14.5.15

Magudiá: compartilhar alimento, reduzir distâncias

 A performance gastronômica foi a segunda ação realizada pelo projeto “Kiuá Nangetu!”. A jornalista ativista Luiza Cabral estava lá e nos relata, no texto abaixo, como tudo aconteceu.

O sol castigava quem passeava pelo Ver-O-Peso naquele sábado, dia 21 de março. 

Feirantes e transeuntes andavam pelos corredores da feira, sons de conversa e música se confundiam no ar. Era hora do almoço e uma possibilidade inusitada de refeição se mostrou possível aos que ali estavam. “Magudiá – À margem do alimento”, intervenção do artista de terreiro Carlos Vera Cruz, ofereceu, despretensiosamente, a sagrada comida do candomblé à quem se interessasse.

Omolocum: feijão e camarão, em preparo tradicional em uma grande travessa de barro. Quem servia os pratos individuais a serem distribuídos era Mametu Nangetu, abençoando o alimento por ela preparado. Carlos conduzia a ação, balbuciando um discurso, na tentativa de explicar o ato solidário. 

“Na nossa religião é assim, entendemos que o alimento precisa ser compartilhado. Com isso , levamos aos que nos cercam o verdadeiro espírito de nossa crença”, dizia em tom intimista o artista, em meio ao agito da feira.  Todos vestidos de branco, respeitando a tradição das religiões de matriz africana. Ao redor, muitos olhos atentos e curiosos ao que acontecia ali.

Seu trajeto de pesquisa e experimentação em artes, guiado principalmente pelas expressões cênicas, levou Carlos a hoje utilizar o teor combativo da performance para aprofundar o debate sobre a identidade afro-amazônida tradicional. 

Seus recentes trabalhos, como o “Negra Luz”, que vem sendo desenvolvido em seu projeto de mestrado, aponta essa direção. A obra em questão parte de uma leitura da fotografia “Negra Luz”, de Alan Soares, para induzir uma leitura sobre os orixás. “Neste trabalho os orixás foram significados no corpo nú, nas ações e nos mínimos elementos utilizado”, conta.

Na sua proposição para o “Kiuá Nangetu!” o caminho não poderia ser diferente. “Com a performance feita no Ver-O-Peso me propus a compartilhar uma comida de santo, no caso de Dandalunda (Oxum), com os transeuntes, os feirantes, compradores, enfim, todos que circulam aquele universo da feira. Compartilhar é uma coisa que nós das tradições de matriz africana fazemos, e dividindo o alimento esse conceito ganha potência”.

As reações à ação foram diversas. Alimentando-se do Magudiá, alguns deleitavam-se no sabor, outros se mostravam desconfiados – indicando a linha tênue entre aceitação e preconceito. Veja aqui o video da performance: https://www.youtube.com/watch?v=aN-6tEsy_GA

Sobre Carlos Vera Cruz - Ator, diretor, professor e pesquisador de teatro. É formado em Licenciatura Plena em Teatro pela Universidade Federal do Pará.  Iniciou carreira em 1999 na Usina de Teatro da Unama – Universidade da Amazônia.Integrou como ator os grupos de Teatro Palha, Verbus - A poesia se fez carne, e Teatro de Apartamento. 

É também cenógrafo e iluminador; já tendo concebido e executado cenário e iluminação dos shows de artistas locais. Atualmente, além de ministrar oficinas de artes cênicas, desenvolve pesquisa e criação performática com cultura afro-brasileira, performance de gênero, e intervenção urbana. 

Saiba mais - “Kiuá Nangetu! Poéticas visuais de resistência negra” é um projeto de vivências poéticas, interferências midiáticas e intervenções urbanas com artistas do terreiro “Mansu Nangetu” e também de outros terreiros convidados, com obras e poéticas oriundas do cotidiano das práticas tradicionais dessa comunidade de terreiro afro-amazônico e seus parceiros.  As ações iniciaram em março e se estendem até o mês de maio de 2015, culminando com o encerramento das comemorações dos 10 anos de criação do Instituto Nangetu. 

Apoio na divulgação: Blog Holofote Virtual

12.5.15

Hibridismo na ocupação artística do Solar da Beira

A segunda edição do Solar das Artes, que ocorre até o dia 17 de maio, traz como proposta, a reunião de múltiplas linguagens e experiências urbanas. A programação é gratuita. Nesta terça-feira, 13, haverá entre outras coisas, uma aula pública com o jornalista Lúcio Flávio Pinto.

Cerca de cem artistas estão unidos em um movimento de afeto, política e contestação sobre o uso dos espaços públicos em Belém. Em pleno centro histórico de Belém, no Ver-o-Peso, eles ocupam, com fotografia, música, teatro, audiovisual e outras manifestações artísticas, desde o dia 9 de maio, o Solar da Beira. 

Durante o Solar das Artes várias ações político-culturais serão realizadas, completamente gratuitas, para a comunidade da feira e ao público em geral. Na programação, que contempla oficinas, rodas de conversa, há ainda aulas públicas, uma delas, nesta terça-feira (12), às 16h, com o jornalista Lúcio Flávio Pinto, que vai falar sobre “Resistência e Autonomia em um mundo de Controle Midiático”. Em seguida, a Trupe Pro.Cura entra em cena em “Brinquedo de Saúde: Celebração de afetos públicos com o Consultório na Rua e o Naris (Núcleo de Artes e Imanências em Saúde)”. 

“Será uma provocação ao diálogo para discutir saúde a partir do pressuposto amplo, contando os aspectos culturais, antropológicos, simbólicos e sociais. Atuamos no cuidado a população em situação de rua e vamos falar desse nosso processo usando o teatro e o afeto como estratégia de promoção a saúde”, explica o integrante da Trupe, Bruno Passos. 

A primeira edição do Solar das Artes foi realizada em dezembro de 2014, durante a I Virada Cultural de Belém. Na ocasião, o fotógrafo Bruno Carachesti expôs a série fotográfica “Panacuca gungum”, com imagens dos circos de bairros que percorreram a periferia da cidade, registradas entre os anos de 2012 e 2013. 

“Levei um trabalho inédito e ainda em construção. O projeto possibilitou eu ter um feedback do público que conferiu meu trabalho. É uma oportunidade para o artista mostrar o seu trabalho e trocar ideias com pessoas que colaboram com ideias e reservam seu tempo em prol da arte”, avalia o fotógrafo. 

O Solar das Artes é um projeto de arte pública que propõe ocupar os espaços da cidade e promover o compartilhamento, a vivência e troca artística. 

“Nosso objetivo é ressignificar o espaço; democratizar o acesso dos artistas para expor seus trabalhos, pois é um projeto livre, sem editais ou curadoria, ou seja, basta chegar e mostrar sua arte; e também provocar que outros artistas também ocupem o Solar e outros lugares com arte. A ideia é fomentar a cena cultural de Belém”, define um dos coordenadores do evento, Filipe Almeida.

PROGRAMAÇÃO

Dia 12/5 (terça) 
10h - Oficina: Papel Reciclado / Larissa Costa
15h - Oficina: Encadernação / Henrique Montagne
16h - Aula Pública: Resistência e Autonomia em um Mundo de Controle Midiático - Lúcio Flávio Pinto
18h - Brinquedo de Saúde: Celebração de afetos públicos com o Consultório na Rua e o Naris (Núcleo de Artes e Imanências em Saúde) - Mostra de Vídeos.

Dia 13/5 (quarta)
9h - Oficina “Tá na Mão: Vídeo de Bolso” / Agência divulga.
10h - Oficina: Gravura / Larissa Costa
15h - Oficina: ResiStencil / Liv Malcher
19h - show: Pelé do Manifesto [Batalha de São Brás]
20h - Batalha da Dorothy Stang

Dia 14/5 - (quinta)
10h30 - Roda de Autodefesa para mulheres e outras corporalidades em risco
13h - Feira de Trocas e ação do coletivo Freedas Crew
15h - Roda de Conversa: Feminismos
17h30 - Cineclube
18h - Roda de Conversa: Astrologia
20h - PocketShow AnarcoBregaFunkFeminista
21h - Sarau [palco/microfone aberto]

Dia 15/5 (sexta)
9h - Oficina de Fotografia para Crianças - Henrique Montagne e Amanda Júlia Rosa
10h - Oficina de Experimentação Musical / Laílla cardoso
15h - Oficina A Voz e O Corpo / João urubu
18h - Aula Pública: 25 anos de GEMPAC: Valorização da Mulher e Direitos Humanos / Representantes GEMPAC [a confirmar]
20h - Show: João Urubu
21h - Show: Tapera Trio
Mostra de Vídeos

Dia 16/5 (sábado)
Mostra Ver o Peso das Artes
Feira de Vendas
Resultado das Oficinas
10h - Oficina Comunicação para Cidadania / Rádio Idade Mídia
16h - Roda de Conversa: Ecoespiritualidades para um outro pensamento político
Coven Anam Cara e Clan an Sumaúma
18h - Aula Pública: Ocupação / MST Ulisses Manaças
19h30 - Show: Feira Equatorial

Dia 17/5 (domingo)
Mostra Ver o Peso das Artes
Feira de Vendas
Resultado das Oficinas
17h - Show Caliandares / Lucas Guimarães
18h - Ritual de desocupação + Desmontagem da exposição

Serviço
“II Solar das Artes”, até 17 de maio, no Solar da Beira (Boulevard Castilhos França, no Ver-o-Peso – Campina). Informações: (91) 9824.56225 ou solardasartes.contato@gmail.com. Entrada gratuita.

11.5.15

Kiuá Nangetu! Um culto à resistência afro feminina

Fotos: Divulgação
A intervenção artística da artista Isabela do Lago deu início às atividades do projeto “Kiuá Nangetu! Em "Poéticas visuais de resistência negra”, a artista convidou os transeuntes a vivenciar uma saudação à figura feminina, em sua proposta representada por Mikaia, senhora das águas, amplamente conhecida como Iemanjá. O vídeo resultado da intervenção já pode ser acessado no canal Youtube. Gravado nas areias da praia de São Francisco, em Mosqueiro, no dia 8 de março. O blog publica a seguir,  mais uma matéria, da série de textos de Luiza Cabral

Sob o título “Mikaia te espera na Kalunga”, Isabela evocou a divindade das águas e a ela concedeu como oferenda seu processo artístico. 

O caminho que levou a artista até aqui foi  traçado ao longo de quase vinte anos de experimentação no campo das artes, tendo como foco principal a pintura. O resultado deriva de um longo processo de descolonização, em busca de uma identidade libertária que prestigie a produção e a vivência que contemple a negritude e a potencialidade da mulher.

“Inicialmente, eu precisava dar fim à série de pinturas ‘Mulheres Líquidas’, onde eu catava portas abandonadas na rua e pintava nessas portas imagens de mulheres, de entidades, de aparições-acontecimentos, mulheres sagradas e me autorretratava nisso, mas sentia a necessidade de romper com algumas coisas, como o uso da influência eurocêntrica na minha pintura. 

Era um desejo de morte, mas não desse formato de morte que a gente aprende que é uma morte-fim, eu queria uma morte-recomeço, eu precisava morrer! Daí veio a ideia da Kalunga, que muito embora o senso comum veja a Kalunga como morte, nós bantus, sabemos que é a infinitude, um lugar de ‘eterno retorno’”, conta a artista.

Nesta busca, Isabela encontrou a melhor representatividade em Mikaia. “Ao dividir esse pensamento com irmãos mais velhos, percebi que havia algo ainda maior, havia a simbologia matriarcal das deusas das águas profundas, Mikaia, Iemanjá, e nisso tudo, uma história trilhada com resistência afrofeminina, então minha pintura virou um grão de areia diante da grandeza desse mar, dessa Kalunga”, explica.

Influenciada pelo embalo da maré, Isabela e sua pintura se demoraram à beira das águas, deixando que o rio decidisse a hora de lavar seus cabelos e levar sua obra. “Depois de mergulhar, depois de pintar, me botei ali na beira e esperei que a maré enchesse até cobrir a minha cabeça e levar a pintura, mas as águas não a levaram, o objeto boiava indo e voltando, a imagem de Mikaia dançava para mim”. No registro da ação, Isabela contou com o apoio das artistas Luana Peixe e Evna Moura.

Isabela do Lago - Aos 37 anos, Isabela já tem quase duas décadas de atuação artística. Começou como bailarina, mas sempre pintou e desenhou.  Nos últimos anos, sua produção passou a se relacionar mais estreitamente com sua religião, o candomblé. Expôs pelo “Nós de Aruanda”, em 2013 e 2014.

“De modo geral, minha produção tem a ver com minha retomada a religiosidade de matriz africana, não tenho uma organização cronológica certa, mas posso dizer que desde 2008 eu já vinha frequentando casas de santo no Marajó, e foi quando comecei a catar objetos de madeira na rua e retratar essas experiências, momento em que nasceu ‘Mulheres Líquidas’, em que eu já pensava o lugar da mulher afroamazônida, e já me questionava sobre a ausência desta mulher no circuito de arte, sem me dar conta de que nossa religiosidade não está separada da arte, nem da política.

Essa consciência veio com a vivência entre terreiro e galeria. Com o ‘Nós de Aruanda’ me atirei dentro do movimento negro, quando eu estava me perdendo e me achando entre pesquisadora, produtora, curadora e adepta... É difícil pensar em trajetória pontualmente quando se está enegrecendo, volto a responder daqui há 20 anos”, brinca.

Veja o video: https://www.youtube.com/watch?t=143&v=sdTKQi8sJek

Saiba mais - “Kiuá Nangetu! Poéticas visuais de resistência negra” é um projeto de vivências poéticas, interferências midiáticas e intervenções urbanas com artistas do terreiro “Mansu Nangetu” e também de outros terreiros convidados, com obras e poéticas oriundas do cotidiano das práticas tradicionais dessa comunidade de terreiro afro-amazônico e seus parceiros.  As ações iniciaram em março e se estendem até o mês de maio de 2015, culminando com o encerramento das comemorações dos 10 anos de criação do Instituto Nangetu.

8.5.15

Psicanálise e arte no debate em "Camille Claudel"

Ensaio de Ceronha, já  no Teatro Cláudio Barradas (PA)
O espetáculo estreia nesta sexta-feira (8), no Teatro Cláudio Barradas, e fica em cartaz até amanhã (9), sempre a partir das 20h. Hoje, após a apresentação haverá bate papo sobre arte e loucura, com participação da psicanalista Lia Navegantes e do ator e performer Nando Lima, no Teatro Cláudio Barradas. Em cena, a atriz Ceronha Pontes (CE/PE).

A intérprete e autora da dramaturgia, Ceronha Pontes modela uma Camille Claudel que aos poucos vai se desgastando pelos anos de reclusão forçada e abandono no manicômio, amargurada pelo pouco crédito que lhe deu a sociedade francesa de sua época, e ressentida com o Auguste Rodin, que não a assumiu como mulher, nem a defendeu quando a acusaram de copiar a arte do mentor.

Filha, de fato, de uma escultora, Ceronha percorre a densidade de suas memórias afetivas para exprimir com rigor de artesão a vida da mulher que viveu à sombra do escultor. Na narrativa, três tempos ficcionais se cruzam: o hospício onde Camille ficou internada pelos últimos 30 anos de sua vida, mais por sua genialidade incompreendida e severamente reprimida que por qualquer psicose diagnosticada, seu ateliê e o “inferno de Dante”, a obra que Rodin esculpia quando conheceu Camille como aluna e a tomou como amante. 

Sobre artistas e loucos...

Depois da apresentação do espetáculo, nesta sexta-feira, 8, o público será convidado a ficar mais um pouco para bater um papo com a atriz Ceronha Pontes. O ator e performer Nando Lima é um dos convidados a interagir no debate, que será norteado pela história de Camille Claudel, sobre arte e loucura.

"Conversar sobre teatro é sempre bom; é uma obsessão? Talvez essa seja uma questão louca, ir para uma sala e entregar-se ao devaneio, as questões propostas por uma atriz que por sua vez busca na genialidade de outra mulher-personagem, questões sempre atuais sobre arte e insanidade. Isso me motiva", comentou o performer, também cenógrafo, e proprietário do Estúdio Reator, em Belém. Ele diz que muitos são os reflexos e projeções possíveis à respeito do assunto arte a loucura. 

"Quero ver o que a atriz Ceronha Pontes realiza. O que ela propõe dentro desse universo, posto que toda arte está sempre no limiar, ou para além das realidades, existindo e nutrindo-se desse paradoxo, entre as coisas que são palpáveis, os fatos; e os desejos, as vontades, e as energias das emoções e entregas, posto que falamos de teatro, do ato presente, do humano diante do humano. Esse território gerador de potências, que discute a realidade, e que põe a prova o ser e o não ser, é o que me traz para essa arena", conclui.

Para Ceronha Pontes, os debates que vem sendo realizados por onde passa a espetáculo, são sempre enriquecedores. “Esse assunto não se esgota. A arte e a loucura se avizinham na medida em que são modos diferentes e quase sempre incômodos de enxergar e exercer a realidade. Camille traz essa discussão, sobretudo porque sua internação foi uma perversidade. Um diagnóstico duvidoso, uma sentença cruel. Na verdade ela foi punida por causa de sua genialidade. Desafiava todas as convenções e impunha sua arte revolucionária numa época em que gênios de saia não eram bem-vindos”, comenta a atriz

O olhar da psicanálise

Também será convidada ao debate a psicanalista Lia Navegante, que é membro da Associação Lacaniana Internacional. Para ela, entre as formas de expressão mais importantes do ser humano está justamente a arte, seja ela, literatura, música, cinema, teatro, fotografia.

“A psicanálise de Freud sempre se interessou pela arte, seja pra analisar as obras, que estão em questão, seja para compreender o processo de criação do artista, seja para ter algum acesso sobre o autor da obra. Além disso, participar deste debate me parece especialmente importante, por ser uma iniciativa maravilhosa  submeter um debate entre vários discursos, após a apresentação em si”, diz Lia.

A psicanalista trabalha em alguns cursos de transmissão de psicanálise, e atende crianças bem pequenas, de 1 e 2 anos, até adultos, passando pela adolescência nos mais diversos quadros de sofrimentos. Mas em relação à arte e a loucura, Lia acredita que toda expressão artística passa por uma manifestação própria do inconsciente e o tema do espetáculo está exatamente ligado ao impasse das angústias que permeiam o ser humano. E este é o cerne do analista”, comenta.

Lia Navegantes também chama atenção para o fato de que essa aproximação entre arte e loucura sempre existiu. Ela diz que há sempre esta comparação. “Mas se você me perguntar se todos os artistas são loucos, eu digo que não, os artistas não necessariamente são loucos, mas sem dúvida que são muito criativos. E tal qual o louco, o artista está aprisionado em seu universo. Ambos estão tomados por uma série de percepções, como se fossem pequenas amostras daquilo que nem sempre conseguem comunicar”, chama atenção.

“No caso do artista, estas percepções incomunicáveis estão nas telas, no escritos, mas são apenas fragmentos de um universo particular. O louco pode ser criativo, especialmente se a nossa cultura permitir que esta verdade e criatividade possa vir à tona”, finaliza.

Ficha Técnica
Espetáculo: Camille Claudel
Gênero: Drama (indicação: a partir de 16 anos)
Dramaturgia, Direção e Atuação: Ceronha Pontes
Cenário
Concepção : Yuri Yamamoto
Confecção: Yuri Yamamoto, Ceronha Pontes, Gustavo Araújo e Sr. Isaque.
Concepção de Iluminação: Walter Façanha
Operação de luz: Sávio Uchôa
Sonoplastia: Ceronha Pontes
Operação de som: Tadeu Gondim
Figurino: Ceronha Pontes
Orientação: Marcondes Lima
Confecção de figurino: Maria Lima e Antônia Castro
Coordenação de produção: Tadeu Gondim e Ceronha Pontes.
Produção e comunicação/Belém: Três - Cultura Produção Comunicação
Assistência de Produção/Belém: Cristina Pessôa e Thiago Ferradaes
Realização: MC Apoio
Incentivo: Funarte e Governo Federal – através do Prêmio Miryam Muniz de Circulação 2014
Apoio: Teatro Cláudio Barradas | Restaurante Dona Joana| Hotel Grão Pará | Blog Holofote Virtual | Funtelpa.

Serviço
Espetáculo “Camille Claudel”, com Ceronha Pontes (Recife-PE). Dias 8 e 9 de maio, às 20h, no Teatro Cláudio Barradas. Ingresso: R$ 20,00 (R$ 10,00 meia). Mais informações: 91 98134.7719. Apoio local: Hotel Grão Pará, Funtelpa, blog Holofote Virtual, Restaurante Dona Joana e Teatro Cláudio Barradas.

7.5.15

Arte e empreendedorismo para ocupar o Boulevard

Exposições artísticas, shows, culinária, cerveja artesanal, esportes radicais. Diversas expressões culturais se encontram no BoulevArte, dia 7 de junho, dando início ao que pretende ser a primeira de várias edições para a ocupação da Boulevard Castilhos França.

O feriado prolongado não foi empecilho para que diversos artistas, produtores culturais e jovens empreendedores se reunissem na construção do BoulevArte. Eles estiveram reunidos, no sábado, 02 de maio, na Estação das Docas, fechando a parceria no projeto, que pretende devolver à cidade e à população, o corredor da Rua Marechal Hermes, que vai da Avenida Presidente Vargas até o prédio da Alfândega, passando pela Praça dos Estivadores, um local que tem passado despercebido na cidade.

Para o fotógrafo e historiador Michel Pinho, que vai participar do projeto monitorando passeios históricos entorno daquela área, o BoulevArte  provoca o “encontro desse cidadão com a história, com a arte, gastronomia, cultura, com a música, vivendo na cidade um momento de identidade. Eu não tenho dúvidas do sucesso do projeto, até porque as pessoas estão muito empolgadas e desejosas de que isso dê certo pelo próprio fomento da cultura. 

A programação do primeiro BoulevArte será extensa, com início às 6h da manhã, com música, dança, teatro, fotografia, grafite, moda, esportes, oficinas e muito mais, indo até às 18h. Na concha da praça serão realizados shows a batalha de MC’s, e na Tenda das Artes as peças de teatro e apresentações de DJs. 

Uma das pistas na Rua Marechal Hermes será fechada no evento, para que os skatistas e patinadores possam exercitar suas manobras ou passear tranquilamente - o Boulevard Castilhos França será asfaltada para que os skatistas com longboard possam descer a ladeira. 

Diversas barracas serão armadas na praça para a venda de vinis, artesanato, espaço para gastronomia, moda e cerveja artesanal. Diversas oficinas serão ofertadas para a população, além de passeios monitorados pelo centro histórico da cidade.

Ocupação - . Utilizar o centro histórico de Belém pra fazer esse intercâmbio é extremamente saboroso, a palavra é essa mesmo, é gostoso fazer isso”, explica Michel Pinho. Ana Marceliano, atriz e diretora teatral do Coletivo Dirigível de Teatro, acredita que este é um movimento de ocupação de um espaço abandonado pelas pessoas.

“A gente precisa tomar de volta o espaço da rua, das praças, pro nosso convívio social e humano. Um espaço como a Praça dos Estivadores precisa ser tomado pra ocupar e viabilizar entretenimento, lazer e cultura pras pessoas que não tem acesso.”

“A ideia do BoulevArte é estabelecer um uso e uma estética que dialoguem com toda a antropologia cultural do Boulevard Castilhos França. E com isso, fazer com que a população venha usufruir deste espaço com segurança e felicidade. Este é o conceito principal do BoulevArte: a cidade para as pessoas”, explica Ney Messias, um dos idealizadores do evento.

Resgate Histórico - O projeto, que tem a missão de resgate histórico de Belém aliada à vontade de ocupação artística, convida todos a participar da programação, não apenas como público, mas também expondo sua arte nos diversos espaços abertos do BoulevArte. 

O palco, por exemplo, estará aberto nos intervalos dos shows oficiais. O propósito é de que o evento seja contínuo, realizado em parceria de diversos artistas todo último domingo do mês, e que vá além disso, criando um corredor cultural e artístico no Boulevard Castilhos França, para que essa via seja ocupada devidamente pela população da cidade.

Para a chef de cozinha Tatiana Braun, que participa da programação pela dogueria Hells Dog, dia de BoulevArte será, principalmente, um dia feliz. Ela explica que “Belém precisa desse tipo de evento. É uma forma de mostrar o que a gente tá fazendo de novo na cidade. Esse tem que ser o primeiro de muitos e que incentive outras pessoas a organizar esse tipo de evento. O que a população vai encontrar por aqui é alegria, música boa, gente boa, bonita, comunicativa, espaço agradável. É uma forma de estar alegrando o povo paraense, a nossa cidade", afirma.

O projeto conta com o patrocínio do Banpará e apoio da Prefeitura Municipal de Belém e do Governo do Estado, por meio de vários órgãos parceiros, como Fumbel, Sesi e a OS Pará 2000, que gerencia a Estação das Docas.

Programação Cultural

Palco
09h - Zarabatana Jazz Band
11h - Espoleta Blues
12h - Projeto Charmoso
13h -  Bruno B.O e Família Sempre Pelo Certo
15h - Arthur Espíndola & Convidados
17h - Dona Onete
18h - Arraial do Pavulagem - Batalhão
19h – Encerramento

Tenda das Artes
10h - In Bust
14h - Coletivo Dirigível
16h - Terceiro Mundo Sound System

Serviço
#BoulevArte . Dia 07 de junho – de 6h da manhã até 19h. Praça dos Estivadores, Boulevard Castilhos França, esquina com a Av. Presidente Vargas. Entrada franca. Para mais informações, acesse o site www.boulevarte.com.br.

Ceronha Pontes desvela a cena de Camille Claudel

Contemplado pelo Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz 2014, na categoria de circulação, “Camille Claudel” agora ganha duas apresentações em Belém, nos dias 8 e 9 de maio, às 20h, no Teatro Cláudio Barradas.  O espetáculo também será mostrado em São Luis (MA), Vitória (ES) e São Paulo (SP), trazendo à tona o gênio de Camille, impresso nas formas que esculpiu, e em sua exuberante e implacável personalidade complexa e conflituosa.

Em cena, a atriz Ceronha Pontes, que concebeu o projeto e no qual ela atua de muitas formas. “Pesquisar, escrever, atuar, dirigir, produzir. São muitas as minhas funções no espetáculo. Em todas, no entanto, sou uma atriz realizando. Não me esqueço disso e fico muito atenta aos meus limites”, diz ela, que está vindo a Belém, pela primeira vez. “Não faço isso porque tenho super poderes. Faço porque é inevitável”, complementa.

Camille Claudel morreu em 1943, aos 79 anos de idade, pobre, sozinha numa cama de hospício, onde ficou por mais de 30 anos. Em vida, foi atormentada por um amor impossível, pelos preconceitos da sociedade francesa do século 19 e pela doença que a levou ao isolamento. A própria família a renegou. 

A história da escultora já conhecida também pelo cinema e literatura, na narrativa do espetáculo de Ceronha Pontes, não segue uma ordem cronológica. Em discussões às vezes dóceis, às vezes acaloradas, a atriz revela o rancor que corrói Camille Claudel, que em cena se confronta com as injustiças a que foi vitimada e o preconceito de gênero que permeou toda a sua trajetória, além do tolhimento artístico que lhe impunha Rodin e a sociedade.

Uma marca no espetáculo são as esculturas de Camille. “Quis que meu corpo pudesse representá-las de modo que, aquela legião de criaturas extraordinárias atravessassem o gestual, com toda naturalidade.

Quem conhece as obras vai identificá-las. Quem não conhece, vai pressenti-las. Camille ficou na sua obra. Mais do que em qualquer biografia que se escreva. Seu sofrimento e seu talento raro, seu amor e sua solidão, esculpidos em mármore. Para sempre”, comenta a atriz que utiliza barro e terra em cena.

Após o primeiro dia de apresentação, o público será convidado a um debate com a atriz Ceronha Pontes sobre Arte e Loucura, com participação do ator, artista visual e performer Nando Lima, do Estúdio Reator, e de Lia Navegantes, Lia Navegantes é psicanalista, Membro da Associação Lacaniana Internacional.

Ceronha Pontes é formada em Filosofia pela Universidade Estadual do Ceará. Iniciou sua carreira no teatro em 1991, no Curso de Arte Dramática da Universidade Federal do Ceará, concluído com a montagem de “Viúva, Porém Honesta”, de Nelson Rodrigues, sob a direção de Bruno Correia Lima. 

O Coletivo Angu de Teatro, grupo que ela integra, esteve em Belém com o espetáculo “Angu de Sangue”, em 2008. Na época, ela ainda não era da trupe, por isso, será sua primeira vez em Belém. E quanto a isso, há entusiasmo.

“Todos me dizem da alegria e amabilidade de sua gente. Além disso, quero comer de tudo e dançar o seu carimbó. Não por acaso Belém foi a primeira cidade escolhida para a nossa circulação. Obviamente, que é uma super oportunidade de mostrar nosso trabalho, mas principalmente de ampliar nossos conhecimentos sobre nosso próprio país, tão grande, tão diverso e rico”, diz a atriz, que esticou mais ainda o papo com o Holofote Virtual.

Holofote Virtual: Como iniciou o seu interesse pela história de Camille Claudel. 

Ceronha Pontes: Apesar de ter nascido de mãe escultora, só atentei para a obra de Camille depois dos vinte anos. Até lá tudo o que eu sabia era que ela tinha sido amante de Rodin. Foi quando uma amiga me mostrou a imagem de Sakuntala.

Eu perguntei quem tinha feito e ela me que disse que Camille Claudel. E seguiu me apresentando outras figuras: A pequena Castelã, A Valsa, A Implorante... Foi nesse dia que fui apresentada à artista Camille Claudel, e ela me arrebatou. Esta mesma amiga me apresentaria a sua correspondência e então não pude mais parar. 

Holofote Virtual: Você imaginava que faria um espetáculo?

Ceronha Pontes: Não percebi de imediato que uma investigação já havia começado e que resultaria numa peça de teatro porque eu, indignada, não saberia me calar. Demorei nove anos, porque nesse momento eu sabia que não estava madura o bastante para leva-la à cena. Nem como atriz, nem como mulher. Precisava viver mais, dentro e fora de cena até me sentir preparada. 

O primeiro texto resultou muito longo, e nada atraente, pois minha necessidade de ser fiel à história era muito forte. Numa leitura para convidados percebi que eu ainda não tinha a peça. Disseram que o texto parecia uma biografia e, pior, autorizada por Rodin, de tão cautelosa que fui. Que eu não devia ter medo da “loucura” de Camille.

Depois desta conversa abandonei a cronologia e segui a lógica das minhas lembranças. Abandonei o papel e fui escrever com meu corpo na sala vazia. Através desses improvisos eu pude descobrir o que mais me perturbava e convocava em Camille.

Em cena, indo e vindo de um ambiente a outro como numa costura em linhas tortas, Camille aparece na Villeneuve da sua infância, no ateliê (o seu e também o de Rodin), no hospício e no Inferno. Rodin concebia As Portas do Inferno, quando conheceu Camille. Uma escultura inspirada na obra de Dante, e também nos Paraísos Artificiais, do Baudelaire. Sobre este último autor, eu havia feito antes um trabalho curto a partir de Um Comedor de Ópio e não creio em coincidências.

Holofote Virtual: Após a apresentação do primeiro dia, o público será convidado a participar de um debate sobre arte e loucura. Como tem sido estas discussões por onde vocês passam, e qual a tua visão acerca do assunto?

Ceronha Pontes: São sempre muito enriquecedoras. Esse assunto não se esgota. A arte e a loucura se avizinham na medida em que são modos diferentes e quase sempre incômodos de enxergar e exercer a realidade. Camille traz essa discussão, sobretudo porque sua internação foi uma perversidade. Um diagnóstico duvidoso, uma sentença cruel. Na verdade ela foi punida por causa de sua genialidade. Desafiava todas as convenções e impunha sua arte revolucionária numa época em que gênios de saia não eram bem-vindos. 

Holofote Virtual: O que te move para esta circulação com o espetáculo?

Ceronha Pontes: Uma obra que nasce da minha indignação, da minha devoção, do meu desejo, então eu sigo o instinto e me amparo na humildade e na busca de conhecimento. Eu só sei ir. E não vou sozinha. Nunca. 

Nada disso seria possível sem os esforços dos meus companheiros de trabalho. Desde aqueles que realizaram a primeira montagem lá no Ceará aos que hoje seguram todas as ondas comigo em Pernambuco.

Com Tadeu Gondim eu vou de olhos fechados. É um produtor com alma de artista. Sensível, tem muito respeito por esse trabalho, o que é fundamental. Não está aí para vender a peça, o que tornaria impossível a nossa relação, mas para fazer ecoar o clamor de Camille. “Eu exijo em altos brados a minha liberdade”, dizia ela. 

O Sávio Uchoa é um querido parceiro do Angu. Confiamos absolutamente na sua sensibilidade. E o Walter Façanha fez com que a peça tivesse duas atrizes: eu e a iluminação. E é uma alegria contracenar com todas as criaturas que sua luz sugere. E assim seguimos, em estado de alegria e aprendizagem constantes, encontrar o elemento que falta para que o teatro se faça: o público. 

Holofote Virtual: Além de teatro, você também atua em cinema, como é isso?

Ceronha Pontes: Fiz poucos filmes, mas foram experiências bem felizes, com as quais aprendi muito. Entre outras participações mais breves, já fui a Mulher Biônica, um filme inspirado no conto Creme de Alface, do Caio Fernando Abreu, do cineasta cearense Armando Praça. 

Também a Elisa, protagonista do ainda inédito Anedonia, do diretor estreante André Valença, de Pernambuco. Recentemente filmei uma participação no Big Jato, do Cláudio Assis e foi uma alegria, ele é mesmo um sujeito raro.

Holofote Virtual: Seja teatro, cinema, você respira tudo isso. E certamente deve estar envolvida em outros projetos... Quais?

Ceronha Pontes: Sim, estou montando um espetáculo musical ao lado de Gonzaga Leal, intérprete pernambucano por quem tenho enorme carinho e admiração. Gonzaga é o mentor do espetáculo e me confiou a dramaturgia, além de me convencer a cantar com ele. Um desafio e tanto. A direção é do André Brasileiro, com quem já trabalho no Coletivo Angu. É uma homenagem ao poeta Manoel de Barros e vai se chamar Concerto de Assobios. 

Além disso, estou investigando a vida e a obra da poetisa uruguaia Delmira Agustini, razão de minha vinda a Montevideo, para uma temporada de estudos de seis semanas. Uma mulher extraordinária que pretendo levar à cena em 2016.

Onde ver

Espetáculo “Camille Claudel”, com Ceronha Pontes (Recife-PE). Dias 8 e 9 de maio, às 20h, no Teatro Cláudio Barradas - Jerônimo Pimentel, 546, esquina com a Travessa D. Romualdo de Seixas. Ingresso: R$ 20,00 (R$ 10,00 meia). Mais informações: 91 98134.7719 (whatsapp).

6.5.15

Felipe Cordeiro estreia com "É Fogo" no canal Vevo

Estrelado pela atriz Cristina Lago, o clipe "É Fogo" tem direção de Tarcísio Lara Puaiti e João Felipe Freitas. O lançamento será nesta quinta-feira, 7 de maio, dando início à parceria entre Felipe Cordeiro e o canal Vevo, onde em breve haverá mais conteúdos do artista. 

A música está no álbum "Se Apaixone pela Loucura do Seu Amor". Na telinha, ela ganha imagens em  plano sequência, traçando uma narrativa que sugere as mudanças de sensações presentes na letra da canção, mostrando os extremos de viver o gelo e o fogo numa paixão.

O roteiro foi idealizado também por Tarcísio, que por gostar muito da música, propôs ao Felipe a gravação do clipe. A parceria entre Cordeiro e Tarcísio começou em 2014, quando o diretor gravou em estúdio no Rio de Janeiro o clipe da canção "Problema Seu", também do disco "Se Apaixone.

Para o novo 'É Fogo', o diretor sugeriu um filme sem a presença do músico, mas que pudesse transmitir todo o sabor e intensidade da canção, que fala sobre um amor avassalador. O também diretor João Felipe Freitas entrou no processo na escolha do cenário. A gravação do vídeo foi sobre um trecho de um viaduto em demolição no centro da Cidade Maravilhosa. As cenas ao ar livre, com a noite da cidade, as luzes dos carros passando, à beira do porto, situa a música num universo bem urbano.


  • Direção: Tarcísio Lara Puaiti  e João Felipe Freitas
  • Atriz: Cristina Lago
  • Produção: Imagem Tempo
  • Direção de fotografia: Gustavo Pessoa
  • Direção de produção: Beto Cattabriga
  • Assistente de direção: Igor Souza



5.5.15

Branco Medeiros está de volta à cena do desenho

Ele desenha, ilustra e conta histórias com traços e palavras, sempre necessárias em sua obra, mas afirma que nunca fez quadrinho. Mesmo assim, sua produção é referência para uma geração de artistas gráficos e quadrinistas, atuantes hoje no mercado paraense, nacional e internacionalmente. Em um bate papo com o blog, o artista  fala de sua inserção neste universo e de seu trabalho, além de revelar que, depois de um longo tempo sem produzir, ele está, aos poucos, voltando ao mercado.

Desde que voltou a desenhar mais sistematicamente, Branco expõe seus desenhos, on line, em sua página do facebook. Os mais recentes, feitos declaradamente para sua namorada, contam a história com um cara que tem uma casa antiga na cabeça e uma mulher alada que meio que enlouquece o pobre do sujeito, confere aqui neste link.

Em breve, Branco também avisa que vai ter uma nova página no ar: "A Paixão Segundo FB", que trará desenhos nesta mesma linha, de imagem versus texto. “Mas como eu trabalho suuuuper devagar, ainda estou montando a página. Quando tiver uns dez desenhos (tem um!), eu divulgo pros amigos”, promete. 

Desenhista paraense reconhecido como um dos talentos da geração dos anos 1980, com virada para os anos 1990, Branco Medeiros também está no documentário “VHQ - uma breve história do quadrinho paraense” (Dir. VIcente Souza), que traça uma boa parte da história do quadrinho paraense, desde os anos 1970 até a atualidade, trazendo participações também de Eliezer França, Luiz Claudio, Andrei Miralha, Marcelo Marrat, Gian Danton, Miguel Imbiriba, Alan Yago, Alex Barros, Paulo Emmanuel, Lupa e Joe Bennett, nomes que situam a história do quadrinho por aqui. 

Lançado em abril deste ano, o trabalho apresenta uma pesquisa relevante, mapeia coisas importantes, mas peca, na minha opinião, pela falta de imagens. “Também achei que faltou mais quadrinho”, concordou Branco concordou, identificado no documentário, como o primeiro cara a elaborar quadrinhos no computador.

"Acho que a ideia do Vince era mais dar voz às pessoas que fizeram a cena dos quadrinhos nos anos 1990 e 2000 e a solução visual que ele escolheu foi aquela. Eu também acho que podia ficar um pouco mais rico com os desenhos propriamente ditos, até porque tem umas coisas muito boas daquela meninada”, arrematou, pelo in Box do facebook. Agora, vamos ao bate papo!

Holofote Virtual: Estás de volta ao mercado?

Branco Medeiros: Parei de fazer trabalhos gráficos em 2004, 2005, para trabalhar mais no computador, tanto com artes visuais quanto com programação, que é um treco que eu curto muito. Mas agora estou meio que de volta no mercado, mas devagar, porque nem tenho tanto tempo assim, e desenhando de novo, o que era uma coisa que eu não fazia havia uns dez anos.

Holofote Virtual: No documentário VHQ... é informado que tu foste o primeiro desenhista a usar o computador na arte do quadrinho... 

Branco Medeiros: O que eu gostava era da sucessão narrativa que o quadrinho permitia. Com o quadrinho você tem claramente um recorte no tempo e no espaço, e isso permitia contar o fragmento da história daqueles personagens”, explica.

Fui um dos primeiros a trabalhar com ilustração toda feita no computer em Belém, mas acho que quando começaram a usar computador pra fazer o tipo de arte que se tem hoje, já era quase anos dois mil, que foi quando os computadores ficaram rápidos o suficiente pro aguentar manipular todas aquelas informações. O que se tinha antes era bem característico, tipo ‘isso foi feito no computador`..

Holofote Virtual: Como é que o quadrinho era revelado no teu trabalho...

Branco Medeiros: Eu gostava de imaginar uma história, e "quadrinizar" no quadro uma parte da narrativa. O leitor ficava incumbido de entender (ou inventar) o que tinha acontecido antes e o que ia acontecer logo em seguida, porque os quadros eram só uma página da história toda. As outras "páginas" estavam nas cabeças de quem via o quadro.

Holofote Virtual: Gostava? Não imaginas mais?

Branco Medeiros: Gosto ainda, claro. Falei ‘gostava’ porque isso era o que eu fazia naquela época, era o quê, final dos 80, acho que até o comecinho dos 90. Depois disso eu parei de desenhar um tempo e quando voltei a desenhar era outro tipo de desenho, inicialmente umas fadinhas pra colorir pras filhotas depois ploft, uns desenhos eróticos... Agora o motivo são os flyers do facebook. Essas "charges" que combinam imagem e um texto completamente desconectado.

Holofote Virtual: Nunca pensastes em fazer animação?

Branco Medeiros: Por trás dos panos eu tenho estudado as ferramentas mais usadas, mas pensando em ambientes interativos, tipo jogos. No fundo, no fundo, é como se fossem aqueles trabalhos lá dos anos 80, mas com esse componente de interação com o leitor, que pode definir o rumo da narrativa. Mas é só conjetura por enquanto, ainda estou estudando as ferramentas. Meu xodó é um livrinho digital pra colorir para adultos, com as mulheres aladas que eu gosto de desenhar.

Holofote Virtual: Quais são os projetos próximos?

Branco Medeiros: Não tem planos, plano... só algumas "diretrizes", digamos assim. É legal estar desenhando de novo depois de muito tempo achando que eu não tinha mais o que dizer através do desenho. E é divertido fazer coisas pra um consumo imediato, como é o caso do face. Tipo tu postas um desenho e pessoas que tu curtes ou até gente que tu não conheces vai lá e opina, curte, etc. Eu quero fazer mais com isso, por isso essa ideia do "Paixão segundo FB", é um projetinho legal que eu acho que vai ficar quase pronto logo logo.

4.5.15

Curso faz “Introdução à Obra de Jacques Lacan”

Promovido pelo Corpo Freudiano Escola de Psicanálise – Seção Belém, o curso “Introdução à Obra de Jacques Lacan” será ministrado pelo psicanalista e professor Doutor Marco Antonio Coutinho Jorge, nos dias 22 e 23 de maio, em Belém.  Vai abordar os conceitos fundamentais na obra do psicanalista francês e marca o início das atividades do V Encontro Nacional do Corpo Freudiano, evento que reunirá psicanalistas de todo o Brasil e convidados internacionais, na capital paraense.

O Real, o Simbólico e o Imaginário são alguns dos conceitos essenciais na obra de Lacan a serem abordados nos dois dias de atividades do curso, que traz a Belém Marco Antonio Coutinho Jorge, autor de diversos livros sobre o tema e um dos maiores especialistas na obra do psicanalista francês. O curso ocorrerá no Auditório Central, do colégio Ideal, no dia 22 de maio, às 19h, e no dia 23, às 9h. O investimento para estudantes é de R$60 e R$100 para profissionais. Os participantes que cumprirem as seis horas de carga horária receberão certificados.

O estudo sobre as psicoses na psicanálise foi iniciado por Freud e desenvolvido mais detalhadamente por Lacan. Freud publicou um estudo de caso, tendo como base de análise o livro auto-biográfico do juiz de direito Daniel- Paul Schreber. Neste estudo, o criador da psicanálise destaca a lógica dos diferentes tipos de delírio paranóico e formula a maior novidade trazida pela psicanálise para esse campo clínico: o delírio não é a doença, mas a sua tentativa de restabelecimento.

Jacques Lacan, posteriormente, contribuiu para a questão indagando sobre o tratamento possível das psicoses, estabelecendo hipóteses sobre sua causa, seu desencadeamento e sua estabilização. As ideias do psicanalista francês impulsionaram as pesquisas sobre o assunto.

O evento marca o início das atividades do V Encontro Nacional do Corpo Freudiano, que reunirá em Belém, nos dias 30 e 31 de outubro e 01 de novembro, psicanalistas brasileiros e estrangeiros, entre eles, o francês Alain-Didier Weill, que trabalhou durante 15 anos com Lacan e foi um de seus analisandos. A edição 2015 do Encontro tem como tema “O inconsciente à céu aberto: as psicoses na Psicanálise”. Mais informações podem ser obtidas através do endereço eletrônico quintoencontro.com.br.

O ministrante do curso, Marco Antonio Coutinho Jorge, é professor Associado do Instituto de Psicologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Procientista da UERJ; Médico psiquiatra; Doutor em Comunicação e Cultura; Psicanalista fundador e Diretor do Corpo Freudiano Escola de Psicanálise Seção Rio de Janeiro (Associação Membro de Convergencia - Movimento Lacaniano para a Psicanálise Freudiana). Marco Antonio Coutinho Jorge é membro das seguintes associações: Associação de Psicanálise Insistance (Paris/Bruxelas); Associação Psiquiátrica do Estado do Rio de Janeiro; Associação Brasileira de Psiquiatria. 

Ele também compõe a Sociedade Internacional de História da Psiquiatria e da Psicanálise (Paris). Autor de diversas obras e artigos publicados no Brasil, Canadá, Colômbia, França, Itália e México; profere conferências e seminários em diversas cidades do Brasil e do exterior sobre os conceitos fundamentais da teoria e da clínica psicanalítica; a conexão arte/psicanálise e a formação do psicanalista. Traduziu para o português as seguintes obras de Jacques Lacan: Os complexos familiares e Da psicose paranoica em suas relações com a personalidade.

Lacan - Jacques- Marie Émile Lacan nasceu em 13 de abril de 1901, em Paris. Formou-se em medicina, passando da neurologia à psiquiatria. Em 1931, conhece Salvador Dalí, com quem mantém uma troca intelectual frutífera e amigável; e Margarite Pantaine (ou Anzieu, seu sobrenome de casada), cujo o tratamento ficou conhecido como o Caso Aimée e originou a tese de doutorado defendida por Lacan, em 1932. No mesmo ano, entra para a Sociedade Psicanalítica, iniciando sua jornada pela psicanálise. 

A partir da década de 50, no pós-guerra, inicia seus seminários e uma retomada dos textos freudianos. No verão de 1964, não sem muito dissenso no meio psicanalítico, Lacan cria a Escola Freudiana de Paris. A instituição é posteriormente dissolvida em 1980, pelo o seu criador considerar que não mais preenchia a função para a qual havia sido criada. No ano seguinte, Lacan é submetido a uma cirurgia para a retirada de um tumor maligno. Alguns dias depois da cirurgia, uma infecção generalizada é desencadeada, provocando dores insuportáveis, processo interrompido – com a concordância dos familiares – por uma dose letal de morfina.

Corpo Freudiano - É um lugar de transmissão da Psicanálise voltado para o ensino e a pesquisa, que reúne psicanalistas, estudantes de Psicanálise e estudiosos de outros campos do saber. Seu objetivo é sustentar um espaço discursivo que mantenha uma relação essencial com o saber, seja este da Psicanálise, seja de outros campos teóricos que importem na fundamentação e no aprimoramento dos desenvolvimentos freudianos. Seu eixo teórico é constituído pela obra de Sigmund Freud e pelo ensino de Jacques Lacan. 

O Corpo Freudiano é composto por oito seções, sediadas em sete cidades brasileiras (Belém, São Luiz, Imperatriz, Teresina, Fortaleza, Goiânia, Campos, Rio de Janeiro) e na capital francesa, Paris. Além das seções, o Corpo possui ainda sete núcleos (João Pessoa, Cuiabá, Dourados, Barra Mansa, Macaé, Teresópolis, São Paulo).

Serviço
Curso “Introdução à Obra de Jacques Lacan”, com Marco Antonio Coutinho Jorge. De 22, às 19h, e 23 de maio, às 9h. Carga Horária: 6 horas. R$60,00 estudante. R$100,00 profissional. No Auditório Central do Colégio Ideal – Rua dos Mundurucus, 1412. Mais informações e inscrições: 91 32230816/ 982128688 -  belem@corpofreudiano.com.br/ quintoencontro.com.br

“Olho de Boto” aborda o casamento homoafetivo

No interior da Amazônia, durante a década de 1960, quando o país está sob o poder dos militares, dois homens decidem se casar e para isso recorrem ao universo mítico das crenças da região. Este é o mote do livro “Olho de Boto - Um Romance Homo(ama)zônico”, do escritor paraense Salomão Larêdo, que será lançado no dia 6 de maio, a partir das 17h, na livraria da Fox, em Belém. A entrada é gratuita.

Com o selo da Editora Empíreo, o livro é a 40ª obra do autor, que se inspirou em fatos reais para construir a narrativa ficcional – descrita por Salomão como fantástica. A história se passa no vilarejo de Inacha, localizado na comunidade de Juaba, no município de Cametá, no nordeste do Pará. Inajá e Inajacy, o casal protagonista, pedem a um pajé que transforme um deles em mulher para que possam efetivar a união matrimonial.

“O romance é cheio de situações escabrosas, inventadas ou superestimadas. Trago as metáforas e as polifonias do ser humano que habita a floresta, a natureza, a vida num manancial de águas, de riqueza de todos os reinos: vegetal, animal e mineral. O livro tem muitos personagens que circulam em meio a uma enorme variedade de temas e situações peculiares e características na sociedade humana que deve ter o compromisso de descontruir desigualdades e injustiças”, explica.

A obra busca um amparo aos casais homoafetivos e é uma postura política do escritor. Por esse motivo, com seu posicionamento de defesa em relação às minorias oprimidas, que são quase sempre personagens principais de suas publicações, “Olho de Boto” incita o amor, a compreensão, o respeito. O texto procura mostrar o direito à liberdade que todo ser humano deve ter, para decidir sobre sua própria vida e trilhar suas escolhas.

“Este novo romance aborda não apenas o tema da homoafetividade, mas todas as nossas questões sócio-políticas, de tudo que precisamos saber, discutir, estudar e nos posicionar como cidadãos culturais, cidadãos sexuais, democráticos, como leitor que pensa, que tem senso crítico, consciência política, que  não é intolerante, intransigente, que sabe e procura   amar o outro, respeitar o outro, que é preocupado com o bem comum, com a igualdade como bem coletivo”, defende Salomão.

Um Romance Homo(ama)zônico - Inacha é um povoado pacato e ordeiro da floresta amazônica, onde ninguém contesta o poder do regime militar recentemente implantado no Brasil. Porém, tudo muda quando um acontecimento grandioso é agendado: dois homens decidem se casar, décadas antes do mundo discutir os relacionamentos homoafetivos. 

Inspirado em fatos reais, Salomão Larêdo apresenta um romance contestador, que deseja disseminar o amor livre por todos os lugares e criticar a incompreensão e a violência comuns numa terra tão afastada da civilização.

O romance nos romances contém muitas passagens, histórias, numa narrativa em que os personagens vivem situações as mais inusitadas e difíceis para conseguir realizar o sonho de contrair núpcias em que os pajés são convocados para realizar a metamorfose e transformar em mulher a noiva que, junto com o noivo passam por inúmeras dificuldades, incitamentos, provações e provocações dos curiosos que enchem as ruas do lugar para prosseguir no sarro, na gozação meio escárnio homofóbico coletivo ao casal submetido ao vexatório e incômodo exame médico comprovativo do gênero.

Sobre o autor - Salomão Larêdo nasceu na Vila do Carmo, município de Cametá, no Pará, região Amazônica, na madrugada do dia 23 de abril de 1949. É autor de diversas obras, incluindo romances, contos e poesias. Com seu estilo, o paraense envolve o leitor no imaginário amazônico, revelando todas as suas belezas e idiossincrasias. “Olho de boto” é a quadragésima obra publicada pelo autor, que já recebeu prêmios por todo o país, incluindo o Monteiro Lobato da União Brasileira de Escritores, pelo livro “Sarrabulho”.

Editora Empíreo – Editora brasileira de literatura: romance, poesia, fantasia, não-ficção, música, quadrinhos e tudo o que for apaixonante, com sede em São Paulo. Tem a missão de publicar literatura de qualidade e rica em cultura que edifique seus leitores usando os mais variados temas e formatos. O nome faz referência à palavra latim Empyreus, uma adaptação do grego antigo, “dentro ou sobre o fogo (pyr)”, Empíreo é o mais alto dos céus, o local reservado para as divindades e para a perfeição.

Serviço
Lançamento do Livro “Olho de Boto - Um Romance Homo(ama)zônico”, do escritor paraense Salomão Larêdo, será no dia 6 de maio, às 17h, na livraria da Fox (Travessa Dr. Moraes, 584 – Batista Campos), em Belém. A entrada é gratuita. Informações: (91) 4008-0007 /(11) 2309-2358 / (11) 97687-9696 / filipe@editoraempireo.com.br. Valor: R$ 39,90.

Conheça o hotsite do livro: http://olhodeboto.com/
Visite o site da editora: www.editoraempireo.com.br  
Compre o livro: http://loja.editoraempireo.com.br/product/1018168/olho-de-boto
http://www.saraiva.com.br/olho-de-boto-8872515.html
Veja o vídeo com depoimento de Salomão Larêdo: https://vimeo.com/122037504