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21.10.24

Mostra simultânea celebra o cinema de animação

Voo
O Dia Internacional da Animação (DIA) chega à sua 21ª edição, celebrando a arte da animação com exibições e atividades em mais de 250 cidades do Brasil, 12 delas no Pará. Em Belém a mostra principal será no Auditório Eneida de Moraes (Palacete Faciola), e em Altamira, no Teatro Municipal Jarbas Passarinho. Marque a data: 28 de outubro, às 19h30. 

Também haverá sessões gratuitas em Acará, Breu Branco, Castanhal, Colares, Goianésia do Pará, Itaituba, Marapanim, Pacajá, Santarém (Alter do Chão) e São Sebastião da Boa Vista. A programação de cada cidade pode ser encontrada no site oficial.

Oficinas, workshops, bate papo e exibições que vão até novembro em algumas cidades. A mostra principal, porém, será no dia 28, marcando a data comemorativa que, há 21 anos, é celebrada com exibição simultânea em diversas cidades brasileiras. No Pará, haverá sessão em 12 cidades, com apoio da Lei Paulo Gustavo/Secult-Pa. 

A programação do Dia Internacional da Animação inicia, em Belém, na próxima semana, 26 de outubro, com workshops no Espaço Curro Velho, pela manhã e à tarde. No dia 28, além da Mostra Principal e simultânea às demais cidades, no Palacete Faciola, a programação também oferece ao público o "Estúdio Aberto de Animação", que poderá experimentar técnicas de animação como desenho animado, stop motion, pixilation e dublagem.

Chita
As oficinas são gratuitas e não requerem inscrição prévia, permitindo que qualquer pessoa participe e experimente diferentes técnicas de criação animada. Durante as sessões, que ocorrerão nos períodos da manhã e tarde do dia 28 de outubro, no Curro Velho, os participantes poderão aprender sobre o processo de animação infantil, seguido de atividades práticas para experimentar diferentes formatos.

Entre as técnicas disponíveis no Estúdio Aberto estão o desenho animado, que utiliza lápis, papel e mesa de luz para criar sequências de movimento, e o stop motion, uma técnica que manipula bonecos e objetos quadro a quadro. Outras modalidades incluem o pixilation, que utiliza pessoas reais em vez de bonecos, e a dublagem para animação, onde os participantes aprendem a gravar vozes sincronizadas com personagens animados. As oficinas serão realizadas no Núcleo de Oficinas Curro Velho, em Belém, e contam com o apoio cultural da Fundação Cultural do Pará.

Dia 30, no auditório do Curro Velho, haverá a exibição da mostra ambiental,  seguida por um bate papo com o animador Marcelo Marão.  Já no dia 31 de outubro, no Palacete Faciola, haverá a exibição do longa de animação “Bizarros Peixes das Fossas Abissais”, às 16h e da Mostra Paraense, às 17h20, seguida de bate papo “História da Animação Paraense e bastidores do DIA PA 2024”.

A produção local da mostra, em Belém, ficou por conta de Thalyne que, pelo segundo ano consecutivo fica com essa missão. "Foi trabalhoso, mesmo já tendo feito isso dois anos seguidos, é sempre bom tentar adaptar as programações aos interesses do público. Esse ano tentamos deixar as atividades mais dinâmicas, com foco em pessoas que não conhecem muito como é feita uma animação, e permitindo que eles experimentem um pouco desse processo", explica Thaly Chrys que, também atua na área da animação, desde 2017.

"Atualmente trabalho principalmente com animação tradicional e com storyboard. Tiver o prazer em animar em um dos curtas que vão ser exibidos na mostra do DIA (Maréu). Fiz storyboard pra dois curta metragens do estúdio Muirak, e estou animando para o curta "Guardiões da Cobra Grande", coletivo Luzko Fuzko, do qual faço parte, os três com previsão de lançamento em 2025.

Altamira como centro difusor da Mostra no Pará

Lenora Down
Recebendo o evento pelo segundo ano consecutivo, em 2024 Altamira é a sede da coordenação estadual do DIA no Pará, com uma programação extensa que se prolonga até novembro. Além das exibições de curtas, o evento oferecerá oficinas de animação 2D e stop motion, conduzidas por nomes de destaque na área.  O DIA acontece no município, com o apoio do Estúdio Xingu Oficina Criativa, Ione Lindoso Eventos e da Secretaria de Cultura da Prefeitura.

A programação começa no dia 28 de outubro com a abertura das sessões, seguida pela exibição da Mostra Nacional, que reúne curtas brasileiros voltados para o público a partir de 14 anos, e pela Mostra Internacional, com filmes de classificação indicativa de 10 anos. A noite termina com uma conversa exclusiva com o renomado animador Marcelo Marão, que compartilha sua experiência e reflexões sobre a arte da animação.

No dia 29 de outubro, Marão conduzirá oficinas de animação 2D, que acontecerão em dois turnos. As sessões da noite incluem uma Mostra Infantil e a exibição do longa-metragem "Bizarros Peixes das Fossas Abissais", dirigido por Marão, seguida de mais um bate-papo com o diretor.

A programação continua em novembro, com destaque para a oficina de stop motion com duração de três dias (4, 5 e 6 de novembro), conduzida pelas animadoras belenenses Luana e Maiara Esquerdo. Todas as oficinas são abertas a participantes de todas as idades, sem pré-requisitos. Para receber o certificado de participação, é necessário que os inscritos compareçam a todas as aulas. 

Já as noites de novembro contam com uma série de mostras especiais, como a Mostra Ambiental e a Mostra Histórica Paraense, além de conversas ao final das sessões, permitindo uma troca de ideias sobre os bastidores e o processo criativo na animação.

18 anos de história do DIA no Pará

A mala

O Dia Internacional da Animação acontece desde 2007 no Pará e em 2024 chega à sua 18ª edição. A primeira exibição do evento no Estado foi realizada em Belém. Essa iniciativa pioneira trouxe uma celebração da animação que cresceria ao longo dos anos, tornando-se uma parte do calendário de eventos culturais no Pará, ampliando a conexão do Estado com o evento. 

A coordenação estadual está sendo feita pela artista e pesquisadora Patrícia Lindoso, natural de Altamira (PA), que em sua dissertação de mestrado aborda a presença das mulheres no panorama histórico do cinema de animação paraense, que compreende quase cinco décadas, destacando três gerações de realizadoras.

A primeira, nos anos 1970, com Sandra Coelho de Souza e Maria Sylvia Nunes; a segunda nos anos 1990 com as irmãs Fernanda e Flávia Alfinito; e a terceira a partir dos anos 2010 com uma nova geração múltipla que inicia sua trajetória na animação principalmente através de oficinas e cursos de formação específicos ou de áreas relacionadas à animação.

Nesse contexto, a temática desta edição paraense tem o foco nessas artistas e suas produções e contribuições para a trajetória do cinema de animação do estado do Pará. A vinheta de abertura, feita especialmente para o evento, apresenta um pouco dessa abordagem histórica. Também será exibida uma mostra com um panorama regional de filmes de mulheres da animação paraense como parte da programação paralela.

Coordenar uma mostra de animação, abrangendo diversas cidades, foi também enfrentar desafios. “O processo de curadoria exigiu articulação e planejamento para reunir obras e participantes, além de coordenação com uma programação maior dentro de um evento já consolidado”, diz Patrícia Lindoso. 

Ainda assim, segundo ela, há planos de transformar a mostra em um evento marcante no calendário cultural paraense, com mais recursos e continuidade. “Isso permitirá mapear e incentivar novas gerações de animadores, especialmente no interior do estado, consolidando o impacto da iniciativa e fortalecendo o protagonismo feminino na animação, além de contribuir para uma maior representatividade de gênero e regionalidade no setor”, conclui.

PROGRAMAÇÃO BELÉM E ALTAMIRA

26 a 31 de outubro – BELÉM DO PARÁ

WORKSHOPS | CURRO VELHO 

DIA 26/10/2024

Manhã 

9h30 às 12h | Workshop de animação (Responsável: Thalyne Chrystyna) 

9h30 às 12h | Workshop de criação de personagens (Responsável: Gabs Fernandes) 

ESTÚDIO ABERTO DE ANIMAÇÃO | CURRO VELHO 

DIA 28/10/2024 

Manhã

9h30 às 10h | Sessão de Animação Infantil 

10h às 12h | Estúdio Aberto de Animação 

Tarde 

15h30 às 16h | Sessão de Animação Infantil 

16h às 18h | Estúdio Aberto de Animação 

Local: Núcleo de Oficinas Curro Velho | Rua prof. Nelson Ribeiro, 287 - Telégrafo - Belém - Pará 

EXIBIÇÕES E CONVERSAS

DIA 28/10/2024 – Noite | PALACETE FACIOLA 

19h30 às 21h30 | Mostra Principal 

DIA 30/10/2024 – Tarde | CURRO VELHO 

15h às 16h - Mostra ambiental

16h às 17h30| Conversa com o animador Marcelo Marão 

DIA 31/10/2024 – Tarde | PALACETE FACIOLA

16h00 às 17h15 | Longa metragem “Bizarros Peixes das Fossas Abissais” 

17h20 às 18h15 | Mostra Histórica Mulheres Paraenses

18h30 às 19h30 | Bate papo “História da Animação Paraense e bastidores do Dia Internacional da Animação Pará 2024”

28 de outubro a 6 de novembro - ALTAMIRA

28 DE OUTUBRO (SEGUNDA-FEIRA)

19h às 19h30 - abertura da sessão

19h30 - mostra nacional (classificação 14 anos)

20h30 - mostra internacional (classificação 10 anos)

21h30 às 21h50 - conversa com Marão

29 DE OUTUBRO (TERÇA-FEIRA)

9h às 11h - oficina de animação 2D de lápis no papel com Marão (turma manhã)

14h às 16h - oficina de animação 2D de lápis no papel com Marão (turma tarde)

18h15 às 18h30 - abertura da sessão

18h30 - mostra infantil (classificação livre)

19h30 - longa-metragem dirigido por Marão: “Bizarros Peixes das Fossas Abissais” (2024) (classificação 10 anos)

20h45 às 21h15 - conversa com Marão

4 DE NOVEMBRO (SEGUNDA-FEIRA)

9h às 12h - oficina de animação stop motion com Luana e Maiara Esquerdo (turma manhã)

14h às 17h - oficina de animação stop motion com Luana e Maiara Esquerdo (turma tarde)

18h45 às 19h - abertura da sessão

19h - mostra nacional (classificação 14 anos)

20h às 20h20 - conversa ao final da sessão

5 DE NOVEMBRO (TERÇA-FEIRA)

9h às 12h - oficina de animação stop motion com Luana e Maiara Esquerdo (turma manhã)

14h às 17h - oficina de animação stop motion com Luana e Maiara Esquerdo (turma tarde)

18h15 às 18h30 - abertura da sessão

18h30 - mostra ambiental (classificação livre)

19h30 - mostra histórica paraense (classificação 12 anos)

20h30 às 20h50 - conversa ao final da sessão

6 DE NOVEMBRO (QUARTA-FEIRA)

9h às 12h - oficina de animação stop motion com Luana e Maiara Esquerdo (turma manhã)

14h às 17h - oficina de animação stop motion com Luana e Maiara Esquerdo (turma tarde)

18h15 às 18h30 - abertura da sessão

18h30 - mostra infantil (classificação livre)

19h30 às 19h50 - conversa ao final da sessão

LOCAL: Teatro Municipal Jarbas Passarinho - Travessa Treze de Maio, 201 (ao lado do Cinema Lúcio Mauro), Bairro Jardim Uirapuru, CEP 68372-180, Altamira-PA.

INFORMAÇÕES E INSCRIÇÕES:

https://linktr.ee/diadaanimacaopa

https://www.instagram.com/diadaanimacaopa

diadaanimacaopa@gmail.com


15.11.21

Poemas e cartas dos amigos à Maria Sylvia Nunes

“Daquela estrela à outra – cartas a Maria Sylvia” vai ser lançado nesta próxima quinta-feira, 18, com um bate papo, às 19h, pelo canal de Youtube do site Benedito Nunes. É um livro de memórias, como pontuam Andrea Sanjad e Nelson Sanjad, organizadores da obra que sai pela editora Guardaletras, e que vão bater um papo com Wlad Lima, Marco Antônio Moreira e João Augusto Ó de Almeida. Haverá participação especial do poeta Age de Carvalho. 

O livro “Daquela estrela à outra – cartas a Maria Sylvia” reúne textos escritos para esta importante personalidade da cultura paraense, falecida no inicio de 2020. Capricorniana, nascida em 7 de janeiro de 1930, além e diretora de teatro, foi professora da Universidade Federal do Pará (UFPA), onde lecionou História do Teatro, História do Espetáculo e Teoria do Teatro. Em 1952, casou-se com Benedito Nunes. Ficaram juntos por 60 anos e as trajetórias de ambos se cruzam a todo momento na história, revelando grandes contribuições à cultura paraense. Neste livro, passeamos por algumas dessas histórias, mas com todos os holofotes voltados a ela, Maria Sylvia Nunes. 

A maioria dos autores optou por se remeter à Maria Sylvia, por um gênero literário bastante apreciado por ela, a carta. Alguns autores estabelecem uma conversa direta com a mestra, outros a retratam, contam de sua personalidade. Todos revelam, de uma maneira ou de outra, a importância dela em suas vidas, pessoais e profissionais. Foram seus alunos, amigos ou pessoas que estiveram junto a ela em algum momento. Em suas memórias, toda uma história é contextualizada e revelada por meio trajetória de Maria Sylvia. São textos escritos com afeto, afinco, amor. Há memórias também nas fotografias já célebres e outras relíquias. 

Do casamento com Benedito ao Norte Teatro Escola

Ainda estou lendo o livro, que recebi na semana passada, portanto não há pretensão alguma aqui em resenhá-lo, mas sim, compartilhar algumas anotações em meio a leitura, para divulgar o lançamento nesta semana. Divido em seis partes, a abertura nos convida a entrar nesse  clima, com o poema do italiano Giuseppe Ungaretti: "Da quella stella all'altra/ si carcera la notte/ in turbinante vuota dismisura / da quella solitudine di stella/ a quella solitudine di stella." 

Em seguida, encontramos em ‘Notas Biográficas’, textos sobre a origem de Maria Sylvia, sua vida voltada às artes e o encontro com Benedito Nunes, na faculdade de Direito, formando um par mais que perfeito, que soube viver à luz do conhecimento, numa relação de afeto e respeito pelo outro. 

Está aí nesta parte também a transcrição de uma preciosa entrevista feita por Pedro Galvão, com Maria Sylvia e Paragaussú Éleres sobre o movimento teatral em Belém nos anos 50 e 60. Em seguida, estão os poemas de cinco autores: Age de Carvalho, James Bogan, Lilia Silvestre Chaves, Max Martins e Sérgio Wax.  

A parte intitulada ‘Cartas à Maria Sylvia’ é a mais robusta de toda a obra, com cerca de 40 textos. Deliciosa e emocionante a história que Wlad Lima conta sobre seu encontro com Maria Sylvia,  há ainda contribuições de Regina Alves, Olinda Charone, Luiz Pardal. São vários autores, cerca de 50, embora Andrea Sanjad tenha me dito que “... ainda faltaram muitos”. 

Angelita e as reuniões inesquecíveis na casa da Estrella

Angelita Silva (sentada) e Maria Sylvia
O livro segue com ‘Travessa da Estrella, 2735’, endereço em que morou o casal e onde Maria Sylvia cresceu e viveu até sua morte em março de 2020. Neste capitulo a casa, projetada pela irmã de Maria Sylvia, Angelita Silva, a segunda mulher engenheira a se formar no Pará, com apoio do artista e engenheiro Ruy Meira,  é colocada em foco. 

Jussara Derenjï nos traz a atmosfera cultural, artística e filosófica que pairava nas reuniões e encontros entre poetas, jornalistas, atores de teatro, cinéfilos, escritores etc. Eram rodas de conversa, saraus, exibição de filmes e apresentação de espetáculos. Muita troca de conhecimento. A primeira apresentação (pré-estreia) do espetáculo ‘Morte e Vida Severina” foi realizada na Casa da Estrella, antes do Norte Teatro Escola viajar com a trupe toda para o I Festival Nacional de Teatro de Estudantes, realizado em Recife (PE), em 1958, e onde foi super premiado. 

No capítulo seguinte, ‘Professora Emérita’, mais dois textos, um de saudação, escrito por Lilia Silvestre Chaves e o outro, uma transcrição do discurso de Outorga do título de Professora Emérita a Maria Sylvia Nunes, por Emmanuel Zagury Tourinho, que assina ainda a autoria de outro discurso, feito na missa de sétimo dia de maria Sylvia, transcrito no capítulo final do livro, intitulado ‘Cerimônia do Adeus’.

“Daquela estrela à outra ...” é uma obra para ser lida com tranquilidade, degustada. Homenageia uma mulher e uma artista a frente de seu tempo, traz outras pistas para quem pesquisa a construção da cena teatral, o cinema e o movimento literário na Belém dos anos 50, 60, 70, e cumpre a função importante de contribuir para a preservação e salvaguarda da memória de Maria Sylvia Nunes. Feito de forma independente, o livro teve pequena tiragem, mas a ideia é que em breve ganhe formato digital.

Tome nota:

“Daquela estrela à outra – cartas à Maria Sylvia”ç am- Lançento com bate papo, nesta quinta-feira, às 19h, pelo canal de Youtube do site Benedito Nunes. 

28.6.21

Pássaro Junino alça voo com Aldir Blanc e Internet

O Grupo Junino Pássaro Tucano apresenta "O Amor entre a Dor e o Ódio”, texto de Laércio Gomes com adaptação de Iracema Oliveira. O espetáculo será transmitido ao vivo no dia 29 de junho, terça-feira, a partir das 19h, pela página do Museu do Pássaro Junino Tucano, no Facebook. O projeto foi selecionado no edital Patrimônio Imaterial e no edital Culturas Populares, Lei Aldir Blanc / FIDESA.

Envolvendo teatro, dança e música, na trama, uma jovem da nobreza é envolvida pelo cruel Marquês uma trama de sangue, vingança e redenção. Este será o segundo ano que o Pássaro Tucano se apresenta virtualmente, seguindo os protocolos sanitários. Para a guardiã do Tucano, a mestra Iracema Oliveira, manter o Pássaro Junino voando mesmo durante a pandemia é a prova de que a cultura popular resiste, independente da época. Para ela, a Internet também é um meio de fazer esta forma de teatro criada em Belém ser vista em qualquer lugar do planeta.

Fundado em 1927, por iniciativa de um senhor chamado Cipriano, o Pássaro Tucano alcançou grande repercussão mas em 1942 deixou de apresentar-se devido à morte de seu fundador. Em 1980, graças aos esforços de Laércio Gomes e Guaracy de Oliveira (também conhecida como Ara), o Tucano voltou à quadra junina. No ano seguinte, Iracema Oliveira, irmã de Ara, passa a ser a guardiã do grupo, permanecendo no posto desde então. O grupo de brincantes é composto por parentes, vizinhos, amigos, estudantes de teatro e atores, que ensaiam a peça do ano na casa da guardiã, no bairro do Telégrafo. 

O Pássaro Junino inspirou outros projetos selecionados pela Lei Aldir Blanc 2020. Além do espetáculo, da live e do "Museu do Pássaro Junino Tucano, este contemplado pelo Edital Museus e Memoriais de Base Comunitária - Lei Aldir Blanc Pará, Instituto Nova Amazônia - INÃ, Secult-Pa, o Tucano também será contado por Iracema Oliveira, no documentário "Iracema e o brinquedo de voar",  projeto que adentra neste universo, selecionado no Edital Multilinguagens FIDESA, Secult-Pa. 

Bastidores da live serão registrado para documentário

Iracema Oliveira | Foto: Laércio Esteves
A direção do documentário é de Felipe Cortez, que vem pesquisando e registrando o Pássaro Junino há uma década. O diretor e a equipe estarão nesta terça-feira, 29,  documentando os bastidores da live do Tucano, que será transmitida diretamente do Teatro Maria Sylvia Nunes.

Abordando a relação de Iracema com a expressão teatral do Pássaro Junino, que nasce em Belém, a partir do contato de artistas populares com as companhias de ópera europeias vindas à capital paraense, no início dos anos 1900, em nossa Belle Époque, o filme terá 26 minutos e será lançado até setembro.

Reconhecido como patrimônio cultural de natureza imaterial pelo estado do Pará, p Pássaro Junino agora passa por um processo de tombamento nacional pelo IPHAN. “Esse reconhecimento é muito justo. Há uma diversidade de grupos, não só em Belém, como nas demais cidades paraenses. E também os Cordões de Bichos, que temos muito na região do Marajó, por exemplo, e que se tornam verdadeiros empreendimentos criativos das famílias guardiãs, passando essa tradição de geração para geração”, comenta Felipe Cortez.

Acesse as redes sociais do Pássaro Tucano

YouTube

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Serviço

"O Amor entre a Dor e o Ódio”. Transmição ao vivo nesta terça-feira,  29, a partir das 19h, pela página do Museu do Pássaro Junino Tucano, no Facebook. Projeto foi selecionado no edital Patrimônio Imaterial e no edital Culturas Populares, Lei Aldir Blanc / FIDESA.

10.5.21

Nota de esclarecimento: petição casa da Estrella

O blog recebeu e publica, nesta segunda-feira, 10, a nota de esclarecimento do “Coletivo pela Preservação da Casa da Estrella”, sobre a petição pública que solicita celeridade ao processo de tombamento da casa em que residiram Benedito Nunes e Maria Sylvia Nunes, ele falecido em fevereiro de 2011, e ela, em março do ano passado. 

A casa em questão guarda inúmeras memórias do casal. É de arquitetura modernista, com projeto assinado por Angelita Silva, irmã de Maria Sylvia Nunes, e Ruy Meira, e está localizada na Travessa da Estrella, no bairro do Marco, em Belém do Pará. 

O processo de tombamento, que não necessariamente implica em desapropriação do imóvel, foi solicitado pelo coletivo em janeiro e aceito pelo Departamento de Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural (DPHAC) da Secult, no dia 27 de abril deste ano, assim como também já foi encaminhado a Fumbel e ao IPHAN. 

A iniciativa parte de um coletivo que reúne professores e pesquisadores de diversas instituições brasileiras e internacionais, mas depois de divulgada nas redes sociais, a petição gerou ruídos de comunicação a que se vem responder a seguir: 

 NOTA DE ESCLARECIMENTO

A preservação da Casa da Estrella

Por favor, comece a ler esse texto com menos emoção e mais razão, como diz uma conhecida youtuber. O assunto merece um debate público de qualidade, pois toca em diversos traumas já sofridos pela sociedade paraense, relativos à preservação do patrimônio histórico. 

Poucas vezes testemunhamos uma polêmica tão intensa em Belém como a que ocorreu no último final de semana. O motivo foi a abertura de uma petição pública endereçada ao Governo do Pará, na qual algumas pessoas pleitearam duas coisas: 

1) o tombamento da residência de Benedito e Maria Sylvia Nunes; 

2) a aquisição, repetimos: aquisição, da casa pelo Poder Público, de maneira que sua manutenção possa ser garantida. A petição recebeu a adesão de quase mil pessoas em apenas quatro dias. Ela foi muito divulgada com mensagens de esperança. Todas querem ver o legado de Benedito e Maria Sylvia preservado.

Houve, contudo, quem a recebeu de forma negativa e confusa. Essas pessoas se sentiram ofendidas com algo que é direito de qualquer cidadão: pedir providências ao Poder Público para que um bem de interesse social seja preservado. Em uma atitude defensiva e desproporcional, postagens foram feitas nas redes sociais deturpando argumentos, outras lançaram ataques pessoais e houve até aquelas que fizeram a defesa da propriedade privada (!) e acusaram os peticionários de questionar a legitimidade dos herdeiros (!), assim como de quererem confiscar ou desapropriar a casa (!). Sim, tudo isso foi dito, algumas vezes de maneira deselegante e vil.

Contra esse tipo de ruído, convém jogar luz sobre o assunto, uma vez que muita gente assinou a petição e merece esses esclarecimentos. Vamos, portanto, aos fatos – repetimos: aos fatos: 

1) sim, os herdeiros legítimos manifestaram diversas vezes, repetimos: diversas vezes, que não poderiam manter a casa e que, por esse motivo, cogitavam vendê-la; 

2) o interior da casa está esvaziado, pois a biblioteca foi transferida para a UFPA e parte do mobiliário, as obras de arte e as antiguidades foram de lá retirados. Esses fatos são suficientes para preocupar quem conhece o valor arquitetônico, histórico e social da casa – e exigem, sim, uma mobilização que se antecipe a um final bem conhecido dos habitantes de Belém.

Com a finalidade de proteger a residência, solicitamos o tombamento do imóvel. Esse é um instrumento legal que as sociedades civilizadas dispõem para que a responsabilidade pela preservação do patrimônio histórico seja compartilhada com o Poder Público. O tombamento nada tem a ver com demolição, desapropriação ou confisco. 

Pelo contrário: ele permite que os proprietários tenham um desconto no IPTU, recebam investimentos públicos, sejam auxiliados em serviços de arquitetura e engenharia ou mesmo tenham facilidade para obter empréstimos destinados à manutenção do imóvel. Convém, portanto, que o Governo do Pará avalie a necessidade de tombar a Casa da Estrella, pela importância que ela adquiriu para a cidade e para que os esforços em prol de sua manutenção sejam recompensados.

Casa abrigava biblioteca e pinacoteca do casal
A outra demanda feita na petição, a aquisição da casa pelo Poder Público, segue exatamente na direção do que foi sinalizado pelos herdeiros legítimos: ora, se não há condições de manter a casa e se não há outra opção a não ser vendê-la, então que o comprador seja o Poder Público. 

Nesse caso, a demanda dos peticionários também pretende se antecipar a uma possível situação de risco para a casa, abrindo uma janela de soluções que contemple o interesse dos herdeiros legítimos. Essa proposta também nada tem a ver com desapropriação ou confisco, mas com uma possibilidade concreta, talvez a única na atual conjuntura do país, de preservar a residência caso seja vendida. Repetimos: caso – seja – vendida. Se a intenção não é vendê-la, se os planos mudaram, a sugestão feita pelos peticionários pode ser ignorada.

Ao leitor que chegou até aqui, pedimos que volte à petição e releia o texto. Ele é claro em suas intenções e propostas, é verdadeiro nos seus argumentos e vislumbra, sim, um destino factível para a Casa da Estrella. Esse é um lugar de memória que justifica um esforço coletivo para sua preservação. Isso é o que importa. Se toda essa polêmica resultar na proteção do Poder Público e no apoio da sociedade civil, seja qual for seu proprietário, teremos todos razão e sairemos todos ganhando.

Coletivo pela Preservação da Casa da Estrella

Atualização sobre a petição, em 13 de maio: 

O coletivo acaba de informar que a petição alcançou a meta de assinaturas e encerrou. Será encaminhada aos órgãos de patrimônio das três esferas de poder, no caso o IPHAN, Secult-Pa e Fumbel, que já aceitaram o pedido de tombamento do imóvel.

https://secure.avaaz.org/community_petitions/po/ao_exmo_sr_governador_do_estado_do_para_helder_zah_pelo_tombamento_e_preservacao_da_casa_da_estrella_a_casa_de_benedito_e_maria_sylvia_nunes/?zmAxAkb

25.2.21

Benedito Nunes é tema de seminário neste sábado

No dia 27 de fevereiro de 2011, o Pará perdeu Benedito Nunes. Nascido em Belém em 1929, ele  fez parte de uma geração que renovou as artes e o pensamento filosófico, inspirada pelos ventos modernistas que sopravam desde o início do século. Neste sábado, o site beneditonunes.org, dedicado a sua memória e obra, promove um seminário com transmissão pelo YouTube. 

Ernani Chaves (UFPA) e Fernando Ponçadilha vão falar pela manhã (10h), sobre a importância de Benedito Nunes para o ensino de Filosofia em nível superior e médio. De tarde (16h), Lilia Silvestre Chaves (UFPA) e Michel Riaudel (Sorbonne) vão trazer à mesa o interesse dele pela poesia, que o fez se aproximar de diversos poetas, além de estudar, traduzir e divulgar a obra poética de diversos deles.

O seminário parte do site, uma iniciativa da Guarda Livro. Recente, entrando em teste no sábado, 21 de novembro de 2020, para marcar o 91º aniversário de nascimento de Benedito, o site ainda tem visualização parcial, faltam detalhes sobre a casa da Estrela, coisas na biblioteca e no arquivo, mas já se tem acesso aos livros, artigos e a biografia escrita por Andrea Sanjad e Nelson Sanjad, dois dos idealizadores do projeto. 

"O site é um desdobramento de um projeto maior, que vem sendo desenvolvido há alguns anos por nós, Maria Regina, Lilia e Maria Stella (in memoriam, a quem homenageamos por ter sido a principal incentivadora da ideia), objetivando inventariar, (re)organizar e digitalizar a biblioteca e o arquivo de Benedito. A arquitetura e o design do site foram desenvolvidos por Ricardo e Elaynia Ono. Por esse meio, nossa intenção é contribuir não apenas com a divulgação, mas também com o estudo da obra de Benedito", diz Andrea.

Trajetória e Legado - Por Nelson Sanjad

Benedito fez parte de uma geração que renovou as artes e o pensamento filosófico, inspirada pelos ventos modernistas que sopravam desde o início do século, como o movimento literário e teatral de vanguarda das décadas de 1940-1960, juntamente com sua esposa, Maria Sylvia Nunes. 

Formou-se em Direito em 1952 e, posteriormente, envolveu-se na organização e ampliação da Universidade Federal do Pará, participando diretamente da criação do Serviço de Teatro (atual Escola de Teatro e Dança), em 1962, e do curso de Filosofia, na década de 1970. Sua obra é ampla e diversificada. Publicou 22 livros, organizou outros oito, além de mais de uma centena de artigos espalhados em jornais e revistas de diversos países. 

São particularmente importantes seus estudos sobre escritores e poetas, como Clarice Lispector, Guimarães Rosa, Oswald de Andrade, João Cabral de Melo Neto, Mario Faustino, Max Martins, e também filósofos, como Platão, Friedrich Nietzsche, Martin Heidegger, Jean-Paul Sartre e Hannah Arendt, notabilizando-se por ter desenvolvido uma abordagem que associava reflexão filosófica e crítica literária. 

Foi reconhecido em vida com os mais importantes prêmios e títulos honoríficos brasileiros nas áreas da cultura e da ciência, como o Jabuti, que ganhou duas vezes (1987 e 2010); Professor Emérito (1998), concedido pela UFPA; o Almirante Álvaro Alberto (2000), concedido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq); Ordem do Mérito Cultural (2003), concedido pelo Ministério da Cultura; e o Machado de Assis (2010), considerado o principal prêmio literário brasileiro, concedido pela Academia Brasileira de Letras a escritores pelo conjunto de sua obra.

PROGRAMAÇÃO

Seminário 10 anos sem Benedito

10h00 – Benedito Nunes e o ensino de Filosofia

Ernani Chaves e Fernando Ponçadilha

16h00 – A Poesia em Benedito Nunes

Lilia Silvestre Chaves e Michel Riaudel

Serviço

Seminário 10 Anos sem Benedito. Neste sábado, 27, com mesa às 10h e às 16h, pelo canal de YouTube. Acesse também pelo site beneditonunes.org

(Edição Holofote Virtual no texto de Nelson Sanjad)

5.3.20

Teatro paraense de luto por Maria Sylvia Nunes

Foto: Alexandre Moraes
Diretora e professora, Maria Sylvia Nunes faleceu aos 90 anos, nesta quinta-feira, 5 de março, deixando um importante legado a história do teatro paraense. O velório ocorre no Museu da UFPA, na avenida Governador José Malcher, 1192, às 15h, em Belém.

Maria Sylvia Ferreira da Silva Nunes era capricorniana, nascida em 7 de janeiro de 1930. Foi diretora de teatro e professora sendo nos ultimo anos docente aposentada da Universidade Federal do Pará (UFPA), , universidade onde lecionou História do Teatro, História do Espetáculo e Teoria do Teatro. Foi porém, em direito que ela se formou pela Faculdade de Direito do Pará (encampada pela UFPA) em 1952, juntamente com Benedito Nunes, com quem se casou no ano de sua formatura, ficando juntos por 60 anos até que ele se despediu também, partindo antes dela.

Juntos fundaram, em 1957, o Norte Teatro Escola do Pará que se destacou na cena nacional do país nos festivais de teatro amador, sendo o primeiro grupo brasileiro a encenar o Auto Morte e Vida Severina, do poeta João Cabral de Melo Neto, no Primeiro Festival Nacional de Teatro Amador, em Recife, terra do autor, no ano de 1958. 

O NTEP não durou muito tempo e o próximo e encerrou suas atividades com uma nova iniciativa de Maria Sylvia Nunes e Benedito Nunes, a fundação, em 1962, o Serviço de Teatro da Universidade Federal do Pará, que mais tarde se tornaria a Escola de Teatro e Dança da UFPA.

A história do Grupo Norte de Teatro Escola do Pará foi contada no documentário “Teatro Amador em Belém nos anos dourados do Brasil”, uma produção do ator e músico Luciano Lira lançado em 2013, como resultado de sua Tese de Coclusão de Curso. O filme traz à tona a trajetória de um grupo que deixou grandes influências no teatro paraense, com depoimentos da própria Maria Sylvia.

Em vida, a professora recebeu inúmeras homenagens, uma delas pelo então goerno do Pará, quando deu seu nome ao Teatro do complexo cultural Estação das Docas, em Belém. Em 2019, a UFPA também prestou merecida homenagem a ela, que foi condecorada com o título de Professora Emérita da UFPA. 

Maria Sylvia, em 2019, recebendo título da UFPA
Foto: Alexandre Moraes
A cerimônia foi realizada no Teatro universitário Cláudio Barradas, no dia 28 de junho, entrando no teatro acompanhada pelos professores Amir Haddad e Carlos Marcondes, primeiros docentes das turmas de Teatro na Universidade, e pelo atual diretor da ETDUFPA, professor Jaime Amaral.

O falecimento de Maria Sylvia Nunes, ocorrido nesta madrugada, foi anunciado em nota emitida pela Reitoria da UFPA. Rip.

27.5.19

Amazônia Doc abre sua 5a edição nesta semana

A abertura contará com homenagem à professora e crítica de cinema Maria Luzia Miranda Alvarez e exibição do documentário “Torre das Donzelas”, da diretora Susanna Lira - vencedor do melhor documentário no Festival do Rio em 2018, e bate-papo após a sessão. O 5o Amazônia Doc abre nesta quinta-feira, 30, às 18h30, no Teatro Maria Sylvia Nunes e vai até 7 de junho, com atividades de formação e debates, além de duas mostras competitivas, sessões especiais e lançamentos.

O festival ocorrerá em mais de um espaço da cidade. O Cine-Teatro Maria Sylvia Nunes e o Cinema Líbero Luxardo sediam as exibições de filmes, já o Sesc Ver-o-Peso recebe as oficinas e mesas-redondas, numa programação que acompanha as mudanças da tecnologia e da sociedade. “Percebo uma grande mudança na realização de documentários e existe hoje uma diversidade de formatos e de protagonismos dessa produção, que é imprescindível para estabelecer uma reflexão profunda sobre o documentário contemporâneo”, afirma Zienhe Castro, coordenadora geral do evento, após sete anos de pausa desde a última edição, em 2012. 

Além das mostras competitivas, com 30 filmes, entre longas, médias e curtas metragens, o evento também traz sessões especiais apresentando temas urgentes e estéticas inovadoras, que vão desde o clássico até o documentário experimental. Estão programados também quatro painéis de debate, três dias de masterclass com Alice Riff para alunos da Escola Pública Estadual e uma oficina sobre “Documentários de Impacto”. 

Mostras competitivas 

O evento recebeu 350 inscrições de filmes dos nove países da Pan-Amazônia, com grande número de documentários brasileiros, e diversidade de formatos. Na Mostra Pan-Amazônia, 21 filmes estão concorrendo, entre curtas, médias e longas, vindos de estados brasileiros e de outros países como Peru,  Bolívia, Equador e Colômbia. Para a Mostra Amazônia Legal, são nove filmes, também de formatos variados, sendo seis documentários de cineastas paraenses. 

A seleção foi realizada em abril pelo comitê de seleção formado por por Manoel Leite, Zienhe Castro, Felipe Pamplona, Marco Antônio Moreira e Carol Abreu. Os vencedores serão conhecidos no dia 07 de junho, na Sessão de Encerramento, durante a cerimônia de premiação nas categorias “Júri Oficial” e “Público”, quando serão entregues os troféus de miriti feitos pelo artesão Ronaldo Guedes. 

Os painéis/mesas iniciam dia 3 de junho com a exibição de “Caminho da Vacina” e “Doença de Chagas: encontrando uma geração”, com Victoria Servillano, produtora do Médico Sem Fronteiras e mediação de Zienhe Castro. O “Mercado Audiovisual”, com Marina Pompeu (Canal Brasil), Renée Castelo Branco (GLOBO News) e Angélica Coutinho (ANCINE) e Mediação de Carol Abreu, será no dia 5; e no mesmo dia às 18h30 a mesa “Nós Documentaristas” reúne Susanna Lira (cineasta), Ursula Vidal (secretária de Cultura – PA), Alice Riff (cineasta) e Keila Serruya (cineasta), com mediação de Zienhe Castro. 

No dia 6, a mesa aborda “Projetos que mudam o mundo”, com Josi Campos (Plataforma VideoCamp), Lívia Almendary (PlataformaTaturana) e Lília Melo (Cineclube TF), trazendo relatos sobre produção/realização de filmes com DNA Social e os impactos que os mesmos causam na sociedade.

Mulheres em foco

Tendo a concepção do cinema como uma ferramenta política,  esta edição tem o foco nas mulheres - seja na predominância da equipe, com 75% de nomes femininos na produção do evento, seja na escolha do júri totalmente formado por mulheres, ou mesmo na seleção dos documentários para as mostras competitivas. 

“Nosso Júri Oficial este ano é constituído por 10 mulheres incríveis, nossa produção conta com 17 mulheres na equipe e 10 homens e nossos painéis/debates serão formados por mulheres, e ainda, dos 30 filmes selecionados para as Mostras Competitivas, 12 filmes são de diretoras mulheres. Temos uma forte representação da mulher nesta 5a. edição. Era um desejo antigo possibilitar esse momento de encontro, de conversa entre nós realizadoras, produtoras, diretoras, roteirista, professoras e críticas de cinema”, explica Zienhe Castro. 

O festival também terá lançamentos de novas produções audiovisuais, como a pré-estreia de “Explosão da Ilha”, de Leo Chermont, e “Boi Pavulagem é Boi do Mundo”, de Ursula Vidal e Homero Flávio. No encerramento serão lançados o curta “Perspectivas”, produzido pelo Cine Clube TF com direção de Arthur Costa, e o longa documentário “Amazônia Groove”, do diretor Bruno Murtinho. 

Confira programação completa: http://amazoniadoc.com.br/

7.2.19

Minni Paulo lança DVD com show no Parque Musical

O compositor e contrabaixista Minni Paulo faz show de lançamento do DVD "Equilibrium", que apresenta composições nascidas ao longo desses últimos anos em projetos paralelos. Nesta sexta-feira, 8, às 18h30, no Teatro Gasômetro, dentro do Parque Musical, projeto que deve ganhar edital de ocupação em breve. Ingresso R$ 20,00 (meia entrada R$ 10,00). Quem quiser levar também o DVD, fica R$ 50,00.

O show traz composições que traduzem um estilo de jazz amazônico, fruto das viagens e vivências do contrabaixista. No palco, o artista lidera o quarteto Equilibrium, que o acompanha e dá nome ao DVD, formado por Elias Coutinho no saxofone, Tiago Belém, na bateria, e Robenare Marques no piano, que tocam composições inéditas e incluem experimentações contemporâneas com o contrabaixo.

Minni Paulo iniciou sua carreira na década de 1970 em Belém com o grupo de música experimental Sol do Meio Dia. Anos mais tarde, a convite do músico Johny Alf, com quem participou de turnês como baixista, viveu por muitos anos entre São Paulo e Rio de Janeiro tocando em turnês nacionais e internacionais de artistas brasileiros como, Luis Melodia, Elza Soares, Tim Maia, Zezé Motta, Ângela Rôrô, Marina Lima, Jards Macalé, Leny Andrade, Alaíde Costa, João de Aquino, Grupo Índex, Alma Thomas, Nika Stuart e JJ Jackson, entre outros.

Nos anos 90 retorna a Belém com intenção de montar seu próprio grupo de música e assim surgiu o Sociedade Marginal, primeiro grupo instrumental autoral do Pará e o primeiro a contribuir para o inicio da cena instrumental em Belém do Pará, buscando a popularização do Jazz na cidade.

Após muitos anos se dedicando ao incentivo à música instrumental, Minni Paulo, pioneiro no gênero, também criou em 2003, o Baiacool Jazz Festival - referência no mapa da música instrumental no país, um dos poucos festivais de jazz existentes -, que além de formação, já trouxe para apresentações em Belém e em Salinas, atrações como o saxofonista Leo Galdeman, o violonista Toninho Horta, o baterista François Morin, o multi Hermeto Pascoal, o trompetista Marcio Montarroyos, o pianista Jeff Gardner, entre outros. Além de reunir os músicos conterrâneos, claro.

Como funciona o projeto  Parque Musical 

Teatro Estação Gasômetro (Foto: Elza Lima)
O Parque Musical tem como objetivo oferecer ao público uma programação de circulação musical eclética, com artistas locais e nacionais, no Teatro Gasômetro, oferecendo aos artistas acesso ao teatro com isenção da taxa, estimulando o circuito musical da cidade. A SECULT Pa - Secretaria de Cultura do Estado - informa ainda que os ingressos são vendidos a preços mais baixos do que nas casas de shows comerciais, ou seja, fica em R$ 20,00, e que a bilheteria é quase 100% do artista, não especifica nas informações enviadas à imprensa, esses percentuais exatos. 

O edital de ocupação do Parque Musical ainda não foi lançado, mas "com a nova gestão da secretaria, o objetivo é lançar em breve um edital de pautas, com possibilidade de incentivo ao artista para a produção do show", informa a assessoria de imprensa da Secult. Será uma excelente iniciativa, e o incentivo financeiro é item importante e necessário, pois nem sempre os equipamentos disponíveis nos teatros atendem mapas de palco de shows e espetáculos propostos.

Teatro Gasômetro, área interna (Foto: Elza Lima)
Uma situação, aliás, que se agrava no caso do Teatro Maria Sylvia Nunes, que até o momento funciona muito bem como cinema, e quando equipado devidamente, utilizado para eventos como congressos e feiras. Quantos espetáculos você já foi ver lá? 

Que sejam pensados editais de ocupação não só para o Gasômetro, mas também para o Maria Sylvia e Theatro da Paz, que aliás, neste último, o acesso aos artistas locais sempre foi muito restrito aos que conseguem parceria de isenção da taxa de pauta com o Governo do Estado, pois é muito alta para a realidade que vivemos. Os três fazem parte do que se instituiu como Sistema Integrado de Teatros da Secult, mas que nunca vimos funcionar de fato. Quem sabe agora... É o que se espera. 

Serviço
O projeto Parque Musical apresenta o show de lançamento do DVD “Equilibrium”, do compositor e instrumentista Minni Paulo Medeiros, nesta sexta-feira (08), às 18h30, no Teatro Gasômetro, do Parque da Residência (Av. Governador Magalhães Barata, 830). A classificação é livre e a realização é do Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Cultura (Secult). A bilheteria abre às 17h do dia do evento e a distribuição dos ingressos para pessoas com direito à gratuidade será no mesmo horário. Informações: (91) 4009-8474. Valor do ingresso: R$ 20,00 (inteira), R$ 10,00 (meia), R$ 50,00 (combo ingresso + DVD).

31.1.19

Amazônia Doc retorna à cena audiovisual de Belém

Foram sete anos de ausênica, mas o 5º Amazônia Doc volta em abril e as inscrições ainda estão abertas, até dia 20 de fevereiro, no site www.amazoniadoc.com.br. A  gente faz aqui uma retrospectiva das edições anteriores e bate um papo com a idealizadora do festival, Zienhe Castro.

Lembro perfeitamente. O primeiro Festival Pan Amazônico de Documentários – Amazônia Doc, realizado em 2009, trouxe exibições de longas, médias e curtas metragens, filmes de animação, sobre comunidades, movimentos sociais, costumes e identidades. Já conhecíamos o formato de festival voltado ao documentário, por causa do  É Tudo Verdade, mas o foco, no caso do Amazônia Doc, é o cinema Pan-Amazônico realizado nos países da região: Brasil, Peru, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana Francesa, Guiana e Suriname.

O projeto se espalhou na cidade com sessões no Cine Olympia, Líbero Luxardo, Instituto de Artes do Pará (IAP), Instituto de Ciências da Arte (ICA/UFPA), Fundação Curro Velho, Estação das Docas e Cine-teatro Maria Sylvia Nunes.  A programação, inteiramente gratuita. Naquele ano rendeu-se homenagem a Ruschi (1915 – 1986), cientista, agrônomo e naturalista considerado o Patrono da ecologia no Brasil. Ele deu nome ao Grande Prêmio, “Augusto Ruschi”, que consistia na quantia de R$ 15 mil, entregue ao documentário “Mataram Irmã Dorothy”.

Zienhe Castro
Em 2010, a programação trouxe participação do animador gaúcho Otto Guerra, que exibiu Sexo, Orégano e Rock and roll, do teórico, crítico, escritor e cineasta Jean-Claude Bernardet, entre outras celebridades. Na tela, entre outros, vimos também “Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo”, obra experimental dos cineastas Karim Aïnouz (Madame Satã e O Céu de Suely) e Marcelo Gomes (Cinema, Aspirinas e Urubus), e Lixo Extraordinário (Waste land), direção de João Jardim (Janela da Alma e Pro dia Nascer Feliz), da cineasta Karen Harley e da documentarista inglesa Lucy Walker. 

A 3ª edição, em 2011, inscreveu mais de 200 filmes brasileiros e de outros países da pan-Amazônia, sendo que 19 deles foram selecionados, entre longas, médias e curtas metragens. O documentário “Soldados da Borracha”  foi um deles, concorrendo na categoria “Melhor curta documentário”, vencendo no Júri Popular. Foi mais um ano em que o festival se espalhou na cidade, com mostras no Cine Olympia, Cine Líbero Luxardo, Sesc Boulevard e Colégio Ideal.

4a edição foi reduzida e viabilizada dentro da Feira do Livro

Foram três anos de um festival que deixou suas marcas positivas. Não dava para entender a ameaça dele não ser realizado em 2012. E de fato, sem patrocínio, chegou a ser realizado, mas de forma reduzida e dentro da programação da 22ª Feira Pan Amazônica do Livro. 

“Na 4a. edição, já estávamos quase "jogando a toalha" por falta de patrocínio e apoio. Fui então convidada pela SECULT para realizar o Amazônia Doc, dentro da programação da Feira do Livro. O resultado não foi positivo, tivemos muitos entraves, pouquíssimos recursos, tanto na infraestrutura como na programação. No final dessa 4a Edição, avaliamos que não era válido continuar se não pudéssemos garantir a qualidade na curadoria, na exibição e na presença de alguns realizadores”, conta Zienhe, em entrevista ao Holofote Virtual.

A pausa, de sete anos, trouxe reflexão e foi um período em que Zienhe também saiu de Belém. Passou três anos fora estudando, mas sem deixar de produzir. O curta “Promessa em Azul e Branco” foi realizado fora daqui e teve lançamento em 2013. A cineasta retornou a Belém, em 2017 e decidiu tirar o projeto da gaveta e submetê-lo ao edital do MinC para Mostras e Festivais.

“A decisão de retomar o projeto veio em plena harmonia com o sentimento de que precisamos nos apropriar do que significa sermos filhos da Amazônia, então precisamos conversar sobre isso, daí um festival de cinema Pan-Amazônico, com vários países que nos devolve a imagem de nós mesmos, da nossa realidade. Foi uma enorme satisfação , pois acredito na importância do Festival como janela de exibição e debate sobre as problemáticas e potencialidades desse imenso território Amazônico, tendo nós amazônidas como protagonistas dessas questões”, continua.

Documentários e a força política da memória 

Zienhe: set do curta sobre Eneida de Moraes
Um festival de documentário é muito bem vindo, num momento em que vivemos a negação de nossa própria história, a serviço do discurso que tem a intenção de regular e silenciar a memória e muito mais que isso, atingir nossa identidade cultural, étnica e a própria liberdade. 

“Existem forças políticas e interesses econômicos contemporâneos que necessitam reescrever ou apagar a memória coletiva de um país, e a Arte sempre foi e será um poderoso antídoto contra isso, mesmo quando oprimida. 

Menos pelo poder político da arte, que é superestimado, mais pela sua capacidade de fixar memórias. Fazer arte, fazer cinema, fazer documentário, é memória. Histórias são formas elaboradíssimas de memórias. Em especial, o documentário de arquivo é um estudado resgate de memórias, de histórias esquecidas, de personagens, de vidas. Um pais que faz um cinema livremente é um pais que rejuvenesce nas suas memórias. Um governo que quiser apagar memórias tem que controlar o cinema, cercear as artes, essencialmente rebeldes”, diz Zienhe.

A cineasta chama atenção também para outras formas de apagar a memória. “Destruindo lentamente seus registros, suas obras, digo materialmente. O desprezo e descaso com a nossa memória arquivada, nas suas diversas formas, é tratada no Brasil, e tristemente resumida numa imagem que já se tornou icônica: O incêndio do Museu Nacional no Rio de Janeiro. O fogo não foi apagado, nem nunca será, ironicamente, a memória dele. E vai virar documentário, com certeza”, conclui.

Fora do calendário da cidade todos esses anos, as expectativas para a 5a edição são as melhores, com oficinas, debates e mostras que abordam questões sociopolíticas, socioambientais, e socioculturais da região da Pan Amazônica.  De 16 a 21 de abril, com realização é da Secretaria do Audiovisual, do Ministério da Cultura, com produção da Z Filmes e Instituto de Cultura da Amazônia (Culta).

13.11.18

A festa do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade

Afeto, identificação e a gestão compartilhada do patrimônio cultural brasileiro. Em resumo estas palavras definem a cerimônia de entrega do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, realizada na ultima sexta-feira, 09, no Theatro da Paz. Foi de tirar o fôlego, repleta de surpresas e boas falas para o público e representantes dos oito projetos premiados pelo Iphan.

O Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade é realizado desde 1987, tendo como missão reconhecer projetos que contribuam para a manutenção daquilo que há de mais importante na sociedade, o seu patrimônio cultural. "Todos os anos esse prêmio nos mostra que simples ideias se tornam projetos transformadores, comprovando a necessidade de que cada vez mais, o patrimônio cultural deve ser construído e gerido coletivamente, vivenciado todos os dias”, disse a presidente do Iphan, Kátia Bogéa.

Foram mais de três horas de pura emoção e sentimentos de identidade. Na entrada, informação. A Revista do 31o Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade era distribuída ao público, trazendo textos e entrevistas sobre os projetos vencedores. Se você não foi, é possível conseguir um exemplar na sede do Iphan, em Belém.

Já na sala de espetáculo, no também grandioso templo da cultura erudita, a primeira emoção, depois de ver a casa cheia, cheia de cor, diversa, foi ouvir o hino nacional cantado em língua Ticuna, pela cantora indígena, de belíssima voz, Denizia Araújo Peres –  Djuena Tikuna, acompanhada pelo instrumentista Diego Janatã Pinheiro Pereira. 

A presidente do Iphan, Kátia Bogéa, também nos surpreendeu ao chamar ao palco toda a sua equipe nacional que esteve em Belém ao longo da semana, participando também do Seminário Internacional de Gestão do Patrimônio Cultural Norte, realizado no início da semana, no Teatro Maria Sylvia Nunes, e da 90ª reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio, realizada no MEP. Foram entrando um a um. Diretores, gerentes, assessores, além dos sete superintendentes do Iphan na região Norte. Do Pará, Cyro Hollanda de Almeida foi bastante aplaudido pelo público. E em sua fala, Kátia Bogeia destacou que em 2018, o Iphan dedicou uma atenção especial a Região Norte do Brasil. 

“Este ano a proposta do Iphan foi realizar uma série de ações para valorizar o patrimônio do norte do país. Falar dessa região é ir muito além de suas florestas, rios e faunas. É falar primordialmente de seu povo. Um passado, no presente, pensando no futuro. Em seu conjunto, a importância do patrimônio cultural do norte do Brasil está em sua rica gama de bens”.

São 11 bens registrados, 45 tombamentos, entre edificações e conjuntos urbanos, e mais de 5 mil sítios arqueológicos cadastrados, além das expressões culturais como o Círio de Nazaré, no Pará, e a arte gráfica e pintura corporal dos índios Wajãpi do Amapá, que são ainda patrimônio cultural imaterial da humanidade. 

“É extremamente importante proporcionarmos a todos os brasileiros, a oportunidade de conhecer a diversidade patrimonial cultural do norte”, enfatizou, deixando claro o tipo de gestão que o Iphan propõe, compartilhada com as pessoas, pois sem estas não há patrimônio material ou imaterial que sobreviva. Kátia e todos que também tiveram momentos de fala foram incansáveis em afirmar que o futuro se constrói no presente, preservando o passado

A região Norte esteve em evidência na cerimônia, que prezou pela representatividade do patrimônio cultural do Norte no palco. Entre outros momentos de referência, foram apresentados como atração, o Coletivo de Mestres de Carimbó (PA), o Marabaixo (AP) e os bois Garantido e Caprichoso, de Parintins (AM).  Vale ressaltar também que dos oito premiados, três iniciativas são do Pará.

Premiados aproximam comunidade e patrimônio

Entre uma atração e outra, foram sendo chamados ao palco os representantes dos oito projetos contemplados pelo 31º Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, selecionados entre 302 inscritos em todo o país e depois, entre 94 projetos finalistas.

A premiação, além de um aporte financeiro de R$ 30 mil, traz o reconhecimento nacional, a visibilidade das comunidades envolvidas, a aproximação com outros parceiros e investidores, além da possibilidade de continuidade de suas iniciativas.

Do Pará os três contemplados foram o projeto Circular Campina Cidade Velha, que íntegro, e que tem como espaço geográfico o centro histórico de Belém; o Letras que Flutuam, da Mapinguari Design, realizado com artistas abridores de letras e o Oca - Origens, Cultura e Ambiente, realizado no município de Gurupá pelo Museu Goeldi, mas que já rendeu frutos, o grupo Os Guardiões. Makiko Akao, do Circular, enfatizou a importância da sociedade civil envolvida. "Um patrimônio só tem valor, a partir do momento que a sociedade reconhece o seu valor”, disse a galerista e produtora cultura, que recebeu a premiação.

Fernanda Martins, do Letras que Flutuam, protagonizou um dos momentos mais emocionantes da cerimônia quando em sua fala pediu que acendessem as luzes do teatro para que os abridores de letras presentes na cerimonia se levantassem para receber o aplauso da pateia.

"Junior, Marinho, José Augusto, Odir, Mestre Ramito, Valdir. Esse prêmio veio para dizer que a arte de vocês é parte desse patrimônio brasileiro. O que vocês sabem e fazem todos os dias, é importante e por favor resistam, sigam com sua arte".

Helena Lima, do Museu Emílio Goeldi, ressaltou o aprendizado que o projeto Oca trouxe a todos os envolvidos. "Aprendi com o Oca, que se pode atingir grandes objetivos com soluções criativas e de baixo custo. Necessitamos do comprometimento e engajamento de pessoas e instituições e isso felizmente nós conseguimos em Gurupá. O premio permitirá visibilidade, novas parcerias e também fortalecerá a continuidade das ações, estreitando ainda mais os laços entre o Museu Goeldi e a comunidade do Gurupá. Foi um prazer estar ao lado de outras grandes projetos, de enorme excelência para com o patrimônio brasileiro". 

Outro vencedor que visa a integração da sociedade com a gestão pública é o projeto Semana do Patrimônio Cultural de Pernambuco, da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) que cria um espaço de debates interdisciplinares e interinstitucionais sobre as diversas questões essenciais para a compreensão e difusão das formas de valorização, reconhecimento preservação e salvaguarda do Patrimônio Cultural de Pernambuco. 

"Eu não poderia deixar de registrar a nossa preocupação com este momento do país, as noticias que temos sobre o Ministério da Cultura, sobre o seu futuro em nosso país", disse Renata Martins, representando a Fundarpe. 

Neste momento. uma salva de palmas e gritos vindos da plateia 'ele não'. "Um estado que não tem em sua política pública, o desenvolvimento da Cultura, a valorização da cultura, da identidade cultural de seu povo, ele perde muito. Compartilho essa preocupação com vocês. Sei que cultura é resistência", enfatizou e saiu mais aplaudida.

Do eixo sudeste está o Projeto Vila Maria Zélia – 100 anos, da Associação Cultural Vila Maria Zélia, que celebrou os 100 anos da fundação dessa vila operária e, mais do que isso, debateu sua história e atual situação enquanto patrimônio histórico da cidade de São Paulo. As 210 famílias da pequena Vila transformaram suas memórias em um Centro Cultural, em livro, filme e exposição.

O Projeto II Caravana do Museu Indígena Tremembé é do Ceará, desenvolvido por meio do Conselho Indígena Tremembé de Almofala (CITA) que desta forma, contribuiu para a preservação da memória, do Patrimônio Cultural e para a difusão da cultura dos povos indígenas do Ceará, por meio da realização de uma série de oficinas, palestras, rituais sagrados, danças e apresentações artísticas.  O prêmio foi recebido pelo cacique João Venâncio e pelo pajé Luís Caboclo.

Do Recôncavo Baiano veio o Projeto Restauração e Revitalização da Fazenda Engenho D’Água (BA) que, com a obstinação de Mário Augusto Nascimento Ribeiro e sua família, restaurou a fazenda e tornou o Patrimônio Cultural acessível, viável e autossustentável. Renascida das ruínas, a propriedade é hoje referência de sustentabilidade econômica para a região. 

Já os sons que povoam a vida dos sertanejos estão reunidos no projeto Sonário do Sertão, onde a pesquisadora Camila Machado Garcia de Lima trouxe ao conhecimento de todos os sons do cotidiano, da natureza, de práticas religiosas, de narrativas dos sertanejos, ladainhas e músicas como uma harmoniosa orquestra que torna os sons do sertão um retrato de seu Patrimônio Cultural.   

"Este prêmio vai possibilitar a continuidade do projeto, praticando a cultura de ouvir, e o sertão que tá dentro da gente será ouvido por outras pessoas e sempre, desde sempre, ninguém solta a mão de ninguém", disse Camila Machado, responsável pelo projeto. 

Mais três bens culturais do norte ganham reconhecimento

Além das premiações, foram anunciadas mais três bens culturais da Região Norte que foram reconhecidos como Patrimônio Cultural Brasileiro, o Marabaixo, o Complexo Cultural Boi Bumbá e o Geoglifo localizado no Sítio Arqueológico Jacó Sá, em Rio Branco, no Acre. 

Foi um belíssimo espetáculo, com direção de Júnior Braga que, ao levar essas atrações para um palco composto por projeções de imagens que remetiam tais manifestações a seus lugares de origens, conseguiu nos causar identificação. Lia Sophia convocada para encerrar a festa, apresentou um show potente. Sofisticada e contemporânea, misturou carimbó e guitarrada, com as batidas do zouk e do eletrônico.

É preciso dizer que a cerimônia foi impecável. E a plateia, atuante e implacável. Vaiou a fala do presidente da Fumbel quando este citou o nome do prefeito Zenaldo Coutinho e o aplaudiu quando fez referência ao superintendente do Iphan no Pará. Um claro recado sobre a consciência da população acerca dos desmandos em relação ao patrimônio cultural de Belém. 

O público também cantou junto com Caprichoso e Garantido, se emocionou com as mulheres do Marabaixo, e fechou a noite carimbolando na plateia, nas frisas e camarotes, algo que eu só tinha visto antes, na gravação do DVD de Mestre Vieira, em 2012. 

Foi catártico. Ninguém queria sair dali, ninguém queria e nem vai soltar a mão de ninguém. O Circular Campina Cidade Velha já tem data para sua 24ª edição, no domingo, dia 02 de dezembro. A programação está sendo construída pelos gestores dos espaços que integram o circuito nos bairros da Campina, Cidade Velha e Reduto e em breve estará nas redes sociais e no site (www.projetocircular.com.br).