempre falou, no fundo, das questões das cores, das formas, da linguagem da pintura e associou tudo isso ao corpo e à cultura”, afirma o curador Wagner Barja, pesquisador da obra de Hélio Oiticica, e autor de uma dissertação de mestrado na UNB, que envolve a obra do artista.

Acervo em chamas - A maior parte das obras vem do acervo de César e Claudio Oiticica (irmãos), e reúne raridades como seus famosos Metaesquemas, os desenhos do período neoconcreto, guaches, uma calça feita para a Mangueira, além de Bólides e Penetráveis.

Em outubro de 2009, parte destas obras quase se perdeu por causa do  incêndio que houve na casa de César, onde estavam guardadas. Na época, o acidente reacendeu as discussões em torno de preservação de acervos artísticos no país, muitas vezes guardados com a família dos artistas sem as condições necessárias de manutenção. 

A tragédia, no caso das obras de Hélio Oiticica, só não foi maior porque grande parte do material já estava digitalizado. Desde o incêndio várias ações se concentraram em higienizar os trabalhos atingidosa fim de incorporá-los à itinerância deste ano.  “Essa primeira parte do trabalho foi concluída pelo Ministério da Cultura e pelo Ibram (Instituto Brasileiro de Museus), numa ação rápida e eficaz, que começou já no dia seguinte ao incêndio, o que reduziu o prejuízo e evitou qualquer dano irreversível às obras”, disse César. 

Ainda bem. E no final das contas, infelizmente, pode-se dizer que o mal foi necessário, pois finalmente Hélio Oiticica passa a ser reconhecido como patrimônio nacional e mais do que isso, a ser cultuado também fora do meio acadêmico e artístico.

"Penetráveis"
Penetráveis e muito mais - A exposição traz ainda raríssimos penetráveis, obras monumentais de Hélio Oiticica [1937-1980], como “Tropicália”, de 1967, e “Rijanviera”, de 1979, no Museu Histórico do Estado do Pará; “Macaléia”, de 1978, e “A Invenção da Luz”, de 1978/ 1980, no Museu do Forte do Presépio; “Nas Quebradas”, de 1979, na Estação Docas; e “Rhodislandia”, de 1971, no Fórum Landi. “Éden”, um conjunto de vários ambientes que integrou a primeira exposição do artista em Londres, na White Chapel, em 1969, está na Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves (CENTUR) e “Penetrável Gal”, de 1969, no Espaço Cultural Casa das 11 Janelas.

A ocupação de vários espaços públicos evoca uma característica do artista, que desde menino dizia que precisava andar para pensar, para perceber o mundo à sua volta e organizar as idéias. “Ele desenhava as rotas de todos os ônibus”, diz César Oiticica Filho. Já adulto, costumava fazer longas caminhadas, no que ironicamente chamava de “Delirium Ambulatório”, para relacionar à agitação motora de alguns pacientes psiquiátricos.

Além das obras, também serão apresentados, no MHEP e no Fórum Landi,  os filmes “Agripina é Roma Manhattan” (1972) e “Brasil Jorge, Homenagem a Jorge Salomão” (1972), ambos de Hélio Oiticica, e “Phone” (1975), de Andreas Valentim.

Com apoio da Universidade Federal do Pará (UFPA), a exposição é uma realização da Alliaz, Foco e Secretaria de Cultura do Estado do Pará, a mostra será apresentada no Museu Histórico do Estado do Pará, no Museu do Forte do Presépio, na Estação Docas, no Fórum Landi, na Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves (CENTUR) e no Espaço Cultural Casa das Onze Janelas.

Da série "Parangolés"
Sobre Hélio Oiticica - o artista é neto de José Oiticica, anarquista, professor e filólogo brasileiro, autor do livro "O anarquismo ao alcance de todos" (1945). Em 1959, fundou o Grupo Neoconcreto, ao lado de artistas como Amilcar de Castro, Lygia Clark e Franz Weissmann.

Na década de 1960, Hélio Oiticica criou o Parangolé, que ele chamava de "antiarte por excelência". O Parangolé é uma espécie de capa (ou bandeira, estandarte ou tenda) que só mostra plenamente seus tons, cores, formas, texturas e grafismos, e os materiais com que é executado (tecido, borracha, tinta, papel, vidro, cola, plástico, corda, palha) a partir dos movimentos de alguém que o vista. Por isso, é considerado uma escultura móvel.

Foi também Hélio Oiticica que fez o penetrável Tropicália, que não só inspirou o nome, mas também ajudou a consolidar uma estética do movimento tropicalista na música brasileira, nos anos 1960 e 1970. Foi responsável, assim como Lygia Clark, por nos tirar do gueto nacional. Impossível falar em arte contemporânea brasileira sem citá-lo.

E mais, ele obteve a 13ª posição na lista "O brasileiro do século", na categoria "Arquitetura e Artes Plásticas", organizada em 1999 pela revista IstoÉ, tendo recebido 22% dos votos dos especialistas que formaram o júri.


PROGRAMAÇÃO

  • Centur - No hall de entrada, o “Éden”, um conjunto de vários ambientes que integrou a primeira exposição do artista em Londres, na White Chapel, em 1969. Na galeria Theodoro Braga,“Cosmococa”, de 1973. Av. Gentil Bittencourt, 650 – Nazaré. Todos os dias, das 9h às 22h.
  • Casa das 11 Janelas - O “Penetrável Gal”, de 1969. Praça Dom Frei Caetano Brandão, s/n. Cidade Velha. De terça a sexta, das 10h às 18h. Sábado e domingo, das 10h às 16h. Feriados, de 9h às 13h.
  • Estação Docas - O penetrável “Nas Quebradas”, de 1979. Boulevard Castilho França, s/n. De segunda a domingo de 12h às 24h
  • Fórum Landi - No corredor lateral, o penetrável “Rhodislandia”, de 1971. Rua Siqueira Mendes nº 60 - Bairro da Cidade Velha. De segunda a sexta, das 9h às 18h.
  • MHEP - Na Sala da Cavalariça está o penetrável “Tropicália”, de 1967. Na Sala Transversal estão “Meta-esquemas”, “Relevos Especiais”, “Bólides” e “Desenhos Neoconcretos”. Na varanda dos fundos, o Penetrável “Rijanviera”, de 1979. Palácio Lauro Sodré - Praça Dom Pedro II, s/nº - Cidade Velha. De terça a sexta, das 10h às 18h. Sábado e domingo, das 10h às 16h. Feriados, de 9h às 13h.
  • Museu do Forte do Presépio - Na área interna do museu, o penetrável “Macaléia”, de1978, e, na área externa, “A Invenção da Luz”, de 1978/ 1980. Praça Dom Frei Caetano Brandão, s/n. Cidade Velha. De terça a sexta, das 10h às 18h. Sábado e domingo, das 10h às 16h. Feriados, de 9h às 13h.

    2.4.11

    Programação intensa para comemorar o Dia Nacional do Curta

    O Pátio, curta de Glauber Rocha
    Em todo o país várias ações estão sendo programadas e em Belém não será diferente. Aqui, a programação é extensa e será realizada no Instituto de Artes do Pará, que contará com exibição de filmes, debate e lançamento de projetos. Instituído pela Associação Brasileira de Curtametragistas do Brasil (ABD nacional), a data será comemorada anualmente, no dia 04 de abril.

    Tendo como tema central "Curta em Todas as Telas", este dia vai marcar  também  o retorno da  programação do Cineclube Alexandrino Moreira e comemorar o aniversário da ABDeC do Pará, que completou 31 anos de existência.

    Para a presidente da ABDeC-Pará, Dani Franco,  este  também será um momento para homenagear Bruno Assis, com o lançamento da “Mostra Bruno Assis de Jovens Realizadores”, que será realizada em novembro pela ABDeC-Pa.

    “Esta é a primeira vez que falo em nome da Associação sem o Bruno. Em todo o meu tempo como presidente da ABDeC-Pa, nunca escrevi ou disse nada sem que  tívessemos discutido. Não pretendo lembrá-lo porque sei que ele não foi e nem será esquecido. Isso eu sinto em todos os momentos que falo da ABDeC-Pa”, disse Dani.

    A programação é aberta. O movimento cineclubista, bem como os Cines Mais Cultura, os Pontos de Cultura e as Universidades, Faculdades e Escolas de cinema estão convidadas a participar, assim como o público em geral.

    “Já convidamos alunos da rede pública, mas o espaço está aberto para todos que queiram assistir animações de paraenses”, explica Afonso Gallindo, diretor de regionalização da ABD Nacional e do Núcleo de Produção Digital do IAP – o NPD.

    Curta experimental de Alberto Bitar
    Programação - Pela manhã, serão exibidos os curtas de animações que compõem o projeto Amazônia Animada do IAP, voltada principalmente para o público infanto-juvenil. Já a exibição da noite será diversificada, com animação, filme de arte e documentário, todos nacionais.

    Na oportunidade será feito também o lançamento da 3ª edição do Festival Nacional  de curtíssima metragem - CLARO CURTAS, com a exibição dos vencedores da última edição. A partir das 19h, o cineclube Alexandrino Moreira retoma definitivamente suas atividades em 2011, com exibição de curtas nacionais e paraenses e em seguida será aberto o debate junto à platéia.

    “A programação tem ainda o apoio da ABD nacional/DIMAS (Bahia) que disponibilizaram o primeiro curta-metragem do Glauber Rocha, “Pátio”, avisa Gallindo. O curta de Glauber faz parte do material sobre os 100 do Cinema na Bahia, recebido pela ABDeC-Pa que agora cede o filme para a programação do IAP.

    Entre as produções paraenses, destaque para os curtas "Mundo de Célia", um doc-ficção resultante do Programa Olhar Brasil, realizado em parceria com o NPD-Pará e ABDeC-Pa, com direção coletiva do Ronaldo Rosa, Sissa de Assis e do Bruno Assis, alémde . (realizado este em parceria com a ABDeC Pará) e o vídeo “Sobre Distâncias e Incômodos e alguma Tristeza," de Alberto Bitar. Os outros curtas são do catálogo da Programado Brasil, adquirido pelo IAP.

    O debate terá participação de Laurenir Peniche, do festival da Claro e da diretora de "O Mundo de Célia", Sissa de Assis.

    "A Boca do Lixro", na próxima atração
    Cineclubismo - A programação marca também o retorno da programação do Alexandrino Moreira, que paralisou suas ações em dezembro do ano passado. O diretor do NPD que estará gerenciando o cineclube diz que muitas novidades virão depois desta ação especial de segunda-feira.

    “Nossa programação de abril já esta fechada. Estamos retomando nossa parceira com a APCC – Associação Paraense de Críticos de Cinema, que volta a contribuir com a programação e já selecionou ótimos títulos para títulos para as duas sessões deste mês. No dia 18, faremos uma homenagem ao chamado cinema da "Boca do Lixo", antecipa Gallindo.


    PROGRAMAÇÃO DIA NACIONAL DO CURTA

    10h – Teatrinho IAP

    Amazônia Animada: Mosta de animação Infanto/Infantil
    • A Revolta da Mangueiras, de Roberto Eliasquevici e Marianne Kogut Eliasquevici
    • Admirimiriti, de Andrei Miralha
    • A Onda: Festa da Pororoca, de Cássio Tavernard
    • Muragens: Crônicas de Um Muro, de Andrei Miralha e Marcilio Costa
    • O Menino Urubu, de Fernando Alves
    • Visagem, de Roger Elarrat
    18h – Teatrinho do IAP

    • Lançamento do 3º Festival Nacional de Curtissima Metragem - CURTA CLARO
    • Mesa com a organizadora do evento Laurenir Penhiche.
    • Exibição de curtíssimas nacionais de edições anteriores.
    19h – Teatrinho do IAP

    • “A Moça que Dançou depois de Morta”, de Ítalo Cajueiro (Catálogo Programadora Brasil). Ano: 2003 - Gênero: Animação/ Bitola Original: 35 mm/ Duração: 11 minutos.
    Sinopse: Baseado em uma história de cordel de J. Borges e produzido inteiramente com xilogravuras originais do próprio autor. Conta a história de um rapaz que se apaixona por uma misteriosa moça num baile de carnaval do interior. Sem saber que esse encontro iria mudar a sua vida para sempre.

    • “Biografia do Tempo”, de Joana Oliveira e Marcos Pimentel (Catálogo Programadora Brasil). Ano: 2004 - Gênero: Documentário/ Bitola Original: 35 mm/ Duração: 8 minutos.
    Sinopse: Uma reflexão sobre a memória, construída pelo encontro das obras do brasileiro Pedro Nava e do cubano Santiago Alvarez.

    • “Pátio”, de Glauber Rocha (Em parceira com a ABD Nacional e o DIMAS-Bahia). Ano: 1956 - Gênero: Ficção/ Bitola Original: 16 mm/ Duração: 13 minutos. O filme foi pré-montado e exibido em versão muda em 1958, razão pela qual a maioria das filmografias registra o filme como sendo de 1958.
    Sinopse: Primeiro filme de Glauber, curta metragem experimental com 11 minutos de duração, rodado na Bahia. Num terraço de azulejos em forma de xadrez, um rapaz e uma moça. Esses dois personagens evoluem lentamente: se tocam, rolam no chão, se distanciam, se olham. Belos planos de mãos e rostos são montados em alternância com planos de vegetação tropical e do mar. Já nesse primeiro filme podemos discernir alguns traços específicos do cineasta: forte presença da natureza, tratamento do espaço e enquadramento.

    • “Sobre Distâncias e Incômodos e alguma Tristeza”, de Alberto Bitar. Ano: 2009 - Gênero: Experimental/ Duração: 6:15 minutos.
    Sinopse: O deixar pra trás de um sítio impregnado de memórias.

    • “O Mundo de Célia”, de Bruno Assis, Ronaldo Rosa e Sissa de Assis (Resultado do Programa Olhar Brasil (NPD Pará) e ABDeC Pará). Ano: 2009/Gênero: Doc-Ficção/Duração: 9 minutos.
    Sinopse: Dois olhares sobre a vida de uma prostituta da Riachuelo em Belém.

    1.4.11

    Daniel Leite faz nova sessão de autógrafos no Espaço Infantil da Fox

    Depois de lançar o livro na Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves (FCPTN), pela Editora Paka-Tatu, durante as comemorações do aniversário da Biblioteca Pública Arthur Vianna, Daniel Leite fará nova noite de autógrafos, desta vez no dia 2 de abril, no ”Espaço Infantil Fox da Dr. Moraes"

    Ítalo é um menino que descobriu o mundo das palavras, as palavras do mundo. Na aula de Língua Portuguesa, ele guardou na memória a frase da professora: “As palavras são um mundo que se acende”. Foi o suficiente para acender a imaginação de criança, a curiosidade da infância. Ítalo quer saber quem inventou as palavras no livro “Procura-se um Inventor”, de Daniel Leite. 

    E é em busca de respostas que Daniel Leite nos convida para ajudar as procuras do pequeno Ítalo. Com ele, percorremos caminhos de indagações, ilustrados pelo artista plástico, poeta, escritor e ilustrador Maciste Costa, vencedor do Prêmio IAP 2007, com o livro infanto-juvenil “Pedrinho e o Peixe Azul”. A infância faz as perguntas em “Procura-se um Inventor”. Perguntas esquecidas pelo tempo. Desconcertantes. Quase sempre sem respostas, sem verdades plenas e absolutas.

    “Como elas crescem, as palavras? Primeiro as palavras. Ou primeiro as pessoas? Sem as palavras, sem as histórias, existiriam as pessoas. Porque as palavras, essa invenção? Mas, pai, alguém deve ter inventado as palavras...E eu quero saber quem foi...Como é essa invenção? Como é que a palavras nascem?”, questiona Ítalo, na inquietação infantil que deu origem ao livro.

    “Há perguntas que as crianças fazem, que nós - ditos adultos -somos incapazes de elaborar. QUEM INVENTOU AS PALAVRAS? me foi perguntado por uma criança de seis anos. Ela me fez sonhar, ainda mais, com este mundo de fascinação. O livro nasceu desta iluminada voz da infância”, conta Daniel.

    “Procura-se um Inventor” foi premiado pela Academia Paraense de Letras, na categoria Literatura Infanto-Juvenil. É o sexto prêmio da carreira de Daniel da Rocha Leite, que se especializou na arte de escrever histórias para os pequenos, e para os grandinhos também.

    “É essencial não perder a capacidade de ouvir, amar - questionar - e sentir o mundo pela vida da criança que há na gente”, acredita o autor. Porque ler e ouvir histórias não têm nada a ver com idade. Têm a ver com descobertas e possibilidades. É preciso gostar. É preciso se permitir. Querer. 

    E o que Ítalo mais quer é descobrir o nome do tal inventor das palavras. O garoto recorre até a Santos Dumont. Afinal ele também entende de invenção. Enquanto Ítalo não desvenda o mistério, ele aprende junto com a gente os saberes que as palavras carregam e as várias formas de criá-las.

    Sobre Daniel Leite – Daniel da Rocha Leite tem 45 anos, nasceu no Rio de Janeiro e veio aos dois meses de idade para Belém. É licenciado pleno em Letras, com habilitação em Língua Alemã. Possui, também, pós-graduação em Língua Portuguesa e Análise Literária. Daniel ganhou o Prêmio SESC de Poesia Carlos Drummond de Andrade – DF, Edição 2007, com a poesia "Travessia para um abraço”. E tem cinco livros publicados: 

    “Águas Imaginárias”. Contos. Prêmio IAP/2004
    “Casa de Farinha e outros mundos”. Infanto-Juvenil. Secult-Pa/2007
    “Invisibilidades”. Contos. Prêmio IAP/2007
    “Girândolas”. Romance. Prêmio Mac-Dowell – Academia Paraense de Letras/2008
    “Procura-se um Inventor”. Infanto-Juvenil. Prêmio Rafael Costa – Academia Paraense de Letras/2010

    Serviço
    Lançamento do livro “Procura-se um invento”, de Daniel da Rocha Leite.  Neste sábado, 2 de abril, às 19 horas no Espaço Infantil Fox da Dr. Moraes. Endereço: Travessa Doutor Moraes, 584 - entre a Rua dos Mundurucus e a Avenida Conselheiro Furtado. Batista Campos. 4008-0007. Preço do livro: R$ 39,00.  Preço no dia do lançamento: R$ 30,00.  

    Texto: Contato: Yorranna Oliveira (Assessoria de Imprensa Editora Paka-Tatu)

    31.3.11

    A noite é de samba no projeto Quinta Musical

    Realizado pelo Ponto Amazônico de Cultura Viva, o projeto recebe hoje a voz e o violão de Luciano Lira, que vai apresentar um show de música brasileira, com destaque para o samba, a partir das 19h, no Hilton Belém.

    Eclético em seu repertório, as apresentações de Luciano Lira trazem obras de grandes sambistas, como Adoniram Barbosa, Moreira da Silva, Bezerra da Silva, e ícones como Pixinguinha, Noel Rosa e Cartola, sem deixar faltar canções de Chico Buarque e Caetano Veloso, Vinícius de Moraes e Baden Powell, passando ainda por compositores mais de vanguarda, como Sérgio Sampaio, Waly Salomão, Ednardo, Arnaldo Baptista (Mutantes), Tom Zé e Arnaldo Antunes.

    Outras grandes expressões da música pop como Nando Reis, Cássia Eller, Chico César, Raul Seixas e Los Hermanos também são revisitados, configurando-se uma apresentação de qualidade para um público diverso. Vale lembrar que em sua trajetória, o rock se faz presente. De carreira meteórica, em 2002, o músico chegou a formar a banda autoral “Almirante Gotha”, com os músicos Fabrício Dantas (baixista da banda Garagem 32), Felipe Dantas (baterista da banda Aeroplano) e Rafael Grigório (guitarra).

    Com trabalho, hoje, voltado principalmente à música brasileira, o músico já fez apresentações em vários espaços de Belém, como D. Visconti e Estação das Docas. Em 2010, participou de eventos, como o projeto Fundo Ver o Sol, da prefeitura de Belém, e o Canto da MPB, nas praças de alimentação dos shoppings Castanheira e Iguatemi.

    De veia autoral Luciano Lira compôs a música do jingle Grito Ribeirinho, programa da Rádio Web da UFPA, para o qual também fez a direção musical em parceria com o músico  Givaldo Pastana, violonista da Vila dos Cabanos (Barcarena).   E atualmente está fazendo, em parceria com  o violinista Armando de Medonça, a direção musical  e trilha sonora de um dos espetáculos do GTU – Grupo de Teatro Universitário da Escola de Teatro e Dança da UFPA (ETDUFPA), onde também cursa a graduação em teatro. 

    Serviço
    Em cartaz há cinco anos, as apresentações do projeto Quinta Musical estão acontecendo na pérgula da piscina do Hilton Belém, sempre na última quinta-feira de cada mês, das 19h às 20h30, com entrada franca, e com patrocínio do hotel, via Lei Tó Teixeira. Mais informações: 91 8134.7719 e 91 8115.5642.

    30.3.11

    Musica para Ler no Espaço Benedito Nunes da Saraiva

    Arthur Nogueira (Foto: Daniel Pereria)
    Quem curte a boa companhia de Arthur Nogueira e a excelente programação musical feita por sua equipe para o  programa Conexão, da Rádio Cultura do Pará (93.7), de segunda a sexta, pela manhã, não deve perder a apresentação do compositor nesta sexta-feira, 01 de abril.

    "Música para ler" é, originalmente, o nome do blog do cantor e compositor paraense Arthur Nogueira, onde ele organiza - sem pretensões - uma espécie de antologia poética, com textos de autores que admira, o que vai se refletir  na  apresentação lítero-musical que o músico leva à Livraria Saraiva (Boulevard Shopping) nesta próxima sexta-feira, dia 01, às 19h30, no Espaço Benedito Nunes.

    "Resolvi dar esse nome porque, além de cantar, quero fazer jus ao ambiente da livraria e ler poemas de autores caros ao meu trabalho, recorrentes no blog", explica. Carlos Drummond de Andrade, Waly Salomão, Manuel Bandeira e Ana Cristina Cesar estão entre os poetas pinçados por Arthur Nogueira. 

    Ao lado de Renato Torres (violão), ele também vai cantar composições suas, do CD "Mundano" (2009) e do EP virtual "Mundano+" (2010), e uma inédita, chamada "Estudo para chão". "É minha primeira parceria com o Omar Salomão, filho do Waly", conta. 

    "Tenho muitas coisas novas, por conta de um disco que pretendo gravar ainda esse ano. A ideia era manter o repertório velado, mas decidi com o Omar que seria bacana testar a canção na livraria", diz Arthur, que conheceu o poeta em 2010, no Rio de Janeiro.

    Em fase de pré-produção, o novo álbum não tem previsão de lançamento, mas o título é inspirado na obra de Age de Carvalho, autor paraense que reside na Europa. "Ele autorizou e tô em fase de elaboração do projeto", diz.

    Pretendo fazer um disco de conexões com artistas de fora do Pará e reafirmar a importância da poesia na minha música. Vejo que praticamente todos os meus parceiros, novos ou antigos, são poetas", completa.

    Aos 23 anos, dos quais 07 dedicados à carreira artística, Arthur Nogueira tem canções em parceria com Antonio Cicero, Dand M, Vital Lima, entre outros autores. Possui 02 álbuns lançados - "Arthur Nogueira" (2007) e "Mundano" (2009), e um EP virtual - "Mundano+" (2010). Além da música, publicou poemas em veículos importantes, como a Revista Cult (SP), e integra a equipe de produção da Rádio Cultura (PA).

    "Nada será como antes" com Juliana Sinimbú

    Canções inesquecíveis como "Para Lennon e McCartney", "O Trem Azul", "Manoel, o Audaz", "Fé Cega, Faca Amolada", "Saudade dos Aviões da Panair", entre outras, estão na temporada do show Nada Será como Antes, toda quarta-feira, no Bar Municipal.

    Esta semana uma convidada especial. A cantora Juliana Sinimbú se apresenta ao lado dos músicos Renato Torres (voz e violão) e Rodrigo Ferreira (teclado e voz), que vem apresentando ao público parte do universo lírico e extremamente musical da geração de músicos mineiros que se reuniu em torno de Mílton Nascimento - especialmente Lô Borges, Beto Guedes e Toninho Horta - e que ficou pra história como o Clube da Esquina. 

    O nome do grupo foi idéia de Márcio Borges, letrista e irmão de Lô, que ao ouvir a mãe perguntar dos filhos, ouvia a mesma resposta: "Estão lá na esquina, cantando e tocando violão". As canções são executadas no formato clássico de voz, cordas e teclado, inspirado pela célebre apresentação de Mílton e Wagner Tiso para a TV, no Acústico na Suíça (1981). 

    De acordo com  Renato Torres, “a ideia surgiu naturalmente entre os músicos, que compartilham de grande admiração pelos mineiros, pelos quais se afirmam bastante influenciados”.

    Serviço
    "Nada será como antes". Nesta quarta-feira, 30, no bar Municipal, a partir das 22h. O espaço fica na Rua Municipalidade, 1643, com a Soares Carneiro.

    Vários projetos do Pará contemplados pela Oi Futuro

    "Xumucuís", de Valdir Sarubi, que inspirou nome do salão digital, um dos aprovados
    Este ano o Pará teve mais projetos aprovados pela Oi Futuro. Dos 187 projetos, aprovamos 12, nas áreas de cinema, música, dança, cultura popular e artes visuais. 

    Ainda não foi a vez do teatro. Mas atenção que os projetos só terão a confirmação do patrocínio com a apresentação da aprovação válida na lei de incentivo indicada pela Oi Futuro, no nosso caso a Lei Semear.

    Caso comprovem a aprovação em lei de incentivo, serão realizados este ano, com o patrocínio da OI:  Amazônia Doc 3 - Festival Pan Amazônico de Cinema; Cine Periferia Pai D´ Égua (ambos em cinema); Crias do Futuro (artes visuais); o Documentário Mestre Damasceno: O Resplendor da Resistência Marajoara (Cultura Popular); Festival do Carimbó de Marapanim - O Canto Mágico da Amazônia (Cultura Popular); Festival de Música e Poesia do Pará Ano 2 (música); Festival Folclórico do Sairé - Alter do Chão (Cultura Popular); Fida - Festival Internacional de Dança da Amazônia (dança); Fotoatividades (Artes Visuais); II Noites Com Sol (Música); Prêmio Curupira de Música Independente da Amazônia (música) e o I Salão de Arte Digital Xumucuis (Artes Visuais)