11.12.14

Pio Lobato leva experimentações sonoras ao Sesc

Ícone da nova geração da guitarrada, é pioneiro no estudo desse ritmo criado por Mestre Vieira. Pio Lobato explora sonoridades e experimenta timbres no show que acontece nesta sexta (12), às 18h, no Sesc Boulevard, com entrada franca

Guitarrista e produtor musical, ele é o cara responsável pela retomada da guitarrada por aqui e na sequencia no resto do país, ao trazer Mestre Vieira de volta à cena, no início dos anos 2000.

 Antes, nos anos 1990, influenciado pelos ritmos da região, já pesquisando a guitarrada, dentro da universidade, ele formou a banda Cravo Carbono, grupo que deixou seu registro na produção musical paraense. 

Audacioso em seus projetos musicais, o músico foi contemplado pelo Rumos Itaú Cultural em duas edições consecutivas, nos anos de 2001 e 2003. Em 2003, criou e produziu o grupo “Mestres da Guitarrada”, que estabeleceu uma nova visão do gênero no país. Atualmente com carreira solo, ele segue fazendo experimentações sonoras que o consolidaram como um dos grandes nomes da cena musical brasileira.

No show do Sesc ele será acompanhado por dois músicos que o acompanham há quase uma década: Vovô (bateria) e Breno (baixo). Pio vai mostrar um pouco de suas composições antigas e os novos trabalhos aos quais tem se dedicado. O músico deve lançar em breve seu primeiro álbum, uma compilação de músicas que moldaram o seu estilo pessoal e de experimentações que apresentam um clima mais introspectivo.

São mais de 20 anos de carreira, transitando entre o tradicional e o diferente - o rock pode muito bem andar de mãos dadas ao tecnobrega, os efeitos do pop eletrônico estão impregnados nos riffs da guitarrada, ritmo que já é uma mistura de cumbia, chorinho, carimbó  e jovem guarda. 

Serviço
Pio Lobato no Sesc Boulevard. Em 12 de dezembro, às 18h, no Centro Cultural Sesc Boulevard (Boulevard Castilho França, 522/523 - em frente à Estação das Docas). Entrada Franca.

10.12.14

Festival de cinema com as bençãos da Marujada

Além de abrir as festividades da Marujada, a chegada de São Benedito pelas águas do Caeté, na manhã desta última segunda-feira (8/12), Bragança abençoa o sincretismo artístico e político do Primeiro Festival Internacional de Cinema do Caeté – FICCA, que acontece no município de Bragança, Pará, entre os dias 11 e 14 de Dezembro de 2014.

Não gosto deste estigma, mas chego à conclusão de que é fato: Belém é a terra do já teve. Festivais de cinema, por exemplo...  A capital paraenses perdeu todos os que já tentaram se firmar por aqui. 

Nem tudo está perdido, iniciativas como a do Curta Carajás, em Parauapebas, que vem sendo realizado consecutivamente, ganha força e companhia neste final de semana, em Bragança, onde será realizado a primeira edição do FICCA  - Festival Internacional de Cinema do Caeté.

Há diferencial aqui. É necessário. Não basta ser festival de cinema, é preciso ter identidade e operar em diálogo com a região e localidade onde existe. E o FICCA chega com esta meta: valorizar a arte, a poesia e o cinema na construção de uma sociedade justa e solidária, abrindo as portas para o intercâmbio entre realizadores e produtores, fora dos mercados tradicionais e mais próximos das comunidades locais, respeitando-se as diferenças de suas estéticas e linguagens.

E se isso depender de energias positivas, sincretismos, mar alto e outras maravilhamentos amazônicos, a época em que o festival está sendo realizado nos oferece um prato cheio. Em Bragança é período de festas do santo padroeiro, São Benedito. A cidade está com a força da Marujada!

As sessões oficiais serão realizadas no Auditório do Colégio Santa Teresinha, pela manhã e à tarde. Os debates e minicursos, mostras paralelas e rodas de conversa acontecem à noite, na Universidade Federal do Pará, que também receberá as cerimônias de abertura e de abertura e encerramento. Com desdobramentos no Vacaria Clube.

Entre as instituições e projetos que se associaram à Tribuna do Salgado para arrancar com esta experiência inédita para o município, estão a Academia de Letras do Brasil – Seccional Bragança, Universidade Federal do Pará A (Campus Bragança), Unidade Regional de Educação (URE-Bragança), Fundação Educadora de Comunicação e Projeto Aluno Repórter.

A ousadia também com conta com apoio da Rede hoteleira-empresarial municipal (Solar do Caeté, Pousada de Ajuruteua, Alternativo, Vacaria, e Radisco) para acolher alguns artistas, realizadores, professores, jornalistas e ativistas que chegam na próxima semana a Bragança para participar desta Jornada cultural sem fins lucrativos que tende a inverter a lógica do mercado audiovisual para potencializar a liberdade criativa.

A Pérola do Caeté dessa forma, segundo a coordenação do FICCA, vai se tornar em um espaço aberto para filmes e diálogos com recortes às temáticas impertinentes da contemporaneidade relacionados aos direitos humanos, como as questões de gênero, de etnia, raça e orientação e liberdade sexual. Evoé, e que assim seja!

Programação

Abertura
11/12, 19H
Local > Auditório da UFPa
(Cerimônia seguida de projeções de filmes, leitura de poemas e diálogos)

Competição
12 e 13/12 (M/T)
Local > Auditório do Colégio Santa Teresinha
(Com projeções de filmes e votação do Juri Popular)

Filmes

LOUISES - SOLREALISMO MARANHENSE (Keyciane de Sousa Martins - Maranhão / FICCÇÃO / 75 Minutos) / BOBO (Inês Oliveira – Portugal – Guiné – Brasil / FICÇÃO / 80 Minutos) / ANJO DE CHOCOLATE (Clementino Júnior – Rio de Janeiro / DOC./ 80 Minutos) / PRÓLOGO (Gabriel Marinho – Distrito Federal / DOC./ 94 Minutos) / UM ADEUS (Durval Ferreira - Paraná / FICÇÃO / 54 minutos) / GOTAS DE FUMAÇA (Ane Siderman – Rio G. Sul / FICÇÃO / 21’35”) / JÚLIO O POETA / (Luís Costa – Portugal / DOC./ 32 Minutos) / DESENCONTRO MARCADO (Duarte Dias, Alice Bessa e Marcley de Aquino. – Ceará / FICÇÃO / 14 Minutos) / SOPHIA (Kennel Rógis - Paraíba/ FICÇÃO / 15 Minutos) / RITO DE PASSAGEM (Juliette Yu-Ming - Rio de Janeiro / FICÇÃO / 11 Minutos) / SERENKATO – O Canto da Floresta (Jonathas Bernard – Roraima / DOC./ 15 Minutos) / TERREIRO DE MINA (Edivaldo Moura – Pará / DOC./ 15 Minutos) / VOZES DA DITADURA (Ismael Machado / Bruno Farias / Vanessa Wagner - Pará / DOC / 14 Minutos) / BICA (Keyla Serruya – Amazonas / DOC. / 14 Minutos) / DIAS DE MANGAL (Evandro Medeiros – Pará) / DOC./ 15 Minutos) / CONFLITOS E ABISMOS (Everlane Morais – Sergipe / DOC. / 15 Minutos) / FILHOS DA HUTUKARA (Ana Lucia Mendina – Roraima / DOC./ 10 Minutos)

Minicursos - Campus da UFPa

  • 12/12/2014 

8h às 12h Roteiro Popular (Mateus Moura – PA)
14h às 18h Produção criativa e estética da gambiarra (Isabela do Lago – PA)

  • 13/12/2014 

8h às 12h Cinema de Guerrilha (Francisco Weyl – PA)
14h às 18h Cineclubismo de resistência (Arthur Leandro – PA)

Rodas de Conversas - Campus da UFPa - 18h às 19h

  • 12/12/2014: 

“De Glauber a Nietzsche, a cólera da arte e a (DES)obediência do povo
(Dinamizadores: Arthur Leandro & Francisco Weyl)

  • 13/12/2014

A fé no corpo e o corpo sem fé: contra-discursos afrofemininos
Dinamizadores: Isabela do Lago & Thiane Neves Barros / Mediadora: Maria Werneck

Mostras paralelas - Campus da UFPa

  • 11/12

Mostra Olhares Caeteuaras
“Viagem ao coração do Caeté (Tribuna do Salgado - Brasil- Amazônia- Pará – Bragança – 2014 - 5') / “ Memórias de Taperaçú-Porto” (Escola Yolanda Pereira da Silva - Brasil- Amazônia- Pará – Bragança – 2014 - 12') / “Maria da Penha” (Mateus Ribeiro / Brasil- Amazônia- Pará – Tracuateua – 2014 - 5') / “Tons Bicentenário” (San Marcelo / Brasil- Amazônia- Pará – Bragança – 2014 - 4')
LONGA ESTRÉIA “A Ilha” (Mateus Moura / Brasil- Amazônia- Pará – Ilha de Cotijuba – 2013 - 60')

  • 12/12

Mostra Música Amazônida
“Inseticida” > Banda Nova Ordem (REALIZAÇÃO COLETIVA Festival Imagem e Movimento – FIM - Brasil- Amazônia- Amapá- Macapá 2014 - 3'12'') / “O Sósia” > Banda O Sósia (REALIZAÇÃO COLETIVA FIM / 2014 - 2´46) / “Iara na terra do tecnobrega” (Alexandra Castro - Brasil- Amazônia- Pará – Belém – 2014 - 5'57)
ESTRÉIA: DVD “Mestre Vieira 50 Anos de Guitarrada Ao Vivo no Teatro da Paz” (Luciana Medeiros / Brasil - Amazônia- Pará – Belém – 2014)

Encerramento 13/12 – 19h

Sede da Tribuna do Salgado e Vacaria Clube
Anuncio dos vencedores, seguida de projeção do Melhor filme (JURI POPULAR), leitura de poemas e diálogos & Sarau da Lua Minguante – Homenagem a Adélia Prado

Improviso, criatividade, música e poesia no Carmo

O músico instrumentista MG Calibre e o ator, roteirista e diretor Adriano Barroso exploram, nesta quinta, 11, as possibilidades de diálogo entre som e poesia na conexão das duas linguagens artísticas com a criatividade e o improviso. A proposta faz parte da programação especial da mostra “[ENTRE] um lapso gostoso”, sempre às quintas, às 19h30, no Centro Cultural do Carmo.

O improviso de Calibre unido ao trabalho poético maturado por 20 anos, de Adriano Barroso, promete surpreender - ambos serão ousados no desafio de compartilhar a mesma cena, de forma inédita. Sem ensaios, os dois brindam com suas potencialidades individuais e as potencialidades de sons e letras para compor performances artísticas originais. “O Adriano sozinho já é uma performance, o meu trabalho sozinho também, então, eu sei que somos qualificados o suficiente para desenvolver alguma coisa na hora, juntos”, explica Calibre.

Com inspiração na proposta da arte urbana da mostra [ENTRE], de ser um movimento independente, o músico sentiu a confiança de criar e se envolver com a ambientação. “Eu gosto de ser verdadeiro e sentir as coisas do jeito que elas acontecem e pegar a vibe do momento. Isto foi o que me motivou a participar, a equipe envolvida, a atitude de cada artista convidado e, principalmente, a liberdade de criação e interação com a cidade de Belém e seus habitantes”, justifica.

Dentro do Centro Cultural do Carmo, ele ainda propõe a interação de sua música com as diversas linguagens dos artistas que compõem a mostra. “Meu trabalho também fará intervenção direta entre artista e ouvintes - juntos na descoberta, da mesma forma que eu vou descobrir o trabalho do Adriano, durante a apresentação. Minha performance musical terá uns momentos fragmentados de texto e outros buscando o pretexto na sonorização”.

Poemas viram livros na mão do autor
Adriano Barroso aproveitou a liberdade do movimento para apresentar dois projetos, na programação da mostra. Primeiro ele lançou seu documentário “Ópera Cabocla” e, amanhã, publica um livro de poesias, em edição limitada. “Serão vinte cópias artesanais, escritas à mão, uma a uma. Cada livro é um livro, uns serão bonitinhos, outros serão tortinhos”, diverte-se.

O projeto de publicar o livro “Tessitura da Carne”, que reúne 36 poesias de Adriano Barroso, em parceria com P.P. Condurú surgiu de um encontro artístico há dois anos. Juntos, eles trabalharam por três meses, Adriano refez os poemas e P.P. desenhou.

“Eu havia escrito um livro há 20 anos, poemas que engavetei e esqueci lá. Naquela época eu era muito amigo do Max Martins, que me orientava na escritura dos poemas, porém acabei enveredando para a prosa e os esqueci na gaveta sem intenção alguma de mexer neles. Um dia decidi mostrar os poemas e sugeriram que esse fosse o trabalho para fazer com o P.P.”, relembra.

Com esta iniciativa, “Tessitura da Carne” já tem algumas cópias vendidas, antes mesmo de seu lançamento. Aquelas que não forem adquiridas vão para o Bazar da mostra [ENTRE], no dia 18. “Se eu vender os vinte, acho que não vou produzir mais porque não sei se vou ter pique”, avisa o artista.

A programação da mostra “[ENTRE] um lapso gostoso” segue até o dia 23 de dezembro. No dia 18, às 19h30, será realizado um Bazar com obras de arte de artistas paraenses. O Centro Cultural do Carmo fica localizado na Praça do Carmo nº 40/48.

Serviço
Dia 11 de dezembro – 19h30. MG Calibre e Adriano Barroso. Vídeo Mapping de VJ Bode. Mostra com desenhos e painéis de P.P. Condurú. Vídeos Arte: "6.037 km" de Luciana Magno, “MIMOSO” de Juliana Notari e “Rizoma” de Ramiro Quaresma. Até o final da mostra, outras interações artísticas do grupo e convidados vão ocorrer no CCC, que está aberto a receber propostas de parceria para o espaço pelo e-mail centroculturaldocarmo@gmail.com




Festival de slackline norte é realizado em Belém

Buscando uma vida saudável, em contato com a natureza, sempre que possível, os praticantes do slackline se proliferaram no país e acabaram criando o SlackDay, cuja segunda edição da região norte será realizada em Belém, neste domingo, 14, a partir das 8h, na Praça da República. De maneira livre e gratuita, a programação conta ainda com outras atrações esportivas, artísticas e culturais, como aulas de circo, pilates, yoga e danças de rua.

Uma fita elástica esticada entre dois pontos fixos. Em cima, o praticante anda e faz manobras. Você já deve ter visto por aí, afinal  o slackline se tornou um esporte e tem agregado cada vez mais praticantes, que buscam a troca de conhecimentos a respeito do ensino, uso e cuidados nesta prática de equilíbrio.

Também conhecido como corda bamba (slackline, significa "linha folgada"), é parecido com o cabo de aço usado por artistas circenses, com a diferença da flexibilidade da fita, que permite o praticante criar saltos e manobras inusitadas.

No Brasil, o Slackline foi bastante desconhecido por muitos anos, mas em 2010 virou febre nas praias do Rio de Janeiro e hoje em dia, a popularidade do esporte se espalhou pelo Brasil. No Centro-Oeste do Brasil, mais precisamente em Aparecida de Goiânia, existe até um Centro de Treinamento de Slackline, conhecido entre os praticantes como CT GO!. É o primeiro Centro de Treinamento de Slackline da América Latina, inaugurado dezembro de 2012.

O  SlackDay nasceu justamente em razão da grande expansão que o esporte alcançou e também da necessidade de troca de informação e experiências com profissionais certificados. 

As atividades contam com uma completa estrutura de treinamento para a correta prática do Soulline, ou seja, do slackline em nível iniciante, um tipo de nível de treinamento conhecido pelo seu estilo de  manobras, principalmente, estáticas. Não é coisa de circo não, mas a arte circense tem tudo a ver com isso. 

É a segunda edição do evento, que terá  20 fitas de diferentes características esticadas e que permitirão ao público paraense viver a experiência do equilíbrio e do desafio das diversas destrezas alcançadas gradativamente no slackline.

Tudo será orientado por instrutores certificados pela reconhecida escola de slackers GoSlack de Goiânia. Estarão presentes os slackers fundadores da GoSlack Magno Marinho e Jader Carrijo, que ministrarão duas oficinas em nível 1 e 2 para os instrutores do SlackDay Belém, fortalecendo o vinculo de formação e difusão dos saberes específicos do slackline. 

"Trabalhamos para ajudar á comunidade do slackline paraense a se desenvolver e a trocar informações e conhecimentos por meio de um evento como os que já acontecem já acontecem desde 2010 nos estados de Santa Catarina, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Goiânia, Minas Gerais e Espírito Santo", diz Virgínia Abasto, que organiza o evento em Belém.

O projeto é uma realização da Movimentar for Life e do Vida de Circo em parceria com empresas visionarias e de renome como Chilli Beans, Grão Culinária Saudável, Jovem Pan, Supermercado Formosa, Farmogral, Herbalife, Vita Comunicação, EcoSushi, BlackBurguer, Big Ben, N3 Produções, A Forneria, Egua de Camiseta, Vivo, James Brownie, Enoix, Mart Print, Corre pra Deus, Go Slack, Líquido, Cia. Moderno de Dança.

4.12.14

Lucas Imbiriba em Belém com "Mudança e Plano"

O violonista paraense Lucas Imbiriba retorna à terrinha, depois de 12 anos estudando e realizando shows e concertos na Europa, onde se apresentou em mais de 20 países. No palco do Teatro Waldemar Henrique, com um estilo diferente, mandando muito pop, rock, reggae, funk e grooves dançantes, o também cantor e compositor lança, nesta sexta, 05, a partir das  20h, o CD “Mudança de Planos”.

Após uma brilhante turnê por dez cidades russas  e uma alemã, durante este mês de novembro, passando por Moscou, Urais, Sibéria e Munique, Lucas Imbiriba se apresenta em Belém, com um novo estilo. “Estou de coração aberto para apresentar este novo trabalho para o público de minha terra”, comemora Imbiriba.

All Love, Partido Novo e Mulher da minha vida são algumas das composições que integram o mais novo álbum do artista que irá tocar e cantar para o público de Belém. O violonista conta que o CD autoral resume um pouco essa nova fase da sua vida. 

“Eu procurava por uma mudança dos planos da minha vida. Estava na Europa, mas queria muito poder ter mais contato com o Brasil e com minha família. O CD tem uma música Change of Plans, que dá o nome ao CD e ao nome do show, que expressa claramente essa minha vontade de deixar todo o conforto da vida na Alemanha pelo calor da minha terra Brasil”, comenta.

O artista concluiu seu mestrado em Música (Masterklass Diplom), na Musikhochschule Nuernberg-Augsburg, sob orientação de Franz Halasz. Na Europa, também, ganhou dezenas de Prêmios em Concursos Internacionais de Música e tocou nas mais prestigiosas salas de concertos da Europa.

Lucas passou pela L’Auditori, de Barcelona, o Solitair Mozarteum, de Salzburgo, e pela Filarmônica, de Moscou. Vivendo o circuito dos concertos eruditos, Lucas Imbiriba agora decidiu se aventurar, indo além de uma carreira já consolidada no mundo da música clássica e quer fazer um trabalho como compositor e intérprete de suas canções pop. 

Seviço
Show de lançamento do CD “Mudança de Planos”. Nestea sexta-feira, 5,  no Teatro Waldemar Henrique, às 20h. Ingressos: R$ 20,00 (estudante paga meia entrada). Informações: 91 98890-0357.

3.12.14

Pra reforçar o pirão deste final de semana!

Tem mistura diferente pra gente saborear. Na receita: a arte, como se fosse a farinha, misturada não com o tradicional caldo de peixe, pimenta, cebola, salsa e tomate, mas com as cenas de circo, performance de dança, apresentações de teatro, contação de histórias e exposições que fazem parte da  Mostra Pirão - Ano I, neste sábado, 06, e no domingo, 07 de dezembro, na Praça Barão do Rio Branco, Casarão do Boneco e Casa Dirigível. Não é entrada franca, mas você paga o quanto quiser.

É assim... Sete grupos de teatro resolveram formar um coletivo, com o objetivo de mostrar seu repertório e produção cênica ao público, a partir de uma iniciativa independente.

A ideia, que surgiu ano passado, ganhou vida já no primeiro semestre deste ano. A semente foi plantada e de fevereiro a junho a primeira ação do coletivo veio à tona. O projeto “Sábado Tem. Domingo que vem” promoveu durante cinco meses, sendo sábado sim, sábado não, domingo sim, domingo não, preenchendo, assim, finais de semanas seguidos, com mostras e contações de histórias no Casarão do Boneco, na Praça Barão do Rio Branco e na Casa Dirigível.

A programação, organizada pelos integrantes dos grupos, de forma pontual, com divisão de tarefas e folgas de equipes, inclusive, foi dando certo e conquistou a população que simpatizou logo com a ideia de sair no domingo pela manhã para ouvir histórias em baixo das árvores da Praça Barão do Rio Branco (adorei),

A Mostra Pirão - Ano I vai repetir a dose, com a programação realizada em um só final de semana. Além das atrações de teatro, contações de histórias, bate papos, exposições, também vai ter lojinha aberta com CDs, Livros, DVDs, além de outras produções artísticas. A programação se divide, mais uma vez, entre o Casarão do Boneco, a Praça Barão do Rio Branco e a Casa Dirigível.

Mais dicas do blog - Somando ao Pirão, tem mais shows, exposições e um festival de música, que vão estar concentrados na mesma região da mostra, em espaços que fazem parte do centro histórico de Belém. Já falei aqui do Jacofest, no anfiteatro da Estação das Docas, e dos shows que a banda "O Campo e a Cidade" vai fazer na Discosaoleo e no Sesc Boulevard. Mas no domingo, 7, anote também, vai ter Circular Campina - Cidade Velha

PROGRAMAÇÃO DA MOSTRA PIRÃO - ANO 1

Sábado, 6

Casarão do Boneco
  • 16h: Contação de história – “O castanheiro” – Paulo Ricardo Nascimento e Ana Marceliano
  • 16h30: Contação de história –“ Pé de Vento” – Leonel Ferreira 
  • 17h: Contação de história – “O Pato que partiu” - Dirigível Coletivo de Teatro 
  • 17h30: In Bust Teatro com Bonecos, espetáculo O conto que eu vim contar 
  • 18h: Dramática Cia., Espetáculo “Kaos Primeiro dia da Criação”
  • 19h: Grupo de Teatro da Unipop, Espetáculo “O auto da Feira” 
  • 20h: Espetáculo “É fechado que é aberto”. Resultado da Bolsa de criação, experimentação pesquisa e divulgação artística do IAP – 2014.
  • Exposição “Uma coreografia para minha calça” de Danilo Bracchi – Resultado da Bolsa de criação, experimentação pesquisa e divulgação artística do IAP - 2014.
  • A partir das 18h:
  • Coletivo de Animadores de Caixa – Espetáculos em miniatura
  • Exposição de Bonecos, In Bust Teatro com Bonecos

Domingo, 07 

Praça Barão do Rio Branco
  • 16h: Desabusados Cia de Teatro, Contação de história “A Mãe d'Água” - Ester Sá 
  • 16h30: Contação de história – “A Lua Solitária”, com Paulo Ricardo Nascimento 
  • 17h: Contação de história – “A Caixa de Histórias”, com Vandiléia Foro, Cristiane Rodrigues, Lilian Tícia e Giselle Griz
  • 17h30: Cena – Olívia, com Starllone Souza - Dirigível Coletivo de Teatro
  • 18h: Cia. de Teatro Madalenas, espetáculo La Fabula.
  • Exposição “Uma coreografia para minha calça” de Danilo Bracchi – Resultado da Bolsa de criação, experimentação pesquisa e divulgação artística do IAP - 2014 - das 16h às 18h.
Casarão dos Bonecos
  • 18h: Exposição de Bonecos, In Bust Teatro com Bonecos e Invação de Palhaços - cenas curtas com os palhaços EPA! (Encontro de Palhaços Aleatórios)
  • 20h: Grupo Projeto Vertigem, espetáculo “mARESia”
Casa Dirigível Espaço Cultural
  • 20h: Dirigível Coletivo de Teatro, Espetáculo 731. *Para apenas 12 pessoas. Duração: cerca de 3 horas
Realização
O Pirão: Cia. de Investigação Cênica, Cia. de Teatro Madalenas, Desabusados Cia. de Teatro, Dirigível Coletivo de Teatro, In Bust Teatro com Bonecos, Grupo Projeto Vertigem, Produtores Criativos.

Espaços
Casarão do Boneco: Av 16 de Novembro, 815 próx a Pça. Amazonas – Batista Campos
Praça Barão do Rio Branco: Rua Gama Abreu, próx a Igreja da Trindade - Campina
Casa Dirigível Espaço Cultural: Travessa Padre Prudêncio, 731 - Campina

O Campo e a Cidade: curta temporada em Belém

Formada pelos paraenses, Marcello Gabbay (banjo, baixo e teclado) e Carlos “Canhão” Brito (bateria e percussão), e pelo paulista, Neto Rocha (violão e guitarra), a banda se apresenta nesta quinta-feira, 4, a partir das 18h, no Sesc Boulevard, onde conta com participação de Rafael Azevedo (baixo e violão), e no sábado, 6, às 11h, na Discosaoleo. No repertório, músicas inéditas de seu primeiro CD, mescladas ao cancioneiro latino, português e francês.

Nas duas ocasiões, os rapazes batem um papo sobre a recente experiencia de sair em turnê autoral chegando à Europa. Foram 20 dias de imersão em Portugal. A turnê lusitana realizada em setembro deste ano, de forma independente, chegando a Lisboa (dois shows), Évora, Coimbra e Porto, foi um investimento próprio, que trouxe à banda uma experiência única. 

Desde a pré-produção, quando as confirmações dos locais para tocar foram chegando, até a compra das passagens, a chegada em Lisboa, a convivência diária, as descobertas feitas em cada cidade, o contato com o universo multi cultural e racial da Europa e a recepção dos anfitriões e públicos variados que foram encontrados em cada um dos cafés, sociedades culturais e livraria em que "O Campo e a Cidade" se apresentou.

“A turnê pra Portugal serviu principalmente pra consolidar o repertório. Tocar para um público jovem e diferente fez a gente perceber que nosso som trafega entre as variadas referências que nos unem, ou seja, não se classifica facilmente, apesar de ser música brasileira. Era isso mesmo que queríamos!”, diz Marcello Gabbay.

A base do grupo, que antes surge em formato de dupla, está na pesquisa etnográfica e discográfica sobre a canção da região da Ilha de Marajó, realizada por Marcello Gabbay (cuja tese de doutorado sobre a canção marajoara foi apresentada no Brasil, Uruguai e França, e premiada pela Academia Paraense de Letras em 2013), e sua interseção com o estilo cancioneiro em ambientes díspares: o campo e as metrópoles. 

O Campo e a Cidade começou fazendo apresentações em apartamentos, prática ainda em voga, recebendo o público no sofá da sala. E foi aí que Carlos "Canhão" Brito, o baterista, acabou sendo convidado para tocar na banda, o que oficialmente ocorreu este ano. 

"As coisas foram acontecendo bem rápido, gostei da sonoridade da banda e já conhecia o Marcello Gabbay aqui de Belém. Até o início deste ano ainda estava morando em São Paulo, quando surgiu a ideia da turnê em Portugal e a gravação do CD.

Topei, e agora, que voltei a morar aqui em Belém, a gente fica se equilibrando entre as idas e vindas do Gabbay, o Neto, fixo em São Paulo. Aqui, atualmente, ensaio para tocar neste final do ano com a Presidente Elvis e ano que vem, com a Hora Mágica", diz Canhão.

O baterista traz em sua trajetória a experiência a participação em várias bandas, entre elas, a lendária "A Euterpia", que fez sucesso em Belém entre o final dos anos 1990 e até meados dos anos 2000, mudou-se para São Paulo, lançou CD e acabou se desfazendo, embora já tenham havido reencontros da banda após isso. 

Depois dos shows nas salas dos apês, O Campo e a Cidade partiu para sua jornada pública, com apresentações em espaços alternativos e em palcos tradicionais. 

Esses foram os primeiros passos até lançar o EP "Dia de São João, primeiro em São Paulo, no Espaço Cultural Alberico Rodrigues, na Praça Benedito Calixto, em Pinheiros, e depois em Belém, no Teatro Cuíra, com a participação do percussionista Kleber Benigno (Trio Manari), e da cantora Juliana Sinimbú. Esta pequena temporada, em 2014, é portanto um retorno à capital paraense.

“Belém, posso dizer que é quase minha primeira casa: amigos, música e comida, tudo em perfeita combinação. Estar nesta cidade, musicalmente, é estar no meio de uma cadeia emocional de música, daquelas que saem da veia. Lembra-me sempre as músicas feitas cheias de sentimento, acerca daquilo que se vive e se vê”, diz Neto Rocha, do núcleo paulista do grupo.

O primeiro CD - A banda agora faz a captação de recursos para lançar o primeiro CD, aprovado em lei de incentivo. 

Além das cinco músicas que já estão no EP, a banda vai gravar um repertório de canções inspiradas numa coleta de vivências musicais em viagens pelo Brasil e pelo mundo e dos músicos, que reúnem em suas trajetórias a vivência entre a correria das grandes cidades e os saberes de uma vida no interior seja ele no sudeste ou no norte do país.

“O Campo e a Cidade” tende a retomar as estéticas sonoras que compõem a canção brasileira, entre os códigos mais regionalizados e as sínteses sonoras mais globais. Exemplos são as duplas Nilson Chaves e Vital Lima, Kleiton e Kledir, Sá e Guarabira, Toquinho e Vinícius, Simon e Garfunkel, Moraes e Pepeu, todas de alguma forma criativas e relacionadas a terra, ao lugar de origem, a saudade e a vida nas cidades grandes, aos conflitos do contemporâneo.

Em formato de trio e bailando pela sonoridade pau-e-corda, o projeto ganhou corpo com experimentações sonoras contemporâneas. As cordas dos violões, banjo, e do contrabaixo, dividem textura com pau de chuva, taças de vidro, objetos de madeira, um garrafão de água mineral, sintetizadores, samples, efeitos e o trabalho vocal do grupo.

O resultado é fica entre a sonoridade brasileira “anos 70” e a aura confessional instantânea da música popular contemporânea, que se reflete tanto no estilo cancioneiro como na forma de gravação, que revela o movimento de reconfiguração estética por que passa hoje a canção popular paraense.

Trajetória  – Além do lançamento e diversas apresentações entre a saída do grupo para a rua e o lançamento do EP, em 2013, no ano seguinte, em novembro de 2013, “O Campo e a Cidade” foi selecionado para o projeto “Antessala”, da Dafiti, que visa lançar dez artistas independentes com apresentações no HSBC São Paulo, abrindo o show de Sandy Leah.

Em 2014, realizou a mini turnê em Portugal, com dois shows em Lisboa, no espaço Primeiro Andar e na livraria Ler Devagar; na associação Espaço Compasso, da cidade d’O Porto, na SHE - Sociedade Harmonia Eborense, em Évora, e no Café Livraria Santa Clara, em Coimbra. A direção artística do show da turnê foi da atriz e diretora Michele Campos, com produção de Neto Rocha, Marcello Gabbay, Carlos Canhão Brito. Peguei o bonde andando e entrei na jornada, em turnê, a partir da parceria da banda com a Três Cultura Produção e Comunicação. 

Serviço
Shows da banda “O Campo e a Cidade” em Belém. Dia 4 de dezembro no teatro-auditório do Sesc Boulevard, a partir das 18h, e no sábado, 06, com um show de bolso, às 11h, na Discosaoleo (bairro da Campina). Produção da Três Cultura Produção Comunicação. Entrada franca.

2.12.14

Ismael Machado lança livro sobre o Golpe no Pará

No ano em que a memória do golpe militar de 1964 é lembrada em seus 50 anos, um livro-reportagem busca contribuir para que a os fatos ligados à ditadura no Pará sejam também contextualizados. O livro “Golpe, contragolpes e guerrilhas: o Pará e a ditadura militar”, do repórter Ismael Machado, será lançado no próximo dia 11, às 19h, no Instituto de Artes do Pará (IAP).

Dos primeiros passos do golpe militar à herança da pistolagem. ‘Golpe, contragolpes e guerrilhas: o Pará e a ditadura militar’ faz um passeio pelo estado nos últimos 50 anos. Mostra como a implantação do regime que sufocou a democracia alterou a rota da história nessa parte da Amazônia. As prisões, as torturas, a implantação da guerrilha, os conflitos agrários e até mesmo a reação comportamental da contracultura paraense reúnem-se nessa obra. 

Resultado de diversas reportagens encadeadas sob o mesmo olhar, o livro do jornalista Ismael Machado mostra como a saga dos índios Suruí, no sudeste paraense tem relação, por exemplo, com as posturas rebeldes e censuradas do teatro em Belém nos anos 70. Todos estavam sob o jugo das mesmas botas. Os personagens dessa história multifacetada permanecem na memória, ainda que muitos preferissem ver sepultados para sempre os relatos dos que sobreviveram para contar o que viram e viveram no tempo em que as nuvens escuras tentaram impedir o brilho do sol.

O prefácio de ‘Golpes, contragolpes e guerrilhas...’ foi escrito pela premiada jornalista Natália Viana, uma das coordenadoras da Agência Pública de Jornalismo Investigativo. “Ler este relato no ano de 2014, 50 anos após o golpe militar, quando o Brasil volta a ver a efervescência dos protestos nas ruas – e a violenta repressão a eles – traz mais do que uma experiência informativa, conduzida pelo saboroso texto de Ismael Machado. Permite ao leitor um mergulho profundo nos eventos que formaram o que somos hoje”, escreve a jornalista.

“Viajando pelos recantos do Pará para entrevistar personagens que até agora haviam falado pouco ou nada, mas que foram profundamente marcados por essa luta pelo futuro do nosso país, Ismael faz um belo trabalho de reportagem que consegue trazer os rostos e as palavras daqueles que fizeram a história deste estado. Uma história que precisa ser lida, lembrada, ensinada às novas gerações – jamais esquecida”, complementa..

Ismael Machado é autor também de ‘Decibéis sob Mangueiras: Belém e o cenário rock Brasil dos anos 80’ e ‘Sujando os sapatos: o caminho diário da reportagem’. O lançamento de ‘Golpes, contragolpes e guerrilhas...’ também marca os 23 anos de carreira do repórter, com atuações em veículos como o jornal O Globo, Folha de São Paulo e Jornal do Brasil. Como repórter especial do jornal Diário do Pará, Ismael Machado conquistou mais de dez prêmios jornalísticos, entre eles os prêmios Vladimir Herzog, Líbero Badaró e Direitos Humanos em Jornalismo. 

Serviço
Lançamento do livro "Golpes, contragolpes e guerrilhas: O Pará e a Ditadura Militar (R$ 30,00). Dia 11 de dezembro, a partir das 19h, no Instituto de Artes do Pará (ao lado da Basílica de Nazaré),

Ronaldo Silva e Allan Carvalho lançam CD de folias

Na próxima quarta, dia 03 de dezembro, os músicos Ronaldo Silva e Allan Carvalho lançam o CD ‘Folias de Belém’, o resultado de pesquisas musicais com manifestações tradicionais de devoção aos santos católicos no interior do Pará. O show de lançamento será no Teatro Margarida Schiwasappa, dentro do projeto ‘Uma quarta de música’. A realização é do Instituto Arraial do Pavulagem.

Ronaldo Silva e Allan Carvalho lançam o primeiro CD juntos. A partir das folias, tradicionalmente realizadas nas peregrinações de santos no interior do Brasil, os músicos trouxeram o seu olhar sobre essas sonoridades para chamar a atenção sobre esses rituais de devoção e louvação. 

“O disco é uma vontade muito grande de poder estimular as novas gerações de compositores a dar uma contribuição para que esse segmento não estagne”, afirma Ronaldo. O CD traz 14 músicas e tem as participações de Eudes Fraga, Luê, Nazaré Pereira, Sammliz, Marianne Lima e Nana Reis. A direção musical é de Alcir Meireles. A produção executiva é de Júnior Soares e a produção artística de Walter Figueiredo. Tem o apoio da UFPA, por meio do prêmio PROEX de Arte e Cultura, e do Governo do Pará, por meio da Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves.

A noite de lançamento do CD coincidirá com a ‘Noite do Cantagalo’, uma ação do Projeto ‘Cordão do Galo’, realizada em Cachoeira do Arari, na Ilha o Marajó, há seis anos por Ronaldo Silva. Uma noite para arrecadar alimentos, que serão distribuídos no município no mês de janeiro. Boa parte dos custos do CD vai para o Cordão do Galo.

O Cd é uma realização do Instituto Arraial do Pavulagem, que acredita mostrar com este trabalho o resultado de pesquisas junto à Marujada de Bragança, com a Folia de São Benedito, no Nordeste do Pará, e em Cachoeira do Arari, onde acontece a Folia de São Sebastião. Outras folias do Brasil e de Portugal também fizeram parte da pesquisa dos músicos.

Ronaldo e Allan fizeram mergulho nessas culturas locais para observar a devoção, os instrumentos e os ritmos tradicionais.  “Mantendo o acervo de cada lugar, a gente acaba tendo uma lição de vida e devoção”, declara Ronaldo Silva. A intenção é trazer uma memória musical também, aliada a essa devoção, com instrumentos que produzem uma sonoridade adaptada pela vivência dos foliões.

A primeira experiência com as folias foi em 2003, com o CD Folias do Marajó, um registro-memória da passagem da Folia de São Sebastião por Belém. Um disco duplo de registro e releitura dessas folias.

As folias - O ‘Folias de Belém’ traz uma pesquisa mais profunda. Ronaldo Silva conta que as folias são as rezas da Igreja Católica, trazidas de Portugal. Na origem são escritas em latim e historicamente vem sendo apropriadas no Brasil das mais diversas formas. As folias são peregrinações de rua, onde os devotos percorrem a cidade, visitando as casas em louvor a um santo católico. São historicamente associadas às peregrinações humanas pelo mundo e a mais significativa seria a caminhada dos reis magos, guiados pela luz divina.

As folias são louvações cantadas. “Nós em momento algum tivemos a intenção de reproduzir os dogmas da Igreja Católica, mas a gente procurou, na medida do nosso limite também, uma certa fidelidade no direcionamento disso”. 

São manifestações culturais repassadas pela oralidade. E naturalmente, em função disso, muita coisa se perde. Pra que isso se mantenha é preciso que seja recontado. É o que está  fazendo o Arraial do Pavulagem.

Serviço
Lançamento do CD "Folias de Belém", nesta quarta-feira, 3, no Teatro Margarida Schivasappa, às 20h. Ingresso: R$10,00 +  2 quilos de alimento não perecível.

Cordão do Peixe Boi faz ensaios pra sair domingo

O Instituto Arraial do Pavulagem realiza neste domingo, 7, o Cordão do Peixe Boi, cortejo ecológico e cultural que sai da Boulevard Castilhos França indo até o Ver-o-Peso. Formado por crianças, jovens e adultos, a ação valoriza a cultura e identidade locais, fortalecendo o saber ancestral.

O cortejo, que reúne milhares de brincantes uma vez ao ano, segue pelas ruas com um peixe-boi gigante, em armação de ferro tecido. Representa a vida que se ergue do fundo das águas, de forma vibrante, representada no brinquedo que sobrevoa, encanta e ensina as pessoas que a beleza, a poesia e os mistérios da natureza devem ser respeitados e preservados.

O símbolo desta brincadeira é o peixe-boi (o boi das águas), um mamífero dócil, que tem resistido ao tempo, mas vive em processo de extinção. É alvo constante da pesca predatória, da impunidade e do desrespeito à fauna da região amazônica. O peixe-boi é do grupo dos sirênios, nome de origem mitológica em razão de sua cauda e de seu canto (vocalizações) semelhante ao das sereias. As fêmeas geralmente têm um filhote a cada três anos, sendo um ano de gestação e dois de amamentação.

O instituto Arraial do Pavulagem estimula com essa ação o sentimento de responsabilidade com  relação à brincadeira e à defesa do meio ambiente. O Cortejo nas ruas da cidade é a culminância de um processo que envolve a participação dos brincantes em oficinas de reciclagem, seminários que discutem a relação entre cultura e natureza e as oficinas de música e dança.

No domingo, as atividades começam com o Brilho da Aurora, uma espécie de saudação ao sol e à natureza. Em seguida acontece a roda cantada, com músicas, poetas e brincantes se preparando para o cortejo. O cordão sai da escadinha do cais do porto, na Estação das Docas, segue o Boulevard Castilhos França. Retorna no mercado do Ver-o-Peso e retoma o Boulevard até a Praça dos Estivadores (em frente à Estação das Docas).

Na praça dos Estivadores acontecerá também, no domingo, A Feira Verde, um estímulo à sustentabilidade criativa, com a venda de produtos orgânico-naturais, objetos artesanais, artísticos e culturais a partir das seis da manhã. Haverá também  a divulgação de pesquisas e experiências na área de plantio, da agricultura familiar e da extensão rural. O Cordão do Peixe-Boi  tem o apoio cultural da Prefeitura de Belém, Fumbel, Governo do Pará e Fundação Tancredo Neves.

Ensaio aberto com os brincantes, músicos e dançarinos:
  • 05/12 (sexta): 18 às 21 horas
  • 06/12 (sábado): 17 às 21 horas
  • Local: Praça dos Estivadores, em frente à sede do Instituto Arraial do Pavulagem
  • Cortejo: 07/12
  • 06 horas: roda cantada - concentração com poesia e música incidental na Escadinha do cais do porto (Estação das Docas).
  • 08:30 horas: início do cortejo
  • 10 horas: Roda ancestral (ritual de tradição na chegada do cortejo na praça dos estivadores)
  • 10:30 horas: show com a banda Arraial do Pavulagem e convidados.