23.4.12

Mais tempo pra se inscrever no Salão Universitário

Em sua quarta edição, o Salão SESC Universitário de Arte Contemporânea abre mais uma vez, oportunidades para jovens artistas e incentiva a produção visual de obras contemporâneas. Ainda dá tempo de inscrever seu trabalho, até esta terça-feira, 24 de abril.

Este ano o evento conta com a curadoria da crítica de arte Marisa Mokarzel. Para Hugo Nascimento, estudante de artes visuais e selecionado na edição passada, “O fato de existir um salão para universitários já é uma grande coisa, porque é uma oportunidade de escoar a produção. Tu produzes e almejas continuar fazendo, então pra mim é um grande espaço que possibilita as pessoas explorarem e mostrarem seus trabalhos”. 

Cada participante pode inscrever até três obras em uma das categorias: desenho, pintura, escultura, gravura, fotografia, objeto e técnica mista e até duas obras em performance, instalação e vídeo. Os trabalhos selecionados ficarão expostos de 17 de maio a 1º de julho no Centro Cultural SESC Boulevard e receberão um incentivo de 200 reais, sendo que os três melhores serão premiados com mil reais cada. 

Para se inscrever, os interessados devem preencher uma ficha disponível de forma on-line em www.sescboulevard.blogspot.com ou em forma física no prédio do SESC Boulevard e entregá-la na recepção do Centro Cultural. Para ver o regulamento completo, acesse: www.sescboulevard.blogspot.com. Serviço: Salão SESC de Arte Contemporânea. Mais informações no Centro Cultural SESC Boulevard (Boulevard Castilho França, 522/523- Campina) - (91) 3224-5654/5305.

20.4.12

"Pro Ensaio Geral" está em cartaz na Casa da Atriz

As últimas aprsentações acontecem nesta sexta, 20, sábado, 21 e domingo, 22 de abril, sempre às 20h, na Casa da Atriz. Ingresso R$ 15 e 8,00. Não perca!

Comédia, drama, pastelão, escracho. Nada disso traduz o espetáculo “Por Ensaio Geral”, do grupo BAI - Bando de Atores Independentes. Ou, na verdade, seja tudo isso que o constrói para se contar uma história que aparentemente está limitada a vida de Divina, Científica e Durval, personagens que se entrelaçam em aproximadamente uma hora de apresentação.

A idealização e dramaturgia do espetáculo é de Maurício Franco e Sandra Perlim. Ele, ator, figurinista, diretor, artista plástico. No espetáculo ele é Divina, uma transexual que deseja realizar um grande sonho, ser atriz e montar um grande espetáculo. Ela, atriz que tem uma trajetória atípica no teatro, dedicando-se exclusivamente às artes cênicas desde 2009, quando volta aos palcos com o espetáculo “As Gatosas”, do Grupo Cuíra. 

Em "Pro Ensaio Geral", Sandra é Científica, mãe de Divina, que sonha em ser uma atriz de verdade. Finalmente consegue recursos e está produzindo sua grande aparição ao público. Durante o espetáculo, a plateia acompanha os momentos que antecedem a estreia. Em meio a isso, um drama de Cientifica vem à tona, quando ela recebe o resultado de exames de sua frágil saúde, mas não consegue contar à Divina com medo de estragar o glamour de seu sonho. 

Ela chega com a filha até o teatro, na noite do ensaio geral, mas não fica na plateia. 

“O enredo, aparentemente cotidiano, esconde os mistérios da vida, as relações humanas e como elas se desenvolvem, as disputas de poder no seio familiar, os sonhos de pessoas aparentemente comuns que trazem em si a alma do artista", diz Maurício Franco.

“Pro Ensaio Geral” entrou em cartaz no início de março e chega agora ao seu último final de semana, na Casa da Atriz, espaço alternativo que funciona por pura graça e paixão de uma família chamada Porto, um verdadeiro porto seguro a grupos que vem ousando em se apresentar com formatos pequenos, mas nem sempre curtos. 

A ideia é circular com a peça por outros lugares da cidade. "Construímos uma cenografia, iluminação e figurinos simples e que a gente consegue transportar em um carro. Então, podemos levá-lo pra qualquer lugar", diz Vandiléia que já recebeu propostas para apresentá-lo em uma escola de Belém. Os demais interessados em ter o espetáculo encenado em outro espaço, pode entrar em contato pelo telefone 91 8110.5245 e falar com Cristina Costa. 

Coletivo - Neste espetáculo, o grupo divide várias operações. A direção é de Vandiléia Foro, que opera a sonoplastia criada coletivamente. Sandra Perlim e Maurício atuam e assinam a dramaturgia. Malu Rabelo, que é Durval, uma espécie de faz tudo, na verdade uma solução cênica interessante para colocar Malu na cena, que é também responsável pela iluminação, elemento que dá todo sentido às cenas que seguem em ritmo frenético acentuado pelo texto ágil da fala dos atrores. A produção é de Rafael Couto, com a Consultoria de Crsitina Costa, da Produtores Criativos.

Maurício Franco é formado pelo curso técnico de ator pela ETDUFPA, vem realizando trabalhos junto a vários grupos, como o grupo de teatro da Unipop, o Papel Animado e a Dramática Cia. Participa ainda de coletivas de artes visuais e responsável, ao lado de Ester Sá, da concepção da Dramaturgia de “Quem vai levar Mariazinha para passear?”, cujo roteiro adaptado para um curta-metragem homônimo, foi premiado pelo edital Curta Criança do Ministério da Cultura, filmado ano passado em Belém e está prestes a estrear na TV Rede Brasil. 

Já deixou sua assinatura em figurinos de vários espetáculos, entre eles, “Paixão Barata e Madalenas” (ETDUFPA), peça que gerou o hoje a Cia Madalenas; “Orfeu” (Grupo de Dança da Unama), “Cuide Biscoito” (Unipop), “Os Quatro Temporais” (Independente), e “O Império de São Benedito” (Karine Jansen). 

Artista repleto de talentos, já dirigiu os espetáculos “III”, “O Outro e a Mulher Morta”, “Seismesesaqui” e POR A CAOS (Desabusados Cia), nos quais Sandra Perlim também participa, e realizou a Confecção dos bonecos e Direção de Arte do Espetáculo “À sombra de Dom Quixote” (Coletivo Miasombra), sucesso de público em sua temporada no Estúdio Reator, no início do ano passado. Enfim, vale conferir “Pro Ensaio Geral” e viver os momentos emocionantes da vida de Divina, Científica e Durval.

|Ficha técnica|

Direção: Vandiléia Foro Dramaturgia: Maurício Franco e Sandra Perlin
Elenco: Maurício Franco, Malu Rabelo e Sandra Perlin
Figurino: Maurício Franco
Iluminação: Malu Rabelo
Sonoplastia: O bando
Operação de sonoplastia: Vandiléia Foro / Rafael Couto 
Divulgação e Fotos: Luciana Medeiros 
Consultoria de Produção: Produtores Criativos
Produção: Rafael Couto

|Serviço|
Temporada: Nesta sexta-feira, 20, sábado, 21, e domingo, 22 de abril, às 20h. Na Casa da Atriz (Oliveira Belo, 95 - entre Generalíssimo Deodoro e Dom Romualdo de Seixas). Ingressos: R$ 15,00 e R$ 8,00. Informações: 91 8701.3909 / 8156.9636.

Ensaio Fotográfico na oficina de Octavio Cardoso

O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia dá sequência a sua programação de oficinas. A partir desta segunda-feira, 23, serão abertas as inscrições para a oficina “Ensaio - Resumindo Uma Ideia”, com o fotógrafo Octavio Cardoso, que acontecerá de 14 a 24 de maio, no Instituto de Artes do Pará. 

Quais imagens escolher? Coloca-las em página inteira ou pela metade, abri-las ou não, muitas fotos pequenas ou poucas e grandes? Estas questões sempre surgem na hora de se editar um ensaio fotográfico numa página de jornal. Mas o que é isso um ensaio fotográfico? È basicamente uma história contada através de imagens, muitas vezes acompanhadas de legendas de texto, publicadas em revistas, jornais, on-line, e às vezes em formato de livro. 

Existem dois tipos de ensaios fotográficos, a forma narrativa, que conta uma história através de uma seqüência de imagens, que podem ser planejadas com antecedência, ou geradas enquanto documentava um evento. O segundo é o de temática, que reúne essencialmente uma coleção de imagens em torno de um tema central. De qualquer forma, conta-se uma história. No caso, a oficina ministrada por Octavio Cardoso trabalhará com temas, que serão escolhidos e discutidos para que os participantes desenvolvam dois ensaios fotográficos, tendo como objetivo editá-los numa página de jornal.

Para isso serão oferecidos exemplos e informações técnicas que, junto a um designer gráfico, serão assimiladas a fim de resumir os assuntos, limitando-os ao espaço de apenas uma página de jornal. “A ideia geral é aprofundar os conceitos de ensaio fotográfico, dando exemplos, mas a oficina será essencialmente prática. Vamos montar dois grupos e eleger um tema para ser desenvolvido por cada um e teremos várias saídas de campo em busca de captar as imagens dos temas relacionados na oficina”, explica Octavio Cardoso.

“Vamos discutir como é que se resolve um assunto, se fotos grandes são melhores de se usar, do que selecionar várias pequenas, dependendo do tema. A partir daí, vamos buscar soluções aos problemas que forem surgindo. Esta é uma demanda que acompanha o editor de fotografia constantemente, tanto em revistas quanto em jornais. Mas todo fotógrafo gosta desse exercício”, complementa. 

Para preparar os participantes, a oficina também trabalhará a teoria, utilizando vários exemplos de como se usar bem um ensaio fotográfico e mostrará alguns deles, por exemplo, realizados pela extinta revista Life Magazine. “Esta revista foi a primeira a usar ensaios fotográficos em suas páginas, portanto é referência. Selecionar imagens entre as opções de fotos trazidas do trabalho de campo e como definir aquelas que melhor vão contar a história escolhida, será nossa tarefa”, finaliza. 

Octávio Cardoso começou a fotografar em 1984, na Associação Fotoativa. Ganhou em 1986 juntamente com Ana Márcia Souza o Prêmio Esso de Jornalismo Regional Norte. Em 1990, fundou juntamente com Miguel Chikaoka, Patrick Pardini e Ana Catarina Brito a Kamara – Kó Fotografias, onde ficou até 1994. De 1990 a 1995 trabalhou como cinegrafista e diretor de fotografia na DCampos Produções e no projeto Academia Amazônia da UFPA. 

Em1995 criou com Walda Marques a WO Fotografia. Desde 1988 desenvolve trabalhos de documentação, arquitetura e publicidade. Atualmente é editor de fotografia do Jornal Diário do Pará. Os interessados em fazer a oficina devem baixar a ficha de inscrição que se encontra no site do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia, preenchê-la e levá-la assinada ao escritório do prêmio (Av. Gaspar Viana 773). Os pré-requisitos são que o candidato tenha câmera digital e leve anexado à ficha de inscrição, um portfólio de 6 fotografias, de qualquer tamanho.

As aulas presenciais acontecerão nos dias 14, 17, 21 e 24 de maio, das 19h às 21h, no Instituto de Artes do Pará e as saídas fotográficas serão de 15 a 23 de maio, de forma livre. O período de inscrição será de 23 de abril a 10 de maio. 

A realização do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é do Jornal Diário do Pará. Patrocínio da Vale e Governo do Estado. Apoio Espaço Cultural Casa das Onze Janelas - SIM /Secult-PA, Museu da UFPA, Sol Informática e Instituto de Artes do Pará. Informações: (91) 3184-9327 / (91) 8128-7527.

19.4.12

Valmir Bispo é perda irreparável!


O historiador, ativista cultural e ambiental, lutador das causas indígenas, um grande amigo e cheio de vontade de viver a vida, Valmir Bispo foi encontrado morto na manhã desta quinta-feira, 19 de abril, em sua casa.  Valmir era, e é difícil falar assim no passado, o atual Diretor do Núcleo de Arte e Cultura da UEPA, foi ex-superintendente da Fundação Cultural Curro Velho e o primeiro presidente paraense da UNE.

Valmir estava em plena atividade, preparando mais uma programação alusiva ao Dia do Índio. Ele que foi responsável pela realização da Semana dos Povos Indígenas, causa que tanto defendia, estava também se preparando para participar do Encontro Nacional da Setorial de Cultura do PT, no qual era filiado, com a possibilidade de compor o coletivo nacional do mesmo, no fim deste mês em Brasília. 

Em 2010 foi um dos principais mobilizadores do girto em prol do Custo Amazônico, em Brasília. É inaceitável qualquer hiótese de um crime contra a prórpria vida e de acordo com informações de Diógenes Brandão, amigo e blogueiro do Fala da Pólis, a polícia já descartou a possibilidade de suicídio. 

O velório dele será realizado no Centur e deve se tornar uma grande homenagem, feita de lágrimas e dor, sentida por todos aqueles que tiveram a sorte de seu convívio. Lamento e choro!

18.4.12

Aíla lança disco de estreia no Memorial dos Povos

Produzido no ano passado, o CD Trelêlê passeia por múltiplas referências, do brega da década de 80, até o hip hop, colhendo elogios dos ouvidos mais atentos. Para apresentar ao público o resultado de horas de experimentação, a cantora realiza um show de lançamento em Belém, nesta quinta-feira, 19,  no Memorial dos Povos. 

As lembranças que levam Aíla ao universo da música começam ainda na infância. De uma família apaixonada por arte, o caminho para o palco foi traçado naturalmente. 

"Cresci cercada de pessoas envolvidas com música, de ouvintes apaixonados até artistas mesmo, e isso com certeza determinou minhas escolhas e influências", relembra a cantora. De lá para cá, ela se enveredou por muitos ritmos até descobrir nas sonoridades regionais e latinas a fonte ideal de inspiração.  "Meu trabalho realmente reflete as minhas buscas. Faço música para o mundo, com o sotaque da minha terra, claro, mas sem delimitar barreiras ou criar estereótipos", explica. 

Lambada com batidas eletrônicas; guitarradas com elementos da música pop. Em seu primeiro disco, Aíla flerta com muitos experimentos e acaba fazendo música universal com o carisma amazônico que está ganhando cada vez mais o país. O disco possui 11 faixas, que passeam despretenciosas por estas vertentes, e conta com o elogiado Felipe Cordeiro, na produção e nas guitarras, tem músicas de grandes compositores e participação de Gaby Amarantos, a atual febre sonora do país.

No show de lançamento, Aíla terá participações especiais, entre elas, Dona Onete, que empresta sua forte voz à faixa "Proposta Indecente" no álbum. No show desta quinta, a maior parte dos músicos  já vêm acompanhando a cantora,  desde o ano passado, com exceção de algumas novidades. 

"No espetáculo conto com o apoio dos grandes amigos e músicos Adriano Sousa, na bateria; Rafael Azevedo, contra-baixo e samples; Bruno Habib, nos teclados, synths e samples; Davi Amorim e Tom Salazar, nas guitarras; e Joao Paulo Pires, percussão", conta. 

O cenário, assinado pela artista visual Roberta Carvalho, será multimídia, baseado em video-mapping, e em uma das músicas a projeção será feita colaborativamente, através de uma campanha on line, lançada pelas redes sociais para arrecadação das imagens. Empolgada em apresentar o resultado de seu árduo trabalho para os paraenses, Aíla espera captar vibrações positivas na apresentação.

"Escolhi lançar esse trabalho primeiramente em Belém, pois acredito que o calor e o carinho que receberei aqui em casa, refletirão boas energias para os futuros shows de circulação do trabalho Brasil à fora". 

Serviço 
Show de Lançamento do disco Trelêlê, da cantora Aíla. Quinta-feira, 19, no Memorial dos Povos, às 20h. Ingressos: R$ 15 antecipado na Loja Ná Figueredo/ Promoção: R$ 30 reais CD + ingresso.

Congresso de Música está com inscrições abertas

Estudantes de música de todo o estado e também do Brasil já podem inscrever trabalhos para serem apresentados no III Congresso Estudantil de Música da UFPA, que vai reunir professores e estudantes de todo o país em Belém entre os dias 23 e 25 de maio. As inscrições de artigos e outros trabalhos já estão abertas e podem ser feitas, até o dia 25 de abril, pelo email cemufpa@gmail.com.

Com o tema “Construindo uma educação musical”, o III Cemufpa tem como desafio debater uma educação musical que seja condizente com os novos tempos, com as necessidades da sociedade e dos profissionais e educadores da área. Pelo terceiro ano consecutivo o Centro Acadêmico de Música (Camus) da Universidade Federal do Pará organiza o evento, que vem se afirmando como uma iniciativa pioneira na região Norte no sentido de fomentar o debate e a reflexão sobre o ensino da música.

“Até então nós não tínhamos um espaço de debate que atendesse as necessidades do estudante”, comenta um dos organizadores, o estudante Sandro Santarém. Com a regulamentação da Lei nº 11.769/2008, que torna obrigatório o ensino de música na educação básica, a universidade tem não só o dever de discutir um campo profissional que se amplia como também o desafio de propor uma metodologia regionalizada do ensino. Para tratar do assunto estarão reunidas os professores Ricardo Catete e Jaqueline Malcher, ambos da Universidade do Estado do Pará (UEPA), e Ana Luiza Leal, da UFPA, juntamente com Marcos Guimarães, representante da Ordem dos Músicos do Brasil, Seção Pará. 

E a educação básica também se estende aos deficientes e portadores de necessidades especiais. O Cemufpa traz a Belém, para debater o assunto, a paulista Viviane Louro, uma das maiores autoridades em inclusão social para deficientes atualmente no Brasil. Louro, que tem vasta bibliografia e participa de vários programas de inclusão, estará dando uma oficina e também participará de uma mesa de debates ao lado dos professores Antônio Padua Sales e Áureo de Freitas.

André Hosoi (Barbatuques)
Também na área do debate sobre educação musical, mas dessa vez no campo superior, o evento traz a Belém Lucas Robatto, professor titular da Escola de Música da Universidade Federal da Bahia (UFBA), que vai debater os desafios do ensino na universidade. Ele debaterá com os paraenses Lia Braga (UEPA), Claudio Trindade (UEPA) e Ana Margarida Camargo (UFPA). 

Outro nome de grande repercussão nacional é o do paulista Fernando Sardo, músico multi-instrumentista e luthier experimental que vem ministrar oficina de construção de instrumentos. Também de São Paulo vem a professora de canto Diana Goulart, que desenvolveu um método de grande repercussão no ensino do canto popular. Os dois estarão discutindo a História do Ensino Musical no Brasil ao lado de Lúcia Couceiro e Marcelino Moreno (UFPA).

Para discutir as interfaces da música, estão junto na mesma mesa o produtor e jornalista Elielton Nicolau Amador, membro do Colegiado Setorial de Música do Minc, e Miguel Santabrigida, produtor e diretor de teatro. Juntamente com eles, estará o professor Marcos Cohen. Para encerrar o ciclo de debates, o professor Antônio Maciel, pesquisador do carimbo, Georgett Lago (UEPA), Paulo Murilo (UEPA) e Sônia Chada (UFPA) vão discutir Etnomusica, um debate que não poderia passar em branco em qualquer produção acadêmica na Amazônia. 

As oficinas terão ainda a ilustre participação de André Hosoi. Compositor, multi-instrumentista e artista gráfico, formado em música popular pela Unicamp, Hosoi foi diretor da Auê – Núcleo de Ensino Musical durante doze anos, e é integrante do grupo Barbatuques há mais de dez anos, onde coordena o núcleo de educação musical. 

Sandro Santarém (organizador do CA de Música)
O III Cemufpa conta com a parceria da Escola de Música da UFPA (Emufpa), ICA, PROEX, e tem como apoiadores culturais a Zarabatana Produções Musicais, Núcleo Barbatuques, MM Produções, Doceria Abelhuda e portal Pará Música (um projeto patrocinado pelo Conexão Vivo, através da Lei Semear). Entre as atrações musicais, cuja programação ainda está sendo fechada, estão confirmadas as bandas Álibi de Orfeu, Zarabatana Jazz e Dayse Addario, Nanna Reis, Groovedelic, o pianista Leonardo Coelho de Souza e a Orquestra de Violoncelistas da Amazônia, entre outros. Confira a programação das mesas e das oficinas. 

Serviço
Inscrições de trabalhos para o III Cemufpa. Até 25 de abril pelo e-mail: cemufpa@gmail.com. Maiores informações podem ser obtidas pelo blog do evento: www.cemufpa.wordpress.com. E 91 8803 4453. 

(com informações da assessoria de imprensa do evento. Fotos: divulgação)

17.4.12

Múltiplo e indivisível nos seus 23 anos de carreira

Entrevistar Renato Torres é uma tarefa de fôlego. Artista múltiplo, de alma trêmula e inquieta, ele é músico, compositor, cantor, poeta, produtor, diretor musical e muito mais, como vocês vão entender na reportagem abaixo, com informações sobre sua trajetória, com + de 20 anos, entremeadas com depoimentos seguidos de um bate papo.

A carreira de Renato Torres está complentando mais de duas décadas que serão comemoradas com um show, antecipando o lançamento de seu primeiro CD solo, nos dias 20 e 27 de abril, no Sesc Boulevard. O repertório autoral  revela a atuação de Renato Torres, intensa, pessoal e colaborativa junto à história cultural da cidade. 

Ele não fica parado nunca, nem mesmo quando se diz que a maré não está pra peixe. Está sempre criando uma nova banda, tocando nas noites de Belém do Pará, fazendo voz e violão, produzindo um CD, arranjando trabalhos de inúmeros parceiros, pensando ainda uma galeria de arte ou escrevendo pensamentos poéticos no excelente blog “A Página Branca”. E muitas vezes, até, ele faz tudo isso ao mesmo tempo, acreditem. 

Aos 13 anos já escrevia poemas e com 17 aprendeu a tocar violão. A partir daí, vieram canções com letra e música e foram acontecendo as bandas, várias delas. A primeira, na verdade, ele formou aos 16 anos. “Sempre fui uma pessoa solitária e tímida, mas com um senso de coletivo muito forte. Por isso tive muitas bandas e demorei um bocado pra fazer coisas sozinho no palco”, diz o músico. 

Múltiplo e indivisível!
Remis'n'Blue (1989-1991) foi a primeira, formada por ele na extinta Escola Técnica Federal do Pará. “Banda de nome estranho, uma gíria inventada pelo meu parceiro guitarrista Sérgio Cardoso, que significava várias coisas: maluco, lerdo, chapado, etc. Ele "ouviu" a expressão, segundo consta, no fim de uma música dos Beatles do álbum branco ‘I'm So Tired”’. 

A banda teve vários músicos na formação, até chegar na formação clássica, com Rubens Stanislaw e Alexandre Lima e trazia um som centrado no rock e no blues, “com letras nonsense e cheias de malícia adolescente. Havia já uma pontada de influência da MPB aqui e ali”, conta Renato. 

A parceria com Rubens e Alexandre seguiu mais à frente, na Moonshadow (1992-2000). “Nome emprestado de uma história de quadrinhos inglesa (sempre fui fã de HQ). Com essa banda, levei a cabo um projeto experimental ao extremo, misturando nas apresentações música, teatro, poesia, performance, artes plásticas, vídeo”. 

Misturando rock, pop, MPB e trazendo experimentalismo, com forte influência literária e de outras vertentes da arte, além do trio de músicos, a banda tinha participação de quatro atores e outros agregados que auxiliavam na produção dos espetáculos. “Com Moonshadow fiz, em 1993/1994, minhas primeiras incursões fonográficas, gravando a demo tape Arte Cínica no Estúdio Edgar Proença, da Funtelpa, com produção de Beto Fares”, lembra o músico.

Com Sonia Nascimento no show Invento (2010)
Paralelamente à Moonshadow, Renato participou do surgimento de outras duas bandas que marcaram uma época em Belém, como a Jardim Elétrico (1995), que trouxe ao palco uma grande parceira, a cantora Sônia Nascimento. 

“Com seu carisma no palco, ela nos tirou do underground e viramos a prata da casa do Bar Go Fish - um dos melhores espaços culturais da história de Belém”. A banda durou pouco, abrindo espaço a empreitada seguinte, a “Florbela Spanka” (1996), que teve carreira não menos meteórica. Na formação, tinha mais uma vez Rubens e Alexandre, além de Elísio Eluan (teclados) e Claudio Costa (percussão).

Foi também na era Go Fish, paralelo ao trabalho do Florbela, que surgiu outro projeto de Renato, criado com a vocalista lírica Valéria Fagundes, trazendo como percussionistas Dionelpho Jr. e Cristiano Costa, além do baixista Maurício Panzera, que se tornaria mais um parceiro de longa data. Falamos do “Boca de Luar”, que unia a tradicional MPB à mais ousada música pop, mas com arranjos vocais que, segundo Renato, eram “irresistíveis”. “Eram trabalhos onde havia um cuidado com figurino, luz, roteiro, escolha de repertório, e até maquiagem. Algo entre o glam, o pop, o rock, e a MPB, em ambas as bandas”. 

Com tanta atividade e atitude assim, suas obras ganharam a mídia. “Estávamos toda semana nos jornais e programas de TV. Essas duas bandas foram responsáveis por nos tornar músicos conhecidos na cidade, e sermos convidados, posteriormente pra outros trabalhos”, lembra. O projeto Boca de Luar levou Renato e parceiros ao Festival de Inverno de Ouro Preto, em 1996. “Circulamos nos bares, nos apresentando. Foi a primeira vez que saí de Belém com um trabalho musical”. 

Renato, Panzera e Kunz, a Clepsidra com Henry Burnett
Renato diz que o período foi fértil. E em meio a isso tudo, ele ainda montou uma banda de funk e soul, a “Pai Ubu”, com Rubens Stanislaw, mais uma vez, e trazendo Ulisses Moreira na bateria. Foi outra que teve curta duração. E a esta altura, a Moonshadow também encerrava seu ciclo, chegando ao ano 2000. 

“Passei um tempinho órfão de bandas, até formar com Maurício Panzera, em 2001, a Clepsidra: o projeto mais relaxado e, a longo prazo, que já tive, reflexo de um período em que estava em busca de uma nova direção musical, experimentando música produzida em computador, com samples e sequenciamentos”. A Clepsidra lançou, em 2004, o CD “Bem Musical” (Ná Records), que reúne sete canções em arranjos eletrônicos e eletroacústicos.

“A música eletrônica de pista estava bastante em voga na época, com o álbum de estreia de Otto, por exemplo, tocando muito, mas o que buscávamos não era o som de rave (que também nos agradava) queríamos uma música liberta de rótulos”, explica. Em 2006 veio o segundo CD “Tempo Líquido” (Ná Records), “já sem samples e computadores, e entre os músicos convidados estava Arthur Kunz, que um ano depois, em 2007, se juntou definitivamente à banda”.

A entrada de Kunz na banda deu início a uma nova fase nesta trajetória e Renato passa a trabalhar com toda uma geração que vem despontando no cenário musical nacional como Felipe Cordeiro e Aíla Magalhães, além de incluir em seus planos de trabalho velhos parceiros, como Iva Rothe, Henry Burnett, Gláfira Lobo e Joelma Kláudia, sendo para eles, junto aos seus projetos e parceiros, uma referência de sonoridade e concepção musical. 

Agora, ele alça este novo vôo, que poderemos conferir nas duas próximas sextas-feiras, 20 e 27, no Centro Cultural Sesc Boulevard (entrada franca, sempre às 19h), acompanhado por uma super banda além de ótimas participações de Juliana Sinumbú, Luê Soares, Ronaldo Silva, Sônia Nascimento, Arthur Nogueira, Ester Sá, Dulci Cunha e Renato Gusmão. Segue abaixo o bate papo com o músico.

Holofote Virtual: Como está este show? 

Renato Torres: Vida é Sonho é um show eminentemente autoral, com arranjos centrados em timbres acústicos, ou seja, ele tende a privilegiar um som mais próximo da MPB tradicional, com ritmos e levadas que passam pela balada, o baião, ijexá, marabaixo, mas também com canções épicas em compassos ternários, e até em compassos ímpares. Sempre haverá um clima experimental no que faço, porque, na verdade, sempre persigo a tal "música", liberta de rótulos. 

Holofote Virtual: Afirmando isso não seria dizer que este show traz um pouco de tudo que você já vem fazendo? 

Renato Torres: Falar em MPB, em pop, em rock são só referências pra aproximar (ou não) as pessoas do trabalho. Mas o melhor mesmo é ouvir e tirar as próprias conclusões. O que posso dizer, seguramente, é que é um show baseado conceitualmente na delicadeza e na beleza de canções e de poemas, no prazer e na alegria de que existam essas formas de expressão artística e humana, daí o nome Vida é Sonho. 

É um título emprestado (faço isso um bocado! rs) de uma peça do espanhol Calderón de la Barca, La Vida es Sueño, mas a canção traz um questionamento existencial: porque acordamos pra tentar fazer o sonho acontecer? Isto é, se o sonho é uma dimensão da realidade - e não uma mentira, ou uma ilusão, como muitos creem - porque o tomamos dessa forma, como se fosse uma coisa descolada da dimensão, dita, real, física? é fato comprovado que durante os sonhos, nossa atividade biopsíquica é equivalente ao estado de vigília... Portanto, a proposição é de que vivamos mais essa dimensão, em especial, através das manifestações artísticas.

Renato com Juliana Sinimbú
Holofote Virtual: Quem está contigo? 

Renato Torres: O show conta com Rodrigo Ferreira (piano acústico), Rubens Stanislaw (baixo acústico), Diego Xavier (bandolim, voz, percussão), João Paulo (percussão), e Camila Honda (voz), além das participações especiais. É um show composto quase que exclusivamente por composições minhas em parceria com Paulo Vieira, Dionelpho Jr., Jorge Andrade, Daiane Gasparetto, Alice Belém, Edir Gaya, entre outros.

Holofote Virtual: Grandes parceiros na vida e na música... 

Renato Torres: Sempre tive a felicidade de ter grandes parceiros, e gosto de parcerias, de qualquer forma, mesmo que seja, às vezes, por um único show, uma simples canja num bar. A música, pra mim, é realmente uma forma de amar as pessoas, e torno o meu público, no rito do espetáculo, também meu parceiro, na cumplicidade do olhar, e no envolvimento profundamente espiritual das canções.

Holofote Virtual: Já falamos de vários deles, mas sabemos que há bem mais.... 

Renato Torres: A lista de amigos e parceiros é imensa, e certamente vou esquecer de alguém, mas, somando aos já citados nessa entrevista, incluo Vital Lima, Júlio Freitas, Floriano, Leandro Dias, Fabiana Leite, Lu Guedes, Ana Flor, e tantos outros... 

Costumo dizer que só trabalho com quem admiro. Sou fã dos meus parceiros, dos músicos que convido a tocar ou gravar comigo, por vezes certamente mais do que eles de mim, ou do que eles supõem que eu seja! (risos). É que nunca me abandona um certo deslumbramento de fã pela música que acontece em qualquer pessoa, sou mesmo apaixonado por isso, e sempre que possível, me declaro fã mesmo, pra demarcar esse espaço de devoção. Importante citar também a influência e incentivo de pessoas como Adolfo Santos, Beto Fares e Ná Figueredo, não só na minha carreira, como na de muita gente.

Com Arthur Nogueria e Antonio Cícero
Holofote Virtual: A tua relação com a música sempre foi muito intensa. O que isso representa intimamente? 

Renato Torres: A música é, indubitavelmente, a mais espiritual das linguagens artísticas, a que mais nos aproxima a todos do imaterial, e meus parceiros são seres que me auxiliam nessa grande busca de aprimoramento e foco, dentro de uma proposta artística e humana. Sei que soa um papo muito zen, e vai ver é mesmo, mas acredito que é preciso fazer valer essa dádiva (palavra que prefiro a "dom", porque me parece mais democrática...). 

Acho mesmo que a música (como qualquer forma de arte) pertence a todos, é uma dádiva humana, universal. Nós, que enveredamos pelo caminho de maneira mais objetiva e produtiva, sendo músicos e compositores, temos uma grande responsabilidade nesse processo. 

Holofote Virtual: Trabalhas na Galeria Theodoro Braga, fazes música, adentras no teatro... És poeta. Fala de como tudo isso converge na tua carreira.

Renato Torres: Sou uma pessoa múltipla, por natureza, e por sina. Quando criança, queria ser artista gráfico, desenhava o dia todo. Pré-adolescente, fui tomado pela poesia. Aos 16/17, a música ficou em primeiro plano (e daí, não saiu mais), mas paralelamente a isso, conheci o teatro e a dança, ainda na ETFPa. Cheguei a fazer o curso de formação de ator na ETDUFPa, dar oficina e a dirigir teatro.

Na Ufpa resolvi fazer Artes Visuais, ou seja: busquei uma formação múltipla em arte, e apesar da música seguir ocupando um lugar central em minha vida, por conta de seu poder social e comunicativo, continuo tendo esse interesse múltiplo. Acho isso bom, porque me ajuda a ter perspectiva e referência em muitos processos nos quais me envolvo, e muitas vezes, isso faz a diferença na hora de achar soluções ou dirigir alguma produção. O conhecimento em arte é fundamental, creio, pra qualquer pessoa do ramo, mas minha alma é de um diletante e apaixonado pelo assunto, sempre me considero aprendiz de tudo... como Alberto Caeiro. 

Holofote Virtual: E ainda fazes direção e produção musical e tens teu nome na ficha técnicas de inúmeros trabalhos... 

Renato Torres: A direção e a produção foram surgindo naturalmente em minha vida, como uma consequência de minhas buscas e experiências, mas são atividades que exerço também de forma diletante. Muitos não me considerariam um "diretor de verdade", e não os tiraria a razão... Por outro lado, gosto do que faço, e sei que muitos resultados interessantes podem advir de um trabalho feito com cuidado e foco.

Holofote Virtual: Quais os trabalhos já realizados neste campo? 

Renato Torres: Comecei, claro, com minhas próprias produções, desde que comecei a gravar e a ser convidado pra tocar com outros artistas, como instrumentista. Os arranjos foram esse primeiro passo, porque sempre me surgiram muitas ideias musicais, que tentava modelar em frases e paisagens sonoras pra uma determinada canção. 

O segundo passo surgiu quando comecei a lidar com a produção de música no computador, no início dos anos 2000, interesse que só fez crescer ao longo dos anos, e resultou na montagem de um home studio. Assim, depois de shows com Iva Rothe, Henry Burnett, Florbela e Boca de Luar, Tony Soares, Luis Girard, passei a ser chamado pra arranjar canções em estúdio, como no CD Furta Cor de Júlio Freitas, co-produções e arranjos nos CDs Não Para Magoar e Retoque de Henry, Estrela D'água de Lu Guedes, e mais recentemente, no CD Dias Assim, de Joelma Klaudia, Mundano e Mundano+, de Arthur Nogueira, Aparecida, de Iva Rothe. 

Holofote Virtual: E em direção musical? 

Renato Torres: Juliana Sinimbú foi a primeira artista a me chamar pra dirigir e produzir primeiro um show, Intimidade, junto a Aíla Magalhães, e depois seu primeiro disco, o ainda inédito Sonho Bom de Fevereiro, uma grande escola pra mim, produções que participei da concepção à finalização.

Presentemente estou envolvido na produção e direção do CD de estreia de Gláfira Lobo, do segundo CD de Arthur Espíndola, e do novo projeto de Juliana, Una, em parceria com Arthur Kunz. Além disso, esse ano começo a produção do meu primeiro CD solo, “Vida é Sonho”.

Holofote Virtual: Também tocas em barzinhos, tem muito disso na tua trajetória. É um contato mais visceral com teu publico? 

Renato Torres: O bar é, já muito se disse, uma escola e um caminho inevitável para o músico que quer formar um público, e encontrar seu som. Dá cancha, promove experiência, e também é, de certo modo, uma alternativa financeira... Mas sendo bem franco, nunca foi uma paixão pra mim. Poucos bares onde já toquei em minha carreira eu lembro com saudade, infelizmente... E isso se dá por um motivo simples, e bem conhecido: nenhum músico gosta de tocar sem atenção do seu público. Isso é bem pior do que um cachê ruim, na minha opinião. 

Holofote Virtual: Entre outros que podemos citar, deste nipe, tivemos o já tão falado aqui, Go-Fish, mas também o Café Imaginário e agora o Espaço Cultural Boiúna... 

Renato Torres: Quando tocávamos no Go Fish, nos gloriosos anos 90, nem cachê ganhávamos!... Era puro prazer de tocar, e também um investimento na formação do público, e na produção de um espetáculo de qualidade. Hoje em dia só tenho tocado num único bar, que é onde encontro um público interessado no meu som, e onde sinto muito prazer em tocar. Tenho alguns amigos que abandonaram completamente o bar, como perspectiva de espaço e não os culpo... Se os bares em Belém fossem como o Go Fish ou o Café Imaginário, seria um paraíso!... Mas já ajudaria bastante se extinguissem TVs passando Vale Tudo, enquanto os músicos se apresentam.

Holofote Virtual: E o CD sai quando e como? Falta patrocínio ainda?

Renato Torres: O CD Vida é Sonho sairá, espero, ainda esse ano! O projeto ganhou uma carta da Lei Semear, e está em fase de captação. Sim, falta patrocínio, e estamos em busca deste, ou destes, que viabilizarão o projeto. Será independente na medida em que não sairá por nenhuma grande gravadora, obviamente. Hoje em dia, até o Chico Buarque é um artista independente! 

A ideia é levar o projeto, que inclui música e poesia, também para escolas públicas, não ficar apenas nos espaços tradicionais de apresentação, para formar plateia, e cumprir uma função social. É preciso levar alternativas musicais, culturais diversas, enfim, aos jovens da periferia. 

Holofote Virtual: E como fica a banda Clepsidra?

Renato Torres: Apesar de estar numa espécie de recesso, a banda continua existindo, e estamos na fase de finalização de nosso terceiro CD, Independente, que deverá sair ainda nesse primeiro semestre. Sempre tivemos partos difíceis de nossos CDs, e este não foge à regra. Mas também estamos numa fase em que cada um dos componentes do trio está desenvolvendo projetos pessoais.

Oficialmente, a banda não terminou. Devemos fazer o lançamento do CD e entrar com um projeto de circulação pra ele em breve. Por ora, é possível que o público nos veja no palco mais cedo acompanhando a Juliana Sinimbú, que não abre mão do nosso som. 

Holofote Virtual: O teu blog é algo que se constrói para um projeto futuro de um livro? 

Renato Torres: A Página Branca continua ativo e o projeto do livro também está em andamento! O livro, que se chamará Inventania, já tem um projeto tramitando na lei Rouanet, e tem possibilidades reais de ser lançado ainda esse ano, é esperar pra ver, e ler! Com ele também quero circular escolas e feiras literárias, dando conta de uma linguagem que, ao fim e ao cabo, sempre foi a minha expressão primeira: a poesia.  Tudo, em minha vida, sempre nasceu da palavra... e mesmo quando era criança, com minha paixão por desenhos, observo hoje que escrevia meus poemas imageticamente... sempre tive um olhar lúdico e onírico sobre as coisas, sobre a vida. 

Holofote Virtual: O que você gostaria de dizer agora ao teu público e a todos em geral, que acompanham ou nem tanto o teu trabalho? 

Renato Torres: Quero convidar a todos a conhecerem mais o meu trabalho, através do show Vida é Sonho, do CD homônimo que virá, e do livro Inventania, já em processo de produção. É absurdo que, ainda hoje, muitas pessoas, inclusive do meio musical, tenham uma visão parcial do que faço, inserindo-me num contexto pop ou rock - que não renego, são minhas origens, mas também está nas minhas origens uma profunda identificação com a música brasileira, e também uma pluralidade de referências, que sempre me lançou ao experimentalismo e a fusão dessas mesmas referências. 

Convido todos a ouvirem algumas canções que estou gravando em home studio nos seguintes links: http://renato-torres.conexaovivo.com.br/, na fan page do facebook: http://www.facebook.com/renatotorresmusica e também a lerem meus textos no blog: http://apaginabranca.blogspot.com.br/ e no Overmundo: http://www.overmundo.com.br/perfis/renato-torres.

Esse é um ano especial, porque completo 40 anos de vida, exatamente 23 de carreira, e virá o CD solo, além do novo do Clepsidra, e as produções dos meus amigos que estou dirigindo, co-produzindo. 

(fotos de Fabiana Leite, Ana Flor e de Divulgação)

16.4.12

Nesta segunda tem Lia Sophia no programa do Jô

Esperar o Jornal da Noite acabar para acompanhar o programa do Jô. Atividade que está na rotina de muitos brasileiros notívagos. Mas nesta segunda-feira (16) até quem precisa estar na cama mais cedo vai fazer um esforço para ficar ligado na televisão. O motivo? Tem música nossa no programa com a cantora Lia Sophia. “Ai menina vem pra roda vem”, são os já conhecidos versos da cantora e as batidas do nosso ritmo que estão fazendo todo mundo querer entrar na roda. 

“Tem que vir com a sua banda não vamos conseguir reproduzir o seu som”. Estas foram as palavras do diretor do programa, que com o CD de Lia Sophia em mãos, telefonou para confirmar o convite. 

A banda da qual ele fala é de grandes artistas da nossa música que já acompanham Lia há quatro anos, desde seu segundo álbum Castelo de Luz. No baixo Adalbert Carneiro, na bateria Edvaldo Cavalcante, na percussão Márcio Jardim, no trompete Daniel Delatuche e na guitarra David Amorim dão o tom a musicalidade de Lia que está conquistando o Brasil e para isso firmou uma parceria importante com um projeto de referência na área: O Natura Musical .

 “Eu havia enviado pra eles todos os meus CDS, inclusive um promocional contendo três faixas: Ai Menina, Amor de Promoção e Salto Mortal”, explica Lia sobre os primeiros contatos com a produção do programa. Lia estava em casa quando recebeu o telefonema. “Ele ( Willen, director do programa do Jô) pediu que eu escutasse a música com ele, que estava muito curioso sobre a sonoridade em minhas musicas, me parabenizou, elogiou. 

Ouvimos a música juntos, por telefone, e fui dizendo a ele sobre cada instrumento, os timbres, o conceito do arranjo”, conta Lia. Mas antes do tão esperado acerto final Lia teve que segurar a ansiedade. “Antes da minha entrevista ser aprovada na reunião de pauta deles recebi uma ligação de uma repórter do programa. Nesta pré-entrevista eu tinha que ser convincente, provar que seria interessante para o programa. Só então iria para a reunião de pauta deles. Tenho enfrentado com muita freqüência essas provas de fogo. Ter que conquistar e mostrar a que vim em cinco minutos”, enfatiza Lia com a consciência de quem luta para abrir espaço para a música feita na região norte. 

“É uma oportunidade incrível! O programa dele tem uma visibilidade enorme e a opinião dele tem peso. Toda vez que penso nisso fico nervosa, mas logo passa, porque a felicidade de ter essa oportunidade é maior”. No número musical de abertura do programa Lia vai tocar a canção autoral “Salto Mortal”, uma das faixas de seu próximo CD .

Ela ainda vai “dar uma palhinha” das músicas “Ai Menina”, “Amor de Promoção” e do sucesso de Carlos Santos “Quero Você”, mostrando mais uma vez que a gente sabe como ninguém fazer barulho na terra alheia. A agenda da cantora já tem compromissos futuros. No dia 22 deste mês Lia vai estar em Salvador para o lançamento do Natura Musical Norte Nordeste e no dia 24 de Junho ela faz a abertura do Festival Natura Musical com o cantor Otto. 

(com informações da assessoria de imprensa da cantora)

15.4.12

Extremo Norte realiza encontro poético no IAP

Origem dos Nomes, curta de Marta Nassar
O Instituto Cultural Extremo Norte retoma suas atividades e convida o público para o primeiro encontro deste ano. Intitulado “Oca da Palavra”, o evento traz na programação cinema, música, teatro, fotografia e, em especial, literatura. Anote - no dia 19 de abril, no Instituto de Artes do Pará – IAP, às 19h.

Além de enfatizar os objetivos do movimento, o evento quer enaltecer a data de 19 de abril, como marco de importância do calendário brasileiro e emprestando o conceito de construção da OCA, arregimentar vários talentos locais e, em um espaço comum, propor ações no intuito de sedimentar a palavra poética. 

No encontro haverá mostras dos documentários "Origens dos Nomes", de Marta Nassar, "Variações da Rede", de Diógenes Leal e James Bogan, e do vídeo-arte "Carta para Alice ou o nome da cidade” de Maria Christina, com a presença dos autores que falarão sobre suas produções; no hall acontecerá uma mostra de fotografias de Tchello de Barros. 

Acontecerão performances poéticas do ator José Clemente e da atriz e poeta Elise Vasconcelos e apresentação dos músicos cantores Alcyr Guimarães, Adílson Alcântara, Renato Torres, Tomil Paixão e Cris Rodrigues, com leitura da cronista e poeta Ghys Cunha. Um sarau finalizará o evento com todos os poetas e convidados do Instituto Cultural Extremo Norte.

O ICEN, presidido pelo poeta Rui do Carmo e com Renato Gusmão na vice-presidência, tem como diretoras as poetas Necy Bonfim e Rita Melém, e já existe há nove anos. Foi fundado por poetas sonhadores, na tentativa de exaltar a arte da declamação em público, levando a poesia autoral e de autores brasileiros e mundiais ao conhecimento da comunidade, com saraus em praças públicas, bares, teatros, estabelecimentos de ensino e em vários espaços culturais. 

Serviço
Oca da Palavra - realização do ICEN. Dia 19 de abril, a partir das 19h Instituto de Artes do Pará – IAP Entrada Franca.

13.4.12

Um sexta 13 com música, poesia e encenações

O evento Noite Doces Artes vai acontecer no Espaço Cultural Coisas de Negro, em Icoaraci, reunindo as bandas Lapidação Poética e Novos Camaleões. Traz rock, reggae, blues, maracatú, carimbó e todas as vertentes da música alternativa, além de recitação de poesias, intervenções cênicas e experimentações artísticas Haverá sorteios de Cds, Dvds de rock, camisas e uma tatoo oferecida pelo Stúdio Rogério Tatoo. O ingresso custa apenas R$ 5,00.

A banda Lapidação Poética está no aquecimento ara lançar o videoclipe da música “Que Saudade”, que promove o seu primeiro CD “Rio de Sonhos”, que será lançado em maio. Dirigido por Adriano Barroso, o trabalho foi gravado em Belém, tendo como locações a Av. Presidente Vargas, a casa do cartunista J. Bosco e o Lobo Bar, onde acontecerá seu lançamento no próximo 21 de abri, aguardem.

O grupo vai mostrar nesta sexta-feira, 13, um repertório que abrange músicas do Cd, mas também músicas inéditas e de homenagens surpresas. O show trará como é característico desse grupo, intervenções e recitações cênicas, com objetivo de levar ao público momentos de descontração, reflexão e saudosismo, passando por sonoridades diversas que sobrevoam campos que vão do rock ao carimbó, indo ao blues, reggae, maracatú, balada e funk. Tanta versatilidade assim exigiu um espaço especial para sua realização.

“Assim como nós, o Espaço Cultural Coisas de Negro tem um compromisso com a arte e com a Cultura, além de ser em Icoaraci, onde ainda não estivemos. Por sermos uma Banda com uma proposta diferenciada, que abrange músicas autorais, performances, recitação de poesias e dança (sem falar na itinerante Galeria Lapidarte) numa só apresentação, não é fácil conseguir locais que nos abrigue e nos dê a liberdade para fazer tudo o que nos dispomos. 

Mas através de contato feito pela LP Produções com o Espaço, fomos recebidos muito bem pelo proprietário, o músico Nego Ray que selou esta parceria conosco e está animado pro evento. Assim, será a oportunidade de ampliarmos nossos horizontes e difundirmos nosso trabalho no meio de quem cultiva a cultura com responsabilidade”, diz Andrérick Ponce de Leão, vocalista do grupo.

O Lapidação Poética – LP - surgiu nos saraus da Universidade da Amazônia, em meados de 2003 e em Outubro de 2004 chegou a ser tema de TCC. No ano seguinte, começou a se apresentar nas ruas de Belém e em 2006, cresceu e ganhou seu espaço, como banda, grupo e Movimento Cultural, em parceria com outros artistas da efervescente cena poética paraense. 

Passou a realizar shows inovadores, reunindo as mais diferentes expressões artísticas, como poesia, dança, teatro, música e ainda uma mostra móvel de arte coletiva em várias linguagens - varal de poesias, artes visuais e instalações. Em 2009, como banda, conquistou a primeira colocação no CCAA FEST, o que lhes deu como prêmio a gravação deste primeiro CD, com o selo Na Music.

Nesse tempo a guitarra soava nas mãos de Clyverson Luis, que ganhou prêmio de Guitarrista Revelação do mesmo Festival. Após algumas transformações, a banda é formada atualmente por Andrérick Ponce de Leão – vocal e violão; Júnior Cabrali – guitarra; Fábio Quaresma – contra baixo; José Yarl – bateria; Marcelo Parente – percussão e voz; Fábio Jholl – percussão e voz; Leka Liares – backing vocal e Ágnes Roberta – backing vocal.

Novos Camaleões - A noite também conta com o show da Banda Novos Camaleões, que surge no final dos anos 80, com um som agressivo, mas com uma forte influência do bom e velho Rock and Roll, indo ao implemento de sons mais experimentais. Com 20 anos de estrada traz um repertório regado ao velho e bom Raul Seixas, Marcelo Nova e sua Camisa de Vênus, sem esquecer do autoral.

A banda tem hoje cerca de 200 composições próprias e trilhou a cena do rock paraense dos anos 90, passando por diversas formações até a atual, com os remanescentes fundadores Hilton Santos, Humberto Costa, Jorge Furtado, e agora com o batera Zequinha, afinal a mudança é a essência dos Camaleões.

Assim, a Noite Doces Artes será uma celebração à doçura do sentimento que instiga o artista, além de um encontro de gerações entre as duas Bandas. Nesta sexta-feira, 13/04 – a partir das 21h, no Coisas de Negro, em Icoaraci -  Rua Lopo de Castro, 1.081, entre a 5ªe a 6ª Rua.  Ingressos apenas R$ 5,00. Mais informações: 91 82350053 / 816114404.