25.9.24

Rota dos Palacetes realiza 6a edição neste sábado

Integrando a programação da 18ª Primavera dos Museus, o projeto nos convida a mergulhar na história da cidade através de seus palacetes nas avenidas Nazaré e José Malcher. Neste sábado, 28, com saída às 16h.

O trajeto, que começa no Palacete Mac Dowell, atual Museu Nacional da Assembleia de Deus, às 16h, propõe um olhar atento sobre a história da arte e da arquitetura que moldou a paisagem urbana de Belém. O passeio turístico é também um convite a uma experiência de conexão com a identidade cultural e afetiva que os palacetes representam para os paraenses.

Rosa Arraes, diretora do Museu Casa Francisco Bolonha e curadora da Rota dos Palacetes, explica que o projeto busca criar um diálogo entre passado e presente. “A memória da cidade é um dos maiores patrimônios que podemos preservar. Ao caminhar pelas ruas do bairro de Nazaré, queremos que o público reflita sobre o tipo de cidade que deseja e o quanto é necessário cuidar desse legado arquitetônico”, ressalta.

Educação Patrimonial e Turismo de Experiência

A Rota dos Palacetes também não se limita a revisitar prédios históricos. Ela faz parte de um movimento maior que envolve a educação patrimonial e o turismo de experiência, permitindo que tanto os moradores de Belém quanto os visitantes de fora conheçam de perto a rica herança cultural da cidade. 

O projeto transforma as ruas em espaços vivos de aprendizado, onde o público se aproxima das histórias de antigos moradores, das influências arquitetônicas e dos movimentos sociais que marcaram cada construção.

Belém, conhecida como a "Cidade das Mangueiras", carrega um patrimônio arquitetônico que remete aos tempos áureos da borracha. Os palacetes, com suas varandas decoradas, azulejos importados e estilos que variam entre o Art Nouveau e o Neoclássico, são testemunhos de um passado opulento, mas também de um presente em que o resgate dessas memórias é essencial para a preservação da identidade cultural.

Uma Rota de Redescoberta

O trajeto passará por dez palacetes, incluindo o Palacete Augusto Montenegro, residência do governador do Pará no início do século XX, e o Palacete Bolonha, que abriga o Museu Casa Francisco Bolonha e será o único a receber visitação interna. Ao final do percurso, no Memorial dos Povos, haverá uma feira cultural criativa e visitas mediadas, ampliando o debate sobre a preservação do patrimônio histórico e artístico de Belém.

Para Inês Silveira, presidente da Fumbel, a Rota dos Palacetes é uma oportunidade única de aproximar a população da história de Belém. “Democratizar o acesso à informação sobre o nosso patrimônio arquitetônico é fundamental. Convidamos todos, estudantes, professores e amantes da história e arquitetura, a participarem deste momento que valoriza a nossa cultura e memória como paraenses”, afirma.

Incentivo a uma releitura da cidade. Em tempos onde o desenvolvimento urbano e a preservação do patrimônio histórico frequentemente se chocam, o projeto coloca em discussão a importância de um olhar cuidadoso sobre o futuro da cidade, sem esquecer as raízes que a formaram. 

Serviço

A participação na Rota dos Palacetes é gratuita, sem necessidade de inscrição prévia. O ponto de partida será o Palacete Mac Dowell, às 16h, na Av. Magalhães Barata, ao aldo do Colégio Gentil Bittencourt, com previsão de chegada ao Memorial dos Povos, na Gov. JOsé Malcher, 257, às 17h40. O Museu Casa Francisco Bolonha estará aberto para visitação das 16h às 20h, com uma programação cultural imperdível.

23.9.24

Acessibilidade e inclusão na Primavera dos Museus

De 24 a 29 de setembro, o Museu de Arte de Belém (Mabe) participa da 18ª Primavera dos Museus, que traz como tema “Museus, acessibilidade e inclusão”. A programação é gratuita ao público, das 9h às 16h30. 

O evento tem como objetivo ressaltar a importância sobre o papel dos museus na promoção do acesso a todos os seus públicos, independentemente de suas condições físicas, sensoriais ou cognitivas. Exposições com mediação, visitas guiadas, roda de conversa e performances integram as atividades, permitindo uma experiência única ao público. Além disso, a programação visa promover a acessibilidade e permitir o acesso aos espaços do Mabe de forma autônoma. 

“Quando falamos de acessibilidade, precisamos entender que há aspectos que os museus precisam atender com urgência, como acessibilidade física, econômica e intelectual. Somente derrubando essas barreiras será possível atender o significado da inclusão e contemplar a diversidade de públicos nos museus. É sempre importante trazermos exposições, debates e outras experiências sobre o tema”, declara Janice Lima, pesquisadora e educadora do Mabe.

O grande diferencial dessa programação são as exposições mediadas, que pautam-se pelo respeito à diversidade de públicos, que podem acessá-las também por meio das audiodescrições das obras para pessoas cegas ou com baixa visão e contam com intérpretes de Libras para pessoas surdas. 

Impermanência - A exposição de pinturas, esculturas e vídeo-performance da artista visual Sanchris Santos, apresenta uma reflexão importante sobre a vida, as relações de força e poder que atravessam e marcam a existência, em sua impermanência.

Sagrado Dissidente - Esta exposição é resultado da pesquisa de mestrado do artista Raphael Andrade, que a partir de sua obra “Flores para Pietá”, reúne obras suas e de mais 14 artistas trazendo a questão: “O sagrado está presente?”, reverberando reflexões acerca do rompimento e intervenção no sistema normativo em relação às ideias de profano e de marginalidade relacionados aos símbolos e alegorias dos corpos LGBTQIAP+.

Além das exposições, a Roda de Conversa “Museus, Acessibilidade e Inclusão: Educação e Diversidade”, a aula de técnicas corporais e a performance “Negro Sou”, compõem a programação da 18ª Primavera dos Musues, potencializando diálogos e experiências sensíveis-reflexivas sobre esse o tema escolhido pelo Instituto Brasileiro de Museus escolhido. A programação é gratuita e aberta ao público, sem necessidade de inscrição prévia. 

Programação completa:

18ª Primavera dos Museus

Local: Museu de Arte de Belém

 24 a 29/09- terça-feira a domingo.

Exposições com  mediação

“Impermanência” da artista Sanchris Santos, na galeria Antonieta Santos Feio.

“O Sagrado Dissidente” do performer Raphael Andradena sala Theodoro Braga. 

Participantes: público em geral

Horário: 9h às 16:30h

Dia: 25/09- quarta-feira

Apresentação de Técnicas corporais afro-religiosas e indígenas com alunos do curso técnico em teatro-ETDUFPA.

Local: Sala Theodoro Braga

Direção: Prof.ª Dra. Ana Flávia Mendes

Horário: 15h30 às 17h30

Dia: 26/09- quinta-feira

Roda de conversa: Museus, acessibilidade e inclusão: educação e diversidade

Participantes: Professora Dra. Sanchris Santos, Professor Me. Raphael Andrade, Professora Me. Danielle Souza, Museóloga e Educadora

Popular, Angélica Albuquerque, Estudante de museologia, Isabel Lopes

Mediação/MABE: Professora Dra. Janice Lima 

Público: professores, alunos, funcionários do palácio, aberto a comunidade

Local: Mini auditório do Palácio Antônio Lemos

Horário: 10h às 12h30

Dia 28/09- sábado

Apresentação artística “Negro Sou” dos performistasFelipe Almeida e Mara Gomes, uma interpretação cênica do “Sagrado Dissidente”.

Local: Hall de entrada do Palácio Antônio Lemos e Galeria Theodoro Braga

Horário: 10h às 12h

Festival vai reunir filmes produzidos por mulheres

2ª edição do Festival “As Amazonas do Cinema” foca em produções de mulheres cis e trans da Pan-Amazônia e regiões de fronteira do Brasil, além de cineastas nascidas na região amazônica. O evento ocorre de 21 a 23/11, no Festival Amazônia FiDoc. Inscrições até 20/10.

A mostra competitiva reúne curtas e longas-metragens, com o apoio da Lei Paulo Gustavo (mostras e festivais) e patrocínio do Instituto Cultural Vale, via Lei Rouanet. O festival é uma iniciativa do Amazônia FiDoc, dirigido por Zienhe Castro, com coordenação de Lorenna Montenegro e Flávia Guerra. O trio também compõe a curadoria do evento, que traz um panorama diversificado sobre a produção audiovisual feminina contemporânea.

Durante os três dias de programação, o festival se destaca não apenas pelas exibições de filmes, mas também pelas atividades formativas. As curadoras Flávia Guerra e Lorenna Montenegro ministrarão um curso sobre o legado de cineastas pioneiras do cinema brasileiro, latino-americano e pan-amazônico, como Margot Benacerraf, Edna Castro e Helena Solberg. Haverá ainda homenagens a personalidades do cinema, além de masterclasses, oficinas, painéis e debates.

“As Amazonas do Cinema” surgiu em 2020 como resultado de um movimento iniciado pelo Amazônia FiDoc, em 2019, com o objetivo de aumentar a representatividade feminina no audiovisual. Zienhe Castro relembra que a iniciativa buscou unir cineastas, roteiristas, produtoras e outras profissionais da Pan-Amazônia em torno do audiovisual como ferramenta de fortalecimento e transformação.

“Esse primeiro movimento foi de uma potência gigante, que alargou nossas perspectivas e ampliou nossos sonhos de fazer, ser e estar juntas.”

Entre os filmes premiados na primeira edição do festival estão “Até o Fim do Mundo”, curta colombiano de Margarita Rodrigues Weweli-Lukana e Juma Gitirana Tapuya Marruá, e “Fakir”, longa da consagrada Helena Ignez. O troféu deste ano será desenvolvido pela artista visual paraense Lise Lobato.

Serviço

As inscrições para o festival podem ser feitas até 20 de outubro, exclusivamente pela plataforma FilmFreeway: https://filmfreeway.com/AmazoniaFiDoc.

19.9.24

Turismo verde e perspectivas para a Amazônia

A semana de Belém está pontuada por um debate urgente, o turismo sustentável, cultural e economicamente viável para a região, em especial, Belém, a capital que se prepara para se firmar como um destino global que une modernidade, cultura ribeirinha e o compromisso com a sustentabilidade. 

Antes mesmo da reunião do G-20, que começou nesta quinta-feira (19), no Hangar, foi realizado, nesta quarta-feira, 18, na CasaMIa, o encontro “Conectando Culturas e Natureza: Iniciativas de Turismo Sustentável entre a União Europeia e o Brasil”, organizado pela Delegação da União Europeia no Brasil, com apoio da prefeitura de Belém e do Ministério do Turismo.

O evento reuniu, nesta quarta-feira (1), na Casa Mia, especialistas, autoridades e gestores para debater sobre o futuro do turismo sustentável, com destaque para o potencial amazônico. Na abertura, Stephanie Horel, oficial de programa da Delegação da União Europeia, trouxe à tona a experiência europeia no desenvolvimento de práticas turísticas sustentáveis. 

Ela destacou a crescente resistência de algumas comunidades europeias ao turismo predatório, além de mencionar desafios relacionados à qualificação da mão de obra e à digitalização das operações turísticas. “Na Amazônia, viajei para algumas localidades e fiquei impressionada com o uso de Wi-Fi. Podíamos fazer pagamentos por Pix, o que demonstra um grande avanço na digitalização, mesmo em áreas remotas.”

O encontro contou também com a participação de estudantes, profissionais do setor, e gestores públicos brasileiros, como Ana Carla Machado Lopes, secretária-executiva do Ministério do Turismo. Paraense de origem, Ana Carla destacou a importância de ações integradas para transformar o estado em um destino turístico sustentável. 

E o evento deixou claro que, para alcançar esse objetivo, é essencial promover uma cadeia produtiva transversal no turismo, que inclua desde o visitante que chega de avião até o ribeirinho que utiliza o tradicional barco “popopô” para se locomover, mas com uma ressalva, como observou Ana Carla Machado Lopes, secretária-executiva do Ministério do Turismo. 

Ela reforçou a necessidade de colaboração entre governo, empresas e comunidades locais para que o turismo na Amazônia se torne um exemplo de sustentabilidade para o mundo. “Queremos visitantes do Pará, do Brasil e do mundo, mas, como diz a música do Mosaico de Ravena, que venham um de cada vez. Afinal, não queremos nossos jacarés tropeçando em vocês, ou seja, que venham todos mas com respeito à diversidade local e para isso é importante que todos nós também estejamos preparados e  unidos em boas práticas".

A secretária de Turismo de Belém, Julia Gorayeb, também enfatizou a necessidade de preparar a cidade para eventos locais, nacionais e internacionais: “Estamos trabalhando não só para a COP, mas para transformar Belém do Pará em um destino turístico inteligente, que cause impacto positivo para os visitantes e para quem mora aqui", disse, destacando que o progresso das obras de infraestrutura para o turismo na cidade, vai melhorar a vida dos moradores, além de motivar estudantes e profissionais a investirem na carreira turística.

Riquezas Amazônicas e turismo cultural


As boas práticas de ecoturismo e conservação da natureza foi o tema abordado por Luiz Fernando Destro, diretor de turismo da República Tcheca, contando com a participação de especialistas que trouxeram estudos de caso. Silvia Cruz, turismóloga e professora da UFPA, destacou iniciativas de turismo comunitário nas ilhas de Combu e Cotijuba, ressaltando como essas comunidades utilizam a sociobiodiversidade para promover experiências autênticas.

Inês Silveira, presidente da Fundação Cultural de Belém (FUNBEL), falou sobre a importância de recuperar o patrimônio cultural local, apresentando um panorama das ações desenvolvidas pela prefeitura nessa área. Ela destacou, também, diversas iniciativas da sociedade civil realizadas durante o Círio de Nazaré e como isso impacta a cidade com muita antecedência. 

“O Círio atrai um turismo religioso, mas também um turismo cultural, que passa por ações como o Auto do Círio, a Festa da Chiquita e o Arrastão do Círio, do Arraial do Pavulagem. E nós, enquanto poder público, estamos juntos, apoiando e organizando a cidade para que todos tenham uma boa experiência.”

Izete Costa, mais conhecida como Dona Nena, relatou suas experiências com o turismo de base comunitária, a partir da fabricação de chocolate na Ilha do Combu. Hoje, duas cooperativas estão envolvidas na travessia de visitantes locais e turistas entre Belém e Combu, a partir da Praça Princesa Isabel, no bairro da Condor.

Desafios e oportunidades 

Além das práticas locais, o evento trouxe a perspectiva europeia sobre a sustentabilidade no turismo. Marlene Bartes, diretora de Políticas da Comissão Europeia, reforçou a importância de tornar o turismo mais verde, digital e resiliente até 2030, com foco nas três dimensões da sustentabilidade: ambiental, econômica e social. “Precisamos garantir que o turismo beneficie não apenas uma parte de um país, mas ele como um todo, então as boas práticas são fundamentais.”

Entre as iniciativas mencionadas, a Comissão Europeia propôs o uso de um mapa completo para ajudar as empresas de turismo a aderirem a práticas sustentáveis e informou sobre selos de certificação para acomodações e serviços que cumpram os critérios de ESG (ambiental, social e governança). Esses critérios são usados por investidores, empresas e outras partes interessadas para medir a sustentabilidade e o impacto ético de uma empresa:

Ambiental: Refere-se ao impacto que a empresa tem sobre o meio ambiente, incluindo práticas como gerenciamento de resíduos, uso de recursos naturais, emissões de carbono e esforços para mitigar as mudanças climáticas.

Social: Relaciona-se ao impacto da empresa nas pessoas e na sociedade, como as condições de trabalho, direitos humanos, diversidade e inclusão, e seu relacionamento com as comunidades locais.

Governança: Envolve a gestão e administração da empresa, incluindo questões como ética nos negócios, transparência, responsabilidade dos executivos e estrutura do conselho administrativo.

O futuro do turismo amazônico

O evento desta quarta-feira, reafirmou o papel estratégico de Belém no desenvolvimento do turismo na Amazônia, não apenas como uma porta de entrada para a floresta, mas como um polo cultural e gastronômico. 

“A gente está aqui para trabalhar, pensar a fazer uma proposta pra turismo mais sustentável, que conta com a biodiversidade que protege a biodiversidade, mas também que seja socialmente sustentável, integrando as comunidades, integramos o cidadão das cidades onde esse turismo vai acontecer e aqui em Belém”, disse Horel.

Ela, inclusive, segue em Belém para participar da Reunião do G20, que ocorre de hoje (19) a sábado (21), no Hangar, trazendo como um dos principais temas a ser debatido, o turismo sustentável, cujas propostas aprovadas serão levadas à Cúpula de Líderes do G20, marcada para novembro no Rio de Janeiro.

13.9.24

Delcley Machado celebra 35 anos de trajetória

Delcley Machado/ Foto: Walda Marques
Delcley Machado traz em sua história mais de 30 anos de paixão pela música, com destaque à música instrumental. O dia 20 de setembro, sexta-feira, será uma noite de comemoração à jornada do músico, compositor e produtor paraense, que realizará o Show Celebração - 35 Anos de Carreira, no espaço Ná Figueredo, às 20h.

O show Celebração vai reviver memórias e composições. Haverá momentos de emoção e surpresas, com  um repertório que passeia pelos três álbuns lançados pelo artista. O primeiro foi lançado em 2002, intitulado “Cordacesa”, no qual há homenagem ao filho na faixa “Lucas”. O álbum, de forma natural e rápida, se tornou referência na música instrumental do Pará. 

O segundo veio em 2010, intitulado  “Temporal”, com faixas que permitem uma imersão à Amazônia. Inspirado pelo som da chuva e passagem do tempo, o álbum conta com parcerias importantes, como Jorge Andrade na letra de “Das Ruas” e Marcos Campelo em “A Voz Guardada”. Em 2020, ele lança o terceiro disco “Ensolarando”, com a participação de artistas como Vital Lima, Toninho Horta e Cláudio Nucci, mostrando a sua maturidade musical e surpreendendo os seus ouvintes. 

“A apresentação vem com essa cara de festa, de celebração da existência dos meus álbuns. Cada álbum é pessoal demais, é o sangue do artista ali. Quando um disco é pensado e sonhado, ele é diferente. Nós vamos tocar com muito carinho o repertório dos três discos”, conta Delcley, ansioso pela apresentação, que contará com a presença especial de grandes músicos e amigos no palco: Jacinto Kahwage (piano), Davi Amorim (baixo), Leandro Machado (bateria), com participação de Luiz Pardal, Fabrício Machado, Príamo Brandão e Lucas Machado.

Música e Amazônia na veia! 

A trajetória musical de Delcley é marcada por sua conexão com a Amazônia e por colaborações que perpassam gerações. A paixão pela música iniciou ainda na infância, quando ganhou um cavaquinho de seu pai, que foi músico e o responsável pelos primeiros passos de Delcley no universo artístico paraense.  

“O meu pai era músico da banda da polícia militar e tocava à noite. Ele conhecia muitos músicos e eu cresci num meio onde havia muitos artistas. Na minha infância, quando eu tinha 7 anos, eu ganhei um cavaquinho, me interessei pela música, e nunca mais parei”, conta o músico.

Aos 14 anos, ele começou a tocar guitarra, depois violão, e foi quando se interessou pela música brasileira. Depois conheceu o Jazz e este, por ser um estilo livre, acabou o conduzindo pela música instrumental de forma mais ampla.

“O que eu me orgulho da minha carreira musical é ser uma pessoa persistente pelo gênero instrumental. Eu digo música instrumental, porque quando se fala de jazz, se determina que é um gênero, e a música instrumental engloba tudo, inclusive o Jazz. Quando eu me identifiquei com isso, percebi que minha música poderia ter mil características diferentes, mil formas de interpretá-la e mostrar uma arte muito vasta. Isso é a música instrumental, um som livre que nos permite criar”, comenta Delcley. 

“Hoje, eu estou muito feliz por perceber o que minha música alcançou. Eu sinto um resultado positivo, como se eu estivesse concretizando algo que eu sonhava e que, através da música, vou atravessar o tempo e ir adiante. Às vezes a gente encontra pessoas que dizem que ouvem até hoje minhas músicas no café da manhã com a família, em encontros com amigos e momentos especiais. Eu vejo o meu impacto de uma forma afetiva na vida de quem aprecia o meu trabalho”, celebra o paraense. 

A música instrumental em Belém

Delcley Machado/
Foto: Walda Marques
Segundo Delcley, apesar de não ter tanto destaque, o cenário da música instrumental em Belém é muito vivo. “Possuímos um potencial muito grande. São muitos artistas que estão trabalhando nesse cenário. Eu gostaria que todos esses músicos e artistas estivessem mais na visão do povo. O movimento é muito bom, cada vez mais chegam músicos interessados. Os jovens estão entrando nesse cenário e se destacando, deixando o movimento mais bonito. Porém, é preciso que as pessoas apareçam mais, se mostrem mais tocando e se divulguem”, reforça ele.

O também produtor comenta que a música instrumental local se diferencia do Brasil pela paixão com que os paraenses tocam. “Criamos um vínculo com o repertório e por isso, sem necessidade de aprovação, ou uma busca incessante para agradar o mercado, ou alguém, seguimos”, conta Delcley. Ele aproveita e declara que compor, para ele, é um estado de espírito. 

“Não tem a ver com local, com droga, com cachaça, com rua, com nada. É algo que se sente. Eu não diria que é um presente extra-sensorial, mas você vai buscando. Parece que você sente o tempo que você tem que compor. Você pega o instrumental e vai criando. Eu aleatoriamente pego o instrumento e vou fazendo sons, caminhos, acordes harmônicos, até que, em algum momento, algo vai criar uma força e surge uma composição”, explica o músico.

Fluxo Estúdio

Foto: Divulgação (Álbum Temporal)
Em parceria com seu filho, Lucas Machado, Delcley coordena o Fluxo Estúdio, onde produz e grava os seus trabalhos e de outros artistas. Em maio deste ano, em parceria com o músico carioca Carlos Malta, Delcley lançou o EP intitulado “Mokõi”, que reúne 6 regravações instrumentais de composições de Waldemar Henrique.

“O EP surgiu como parceria e união com Carlos Malta. O título Mokõi, na língua Guarani, significa "dois", expressando a união dos sopros, dele, e das minhas cordas”, conta Delcley Machado. Após a boa repercussão do lançamento, os músicos pretendem lançar uma continuação do Ep. 

Serviço

Delcley Machado – Show Celebração - 35 anos de carreira

Data: 20 de setembro de 2024

Horário: 20h

Local: Na Figueredo (Belém, PA)

Ingressos: $15

(Holofote Virtual com colaboração de Vagner Mendes)

Belém recebe evento internacional sobre turismo

A Delegação da União Europeia no Brasil, com apoio da Prefeitura de Belém, realiza na próxima quarta-feira (18), o evento “Conectando culturas e natureza: Iniciativas de turismo sustentável de Brasil e EU”, com participação de especialistas de diversos países. 

O encontro, que acontecerá na véspera da reunião dos ministros de Turismo do G20, será uma oportunidade única para discutir e promover melhores práticas em ecoturismo e conservação da natureza, além de destacar estudos de caso sobre turismo cultural e comunitário. 

A oficial de políticas da Comissão europeia, Marlène Bartès, fará a palestra de abertura do evento. A Delegação da UE no Brasil será representada pela oficial de programas Stephanie Horel.

Stephanie Horel ressalta que este evento “representa uma grande oportunidade para fortalecer a colaboração entre Brasil e UE em iniciativas de turismo sustentável, promovendo práticas que respeitam o meio ambiente e valorizam a cultura local”. “É de particular importância realizar o evento em Belém, que sediará no ano que vem a COP 30.”

Entre os palestrantes já confirmados, destacam-se Julia Gorayeb, secretária de Turismo de Belém; Inês Silveira, presidente da Fundação Cultural de Belém (FUMBEL); Ricardo Blanco, diretor de Turismo Sustentável da Secretaria de Estado do Turismo da Espanha;  Luís Campos, representante de Assuntos de Turismo de Portugal na União Europeia; e Luiz Fernando Destro, representante de turismo da República Tcheca no Brasil.

Os estudos de casos sobre turismo cultural e comunitário serão apresentados pela professora Silvia Cruz, da Universidade Federal do Pará (UFPA), e pelo professor Carlos Costa, da Universidade de Aveiro, Portugal. Já Caroline Couret, do Creative Tourism Network, vai liderar o workshop sobre envolvimento das comunidades locais e promoção do patrimônio cultural.

Conectando culturas e natureza: Iniciativas de turismo sustentável entre Brasil e UE

Evento aberto ao público.

Inscrições, com vagas limitadas: https://forms.gle/oKwQrkPVXMj2uXJh7

Data: Quarta-feira, 18 de setembro de 2024 – 14h às 18h30

Local: Casa Mia Eventos, na Tv. Quintino Bocaiúva, 1696 - Reduto, Belém/PA

12.9.24

Tacacazeiras ocupam o Boulevard da Gastronomia

Em março na Sala em reunião com o 
IPHAN
Valorizando a cultura regional, o Boulevard da Gastronomia recebe no período de 13 a 15 de setembro a 5ª edição do Festival das Tacacazeiras, com o objetivo de reunir famílias, turistas e amantes da gastronomia paraense. De forma gratuita, a partir das 17h, o público poderá imergir nos sabores tradicionais do Pará e apreciar as apresentações culturais e musicais, que celebram a herança cultural do estado.

“O festival é muito importante porque vem como uma homenagem para todas as tacacazeiras de Belém e todas que fazem parte da nossa cultura. Ele é importante porque mostramos a forma de valorizar o nosso conhecimento, que é passado de geração para geração. Esperamos que toda a população venha prestigiar nosso festival e experimentar a nossa culinária”, reforça a tacacazeira Neide Sobrinho.

Organizado pela Associação das Tacacazeiras e Comidas Típicas de Belém (Astacom), o festival comemora o Dia das Tacacazeiras, celebrado no dia 13 de setembro. O evento tem apoio da Prefeitura de Belém, por meio Fundação Cultural do Município de Belém (Fumbel); Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Sebrae Pará e Secretaria de Estado de Cultura. 

Além do tacacá, o público poderá saborear pratos da culinária local, como vatapá, caruru, maniçoba, arroz com galinha e o tão famoso arroz paraense. A expectativa é receber cerca de dois mil visitantes ao longo dos três dias de evento.

A presidente da Fumbel, o festival fortalece o reconhecimento da importância da culinária local. “O público poderá contemplar o evento em um espaço pensado e organizado para ser palco da cultura de Belém, no que tange à música, gastronomia e a arte como um todo”, reforça Inês Silveira.

Atrações musicais -  No dia 13, sexta-feira, a  programação musical inicia com a apresentação do “Samboulevard”, que comandará um samba de mesa com I Love Pagode, Cabanagem, Pagode das Meninas, Leozinho do Cavaco e DJ Dieguinho Rock Doido. 

No dia 14, sábado, o carimbó tomará conta da programação com a apresentação do grupo Instituto Cultural Mistura Regional. No domingo, 15, a programação fica por conta do DJ Barrail e Banda Calando.

Patrimônio - Há 11 anos, as vendedoras de tacacá são reconhecidas como patrimônio cultural imaterial para o município de Belém, pela Lei 8.979 de 13 de setembro de 2013. Em 2024, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) iniciou os estudos nos estados do Acre, Amapá, Pará, Roraima, Rondônia e Tocantins para orientar o processo de registro do Ofício de Tacacazeira como patrimônio cultural do Brasil. 

Serviço

5º Festival de Tacacazeiras

Local: Boulevard da Gastronomia (Boulevard Castilhos França - Campina)

Horário: A partir das 17h

Acesso gratuito

(Holofote Virtual com informações da Agência Belém)

52o Festival de Brasília com inscrições abertas

Em sua 57ª edição, o festival abre inscrições para filmes que vão compor as suas diversas mostras, e a expectativa é alta entre cineastas e o público apaixonado por cinema. Realizadores de todo o país podem participar.

O Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, um dos eventos mais aguardados do calendário cinematográfico do país, já tem data marcada. De 30 de novembro e 7 de dezembro de 2024, a capital federal será novamente o palco de grandes estreias e debates sobre o cinema nacional. 

Com a curadoria renovada e a promessa de uma programação que mescla inovação e tradição, o festival pretende apresentar mais de 50 títulos ao longo de suas mostras Competitiva Nacional, Brasília, Festivalzinho, além das sessões especiais e mostras paralelas. 

A seleção será rigorosa: seis longas-metragens e 12 curtas-metragens farão parte da Mostra Competitiva Nacional, com premiações de R$ 30 mil para os longas e R$ 10 mil para os curtas. Além disso, o Troféu Câmara Legislativa vai distribuir R$ 240 mil em prêmios para os filmes que se destacarem na Mostra Brasília, focada em produções locais.

Entre as novidades o retorno de Eduardo Valente

Um dos destaques desta edição é o retorno de Eduardo Valente à direção artística do festival. Valente, cineasta e crítico de cinema, já ocupou o cargo entre 2016 e 2018, e volta com a missão de conduzir um dos festivais mais antigos e prestigiados do país. Além de sua expertise em curadoria, Valente traz a experiência de ter atuado em grandes festivais internacionais, como o Festival de Berlim e o Olhar de Cinema.

A proposta de Valente é ambiciosa: criar um “fio narrativo” que costure as diversas temáticas presentes nas produções inscritas, oferecendo ao público uma visão ampla e ao mesmo tempo profunda do cinema brasileiro contemporâneo. Ele também será responsável por montar as mostras paralelas e por liderar as três comissões que irão julgar os mais de mil filmes esperados nesta edição.

Outro ponto que merece atenção é o Festivalzinho, uma programação especial voltada para o público infantojuvenil. Realizadores que trabalham com animação e filmes para crianças são incentivados a inscrever suas obras, contribuindo para formar novos públicos e trazer mais diversidade à tela. Esse é um espaço dedicado a explorar a imaginação e criatividade dos mais jovens, e é sempre uma atração à parte dentro do festival.

Inscrições abertas

As inscrições para a 57ª edição estão abertas até o dia 25 de setembro de 2024. Para se inscrever, basta acessar o site oficial do festival (www.festcinebrasilia.com.br) e preencher o formulário. 

Podem participar filmes finalizados entre 2023 e 2024, com preferência para aqueles inéditos. Além do regulamento completo, o site também disponibiliza o edital do Troféu Câmara Legislativa.

A seleção completa dos filmes será divulgada em novembro, e, até lá, a expectativa só cresce. O Festival de Brasília promete, mais uma vez, ser um ponto de encontro entre os maiores talentos do cinema brasileiro e o público que aprecia e celebra nossa cultura.

(Com informações da assessoria de imprensa  / Fotos: Humberto Araújo)

7º Lambateria rende homenagem a Nazaré Pereira

Nazaré Pereira (Foto: Divulgação)
Este ano, o festival traz como tema "Um Novo Brasil", convida banda peruana como atração internacional e rende homenagem à cantora acreana de coração paraense Nazaré Pereira. O evento acontece na sexta, 11 de outubro, em total clima da festa de Nazaré, no NaBêra, antigo Insano Club, em Belém, a partir das 19h.

Uma das principais homenagens a Nazaré Pereira será o espetáculo "Um Outro Brasil", reunindo artistas como Lia Sophia, Luê, Naieme e Taynara Garcia, que interpretarão clássicos de Nazaré. A cantora fará uma participação especial no show, reforçando a importância de sua obra para a música popular brasileira.

“Ela é uma das pioneiras a apresentar esse universo da música latino-amazônica para países estrangeiros, que até então conheciam basicamente o Samba e a Bossa Nova. Foi Nazaré Pereira, uma diva que cantou o norte e nordeste brasileiros e por isso ficou conhecida por apresentar ‘um outro Brasil’, diz Sonia Robatto, da organização do festival. 

Lor Mirlos (Foto: Cláudia Córdova Zignago) 
A novidade internacional do ano é a banda peruana de cumbia Los Mirlos, que se apresentará pela primeira vez em Belém. O encontro entre a nova e a velha guarda paraense também se destacará na noite, com nomes como Félix Robatto, Carimbó Selvagem, e Ver o Brass, este último acompanhado pelos cantores Liège e Lins.

Também estão na programação a cantora Rebeca Lindsay, uma das vozes do tecnobrega, que faz um show com as participações de Jeff Moraes e Nega Lôra. Já a aparelhagem Mega Príncipe Negro trará o peso das batidas eletrônicas, com a presença icônica de Valéria Paiva, rainha das aparelhagens.

O evento já faz parte do calendário da cidade, sendo realizado na sexta-feira que antecede o Círio de Nazaré. Este ano são 20 atrações ao todo, fortalecendo o movimento musical paraense que transita pela cultura latino-amazônica, e reforçando o festival como ação de conexão entre os países da pan-amazônia e do mundo.

“Mais do que distâncias geográficas, nós temos uma cultura bem diferente do centro-sul brasileiro, nossas conexões e sonoridades sempre estiveram mais pro Norte: os países que fazem fronteira, o Caribe, os países da pan-amazônia”, complementa Sonia. 

Serviço

Festival Lambateria no Círio Ano 7 

NaBêra (Rua São Boaventura, 268 - Cidade Velha - Belém/PA)

11 de outubro de 2024 (sexta-feira que antecede o Círio)

Ingressos: A partir de R$ 60 / Meia entrada (estudantes, prof. da rede pública, profissionais da saúde): R$ 50 / Ingresso inteiro a R$ 100 / Camarote: R$ 120 por pessoa (camarote para 10 pessoas) / Vendas antecipadas no Sympla com taxa do aplicativo ou por PIX pelo whatsapp 91 98025-1028.

A sétima edição conta com patrocínio do Guaraná Tuchaua, via lei de incentivo Semear, e apoio da Cerpa. A venda dos ingressos já está disponível pelo Sympla e por whatsapp.

11.9.24

UFPA recebe palestra do cubano Leonardo Padura

A Universidade Federal do Pará (UFPA) recebe nesta sexta, 13, às 17h, a palestra "Leonardo Padura por ele mesmo: trajetória literária", no Auditório do Centro de Eventos Benedito Nunes (CEBN), com a apresentação do reitor Emmanuel Zagury Tourinho e moderação de Ivana Jinkings, fundadora da Boitempo.

Considerado um dos maiores romancistas contemporâneos, Padura iniciou sua trajetória no jornalismo em Havana, atuando nos principais periódicos da cidade. Nos anos 1990, decidiu se dedicar inteiramente à literatura, com suas obras traduzidas para mais de 30 idiomas. Os livros são publicados no Brasil pela Boitempo. 

As narrativas de suas obras exploram temas como amizade, medo, repressão e, principalmente, memória e história, em uma busca constante por refletir a “condição humana universal”, conectando-se com o leitor em níveis profundos e pessoais. Essa rica produção literária lhe rendeu, entre outros, o Prêmio Nacional de Literatura de Cuba em 2012.

Em 2015, Padura foi laureado com o Prêmio Princesa de Astúrias, na categoria Letras, em reconhecimento ao seu papel como um “inquiridor do culto e do popular”, além de ser descrito como um intelectual independente, com uma postura ética firme. 

Em 2018, recebeu o Prêmio Internacional de Novela Histórica Barcino, concedido pela Prefeitura de Barcelona. Já em 2016, com Passado Perfeito, Padura apresentou ao mundo o detetive Mario Conde, personagem que protagoniza seus romances policiais e foi adaptado para a série de streaming Quatro Estações em Havana.

Edições brasileiras pela Boitempo

Após a palestra, Padura estará disponível para uma sessão de autógrafos no hall do Centro de Eventos Benedito Nunes, onde suas obras também poderão ser adquiridas. 

Entre os títulos estão: O homem que amava os cachorros (2015), Hereges (2015), Paisagem de outono (2016), Passado perfeito (2016), Máscaras (2016), Ventos de quaresma (2016), A transparência do tempo (2018), O romance da minha vida (2019), Água por todos os lados (2020), Como poeira ao vento (2021), Febre de cavalos (2022) e Pessoas decentes (2023). 

A visita de Padura ao Brasil, após cinco anos, resulta de um convite do Clube de Leitura do Centro Cultural Banco do Brasil, sediado no Rio de Janeiro. Em Belém, a iniciativa é organizada pela Reitoria da UFPA, em parceria com a Editora da UFPA e apoio da Boitempo e da Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa (Fadesp). 

Serviço

Evento: Palestra “Leonardo Padura por ele mesmo: trajetória literária”

Data: 13 de setembro (sexta-feira)

Horário: 17h

Local: Auditório do Centro de Eventos Benedito Nunes (CEBN), Campus da UFPA, Belém

Entrada: Gratuita, sem necessidade de inscrição prévia (sujeita à lotação).