1.3.24

Cinema Olympia passa por obras de requalificação

Um sonho está prestes a se tornar realidade, desenrolando mais uma saga arquitetônica e cultural de Belém nos próximos meses, com o andamento das obras de requalificação do Cine Olympia, iniciadas nesta semana. 

Conhecido por ser o cinema mais antigo do país em funcionamento, o Olympia passará por um processo de requalificação. Além da restauração e modernização tecnológica do espaço – com medidas de acessibilidade – está prevista a elaboração de um plano de manutenção, gestão e curadoria cultural, e também um programa educativo com visitas monitoradas. 

Iniciativa pública e privada, da Prefeitura de Belém e Instituto Pedra, os recursos, que somam cerca de 11 milhões, foram captados pelo Instituto Pedra, via Lei Federal de Incentivo à Cultura. A previsão é reabrir as portas com programação no início de 2025.

Inaugurado a 24 de abril de 1912,  na Belle Époque, época em que a influência e a reprodução da cultura francesa em Belém eram proeminentes. Ao longo dos anos, passou por uma série de reformas significativas. A primeira grande mudança ocorreu na década de 1940, quando o estilo neoclássico da Belle Époque foi substituído pelo elegante art déco.

Na década de 1950, após ser adquirido pelo grupo Severiano Ribeiro, o espaço foi equipado com uma tela panorâmica e tecnologia cinemascope. Outra década se passou e, nos anos 1960, uma nova onda de renovações chegou, incluindo a substituição das poltronas e tapeçarias, bem como a instalação de ar-condicionado.

Nos anos subsequentes, o cinema continuou cumprindo sua missão, atraindo um grande público nas décadas de 1970 e 1980. Entretanto, após duas décadas, o edifício exigia manutenção, mas foi negligenciado até que o alerta vermelho soasse nos anos 2000. Durante esse período, o prédio despertou o interesse de lojas de departamento, que almejavam expandir seus negócios.

Foram inúmeras, as ameaças de ser fechado e vendido pela família Severiano Ribeiro, então dona do cinema, que alegava não ter mais como manter a sala. Em 2006, numa dessas ameaças iminentes, foi graças à mobilização da classe artística e da população que, mais uma vez, evitou-se o pior. O espaço passou então a ser locado e administrado pela Prefeitura, mantendo-se a função de cinema, com sessões gratuitas ao público e também como espaço de realização de eventos cinematográficos, como festivais e mostras audiovisuais paraenses.

Patrimônio Cultural

Em 2012, o equipamento cultural foi declarado integrante do Patrimônio Histórico e Cultural de Belém e agora, num momento de levante da produção cinematográfica paraense, a partir dos editais da Lei Paulo Gustavo, a aguardada reinauguração do cinema é mais do que bem-vinda!

Os 112 anos do cinema serão comemorados de portas fechadas, ainda, pois o processo todo deve durar até 12 meses, de acordo com o Instituto Pedra, responsável pelo projeto de requalificação do prédio: mas ano que vem tem festa, e na Cop-30.

A requalificação é da Prefeitura de Belém, por meio da Fumbel, em parceria com o Instituto Pedra, com patrocínio master do Instituto Cultural Vale e co-patrocínio do Banco da Amazônia, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei 8.313/1991).

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