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15.11.21

Poemas e cartas dos amigos à Maria Sylvia Nunes

“Daquela estrela à outra – cartas a Maria Sylvia” vai ser lançado nesta próxima quinta-feira, 18, com um bate papo, às 19h, pelo canal de Youtube do site Benedito Nunes. É um livro de memórias, como pontuam Andrea Sanjad e Nelson Sanjad, organizadores da obra que sai pela editora Guardaletras, e que vão bater um papo com Wlad Lima, Marco Antônio Moreira e João Augusto Ó de Almeida. Haverá participação especial do poeta Age de Carvalho. 

O livro “Daquela estrela à outra – cartas a Maria Sylvia” reúne textos escritos para esta importante personalidade da cultura paraense, falecida no inicio de 2020. Capricorniana, nascida em 7 de janeiro de 1930, além e diretora de teatro, foi professora da Universidade Federal do Pará (UFPA), onde lecionou História do Teatro, História do Espetáculo e Teoria do Teatro. Em 1952, casou-se com Benedito Nunes. Ficaram juntos por 60 anos e as trajetórias de ambos se cruzam a todo momento na história, revelando grandes contribuições à cultura paraense. Neste livro, passeamos por algumas dessas histórias, mas com todos os holofotes voltados a ela, Maria Sylvia Nunes. 

A maioria dos autores optou por se remeter à Maria Sylvia, por um gênero literário bastante apreciado por ela, a carta. Alguns autores estabelecem uma conversa direta com a mestra, outros a retratam, contam de sua personalidade. Todos revelam, de uma maneira ou de outra, a importância dela em suas vidas, pessoais e profissionais. Foram seus alunos, amigos ou pessoas que estiveram junto a ela em algum momento. Em suas memórias, toda uma história é contextualizada e revelada por meio trajetória de Maria Sylvia. São textos escritos com afeto, afinco, amor. Há memórias também nas fotografias já célebres e outras relíquias. 

Do casamento com Benedito ao Norte Teatro Escola

Ainda estou lendo o livro, que recebi na semana passada, portanto não há pretensão alguma aqui em resenhá-lo, mas sim, compartilhar algumas anotações em meio a leitura, para divulgar o lançamento nesta semana. Divido em seis partes, a abertura nos convida a entrar nesse  clima, com o poema do italiano Giuseppe Ungaretti: "Da quella stella all'altra/ si carcera la notte/ in turbinante vuota dismisura / da quella solitudine di stella/ a quella solitudine di stella." 

Em seguida, encontramos em ‘Notas Biográficas’, textos sobre a origem de Maria Sylvia, sua vida voltada às artes e o encontro com Benedito Nunes, na faculdade de Direito, formando um par mais que perfeito, que soube viver à luz do conhecimento, numa relação de afeto e respeito pelo outro. 

Está aí nesta parte também a transcrição de uma preciosa entrevista feita por Pedro Galvão, com Maria Sylvia e Paragaussú Éleres sobre o movimento teatral em Belém nos anos 50 e 60. Em seguida, estão os poemas de cinco autores: Age de Carvalho, James Bogan, Lilia Silvestre Chaves, Max Martins e Sérgio Wax.  

A parte intitulada ‘Cartas à Maria Sylvia’ é a mais robusta de toda a obra, com cerca de 40 textos. Deliciosa e emocionante a história que Wlad Lima conta sobre seu encontro com Maria Sylvia,  há ainda contribuições de Regina Alves, Olinda Charone, Luiz Pardal. São vários autores, cerca de 50, embora Andrea Sanjad tenha me dito que “... ainda faltaram muitos”. 

Angelita e as reuniões inesquecíveis na casa da Estrella

Angelita Silva (sentada) e Maria Sylvia
O livro segue com ‘Travessa da Estrella, 2735’, endereço em que morou o casal e onde Maria Sylvia cresceu e viveu até sua morte em março de 2020. Neste capitulo a casa, projetada pela irmã de Maria Sylvia, Angelita Silva, a segunda mulher engenheira a se formar no Pará, com apoio do artista e engenheiro Ruy Meira,  é colocada em foco. 

Jussara Derenjï nos traz a atmosfera cultural, artística e filosófica que pairava nas reuniões e encontros entre poetas, jornalistas, atores de teatro, cinéfilos, escritores etc. Eram rodas de conversa, saraus, exibição de filmes e apresentação de espetáculos. Muita troca de conhecimento. A primeira apresentação (pré-estreia) do espetáculo ‘Morte e Vida Severina” foi realizada na Casa da Estrella, antes do Norte Teatro Escola viajar com a trupe toda para o I Festival Nacional de Teatro de Estudantes, realizado em Recife (PE), em 1958, e onde foi super premiado. 

No capítulo seguinte, ‘Professora Emérita’, mais dois textos, um de saudação, escrito por Lilia Silvestre Chaves e o outro, uma transcrição do discurso de Outorga do título de Professora Emérita a Maria Sylvia Nunes, por Emmanuel Zagury Tourinho, que assina ainda a autoria de outro discurso, feito na missa de sétimo dia de maria Sylvia, transcrito no capítulo final do livro, intitulado ‘Cerimônia do Adeus’.

“Daquela estrela à outra ...” é uma obra para ser lida com tranquilidade, degustada. Homenageia uma mulher e uma artista a frente de seu tempo, traz outras pistas para quem pesquisa a construção da cena teatral, o cinema e o movimento literário na Belém dos anos 50, 60, 70, e cumpre a função importante de contribuir para a preservação e salvaguarda da memória de Maria Sylvia Nunes. Feito de forma independente, o livro teve pequena tiragem, mas a ideia é que em breve ganhe formato digital.

Tome nota:

“Daquela estrela à outra – cartas à Maria Sylvia”ç am- Lançento com bate papo, nesta quinta-feira, às 19h, pelo canal de Youtube do site Benedito Nunes. 

5.3.20

Teatro paraense de luto por Maria Sylvia Nunes

Foto: Alexandre Moraes
Diretora e professora, Maria Sylvia Nunes faleceu aos 90 anos, nesta quinta-feira, 5 de março, deixando um importante legado a história do teatro paraense. O velório ocorre no Museu da UFPA, na avenida Governador José Malcher, 1192, às 15h, em Belém.

Maria Sylvia Ferreira da Silva Nunes era capricorniana, nascida em 7 de janeiro de 1930. Foi diretora de teatro e professora sendo nos ultimo anos docente aposentada da Universidade Federal do Pará (UFPA), , universidade onde lecionou História do Teatro, História do Espetáculo e Teoria do Teatro. Foi porém, em direito que ela se formou pela Faculdade de Direito do Pará (encampada pela UFPA) em 1952, juntamente com Benedito Nunes, com quem se casou no ano de sua formatura, ficando juntos por 60 anos até que ele se despediu também, partindo antes dela.

Juntos fundaram, em 1957, o Norte Teatro Escola do Pará que se destacou na cena nacional do país nos festivais de teatro amador, sendo o primeiro grupo brasileiro a encenar o Auto Morte e Vida Severina, do poeta João Cabral de Melo Neto, no Primeiro Festival Nacional de Teatro Amador, em Recife, terra do autor, no ano de 1958. 

O NTEP não durou muito tempo e o próximo e encerrou suas atividades com uma nova iniciativa de Maria Sylvia Nunes e Benedito Nunes, a fundação, em 1962, o Serviço de Teatro da Universidade Federal do Pará, que mais tarde se tornaria a Escola de Teatro e Dança da UFPA.

A história do Grupo Norte de Teatro Escola do Pará foi contada no documentário “Teatro Amador em Belém nos anos dourados do Brasil”, uma produção do ator e músico Luciano Lira lançado em 2013, como resultado de sua Tese de Coclusão de Curso. O filme traz à tona a trajetória de um grupo que deixou grandes influências no teatro paraense, com depoimentos da própria Maria Sylvia.

Em vida, a professora recebeu inúmeras homenagens, uma delas pelo então goerno do Pará, quando deu seu nome ao Teatro do complexo cultural Estação das Docas, em Belém. Em 2019, a UFPA também prestou merecida homenagem a ela, que foi condecorada com o título de Professora Emérita da UFPA. 

Maria Sylvia, em 2019, recebendo título da UFPA
Foto: Alexandre Moraes
A cerimônia foi realizada no Teatro universitário Cláudio Barradas, no dia 28 de junho, entrando no teatro acompanhada pelos professores Amir Haddad e Carlos Marcondes, primeiros docentes das turmas de Teatro na Universidade, e pelo atual diretor da ETDUFPA, professor Jaime Amaral.

O falecimento de Maria Sylvia Nunes, ocorrido nesta madrugada, foi anunciado em nota emitida pela Reitoria da UFPA. Rip.

10.5.21

Nota de esclarecimento: petição casa da Estrella

O blog recebeu e publica, nesta segunda-feira, 10, a nota de esclarecimento do “Coletivo pela Preservação da Casa da Estrella”, sobre a petição pública que solicita celeridade ao processo de tombamento da casa em que residiram Benedito Nunes e Maria Sylvia Nunes, ele falecido em fevereiro de 2011, e ela, em março do ano passado. 

A casa em questão guarda inúmeras memórias do casal. É de arquitetura modernista, com projeto assinado por Angelita Silva, irmã de Maria Sylvia Nunes, e Ruy Meira, e está localizada na Travessa da Estrella, no bairro do Marco, em Belém do Pará. 

O processo de tombamento, que não necessariamente implica em desapropriação do imóvel, foi solicitado pelo coletivo em janeiro e aceito pelo Departamento de Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural (DPHAC) da Secult, no dia 27 de abril deste ano, assim como também já foi encaminhado a Fumbel e ao IPHAN. 

A iniciativa parte de um coletivo que reúne professores e pesquisadores de diversas instituições brasileiras e internacionais, mas depois de divulgada nas redes sociais, a petição gerou ruídos de comunicação a que se vem responder a seguir: 

 NOTA DE ESCLARECIMENTO

A preservação da Casa da Estrella

Por favor, comece a ler esse texto com menos emoção e mais razão, como diz uma conhecida youtuber. O assunto merece um debate público de qualidade, pois toca em diversos traumas já sofridos pela sociedade paraense, relativos à preservação do patrimônio histórico. 

Poucas vezes testemunhamos uma polêmica tão intensa em Belém como a que ocorreu no último final de semana. O motivo foi a abertura de uma petição pública endereçada ao Governo do Pará, na qual algumas pessoas pleitearam duas coisas: 

1) o tombamento da residência de Benedito e Maria Sylvia Nunes; 

2) a aquisição, repetimos: aquisição, da casa pelo Poder Público, de maneira que sua manutenção possa ser garantida. A petição recebeu a adesão de quase mil pessoas em apenas quatro dias. Ela foi muito divulgada com mensagens de esperança. Todas querem ver o legado de Benedito e Maria Sylvia preservado.

Houve, contudo, quem a recebeu de forma negativa e confusa. Essas pessoas se sentiram ofendidas com algo que é direito de qualquer cidadão: pedir providências ao Poder Público para que um bem de interesse social seja preservado. Em uma atitude defensiva e desproporcional, postagens foram feitas nas redes sociais deturpando argumentos, outras lançaram ataques pessoais e houve até aquelas que fizeram a defesa da propriedade privada (!) e acusaram os peticionários de questionar a legitimidade dos herdeiros (!), assim como de quererem confiscar ou desapropriar a casa (!). Sim, tudo isso foi dito, algumas vezes de maneira deselegante e vil.

Contra esse tipo de ruído, convém jogar luz sobre o assunto, uma vez que muita gente assinou a petição e merece esses esclarecimentos. Vamos, portanto, aos fatos – repetimos: aos fatos: 

1) sim, os herdeiros legítimos manifestaram diversas vezes, repetimos: diversas vezes, que não poderiam manter a casa e que, por esse motivo, cogitavam vendê-la; 

2) o interior da casa está esvaziado, pois a biblioteca foi transferida para a UFPA e parte do mobiliário, as obras de arte e as antiguidades foram de lá retirados. Esses fatos são suficientes para preocupar quem conhece o valor arquitetônico, histórico e social da casa – e exigem, sim, uma mobilização que se antecipe a um final bem conhecido dos habitantes de Belém.

Com a finalidade de proteger a residência, solicitamos o tombamento do imóvel. Esse é um instrumento legal que as sociedades civilizadas dispõem para que a responsabilidade pela preservação do patrimônio histórico seja compartilhada com o Poder Público. O tombamento nada tem a ver com demolição, desapropriação ou confisco. 

Pelo contrário: ele permite que os proprietários tenham um desconto no IPTU, recebam investimentos públicos, sejam auxiliados em serviços de arquitetura e engenharia ou mesmo tenham facilidade para obter empréstimos destinados à manutenção do imóvel. Convém, portanto, que o Governo do Pará avalie a necessidade de tombar a Casa da Estrella, pela importância que ela adquiriu para a cidade e para que os esforços em prol de sua manutenção sejam recompensados.

Casa abrigava biblioteca e pinacoteca do casal
A outra demanda feita na petição, a aquisição da casa pelo Poder Público, segue exatamente na direção do que foi sinalizado pelos herdeiros legítimos: ora, se não há condições de manter a casa e se não há outra opção a não ser vendê-la, então que o comprador seja o Poder Público. 

Nesse caso, a demanda dos peticionários também pretende se antecipar a uma possível situação de risco para a casa, abrindo uma janela de soluções que contemple o interesse dos herdeiros legítimos. Essa proposta também nada tem a ver com desapropriação ou confisco, mas com uma possibilidade concreta, talvez a única na atual conjuntura do país, de preservar a residência caso seja vendida. Repetimos: caso – seja – vendida. Se a intenção não é vendê-la, se os planos mudaram, a sugestão feita pelos peticionários pode ser ignorada.

Ao leitor que chegou até aqui, pedimos que volte à petição e releia o texto. Ele é claro em suas intenções e propostas, é verdadeiro nos seus argumentos e vislumbra, sim, um destino factível para a Casa da Estrella. Esse é um lugar de memória que justifica um esforço coletivo para sua preservação. Isso é o que importa. Se toda essa polêmica resultar na proteção do Poder Público e no apoio da sociedade civil, seja qual for seu proprietário, teremos todos razão e sairemos todos ganhando.

Coletivo pela Preservação da Casa da Estrella

Atualização sobre a petição, em 13 de maio: 

O coletivo acaba de informar que a petição alcançou a meta de assinaturas e encerrou. Será encaminhada aos órgãos de patrimônio das três esferas de poder, no caso o IPHAN, Secult-Pa e Fumbel, que já aceitaram o pedido de tombamento do imóvel.

https://secure.avaaz.org/community_petitions/po/ao_exmo_sr_governador_do_estado_do_para_helder_zah_pelo_tombamento_e_preservacao_da_casa_da_estrella_a_casa_de_benedito_e_maria_sylvia_nunes/?zmAxAkb

9.12.11

Benedito Nunes é tema de livro e documentário

O filósofo paraense Benedito Nunes, um dos mais importantes intelectuais do Brasil, é tema de documentário “Mora na Filosofia” e do livro 'Amigo Bené fazedor de Rumos' que serão lançados no dia 10 de dezembro, às 18h30, na Estação Gasômetro, aberto ao público. 

O documentário produzido pela TV Cultura do Pará, reúne depoimentos de pessoas que conviveram com o filósofo, falando sobre a personalidade dele e sobre a importância de sua obra para a filosofia e a literatura. Benedito Nunes morreu em 27 de fevereiro de 2011. O Livro 'Amigo Bené fazedor de Rumos' é de autoria de Lilia Silvestre Chaves. 

Foram reunidos depoimentos que integram o acervo da TV Cultura e produzidas novas entrevistas, em parceria com a produtora TV Norte Independente. Entre as personalidades entrevistadas estão Paulo Chaves, Victor Sales Pinheiro, Lilia Chaves, Décio Guzman, Lúcio Flávio Pinto, Paraguassu Éleres, Ernani Chaves, Eva Andersen, David Jackson, Michel Riaudel, Maria José, Dina Oliveira, Marton Maués, João de Jesus Paes Loureiro, Adriana Klautau e Alonso Rocha, entre outros. 

A narrativa parte da casa onde Benedito Nunes viveu durante décadas, localizada na travessa da Estrela, bairro do Marco, em Belém, e do papel que esse lugar teve na vida do filósofo. A proposta é abordar, além do pensamento de Benedito, o lado humano do pensador. Para tanto, cada entrevistado contribuiu com uma visão diferente: Ernani Chaves e Victor Sales abordaram a dimensão filosófica e literária; Dina Oliveira contou como foi conviver, quando criança, com as tias, e Paulo Chaves, por sua vez, lembrou como era a convivência na casa da Estrela, segundo explica o diretor de “Mora na Filosofia”, Júnior Braga. 

O documentário se estrutura como um patchwork de fragmentos de depoimentos, fotos, textos e efeitos visuais. A trilha sonora é composta de peças eruditas de Beethoven (compositor preferido do filósofo), executadas por músicos da Fundação Carlos Gomes, e de músicos paraenses como Salomão Habib e Luiz Pardal. Júnior Braga destaca ainda o depoimento do professor americano David Jackson, para quem Benedito Nunes é a ligação acadêmica entre o Pará e o mundo. 

“Para o professor, Benedito foi um dos maiores intelectuais brasileiros, e por isso sempre foi chamado a lecionar em instituições na França e nos Estados Unidos, mas fez questão de retornar à sua terra, e assim ficou internacionalmente conhecido como um homem da Amazônia, um homem de Belém”, completa.

Preservar e valorizar esta identidade do gênio que não rompe com as suas raízes é, talvez, uma forma de incentivo a novas gerações de estudantes e pensadores paraenses, acredita Júnior Braga. Ele explica que a principal dificuldade na produção foi selecionar os entrevistados. “São muitas as pessoas que conhecem a obra de Benedito e que poderiam contribuir para o documentário”. 

A equipe contou com a preciosa contribuição da esposa de Benedito Nunes, a professora Maria Sylvia Nunes, e do professor Victor Sales Pinheiro, organizador da obra do filósofo. “Mas toda vez que citávamos o nome do professor Benedito, éramos prontamente atendidos, o que demonstra a importância do filósofo e o respeito que as pessoas que conviveram com ele possuem. Mas talvez a maior dificuldade tenha sido entrevistar personagens que residem em outros países, mas conseguimos contornar este fator graças à tecnologia. Com o uso da internet foi possível aproximar os continentes e captar importantes testemunhos a cerca de Benedito”, complementa o diretor.

“Mora na Filosofia” será veiculado pela TV Cultura do Pará no dia 11, às 18h30, e posteriormente por outros canais educativos, participará de festivais e será distribuído entre escolas públicas do Estado, além de universidades do Brasil e do exterior nas quais o filósofo atuou. 

Livro - Amigos, familiares, escritores e estudiosos que conviviam com o professor e filósofo, Benedito Nunes, têm seus depoimentos reunidos em um livro que homenageia um dos maiores intelectuais paraenses.

“O amigo Bené, fazedor de rumos”, organizado pela professora Lília Chaves. A relação da organizadora do livro, Lília Chaves, e de Benedito Nunes começou há muito tempo. Foram amigos e parceiros em sala de aula diversas vezes – o filósofo foi professor de Lília Chaves na graduação, no mestrado e em vários cursos. Reunir as memórias do amigo representou saudades e felicidades para a professora.

“Ao organizar esse livro de homenagens e de memórias, além de descobrir sempre alguma coisa nova sobre ele nas palavras de todos os amigos que colaboraram com seus depoimentos, senti que a leitura que fiz de algumas páginas inéditas de Benedito Nunes iluminou ainda mais – se é que isso é possível – a sua lembrança querida”, revela Lília Chaves. 

A obra segue o mesmo padrão do livro “O amigo Chico” – que homenageia o professor Francisco Paulo Mendes – e traz uma cronologia da vida e da obra de Benedito Nunes, falecido em fevereiro de 2010. 

Além dos depoimentos, “O amigo Bené” ainda apresenta textos inéditos e raros, fotos e manuscritos do acervo pessoal do filósofo. Nos escritos, Benedito Nunes comenta fatos do seu cotidiano, mas, principalmente, dos livros que lia, dos ensaios que escrevia - e dos que planejava escrever - e dos amigos que o cercavam. 

FICHA TÉCNICA – DOCUMENTÁRIO 

Direção geral: Júnior Braga; Direção: Aladim Júnior e Guaracy Jr. ; Produção Executiva: Lygia Maria e Rodrigo Cardozo; Produção: Helaine Cavalcante; Direção de Fotografia: Max Lima e Elias Dias; Imagens: Jacob Serruya, Hélio Furtado, Carlos Araújo; Montagem: Mário Costa; Finalização: Aladim; Jr. Pesquisa: Júnior Braga e Lygia Maria; Consultoria: Victor Sales Pinheiro e Maria Sylvia Nunes. 

(Com informações da assessoria de imprensa da Funtelpa)

24.11.12

Monarcha e Lenora Brito apresentam Gentil Puget


O recital integra a programação do Festival de Ópera do Theatro da Paz. A obra do compositor será interpretada pela soprano Carmem Monarcha e pela pianista Lenora Brito, num espetáculo dirigido por Maria Sylvia Nunes. Domingo, 25, na igreja de Santo Alexandre, às 20h, entrada franca.

Quem foi Gentil Puget? A questão que surgiu desde que o XI Festival de Ópera do Theatro da Paz divulgou o recital em homenagem ao centenário do compositor paraense não é fácil de ser respondida. 

Contemporâneo a Waldemar Henrique e do mesmo grupo artístico de Bruno de Menezes e Dalcídio Jurandir, modernistas que tinham um ideal de fazer com que a música do Pará brilhasse, ao firmar uma personalidade regional a ela, Puget era um homem tímido e morreu cedo, antes de completar 40 anos, no Rio de Janeiro. Sua família era contrária a sua carreira artística e por isso apresenta-lo ao público foi um desafio assumido pela direção do festival, que convidou três mulheres para assumir esta missão.  

Para apresentar a obra de Puget aos paraenses, a cantora lírica Carmen Monarcha e a pianista Lenora Brito se uniram em um processo de resgate e homenagem, dirigido pela intelectual Maria Sylvia Nunes. A tríade paraense peneirou em parcos documentos a história e face de Gentil Puget e destrinchou suas partituras em busca de sua música e seu ritmo. 

O espetáculo promete a interpretação magnífica de Carmen Monarcha, reconhecida por sua performance nos palcos nacionais e internacionais e o acompanhamento impecável de Lenora Brito, uma das maiores pianistas do estado. 

Maria Sylvia, que assina a direção do recital, falou sobre o processo de pesquisa e concepção artística da apresentação. “Apenas algumas pessoas ouviram falar em Gentil Puget, mas quase ninguém conhece a sua obra, a não ser as pessoas contemporâneas a ele. Era algo que estávamos devendo a todos, fazer uma mostra do que ele fez, fazê-lo conhecido", diz. 

"A ideia de homenageá-lo partiu do Dr. Gilberto Chaves, que me convidou a participar do espetáculo, aceitei imediatamente. As canções de Gentil Puget são bastante populares, algumas são como pontos de macumba, outras tipicamente folclóricas e outras entoam a velha tradição da seresta. O pouco que existe sobre a vida e trajetória dele está abrigada no Museu da UFPA É um prazer revelar este autor ao público”, comemora Mara Sylvia.

Carmen Monarcha veio a Belém especialmente para a homenagem. Em maio deste ano a cantora esteve em Belém e realizou os primeiros ensaios e retornou agora para afinar os últimos acordes. “É uma grande emoção estar revelando este compositor para o público paraense. Fazer isso ao lado de Lenora e Maria Sylvia, que são duas pessoas de quem sou muito próxima é ainda melhor. Gentil Puget é um grande autor, tão pouco conhecido. 

Participar desta descoberta, revelar este repertório que possui o nosso palavreado, que representa nosso povo, nossos costumes é muito bom e muito importante para a cultura do Pará”, diz a soprano. 

As composições de Gentil Puget giram em torno de temas regionais. Suas canções cantam os caboclos, os mitos e cotidiano do povo paraense, característica do movimento modernista que valorizava os traços específicos da cultura brasileira e regional. A pianista Lenora Brito avalia as razões do compositor ser tão pouco conhecido.

“É muito complicado a pessoa ser contemporânea de um grande nome, isso aconteceu com Bethoven e Schubert em Viena, entranto hoje Schubert é um compositor consagrado, considerado o criador dos líder, canções alemães. O Puget ficou meio engolido pela personalidade e sorte do Waldemar que tinha a sua irmã Mara para cantar. O Gentil estudava música escondido, seus pais não queriam que ele fosse artista, e não tinha nenhuma interprete para cantar suas composições”, lamenta Lenora. 

Segundo Celeste Proença, Puget era um homem tímido e reservado. O compositor era muito amigo da família da professora e costumava passar as tardes na casa dos pais dela tocando piano, compondo e cantando com as jovens Celeste e Adalgiza. 

“Ele era muito amigo da minha família, um homem muito educado, fino, inteligente e talentoso, mas muito acanhado. A família dele não gostava que ele fosse músico e atrapalhava como podia a verve artística dele. 

Na casa de meus pais ele encontrava conforto e nós cantávamos muito suas belas canções. O recital do dia 25 é muito merecido, apresentar as composições dele para o público é maravilhoso”, disse Celeste.

Gentil Puget, depois de encontrar grandes dificuldades de firmar sua carreira em Belém mudou-se para o Rio de Janeiro no começo da década de 30. Em terras cariocas ficou amigo de Eneida de Moraes, conhecida por acolher os paraenses que chegavam na Cidade Maravilhosa. Lá ele adquiriu hábitos ainda mais boêmios dos que já tinha em Belém e uma tuberculose lhe tirou a vida, antes de completar quarenta anos. 

A comemoração de seu centenário, planejada pelo XI Festival de Ópera do Theatro da Paz, pretende fazê-lo conhecido do grande público paraense e permitir a ele o espaço que merece na história da música e cultura do estado. Promete ser um dos momentos inesquecíveis do evento.

Serviço
Na programação do XI Festival de Ópera do Theatro da Paz. Estreia da ópera de Salomé, 24, às 20h, no Theatro da Paz. Recital Centenário de Gentil Puget, neste domingo, 25, às 20h, na Igreja de Santo Alexandre, com a soprano Carmem Monarcha e a pianista Lenora Brito. Direção de Maria Sylvia Nunes e iluminação de Rubens Almeida. Nos dias 26 e 28 haverá récita da ópera Salomé, às 20h. O encerramento do evento será dia 1º de dezembro, às 20h, em frente ao teatro. Patrocínio Secult, Governo do Estado, com realização do Theatro da Paz e apoio da Academia Paraense de Música e Fundação Amazônica de Música. Mais informações: 4009.8750.

(Agência Pará - Fotos: Rodolfo OLiveria/Texto: Julia Garcia)

28.2.11

Pará perde o grande filósofo Benedito Nunes

Benedito Nunes. Foto: Elza Lima                                                      
Texto de Augusto Pacheco, da assessoria de imprensa da Secult.

Na manhã de domingo, 27 de fevereiro, o estado do Pará lamentou a perda de um dos seus maiores pensadores com o falecimento do filósofo Benedito Nunes. 

O corpo foi velado na Igreja de Santo Alexandre, que faz parte do complexo Feliz Lusitânia, na Cidade Velha.

Nesta segunda, 28, foi realizada uma missa de corpo presente, ainda na igreja, com participação de familiares, amigos e a execução de "Sonata ao Luar", de Beethoven. Após a missa, foi realizada a cerimônia do adeus, reservada aos familiares, seguindo para o processo de cremação do corpo (respeitando o desejo do escritor), em um cemitério particular no distrito de Marituba. Aos 81 anos, Benedito Nunes se preparou, nos últimos meses, para uma batalha entre o corpo e uma sequência de problemas físicos.

Desde o dia 15 de fevereiro internado no Hospital Beneficente Portuguesa, o quadro avançava para as consequências de uma deficiência renal (já em estado prolongado), com uma parte dos rins paralisada e a outra parte funcionado com a capacidade de apenas 30%; além de complicações pulmonares e coronárias. 

Ao lado de Maria Sylvia Nunes, no seminário Amazônias, em outubro de 2010
Neste domingo, pela manhã, o escritor sofreu uma parada cardíaca, decorrente das complicações e do sangramento de uma úlcera, que os médicos não conseguiram estancar. 

Assim que soube da notícia, o governador Simão Jatene se manifestou sobre a morte de Benedito Nunes. "Em nome de todos os paraenses, agradeço a inestimável contribuição do mestre Benedito José Nunes à cultura do país.

A sua dedicação como escritor, crítico de arte, filósofo e professor é irretocável. Mais ainda, sua grandeza como paraense se revelou quando recebeu convites irrecusáveis para trabalhar em outros centros, no Brasil e no exterior, mas escolheu o Pará como destino e lugar para viver e construir a sua vasta e admirável trajetória intelectual. O Pará, reconhecido, saberá honrar a sua memória".

Segundo o Secretário de Estado de Cultura, Paulo Chaves Fernandes, o Pará perde um sábio, um exponencial de nossa cultura. Ensaísta, crítico de arte e professor de filosofia, Benedito Nunes fazia questão de permanecer fiel às suas origens, e na sua terra, mesmo depois de tantos convites para lecionar em outras universidades no Brasil e no mundo, onde ministrava cursos, palestras e conferências. Incansável, nos últimos anos ministrava seminários no Centro de Cultura e Formação Cristã, da Arquidiocese de Belém, em Ananindeua.

Imagem da exposição em sua homenagem, na Unama (2010)
“Uma perda considerável. Estamos tristes, órfãos da luminosidade que ele irradiava, mas que vai continuar por meio de sua extensa obra, que irá servir como exemplo, como modelo, não só na área específica da cultura, como em outras áreas do pensamento”, explica Paulo Chaves.

De perfil enciclopedista, porém, muito simples, Benedito Nunes era também conhecido pela sua generosidade e capacidade de ser um bom ouvinte, pois gostava de ouvir os outros, suas opiniões, os pontos de vista defendidos pelos seus alunos.

“O legado de sua obra é inestimável; um lugar que irá permanecer vazio, já que hoje, nas universidades, estamos cada vez mais especialistas. Era o professor que estimulava seus discípulos na construção de seus próprios caminhos e não como discípulos cães de guarda que seguem os ritos da sociedade de consumo”, assinala o professor de Filosofia Ernani Chaves.

Legado - Benedito José Viana da Costa Nunes nasceu em 21 de novembro de 1929, sendo um dos fundadores da Faculdade de Filosofia do Pará. Com a vida voltada para o estudo a Filosofia e Literatura, o professor e ensaísta Benedito Nunes é, reconhecidamente pelas instâncias de legitimidade acadêmica, um dos maiores especialistas na obra de pensadores como Nietzsche, Kant e Heidegger, num entrelaçamento de idéias em que a poesia e a filosofia podem se complementar sem a perda de suas especificidades, na busca de novas dimensões para a obra de Guimarães Rosa, Clarice Lispector, entre outros.

Foto histórica à época do Norte Teatro Escola do Pará
 Casado com a professora de Teatro Maria Sylvia Nunes, de quem era inseparável, Benedito Nunes recebeu o Prêmio Jabuti de Literatura em 1987 e no ano passado e o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, também em 2010, entre muitos outros de importância no cenário nacional e internacional.





Obras

  • Passagem para o poético - Filosofia e Poesia em Heidegger, 1968
  • O Dorso do Tigre (Coleção Debates - ensaios literários e filosóficos), 1969
  • João Cabral de Melo Neto (Coleção Poetas Modernos do Brasil), 1974
  • Oswald Canibal (Coleção Elos), 1979
  • O tempo na narrativa, 1988
  • O drama da linguagem - Uma leitura de Clarice Lispector, 1989
  • Introdução à Filosofia da Arte, 1989
  • A Filosofia Contemporânea, 1991
  • No tempo do niilismo e outros ensaios, 1993
  • Crivo de papel (ensaios literários e filosóficos), 1998
  • Hermenêutica e poesia - O pensamento poético, 1999
  • Dois Ensaios e Duas Lembranças, 2000
  • O Nietzsche de Heidegger, 2000
  • Heidegger e Ser e Tempo, 2002
  • Crônica de Duas Cidades - Belém e Manaus, 2006 - em co-autoria com Milton Hatoum.
Fonte: Agência Pará de Notícias, com fotografia de Elza Lima e da exposição em sua homenagem , realizada no ano passado, na Galeria Graça Landeira (Unama), durante o Fórum de Letras e Seminário Cultura e Pensamento (acervo Holofote Virtual).

8.8.10

Não perca. Começando hoje!

Uma semana inteirinha para curtir teatro. O Territórios chega em seu terceiro ano. Logo mais, às 10h, a abertura com o Pássaro Tucano dá início a uma grande jornada que se espalhará por vários pontos da cidade. Fique atento aos locais, espetáculos e os horários para aproveitar ao máximo.

Ao todo serão apresentados 24 espetáculos, chegando a exibição de até quatro por dia.

Na programação, a oportunidade de ver espetáculos que, apesar de terem ficado longa temporada em cartaz, ainda tem muita gente que não viu, como "Abraço", com o Cláudio Barradas, e também alguns que ficaram em curtíssimas agendas, como espetáculo de marionetes "Contos da Floresta".

O In Bust está com duas peças: "Sirênios" e "O Conto que eu vim Contar".

Já os Palhaços Trovadores retornam com o excelente "Mão de Vaca", assim como A Casa da Atriz, de Yeyé Porto, reapresentará "A Troca e a Tarefa".

A maioria dos espaços tem endereço já conhecido para o público, como o Teatro Maria Sylvia Nunes, o Anfiteatro da Praça da República e até memso o Teatro Cláudio Barradas, que fica na Escola de Teatro de Dança da UFPA, na Jerônimo Pimentel com a Dom Romulado de Seixas. O Casarão do Boneco, na 16 de Novembro, 815 e a Casa da Atriz, na Oliveira Belo, 95, entre Generalissimo e D. Romulado de Seixas.

A Praça e o Memorial Indígena, no Ver-o-Rio, como o Maria Sylvia Nunes, entram pela primeira vez como espaço da programação. Também vão receber espetáculos, o Teatro Fundação Curro Velho (Na Fundação Curro Velho), o Teatro Porão Unipop (Na Senador Lemos, 557) e o Teatro Cuíra. Abaixo a programação completa.

A entrada é franca, mas os espetáculos apresentados em locais fechados terão como ingressos a doação de 1 Kg de alimento não perecível, que serão doados à instituição Paravida. Mais informações no blog do evento.

Dia 08 - Abertura

Teatro Universitário Cláudio Barradas -10h - PÁSSARO TUCANO

Casarão do Bonecos - 20H - MORGUE INSANO AND COOL

Dia 09

Anfiteatro da Praça da República – 19h30 - O MÃO DE VACA

Teatro Cuíra - 21h – ABRAÇO

Teatro da Fundação Curro Velho – 19h – UMA FLOR PARA LINDA FLORA

Dia 10

Casarão dos Bonecos – 19h - SIRÊNIOS

Anfiteatro da Praça da República – 19h30 - CONTOS DA FLORESTA

Teatro Cuíra - 21h – IRACEMA VOA

Dia 11

Casarão do Bonecos – 19h - O CONTO Q EU VIM CONTAR

Anfiteatro da Praça da República – 19h30 - PERIFÉERICO

Teatro Cuíra - 21h – ÚTERO

Dia 12

Teatro Cuíra - 21h - SEM FLOR, SEM PERFUME, SEM MARGARIDA

Teatro da Fundação Curro Velho – 19h-RETALHOS DE HOLANDA

Teatro Porão Cultural da Unipop - 20h - A MULHER MACACO

Teatro Universitário Cláudio Barradas – 21h – CORPO SANTO

Dia 13

Teatro da Fundação Curro Velho – 19h - ÁGUAS DE MARIANA

A Casa da Atriz – 19h – A TROCA E A TAREFA

Teatro Universitário Cláudio Barradas – 21h – MEIO DIA DO FIM

Dia 14

Praça Ver-o-Rio 17h – Grupo de Experimentação Teatro Miniatura

Memorial dos Povos Indígenas – 19h – 6 MESES AQUI

Teatro da Fundação Curro Velho – 19 - QUEM TEM RISO VAI A LONA

Teatro Universitário Cláudio Barradas – 21h – FROZEN

Dia 15

Teatro Universitário Cláudio Barradas – 18h – DONS DE QUIXOTE

Teatro Maria Sylvia Nunes - 21h - IN BETWEEN

26.2.10

In Bust faz apresentações no Casarão do Boneco e no Teatro Maria Sylvia Nunes

Serão as primeiras apresentações abertas do grupo em 2010.

O grupo vinha trabalhando até então internamente, envolvido nas reuniões setoriais de teatro para a Conferência Nacional de Cultura que ocorrerá no mês de maio, em Brasília, e no planejamento de seus próximos projetos.

Com saudades do contato mais direto com o público, para este retorno, o grupo escolheu dois espetáculo clássicos de seu repertório.

Ambos circularam durante o ano de 2009 em várias comunidades de Belém e por municípios paraenses, através dos projetos “Sábado Comunidade” e “Bonecos na Estrada – Em Caravana”.

O espetáculo Fio de Pão, a lenda do Cobra Norato será a atração de sábado, 27, no Casarão do Boneco, a partir das 19h. O espetáculo é uma deliciosa comédia sobre a lenda da cobrinha que quer virar gente. É toda contada e cantada, por uma família nordestina, através do cordel. Além disso, interativo, pois o In Bust praticamente coloca o público na cena.

Este ano, o In Bust alterou um pouco sua agenda de apresentações no Casarão do Boneco. Os sábados, por exemplo, não serão mais alternados. Agora, haverá uma apresentação mensal, aberta ao público, geralmente no último sábado de cada mês.

“A gente precisou reduzir um pouco a atividade frequente e periódica no Casarão, pois estamos com a meta de sair para festivais brasileiros de teatro de formas animadas e não temos como prever as datas, já que estes festivais dependem de apoios para acontecer. Então, a qualquer momento podemos ter confirmações de viagens”, explica Paulo Ricardo, integrante do grupo.

No domingo, 28, “O Curupira – Um Milhão de Nós”, que também provoca risos na platéia, além de um medinho quando o menino dos pés virados pra trás aparece em cena, será apresentado no Teatro Maria Sylvia Nunes, a partir das 17h30. As duas apresentações terão entrada gratuita.

Gravação - A apresentação de O Curupira será gravada em vídeo e fará parte do material que será enviado para os referidos festivais a serem realizados durante este ano em vários estados brasileiros. Por isso, a presença do público é indispensável.

Novo projeto - A partir de março, o In Bust também inicia uma agenda de ensaios do espetáculo “Catolé e Caraminguás”, o mais recente do grupo, montado com apoio do Prêmio Cláudio Barradas – de fomento às artes cênicas da Secult-Pa.

É que nos mês de maio, haverá saídas do grupo rumo aos municípios de Rondon do Pará, Marabá, Cametá e Abaetetuba. É o “Circula Catolé”, projeto vencedor do Prêmio de Teatro Miryan Muniz, da Funarte.

Serviço
Apresentações do grupo In Bust Teatro com Bonecos neste final de semana. No sábado, dia 27: "Fio de Pão - A Lenda da Cobra Norato", às 19h no Casarão do Boneco. No domingo, dia 28: "O Curupira – Um Milhão de Nós", às 17h30, no Teatro Maria Sílvia Nunes, na Estação das Docas. Entrada franca nos dois eventos. Mais informações: 91 8110.5245 ou 91 8134.7719.

27.5.19

Amazônia Doc abre sua 5a edição nesta semana

A abertura contará com homenagem à professora e crítica de cinema Maria Luzia Miranda Alvarez e exibição do documentário “Torre das Donzelas”, da diretora Susanna Lira - vencedor do melhor documentário no Festival do Rio em 2018, e bate-papo após a sessão. O 5o Amazônia Doc abre nesta quinta-feira, 30, às 18h30, no Teatro Maria Sylvia Nunes e vai até 7 de junho, com atividades de formação e debates, além de duas mostras competitivas, sessões especiais e lançamentos.

O festival ocorrerá em mais de um espaço da cidade. O Cine-Teatro Maria Sylvia Nunes e o Cinema Líbero Luxardo sediam as exibições de filmes, já o Sesc Ver-o-Peso recebe as oficinas e mesas-redondas, numa programação que acompanha as mudanças da tecnologia e da sociedade. “Percebo uma grande mudança na realização de documentários e existe hoje uma diversidade de formatos e de protagonismos dessa produção, que é imprescindível para estabelecer uma reflexão profunda sobre o documentário contemporâneo”, afirma Zienhe Castro, coordenadora geral do evento, após sete anos de pausa desde a última edição, em 2012. 

Além das mostras competitivas, com 30 filmes, entre longas, médias e curtas metragens, o evento também traz sessões especiais apresentando temas urgentes e estéticas inovadoras, que vão desde o clássico até o documentário experimental. Estão programados também quatro painéis de debate, três dias de masterclass com Alice Riff para alunos da Escola Pública Estadual e uma oficina sobre “Documentários de Impacto”. 

Mostras competitivas 

O evento recebeu 350 inscrições de filmes dos nove países da Pan-Amazônia, com grande número de documentários brasileiros, e diversidade de formatos. Na Mostra Pan-Amazônia, 21 filmes estão concorrendo, entre curtas, médias e longas, vindos de estados brasileiros e de outros países como Peru,  Bolívia, Equador e Colômbia. Para a Mostra Amazônia Legal, são nove filmes, também de formatos variados, sendo seis documentários de cineastas paraenses. 

A seleção foi realizada em abril pelo comitê de seleção formado por por Manoel Leite, Zienhe Castro, Felipe Pamplona, Marco Antônio Moreira e Carol Abreu. Os vencedores serão conhecidos no dia 07 de junho, na Sessão de Encerramento, durante a cerimônia de premiação nas categorias “Júri Oficial” e “Público”, quando serão entregues os troféus de miriti feitos pelo artesão Ronaldo Guedes. 

Os painéis/mesas iniciam dia 3 de junho com a exibição de “Caminho da Vacina” e “Doença de Chagas: encontrando uma geração”, com Victoria Servillano, produtora do Médico Sem Fronteiras e mediação de Zienhe Castro. O “Mercado Audiovisual”, com Marina Pompeu (Canal Brasil), Renée Castelo Branco (GLOBO News) e Angélica Coutinho (ANCINE) e Mediação de Carol Abreu, será no dia 5; e no mesmo dia às 18h30 a mesa “Nós Documentaristas” reúne Susanna Lira (cineasta), Ursula Vidal (secretária de Cultura – PA), Alice Riff (cineasta) e Keila Serruya (cineasta), com mediação de Zienhe Castro. 

No dia 6, a mesa aborda “Projetos que mudam o mundo”, com Josi Campos (Plataforma VideoCamp), Lívia Almendary (PlataformaTaturana) e Lília Melo (Cineclube TF), trazendo relatos sobre produção/realização de filmes com DNA Social e os impactos que os mesmos causam na sociedade.

Mulheres em foco

Tendo a concepção do cinema como uma ferramenta política,  esta edição tem o foco nas mulheres - seja na predominância da equipe, com 75% de nomes femininos na produção do evento, seja na escolha do júri totalmente formado por mulheres, ou mesmo na seleção dos documentários para as mostras competitivas. 

“Nosso Júri Oficial este ano é constituído por 10 mulheres incríveis, nossa produção conta com 17 mulheres na equipe e 10 homens e nossos painéis/debates serão formados por mulheres, e ainda, dos 30 filmes selecionados para as Mostras Competitivas, 12 filmes são de diretoras mulheres. Temos uma forte representação da mulher nesta 5a. edição. Era um desejo antigo possibilitar esse momento de encontro, de conversa entre nós realizadoras, produtoras, diretoras, roteirista, professoras e críticas de cinema”, explica Zienhe Castro. 

O festival também terá lançamentos de novas produções audiovisuais, como a pré-estreia de “Explosão da Ilha”, de Leo Chermont, e “Boi Pavulagem é Boi do Mundo”, de Ursula Vidal e Homero Flávio. No encerramento serão lançados o curta “Perspectivas”, produzido pelo Cine Clube TF com direção de Arthur Costa, e o longa documentário “Amazônia Groove”, do diretor Bruno Murtinho. 

Confira programação completa: http://amazoniadoc.com.br/

5.12.11

Wlad Lima e a cena híbrida do teatro paraense

Wlad Lima (Ensaio: Bob Menezes)
Ela tinha pouco mais de dois anos de idade quando era fundado, em 1963, o curso livre de teatro da universidade, o embrião da Escola de Teatro e Dança da UFPA, que hoje oferece cursos técnicos, duas licenciaturas e ainda programas de extensão como o GTU. Integrante da geração de 80, que aprendeu teatro na prática dos grupos, Wlad Lima, que acabou de completar meio século de vida, no último dia 03, é uma das grandes responsáveis pelo teatro que se faz hoje em Belém dentro ou fora da universidade. Em entrevista ao Holofote Virtual, ela nos conta como sua história corre paralelamente a do teatro paraense mais recente, fala de suas reflexões sobre a atual produção da cidade e do momento por que passa a ETDUFPA.

Articuladora da Rede Teatro da Floresta, mais de 30 anos de carreira. A atriz, cenógrafa e diretora de teatro, além de professora e pesquisadora da ETDUFPA – Escola de Teatro e Dança da Universidade Federal do Pará, já atuou, dirigiu e ainda é ligada a grupos como o Cuíra do Pará e a Dramática Companhia, sem falar das consultorias e rápidas participações em novas montagens, sejam elas dentro ou fora da Universidade Federal do Pará. 

Para Wlad Lima, neste segmento artístico, nós temos de um tudo e para todos os gostos. Nos últimos dois anos, Belém viu montagens de linguagens diversas. “Aldeotas – Lugar de Memórias”, com texto de Genro Camilo, do Grupo Gruta de Teatro, privilegia o ator como também vemos em "Eutanázio e o princípio do mundo", inspirado na obra do escritor e romancista Dalcídio Jurandir, montagem do grupo Usina Contemporânea de Teatro.

Mais na linha híbrida entraram em cartaz o performático “Red Bag”, de Jefferson Cecim, e o poético teatro de sombras tridimensionais do Miasombra, em “A Sombra de Dom Quixote”, e “Sem Dizer Adeus”, do Cuíra, entre outros. 

O Pequeno Grande Aviador (GTU)
Marcante também é a nova produção universitária que vem sendo mostrada à cidade, nas constantes estreias e temporadas dos trabalhos montados e apresentados pelo GTU da ETDUFPA. 

Outra faceta dessa diversidade são os espaços alternativos, abertos pelos próprios grupos, para difundir o que é produzido, mas não entra na pauta dos poucos teatros existentes na cidade. 

Além do Teatro Porão Puta Merda, comandado pela própria Wlad, a Casa dos Palhaços Trovadores, o Casarão do Boneco do In Bust, o Teatro do grupo Cuíra, o Estúdio Reator, de Nando Lima, e a Casa da Atriz, residência onde pai (Paulo Porto), mãe (Yeyé Porto) e filhas (Luciana e Juliana)se dedicam ao fazer teatral, também são exemplos disso. Neste sentido, importante dizer que o Teatro Universitário Cláudio Barradas tem, de certa forma, sanado esta lacuna, abrindo as portas não só para o que é produzido dentro da universidade. 

“Temos um teatro corajoso, que possui formatos quebrados, mas também o mais convencional. É assim em toda parte do mundo, onde se questiona a forma, o jeito de fazer, quer outros formatos, invade todos os lugares, invade toda a cena, desde a caixa preta, do teatro italiano, aos espaços livres da cidade, como os porões, como é o meu caso há mais de 20 anos, e vai pra rua”, diz. 

Mas para chegar e se compreender o momento atual, é preciso voltar uns 60 anos. Recente mesmo, esta história, segundo Wlad, tem muitas versões. “São vários documentos vivos que estão aí”, diz. 

A turma do Teatro Norte Escola
Wlad refere-se à Margarida Schivasappa, Maria Sylvia, Benedito Nunes, Cláudio Barradas, Paes Loureiro e Paraguassú Éleres (Leia dele, Teatro de Vanguarda) e outros tantos, que viveram entre os anos de 1950 e 1960, um dos momentos férteis do nosso teatro, que vai da fundação do Norte Teatro Escola - grupo que reunia não só atores, mas também intelectuais da cidade - até a criação do curso livre de teatro da universidade.

“O Teatro Norte Escola era um grupo muito forte, influenciado pelo Paschoal Carlos Magno  (fundador do Teatro de Estudantes do Brasil) e que queria dialogar com vários estados. É esta turma que forma a escola de teatro da UFPA e influencia toda uma nova geração”, conta. 

Pesquisadora engajada e interessada, além de uma leitora voraz de tudo que tem a ver com teatro, arte e filosofia, Wlad Lima tem uma agenda sempre cheia de compromissos, acadêmicos principalmente. Apesar disso, ela encontrou um tempo para receber o Holofote Virtual em sua biblioteca (incrível), no Teatro Porão Puta Merda, seu atelier-residência no bairro da Campina, em pleno centro comercial de Belém.

Holofote Virtual: Onde começa a história mais recente do teatro paraense? 

Wlad Lima: O que temos agora se cria entre 1950 e 1960, e vem como uma pororoca arrastando tudo e depositando coisas em outros lugares para desaguar num grande mar, muito misturado, hibrido,liquido. Mas há várias versões que ainda estão aí. Há documentos vivos da história, como Maria Sylvia, Paes Loureiro, Nilza Maria e Claudio Barradas, entre outros tantos. 

Paschoal com Benedito e Maria Sylvia Nunes
Holofote Virtual: A turma dos anos 50, que criou o Norte Teatro Escola... 

Wlad Lima: Sim, é quando temos Margarida Schivasappa que ainda trabalhou com esta turma. Pascoal Carlos Magno foi o homem que fez o Teatro de Estudantes do Brasil e passou por todo o país contaminando a todos com seu ideal, de fazer teatro em todo os estados do país, e que talvez tenha sido a pessoa que começou a descentralizar o teatro feito em são Paulo e Rio de Janeiro. 

O Teatro Norte Escola reunia pessoas que faziam teatro. Mas nem todos eram atores, eram intelectuais da cidade, literatos, filósofos, poetas. Estávamos nos anos 50, quando o rádio está no seu ápice, temos as radionovelas e a implantação da Televisão. Tudo que vem dai, forma o Norte Teatro Escola. 

Holofote Virtual: O que vem depois deles e acaba desencadeando um grande movimento nos anos 80?

Wlad Lima: Nos anos 70 e 80, tivemos uma explosão de grupos que surgem e se firmam como o Gruta, o Experiência, e o Cena Aberta. Cláudio Barradas, que permanece na cena, continua formando outros atores. Na cidade, tínhamos Luis Otávio Barata, principal colaborador do Cena Aberta, além de Walter Bandeira, Margaret Refskalefsky e Zélia Amador de Deus. 

Lembro que o Teatro da Paz vivia fechado para manutenções. É de fato um teatro especial, que precisa de atenção. Foi tantas vezes fechado para a categoria teatral que hoje nem sentimos mais falta dele, que definitivamente entrou na linha do teatro monumento. Mas na época, quando ele fecha, a classe teatral vai pra rua e grita que quer um espaço. Isso acontece em1975. Já em 1979, o experimental Waldemar Henrique é inaugurado.

Neste mesmo ano é renovada a entidade de representação da categoria, que passa a se chamar FESAT – Federação de Atores e Técnicos de Teatro do Pará. Chegamos aos anos 80 e 90 com novas perspectivas. 

Holofote Virtual: Foi aí você entrou no movimento teatral? 

Wlad Lima: Eu sou resultado da década de 70. Considero que esta história faz um grande triângulo, onde eu me coloco no meio: Teatro Escola Norte, dos anos 70 e 80 e finalmente dos 90 e 2000. Quando entrei para a escola de teatro, ela funcionava na Rua Padre Prudêncio. Antes ficava na Trav. Quintino, onde houve um incêndio, perdendo-se muitos documentos importantes desta história. 

Na Padre Prudêncio, porém, a escola já estava decadente, já era penúria. Mas ficava bem localizada, perto da Praça da Republica, do Waldemar Henrique, da escadaria do Teatro da Paz e do Bar do Parque. 

Entro para o teatro num momento muito efervescente, político e de organização também. A década de 80 é uma década incrível, pois surgem todos os grupos, o Palha, Gruta, Cuíra, além da Unipop. 

Holofote Virtual: Como foi o processo para que tornar o curso livre de teatro em graduação?

Wlad Lima: Foi um caminho muito longo. Paralelo à explosão da categoria na década de 80, a escola ainda estava muito decadente. Eu fazia o curso livre, mas saí dele em 1981, quando a direção nos chamou para dizer que quem fazia o curso livre não podia fazer parte de grupos. 

Eu e Olinda (Charone), alunas do terceiro ano dissemos ‘tudo bem, então vamos ficar nos grupos e sair da escola’. Voltamos em 1986, numa atitude muito pessoal, pois queríamos estudar teoria, porque nos grupos tínhamos só a prática. 

Chego a ser professora colaboradora da escola, mas no finalzinho dos anos 80 saio novamente. E neste momento, surgem outros espaços de formação, fundamos a Unipop e aparece a Fundação Curro Velho, e tudo o que eu e Olinda não conseguimos implantar na escola fomos fazer isso nestes lugares. 

Com a criação do Núcleo de Artes - Nuar - , em 1991, inicia-se um novo processo e em 1993, através dele, abrem-se as primeiras vagas para professor na já chamada Escola de teatro e Dança da UFPA, isso depois de mais de 20 anos. 

Então entramos eu e Miguel Santa Brígida em Teatro, Waldete Brito e Lenora Brito, em dança. Foi aí nos começamos o trabalho que se mostra hoje. Depois começamos a chamar pessoas da categoria, como Walter Bandeira, Marton Maués, Olinda Charone, para escola. Eles atuavam como professores colaboradores, convidados, até que mais vagas são abertas pela universidade, para professores, tanto de teatro como pra dança. 

Em 1994, resolvemos organizar uma eleição pra mudar a direção na escola. Miguel é eleito e aquela turma antiga que tinha entre seus expoentes Cláudio Barradas sai de cena, ao não compor com as novas diretrizes que queríamos dar. Isso nos assustou, mas ganhamos apoio da direção da universidade, que tinha Zélia Amador de Deus, Margaret Refskalefsky e o Alex Fiúza de Melo, pro reitor na época (1991), e depois reitor (2005). 

"Em Nome do Rio" (GTU)
Holofote Virtual: Foram longas décadas até que a escola deixasse de ser um curso livre... 

Wlad Lima: Foram 20 anos só como curso livre. Depois ainda levamos mais uma década para a regulamentação dos cursos técnicos. É que achávamos um absurdo as exigências do MEC. Não concordávamos com a conformidade nacional por achar que a realidade regional deveria ser vista por eles e só quando fomos ouvidos é que as coisas puderam acontecer. 

Holofote Virtual: Depois disso, veio o processo para a implementação das licenciaturas... 

Wlad Lima: Sim. Quando o Alex (Fiúza de melo) assume a reitoria da UFPA, ele vem com tudo. Mexe em sua estrutura administrativa e organizacional, e se a torna modelo pra muitas universidades do Brasil. Tivemos o primeiro Instituto de Ciência da Arte – o ICA, um trabalho importante que teve à frente o Afonso Medeiros e sua equipe. E aí, juntamos todos os cursos de linguagem artística, como teatro, música, artes visuais. 

Abre-se o Programa de Pós Graduação em Artes – PPGARrte - e começamos a ir atrás das licenciaturas para o teatro e a dança. Para isso era necessário que se formasse uma equipe de doutores e fizemos a pergunta a todos que estavam envolvidos. Vamos sair? Saímos, dezessete, ao mesmo tempo. A Escola ficou só com professores substitutos. Hoje nosso quadro tem 43 professores, e quem ainda não é doutor ou mestre é mestrando.

Holofote Virtual: Há ligação do que se produz academicamente e o teatro que se faz na cidade, pelos grupos? 

Wlad Lima: Alguns grupos se formaram com a saída do curso técnico. A Licenciatura em teatro só iniciou em 2009. Logo, a primeira turma de graduação da escola ainda não saiu, mas tem muita gente que mesmo fazendo a graduação já está em grupos. 

Quem quer fazer teatro na prática tem que fazer bacharelado. Não temos isso aqui, embora esta ainda é a grande demanda da cidade. Como temos licenciatura, estamos incentivando esse outro lado através dos cursos técnicos e mais recentemente do Grupo de Teatro Universitário – GTU - que une graduandos aos estudantes do curso técnico com o projeto Jovens Encenadores. 

O Boi do Romeu no Curral da Julieta (GTU)
Holofote Virtual: Como funciona o projeto? 

Wlad Lima: Estamos proporcionando aos alunos uma estrutura mínima para que eles tenham noção do que é organização de um grupo. Já temos um repertório de sete espetáculos, com as linhas de montagem de teatro e novas mídias, rua e Jovens Encenadores. Dois espetáculos do projeto Jovens Encenadores, ‘O Pequeno Grande Aviador’ e ‘Em Nome do Rio” já começam a ser mostrados fora da escola e até do estado. 

Holofote Virtual: E como era antes do GTU? 

Wlad Lima: Na década de 90, as turmas do curso técnico já saíam formando um grupo ou até mais de um. A Companhia de Teatro Madalenas é exemplo disso. Mas a escola não ofertava tantas coisas como hoje. Acredito que esta oferta tenha dobrado cinco vezes mais. 

Hoje você pode terminar o curso técnico e continuar na escola, na graduação, depois tem o mestrado. Temos quatro cursos técnicos, projetos e mais poder de expansão. Isso faz com que os alunos fiquem na Escola por muitos e muitos anos. É onde tem estrutura. 

Holofote Virtual: Não há caminhos para o teatro fora da ETDUFPA? 

Wlad Lima: Quando o aluno sai da Escola o que ele tem? O que a Secretaria de Cultura te oferece em termos de política pública para o teatro? Não há nem estrutura e nem apoio. Não conseguimos negociar pautas nos teatros, o Waldemar Henrique que era específico da categoria local, está fechado. Não temos editais. Não temos espaço de trabalho. 

Eu fiz um teatro que a gente vivia de outra forma. Hoje, sem editais, os grupos estão mais parados que naquela época, quando a falta de incentivo era até maior, por incrível que pareça. O diversificado da produção de hoje está mais naquilo que você tem como teatro solista, onde os atores fazem solos e participam de vários grupos. Estamos num momento de transição, no meio do caminho. Mas isso não é uma crise. Acho este modelo, aliás, bastante velho, e que oscila muito em todo o país. Onde não se tem apoio, se gera outros formatos, então você tem impressão de que está sempre mudando e está mesmo. 

Foto: Bob Menezes
Holofote Virtual: O teatro paraense ganha repercussão fora do Pará? 

Wlad Lima: Acho muito legal quando vejo alguns trabalhos saírem, como o do Claudio Barros (Solo do Marajó), Mariléa Aguiar (A Muher das Sete Saias), do Nando Lima (Morgue Insano – and Cool), Milton Aires (Makunaíma) e do Jeferson Cecim (Red Bag). Mas ainda é muito pouco o que sai. 

Não temos mais os grandes festivais, onde nos encontrávamos, falamos agora em festivais de breves e curtas cenas. Daqui estamos indo pra onde? Eu sou a favor do teatro de grupo. Tenho produzido pelo Cuíra, colaborado com o grupo do Hudson Andrade, na Casa da Atriz, mas são convites específicos para projetos e isso me incomoda demais. O projeto rola e depois acaba, são de uma temporada apenas, termina o recurso, encerra o ciclo. 

Então ainda tenho trabalhado mais com GTU. Ninguém ganha nada, mas como formação é muito bacana. Eu temo pelo teatro de grupo em Belém, seriamente. Gostaria que desse uma virada. A Escola vai muito bem, mas se não tiver virada desse outro lado, não tem jogo.