10.11.11

Amazônia Doc entra na reta final para a premiação

O festival encerrará nesta sexta-feira, 11, com premiação dos curtas e longas consagrados pelo júri desta terceira edição. Aberto no último sábado, o evento vem exibindo a vasta produção de documentários e filmes de ficção realizada na Amazônia brasileira e internacional. Tudo com entrada franca.

Na Mostra Pan Amazônica desta quinta, 10, o festival exibe no Olympia, a partir das 17h, os filmes Juku (Mauricio Quiroga, Bolívia/Argentina, 2011, Doc, 18'), que retrata a vida de cerca de 10 mil trabalhadores da maior mina de estanho da Bolívia. Em seguida, entra na tela Nochebuena (Camila Loboguerrero, Colômbia, 2008, ficção, 84'), comédia que conta a história de uma família bem estranha no dia de Natal. 

A mãe vive de aparências e quer casar o filho mais novo com uma viúva ricaça. Este investe em bolsas de valores e tem um amor proibido. O irmão mais velho é comilão, não liga muito para higiene e é casado com a filha de um poderoso “coronel” local. 

De acordo com a crítica “a história é interessante, mas é prejudicada por seu visual de telenovela, que mantém o público distante de mais de tudo que acontece na tela. Mas embora não se preocupe com um desenvolvimento maior dos personagens, o roteiro tem uma estrutura correta e consegue prender a atenção do espectador” (Cecília Barroso). 

No Sesc Boulevard, a Mostra Bruno Assis de jovens Realizadores, também às 17h, exibe a Mostra Cabocão, com 60 curtas de 1' e 30 curtas de 4', entre documentários e ficções, resultantes de oficinas de audiovisual realizadas no estado do Amazonas. 

"A Tribo que se esconde do homem" (Mostra Adrian Cowell)
Na Mostra Competitiva, no Cine Olympia, a partir das 19h, serão mostrados os curtas “Sucumbios, Terra sem Mal” (Arturo Hortas, Espanha, 2011, Doc, 30') e média “Sem ti Contigo” (Tuki Jencquel, Venezuela, 2010, Doc, 43') e o longa “Trópico da Saudade” (Marcelo Flores, Brasil, 2009, Doc, 72'). 

No mesmo horário, no Cine Líbero Luxardo, tem a Mostra Tributo a Adrian Cowell, com os filmes “A Tribo que se esconde do homem” (66', 1967-69) e “Uma Dádiva para a Floresta” (25', 2000). 

SEXTA-FEIRA, 11/11/11

Cine Olympia
17h - Bate Papao - "Os novos caminhos do audiovisual brasileiro - da retomada ao novíssimo cinema”, com o jornalista e crítico de cinema Rodrigo Fonseca (RJ). 
18h - Lançamento do livro “Como era triste a chinesa de Godard”, de Rodrigo Fonseca. 
19h -  Sessão de encerramento 
Qual Queijo Você Quer? (Cíntia Domit Bittar, Brasil, 2011, Ficção, 11'15'')
As Hiper Mulheres (Carlos Fausto, Leonardo Sette, Takumã Kuikuro, Brasil, 2011, Doc, 80') 

Líbero Luxardo
17h - Mostra Tributo a Adrian Cowell
As Queimadas da Amazônia (45', 2002) 
Barrados e Condenados (25', 2000) 
Batida na Floresta (59', 2004-5) 
O Sonho do Chico (25',2003)

A Árvore da Vida em cartaz no OI Cine Estação

O filme vencedor da Palma de Ouro de Melhor Filme na última edição do Festival de Cannes "A Árvore da Vida", de Terrence Malick, volta a entrar em cartaz em Belém, desta vez no cinema da estação das Docas.  No elenco, Brad Pitt, Sean Penn e Jessica Chastain.

Considerado por especialistas como um dos grandes lançamentos do ano, "A Árvore da Vida" possui o estilo contemplativo, épico e deliberadamente autoral que marca a produção de filmes de Terrence Malick. Um deleite emocional e visual que faz a diferença. O filme mostra as origens e o significado da vida através dos olhos de uma família na década de 1950, no Texas, tendo temas surrealistas, imagens atráves do espaço e o nascimento da vida na Terra. 

O projeto começou a ser elaborado no final dos anos 70, quando Malick dirigiu ‘Cinzas no Paraíso’, mas só foi desenvolvido décadas depois, depois de ter sido adiado várias vezes. "A Árvore da Vida" abre com uma citação do Livro de Jó, quando Deus pergunta: "Onde estavas tu, quando eu fundava a terra? ... Quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus jubilavam?"

O filme corta para uma dramatização da formação do universo. Enquanto as galáxias se expandem e os planetas se formam, a voz de Jack (Sean Penn) pode ser ouvida perguntando várias questões existênciais. Tais questões e observações são expressas por outros membros da família, como também seu eu mais jovem. Uma luz misteriosa e vacilante, que lembra uma chama, emerge. No recém formado planeta Terra, vulcões entram em erupção e micróbios se formam. 

O Sr. O'Brien (Brad Pitt) luta para equilibrar seu sentimento de dever paternal com o grande amor que ele têm pelos filhos. 

Ele é severo e autoritário, ao mesmo tempo afetuoso e carinhoso, e lamenta não ter se tornado um grande músico. Ele arquiva patentes para várias invenções, porém não consegue criar um empreendimento duradorou. Em certo ponto, ele faz uma viagem ao redor do mundo tentando vender suas invenções. 

Em contraste, a Sra. O'Brien (Jessica Chastain) é infantil e compreensiva, tendo uma atitude mais permissiva com seus filhos. Enquanto o marido está fora, os meninos desfrutam de acesso irrestrito a sua mãe, e o adolescente Jack passa pelas primeiras dores da rebeldia, comete atos de vandalismo, abuso animal, e mais tarde invade a casa de uma vizinha e rouba uma peça de roupa. 

A Sra O'Brien recebe um telegrama informando sobre a morte de seu filho aos 19 anos de idade. O Sr. O'Brien é notificado pelo telefone. A família é jogada em um mundo de dor enquanto eles tentam lidar com a situação. Em outro ponto do filme, Jack O'Brien (Sean Pean) está à deriva em sua vida moderna como arquiteto. Em uma conversa ao telefone com seu pai, confessa pensar sobre seu irmão falecido todos os dias. Quando ele vê uma árvore sendo plantada em frente a um prédio, ele começa a reminiscência central do filme. 

O supervisor de efeitos especiais, Douglas Trumbull, usou uma grande variedade de materiais para criar as sequências mostrando o universo: produtos químicos, pinturas, corantes fluorecentes, fumaça, líquidos, CO2, chamas, pratos giratórios, fluídos dinâmicos, luzes e fotografia em alta velocidade. 

Procedimentos usualmente identificados em clips e produções experimentais de artistas visuais, como jogar leite através de um funil em uma calha estreita e filmá-lo com uma câmera de alta velocidade e lentes dobradas, iluminando-o com cuidado e usando uma taxa de quadros para garantir o efeito cósmico, galático, proposto pelo roteiro. 
 
Serviço
A Árvore da Vida De Terrence Malick. Com Brad Pitt, Sean Penn e Jessica Chastain. 14 anos. 138 min. Dias e horários Quarta-feira (9), às 18h e 20h30 Quinta-feira (10), às 18h e 20h30 Domingo (13), às 10h, 18h e 20h30 Quarta-feira (16), às 18h e 20h30 Quinta-feira (17), às 18h e 20h30 Ingressos: R$ 7,00 (inteira) R$ 3,50 (meia). Realização OS Pará 2000, Secult e Governo do Pará. Patrocínio OI.

9.11.11

Cia. Atores Contemporâneos celebra 20 anos

Duas décadas de grandes amores e paixões. A companhia Atores Contemporâneos comemora vinte anos de Teatro do Movimento, estreando um novo espetáculo “Quando a gente mora no outro”, dia 11 no IAP, onde ficará em cartaz até dia 27 para brindar, com o público, a vida deste fazer teatral. 

Idealizada por Miguel Santa Brígida, a dramaturgia corporal vivenciada pela companhia explora os limites da emoção dentro de uma dança-teatro e abre diálogo com sentimentos, alegrias e vivências.  O novo trabalho descortina estes temas, sempre recorrentes na trajetória do grupo, e vislumbra o que há por vir nos próximos vinte anos. 

O espetáculo integra parte das pesquisas destes atores e de seu diretor, que durante todos estes anos vêm apresentando à cena brasileira-paraense, um emaranhado de emoções diversas e pulsantes. Talvez morar com o outro seja a forma mais eficaz de vivenciar e conhecer profundamente outra pessoa até morarmos nela, em seus vícios e virtudes. Com a companhia não foi diferente. 

Ao longo deste tempo, morar no outro os fez descobrir sua linguagem e gramática corporal. No alto destes vinte anos, descortinar a paixão e o amor nesta morada foi a melhor forma de traduzir o que o tempo acarretou a estes atores contemporâneos. 

A dramaturgia do corpo, princípio da companhia, leva o público a encarar de frente a relação com o outro neste espetáculo. É acima de tudo uma proposta intimista, onde se revelam relações amorosas, conflituosas e afetuosas; onde morar no outro é mais que conviver, expandir. Dentro deste contexto, a companhia também se desnuda perante seu público, e assume sem nenhum pudor o que é e o que deseja para seu futuro. E de certeza, só que continuarão morando em outros. 

Comemorar vinte anos desde a estréia de “O grito do trem noturno”, de 1991, é ver que muita coisa mudou nas pesquisas, mas o amor com que se faz teatro na companhia continua intacto. Quatorze espetáculos, a bifurcação com a Companhia Brasileira de Cortejos, diversos prêmios, a manutenção do Teatro da Companhia por sete anos (1995-2001) e a experiência internacional fez com que este grupo seja reconhecido enquanto companhia atuante e importante no cenário nacional. 

A intenção deste espetáculo é também morar mais uma vez no público paraense, que durante estes vinte anos se mostrou incrivelmente receptivo. É reafirmar o amor de morar no Teatro do Movimento. É celebrar a moradia uns nos outros. É se fazer morada. Serviço “Quando a gente mora no outro”, espetáculo em comemoração aos 20 anos da Cia. Atores Contemporâneos. 

Ficha Técnica 

  • Elenco: Aninha Moraes, Cei Mello, Eric Nascimento, Leandro Oliveira, Márcia Pontes, Mauro Santos, Patrícia Passos, Roger Paes, Rubens Santa Brígida, Sônia Santos.
  • Criação, roteiro, e encenação: Miguel Santa Brígida
  • Co-direção: Roger Paes 
  • Pesquisa Musical: Carol Pabiq, Allan Carvalho e Miguel Santa Brígida 
  • Consultoria musical e Edição de trilha: Raphael Costa 
  • Assistência de direção e Operação de sonoplastia: Wanderlan Amaral 
  • Desenhos de luz: Tarik Souza
  • Concepção cenográfica: Miguel Santa Brígida
  • Concepção de adereços: Rodolfo Gomes 
  • Figurinos: Glória Moraes Visagismo: Claudio Dídima 
  • Assistente de visagismo: Rodolfo Gomes 
  • Fotos: Phelipe Medeiros 
  • Divulgação: Leandro Oliveira e Roger Paes 
  • Teatro do Movimento e Direção Geral: Miguel Santa Brígida 
Serviço
De 11 a 27 de novembro (sextas, sábados e domingos), sextas e sábados às 21h00 e domingos às 20h00 , no IAP (Praça Justo Chermont, 236 – Nazaré, ao lado da Basílica). R$20 (meia entrada para estudantes). Informações: 8292-8567, 8813-4365, 9941-3999.

(Texto: Leandro Oliveira/Edição: Holofote Virtual).

Transcodificações Urbanas na Theodoro Braga

Depois de passar pelo Cine Olympia, aber-se nova oportunidade para ver a exposição Transcodificações Urbanas: uma ressignificação dos monumentos de Belém, contemplada com o Prêmio Proex de Arte e Cultura da Universidade Federal do Pará (UFPA). Na Galeria Teodoro Braga. 

Montada inicialmente no Espaço Cultural Cinema Olympia, em outubro passado, a exposição traz criações de uma nova geração de artistas paraenses, concluintes do curso de Artes Visuais da UFPA, convidados a fazerem uma releitura de um conjunto de monumentos, indo além dos seus códigos fundadores. 

O Monumento ao Índio, localizado na Praça Brasil, por exemplo, inspirou a artista visual Marta Cosmos a criar uma obra chamada de “Arapuca”, um tabuleiro de Xadrez interativo de 3 por 3 metros, com 24 peças de até 1,80 metro de altura, feitas pelo processo de papietagem, com talas de buriti e materiais recicláveis (garrafas pet e jornais). 

A ausência das outras peças deixa lugar para que os visitantes possam entrar, literalmente, no jogo e representar qualquer papel. As peças são iguais e usam adereços característicos de cada personalidade do jogo. Assim, o visitante que quiser jogar pode ocupar o espaço que desejar, desde o lugar do peão ou do guerreiro, até o do rei ou do cacique. Além disso, ele pode mudar a posição das máscaras e descobrir o que há por trás delas , ou ainda transformar até mesmo um bispo em monstro. Como explica Marta, todo cuidado é pouco. “Afinal, você está num tabuleiro, num grande jogo... Vigilância e prudência: caminhos para o xeque-mate”, explica. 

Ressignificar - Os visitantes também vão poder conhecer de perto as ressignificações dos monumentos à República, a José da Gama Malcher, a General Gurjão, a Frei Caetano Brandão, a Lauro Sodré e de obras como o Chafariz das Sereias, Praça do Relógio e Pavilhão Harmônico Primeiro de Dezembro. 

A idéia da exposição nasceu após a disciplina Estágio Supervisionado, no final de 2010, quando os estudantes de Artes Visuais de 2008 saíram em busca de informações sobre a arte pública na capital paraense, assim definida por se encontrar em espaços de grande circulação, que pertencem às ruas e às praças, modificando as paisagens urbanas de forma permanente ou temporária. .

Foram aos acervos do Arquivo Público do Pará, Biblioteca do Museu da UFPA, Departamento do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural do Estado do Pará, Fundação Municipal Cultural de Belém, Biblioteca Arthur Vianna e nos arquivos da Provincial Presidential Reports (http://www.crl.edu/pt-br/brazil/provincial/).

O site www.monumentosdebelem.ufpa.br traz parte do resultado desse levantamento que reúne uma série de informações, como a história das encomendas, as representações, preços e materiais utilizados, envolvendo os nove monumentos de Belém.

Foram alvo da disciplina: Chafariz das Sereias, na Praça da República; Monumento ao índio, na Praça Santos Dumont; Monumento ao Frei Caetano Brandão, na Cidade Velha; Monumento ao médico Gama Malcher, na Cidade Velha; Monumento ao General Gurjão, na Praça D. Pedro II, no bairro do Comércio; Monumento a Lauro Sodré, no complexo de São Brás; Pavilhão Harmônico 1º de Dezembro, na Praça Batista Campos; Monumento Relógio de Ferro, na Praça Siqueira Campos, no bairro do Comércio; e Monumento à República, na Praça da República. 

Memórias - Supervisora da disciplina Estágio Supervisionado da turma de 2008 de Artes Visuais, a professora Ana Cláudia Melo detalha que o trabalho de catalogação partiu do princípio de que os monumentos trazem consigo memórias, valores políticos, celebrações de temas e personagens ligados às estruturas de poder e à própria história do Estado e do País. 

Entretanto, com o crescente processo de urbanização das cidades, a intervenção nesses monumentos transgride os seus códigos fundadores. “Isso porque, como sugere o sociólogo Nestor Canclini, os monumentos, ao contrário das obras nos museus, estão abertos às dinâmicas urbanas que facilitam que a memória interaja com as mudanças, seja por meio das placas de propaganda, das pichações ou manifestações e protestos”, comenta. 

Com este trabalho, a professora diz que mais do que um estágio profissionalizante, os discentes puderam refletir sobre o que todos esses monumentos representaram e representam na contemporaneidade, e, ao mesmo tempo, agora constroem e compartilham conhecimento com a sociedade.

Exposição - A professora Carmen Silva, que divide a coordenação do projeto com a professora Ana Cláudia Melo, explica que, para montar a exposição, os discentes articularam diversas linguagens artísticas tendo como tema os nove monumentos pesquisados durante o programa de atividades da disciplina Estágio Supervisionado. 

“Nosso objetivo com este trabalho é, a partir da ressignificação, primeiro convidar a sociedade a pensar acerca do significado da Arte Pública e, ao mesmo tempo, contribuir com a preservação da memória artística dos monumentos de Belém”, afirma. 

Outro aspecto que a professora Carmen ressalta é que a Exposição Transcodificações Urbanas demonstra que os monumentos de Belém, mesmo em bronze e mármore, podem até resistir ao tempo, mas não à forma de vê-los. 

“Sabemos que os monumentos já foram um meio de comunicação em uma sociedade com altos índices de analfabetismo, sabemos que os monumentos podem até ser uma teatralização do poder de uma época altamente oligárquica, porém mais do que isso eles carregam consigo as poéticas e estéticas de tempos que não param de se encontrar”, avalia.

Fazem parte da exposição Transcodificações Urbanas os discentes: Abigail Silva, Adriele Silva da Silva, Alana Braun, Ana Paula Souza, Carla Marron, Cinthya Marques, Denildo Neves, Evila Nascimento, Heskethi Barbosa, Indira Fernandes, Isley Martins, Lia Mota, Lucilainy Sampaio, Márcia Cristina Pinto, Marta Cosmo, Monik Silva, Norberto Marques, Ocione Garçon, Rafaela Barros, Renata Ferro, Rubinaldo Silva Junior, Tayanne Cid, Toky Popytek e Yasmine da Mata. 

Serviço
A abertura da exposição acontece nesta quarta-feira, 09, às 19h, e a visitação pode ser feita até o dia 30 de novembro, das 9 às 19 horas, de segunda a sexta-feira. A exposição também integra a programação da 14ª Jornada de Extensão Acadêmica da UFPA e da Semana do Patrimônio do Pará.

Paka-Tatu lança livro com leituras do Vestibular

Dois contos de Marques de Carvalho estão entre os lançamentos literários da editora Paka-Tatu. Os contos paraenses ”Que bom marido!” e “Desilusão” integram as leituras recomendadas do vestibular da UFPA e foram reunidos em um livro de 70 páginas, que traz o trabalho de pesquisa do Mestre em Estudos Literários Paulo Maués Corrêa. A obra resgata a importância e contribuição de Carvalho para a literatura brasileira, além de apresentar comentários e notas explicativas sobre os textos produzidos no século XIX. 

“Marques de Carvalho é um autor relevante, pois foi um intelectual atuante em seu tempo, participando de grupos de literatos, como a famosa Mina Literária. Literariamente falando, ele produziu obras que dialogaram com a produção sua contemporânea, da Escola Naturalista, o que é reforçado em meu livro pelos diversos contrapontos que efetuo ao longo das análises, especialmente com a obra do também paraense Inglês de Sousa e de Aluísio Azevedo", explica Maués Corrêa. 

Com prefácio de Paulo Nunes, doutor em Literatura de Língua Portuguesa, o livro “Leitura de dois Contos Paraenses de Marques de Carvalho” começou a ser desenvolvido por Maués em abril de 2011. O trabalho envolveu a compilação dos contos, atualização ortográfica e elaboração de ensaios analíticos e interpretativos dos textos. Para ter acesso ao original de “Contos Paraenses”, Paulo Maués contou com a colaboração do Museu da UFPA, através da equipe responsável pelo acervo do professor Vicente Salles.

Os Contos registram um período significativo da Belém do século XIX e apresentam um recorte bem construído da cidade do período. “Otto Maria Carpeaux assegura que, para conhecermos profundamente uma nação, devemos nos voltar para a literatura produzida por ela. Nesse sentido, Marques de Carvalho é um exemplo ilustrativo, pois encontramos, em sua obra, uma Belém localizada num tempo específico. Aliás, ele é o introdutor do cenário urbano de Belém na Literatura, conforme já havia ressaltado o Professor Eidorfe Moreira”, destaca. Com poucas edições disponíveis, Marques de Carvalho é praticamente um desconhecido do público leitor. 

Até pouco tempo, o único livro que se poderia encontrar no mercado é o romance “Hortência”, segundo Paulo, trata-se do primeiro romance urbano de Belém. “É que antes predominava o discurso em torno do interior. Por exemplo, na obra de Inglês de Sousa, temos cenas da vida do Amazonas [o rio, não o Estado], Belém é somente citada por alto, não havendo uma entrada na cidade, o que só acontece em ‘Hortência’, de 1888. O ‘Contos Paraenses’ é de 1889”, conta.

O título editado pela Paka-Tatu ressurge no mercado literário como uma nova possibilidade de tornar Marques um autor mais conhecido pelo público. Pensado especialmente para alunos e professores que precisam utilizar o material sobre Marques para o vestibular. Uma experiência que Paulo Maués repete com a Paka-Tatu. 

“Em 2005, também a convite da Editora Paka-Tatu, preparei os ‘Contos Selecionados de Inglês de Sousa: Voluntário, Acauã e A Quadrilha de Jacó Patacho’, textos indicados para o vestibular naquela oportunidade”, recorda.

O projeto ganhou desdobramentos e foi parar na internet, no portal interativo da Paka-Tatu. Nele, o leitor pode conferir comentários, exercícios, vídeos e áudios sobre os contos, além de espaço para sugestões dos internautas. O projeto teve apoio da Universidade Federal do Pará, Museu da UFPA e Universidade Estácio/FAP. 

“Fizemos reuniões e definimos o que seria feito para colocarmos no portal. Os exercícios e a possibilidade de sugestões dos leitores são um diferencial. A versão em áudio dos contos de Marques de Carvalho é trabalho profissional, elaborado pela equipe da Estácio-FAP, com destaque para a locução de Ramayana Pena. Até onde tenho conhecimento, é o primeiro livro com interface de interatividade já publicado no Pará, e espero que isso seja um diferencial no mercado de livros”, confia. 

Serviço
O livro custa R$ 15 e pode ser adquirido nas principais livrarias de Belém e na loja da Paka-Tatu, na travessa 14 de março, esquina com a rua Oliveira Belo, bairro do Umarizal.

8.11.11

Violoncelistas da Amazônia no Globo Repórter

Uma equipe do Globo Repórter, da Rede Globo chega em Belém no próximo dia 11 para gravar o concerto que a Orquestra de Violoncelistas da Amazônia. A produção do programa fica por aqui até domingo, acompanhando o dia-a-dia de alguns dos músicos mais jovens da Orquestra.

O programa irá ao ar no dia 23 de dezembro. O concerto será realizado durante o intervalo da 9ª Mostra de Intérpretes da UFPA, no momento em que os jurados estiverem avaliando a performance dos concorrentes. 

A Mostra inicia às 19h, no Ginásio de Esportes, localizado no 2º portão da UFPA, com entrada franca. Participam do show as cantoras Joelma Klaudia e Gabi Florenzano (vocalista da banda Álibi de Orfeu), interpretando, respectivamente, "Back to Black" (Amy Winehouse) e "Fears of the Doors" (Iron Maiden).

Joelma Klaudia, que interpreta músicas em inglês é natural de Altamira e atua em Belém desde 2003. Lançou em 2006 o CD Dias Assim. Para o início de 2012, planeja o lançamento de seu primeiro DVD, gravado no ano passado, e a gravação do segundo CD. Desde agosto, tem participado dos concertos da Orquestra de Violoncelistas da Amazônia, cujo regente, o maestro Áureo de Freitas, não lhe poupa elogios. 

O público de Belém pode ouvir Joelma às terças no show Janis e Outros Rocks no Old School Rock Bar e às sextas com repertório pop dos anos 80 e 90 no Bar Veneza. Na quinta, 10 de novembro, ela se apresenta também no Marujos Bar da Estação das Docas, a partir das 22h.

6.11.11

Guitarrada de Mestre Vieira no Sesc Pelourinho

Mestre Vieira (fotos:  Renato Reis)
Mestre Vieira está em Salvador, onde mostrará, esta noite, sua guitarrada. O show vai acontecer no Sesc Pelourinho, no palco instrumental do Conexão Vivo Bahia.  Acompanhado dos músicos Pio Lobato (guitarra base), Vovô (bateria), Breno (baixo) e Bila (percussão), ele mandará sucessos como "Lambada Jamaicana" e “Lambada do Rei”.

“Minha guitarra é viva”, afirmou o músico ao falar de sua paixão pelo instrumento que aprendeu a tocar sozinho. Ao completar 77 anos, no último dia 29 de outubro, ele relembrou que já se interessava por música desde os cinco anos de idade.

“O primeiro instrumento que aprendi a tocar, e também sozinho, foi o bandolim, porque meu pai era português e dizia que a única música que prestava era o Fado”. Desde, então, a música sempre esteve presente em sua vida. Nas décadas de 70 e 80 experimentou grande sucesso, vendendo milhares de LP’s e sendo um dos mais tocados nas rádios do país. 

Ensaio no Casarão Floresta Sonora
A apresentação desta noite será gravada e irá compor o documentário que está sendo produzido sobre sua trajetória. Com o patrocínio do Programa Conexão Vivo, através da Lei de Incentivo à Cultura do Pará – Semear, o Projeto intitulado Mestre Vieira – 50 Anos de Guitarrada também prevê também a gravação de um DVD.

A programação deste domingo em Salvador conta ainda com mais um grupo paraense. O Zarabatana Jazz convida Dayse Addario  e Claudia Cunha e abrem a noite. Logo em seguida entra no palco Mestre Vieira, seguido de Buguinha Dub (PE) e encerrando a festa instrumental, chega Carlos Malta e Pife Muderno (RJ).

Se Rasgum - No dia 20 de novembro, mais uma grande surpresa. Mestre Vieira fará uma apresentação especial em Belém, dentro da programação do Festival Se Rasgun, no Hangar Centro de Convenções. Em companhia de músicos que fizeram parte das primeiras formações do grupo Vieira e Seu Conjunto, ele resgatará músicas cantadas com letras que compôs entre os anos 70 e 80. 

Entre os grandes sucessos que rodaram nas rádios estão no repertório “Lambada da Baleia”, que fala sobre o caso inusitado de uma baleia que encalhou na orla de Barcarena, em 74, e “Melô do Bode”, guitarrada que virou hit no nordeste no início da década de 80. É aguardar para conferir.

5.11.11

Paraenses ilustram quadrinho sobre Descobrimento do Brasil

A ideia de um empresário paulista em fazer um filme para comemorar os 500 anos de descobrimento do Brasil não deu certo. O projeto, que ficou na gaveta algum tempo, agora resulta em um álbum em quadrinho que será lançado nesta segunda, 07 de novembro, em São Paulo. As ilustrações são de dois paraenses Andrei Miralha e Otoniel Oliveira. 

"Brasil 1500 - Segredo de Estado" será o primeiro de três volumes que serão lançados pela Devir. Neste, o quadrinho mostra as aventuras e desventuras de Gonçalo, um contador de histórias, que por salvar a vida do mapista da corte de Dom Manoel I, acaba vindo na esquadra de Cabral rumo ao descobrimento do Brasil até a posterior viagem às Índias, antes de retornarem a Portugal. 

“A série é marcada por espionagens, grandes batalhas e pelo romance de Gonçalo com Jandaíra, além de contar com personagens históricos com Pedro Alvares Cabral, Vasco da Gama, Pero Vaz de Caminha, dentre outros”, revela Andrei.

Idealizado em 1992, pelo empresário Fábio Fonseca, um apaixonado por história. De acordo com Andrei Miralha, ele teve a ideia de fazer um filme para comemorar os 500 anos de descobrimento do Brasil e chegou até a alugar um escritório na Warner para produzir o filme.

“Mas devido as muitas dificuldades em captar toda a verba para o que seria uma grande produção com viagens em alto mar, palácios, caravelas e grande elenco, ele acabou retornando ao Brasil e resolveu transformar aquele roteiro em histórias em quadrinhos, depois que viu uma matéria sobre o álbum de quadrinhos Galvez, O Imperador do Acre (produzido em 1999 e lançado em 2004) do quadrinhista paraense Miguel Imbiriba, em que trabalhei como ilustrador assistente”, conta Andrei.

Miralha e Otoniel partem neste sábado de Belém. Vão participar da festa de lançamento do quadrinho “Brasil 1500 – Segredo de Estado”, que acontecerá nesta segunda-feira, 07, no Edifício Sede da FIESP, na Av. Paulista, às 19h. O lançamento em Belém ainda não tem data marcada. .

Animação - Andrei Miralha faz parte da boa safra da animação paraense. 

Este ano, além deste projeto em quadrinhos, Andrei lançou um DVD com dois curtas.

“Admirimiriti” (2005 – IAP), que foi exibido na França dentro de uma Mostra Latina Americana de animação, e “Nossa Senhora dos Miritis” (2010 – Lei Rouanet – Banco da Amazônia). Além deles, o DVD traz um documentário sobre os brinquedos de miritis produzidos na cidade de Abaetetuba, no interior do Pará, símbolos da maior festa religiosa do país, o Círio de Nazaré. 

Andrei também é autor de Muragens (2008 – IAP), que chegou a ser selecionado para a Mostra Competitiva do Anima Mundi em 2009 e, mesmo não ganhando prêmio foi convidado pela curadoria do festival para fazer parte de uma mostra de curtas premiados do Anima Mundi em Portugal. “Uma honra”, reflete Miralha. 

Trabalhando atualmente na parte de animação do curta “Quem vai levar Mariazinha para Passear” (Prêmio Curta Criança – Minc – Dir. André Mardock e Roteiro: Ester Sá) o animador, que também vem da área de arquitetura, diz que esta tem sido uma experiência prazerosa e que difere das outras já executadas por ele em 2 e 3 D. 

O projeto mexe com ação direta e animação de recortes de papel (Maurício Franco), onde os pedacinhos formam os bonecos que, sem esqueleto por dentro do personagem, são animados em ambiente tridimensional. NO ano que vem, a produção será veiculada nacionalmente pela TV Brasil.

4.11.11

Três vezes Adriano Barroso no Amazônia Doc

O Amazônia Doc inicia amanhã, no cine Olympia, com uma enxurrada de documentários, curtas e longas de ficção. Na abertura, será mostrado o inédito “Eu Receberia as Piores Notícias de seus Lindos Lábios”, longa metragem de Beto Brant, rodado na Amazônia. No elenco, atores paraenses, destacando-se Adriano Barroso que desponta em mais dois curtas que fazem parte da programação competitiva “Ribeirinhos do Asfalto” e “Matinta”. 

Pelo terceiro ano consecutivo, o Amazônia Doc traz para Belém o melhor em matéria de documentários feitos na Amazônia, seja ela brasileira ou internacional. Desde o ano passado, porém, o evento vem abrindo espaço também às produções de ficção, sem perder seu foco principal. 

Um dos momentos aguardados na abertura é a exibição do longa do cineasta paulista. Beto Brant filmou em 2010, em Santarém, reunindo no elenco principal Camila Pitanga (Lavinia) e os atores Gustavo Machado e Zé Carlos Machado. Juntos eles formam o triângulo amoroso que tenciona a história. 

O filme é uma adaptação cinematográfica do romance homônimo do escritor Marçal Aquino, publicado em 2005 pela Cia. das Letras. Mais uma vez, a parceria entre Beto e Marçal, promete. Já funcionou em “Os Matadores”, “Ação Entre Amigos” e “O Invasor”. Desta vez, o pano de fundo é um Brasil perfeito para uma história de paixão desesperada.

Nesse cenário, o romance entre o fotógrafo Cauby e a instável Lavínia, mulher fascinante de dupla personalidade (casada com o líder religioso local), é um gesto de delicadeza insuportável em meio à brutalidade e à cobiça. 

Com Dira em "Ribeirinhos"
O ator paraense Adriano Barroso, que também fez parte do elenco está em Recife filmando um novo trabalho. Em contato com o Holofote Virtual, ele disse que chega em Belém neste sábado, 05, especialmente para participar da abertura do Amazônia Doc.

Além do longa de Beto, Adriano também anda figurando no Amazônia Doc, assim como em outros festivais brasileiros através das exibições dos curtas “Matinta”, de Fernando Segtowick e “Ribeirinhos do Asfalto”, de Jorane Castro, premiados em festivais como o de Brasília e Gramado, respectivamente. Em ambos ele contracena com a atriz Dira Paes. 

“Estou em um momento bom da carreira de cinema. Tenho outros convites para o ano que vem, muito em consequência de meus últimos trabalhos em Matinta. Ribeirinhos e agora o Eu receberia...”, conta Adriano que também já recebeu convite para fazer uma série da Globo em 2012. 

“Aprendi muito com essa experiência com o Beto Brant, até porque foi uma reunião de artistas que deu frutos como o Aldeotas por exemplo”, diz ele referindo-se ao contato que teve com o poeta , ator e dramaturgo Genro Camilo, que também esta no elenco do longa, e é autor do texto Aldeotas – Lugar de Memória, montado pelo Grupo Gruta, este ano, em Belém, encenado por Adriano e Ailson Braga, com direção de Henrique da Paz. Sem dúvida um dos melhores espetáculos mostrados este ano por aqui. 

Em Recife, Adriano está fazendo “Periscópio”, do diretor Marcelo Costa, filme que conta a história de uma vila de pescadores que tem sua rotina modificada quando aparece na praia um sobrevivente de um desastre aéreo e que perdeu a memória. 

E em ""Matinta"
“Além disso, ele não fala a língua dos habitantes da ilha”, conta Adriano que faz parte do elenco principal junto aos atores Carlos Ramiro, de Porto Alegre e Brenda Ligia, de Recife. 

Amazônia Doc - O festival traz sete dias de programação inteiramente gratuita, voltada a todos os públicos. Será uma semana de Mostras Competitivas, Mostras Paralelas, Conferências, Debates e Oficinas. 

O festival contempla a exibição e premiação dos gêneros documentário e ficção produzidos nas diversas Amazônias, aprofundando as questões sociopolíticas e de fomento relativas ao audiovisual. 

Na Mostra Competitiva, os melhores filmes de curta, média e longa-metragens nacionais e internacionais disputarão os prêmios de Melhor Longa e Melhor Curta Documentário e Melhor Longa e Melhor Curta de Ficção, Melhor Direção, Melhor Roteiro e Melhor Filme, eleito pelo voto popular. Saiba de toda a programação do Amazônia Doc, aqui. 

Serviço
Abertura do Amazônia Doc. Neste sábado, 05, às 19h30, no Cine Olympia - Pres. Vargas. Exibição dos filmes "Um Outro Ensaio", curta de Natara Ney, e do longa "Eu Receberia as Piores Notícias de seus Lindos Lábios", de Beto Brant. "Ribieirnhos do Asfalto" será exibido no dia 07 e Matinta"', no dia 9 de novembro, dentro da Mostra Competitiva de Curta Metragem. Entrada franca.

"Velas na Tapera" ganha versão em e-book

Escrito por Carlos Correia Santos, o romance tem como pano de fundo o polêmico projeto que a Cia. Ford desenvolveu em plena Amazônia nos anos 20. O livro já premiado em 2008 com o Prêmio Dalcídio Jurandir, promovido pela Fundação Tancredo Neves (FCPTN), também está à disposição de leitores da França, Alemanha e Reino Unido. 

A literatura produzida na Amazônia chega ao suporte virtual de modo pioneiro. A versão sai em e-book publicada pela Pubon Soluções Editoriais. Já lançado em Lisboa, no início deste ano, o e-book está disponível na Amazon francesa, alemã e do Reino Unido.

“Velas da Tapera” também foi autografado por Correia na capital lusitana no dia 06 de junho em um recital lítero-musical promovido pela FNAC Chiado, com apoio da Embaixada do Brasil em Portugal e produção de Fercy Nery e Rita Pestana, representantes na Europa do escritor brasileiro.

O evento contou com mostra de música a cargo de Fercy Nery (na voz e violão) e Attila Argay (na bateria). A programação incluiu ainda um bate-papo com o autor. O livro também integrou uma ação de fomento à leitura promovida pela ONG lisboeta EpDAH e foi enviado a leitores do Timor Leste. 

Resultado de seis anos de pesquisa, “Velas na Tapera” tem como pano de fundo a colossal história de Fordlândia, núcleo urbano erguido pela Cia Ford nos anos 20, em plena selva amazônica, para produção de látex destinado à fabricação de pneus que seriam utilizados pela poderosa empresa automobilística.

O projeto acabou abandonado depois que a plantação de seringueiras foi atacada por uma praga. É pelo cenário da abandonada cidade americana, em meio ao ermo da mata, que transitam os personagens da narrativa. Em especial, Rita Flor, que nesta história perde sua filha de seis anos após um misterioso incêndio em sua tapera.

Lançado em Portugal
Ela acredita que sua menina virou uma milagreira e decide construir uma capela em sua homenagem. A jovem não tem dinheiro para cumprir seu intento. O único caminho que lhe resta é prostituir-se. O sagrado e o profano deitam-se na mesma cama. Em meio ao vazio e ao desencanto que transformam Forlândia numa vila fantasmagórica, Rita vende seu corpo para santificar a filha. 

A obra tem prefácio assinado pelo romancista José Louzeiro (autor de clássicos da literatura brasileira, como Pixote e Lúcio Flávio – O Passageiro da Agonia) e orelha assinada por Olga Savary (uma das mais importantes poetas brasileiras, considerada a introdutora do haicai nas letras nacionais). 

“Sinto que é uma honra em todos os sentidos poder ver meu livro lançado em Portugal, encaminhado ao Timor Leste e agora transformado em e-book distribuído em lojas virtuais na França, Alemanha e Reino Unido. Primeiro porque consigo provar que, mesmo sem a cobertura de mercado de uma grande editora, é possível fazer circular a produção literária”, ressalta o  autor. 

E ele complementa: “Essa possibilidade de intercâmbio também é sempre fascinante. Para quem cria narrativas em língua portuguesa é uma experiência emocionante poder levar seus ditos não apenas ao país berço do idioma com o qual labuta como a diversos outros lugares do mundo”. 

Em breve, o trabalho de Correia também chegará à África. Em 2009, o romancista e dramaturgo venceu o concurso Literatura para Todos, promovido pelo Ministério da Educação do Brasil, com a peça infantil “Não Conte com o Número Um no Reino de Numesmópolis”. O trabalho está sendo editado numa coleção com tiragem de 300 mil exemplares que serão distribuídos em escolas brasileiras e africanas. 

Novo romance - Já na esteira dos êxitos de “Velas”, Carlos se prepara para divulgar outra de suas narrativas longas. Seu novo romance “Senhora de Todos os Passos”, foi um dos vencedores do Prêmio IAP de Edições Literárias 2011 (Prêmio Haroldo Maranhão). A obra será editada e lançada até o fim deste ano.

O livro conta a saga da ousada e espirituosa Maria Xavier, personagem inspirada na avó do autor. A trama faz um imenso passeio por episódios importantes da História nordestina e amazônica.

Do Recife dos anos 20, passando pelas ladeiras de Olinda na década de 50, até o barro da Transamazônica dos idos de 1970, seres fictícios e várias personalidades reais cruzam o infindável caminho de Maria Xavier. Correia transforma em personagens do livro figuras como Bajado, Catulo da Paixão Cearense, Irmã Dulce, Corisco, Dadá, Dulcina de Moraes e até Dorothy Stang. 

Esta é a terceira vez que Carlos ganha o Prêmio IAP. Em 2003, ele venceu a categoria dramaturgia com o texto da peça “Nu Nery” (cuja montagem já foi apresentada em várias cidades brasileiras, graças à Caravana Funarte Petrobras de Circulação Nacional). Em 2008, outra peça sua foi laureada: o texto “Batista”.

Capa original
O ano de 2011 tem sido produtivo para Correia. Além do recente prêmio do IAP, da edição em e-book de “Velas na Tapera” e de seu lançamento em Portugal, além de ter duas peças suas apresentadas com bastante êxito em São Paulo (“Perfídia Quase Perfeita” e “A Fábulas das Águas”, montadas pela Cia. Fé Cênica), Correia conquistou o segundo lugar geral da quarta edição do concorrido Seleção Brasil em Cena, edital de fomento à nova dramaturgia brasileira, promovido pelo Centro Cultural Banco do Brasil no Rio de Janeiro (CCBB). 

Ele foi o único autor da região Norte escolhido para o projeto. O certame selecionou também um escritor do Nordeste. Os demais foram das regiões sul e sudeste. 

A obra com que Carlos Correia foi destacado é o monólogo “Um é Multidão”. Foi a segunda vez que o paraense participou da iniciativa. Em 2007, o escritor também foi selecionado para o concurso justamente com sua comédia “Perfídia Quase Perfeita”.  Para adquirir o e-book de “Velas na Tapera”, clique aqui.