3.2.17

FMCB homenageia Zampronha e Hermeto Pascoal

Marcado pelo pioneirismo, o FMCB – Festival de Música Contemporânea Brasileira chega à sua quarta edição em 2017 e será realizado em Campinas de 14 a 18 de março, com atividades na Unicamp, no Instituto CPFL e no Teatro Municipal “José de Castro Mendes”. 

O festival é um encontro internacional de estudiosos da música brasileira, que a cada edição homenageia dois compositores ainda em vida que se destacam no cenário musical do País. Uma proposta que promove um maior reconhecimento a quem se dedica à produção musical, além de difundir as contribuições virtuosas de seus trabalhos.

Neste ano, o festival presta homenagens a Hermeto Pascoal e Edson Zampronha, dois grandes mestres da música contemporânea. Ao todo, serão cinco dias consecutivos de atividades gratuitas, com programação diversa e aberta ao público. A programação completa do evento inclui mesas-redondas, recitais e concertos que visitam as obras dos homenageados, uma mostra musical no Centro Infantil Boldrini e apresentações de trabalhos acadêmicos com análises sobre suas peças e estilos, unindo a pesquisa à performance.

O concerto de abertura ocorre no dia 15 de março, a partir das 20h30 no Instituto CPFL, com um bate-papo com os homenageados. Na sequência, dois recitais comentados por eles serão realizados nos dias 16 e 17 de março, sempre às 20h30, no Teatro Municipal “José de Castro Mendes”. 

Estas atividades são oportunidades de ouvi-los falar pessoalmente sobre suas próprias obras. O bate-papo permite ao público fazer perguntas diretamente aos compositores e os recitais comentados abrem a possibilidade de saber mais sobre o processo de criação, além de trazer detalhes sobre as influências que os inspiraram. 

No Instituto de Artes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) são realizadas principalmente as atividades relacionadas às pesquisas acadêmicas, com apresentação dos projetos selecionados pelo Comitê Científico. Ao todo, foram selecionados 15 projetos, com trabalhos e estudos voltados às obras de Edson Zampronha, compositor, referência em música contemporânea e pesquisador sobre o gênero, semiótica e tecnologia musical; e de Hermeto Pascoal, considerado um dos maiores gênios em atividade na música e famoso por sua capacidade de extrair sons de qualidade de qualquer objeto. 

Outra atividade de destaque é a mesa redonda em que convidados e especialistas debatem sobre os dois compositores homenageados, passando pela vida e obra deles. Nesta atividade, o público pode interagir com os especialistas e fazer perguntas sobre os temas discutidos.

No concerto de encerramento, no dia 18, no Teatro Municipal “José de Castro Mendes”, com a participação especial da Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas, os homenageados retornam à cena e falam brevemente sobre as obras que serão executadas no concerto, com um preâmbulo conceitual.

Sobre o FMCB - Destaque no cenário musical nacional pelo ineditismo de sua estrutura, o Festival proporciona uma visão global da obra dos homenageados por meio de apresentações complementares de pesquisa e performances, além da oportunidade de contato estreito com estes compositores que, além de estarem presentes durante todo o evento, também apresentam suas próprias obras e contam como elas foram feitas. Momento especial para o público que tem a oportunidade de conhecer detalhes dos bastidores das produções e revelações das inspirações dos artistas.

A interação entre compositores, músicos, pesquisadores do Brasil e de outros países, e público em geral, incentiva, por meio deste contato, tanto a produção de mais pesquisas acadêmicas na área quanto o desenvolvimento de apresentações artísticas pelo mundo sobre as obras destes artistas. 
 Desde a primeira edição, o evento traz também uma contrapartida social, oferecendo uma mostra musical às crianças e adolescentes em tratamento de câncer no Centro Infantil Boldrini, em Campinas. Em 2017, o evento chega à sua 4ª edição em Campinas e serve de inspiração para o Festival de Música Contemporânea Brasileira Edino Krieger, a ser realizado no segundo semestre em Santa Catarina.

Para Ronaldo Miranda, homenageado da última edição, o Festival é hoje um evento de grande importância para a cultura do país. De acordo com ele, compositores contemporâneos têm, em geral, poucos meios de veiculação de suas obras, nem sempre possíveis nas temporadas tradicionais de concertos. 

“Tive a honra de ter sido homenageado em 2016, ao lado de meu colega Paulo Costa Lima.  E o resultado foi maravilhoso. O festival apresentou os mais variados intérpretes executando uma parcela expressiva da minha produção instrumental e vocal, com obras solo e de câmera e duas peças sinfônicas de minha autoria, que foram executadas pela Orquestra de Campinas”, destacou.

O IV FMCB é produzido pela Sintonize, viabilizado através do ProAC ICMS e patrocínio da CPFL Energia. Recebe apoio do Ministério da Educação e Governo Federal, através do CNPq e da CAPES, Ipanema Rolamentos e A Loja de Pianos. Tem como parceiros a Secretaria de Cultura de Campinas, Instituto CPFL, Unicamp, Instituto de Artes, OSMC e CRCV&B.

Um pouco sobre os homenageados

Hermeto Pascoal é um multi-instrumentista e compositor considerado um dos maiores gênios brasileiro em atividade na música contemporânea. Chamado de "o bruxo" ou "o mago", é famoso por seu talento de transformar qualquer objeto em instrumento e através dele produzir música de qualidade. 

Natural de Alagoas, ficou conhecido na década de 1960 como pianista e flautista do grupo Quarteto Novo, que misturava elementos nordestinos (como baião e xaxado) com jazz e harmonias contemporâneas.  

O compositor Edson Zampronha tem uma carreira dedicada à pesquisa acadêmica, e é referência quando o assunto é música contemporânea, semiótica e tecnologia musical. 

É um dos grandes nomes brasileiros em composições para orquestras sinfônicas. Já foi vencedor do 6º Prêmio Sergio Motta, o mais importante prêmio em Arte e Tecnologia do Brasil pela instalação sonora Atrator Poético, realizada com o Grupo SCIArts. Zampronha é Doutor em Comunicação e Semiótica – Artes pela PUC São Paulo, realizou pesquisa de pós-doutorado em música na Universidade de Helsinque, na Finlândia, é Mestre em composição musical pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, graduado em Composição e Regência pela Universidade Estadual Paulista e atualmente é professor na Universidade de Oviedo, na Espanha.

Mais informações: http://fmcb.com.br/edicao-atual

2.2.17

Projeto Vertigem chega com “Trunfo” em Goiânia

Fotos: Débora Flor
Concebido entre fevereiro e setembro de 2015, em Belém, “Trunfo” foi contemplado pela segunda vez com o Prêmio Funarte Carequinha de Estímulo ao Circo, em 2015, desta vez para uma circulação nacional. É na capital de Goiás que serão realizadas as primeiras ações do grupo, com apresentações nesta quinta (2) e sexta (3), às 20h, no alto da Praça Universitária, no setor universitário da cidade.

O grupo chegou na noite de terça-feira, 31 de janeiro, à capital de Goiás, e durante a tarde desta quarta-feira, 1º, se encontrou com a Cia Corpo na Contramão, grupo que há mais de 20 anos realiza um trabalho de pesquisa em união de técnicas e linguagens. Foi o primeiro intercâmbio da circulação. 

“Treinamos uma dinâmica de View Point sensacional. É uma técnica de criação, que lembra o contato-improvisação, mas tem outros gatilhos, não só corpo, texto também entra, e música, etc, tudo é estímulo”, relata Luan Weyl, que integra o elenco de “Trunfo”, formado ainda por Marina Trindade, uma das atrizes fundadora do grupo, em 2012, e por Katherine Valente.

Apresentar o espetáculo a outros públicos e interagir com artistas que investigam linguagens para a cena do corpo, ganhar experiência, quem sabe o mundo. Depois de Goiânia, Trunfo passará ainda por Nova Lima/MG, Salvador/BA e Campinas/SP, cidades que entraram no roteiro, além do Vale do Capão (BA), onde participam do Festival Internacional Diamantino de Circo. 

Jornadas iniciadas a partir das cartas de Tarô

Ambivalente, o espetáculo conduz a plateia a uma experiência única, onde os universos mágicos do circo e do jogo milenar das cartas de Tarô se encontram. O jogo interessante de “Trunfo” é que sua jornada é definida quando os atores oferecem a alguém na plateia a chance de tirar a grande sorte no baralho. 

Das 13 cartas confeccionadas especialmente para o espetáculo, cinco são puxadas por pessoas na plateia. Cada carta aponta para uma sequencia e combinações de cenas aparecem. 

O trabalho chega a ser desafiador, pois todo o elenco precisa saber todas as falas e cenas. A equipe técnica também precisa estar atenta, pois a cada nova edição de movimentos, nova luz, outra trilha e sonoplastia são necessárias para corresponderem à encenação. Um jogo de sorte e destino. 

“Trunfo” experimenta linguagens, entre elas a do teatro dentro do formato circense. Paulo Ricardo Nascimento, fundador do grupo In Bust Teatro com Bonecos, dirige o Projeto Vertigem, desde 2012, quando o grupo estreou o primeiro espetáculo "Te vira! Tu não és de circo?", também contemplado com o Prêmio Funarte/Petrobrás Carequinha de Estímulo ao Circo 2011 e depois em 2013, o espetáculo “mARESia”, contemplado com bolsa do Instituto de Artes do Pará. 

O hibridismo na cena do circo

Além do jogo teatral, a experiência diversa que cada um dos atores traz para o grupo torna o híbrido, uma particularidade da montagem. “Cada um de nós tem experiências bem diferentes. Eu trago minha vivência da dança, desde criança, e do circo, desde 2009. 

Luan traz experiência riquíssima da arte de rua e das artes marciais e a Kathe, que é formada no curso técnico em ator e que trabalha bastante com teatro de rua, há três anos encontrou uma paixão pelo circo e mergulhou de cabeça. Todas essas vivências se encontram nessa arte de desafiar o corpo”, diz Marina Trindade.

Katherine Valente integra o grupo desde as apresentações do espetáculo em 2015. Para ela o jogo teatral em Trunfo encontrou um terreno mais concreto dentro da proposta circense da encenação. “Nesta nova fase, estamos com entrosamento. A linguagem do circo somada com o jogo do teatro é perfeita. Aliás, são duas artes que nunca deveriam ter sido dissociadas. As duas artes juntas e interligadas acrescentam uma a outra, ressignificando o que se quer pra cena”, reflete a atriz.

Há quatro anos experimentando diversas linguagens artísticas e há mais de dez lidando com o Tarô,  Luan diz que esta é uma oportunidade para colocar em prática o que já experimentou tendo o corpo foco de encenação. 

“Essa circulação é como a realização de um sonho. Venho trabalhando teatro, circo e corpo de forma geral, sem me especializar em uma área. E neste sentido, Trunfo é perfeito. Cada carta tirada no jogo se manifesta de forma diferente (acrobacia de solo, tecido aéreo, trapézio, malabarismo, palhaçada...)”, diz o ator.

CIRCULAÇÃO

Intercâmbio
“A jornada: do treinamento ao processo de criação em artes circenses” - Período-duração: 1 dia /Carga-horária: 8h

Goiania/GO

Produção Local: Jambo e Jambu
Dia 1º - Intercâmbio: com o Cia Corpo na Contramão
Dias 2 e 3- "TRUNFO" - apresentação + bate-papo
Horário: 20h
Local: alto da Praça Universitária - atrás biblioteca Marieta Telles Machado.
Endereço: Praça Universitária - Setor Universitário. - Goiânia/GO

Nova Lima – MG

Produção Local: Cia Suspensa
Dia 6 – Intercâmbio com a Companhia Suspensa 
Dias 7 e 8 - "TRUNFO" - apresentação + bate-papo
Horário: 20h
Local: C.A.S.A – Centro de Arte Suspensa Armatrux
Rua Himalaia, 69 - Vale do Sol

Salvador – BA
Produção Local: Fulanas Cia de Circo
Dia 10 – Intercâmbio com as Fulanas Cia de Circo
Dias 11 e 12 - "TRUNFO" - apresentação + bate-papo
Horário: 17h30
Espaço Circo Picolino - Av. Otávio Mangabeira. S/n - Pituaçu - Salvador/BA

Chapada  – Vale do Capão – BA
Dia 16 – Apresentação do espetáculo TRUNFO

Campina – SP
Produção Local: Nano Circo
Dia 19- "TRUNFO" - apresentação
Horário: 19h
Espaço Nano Circo - Rua Tácito Monteiro de Carvalho e Silva n: 629 
Barão Geraldo - Campinas/SP

Ficha Técnica
TRUNFO - Duração: 40min
Elenco: Marina Trindade | Katherine Valente | Luan Weyl
Direção: Paulo Ricardo Nascimento
Criação de Cenas: Coletivo
Iluminação: Malu Rabelo
Trilha Sonora: Armando de Mendonça
Sonoplastia: Paulo Ricardo Nascimento
Cenografia: Cleber CajunConfecção das cartas: Victoria Rapsódia
Figurino: Anibal Pacha, Nanan Falcão
Realização: Projeto Vertigem
Coordenação do projeto: Marina Trindade
Produção e Comunicação: Central de Produção - Cinema e Vídeo na Amazônia
Produção Executiva: Tainah Fagundes
Fotografia: Débora Flor
Vídeo: Rafael Café e Débora Flor
Arte Gráfica: Lucas Gouvea

1.2.17

Doc traz registros da tradição do samba de cacete

“Samba de Cacete – Alvorada Quilombola” mostra tradicional música e dança criadas por comunidades quilombolas no Baixo Amazonas, no Pará. Com direção de André dos Santos e Artur Arias Dutra, estreia quinta-feira (2), em Oeiras do Pará, e no sábado (4), no Sesc Boulevard, em Belém.

A caminho da pesada labuta, movimentos corporais e batuques do tambor aliviavam a lida cotidiana dos negros na Amazônia. É o Samba de Cacete, manifestação tradicional de quilombos, que nasceu na região do Baixo Amazonas, como forma de cantar as dores da escravidão no momento que os negros iam para a roça. O cineasta André dos Santos, em uma pesquisa de arqueologia, conheceu a tradição e decidiu filmar a comunidade quilombola chamada de Igarapé Preto, no município de Oeiras do Pará, projeto que realizou com o diretor Arthur Árias.

Realizado com recursos da SAV-MinC, por meio do Edital Curta Afirmativo 2014: Protagonismo de Cineastas Afro-Brasileiros na Produção Audiovisual Nacional, o audiovisual da Lamparina Filmes apresenta desde o afiar das enxadas até o suave cantar de homens e mulheres negras. 

O Samba do Cacete tem esse nome devido aos instrumentos utilizados para tocar os tambores, dois paus – chamados de cacetes. A dança assemelha-se ao carimbó, porém com passos volteados e mais suaves. Atualmente, com a presença de tecnologias de comunicação e com o fim dos mutirões, o samba pode ser visto apenas em ocasiões festivas ou a convite, sem data específica para acontecer.

“O que me chamou atenção no Samba de Cacete é que se trata de uma tradição afro-brasileira, trazida pelos escravos, e me preocupava também porque é algo que está muito na oralidade, não tem muita coisa escrita sobre o assunto. E para a salvaguarda, para ficar registrado para as próximas gerações, decidimos realizar o documentário. É uma manifestação única com elementos daquela região que pouca gente conhece, o grande público merece conhecer. Outra coisa interessante é que apesar de ser samba, que é bem brasileiro, outros são reconhecidos como patrimônio, samba do Rio de Janeiro, do Recôncavo Baiano, e o Samba de Cacete, não”, comenta o diretor André dos Santos.

Os mestres Domingos Machados e Leôncio Machado contam que era uma festa de fugitivos que entravam nas matas. “Eles trabalhavam muito e para aliviar, inventaram essas danças. O Samba não gosta de força, não. É controle. Se você bater muito exagerado, incha sua mão mesmo. Mas depois que começa a enxergar um pouquinho de estrela na vista, não tem mais negócio de dor na mão, não tem mais e isso é direto”, revelam, sobre suas experiências ancestrais.  

Lamparina Filmes - Os diretores do documentário, André dos Santos e Artur Arias Dutra são sócios na Lamparina Filmes, produtora audiovisual paraense que tem se dedicado ao cinema documental e ficcional. 

Os diretores têm buscado documentar manifestações culturais que necessitam de registro urgente, por correrem o risco de desaparecer juntamente com os mestres mais antigos. No ano passado lançaram o filme Mestres Praianos do Carimbó de Maiandeua e recentemente filmaram o Marambiré, dança da comunidade quilombola do Pacoval, atualmente em fase de edição.

Serviço
Lançamento do documentário “Samba de Cacete – Alvorada Quilombola”, ocorrerá na próxima quinta-feira (2), às 19h, na Comunidade do Igarapé Preto, e no sábado (4), às 17h, no Sesc Boulevard, em Belém. A entrada é gratuita. Informações: (91) 99191 1299 / (91) 98369 1887.

Contatos
Site e Fanpage da produtora Lamparina Filmes
http://www.lamparinafilmes.com.br/
https://www.facebook.com/lamparinafilms/
Telefones: (91) 99191 1299/ (91) 98369 1887

Arthur Nogueira faz show intimista na Casa Oiam

No ritmo dos cruzamentos entre poesia e canção popular, o cantor e compositor Arthur Nogueira concebeu um espetáculo cujo objetivo é afirmar a importância da conjunção dessas duas artes no Brasil. O artista paraense se apresenta no Projeto Chegado, da Casa Oiam, no formato como compõe, voz e o violão, no dia 23 de fevereiro, às 19h. A apresentação conta com a participação especial de Leonardo Pratagy.

Poemas brasileiros e estrangeiros, de nomes como Antonio Cicero, Waly Salomão, Walt Whitman, Rose Ausländer e Adonis, compõem o roteiro do show solo de Arthur Nogueira, cuja estreia ocorreu em setembro de 2016, no Teatro da Rotina, em São Paulo.

Desde Vinicius de Moraes (1913-1980), muitos poetas do livro passaram a atuar também como letristas, em um diálogo imprescindível para a riqueza da canção brasileira. Interessado no rigor da poesia escrita e gravado por nomes como Gal Costa e Cida Moreira, Arthur Nogueira dá continuidade a esse tipo de repertório, lançando um olhar particular à obra de autores de diferentes gerações.

Arthur Nogueira (Belém, 1988) é cantor e compositor. Apontado pela crítica como o artista contemporâneo responsável por “renovar a tradição dos poetas na canção brasileira” (O Globo), gravou três álbuns, é parceiro de grandes nomes da poesia brasileira e sua música pop conjuga tradição e modernidade. Foi gravado por Gal Costa, sendo "Sem Medo Nem Esperança", parceria com Antonio Cicero, a canção de abertura do álbum e do show "Estratosférica" (2015).

O álbum de estreia, "Mundano" (2009), produzido por Felipe Cordeiro, foi lançado pelo tradicional Projeto Pixinguinha e inclui, além das primeiras composições de Arthur Nogueira, a releitura de "Mal Secreto", de Jards Macalé e Waly Salomão.

Pelo segundo álbum, "Sem Medo Nem Esperança" (2015), concorreu a Melhor Cantor no Prêmio Quem 2015, da revista Quem Acontece (Ed. Globo). Lançado pela gravadora Joia Moderna, com direção artística de Marcus Preto e produção musical de Arthur Kunz (integrante da banda Strobo), o CD reúne canções de Arthur Nogueira em parceria com Antonio Cicero, Omar Salomão, Marcelo Segreto, Marina Wisnik e Letícia Novaes. A faixa "Fim do Céu" foi composta por Arthur Nogueira sobre texto do poeta sírio Adonis, traduzido para o português por Michel Sleiman.

Em 2016, lançou "Presente (Antonio Cicero 70)", projeto idealizado pelo DJ Zé Pedro para comemorar os 70 anos do poeta carioca Antonio Cicero. 

Ao mesmo tempo em que revisita grandes sucessos, o álbum sinaliza o que está por vir na obra de um dos mais importantes letristas da música pop brasileira. Clássicos como “Inverno” (Adriana Calcanhotto / Antonio Cicero) e “O Último Romântico” (Lulu Santos / Sérgio Souza / Antonio Cicero) ressurgem ao lado de novas canções, compostas por Arthur e Cicero, como a balada “Antigo Verão (Embarque para Citera)”. Em 2017, Arthur Nogueira foi premiado pelo Natura Musical para gravar um novo álbum de canções inéditas e circular pelo Brasil.

Serviço
Chegado convida Arthur Nogeuira, na quinta, 23, às 19h, na Casa Oiam (Rua Arcipreste, 616). Ingressos à venda no www.sympla.com/casaoiam e diretamente na Casa Oiam - R$ 20,00 ou R$ 30 ingresso + CD. CIRCUS produções www.circusproducoes.com.br

31.1.17

Fevereiro traz carnaval com telão no Cine Olympia


Antes do carnaval chegar "via Embratel", pela televisão, 
que tal pegar uma tela no escurinho do cinema? 

O Cine Olympia está com ótimas sessões em fevereiro. Trazem cinema nacional, europeu, filmes dedicados à música, e filmes de carnaval,  além de contemplar o público miúdo e a produção de curtas metragens. Entrada gratuita. A curadoria da programação é do crítico Marco Antonio Moreira, confira:


Dia 01 de fevereiro, às 18h30

“A Transformação do Mundo em Música" (Die Verwandlung der Welt in Musik, Alemanha, 1994), de Werner Herzog. O diretor alemão observa em Bayreuth os preparativos e ensaios dos Festivais de Richard Wagner. Ele entrevista Wolfgang Wagner, neto do compositor alemão, e renomados diretores, regentes, cantores, cenógrafos e figurinistas, proporcionando imagens raramente vistas do trabalho no teatro de ópera. Classificação indicativa: 12 anos

De 2 a 8 de fevereiro, às 18h30
"Órfãos do Eldorado", filme brasileiro, com direção de Guilherme Coelho,  Matizar Filmes. Na trama, Arminto Cordovil  (Daniel de Oliveira) retorna para a casa do pai e reencontra Florita (Dira Paes), a atual amante dele, com quem teve um caso no passado. Quando o patriarca morre, cabe a Arminto assumir os negócios da família, apesar de seu pouco interesse pelo assunto. Até que, em um bar, ele se encanta por uma cantora (Mariana Rios). Após uma noite de amor, Arminto passa a procurar por ela em todo lugar. Classificação indicativa: 16 anos

De 2 a 5 de fevereiro, às 17h15 e 18h15
O projeto curta rola sempre antes das sessões dos longas. Este mês, o público poderá ver "O Realejo", de Fabiana Santa, filme que retrata uma personagem em conflito, buscando por um sinal que possa ajudá-la a decidir se deve seguir ou não. O percurso pelo desvelamento de sentimentos, expectativas e sonhos é interceptado pela música contagiante de um realejo", premiada no Cine Fest, um festival já consagrado no país e conhecido nacionalmente. Classificação indicativa 10 anos.

Dia 4 de fevereiro, às 16h

Sessão Olympia Infantil exibe “31 Minutos”, de Álvaro Díaz e Pedro Peirano, uma co produção Brasil e Chile. Juanín (Daniel de Oliveira) é o protagonista da trama. Ele é o produtor do famoso noticiário de TV 31 Minutos, e o último de sua espécie. Cheio de bondade no coração, ele desconhece o fato de sua raridade despertar o interesse de pessoas más, como Cachirula (Mariana Ximenes), uma malvada colecionadora de animais em extinção que precisa dele para completar sua exótica coleção. Classificação indicativa: 10 anos

9 a 15 de fevereiro, às 18h30
“Berlim fica na Alemanha" (Berlin is in Germany, 2001), de Hannes Stöhr. A história de Martin começa quando ele é posto em liberadade na nova Berlin unificada, após um longo período de reclusão, na antiga RDA. Ele reencontra velhos companheiros e também sua mulher, que vive atualmente com o filho que ele nunca vira antes e um novo namorado. Involuntariamente, ele entra em conflito com a polícia, mas com a ajuda de sua mulher, consegue ser libertado. Martin tem uma segunda chance. Classificação indicativa: 14 anos.

Dia 14 de fevereiro, às 18h30

O Projeto Cinema e Música, exibe “Gabinete das Figuras de Cera (Wachs figuren kabinett, Das, 1924), de Paul Leni, Leo Birinsky. Filme de terror alemão, conta a história de um jovem poeta contratado por um museu de cera para escrever as biografias de três grandes criminosos: o califa Harun al Raschid; Ivan, o Terrível; e Jack, o Estripador. Uma das obras-primas do expressionismo alemão. Três visões diversas e independentes da maldade humana, narradas de formas variadas e em episódios de tamanho desigual. Classificação indicativa: 12 anos. 

De 16 a 19, às 18h30

Chance para assistir o documentário “Deboche - Walter bandeira 75 anos", que retrata a personalidade de Walter Bandeira, a grande voz do Pará. Artista multifacetado, desempenhando com maestria as funções de cantor, locutor, ator, professor, poliglota e pintor, Walter também era conhecido pela irreverência, personalidade e alegria. Estes atributos inspiraram o documentário, produzido pela TV Cultura, com direção de Robson Fonseca. Classificação indicativa: 12 Anos.

Dia 18 de fevereiro, às 16h

Sessão nacional, com “As Canções”, documentário do cineasta Eduardo Coutinho, que entrevistou, através de anúncios de jornais e pela internet, várias pessoas, e selecionou 18 histórias para compor o longa-metragem. 18 pessoas comum, de 22 a 82 anos, que olharam para a câmera, cantaram as letras que marcaram de alguma forma suas vidas e compartilharam suas histórias. Classificação indicativa: 12 anos.

De 21 a 25 de fevereiro, 18h30
Mostra de Filmes de Carnaval"

Nos dias 21, 23 e 25

"Orfeu Negro", de Marcel Camus, com Breno Mello, Marpessa Dawn e Marcel Camus, no elenco de uma drama musical romantico. No Carnaval, Orfeu (Breno Mello), condutor de bonde e sambista do morro, se apaixona por Eurídice (Marpessa Dawn), uma jovem do interior que vem para o Rio de Janeiro fugindo de um estranho fantasiado de Morte (Ademar da Silva). O belo amor de Orfeu por Eurídice, no entanto, desperta a ira da ex-noiva do galã, Mira (Lourdes de Oliveira) e a Morte acompanha tudo de perto. Classificação indicativa: 12 anos

No dia 22 de fevereiro, 18h30

“Garotas e Samba”, de Carlos Manga, com Ivon Cury, Sonia Mamede e Renata Fronzi. Comédia musical brasileira, que narra as agruras de três meninas que, recém-chegadas ao Rio de Janeiro, tem o sonho de ficarem ricas e famosas. Classificação indicativa: 10 anos

No dia 25 de fevereiro, 18h30

“Aviso aos navegantes”, de Watson Macedo, traz um saudoso e incrível elenco, com Grande Otelo, José Lewgoy, Oscarito. É comédia brasileira. Uma companhia teatral brasileira está retornando ao Brasil em um luxuoso navio após uma série de apresentações em Buenos Aires. Viaja com eles o príncipe Suave Leão (Ivon Cury), que se apaixona pela dançarina Cléia (Eliana Macedo), mas esta só tem olhos para o imediato do navio, Alberto (Anselmo Duarte). Há a bordo também um espião internacional perigoso, que deve ser detido antes que o navio chegue ao Rio de Janeiro. Classificação: 10 anos.

30.1.17

Vanguart está volta à Belém com show acústico

A Vanguart traz desta vez o show “Vanguart Acoustic Night”, uma produção da Produtora 2 Nós. A banda, formada por Helio Flanders, Reginaldo Lincoln, David Dafré e Fernanda Kostchak, se apresenta nesta sexta-feira, 3, às 21h, no Açaí Biruta. Os ingressos estão sendo vendidos antecipadamente e já estão em seu segundo lote, a R$ 50,00.

Vanguart nasceu em 2002, em Cuiabá. Originalmente, era um projeto solo de Helio Flanders e em 2005 se consolidou como banda, participando de vários festivais de música independente. No ano de 2007 a banda lançou seu primeiro CD e participou do programa Som Brasil, em homenagem à Raul Seixas. Com mais de 10 anos de estrada, a banda tem como influências: Beatles, Johnny Cash, The Beach Boys e Bob Dylan. Além disso, Vanguart tem músicas em inglês e espanhol.

O repertório do show contará com as músicas registradas no segundo DVD “Muito Mais que o Amor – Ao Vivo”, lançando em 2016. “Meu Sol”, “Demorou pra Ser”, “Olha pra Mim”, “Estive”, “Pra Onde Eu Devo Ir?”, do álbum mais recente, “Muito Mais que o Amor” (Deck – 2013). Dos sucessos dos discos anteriores, os fãs poderão relembrar de “Mi Vida Eres Tu”, “Nessa Cidade”, “...Das Lágrimas”,  “Se Tiver que Ser na Bala, Vai”. Eles interpretarão também as queridinhas do público como, “Cachaça” e “Semáforo”.

O formato do show “Vanguart Acoustic Night” será: Helio Flanders (voz, piano, violão, trompete e gaita), Reginaldo Lincoln (voz, violão, baixo e bandolim), David Dafré (violão, clarinete e lap steel) e Fernanda Kostchak (violino).

Camila Barbalho e Lívia Mendes farão o show de abertura da noite, em formato acústico. Amigas dos tempos de faculdade e suas rodas de violão, ambas seguiram seus diferentes caminhos sonoros e retomaram o contato intenso há dois anos, para compartilhar experiências e trabalhar juntas, dessa vez de forma profissional. Camila tornou-se contrabaixista na banda de Lívia, e desse reencontro surgiram novas trocas e a vontade de dialogar musicalmente. Pela primeira vez, as duas compositoras dividirão o palco cantando suas músicas.

“Recebemos o convite da produtora, de uma forma muito especial, porque é uma oportunidade de unirmos dois trabalhos. Já somos parceiras há muitos anos, mas nunca tínhamos feito um show unindo nossos trabalhos solos. Preparamos uma noite onde cada uma vai tocar suas músicas e nossas composições em parceria. Vai ser uma sonoridade marcada pelos instrumentos acústicos que a gente ama, eu o violão e ela o baixo”, conta a cantora, Lívia Mendes.

Serviço
"Vanguart Acoustic Night". Line Up: Vanguart, Lívia Mendes e Camila Barbalho (Acústico). Nesta sexta, 3 de fevereiro, às 21h, no Açaí Biruta. Ingressos: R$50,00 (2o lote). Pontos de Venda: Lojas Locus (Pátio Belém, Parque Shopping e Castanheira) e Quiosque SellCard (Boulevard 2º Piso) e sellcard.com.br. Evento para maiores de 18 anos. Menores a partir de 14 anos devem estar acompanhados dos pais e devidamente identificados para terem acesso ao evento. Informações: (91) 98330-6785 ou http://instagr.am/Produtora2Nos / http://facebook.com/Produtora2Nos .

(Holofote Virtual, com assessoria de imprensa do evento - Laíra Mineiro)

Grupo Rabisco encena a poesia de Renato Russo

Vivas e atuais, as letras do Legião Urbana são inspiração para várias histórias já contadas no cinema e no teatro. Em Belém, mais uma vez, o espetáculo “Como é que se diz eu te amo” traz à tona a poesia de Renato Russo e volta em sua segunda temporada, nos dias 4 (19h30) e 5 de fevereiro (19h), ao Teatro Margarida Schivasappa.

O espetáculo é do grupo "Rabisco", independente e formado por um grupo de amigo, "Como é que se diz eu te amo" é sensível, sem deixar de tratar de política, sexualidade, drogas, suicídio e outros temas polêmicos e sempre atuais, presentes nas eternas músicas da banda Legião Urbana que servem de inspirações para as cenas. 

Na peça, Daniel é um jovem inquieto de 17 anos que enxerga o amor como resposta para todas as questões da vida e que deseja viver um ideal de liberdade. Ao lado da sua turma, enfrentará a difícil tarefa de crescer, porém permeado pelo amor em suas diversas formas e tamanhos, relações de amizade e família.

Os personagens Clarisse, Johnny, Mariane, Eduardo, Mônica, Maurício, João de Santo Cristo, Maria Lúcia, Jeremias e Leila apresentam características conhecidas dos fãs, mas desta vez reescrevendo suas histórias. Uma surpresa para quem é fã de Legião Urbana e uma descoberta para os que não conhecem.

Com dramaturgia de Leonardo Corrêa, a segunda temporada de “Como é que se diz Eu te Amo” tem direção de elenco de Sandro Martyns, direção musical de Demethrius Lucena e a conta com a participação da musicista Wanessa Solli.





Ficha Técnica
Dramaturgia: Leonardo Corrêa
Direção de elenco: Sandro Martyns
Direção musical: Demethrius Lucena
Musicista: Wanessa Solli

Elenco: 
Leonardo Corrêa: DANIEL
Edvyn Menezes: MAURICIO
Samia Feio: CLARISSE: 
Glenda Michelle: MARIANE: 
Alex Vilar: PEDRO 
Ruan Brito: EDUARDO
Nayana Aquere: MÔNICA
Danilo Monteiro: JOÃO SANTO CRISTO
Tainah Leite: MARIA LÚCIA
Edson Oliveira: JOHNNY
Ainda Ranner: LEILA
Rafitah: PROF RENATO
Ygor Reis: JEREMIAS
Victor Souza: ROBERTO
Leonardo Castro: DEPUTADO JAIR CUNHA

Serviço
“Como é que se diz eu te amo”. Dias 4 às 19h e 5 às 19h30, no Teatro Margarida Schivasappa (Centur). Ingresso: R$ 20,00 (antecipados e meia), na venda antecipada na loja Coca-Cola Jeans (shopping Boulevard) e na Esmalteria Gata Pintada (shopping Pátio Belém). OU R$ 40,00 na bilheteria do teatro. Informações: 98281 9559 | 98203 8675.

(Holofote Virtual, com assessoria de imprensa: Leandro Oliveira)

27.1.17

Henry Burnett mostra "Belém Incidental" no Sesc

É o mais novo trabalho do cantor e compositor. “Belém Incidental” será mostrado, ao vivo, nesta sexta-feira, 27, no Centro Cultural Sesc Boulevard, a partir das 19h, com entrada franca. Oportunidade para conhecer o novo trabalho de Henry Burnett artista, com antecedência. O 4o disco do músico será lançado primeiro nas plataformas digitais e só depois chegará a versão em CD, ainda não se tem data definida. 

O compositor paraense, radicado em São Paulo está por aqui desde o início do mês. Já fez pocket de pré-lançamento do novo disco, na charmosa loja porão Discosaoleo, e um show na também interessante Casa do Fauno, apresentando faixa a faixa do CD “Não Para Magoar”, o terceiro CD, que completou 10 anos. 

Henry Burnett nasceu em Belém do Pará em 1971. Viveu na capital paraense até os 27 anos. Mudou para Campinas no ano seguinte, transferindo-se depois para o Rio de Janeiro e, por fim, para São Paulo. Passou também algumas temporadas em Berlim e em Évora, atualmente mora em São José dos Campos/SP.  Ano que vem, ele completa 30 anos de carreira. 

Certa vez, em outra entrevista ao Holofote Virtual, à época em que lançou “Retruque/Retoque”, em parceria com o poeta Paulo Vieira, ele me falou que tinha cada vez menos interesse pelo funcionamento do mercado. “E não por repudiar o sucesso, mas por não me sentir mais apto ao comércio musical”, disse. 

Henry prosseguiu dizendo que não sabia exatamente porque, mas aos 16 anos, “tocando num bar em Belém, senti uma grande tristeza e tomei uma decisão: teria uma outra profissão que mantivesse aquele compositor, em gestação, livre para fazer o que bem entendesse. Rompi, portanto, cedo com o mercado, que talvez não vá me acolher nunca”, continuou e também comentou que já não se ressentia disso. 

“..benesses da idade”, concluiu o professor de filosofia da música, que buscou sim, outra profissão, mas “abandonar o prazer jamais”, fechou! Foi lembrando dessa entrevista, que comecei a indagá-lo para falarmos do “Belém Incidental”, disco que começou a ser gravado em Santarém-PA há uns quatro anos e foi finalizado em dezembro, em Belém, no Guamundo Home Stúdio, de Renato Torres. 

“Os arranjos foram concebidos pelos dois, mais uma faixa foi produzida em Londrina, por Arthur Alves, que trabalhou comigo no Não Para Magoar”, explica Henry. "O título já diz tudo. Incidental é um evento secundário, episódico, eventual, que tem a ver com a necessidade de se olhar Belém por trás das lentes oficiais e também de mostrar outras faces da música para além dos recortes bem intencionados", diz Henry. "Gostaria que isso fosse dito sem levantar nenhuma bandeira nem retomar aquela velha história que já conheces", comenta o músico.

“... Incidental”,  de acordo com Henry, deixa à mostra o que apenas foi insinuado em seus discos anteriores, como a influência do rock, que nunca foi abraçada completamente.

"Isso se liga, indiretamente, à tradição do rock local, este sim um dos movimentos mais fortes para mim da cena paraense e hoje aparentemente bastante enfraquecido ou esmaecido, não sei”, diz. “Convidei a Sammliz para uma participação em Isso É Viver (parceria com Paulo Vieira), como forma de mostrar sutilmente este elo com o rock paraense", revela.

O álbum é também  a primeira colaboração de Renato Torres, parceiro de sempre, feita integralmente em home studio, revelando um outro traço da produção musical contemporânea. “É um projeto iniciado há quatro anos atrás, quando Henry chamou o Fábio Cavalcante pra produzir esse trabalho, e lançá-lo na oportunidade dos 400 anos da cidade. Nas idas e vindas do processo, Henry acabou me chamando pra finalizar o disco, o que resultou num trabalho heróico feito em cerca de um mês”, revela Renato Torres. 

O músico assina arranjos, gravações, mixagem e masterização do disco, com Henry gravando à distância.

“Arranjei seis das dez canções do disco, além de regravar alguns instrumentos em "Belém de Passagem", arranjada pelo Fábio. O grande desfio foi aproximar a concepção eletrônica do Fábio ao esquema rock de baixo-bateria-guitarra do qual dispomos pras canções que arranjei. Estamos muito felizes com o resultado”, afirma Renato.

O novo álbum conta também com arranjo de cordas do Arthur Alves, gravado em Londrina (PR). “É um disco interestadual, internético, feito em Santarém, São José dos Campos, Londrina e Belém, onde ficam os home studios do Fábio, Henry, Arthur, e o Guamundo Home Studio, onde finalizei o disco como um todo”, finaliza o músico e produtor. 

O pocket na Discosaoleo
Holofote Virtual: O Henry Burnett, que chega agora a mais um CD, segue firme com o mesmo pensamento do menino de 16 anos? 

Henry Burnet: Um dos meus ex-orientadores, prof. Celso Favareto, que escreveu um dos primeiros estudos acadêmicos sobre o tropicalismo publicadso no Brasil, chamado "Tropicália: alegoria alegria" (Ateliê Editorial), depois de assistir um concerto que fiz com o Paulo Vieira no Instituto Cervantes, em São Paulo, me disse a seguinte frase mais ou menos assim: "Não se preocupe, sua música pertence a um momento anterior à invenção do mercado, ela soa mais medieval que moderna, você não tem nenhuma chance no atual cenário". Foi um comentário forte, que recebi com um misto de tristeza e orgulho, mas hoje o compreendo como uma das audições mais profundas que já tive, e o aceito com muita tranquilidade. 

Holofote Virtual: Dito de outra forma, a música continua sendo o prazer e a academia o oficio? Como tu enxergas o encontro das duas no teu próprio trabalho?

Henry Burnett: Tenho um prazer imenso em escrever e meus cursos são momentos de grande independência. Sinto-me privilegiado em ter podido criar uma linha de pesquisa que une sem maiores pretensões a reflexão filosófica com a cultura musical, principalmente a popular. Meus alunos e orientandos já me deram provas suficientes de respeito e dedicação que me permitem seguir adiante nessa quase cruzada pelo aprofundamento da crítica musical de traço filosófico no Brasil. Isso só foi possível porque a Unifesp não tinha uma área de Humanidades específica quando cheguei junto com o 1º grupo de professores. A liberdade e o prazer foram essenciais naquele momento, há exatos 10 anos.

Holofote Virtual: Tua parceria continua firme e forte com Paulo Vieira, se não me engano cinco das 10 musicas de Incidental trazem letras em parceria com ele...

Henry Burnett: Nosso encontro tem a mesma idade do Não Para Magoar, ele estava no lançamento aqui em Belém e foi o Milton Kanashiro que nos apresentou. Foi um encontro feliz, porque sofremos angústias vitais parecidas. Disso resulta uma afinidade que encontrou termo nas canções. Uma adequação muito forte entre a poesia moderna dele e minha música arcaica.

Holofote Virtual: Este é um disco feito inteiramente independente, como foram os demais trabalhos ou tivestes Lei de Incentivo etc, aliás, como enxergas estes mecanismos de incentivo a cultura? 

Henry Burnett: Acredito nos mecanismos, mas não sou capaz de adequar o que faço a algum tipo de identidade musical em voga, algo que me colocasse no páreo para um edital de música autoral. Novamente a frase do Favareto serve para iluminar minha resposta: o mercado musical não precisa de melancolia, de canções profundas, para ele só a festa tola serve de alimento. E eu não vejo lá muita razão pra festa.

Holofote Virtual: Que escolhas foram feitas para o “Belém Incidental”, que traz também parcerias com Edson Coelho e Renato Torres...

Henry Burnett: Quis lançar o disco novo reunindo meus três parceiros mais frequentes, cada um a seu modo faz parte essencial da minha história com a música, que em 2018 completa 30 anos. Edson foi meu primeiro parceiro valendo, eu ainda era um adolescente.

"Por uns tempos", dessa primeira safra, retornou no DVD por sugestão do Paulo e acabou se tornando o título do projeto. O Renato ajudou a definir musicalmente o que faço, e é o responsável pela finalização do Belém Incidental no Guamundo Home Studio, que ele montou e vem lapidando cada vez mais. 

É meu 1º disco gravado totalmente em estúdios caseiros, levando o conceito de independência às últimas consequências. O que assino sozinho são canções de mais de 20 anos, como "Vozes do norte" e a mais recente, que escrevi para minha mãe ano passado, quando ela completou 70 anos, "E nós".

Holofote Virtual: Quando viajas para fora do país, participando de conferências acadêmicas, sempre acabas tocando. Em Portugal foi muito bacana aquele encontro com o “Campo e a Cidade”, tive o privilégio de estar na plateia. Pensas em levar "Incidental" a Europa, tamb?

Henry Burnett: Estive recentemente em Berlim, onde fiquei durante um ano e fiz alguns concertos. A recepção é sempre tocante e respeitosa. Na Alemanha sempre foi assim, nas 4 temporadas que passei lá desde 2001, eles amam a música e a respeitam, e como a música do mundo migra para a cidade, sempre fui recebido muito bem. Os concertos nas igrejas, sempre abertas à música, são inesquecíveis. 


Holofote Virtual: Depois deste CD já há algo engatilhado, algum outro trabalho, em relação à música e também à filosofia, claro.

Henry Burnett:  Inscrevi um projeto de um livro-DVD infantil chamado "Livro de imaginacéu" em uma seleção pública, mais um trabalho conjunto com o Paulo Vieira. Um projeto de execução cara, mas no qual eu aposto muitas fichas. Escrevi também um conjunto de letras para músicas de um compositor brasileiro que conheci em Berlim chamado Guilherme Valverde, este projeto está em produção e devemos lançar em breve, vai se chamar Sangue. 

O Guilherme assina o projeto gráfico do Belém Incidental também, e a capa criada sobre a foto do Luiz Braga [Pescador em Soure], gentilmente cedida para o disco. Tenho um projeto de reunir as minhas canções mais melancólicas, diluídas nos 5 álbuns e montar um show com o Arthur Alves, celista paraense que vive atualmente em Londrina; será um grande momento abraçar a melancolia no mar da euforia neurótica da alegria nacional.

26.1.17

Ana Clara estreia um novo show na Casa do Fauno

Ana Clara  começa seu 2017 com um show, hoje (26), na Casa do Fauno. Desta vez, não será um pocket, formato de apresentação muito utilizado pela artista em 2016. Em quarteto, a cantora terá no palco a companhia de Lucas Padilha (violão e guitarra), Manuel Malvar (baixo) e Ulysses Moreira (bateria), além de trazer em participações, três guitarristas parceiros, Marcelo Damaso, João Lemos e Ed Guerreiro. A apresentação inicia às 22h, na Aristides Lobo, 1061, entre Benjamin e Rui Barbosa.

O repertório vai reunir faixas do EP Canções de Depois, de 2014, lançado em CD em edição independente e vinil pelo selo Discosaoleo, e do álbum homônimo, lançado no ano passado pelo selo Na Music. 

“Nas participações especiais, Marcelo Damaso vai tocar ‘Zelda’, ‘Polaroid sem cor’ e uma versão de ‘Bird on the wire’ (Leonard Cohen), que eu venho cantando nos shows desde o ano passado. O João Lemos vai fazer ‘Flores e Refrigerantes’, ‘Ele sabe dançar’ (parceria nossa) e outra versão que venho fazendo, de “These boots are made for walking” (de Lee Hazlewood, clássico na voz da Nancy Sinatra). O Ed Guerreiro é meu parceiro em “Souvenir” (música composta com a Sammliz), mas nunca a tocamos juntos. É a primeira vez que o Ed vai participar de um show meu e que vai tocar essa música comigo”, diz Ana Clara.

A cantora paralelamente às apresentações que pretende fazer ao longo do ano, também está buscando e preparando repertório para um novo álbum. Diz que ainda não tem nada específico, mas acredita que desta vez haverá mais composições suas no trabalho.

“Possivelmente tocando algo também”, complementa ela que toca “um pouco” de microkorg nos shows, mas que não chegou a gravar no EP nem no disco. “Das gravações todas, só toco em “Zelda”, single que lancei no ano passado em parceria com o Meio Amargo”, revela.

Ana quer iniciar o novo trabalho “de mansinho”. Ainda não há nem previsão para gravar. “Meu disco ainda é recente, ainda vou trabalhá-lo, e vou começar aos poucos a pesquisa pra definir a linha do que vem por aí”, diz. Entre os possíveis compositores para o novo disco, porém, ela já revela nomes.

“Tem muita gente que admiro, ainda tô pensando, mas desde já sei que gostaria de ter de novo algo do Toni Soares (que já gravei no EP e no primeiro disco) e andei conversando com o Ronaldo Silva, gostaria de gravar algo dele”, continua. 

Projetos e antigas parcerias se fortalecem em 2017

Antes do novo disco, Ana Clara pretende desenvolver um novo projeto com Lucas Padilha. “Temos muita afinidade e várias composições juntos, queremos gravar um álbum em parceria”, revela. 

Outra parceria feliz de Ana Clara, que se afirma cada vez mais ao longo dos anos é com o produtor, jornalista e guitarrista Marcelo Damaso.

“Conheço o Marcelo há muito tempo e antes mesmo do nosso relacionamento, já conversávamos bastante sobre música, temos muitos gostos em comum”, diz a cantora. Marcelo participa da banda, gravou o EP e o disco e em ambos há composições com letras dele (“O adeus veio depois” e “Céu em dois”, as duas com música do Marcel Barreto, que também participou das gravações). 

“Mas ele não assinou a produção musical desses trabalhos. Eu fiz a direção geral nos dois e a produção musical no EP ficou com a parceria do Ulysses Moreira (responsável pelas gravações e que é também o baterista que me acompanha) e no disco com o gaúcho Iuri Freiberger”, ressalta.

Marcelo Damaso, porém, está sempre presente, trazendo sempre muitas contribuições. 

“Conversamos muito sobre o assunto, tocamos juntos em casa, trocamos ideias, já compusemos juntos. Ele deve estar presente como parceiro no próximo trabalho, mas devo repetir o formato de assinar a direção geral”, revela. 

“Este ano, a banda vai passar por mudanças, com a ausência de pessoas que vinham trabalhando comigo. Ainda estou refletindo sobre os novos direcionamentos, ainda não defini o formato pra esse momento que vai chegar”, continua.

Trabalho na rádio traz referências e novos horizontes

Junto a tudo isso, Ana Clara também é radialista e leva, na Rádio Cultura, um dos programas mais bacanas, na minha opinião, o Caleidoscópio. “Eu amo trabalhar na Cultura”, diz logo. A também jornalista entrou na emissora pouco depois de se formar, em 2006, depois de fazer um teste, e ficou por lá dois anos até que saiu para fazer outras coisas, entre elas, morar fora um tempo, na Europa. Retornou a Belém, e voltou à rádio em 2012.

“Além de adorar a linguagem do rádio, é uma forma de me manter atualizada sobre a música produzida no Brasil e aqui no Pará. Eu acho que isso se mistura na minha formação. Cresci em casa ouvindo música paraense e brasileira, música erudita, jazz – e muitas vezes ouvindo Rádio Cultura. Na adolescência, comecei a me interessar também pelo pop e o rock”, comenta.

“Acredito que todas essas referências se misturam na minha atuação profissional. E a rádio me enriquece com novas descobertas e me coloca em contato com conteúdos que talvez eu não conhecesse por conta própria, fico a par de coisas que vão além do universo daquilo que gosto, do que ouço em casa. Acho importante”, afirma.

No Caleidoscópio, Ana também fala de outras linguagens que não só a música. Este é outro ponto alto para ela que tem oportunidade de trocar ideias e também se informar sobre outras artes. “Estar em contato com outras linguagens que me interessam e que também fizeram parte da minha formação é um privilégio. Trabalhar pesquisando, divulgando e desbravando expressões de arte e cultura”, finaliza.

Serviço
Show de Ana Clara - nesta quinta-feira, 26, a partir das 22h. Valor: R$ 10,00 - incluso na conta. Casa do Fauno - Na R. Aristides Lobo, 1061, entre Benjamin e Rui Barbosa - Belém-PA. Outras informações: 91 3088.5858.

24.1.17

Temporada Minni Paulo com três noites de jazz

Minni Paulo
O contrabaixista vai tocar músicas do primeiro e do último disco, "Floresta das Chuvas" e "Voar", respectivamente, além de músicas novas. No palco, ele tem músicos como o pianista Robenare Marques, o saxofonista Elias Coutinho e o baterista Tiago Belém, formando o Quarteto Equilibrium. É assim que o improviso e a alma do jazz vão tomar a Casa do Fauno nesta sexta-feira, 27 de janeiro, e ainda nas sextas de 10 e 24 de fevereiro. Os shows iniciam sempre às 22h. A entrada é R$ 10, 00. Na Rua Aristides Lobo, 1061, entre Benjamin e Rui Barbosa. Reservas de mesa pelo fone 98705.0609.

A temporada de Minni Paulo, no iniciozinho de janeiro miou, quer dizer, molhou. A forte chuva que caiu sem parar na sexta-feira, 13, em Belém do Pará, impediu a estreia. O palco da casa fica no charmoso quintal, até então sem cobertura. Mas agora vai. No repertório, além das músicas do primeiro e do mais recente trabalho, o contrabaixista já disse que vai mostrar coisas totalmente inéditas. Duas músicas, que foram feitas esta semana, por exemplo. De não novas, só uma ganhou nome, ao menos até este momento em que escrevo esta matéria. Pergunto então como a chamou. “Antilhesa”, disse o músico. 

Lançado em 1998/1999, “Floresta das Chuvas” teve 10 mil cópias vendidas e deve ganhar mais uma edição em 2017. "Vou relançá-lo junto com o Voar, o novo trabalho", promete Minni Paulo.  O primeiro disco da carreira é festivo. A primeira faixa certamente a mais tocada, “Festa do Curiarú” é o maior exemplo disso, intensa e esfuziante, dá vontade de sair pulando. Segue assim com “Dança Nativa”, “Caboca Cheirosa”, “Saudades do Amazonas”, para ganhar um ar de calmaria em “Aranaí”, e ir fechando com “Madrugada”, “Yanomami” e “Refelado Coração”.

Quarteto Quilibrium
Do Voar, disco ainda não lançado, mas cujas composições, Minni apresentando ao público nas diversas apresentações que vem realizando em espaços de teatro e bares da cidade. As inéditas “Voar”, que dá nome ao disco, e “Wapary”, estão dentro, mas Minni também avisa que desta vez vai incluir outras também do disco. 

Trazendo experiências múltiplas na carreira, com fases trabalhando na Europa, Minni é referência da música instrumental feita no norte do país.  

O músico integra a geração que virou os anos 1970 para 1980 ao som da música instrumental, em Belém. Nesse período integrou o grupo O Sol do Meio Dia, ao lado de vários outros instrumentistas, entre eles os violonistas Rafael Lima e Albery Albuquerque, e o percussionista Zé Macedo. Os quatro, aliás, subiram juntos ao palco em 2016, tocando canções do Sol do meio Dia. Isso foi em junho, no “Música Plural”, do Albery Project, show que aliás chegará ao quintal da Casa do Fauno, no dia 30 de março. Também será uma grande apresentação.

De volta ao quintal da Casa do Fauno
Em Belém, além de ser pioneiro no gênero, Minni Paulo também fomenta o circuito realizando, desde 2003, o Baiacool Jazz Festival, que além de ações formativas na área da música, já trouxe para apresentações em Belém e em Salinas, atrações como o saxofonista Leo Galdeman, o violonista Toninho Horta, o baterista François Morin, o  multi Hermeto Pascoal, o trompetista Marcio Montarroyos e o pianista Jeff Gardner, entre outros. Além de reunir os músicos conterrâneos, claro. 

Em 2017, o Baiacool está previsto para maio, em Belém. Minni, que também é produtor, diz que ainda está fazendo captação de recursos, que faz por meio de leis de incentivo. O evento continua sendo referência no mapa da música instrumental no país, e na região norte, um dos poucos festivais de jazz existentes. Esperemos que este ano não nos falte!