16.1.19

Os diálogos para uma política cultural de Estado


A nova cara da Secult (foto da página de Úrsula Vidal)
No final da semana passada, a nova secretária de cultura do Estado, Úrsula Vidal, anunciou em sua equipe nomes que trazem em seu histórico a luta por políticas culturais de Estado. Alguns têm atuação artística na capital, na cena nacional e  experiências em projetos artísticos e ações em outros municípios. Outros já atuaram em gestões públicas de outros governos.

É o caso do ator, escritor e autor Adriano Barroso, um dos mais ativos críticos a gestão de Paulo Chaves. Ele assume pela primeira vez um cargo público, ao contrário do artista plástico Armando Sobral, que já atuou na extinta Fundação Curro Velho, em gestão do PSDB, entre 2001 e 2006, e dos músicos Allan Carvalho, que esteve na Secult na gestão não tão bem sucedida do PT, e Junior Soares, que estava no quadro de gestores do PSDB, na Fundação Cultural do Pará, nos governos do Jatene.

Ainda da área das artes plásticas, está Emanuel Franco, que traz experiência da gestão privada, de quando dirigiu a Galeria de Arte da Universidade da Amazônia, a Unama. Do audiovisual, está o cineasta Januário Guedes, e o produtor, diretor e militante do áudio visual Afonso Gallindo, que sempre foi um grande articulador desta cena. Da produção criativa, temos as militantes da cultura Tainah Jorge e Lorena Saavedra, mas ainda faltam nomeações, assim como há outros nomes confirmados como Joyce Cursino e Márcia Carvalho, jornalistas, e José Maria Zehma Reis, que traz sua experiência na cultura popular, o cantor lírico Daniel Araújo, e o produtor Sérgio Oliveira. Confiram todos os nomes e suas funções no site da Secult.

Depois da euforia causada nas redes sociais, com a apresentação dessa equipe, e dos eventos festivos da Cabanagem, no dia 7, e do aniversário de Belém, em seus 403 anos, no sábado, 12 de janeiro, a ação mais esperada  e aguardada pelo público de artistas e produtores foi tomada pela secretaria. Nesta terça-feira, 15, Úrsula Vidal e equipe, em uma ação conjunta realizada pelas redes sociais, convocaram um encontro os fazedores de cultura, para ouvir as categorias e anunciar suas novidades.

O convite está feito para esta sexta-feira, dia 18/01/19, às 18h, no Teatro Gasômetro, localizado no Parque da Residência. O próximo passo talvez seja ir aos municípios, uma vez que a gestão deve se intensificar também nas demais cidades paraenses, evitando a concentração da ações apenas na capital, uma reivindicações que já está sendo feita também pelas redes sociais. Por enquanto, quem estiver fora de Belém, poderá acompanhar pelas redes sociais, pois haverá transmissão pela página da secretaria no facebook.

Definições e espera de outras nomeações na área cultural

Monumento da Cabanagem: ação imediata de recuperação
Ainda há área ligadas à cultura indefinidas, mas em notícia divulgada nesta manhã pelos veículos de imprensa da família Barbalho, está confirmada na Fundação Carlos Gomes, a volta da professora Glória Caputo, após 22 dois anos de uma gestão que foi uma das mais elogiadas e que abraçava ações em todos o estado.

Para a Funtlepa, a Cultura Rede de Comunicação, até ontem sem nenhuma chefia, parece que também já foram nomeados dirigentes, segundo postagem desta manhã, do radialista Fabrício Rocha, funcionário da rádio cultura. De acordo com ele, assumem a presidência, Hibert Nacimento (Binho Dilon), a direção da rádio, Nonato Cavalcante, e Vanessa Vasconcelos, a direção da TV.

Helder Barbalho ainda divulgou nomes para a Fundação Cultural do Pará, responsável pela gestão da  Lei de renúncia fiscal, Lei Semear, e os incentivos diretos da micropolítica dos Editais SEIVA, implementados na gestão de Dina Oliveira.  A fundação também detém o controle sobre os espaços Casa das Artes (IAP) e Curro Velho, antes instituições independentes, que foram extintas pelo governo Jatene, mais um dos grandes golpes dados na área cultural. 

Dois espaços que ficaram à deriva neste últimos anos e que merecem atenção da gestão que vier. Vale lembrar que no extinto IAP havia um núcleo do "Pará Criativo", que foi desmantelado, e o Núcleo de Produção Audiovisual NPD, que chegou a ser coordenado por Afonso Gallindo, no primeiro governo de Jatene, e que hoje está também sucateado.

A ex-fundação Curro Velho manteve como pôde suas oficinas, mas há muito tempo que vem perdendo sua função de ator social em um dos bairros mais pobres de Belém, a Vila da Barca. Tudo isso merece um olhar mais cuidadoso. Tomara que haja com estes espaços, a mesma e imediata preocupação que houve em recuperar o monumento da Cabanagem, que sabemos, foi inaugurada no governo de Jáder Barbalho,  pai de Helder, e senador reeleito.

Do Sarau Multicultural às expectativas de uma nova gestão


Jorge André (foto de sua página no FB)
Buscando dialogar sobre a situação atual da cultura em níveis municipal, estadual e federal, o blog conversou com o produtor e ativista cultual Jorge André, que produz uma das cenas de maior resistência da cidade, o Sarau Multicultural do Mercado de São Brás. Ele diz que mesmo com o cenário de perseguição institucionalizada visto no Governo Federal, acredita que no âmbito local as coisas sejam diferentes, ao menos na esfera estadual.  



“Anseio ver ainda mais ativistas envolvidos na discussão sobre caminhos a seguir, cobranças sobre as medidas adotadas nas gestões passadas, participação na construção de politicas públicas inclusivas e, principalmente, respeito à cultura popular, fomento, transparência e democratização administrativa”, diz. As expectativas por mudanças na gestão estadual dos recursos da cultura são grandes.

Na esfera estadual, o ativista diz que espera ver uma profunda mudança no modo como os recursos, espaços e modelo de gestão foram conduzidos ao longo de toda a história do Pará. "Nunca tivemos ativistas diretamente engajados no fazer cultural conduzindo a Secretaria de Cultura, salvo o período em que o professor Edilson Moura assumiu o cargo, vale ressaltar”, diz Jorge André.

Já na administração municipal de cultura as coisas são mais nebulosas. Voltando ao Mercado de São Brás, onde além do Sarau Multicultural, da "Batalha" de São Brás (cena Hip Hop), das rodas de capoeira, dança de rua, skate e quadrilhas juninas, também observamos um dos momentos de maior abandono em sua história. 

“O mercado está abandonado tanto em sua estrutura física, quanto na ausência total ou precária manutenção e limpeza, perseguição a permissionários que se insurgem em denunciar as arbitrariedades administrativas da SECON, órgão da prefeitura responsável pela administração e com a ausência da Guarda Municipal, que já teve inclusive um posto avançado no local, porém hoje nem rondas faz naquela praça de grande circulação e recorrente incidência de casos de violência urbana”, relata Jorge André.

No terceiro ano do segundo mandato seguido do prefeito Zenaldo Coutinho Jorge, Belém vê seu patrimônio cultural sucumbindo, a Lei Tó Teixeira sendo desmantelada e o edital lançado no segundo semestre do ano passada, por sua formatação mais voltada às ações sociais, deixando do lado de fora  inúmeros projetos culturais.

“Aguardo a execução das duas sentenças de cassação do mandato do atual prefeito, que cometeu crimes eleitorais, realiza uma gestão inexplicável que abandona a cidade, permitindo a deterioração de patrimônios históricos, desperdiça nosso poderoso potencial cultural, econômico, turístico e de desenvolvimento humano, gerando o crescimento da pobreza, da violência, a perda de memorias e saberes, sem esquecer diversas outras mazelas que transversam a situação”, aponta Jorge André.

Pois bem, o ano está só começando e já há muitas novidades, mas nenhuma tão animadora quanto a mudança de paradigmas que se espera na Secult Pará. É preciso literalmente virar as chaves que abrem as portas da secretaria de cultura de estado ao público, aos artistas aos gestores da economia criativa.

Os artistas, agora gestores públicos, deverão colocar à frente de seus projetos pessoais e suas carreiras, os interesses coletivos para que efetivamente se construa uma política de estado, que deixe seu legado após o mandato. Vamos aguardar o que a secretaria de cultura vai dizer, colher e compartilhar, mas os fazedores de Cultura também precisam propor, participar, fiscalizar e cobrar. Estamos querendo ver a roda girar. 

14.1.19

Diego Wayne lança o livro "Coração de Unicórnio"

Poesias fazem mais que contar histórias.  Captam em palavras e sentimentos, sons, gestos, suspiros de amor e gritos de revolta. Diego Wayne se despe dos trajes cinzentos nos quais a sociedade tenta vesti-lo e pinta a pele com as cores da imaginação. Mostra como o preconceito, a desigualdade e a homofobia podem ser discutidos e combatidos com riso e versos fortes. "Coração de Unicórnio" será lançado nesta quarta-feira, 16, às 19h, no Café com Arte.

Por Francisco Weyl, 
Carpinteiro de Poesia

Lembro exatamente o dia em que conheci o poeta Diego Wayne. Foi num Sarau poético, em Bragança do Pará, há cinco anos. Sentei ao seu lado, fiz uma fotografia, juntos, para recordação. Olhar esta imagem, agora, é pensar no seu universo histórico. Ela evoca um significado para a nossa alma de artista. Ao conhecer este jovem, tomei contacto com a sua poesia.

E ao ouvi-lo recitar poemas autorais, imaginei-lhe diversas estradas. Seu olhar, sua pele, sua lucidez, seus sonhos, tudo se atravessava em seus versos. Cada linha, lida, com a dimensão de muitas vidas, sentidas. Nas entrelinhas, o seu silêncio, e a sua timidez de ser que sabe ouvir, mais do que falar.

Não dissemos muita coisa naquela ocasião. Mas a poesia nos uniu, aos nossos corpos e nossos espíritos. Foi amor platônico, à primeira vista. E uma poética paixão visceral. Falávamos de coisas banais e filosofávamos quando nos encontrávamos. Entre um e outro café, ou abraço, a ideia de publicar um livro brotava como a ponta de um iceberg, cujo Mar oculta o quase infinito sólido que é um pensamento líquido.

E cada vez que Diego W. lia seus poemas, mais ele se enchia de coragem de trazer à luz o concreto de sua obra. Revelar sua mensagem de e por amor, em livro. Sim, de amor, porque é em nome do Amor que Diego W. escreve. E sua pena é tão leve, que, quando ele escreve, ou recita sobre o amor entre dois homens, ou entre duas mulheres, o leitor flutua, e se eleva – para além dos preconceitos.

O jovem Wayne é por isso mesmo um poeta de afeto, e de combate. Como poeta, não diz, sugere. E assim ele faz com que entremos em sua casa, em seu quarto, e deitemos em sua cama. E então escutamos a sua doce voz de jovem-menino, que é como um canto, apaixonado. Diego participou de uma Coletânea, editada pela Para.Grapho, junto com outros poetas bragantinos (2016).

Ao ver seu texto grafado, para além do objeto-livro, DW vislumbrou ainda novos horizontes. Seus poemas são curtos, mas intensos. E têm a simplicidade de pessoas comuns, que súbito se identificam com os seus versos. Pessoas que amam um amor às vezes considerado proibido.

Um amor que sofre dos males, mas que não sente as dores do mundo. Um amor sublime que supera o preconceito e afronta os desalmados. Um amor pulsante, e colorido. Amor divertido, traduzido em sorriso, que desconhece o perigo. Diego W. fez da poesia a razão de ser deste Amor que ama sem fronteiras.

Com seus versos, ele rompe cercas, e ocupa territórios. E com seus gestos e palavras, ele se engaja nas causas nobres de seu tempo-espaço, em simultâneo. E foi assim que deu asas ao “Coração de Unicórnio”, seu primeiro livro-solo, editado pela Rico (2018).

Bem humorado, retirou os textos do armário, e os recolocou de volta, em tomo. E os lança ao espaço das redes virtuais, pelas quais media o envio e a venda de seu livro-produto. Assim como os unicórnios são animais míticos, o poeta é um místico que revela as vozes que falam ao inconsciente, e que são ouvidas, desde o Big-Bang, este som universal, e atemporal.

E, quando não traduz, o poeta dá sentido à sua própria metafísica. Com o seu “Coração de Unicórnio”, Wayne adentrou vales e florestas do imaginário. Atravessou a estranha névoa que encobria o Amor Homoafetivo. E se banhou nas águas de um encantamento que apenas as paixões humanas podem sentir. 

Professor e estudioso, DW transporta consigo esta magia que é a de escrever poesias. E por ela, transmuta a existência, a sua própria, e a de seus leitores. Ou daqueles que o ouvem recitar, um poema, ou narrar, uma experiência de vida. Porque o Amor, como a Poesia, são feitos de um mesmo coração de Unicórnio.

Serviço
"Coração de Unicórnio" será lançado nesta quarta-feira, 16, às 19h, no Café com Arte - Trav. Rui Barbosa, entre Nazaré Braz de Aguiar.

Railídia e Paulo Godoy apresentam "Canto de Casa"

Railidia /Foto: Osmar Moura
De passagem por Belém, a cantora Railídia  canta a saudade do Pará, acompanhada pelo violão sete cordas de Paulo Godoy. O show “Canto de Casa” será realizado nesta quinta-feira, 17, no Barzin, às 21h. Vendas de mesa antecipada, pelo fone 98134.7719. Ou mesa compartilhada R$ 15,00, o lugar, compra na portaria.

Há 21 anos vivendo em São Paulo, a cantora paraense Railídia fez da saudade do Pará alimento para as cantorias naquela cidade. Nos shows e em rodas de samba na Paulicéia sempre incluiu no repertório músicas que falavam da saudade do seu estado de origem, músicas sobre a cidade de São Paulo e também composições que cantam o Brasil. 

"O Pará é a minha casa, e São Paulo também se tornou a minha casa depois de duas décadas vivendo lá. Da mesma forma como acho que o Pará precisa ser mais conhecido e valorizado, o Brasil também precisa ser mais valorizado como a casa dos brasileiros. Vi que essa temática da casa como o nosso lar se refletia através de várias musicas".

Paulo Godoy /Foto: Débora Flor
A partir dessa visão a cantora combina um repertório de músicas de autores como Waldemar Henrique, Celso Viáfora, Aldir Blanc e Maurício Tapajós, Chico Sena, Guinga, Carlinhos Vergueiro, Jorge Mautner e o paraense Kazinho (músico veterano que fez carreira em São Paulo). 

São músicas que falam de peculiaridades de cada lugar como "Volto pra comer camarão com açaí" (Saudades do Pará), "Lá no Pará é que eu nasci eu sou de mogno e de luz" (Madeira de sangue)  ou ainda "minha noite paulistana louca e bailarina" (Noturno Paulistano) e "O Brazil não conhece o Brasil" (Querelas do Brasil).

Sambas, maracatu, baião, marcha-rancho, boi bumbá são alguns dos ritmos que serão apresentados. Railídia se apresenta ao lado do violonista de sete cordas Paulo Godoy, compositor e diretor musical do primeiro cd da cantora, "Cangalha". No show no Barzin, a intérprete também apresenta algumas canções do Cd, entre elas Boi Urrou, um boi-bumbá do Pará aprendido pela mãe da cantora nas folguedos no bairro da Pedreira nos anos 50.

Serviço
Show Canto de Casa – com Railídia e Paulo Godoy. Dia 17 de janeiro, às 21h, no Barzin. Venda antecipada de mesa R$ 60,00, pelo fone 98134.7719, ou mesa compartilhada R$ 15,00 o lugar, compra na portaria. O Barzin fica na Generalíssimo, 1772.

10.1.19

Mulheres artistas paraenses realizam 1o encontro

A rede de conexão feminina artística M.AR. (Mulheres ARtistas), organizado para dar visibilidade e divulgar o trabalho das artistas plásticas, grafiteiras, ilustradoras, game designers, profissionais de animação, tatuadoras e quadrinhistas paraenses promove nesta quinta-feira, 10, o seu primeiro encontro, no Núcleo de Conexões Ná Figueredo, a partir das 19h. 

Haverá uma roda de conversa aberta ao público sobre “O que é ser uma mulher artista no mercado paraense de arte” e uma exposição coletiva de arte das 56 integrantes da rede de conexões até então.

“A ideia de unir e mapear as mulheres que trabalham com artes visuais em Belém surgiu após a exposição ‘Amor em Tempos de Ódio’, onde foi necessário convidar as artistas paraenses e não conhecíamos muitas mulheres que trabalhavam com ilustração aqui. 

Após conhecer as profissionais que participaram e perceber que os organizadores costumam ter essa dificuldade, decidimos conversar com elas e tentar reunir o máximo possível de mulheres que trabalhassem nessa área, com o intuito de fortalecer o cenário artístico paraense, trazer representatividade para os espaços e visibilidade para elas”, explica Ty Silva, que organiza o grupo junto às artistas Moara Brasil, Layse Pimentel e Renata Segtowick.

Por meio do preenchimento de um formulário desenvolvido pela organização, será possível mapear artistas em diversas áreas. Assim, quando houverem trabalhos ou evento, será possível indicá-las a partir dos nomes da rede de mulheres. “Essa conexão será fortalecida por meio de encontros e troca nas redes sociais. É possível haver uma ocupação maior do espaço artístico paraense e trazer visibilidade e empoderamento para as mulheres artistas”, reforça Ty.

Serviço
M.AR 1º Encontro de Mulheres Artistas Paraenses / Roda de Conversa: "O que é ser uma mulher artista no mercado paraense de Arte" / Exposição Coletiva de Arte. Nesta quinta-feira, 10, às 19h, no Núcleo de Conexões Ná Figueredo - Avenida Gentil Bittencourt, nº 449. Aberto ao público. 

9.1.19

Edgar Castro sobe o rio na Mambembarca do Usina

Edgar Castro, em Dezuó
Fotos: Cacá Fernandes e Bruna Lessa/
Bruta Flor filmes.
Há mais de 20 anos longe, o ator Edgar Castro estará de volta ao Pará a convite do grupo paraense USINA, para apresentar "Dezuó – Breviário das Águas", como espetáculo convidado da Caravana MAMBEMBARCA, projeto premiado pelo Programa Rumos Itaú Cultural que, entre julho e agosto deste ano, vai subir o rio Amazonas de Belém a Santarém, levando gratuitamente quatro espetáculos e mais oficinas de teatro a 12 municípios paraenses. Ainda em São Paulo, mas já “cuíra” pelo momento de zarpar nessa aventura, ele concedeu  entrevista ao Holofote Virtual.

O ator e diretor paraense Edgar Castro teve participação marcante no teatro produzido em Belém na década de 80 e início dos anos 90. Foi fundador e exerceu as funções de dramaturgo e diretor do grupo Pé na Estrada – cuja poética se apresentava como uma das mais experimentais naquele contexto –, e também esteve em produções de grupos emblemáticos da época, como Cena Aberta (O auto da compadecida, Palácio dos Urubus) e Experiência (Ver de Ver-o-Peso, A terra é azul?, A mulher sem pecado). 

Em 1995, mudou-se para São Paulo e lá seguiu com sua vocação para homem de teatro. Nesses 24 anos, trabalhou com diretores do quilate de Antunes Filho e Roberto Lage, assim como também integrou – ou integra – coletivos importantes como Cia do Latão, Cia São Jorge de Variedades, Cia dos Inventivos e Cia Livre, entre outros. 

Paralelamente às atividades artísticas, Edgar também tem se dedicado ao ensino. Lecionou na Escola Livre de Teatro de Santo André de 1999 a 2011, onde foi coordenador pedagógico no período 2007 a 2009. Entre 2012 e 2013, coordenou a Área de Teatro do Centro Livre de Artes Cênicas (CLAC), em São Bernardo do Campo.

Em 2015, atuou em Dezuó – Breviário das águas, do Núcleo Macabéa, com direção de Patricia Gifford. O espetáculo reflete sobre os impactos da construção de uma usina hidrelétrica onde vivem populações tradicionais da Amazônia. A qualidade do trabalho rendeu duas indicações ao prêmio Shell, nas categorias Dramaturgia e Direção de Arte.

Holofote Virtual: Qual a sua expectativa para essa experiência de descer o rio com teatro? 

Edgar Castro: Durante o processo de criação de Dezuó foi se desenhando no horizonte da equipe uma espécie de alvo maior, que era apresentar o trabalho na Amazônia. Havíamos inscrito o projeto em alguns editais de circulação nacional, sem sucesso. Então quando veio o convite do USINA de participar do MAMBEMBARCA e, posteriormente, a notícia de que o projeto havia sido contemplado dentro do Rumos Itaú Cultural, sentimos que uma espécie de “destino” do trabalho se confirmava. 

Então nossa expectativa é a de fazer o melhor possível no sentido de gerar uma experiência significativa, que possa vir a produzir um encontro real entre o trabalho e o público. E também expectativa de grande aprendizado, por estar na companhia de velhos amigos – Alberto, os Cláudios, Valéria, Nani, parceiros e parceiras tão queridos e donos de sua própria história.

Holofote Virtual: Dezuó narra a trajetória de um menino cuja família é expulsa da comunidade onde vive por causa da construção de uma hidrelétrica. O que significa pra você encenar essa história para populações em condições de abandono semelhantes?

Edgar Castro: Em 2017 fizemos um circuito de apresentações por nove comunidades quilombolas no Vale da Ribeira, região Sul do estado de São Paulo e território humano com profundas semelhanças com o contexto amazônico presente em Dezuó, semelhanças no sentido de um histórico de injustiça social e violação de direitos. 

O diálogo que o trabalho estabeleceu com a experiência de luta daquelas comunidades, sobretudo pelo retorno que nos foi dado pelos líderes mais velhos de que aquela história era também a história deles na defesa de seus territórios e de seu direito à terra, foi uma das experiências mais marcantes e construtora de sentido na trajetória desse trabalho. Nosso desejo é de que o encontro com as comunidades presentes no roteiro do projeto MAMBEMBARCA seja de riqueza semelhante.

Holofote Virtual: A oficina que você vai ministrar em alguns municípios propõe uma reflexão sobre a dimensão pública do ato teatral. Por que você considera essa abordagem importante para artistas em formação?

Edgar Castro: Em certo sentido o ofício do intérprete esteve e está cercado por uma espécie de fetiche relacionado a uma falsa condição existencial de privilégio, fetiche esse atualmente muito alimentado pela indústria cultural e a produção em série de “celebridades” e seus subprodutos. 

Então acredito necessário reafirmar, a quando dos processos formativos do intérprete e indo na contramão da fornalha de futilidades da sociedade de consumo, que além da natureza de ofício e seus imperativos ao futuro trabalhador da cultura – conhecimento dos materiais e das habilidades técnicas específicas –, existe também a dimensão social do ofício, o teatro como aquele espaço onde a pólis reflete sobre si mesma, onde o pensamento crítico, através da experiência estética e por ela potencializada, é estimulado, onde a luta de classes como motor da sociedade é explicitada e os mecanismos de opressão desnudados. 

Holofote Virtual: Do repertório do grupo USINA, você teve a oportunidade de assistir ao espetáculo Solo de Marajó, com Claudio Barros, em São Paulo. Como foi a experiência e como será dividir a caravana com esse artista da sua geração?

Edgar Castro: Sim, sou da mesma geração que Claudio Barros. Juntos, dirigimos A Terra é Azul, trabalho fundamental na construção do meu pensamento como artista. Solo de Marajó, além de um estupendo trabalho sobre a obra de Dalcídio Jurandir, um dos maiores escritores brasileiros, foi a atualização no meu imaginário da profunda e arriscada verticalidade que sempre vi na maneira como Claudio lida com o ofício. 

Sem concessões, radicalmente mergulhado na construção de uma poética visceral e vinculada ao seu tempo. O absoluto rigor que fundamenta seu trabalho como intérprete em Solo de Marajó é, partindo do que acredito, a mesma pedra fundamental para o exercício da liberdade humana. Dito isso, imagino que descer o rio com Claudio vai ser uma farra das boas!

Holofote Virtual: Neste primeiro semestre você deverá participar do novo espetáculo da Cia. Livre, com direção da Cibele Forjaz. O que vocês vão aprontar dessa vez?

Edgar Castro: Em 2017, a Cia Livre realizou cinco leituras encenadas de cinco textos de B Brecht, cada uma delas com um coletivo parceiro. Uma dessas leituras foi a de Os Horácios e os Curiácios, com a Cia Oito Nova Dança. 

Nessa leitura contextualizamos a fábula de Brecht, tendo a luta das comunidades indígenas pelo direito à existência como principal eixo estruturante. Com a atual confirmação da trágica atualidade dessa perspectiva, como por exemplo a recente medida de que a demarcação das terras indígenas passa a ser competência do Ministério da Agricultura, a Cia Livre decidiu dar continuidade ao trabalho iniciado com aquela leitura. 

A montagem do novo espetáculo deve começar início de fevereiro, com o mesmo coletivo parceiro – a Cia Oito Nova Dança –, e estrear em junho. Decidi, para não chocar a agenda desse trabalho com o projeto MAMBEMBARCA, trabalhar não como ator, mas dentro da dimensão pedagógica do projeto, já que uma das etapas do mesmo é a apresentação em escolas da rede pública. Como retomei recentemente à faculdade iniciando um curso de pedagogia, vi nesse projeto a oportunidade de desenvolver um diálogo verdadeiramente rico sobre a presença do teatro na comunidade escolar. 

Holofote Virtual: Como sabemos, o Brasil vive um momento bastante singular de sua história. Como você pensa o papel da arte e dos artistas brasileiros neste momento? 

Edgar Castro: Pergunta espinhosa, já que dependendo da resposta posso criar a falsa impressão de que existe “o” papel para a arte e para os artistas brasileiros nesse momento. Nada mais colonizador do que essa ideia. Posso falar por mim e pelo que acredito, dentro das minhas escolhas. São tempos difíceis, sem dúvida, com virulentas agressões às garantias civis, com o esgarçamento do tecido social até a sua ruptura em facções partidárias movidas pelo ódio, com a falência do judiciário e o império da hipocrisia, com a extinção de qualquer rastro de dignidade por parte da grande imprensa, entre outros vetores de autodestruição. 

Esse cenário me leva a desejar que a experiência teatral, que é o meu quintal dentro desse contexto macro chamado “arte”, seja a de restituir alguma integridade a esse tecido social ferido, através de uma experiência que promova uma experiência de sensibilidade coletiva. Intuo que esse seja uma tentativa de gesto necessária nesses tempos.

Holofote Virtual: Você vive em São Paulo há mais de 20 anos. Tem planos de um dia, num futuro muito distante, armar sua rede na beira de um rio amazônico?

Edgar Castro: Sei que não vou enterrar meu umbigo em São Paulo. Esta cidade tem sido muito generosa comigo durante esse tempo que estou aqui, mas o Pará nunca abandonou meu futuro. E, sim, essa imagem que você coloca é uma imagem posta em algum ponto do meu horizonte. Sei que para lá me dirijo. Quando chegarei, não faço ideia. Vai que o projeto MAMBEMBARCA  é o meu check-in. Afinal, a beleza do futuro é que ele não está traçado em todas as suas linhas, e o desenho final pode nos surpreender.

Bruno B.O. lança o videoclipe de “Sua Revolução”

Fotos: Renan Chady
Acreditar na sua própria revolução interior para mudar a realidade que o cerca. É essa a energia que norteia a canção “Sua Revolução”. Gravado na Feira do Açaí, o registro audiovisual integra o projeto Pitiú Sessions, do Ver-o-Som Stúdio, e estará disponível nesta quinta-feira (10), nos perfis do artista no Facebook e no YouTube.

Original do Norte, Bruno B.O é um dos nomes pioneiros do Rap e do Ragga no Estado do Pará. Em carreira solo, desde 2002, o artista faz fusões de estilos como Rock, Rap e Ragga. Além de MC, ele é pesquisador, com formação em Ciências Sociais, focando, durante toda sua trajetória acadêmica, a cultura Hip Hop, em especial o Rap, se tornando o primeiro MC de Rap brasileiro a conquistar o título de Doutor em exercício. Seu conhecimento antropológico é aliado à sua musicalidade.  

“A letra fala sobre como podemos iniciar o processo revolucionário a partir das nossas próprias atitudes. A ideia da canção é mudar o seu próprio ‘eu’ para fortalecer o outro e que todos somos capazes de ser a mudança que queremos para o mundo”, comenta o rapper paraense.

A Feira do Açaí foi a locação escolhida para a gravação do clipe por sua ligação à história de Belém, que completa, neste sábado (12), 403 anos. “Essa parte do complexo do Ver-o-Peso é a mais urbana, boêmia e considero a mais Hip Hop, com grafites em seus muros, além de ser a primeira rua de Belém”, explica Bruno B.O.

O clipe integra Pitiú Sessions, um projeto produzido pelo estúdio Ver-o-Som a fim de fomentar a Cultura Hip Hop e a cena Rap no Pará. O rapper paulista Slim Rimografia assina os beats de “Sua Revolução”; Renan Chady assina a fotografia, color grading e captação de imagens; já a mixagem, masterização e captação de vozes é do Ver-o-Som Stúdio.

Este ano ainda, Bruno BO lançará “Afroamazônico”, o primeiro registro em DVD do Rap paraense, fruto de um projeto contemplado pelo programa Natura Musical 2018 e Lei Estadual de incentivo à Cultura – Semear.

Assista - O videoclipe “Sua Revolução” pode ser conferido, nesta quinta-feira (10), na página do rapper Bruno B.O. e do Ver-o-Som, no Facebook, e no canal no YouTube.

8.1.19

Ateliê Jupati comemora o 1o ano na Cidade Velha

Ateliê Jupati (corredor interno). Foto: Cláudio Ferreira
A comemoração traz ações de fotografia. Nesta terça-feira, 8, às 19h, tem bate papo com Salim Wariss, nos dias 12 e 13, a 1a Foto Feira Jupati, com os fotógrafos Fátima Queiroz (SP), Faustino Castros (CE), Jorge Ramos, Nailana Thiely e Ursula Bahia, e segue a exposição Encontros e afetos em Belém, Mano de Carvalho.

A programação também se estende às comemorações dos 403 anos de Belém, que serão completados no dia 12, mas hoje (8), o papo fotográfico é com Salim Wariss, que falará da sua experiência como fotógrafo de procissões e celebrações religiosas, além de seu trabalho voluntário junto à guarda de Nazaré. O fotógrafo abordará seu trabalho autoral, e estará disponível para trocars idéias de como registrar esses atos e a importância de um estudo prévio sobre o assunto. 

Salim começou a fotografar em 2012, já na captura digital e no decorrer da carreira acabou enveredando pelo fotojornalismo e à fotografia documental. O desejo de mostrar a realidade e congelar momentos especiais são sua busca constante.

“A fotografia foi um dom que Deus me deu. E sendo um presente divino, sempre a coloquei à disposição daqueles que o precisam. Foi assim na Cruz Vermelha e na Camisa 33”, diz Salim, que atua de forma voluntária a trabalhos junto a Arquidiocese de Belém e à Guarda de Nossa Senhora de Nazaré.

Uma feirinha criativa para a fotografia

Obra de Nailana Thiely
Já nos dias 12 e 13 a festa será criativa, comemorando o primeiro ano do Ateliê Jupati, nos 403 anos  de Belém. Haverá venda de diversos produtos como Calendários fotográfico, Cartões Postais, Fotografias Fine-art, Fotos emolduradas e muito mais.

a primeira Foto Feira Jupati proposta da fotojornalista e empreendedora Ursula Bahia que tem como objetivo mostra as diversas plataformas de fazer fotografia, a criatividade vem diferenciar o mercado fotográfico, com o advento do digital a fotografia se “banalizou” o mercado saturado de imagens e novos “fotógrafos”, com isso o mercado vem exigindo novos formas de apresentar a fotografia autoral, documental, de paisagem e etc. 

Com isso é o Ateliê Jupati tem a proposta de mostrar ao público o que esta correndo na cena fotográfica. Com a participação da Fotógrafa Paulista Fátima Queiroz, do Cearense Faustino Castros e dos Paraense Jorge Ramos, Nailana Thiely e Ursula Bahia.  Traz uma variação de produtos diversos para presentear, colecionar e utilitários como Calendários fotográfico, Cartões Postais, Fotografias Fine-art, Fotos emolduradas e muito mais.

A proposta do Ateliê é de apresentar 4 edições por ano da Foto Feira Jupati, focando as datas principais comemorativas da fotografia dia 8 de janeiro dia do fotógrafo, dia 19 de agosto dia da fotografia e 2 de setembro dia do repórter-fotográfico.

Ursula Bahia
A primeira Foto Feira Jupati, idealizada pela fotojornalista e empreendedora Ursula Bahia, tem como objetivo mostrar as diversas plataformas de fazer fotografia com a criatividade, o que ela acredita diferencia o mercado fotográfico. Úrsula discute que o digital banalizou o mercado da fotografia,  hoje, segundo ela, saturado de imagens e novos “fotógrafos”.

"Por isso, o mercado vem exigindo novas formas de apresentar a fotografia autoral, documental, de paisagem e etc. O Ateliê Jupati tem a proposta de mostrar ao público o que esta ocorrendo na cena fotográfica", diz a fotógrafa que também é a gestora do atelier.

A feirinha traz uma variação de produtos diversos para presentear, colecionar e utilitários como calendários fotográfico, cartões postais, fotografias fine-art, fotos emolduradas e muito mais. A proposta do Ateliê é de apresentar 4 edições por ano da Foto Feira Jupati focando as datas principais comemorativas da fotografia, como essas e ainda 19 de agosto, Dia da Fotografia, e 2 de setembro, Dia do Repórter-fotográfico.

Mano de Carvalho expõe Encontros e afetos em Belém

Obra de Mano de Carvalho
E segue aberta, no Jupati, desde dezembro, indo até 30 de janeiro, a exposição "Encontros e afetos em Belém", do fotógrafo paraibano Mano de Carvalho, que revela amizades que estavam ‘guardadas’ na memória como fotografias esquecidas em um acervo pouco visitado.

Após encontros no mundo virtual, estas fotos foram redescobertas e reacenderam afetos, mas a mostra é também o resgate de trabalhos antigos de Mano de Carvalho. Traz fotos do início de sua carreira, captadas ainda em câmeras analógicas. Há material recente, feito com equipamento digital – câmeras e smartphones –, tudo em preto e branco, retratando pessoas de várias cidades do Brasil, de lugares por onde o artista paraibano passou nesses 28 anos dedicados à fotografia, incluindo alguns anos de fotojornalismo.

Serviço
Nesta terça-feira, 8, às 19h, bate papo com Salim Wariss. E Foto Feira Jupati, nos dias 2 e 13, das 9h às 17h. A exposição Encontros e afetos em Belém, de Mano de Carvalho, segue aberta até dia 30 de janeiro. O Ateliê Jupati fica na Trav. Gurupá nº 250, entre Dr. Rodrigues dos Santos e Cametá, Cidade Velha.

6.1.19

Belém ganha um baile florido em seus 403 anos

As vocalistas do Bando Mastodontes /Foto: Bruno Carachesti
É a segunda edição do Baile da Camisa Florida, o baile de Carnaval da Lambateria. A noite contará com show de Félix Robatto e seu Conjunto e do Bando Mastodontes. Na discotecagem, DJ Zek Picoteiro e Rebarbada. Na próxima quinta-feira, 12, no aniversário dos 403 anos de Belém, no Chevallier

A Lambateria traz para o Baile, a mistura da sonoridade paraense, com samba, marchinhas e o som visceral e contagiante do Bando Mastodontes. Félix Robatto e seu Conjunto apresenta um repertório especial misturando o já tradicional combo dançante de Guitarrada, Lambada, Cumbia, Merengue, Brega e Carimbó, algumas surpresas e os sucessos de todas as quintas como “Seu Godofredo” e “Eu quero Cerveja”. No intervalo dos shows, a DJ Rebarbada assume o comando da festa e transforma o Chevallier em uma grande avenida fazendo um passeio pelos Carnavais de todo o Brasil.   

O Bando Mastodontes foi sucesso de público e crítica em 2018 e estreia o ano no Baile da Camisa Florida com seus sucessos que misturam tambor, suor e Carnaval. Encerrando a noite, a pista ferve com o DJ Zek Picoteiro tocando os sucessos latino-amazônicos que agitam a noite do Pará.

Vai ser animado. E a organização avisa aos navegantes que embora o nome do baile seja Camisa Florida, é para todo mundo se sentir livre e ir com a roupa e a cor que quiser, mas vale dizer que a festa é chamada assim por referência a vestimenta de artistas que costumam tocar gêneros como Guitarrada e Carimbó, inspiração que vem de grandes mestres como Vieira e Aldo Sena.

Programação
  • 20h - Abertura da casa com DJ Rebarbada
  • 22h30 – Félix Robatto e seu Conjunto
  • 1h – Bando Mastodontes
  • 3h – DJ Zek Picoteiro

Serviço
Baile da Camisa Florida Ano#2. Dia 12 de janeiro, a partir das 20 horas no Chevallier (Rua 28 de Setembro, 1169 - Umarizal). Lote promocional a R$ 15, 1º lote a R$ 20 e R$ 25 na bilheteria. Mesanino a R$ 30. Vendas antecipadas no Sympla (bit.ly/camisaflorida) com acréscimo de taxa do aplicativo. Informações: (91) 98147-7766 / 98026-1595 / www.lambateria.com.br.

3.1.19

Amazônia Doc segue com inscrições até fevereiro

Foram sete anos de ausência, mas ele está de volta. O Festival Amazônia Doc será realizado, este ano, de 16 a 21 de abril, em Belém, mas realizadores de todos os países da Pan-Amazônia podem inscrever gratuitamente seus filmes documentais até 20 de fevereiro, pelo site www.amazoniadoc.com.br.

A 5ª edição mantém o objetivo principal, divulgar o cinema Pan-Amazônico de filmes documentais possibilitando o intercâmbio da produção realizada em todos os países da região: Brasil, Peru, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana Francesa, Guiana e Suriname. A realização é da Secretaria do Audiovisual, do extinto Ministério da Cultura, com produção da Z Filmes e Instituto de Cultura da Amazônia (Culta).
Estão aptos a serem inscritos curtas (até 30min), médias (30 a 60min) e longas-metragens (mínimo 70min) realizados/finalizados a partir de 1° de janeiro de 2018 e que tenham cópia de exibição em formato de acordo com as especificações técnicas previstas no regulamento, disponível no site. Os filmes serão avaliados por uma comissão de seleção, que vão direcionar os filmes selecionados à mostra mais adequada à linguagem e outros requisitos artísticos e técnicos da obra. 

“O Amazônia Doc aprofunda o debate sobre as questões sociopolíticas, socioambientais, socioculturais, de formação e de fomento relativas ao audiovisual, com foco no cinema documentário e com uma diversidade de formatos e leque extenso de atividades de formação oferecido gratuitamente ao público. É um importante espaço de formação, difusão e de reflexão a partir dos documentários”, explica a idealizadora do evento, Zienhe Castro.

Zienhe Castro na 4a edição, em 2012
O festival terá uma Mostra Competitiva, a Mostra Paralela e a Mostra Panorama. Serão premiados, em cada categoria, o melhor filme pelo critério do Júri, melhor filme pelo voto popular e um prêmio de Honra ao Mérito para ambas as categorias, de acordo com o Júri Oficial. 

Uma observação importante: as obras inscritas não podem ter sido exibidas nas edições anteriores do Amazônia Doc e é vedada a inscrição de filmes que não estejam concluídos até o prazo limite de inscrição estipulado pela organização do evento.

Além disso, não há número máximo ou qualquer outro tipo de limitação referente a quantidade de filmes inscritos por um mesmo responsável, diretor ou produtora. O responsável pela inscrição deverá informar no ato de sua inscrição, em campo próprio e disponível, um link para visualização completa e download na íntegra do filme, preferencialmente Vimeo ou YouTube, e também a senha de acesso, quando for o caso. Não serão aceitos links de transferência de arquivos como WeTransfer, Dropbox, SendSpace, ou qualquer outra ferramenta de alocação de dados que tenha prazo de expiração do link gerado. E não serão mais aceitas cópias em mídia física para a inscrição.

Susanna Lira vem debater em Belém
Os filmes de curta, média e longa-metragem inscritos que tenham sido realizados fora do Estado do Pará deverão ser inéditos em mostras competitivas no Estado. Filmes com exibição no circuito comercial não serão aceitos. A lista de obras selecionadas estará disponível no site do Festival até o dia 30 de março de 2019, sendo esse prazo prorrogável a critério da organização do festival. 

As cópias de exibição e o material de divulgação dos filmes selecionados deverão chegar ao escritório da Z Produções até o dia de 10 de abril de 2019. A premiação no final da mostra competitiva é um Troféu do Júri popular para o melhor filme curta/média-metragem e melhor longa-metragem, e um Troféu do Júri Oficial para melhor curta/média-metragem e melhor longa-metragem.

A programação completa do Amazônia Doc ainda está em fase de elaboração e de propostas de parcerias, mas para a 5ª edição já está confirmado o debate em torno do projeto da cineasta Susanna Lira chamado “Nós, documentaristas”, uma série de 13 episódios de 26 minutos. Ela é diretora do filme “Torre das Donzelas”, vencedor na categoria melhor documentário no Festival do Rio, em novembro. Susanna recebeu ainda o prêmio de melhor diretora de documentário. 

Também serão realizados bate-papos, sessões comentadas e duas masterclasses com nomes importantes do cenário documental brasileiro, e uma mesa de debates com cerca de seis cineastas convidados para discutir a realização cinematográfica de filmes e séries de TV do gênero documental. 

Serviço
Amazônia Doc - Festival Pan-Amazônico de Cinema. Inscrições gratuitas até o dia 20 de fevereiro de 2019 para a mostra competitiva de documentários, por meio do site www.amazoniadoc.com.br

30.12.18

Adelaide Oliveira deixa legado na emissora Cultura

Adelaide Oliveira 
Adelaide Oliveira sai da presidência da Funtelpa, a Cultura Rede de Comunicação, com gosto de uma missão bem cumprida. Jornalista e Mestre em Artes, ´com jeito extrovertido, tipo pimentinha, olhos verdes que faíscam quando gesticula dando movimento a suas comunicações, ela revelou firmeza e aptidão como gestora. Esta semana, ela se despediu dos funcionários e sua equipe cheia de gratidão. Vem aí um novo governo e tudo que se espera é que com nova sede e um acervo precioso, essa história no mínimo prospere.

“Meu coração carrega só esses sentimentos quando penso nos oito anos que estive à frente da presidência da Cultura. O local que acolheu lá atrás uma estagiária sonhadora e ajudou a formar a profissional que sou hoje”, escreveu em uma postagem mais longa em suas redes sociais. Ela deixa seu legado na Funtelpa, que inclui uma mudança de prédio há muitos anos aguardada.

A sede própria da emissora de TV, Rádio e Portal finalmente foi inaugurada, da forma devida, no final de outubro, após 30 anos de ocupação de um prédio emprestado da Imprensa Oficial do Estado, na Almirante Barroso. Ali se fez uma história, mas Adelaide deu início a uma nova era por lá.

Foram diversos projetos realizados, documentários lançados, incentivo ao audiovisual e uma prática diária de apoio a artistas e à cena cultural do estado.  Não vou enumerar aqui tudo, porque não tive tempo de reunir as informações necessárias com links etc, mas como venho acompanhando de pertinho isso tudo, posso dizer. E a inauguração do prédio poderia ter sido o último grande feito da agora ex-Presidente, Jornalista e Mestre em Artes. Só que não. 

Antes de fechar completamente o ano e a gestão, a presidenta ainda cuidou do bem estar dos profissionais da emissora, criou um espaço de convivência que elevou a autoestima de antigos e novos funcionários e lançou documentários como Amazônia Samba, Toni Soares e Nazaré Pereira, que se juntam a muitos outros realizados ao longo dos anos, além do livro do Catalendas, programa que é um marco na animação educativa da televisão brasileira, e se tornou nos últimos anos em um projeto muito desejado, finalmente entregue. Na entrevista que você vai ler, ela dá mais detalhes sobre esse processo. 

Programa Conexão no novo estúdio (Foto: Camila Lima)
No inicio de novembro, estive em um Conexão Cultura especial, já no novo estúdio, que leva o nome de Afonso Klautau, homenagem ao saudoso diretor na primeira fase da Funtelpa, nos anos 1980.

Apresentado pela própria Adelaide Oliveira, naquele dia o programa que é transmitido pela televisão, rádio e internet, estava uma festa com a presença de vários artistas, entre eles, Dona Onete, divulgando o documentário de sua trajetória, e Elder Eff que estava lançando novo álbum.

Saindo de lá, acabei batendo um papo com ela sobre as novas instalações e fizemos também um pequeno balanço desses dois períodos de governo em que a TV e a Rádio passaram por profundas mudanças. Na contabilidade final, o saldo é muito positivo, mas não foi nada fácil. Adelaide conta que o prédio já tinha sido inaugurado em 2010, de forma incompleta, precisando de inúmeras adaptações e adequações técnicas para uso. 

Produção, no novo prédio (Foto: Camila Lima)
“E isso era fundamental para receber também os artistas que frequentam a emissora para dar entrevistas ou em busca de parcerias que nos trazem conteúdo pra emissora. E para quem trabalha na emissora pudesse produzir com qualidade”, diz Adelaide Oliveira, que esteve à frente da Cultura Rede de Comunicação (Funtelpa).

Para além de uma sede própria, com um novo formato na produção de notícias, sua gestão garantiu recursos para fortalecimento da produção audiovisual de produtoras independentes, e conteúdos inéditos para a emissora. Foram dois editais Cultura de Audiovisual. 

Em setembro saiu o resultado do último, em que sete novos produtos na área, com financiamento total de R$ 4.490.000,00 assegurados pela Ancine (Agência Nacional do Cinema). Em 2019 esses projetos http://www.portalcultura.net.br iniciam produção.  O primeiro foi lançado em 2014, com menos recurso. Foram produzidas duas obras de ficção, que receberam R$ 1 milhão cada; um documentário e uma animação, que receberão R$ 500 mil cada. 

Adelaide Oliveira assumiu a Funtelpa em 2011. Quando foi visitar o prédio que já estava inaugurado confessou que ficou apavorada com o que se deparou, sendo inviável se mudar daquele jeito. Algumas coisas estavam lá, como uma placa de homenagem a Walter Bandeira, saudoso cantor e ex-funcionário da Rádio Cultura, que até hoje ainda veicula vinhetas com sua voz inesquecível.

Produção, no novo prédio (Foto: Camila Lima)
“Tiramos a placa e a guardamos, porque isso é uma homenagem legítima e ninguém vai tirar. Vamos colocar na hora certa”, relembra Adelaide. Além dessa homenagem, no estúdio da rádio, Afonso Klautau dá nome ao estúdio da TV, e Augustinho Linhares, o funcionário mais antigo, à sala de entrevista para convidados.

“O Afonso Klautau é uma grande referência como diretor de TV, acho que ele imprimiu o DNA que se tem até hoje na emissora, e como ele era visionário de conteúdo, o que a gente viu 10 ou 15 anos depois, o Afonso fez nesta emissora. Inclusive ele que me fez ter vontade de um dia trabalhar aqui”, diz Adelaide Oliveira, sobre quem ainda haveria muito mais a se dizer aqui, suas diversas conexões no meio artístico e ativista da cidade, a mãe, a ciclista, enfim, mas nos detemos no capítulo Funtelpa.

Na entrevista a seguir falamos sobre a nova estrutura do prédio, as dificuldades com a mudança, a felicidade com a inauguração e um pouco de sua trajetória na emissora, as prioridades que ela aponta para a nova gestão e seus planos para um futuro próximo. Segura que lá vem textão, a ocasião requer.

Holofote Virtual: Está fechando um ciclo, o que desejas para o futuro dessa emissora? 

Adelaide Oliveira: Eu desejo toda sorte do mundo para a Cultura em 2019 e para quem vier assumir a emissora, pela qual eu tenho um afeto real. Trabalhei aqui e devo a minha formação a esta casa, tenho muito carinho por tudo, e por muitos, e quero continuar telespectadora, ouvinte, internauta do conteúdo que está sendo produzido, desejo sempre o melhor. Eu acho que as instituições permanecem e nas gestões temos obrigação de deixar tudo um pouco melhor do que como encontramos.

Holofote Virtual: Falando nisso, quais foram as maiores complexidades da mudança para o prédio próprio? 

Adelaide Oliveira: Entre elas trazer mais 04 antenas parabólicas gigantescas, desmontar todo o parque técnico e operacional da Almirante Barroso e trazer pra cá. Não era uma mudança simples, eu sempre dizia, não é só mudar mesas e cadeiras, você tem toda uma complexidade nessa mudança. A torre e o parque de transmissão da Cultura continuam lá na Almirante Barroso, então precisava fazer a ligação. Vamos fazer fibra? É a melhor forma? É a mais segura? Correta? Decidir tudo isso levava tempo, levava conversa, precisava pensar o orçamento para tudo isso. 

Holofote Virtual: Quais adaptações precisaram ser feitas?

Beto Fares (Foto: Camila Lima)
Adelaide Oliveira: A TV tinha um prédio anexo que estava bem cru e precisamos chamar os serviços da Telem (Técnicas Eletro Mecânicas S/A), uma empresa nacional que faz estúdios no interior e na capital de São Paulo, cuidou dos estúdios da Tv Brasil, do Teatro Nacional do Chile. Eles têm muito conhecimento.

Estiveram aqui este ano em três momentos, no último eles vieram só para ministrar um curso da mesa de iluminação, toda motorizada, que você não precisa de escada pra ajustar a luz. É só descer, fazer o ajuste necessário. Isso é muito bacana, um aprendizado para os nossos profissionais. 

Na rádio, fomos definindo os estúdios, que precisavam ser melhores. Não adiantava mudar para uma estrutura inferior a que se tinha então chamei profissionais competentes e montamos uma equipe grande para ajudar a terminar o estúdio da rádio, que é quase artesanal, de madeira, com tratamento acústico, todo o revestimento etc. 

O Beto Fares sugeriu uma sala de ensaio poderosa, que os dois estúdios pudessem estar funcionando, e que a sala de ensaio também pudesse estar com a sua programação, e que um não interferisse no outro. A gente conseguiu isso.

Holofote Virtual: Qual o investimento para transformar este prédio no jeito que ele está agora? 

Adelaide apresentando o Conexão Cultura, com Elder Eff
Adelaide Oliveira: Há mais de R$ 5.000.000,00 investidos, vindos do Tesouro do Estado. É importante dizer que foi também complicado conseguir o recurso, pois precisávamos de uma nova licitação, mas a Cultura não tinha “Know how” pra fazer essa licitação. Quem fez foi a secretaria de obras, na época, e esse recurso veio do Tesouro.

Mas esse estúdio que nós estamos agora e todo esse complexo da rádio, nem entrou nesta licitação, então isso a Funtelpa teve que tirar do custeio, do recurso próprio, então o dinheirinho que vinha de algumas parcerias nos ajudou, mídia paga quando havia também era direcionada para isso.

Holofote Virtual: Foram muitos anos para concluir tudo...

Adelaide Oliveira: Em determinados momentos, os investimentos foram suspensos, por exemplo, quando a ponte do Mojú caiu e era uma emergência. Depois tivemos 2015, um ano bem difícil, o início de uma crise muito complicada, de pouco investimento nessa obra, mas ela em momento algum parou completamente, tinham coisas sendo feitas, a gente estava cuidando da produção visual, “não tem dinheiro pra cá, mas vamos continuar ali”. 

Em momento algum eu duvidei que a gente ia entregar.  A Beth (Dopazo) diz que fui persistente, e eu fui mesmo, mas eu tinha muita crença que a gente ia entregar, de verdade. Foi difícil, eu queria entregar no primeiro semestre, que a gente estivesse usando isso há mais tempo, mas aí as coisas não são no nosso tempo.

Foto que fiz no dia em que estive no Conexão, com 
Mestre Solando, Dona Onete e outros ilustres convidados. 
Holofote Virtual: E além da questão estrutural também tinha uma questão de resistência à mudança...

Adelaide Oliveira: Saímos de um endereço, que é na Almirante Barroso, lugar central, e viemos para a Cremação, foi um impacto para várias pessoas. Diziam é “longe”, não tem onde “estacionar”. Quando ia fazer visitas na obra, comecei a brincar, “olha tá saindo a Van, vamos conhecer o prédio da Pariquis” e fui trazendo os funcionários, aos poucos, porque, sabe a história do pertencimento? 

Lá na Almirante Barroso isso já estava concretizado, e no novo prédio, não. Esses laços afetivos ainda não estavam construídos, mas começaram a surgir, então fizemos a inauguração formal com as autoridades, essas coisas todas, mas no dia seguinte a gente fez um café da manhã para os funcionários. Na hora do almoço, vamos ao sétimo andar, e está todo mundo almoçando junto, isso não tinha mais, sabe? As pessoas não se viam, não se curtiam, e está todo mundo trabalhando junto.

Holofote Virtual: Vamos falar sobre o projeto de publicação do livro do Catalendas? Como foi que surgiu a ideia?

Adelaide Oliveira: Quando eu voltei em 2011 para a televisão, já como presidente, o Cata Lendas não estava mais sendo gravado. E o Catalendas não é um audiovisual fácil de fazer. Cada episódio na época custava em torno de R$ 20.000,00 a R$ 25.000,00 e isso já tem uns 06 anos. Então a gente sentou de novo com o pessoal da In Bust Teatro com Bonecos e pensamos em alguns novos episódios, em 2012 e 2013. Conseguimos produzir 14 episódios inéditos, mas agora só nacionalmente, pois já foram exibidos na TV Cultura do Pará. 

São os únicos episódio gravados em HD, quando a gente nem tinha a digitalização da TV. Gravamos o Catalendas em alta resolução, mas não tivemos fôlego para gravar mais. As agendas com a In Bust, que é o coração do Catalendas, complicou, os integrantes estavam com inúmeros compromissos e você não faz o Catalendas durante dois, três meses, você faz o Catalendas, se dedicando a ele, em pelo menos um ano.

Holofote Virtual: E vocês não tentaram buscar outras maneiras para viabilizar? 

Adelaide Oliveira: Depois desse período e desses últimos episódios a gente não teve mais como manter e tentamos negociar com a TV Brasil para que fosse exibido nacionalmente, e que eles entrassem com parte do recurso, só que não foi possível isso. Então decidimos fazer esta edição especial para marcar os 20 anos de criação do programa.  

Adriana Crus e Aníbal Pacha, da In Bust + André Mardock
Gravação do Catalendas, nos anos 1990
Holofote Virtual: Esse programa teve uma aceitação de público nunca antes vista na história da TV Cultura, não é?

Adelaide Oliveira: Tem uma memória gigante. Eu sigo uma hashtag Catalendas no Twiiter, e quase todo dia tem alguém escrevendo alguma coisa sobre ele, é surpreendente isso, né? Achei que precisávamos fazer alguma coisa, e o que poderia ser feito? Gosto muito de publicações. E falando de memorias é muito bacana que se tenha um objeto ou um livro, que se guarde. É um objeto de valor, e cada vez mais essas publicações são pérolas. 

A ideia foi contar a história desse programa e compartilhar com as pessoas o processo de como ele foi pensado, em 1998, ainda na época do Nélio Palheta, na época com Peter Roland. Como é que este programa mexeu com o próprio modo de fazer da televisão e vice versa? Porque foi uma simbiose total, o aprendizado de luz, de captura de áudio, numa época em eu você tinha uma estrutura muito pequena para fazer tudo isso. Isso é memória da Tv Cultura do Pará.

Ainda queríamos fazer uma exposição grande, e isso de fato, na minha gestão não seria mais possível, mas o livro a gente conseguiu lançar e será distribuído nas bibliotecas públicas. É uma quantidade pequena, mas a gente consegue mandar também pra biblioteca da Terra-Firme, do Combú. Não é uma publicação infantil, tá? Ele fala da criação dos roteiros, da criação dos bonecos, mas ele vai interessar também às crianças.

Adelaide com Arthur Espíndola e produção, além de
Rogê Paes, parceria com a série "Amazônia Samba".
Holofote Virtual: A TV também retomou de forma bem pontual a produção de documentários. Fala dos mais recentes.

Adelaide Oliveira: Sim, e a série Amazônia Samba, que estreou em novembro, um projeto do Arthur Espíndola que a gente fez em parceria com ele, desde a primeira temporada, e agora ele viajou para mais 13 municípios e descobriu pessoas talentosíssimas, espalhadas neste Pará. Foi um garimpo que o Arthur fez para convidar essas pessoas pra gravar estas músicas, e os caras estão se surpreendendo.

Ele trouxe coisas legais desses municípios e a gente finalizou, com direção do Rogê Paes. Também lançamos o documentário da Nazaré Pereira, grande Mestra, uma entidade da nossa música. Mostramos um pouquinho dessa história, que é imensa, grande e poderosa como ela, mas que precisamos fazer um recorte. Assinei a direção deste junto com Robson Fonseca que o finalizou. 

Holofote Virtual: São oito anos só como presidente, mas já respiras a TV Cultura há muitas décadas. Não passa um filminho na tua cabeça, agora? Lembro de ti uma menina recém saída da universidade. Chegamos na TV juntas para bater o ponto, era meados dos anos 1990. 

Adelaide Oliveira: Acho que eu recebi um presente, de verdade, vindo pra cá, foi desafiador, eu costumo falar que meu maior talento é reconhecer o talento dos outros, eu não sou uma mulher de muitos talentos, mas reconheço o talento dos outros. E tive a oportunidade de montar uma equipe talentosa, mas o critério número um para estar em uma diretoria ou estar em uma equipe mais próxima, é que tivesse carinho pela emissora. Acho que com carinho a pessoa se compromete mais, trabalha melhor, com mais responsabilidade com o trabalho, então foi um presente, eu espero deixar essa emissora melhor e espero que ela continue sendo melhor. 

Por isso, fiz questão de escolher o Abílio (Martins), que é um engenheiro da casa durante muito tempo, a Beth (Dopazo), que já tinha passado pela casa, e tem muito carinho, o Beto Fares, que pra mim é um grande nome desta emissora, que entende de música, entende qual é o papel desta emissora, provoca isso, é um batalhador, tenho muito respeito pelo Beto Fares, por todo mundo que o cerca.

A Lícia, que é uma funcionária do governo, não era da Funtelpa, mas é uma administradora muito cuidadosa. Eu falei “preciso aprender com ela, preciso de uma figura assim”, então eu trago a Lícia pra trabalhar junto, e ela era da Seduc. Era importante formar essa equipe que tivesse um carinho pela emissora de alguma forma, e responsáveis, pra que você pudesse concluir projetos. A gestão pública tem muito atraque. É muito difícil, te podam, tem burocracia, a grana nunca dá pra tudo e você não pode errar na hora de investir o dinheiro, não pode.

Fachada do novo prédio
Holofote Virtual: As perspectivas das emissoras públicas não são muito boas para o próximo Governo Federal...

Adelaide Oliveira: As emissoras públicas no país estão ameaçadas, a Tv Cultura, a TV Brasil. A EBC está ameaçada. É preciso entender que estamos falando de um patrimônio, que não dá pra abrir mão disso. Eu trabalhei sempre com muito carinho aqui, tem horas que cansa, tem horas que estressa, tive alguns problemas, nem tudo foi só alegria. Enfrentei muitos problemas trabalhistas neste período, quando mudaram a natureza jurídica da Funtelpa, mas ainda assim, eu acho que valeu a pena tudo isso, acho que vale a pena comemorar e celebrar, e aí essa menina, que tu encontraste lá no ponto, está feliz por ter contribuído; de verdade.

Holofote Virtual: Começaste fazendo aquele programa, o Enfim? Quando tu entraste, não foi pra fazer esse programa? 

Adelaide Oliveira: Eu comecei sendo estagiária da Ana Estorino, uma querida, no programa “Saúde”, que era feito pelo Rogê Paes e pela Ana. O José Carlos Gondim era nosso coordenador de produção, eu comecei ali, passei 02 anos como estagiária. Não fui contratada, eu fui e vim, em pelo menos dois momentos e fiquei até o início de 2007, 2008 eu acho. Depois saí, queria fazer meu mestrado e voltei em 2011, mas nunca deixei de olhar, nunca deixei de ficar atenta às coisas.

No estúdio Edgar Proença, antigo prédio e antigo programa
Conexão, com Sebastião Tapajós, Nilson Chaves, Jane Duboc, 
Ana Clara e Andreson Dourado.
Holofote Virtual: Nesta fase de transição, como é que ficam esses projetos que tiveram início na tua gestão?

Adelaide Oliveira: Tem uma transição maior, que é o governo que sai e o que entra. A gente fornece informações pra eles, os orçamentos de pessoal, essas coisas todas, e tem projetos que são tocados 100% pela Cultura. 

No caso dos projetos que ficam, como o edital do audiovisual, todo mundo que foi contemplado no último edital, assinou contrato também com a Ancine. Acho muito difícil que a Cultura não honre isso. O audiovisual paraense precisa ser melhorado, mas obviamente que cada um encontra suas prioridades.

E eu também acho que não dá mais pra pensar a TV Cultura só como uma janela do audiovisual, você precisa pensar em política pública, e tem hoje diversos instrumentos interessantes pra você continuar acessando. Há outras prioridades, como olhar mais pelas nossas repetidoras, buscar mais geradoras no interior, acho isso superimportante, reformar a torre, que é antiga e precisa de uma boa reforma, num investimento de pelo menos R$ 200.000,00.  Tem muita coisa bacana que pode ser feita e eu tenho certeza que a figura que entrar vai ter isso como compromisso, senão tiver, será cobrada.

Holofote Virtual: Projetos para um futuro próximo?

Adelaide Oliveira: Olha, eu falo, as pessoas pensam que é sacanagem, meu projeto inicial é ser meio hippie, eu não tenho grandes projetos pessoais, eu preciso de desapego, e não é pelo cargo, mas é pelo meu dia a dia, as pessoas, o emocional mesmo, o vínculo que você tem por isto, é natural que você precise desse momento que é de “detox” também dessa parte administrativa.

Eu ainda não sei muito bem, mas eu acredito no audiovisual, devo em algum momento voltar pra esse mercado, fazer produção executiva de alguma coisa, mas isso também depende do que o governo federal vai fazer com estas ferramentas que a gente tem hoje, o Ministério da Cultura, a Agência Nacional de Cinema.

Esse tipo de coisa, talvez ligada á área digital, de rede, talvez seja interessante, mas eu tenho ainda um lastro de três a quatro meses para me organizar, curtir meu paquera, curtir meu Erê, mas em algum momento vou precisar ganhar dinheiro, e penso em me jogar neste mercado, só preciso de uns dias de tranquilidade.