7.6.11

Drama, música e cordão de boi em versão de Romeu Julieta

Já imaginou se Shakespeare se depara com seu Romeu e Julieta no meio de um folguedo de boi? E se a rivalidade entre os Montequio e os Capuleto fosse pontuada por um boi bumbá? Essa farsa definitivamente só poderia acontecer em Belém do Pará e o Grupo de Teatro Universitário (GTU) é quem nos traz essa festa da cultura popular nos dias 7, 8 e 9 de junho, no pátio aberto da Escola de Teatro de Dança da Universidade Federal do Pará (ETDUFPA), às 18h.

“O Boi do Romeu no Curral da Julieta” faz sua primeira temporada, e sob a direção e dramaturgia de Wlad Lima, nos conta a história de amor mais famosa do mundo. Tudo gira em torno da rivalidade entre os bois Montequio e Capuleto e, como não poderia deixar de ser, no amor entre Romeu e Julieta. É drama, amor, cordão de boi, farsa e muita música e alegria pra narrar, da forma mais popularesca, a história do apaixonado Romeu, que se submete a entrar no boi rival só pra conquistar a sua amada Julieta.

Numa mistura voltada para o teatro de rua, o espetáculo conta com teatro de bonecos, máscaras, música e coreografia, utilizando-se do que há de mais popular no nosso estado: a cultura da periferia. Elementos fortes da cultura paraense são colocados no palco – ou melhor, no olho da rua –, como o tecnobrega e o calypso, além do colorido e o ritmo da anarquia junina. É com muita alegria que o GTU resolve invadir de vez às ruas, comprometido em tornar o teatro cada vez mais, de fato, popular.

O cenário e o figurino, todos adaptados à rua, compõem com um colorido estonteante a realidade do curral dos Capuleto, onde o final se revelará surpreendente. No fim, “O Boi do Romeu no Curral da Julieta” é um ótimo convite para nos juntarmos a esse universo maravilhoso da cultura popular, que é nosso, se nos divertimos com o teatro na rua, para todos.

Serviço
O Boi do Romeu no Curral da Julieta. Datas: 7, 8 e 9 de Junho. Horário: 18h00. Local: Pátio Central da ETDUFPA (Rua Jerônimo Pimentel esq. Rua D. Romualdo de Seixas – Umarizal). Entrada Franca (com a tradicional rodada de chapéu no final).

Texto: Leandro Oliveira (@leandrole)

Definida a protagonista do novo curta metragem de Roger Elarrat

Os protagonistas do filme, Leoci Medeiros e Geisa Barra
Mesmo sem experiência como atriz, a publicitária e apresentadora Geisa Barra foi a eleita da equipe para interpretar o papel feminino mais importante do curta “Juliana contra o jambeiro do diabo pelo coração de João Batista”, premiado no edital do Ministério da Cultura. Ela estará ao lado de Leoci Medeiros, ator que já estava definido no elenco.

Há pouco mais de um mês para o início das filmagens do curta metragem que também chegou a ser contemplado pelo edital da Petrobras, a equipe do novo curta de Roger Elarrat fez nestas últimas semanas escolhas importantes para sua realização, em julho. As locações não serão mais em São Caetano de Odivelas, no nordeste do estado, como se pensou em princípio, por causa da manifestação do Boi de Máscaras que se origina no município e que está presente na estética e trama do filme.

No início do ano Elarrat chegou a visitar a cidade e gostou muito das possibilidades que encontrou por lá, mas sem apoios locais, os custos ficariam mais além da realidade de seu orçamento. As filmagens serão em Belém e arredores, em locações que lembrem uma zona rural. Ao invés de trabalhar com os grupos de Boi de Máscara de São Caetano, o diretor já fechou a participação do Boi de Máscaras Veludinho, do bairro do Guamá.

Escolha da atriz foi feita de forma colaborativa pela  equipe
A outra decisão foi em relação a protagonista, que ainda era uma icógnita. Foram necessários mais de 20 testes, feitos com atrizes e não atrizes, num processo cheio de rigor e cuidados, características já reconhecidas nos projetos desenvolvidos pelo diretor.

Os testes mediram vários aspectos das candidatas, inclusive com interpretações já ao lado de João Batista, personagem interpretado por Leoci Medeiros, protagonista masculino da história.

“Tivemos muito cuidado nesta escolha, pois sabia que os dois precisavam combinar. Feitos os testes, resolvemos reunir toda a equipe e ficamos um dia inteiro discutindo, de forma colaborativa, nossas opções. Depois de ver exaustivamente cada um dos testes, veio a grande surpresa. Ao ver a performance de nossa selecionada, não tivemos mais dúvidas e batemos o martelo”, disse o diretor em entrevista concedida ao Holofote Virtual, no Instituto de Artes do Pará, onde já estão acontecendo os ensaios.

Identidade visual do curta é de Otoniel Oliveira
Desafios - Ela nunca foi atriz, mas não se pode dizer que o audiovisual seja novidade absoluta em sua trajetória. “É a primeira vez que meu lado atriz vai ser testado de verdade. Digo isso porque, trabalhando como apresentadora em rádio e tv, tive experiências em que a gente precisa esquecer de si para encarnar um personagem. Mas nunca fiz teatro, nem comercial onde precisei interpretar uma personagem, muito menos cinema”, diz.

Geisa traz em sua formação, cursos de publicidade e propaganda (UFPA), jornalismo (Estácio-FAP) e radialismo (Radioficina/SP). “Em audiovisual já trabalhei com produção, reportagem, edição e apresentação, além de assessoria de comunicação e no planejamento de campanhas publicitárias, políticas e eventos, aqui no Pará e em São Paulo”, apresenta-se.

Mesmo declarando-se ainda muito tímida com o trabalho, Geisa tem gostado da nova experiência e deste novo desafio em sua vida profissional. “A ficha ainda não caiu exatamente, mas a equipe está muito afinada, todos têm sido parceiros nesse processo, muito solícitos em me deixar a vontade nos ensaios, dando um toque aqui e ali. Nunca trabalhei com isso, nem fiz cursos. Mas como sou bem cara de pau, acabo encarando numa boa, me sentindo a vontade em emprestar meu corpo, minha voz e minha cara para um personagem”, explica.

João Batista é um cara sem alma
Com referências do mito de Fausto e do filme "Coração Satânico", o roteiro conta a história de um garoto que gostava de roubar jambos por onde andava e costumava desafiar a crença popular de que não se pode comer fruta ou carne vermelha na Sexta-Feira Santa. Por isso, já adulto, João Batista acredita ter perdido sua alma para o diabo. 

Incomodado e já sofrendo consequências físicas desta obsessão, ele resolve sair em busca de uma resposta para recuperar sua vida. No roteiro não há indicação muito clara sobre o que está acontecendo com João Batista. Seres encantados e criaturas sobrenaturais são vistos por ele, mas as outras pessoas estão, na verdade, participando de um festejo do boi de máscaras pelas ruas.

A solução de seus problemas pode estar com Juliana, na visão de Geisa, uma jovem decidida, “sem papas na língua, curiosa, mas também cética”. Para a atriz estreante, a personagem sente-se atraída pelo lado estranho de João Batista, mas não consegue entendê-lo completamente e por isso o deixa.

“Já fui assim e por isso a entendo bem, hoje já consigo entrar mais nas pessoas, enxergar o mundo através do olhar do outro e tentar entendê-los. Acho que nos 15 minutos do filme, ela passa por esse processo pelo qual eu levei 10 anos”, comenta. Para conseguir construir sua Juliana, ela conta com o ator Leoci. “A equipe diz que temos uma boa química e eu acho que é por isso que me sinto muito a vontade”, acredita.

Cinema e teatro, atuações bem difetentes para um ator
Teatro e cinema - Leoci, ao contrário de Geisa, é ator por formação e já atua no teatro há quatro anos, mas no cinema também será a sua primeira vez. Deparando-se com uma linguagem totalmente diferente da sua atuação nos palcos, ele diz que está entusiasmado com o trabalho e que também apostou em Geisa como protagonista.

“Para mim, que venho da linguagem teatral tem sido um grande desafio fazer um personagem para o cinema. A interpretação para a câmera é muito diferente. Já tinha feito comerciais e alguns vídeos institucionais, mas nunca interpretando um personagem. A Geisa pegou tudo muito rápido, entrou muito bem no clima e no tom da cena que lhe serviu como teste. E isso é muito legal, pois assim ela também me deixa mais seguro. Ela não é atriz de formação, mas é uma artista, percebe-se”, diz Leoci.

João Batista é um cara que não gosta de nada, não tem cor, prato ou time preferido. Por isso mesmo, sem muitos referenciais, ele não é uma interpretação fácil. “JB, como já o chamamos carinhosamente, precisa descobrir por que ele é assim, por que ele ficou desse jeito. Vai atrás de Juliana, com quem teve um relacionamento e acha que ela ainda é uma pessoa capaz de lhe compreender. Preciso buscar as nuances dele e às vezes um olhar, uma respiração traduz melhor o que ele está sentindo. Isso é um desafio para um ator que vem do teatro, acostumado a maior expressividade quando está no palco”, explica.

Juliana também é uma personagem cheia de intenções diferentes. De acordo com Geisa, ela vai mudando muito durante a história até se transformar em uma heroína. “O Roger, como roteirista e diretor, tem sido fundamental para nos ajudar a entender a história, entrar nos personagens e expressar isso tudo. Estou muito feliz e grata a ele e todos por fazer parte deste projeto”, conclui.

Roger Elarrat, reunido com equipe do filme
Direção de elenco - Roger Elarrat conta que desta vez resolveu dirigir diretamente os atores, um trabalho que cabe geralmente a figura de um diretor ou preparador de elenco. 

“Trabalhei desta forma em outros trabalhos, mas confesso que sempre tive vontade de fazer isso pessoalmente. Desde quando eu fazia assistência de direção e participava dos ensaios, dos testes. Aprendi muito com este tipo de profissional e comecei a bolar uma dinâmica. Tenho muito interesse em ajudar os atores, ao Leoci, por exemplo, a construir o João Batista dele. Esta era uma vivência que me faltava no processo de um filme, o desafio que mais está me interessando no momento”, afirma.

Roger Elarrat trabalha com planejamento detalhado, importante para deixar fluir a produção. É um diretor que gosta de desafios e tem se deixado marcar pela realização de filmes que diferem-se entre si nas escolhas estéticas e de linguagem, mas convergem em referenciais que revelam uma autoria. É constante a presença de temas com forte teor de mistério ou que voltam-se ao inusitado e até ao sinistro.

O cartaz do filme, por Otoniel
É assim em “Visagem”, animação em stop-motion baseada no livro de Walcyr Monteiro - “Visagens e Assombrações de Belém”, em “Chupa-Chupa – A história que veio do Céu”, documentário sobre os fenômenos luminosos que assombraram o município de Colares, nos anos 70 e com o realismo fantástico da minissérie Miguel Miguel, baseado no livro homônimo do escritor Haroldo Maranhão.

No que depender de trajetória e experiência dele aliadas a uma boa equipe, o novo curta de Roger Elarrat tem tudo para obter um excelente resultado e quem sabe trazer mais prêmios ao cinema paraense. 

O roteiro teve colaboração de Adriano Barroso e para a direção de fotografia foi convidado o paulista Emerson Bueno. O curta tem produção executiva de Camila Kzan e  identidade visual de Otoniel Oliveira. Na direção de arte, está Bóris Knez e a premiada Sônia Penna (Madame Satã), assinando a maquiagem, além de Maurity Ferrão, no figurino. A produção de figuração e elenco é do ator Dário Jaime e a coordenação de produção, de Teo Mesquita. Na assistência de direção, o filme conta com Célio Cavalcante e Lucas Escócio.

(Fotos desta postagem: Célio Cavalcante. Arte: Otoniel Oliveira)

6.6.11

Cia Avuados mostra “Em Algum Lugar de Mim” na Casa da Atriz

Depois da temporada na Casa dos Palhaços, o espetáculo circula nas segunda-feiras, 06 e 13, em novo espaço, a Casa da Atriz. Concebido em forma de teatro de câmara, intimista e experimental, o espetáculo instiga a imaginação do público, mergulhando nas potencialidades da voz e do texto dramatúrgico, minimizando cenários e figurinos. Neste contexto, a idéia é que o espetáculo seja levado a diversos espaços também “não cênicos”. 

A peça é a primeira experiência da companhia. O texto foi escrito em 2008, pelo diretor da montagem Mailson Soares, a pedido da atriz Rosilene Cordeiro. “Nessa época estávamos envolvidos no projeto de resgate das Rádios Novelas na ETDUFPa, que era coordenado pelo Walter Bandeira. Líamos e relíamos esse texto com o Walter e discutíamos como re-significar as palavras escritas através do dizer do ator. Procurávamos uma construção que tivesse como base a intenção da fala. Chamávamos isso de sub texto e sub sub texto”, explica o ator Dario Jaime.

Ele conta que outros bons atores passaram por esta mesma experiência, como Leandro Haick e Rejane Lima. “O próprio Mailson também já o encarou em cena, mas com a formação da companhia, nos assentamos sobre os personagens A B e C (Rosilene Cordeiro, Fabrício de Sousza e eu). Na equipe técnica, contamos com a produção da Rosilene, a cenografia do Fabrício, o designer gráfico do Mário Zani e do Edemir Amanajás. Temos a Curadoria da Wlad Lima e o auxilio luxuoso da Bene Martins na revisão textual. E contamos com a ajuda de tantos amigos, como o Claudio Dídima a Chimênia Pinheiro, a professora do IFPa Silvia Silva, os amados Palhaços Trovadores e você. São muitas as mãos que fazem esse espetáculo”, diz.

Para o ator, “Em Algum Lugar de Mim” é um presente. “Dividir a cena com o Fabrício de Sousza e com a Rosilene Cordeiro é estar em constante aprendizado, e adentrar no enigma que é o texto do Mailson Soares, um desafio que se impõem diante de todos nós da Cia Avuados”, considera.

Para Dario, “Em Algum Lugar de Mim” é um drama, mas considera muito difícil dizer o que ele mostra. “Na verdade, é como se ele iluminasse um espaço escondido no coração e na consciência de quem o está assistindo. Na minha opinião, cada espectador irá encontrar um lugar de si mesmo para alocar essa história”, finaliza.

Serviço
"Em Algum Lugar em Mim". Em cartaz de hoje (06) e 13 de junho, na Casa da Atriz - Oliveira Belo, 95, entre Generalíssimo e Dom Romulado de Seixas - às 20h. Ingressos R$ 10, 00 e R$ 5,00 (meia). Mais informações: 91 3297.7512.

3.6.11

Boi de Máscaras e cinema de animação garantem diversão neste domingo

O primeiro domingo da quadra junina chega com duas ótimas atrações para o público que deseja colocar o bloco na rua desde as primeiras horas da manhã. 

Na Praça da República, a alegria do Boi Faceiro, de São Caetano de Odivelas, dará um colorido especial à programação do projeto Música Para Todos. Enquanto isso, bem pertinho dali, o lançamento do DVD Miritis de Andrei Miralha, no Cinema Olympia, é a escolha certa para crianças e adultos.

O Boi Faceiro é um sucesso, garanto. Não há quem não se encante com suas marchinhas e brincadeiras de seus Pierrôs e Cabeçudos, representantes legítimos da cultura do município. A caravana chega logo cedo e já começa a animar o público, mas a programação oficial inicia mesmo às 10h. 

Já o  DVD “Miritis”, projeto de Andrei Miralha, além de um documentário e do curta já conhecido do público, “Admirimiriti” (2005), traz a animação 'Nossa Senhora dos Miritis', inédita e selecionada para a mostra competitiva Infantil do Anima Mundi deste ano, que acontece no Rio de Janeiro de 15 a 24 de Julho e em São Paulo de 27 a 31 de Julho. O lançamento no Olympia inicia às 10h30. Acredito que dê para curtir as duas coisas. Vamos por partes...

Boi de Máscaras - Expoente da cultura dos bois de máscaras, o Faceiro é um fruto de um trabalho que iniciou em 1937, sob a orientação de Epaminondas de Souza Chagas. A tradição foi interrompida, mas retomada enm 1998, complentando agora 13 anos  de retomada.

Desde então, na primeira sexta-feira de junho ele sai às ruas do município. É isso que vai acontecer hoje, logo mais, a partir das 17h, no em São Caetano de Odivelas. No ano passado, o Holofote Virtual, parceiro da associação Mestre Bené, esteve pessoalmente participando da brincadeira e foi emocionante.

O Boi Faceiro vem sendo, há alguns anos, um dos principais motivadores do movimento de revitalização da brincadeira do boi de máscaras, que tem como grandes aliados a própria Associação Mestre Bené, além do Grupo Art da Terra e de Mestre Dorrêis que assina a cofecção de seus bonecos.

Outra iniciativa importante foi a aprovação de um projeto, em 2009, que tornou a associação Mestre Bené o Ponto de Cultura Boi de Máscaras, desenvolvendo um trabalho artístico e social que enfatiza a produção e o repasse de conhecimento desta manifestação. De acordo com Rondi Palha, da associação, e vereador do município, a situação do Ponto está sendo regularizada e as ações que nunca foram interrompidas, trarão novidades no segundo semestre.

Mas neste domingo, 05, o público de Belém também terá oportunidade de brincar ao vivo e à cores com o Faceiro. A apresentação dá início a uma série de outros eventos que serão realizados pelo Música para Todos prepara, projeto realizado pela MUSIKART Produções Culturais, com patrocínio da Vale e do Ministério da Cultura, além do apoio da Prefeitura Municipal de Belém e da Fundação Cultural Tancredo Neves.

DVD Miritis - Os brinquedos de Miriti feitos com extrema delicadeza por artistas do município de Abaetetuba e que encantam crianças e adultos, principalmente, durante o Círio de Nossa Senhora de Nazaré, ganharam vida pelas mãos dos animadores paraenses sob a direção de Andrei Miralha, autor das animações 'Admirimiriti', 'Nossa Senhora dos Miritis' e do documentário Miriti-Miri, que tem os brinquedos de miriti como temática.

Premiado no edital de Curta-Metragem - Gênero Animação do Ministério da Cultura, “Nossas Senhora dos Miritis” foi concluído este ano e conta a história de uma artesã de brinquedos de miriiti que faz uma promessa de fazer sozinha uma procissão do Círio com seus bonecos de miriti. Ela, no entanto, acaba dormindo e um milagre acontece.

Andrei conta que essa foi a primeira vez que faz um filme com personagens que falam. “Foi uma experiência nova e até mesmo divertida, trabalhar com as atrizes como a Ester Sá(Dona Neneca), Andréia Rezende(Nena, a neta) e o locutor Roberto do Vale(radialista) na criação e gravação composição dos personagens do filme".

"Miriti-Miri" - Documentário sobre os tradicionais brinquedos de miriti que mostra, de forma divertida e dinâmica, todo o encanto e beleza deste importante ícone da cultura paraense.

O curta que tem ilustrações de Otoniel Oliveira e imagens do fotógrafo Renato Chalu, com texto do ator e escritor Adriano Barroso, trás uma narrativa bem lúdica, entre rimas, informações e exclamações, narradas pelo ator André Mardock. Segundo Andrei Miralha "a ideia era mesmo fazer um documentário bem leve e dinâmico que pudesse atrair a atenção de crianças, jovens e adultos e que pudesse ser apresentado em escolas", pondera.

A trilha sonora dos três filmes foram compostas pelo músico André Moura, que compôs a canção 'Miri Miriti" especialmente para o documentário, interpretada pela atriz Ester Sá. As músicas são bem ritmadas e diversificadas passando por levadas bem paraenses, como o carimbó e a guitarrada o que dá um clima bem divertido aos filmes.

Acesse a chamada do DVD no Youtube.

Cineclube Pedro Veriano volta à ativa e expande seus horizontes

Depois de passar 05 meses em reforma de sua infra-estrutura, o Ponto de Exibição da ABDeC-Pa - Cineclube Pedro Veriano, reabre suas portas n próxima terça-feira, 07 de junho, às 18h30. Na programação, "O Mundo de Célia", de Bruno Assis, Sissa Aneleh e Ronaldo Rosa, e "As Filhas da Chiquita", de Priscilla Brasil.

Após a reabertura na Casa da Linguagem, o Ponto de Exibição da ABDeC-Pa - Cineclube Pedro Veriano, vai ampliar sua programação para a sede da Fundação Curro Velho, no bairro do Telégrafo, mantendo assim a proposta inicial de levar a exibição de filmes para a periferia de Belém. 

“Ou seja, a partir da sua reinauguração o Cineclube Pedro Veriano agora será exibido não apenas na Casa da Linguagem, onde tem seu público fiel, mas também nas instalações da Fundação Curro Velho, auxiliando no processo de educação e inclusão realizados pela instituição”, explica a presidente da ABDeC-PA, Dani Franco.

De acordo com Dani, a escolha dos filmes para a reabertura vem enfatizar a natureza do Cineclube Pedro Veriano, de valorizar o curta e o documentário, em especial os de produção local.

O Mundo de Célia: Resultado do projeto Ponto Brasil, realizado no Instituto de Artes do Pará em 2009, através do Núcleo de Produção Digital / NPD. Com produção coletiva de membros da ABDeC do Pará e direção dos abdistas Bruno Assis e Ronaldo Rosa, além de Sissa Aneleh; em 9' o curta dá voz a uma prostituta que vive em rua histórica de Belém, usando da linguagem híbrida entre documentário e ficção.

Filmado em 2009, o filme entrou no box da I Mostra ABDeC-Pa, realizada em maio de 2010. É também uma das primeiras direções do fotógrafo Bruno Assis, ex-vice-presidente da ABDeC-Pa, e falecido em 15 de fevereiro de 2011. O filme abre a sessão às 18h30.

As Filhas da Chiquita -Dirigido pela documentarista paraense Priscilla Brasil, o documentário de 51', conta a história da tradicional Festa da Chiquita, que há 28 anos, no segundo domingo de outubro, a bicentenária procissão do Círio de Nazaré – maior romaria católica do Brasil e uma das maiores do mundo – é obrigada a conviver com a Festa da Chiquita, o mais tradicional encontro gay da Amazônia que, contra tudo e contra todos, ocorre no mesmo dia, na mesma hora e na mesma rua. 

São dois milhões de católicos fervorosos de uma lado e alguns milhares de homossexuais do outro. Em 2004, o IPHAN incluiu a Festa da Chiquita no processo de tombamento do Círio como patrimônio imaterial da humanidade, dando início a uma grande polêmica: afinal, a festa da Chiquita faz parte do Círio? O doc, realizado sem patrocínio, já foi veiculado no GNT/GLOBOSAT.

Serviço
O Ponto de Exibição da ABDeC-Pa - Cineclube Pedro Veriano, fica no auditório do prédio da Casa da Linguagem, na Avenida Nazaré, 33, esquina com a Praça da República. Mais informações www.abdecpara.blogspot.com.

Marcelo Camelo no lançamento do II Festival de Músiva e Poesia

Um dos maiores representantes da nova música brasileira apresenta seu trabalho solo pela primeira vez em Belém. Marcelo Camelo, guitarrista, vocalista e um dos principais compositores do quarteto carioca Los Hermanos, se apresenta em Belém no dia 4 de junho, no Hangar Centro de Convenções e Feiras da Amazônia. 

O show marca o início da turnê de seu segundo álbum solo, chamado “Toque dela”, e do lançamento da segunda edição do Festival de Música & Poesia, realizado pela Sonique Produções. Ao lado da banda Hurtmold, Marcelo apresenta pela primeira vez suas novas canções, como "Ôô", "A Noite", "Vermelho", "Tudo Que Você Quiser" e "Acostumar", além de clássicos do seu repertório. O show terá a abertura da banda paraense La Orchestra Invisível e dos DJs Felipe Proença e Damasound. O II Festival de Música e Poesia tem patrocínio da Oi e da Yamada, através da Lei de Incentivo Cultural do estado do Pará, Semear.

Com o recém lançado segundo disco de sua carreira solo, chamado “Toque dela”, o vocalista do Los Hermanos teve seus dois discos bastante elogiados pela crítica especializada e revelou de uma vez por todas a veia de compositor de música brasileira que vinha aflorando nos últimos trabalhos de sua banda, o Los Hermanos.

O carioca Marcelo Camelo sai em turnê com seu segundo disco junto com a banda paulistana Hurtmold, que o acompanhou tanto na gravação de seus dois discos como na turnê que o músico realizou Brasil afora. O show, no entanto, não passou por Belém e deixou os fãs órfãos de Los Hermanos a espera do próximo suspiro do trabalho solo de um dos integrantes do núcleo criativo do grupo. Camelo apresenta músicas de seus dois discos solo e canções dos Los Hermanos.

La Orchestra Invisível abre o show - A banda de abertura La Orchestra Invisível é um quarteto formado por Marcelo Kahwage, Larissa Xavier, Cezar Sous e Daniel “Carlitos” que traz canções próprias em português com influências de Power pop e britpop. Com todas as músicas cantadas em português por Larissa e Marcelo (ambos na guitarra e voz), a banda ganhou grande reconhecimento na cena local com apresentações em pequenas casas de shows e festivais. Agora, a poesia do grupo integra a programação do lançamento da segunda edição do Festival de Música & Poesia, dia 4 de junho, no Hangar Centro de Convenções.

O Festival de Música & Poesia teve sua primeira edição em 2009 no Theatro da Paz, e trouxe as apresentações de Paulinho Moska, Nilson Chaves e do grupo Verbus. Realizado pela Sonique Produções, o evento será realizado em setembro, em Belém, e trará nomes de artistas nacionais que tem suas obras costuradas entre a música e a poesia. No período de 12 a 16 de setembro, o projeto desenvolverá oficinas de músicas com poetas paraenses. E nos dias 16, 17 e 18 de setembro, no Theatro da Paz, realizará o Festival com artistas nacionais e regionais.

A Sonique Produções já foi responsável por espetáculos de música e teatro em Belém, que trouxeram, entre outros, artistas como o francês Manu Chao e número de stand up comedy de Marcelo Adnet e Marcos Luque. No último ano, de 2010, a produtora se associou à Dançum Se Rasgum Produciones, ficando também responsável pelo Festival Se Rasgum e pelo Festival Sambalaio, ambos em parceria com a Se Rasgum.

Serviço
Marcelo Camelo no Lançamento do Festival de Música & Poesia. Neste sábado, 04, com participação da La Orchestra Invisível e DJs: Felipe Proença e Damasound.  No Hangar Centro de Convenções e Feiras da Amazônia (Salão B). Ingressos: R$ 30,00 (meia entrada com apresentação de carteira de estudante, celular OI e cartão Yamada) e R$ 60,00 (inteira). Venda: Quiosque no 1º piso do Boulevard Shopping.

Informações: Se Rasgum News (n. 18)

2.6.11

Armando Sobral leva para Brasília projeto inspirado no Ver-o-Peso

O artista abre, nesta quinta-feira, 02, às 19h, na Galeria Fayga Oatrower, no Complexo Cultural da Funarte - Eixo Monumental - a exposição “Labirinto Ver-o-Peso ”, Prêmio Funarte de Arte Contemporânea


A beleza, o aroma e os sabores do mercado do Ver-o-Peso, um dos mais badalados pontos turísticos de Belém do Pará, inspiraram o artista plástico Armando Sobral, em seu mais recente trabalho. Vencedora do Prêmio Funarte de Arte Contemporânea, a exposição “Labirinto Ver-O-Peso” poderá ser vista a partir desta quinta-feira, 02 de junho, na Galeria Fayga Ostrower, no Complexo Cultural da Funarte, em Brasília (DF).

A exposição reúne xilogravuras em grandes dimensões e esculturas em cerâmica. Duas imagens rotineiras do mercado popular emprestam forma e valor ao projeto: as Mantas, carnes de pirarucu dependuradas nos antigos açougues (que foram desativados) e as Urnas, herança da ancestralidade indígena ainda presente na prática da cerâmica utilitária. Vale ressaltar que ceramistas de Icoaraci (localidade próxima à Belém) produziram, mediante protótipo, as urnas para a série das esculturas.

Manta
O atual projeto, segundo o artista plástico Armando Sobral, dá continuidade a uma pesquisa, que começou há mais de dez anos. A partir de referências locais, ele busca novos procedimentos e processos. A exposição “Labrinto Ver-O-Peso” ficará em cartaz, na Funarte Brasília, até 31 de julho.

Localizado no centro histórico de Belém, às margens da Baía de Guajará, o Mercado do Ver-o-Peso forma com as construções que datam do período colonial o mais importante complexo arquitetônico e paisagístico da cidade. Na maior feira livre da América Latina são encontrados peixes de água doce, carnes, frutas e legumes regionais, artigos religiosos e ervas medicinais.

O artista - Graduado em Artes Plásticas pela Fundação Armando Álvares Penteado (SP), Armando Sobral participou de diversas mostras nacionais e internacionais. Atualmente, presta assessoria para instituições culturais do Estado na área de políticas públicas. Foi professor da Universidade Federal do Pará entre os anos de 2003 e 2005 e gerente geral de Artes Visuais do Instituto de Artes do Pará entre 2007 e 2010.

Atelier do Porto - Atualmente, ele também faz parte do Coletivo de Artistas do Atelier do Porto, que neste final de semana promove uma palestra com a curadora local do Rumos Itaú Cultural, Vânia Leal, que aboradará a experiência de curadoria, além de dar orientações para a montagem dos dossiês visuais dos artistas. O Rumos patrocina artistas emergentes em todo o país. 

A palestra acontece neste sábado, 04, às 10h. O Atelier do Porto, localizado no centro histórico de Belém, fica na Rua Gurupá, 104, na Cidade Velha e abre ao público sempre nos finais de semana. Armando, que está em Brasília para a abertura de sua exposição, mas logo estará de volta a Belém para participar do evento.

Sobre o Prêmio - Com investimento total de R$ 930 mil, o Prêmio Funarte de Arte Contemporânea 2010 – Ocupação dos Espaços Funarte selecionou 15 projetos para ocupar os espaços da instituição no Rio de Janeiro, Belo Horizonte, São Paulo e Brasília. O objetivo da premiação é estimular a multiplicidade e a diversidade de tendências e linguagens no campo das artes visuais.

Mais informações: (61) 3322 2076/ 3322 2029

“Era Uma Vez Carol” em breve com lançamento em Belém

Sônia de Paula, Catarine Ramella e Ewe Pamplona (foto: Eduardo Souza)
O roteiro, que foi vencedor do Edital Curta Criança em 2003 do MinC e  filmado em 2005, acaba de ser  finalizado e em breve será lançado em Belém. Primeira direção do produtor Emanoel Freitas, o filme conta uma história de fantasia e imaginação nos bastidores de um espetáculo no Theatro da Paz.

Em Era Uma Vez Carol, uma misteriosa personagem vai assistir uma apresentação da peça "A Cigarra e a Formiga", consegue chegar até o elenco nos bastidores do espetáculo, mas acaba não conseguindo falar com as personagens. 

Quando ela já está desistindo desta idéia, algo mágico acontece e as protagonistas da história, a Cigarra e a Formiga (não as atrizes, mas as próprias personagens), atravessam o universo da imaginação e se materializam no palco do teatro, conversam com a pequena visitante e a trama chega a um desfecho inusitado.

Considerado um tipo de conto da Carochinha moderno, o curta foi todo ambientado no Theatro da Paz, tem roteiro de Carlos Correia Santos, assistência de direção de Roger Elarrat e direção de produção de Jorane Castro. No elenco, estão as atrizes Sônia de Paula, Catarine Ramella e Ewe Pamplona, além da protagonista, a menina Catarine Ramella.

Emanoel Freitas, que deu a noticia, nesta noite de quarta-feira, para amigos e equipe do filme, diz que já está trabalhando para que o curta chegue às telas. "Estou fechando com uma distribuidora só de curtas e quero organizar uma sessão para equipe", afirmou.

1.6.11

Depois da capital “Symbiosis” circula em municípios paulistas

O projeto foi sucesso na Virada Cultural da capital paulista em abril, mas agora, Roberta Carvalho alça outros vôos e por meio do Circuito SESC de Artes, de hoje a 19 de junho, leva seu "Symbiosis" a 16 municípios do Estado de São Paulo. Chamando atenção em um maiores pólos de circulação cultural do país, ela utiliza-se da arte e da tecnologia, para realizar projeção de imagens preenchidas com poesia e, ao memso tempo, propor reflexões diversas, como por exemplo, a antagônica relação do homem, natureza e cultura. (Com informações de Luiza Cabral)

A idéia de Roberta está rendendo bons frutos, como a aprovação do trabalho no edital Micro Projetos Amazônia Legal do Minc e algumas premiações seguidas para o projeto, como o prêmio Diário Contemporâneo em 2011, na categoria "Diário do Pará".

Trata-se de uma trajetória que vem sendo trilhada há um bom tempo, prova disso é a 2ª colocação no Arte Pará 2005, com o trabalho “Minutos de Silêncio”, uma vídeo-instalação feita em parceria com Keyla Sobral, e a premiação com uma bolsa de pesquisa e criação artística do IAP, em 2006, com o projeto “Indústria da Saudade”.

“A linguagem do vídeo, da fotografia e a experimentação com arte e tecnologia sempre estiveram presentes no meu trabalho. Em várias propostas artísticas eu busquei experimentar a imagem em suas diversas possibilidades. Eram caminhos que já me levavam para o ‘Symbiosis’”, diz.

As atenções do público começaram a se voltar para o “Symbiosis” após a participação do projeto no Festival Vivo Art.Mov Belém, em setembro de 2010, e na programação do aniversário de Belém, em janeiro deste ano.

A partir dali, premiações e o reconhecimento a fizeram ser convidada para participar da Virada Cultura de São Paulo, uma das programações artístico-culturais mais importantes do país.

“O convite para ir para São Paulo surgiu após participar de importantes eventos em Belém. Projetar na Virada Cultural foi uma experiência incrível. Lá, apresentei meu trabalho para milhares de pessoas por um tempo expressivo e pude também trocar ideias e experiências com outros artistas, curadores e produtores”, conta Roberta, que já expôs na capital paulista há 3 anos, na mostra coletiva da Fotoativa denominada "Cartografias Contemporâneas - Fotoativa Pará", que teve também a curadoria compartilhada de Orlando Maneschy.

Desafio - Agora, o desafio é outro. Roberta irá fazer ações sequenciais do “Symbiosis” passando por 16 cidades do Estado de SP pela programação do Circuito SESC de Artes - que contará com a participação de artistas dos mais diversos segmentos. “Acho que será um momento muito interessante do projeto em que terei que ter muita versatilidade nas ações. São 16 cidades consecutivas, com poucos intervalos”. 

E para evitar uma repetição cansativa, Roberta, claro, aposta na experimentação. “Irei propor uma espécie de estética relacional em que filmarei pessoas dessas cidades nas quais passarei e elas farão parte da obra, sendo elas a base das imagens a serem projetadas. A ideia é levar a experimentação ao ápice incorporando novas possibilidades ao trabalho”. O trabalho de Roberta passará por praças de cidades como Mogi das Cruzes, Cruzeiro e Campos do Jordão, entre outras.

Assim, Roberta acredita estar comprometida com aquilo que ela considera primordial nas artes: a provocação. “Eu sempre procuro surpreender a todos e a mim mesma. Acho que a arte é matéria para a vida e o ‘Symbiosis’ se propõe a falar e fazer sentir isto. Minha proposta é provocar a participação das pessoas, seja com um sorriso, com um pensamento ou um susto”. Para conhecer mais o trabalho da artista acesse http://robertacarvalho.carbonmade.com

Serviço
"Symbiosis", da artista paraense Roberta Carvalho, em 16 cidades de São Paulo pelo Circuito SESC de Artes - 1 a 19 de junho. Mais informações, aqui.

'O Ajuntador de Cacos' remonta a história de Giovanni Gallo

Filmado no Marajó, o documentário que será lançado no próximo dia 14 de junho, no auditório do Instituto de Artes do Pará, foca a vida do Padre Giovanni Gallo, fundador do Museu do Marajó.

Mas vale lembrar que o museu, uma das instituições mais importantes do arquipélago, de acordo com a reportagem veiculada em maio pelo Diário On Line, se encontra, hoje, em meio a dívidas, poeira, traças e cupins. Para saber mais, acesse também o blog do Centro de Memória da Amazônia - UFPA (CMA).

Abaixo, texto de Gil Sóter, do site Guiart sobre o lançamento do documentário.
Em 1973, desembarcava na exótica e isolada ilha do Marajó, no extremo norte do país, o italiano jesuíta Giovanni Gallo, uma das personalidades mais importantes da recente história paraense. Museólogo e fotógrafo, Gallo foi um visionário empenhado em preservar a paradoxal cultura marajoara, desvendada pelo olhar estrangeiro do religioso, que viveu em meio aos vaqueiros e moradores do arquipélago até a década de 1980, experiência que culminou, entre outras dezenas de obras, na criação do Museu do Marajó, dedicado a estudos sobre os povos do local, da cerâmica indígena milenar, e da biodiversidade da ilha, registrados em um importante acervo fotográfico.

“No nosso museu, o homem marajoara é a maior fonte de informação e ao mesmo tempo, o maior beneficiado. O museu nasce da comunidade, cresce com a comunidade e volta à comunidade. Por isso aceitamos o desafio de escolher um lugar carente de infra-estruturas essenciais: assumimos o compromisso de promover estas infra-estruturas, provocando o desenvolvimento do homem através da cultura”, defendia Gallo.

A intensa trajetória de Gallo ao longo de mais de três décadas no Pará é o tema do documentário “O Ajuntador de Cacos”, do diretor Paulo Miranda. O filme, com lançamento agendado para o próximo dia 14 de junho, no IAP, foi realizado com incentivo do Ministério da Cultura através da Lei Rouanet, contou com o patrocínio da Eletrobrás e apoio do Museu do Marajó. 

Para a produção do documentário a Lux Amazônia Filmes realizou quatro expedições ao Marajó, para o registro de paisagens, ambientes e os personagens principais do que o próprio Giovanni Gallo definiu como “a fase mais marcante de sua vida”. O documentário de 56 minutos de duração se ocupa em registrar parte do legado de Gallo, que se empenhou em desenvolver ações culturais e também obras de infra-estrutura na região do Marajó. 

O estudioso capitaneou projetos como a construção de um trapiche comunitário, para as variações de maré e de estação; a pista de pouso para aviões, além da construção de estivas e de um centro comunitário onde eram oferecidos cursos de artesanato para a comunidade, que servia também de escola e jardim de infância. “Gallo é dono de um legado e uma biografia pouco conhecida, e que deve ser valorizada”, defende Paulo Miranda.

Ficha técnica:
“O Ajuntador de Cacos”
Doc, 56 min, Marajó, 2010
Direção: Paulo Miranda
Roteiro: Paulo e Rutinéa Miranda
Pesquisa: Lino Ramos
Direção de fotografia: Sandro Miranda
Direção de Produção: Álvaro Andrade
Produção Executiva: Rutinéa Miranda
Produção: Lux Amazônia Filmes

Serviço
Lançamento do documentário “O Ajuntador de Cacos”, de Paulo Miranda. Data: 14 de junho. Horário: 19h. Local: Auditório do Instituto de Artes do Pará, na Praça Justo Chermont, 236, Nazaré. Informações: (91) 4006-2918.

(as fotos utilizadas nesta postagem são do blog do CMA)