23.4.23

NAEA lança livro com artigos e estudos fundiários

O Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (UFPA) e a Comissão de Regularização Fundiária da instituição federal de ensino lançam nesta segunda, 24/04, às 16h, no Auditório do Armando Mendes, o livro Organização Fundiária Urbana na Amazônia Legal: Programa Morar, conviver e preservar. 

20 especialistas, que compuseram a primeira turma do curso de Pós-Graduação em Tecnologias Aplicadas à Regularização Fundiária, Prevenção de Conflitos Socioambientais e Melhorias Habitacionais e Sanitárias do Programa Rede Amazônia, serão certificados. A obra e o Programa tiveram o suporte institucional do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), hoje Ministério das Cidades.

Participam do lançamento e da certificação Nelson Souza Júnior, Pró-Reitor de Extensão; Mirleide Chaar Bahia, Diretora-Adjunta do Naea; Myriam Cardoso, Coordenadora do Programa Rede Amazônia; Fábio Carlos da Silva, Coordenador do Programa de Pós-Graduação Lato Sensu do Naea (PPLS); Marlene Alvino, Presidente da CRF-UFPA, e oradora da turma será Andreza Filizzola, que representará, também, os docentes do curso.

Para Myrian Cardoso, coordenadora do Projeto Rede Amazônia e professora do Laboratório de Engenharia Sanitária e Ambiental da Universidade Federal do Pará (LAESA/PA), o livro reúne 20 artigos, estudos, reflexões e planos de ações elaborados pelos especialistas residentes nos nove estados amazônicos. Os estudos abordam 17 áreas selecionadas em diferentes escalas de ocupação humana, tais como, vila, cidade, bairro, quadra e lote em 17 municípios pilotos dos nove estados amazônicos. 

Os resultados alcançados pelos especialistas demostram a importância da cooperação interinstitucional e transescalar, tendo 11 universidades amazônicas e 17 prefeituras como corpo articulador e coordenador dessa estrutura, além de atribuir um caráter de continuidade, para além do tempo institucional descontínuo que as administrações públicas apresentam nos períodos eleitorais, reflete Myrian. 

Os especialistas, segundo ela, analisaram tipologias de cidades ribeirinhas, turísticas, margens de rodovias e de grandes projetos e de mineração, formando uma rede de ensino superior e de gestão pública dedicada ao fomento e à difusão de expertises em políticas públicas gratuitas de inovação, assistência técnica e tecnológica, aplicadas à regularização urbana, articulada com medidas de prevenção de conflitos e melhorias de natureza socioambiental, habitacional e sanitária na Amazônia brasileira.

Para Durbens Nascimento, professor e coordenador da Pós-graduação, a realização dos estudos  envolveram os ambientes de gestão, ensino, pesquisa e extensão de forma multi e interdisciplinar com apoio dos professores integrantes dos nove Grupos de Trabalhos Estaduais (GTEs), ligados às 11 universidades públicas da Amazônia Legal, e dos  nove Grupos de Trabalhos dos Municípios Pilotos (GTMs) nas diversas oficinas e seminários realizados de forma presencial e, durante a pandemia da Covid-19, por videoconferência. 

Segundo ele, foi deste intercâmbio de conhecimentos estruturantes que nasceu esta obra composta por servidores das instituições públicas, movimentos sociais, bolsista do Programa Rede Amazônia, além de técnicos sem vinculação institucional em condição de vulnerabilidade social. 

“Eles têm agora como desafio trabalhar as tecnologias aplicadas à regularização fundiária, prevenção de conflitos  socioambientais e melhorias habitacionais e sanitárias  do Programa para construir políticas públicas eficientes e efetivas para garantir o direito à cidade em  suas regiões”, detalha Durbens.

Os especialistas são graduados em diferentes áreas do conhecimento, como: administração, ambiental, engenharia, geografia, geoprocessamento, jurídica, social, urbanística, tecnologia em gestão, turismo, pedagogia, antropologia e ciências sociais. “Eles formam uma rede de profissionais capacitados para atuar de forma multidisciplinar e transversal nas três esferas da federação brasileira, nos movimentos sociais, no setor privado e nas organizações não governamentais no Brasil”, assevera o coordenador. O show musical realizado pelo Coletivo MultiverCidades encerra a atividade.

(Texto: Kid Reis – Ascom - CRF - UFPA / Criação da capa: Ione Sena

20.4.23

Mês dos Povos Originários no Museu Emílio Goeldi

Foto/Divulgação - Museu Emilio Goeldi
A programação plural inclui curso de língua Karibe, Trilha Tupi, exposições, venda de produtos e pintura corporal, lançamento de livro, conversas com artistas e pesquisadores indígenas e muito mais. Os eventos iniciaram ontem (19) e seguem até 6 de maio, no Parque Zoobotânico do Museu Goeldi. Para algumas atividades, é necessário agendamento prévio e pagamento de inscrição.

Rodas de conversa, oficinas, trilha, lançamento de livro, venda de produtos, pintura corporal e muito mais. As atividades acontecem no Parque Zoobotânico do Museu Goeldi, que funciona de quarta a domingo, sempre das 9h às 14h. A programação foi preparada por educadores e pesquisadores de diversas áreas, indígenas e não-indígenas, reunindo parte da riqueza cultural presente no Museu Goeldi por conta de sua centenária atuação junto a povos indígenas da Amazônia, em diferentes áreas do conhecimento.

É uma oportunidade única para quem quer conhecer artistas, pesquisadores e lideranças indígenas e aprender um pouco mais sobre como os conhecimentos e experiências indígenas são importantes para a Amazônia. A coleção etnográfica do Museu Goeldi, por exemplo, guarda diversos objetos de mais de 120 povos indígenas. Mas, as últimas décadas trouxeram mudanças na forma de pensar e organizar a coleção. 

De acordo com as pesquisadoras do Museu Goeldi, Suzana Primo dos Santos e Claudia Lopez Garcés, ao longo do século XX predominou no MPEG uma visão que valorizava os objetos indígenas de modo distante das populações que os produziram. 

Foto/Divulgação - Museu Emilio Goeldi

Já nas últimas décadas, o Museu Goeldi passou a contar com coleções organizadas pelos próprios indígenas e com oficinas e projetos para curadoria compartilhada e produção de objetos, especialmente junto a povos como os Mebêngôkre-Kayapó, que possuem uma longa história com o Museu Goeldi.

Escolas - Como parte da programação do Mês dos Povos Indígenas, a Biblioteca de Ciências Clara Maria Galvão, no Parque Zoobotânico, preparou uma programação especial voltada ao público escolar e realizada apenas por agendamento junto ao Núcleo de Visitas Orientadas do Museu Goeldi (NUVOP). Mais informações podem ser solicitadas pelo e-mail: nuvop@museu-goeldi.br.

No dia 27 de abril, também na Biblioteca, haverá a contação de histórias “A história do Livro”, juntando à programação do mês dos povos indígenas também a celebração pelo Dia Internacional do Livro Infantil (02 de abril), Dia Nacional do Livro Infantil (18 de abril), e o Dia Internacional do Livro (23 de abril). Outra atividade exclusiva para escolares é a trilha “A Gente Fala Tupi?", destinada a escolas do Ensino Fundamental e também agendada pelo NUVOP, que acontecerá nos dias 19, 20 e 27 de abril, também no Parque Zoobotânico.

Línguas Indígenas - Nos dias 22 e 29 de abril e 06 de maio, quem tiver interesse em conhecer parte da riqueza das línguas indígenas terá essa chance no Curso de Língua Originária, ministrada por Israel Antxefotu, discente da UFPA, no auditório do Centro de Exposições Eduardo Galvão. Parque Zoobotânico do Museu Goeldi. Serão três sábados de atividades sobre a língua Karibe, com carga horária de 9 horas e certificado emitido pelo Museu Goeldi, em parceria com a Associação dos Servidores do Museu Goeldi (ASCON). A inscrição custa R$ 50,00 e pode ser feita por formulário eletrônico clicando aqui.

Lançamento - No dia 25 de abril, às 15h, no canal do Museu Goeldi no YouTube, haverá o lançamento do livro "A Expedição do Guaporé (1933-1935): Cadernos de Campo, Publicações e Acervo", com os registros da viagem científica realizada por Emil-Heinrich Snethlage pelo alto rio Madeira e vale do rio Guaporé. 

A obra organizada por Gleice Mere, Rotger M. Snethlage e Alhard-Mauritz Snethlage, publicada pelo Museu Goeldi, ganhou menção honrosa nas categorias Tradução (feita por Gleice Mere) e Projeto Gráfico (projeto de Jamil Ghan) na 8ª edição do Prêmio ABEU (Associação Brasileira das Editoras Universitárias). As sagas da expedição de Emil-Heinrich (que gerou farto e importate material), do resgate e publicação do livro é um enredo de filme que vale a pena conhecer.

Exposição - Já no dia 26 de abril, haverá uma roda de conversa com a cientista social e técnica da Coleção Etnográfica do Museu Goeldi, Susana Primo, sobre a curadoria de objetos indígenas da região do Oiapoque, no Amapá, que fazem parte da Exposição Diversidades Amazônicas. Suzana é do povo Karipuna, habitante dessa região do Amapá.

Também nesse dia, será lançada a animação “Contos Mirabolantes: o Olho do Mapinguari”, dirigido e roteirizado por Andrei Miralha e Petrônio Medeiros, com exibição na Biblioteca de Ciências Clara Maria Galvão, voltada exclusivamente para o público da Escola Olga Benário.

Feira e oficinas – Venda de produtos e pintura corporal de 26 a 30 de abril, sempre de 9h às 14h. No dia 28, das 9h às 12h, haverá exposição de artesanato e pintura indígena, e atividade de vivência ancestral, com monitoria de Mario Maracaipe (Sociólogo – Seduc / Renovo/ Fns-B) e Israel Antxefotu (Universitário de Arquitetura - UFPA).

Já no dia 29 de abril, o público poderá escolher entre duas oficinas, com certificados emitidos pelo Museu Goeldi mediante pagamento no valor de R$10 aos professores. Uma oficina de dança, ministrada por Denílson Wai Wai, Bismarque Wai Wai, Lidiane Wai Wai, e uma oficina de artesanato, ministrada por Sandra Tekerya, discente do curso de Letras da UFPA.

Dia de Ciência - E no dia 30 de abril, o Domingo é Dia de Ciência encerra a programação do Mês dos Povos Indígenas no Museu Goeldi, com diversas tendas onde os visitantes poderão conversar diretamente com pesquisadores e acessar diversos materiais científicos do Museu Goeldi, e conhecer o artesanato ou fazer pinturas corporais indígenas. Será uma manhã de aprendizado e diversão para toda a família.

SAIBA MAIS

20 e 27 de abril

TRILHA - A GENTE FALA TUPI?

Público: Exclusivo para Escolas agendadas pelo NUVOP

22 e 29 de abril e 06 de maio, sempre aos sábados

Curso de língua originária

Tronco linguístico: Karibe

Carga horária: 9h

Horário: 09 as 12h

Valor da inscrição: R$ 50,00

Promoção: ASCON Museu Goeldi

Certificado emitido pelo Museu Paraense Emilio Goeldi

Acesse o formulário eletrônico de inscrição clicando aqui.

25 de abril

Lançamento do Livro "A Expedição do Guaporé, 15h, no canal do Museu Goeldi no YouTube, com a participação dos organizadores Gleice Mere, Rotger M. Snethlage e Alhard-Mauritz Snethlage e mediação do linguista Hein van der Voort.

26 de abril

Roda de conversa com Susana Primo sobre a curadoria da vitrine do Oiapoque e visita guiada na exposição Diversidades Amazônicas

26 de abril

Lançamento da animação - Contos Mirabolantes: o Olho do Mapinguari,10h

Local: Biblioteca de Ciências Clara Maria Galvão - Parque Zoobotânico - MPEG

Público-alvo: Estudantes agendados da Escola Olga Benário

Segundo a lenda, Mapinguaris são índios que, ao atingirem idade avançada, se encantam e passam a viver no interior da floresta, a protegendo. Seja como for, Maria Estrela criou uma aventura sobre ele e vai te contar tudo no curta Contos Mirabolantes, o Olho do Mapinguari. O curta foi dirigido e roteirizado por Andrei Miralha e Petronio Medeiros.

Instagram: https://www.instagram.com/p/CqvjkwCu48p/

26 a 30 de abril

Venda de produtos e pintura corporal, 9h às 14h

27 de abril

Contação de história:  A história do livro, 9h às 14h

Local: Biblioteca de Ciências Clara Maria Galvão

Exclusivamente para os alunos agendados da EMEF Ernestina Rodrigues.

28 de abril

Exposição de artesanato e pintura indígena, de 9h às 12h

Atividades: vivência ancestral, exposição de artesanato e pintura indígena.

Monitores: Mario Maracaipe (Sociólogo – Seduc / Renovo/ Fns-B), Israel

Antxefotu (Universitário de Arquitetura- UFPA).

29 de abril

Oficina de dança, de 9h às 12h

Carga horária: 3h

Monitores: Denílson Wai Wai, Bismarque Wai Wai, Lidiane Wai Wai

Valor: R$ 10,00

Oficina de artesanato, de 9h às 12h

Carga horária: 3h

Monitores: Sandra Tekerya (Universitária de Letras da UFPA)

Valor da inscrição: R$ 10,00

(Holofote Virtual, com informações da Agencia de Notícias do MPEG)

Discosaoleo está de volta e comemora Dia do Disco

Pnk Sabbth / Foto: Tereza Maciel
Data celebrada internacionalmente pelo mercado fonográfico e colecionadores de vinil ganha programação na loja no próximo sábado, dia 22, homenageando o Glam Rock.

Em 2007, foi criado nos Estados Unidos o Record Store Day, para celebrar a cultura das lojas de discos independentes. A primeira edição foi em 2008 e, desde então, a data é comemorada ao redor do mundo, no terceiro sábado de abril. Em Belém, a ideia de realizar uma programação especial na mesma linha foi trazida pelo selo e loja Discosaoleo, em 2019. A intenção era fazer o evento anualmente, porém, com a pandemia, o plano foi interrompido. Agora, a loja retoma a programação com exposição, bate-papo, discotecagem e concerto no sábado, 22.

Segundo Leo Bitar, pesquisador, audiófilo e idealizador da Discosaoleo, é “uma forma de comemorar o vinil e apoiar quem mantém lojas que movimentam essa cultura analógica”. Ele complementa que “isso não acontece no Brasil, e os amantes do elepê ficam sem essa comemoração. Daí a vontade de ter um cantinho na cidade onde colecionadores e consumidores do disco pudessem curtir um passeio na loja, no mesmo dia do encontro no exterior”.

Na Discosaoleo, a programação é temática. Em 2019, foi voltada para a Tropicália e, nesta edição, homenageia o Glam Rock. A loja vai abrir às 10h, com exposição de capas do gênero, de artistas como Roxy Music, T. Rex e Secos e Molhados, e também de pôsteres e jornais originais de época, do acervo pessoal de Leo Bitar. O tema deste ano foi inspirado pelos 50 anos do álbum Aladdin Sane, de David Bowie, que será o assunto do Risco no Disco, um bate-papo com audição em vinil comentada, às 11h30.

À tarde, às 15h, haverá discotecagem com Alex Pinheiro e John Noir, da produtora DançA NO EscurO, tocando seleções de Glam Rock, Punk e Dark. Em seguida, às 16h30, uma apresentação de Pnk Sabbth fecha o dia.

Surpresas e concerto

Leo Bitar / Foto: Marlon Florindo
Nos últimos nove anos, o selo Discosaoleo lançou trabalhos em vinil de Ana Clara, The Thump!, Molho Negro, Pio Lobato e Dulce Quental, e em fita cassete de Pratagy e Meio Amargo. Estes títulos estarão com preços especiais no Dia do Disco. Além disso, o público terá algumas surpresas ao longo do sábado, com descontos em todo o catálogo da loja e sorteios.

O encerramento da programação será com um concerto de Pnk Sabbth, cantora, compositora, produtora musical e artista visual nascida em Belém. Em atividade desde 2015, Pnk é uma pessoa a-gênero e se vale da extravagância e da liberdade estética como marcas artísticas. Na apresentação, vai mostrar parte do repertório dos trabalhos The Night Glow, The Bay e Índigo.

Toda a programação é aberta ao público e, durante as discotecagens e o concerto, há ingressos sugeridos de R$ 15,00, destinados integralmente aos DJ’s e músicos.

Serviço: Dia do Disco, na Discosaoleo, sábado (22 de abril), a partir das 10h. Programação aberta ao público, com ingressos de R$ 15,00 sugeridos no turno da tarde para as discotecagens e apresentação musical. Mais informações nas redes do selo: @discosaoleo (Instagram e Facebook).

22/04 – Dia do Disco

A partir das 10h – Exposição de capas e materiais de época com o tema Glam Rock

11h30 – Risco no Disco com audição e comentários sobre o álbum Aladdin Sane, de David Bowie

15h – Discotecagem com Alex Pinheiro e John Noir (DançA NO EscurO)

16h30 – Apresentação de Pnk Sabbth

(Holofote Virtual, com informações da assessoria de imprensa)

19.4.23

Versão da tragédia Antígona surge na Amazônia

Kay Sara, interpreta Antígona
Fotos: Divulgação
A última cena de Antígona na Amazônia foi encenada nesta segunda-feira, 17, onde houve, há 27 anos, o massacre de 21 trabalhadores rurais, hoje, uma ocupação agrária. A nova  versão da tragédia de Sófocles surge de uma parceria entre o premiado diretor suíço, Milo Rau e o movimento sem-terra MST e estreia internacionalmente no próximo dia 13 de maio, no Teatro NTGent, na Bélgica.

“Muitas coisas são monstruosas, mas nada é mais monstruoso do que o homem”, diz a peça mais famosa e adaptada na literatura de tragédia, Antígona. A peça centra-se no conflito entre Antígona e Creonte, entre a sociedade tradicional e o moderno estado capitalista. Por "razões de Estado", Creonte não quer permitir o enterro do irmão de Antígona e viola a lei dos deuses - mergulhando sua família e toda a cidade em desastre. 

Assim, no século V a.C., Antígona surge, talvez como a crítica mais radical do que mais tarde seria chamada de "civilização ocidental" e conquistaria o mundo inteiro: uma canção sombria sobre os limites do esclarecimento e os perigos de explorar a natureza.

Se no tempo de Sófocles o apocalipse cantado em Antígona era uma noção sinistra, na era do Antropoceno tornou-se um fato. Portanto, em abril de 2023, Milo Rau e sua equipe reformularam Antígona como um "fim de jogo" global no Pará, o estado mais setentrional do Brasil, à beira da Amazônia. 

Uma das principais cenas da peça, uma reencenação do Massacre de Eldorados do Carajás, foi apresentada, nesta segunda-feira, no próprio local e data onde o massacre foi realizado, na curva do S, com cerca de 300 militantes do MST. A montagem da obra também conta com cenas gravadas em vídeo em assentamentos do MST, em aldeias indígenas, reservas florestais.

Para a encenação de Antígona para o século 21, o diretor e sua equipe vieram ao Brasil, a convite de e em colaboração com o MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra), o maior movimento sem-terra do mundo. Atores europeus e locais, amadores e profissionais se encontram em Antígona na Amazônia. Hêmon, Creonte, Ismênia e Eurídice são interpretados alternadamente pelos dois belgas Arne De Tremerie, Sara De Bosschere e o brasileiro Frederico Araujo, membros do Elenco Global do NTGent. 

Elenco reúne indígenas e trabalhadores rurais

Pela primeira vez na história do teatro, uma atriz indígena, Kay Sara, interpreta Antígona, enquanto o coro da tragédia é formado por sobreviventes do maior massacre dos sem-terra pela polícia militar brasileira até hoje. O cego Tirésias é interpretado pela liderança indígena, ambientalista e escritor mundialmente conhecido, Ailton Krenak, e também está no elenco, a atriz paraense Célia Maracajá. 

O preparo e ensaios vêm sendo realizados desde 2019, concluindo o engajamento de Rau com os grandes mitos e questões da humanidade. Para a encenação de Antígona para o século 21, o diretor e sua equipe vieram ao Brasil, a convite de e em colaboração com o MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra), o maior movimento sem-terra do mundo. 

Os diálogos de embate entre Antígona e Creonte, bem como as passagens do coral, que têm sido reinterpretadas por 2.500 anos, foram ressignificadas em oficinas junto com ativistas do MST e atores do Brasil e da Europa. É um choque da ordem mundial liberal com a cosmologia holística dos povos indígenas do Brasil, que na era do colapso climático iminente estão cultivando uma abordagem da natureza voltada para o futuro. 

A peça é educativa e versa sobre a devastação violenta e o deslocamento causado pelo Estado moderno, que coloca a propriedade privada - e, portanto, o comércio e a especulação globais - acima do direito tradicional à terra. As filmagens públicas e a estreia mundial de Antígona na Amazônia serão seguidas, como uma instalação de vídeo teatral, por uma turnê pela Europa realizada em conjunto com o Movimento dos Sem Terra. 

O diretor brasileiro Fernando Nogari, conhecido por seus videoclipes para a cantora Selena Gomez, conclui um filme de bastidores sobre Antígona na Amazônia, documentando o contexto político, o processo de ensaio e produção e, em geral, a situação política naquele que é provavelmente o ponto decisivo do nosso tempo. Paralelamente ao projeto teatral, está sendo desenvolvida uma campanha política que defende a produção agrícola sustentável na região amazônica. 

Projeto começou de forma casual em 2019

Depois de Orestes em Mosul, na antiga capital do Estado Islâmico, e o filme cristão O Novo Evangelho, nos campos de refugiados do sul da Itália, Milo Rau Antígona na Amazônia, fechando sua Trilogia de Mitos Antigos. O diretor estava em turnê pelo Brasil e acabou se encontrando com representantes do MST, em 2019. 

“Mostrei-lhes trechos do filme que acabara de filmar, O Novo Evangelho, ao que eles me mostraram um livro que usam em suas escolas, Ocupando a Bíblia. Eles imediatamente entenderam o que era O Novo Evangelho: a reapropriação de um mito, o mito revolucionário de Jesus, pelos excluídos, os marginalizados de hoje. Agora estamos fazendo exatamente o mesmo com Antígona: não estamos apenas criticando e adaptando Sófocles, estamos ocupando a peça, por assim dizer, assim como o movimento dos sem-terra ocupa a terra. Com os atores, as histórias e a sabedoria da Amazônia.”

A proposta de fazer Antígona partiu do movimento e toda a sua construção dialoga com princípios e questões que são fundamentais para história desses trabalhadores. “Quando começamos o projeto, Bolsonaro ainda estava no poder. Douglas Estebam, um dos nossos dois dramaturgos brasileiros, trabalhou com Augusto Boal, o inventor do Teatro do Oprimido. Portanto, somos muito próximos em termos de nossa concepção geral de teatro, trabalhando com amadores, misturando encenação e ativismo, e assim por diante”, diz o diretor.

Ele também ressalta que “a apropriação dos mitos também é muito central para o MST: a Bíblia, a linhagem dos quilombos, o movimento operário e a história recente do Brasil, especialmente, é claro, os massacres do poder do Estado, todos desempenham um papel em nossa interpretação de Antígona”. 

Há ainda a questão de gênero e diversidade abordadas e muito presente em Antígona, que é absolutamente central para o MST. O uso e o treinamento de coros também fazem parte das escolas e da formação política do MST. 

“A ideia de formar um coro de sobreviventes do massacre de 1996, mas também trazer ativistas dos quilombos e povos indígenas, negociando questões de gênero em pé de igualdade com as questões de terra, tudo isso é completamente lógico para o MST”, prossegue o diretor. 

“Antígona é completamente reescrita nessa apropriação: rituais amazônicos tomam o lugar dos rituais da Grécia Antiga, os coros cantam algo diferente, a música foi recomposta. E a primeira vez que li, me disseram: Por que todos se matam no final? A luta continua, não é? Então reescrevemos o final”, completa.

Agenda de estreias

13 de maio - Estreia mundial de Antígona na Amazônia em Gante (Bélgica), no NTGent

19 a 21 de maio - Amsterdã (Países Baixos), no ITA 

25 a 27 de maio - Viena (Áustria), no Festival de Viena (Wiener Festwochen)

01 a 04 de junho - Frankfurt (Alemanha), no Künstlerhaus Mousonturm

13 e 14 de junho - Douai/Arras (França), Tandem Scène Nationale

17 de junho - Roterdã (Países Baixos), no Schouwburg

16 a 24 de julho - Festival d’Avignon, Avignon (FR)

Ainda este ano, Antígona na Amazônia também poderá ser vista em Basiléia (Suíça), Roma (Itália), Bydgoszcz (Polônia), Lyon (França), Lisboa (Portugal), Porto (Portugal), Madri (SPA), Châteauroux (França), Paris (França), Bruges (Bélgica), Turnhout (Bélgica) e Antuérpia (Bélgica).

Ficha técnica

CONCEITO e DIREÇÃO Milo Rau

TEXTO Milo Rau & elenco

EM COLABORAÇÃO COM Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)

ELENCO

Frederico Araujo

Sara De Bosschere

Kay Sara

Arne De Tremerie

NO VÍDEO

Gracinha Donato

Célia Marácajá

Coro dos Militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST

Como Tirésias, Ailton Krenak

MÚSICO Pablo Casella Dos Santos 

DRAMATURGIA Giacomo Bisordi, Martha Kiss Perrone, Douglas Estevam da Silva

ASSISTENTES DE DRAMATURGIA Kaatje De Geest, Carmen Hornbostel

COLABORAÇÃO NA CONCEPÇÃO, PESQUISA E DRAMATURGIA Eva-Maria Bertschy

COMPOSIÇÃO MUSICAL Elia Rediger e Pablo Casella Dos Santos

CENOGRAFIA Anton Lukas

FIGURINO Gabriela Cherubini, An De Mol, Jo De Visscher, Anton Lukas

ILUMINAÇÃO Dennis Diels

DESIGN DE VÍDEO Moritz von Dungern

MAKING OF E VIDEOCLIPE Fernando Nogari

EDIÇÃO DE VÍDEO Joris Vertenten

ASSISTENTE DE DIREÇÃO Katelijne Laevens

ESTAGIÁRIO (assistente de direção) Chara Kasaraki, Lotte Mellaert

GESTÃO DE PRODUÇÃO (Europa) Klaas Lievens

GESTÃO DE PRODUÇÃO (Brasil) Gabriela Gonçalves

ASSISTENTE DE PRODUÇÃO Jack dos Santos

GESTÃO TÉCNICA DE PRODUÇÃO Oliver Houttekiet

DIRETOR DE PALCO Marijn Vlaeminck

COM UM ESPECIAL AGRADECIMENTO A Carolina Bufolin

PRODUÇÃO NTGent, Instituto Internacional de Assassinato Político (International Institute of 

Political Murder - IIPM)

COPRODUÇÃO Festival D’Avignon, Festival Romaeuropa, Festival Internacional de Manchester, La Vilette Paris, Tandem Arras Douai, Künstlerhaus Mousonturm Frankfurt, Equinoxe Scène Nationale Châteauroux, Festival de Vien 

COM O APOIO DE Instituto Goethe São Paulo, programa COINCIDÊNCIA - Intercâmbios Culturais entre Suíça e América do Sul - PRO HELVETIA, The Belgian Tax Shelter (Programa de Incentivo Fiscal ao Audiovisual da Bélgica)

15.4.23

Um museu virtual sobre obra de Sebastião Tapajós

O Instituto Sebastião Tapajós (IST) entrega hoje o museu virtual criado para abrigar parte do acervo que vem sendo pesquisado, tratado e organizado, registrado e digitalizado em Santarém-Pa, onde viveu o músico até outubro de 2021. Neste sábado (15), qualquer pessoa poderá visitar a exposição no site.

A ação antecede o domingo, 16 de abril, quando o músico faria 81. Nesta data também completam seis anos do IST, criado para cuidar, difundir, salvaguardar esta obra, além de trabalhar diversos projetos que incentivam a arte com a qual o violonista tanto nos encantou, a música. 

Frederico Teixeira assina a construção do ambiente virtual, que abriga o acervo. “Teremos uma exposição de longa duração, com highlights do acervo, imagens que foram digitalizadas e são raras e acho que será a primeira vez que o grande público vai ter acesso”, diz Fred, que embora já conhecesse Sebastião Tapajós, acabou realmente mergulhando na obra dele por causa desse projeto. 

“A partir desse contato com a obra e neste universo mais ligado a Santarém, fiz um mergulho muito incrível nesse rio que é Tapajós. Fiz um trabalho de consultoria, auxiliei no processo de digitalização de tudo isso. Estar dentro desse projeto e acompanhar esses desafios mais ligados a virtualidade foi um prazer pra mim, além de desenvolver a identidade visual do IST, nesta nova fase, com o museu, o instituto e também o festival de violão”, conclui ele que também é responsável pela realização do museu virtual Itamar Assumpção.

O acervo de Sebastião Tapajós está dividido por categorias. Há a parte musical com partituras, discografia, capas de LPs, cartazes, mas também há cartas, livros e muitos documentos. De acordo com Antonio Neto, especialista em conservação e restauro em acervos de suporte em papel, a parte documental foi encontrada em bom estado, mas estava muito desorganizada. 

“Quando fui fazer o projeto de conservação encontramos  tudo muito desorganizado e para realizar o trabalho de conservação e acondicionamento desses documentos todos, é necessário minimamente organizar. Então essa foi a parte mais demorada, porque de forma geral, tudo estava em um bom estado, fizemos pequenos reparos”, diz Antonio Neto.

O especialista conta ainda que o acervo traz muito material de divulgação sobre shows, turnês, press release, folder, cartaz, parte de hemeroteca, com recortes de jornais e revistas, além de documentos que falam sobre a historia da carreira dele, como autorizações de direitos autorais, além dos discos, tanto os gravados no Brasil, quanto na Alemanha. "Ele viajava muito pra lá, onde tinha empresário. Há discos com dedicatórias de outros artistas também. Ele fazia muito esse intercâmbio com outros músicos”, continua Neto.

O acervo conta de maneira impecável a trajetória do músico. “Tem pouca coisa pessoal, é essencialmente um acervo que conta uma história profissional, anos 1960, com os Mocorongos, ainda em Belém. E tem material da época em que ele foi se aprimorar tecnicamente na Europa. É uma trajetória muito bem sucedida e que chegou também ao Japão, Espanha, além da Alemanha. Percebe-se que foi um artista mais valorizado fora de seu país. Embora ele tenha feito inúmeros shows e turnê, os discos dele eram mais vendidos no exterior”, conclui. 

A museóloga Sandra Rosa, mestre em Ciência da Informação, foi responsável pelo diagnóstico das condições do acervo após a enchente na casa do músico. No final de julho de 2022, ela já estudava o acervo e fez, na ocasião, um levantamento da tipologia e outras demandas. Somente em outubro deu inicio ao processo de musealização do acervo.

“Essa metodologia consiste no processo de aquisição, conservação, pesquisa, documentação e comunicação. O acervo nesse período já estava no Instituto Sebastião Tapajós para processo de conservação e restauro e posteriormente digitalização. E então pude elaborar a proposta de documentação em plataforma digital, que consistiu na elaboração do plano de classificação do acervo pelo thesssauro museológico, elaboração da ficha catalográfica e metodologia de preenchimento”, conta Sandra.

O processo de digitalização foi realizado junto com os bolsistas, que passaram por treinamentos e oficinas. Foi possível então fazer o plano de classificação e nomeação dos itens por códigos conforme a tipologia do acervo. Foi somente em janeiro deste ano que iniciou o processo de documentação e pesquisa dos documentos e objetos para construção do acervo digital.

“Essa atividade foi desenvolvida com os bolsistas e a museóloga, durante o mês de janeiro e fevereiro, quando estive no Instituto para organização do espaço,  sendo reserva técnica, laboratório de pesquisa, sala de exposição em construção e administração. Em março, minha atividade se desdobrou entre a documentação e a comunicação, sendo a exposição virtual e acervo digital junto com os bolsistas, coordenador do projeto e profissional do desenvolvimento da plataforma do museu virtual”, finaliza a museóloga, que segue no projeto para finalizar a demanda de documentação no ambiente digital, junto aos bolsistas.

IST surge com a 10 discos chegam da Alemanha 

A ideia de trabalhar e organizar a obra de Sebastião Tapajós existe desde 2017, quando também foi fundado o Instituto que leva seu nome. Amigos e familiares estavam reunidos na casa do violonista quando a entrega de uma caixa vinda da Alemanha, enviada pelo empresário do músico na Europa, Klaus Schneider, mudou o rumo da conversa. 

“Era uma caixa com 10 LPs, e entre eles, grandes clássicos da música do Sebastião Tapajós, como Guitarra Crioula, Guitarra Latina e Terra, entre outros. E foi naquele momento que entendemos que a obra dele precisava ser cuidada de forma que não só fosse dado acesso a pesquisadores, como também fosse um incentivo para que novos talentos conhecessem sua obra. E foi assim que no dia 16 de abril de 2017, fundamos o Instituto Sebastião Tapajós”, lembra Jackson Rêgo Matos, um dos diretores e sócio fundador do IST.

Dois anos se passaram desde aquele dia até que ano passado, um incidente natural acabou acelerando o processo de organização do acervo, que estava na sala da casa, situado na parte dos fundos, de cara para o rio que inspirou o músico durante sua vida, e com a enxurrada, ela quase inundou. Por sorte não houve danos irreparáveis. De acordo com a presidente do IST, Cristina Caetano, todo o acervo foi verificado e recebeu tratamento sob todos os critérios museológicos. 

“Além da lama que se aproximava, formou-se uma cratera no quintal. Houve problemas de ordem estrutural também por conta de outra obra realizada ao lado da casa dele. Foi tudo desesperador, houve risco de desabamento. Foi aí que retomamos o contato com o atual prefeito de Belém, Edmilson Rodrigues, que quando estava deputado federal nos direcionou uma emenda que foi finalmente executada em 2022, após este incidente. Ele foi visionário, porque é difícil que as pessoas tenham essa sensibilidade para entender o valor de uma obra como essa”, diz Cristina Caetano, que finaliza sua segunda gestão a frente do IST.

Edmilson Rodrigues é um entusiasta e admirador da obra do músico. Para ele, Sebastião Tapajós é um "gênio brasileiro e um dos mais importantes músicos do universo. São poucos que extrapolam na espécie de normalidade criativa. E é emocionante perceber que ele conseguiu conciliar um talento de grande força criativa, uma formação técnica do mais alto nível com base teórica rigorosa, um estilo de singularidade extrema, e portanto, uma carreira classificável de nível clássico e formação erudita. Mas, ao mesmo tempo, desenvolveu uma produção de caráter popular como pouquíssimos músicos em toda a história da humanidade. Então, o Instituto Sebastião Tapajós faz justiça com a obra desse nosso imortal e efetivamente eterniza a obra dando para sempre a qualquer cidadão do mundo a possibilidade de conhecer a obra mais portentosa de um músico brasileiro", comentou o atual prefeito de Belém. 

Processo de atualização do site será contínuo

A maioria das coisas da exposição que inaugura o Museu Virtual Sebastião Tapajós  vieram do acervo pessoal da Dona Tanya Macião, que foi esposa de Sebastião e é a guardiã desse legado. Durante o processo do levantamento dos materiais foram encontradas muitas coisas que nem ela mesma lembrava que tinha, como uma caixa cheia de recomendações, malas antigas carregadas de memória.

“Eu convivi com um gênio, mas que era uma pessoa simples, humilde e amorosa. E é isso que se reflete neste acervo, onde destacamos esta genialidade de compositor, simples e grandioso como o rio tapajós que ele dizia ser”, comenta Dona Tanya, viúva do músico. Para ela, a disponibilização do acervo de Sebastião Tapajós na internet uma forma de dar oportunidade a todos de conhecer um pouco da vida e obra do músico.

O trabalho focado no acervo teve início em 2022. Em parceria com o programa Luz Ação na Amazônia, um projeto de extensão da UFOPA, coordenado por Jackson Rêgo Matos, quatro bolsistas da instituição foram selecionados para atuarem no trabalho com o acervo. Foram contratados profissionais da museologia e da área de conservação, além do designer para a criação do ambiente virtual da exposição. Para coordenar a pesquisa, foi convidado o historiador Dr. e professor da UFOPA, Gefferson Ramos.

“Esse museu será alimentado aos poucos, além do que já vai trazer, nesta inauguração. Este site,  a partir do incrementos que ele for recebendo,  será um instrumento de educação musical, pois além de tudo há partituras do artista que estarão disponibilizadas aos estudiosos e aos amantes da música. As pessoas também vão encontrar informações seguras e precisas sobre a obra e trajetória do músico. E não será uma coisa estática. Queremos que as pessoas entendam que o site estará sendo alimentado por outros itens que também venham a ser doados”, diz o professor Gefferson.

Ele se refere a acervos privados referentes a Sebastião Tapajós, que por ventura possam ser doados, para serem tratados e disponibilizados no site de forma pública. “Este lançamento do museu portanto, não é um ponto de chegada, mas sim de partida, um instrumento agregador sobre essa obra", conclui.

Serviço

Lançamento do Museu Virtual Sebastião Tapajós. Neste sábado, 15 de abril de 2023, a partir das 20h, no site institutosebastiaotapajos.org

13.4.23

FCP diversifica seus editais para atender demanda

Foto: David Passinho
A Fundação Cultural do Pará (FCP) abriu 2023 com R$ 30 milhões a serem investidos no setor cultural e não contou conversa, criou novos editais e segue com uma intensa agenda de lançamentos e divulgação de resultados. 

Ainda assim, a demanda é maior que a oferta. A seguir vamos falar de recursos, das novidades deste ano e saber quais editais continuam abertos. 

Em 2022, no dia 31 de outubro, logo após as eleições presidenciais e estaduais, o governador reeleito do Pará, Helder Barbalho, fez o anúncio do repasse de 30 milhões para  serem investidos na área da cultura. Deste valor, a metade é recurso oriundo de renúncia fiscal, que se refere à lei Semear, e os outros 15 milhões cabem ao novo programa, que entre outras ações, lançou este ano, até o momento, 12 editais, cujos valores variam entre 7 a 50 mil reais.  

Por maiores que sejam os esforços em democratizar o acesso e diversificar as entregas, uma luta de várias gestões na FCP, a demanda ainda segue muito maior que a oferta, basta acompanhar as publicações no Diário Oficial do Estado. São milhares de fazedores e produtores de cultura de 144 municípios, em busca do acesso a essa e outras políticas públicas. 

Nesta semana, por exemplo, foi divulgada a lista de projetos habilitados, em primeira fase de seleção, do edital de Incentivo à Arte e Cultura. 

Quase 1.700 projetos já estão no páreo e esse número pode aumentar após a fase de recursos, mas todos eles vão concorrem a 200 prêmios em todo o Estado. O atual presidente da Fundação Cultural do Pará, Thiago Miranda, disse em entrevista ao Holofote Virtual, que outros investimentos ainda virão esse ano. 

“Diversos editais já foram lançados, com critérios que buscam minimizar distorções como a concentração de investimentos para a área metropolitana e a ausência de políticas para as minorias. Outros produtos do programa ainda serão lançados, gerando mais oportunidades para o segmento cultural”.

E complementa: “Nossa expectativa é promover a injeção de mais de 120 milhões de reais no segmento cultural para os próximos quatro anos, sendo a metade deste investimento com recursos próprios da Fundação Cultural do Pará e o restante via incentivo fiscal”, disse. 

Ele também ressalta que em paralelo, o Programa Semear recebeu uma ampliação substancial em quatro anos, saindo de 3 para 15 milhões por ano, por meio da renúncia fiscal, numa parceria com a Secretaria de Estado da Fazenda. 

"Para a FCP, os editais públicos são instrumentos estratégicos para promover uma política pública democrática e transparente para o setor cultural, garantindo capilaridade, com  o alcance as mesorregiões do Estado, e também, contemplando todas as expressões e segmentos do setor cultural”, finaliza.

Mergulho traz inovação à temporada de editais

O Prêmio "Mergulho FCP – Fomento, Difusão e Produção Audiovisual  traz ousadia e inovação à temporada e está recebendo propostas até 23 de abril. 

O público alvo pode ser de produtoras culturais, curadores, cineclubistas, educadores de escolas públicas, estudantes de cursos que tenham relação com o audiovisual. A ideia é nichar esse público no âmbito da educação, o que não é tão comum em se tratando de editais de cultura. O desafio também é atingir este público específico, um esforço de comunicação que deve ser atencioso.

“Temos trabalhado com mídia regular, mas também procuramos as universidades, faculdades, distribuímos material para várias dessas, tem um técnico especificamente trabalhando nisso e temos conseguido nos conectar às secretarias de cultura do Estado e nos municípios. Já temos inscrições vindas do interior, mas a maioria ainda são da capital, precisamos que isso chegue a mais e mais cidades, aumentando essa participação”, diz Melissa Barbery, Coordenadora de Artes Visuais da Casa das Artes.

Em entrevista ao Holofote Virtual, ela conta que foram meses de pesquisa para se chegar a este formato. O edital fomenta o audiovisual, dialoga com ações educativas e também tem como objetivo ocupar a Casa das Artes. 

“Observamos que já tínhamos outros editais no fomento do audiovisual, como o de Incentivo à Cultura e o de Pesquisa e Experimentação Artística. E já tínhamos feito um projeto anterior, a exposição inabalável, que trabalhou com estudantes. Pensamos então em reforçar o exercício do audiovisual como ferramenta de educação. Foi assim que surgiu a ideia do Mergulho e que depois de amadurecida chegou a este resultado", continua.

Cada uma dessas linhas, me diz Melissa, tem um objetivo específico. “Para mostra audiovisual queremos ocupar a Casa das Artes, com exibições e ações educativas. Na linha das ações educacionais transformadoras por meio do audiovisual, queremos entender como pessoas podem, através do audiovisual, realizar uma ação transformadora envolvendo a comunidade, pais, alunos, servidores e os próprios alunos”, explica Melissa.

Já a linha de produção, dá oportunidade a estudantes de graduação, técnicos ou tecnológicos de realizar um trabalho audiovisual com um recurso profissional. “Tem muita gente que utiliza o audiovisual para realizar pequenas produções. Queremos aumentar as possibilidade a jovens realizadores e diretores, que estão em graduação, de ter um recurso para realizar um curta metragem com qualidade e isso gere portfolio para ele seguir com seu trabalho”, finaliza.

O Mergulho oferece 15 prêmios destinados às três linhas de atuação. A Mostra de audiovisual, com 5 prêmios de R$50 mil; Ações educacionais transformadoras por meio do audiovisual, com 5 prêmios de R$ 40 mil e Produção audiovisual, com 5 prêmios no valor de R$50 mil. Espera-se que, como nos demais editais, a demanda supere a oferta. 

Outros editais seguem recebendo inscrições

Além do Mergulho, outros editais que prorrogaram ou não o período de inscrições, seguem recebendo propostas. 

O Prêmio FCP de Pesquisa e Experimentação Artística 2023 prorrogou até o dia 20 de abril, já o 1º Festival de Cinema Açaí recebe inscrições até o dia 29 de abril. O Tamba-Tajá, voltado para as artes cênicas, fica aberto até 3 de maio. O Cultura Livre, o antigo pauta livre recebe propostas até o dia 5 de maio.

O edital de Experimentação e Pesquisa Artística é o mais antigo dos editais, criado quando a Casa das Artes ainda abrigava o Instituto de Artes do Pará, e segue nos mesmos moldes de origem. Este ano, o aporte  financeiro, de 1 milhão de reais, vai premiar até 40 propostas inéditas de pesquisas, nos mais variados segmentos artístico-culturais.  As propostas contempladas receberão o valor de 25 mil reais. 40% dos prêmios são destinados aos municípios da Região de Integração do Guajará e os outros 60% aos das demais regiões, como nos demais editais.

Para o Festival açaí serão premiadas até 36 produções audiovisuais nas categorias de curta, média e longa-metragem.As premiações são em âmbito regional e nacional variando de 5 a 15 mil reais. As criações precisam ser inéditas, de qualquer gênero e formato.  As obras contempladas no edital ficarão licenciadas para exibição em mostras do Cine Líbero Luxardo ou na plataforma da Sala Virtual.

No edital Tambatajá, voltado para as artes cênicas, serão premiadas até 19 propostas, individuais ou coletivas, para a utilização do Teatro Experimental Waldemar Henrique e de outros espaços culturais localizados nas demais Regiões de Integração do Pará. A premiação total chega a 403 mil reais. 

Seguem abertas também as inscrições também ao edital N° 08/2022, referente à Cessão de Obras de Autores Paraenses para bibliotecas vinculadas ao Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas, que seguirá até dia 13 de outubro de 2023.

O edital Cultura Livre é a nova versão do edital Pauta Livre e tem como objetivo preencher os espaços culturais no Estado com propostas de apresentações e ações em diversas linguagens artísticas. As premiações variam entre 10 e 16 mil reais. Ao todo são 205 prêmios para todo o estado. São 27 prêmio para teatro, 27 para dança, 27 para circo, 27 para artes musicais, 49 para cultura periférica e 48 para ações de transformação social.

Para o Teatro Margarida Schivasappa, por exemplo, são 05 prêmios,  um para cada linguagem, assim como para a Praça do Artista, que receberá 10 propostas. Não há prêmios direcionados ao Teatro Waldemar Henrique, que estará envolvido, no edital Tambatajá. Além dos valores diferenciados dos prêmios, entre outras novidades,  está a entrada dos espaços das Usinas da Paz, que receberão 90 propostas de ocupação, em linguagens diversas, além da flexibilidade dada ao proponente de indicar outros equipamentos e espaços culturais, sejam eles privados ou públicos, em qualquer cidade do Pará, para apresentar a sua proposta. Para este tipo de ocupação há 100 prêmios. 

Acessem os editais no site da FCP:

https://www.fcp.pa.gov.br/editais

Acompanhe também nossas postagens sobre produção e comunicação de projetos culturais no Instagram, nos perfis:

@holofote_virtual e @holofotevirtual

7.4.23

PAM prorroga prazo à indicação de obras musicais

O Prêmio Amazônia de Música prorrogou o período de indicações de obras musicais à curadoria, até o dia 14 de abril. Qualquer pessoa que conheça trabalhos lançados na plataforma digital em 2021 e 2022 pode fazer indicações, inclusive artistas e produtores. 

Nesta primeira edição, o projeto traz como foco a produção musical paraense, com objetivo de impulsionar carreiras, fortalecer a cadeia produtiva da música na região e gerar uma conexão maior entre os artistas paraenses e o mercado nacional. A idealização é do compositor e multi-instrumentista, Arthur Espíndola, da Oriente Multiproduções, que além do PAM também desenvolve outros projetos na área musical.

Para a curadoria foram convidados profissionais do mercado da música paraense e nacional, tendo à frente o produtor musical paulista Marcus Preto, que é jornalista, curador, produtor musical e diretor de arte. Para ele, esta é uma iniciativa fundamental para fomentar essa cena musical e trazer visibilidade ao que se produz na Amazônia. 

“Fui convidado pelo Arthur para compor a curadoria junto a vários outros profissionais da música paraense. Em princípio questionei se era de bom tom, eu, paulista, estar nesta curadoria e a coordenação do prêmio me disse que era exatamente isso que se queria. Enquanto os demais curadores vão olhar a cena de dentro para fora, eu vou olhar de fora pra dentro. E aí eu topei na hora”, diz Marcus Preto.

Atuante na produção e direção artísticas de trabalhos musicais, desde 2013, Marcus Preto já trabalhou com artistas como Tom Zé, Gal Costa, Erasmo Carlos, Márcia Castro e Paulo Miklos, entre outros.

“A ideia de gerar um prêmio é importante, pois vai conectar todos esses artistas com outros prêmios, outras regiões e realidades diferentes, e também vai criar oportunidades aos artistas que forem premiados, pois é exatamente assim que acontece. Artistas premiados sempre acabam tendo visibilidade em outros lugares e frequências”, comenta.

O curador também informa que o modelo de curadoria do PAM é extremamente democrático. “É um modelo bem amplo, com diversas categorias, estilos e gêneros musicais a serem analisados. Além disso teremos do lado de cá, cabeças de vários segmentos, estilos e gostos musicais. Será tudo muito democrático e relevante para que possamos pensar sobretudo na música, já que é ela que nos move”.  

Após o período de indicações, a curadoria continuará o trabalho e se reunirá para eleger os premiados, enquanto o público também vai eleger o Artista Revelação, a partir de votação no site do PAM.  Para Michelle Miranda, analista de Sustentabilidade da Equatorial Pará, o prêmio, para além do reconhecimento do artista, será importante para difundir a arte e a cultura local.

“O Pará ganha destaque no cenário nacional em diversos aspectos. Outras regiões querem cada vez mais conhecer o que produzimos e fazemos aqui em relação à arte. Então, a premiação vem com esse papel de destacar o que temos de melhor aqui, para que essas pessoas consigam alcançar um público ainda maior. E a Equatorial, que é maior patrocinadora da cultura no estado, acredita na valorização e democratização do projeto”, finaliza Michelle.

Como enviar indicações: O regulamento está disponível no site www.premioamazoniademusica.com.br, assim como o formulário de cadastro para enviar anexos e links de acesso aos curadores. A realização do PAM é da Oriente Multiproduções, com patrocínio da Equatorial Pará, via Lei Semear, do Governo do Estado.

Serviço

Prêmio Amazônia de Música – Edição Pará. Indicações abertas até dia 14 de abril, pelo site www.premioamazoniademusica.com.br

29.3.23

Festival norteado pela obra de Sebastião Tapajós

O violão de Tião - Foto: Vanessa Barros

O Instituto Sebastião Tapajós realiza o 1º Festival de Violão Sebastião Tapajós, neste final de semana, nos dias 31 de março e 1º de abril, em Santarém. 

A iniciativa celebra, salvaguarda e difunde a obra do violonista paraense que ganhou projeção internacional, influenciou e continua encantando a todos com suas composições, muitas vezes complexas, mas repletas de sentimentos e ambiências das sonoridades que permeiam a região amazônica.

Ao todo foram 165 inscrições no festival. Os candidatos enviaram vídeos executando duas músicas de autoria de Sebastião Tapajós e dos mais de 100 candidatos, saíram 12 finalistas. Na etapa final venceram na categoria Jovem Violonista, Natanael Carvalho e Leonardo Araújo, ambos residentes em Minas Gerais; e na categoria Sênior, os violonistas Paulo Renato de Araçatuba (SP) e Fernando Santos, de Niterói (RJ). 

“O festival já inicia com uma boa receptividade e alcance. Tivemos inscrições das mais diversas regiões do Brasil, e mesmo que o Norte não esteja representado entre os premiados desta edição, tivemos um grande número de violonistas paraenses participando, inclusive indo a final entre os 12. “É sem dúvida um festival que vem trazer ao estado um olhar das demais regiões tanto para obra do Sebastião, quanto para outros novos violonistas”, diz o professor e violonista José Maria Bezerra, que integrou o júri com outros notórios especialistas da acadêmica e/ou artística no segmento do violão, Ravi Samaya e Neil Armstrong.

Natanael Carvalho - Jovem Violonista

Natanael Carvalho tem 17 anos e se deparou com o violão solo por conta própria em meados de 2020. “Desde então venho estudando sozinho em busca de ser um concertista de violão de 7 cordas”, diz o músico que é um dos premiados na Categoria Jovem Violonista. Ele conta que conheceu a obra de Sebastião Tapajós graças ao festival, cuja ação de divulgação chegou até ele em Nova Lima, cidade próxima de Belo Horizonte, em Minas Gerais, onde o jovem músico, que é goiano, vive.  

Para ele, o processo de seleção foi árduo e corrido. “Ironicamente parecido com a música que selecionei para representar nesse festival”. Ele se refere a música intitulada ‘200 por hora’ gravada no álbum “Violões”, de 1989. “A sensação é de esperança e fé que meu sonho é possível”, diz o jovem músico.

O outro músico vencedor na mesma categoria que Natanael, é Leo Araújo, da cidade de Ouro Branco, Minas Gerais, fixado atualmente em Belo Horizonte, onde cursou bacharelado em violão, concluído em 2018, pela Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG. Atualmente ele atua como violonista solo e em grupos, além de dar aulas de violão. 

Leo Araújo
Leo diz que não chegou a conhecer pessoalmente e nem presenciar um show do Sebastião Tapajós. “O primeiro contato que tive com a obra de Sebastião Tapajós foi por intermédio do meu pai, que perguntou se eu o conhecia. No período ele estava gostando de escutar guitarrada e pesquisando algumas referências do Pará. Acabei pesquisando mais sobre o Sebastião e encontrei um repertório muito variado, que ia da música da América Latina, passando pela música de concerto e pela música instrumental brasileira”, diz entusiasmado.

Já Fernando Santos iniciou-se no violão, também de forma autodidata, buscando informações com amigos. Depois estudou com o violonista Sobral Pinto, grande violonista, chorão e seresteiro de Niterói. “Com ele aprendi o caminho das serestas, choros e valsas brasileiras”, lembra o músico, que conheceu a obra de Sebastião Tapajós, com uns 19 anos, através de seu pai. 

“Ele me deu de presente o CD ‘Virtuoso’, acho que lançado no ano de 1997.  E comecei a tirar algumas coisas de ouvido mesmo. Mas, foi uma surpresa ver e ouvir aquele violonista tão forte e suave. E depois fui conhecer, as obras escritas por ele mesmo”, revela.

Paulo Renato - Violonista Sênior
Paulo Renato, que também venceu na categoria Sênior é bacharel em violão pelo Centro Universitário Conservatório Brasileiro de Música. Já tem experiência profissional e gravou em 2018 o primeiro CD solo chamado “Recital”, além de ter realizado diversos trabalhos na área musical. 

Ele diz que o primeiro contato com a obra o Sebastião Tapajos foi através do CD  projeto memória brasileira - Gravado ao vivo no Teatro Cultura Artística de São Paulo em 1989, em que participaram grandes violonistas brasileiros e no qual Sebastião Tapajos interpretou a peça 'A 200 por hora', de sua autoria. 

"Depois pude apreciar outros trabalhos como: El arte de la guitarra (1971) Trova LP - RP music (Argentina), Lado a lado. Gilson Peranzzetta e Sebastião Tapajós (1988) Visom LP, CD, Da Minha Terra - Jane Duboc e Sebastião Tapajós (1998) Jam Music CD. Agora, através desse festival, estou tendo um contato maior com a obra do Sebastião Tapajos e estou muito feliz em poder tocar algumas se suas musicas,” conclui Paulo.

Apresentações em dois espaços de Santarém

Fernando Santos - Violonista Sênior
As apresentações que ocorrerão em Santarém, serão realizadas na Casa da Cultura de Santarém e também no Selva, um anfiteatro situado na Casa do Saulo, cujo palco também recebe o nome de Sebastião Tapajós, uma homenagem feita pelo amigo e admirador Saulo Jennings. “O nome do teatro é uma homenagem a minha mãe Selva, a que me gerou que tem esse nome mesmo, e também a floresta, mas a ideia de homenagear o Tião dando seu nome ao nosso palco, surgiu com ele ainda em vida”, diz Saulo. 

O chef e empresário da gastronomia paraense lembra que deveria ser uma surpresa para o violonista, mas quando esteve em uma apresentação dele em Belém, antes da pandemia, quando o teatro ia começar a passar pela reforma, não segurou a emoção e contou pra ele, que aprovou a ideia. “É uma homenagem com muito orgulho por tudo que ele significa a nossa cidade e importância na musicalidade mundial trazendo essa notoriedade para nossa região”, conclui Saulo.

São inúmeros os admiradores de Sebastião envolvidos neste festival. O diretor artístico, o pianista Andresson Dourado, que foi companhia constante de Sebastião Tapajós em diversas apresentações. “Tocar Sebastião Tapajós sempre foi um desafio. Ele foi um compositor pós romântico que traz uma bagagem erudita romântica vinda de seus estudos na Europa, porém, com a modernidade da sua época e o que lhe diferenciava de tudo, que era seu regionalismo”, comenta o músico.

O pianista revela que o festival foi criado a partir de uma vontade do próprio Sebastião Tapajós. “O Instituto Sebastião Tapajós já dialogava com ele uma forma de estruturar este festival, que só aconteceu agora, mas cujo processo envolveu a participação de violonistas de todo território nacional. E todos que foram selecionados virão até Santarém se apresentar e conhecer de perto o lugar onde vivia nosso grande Tião”, diz Andresson.

Premiação conta com troféu e estreia de orquestra

Sebastião Tapajós - Foto: Vanessa Barros
O evento promove uma vasta programação musical, que contará com a presença dos vencedores do festival e convidado ilustres. No primeiro e no segundo dia o festival abre às 20h com a apresentação de Andresson Dourado e Igor Capella, músicos que acompanhavam Sebastião Tapajós em suas apresentações. Em seguida haverá apresentações de  Maria Lídia (voz e violão), José Maria Bezerra, que convida Adria Goés e Andresson Dourado, além do concerto de violão do paulista Ravi Samaya.

A celebração segue com a apresentação dos premiados, que além de uma premiação em dinheiro também receberão um troféu confeccionado especialmente para o festival, e encerra com o lançamento da Orquestra de Violões Sebastião Tapajós, outra iniciativa do Instituto Sebastião Tapajós que atualmente também oferece ações de mais dois projetos , o Cinturão Cultural que trabalha em várias frentes de debates e ocupações artísticas, e o acervo digital de Sebastião Tapajós , cujo tratamento resultará em um museu virtual para visitação e acesso do público à obra do violonista. 

“A instituição quer abrir uma porta para o mundo, através do legado de Sebastião. Tanto para os violonistas brasileiros quanto aos do Pará e dessa região do Tapajós. Estamos numa grande expectativa. Além do Festival de Violão, também criamos essa orquestra que contempla os violonistas do município. Lançamos um edital e contemplamos 16 violonistas da região. Há muitas instituições já aqui que já trabalham com música, é uma tradição em Santarém, então a orquestra também é uma ferramenta de visibilidade aos que estudam musica aqui”, diz Cristina Caetano, que está em sua segunda gestão como presidente da instituição.

“Vamos completar seis anos em abril e estamos com esses projetos e mais dois projetos, pois para nós é importante e fundamental manter essa memória viva de Sebastião Tapajós, realizando ações que dialogam com o que ele mais gostou de fazer em vida que foi tocar seu violão, compor e inspirar outros músicos. E esse também é um legado que ele nos deixa. Por isso, além de premiar estamos trazendo os violonistas selecionados para tocar aqui e sentir essa mesma atmosfera que tanto inspirou de Sebastião Tapajós”, finaliza Cristina Caetano.

Serviço

1º Festival de Violão Sebastião Tapajós – Dias 31 de março, na Casa do Saulo, e 1º de abril, na Casa da Cultura, em Santarém-Pa. A programação inicia às 20h, com participações, premiação e estreia da Orquestra de Violões Sebastião Tapajós.

PROGRAMAÇÃO

SEXTA-FEIRA (31/03)

20h – Cerimônia de abertura: 

20h15 às 20h:30 - Apresentação - Andresson Dourado e Igor Capella

20h30 às 20h35 Maria Lídia - Voz e Violão 

20h35 às 20h45 - Zé Maria Bezerra convida Adria Goés e Andresson Dourado

20h45 às 21h15  - Concerto de Violão -  Ravi Samaya

21h15 às 21h55 - Apresentação dos Premiados

Categoria Jovem Violonista

Leonardo Araújo 

Natanael Carvalho

Categoria Sênior

Paulo Renato

Fernando Santos

21h55 às 22h25 – Lançamento da Orquestra de Violões Sebastião Tapajós

SÁBADO (01/04)

20h às 20h30 - Apresentação - Andresson Dourado e Igor Capella convidam  Maria Lídia

20h30 às 21h - Concerto de Violão - Zé Maria Bezerra convida Adria Goés e Andresson Dourado

21h às 21h30 - Concerto de Violão -  Ravi Samaya

21h30 às 22h - Apresentação dos Premiados

Categoria Jovem Violonista

Leonardo Araújo

Natanael Carvalho

Categoria Sênior

Paulo Renato

Fernando Santos

22h às 22h30 – Lançamento da Orquestra de Violões Sebastião Tapajós