15.8.13

Cine itinerante ganha rios e estradas de Rondônia

O Festival de Artes Integradas - Festcineamazônia Itinerante vai até dia 25 de agosto, passando por cidades de Rondônia, no Brasil, e da Bolívia, encerrando em Pimenteiras. O repórter Ismael Machado, convidado do evento, há uma semana acompanha a itinerância, que segue por rios e estradas, com patrocínio BNDES, Governo Federal através da Lei Rouanet, Ministério da Cultura, Secretaria do Audiovisual, apoio cultural da Santo Antônio Energia, além de Parceria Institucional da Fundação Banco do Brasil. Abaixo, mais um texto da série que o jornalista está enviado ao Holofote Virtual. 



Surpresa recebe Festcineamazônia 

Por Isamel Machado 

Thiago dos Santos Flores abandonou por alguns momentos o barco Dourado, onde mora com a família. Aos nove anos o que o menino queria era entender o funcionamento da filmadora ali ao lado. Cercando o cineasta Ricardo de Almeida e o auxiliar Christyan Ritse, Thiago absorvia-se ao ver as imagens captadas. Menos de cem metros adiante, a imensa tela branca anunciava o que viria a seguir. 

O distrito de Surpresa, uma pequena comunidade ribeirinha de Rondônia, receberia a primeira noite da etapa de rio do Festival de Artes Integradas-Festcineamazonia. Era o dia 12 de agosto e a itinerância começara há apenas três dias. A equipe chegou ao distrito no final da manhã. Enquanto o major Lindoval Leal e a sargento Ana Gonzalez, do Corpo de Bombeiros de Porto Velho, iam a uma escola local dar uma palestra com instruções básicas de primeiros socorros, outro grupo fazia a divulgação do evento noturno. Leal e Ana Gonzalez acompanham o Festcineamazonia. 

No início da noite, todos começam a sentir os efeitos da presença intensa de mosquitos, os conhecidos carapanãs. Seria impraticável qualquer ação, não fosse a chegada de uma equipe local de borrifação, já que os mosquitos sequer se intimidam com os repelentes que lambuzam os corpos. Em maioria o público é formado por crianças. Muitas vêm da comunidade Sagarana, uma aldeia dos índios Uruari. Com 62 famílias, a comunidade fica distante apenas 15 km de Surpresa. 

Oh quanto riso, música e cinema

Na programação da noite, o cardápio é o mesmo dos dias anteriores. O cantor Bado faz a abertura, seguido pelo poeta português José Luís Peixoto. Para homenagear a grande quantidade de crianças, Bado cantou uma música infantil, chamada ‘Passarada’, que não estava originalmente no repertório programado por ele para a noite. 

O maior sucesso da noite, no entanto, é o palhaço argentino Martinez que, ao final, foi cercado por uma dezena de crianças e adolescentes que querem uma fotografia ou simplesmente um abraço de Martinez. A família do índio Maxin subiu na garupa da moto e se apertou para acompanhar a programação. A mãe Regina olhava sorridente para os filhos Michele, de seis anos e Walison, de três anos. Os dois queriam ver a atração circense. 

A expectativa na noite era a exibição do curta de ficção ‘O homem que matou Deus’. Produção francesa do diretor Noé e filmada no distrito de Surpresa e na aldeia dos Sagarana, o filme inseriu atores índios e moradores da comunidade como figurantes. 

A assistência de direção também foi local. “Foi uma boa experiência, mas ainda precisamos de mais apoio para filmar, mas sei que é uma porta que se abre”, disse Celso Suruéu, 21 anos, o assistente de direção. “O homem que matou Deus” foi selecionado para a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Além de ‘O homem que matou Deus’, ainda houve a exibição de curtas como a animação nordestina ‘Vida Maria’ e o paraense ‘Matinta’.

13.8.13

Corte Seco: um ensaio sobre a impermanência

“Uma mudança brusca no fluxo da imagem.” Essa é a definição de corte seco, termo da linguagem audiovisual usado para definir um tipo de passagem na montagem de cinema e vídeo, e que dá nome à mais recente série do fotógrafo paraense Alberto Bitar. A exposição abre nesta quarta-feira, 14, na sala Gratuliano Bibas, na Casa das Onze Janelas, onde fica à disposição do público até setembro. 

Crime, violência e morte. Foi nesse cenário que Alberto instalou seu tripé e levou a câmera para testemunhar as cenas que formam a exposição "Corte Seco", uma analogia ao fluxo da vida interrompido abruptamente pela violência diária que acomete vidas na grande Belém. 

A série nasceu depois de Alberto Bitar acompanhar por mais de um ano as rondas de reportagens policiais atrás de cenas de homicídio. E não foram poucas. Premiada com o Marc Ferrez 2012, a mostra é formada por imagens de crimes ocorridos nas noites da cidade e capturam a atmosfera deixada instantes após a violência urbana abandonar mais um corpo inerte no chão de terra batida ou do asfalto cor de chumbo. 

“Desde 2009 que eu trabalho na edição de fotografia de um jornal de grande circulação em Belém e no início de 2010 eu comecei a perceber algumas conexões entre trabalhos que eu havia produzido anteriormente, que tratam de questões como a memória a transitoriedade e outras existenciais, com alguns aspectos das imagens produzidas para o caderno policial do periódico. Quase instantaneamente lembrei de um procedimento que havia pensado para um outro trabalho onde as longas exposições seriam utilizadas e imaginei que o resultado disso me daria as imagens que buscava”, explica o fotógrafo. 

As luzes multicoloridas apreendidas pelas longas exposições da câmera diante dos corpos abandonados próximos a soleiras de casas da periferia emprestaram para o cenário caótico uma energia transcendental. A baixa velocidade do obturador torna borradas as faces dos curiosos que rodeiam os corpos, formando uma imagem fantasmagórica, quase irreal, afastando as imagens de uma relação direta com o fotojornalismo praticado nos jornais diários.

“Apesar da série trazer fatos de interesse jornalistico que estão no cotidiano das nossas grandes cidades, esse não é o objeto principal de Corte Seco. Claro que isso não pode deixar de ser percebido e não deixa de ter relevância, mas a ideia principal é nos fazer pensar sobre a nossa condição de impermanência e sobre o quanto somos frágeis”, diz o autor da série. 

Por isso, "Corte Seco" não é um estudo ou uma critica do jornalismo policial praticado na redação dos jornais impressos das grandes cidades, mas um espaço para elucubrações sobre temas como transitoriedade, memória e a impermanência. 

Os segundos contados em silêncio por Alberto Bitar deixam a série falar por si mesmas sobre questionamentos que sempre inquietaram seu autor, que aqui aproveita até o vermelho incandescente projetado pelo giroflex da viatura do carro de polícia como pigmento mordaz que remete à morte, ao crime. 

A 30ª Bienal de São Paulo foi a primeira experiência do “Corte Seco” numa exposição, para onde a série foi pensada para ser apresentada na sala dedicada ao fotografo paraense. Depois as imagens percorreram o interior e se instalaram na mostra itinerante da Bienal, em Bauru. 

Hoje, as cinco imagens montadas em metacrilato, um material translucido afixado na imagem como um vidro em estado líquido que endurece sobre a própria fotografia, fazem parte do acervo no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC/USP). 

Alberto BItar nasceu em Belém, no ano de 1970 e iniciou a carreira 21 anos depois, já começando a desenvolver ensaios pessoais, como nas séries "Fotografismo Urbano" e "Efêmera Película", série de experimentos sobre o tema natureza, com o qual é selecionado em 1996 pelo projeto Antarctica Artes com a Folha, um mapeamento da produção de jovens artistas do Brasil. 

Em 2002 recebeu o Prêmio Especial do Salão Arte Pará com o vídeo Doris, realizado em parceria com Paulo Almeida e Leo Bitar e no ano seguinte realizou "Enquanto Chove", vídeo com co-direção de Paulo Almeida. Realizou as exposições individuais "Solitude" (1994), "Hecate" (1997), "Passageiro" (2005) – com esta integrou a programação oficial do 7° Mês Internacional da Fotografia de São Paulo- "Efêmera Paisagem" (2009/2011) e "Sobre o Vazio" (2011) com a qual recebeu o Prêmio Marc Ferrez da Funarte. 

O fotógrafo vem participando de mostras coletivas no exterior, como o Salão Internacional de Fotografia Abelardo Rodrigues Antes - Havana/Cuba, e Desidentidad, no Instituto Valenciano de Arte Moderno, na Espanha e Une Certaine Amazonie em Paris. No Brasil participou do Rumos do Itaú cultural, Panorama da Arte Brasileira e em 2012 foi convidado para integrar a 30ª Bienal internacional de São Paulo. 

Serviço
Exposição “Corte Seco", de Alberto Bitar. Na Sala Gratuliano Bibas - Casa das Onze Janelas. Nesta quarta-feira, 14, a partir das 19h. Visitação de 16 de agosto a 24 de setembro. Rua Sequeria Mendes, Cidade Velha, Belém do Pará. Entrada franca.

(informações da assessoria de imprensa)

12.8.13

Iacov Hillel transforma "Elixir" em conto de fadas

Elixir traz aspectos da ópera búfala, diz Iacov
Iacov Hillel esteve em Belém em 2002 para dirigir “O Palhaço”, de Ruggero Leoncavallo, no Festival de Ópera do Theatro da Paz. De volta à capital paraense para a 12ª edição do evento, ele é quem dirige a ópera “Elixir de Amor”, do compositor italiano Gaetano Donizetti, que faz nesta segunda-feira, 12, a partir das 20h, sua última récita para o público. 

Na última sexta-feira, 09, Iacov deu uma palestra na Escola de Teatro e Dança da UFPA, fruto de uma parceria da universidade com o Governo do Estado, que busca ampliar as ações do evento. Os alunos da ETDUFPA ouviram a fala do mestre e puderam conhecer melhor o trabalho que ele desenvolve, além de saber mais sobre os bastidores de uma montagem no festival de ópera. 

Para cada ópera, o diretor sempre pensa em uma procedimento diferente. Desta vez, para a comédia romântica de Donizetti, ele trouxe para o público uma história em clima de contos de fadas. Para isso ele conta com a experiência de Jose de Anchieta, cenógrafo com quem trabalha desde a adolescência em montagens diversas, por todo o Brasil, e que assina este ano a cenografia de Elixir. 

“Existe a parte conceitual, firme, que tem a ver com o enredo da opera. ‘Elixir’ é uma ópera linda, tem até mesmo aspectos de ópera bufa, quando os personagens tem características exageradas. Mas temos que estudar o que podemos focar e agora pensei em enaltecer o ser humano e seus afetos. Quis fazer em Belém, um conto de fadas”, explica Iacov. 

Dança, música, canto e teatro. Tem tudo na ópera!
Ele conseguiu. Quem já foi ver a ópera, apresentada também no sábado, 10, constatou e entrou nesta atmosfera alimentada ainda pela iluminação também criada por Iacov. O diretor israelense, que chegou ao Brasil aos cinco anos de idade, é um nome importante na história do teatro brasileiro. 

Além de dirigir espetáculos de teatro de prosa e de teatro para operas, ele também é responsável pelos projetos de light design dos espetáculos que monta. Em 1982, ganhou o prêmio Moliere de Teatro, sendo consagrado pela crítica.

“É uma honra sempre poder trabalhar no Theatro da Paz, um espaço de muita generosidade para o artista, com uma acústica perfeita, ele é sonoramente maravilhoso. Essa generosidade se repete com o povo de Belém e com os profissionais do teatro. O resultado é uma pintura de arte para teatro!”, diz o diretor, elogiando o trabalho da equipe de cenotécnica do teatro, comanda pelo experiente Ribamar Diniz, técnico do Theatro da Paz, que vem se destacando a cada ano de festival. 

Hillel é exigente: nos ensaios com os solitas, por exemplo, além da voz, quer ver a performance teatral, a expressão do corpo em harmonia com a expressão vocal. Durante os ensaios de “Elixir”, ele mostrou como cada um deve atuar de maneira a alcançar a concepção cênica imaginada por ele. 

Diretor exigente e talentoso
“Esta sendo muito bom poder trabalhar com a Carmen Monarcha e com o Atalla Ayan, esses artistas maravilhosos, daqui mesmo de Belém. O coro também esta excelente, sob a regência do maestro Vanildo Monteiro”, disse o diretor.

Além da intensa atividade nos palcos, Iacov tambem é professor na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP). “Elixir de Amor”, com música de Gaetano Donizetti (1797-1848) tem na Direção Musical e Regência, o Maestro Emiliano Patarra, diretor musical do Teatro São Pedro, em São Paulo, que está regendo a orquestra formada pelos músicos da Fundação Amazônia de Música (FAM). 

O que virá - Depois do ar leve de Elixir, o festival ainda traz mais duas obras. Do autor italiano Giuseppe Verdi, o público assistirá “O Trovador”, que estreia dia 28, com récitas nos dias 30 de agosto e 1º de setembro, com regência será de Silvio Viegas, diretor do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. 

“O Trovador” traz o ar romântico da cavalaria andante, passando-se na Espanha do fim da Idade Média, quando ainda eram realizados os torneios e os cavaleiros vestiam armaduras e cotas de malha. Dois arquitetos italianos são responsáveis pela criação, pintura e montagem do cenário, que faz alusão às referências arquitetônicas deixadas por Antonio Landi, arquiteto também italiano, autor de inúmeros prédios históricos e igrejas de Belém e recebe também homenagem pelos 300 anos de seu nascimento. 

De difícil execução vocal, a ópera será encenada por Walter Fraccaro, que já cantou no Teatro San Carlo de Nápoles, no Teatro Metropolitano de Nova York e outros internacionais; Eliane Coelho, que também está no elenco, vem sendo apontada como a maior cantora brasileira desde Bidu Sayão e Rodolfo Giugliani, barítono brasileiro, uma referência quando o assunto é Verdi, além da mezzo soprano Denise de Freitas. 

A terceira e última ópera da temporada será “O Navio Fantasma”, de Wagner, que terá estreia no dia 21 de setembro, com récitas 23 e 25 de setembro. É a primeira montagem de uma ópera de Wagner, no Theatro da Paz, sendo cantada em alemão. Ambientada em uma aldeia pesqueira da Noruega, conta a história de um navegador holandês que é punido por Deus por blasfemar contra seu nome, perdendo-se de sua pátria para sempre, a menos que surja em sua vida uma mulher que lhe seja plenamente fiel. 

Um conto de fadas, lindo de ver!
No elenco, Rodrigo Esteves, que interpreta o holandês do navio, e também se revela como um dos melhores cantores brasileiros, vivendo atualmente na Europa; o cantor russo Denis Sedov, a soprano Tati Helene e o tenor Ricardo Tamura. Um grande desafio também para os músicos, a obra de Richard Wagner será executada pelas OSTP, com regência de Miguel Campos Neto. 

DVDs, Master Class e Encerramento - As duas últimas óperas fazem parte das homenagens ao bi centenário de nascimento dos compositores Giuseppe Verdi e de Richard Wagner. Além disso, este ano o festival está lançando quatro DVDs, contendo as gravações das óperas Iara, Tosca, Carmina Burana e Espetáculos Selecionados, vai realizar, também, uma Master Class, no dia 26 de setembro, com Laura de Souza, na Igreja de Santo Alexandre.

Já o concerto de encerramento, aberto ao público, no dia 28 de setembro, no palco que tradicionalmente é montado em frente ao Theatro da Paz, contará com 100 músicos no palco, com a presença de Laura de Souza e Richard Bauer, especialistas em Verdi e Wagner, e da notável paraense Adriane Queiroz, que virá de Berlim direto para o evento. (Com informações de Dominik Giusti)

Serviço
XII Festival de Ópera do Theatro da Paz. Venda de ingressos para as óperas na bilheteria do teatro. Valores: Plateia, Varanda, Frisa, Camarote 1ª - R$ 60,00. Camarote 2ª e Proscênio PNE - R$ 50,00. Galeria - R$ 30,00. Paraíso - R$ 20,00. Horários da bilheteria: segunda a sexta-feira – 09h às 18h. Aos sábados – 08h às 14h e aos domingos – 08h às 12h. Nos dias de espetáculo até às 20h. Mais informações: 91 4009.8750.

Festa pro Maluco Beleza no Espaço Shangrillah

Saudades de Raulzito!
Há mais de vinte anos, em a 21 de agosto de 1989, o mundo perdia Raulzito. Desde então, em todo o país, milhares de fãs o lembram com homenagens regadas a seu vasto repertório. No Pará não é diferente. No próximo dia 17, a Sociedade Raulseixista realiza uma grande programação para relembrar seu ídolo, no Espaço Cultural Shangrillah, situado em Apeú, em Castanhal. A abertura será às 21h.

O local escolhido não poderia ser melhor. O sítio Shangrillah emana harmonia, paz, arte e amor à natureza, ítens intrísecos à personalidade de Raul Seixas. Quem já esteve lá sabe disso e quem não esteve, aviso, não perca a oportunidade. Vai ser inesquecível. O Espaço Cultural Shangrillah é frequentado por artistas plásticos, atores, músicos e comunidade artística em geral, que alimentam-se por estar em um lugar, que além de tudo, é farto de inspiração.

É claro que um show de Sérgio Leite, não poderia faltar. O artista paraense que personifica Raul, e, sem dúvida, o mantém vivo, com sua voz, fará o show “Cidade das Estrelas”. E ainda tem mais, a festa conta com participação da banda Buscapé Blues.

Sergio Leite é o maior couver de Raul Seixas, no Pará. Prestando homenagens ao grande mestre e difundido o trabalho do maluco beleza,  conhecedor profundo de sua obra, o cantor também é dono de um timbre vocal de grande semelhança com o de Raul, o que foi descoberto na juventude, no extinto e saudoso bar Celeste, na avenida João Paulo II (ex 1º de Dezembro), em Belém. Foi ali, que ele deu a sua primeira “canja” e nunca mais parou.

Sérgio Leite
Além de sua atuação cover, Sérgio Leite também tem sua carreira autoral com músicas poéticas e vencedoras de diversos festivais Nacionais, mas jamais permitindo-se delegar a segundo plano suas interpretações perfeitas de Raul Seixas.

Já o nosso Buscapé Blues, também fã de Raul, será um show à parte, mas também de homenagens. Conehcido por sua ação irreverente e de força inventiva, o cantor está para lançar mais um CD, gravado no estúdio Ná Music. 

Formada no final dos anos 1980, sua banda traz proposta hard rock e blues, tendo como principais influências nomes como Led Zeppelin, Black Sabbath, AC/DC, Barão Vermelho, Creeandence e, calro, Raul Seixas.

Para facilitar a chegada ao Espaço Cultural Shangrillah, a Sociedade Rauseixista de Belém sairá em caravana, no dia do evento, às 20h, do Entroncamento em microônibus fretados para a comitiva. O pacote dando direito a translado ida-volta e ingresso custa R$ 30,00. 

Serviço
Show "Cidade das Estrelas”. Participação especial da banda Buscapé Blues. No sábado, dia 17 de agosto, com a abertura dos portões às 21h. Ingressos R$ 10,00. Mais informações: 91 8272.3457 (Carmen Santiago). Realização: Ápice Produções/Sociedade Rauseixista do Pará/Espaço Cultural Shangrillah. 

10.8.13

Quando árvores psicodélicas brotam em sushi bar

Em mais de 20 anos de trajetória, expor em bares e restaurantes não é novidade para Tarcísio Ribeiro, que realizou sua primeira mostra ainda nos anos 1990, no Cosanostra Café. O artista agora expõe “Cinco”, aberta desde o mês de julho, no Eco Sushi Lounge, onde poderá ser vista até final do mês de agosto.

“Árvore em céu quente”, “Escuta”, “Ao por do sol”, “Ulalá” e “Bailarina” são as cinco obras que integram a exposição. As pinturas que foram realizadas em momentos diferentes de sua carreira artísticas, trazem tamanhos razoáveis. A maior delas tem formato 120 x 240, o que seria equivalente a 12 quadros de 40 x 60 cm. 

“A mais antiga entre elas foi pintada em 2006 e a mais recente em 2012, elas vão surgindo espontaneamente apenas a partir da necessidade de pintar, os quadros que se sucedem, em geral, têm cores e formas opostos”, diz o artista em entrevista ao Holofote Virtual. 

Divididas em três partes: o céu (copa da árvore); a terra (raízes) e o tronco (conexão entre terra e céu), as obras trazem cores vivas, que pulsam revelando folhas, galhos e outros mistérios da natureza. Amante de música, cinema e literatura, além das artes visuais, claro, Tarcísio Ribeiro nasceu em Bragança, onde viveu até os 18 anos de idade, quando se mudou para Belém. 

Trouxe desde lá, certamente, em sua veia artística, a admiração pela natureza e pela região amazônica. Isso tudo sempre foi inspiração, mas não espere necessariamente ver paisagens naturais, seus traços trazem interferências da vida que resultam em surpresas transcendentes. 

Atualmente envolvido com a criação de uma galeria para deixar obras suas em exposição permanentemente, Tarcísio conversou com o Holofote Virtual e contou mais do que o instiga e lhe leva a pintar. 

Holofote Virtual: São 25 anos dedicados à pintura. O que isso significa isso pra ti? 

Tarcísio Ribeiro: Ficou claro pra mim que a vida passa rápido, em determinado momento a morte se faz presente, então acho importante me aperfeiçoar no que gosto de fazer e participar onde vivo.

Existem as coisas por fazer, escolhemos algumas, outras nos escolhem, outras são pensamentos que nem chegam a se materializar. Tenho planos com pinturas, trabalhos e estudos. Bom, é o mistério da vida, é sutil, vamos ver o que acontece. 

Holofote Virtual: Ao longo desse tempo você muitas vezes trabalhou de forma solitária. Mas também fez exposições, vendeu quadros e também presenteou amigos. Como você analisa esta trajetória pública? 

Tarcísio Ribeiro: Olhando para o assunto dessa forma, lembro de amigos que nasceram junto com quadros e de alguma maneira fizeram e fazem parte deles. Não lembro de maiores adversidades provocadas pela pintura nesta dita trajetória pública. Em algumas situações as pinturas provocaram emoções, arrepios, lágrimas, são boas essas lembranças. Quero dizer com isso que fiz alguns amigos em virtude das pinturas, assim como estreitei laços de amizade. 

Holofote Virtual: Tuas reflexões sobre a vida estão ligadas ao que você produz, fatalmente. Quais seriam questões mais pertinentes na hora de pintar? 

Tarcísio Ribeiro: Creio que as músicas respondem essa pergunta por mim, melhor do que eu. Veja bem.

Muitos dos assuntos (quase todos os assuntos) são tratados nas músicas e com muitas variações, muita graça, melodia, ritmo, então tem dias que é Tom Jobim, João Gilberto essa turma, tem outros dias que é o Prodigy, tem épocas de rock, épocas de samba. Ouvir música combina bem com minha forma de pintar. Quanto às conversas, enquanto estou pintando, prefiro assuntos mais descontraídos. Agora, o pensamento, o pensamento se governa. 

Holofote Virtual: E como estas trilhas embalam teu trabalho? Onde são refletidas? 

Tarcísio Ribeiro: Como falei a pouco, sim, permeiam, ditam ritmo das pinceladas grosso modo; ou acalmam a mente, os pensamentos, o coração, de modo sutil, o que permite pintar com maior atenção e criatividade. O problema na hora de pintar é o bloqueio, achar que o quadro em andamento está feio, duvidar da própria capacidade de superação, ou por outro lado, achar que está bom demais, ficar vaidoso no ato de pintar, todas essas coisas atrapalhem... e a música tem uma função bem importante neste momento.

Holofote Virtual: Nesta exposição de árvores vês-e boa dose de psicodelismo... 

Tarcísio Ribeiro: Sim, também acho, mas não ligo muito não, é o jeito delas, no fundo são simpáticas. Brincadeiras a parte, creio que há similaridades de minhas pinturas com imagens psicodélicas, mas em uma rápida pesquisa na rede mundial de computadores, pode-se perceber que as imagens psicodélicas são um pouco mais “emaranhadas“ ou “confusas” do que minhas pinturas. E o psicodelismo já é uma experiência visual agradável aos olhos. 

Holofote Virtual:  Quais outros alimentos nutrem tua arte?

Tarcísio Ribeiro: Acredito que a dor é o principal alimento para a arte, os outros todos são bem menores. Mas não é ruim assim, a ideia é transformar a dor em quadros que transmitam sentimentos positivos, certa alegria, esse é o desafio. Holofote Virtual: Produzes em demasia? 

Tarcísio Ribeiro: Acho que produzo o bastante, mas gostaria de produzir ainda mais. Estive um tempo empenhado em organizar o espaço da Galeria T, que é onde distribuo meus quadros, foi um tempo gasto para distribuir 40 quadros aproximadamente expostos em 100 m3 de galeria, e isso leva tempo. Além disso, tenho outras tantas em telas enroladas. Por outro lado estou sempre envolvido com estudos e trabalhos sobre estatísticas, sistemas de informações e afins e isso também toma um tempo considerável. 

Holofote Virtual: Humm... Então a Galeria T é a grande novidade do momento? 

Tarcísio Ribeiro: Estou em vias de concluir o projeto Galeria T, que tem por objetivo manter uma exposição permanente com quadros de minha autoria. Em um primeiro momento, contém aproximadamente 30 obras, de diferentes momentos de criação. A obra mais antiga do acervo é de 1997, foi pintada a dedo e trata-se de um auto retrato, em acrílica sobre duratex. 

Outro quadro relevante na galeria são 27 miniaturas, divididas em quatro partes, que simulam a galeria em miniatura, pintado em 2002. Até chegar à série de pinturas sobre árvores serie iniciada a partir de 2007. A ideia é que, entre uma exposição e outra, sempre haverá possibilidade de visitação das minhas pinturas, em ambiente propício. 

Holofote Virtual: Viver de arte é tua meta? 

Tarcísio Ribeiro: Não reclamaria de viver de arte não, porém também desenvolvi o hábito de gostar de trabalhar com estatísticas e sistemas de informações. Compreendo que tenho por onde contribuir nessa área também. O ideal pra mim é combinar essas atividades, e não só elas, mas também, ainda incluir outras não menos importantes, como culinária, esportes, atividades sociais e culturais, e o repouso.

Projeto circula com oficinas e rodas de conversa

Contemplado com o Prêmio Myrian Muniz de Teatro 2012, categoria Circulação, La Fábula fará 13 apresentações, a partir do dia 14, em praças públicas de 12 cidades do Pará, Maranhão e Piauí. São Caetano de Odivelas, Vigia, Santo Antonio do Tauá, Igarapé-Açu e Teresina são apenas algumas das que estão na rota. 

A ideia, como conta o ator e coordenador do projeto, Leonel Ferreira, é promover o acesso ao teatro, além de promover reflexões sobre o papel das pessoas na sociedade e discussões sobre o encontro do homem consigo mesmo, mote da Madalenas.

"Após dois anos de circulação do espetáculo, queremos sair um pouco do centro e levá-lo para as áreas mais periféricas, para um público que não tem a oportunidade de ver peças teatrais com frequência e também cumprir uma função social através das 10 oficinas de arte e educação que iremos ministrar", apontou. 

A estreia da turnê de circulação será na quarta, dia 14, no município de São Francisco do Pará, com o Grupo Circo Teatro Imaginário. 

O encerramento será dia 17 de setembro, em São Luís. Outro diferencial desse trabalho da Companhia Madalenas é que em cada cidade, uma companhia teatral é convidada a participar.

"Queremos promover uma troca com os grupos locais, por isso os integramos a programação, além de os ter convidado para participar dos workshops e rodas de conversa sobre o fazer teatral", acrescentou Leonel. 

Segundo ele, no workshop serão utilizadas técnicas para a aplicação do teatro com ferramenta pedagógica, enfatizando no processo de vivência os jogos de improvisação, as dinâmicas de integração, leituras e ressignificação de imagens, a construção de cenas curtas a partir de leituras de imagens e o teatro Fórum e Teatro Jornal. Serão 20 vagas ofertadas e a idade mínima para participação é de 16 anos, voltada para artistas iniciantes, educadores, lideranças comunitárias, estudantes de teatro e demais interessados.

“La Fábula" também fez temporadas de sucesso e fevereiro e setembro de 2012 no palco do Centro Cultural SESC Boulevard, além de apresentações na Feira Pan-Amazônica do Livre, Festival Cultura de Verão, Circuito Sesc Amazônia das Artes e em Porto Velho (RO) e São Luis (MA). 

Fome de histórias – "La Fábula", da Companhia de Teatro Madalenas propõe um mergulho no universo mágico presente em contos da literatura universal, que, encenados usando como base os fundamentos do teatro de rua, se vale do mundo do ‘faz de conta’ para envolver o espectador na trama que foi apresentada em espaços públicos de Belém do Pará. 

O enredo de "La Fábula" se desenvolve em torno da rainha Altiva e seus três súditos. Para viver, ela precisa ouvir histórias, então o trabalho deles é servi-la exercendo a função de contadores, que a ‘alimentam’ com narrativas sobre personagens maravilhosos como o Dom Quixote, o Homem de Lata e o Velho do Saco. 

Apesar destes personagens estarem fora de suas estórias originais, a essência deles continua a mesma, como explicou Ester Sá, contadora de histórias e diretora do espetáculo: “A gente pegou a essência desses personagens e trouxe para o universo da fábula, do imaginário. Os deslocamos de suas estórias, mas criamos outra em que eles se encontram”. 

A direção e dramaturgia é de Ester Sá, coordenação geral de Leonel Ferreira, direção musical de Armando Mendonça, produção executiva de Flavio Furtado e Tainah Fagundes, concepção de figurino de Aníbal Pacha e confecção de Mariléia Aguiar. O elenco conta com Dina Mamede (Rainha Altiva), Gilberto Ganesh (Homem de Lata), Leonel Ferreira (Homem do Saco) e Rodrigo Braga/Cleber Cajun (Dom Quixote).

 (com informações da assessoria de imprensa)

Geraldo Teixeira expõe “Geometria do Tempo”

A inspiração para esta nova série vem de azulejos e grades que ornamentam residências da Belém antiga e que, sob o olhar do artista, foram reconstruídos, proporcionando novas percepções sobre as formas do tempo nas fachadas das casas, e na textura das estamparias dos tecidos expostos nas ruas do comércio da capital paraense. A exposição, que teve vernissage para convidados, ontem à noite, poderá ser visitada de 13 a 31 de agosto, na Galeria ELF - Gov. José Malcher, Passagem Bolonha, número 60, em Nazaré - sempre de terça a sexta-feira, de 10h às 19h e sábado de 10h às 17h. 

Da fusão de elementos, Geraldo Teixeira extrai a matéria-prima da sua criatividade. No ateliê do artista, as obras surgem das generosas pinceladas em várias camadas de acrílica sobre placas de madeira. Os trabalhos, 21 ao todo nesta exposição, foram executados em técnica mista sobre placas, que lhe abrem a possibilidade de aglutinar elementos com acrílica, pigmentos, folhas de ouro e a encáustica, processo em que se usa cera quente, tendo como tema a azulejaria de Belém.

“Toda a referência desta atual fase vem da azulejaria e das pinturas parietais. Este é um tema que já venho trabalhando desde 2005 e por enquanto ainda me interessa bastante pelo seu desdobramento, então na exposição ‘Geometria do Tempo’ eles estão, mas já de forma desconstruída”, disse o artista em entrevista ao Holofote Virtual que você vai ler na íntegra mais abaixo. 

As cores fortes, contrastantes, referem-se à mistura colorida que se vê na cidade, ao brilho do sol que queima e esbanja uma luz intensa e calorosa. 

As pinturas trazem a marca de um artista já consagrado e que já está próximo de completar quatro décadas de atividades ininterruptas.

Assim, Geraldo recolhe da cidade recortes de imagens que o tempo coleciona e que já não percebemos com facilidade, pela falta do exercício do olhar investigativo. 

Transforma suas percepções em arte e o resultado encanta olhares e provoca o agradável sentimento que provém da apreciação de uma obra de arte genuína, autêntica, que fala do tempo sem a saudade, mas como uma chamada para se viver melhor, observando o presente, antes que ele se vá das nossas lembranças. 

Vivendo e trabalhando em Belém, Geraldo iniciou sua carreira em 1975 e já participou de várias exposições individuais e coletivas no Brasil, Estados Unidos e Europa. Possui obras em acervos de vários museus brasileiros e é fundador da Associação dos Artistas Plásticos do Pará. Já foi curador geral do Salão Paraense de Arte Contemporânea- SPAC e é detentor de prêmios em vários salões de arte, entre eles o Grande Prêmio do XI Salão Arte Pará, em 1992.

Geraldo trabalha também no campo tridimensional, utilizando madeira, alumínio, ferro e vidro usando como tema a construção náutica, característica dos rios da Amazônia especificamente os “cavernames” (conjunto de peças que dão forma ao casco da embarcação - estrutura). E trabalha também com Arte Pública, produzindo obras em grandes dimensões. 

Holofote Virtual: Além de seu interesse pela azulejaria, em sua pesquisa, você também se dedica a obras em tamanhos grandes, em espaços púbicos. Como anda esta produção, onde podemos visualizar suas obras neste formato? 

Geraldo Teixeira: Sempre gosto de desafios dos grandes formatos ,mas em função de espaço ,sempre trabalho a partir de encomendas algumas dessas obras estão aí pela cidade ou em espaços fechado como condomínios...etc, duas que gosto muito , uma no mangal das garças e no jardim das esculturas do museu da UFPa. 

Holofote Virtual: Tua trajetória inicia nos anos 1970. Até os anos 1990, mais ou menos, chamávamos tudo de artes plásticas. Hoje em novas plataformas e ferramentas, a arte expandiu seus conceitos. Temos as artes visuais. Como você percebe tudo isso e como esta revolução tecnológica está na tua obra? 

Geraldo Teixeira: Com as mudanças tecnológicas os campos se ampliam, agora acho que tudo não passa de rótulos, necessidades de códigos de entendimento de tudo e de todos, somos artistas, seja plástico ou visual, de fato isso não ocupa meu tempo. 

Holofote Virtual: A ELF Galeria é um reduto tradicional das artes plásticas em Belém. Por lá, seja onde já tenha sido sua sede antes, já passaram artistas de várias gerações, principalmente os artistas dos anos 1970 e 1980, que pra mim são um marco na história da arte no Pará... Quantas vezes você já expôs lá? 

Geraldo Teixeira: É sempre interessante trabalhar com a ELF porque antes de ser um espaço profissional é, como você disse, um reduto de amigos artistas que já estamos juntos algumas décadas, não lembro de todas as vezes, mas com certeza são muitas. 

Participar deste movimento dos anos 70-80 ainda na primeira sede da ELF, em um momento que nós ainda nem certeza tínhamos se ser artistas, a galeria cumpriu um papel de fomentadora deste movimento, e aí estamos para contar o resto dessa trajetória. 

Holofote Virtual: Como você traduz o seu trabalho no momento atual? 

Geraldo Teixeira: Sempre gostei de estar envolvido com os processos culturais, fui presidente da associação de artistas em um tempo que se acreditava em união e não em egos inflados. Hoje continuo trabalhando bastante no meu atelier, e por lá fico 10 12 horas por dia. Meu trabalho dificilmente segue um planejamento específico, mas minha FACTORY-ATELIER está sempre com as caldeiras em fervura.

Festicine inicia itinerância em Guajará Miri

O palhaço Martin Martinez
Com uma população de mais de 40 mil habitantes e um dos municípios de maior atrativo turístico e histórico de Rondônia, Guajará Mirim foi o primeiro a receber, ontem, a etapa Amazônia 2013 do Festival de Artes Integradas-Festcineamazônia Itinerante. Música, circo, cinema e literatura  estão na programação da Praça dos Pioneiros da Estrada de Ferro Madeira Mamoré, conhecida pelos moradores como ‘A Praça do Trem’. 

Por Ismael Machado, de Rodônia

De certa forma é um encontro multicultural, unindo no mesmo espaço o músico amazônico Bado, o artista de circo argentino Martin Martinez, o poeta português José Luiz Peixoto e a seleção de curtas do Festcineamazonia, que engloba várias regiões brasileiras. Agora fazendo parte do circuito de Artes Integradas, o Festcineamazônia Itinerante amplia ainda mais o leque de locais a serem alcançados. 

No total, em 2013 percorrerá cinco países e contemplará mais de 20 cidades com cinema, circo e música, mantendo o foco inicial de sempre estar em comunidades com dificuldade de acessos formas diferentes de arte. “Nesses locais a presença do Festcineamazonia Itinerante sempre é aguardada, onde a arte circense, do cinema, é sempre novidade”, diz Jurandir Costa, um dos organizadores do Festcineamazônia. 

O poeta José Luiz Peixoto e o músico Bado
Os países que receberão o festival itinerante são Brasil, Bolívia, Peru, Portugal e Cabo Verde na África, além de cidades do Amazonas e Acre. A ideia de unir artistas de diferentes vertentes tem sido uma das principais novidades dos últimos eventos produzidos pelo Festcineamazonia. 

Ao celebrar a diversidade cultural, une pontos que poderiam ser considerados não convergentes ou de realidades opostas. É o caso do escritor português José Luiz Peixoto. 

O texto intimista do poeta será levado a comunidades ribeirinhas a partir não só de ‘contação’ de histórias, mas também com a distribuição de um pequeno livro produzido especialmente para essa edição itinerante. Ao conhecer a proposta do Festcineamazonia, Peixoto fez questão de ver de perto a realidade dos rios e estradas amazônicos que se descortinam a cada itinerância. Será uma programação intensa para os próximos dias. 

Neste sábado, 10, a caravana cultural atravessa o rio e vai à cidade boliviana de Beni. A Praça do Cavalo foi o local escolhido para a apresentação cultural. A partir daí, o Festcineamazonia, deixa um pouco a estrada de lado e se aventura pelos rios rondoniense e boliviano. O Vale do Guaporé é o destino. A partir do dia 12 locais como o Forte Príncipe da Beira, Buena Vista, Costa Marques, Quilombo de Santo Antonio do Guaporé, Versalles, Quilombo de Pedras Negras, Mategua, Porto Rolim e Remanso serão contemplados com as atrações da itinerância. 

Crianças curtem o cinema na praça
A programação encerra dia 25 de agosto em Pimenteiras do Oeste. 

O Festival de Artes Integradas - Festcineamazônia Itinerante 2013 tem o patrocínio do BNDES, Governo Federal através da Lei Rouanet, Ministério da Cultura, Secretaria do Audiovisual, apoio cultural da Santo Antônio Energia e Parceria Institucional da Fundação Banco do Brasil.

9.8.13

UFPA incentiva empreendimentos culturais

Criado pela universidade Federal do Pará, por meio da Pró-Reitoria de Extensão e do Instituto de Ciências das Artes, e desenvolvido a partir da aprovação em seleção pública, via o Edital Proext do Ministério da Educação 2012, o Coroatá - Programa de Formação para Empreendimentos Culturais será lançado em Belém, no dia 13 de agosto (terça-feira), às 14h, no Teatro Universitário Cláudio Barradas, e no dia 23, em Bragança, no Museu da Marujada. 

O objetivo é realizar atividades de formação e assessoria técnica a grupos que atuam no setor cultural visando contribuir para a capacidade de sustentabilidade e autogestão desses grupos e estimular os princípios da Economia Solidária.

E para dar início a uma discussão ampla sobre políticas culturais que reconhecem a cultura como atividade econômica e solidária, a programação de lançamento contará com o seminário "Economia Criativa e Economia Solidária em Belém - Conceitos, políticas e experiências", seguida de uma programação cultural.

A ação dará o início de uma série de atividades que envolvem os módulos de Gestão de Empreendimentos Solidários, Comunicação para Empreendimentos Culturais, Elaboração de Projetos Culturais e conteúdos específicos, conforme demanda dos grupos selecionados para participar. As inscrições podem ser feitas no site do Programa Coroatá.

Programação

14h – Mesa de abertura
Reitoria da UFPA Pró – Reitoria de Extensão (Proex/Ufpa)
Instituto de Ciências da Arte (ICA / Ufpa)
Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares e Economia Solidária (ITCPES/ICSA/Ufpa)

14h30 – Mesa 1 
Economia Criativa e Economia Solidária (conceitos e perspectiva)
Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares e Economia Solidária (ITCPES/ICSA/Ufpa)
Programa Coroatá de Formação de Empreendimentos Culturais Zhumar de Nazaré (Pesquisador)

15h30 – Mesa 2
Políticas Populares para o setor Ministério da Cultura (Minc)
Secretaria Especial de Estado de Desenvolvimento Econômico e Incentivo à Produção
Secretaria de Estado e Cultura (Secult)
Fundação Cultural do Município de Belém (Fumbel)

17h – Mesa 3
Painel de experiências: Espaço Cultural Coisas de Negro
Companhia Mirai de Dança Rede [aparelho]
Escritório Experimental da Cena Pirão Coletivo

18h – Mostra Artística
Dirigível Coletivo de Teatro
Companhia Mirai de Dança
Boi Orubi Mostra de instalações cenográficas

Serviço
Mais informações: programacoroata@gmail.com/ 3241-5801/3241-8369. O Teatro Universitário Claudio Barradas, localizado na Escola de Teatro e Dança da UFPA (Localizado na Rua Jerônimo Pimentel 546, esquina com a D. Romualdo de Seixas), tem espaço limitado, sendo necessária inscrição no site para o evento.

8.8.13

Nos bastidores e no palco de “Elixir de Amor”

Começa a programação do XII Festival de Ópera do Theatro da Paz. Até setembro, mais duas óperas, montadas em Belém, "O Trovador", de Verdi, e "O Navio Fantasma", de Wagner, serão apresentadas ao público que admira o gênero e lota o teatro centenário, situado na Praça da República, em Belém do Pará. 

O primeiro espetáculo, "Elixir de Amor", de Donnizetti, estreia hoje, às 20h. Foram meses de ensaio e dedicação de uma equipe que a cada ano se profissionaliza. O resultado de todo este empenho aparece logo no primeiro momento, quando as cortinas se abrem. O cenário, os figurinos, a maquiagem e o desempenho de atores, solistas, bailarinos e coralista brilham.

O ator Carlos Vera Cruz entra no palco feliz, alegre, com roupas coloridas, movimentando-se por todo o cenário, para convencer o povoado da ópera Elixir de Amor, com direção de Iacov Hillel, a comprar o emplasto que será vendido pelo médico Dulcamara, um impostor na verdade. Carlos é paraense e para ele, atuar em uma ópera não é novidade, já que tem participações em outros espetáculos, mas a cada edição há uma maneira de agregar experiência para sua carreira.

“São muitas conversas sobre uma linguagem específica e ainda são poucos profissionais no Brasil que fazem isso. Estou tendo uma verdadeira aula com o Iacov Hillel, por exemplo, não no sentido didático, mas no sentido da ópera. A obra é do século XIX e então atuamos em função da música. A interpretação tem que estar ligada a isso. A emoção está na música, o que é importante para a função do ator e nas cenas que eu participo a comédia ta nessa parte sonora”, diz Carlos.

Além do ator, diversos outros paraenses participam da realização do XII Festival. A maestrina interna Adriana Azulay participa do espetáculo nos bastidores com uma importante função: ordenar a entrada de pessoas no palco. E para isso, é preciso saber ler as partituras da ópera, já que as marcas sonoras definem o personagem que entra e o que sai.

“A gente se guia pela música. Às vezes as pessoas estão conversando na coxia e se distraem e a função de maestrino interno é ordena-las. Tem as crianças também, que podem se dispersar, então, temos que controlar o tempo das entradas, sempre atenta como o diretor quer que as pessoas entrem em cena”, conta Adriana Azulay. E são muitas pessoas: mais de cem compõem a equipe de “Elixir”.

Para a harmonia no palco, e para que tudo esteja devidamente coordenado, o diretor cênico Iacov Hillel dirige os solistas no palco, além dos atores e figurantes, e ainda envolve-se com demandas diferenciadas, como ajustes no coro, detalhes do figurino e visagismo, maestros, para que espetáculo seja perfeito. Essa relação é feita como intercambio, a partir de muito dialogo.

“Já trabalhei com o Iacov e ele é muito experiente é fantástico. É incrível ver como as pessoas envolvidas no festival crescem profissionalmente”, diz Adriana. A mesma ideia compartilha Andre Ramos, responsável pelo visagismo e caracterização de personagens.

“A gente tem que estudar a opera. A personagem principal, por exemplo, não é uma donzela, é uma mulher forte, uma heroína, então ela pode ter o cabelo escorrido. Trabalhar com opera é muito importante porque a gente aprende sobre varias linguagens”, defende.

Para André, pensar nos rostos e penteados da equipe, transformado nos personagens, vai muito além de fazer maquiagem e arrumar os cabelos, pois é preciso pensar exatamente nas cenas e na personalidade de cada figura dramática.

“Temos que estudar o perfil do personagem e também como vai ser na hora da fotografia”, diz. O diretor cênico Iacov Hillel, israelense que chegou ao Brasil aos seis anos de idade, volta a Belém para dirigir mais um espetáculo do Festival de opera do Theatro da Paz. Ele é quem coordena a concepção e realização do espetáculo “O Elixir do Amor”, do compositor Gaetano Donizetti, uma história de amor, com pitadas de comédia.

Para o diretor, importante nome da história do teatro brasileiro, Belém já começa a se consolidar, chegando a 12 edições do festival, como um pólo de produtores de ópera. “O piso do cenário de Elixir foi todo pintado aqui. É pintura de arte! A construção cenotécnica tem pessoas bastante capacidades e a capital paraense esta virando um grande polo produtivo. O coro esta excelente!”, comenta o diretor.

Para saber mais sobre o festival, acesse também o site: www.festivaldeopera.pa.gov.br e a Fanpage www.facebook.com/festivaldeopera

Ficha Técnica

Direção Musical e Regência: Maestro Emiliano Patarra
Direção Cênica e Iluminação: Iacov Hillel
Regente do Coro: Maestro Vanildo Monteiro
Cenografia: José de Anchieta
Figurino: Hélio Alvarez
Coreografia: Ana Unger e Aline Dias
Visagismo: André Ramos
Supervisão Artística: Gilberto Chaves
Orquestra Jovem Vale Música
Coral Lírico do Festival de Ópera do Theatro da Paz
Cia de Dança Ana Unger: Ana Karina Rodrigues, Camila Ohashi, Dayane Dourado, Jean Silva, Mike Cordeiro, Paulo Dias, Reinaldo Alves, Tarcila Mendes.

Elenco

NEMORINO (tenor) Atalla Ayan Aldeão apaixonado por Adina
ADINA (soprano) Carmen Monarcha Rica fazendeira
BELCORE (barítono) Homero Velho Sargento
DULCAMARA (baixo) Saulo Javan Médico ambulante
GIANETTA (soprano) Ione Carvalho Camponesa
MORETTO, (ator) Carlos Vera Cruz Auxiliar de Dulcamara

Programação

ELIXIR DE AMOR, de Gaetano Donizetti Theatro da Paz
08, 10 e 12 de agosto às 20h

O TROVADOR, de Giuseppe Verdi Theatro da Paz
28, 30 de agosto e 1º de setembro, às 20h

O NAVIO FANTASMA, de Richard Wagner Theatro da Paz
21, 23 e 25 de setembro, às 20h

MASTER CLASS - LAURA DE SOUZA
Igreja de Santo Alexandre - 26 de setembro, às 15h

CONCERTO DE ENCERRAMENTO – ao ar livre
Na frente do Theatro da Paz - 28 de setembro, às 20h

Serviço
XII Festival de Ópera do Theatro da Paz. Venda de ingressos na bilheteria do teatro. Horários: segunda a sexta-feira – 09h às 18h. Aos sábados – 08h às 14h e aos domingos – 08h às 12h. Nos dias de espetáculo até às 20h. Mais informações: 91 4009.8750.

(Texto: Dominik Giust/ Fotos: Agência Pará)