14.10.24

SESI Cultura de Fé dialoga sobre Economia Criativa

Orquestra Sustentável no SESI na abertura
Foto: Pedro Sousa
O Festival SESI Cultura de Fé realiza nesta quarta-feira (16) o Diálogo "Economia Criativa: Conexões e Colaborações", uma novidade deste ano que vai interessar a estudantes, artistas, produtores, gestores e empreendedores da cultura. Ingressos gratuitos, pelo SYMPLA, ou no local, às 13h.  A abertura, às 14h, conta com pocket show da Orquestra Sustentável SESI. 

Realizado há quatro anos no Teatro do SESI, o Festival SESI Cultura de Fé já se consolidou como parte do calendário cultural de Belém. Com uma programação diversificada, o festival iniciou dia 4 e vai até dia 26 com atrações que visam fortalecer o fomento à cultura e ao entretenimento. Este ano, porém, a realização do Diálogo representa um passa à frente, ao reforçar o papel da economia criativa na geração de novos mercados e conexões dentro da Amazônia.

A economia criativa tem se consolidado como um dos setores mais promissores em escala global, e o Pará, inserido na rica diversidade cultural da Amazônia, encontra-se em uma posição estratégica para o desenvolvimento dessas atividades. Foi pensando nisso que o festival abraçou, de forma inédita, este ano, um espaço para a troca de experiências sobre como o setor cultural pode impulsionar o desenvolvimento social e econômico, além de promover a sustentabilidade.

O "Diálogo Economia Criativa: Conexões e Colaborações", nesta quarta-feira (16), vem refletir sobre todas as questões das indústrias criativas, onde os setores de cultura, arte, design e inovação ganham protagonismo como motores econômicos. É justamente essa sinergia que será discutida no evento, que integra o projeto "Jornada COP+", uma iniciativa do Sistema FIEPA, que busca promover uma agenda econômica e ambiental inovadora para a Amazônia.

Inscrições/credenciamento: https://bit.ly/DialogosEconomiaCriativa.

Três painéis para refletir as industrias criativas

Sonia Ferro, produtora cultural e jornalista
Foto: Marcelo Lélis
O evento desta quarta-feira (16) conta com três painéis. No primeiro painel, "Economia e Indústrias Criativas", Márcio Guerra, superintendente do Observatório Nacional da Indústria, com vasta experiência em análise de mercado de trabalho e economia regional, além de ter atuado como consultor das Nações Unidas, apresentará sua expertise sobre inovação e gestão cultural. Na mesa, ele estará acompanhado por Raoni Silva, gerente de Suprimentos da Natura, Sonia Ferro, jornalista e produtora cultural, e Felipe Fonseca Tavares, gestor do Observatório da Indústria do Pará (FIEPA) e especialista em inteligência computacional aplicada à produção.

O segundo painel, "Economia Criativa - Preparação e Legado COP30", terá a participação de Júlia Zardo, gerente de Ambientes de Inovação da FIRJAN, que trará sua experiência com o mapeamento da indústria criativa.  À frente de projetos como o Rio Criativo (RJ), Julia também é colunista da Veja Rio sobre inovação e sociedade. Na mesa, estarão Pelé do Manifesto, rapper e poeta, e Maynara Sant’ana, empreendedora da Cerâmica Família Sant’ana, sob a mediação de André Cutrim, economista e professor da UFPA. 

Ana Carla Fonseca, autora premiada
Por fim, o painel "Cidades Criativas: Entretenimento, Dados e Transformação Digital" contará com a presença de Ana Carla Fonseca, uma das maiores autoridades em economia criativa do Brasil e autora premiada. 

Com vasta experiência internacional, fundou a Garimpo de Soluções, empresa que atua em mais de 270 cidades em 34 países, impulsionando a cultura e o empreendedorismo criativo. Recentemente, ela coordenou projetos inovadores como o Território Criativo Vale das Histórias, no Vale do Paraíba/SP.

Neste mesmo painel também teremos Adriana Barbosa, fundadora da Feira Preta, a maior plataforma de cultura negra da América Latina, que há 23 anos fortalece o empreendedorismo negro e já movimentou mais de R$ 20 milhões. 

Adriana Barbosa, da Feira Preta 
Reconhecida pela Revista Time em 2024 como uma das 18 pessoas que trabalham pela equidade racial no mundo, Adriana traz a experiência prática de quem transformou o “Black Money” em uma realidade de impacto econômico e social. A mediação será de Adelaide Oliveira, coordenadora do projeto Circular, mediando as discussões. E após as discussões, o público vai aproveitar a apresentação especial da cantora Júlia Passos.

O que mais rola este mês! 

Além do Diálogo, o Festival SESI Cultura de Fé traz mais atrações ao longo do mês: Dia 18 de outubro, às 20h, tem show "Ser do Norte – Trilogia" com Lucinnha Bastos, Nilson Chaves e Mahrco Monteiro, revivendo grandes sucessos como "Olho de Boto" e "Chamegoso"; dia 19 de outubro, às 20h, tem espetáculo "Solo de Marajó" com Cláudio Barros, inspirado em histórias de Dalcídio Jurandir e, dia 26 de outubro, às 19h, o festival encerra com o show "Amazônia Musical: A Força do Coração Tambor", com a Orquestra Sustentável SESI e convidados especiais. Os ingressos para os espetáculos dos outros dias estão no SYMPLA.

Programação

Diálogo da Economia Criativa

16 de outubro - Teatro do SESI

13h – Credenciamento

14h – Abertura com Pocket Show: Orquestra Sustentável SESI

14h30 – Painel 1: Economia e Indústrias Criativas

TEMA: Cultura da Inovação e Dados para Gestão Cultural: Aprendendo com a Inovação nas Indústrias

Palestrante: Márcio Guerra, Superintendente do Observatório Nacional da Indústria

Mesa: Raoni Silva (Natura), Sônia Ferro (Produtora Cultural)

Mediador: Felipe Freitas (Observatório da Indústria do Pará)

16h – Painel 2: Economia Criativa - Preparação e Legado COP30

TEMA: Economia Criativa como Estratégia de Desenvolvimento

Palestrante: Júlia Zardo, Gerente de Ambientes de Inovação da FIRJAN

Mesa: Pelé do Manifesto (Rapper), Maynara Sant’ana (Cerâmica Família Sant’ana)

Mediador: André Cutrim (Economista e Professor UFPA)

17h30 – Painel 3: Cidades Criativas: Entretenimento, Dados e Transformação Digital

Palestrantes: Ana Carla Fonseca (Garimpo de Soluções) e Adriana Barbosa (Feira Preta)

Mesa: Adelaide Oliveira (Coordenadora do Projeto Circular)

Encerramento: Pocket show com Julia Passos

9.10.24

Ronaldo Silva lança álbum novo no Baile de Havana

“O Tambor Ilumina” reune 10 faixas, compostas por nove músicas e uma vinheta produzida para o filme homônimo que será lançado na segunda quinzena de novembro. O lançamento do álbum acontece no próximo dia 12, véspera do Círio, durante a festa “Baila de Havana”, na Casa Apoena.

Músico, compositor, pesquisador e produtor cultural, Ronaldo Silva é mestre da cultura paraense. Co-fundador do Boi Pavulagem, hoje reconhecido como Patrimônio Cultural e Imaterial Brasileiro, e integrante original da banda Arraial do Pavulagem há mais de 37 anos, Silva tem um extenso trabalho no campo da música com quatro discos solos: Via Norte, Faróis, Balaio Sonoro e M’Barayó. 

O mestre do Boi Azul conta que este novo trabalho começou a ser desenvolvido durante as filmagens de um documentário que registra parte de sua trajetória, de título “Ronaldo Silva, o Tambor Ilumina” e com direção de Felipe Cortez. 

“Já estávamos regravando algumas músicas antigas para um EP, menor que um disco, como 'Tambor de Couro’, ‘Baila de Havana’, 'Voar Voei’, 'Vaqueiro do Lavrado'. Mas durante a filmagem escrevi algumas canções, entre elas a que considero a principal deste disco, "Mãe Jove”, que escrevi em homenagem a minha mãe, porque coração dela foi o primeiro tambor que escutei na vida”, diz Ronaldo.

O álbum tem direção musical de Allan Carvalho. “Desde a produção do disco anterior, M’Barayó, me reconectei com o Silva e pudemos encontro as melodias sugeridas por cada texto do Ronaldo. Ficamos extremamente satisfeitos com o resultado”, afirma o também compositor, que assina a direção musical e parcerias em canções como “Ciranda Flor” e “Mãe Jove”. 

Serviço

Lançamento do disco “O Tambor Ilumina”, de Ronaldo Silva

Dia: 12.10.2024, Sábado

Horário: 20h

Local: Casa Apoena

Ingressos: sympla.com e na hora

Antecipado: R$25,00

Link: https://www.sympla.com.br/evento/baila-de-havana-o-baile-do-ronaldo-silva-edicao-do-cirio/2646831

“Festas, Sambas e Outros Carnavais” no CCBA

Dona Onete, foto de Walda Marques
Idealizada pelo Museu do Pontal, do Rio de Janeiro, a mostra celebra a diversidade das festas populares brasileiras, com destaque para os carnavais do Pará, e presta homenagem a mestres da cultura popular.
O Centro Cultural Bienal das Amazônias (CCBA) inaugura nesta quinta-feira, 10 de outubro, a exposição “Festas, Sambas e Outros Carnavais”, como parte da programação do Círio de Nazaré. 

Com mais de 70 obras entre esculturas, pinturas e fotografias, grande parte do acervo do Museu do Pontal, a exposição explora a riqueza da cultura popular e o patrimônio imaterial do Brasil. Entre os destaques estão o Carnaval das águas, no Baixo Tocantins, e o Carnaval dos bois bumbá de São Caetano de Odivelas. A mostra também homenageia o falecido Mestre Nato, conhecido por suas criações em máscaras, e apresenta o trabalho de outros mestres das máscaras, como Mestre Vital, Ricardo Rodrigues dos Santos e Edgar Santana Garça.

Outro ponto importante da exposição é a mostra individual da pintora autodidata Maria José Batista, inspirada no Carnaval das Crias do Curro Velho, bloco que sai da Praça Brasil, em Belém. A artista mescla elementos de seu cotidiano com a imaginação em suas obras, conectando-se diretamente com seu território.

Maracatu, em Recife. Foto: Walter Firmo

A exposição aborda festas populares como o Bumba meu boi, a Cavalhada e o Maracatu, além de uma série de celebrações religiosas, incluindo o Círio de Nazaré, São Jorge, São Benedito, a lavagem da Igreja do Senhor do Bonfim e homenagens a Iemanjá, Divino Espírito Santo e N. S. Aparecida. 

Entre os fotógrafos que registraram essas tradições estão os paraenses Luiz Braga, Walda Marques, Guy Veloso e Luan Rodrigues, assim como os cariocas Walter Firmo e Ratão Diniz. A curadoria é de Angela Mascelani e Lucas Van de Beuque, ambos diretores do Museu do Pontal, a exposição, co-realizada pelo Museu do Pontal e a Bienal das Amazônias, já foi apresentada em São Paulo e agora chega a Belém com patrocínio do Instituto Cultural Vale, via Lei Federal de Incentivo à Cultura.

A exposição permanece no CCBA até 22 de dezembro, com entrada gratuita. O espaço está localizado na Rua Senador Manoel Barata, 400, bairro Campina, em Belém. As visitas podem ser feitas de quarta a quinta, das 9h às 17h; sexta e sábado, das 10h às 20h; e domingos e feriados, das 10h às 15h. Nos dias 12 e 13 de outubro, o CCBA estará fechado em função do Círio de Nazaré.

7.10.24

Grupo Tajá Trio com temporada às quartas-feiras

Show de celebração dos 35 anos de
carreira de Delcley Machado, em
setembro, Na Figueredo
Delcley Machado (guitarra), Davi Amorim (baixo) e Gugu Batera formam o Tajá Trio, que promete animar as noites de quarta-feira no Espaço Cultural Boiúna, em Belém. Com música, memórias e ritmos que trazem a essência amazônica, cada apresentação terá cerca de duas horas, a partir desta quarta-feira, 9, e seguindo nos dias 16, 23 e 30 de outubro, sempre às 23h.

O grupo nasceu da iniciativa de Delcley Machado, um nome de destaque no cenário da música instrumental paraense. Ao reunir Davi Amorim e Gugu Batera, o trio une músicos com vasta experiência e dedicação à música instrumental. 

O nome do grupo foi inspirado pela sonoridade e o simbolismo da planta Tajá, associada à lenda de proteção dos povos indígenas. “Sempre gostei da sonoridade do nome, que evoca a força e a proteção do Tajá, assim como a força do indígena”, explica Delcley Machado.

Com 35 anos de carreira, além de guitarrista e fundador, é também produtor musical e compositor, com três álbuns lançados e colaborações com artistas como Jorge Andrade, Marcos Campelo e Carlos Malta.

“Temos uma grande paixão pela música instrumental e estamos animados para que o público venha brindar essa música com a gente. O show foi pensado com muito carinho para que todos possam ouvir, gostar e entender a música instrumental. É importante deixar para trás a ideia de que esse é um gênero complexo ou elitista”, comenta Delcley Machado.

Davi Amorim, no baixo - shows dos 35 anos de
carreira do Delcley, em setembro.
A versatilidade e a bagagem musical dos integrantes refletem-se em um repertório diversificado, pensado para aqueles que apreciam a boa música instrumental. 

“Vamos apresentar músicas de diversas partes do mundo, incluindo pop instrumental, composições autorais, músicas regionais, clássicos do jazz e muito mais”, explica Davi Amorim que, além de baixista, atua como arranjador, diretor e produtor musical. Com uma carreira ativa na cena cultural amazônica, já trabalhou com artistas como Lucinnha Bastos, Nilson Chaves e Paulo André Barata.

O terceiro elemento do trio, Augusto Carvalho, o Gugu Batera, soma mais de 30 anos de trajetória na música. Ao longo de sua carreira, já acompanhou grandes nomes da música paraense, como Fafá de Belém, e da música instrumental, como o pianista Amilson Godoy e Gileno Foinquinos.

Serviço

Show: Tajá Trio

Datas: 9, 16, 23 e 30 de outubro (quartas-feiras)

Horário: 23h

Couvert: R$ 15,00

Local: Espaço Cultural Boiúna - R. dos Pariquis, 1556 - Batista Campos

(Holofote Virtual - Colaboração Vagner Mendes)

5.10.24

Palco Giratório com Amir Haddad e Tá Na Rua

Amir Hadad, homenageado da edição
Foto: Divulgação
No clima do Círio de Nazaré, a cidade fervilha na programação cultural. De 7 a 11 de outubro, por exemplo, estará em Belém, o Palco Giratório, com espetáculos e discussões sobre arte pública, além de homenagem a Amir Haddad. 

Tudo gratuito no Centro de Cultura e Turismo Sesc Ver-o-Peso e outros espaços da cidade. Classificação livre. Os ingressos serão distribuídos uma hora antes de cada espetáculo. 

Este ano a 26a edição do Palco GIratório homenageia Amir Haddad, que completa a  86 anos de vida e 66 de carreira. E nada mais assertivo que trzê-lo à capital paraense. A relação do teatrólogo com a cena de Belém  é de longa data. Amir esteve na gênese do Auto do Círio, realizando a primeira oficina de Teatro de Rua e dirigindo as montagens do cortejo nos anos de 1993 e 1994. Este ano, com projeto, ele volta ao cortejo pelas ruas do Centro Histórico de Belém junto ao Grupo Tá na Rua, da qual é fundador. 

O Palco Giratório é um projeto reconhecido por fomentar o intercâmbio cultural e democratizar o acesso às artes cênicas. Além da participação de Amir, a programação conta com uma série de atividades que envolvem teatro gestual, mímica, debates sobre políticas públicas e espetáculos baseados em mitologias latino-americanas.

Anota na tua agenda

Mar Acá - espetáculo na programação
Foto: Divulgação
Na segunda-feira, 7, o Grupo Locômbia Teatro de Andanças (RR), com mais de 30 anos de experiência, compartilhará no “Pensamento Giratório – Dramaturgia do Teatro Gestual”, às 16h, sua pesquisa sobre o teatro gestual, uma linguagem poética baseada no gesto que transcende as barreiras do idioma. 

Logo em seguida, às 19h, o grupo apresenta o espetáculo “Mar Acá”, também no Sesc Ver-o-Peso.  A peça narra a história do palhaço Lhamichu e sua aventura ao lado de figuras da cultura amazônica, como a Iara e o Curupira. O espetáculo mistura elementos da mitologia latino-americana e técnicas de teatro de mímica, máscaras, origami, bonecos, música ao vivo e acrobacias. 

Na terça-feira, 08, às 19h, o Grupo Locômbia volta ao Sesc Ver-o-Peso com o espetáculo “Augusto e o Sorriso da Lua”. Nesta montagem, o palhaço Augusto enfrenta personagens como o Vento e a Morte para resgatar a alegria do mundo ao devolver um sorriso à Lua Minguante. A peça, que utiliza mímica, malabarismo, máscaras, acrobacias e música ao vivo, é uma continuação da pesquisa do grupo sobre o papel do palhaço como transmissor de poesia e esperança. 

Tá na Rua
Na quarta-feira, 09, às 16h, Amir Haddad, fundador do Grupo Tá Na Rua (RJ), comandará o “Pensamento Giratório – Políticas Públicas para as Artes Públicas”, no Sesc Ver-o-Peso. A palestra abordará a importância de políticas públicas que incentivem a arte pública, gratuita e acessível a todos, destacando o papel transformador do Grupo Tá Na Rua. 

Amir Haddad explorará como a democratização da arte e da cultura pode contribuir para o desenvolvimento da cidadania e para a formação de uma sociedade mais inclusiva. No mesmo dia, a partir das 18h, o Grupo Tá Na Rua participa de um intercâmbio cultural com o Auto do Círio, em uma apresentação especial na Praça do Carmo, um momento de celebração e integração entre artistas e comunidade.  Tá muito imperdível!

Já no dia 10, às 19h, o grupo apresentará “Zaratustra – uma transvaloração dos valores”, no Sesc Ver-o-Peso. Inspirado na obra de Friedrich Nietzsche, o espetáculo reflete sobre a coragem de viver plenamente, transformando perdas em ação e criação. Com mais de 66 anos de carreira, Amir Haddad estará em cena ao lado de seu grupo, trazendo para o público reflexões profundas sobre a vida e a arte, em um espetáculo comemorativo. 

Encerrando a programação, na sexta-feira, 11, às 19h, o Auto do Círio, com participação do Grupo Tá Na Rua, parte da Praça do Carmo, na Cidade Velha, em uma apresentação que promete envolver o público em uma celebração cultural vibrante.   

Serviço

Palco Giratório chega ao Sesc Ver-o-Peso , com programação de 07 a 11 de outubro. Classificação etária: livre. Programação gratuita (os ingressos serão distribuídos uma hora antes de cada espetáculo). Informações: (91) 3084-0472. 


4.10.24

Festa da Chiquita celebra patrimônio e diversidade

Eloi Iglesias
Foto: Vagner Mendes
É outubro e em Belém a gente quer logo saber. Vai ter Festa da Chiquita? A resposta é que sim, como todos os anos, tradicionalmente o palco montado na Av. da Paz, se ilumina, assim que a procissão da Trasladação da imagem da santa, passa pela Av. Presidente Vargas, cruzando a rua Carlos Gomes. 

Celebrando a cultura LGBTQIA+ no Círio de Nazaré, este ano a Chiquita traz o tema “20 anos de Patrimônio e Memória" e terá 3 dias de programação. Elói Iglesias nos contou as novidades.

Não há conquistas sem persistência e nem sem acreditar no que se faz e pelo o que se luta. Completando 47 anos de atividades, a Festa da Chiquita celebra o Círio de Nazaré em seu lugar de diversidade, memória e patrimônio. Não é fácil e a cada ano, ainda que consagrada, a festa é levada com enfrentamentos para ser realizadas. No final tudo dá certo, porque Elói não descansa enquanto não estiver tudo planejado para a entrega do Veado de Ouro. 

Este ano, tem novidade. Serão três dias de programação, iniciando com o Diálogos Chiquita, na quinta-feira, 10, no Teatro Waldemar Henrique. Em sua primeira edição, a ação traz duas mesas de debate: "Memórias sobre a Chiquita: Patrimônio, História e Memória”, às 9h, e "Chiquita Transversal: Saúde, Saúde Mental, Direitos Humanos e Combate à Violência contra a População LGBTQIAPN+", às 11h. No meio, além de um coffe break, teremos apresentação cultural com Gigi Híbrida. À noite, às 20h, tem show de Elói Iglesias, intitulado "Pagã". Ingressos a venda no local.

Cinema e performence

Eloi e Paulo VIeira, na Chiquita de 2023
Foto: Luciana Medeiros
Na sexta-feira, dia 11 de outubro, das 19h às 21h, a Chiquita promove Performance Drag e exibição de filmes, incluindo “As Filhas da Chiquita”, de Priscila Brasil, no Memorial dos Povos. 

"A Chiquita sempre surpreende, sempre incluímos novas formas artísticas nesta festa da diversidade. Eu afirmo que o nosso maior patrimônio é o que ressaltamos na memória, o que a gente sente e pensa. Então, neste ano, nós queremos trazer à tona as memórias de nossa trajetória ao longo dos 20 anos de reconhecimento”, diz Elói.

Ele está se referindo ao processo de 2024 junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) que, ao reconhecer o Círio de Nazaré como patrimônio cultural imaterial do Brasil, também incluiu a "Festa da Chiquita" como destacando-a como uma das referências culturais nacionais, associada à festividade de Nazaré. Naquele mesmo ano, o Arrastão do Círio, do Arraial do Pavulagem também foi reconhecido como a Chiquita, como Patrimônio Cultural Imaterial.

Enfrentamentos que garantem um lugar à Luz do Círio!

Chiquita em 2023, como tema Red Carpet
Foto: Luciana Medeiros

O artista ressalta que por muito tempo, a Chiquita era inserida somente como mais um evento dito "profano" a ocorrer durante a programação do Círio. 

"É um local que não queremos estar e não gostaríamos de estar, pois o profano é subjugado e visto/rotulado como inapropriado. Nós trazemos à tona o lado pagão de um movimento religioso que faz parte da nossa cultura: O Círio de Nazaré. Por meio dele, agregamos aqueles que não são bem recebidos pela igreja católica, como os gays, as trans e as drags”, enfatiza Iglesias.

O dossiê do IPHAN menciona que a festa simboliza resistência, contestação e uma busca por espaço e reconhecimento social pela comunidade LGBTQIA+. No entanto, a celebração não é aceita pela Diretoria do Círio e sempre enfrenta resistência das autoridades eclesiásticas. "Ao longo desses anos, vivemos muitas histórias, passamos muitas lutas, conquistamos um espaço que no início nem imaginávamos. Hoje, mesmo tendo quem não nos aceite, fazemos parte da história dessa cidade e do nosso estado”, finaliza Elói Iglesias.

Origem - A Festa da Chiquita surgiu nos anos 1970, idealizada pelo sociólogo carioca, Luís Bandeira, o saudoso Bandeira, mas inicialmente era um bloco carnavalesco formado por homossexuais e simpatizantes.

A partir de 1978, o evento passou a acontecer na Praça da República, sempre na véspera do Círio de Nazaré.  Nas primeiras edições, a festa era conhecida como “Filhas da Chiquita” ou “Festa Maria Chiquita”. A inspiração do nome surgiu a partir da personagem das marchinhas de carnaval, Chiquita Bacana, “mulher existencialista que só faz o que manda o coração”. 

Para mais detalhes sobre a programação acesse @festadachiquita2024

(Holofote Virtual, com entrevista concedida a Vagner Mendes)

30.9.24

Sábado Te Conto em outubro no Casarão do Boneco

Duas contações e, entre uma e outra, os atores brincantes convidam o público para jogar, cantar e realizar diversas brincadeiras. Dias 05, 19 e 26 de outubro, às 17h, no Casarão do Boneco. Ingressos já podem ser adquiridos via whatsapp! 

É diversão, brincadeiras e muitas histórias contadas a cada sábado! Sucesso entre as crianças, na certa e, ainda por cima, em clima de Círio de Nazaré! O “Sábado Te Conto” promete momentos de lazer, aprendizado e recreação às crianças.

“Tudo foi pensado por nossos artistas, habitantes do Casarão, com muito carinho, queremos oferecer diversão, conhecimentos e afeto. Cada contação traz um conhecimento poético sobre o mundo, sobre as nossas relações e aciona a potência do nosso imaginário”, diz Adriana Cruz, artista, pesquisadora e coordenadora do projeto.

A programação faz parte das atividades desenvolvidas para garantir verbas para a manutenção física do Casarão do Boneco, que incentiva o fazer artístico cultural em Belém. O Sábado Te Conto surge com o propósito de manter o casarão em pé, funcionando com as despesas pagas e promovendo o acesso à arte na região.

“É o nosso trabalho que mantém o Casarão do Boneco funcionando, com as contas pagas. Sem o apoio da comunidade que participa dessas atividades, não teríamos como existir enquanto artistas nesse espaço”, reforça Adriana Cruz. “Além das nossas programações externas, funcionamos como espaço de formação de artistas, de produção de espetáculos, ensaios de grupos. E também agregamos artistas externos”, ressalta Adriana.

Sábado Te Conto - A programação inicia neste sábado, 05, com as contações de Nanan Falcão e de Paulo Ricardo Nascimento, que contarão as histórias “A Calça” e “A lavadeira, o príncipe e o sapo que não lava o pé”, respectivamente. 

Dando continuidade às apresentações, no dia 19, o Sábado Te Conto volta com a participação de Maridete Daibes e Adriana Cruz, que trarão as histórias: “A Senhora Vento” e “Minha mãe é um Problema”, refletindo sobre as relações de amizade, liberdade e relações familiares. O terceiro e último sábado, dia 26, encerra com Aníbal Pacha e Adriana Cruz contando “O Anjo” e “A Iara”. 

Serviço

Sábado Te Conto – Dias 5, 19 e 26 de outubro, às 17h, no Casarão do Boneco. Os ingressos já estão sendo vendidos e podem ser garantidos pelos valores de R$ 30,00 (adulto) e R$ 15,00 (criança). Crianças menores de 2 anos não pagam ingresso. Venda antecipada, via whatsapp: (91) 99174-2191 (Fafá) e (91)98171-8282 (Cristina), ou na bilheteria do Casarão do Boneco.

Programação completa 

- Sábado Te Conto

05 de outubro - 17h

- “Calças”, com Nanan Falcão

- “A lavadeira, o príncipe e o sapo que não lava o pé”, com Paulo Ricardo Nascimento

19 de outubro - 17h

- “Minha Mãe é um Problema!”, com Adriana Cruz

- “A Senhora Vento”, com Maridete Daibes

26 de outubro - 17h

- “O Anjo” com Aníbal Pacha

- “A Iara” com Adriana Cruz

Ficha Técnica

Realização: Coletivo Casarão do Boneco

Coordenação geral: Adriana Cruz

Equipe: Maurício Franco, Thiago Ferradaes, Paulo Ricardo Nascimento, Aníbal Pacha, Cincinato Marques Jr, Nanan Falcão, Maridete Daibes, Fafá Sobrinho, Cristina Costa e Andréa Rocha.

Bilheteria: Produtores Criativos

Apoio: Padaria Verde Rosa e Holofote Virtual Comunicação Arte Mídia

28.9.24

Auda Piani estreia como diretora em documentário

Foto/Still: Simone Machado
A pesquisadora, produtora cultural e escritora Auda Piani lança no próximo dia 1º de outubro, no Sesc Ver-o-Peso, às 19h, "Cozinhando no Calor de Belém, antes da chuva", sua primeira direção audiovisual. O documentário, de 20 minutos, foi viabilizado pelo Edital de Audiovisual para Curta Metragem da Lei Paulo Gustavo lançado pela Fundação Cultural de Belém (Fumbel). 

Desde 1996, Auda pesquisa os saberes tradicionais a partir da aproximação com o trabalho dos mestres ceramistas de Icoaraci, o que a instigou a pesquisar os percursos que levam à transformação dessas tradições. 'A tradição é reinventada a partir da contemporaneidade. Os ceramistas me aproximaram das panelas de barro e eu me descobri também detentora de saberes tradicionais, mas na área do alimento", explicou Auda. 

A partir de 2012, ela inicia a pesquisa sobre saberes culinários e, em 2022, lançou o livro "Entre Panelas, Memórias e Sentidos", com receitas e histórias de suas vivências. Ao terminar o livro, ela notou que havia muitas fotos de alta qualidade e que contavam outras histórias. "Senti falta da fala das mulheres e me deu esse estalo e desejo de realizar o curta metragem. Tem muita coisa pra mostrar desses saberes e eu queria mostrar de forma diferente", explicou. 

Foto/Still: Simone Machado
No documentário, Auda mostra o dia a dia de 13 mulheres, as transformações que as afetam no cotidiano e como isso se expressa no cozinhar. São agricultoras, donas de restaurantes, pescadoras, donas de casa, de várias idades, moradoras do Combu, Cotijuba e Caratateua. 

Também há depoimentos de vendedoras de comida nas barraquinhas nas ruas do comércio, região central de Belém. Auda buscou compreender como essas mulheres e a comida preparada por elas convivem com as mudanças de hábitos alimentares, com as mudanças climáticas, com a urbanização e  a indústria da comida, por exemplo.

"Cozinhando no calor de Belém, antes da chuva" parte da trajetória pessoal da autora que combina ativismo político-cultural, com experiência acadêmica e literária e profunda vivência culinária. As irmãs de Auda sempre cozinharam e venderam comida na porta de casa, já quando vieram morar em Icoaraci. "Trouxe só mulheres para compor o filme porque esse saber da cultura alimentar está muito ligado ao feminino. São as mulheres que cozinham para a família, para os doentes, para as pessoas em geral", destacou. 

Foto/Still: Simone Machado
Auda trabalhou como diretora de produção em vários projetos audiovisuais. Também acumulava a experiência em escrever roteiro. E agora, faz sua estreia na direção. 

"Quando eu me vi com esse roteiro na mão, me veio a ideia de dirigir, e foi quando eu percebi o desafio que é passar uma ideia que está na sua cabeça, pra sua equipe. Tem que ter uma sensibilidade em relação às questões que envolvem o tema e isso a gente conseguiu. Pessoas que, de alguma forma, já tinham experiência com esse olhar mais sensível com a região, com os temas que envolvem essa relação com a Amazônia e com a experiência da linguagem cinematográfica", contou Auda.

A direção de fotografia é de Marcelo Rodrigues, com assistência de Simone Machado. A direção de produção é assinada por Patrícia Passos. Após a exibição do curta metragem "Cozinhando no calor de Belém, antes da chuva" haverá uma conversa com a diretora. O filme também será exibido para as comunidades das ilhas do Combu, Cotijuba e Outeiro.

Serviço

Lançamento do documentário "Cozinhando no calor de Belém, antes da chuva" 

Dia: 1o de outubro

Local : Sesc Ver-o-Peso (Av Boulevard Castilho França, 522/523 - Campina

Horário: 19h

Mais informações:

(91) 98134.7719 - @cozinhandonocalor

26.9.24

Oralidades nos preparativos ao Arrastão do Círio

A programação será realizada, nesta sexta-feira, 27, no Boulevard da Gastronomia, a partir das 19h,  de forma gratuita, e faz parte dos preparativos para o Arrastão do Círio 2024.

O Instituto Arraial do Pavulagem realiza mais uma edição da roda de conversa “Oralidades”, programação cultural que promove debates sobre saberes ancestrais e shows com a banda do Arraial do Pavulagem. 

O Oralidade faz parte das atividades que preparam o Batalhão da Estrela para o Arrastão do Círio de Nazaré. Nesta edição, a roda de conversa tem como participantes Waremoa Assurini, indígena de Tucuruí, e o Mestre Canhengo, do quilombo Umarizal (Baião), que irão compartilhar tradições e saberes de suas comunidades. 

Após a roda de conversa, o Boulevard da Gastronomia será tomado pela roda musical da banda Arraial do Pavulagem, com participação especial do cantor Anderson Moyses. Segundo Júnior Soares, músico e cofundador do Arraial do Pavulagem, a programação cria um ambiente de alegria e integração. 

“Nesse momento, nossas vozes e instrumentos se encontram em harmonia, preenchendo o espaço e convidando todos a participarem de uma celebração vibrante  de ritmos e melodias. É também um momento especial para todos curtirem, junto com o público, a expectativa pelo Arrastão do Círio", diz Júnior Soares.

“O Boulevard da Gastronomia foi criado pela Prefeitura de Belém para ser um espaço multicultural para toda população, mas principalmente para que os fazedores e fazedoras de cultura consigam realizar seus projetos e divulgar a cultura local. Para nós, é fundamental ter eventos relacionados ao círio em nossos espaços e celebrar o arrastão do círio”, ressalta Inês Silveira, Presidente da Fumbel.

Ação social - Além do momento de conversa e celebração, no Boulevard da Gastronomia haverá uma equipe arrecadando roupas e itens de higiene pessoal, como escovas de dentes, creme dental, desodorantes, sabonetes, shampoo, absorventes, fio dental e etc. Todas as doações serão encaminhadas para crianças de Cachoeira do Arari, na Ilha do Marajó, que são atendidas pelo Cordão do Galo, projeto social do Instituto Arraial do Pavulagem.

O Arrastão do Círio -  O Arrastão do Círio será realizado no dia 12 de outubro. A concentração começará às 9h, na esquina da Boulevard Castilhos França com a Presidente Vargas, próximo ao Ver-o-Peso.

Serviço

Projeto “Oralidades” - Sexta-feira, 27 de setembro

Horário: a partir de 19h 

Local: Boulevard da Gastronomia - Campina - Entrada: franca

Apoio: Prefeitura de Belém, por meio da Fundação Cultural de Belém (Fumbel),

25.9.24

3o !PULSA! em diálogo com movimentos culturais

Artistas de Belém na escutaria, em abril
O !PULSA! Movimento Arte Insurgente será realizado em Belém de 9 a 17 de novembro, mas desde janeiro que a programação vem sendo construída pelas produtoras Olhares Instituto Cultural e Outra Margem por meio de "escutarias", para a qual foram convidados, em abril, artistas e gestores de instituições públicas e privadas locais. 

É a primeira vez que o evento acontecerá na região Norte. As edições anteriores foram realizadas em Itabira (MG), mas sempre com a ideia de escutar, trocar e conhecer as práticas artísticas e as realidades da cidade em que chegar. E o resultado desses encontros é que constroem as ações que vão nortear a programação, de uma perspectiva anticolonial.

Guilherme Marques explica que o !PULSA! nasceu de um desejo comum dele e da Andreia de colocar no centro do debate questões sobre colonialidade e a invisibilidade. "Com o !PULSA! a gente quer irrigar imaginários, pensar novos mundos e discutir questões muito estruturais e violentas da nossa sociedade que perpassam sobre corpos subalternizados, sobre ecologia, povos originários e sobre questões de gênero".

Na opinião de Andreia Duarte, o movimento insurgente vem enfrentar visões dominantes como aquela que considera periferia um lugar regional distante do centro, por exemplo. "É uma ideia muitas vezes arraigada e muito limitada. A nossa pergunta é: o que é o centro? não só geográfico, mas centro de conhecimento", indaga. “Não estamos interessados na colonização dos corpos e dos territórios, mas estamos interessados no que já diria Nêgo Bispo: quando o pensamento, o conhecimento e experiências se misturam, se cruzam, outra coisa é gerada, há uma confluência, outra forma de estar no mundo ". 

Escutar a cidade - artistas, articuladores, gestores, produtores, etc é muito interessante e justo", afirma Wlad Lima, atriz, encenadora, dramaturga e cenógrafa, uma das convidadas para construir a escutaria, em Belém, ao lado de Marcia Kambeba e  Marise Maués.

Guilherme lembra ainda que o !PULSA! promove a escutaria para conhecer as práticas, os equipamentos e espaços culturais. Dessa maneira, os movimentos culturais locais apresentam a cidade, contribuindo para formular coletivamente um pensamento curatorial para a atual edição. 

Escutarias mergulhadas na produção artística local

"Altamira" Foto: Nereu Jr.

Wlad diz que "sentiu esta competência" em Guilherme e Andreia que conseguiram "cartografar, tanto a infraestrutura como a dinâmica das relações humanas e artísticas para pactuarem as devidas parcerias".

O professor e artista visual Alexandre Sequeira, também convidado para ser um dos articuladores da escutaria, considerou a iniciativa excelente. "Confesso que não lembro de práticas dessa natureza. Participei dos encontros e achei as dinâmicas empregadas muito interessantes enquanto forma de reunir os múltiplos anseios e expectativas apontadas pelas/pelos participantes, opinou. 

Para Sequeira, a escutaria reconheceu algumas singularidades do modo como a cultura se organiza em Belém. Ele afirmou que a cena independente local tem gerado há muitos anos ações culturais de grande significado e criticou o que chamou de "miopia seletiva do poder público estadual ou municipal". "Acho que o !PULSA! surge como mais um espaço de exercício dessa pujança cultural que (como poucas outras áreas) promove a imagem da cidade e do estado para além de suas fronteiras", completou.

Sequeira destacou um aspecto nesta cena cultural que são as ações sendo realizadas de modo autônomo. "Não por esses grupos não necessitarem de suporte do poder público, posto que tal suporte se constitui em um dever do estado, mas acima de tudo por reagir ao imobilismo e tornar pública a potência e a diversidade cultural da cidade quase sempre subjugada". 

A cidade vai pulsar da periferia ao centro 

Nando Lima, na performance "Black Rock""
Estúdio Reator
A programação do!PULSA! oferecerá ao público paraense mais de 15 espetáculos teatrais, performances, instalações, várias ações reflexivas, pedagógicas e encontros que se revezam em mais de sete espaços culturais diversos espalhados pela cidade do chamado centro da cidade às práticas culturais existentes nas periferias da capital. 

Criado em 2009, o Estúdio REATOR, idealizado e conduzido pelo performer Nando Lima, um laboratório de experimentação em plena ação. é uma das iniciativas artístico-culturais que está em diálogo com a curadoria do !PULSA!. "Acho uma atitude lúcida e criativa, uma forma honesta de se relacionar com a produção local", declarou Nando sobre as conexões que o movimento tem realizado em Belém. 

"Eu só consigo entender essas práticas e atividades artísticas no aqui e agora, no tempo em que elas acontecem, porém o que sempre enxerguei na minha prática: é que é natural da poética ser dissidente e insurgente, não há novidade, o banal e comum, o ordinário e cotidiano, não salta aos olhos. Talvez o que aconteça nesse momento é que a “superexposição” que é a normativa que se vive agora, exponha mais, um subterrâneo que sempre existiu", refletiu Nando se referindo à proximidade da COP 30 que será realizada em Belém no próximo ano.

Elisa Lucinda, em "Parem de falar mal da rotina"
Além da produção local, a programação também traz espetáculo incríveis de outros estados, entre eles, o monólogo "Parem de Falar Mal da Rotina", com direção de Geovana Pires, texto e encenação de Elisa Lucinda. A peça, em cartaz há mais de duas décadas, aborda a rotina como um reflexo das escolhas individuais. 

A 3a edição do !PULSA! Movimento Arte Insurgente é totalmente gratuita, realizada através da Lei de Incentivo Federal, Ministério da Cultura, com patrocínio do Instituto Cultural Vale, e realização das produtoras Olhares instituto cultural e Outra Margem.

Também compõe o corpo de consultores artísticos do !PULSA!, Romário Alves, artista visual e Lívia Conduru, produtora cultural, idealizadora da Bienal das Amazônias.  Para acompanhar o desenrolar da programação, conhecer os artistas envolvidos, acompanhem aqui pelo blog e também pelo perfil @pulsamovimento

(Holofote Virtual com colaboração da jornalista Railídia Carvalho)