7.8.10

Deu Cuíra na Zona

"Boa Noite Cinderela", em cartaz no Teatro Cuíra

O ano era o de 2006, quando o produtor da Ópera “Aquiry - A Luta de um Povo”, um espetáculo grandioso, obra do maestro Mário Brasil, sobre a revolução acreana, andou aqui por Belém.

Estava resolvendo questões de produção do espetáculo e acompanhando os ensaios quando se deparou com uma situação nada agradável. O cenário da ópera, que chegara poucos dias antes da estreia, simplesmente não entrava no Theatro da Paz.

Claro que ele quase enlouqueceu. Onde guarda-lo para fazer os ajustes necessários? Precisava de um galpão. Não só isso, deveria ser um espaço próximo ao Theatro da Paz. Felizmente, ele o encontrou e fácil. Na esquina da Travessa 1º de Março com Riachuelo, um galpão adquirido recentemente pelo Grupo Cuíra de Teatro.

Na época, a notícia de que um grupo independente como o Cuíra, estava conquistando um espaço próprio, no centro da cidade, corria largamente entre o meio artístico e na imprensa.

Graças a isso, não foi difícil para o produtor da Aquiry encontrar o que queria, através da produção local e das indicações que recebeu dos amigos que já tinha na cidade. O Galpão passou então, por aquele período, mais ou menos um mês, sendo ponto de referência para os técnicos que, trabalhando no cenário, ficavam num trânsito entre o Galpão e o Glamouroso Theatro da Paz.

“Nossa eu me lembro muito bem disso. Ficaram aqui, quando ainda estávamos de mudança sem nenhuma infra, pintando todos aqueles painéis”, (foto) comentou Zé Charone, ontem à noite, por telefone, com o Holofote Virtual.

Passados quase cinco anos, o Espaço Cuíra agora é referência na cidade. Instalado em plena zona do meretrício, no bairro da Campina, vem criando projetos e montagens de espetáculos que valorizam e envolvem as personagens reais que vivem naquele entorno e, ao mesmo tempo, provocando suas platéias com espetáculos que mergulham, muitas vezes, neste universo de forma crítica e poética.

Cito à exemplo, o espetáculo inaugural, Laquê, que seria dirigido por Luiz Otávio Barata, diretor de teatro falecido, há quatro anos, no mês de julho, em São Paulo. Além de diretor, Luiz Otávio era amigo de Zé Charone, Edyr Proença, Wlad Lima, Olinda Charone, Cláudio Barros e Papi Nunes, na época todos integrantes do grupo Cuíra. Quando foi finalmente encenada em 2007, lembrando a época em que o meretrício era perfumado por laquê, a peça acabou sendo uma grande homenagem a ele.

O Espaço Cuíra resistiu ao tempo e nestes últimos anos vem aprovando trabalhos dentro da política nacional de editais. Mas no final do ano passado, um passo muito mais importante foi dado e vem marcando de forma profunda a vida de todos do grupo e das pessoas com as quais eles trabalham.

Através do IPHAN, o Teatro Cuíra é, hoje, um Ponto de Cultura, indicação feita, principalmente, por ele estar situado em um bairro tombado pelo Patrimônio Histórico. Estes convênios do IPHAN com diversos outros pontos, vem dotando vários centros de difusão cultural com infraestrutura para o desenvolvimento de seus trabalhos.

Com o Ponto devidamente instalado, em abril deste ano o Cuíra deu início ao projeto “Zolhos da Zona”, que vem sendo desenvolvido junto ao público do bairro da Campina, tendo, entre outros, o objetivo de fazer o registro do lugar, das casas, das pessoas, de suas vidas.

Foram realizados Workshop de Introdução à Linguagem Audiovisual, Intervenção Artística Urbana, Cenografia, Teatro e Figurino, tendo em cada oficina cerca de 20 alunos.

“O Cuíra virou uma usina de produção, com todos os seus espaços ocupados”, diz Edyr Proença (na foto com Zê Charone), escritor e dramaturgo do Cuíra.

O resultado dessas atividades começa a ser mostrado ao grande público neste final de semana, com a estréia do espetáculo “Boa noite Cinderela”, que ficará em cartaz no Teatro Cuíra, sempre aos sábados e domingos (hoje e amanhã, tem), até novembro, quando, ao completar um ano, encerrará o contrato com o IPHAN.

Isso, de alguma forma já começa a preocupar o grupo. “Apesar de aprovar nossos espetáculos em editais, estes nunca nos permitiram adquirir bens permanente, então o Ponto de Cultura veio preencher esta lacuna”, explica Zé.

“Por isso, ao mesmo tempo em que tenho felicidade de poder realizar isso com maior tranquilidade, o fato de estarmos finalizando o processo já nos preocupa. Torcemos para renovar o contrato, pois com o Ponto de Cultura aumentamos a equipe de trabalho, envolvemos várias pessoas desta comunidade que já começam a nos perguntar quando serão as próximas oficinas”, explica.

A atriz e também uma das coordenadoras do projeto diz que esta experiência, além de estar sendo rica, já serviu, inclusive, para definir com mais clareza a vocação do Ponto de Cultura do Cuíra, ali no bairro. “As pessoas que nos procuram, querem fazer teatro”, conclui.

Com texto de Saulo Sisnando e direção de Marluce Oliveira, a peça "Boa Noite Cinderela" é justamente a colagem de testemunhos dos atores, em grande parte, moradores ou profissionais que moram na Campina misturada com o conto de fadas “Cinderela” e o desfile carnavalesco dos Boêmios da Campina, repetindo o mote de “Laquê” (foto).

“Estamos finalizando o projeto. E o Boa Noite Cinderela faz um síntese de tudo que produzimos nas oficinas. A temporada do espetáculo vai até final de novembro, mas pode ser que dê muito certo e a gente estenda por mais tempo”, assim espera Zé Charone, o Grupo Cuíra, os moradores da Campina e nós, o público, também.

Serviço
A peça Boa Noite Cinderela faz as apresentações de estréia hoje, 07, e amanhã, 08. Depois continua em cartaz aos sábados e domingos, até novembro, sempre às 21h, no Teatro Cuíra. Ingressos: R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia).

6.8.10

Seresta do Carmo traz cinema e muita guitarrada

A Seresta do Carmo que acontece hoje, na Cidade Velha, terá gosto de guitarrada. A programação inicia, às 19h, na Praça do Carmo, com mostra cinema e segue com interferência poética do Grupo Extremo Norte, formado por Rui do Carmo, Rita Melém, Renato Gusmão; seguindo com apresentação do Grupo Paranativo e Trio Ternura, encerrando a noite com Mestre Vieira.

A apresentação desta sexta-feira, 06, vai compensar o incidente com a chuva no dia de abertura da quadra junina, na Praça Brasil, no mês de junho, quando Mestre Vieira, seus músicos e comitiva estavam programados e prestes a subir no palco, quando uma daquelas fortes chuvas, típicas da nossa época, caiu e acabou com a festa.

Hoje há de ser diferente. Além do show, Mestre Vieira prometeu trazer os últimos dos exemplares de seu preimeiro CD, gravado de forma independente, no município de Barcarena, no ano passado, o "Guitarrada Magnética".

Ontem, pelo telefone, ele me disse que aguarda a chegada de uma remessa de mais 500 CDs. Por enquanto traz consigo os poucos exemplares que tem em mãos. Quem estiver interessado pode garantir o seu através do telefone 91 8134.7719. De acordo com o guitarrista Gilvaldo Pastana, que pesquisa a obra de Mestre Vieira, em Barcarena, este novo trabalho de Mestre Vieira "traz a mesma textura sonora que emulou o ambiente ribeirinho do Lambada das quebradas vol. 1, mas desta vez, ele não abriu mão da tecnologia", escreveu em seu blog.

Ao juntar de forma original elementos do choro, da jovem guarda e do merengue, Mestre Vieira trouxe para a música do Pará uma nova concepção que em seguida influenciaria diversos compositores e músicos na nova geração.

Para a noite de hoje, o músico, de 76 anos, promete mostrar como fez a guitarrada se tornar uma das mais ricas escolas musicais do país. É ir lá para conferir. A carreira deste mestre que já chega aos 50 anos de dedicação à música será resgatado em DVD, um projeto aprovado pela Lei Semear.

O projeto está em fase de captação, em busca de patrocinadores e apoiadores. Há algumas semanas, estivemos com Mestre Vieira em sua casa que fica em Barcarena. Lá, ele assistiu pela primeira vez a gravação feita há um ano de seu encontro, em Belém, com o guitarrista Herbert Vianna, material que será incluído no projeto dos 50 anos de guitarrada.

Nova programação para as noites do Bocaiúva Café

As férias de verão acabaram. Enfim, o primeiro final de semana do mês de agosto chega e junto com ele as novidades da programação do Bocaiúva Café. Agora a música ao vivo vai de terça a sábado. E já nesta sexta-feira, 06, a banda Tomarock faz uma apresentação especial.


Inspirada no nome de um míssil americano (Tomahawk), a banda é um prato cheio para quem curte o velho e bom rock dos anos 80/90. Tem Lobão, Ultraje à Rigor, Legião, Ira!, Kid Abelha, mas o repertório do grupo inclui também uma trilha internacional recheada de Smiths, Cure, Strokes, U2, New Order, entre outros.

Formada pelo vocalista e guitarrista Floriano, que já foi das bandas Metáfora, A Firma, Los Canalhas e Crystal Reggae; por Marcelo, contrabaixista, e pelo baterista Junior, a Tomarock traz influências da MPB, do grunge, do rock independente. Mas não pensem que vão ouvir cover.

“Com a formação básica de uma banda de rock (baixo, guitarra e bateria) nós fazemos as nossas versões das músicas. Claro que essas canções influenciam nossas próprias músicas, já que todos os integrantes têm projetos autorais paralelos”, explica Floriano. Não perca, será apresentação única.

No sábado, 07, a programação começa ainda de tarde com muito samba, em show de Fábio Moreno e Banda, das 15h às 20h. E seguida, depois das 23h, tem mais rock com a festejada banda Tio Nelson, que durante o mês de julho badalou as noites de quartas-feiras do bar.

Na semana que vem mais coisas novas pintam no pedaço do Bocaiúva Café. Ricardo Smith (violão), Ney Rocha (baixo) e Leonardo Machado (bateria) continuam fazendo a programação de música instrumental. Mas na quinta-feira, Ricardo Smith muda tudo e promete agitar a noite com os clássicos do rock`n roll dos anos 60 e 70.

O Bocaiúva Café terá ainda, às quartas-feiras, telão para o público aficionado por futebol. Quem não curte tanto, finque tranqüilo que em seguida, a noite é de banquinho e violão com muita MPB.

Durante o mês de agosto, o Bociaúva Café também elabora um projeto de ocupação aos domingos. Em breve as inscrições para esta pauta serão abertas a performers e grupos de teatro, coletivos de cinema e de poetas, além de artistas plásticos e demais interessados em expor ou apresentar trabalhos no espaço cultural do Bar.

Serviço
O Bocaiúva Café fica na Trav. Quintino, 1086 (endereço do extinto Café Imaginário). Couvert na entrada: R$ 5,00. Mais informações 3241.5928/8134-7719.

5.8.10

Novo livro de Pedro César Batista tem lançamento em Brasília e Belém

O escritor, poeta e jornalista Pedro César Batista lança hoje, em Brasília, o livro de poemas “Candeeiro do Tempo”. Na verdade, serão dois lançamentos da mesma obra.

Nesta quinta-feira, 05, na capital federal, a partir das 19h30, na Biblioteca Demonstrativa de Brasília - W3 Sul EQS 506/507 e um mês depois, no dia 05 de setembro, um domingo, aqui em Belém do Pará, a partir das 11h, no Bar do Parque, Praça da República.

Com prefácio do jornalista Guido Heleno, capa e ilustração de Léo Pimentel, o livro reúne uma coletânea de poemas que, divididos em três tempos, representam três décadas de produção, em que o escritor se pautou em utopias e sonhos, sempre traduzidos pela palavra escrita.

Autor de “João Batista, mártir da luta pela reforma agrária” (2008), livro sobre o advogado, irmão e único deputado assassinado no Brasil, depois da abertura política, devido sua militância em defesa da reforma agrária, Pedro chega ao 14º trabalho.

O primeiro surgiu no final da década de 1970, intitulado “Tudo tem” (1979). Depois vieram: “E aí” (1980), “Poesia Matutaí” (1982), “Letras Livres” (1982), “Coração de Boi” (1983), “Sonhos reais” (1997) e “63 poemas de amor para uma flor dos pampas no cerrado” (2004). Participou também de coletâneas, como “Revoada de poetas em Ilhéus” (1980) e “Enluadonovo” (1983).

Em 1991, lançou “Conivência e Impunidade” e em 2004, “Gilson Menezes, o operário prefeito”. Em 2006 lançou o romance “Marcha interrompida”, onde denuncia o massacre contra os trabalhadores rurais sem-terra ocorrido em 1996, na cidade de Eldorado dos Carajás (PA).

Em “Candeeiro do Tempo”, o poeta volta a sua veia poética, com poemas como “Iluminado”: “Toda luz vem do céu/ da boca aberta, faminta / por sonhos e beijos”, destacado pelo prefaciador como “pensa e age o poeta cidadão”.

De Brasília, onde trabalha com assessoria de comunicação de movimentos sociais e presta consultoria a órgãos governamentais e não governamentais, além de fazer parte do Movimento de Olho na Justiça, ele respondeu, na sexta-feira passada, 30, algumas perguntas para esta entrevista que o Holofote Virtual publica agora. No bate papo, se falou sobre vida, poesia, política e, claro, de Belém.

Holofote Virtual: O que te motivou a montar esta coletânea?

Pedro César Batista: Depois de publicar oito livros com poemas, ter centenas não publicados e verificar que apesar das mudanças ocorridas ao longo de três décadas os sonhos que meus poemas falam ainda permanecem, senti a necessidade de fazer Candeeiro do Tempo.

Sinto que as pessoas se tornam cada vez mais pragmáticas e possuem relações utilitaristas com seus semelhantes e não gosto disso. Então tento com minha poesia colocar um pouquinho de esperança e fraternidade nas relações humanas.

Poesia inspira e meus poemas tentam inspirar o respeito à vida. Esse foi o motivo principal. Precisamos de luz em nossas relações, por isso Candeeiro do tempo.

Holofote Virtual: Além dos que estão no livro, escritos ao longo de sua vida, você tem textos inéditos também?

Pedro César Batista: Sim. Possuo ainda muitos poemas inéditos. Além dos poemas manuscritos, dos datilografados, possuo muitos em meu computador e outro tanto escrito diretamente no blog: www.pedrocesarbatista.blogspot.com. Escrever poemas é como fortalecer a musculatura da alma e da vida. Dar consistência em minha caminhada.

Holofote Virtual: Começastes a publicar “ainda na geração que ficou conhecida como do mimeógrafo, no final da década de 1970". Que recordas daquele momento?

Pedro César Batista: Um período difícil. Inclusive recebi hoje, após minha solicitação, documentos oficiais do Arquivo Nacional sobre as informações repassados pelo antigo SNI aos militares.

Foi interessante ver a estupidez dos informantes da ditadura, ao mesmo tempo em que me trouxe informações que não tinha como precisar. Por exemplo, falam de momentos que fui preso, da minha eleição para a diretoria da UBES e outras passagens de minha militância.

Ou seja, o tempo da geração do mimeógrafo era um tempo onde os inimigos da liberdade e da democracia tentavam nos impedir de conquistar um mundo mais livre. E conquistamos esse mundo, ainda imperfeito, porém muito melhor do que aquele tempo de escuridão, medo e dor.

Holofote Virtual: Como observas o movimento literário de poesia no Brasil - produção, políticas públicas?

Pedro César Batista: Somos um povo muito rico em criação literária. Por todos os estados há uma grande quantidade de artistas, destacadamente na literatura. Infelizmente não há uma política educacional que incentive a leitura e o acesso aos livros.

Mesmo existindo uma série de isenções fiscais e tributárias aos editores e produtores de papel, o preço das publicações é caríssimo. Há uma ação deliberada para incentivar uma literatura de consumo, que sirva aos interesses de mercadores de desejos por bens de consumo, valores superfluos e sonhos mercantis.

Os editores deixam de lado os que ousam escrever contra o sistema, questionar os valores, propagadas. Tentam impor, de forma autoritária e violenta, com uma ditadura, o que deve ser lido. Editar e distribuir, então, é algo quase impossível. Por isso é preciso ousar. E há muitos autores que insistem nesse caminho, no qual me incluo.

Holofote Virtual: Ainda tens ligações com Belém e a literatura paraense?

Pedro César Batista: Muitas ligações. Minha história foi nessa terra, encantada e combativa. Terra de Dalcídio Jurandir, Rui Barata (foto), Benedito Monteiro e a turma da atualidade. No início da década de 1980 criamos a União dos Poetas do Pará - UPOP que, acredito, um dia voltará a aglutinar os poetas e poetisas locais levando a poesia às baixadas, ao interior do estado e ao povo paraense.

Holofote Virtual: Como foi tua mudança para Brasília?

Pedro César Batista: Sai do Pará por necessidade de sobrevivência física. Meus amigos e familiares dizem que fiz o certo. Fico em dúvida, mas estou aqui, ainda escrevendo e nas trincheiras ao lado do povo, usando minha escrita como combustível para alimentar o sonho propor um mundo melhor.

Desde minha saída dessa terra encantada já morei em São Paulo, Alagoas e estou nesse momento em Brasília. Desejo imensamente um dia voltar a sentir o calor marajoara e banhar nas águas quentes dos rios paraenses, tendo a companhia de meus amigos e amigas que vivem em Belém e em inúmeras cidades do estado.

Holofote Virtual: Em 2009, você esteve aqui, durante o Fórum Social Mundial. Quais os frutos gerados por estas mobilizações em torno da solidariedade?

Pedro César Batista: Somente com ações coletivas, plurais, capazes de articular e mobilizar os mais variados setores que sofrem a imposição dos valores do sistema será possível animar a esperança e a luta.

Infelizmente certas práticas antes condenadas se tornaram aceitas em nome da conquista de um poder inexistente, pois os mais ricos continuam controlando tudo, inclusive o aparelho de Estado.

Somente com as redes que congreguem amplamente os que acreditam na construção de novas relações, mais humanas, mais fraternas, mais justas, será possível enfrentar o poder hegemônico.

Holofote Virtual: A poesia é uma arma eficiente contra tudo isso?

Pedro César Batista: A poesia provoca o respeito a todas as formas de vida. A poesia provoca a sensibilização das pessoas, tornando-as mais fraternas. A poesia provoca a indignação contra as injustiças e o acomodamento causado pela alienação do consumo desbragado que a mídia alimenta nas almas da população. A poesia é um combustível imprescindível para a vida.

Holofote Virtual: Poesia e política...

Pedro César Batista: Política é vida. Política não é o balcão de negócios que existe nas relações publicas, o qual, muitas vezes, acaba nas páginas policiais. Acredito que a poesia é a política da alma, da natureza e da utopia.

A poesia é a política do suspiro e do encantamento com a existência humana e de todas as formas de vida. Claro, a vida é plural, então também há a poesia que serve ao consumo, ao desrespeito e a busca desesperada por todas as formas de poder.

Holofote Virtual: Em Brasília, o lançamento será em uma biblioteca. Em Belém, no Bar do Parque...

Pedro César Batista: O Bar do Parque é o centro da cidade de Belém. Local onde reunia seus artistas e seu povo, não àseus artistas e seu povo, não a-toa está localizado ao lado do Teatro da Paz. E o que escuto quando chego em Belém e falo que vou ao Bar do Parque? Que é perigoso, que é isso e aquilo... no entanto, a violência e o abandono do Bar do Parque é o reflexo de que como está sendo tratada a cidade de Belém.

A falta de paz e de luz que tem provocado medo e insegurança aos que se assustam ao passar pela Praça da República - que considero a praça mais bela do Brasil - e o mesmo que contamina toda a cidade.

Também vivi parte da minha infância e toda a adolescência nos bairros de Campina, Cidade Velha e Batista Campos. Não aceito o que fazem com Belém. É preciso resgatar o Bar do Parque como o símbolo da criatividade, da poesia e da alegria, que toda a população de Belém merece...

Estréias agitam o circuito cultural da capital nesta quinta-feira

O ator Daniel de Oliveira (Cazuza – O Tempo Não Pára) protagoniza “400 contra 1”, filme do diretor Caco Souza, que aborda a história do surgimento do Comando Vermelho, sob a ótica dos presos políticos.

Lançado no festival de Paulínea, o filme entra no circuito nacional, nesta sexta-feira, mas em Belém, nesta quinta-feira, 05, ele tem sessão especial, às 21h, no Moviecom do shopping Pátio Belém. Não haverá entrega prévia de convites, mas a entrada é franca, e terá presença do diretor. Saiba mais AQUI.

Teatro - Enquanto isso, no mesmo horário, estréia no Teatro Margarida Schivasappa do Centur, “A Descoberta das Américas”, Vencedor do Prêmio Shell 2005. A peça fica em cartaz até sábado, sempre às 21h.

O espetáculo tem sido sucesso de crítica e público. Já foi apresentada em vinte estados brasileiros, em Portugal e na Itália. Com o texto original do italiano Dário Fo, Prêmio Nobel de Literatura em 1997, a peça traz a história de Johan, um cara rústico, malandro e fanfarrão, que se vira contando vantagens.

Mas é através do olhar dele que o texto propõe uma nova descoberta da América. As situações inusitadas pelas quais passa a personagem vão dando o tom da peça.

Através de improviso, o ator Juliano Adrião brinca e dá vida a váirias outras personagens presentes em sua história. Os códigos gestuais e sonoros substituem a fala. A direção é da italiana Alessandra Vannuci.

Serviço
Espetáculo “A descoberta das Américas”. Nos dias: 5,6 e 7 de agosto, às 21h, no Teatro Margarida Schivasappa – Centur. Ingressos: Loja Locus Pátio Belém e Boulevard, e na bilheteria do Teatro. Informações: 3202-4317.

4.8.10

Gestores culturais se reúnem com artistas e produtores em Belém

Os gestores dos programas Conexão Vivo, Vivo Lab e Vivo arte.mov, Marcos Boffa (na foto ao lado) e Fabrício Santos, estão em Belém para se reunir com os artistas e produtores culturais paraenses, nesta quinta-feira, 05, no auditório do Edifício Síntese 21, a partir das 18h.

O encontro pretende apresentar os três programas, esclarecer dúvidas dos produtores e incentivá-los a inscrever seus projetos, já alinhados com a política cultural e integrados das ações.

Os programas Vivo Lab e Vivo arte.mov fazem parte da política cultural Vivo e tem como proposta articular em Rede, por todo Brasil, iniciativas de formação, experimentação e produção em audiovisual (Vivo Lab) e Mídias Móveis (Vivo arte.mov).

O Conexão Vivo tem proposta de apontar novos caminhos e encontrar respostas para os desafios do mercado da música independente. Mais informações: telefone 32291106.

Serviço
Encontro com gestores dos programas Vivo Lab e Vivo arte.mov. Nesta quinta-feira, 05, a partir das 18h, no auditório do Edifício Síntese 21 - Av. Conselheiro Furtado, 2865 (térreo), entre 14 de Abril e 3 de Maio.

Estão abertas as inscrições para o Amazônia Doc

Cena de 'O Último Kuarup Branco', exibido em 2009

Estão abertas as inscrições para a mostra competitiva do Amazônia Doc. 2010 - Festival Pan-amazônico de Cinema.

A Mostra Competitiva Pan-amazônica se propõe a mapear, exibir e divulgar trabalhos audiovisuais em variados formatos e durações, realizados nos últimos três anos (2008-2010).

Este ano, serão aceitos documentários e ficções de longa, média e curta-metragem, em cinema e/ou vídeo, COM TEMA LIVRE. As inscrições ficam abertas até 30 de setembro, através do site www.amazoniadoc.com.

O evento, anual, tem como objetivo apresentar um panorama diversificado da produção audiovisual de países Pan-Amazônicos, com exibição de mostras de filmes clássicos e contemporâneos.

Realizado pelo Instituto Culta da Amazônia, com patrocínio da Oi, por meio da Lei Semear de incentivo à cultura do Estado do Pará, e apoio da Oi Futuro e da Ecleteca Cultural, é também um espaço para a discussão de trabalhos que através do audiovisual constroem um diálogo com a vida social e a diversidade cultural.

Este ano, o festival será realizado no Cine Olympia, Cine Líbero Luxardo, e em espaços abertos da cidade, ampliando e diversificando seu público. Todas as atividades são gratuitas.

“Eles Não Usam Black-Tie” na leitura dramática da Casa da Atriz

Este é o primeiro de vários outros textos a serem apresentados em formato de leitura dramática ao público, até o final do mês de setembro, dentro do projeto de iniciativa do coletivo teatral “A Casa da Atriz”, que abre nesta quinta-feira, às 20h, colocando em prática mais uma ação voltada à valorização do teatro e a pesquisa cênica.

Estão dentro do projeto, também, entre outras, obras: “A serpente”, de Nelson Rodrigues, “Navalha na Carne”, de Plínio Marcos e “Aldeotas”, de Gero Camilo, este representando a novíssima dramaturgia brasileira.

Em “Eles não usam black-tie”, de Gianfrancesco Guarnieri, um clássico da dramaturgia moderna brasileira, já mostrado também no cinema, é narrada a história de operários cariocas diante de uma greve no tempo da ditadura brasileira. Na trama principal, o conflito familiar entre o pai que organiza o movimento grevista na fábrica e o filho que fura a greve para não perder o emprego.

A entrada é franca e todos os interessados estão convidados a participar. O elenco de leitura de “Eles não usam black-tie” é formado por Leoci Medeiros, Monalisa da Paz, Yeyé Porto, Henrique da Paz, Paulo José Campos de Melo, Adriane Henderson, Cei Melo, Hudson Andrade, Ives Oliveira e Aílson Braga.

Observem que neste elenco está Paulo José Campos de Melo, músico, mais conhecido pelo seu trabalho como pianista de carreira consolidada e de talento reconhecido internacionalmente. É diplomado em Concerto pela Escola Superior de Artes de Berlim, foi Diretor Musical de alguns dos maiores teatros da Alemanha, Suíça e Áustria. E já se apresentou em mais de 20 países na Europa, América do Norte e América do Sul.

Paulo José também é compositor de duas óperas de câmara e um musical editados em Viena, e autor de trilhas sonoras para cinema, como "Fausto", do austríaco Ernest Gossner, e "Pão dos Anjos",de Daniel Tonucci.

Dentro deste contexto da música erudita, ele já atuou no Teatro Alemão, fazendo, entre vários outros papéis, Mário, em "Katarinha Knie", de Zuckermayer; Mozart, em "Satyros oder der Vergötterte Waldteuffel" e "Flauta Mágica II", de Göethe; Cafetão, em "Um Homem não é um Bicho", de B. Brecht e a Morte, em "Armas carregadas sempre disparam", de Tchuholsky.

Poucos sabem disso. Ao receber o convite do grupo da Casa da Atriz, aceitou de imediato, e estréia agora na dramaturgia brasileira. Com direção de Ailson Braga, a leitura dramática vai trazer para a atuação jovens atores, como Leoci Medeiros e Adriane Henderson e veteranos como Henrique da Paz, Yeyé Porto e Paulo José.

“O texto do Guarnieri foi um marco no teatro brasileiro por tratar de temas que nunca antes haviam sido abordados, com uma linguagem bem coloquial e muito próxima da realidade brasileira, com uma cor brasileira. Além disso, o texto tem humor, drama e é muito bem escrito, dramaturgicamente falando”, diz Ailson.

A leitura, de acordo com Yeyé Porto (foto), será feita no quintal da Casa da Atriz. “É um local amplo e ventilado, que já foi usado no Curta a Cena, uma mostra de cenas curtas realizadas no início de julho”, informa.


Serviço
Leitura do texto “Eles Não Usam Black-Tie”. Nesta quinta-feira, 05, na Casa da Atriz, com entrada franca. Rua Oliveira Belo, 95, entre Generalíssimo e Dom Romualdo de Seixas - próx. à Santa Casa. Mais informações: 91 8127-6366 (Paulo Porto).

Créditos das fotos: Ailson Braga (do ator Leoci Medeiros) e Marcelo Lélis (da atriz Yeyé Porto).

3.8.10

“O Falcão Maltês” abre debate e estudos sobre o film noir

Geralmente associado a filmes policiais, o film noir é considerado uma invenção francesa surgida após a Segunda Guerra Mundial.

Gerando polêmicas, até hoje, de uma discussão sobre se é também um gênero, como o drama e a comédia, ou um movimento, como foi o cinema novo, o expressionismo Alemão e a Nouvelle Vague, o filme noir é também considerado uma expressão ou um dogma do cinema de Hollywood.

Quem quiser aprofundar este debate, terá oportunidade esta semana, durante a “Noite de Estudos de Cinema”, nesta sexta-feira, às 19h, quando será exibido “O Falcão Maltês”, o filme que inaugura o estilo, tendo em seguida, debate com o crítico Marco Antonio, que abordará as características do filme e do gênero a qual ele pertence, como parte da primeira turma de estudos de cinema Noir da Caianna Filmes. A entrada é fraca.

Roteirizado por John Huston, baseado no livro de Dashiell Hammett, e levado aos cinemas pela terceira vez, a película é obrigatória aos fãs do gênero. Traz um enredo repleto de surpresas e reviravoltas que envolve o detetive de San Francisco Sam Spade, que marcou a carreira de Bogart.

Contratado por uma misteriosa mulher (Mary Astor) para ajudá-la a se apossar de uma estatueta recheada de pedras preciosas, atrás da qual também estão os escroques personagens de Sidney Greenstreet e Peter Lorre, Spade transita por esse ninho de cobras usando toda a sua argúcia e sangue frio para escapar ileso, usando todas as armas e recursos de que dispõe, num retrato raro de uma América corrupta, obscura e violenta.

Ao contrário do atual gênero policial, o filme (e o estilo noir que ele inaugurou) se concentra muito mais na tensão entre quatro paredes e na brutalidade dos diálogos do que nos tiros e perseguições.

A despeito de sua caracterização noturna em becos e salas mal iluminadas, com radical utilização das sombras e do claro-escuro, em parte fiel ao romance de Hammett como herança do expressionismo alemão, mas também porque, sofrendo de esparsos recursos durante a Guerra Mundial, a Warner assim disfarçava a pobreza dos cenários,

O Falcão Maltês é uma obra-prima dentro de um universo cinematográfico peculiar e um clássico do cinema em todos os tempos. A Caiana Filmes fica na Rua Diogo Moia, 986 - Umarizal. Mais informações: (91) 33434252 / 33434254.

1.8.10

Casa das Onze Janelas inicia o mês de agosto com novas exposições

“Mais Rapidamente para o Paraíso”, da paraense Luciana Magno e “Obrigação do Horizonte 2”, do artista pernambucano Bruno Vieira são trabalhos foram contemplados pelo Edital Prêmio Secult de Artes Visuais 2009/2010.

O concurso que foi aberto para artistas ou curadores de todo o país, selecionando oito projetos para realização de exposições individuais ou coletivas, no Museu Casa das Onze Janelas do Sistema Integrado de Museus e Memoriais da Secult.

Durante este final de semana Luciana e Bruno fizeram a montagem das mostras que abrem nesta quarta-feira, 04 de agosto, a partir das 19h30, na Sala Graciliano Bibas, e a no Laboratório das Artes, respectivamente.

O curador Solon Ribeiro diz que a exposição de Luciana é um “convite a um jogo sensorial, lúdico, no qual é difícil permanecer indiferente”.

De acordo com ele, a artista propõe a “criação de um espaço destinado ao exercício da poesia do prazer, do mover-se livremente, sem regras e objetivos preestabelecidos, um espaço onde não há vitórias para aqueles que souberem jogar”.

Formada em Artes Visuais pela Universidade da Amazônia, Luciana é da nova geração de artistas de Belém e aos 23 anos já têm em seu currículo um terceiro prêmio do Salão Arte Pará do ano de 2009 e o Prêmio de Artes Visuais do Sistema Integrado de Museus/Secult.

Bruno vem de Recife. Seus trabalhos incluem pintura, vídeo, fotografia, instalações e ações urbanas. Por eles, já recebeu várias premiações, como o 3º lugar na Arte Pará, Fundação Rômulo Maiorana, Belém; Menção Honrosa no 5º Salão de Artes Visuais, MAC de Jataí, Goiás.

Em 2005, recebeu o Prêmio Projéteis Funarte de Arte Contemporânea, Funarte, Rio de Janeiro. Em 2004, ganhou o 2º lugar na Mostra Competitiva do Cinema Digital, Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), Recife, e foi selecionado como um dos três finalistas na Bolsa de artes visuais Kunstlerhaus Buchsenhausen Bursary-Unesco-Aschberg (Innsbruck, Austria). Em 2003, recebeu a Bolsa Pampulha, no 27o Salão Nacional de Belo Horizonte, MAP, Minas Gerais.

Os trabalhos da série Vista Inevitável são fotografias aplicadas sobre persianas produzidas para a segunda edição da exposição Obrigação do Horizonte II ... vista inevitável, que estará no Museu Casa das Onze Janelas.

“Inspirada no poema Horizonte, de Fernando Pessoa, que remete a uma tradição e a uma genealogia que os próprios trabalhos celebram, mas que também ajudam a transformar. ( ) ... conforme nos informa Bruno Vieira”, diz Renata Wilner, Profª da Universidade Federal de Pernambuco.

“Ao apropriar-se da temática da paisagem, Vieira desestabiliza o mundo cartesianamente ordenado, desconstruindo suas coordenadas: o eixo vertical desaba; o conforto das verdades ilusórias é erodido pela impossibilidade de um espaço perspectivado, euclidiano, imóvel, da herança renascentista, face à fugacidade do tempo e à espacialidade aberta, dispersa e expansiva das redes virtuais na contemporaneidade”, diz.

Serviço
Abertura das exposições “Mais Rapidamente para o Paraíso” e “Obrigação do Horizonte 2”. No Museu Casa das Onze Janelas – Feliz Lusitânia – Cidade Velha, no dia 04 de agosto, a partir das 19h30.