20.9.10

José Alberto Lovetro (Jal) conversa sobre humor gráfico e o Salão da Amazônia

Bati um papo com José Alberto Lovetro, mais conhecido como Jal, como ele assina seus trabalhos.

O cartunista e jornalista paulista esteve em Belém para participar do júri e ministrar uma plalestra (foto) dentro da programação do 3 Salão Internacional de Humor da Amazônia, que está acontecendo no Espaço São José Liberto, até o próximo dia 26.

Ele iniciou sua carreira na Folha de São Paulo em 1973, é fundador das associações Brasil/Portugal de Banda Desenhada, Brasil/México de Humor Gráfico e Brasil/Cuba de Historietas, produz o Troféu HQMIX que já está em sua 22º edição e é presidente da Associação dos Cartunistas do Brasil. Jal inaugurou o primeiro Futeblog do mundo e estimula que outros times façam o mesmo. “Humor gráfico e futebol é uma receita que dá certo”, acredita.

No sábado, 18, ele esteve falando a um público de educadores sobre a utilização do quadrinho na sala de aula. “Venho fazendo pesquisas e cursos em escolas, faculdades e entidades como a antiga FEBEM com essa linguagem. O resultado é espetacular”, diz.

Em um trabalho de três meses, Jal e a professora Sonia Luyten, criadora do curso de HQ na ECA-USP nos anos 70 e que já deu aulas no Japão e Europa durante anos, fizeram uma aplicação da prática dentro da sala de aula, em duas escolas da rede pública de São Paulo com apoio da Secretaria de Educação.

Ao lado (Jal é que está de blusa vermelha), momento da abertura do salão, na última sexta-feira, 17.

“Aplicamos os exercícios, junto com os professores, em diversas disciplinas. Matemática, Português, Geografia e até Psicologia. Aplicamos em salas com alunos do ensino básico, médio e até intermediário.

O resultado foi de 100% de evolução em todos os níveis. Alguns alunos mais e outros menos, conforme o interesse de cada um, mas todos evoluíram e aprimoraram no aprendizado”, afirmou.

Apesar de ter sido a primeira vez dele na capital paraense, Jal diz que tem muuitos amigos por aqui, como Biratan Porto, criador do Salão de Humor, J. Bosco, Júnior Lopes (que já está em Sampa faz alguns anos) e outros.

“O melhor lugar é aquele onde estão os amigos e aí nos sentimos em casa. Minha imagem da Amazônia sempre foi de algo mais próximo do que deveria ser nossa vida na Terra. Mais verde em volta. Sei que não tem jacaré na rua, mas de vez em quando aparece um na piscina de alguém, né não? Jacaré também é filho de Deus!”, brincou.

Holofote Virtual: Humor e ecologia.... é crítica pura?

Jal - Acho eventos como esse do Salão Ecológico, criado pelo grande Biratan, a melhor forma de conscientizar desde crianças até os mais velhos. Eu mesmo organizei um Salão de Humor Ecológico em Campos no Rio de Janeiro, em janeiro de 2008, a pedido do Ziraldo. Foi um sucesso. Ainda bem que o de Belém não ficou só no primeiro, pois esse trabalho tem que ser contínuo.

O humor é uma ferramenta forte para fazer as pessoas sentirem o que estão fazendo de errado. Minha expectativa com o salão é grande pois considero o norte do País o ponto de referência de nosso futuro e do planeta. Um evento desses é mais importante que propaganda em TV sobre o assunto. Pois cria raízes e não segundos de informação no ar que desaparecem logo após o próximo comercial. São imagens que fixam na retina para sempre. A experiência do humor é algo especial para cada um de nós.

Holofote Virtual: Para ser bom chargista ou cartunista, basta saber desenhar?

Jal - Temos ótimos desenhistas no mundo. Mas poucos roteiristas ou pessoas de criação. Isso porque sempre pagam mais pelo desenho do que pelo roteiro. Os desenhistas são mais estimulados. Só que eu dou o mesmo valor para o roteiro e o desenho.

Para termos bons roteiristas é preciso que tenhamos pessoas interessadas em aprimorar estudo e com uma cultura suficiente para se comunicar com os outros.

Meu conselho é que, ao mesmo em tempo que se aprimore na arte do desenho, também se empenhe no aprimoramento de sua cultura.

Hoje é mais fácil fazer isso. Temos uma base de pesquisa que é a internet. O problema é que os jovens só pesquisam na internet e o conteúdo indiscriminado da net traz mais mentiras que verdades. Dessa forma é preciso pesquisa em revistas, em entrevistas com pessoas que são referência de conteúdo. Aí está a diferença. Quem fizer isso já ganha de cara muitos pontos na frente dos seus concorrentes.

Holofote Virtual: A internet tem sido um ótimo canal para os estes profissionais?

Jal - Iniciei minha carreira de cartunista na Folha de São Paulo em 1973. Era uma época em que os novos desenhistas só conseguiam espaço para mostrarem seus trabalhos em fanzines produzidos em fotocópias.

Portanto, para mim, a internet é uma maravilha da comunicação. Os novos autores não precisam nem gastar com fotocópia pois basta abrir um blog ou site gratuitamente e chegar ao mundo todo. Claro que essa ferramenta tem que ser bem utilizada. Assim como facilita a comunicação também expõe milhares de alternativas e o autor corre o risco de ficar anônimo no meio de tudo isso. Se juntar competência com criatividade, aí a coisa fica bem a favor do autor.

Holofote Virtual: Qual a função da caricatura?

Jal - A caricatura é real e mostra o presidente como ele é. Se é careca, terá até ampliada sua vasta calvície. A caricatura é história iconográfica pura. Eu trocaria as fotos dos presidentes dos livros escolares por caricaturas. As crianças iriam lembrar mais de cada um e até se interessarem mais pela história deles.

Minhas melhores caricaturas foram do Delfim Neto quando era ministro do Planejamento, Agricultura e da Economia em épocas distintas. Ele esteve em vários governos militares e não podíamos fazer caricaturas dos presidentes militares. Aí o Delfim era o que mais aparecia nas charges.

Um dia fiz um documentário sobre o Salão de Piracicaba onde entrevistamos o Delfin sobre a mania dele de colecionar charges feitas sobre sua pessoa. Ele disse que apreciava quando o chargista o apanhava em momentos difíceis. Usou o próprio bom humor contra o humor. Por isso o chargista precisa ter boa formação de análise para digladiar com essas personalidades fortes.

Holofote Virtual: Você contou "A história do futebol no Brasil através da Charge (2005)". O que anda criando atualmente?

Jal - Bem, esse livro "A história do futebol no Brasil através do Cartum", que fiz junto com o Gualberto Costa, é único e está esgotado. Único, pois não há outro que reúna mais de 100 grandes desenhistas em cerca de 300 ilustrações e que conta uma história que vem de antes do Charles Miller trazer bola e equipamento para o Brasil. Agora estamos para fazer uma atualização e relançá-lo no próximo ano por nova editora.

Atualmente tenho uma empresa de comunicação que trabalha com o Mauricio de Sousa e cria eventos e exposições. Também produzo com o Gualberto Costa o Troféu HQMIX que já está em sua 22º edição e tem a parceria do Serginho Groisman. Na internet estou com mais 10 cartunistas no primeiro futeblog do mundo (www.a-academia.zip.net) onde os onze cartunistas são palmeirenses.

Estou estimulando para que todos os times tenham um desses futeblogs para que no futuro criemos um campeonato de futeblog nacional e até internacional. Isso poderá ter algum patrocínio e ampliar o mercado de trabalho para o cartunista. Humor gráfico e futebol é uma receita que dá certo.

Holofote Virtual: O Troféu HQMIX... Como ele funciona?

Jal - Até hoje não sei como consegue funcionar...RêRêRê.. brincadeira!

Tudo começou no programa TV MIX na Tv Gazeta de São Paulo quando eu e o Gualberto Costa tínhamos uma coluna de quadrinhos no programa apresentado pelo Serginho Groisman e Astrid Fontenele. Aí achamos que seria legal ter um troféu dos melhores do ano votados pelos próprios cartunistas e pessoas da área de desenho.

Começamos com os representantes de cada Estado brasileiro e agora já são cerca de dois mil profissionais da área votando. São 22 anos que levaram o Troféu a ser conhecido pelo mundo como o Oscar das artes gráficas na América Latina. Começamos a trabalhar na organização logo depois da entrega do troféu que acontece entre julho e agosto.

Holofote Virtual: Deve ser uma longa empreitada...

Jal - Dá um baita trabalho já que somos todos voluntários e temos que cuidar de nossos empregos ao mesmo tempo. Mas é algo necessário para a área já que posiciona toda uma categoria diante da produção cultural no Brasil.

Fazemos o levantamento de todos lançamentos e produção do ano que se encerra e várias comissões escolhem os sete indicados em cada categoria. Aí enviamos as cédulas para os votantes. Caso não concorde com os indicados, há a possibilidade de votar em outra opção além dos sete escolhidos pela Comissão de Organização do Troféu.

Nesse ano abrimos um blog para que todos dessem idéias e discutissem essas indicações. É o mais democrático possível. Tem uma auditoria de advogado do Tribunal de Ética da OAB sobre o processo de votação. Depois coordenamos o dia de entrega do Troféu com um show com Serginho Groisman, nosso padrinho, e a Banda do programa Altas Horas.

Isso acontece no SESC Pompéia que paga a base do evento e os mais de 50 troféus para os vencedores. A cada ano homenageamos um personagem de HQ ou humor gráfico brasileiro. Nesse ano é o Astronauta do Mauricio de Sousa que completou 50 anos de carreira em 2009, ano que estamos premiando. Outras informações podem conseguir no site www.hqmix.com.br

Holofote Virtual: Ziraldo, Jaguar e Millôr fizeram a sua cabeça com o Pasquim, qual foi teu contato com eles na época?

Jal - Eu comecei a publicar no ano de 1973 na Folha de São Paulo. Eram quadrinhos com um personagem meu chamado Zélio O Repórter. Aí eu já fazia quadrinhos jornalísticos pois o tema era bem próximo às notícias dos jornais da época.

O Zélio era o repórter que conseguiu a famosa foto na praia da Jaqueline Kennedy de "peitcho" de fora. Também foi ele quem conseguiu entrevistar o Poderoso Chefão do filme de Coppola. Entrevistou o Shigeaki Ueki, ministro de Minas e Energia do governo militar de Geisel e até conseguiu a última entrevista com Nixon antes dele se demitir da Casa Branca depois do escândalo Wathergate.

Toda essa noção política em minha cabeça de 18 anos vinha da leitura do Pasquim desde os 14 anos. Foi assim com milhares de pessoas nesse país. O Pasquim foi uma revolução pelo humor. Em 1999, ninguém comemorava os 30 anos do Pasca. Aí eu e o Gualberto Costa (sempre ele) resolvemos fazer um documentário sobre a história do jornal. Fizemos para a TV SESC e me orgulho de ter conseguido entrevistas históricas com Ziraldo, Jaguar, Millôr que viraram não um mas dois documentários.

Holofote Virtual: Como anda a criatividade dos profissionais brasileiros?

Jal - Hoje? Vejo os chargistas meio perdidos para fazer humor cáustico. Vejo mais piadinhas sobre os acontecimentos do que uma análise mais profunda do que somos e do que queremos. Acho que o Angelí é o que consegue chegar mais adiante na charge. Não é por acaso que vem ganhando do o Troféu HQMIX como chargista na última década. Já as ilustrações e cartuns e mais ainda a caricatura são espetaculares. Quadrinhos então, vejo uma super-geração tomando conta do pedaço com muita competência.

Holofote Virtual: Como funciona a Associação de Cartunistas do Brasil, da qual você é presidente?

Jal - A ACB - Associação dos Cartunistas do Brasil é uma entidade mantida por voluntários que não cobra mensalidades e procura fortalecer a profissão de desenhista e o mercado de trabalho. Para isso montamos um site que tem muitas dicas e até um livro que pode ser baixado, gratuitamente, que demonstra de como se deve agir para entrar no mercado de trabalho.

É importante pois tem muita desinformação na área o que é ruim para todos. Um desenhista novo que aceita fazer um trabalho gratuito para um veículo de mídia, só para divulgar seu nome, está errando na base.

Quando a pessoa que o chamou tiver dinheiro para pagar um trabalho não vai chamá-lo. Vai procurar um desenhista de nome e ele ficará com o carimbo na testa de que é o cara que faz de graça. Assim ele não terá dinheiro para aprimorar sua arte, fazer cursos, comprar material de qualidade e pelo menos viver disso.

Ao mesmo tempo ele está acabando com o emprego de um profissional que poderia receber por aquele trabalho. Os empresários que contratam um desenhista devem sacar que pagar bem fará com que o desenhista dedique seu tempo para aquele trabalho e pode ser a diferença entre vender mais seu jornal, revista, etc. Desenhista bem paga dá lucro para o editor. Precisamos fortalecer essa verdade.

18.9.10

Evento reúne diretores da velha e nova geração em torno do cinema documentário

Pense em uma mostra audiovisual toda voltada para o cinema documental, reunindo grandes mestres brasileiros e outros mais jovens, da nova geração de documentaristas.

E mais. Com sessões de grandes clássicos e novas produções; bate papos, onde os diretores convidados se encontrariam em ótimos debates com o público para discutir a produção e as linguagens do filme documentário e ainda falar daquelas obras que influenciaram suas carreiras.

Uma maravilha, não é? Pois esta mostra existe e está acontecendo até amanhã, 19, em Ipanema, no Rio de Janeiro.

Entre os documentaristas top que participam, estão Vladmir Carvalho, Bebeto Abrantes, Eduardo Coutinho, Eryk Rocha, Jorge Bodanzky, Maurice Capovilla, Octavio Bezerra, Sandra Werneck, Silvio Da-Rin e Sylvio Back.

Da nova geração de documentaristas presente, como convidados da Mostra Faróis do Cinema, está um paraense, Vitor Souza Lima (na foto abaixo, com o microfone), diretor de “Mãos de Outubro”, que teve o filme exibido e participou do Encontro “Novas Luzes”, ao lado de Carlos Alberto Mattos (na mesma foto, ao lado de Vitor), o curador e idealizador da Mostra Faróis que, pasmem, começou a partir de um blog.

“Isso demonstra o potencial da blogosfera para gerar ideias e eventos capazes de saltar da rede virtual para o offline da cena cultural. Aquilo que no blog eram comentários rápidos, sintéticos, agora poderá se transformar em reflexões mais aprofundadas”, comentou Mattos no blog da Revista Moviola, que cobre a mostra.

Vitor Souza Lima enviou um e-mail emocionado ao Holofote Virtual relatando um pouco destes últimos dias de participação na Mostra Faróis do Cinema, que chegamos a divulgar aqui, à época do convite que ele recebeu.

Um dos momentos bons de sua estadia foi o encontro que teve com Éryk Rocha. O cineasta fez parte da comissão que julgou e premiou os roteiros inscritos no Edital Mis-Pa de Cinema, em 2008, no qual “Mãos de Outubro” ficou em primeiro lugar. Éryk foi o jurado entusiasta do projeto, discutindo e defendendo o documentário estético, sobre o Círio de Nazaré, proposto por Vitor.

“Ontem tive o prazer de conhecer e conversar com o Eryk Rocha. Foi uma noite maravilhosa por várias razões. A principal delas, algo que eu ainda não sabia que ele foi uma das pessoas que apoiaram o meu projeto desde o início, durante a seleção”, comentou, elegendo o filho de Glauber Rocha, impossível não dizer, como o principal responsável pela aprovação de sua obra.

Nada mais de acordo este bate papo entre eles, afinal, a Mostra Faróis também tem este exato objetivo, de proporcionar encontros como este, não? O evento está acontecendo na CAIXA Cultural RJ e no Oi Futuro Ipanema. Iniciou no domingo, 06 de setembro, e só encerrará neste domingo, 19. Haja fôlego, organização e amor à causa para realizar algo desta proporção e importância.

Ao longo desses dias já aconteceram muitas outras coisas, como a homenagem ao cineasta e fotógrafo Mário Carneiro (falecido em 2007), na abertura, com a exibição de uma coletânea de seus filmes curtos e um outro encontro histórico.

Na última terça-feira, 14, após a exibição de Cabra Marcado para Morrer, Eduardo Coutinho e Vladimir Carvalho (foto) encontraram-se para conversar sobre seus filmes e suas admirações no cinema. O detalhe é que antes disso, eles só tinham se visto na década de 1980, na Universidade de Brasília.

Para saber mais, muito mais sobre a Mostra Faróis do Cinema, seu histórico virtual, e acompanhar estes dois últimos dias de programação, ver vídeos e ler matérias sobre os debates, acesse o endereço do evento na internet e acenda também seu farol para o cinema de documentário: www.faroisdocinema.com.br .

Obs: Com exceção da foto de Éryk, todas as outras levam crédito de Conrado Krivochein.



17.9.10

Salão Internacional de Humor da Amazônia divulga os premiados deste ano

Não foi uma tarefa fácil, mas o júri do 3 Salão Internacional de Humor da Amazônia, formado pelos cartunistas Edgar Vasques (RS), Jal (SP), Fernandes (SP), J. Bosco (PA) e Érico Aires (MA), conseguiu chegar, na manhã desta sexta-feira, 17, a um consenso e escolher as obras premiadas deste ano, selecionadas entre as mais de cem que estavam concorrendo em três categorias de humor gráfico.

Na categoria Ecologia, o 1 lugar foi para o cartun “Árvore Suicida” (ao lado), de Vilanova (RS), o segundo ficou com “La Impressora” (abaixo), de Boligán, do México e a Menção Honrosa, com “The End”, do paraense Waldez.

Na categoria de Tema Livre, foram escolhidos os cartuns “Payaso 2”, do espanhol Leslie, em primeiro lugar; “Múmia Silicone”, título sugerido pelos jurados à obra do paraense Casso, que ficou com o segundo lugar. A Menção Honrosa foi para “Cães Osso”, outra obra sem título, mas que recebeu este nome inventado pelo júri, também de Waldez.

Já na categoria Caricatura, que estreou este ano no salão, foram premiadas as obras “Madre Tereza, de Joseph, da Argentina, em primeiro lugar; e a caricatura do jazzista Chet Baker, do paulista Dalcio Machado, em segundo lugar. A Menção Honrosa ficou com a caricatura do grupo Rolling Stones, do paulista Zeco Rodrigues (ZR).

Para o arquiteto, cartunista, jornalista e um dos mais conceituados desenhistas do país, Edgar Vasques, trabalhar com o tema central do Salão da Amazônia, a ecologia é ao mesmo tempo inevitável, mas também um grande desafio aos cartunistas e ao júri.

“Existe uma grande dificuldade de ser original, pois a ecologia é um tema que está em voga, merecidamente, pois todos nós estamos preocupados com o que esta acontecendo com o planeta em diversos níveis da relação do homem com a natureza.

Mas só que isso tem tornado o tema bem batido e acaba que as idéias se repetem e é muito difícil achar aquela característica importante do cartun que é a surpresa ou aquela grande piada que te surpreende, te dá impacto cômico ou de reflexão”, explica.

Esta foi a principal dificuldade para chegar aos premiados deste ano. Os jurados precisaram garimpar bastante para definir os trabalhos que, em suma, mais demonstraram força de criação.

De acordo com Vasques, isso tem acontecido em inúmeros salões de humor gráfico espalhados pelo mundo. “Mesmo assim, conseguimos aqui, encontrar cartuns diferentes, que souberam abordam de forma original o tema da ecologia”, comemora.

Em “Árvore Suicida”, Edgar diz que o autor Vilanova conseguiu trabalhar a questão do visual do concreto contra a árvore, obtendo uma solução diferente para este problema. Já o mexicano que ficou em segundo lugar, o Boligán, com “La Impresora” conseguiu dar uma visão bem original dentro do tema ecologia ao propor uma auto critica.

“Nós cartunistas, para fazer nosso trabalho, dependemos de insumos, como o papel e o lápis, que vem da floresta e temos que ter responsabilidade no uso destes materiais, porque eles custam caro para o equilíbrio da natureza”, justifica.

No tema livre, a questão da originalidade também é recorrente. “Mas a nossa tarefa principal foi justamente encontrar obras que conseguem preservar o humor e a relação do cartun com o espectador. Acho que conseguimos fazer isso com os cartuns que foram premiados”, diz Vasques.

A caricatura é uma história à parte, mas a mesmice também está em caricaturar pessoas que estão na moda, como aconteceu, por exemplo, com José Saramago há alguns anos, quando ele recebeu o Prêmio Nobel. A modalidade, porém, requer julgamento de cunheo mais artístico. Enquanto no cartun a idéia pode sobressair ao traço, nesta ele é primordial.

O primeiro lugar é uma surpresa, trata-se de uma fotografia de um pano que o artista conseguiu dispor de tal forma a configurar a caricatura de Madre Tereza. “Muito interessante e original”, diz Vasques.

Em segundo lugar, o jazzista Chet Baker levou o prêmio , pois nem se trata de alguém tão popular. Venceu a ousadia. Já a menção honrosa vai para uma caricatura de grupo, no caso Os Rolling Stones, algo diferente também.

“A sessão de caricaturas é uma das mais bonitas deste salão. Há vários estilos ali, desde aquela minimalista, onde o cara faz dois risquinhos até aquela super detalhada que mostra até as rugas da cara do sujeito.

É visualmente uma festa a parte da caricatura e aí o desenho tem que ser bom”, finaliza. O 3 Salão Internacional de Humor da Amazônia fica aberto até dia 26 de setembro, no Espaço São José Liberto.

A realização do 3º Salão Internacional de Humor da Amazônia é da Central de Produção – Cinema e Vídeo na Amazônia, com patrocínio da Oi, através da Lei Semear, com apoio cultural Oi Futuro, Sol Informática e do Hilton Hotel, via Lei Tó Teixeira. O apoio institucional é do Espaço São José Liberto e do Instituto de Artes do Pará.

Vencedores

TEMA ECOLOGIA
1 LUGAR – ARVORE SUICIDA – VILANOVA – BRASIL (RS)
2 LUGAR – IMPRESSORA – BOLIGÁN – MÉXICO
MENÇÃO HONROSA – TEH END – WALDEZ – BRASIL (PA)

TEMA LIVRE
1 LUGAR - PAYASO 2 - LESLIE – ESPANHA
2 LUGAR - MÚMIA SILICONE – CASSO – BRASIL (PA)
MENÇÃO HONOROSA - CÃES OSSO – WALDEZ – BRASIL (PA)

CARICATURA
1 LUGAR - MADRE TEREZA – JOSEPH -ARGENTINA
2 LUGAR - CHET BAKER – DALCIO MACHADO – BRASIL (SP)
MENÇÃO HONROSA – THE ROLLING STONES – ZECO RODRIGUES (ZR) – BRASIL (SP)







Miguel Miguel é um marco na história da televisão paraense

Lançamento da minissérie traz filhos de Haroldo Maranhão a Belém e junto com eles, além da emoção de ver a obra do pai no telão de cinema, 10 textos inéditos do autor, a serem publicados. Quem se habilita?

Uma das mais importantes obras do escritor paraense Haroldo Maranhão, a novela “Miguel Miguel”, foi transformada em minissérie e já tem estreia marcada, para 25 de setembro, na Tv Cultura do Pará (20h).

A iniciativa é inédita na história da televisão paraense. O público terá oportunidade de ver uma parte da obra, antes da exibição na TV. "Vamos exibir um making of feito pela TV Cultura, o primeiro episódio e um trailer da série", informa Roger Elarrat, diretor da minissérie.

A programação acontece, nesta sexta-feira, 17, se for ao seu lançamento, a partir das 19h, no Teatro Estação Gasômetro. A entrada é franca, mas será preciso retirar o convite na bilheteria.

Mas o elenco, a equipe técnica e alguns convidados já viram e aprovaram o resultado, na íntegra, em uma sessão especial, realizada, na última segunda, 13, com presença de Ivone e Haroldo Paulo Maranhão, filhos do autor paraense.

O trabalho surpreende o espectador do começo ao fim. Logo na abertura sentimos a força de uma abertura em animação no traço de Otoniel Oliveira, e embalada pela belíssima trilha original de Leonardo Venturieri.

Roger foi muito cuidadoso em cada detalhe. É possível, inclusive, acompanhar muito do que foi este trabalho, através do blog Miguel Miguel.

Haroldo Paulo Maranhão, filho do autor de "Miguel Miguel", falou emocionado logo após a exibição especial do filme. “O grande sonho dele era ver uma obra sua adaptada para um filme ou para televisão. Se meu pai estivesse aqui, com certeza ele ia adorar”, disse. Estava impressionado e disse viu detalhes que em muito lembraram o cotidiano de Haroldo Maranhão.

“A arrumação do escritório do Varão é exatamente da mesma forma que meu pai guardava as coisas dele”, disse para depois admirar-se de detalhes “engraçados”, exemplificando com o hábito que o personagem Varão tinha de, ao abrir o jornal, ir direto à página dos obtuários. “Era exatamente o que meu pai fazia. Ele cortava algumas coisas engraçadas e colava exatamente como o Varão”.

Quando o escritor Haroldo Maranhão esteve pela última vez, em Belém, no ano de 2001, seu acervo estava sendo adquirido pela Vale e doado à Biblioteca Pública Estadual Arthur Vianna.

É lá que estão os cerca de cinco mil volumes que lhe pertenciam. Há livros de Manuel Bandeira, Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Murilo Mendes, Carlos Drummond de Andrade, Jorge de Lima, Cecília Meireles, Vinícius de Moraes e João Cabral de Melo Neto, Castro Alves, Gonçalves Dias, José de Alencar, Joaquim Nabuco, José Veríssimo e Inglês de Sousa.

Com uma biblioteca assim, quem diria que ele também gostava de ler obtuários. Engraçado. Haroldo sabia mais sobre Varão do que podíamos imaginar, há um ano, entre julho e agosto, quando as gravações estavam acontecendo.

O resultado disso, somado a competência técnica de toda a equipe, foi traduzido como “um ótimo trabalho”.

A adaptação e direção de Roger Elarrat mexeu com a estrutura narrativa da novela, no livro, mas não perdeu nada de essencial para o necessário mergulho na história de um homem que, lendo obituários, constata a morte do mesmo amigo, duas vezes.

“Miguel Miguel”, a minissérie, traz no melhor estilo do realismo fantástico, uma trama que mescla humor e tensão, esta reforçada esteticamente na direção de fotografia de Carlos Ebert e na arte, de Bóris Knez, além da atuação de vários atores paraenses, veteranos no teatro, mas estreantes no cinema, como é o caso de Henrique da Paz, que encarna Varão de forma a envolver o espectador em sua loucura, e Yeyé Porto, que vive Úrsula, sua esposa. A química, ente os dois, deu certo e com a direção de Adriano Barroso, deu forma e consistência às personagens criadas por Haroldo Maranhão.

Também fazem parte do elenco, os atores Paulo Marat, Salustiano Vilhena, Astréia Lucena, Olinda Charone, Ailson Braga e Ana Lobato, que completam o círculo de amizade do casal.

Há ainda participações especiais de Adriano Barroso, que também preparou o elenco; de Cláudio Barradas, que traz longa carreira no teatro, e que também já havia feito cinema, com Líbero Luxardo (Marajó, Barreira do Mar); e do músico Nego Nelson, como Miguel. Nego viu o filme antes de viajar para o Rio de Janeiro, na semana passada, para finalizar um novo CD.

Ah, sim, Carlos Ebert faz uma ponta. Elarrat também não perdeu a oportunidade Hitchikockiana. Preste atenção nos últimos momentos da minissérie e vai vê-los como garçons de um Café, espaço derradeiro do último encontro entre Varão e Miguel. Na verdade, o filme traça certa cumplicidade com a equipe que, em vários momentos, se juntou à figuração nas cenas do cemitério, durante o primeiro enterro de Miguel.

Inéditos - Haroldo Maranhão morreu em 2004, no Rio de Janeiro, capital, onde morava há mais de 30. Além de “Miguel Miguel” (1992), deixou inúmeras obras lançadas, como “Rio de Raivas” (1987), “Cabelos no Coração” (1990) e “Memorial do Fim”, entre outros.

Escrevia muito, por isso não é de se estranhar que tenha deixado tantos textos na gaveta. Durante toda esta semana, os filhos de Haroldo Maranhão estiveram fazendo contatos em Belém, a fim de encontrar interessados em editar nada menos que 10 trabalhos inéditos do pai, entre contos, crônicas e romances.

“Todos têm a qualidade, reconhecida, de suas obras anteriores. Estamos procurando uma editora séria”, diz Ivone. Há quarenta anos fora de Belém, ela e o irmão também estarão no lançamento desta noite de sexta, 17. Ela diz ainda que também ficou emocionada com o resultado do trabalho com Miguel Miguel e que gostaria de ver outras obras do pai no cinema, caso haja interesse de algum cineasta. Roger e Adriano, aliás, receberam deles um conto, quem sabe...

Há quarenta anos longe daqui, Ivone diz que o contato pessoal com a equipe foi muito bom. “Estamos contentes em ver Miguel Miguel no cinema e rever a terra de nosso pai, minha também porque aqui nasci, e visitar amigos e parentes”.

Na foto ao lado, último dia de filmagem. Ebert, comemora!

“Miguel Miguel” é uma obra televisiva realizada através do edital de minisséries das Emissoras Funtelpa, lançado em 2009, contemplando dois projetos. O projeto de adaptação do livro de Haroldo Maranhão feito por Roger Elarrat e produzido pela Digital Produções foi o primeiro colocado.

Em segundo ficou “Vida de Cão”, de Walerio Duarte, baseado em contos do escritor Ildefonso Guimarães.

Este ainda não produzido, ganhou a promessa da Funtelpa de uma nova assinatura de contrato, a fim de repassar o devido prêmio de R$ 100.000,00, previsto no edital. Vamos aguardar. Enquanto isso, é ver e curtir “Miguel Miguel”, que traz cenas gravadas pela cidade de Belém, em um cemitério de Marituba e locações no casarão que pertenceu ao artista plástico Antar Rohit, na Rua Ó de Almeida.

Ebert, que tem a experiência de veterano no cinema brasileiro aposta que o filme fará uma bela trajetória. “Tenho certeza de que este trabalho vai ser projetado nacionalmente. Está tudo muito bom”, elogia.

Ficha técnica:

Direção - Roger Elarrat
1 Assistente de Direção - Célio Cavalcante Filho
2 Ass. de Direção e Making Of- José Aranud
Roteiro Adaptado da Novela Homônima de Haroldo Maranhão - Adriano Barroso e Roger Elarrat
Direção de Fotografia - Carlos Ebert, ABC.
Direção de Arte & Cenografia - Boris Knez
Trilha Sonora Original - Leonardo Venturieri
Edição de Imagem - Roberta Spindler
Edição de Som - Lozansky Benur
Produção Executiva - Fernando Penna de Carvalho
Coordenação de Produção - Francy Oliveira
Concepção de Maquiagem - Sônia Penna
Maquiagem - André Ramos
Figurino - Ézia Neves
Costureira - Telma Lima
Som Direto - Mário Ribeiro
Continuísta - Luciana Medeiros
Assistente de Continuísta - Luciano Lira
Preparador de Elenco e Casting- Adriano Barroso
Coordenação de Arte - Teo Mesquita
Produção de Objetos - Nairy Sidrim
Cenotécnicos - Jorge Luis da Silva Matos, Jorge Luis Pereira Amador e Rubem Aragão.
Pintor de lisos - Jorge Luis da Silva Matos
Pintor de Arte - Boris Knez e Rubem Aragão
Impressos de Arte - Wilson Mendes e Deborah Aguiar
Platô & Contra-regra - Teo Mesquita e Carol Magno
Operador de Câmera - Anderson Batista/Daniel Pamplona
Fotografia Still - Marcelo Lelis
Abertura/Animação - Otoniel Oliveira

Elenco: Varão: Henrique da Paz; Úrsula: Yeyé Porto; Miguela Pompeu: Olinda Charone;
Miguel dos Arcanos: Nêgo Nelson; Dona Walkíria: Astrea Lucena; Doutor Mário: Ailson Braga; Seu Paulinho: Salustiano Vilhena; Júlio: Paulo Marat; Catarina: Ana Lobato; Redator de Obituários: Adriano Barroso; Padre: Cláudio Barradas; Fotógrafo de Velório: Marcelo Lelis; Jonas: Paulo Porto; Waldir: Carlos Ebert.

Theatro da Paz recebe Filarmônica de Minas Gerais

A Orquestra Filarmônica de Minas Gerais se apresenta pela primeira vez na Região Norte, escolhendo para esta estreia, uma apresentação em Belém, hoje, 17, a partir das 20h30, no Theatro da Paz, reaberto esta semana ao público, depois de passar por um processo de restauro.

O roteiro, que inclui ainda a cidade de Manaus, no dia 19, faz parte da maior turnê nacional da companhia, que em 11 dias percorreu mais de cinco mil quilômetros, passando pelos estados da Bahia, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará.

Os músicos da Filarmônica, sob a regência do diretor artístico e regente titular, maestro Fabio Mechetti, estarão no palco a partir das 20h30. Para muitos, será a oportunidade de assistir ao vivo a Filarmônica de Minas Gerais, já considerada a segunda maior do país, apesar de sua pouca idade – foi criada em fevereiro de 2008. A expectativa é mostrar o trabalho desenvolvido pela Filarmônica nos últimos dois anos e meio. A orquestra já foi aplaudida por mais de 170 mil pessoas em Minas Gerais e outros estados.

“Esse período rendeu uma resposta fenomenal em Minas Gerais e também nas turnês anteriores que realizamos em Brasília, Goiânia, Rio, São Paulo e Campos do Jordão”, exemplifica Fabio Mechetti.

“Acho importante mostrar que, a despeito das dificuldades por que a música erudita brasileira vem passando há décadas, é possível, com vontade política e competência profissional, dar saltos impressionantes em direção a uma evolução substancial da música orquestral”.

Na bagagem dos 85 músicos viajam as partituras de O Guarani: Protofonia, de Carlos Gomes, o mais conhecido músico brasileiro do século XIX; a Sinfonia n 41, “Júpiter”, de Wolfgang Amadeus Mozart; e a bela Sinfonia n 8 em Sol maior, do compositor tcheco Dvorák.

A viagem dos músicos pelo Norte é vista por Fabio Mechetti como um descobrimento mútuo. “Primeiro, um descobrimento de nossa parte em relação ao público das cidades que visitaremos. Depois, uma oportunidade da comunidade musical do Norte conhecer a mais nova Orquestra do Brasil, que vem estabelecendo uma nova referência nacional”, explica Fabio Mechetti, também regente titular e diretor artístico da Orquestra Sinfônica de Jacksonville, na Flórida (EUA).

“Quisemos nos apresentar pela primeira vez para esse novo público com um repertório que fosse do agrado geral tanto dos apreciadores da música sinfônica quanto dos que a conhecem pouco. Muitos certamente poderão escutar uma orquestra sinfônica desse porte pela primeira vez. São, portanto, compositores que têm um apelo universal imediato como Mozart, Beethoven, Dvorák, e logicamente o nosso Carlos Gomes”, acrescenta o maestro.

“Creio que o público do Norte ficará tão surpreso com a qualidade e maturidade da Filarmônica, como aconteceu quando nos apresentamos na Sala São Paulo ou em Campos do Jordão. Esperamos, também, compartilhar com aqueles que nos prestigiarem momentos de grande alegria e prazer proporcionados pelo nosso trabalho”. Em Belém, a apresentação integra a programação do 4° Festival Internacional de Ópera da Amazônia.

Serviço
Apresentação única da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais. No Theatro da Paz, no dia 17 de setembro, às 20h30. Mais informações sobre a Filarmônica de Minas Gerais em www.filarmonica.art.br.






16.9.10

Polichinello lança revista n. 12 com textos de Maria Lúcia Medeiros e Edson Coelho

Esta semana está fervendo de programações culturais de qualidade em Belém.

Entre outras coisas, que tentaremos filtrar aqui no Holofote Virtual, nesta sexta-feira, 17, haverá o lançamento da revista Polichinello n. 12, cujo tema é o “Acaso, Por Acaso” e do novo livro “A Literatura e os Possíveis da Escrita Literária”, de Nilson Oliveira, também editor da revista.

A programação acontece a partir das 19h, no Instituto do Patrimônio Histórico- IPHAN – na Av. Governador José Malcher com Rui Barbosa, Nº 675. De acordo com Nilson Oliveira, o tema tratado na revista não é uma investida escolástica ou conceitual. De acordo com ele não se quer definir nada.

“A questão foi perceber como o acaso afeta a literatura, ou melhor, pensar o acaso através da Literatura. O resultado foi improvável, o melhor possível. Veja só, num período de tantos imperativos: informação/ certezas, mas paradoxalmente pouquíssima criação e cada vez menos acontecimentos, o acaso torna-se o sopro que faz desabar/ desarranjado engrenagens, engendrando desconcertos, aberturas, sustos, vibrações. Desse modo, o acaso é força indeterminada, força do possível. Esse é o mote que seguimos na edição”, avisa.

Entre outros, esta edição traz Edson Coelho, com um belo poema sobre o Acaso, criado especialmente para revista. Aliás, do Edson estou lendo um livro lançado em 2005, chama-se "Amor & Sexo - Vinte e Oito Relatos", com preciosidades, garanto. Mas só estou lendo, porque o próprio me emprestou, já que a edição está esgotada. É fato que merece reedição e lançamento em grande estilo.

Mas voltando a Polichinello, esta edição também traz Karina Jucá, com um ensaio sobre a obra de Vicente Franz Cecim e Maria Lúcia Medeiros, com duas publicações, que saíram na Antologia de Contos.

“Maria Lucia é uma força presente na Polichinello, é uma escrita que estamos desde sempre ligados, que muito nos afeta”, diz Nilson.

Quanto aos demais colaboradores, são vários, vem de diversas partes: Daniel Lins (CE), Nelson de Oliveira (SP), Henri Michaux (França), Juan José Saer (Argentina), Eduardo Pellejero (Argentina), André Dick (RS), André de Aquino (PA), João Cabral de Melo Neto, Luis Heleno Montoril del Castilo (PA), John Keats, Alberto Pucheu (RJ), Sandra Mara Corazza (RS), Marcio André (RJ), Alfredo Fressia (Uruguai), Román Antopolsky (Cuba) Izabela Leal (RJ), etc, etc.

A revista Pollichinelo foi criada em 2004, objetivando engendrar um espaço de confluência entre leitura crítica e escrita literária. Publica ensaios, poemas, contos, de escritores de pouca difusão, outro mais, reativar a escrita de autores que renovaram a escrita literária, atravessando as fronteiras do regional, erigindo conexões outras para literatura. A versão impressa da Polichinello tem edição trimestral. O contato é o e-mail revista.polichinello@gmail.com. Confira mais sobre este trabalho aqui.

3º Salão Internacional de Humor da Amazônia

Abertura Oficial
17 de setembro - 19h30
Local: Espaço São José Liberto

Visitação
18 a 26 de setembro* – 9h às 19h
Local: Espaço São José Liberto

*Às segundas-feiras, o espaço não abre para visitação.


PROGRAMAÇÃO PARALELA - INSCRIÇÕES ABERTAS

18 de setembro- 10h

Palestra: “Como utilizar o humor gráfico e quadrinhos na sala de aula”
Local: Instituto de Artes do Pará (ao lado da Basílica de Nazaré).

Ministrante: Jal (São Paulo-SP). Cartunista, também atua como jornalista e começou a carreira no jornal Folha de S. Paulo em 1973. É ainda presidente da Associação dos Cartunistas do Brasil (ACB) e fundador das associações Brasil/Portugal de Banda Desenhada, Brasil/México de Humor Gráfico e Brasil/Cuba de Historietas. Também fundou o Troféu HQ MIX das Artes Gráficas, ao lado de Gualberto Costa, um dos curadores dos Sábados da Memória.

Mais informações: (91)3343.3567/ 8156.4212/ 8805-5249

20 de setembro – 09 às 13h

Workshop: “Aquarela como arte aplicada”
Local de inscrição e workshop: Instituto de Artes do Pará – IAP. Vagas: 15.

Ministrante: Edgar Vasques (Porto Alegre- RS). É arquiteto, desenhista, jornalista e um dos mais conceituados desenhistas do país. Chargista, cartunista e caricaturista, participou do boom do humor dos anos 70 e criou o personagem “Rango” que foi, na época, um símbolo de resistência a ditadura militar. É autor de vários livros de caricatura, humor e histórias em quadrinhos, tendo publicado em 1999 a elogiadíssima HQ “Sotto Vocce”. Exímio aquarelista, também completou o belo texto de Eduardo Bueno com reconstituições de cenas da época do descobrimento.
Mais informações: (91)4006-2904.

20 e 21 de setembro – 16 às 18h

Oficina de Desenho de Humor: Caricaturas, Cartuns e Charges
Local de inscrição e oficina: Instituto de Artes do Pará – IAP. Vagas: 15.

Ministrante: Fernandes. Cartunista, trabalha no jornal Diário do grande ABC. Publicou pela primeira vez em 1979, no jornal “O estábulo”, em Avaré.
Começou a participar de salões em 2001. Ilustrou vários livros infantis, entre eles a turma de Gersão ( Gerson de Abreu) e a coleção do Castelo Rá Tim Bum editado pela Editora Cia das Letrinhas. Em 2008 foi jurado do International Nasreddin Hodja Cartoon Contest em Istambul na Turquia.

Mais informações: (91)4006-2904.

15.9.10

VMB 2010 ganha festa com transmissão ao vivo em Belém

Banda Mostarda na Lagarta faz show ao vivo

O Café com Arte é mesmo o reduto do rock em Belém. O espaço tem sediado as melhores iniciativas do gênero, sendo o palco das primeiras festas da Se Rasgum e recebendo shows de várias bandas do circuito independente nacional. Nesta quinta-feira, 16, tem mais uma boa programação para que curte a vibe.

A casa está recebendo está recebendo a festa de transmissão do VMB 2010, que estará acontecendo em tempo real, no Credicard Hall, novamente sob o comando do VJ Marcelo Adnet.

Ao todo serão 16 categorias relacionadas à música, internet e games nas quais a audiência pode votar através da internet ou celular. A MTV desenvolveu uma nova ferramenta de votação – o Votorama – para facilitar e incrementar os votos esse ano e superar os 10 milhões de votos do VMB 2009.

Em Belém, no Café com Arte, haverá três telões e TVs de plasma espalhados por todos os ambientes, além de equipamentos de som e iluminação. A decoração também foi criada especialmente para o evento e contará com um grande backdrop para as fotos que ficarão por conta da equipe Mais Foto.

A promessa da MTV Belém e Floresta Cine Vídeo que organizam a festa, com patrocínio da Flying Horse e parceria da Ecleteca e Mais Foto é que as pessoas vão ver um Café com Arte como nunca viram antes.

As atrações também foram especialmente pensadas para o evento, com objetivo de provocar uma grande confraternização. A irreverente banda Mostarda na Lagarta fará um show acústico no quintal do Café, o que já é um diferencial já que este ambiente não costuma receber bandas.

Assim que encerrar a transmissão do VMB 2010 a banda Projeto Secreto Macacos assume o palco da galeria com um show forte de muito experimentalismo na música instrumental. A banda tem sido destaque em todas as suas apresentações.

E durante toda a noite, os melhores coletivos de Djs prometem não deixar ninguém parado. O som das pickups fica por conta dos DJs Se Rasgum, Meachuta, Quero Causar, Durango95, Peggy, Xoc!, Jú Carvalho e Roberto Figueiredo.

A MTV Belém e Ecleteca sortearão vários ingressos e kits contendo camisas, óculos e outros brindes. Para participar é só acompanhar, no Twiiter, o @mtvbelem e @ecleteca. Em Sampa, Stefânia Costa, publicitária e HeadPlanner da emissora, e a VJ Carol Bambolê serão as representantes da MTV Belém.

Serviço
2ª festa de transmissão do VMB em Belém. Nesta quinta-feira, 16, a partir das 21h, com ingresso R$ 15 até 22h. Depois, fica por R$ 20,00.

Fonte: Holofote Virtual com informações da Assessoria de imprensa/MTV Belém

14.9.10

Resitencia Marajoara mostra cobras e feiticeiras no cineclube do CCBEU

Ação criadora originária de comunidades periféricas - na contracorrente das instituições e à revelia do silêncio dos fazedores de opinião e de cultura -, o Resistência Marajoara é uma prova de que os fenômenos culturais não sucedem por decreto ou por vontade de indivíduos, ao contrário, resultam da luta entre grupos e nações e se processam de forma dinâmica no interior das sociedades.

Em dois anos, o projeto Resistência Marajoara se tornou uma marca – resultado de oficinas de diversas linguagens das quais nasceram cerca de dez obras audiovisuais realizadas/produzidas de forma coletiva por jovens que nunca haviam pegado numa câmera de filmar no Município de Soure, ilha do Marajó.

Prêmio Funarte (Residência Artística/Interações Estéticas - 2009), o projeto estimula jovens à produção audiovisual com a tecnologia do possível (disponível). Alguns deste filmes poderão ser assistidos no Cine CCBEU, na próxima quinta-feira, 16 de setembro de 2010.

Com jovens se revezando na realização, produção, técnica e mesmo como atores/atrizes, os filmes deste projeto atravessam o universo marajoara, os elementos mágicos, míticos e religiosos, as encenações híbridas, o sagrado e o profano, alguns signos e as suas possibilidades de traduções, as tradições e o tempo presente, enfim, diversos e complexos processos simbólicos de representação comunitária.

“Forjados nas práticas artísticas e sociais que envolvem as comunidades locais, enquanto pilares das atividades inovadoras que possibilitam a melhoria da qualidade de vida das pessoas, estes filmes são parte de uma nova concepção estética que vem sendo construída a partir dos tradicionais símbolos míticos e eróticos da cultura marajoara, nos quais as falas perdem lugar para as atitudes, os pensamentos saem de cena para a entrada dos gestos, os protocolos são superados pelos processos e os resultados idealizados são destruídos pelas dinâmicas sociais”, analisa o coordenador do projeto, o poeta e realizador Francisco Weyl.

Contexto - Com raríssimas condições de infra-estrutura econômica, o Marajó, a maior ilha rodo-fluvial do mundo (49.606 Km2) se caracteriza pela concentração de renda e elevados índices de mortalidade infantil.

O PIB per capita, de apenas R$ 2.119,00, equivalia a 48% do PIB per capita paraense e a 24% do PIB per capita médio do País.

Com uma população de 22.063 habitantes (IBGE-2007), Soure tem 12.369 pessoas abaixo da linha de pobreza. De acordo com o IPEA, 35.670 famílias estão abaixo da linha de pobreza em todo o Marajó (40% do total de famílias). Em Soure, o IDH médio é de 0,720; 0,860 (Idh educacional); 0,750 (Idh longevidade); e 0,560 (Idh renda).

“O Resistência surgiu para atender a uma demanda da sociedade local, expressa a partir da manifestação de pessoas e grupos articulados à produção cultural marajoara e que dizem respeito à necessidade de que sejam organizadas agendas de intervenção artística e social voltadas, especialmente, à comunidade, e, necessariamente, com a participação desta como propositora, provocadora e executora”, finaliza Weyl.

Serviço
Projeção de filmes coletivos do Resistência Marajoara: “A lenda da cobra grande”, “A festa da cobra” e “Quem cortou a língua de feiticeira que os donos do mundo temiam?”. No Cine CCBEU. Dia 16 de setembro, 18H30min. Entrada e conversa franca. Participam: Andrea Scafi, Francisco Weyl, Rosilene Cordeiro, Joana Rita, Isabela do Lago e Paulo Alex.

Fonte: Projeto Resistência Marajoara

13.9.10

Enquanto isso, nesta semana, no circuito alternativo de cinema...

A segunda-feira, 13, inicia com a exibição de “Edifício Master”, de Eduardo Coutinho (em ação na foto ao lado), no Cineclube Alexandrino Moreira, do Instituto de Artes do Pará (IAP), exibe.

A equipe do documentário acompanhou, durante sete dias, o cotidiano dos moradores do Edifício Master, situado em Copacabana, a um quarteirão da praia.

O prédio tem doze andares e 23 apartamentos por andar. Ao todo são 276 apartamentos conjugados, onde moram cerca de 500 pessoas. A sessão começa às 19h, com entrada é franca.

Coisas de Cinema – Em Icoaraci, o Cineclube Coisas de Cinema exibe, nesta quarta-feira, 15, o longa “Antes do Amanhecer”. Dirigido por Richard Linklater, o filme de 1995 é protagonizado por Ethan Hawke e Julie Delpy e considerado uma das melhores produções a versar sobre o amor. A sessão acontece a partir das 19h15 no Espaço Cultural Coisas de Negro, em Icoaraci - Av. Lopo de Castro (antiga Cristovão Colombo), 1081/ Icoaraci.

O filme, vencedor do Urso de Prata no Festival de Berlim na categoria de melhor diretor, foi escrito pelo próprio Linklater, em parceria com Kim Krizan. A obra tem produção internacional: norte-americana, suíça e austríaca.

Realização: Associação Paraense de Jovens Críticos de Cinema (APJCC) e Espaço Cultural Coisas de Negro. A entrada é franca.

Cine Estação - As ruelas, avenidas, e o patrimônio histórico-cultural de Paris, com seu romantismo peculiar, formam o cenário do filme “Amores Parisienses”, de Alain Resnais, considerado um dos nomes seminais do cinema francês inovador.

O mesmo diretor de "Hiroshima Meu Amor" (1959), "O ano passado em Marienbad" (1961), "Meu tio da América" (1980) e "Smoking/Non Smoking" (1993) está em cartaz no circuito do Cine Oi Estação, com sessões no dias 15 (quarta), às 18h e 20h30; 16 (quinta), somente às 20h30; 22 (quarta), às 18h e 20h30; 23 (quinta), às 18h e 20h30 e 26 (domingo), às 10h.

Projeto Platéia – De quinta a domingo, você tem “À Prova de Morte”, de Quentin Tarantino, em cartaz no cine Líbero Luxardo. Na quinta-eira, de volta o Projeto Platéia, estudantes tem entrada franca, nos demais dias, o ingresso curta R$ 5,00.

Com Kurt Russel e Rosário Dawson no elenco, o filme de Tarantino, de acordo com Rodrigo Carreiro, do site Cine Repórter, o filme reafirma o talento do diretor. Somente alguém como Tarantino teria o talento necessário para promover um filme de aventura, híbrido de slasher (maluco-sai-matando-gente-de-formas-exóticas) com longa de perseguição de carros, à categoria de clássico instantâneo do cinema contemporâneo.

De 16 a 19 e 23 a 26 de setembro, às 19h30. No Cine Líbero Luxardo. Ingressos: R$ 5,00 (com meia-entrada para estudantes). Na quinta: Projeto Platéia, com entrada franca para estudantes com carteirinha.