13.7.21

O Balanço do Rock nas ondas sonoras de um livro

Lançado recentemente pela Funtelpa, junto à celebração, o livro do Balanço do Rock contou com série de três programas especiais transmitidos pelo canal de Youtube do Portal Cultura. O último vai ao ar às 20h desta terça-feira, 13 de julho, claro, no Dia do Rock.

Há umas duas semanas chegou aqui em casa pelas mãos do baterista Carlos Canhão Brito (atualmente da banda Puget Blues, ex- A Euterpia entre outros grupos e projetos musicais), o livro "Balanço do Rock - a mais tribal de todas as festas", que comemora os 30 anos desse programa criado na Rádio Cultura do Pará. Ainda estou terminando de ler o livro, mas na data de hoje, impossível te-lo em mãos e não gerar o conteúdo de hoje aqui no blog. 

A narrativa é do jornalista Vladimir Cunha, que viveu e aborda as três décadas de história do programa, passeia por histórias diversas envolvendo as bandas, ensaios e tantos outros desdobramentos vinculados direta ou indiretamente ao programa Balaço do Rock. Leitura fluída e lembranças a flor da pele, para quem também viveu aquela época. Informativa e interessante pra quem chegou depois.

Para quem já leu Decibéis sob Mangueiras, do Ismael Machado, que se tornou um clássico sobre os rock paraense dos anos 1980 e inicio dos anos 1990, ler o "Balanço do Rock" se faz recomendado, pois é complemento com novidades. Traz visões e depoimentos de momentos retratados nas duas obras. Já se passaram 30 anos, mas em alguns dos pontos mais impactantes dessa história, as reflexões são catárticas. É o caso da fatídica noite do 3o Rock 24 horas. 

Eu estava lá e quando chegamos a Jolly Jocker estava no palco, mas a tensão já era grande nos arredores. Um anjo deve ter sussurrado em nossos ouvidos e saímos dali para dar um rolê e voltar depois, mas não houve depois. E não foi fácil ressurgir dos escombros deixados pelo incidente. A maior violência, porém, foi feita contra o rock que se tornou o único culpado de tudo aquilo. O peso do mundo caiu sob nossas costas, que ainda éramos tão jovens. E se tudo tivesse dado certo o Ismael e o Vlad estariam contando uma história bem diferente sobre a nossa cena rock, mas chega de lamentos.

Contextualizado o sentimento de liberdade que aflorava no país com a abertura política e tudo que houve depois nesta década, a introdução do jornalista e produtor Marcelo Damaso (Se Rasgum) é um convite para mergulharmos no texto que vem a seguir, retomando passo a passo os anos marcantes da virada dos anos 1980 para os da década de 1990. A capa do livro, assinada por Bina Jares, é inspirada numa Fita K7, algo marcante para o programa, como vocês lerão nas páginas desse livro, apresentado pelo atual presidente da Funtelpa, o radialista Hilbert Pinho Nascimento. 

Acho que todo mundo que o ler, aliás, sendo daquela geração, vai também fazer uma longa viagem até chegar aqui e se olhar, 30 anos depois. Em 80, assim como muita gente que se identificava com a música brasileira e o rock nacional, a rádio era sinônimo de diversão. Pré-adolescente, eu gravava e transcrevia as letras das canções que eu ouvia em alguns programas, e comecei, assim que tive recursos, a comprar vinis. Acabei indo pro Rock in Rio na metade da década. No Rio de Janeiro, não se falava em outra coisa que não fosse rock ou Circo Voador. 

Em Belém, ia-se ao La Cage (uma história que precisa ser contada pelos DJs) e aos shows dos grandes nomes da cena roqueira do Brasil, na Escola de Educação Física. Entre outros, vi Paralamas, Cazuza, Biquini Cavadão, Legião Urbana e Lobão (arghh, dá até raiva de cita-lo, mas tá na história, assim como a cena patética dele na Avenida Paulista pedindo a volta da Ditadura) e Rita Lee, mas também cheguei a ver As Mercenárias. O Vlad descreve muito bem todo esse cenário local, da galera que tava na rua fazendo e acontecendo. Lembrei que de vez em quando eu caía numa festinha de apê, onde para entrar tínhamos que ter senha, hahaha. Eu geralmente saía do lendário Bar 3 x 4 já com quem sabia mais do que eu das coisas. 

Estávamos em 1989 e eu já cursava o segundo ano de comunicação social, com uma queda irreversível  pelo jornalismo cultural. No ano seguinte, estava chegando à Funtelpa, mais especificamente à discoteca da Rádio Cultura, onde me abracei com muitos vinis. Na programação da radio, estavam Mariano Klautau, Beto Fares, Toni Soares, Luizão e outros que, não só nos apresentavam as novidades musicais de fora do circuito comercial, como também articulavam shows de Arrigo Barnabé, Dulce Quental e Ney Lisboa em Belém. 

Fim dos anos 1980 e o início do Balanço

Os anos 80 se foram e na década seguinte, Felipe Gilet e Marcelo Ferreira criavam o Balanço do Rock, programa que foi se firmando na medida em que compreendia que, para virar tendência era preciso ser autoral, e para ser autoral, precisava trazer seus protagonistas também para dentro da estrutura da rádio. E isso tudo aliado a profissionalismo e coragem, já que o rock não é o estilo que se aceita numa sociedade tacanha. 

As bandas sonhavam em gravar e ter videoclipe na MTV, e eu tinha voltado a trabalhar na Funtelpa, em 1992. Dois anos depois comecei minha jornada, também na redação do Diário do Pará, no Caderno de Cultura, vi nascer a ideia do Caderno Animal. Era frequentadora de carteirinha do Go Fish, onde vi ser construída e realizada a primeira Feira Mix e o movimento Drag Queem pioneiro de Belém. Eram várias cenas, além do rock, mas isso gera outro livro.

Não há espaço para saudosismo, mas é curioso e importante lembrar que não havia celular, mas sim, o conhecido Bip e as secretárias eletrônicas para nos comunicar. Tínhamos mais tempo uns para os outros, tipo presencial. Não havia selfies, mas tenho fotos em película e posso provar que estava lá. Nem sonhava que existiria a Internet como a conhecemos hoje, nem que estaria escrevendo sobre isso num blog, só pra dizer pra vocês que a história é igual ao rock, se faz vivendo de verdade e se está sempre disposto a virar o jogo!  

Leiam Balanço do Rock ouçam as bandas do tempo de vocês, conheçam as que vieram antes, gerem a nova cena e os roqueiros que queremos. Vivam o rock todos os dias! Tô pensando aqui que Vavá e Edidinho estão ouvindo, hoje, um som celestial. E que essa pandemia vai passar, os facistas vão cair, estejamos prontos, produzindo e mais concientes de tudo, principalmente politicamente. 

Para se inspirar, vejam logo mais o programa especial de 30 anos do Balanço do Rock que hoje (13), às 20h, recebe a banda Klitores Kaos, banda de Hardcore/punk/crust Feminista e Antiracista, formada em 2015 em Belém do Pará. Deixo aqui os parabéns ao Balanço do Rock, que estará ao vivo, pelo canal de Youtube do Portal Cultura, com apresentação de Raul Bentes, que comanda o programa em todas as noites de quarta-feira, na Rádio e Portal Cultura. 

Canal Portal Cultura

https://www.youtube.com/user/canalportalcultura/featured

Para saber mais:

http://www.portalcultura.com.br/node/54799

Henrique Montagne inaugura exposição em Belém


Bruta flor do querer

Conheça o universo do artista e a exposição “Suaves Brutalidades”, que ele abre nesta quinta, 15, no Museu de Arte Contemporânea Casa das Onze Janelas. 

Por Bianca Levy

“Num deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra - talvez por isso, quem sabe? Mas nenhum deles se perguntou. Não chegaram a usar palavras como especial, diferente ou qualquer outra assim. Apesar de, sem efusões, terem se reconhecido no primeiro segundo do primeiro minuto. Acontece, porém que não tinham preparo algum para dar nome às emoções, nem mesmo para tentar entendê-las”. 

Esse é o trecho do conto “Aqueles dois”, do escritor Caio Fernando Abreu, mas poderia ter sido escrito por Henrique Montagne, e na verdade são, em uma escrita visual fascinante, que pode ser conferida na exposição “Suaves Brutalidades”, que será lançada nesta quinta-feira, 15, a partir das 9h, no Museu Casa das Onze Janelas. A exposição seguirá aberta para visitação até o dia 30 de agosto, de terça a domingo, das 9h às 17h.

“Suaves Brutalidades” aborda as relações contemporâneas, mas debruçando o olhar sobre o homem, o que é e pode ser masculinidade e as rotinas de vida e modos de se relacionar entre homens.  Com curadoria de Tales Frey, a exposição traz obras que transitam entre a visualidade e performance por meio de suportes multimídias, e é o resultado de um processo poético de vida e arte empreendido por Montagne durante seis anos. O artista concedeu uma entrevista exclusiva para o Holofote Virtual, onde conta com detalhes este processo criativo e a experiência de realizar uma exposição em tempos tão turbulentos.      

Conta um pouco sobre a tua trajetória artística e de vida.

Henrique Montagne: Bom, eu sou formado em Bacharelado em Artes Visuais pela UFPA. Mas, sempre tive direcionamentos para as artes. Sempre desenhei desde moleque, morava no bairro da Cremação em uma passagem chamada Mocambo, a casa da minha vó era de madeira e ela passava boa parte do tempo comigo, me dando papel e brincando comigo. Foi uma boa infância familiar, dentro de casa sempre tive muita liberdade, mas dentro do colégio, já não era mais bem assim... 

Sofri muito bullying, perseguição na escola, situações constrangedoras e humilhantes, sempre voltava chorando da escola devido ao meu comportamento quando criança, sempre fui bem quieto e tímido e fora do padrão de um menino “normal” na época (e ainda hoje) que era jogar bola, paquerar todas as meninas e pensar em namoro. Eu, não. Sempre gostei de estudar e assistir filmes, desenhar, cantar e escutar música na MTV no início dos anos 2000. 

Minha educação sobre o diferente sempre foi de respeito, e eu mesmo fui buscando sobre, desde pequeno tinha noção da minha “afetividade” e “sexualidade”, não via como diferença gostar de um menino ou de uma menina, mas sempre guardava isso pra mim. Minha família era bem humilde e não tinha referências e esses contatos com a diversidade; aprendi pela TV, na época ainda estava começando as “Lan Houses” nos bairros de periferia, daí comecei a acessar a internet e pela primeira vez tive acesso ao computador e fui pesquisando e vendo que não era só eu que pensava assim. 

Depois com Ensino Fundamental e Médio, conheci outros adolescentes, colegas que compartilhavam dos mesmos pensamentos, que também estavam tentando se entender. Então já podia me defender e defender minhas ideias e convicções e o preconceito já era tido como algo “arcaico” (mas que perdura até hoje). Me mudei pro Jurunas nesse período, onde moro há mais de 10 anos. 

Em 2013 tive a oportunidade de fazer um curso na ETDUFPA de Produção Cultural, lá tive o primeiro contato real, com artistas e pessoas “diferentes” do meu mundo e rotina, homossexuais, bissexuais, lésbicas e héteros. Assisti pela primeira vez uma peça de Teatro que não era “cristã”, inspirada no Faroeste Caboclo de Renato Russo, vi que a sexualidade era algo que realmente não tinha explorado nem 1/3, aquilo era um mundo totalmente novo. 

Comecei a conhecer a noite e o circuito cultural e artístico de Belém naquela época. Com os colegas de teatro fui experimentando trabalhos artísticos, que na época era com fotografia e arte digital, eu trabalhava com os performers e criávamos obras juntos. Até que em 2014 eu fui selecionado pela primeira vez em um salão de arte, o Salão de Arte Digital Xumucuís e foi na Casa das 11 Janelas. Lá conheci algumas pessoas da UFPA de artes e a partir daí pensei em prestar vestibular pra Artes Visuais, e entrei na universidade em 2015. De lá foi um aprendizado de experiências e múltiplas vivências para enfim  direcionar em 2016-17 a minha pesquisa e investigação poética e a minha produção como é hoje, o que gerou meu TCC “Até Logo: Ou a arte das relações” para a conclusão da graduação em 2019.

Essa é a tua primeira exposição individual. Foram seis anos de processos criativos que culminaram agora com a exposição. Me fala um pouco sobre esse percurso, como foi o processo criativo e os atravessamentos entre arte e vida nesta construção?

Henrique Montagne: Exatamente por ser um percurso longo, a exposição se apresenta entre duas pesquisas que se conectam como poética que persiste em meu trabalho. Falar sobre as relações afetivas na contemporaneidade e sobre a masculinidade, ou seja, falar e debater sobre gênero e também como isso se reflete e quem protagoniza esses causos afetivos e brutais das relações amorosas no mundo contemporâneo. 

Com a curadoria do Tales, ele traz tanto trabalhos meus de 2013, muito antes de entrar na universidade, junto com trabalhos a partir de 2016, quando assumo e inicio de fato essa pesquisa em teoria e prática que finaliza em 2019, mas ressurge e abre margem para o período pandêmico, então também tem obras inéditas que nunca postei na internet nesta exposição. 

Tendo essa poética, mas partindo do cenário atual da distância e de estar mais solitário que nunca. Tudo se conecta em uma narrativa que pode ser lida por vezes como autobiográfica, mas esta é um tanto como auto ficcional. Gira muito em torno do personagem, da criação, do causo que foi gerado, da ficção, do que pode ou não ser ou ter sido verdade. Parto de uma frase que eu mesmo utilizo algumas vezes. 

“Existe mais verdade que a ficção?”. Com esta, abrimos pensamentos e adentramos um mundo de realidades mesmo que imaginadas. Então há um processo sobre as relações contemporâneas, mas tendo um olhar do homem, tendo a masculinidade como reflexão, para trazer o corpo, os códigos, as relações de poder deste universo como forma de relacionar esses atravessamentos. Compreender o que é o homem, o que é e pode ser masculinidade, e as rotinas da vida de relacionar entre homens. 

Suaves Brutalidades traz à tona o universo afetivo masculino, os prazeres e as violências experienciadas na relação entre homens. Como é pra ti, reviver tantos afetos pela via da arte?

Henrique Montagne: É como um processo de cura, de autodescobrimento e compreensão de si. É adentrar e utilizar destes causos da vida na arte para compreender as experiências e os sentimentos que nós sentimos. A vida humana é uma grande investigação e mistério. 

Falar de sentimentos é mais complexo ainda. Essa poética do afeto é importante, por que não é sobre falar de si mesmo, mas falar do outro e com o outro para ambos se compreenderem. Como ele se sente e eu me sinto, o que carregamos, o que trazemos, o que sofremos, o que ferimos, quem nos feriu, o que temos em comum, o que nos atraiu para termos nos apaixonado. Cada relação que eu tive foi diferente uma da outra, por que você aprende com o outro, sempre experiencio coisas diferentes com cada pessoa que dediquei meu tempo e minha vida, nem que seja por um curto período de tempo. 

Existem homens, não existe “O Homem”. Tenho essa responsabilidade na palavra, de descobrir ainda o que é ser um homem. Ainda amo alguns ex-parceiros ainda mais que outros, e os sentimentos por uns se transformaram em irmandade, amizade ou em nada. Tem algumas referências destas experiências em trabalhos meus, de forma subjetiva, ou criados ficcionalmente. Por um longo período essa liberdade de amar foi negada, isso foi jogado desde o nascimento. E nós nunca sabemos como agir, é algo que o tempo, a vida e arte vai nos trazendo para viver. E arte é uma forma minha não de reviver o passado, mas de continuar vivendo o presente e olhar para o que passou com um outro olhar, cômico, crítico, dramático, reflexivo ou irônico.

Em tempos de afastamentos e de sentimentos e percepções embotadas sobre as próprias afetividades, de que forma o teu trabalho contribui para a que a coletividade lance outro olhar sobre as afetividades masculinas, suas suavidades e brutalidades?   

Henrique Montagne: Essa pergunta é muito importante, pois quando trago as relações afetivas não falo girando em torno delas em seu próprio eixo, parto de um ponto de vista masculino, então querendo ou não é debater e falar sobre gênero, olhar com criticidade para a masculinidade. E trazer representatividade nestas narrativas e vivências destes corpos dentro da arte. Debater sobre o que é a identidade “Homem”, e quando falamos sobre Homem, a sociedade já criou códigos de conduta, performance e de leitura do que seja um Homem devido ao patriarcado. 

“Um homem não chora, um homem nasceu para ser o chefe, gostar de mulher e ter uma (ou várias), ter uma “família”, ser respeitado, saber se defender, ser bom em futebol” e sei lá o quê. Quando você foge disso, ainda antes de se tornar adulto, você é questionado e declarado como um não-homem, uma “bicha” ou um gay (como se homossexuais não fossem homens), é bizarro, por que percebemos que quando um homem se torna adulto e falha em algumas questões destas que não sejam relacionadas a sexualidade, como na “carreira” ou na “família” você ainda é respeitado, pois gosta de mulher, ainda é um ser masculino e te chamam de no mínimo “moleque”.

Ser homem não é nada disso que o patriarcado nos impõe. É uma construção social, assim como a identidade mulher, “Você não nasce Mulher, Tornar-se”. “Você não nasce homem, torna-se”. Mas ser Homem ainda é um grande ponto de interrogação quando você questiona as certezas do que é ser um na sociedade. Ora, se a homoafetividade se constrói a partir da admiração e desejo pelo masculino. Ser desejado e desejar o outro igual a você não te faz menos homem ou um não-homem, seja homossexual ou bissexual. A masculinidade é ampla e diversa em muitas culturas. Estes códigos de conduta influenciam nossas atitudes, nosso corpo e o que pensamos sobre gênero, até no meio Gay e Homoafetivo. 

Como digo, é um processo de cura e descobrimento, pois são muitos caminhos até encontrar um outro alguém. Nós chegamos em um relacionamento sem saber como dois iguais se relacionam, tentando não fazer que nossos traumas pessoais interferiram na convivência, em como admirar e respeitar o outro com as suas diferenças. Amar neste contexto é uma experiência suave, mas brutal. Muitos não podem expor o relacionamento em público, muitos não falam sobre sua sexualidade pros pais, e ainda estão em um “armário” por receios. 

A geração atual de jovens queers se encontram privilegiados em certas questões como poderem andar livremente na rua e expressar sua identidade, mas é importante relembrar que houve muita luta das gerações anteriores, para que direitos básicos de existência fossem adquiridos na sociedade, pois LGBTQ estão em todos os lugares desde a existência do mundo, e devido ao cristianismo isso foi sendo imposto como culpa e associado ao pecado e também a perseguição da “ciência” eugenista como fuga da natureza “humana”.

A própria cultura queer, gay e bissexual possui uma história de resistência, onde códigos, signos, comportamento e linguagem específicos foram sendo criados através do século XX. Como formas de existências pertencentes a uma cultura diversa e plurais masculina. Como o crusing, os banheirões, as tribos como os bears, os twinks, os padrões, os queers, os intelectuais. Na música e na performance como a house music, a admiração pelo universo feminino e o enaltecimento das divas pop, a montação e a arte drag, a cultura ballroom, os aplicativos de pegação de celulares, fetiches sexuais etc... 

Quais são as principais referências de artistas que dialogam com o teu trabalho?   

Henrique Montagne: São várias e de forma transdisciplinar, como artista multimídia as referências vão para além das artes visuais. Mas ressalto nas artes visuais os artistas visuais brasileiros, sendo estes do final da déc. 80 para déc. 90; Leonilson, Rafael França, Hudinilson Jr. e Cláudio Goulart. Artistas que trabalhavam com a sexualidade, afetividade, ficcionalidades e debatiam sobre gênero antes da compreensão e do “queer” chegar no Brasil. Era tudo de maneira intuitiva e sincera. 

Atualmente voltam a ter evidência devido sem sombra de dúvidas o fato de Leonilson (já falecido) entrar em circulação como um principal representante da arte queer no Brasil, mesmo que ele e os outros por um longo tempo ficaram invisibilizados e se quer foram mencionados em livros de arte. Como se não existisse uma arte brasileira ligada a sexualidade e a homoafetividade até os anos 2000s. E infelizmente alguns foram vítimas da Aidas. Na América Latina posso citar o cubano/estado-unidense Félix Gonzales Torres que possui um trabalho contemporâneo que se aproxima muito do meu falando sobre as fragilidades da vida e também sobre a masculinidade, mas tendo uma boa parte do seu trabalho direcionado a sua vivência com o vírus da HIV/AIDS na década de 90. 

Também existem as artistas mulheres Tracey Emin e Nan Goldin que trabalham com as relações afetivas, com um ponto de vista “feminino” mesmo assim elas me fazem sentir muito conectado com seus trabalhos. Para além das artes visuais, séries como Black Mirror, The Twilight Zone. Na literatura, Ginsberg, Caio Fernando Abreu e Leminski. Na música, muita coisa. Além de ser artista, sou DJ e trabalhei muito na noite para pagar as contas. Então trabalhos e albums como os da Madonna, Cindy Lauper, Donna Summer, Pet Shop Boys, Tears for Fears, Depeche Mode, The Smiths, The Cure. Sou muito influenciado pela estética retrô Oitentista e Noventista. Isso se apresenta em algumas formas como apresento alguns trabalhos nesta exposição.

Como citas no teu memorial, és versátil, de corpo adaptável. Como essa característica pessoal reflete na tua produção artística, escolha de meios, suportes, linguagens?

Henrique Montagne: Ela reflete de maneira experimental e natural, você pode perceber que minha narrativa de trabalhos percorre diferentes linguagens e formas de estimular minha poética, mas ainda se conectam ou atravessam na mesma nuvem de pensamentos. Como a arte vida, relações afetivas, sexualidade, gênero, relações de poder, amor e violência e ironia. Nesta exposição pode ver minha atuação desde as artes bidimensionais tradicionais como a pintura e o desenho que foi minha primeira linguagem até a instalação, objeto, performance, meme, escultura, vídeo. 

Quando digo adaptável, digo estar aberto a certas posições e direcionamentos que o próprio trabalho acaba pedindo e eu só espero o tempo de algo venha a ocorrer para isso ser transmitido para o trabalho, ainda sou daqueles artistas que precisam estar totalmente imersos para que o trabalho seja sincero. Que aquele trabalho seja uma partícula de mim e da minha alma e atmosfera, além da estética. Nem mesmo nas artes tradicionais, como no desenho, o meu desenho acaba se estendendo e se influenciando com outras linguagens como a fotografia, onde me aproprio de muitas imagens virtuais. Então se eu fosse um artista que escolhesse apenas trabalhar com uma linguagem, acredito que seria até mais fácil, mas não, ser um artista multimídia me traz estar adaptável as sinceridades e mudanças que o próprio trabalho pede.

O teu trabalho dialoga bastante com o ciberespaço e com uma sensação de vazio e preenchimento nas relações e interações on e off. Pra ti, qual a influência do virtual na tua investigação poética tanto no que tangencia a arte quanto as relações e lugares de afetos? 

Henrique Montagne: De forma subjetiva, a exposição de certa forma possui obras de momentos diferentes da minha vida e de vivências e interações com o ciberespaço, mas também fora dele onde ele nem é citado. 

Acredito que este aparece como um campo de experimentação, mais do que o personagem principal. Pois acabo trazendo a tecnologia e como ela acaba influenciando subjetivamente a forma de se relacionar ou de ser hoje devido à um processo de investigação em torno da arte inserida nas novas mídias. Então a poética destas relações e lugares de afetos se reverberam no virtual e no presencial. 

A tecnologia foi criada pelo ser humano e esteve desde o período primitivo, é uma forma de sobrevivência, o fogo, a internet... sobrevivência da vida, de sua maneira de pensar, de existir e de manter relações. E esta acabou se acentuando mais que nunca em um contexto pandêmico. Como as nudes, o sexo virtual, o flerte nos stories e no feed do instagram, as festas virtuais no zoom, Netflix, spotify, playlists para limpar a casa ou esquecer de alguém. Falar sobre estas interações são para além do clichê do “futurismo” ou do “high-tech”, mas toda esse virtual acaba fazendo parte da nossa vida e reflete na nossa cultura.

Serviço

Exposição SUAVES BRUTALIDADES, de Henrique Montagne. Abertura: quinta feira, 15 de julho, a partir das 9h, no Museu das Onze Janelas (Praça Frei Caetano Brandão s/n). Visitação até o dia 30 de agosto, de terça a domingo, das 09h às 17h. Entrada Franca. Informações: (84)99638-9426. 

12.7.21

Grupo Palha estreia temporada em sala virtual

Foto: Bruno Moutinho

Uma pesquisa em duas das obras do icônico dramaturgo brasileiro Plínio Marcos inspira a nova peça do Grupo de Teatro Palha. Explorando o submundo e a miséria humana, O Quarto estreia em temporada virtual no canal do YouTube do grupo nos próximos dias 16, 17, 18, 23, 24 e 25 de julho, sempre às 20 horas. O espetáculo é contemplado pela Lei Aldir Blanc, através da Secretaria de Estado de Cultura (Secult).

Os textos Navalha na Carne (1967) e Barrela (1958) foram aprofundados pela encenação do diretor Paulo Santana, que resultou em um espetáculo visceral em revelar a miséria humana. No elenco, a veterana Abigail Silva contracena com dois outros nomes que despontam no cenário teatral de Belém, Bonelly Pignatário e Kesynho Houston, imprimindo um espetáculo de uma intensa entrega cênica.

Na peça, a prostituta um tanto velha e nada bonita Deusa Marly, após um dia de trabalho encontra Zeca, seu amante e cafetão, no quarto sujo e decadente em que reside. Ele está sem dinheiro e procura a mulher para que esta lhe entregue o dinheiro de seus programas, quando ela dá conta que este não está onde ela deixou. 

Depois de muito bate-boca, a suspeita do casal, então, recai sobre lindinha, homossexual que trabalha como faxineiro no local, que poderia ter roubado o valor quando entrou no quarto para fazer a arrumação. Quando Veludo é chamado, ele nega seu envolvimento no sumiço do dinheiro e defende-se como pode, gerando as discussões que nortearão o restante da trama.

O grupo iniciou o trabalho com a intenção de trazer para a cena o texto na íntegra “Navalha na Carne” de Plínio Marcos, uma obra que expressa as contradições da sociedade no que tange a relação de poder e submissão, porém durante o processo de montagem, o grupo optou em trabalhar as ações violentas e discriminatórias das condições humanas e o duro retrato do submundo, dando destaque para a violência dos personagens, que vivem numa disputa constante pelo domínio do outro através da força e da humilhação.

“Vivemos, hoje, sob o jugo de um tempo cujos valores sustentam individualismos que, aliados a modelos econômicos, nos moldes do neoliberalismo, criam uma situação na qual a desesperança é a mola mestra. E são justamente os desassistidos sociais que mais sofrem com esta situação”, pontua o diretor Paulo Santana sobre o espetáculo.

O Quarto é um espetáculo para ser visto com os olhos atentos ao agora, pois diante de uma situação de calamidade e miséria, a cidadania é negada, especialmente aqueles que vivem em situação de subalternidade em nossa sociedade. Plínio Marcos permanece mais atual do que nunca.

Serviço

Espetáculo O QUARTO, do Grupo de Teatro Palha

Canal do Youtube do Grupo Palha 

Link: https://www.youtube.com/watch?v=78x5Di8hQ_Y

Temporada virtual nos dias 16, 17, 18, 23, 24 e 25 de julho

Sempre às 20 horas

(Holofote Virtual com assessoria de imprensa)

10.7.21

Último episódio do Pavulagem: Cortejo de Saberes

Foto: Marcelo Lélis

Pavulagem promete uma despedida de emocionar, no último episódio do “Arraial Brincante”, sua temporada de lives em 2021, com patrocínio da Equatorial Pará. A programação é transmitida ao vivo, neste domingo, às 11h, em multiplataformas.

O tema de encerramento é “Cortejo de Saberes”, que coloca em evidência os arrastões do Boi Pavulagem como um símbolo da cultura junina de Belém, reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Pará. O episódio aborda ainda alguns dos saberes que atravessam o arrastão, como a confecção de seus instrumentos, com o artesão Zetti; e as particularidades da Caixa de Marabaixo, com Paulo Bastos. 

A programação musical conta com duas convidadas especiais: Karen Tavares, que acaba de lançar o álbum audiovisual “Mandou Chamar”, nos presenteia com o videoclipe de “Barreira do Mar”; e Luê, filha de Júnior Soares, um dos fundadores do Arraial do Pavulagem, participa em vídeo com Matteo, seu parceiro musical, tocando uma música do disco “Amorzinho”, chamada “Bêbada de Amor”, também recém-lançado.

O repertório do show será composto nos discos: “Céu da Camboinha” (2013), com canções como “Barca da Lua” e “Cachoeira Prateada”; assim como “Caeté Camará” (2018), com “Pensamento Voa” e “Cabelo Cacheado”. Os discos são os mais recentes da banda e estão disponíveis em todas as plataformas de streaming, além de terem algumas canções em videoclipe no YouTube. Também seguimos para o lançamento do videoclipe de “Guardião de Maiandeua”, uma homenagem ao mestre Chico Braga, feita especialmente para as lives de julho, no ritmo do carimbó.

Foto: Marcelo Lélis

Para a analista de Sustentabilidade da Equatorial Pará, Michelle Miranda, o apoio ao Arraial pelo terceiro ano é motivo de  muita alegria. “Queremos repetir o sucesso das lives do ano passado, contribuir com a cultura do Pará, levar entretenimento aos paraenses é algo que muito nos orgulha”, ressalta. 

O projeto recebe patrocínio por meio da Lei Semear, da Fundação Cultural do Pará e Governo do Pará; além do apoio da Prefeitura de Belém e da Cultura Rede de Comunicação. Todos os episódios seguem disponíveis no Youtube e compõem um verdadeiro almanaque dessa grande manifestação da cultura paraense.

Serviço

“Arrastão do Pavulagem, Arraial Brincante” - Ep 4 “Cortejo de Saberes”

Quando: Domingo, 11, às 11h;

Onde: Youtube (/arraialdopavulagemoficial), Facebook (@equatorial.pa) e na TV Cultura (canal 2.1);

Quanto: Gratuito.

Lojinha do Pavulagem:

https://www.instagram.com/lojinhapavulagem

Siga o Pavulagem nas redes sociais:

https://www.facebook.com/arraialdopavulagemoficial

https://www.instagram.com/arraialdopavulagem

https://www.youtube.com/arraialdopavulagemoficial

Escute o Arraial do Pavulagem no Spotify:

https://open.spotify.com/artist/5vrkUSl1Y1CXGRKwYt5mH3

(Holofote Virtual, com texto da assessoria de imprensa).

9.7.21

Um tour virtual pela história de Sebastião Tapajós

Um dos mais importantes violonistas do país, o paraense Sebastião Tapajós, um mestre do violão amazônico e latino, é homenageado na exposição que leva o seu nome e que pode ser acessada de qualquer lugar do planeta, pela internet, numa galeria virtual durante todo o verão paraense. Para passear pela história do músico acesse o site (vanesaabarros.com.br). O projeto é um dos selecionados pelo edital de artes visuais da Fotoativa e Secult-Pa, com apoio da Lei Aldir Blanc”
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"Postura, violão apoiado na perna esquerda, disciplina, estudo, um tímido sorriso. Uma pessoa simples, sensível, artista gigante que com seu talento e paixão pelo violão, levaria nossa Cultura e apresentaria seu inconfundível dedilhar de Santarém para o mundo inteiro. Grande Tião!". A descrição não é mas bem caberia a essa foto atual de Sebastião Tapajós, aos 78 anos, mas na verdade é um comentário da cantora Lucinnha Bastos, sobre uma foto em que vemos Sebastião Tapajós, aos 16 anos, empunhando seu violão.

Violonistas, intérpretes, artistas e produtores participam da exposição como autores dos textos legenda das imagens. Além da intérprete, também tecem comentários sobre fotografias e outras imagens, os violonistas Igor Capela, Delcley Machado, Nilson Chaves, Nego Nelson, Sergio Abalos, e ainda, Gilson Peranzzetta, Billynho Blanco, Carmem Ribas, Jane Duboc, Luiz Pardal e Lourdes Garcez, entre outros. 

Para Paulinho Moura, 7 cordas, por exemplo, "Sebastião Tapajós tem uma importância enorme no mundo da música popular brasileira e na música mundial. Ele fez com que o Choro fosse conhecido lá fora. Ele é um divulgador do Choro, apoiador do Choro. Ele é meu mestre”, diz ele em um dos trechos do texto na exposição, acerca de uma foto em que o músico se apresenta com o Charme do Choro, grupo formado em Belém, por instrumentistas mulheres.

Ao todo são 30 imagens em fotografias, recortes de jornais e revistas, além de capas de discos e outros documentos estão na exposição virtual, que nos revelam encontros de Sebastião Tapajós com Waldir Azevedo, Astor Piazzola, Ednardo, Belchior, Billy Blanc, além de fatos da carreira mais recente e encontro com as novas gerações da música e do choro, gênero que marca sua trajetória de mais de 60 anos.

A curadoria da exposição é da fotógrafa Vanessa Barros, com produção executiva de Carmen Ribas. Ambas possuem uma relação de amizade de longa data com o músico. Ribas vem tratando de alguns projetos com o violonista, e Vanessa, casada como o pianista Andreson Dourado, que toca com Sebastião Tapajós há alguns anos, teve oportunidade, por também morar em Santarém, morada do músico, acesso a seu baú de memórias.

Ela é de Altamira, mas foi morar em Santarém, em 2014, onde estudou Direito, mas antes mesmo de se formar, passou a se dedicar à fotografia. "Eu digo sempre que a fotografia me escolheu. E é muito difícil você morar nesta região e não se encantar e registrar essas belezas. E ao conhecer Sebastião Tapajós, fiquei mais encantada ainda, não tem quem não se encante com esse violão maravilhoso. Desde a primeira vez que eu o ouvi, foi assim. E com a proximidade que tivemos, acabei me interessando pela sua história. Descobri que ele tem amigos em cada canto desse país e do mundo. É muito incrível a sua trajetória”, diz.

Trajetória e reconhecimento

Aos 16 anos, em Belém

Sebastião Tapajós tem uma trajetória fascinante, que começa aos seis anos de idade. Aos dez, ele ganhou o primeiro cachê e, aos doze, passou a trabalhar como violonista, na banda santarena “Os Mocorongos”. Aos 16 anos,  veio para Belém, onde teve aulas particulares de Teoria Musical, até ir para o Rio de Janeiro fazer um curso intensivo de Técnica Violonística.

Autodidata, foi influenciado por João Pernambuco e Dilermando Reis, dois notáveis do violão no Brasil, que ele ouvia em Santarém em emissoras de rádio de Ondas Curtas. Para seguir carreira profissional ele precisa evoluir em seus estudos e na falta de um curso superior no Brasil, já nos anos 1960, foi estudar violão na Europa. 

Em Lisboa consolidou o violão erudito ampliando seu repertório como compositor e em Madri, no Conservatório de Cultura Hispânica, dominou técnicas de guitarra latina. Em 1967, ele recebeu a cadeira de violão clássico do Conservatório Carlos Gomes de Belém, mas o evento que deu impulso decisivo à sua carreira foi a execução da obra-prima de Villa-Lobos, o Concerto para Violão e Pequena Orquestra, com a Orquestra Sinfônica Nacional no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. 

A partir daí, seguiram-se vários convites para concertos no Brasil e no exterior. Em junho de 2020, Sebastião Tapajós, ao receber o título de Doutor Honoris Causa, pela Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), declarou: "A música é minha alma, meu porto seguro, minha vida".

AGENDE-SE

Exposição Virtual Sebastião Tapajós. Projeto selecionado pela Lei Aldir Blanc – Edital de Artes Visuais Fotoativa e Secult-Pa. 

Acesse a galeria: 

www.vanessabarros.com.br

Acesse também o podcast com a curadora:

https://open.spotify.com/episode/7muV9FUF3M1Ytf6njxSyjI

8.7.21

Latinidade invade a Mostra Lambateria de Verão

O segundo programa da mostravam ao ar nesta sexta, 09, às 19h30, no Youtube da Lambateria, e contará com a latinidade do multiinstrumentista Bruno Benitez. O projeto foi selecionado pela Lei Aldir Blanc Pará.

Idealizada para levar entretenimento sem aglomeração, a Lambateria de Verão é uma mostra de música em formato de programa para internet que contará com apresentações de artistas que representam as diferentes vertentes da música dançante feita no Estado, misturando quadros de dança, receitas e seleção de videoclipes. 

Com sangue latino e amazônico nas veias, Bruno Benitez é um dos artistas que representa a diversidade cultural paraense, onde ritmos como Carimbó, Merengue, Lambada e a Cúmbia fazem parte do cotidiano e das festas de Belém. Por influência do pai, o músico uruguaio Daniel Benitez (falecido em 2019), Bruno começou na música cedo. Integrou diversos trabalhos musicais, entre eles o grupo Mundo Mambo e Arraial do Labioso. 

Após lançar dois álbuns: Coração Tambor (2014) e Miscigenado (2018), o artista lançou seu terceiro álbum solo Tropicodélico, em março deste ano. Para o programa, Bruno irá mesclar músicas do último álbum aos outros discos e também canções que fazem parte de seu repertório como “Garotinha Linda”, composição de seu pai Daniel Benitez. Quem quiser ir entrando no clima, acessa o perfil da Lambateria no Spotify e ouça uma playlist com músicas autorais e influências musicais de Bruno Benitez.

Ainda nesta sexta, a receita fica por conta de Mariucha Morgado (@mariqueti_) que ensinará uma sobremesa gelada e refrescante feita com goiabada. O professor Rolon Ho (@rolon_ho) também estará presente com um vídeo demonstrando como se dança Merengue. De Santarém, o DJ Zek Picoteiro (@zekpicoteiro) preparou uma playlist com clipes que representam a latinidade de nossa música e que estará disponível no Youtube Lambateria Belém.

“Ainda precisamos ter cuidado por conta da pandemia e a Lambateria de Verão é um projeto muito bacana porque permite que a gente curta o verão sem se expor. É uma programação bem bacana para curtir o verão na segurança da nossa casa”, explica Bruno Benitez, artista que participa da Mostra Lambateria de Verão.

As gravações da Mostra Lambateria de Verão foram realizadas no início de junho. As receitas foram gravadas nas cozinhas das chefs Cássia Faria (@cassiafariagastronoia) e Mariucha Morgado da Doceria Mariqueti. Já os shows foram gravados no Centro Cultural Atores em Cena, um casarão antigo localizado na Av. Nazaré. O local foi escolhido por ser um espaço de cultura, um cenário muito adequado à proposta do projeto, mas também por ser bem amplo, permitindo que a equipe trabalhasse em segurança, respeitando o distanciamento com uso de máscaras e higienização constante das mãos e dos equipamentos.

O projeto Lambateria de Verão prevê ainda a realização de três encontros virtuais gratuitos na segunda quinzena de julho. A oficina “Produção e Organização de Conteúdo para Divulgação”, voltada para artistas e produtores que desejam melhorar a divulgação de seu trabalho, ministrado pela jornalista Sonia Ferro; o bate-papo “A Música Paraense e a Inovação na Música Brasileira” que contará com participação de Félix Robatto e Bruno Benitez voltado para estudantes de música e aula show de Lambada para grupo de idosos.

A Mostra de Música Lambateria de Verão foi selecionada pelo Edital de Multilinguagens – Lei Aldir Blanc Pará, com apoio da Secult/ Governo do Estado, da Secretaria Especial de Cultura e do Ministério do Turismo / Governo Federal.

PROGRAMAÇÃO – Sextas de julho às 19h30

09 de julho – Artista convidado: Bruno Benitez + receita + dica de dança + clipes + entrevista

16 de julho – Artista convidado: Lucyan Costa + receita + dica de dança + clipes + entrevista

23 de julho – Artista convidada: Bella + receita + dica de dança + clipes + entrevista

30 de julho – Compacto com os melhores momentos

Serviço

| O quê: Mostra de Música Lambateria de Verão

| Quando: Sextas de julho (02, 09, 16, 23 e 30) às 19h30

| Onde: Youtube da Lambateria Belém

| Mais em: lambateria.com

| Playlist Spotify 

(Holofote Virtual, com assessoria de imprensa do projeto)

Ximbinha esquenta o verão com "Praia do Farol"

No mês de julho, um dos destinos mais procurados pelos veranistas belenenses, sem dúvida é Mosqueiro. A ilha, que renova a quem a visita, foi inspiração para Ximbinha, que lançou nesta quinta-feira, 8, seu mais novo trabalho, a canção "Praia do Farol", com um videoclipe. A produção faz parte do segundo disco do projeto autoral do artista “Guitarras que Cantam”.

Ximbinha iniciou carreira na música aos 12 anos tocando em casas de shows e bares de Belém. É conhecido como um dos maiores guitarristas do Brasil, reconhecido pela crítica e músicos da cena nacional. Possui mais de 600 CDs e DVDs com a assinatura de produtor ou participante, incluindo trabalhos com a banda Calypso, da qual foi um dos fundadores e alcançou o sucesso de mais de 20 milhões de vendas ao longo de 16 anos.

O sucesso do passado ainda é uma realidade do presente, mas agora o músico pretende resgatar, com esse projeto, aquilo que permeia a sua alma com paixão: a música, o Pará e a guitarra. “Praia do Farol”, que chegou nesta quinta-feira em todas as plataformas digitais é inédita, mas integra um projeto instrumental antigo, "Guitarras que Cantam", cujo primeiro disco nasceu em 1998. Deste segundo trabalho, ele também já lançou em maio e junho as faixas, "Maratauira" e "Nova Redenção". E agora "Praia do Farol", com a qual ele pretende embalar o verão paraense.

“Tenho uma verdadeira relação de amor pela Ilha de Mosqueiro, sou frequentador assíduo e é uma paixão inexplicável. Amo as praias, o ambiente, me sinto em paz quando estou tomando banho naquela água maravilhosa. Tenho amigos que moram lá, então sempre estou por lá”, revela o músico. 

Ele conta que  Guitarrada Praia do Farol “foi composta em um final de semana que eu estava na ilha, mais precisamente na Praia do Farol, e, por isso, decidi batizar a música em homenagem.  A Guitarrada Praia do Farol é alto-astral, alegre, pra cima, dançante, e tenho a mesma visão da Ilha de Mosqueiro, me traz um sentimento de alegria sempre que estou por lá”, disse o músico.

As novidades não param por aí, o artista está em fase de produção de um DVD, também como parte do mesmo projeto. Já foi gravado e está em fase de edição, com muita guitarrada, merengue, calypso e o tradicional brega que não deixa ninguém parado.

Para ver e seguir:

Vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=JOpTm3A01GE

Instagram: https://www.instagram.com/ximbinhaoficiall/

(Texto de Luana Moraes, com edição do Holofote Virtual)

5.7.21

“O Grito” contra o racismo e a desigualdade social

A pandemia escancarou o racismo e a desigualdade social no Brasil, onde negros são a maioria dos mortos por covid-19. Além disso, dados de 2019 apontam que a morte de pessoas negras em operações policiais foi 130% maior que a de brancos. É contra esse cenário que os artistas paraenses Jenni Velozo e Salgado MC, que formam o Ori, protestam em “O Grito”, colaboração da dupla com o produtor musical Selektah Nubeat. A canção chega com videoclipe no próximo dia 15 de julho no canal do Selo Kizomba no Youtube.

Sobre o conceito da música, Jenni explica: “É sobre a dura realidade que nós e todos os moradores da periferia vivem. A letra traz relatos de vivências relacionadas à violência, péssimas condições de atendimento na área da saúde e outras questões que contribuem para as exclusões sociais. Nela, também trazemos à tona a pauta da luta antirracista. Ou seja, a letra é uma crítica e também fonte de empoderamento para mudanças”, diz.

Para construir a sonoridade que embala o grito de protesto, Selektah Nubeat une elementos do rap, reggae e música eletrônica, inspirado pelo ritmo londrino Dub Step. “É interessante notar que a música tem um momento de virada, onde o som fica mais forte e intenso. Isso ocorre na mesma hora em que a Jenni está cantando a parte mais pesada da letra. Não foi algo combinado, mas mostra como casou bem as características da batida com a letra”, conta.

O videoclipe de “O Grito”, que segue formato de animação com a letra da música, é uma realização de Daniel Ops e da Ditôca Studio. O trabalho é a primeira colaboração do duo Ori com Selektah. Além dessa gravação, os artistas têm outra canção preparada para ser lançada nos próximos meses. “Gravamos duas músicas, a primeira é essa, mais política e necessária para o momento que vive o país. Na próxima, viremos mais pop, sem perder de vista essa questão da exaltação de nossa ancestralidade e negritude”, diz Salgado.

Sobre os artistas

Jenni Velozo e Salgado MC

Jenni Velozo é mulher negra, mãe, estudante de psicologia, trancista e vocalista da MusicArte e do Ori. Natural de Belém, ela já tem carreira consolidada na cena artística local, passando por eventos acadêmicos, da prefeitura, e apresentações em teatros, bares e manifestações políticas, como a Marcha das Mulheres Negras. 

Em 2015, fundou a MusicArte, com quem já lançou o single “Liberdade” e prepara o lançamento do primeiro EP do projeto, intitulado “Grito Ancestral”. A banda ainda é formada por Jessi Costa (guitarrista e violinista), Jeanni Velozo (violonista) e Juliane Ferreira (violonista e baixista).

Já Salgado MC é poeta e compositor desde 2015, já tento atuado em diversos movimentos como batalhas de MCs e sarais de poesia. Em 2016, ele lança o single "Essa é a verdade", quando, juntamente com o coletivo Manga City, abre o show dos rappers Djonga e BK na capital paraense. Em 2018, em parceria com a GangueTR, divulga o álbum “A Febre do Rato”, dedicado à luta antirracista. A parceria com Jenni Velozo vem um ano antes, quando iniciam o projeto autoral denominado Ori, além da parceria com a MusicArte.

Allan Casimiro, mais conhecido como Selektah Nubeat, iniciou carreira musical em 2012, como DJ em festas de Castanhal, onde nasceu no bairro Nova Olinda. O trabalho avançou e, em 2016, o artista fundou o selo Kizomba Groove para produzir artistas do rap e fomentar a cena independente local. Versatilidade é a marca do produtor, que já tem mais de dez trabalhos gravados. Só em 2021, ele já lançou o álbum de reggae “Cultive”, que conta com o clipe da faixa “O Amor”, em parceria com o cantor e compositor Dudu Urband, e os videoclipes “De Lá”, com o rapper castanhalense Kratos, e “La Busca”.

(Holofote Virtual com texto enviado pela assessoria de imprensa)

Fecant especial premiou compositores de Altamira

Vencedores | Fotos: Jaime Souzza

O cantor e compositor MC JV venceu o 1o lugar de Melhor Música no I Fecant Altamira/ Kids com o single "Beth". A edição especial do Festival Canção da Transamazônica para artistas daquele município da Região do Xingu ocorreu na sexta-feira e no sábado, 2 e 3 de julho, no Teatro Municipal. O show de encerramento foi realizado pela cantora Alba Mariah. 

"O Fecant foi maravilhoso. O Fecant deu muita oportunidade, abraçou o povo altamirense. Todo mundo foi bem. Gostei do talento de várias pessoas. A premiação vai me dar oportunidade de invinvestir na minha carreira e de ajudar um pouco a minha família também", conta MC JV.

Ele começou a carreira em 2017, quando estava com 14 anos e já se apresentou em várias cidades da região, inclusive ao lado de MC Leven, de São Paulo. "Agora vou viajar para São Paulo em busca de progresso e levando Altamira no peito, mostrando que aqui também tem artista".

"Beth" competiu com outras 11 canções. Ele levou troféu e o prêmio de R$ 5 mil. O 2o lugar ficou com "Tempo, Presente de Jah", de Wanderley Santos, que recebeu troféu e prêmio de R$ 3 mil; e o 3o lugar com "Ela em Mim", de Gra Podanoschi, que levou troféu e prêmio de R$ 2 mil. Podanoschi também venceu como Melhor Intérprete; e a Melhor Letra foi de "Caos e Glória", de Edilson Tenório, que ganharam troféus e prêmios de R$ 1 mil cada um.

Encerramento do I Fecant Altamira
Fotos: Jaime Souzza

Kids - Na primeira noite do festival, na sexta-feira, 2 de julho, ocorreu o Fecant Kids, em que se apresentaram 10 cantores com idade até 18 anos selecionados pelo público no YouTube. O show de abertura foi realizado pelo cantor e compositor George Paez.

Cada um recebeu troféu e prêmio de R$ 500, sendo que Maria Eduarda, de 14 anos, moradora do bairro Independente I, venceu o troféu de Melhor Intérprete e mais o prêmio de R$ 2 mil, enquanto Júlia Godoi, de 6 anos, do Reassentamento Urbano São Joaquim, levou o 2o lugar com prêmio de R$ 500.  

O I Fecant Altamira/ Kids tem coordenação geral de Joelma Klaudia. O patrocínio é da Norte Energia, por meio da Lei Semear, da Fundação Cultural do Pará e Governo do Estado. E apoio da Prefeitura Municipal Altamira.

Vídeo do festival no site: 

http://www.altamira.fecant.com.br/

2.7.21

Fashion Fake estreia virtual com gosto de ao vivo

A emoção do elenco cumprimentando o público
Fotos: Carol Abreu
A Cia de Teatro Madalenas gravou no palco Teatro do Sesi, o espetáculo “Fashion Fake, a Roupa Quase Nova do Rei”, que vai estrear no Youtube do grupo, nesta sexta-feira, 2. A mini temporada digital vai até domingo, 4, sempre às 20h, com apoio do Edital de Teatro Secult-Pa Lei Aldir Blanc.

Poderia ter sido mais uma experiência para o ambiente virtual, sem o calor dos aplausos ou participação da plateia, mas desta vez, ainda na pandemia, foi diferente. E quem acessar o canal da companhia neste final de semana, vai perceber. Eu estava lá, senti essa emoção e bati um papo com o elenco e equipe técnica, nos bastidores, logo após a apresentação. 

Em cena, Brasilândia passa por tempos sombrios, em que a violência e a impunidade prevalecem. O povo vai às ruas para exigir dignidade, mas acaba se iludindo com as promessas de um rei vaidoso e arrogante. O elenco entrou em com entusiasmo no palco, ao ver na plateia, cerca de 120 pessoas, convidadas a reexperimentar a sensação única do espetáculo ao vivo. 

Cléber Cajun e Flavio Furtado | Bobo e Rei
“Eu estava com muita saudade de me apresentar com público, ter esse feedback dá um gás pra gente, para o personagem e para a cena como um todo. Ver que a plateia estava participando nos motivou ainda mais para o retorno às ruas e com todos vacinados”, disse Flavio Furtado, ator que interpreta o rei vaidoso que (des)governa Brasilândia, uma país, cujo cenário é devastador do ponto de vista político, social e econômico.  

Preocupado com o próprio umbigo e seu ‘closet’, quer andar sempre na moda, pouco se importando de fato com as necessidades de seu povo. No elenco principal também, Cleber Cajun interpreta o Bobo da Corte, personagem interessantes que fica quase o tempo todo em cena, num misto de consciência, subserviência e ironia que, para o ator, diz muito sobre o comportamento diversos das pessoas hoje em dia diante de sua realidade. Ao mesmo tempo em que ele puxa o saco do rei, enxerga com maior clareza tudo que está acontecendo ou prestes a acontecer no reino.

“Eu vejo meu personagem, o Bobo, como uma metáfora do povo brasileiro, que tem suas contradições, costuma dar seu jeito e vai levando. É muito bom falar do nosso tempo através do teatro. Charles Chaplin dizia que ‘a comédia faz pensar sem sentir dor’. Esse é um teatro político, mas com dança, circo e fantasia”, diz Cleber Cajun.

Adaptação de clássico atualizado para nossos tempos

Leonel Ferreira e Marta Ferreira 
Alfaiate e Conselheiro
O espetáculo, uma adaptação de “A Nova Roupa do Rei”, clássico da literatura escrito por Hans Christian Andersen, é também a décima montagem do grupo que já vem há duas décadas criando na cena teatral paraense e que durante esta pandemia estava um ano e meio se apresentando apenas virtualmente. 

“As apresentações digitais são bem vindas mas é muito diferente, porque não sentimos o calor do publico, cuja presença estabelece um jogo. No virtual a gente não sabe como o público está reagindo, a gente só sabe que funciona quando a gente sente o público, que é a parte mais importante em toda e qualquer apresentação de teatro. Então, mesmo quem for assistir a gravação, vai com certeza também sentir essa energia”, diz Leonel Ferreira.

O ator e também diretor do espetáculo, além de um dos fundadores da Cia de Teatro Madalenas, interpreta pessoas do povo e um dos alfaiates contratados pelos Conselheiros do Rei para confeccionar uma roupa magnífica com a qual vossa magestade deseja impressionar e enganar seu povo. “Estamos felizes e esperançoso, nessa Brasilândia real, vendo as pessoas sendo vacinadas e logo poderemos voltar as apresentações de rua que é o forte da Cia de teatro Madalenas”.

Conselheiros e Rei na articulação para a roupa nova

Para Marta Ferreira, que interpreta um dos dois conselheiros que são constantemente obrigados aos caprichos do rei, essa apresentação teve gosto de missão. “Estou me sentindo com o dever cumprido, porque o teatro tem que dizer, mexer e fazer a pessoa sair dali pensando na sua realidade, temos que refletir muito, não pode ficar como está”, disse a atriz.

O grupo também teve dois atores convidados para este espetáculo. Patrick Marques interpreta, ao lado do diretor do espetáculo, o ator Leonel Ferreira, um dos alfaiates que são contratados pelos Conselheiros para criar um modelo estonteante, magnifico e inesquecível para o rei. “Foi emocionante, acho muito importante trazer esse espetáculo neste momento que estamos e também por poder atuar com o Madalenas, grupo importante”, diz o ator.

A experiência também foi gratificante para Wanuza. “Eu já tinha feito outros trabalhos, mas é a primeira vez com o grupo Madalenas. Foi um processo longo, tivemos que adiar por três vezes, mas no final tudo deu certo e foi algo inexplicável, conseguir através do teatro passar a mensagem desse momento que estamos vivendo. Pra mim foi esplêndido, me arrepiei e me identifiquei muito”, confessa.

Cenário, adereços e figurinos com sustentabilidade 

Wanuza Mireya e Marta Ferreira | Povo 

O trabalho de Jackie Carvalho, responsável pelas 13 vestimentas que saltam aos nossos olhos, trazem junto toda a sua experiência em figurino para a passarela, teatro e para Tv e, atendendo a ideia de concepção pautada na questão da sustentabilidade e crítica à indústria predadora da moda, todas as roupas utilizadas para a montagem dos personagens foram comprada em brechó e posteriormente customizadas. 

“O ponto principal foi a sustentabilidade, 80% das roupas são provenientes do brechó, atendendo ao orçamento de baixo custo, com reaproveitamentos e deu super certo”, conta a figurinista. Foi também um desafio para ela produzir esses figurinos completos num tempo que, inicialmente, seria muito curto mas que acabou se estendendo por causa do lockdown e dos adiamentos para a estreia. 

“Aproveitei então para experimentar. Selecionei as roupas, dentro da temática do espetáculo Fashion Fake, remetendo à época dos reinados, mas trouxesse algo mais atualizado também. O manto do rei, por exemplo, é feito com três peças desmanchadas. As vestimentas do povo eram camisas masculinas todas de brechó e a roupa do Bobo varia nas roupas vermelhas reaproveitadas”, complementa.

O povo de Brasilândia protesta
E foi também por conta dessa pegada sustentável, que o artista visual Jesus da Conceição foi convidado para assinar a cenografia e adereços do espetáculo, por causa de um trabalho que ele já vem desenvolvendo. Papelão, restos de madeira, cabo de vassoura e até o material usado em sombrinhas, entre outros materiais reaproveitáveis foram utilizados. 

O artista disse que precisou até concorrer com os catadores de recicláveis. “Tive que dividir isso com eles e moradores de rua que também procuram pelo mesmo material e depois vender isso a cooperativas, é o sustento deles”, comenta.

Tudo feito com material alternativo, como o espelho, que é frutos de um trabalho de pesquisa e traz detalhes com jornal, revista, fios, madeira. “Isso já faz parte da característica do meu trabalho, mas neste caso e aqui no Madalenas é diferente, tudo se tornou mais específico, foi experimentação, mas deu certo e quando a gente vê que ficou tudo bom no palco, é maravilhoso”, disse Jesus.

Trilha sonora dá o tom de esperança

Música ao vivo
A trilha sonora é executada ao vivo, com a presença dos músicos no palco. “O processo foi muito coletivo, a letra foi escrita pelo Leo e a gente harmonizou. E pra mim é muito gratificante estar mais uma vez como convidado no grupo Madalenas, que já tem uma trajetória de renome em Belém. Fico lisonjeado, foi maravilhoso participar dessa montagem. Num período difícil como esse, conseguimos levar alegria ao público através da música e do teatro”, diz Pawer Martins,  que divide a direção musical com Diego Vattos.

O elemento musical da montagem ao final do espetáculo faz com que a gente se arrepie, sinta esperança e renove nosso votos de fé de que Brasilândia tem jeito e que novos tempos virão. “Fashion Fake – A Roupa quase nova do rei”, ficará apenas três dias em cartaz. O link para cada dia estará disponibilizado e poderá ser acessado nesta sexta-feira, 2, sábado, 3 e domingo, 4, sempre às 20h. 

Pouco tempo né? Mas tenho outra boa notícia, já está confirmada a participação do grupo com o espetáculo no Festival de Verão da Secretaria de Estado de Cultura e haverá uma apresentação presencial, no dia 17, no teatro Gasômetro. São duas oportunidades, duas maneiras que temos hoje de acessar a arte no mundo.  

O Teatro do Sesi, parceiro na gravação do espetáculo, também abriu suas portas ao público esta semana, depois de seis meses fechado, este ano. Evoé, que abram as cortinas, que entre em cena um novo momento para todos nós! Viva o teatro, a cultura e o afeto com que arte nos abraça.

Ficha Técnica | Fashion Fake 

Direção Musical – Diego Vattos e Pawer Martins

Cenografia e Adereços – Jesus da Conceição Ferreiro 

Cenário: Sergio Carvalho

Motorista: Clóvis Santana

Cabelos – Sara Miranda

Maquiagem – Nádia Alvarenga

Iluminação – Thiago Ferradaes

Figurinista – Jackye Carvalho

Costureira – Nete Ribeiro

Coordenação de Comunicação: Tainah Fagundes

Assessoria de comunicação: Luciana Medeiros

Designer Gráfico, fotografia e arte do cenário: Carol Abreu

Ilustração bandeira: Cleber Cajun

Produção Executiva: Leonel Ferreira e Flávio Furtado

Assistente de Direção: Flavio Furtado

Dramaturgia e Direção Geral: Leonel Ferreira

*Todas as músicas compostas pelo elenco de forma colaborativa

Elenco:

Flávio Furtado - Rei

Cleber Cajun – Bobo

Conselheiros – Marta Ferreira e Wanuza Myreia

Alfaiates – Leonel Ferreira e Patrick Marques

Povo – Marta Ferreira, Wanuza Myreia, Leonel Ferreira e Patrick Marques

Serviço

Cia de Teatro Madalenas apresenta Fashion Fake - A Roupa Quase Nova do Rei. Apresentações online nos dias 02, 03 e 04 de julho, às 19h, no canal do YouTube da Cia de Teatro Madalenas. Agradecimentos: Casarão do Boneco, Associação dos Moradores da Vila da Barca e Teatro do Sesi Pará. Projeto selecionado pelo edital de teatro Lei Aldir Blanc, Secult-Pa.