7.9.24

Seresta do Carmo emociona com carimbó e samba

Ontem à noite, Belém reviveu uma de suas tradições: a Seresta do Carmo. Após 20 anos, o evento retornou à Praça do Carmo, no mês de maio e repetiu a dose, nesta última sexta-feira, no bairro da Cidade Velha. A segunda edição de 2024 reuniu público e artistas em um encontro emocionante com a cultura e o patrimônio da cidade. Além disso, mostrou também a força das mulheres no carimbó e no samba!

Está na memória afetiva e pelo povo, é um patrimônio da cidade, por estar também inserida numa área de tomabemento histórico. A maior prova de sua conexão com a população foi o seu retorno em maio, numa noite muito chuvosa e que mesmo assim trouxe à Praça de Carmos centenas pessoas que viveram seus tempos áureos, nas décadas de 80, 90 e inicio dos anos 2000. 

De volta ao nosso convívio, o desejo é que o projeto continue sendo realizado com o mesmo cuidado em que está sendo feito em sua retomada, promovida pela Prefeitura de Belém, com patrocínio do Banco da Amazônia e do Governo Federal. Sob as luzes do centro histórico, o público assistiu, nesta última sexta-feira, 6, a mais uma edição onde o passado e o presente dialogaram musicalmente. 

A noite começou com o grupo Sereias do Mar, formado por mulheres trabalhadoras da Vila Silva, em Marapanim, que desde 1994 apresentam o carimbó. Comandadas pela Mestra Bigica, as canções trouxeram ao palco a cultura amazônica e animaram o público, destacando a presença feminina no carimbó. 

O grupo vem da Vila Silva, localidade do município de Marapanim, na zona do salgado paraense, onde elas criaram um espaço educativo que reune crianças e jovens em torno da cultura do carimbó. 

Recentemente, suas vivências foram registradas no documentário Mestras, e algumas de suas integrantes, incluindo sua mestra, estiveram em Gramado (RS) com a artista visual Roberta Carvalho e a cantora Aila, que assinaram a direção do filme, selecionado para o festival de cinema mais famoso do país.

Na seresta elas deram um show em que celebraram Mestre Verequete e apresentaram seu repertório autoral, exaltando o carimbó e a presença feminina nesta cultura. Disseram que gostariam de voltar mais vezes à capital. 

Em seguida, Mariza Black subiu ao palco. Com 20 anos de carreira, ela interpretou clássicos nacionais e músicas do seu álbum "Samba Parauara". Sua presença marcante no palco, encantou todo mundo, mais uma vez mostrando que aqui ninguém é doente do pé. 
A apresentação reafirmou a presença do samba paraense no cenário cultural.

A noite ganhou um tom especial com quando Mariza chamou ao palco para uma participação, nada menos que Creuza Gomes, um ícone, que iniciou sua carreira nos anos 60. Alternando entre samba, bolero e outros ritmos, Creuza reafirmou seu legado na música paraense, e simplesmente emocionou a plateia. Entre a nostalgia e a vitalidade, Creuza encantou ao transitar entre samba, bolero e outros ritmos que embalaram gerações. E mostrou por que é a "Rainha do Samba Paraense" e também o "Rouxinol da Amazônia".

Noite de Memória Cultural

A Seresta do Carmo, criada em 1983, voltou a fazer parte do calendário cultural de Belém, não apenas como um evento musical, como também um momento de memória e celebração das tradições da cidade. 

A noite de ontem na Praça do Carmo reforçou que a cultura de Belém segue presente e conectada às suas raízes. O evento foi um marco para os que puderam participar.

No início da programação,  às 18h, a palestra sobre Preservação do Patrimônio Cultural,  que seria ministrada pelo arquiteto urbanista Matheus Vieira, foi suspensa, devido a falta de luz no Teatro Popular Nazareno Tourinho, causada pelo estouro de um transformador.

O palco não foi prejudicado. Mas a palestra foi adiada para outra data que ainda será divulgada. Todos os que se inscreveram serão avisados e haverá mais vagas, pois a plateia desta vez ocupará a Sala Vicente Salles, no Memorial dos Povos.

5.9.24

Arrastão do Círio chega em clima de celebração

Vai ter Arrastão do Círio!!! A programação está de volta e terá um período de ensaios e vivências para os brincantes do Batalhão da Estrela, que já começaram a se organizar para a festa. Essa agenda será divulgada nesta sexta (6), e no sábado (7), rola o show de lançamento desta 22ª edição a partir de 19h, no Boulevard da Gastronomia, em um show gratuito da banda Arraial do Pavulagem com abertura de Pelé do Manifesto, Íris da Selva, Rafael Veredas e Paulo Moreno.

O Arraial do Pavulagem está em dupla festa. Além de trazer de volta o arrastão em seu formato devoto e festivo da época em que celebramos a diversidade no Círio de Nazaré em homenagem a Nossa Senhora, o presidente Lula acabou de sancionar a lei que reconhece essa nossa tradição, sim, já é uma tradição, inclusive reconhecida como patrimônio cultural do estado, como Manifestação da Cultura Nacional. Então há muito o que comemorar. 

Esse arrastão do Círio se diferencia dos tradicionais Arrastões juninos do Pavulagem. No lugar do Boi Pavulagem, a protagonista é a Barca de Miriti, simbolizando o Procissão Fluvial e a Rainha das Águas. Além disso, elementos cênicos e personagens do período são incorporados, alinhando-se às celebrações do Círio de Nazaré.

Como em todo Arrastão do Círio, haverá uma celebração de Nossa Senhora de Nazaré, com o Batalhão da Estrela posicionado para “receber” a Santa assim que ela chegar do Círio Fluvial. O momento é marcado por uma homenagem dos brincantes à padroeira dos paraenses.

Ronaldo Silva, presidente do Instituto Arraial do Pavulagem, revela uma grande satisfação em realizar mais uma edição do Arrastão do Círio.

"O cortejo do Círio é muito significativo para nós, pois é a nossa maneira de participar desse momento tão importante para o povo paraense. É uma oportunidade de mostrar como conseguimos trabalhar o imaginário popular dessa época, que é repleto de uma religiosidade rica e fundamental. Como sempre, estamos empolgados e cheios de expectativa para viver esse grande momento de alegria com todos no Círio", afirma.

Serviço 

Lançamento Oficial do Arrastão Do Círio 2024. Show da Banda Arraial Do Pavulagem, com Abertura de Pelé Do Manifesto, Íris Da Selva e convidados. Neste sábado, 7, a partir de 19h, no Boulevard da Gastronomia – Campina. Entrada franca. 

3.9.24

Olympia na Rua traz feira, carimbó e lenda urbana

A 4ª edição do Olympia na Rua celebra mais uma vez o cinema paraense e, neste domingo, 8, a partir das 18h30, exibe mais 5 produções, entre videoclipe, documentários e ficção. Tudo em frente ao Cine Olympia, atualmente passando por obras de restauro e requalificação. 

A programação traz relíquias, não percam a oportunidade. Para abrir a noite, será exibido o videoclipe "Suíte Olympia", uma homenagem do violonista Salomão Habib ao centenário do Cinema Olympia. Em seguida, veremos o curta-metragem "Fotógrafo de Família", de Denise Espíndola, traz à tela uma narrativa intimista sobre memória e resistência em tempos de mudança tecnológica.

Já o documentário "Chama Verequete", dirigido por Luiz Arnaldo Campos e Rogério Parreira, promete emocionar o público ao retratar a vida e a obra de Mestre Verequete, um dos grandes nomes do carimbó, ritmo-raiz do Pará.  Já o curta "Josephina", de Zienhe Castro, resgata a lenda urbana da Mulher do Táxi, trazendo um olhar poético e experimental sobre a história trágica de Josephina Conte, que faleceu aos 16 anos em 1931.

Fechando a programação, "Ver-o-Peso", dirigido por Januário Guedes, Sonia Rangel e Peter Roland, transporta os espectadores para o cotidiano do mercado mais famoso de Belém, mostrando suas cores, sons e histórias por meio de uma narrativa documental-ficcional.

Além da curadoria impecável, assinada por Marco Antônio Moreira, presidente da Associação de Críticos de Cinema do Pará (ACCPA), o Olympia na Rua se destaca pela sua estrutura inclusiva e acolhedora. Em todas as sessões, são disponibilizadas 100 cadeiras cobertas para o público, além de uma área externa liberada para aqueles que preferem trazer suas próprias cadeiras de praia. O evento também conta com banheiros químicos, equipe de segurança, intérprete de Libras e sistemas profissionais de projeção e som.

A iniciativa surge em meio à requalificação do Cinema Olympia, coordenada pelo Instituto Pedra em parceria com a Prefeitura de Belém e apoio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O projeto de requalificação é patrocinado pelo Instituto Cultural Vale e Banco da Amazônia, reforçando o compromisso com a preservação e valorização do patrimônio cultural da cidade.

Serviço

4ª edição da mostra de cinema Olympia na Rua

Domingo, 8 de setembro de 2024, às 18h30

Rua Arcipreste Manoel Teodoro, 918, Campina (em frente ao Cinema Olympia)

Entrada gratuita e por ordem de chegada.

Lotação: 100 pessoas sentadas

2.9.24

Seresta do Carmo realiza a 2a edição nesta sexta

A 2a edição da Seresta do Carmo, inicia às 18h, nesta sexta-feira, 6, com uma palestra de educação patrimonial às 18h, no Teatro Nazareno Tourinho, e shows, a partir das 19h30, do grupo Sereia do Mar, Mariza Black e Creuza Gomes. Na Praça do Carmo, com apoio da prefeitura de Belém e patrocínio do Banco da Amazônia (Basa) e Governo Federal. 

A programação inicia com a palestra “Preservação do Patrimônio Histórico e Cultural”, às 18h, no Teatro Popular Nazareno Tourinho, ministrada pelo arquiteto Matheus Vieira, profissional que já coordenou projetos de restauro do Cine Olympia,  Praça do Relógio, Solar da Beira e Forte de Macapá.

Após a palestra, o público contará com dois grandes shows. Iniciando às 19h30, o Grupo Sereia do Mar, formado somente por mulheres do município de Marapanim, abre o palco apresentando um repertório autoral de carimbó. E logo depois tem

“A parceria com o Basa sela a retomada da Seresta na praça do Carmo, um projeto que tem uma representatividade muito grande no setor cultural e está no primeiro bairro da cidade. Esta é a segunda edição do ano e vamos dar continuidade ao movimento na praça e em seu entorno, incentivando a cultura e a economia criativa”, reforça a presidente da Fumbel, Inês Silveira.

O grupo é formado por Mestra Bigica, Maria Cristina, Alinne Ribeiro, Keyla Freire, Martinha Freire, Maria Nilce Freire, Risolene Carvalho, Maria Feliz Freire, Ádria Silva, Creusa Freire, Cleo Modesto e Geovana Vieira.

A partir das 21h, Mariza Black traz muito samba no pé, paixão pela música, além de uma convidada especial, a cantora Creuza Gomes. Ambas são grandes artistas e intérpretes do samba paraense. 

Com 20 anos de carreira, Mariza Black representa a voz e a presença marcante que canta e encanta ao som da percussão e do cavaquinho , bem como na interpretação de grandes clássicos nacionais.

Creuza Gomes traz a magia e o histórico de todo o seu legado na música paraense, atuando no cenário desde 1964, e mantendo viva a chama do samba reacional em Belém. “A  Seresta do Carmo é um evento maravilhoso que nos permite resgatar a tradição de celebrar na Praça do Carmo. Eu fico muito feliz e honrado por poder levar um pouco da minha música. Eu quero fazer todo mundo dançar e cantar comigo e resgatar a magia da seresta”, declara Creuza Gomes 

Seresta do Carmo
- O projeto iniciou em Belém no ano de 1983  e seguiu até 1985, organizado pelo grupo de cultura da antiga Secretaria Municipal de Educação e Cultura (Semec), com a participação de artistas, trovadores, poetas, músicos, e outros artistas. O projeto foi reeditado durante os governos de Edmilson Rodrigues (1997 – 2000) e (2001 – 2004) na Prefeitura de Belém.

Em 2024, a Seresta do Carmo retorna com 3 edições realizadas pela Prefeitura de Belém, via patrocínio Banco da Amazônia. A primeira edição ocorreu no dia 24 de maio. A segunda será realizada nesta sexta e a terceira está prevista para o mês de novembro.

Programação: 

18h - Palestra: “Preservação do Patrimônio Histórico e Cultural” com Matheus Vieira, no Teatro Popular Nazareno Tourinho.

19h30 - Apresentação Musical: Grupo Sereia do Mar, na Praça do Carmo.

21h - Apresentação Musical: Mariza Black, com participação especial de Creuza Gomes, na Praça do Carmo.

Fecant realizará a décima edição em novembro

O X Festival Canção da Transamazônica (Fecant) será realizado nos dias 7, 8 e 9 de novembro, em Altamira, região do Xingu, no Pará. As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas até o dia 15 de setembro através do site oficial do festival, fecant.com.br.

Nesta edição especial de 10 anos, o Fecant distribuirá R$ 44 mil em prêmios para os vencedores de três categorias: “Fecant Kids”, “Fecant Regional” e “Fecant Nacional”, consolidando-se como um importante palco para novos talentos e músicos consagrados, atraindo participantes de diversas partes do país. 

Recentemente, o Fecant foi incluído no TOP 10 dos Melhores Festivais Lusófonos e Hispânicos e está em processo de ser reconhecido como patrimônio cultural e imaterial do Pará pela Assembleia Legislativa do Estado.

Anualmente, o festival atrai visitantes à Altamira, movimentando o turismo e impulsionando a economia local. Além disso, promove a inclusão social ao incentivar a participação de crianças e adolescentes de famílias em situação de vulnerabilidade socioeconômica na região de Altamira e Volta Grande do Xingu.

Durante o festival, também ocorre a Feira Indígena de Economia Criativa, que oferece aos nove povos indígenas do Xingu uma oportunidade de expor e vender seus produtos, valorizando a cultura e a economia das comunidades locais.

A programação é diversificada e contempla diferentes faixas etárias e estilos musicais. Na noite de abertura, 7 de novembro, acontecerá o “Fecant Kids”, competição dedicada a jovens intérpretes entre 6 e 17 anos, moradores de Altamira e comunidades próximas. 

No dia seguinte, 8 de novembro, é a vez do “Fecant Regional”, que destaca composições originais de músicos das cidades ao longo da Transamazônica e do Xingu. Para encerrar, no dia 9 de novembro, o “Fecant Nacional” apresentará canções de compositores de outras regiões do Pará e de todo o Brasil, celebrando a rica diversidade musical do país.

Como participar

Para os jovens interessados em participar do Fecant Kids, é necessário estar matriculado na escola e residir em Altamira ou nas comunidades adjacentes há pelo menos um ano. Doze candidatos serão selecionados para a competição, com duas vagas determinadas por votação popular online no canal do festival no YouTube, e as demais decididas por uma comissão interna.

Já nas categorias “Fecant Regional” e “Fecant Nacional”, os candidatos podem inscrever até duas músicas originais, que podem ser em português ou em idiomas indígenas. As composições devem ser de autoria ou co-autoria própria e não podem ser plágio. Não há restrições quanto ao gênero musical, oferecendo uma plataforma ampla para a expressão artística.

Premiações - Fecant Kids

1° lugar – R$3.000

2° lugar – R$2.500

3° lugar – R$1.500

Cada participante não classificado nos três primeiros lugares, receberá R$ 500 pela participação.

Fecant Regional

1° lugar – R$7.000

2° lugar – R$5.000

3° lugar – R$3.000

Melhor Intérprete: R$1.500

Fecant Nacional 

1° lugar – R$10.000

2° lugar – R$5.000

3° lugar – R$4.000

Melhor Intérprete: R$1.500,00

Serviço

X Fecant - Inscrições gratuitas até 15 de setembro através do site: fecant.com.br.

(Com informações enviadas pela assessoria de imprensa)

27.8.24

Samba de Cacete patrimônio cultural do Pará

Doc "Samba de Cacete , Alvorada Quilombola"
Foto/Still
A Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa) aprovou, nesta terça-feira (27), por unanimidade, o Projeto de Lei n° 825/2023, que reconhece o Samba de Cacete como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Estado do Pará. 

Manifestação cultural ainda preservada em comunidades quilombolas do baixo rio Tocantins, abrangendo os municípios de Abaetetuba, Igarapé-Miri, Limoeiro do Ajuru, Cametá, Mocajuba, Baião e Oeiras do Pará, o Samba A proposta, de autoria do deputado Bordalo (PT-PA), reconhece a cultura afro-brasileira e sua história de resistência cultural na Amazônia.

A expressão “Samba de Cacete” refere-se aos pequenos bastões de madeira utilizados pelos tocadores de tambores para marcar o ritmo e o contratempo, compondo uma celebração que une música, canto e dança com elementos dos batuques afro-brasileiros. A dança, muitas vezes improvisada, acompanha as variações de velocidade das melodias, que vão de um ritmo lento a uma aceleração progressiva. 

O projeto de Lei de autoria do Deputado Carlos Bordalo, que reconhece o Samba de Cacete como uma história de resistência e ancestralidade negra na Amazônia. Após o reconhecimento da Alepa, o PL agora segue para o poder executivo para ser sancionado e promulgado para que a Lei entre em vigor, declarando a manifestação um patrimônio cultural imaterial do Pará. 

É importante saber que as leis que declaram manifestações e obras como patrimônio cultural, têm um caráter mais simbólico e político. É uma forma de valorizar e proteger determinada prática cultural, mas não necessariamente implica em uma pesquisa aprofundada ou na aplicação de políticas de salvaguarda específicas.

É diferente do reconhecimento do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que envolve um processo técnico de avaliação, que envolve uma série de levantamentos históricos e que geralmente resultam em ações práticas e políticas de salvaguarda. Ambos, porém, são importantes para a valorização e preservação das manifestações culturais.

Ancestralidade e Resistência

Doc "Samba de Cacete, Alvorada Quilombola"
Foto/Still
O documentário "Samba de Cacete Alvorada Quilombola", produzido pela Lamparina Filmes, oferece um olhar profundo sobre essa expressão cultural, que se mantém viva nas comunidades quilombolas da região. 

Originado entre os afrodescendentes da região amazônica, o Samba de Cacete tradicionalmente embalava os mutirões comunitários, começando na véspera dos eventos e se estendendo até a manhã seguinte, quando os participantes seguiam para o trabalho. As canções, muitas vezes remontando ao período da escravidão, têm resistido ao tempo, sendo transmitidas por até quatro gerações entre os quilombolas da região.

O documentário foi contemplado pelo Edital CURTA AFIRMATIVO 2014, do Ministério da Cultura, com foco no protagonismo de cineastas afro-brasileiros, destacando o Samba de Cacete, como um elemento da identidade cultural do Pará.

(As fotos que ilustram a postagem são still do filme Samba de Cacete, Alvorada Quilombola, da Lamparina Filmes).

Mostra Paisagens Mineradas no Dia da Amazônia

Carajás
O Dia da Amazônia, 5 de setembro, marca a abertura, em Belém, da exposição “Paisagens Mineradas: Marcas no Corpo-Território”, que ocupará o espaço da Associação FotoAtiva até 5 de outubro. Programação e visitação gratuitas.

O projeto reúne onze artistas mulheres cujas obras se conectam nas reflexões sobre memória, corpo e paisagem em um contexto exploratório. Na agenda de abertura, nos dias 5, 6 e 7 de setembro, haverá exibição de filmes e debates relacionados ao tema.

Pinturas, gravuras, videoartes, instalações, fotografias e performances artísticas fazem a tessitura dessas paisagens, onde cabem denúncias, imagens impactantes, dores e também delicadezas. Sob o olhar dessas mulheres, “Paisagens Mineradas” pensa sobre a onipresença da mineração na vida contemporânea, mas também sobre a paisagem adoecida pela lógica da mercantilização da Terra e da vida. 

“Acho que as pessoas não estão conscientes do quão grande são esses movimentos de mineração, de como eles são destruidores. Eles destroem a vida, para produzir coisas mortas”, avalia a artista e educadora paulista Beá Meira, uma das participantes da mostra com uma série de gravuras que registram plantas de seis grandes minas em operação na região amazônica.

Ao mesmo tempo, a exposição aborda como as mulheres permanecem sofrendo mais nessa sociedade exploratória. “A gente consegue fazer um paralelo muito claro entre o corpo da montanha, o corpo do território, que é explorado pela mineração, e também o corpo da mulher. Ambos sofrendo por uma lógica de objetificação, de mercantilização da vida. E nesse sentido, para a gente pensar em futuros possíveis, para a gente cocriar outras narrativas”, explica Isadora Canela, uma das artistas e também curadora da mostra.

Além de Isadora e Beá, também integram a mostra, as artistas Julia Pontés, Shirley Krenak, Luana Vitra, Isis Medeiros, Mari de Sá, Lis Haddad, Silvia Noronha e, do Pará, as artistas Murapijawa Assurini, do Coletivo Kujỹ Ete Marytykwa'awa, e Keyla Sobral. 

Cristina Serra participa de Debate ambiental

Obra de Julia Pontés 
A mostra chega à capital paraense, quando a cidade está prestes a receber pessoas de todo o mundo para refletir sobre meio ambiente, durante a COP 30, a 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, em novembro de 2025.  

Temas como "Greenwashing" - expressão usada para designar a “maquiagem verde” feita por empresas e marcas para dar à opinião pública uma falsa ideia de que há sustentabilidade em seus negócios – e mudanças e impactos nos territórios causados por grandes projetos de exploração minerária estão na pauta da programação de abertura do evento, que terá convidados como a jornalista Cristina Serra e também as artistas Beá Meira, Isis Medeiros, Lis Haddad e Mari de Sá.

A exposição é uma realização do Instituto Camila e Luiz Taliberti, ONG voltada para ações educativas e culturais sobre sustentabilidade ambiental, criada para homenagear os irmãos Camila e Luiz, vítimas do rompimento da barragem da Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), em 2019. 

“É importante fazer as pessoas perceberem o mundo em que nós estamos vivendo, como a mineração age junto às comunidades. Isso precisa ser dito, as pessoas precisam ter essa consciência. É preciso falar. O Instituto foi criado para ser voz, nossa e de quem mais precisar falar”, diz a presidente do Instituto, Helena Taliberti, que é mãe de Camila e Luiz.

Em Belém, o evento tem a parceria da Associação FotoAtiva, Kujỹ Ete Marytykwa'awa – Coletivo de Mulheres da Família Marytykwa'awa, Instituto Janeraka, Constelar Ancestral – Rede Cocriativa entre Povos da Floresta, Herbário da UFPA, e apoios da Apiência Ambiental, Instituto Cordilheira, Observatório da Mineração e Conectas Direitos Humanos. 

VISITE

Paisagens Mineradas: Marcas no Corpo-Território

Abertura: 5 de setembro de 2024, às 18h.

Visitação: Até 5 de outubro de 2024, de terça a sexta-feira, das 14h às 17h, e sábado, de 9h às 13h.

Onde: Associação FotoAtiva (Praça das Mercês, 19, Bairro da Campina – Belém/PA)

Programação de Abertura

Quinta-feira, 5 de setembro:

- 18h: Presença das artistas Beá Meira, Isis Medeiros, Lis Haddad e Mari de Sá para visitação.

- 18h30: Performance "Evocação ao Rio" com Lis Haddad.

- 20h: Roda de saberes e práticas - Itakui Re'e Urujumugyta.

Sexta-feira, 6 de setembro:

- 18h: Presença das artistas para visitação.

- 18h30: Performance "Evocação ao Rio" com Lis Haddad.

- 19h15: Exibição do curta-metragem "Solastalgia" de Lucas Bambozzi.

- 19h30: Roda de conversa "A propaganda na era do Greenwashing" com Carla Romano, Isis Medeiros e Renée Chalu. Mediação de Marina Kilikian.

Sábado, 7 de setembro:

- 11h: Aula aberta - "Ure Petywu Ape I'lka'a - Vozes e perspectivas da floresta".

- 14h: Roda de conversa "Arte e luto: somos sementes" com Time'i Awaete, Mari de Sá, e Beá Meira. Mediação de Lis Haddad.

- 16h: Exibição do filme "Na fronteira do fim do mundo - mineração no sudeste do Pará".

- 17h: Roda de conversa "Local e global: os impactos da mineração no Pará" com Ismael Machado, Mário Santos, e Rosane Steinbrenner. Mediação de Cristina Serra.

Ingressos: Gratuitos

Curtas Infantis Mercosul em mostra no Cine Apuí

O Centro Cultural Rosa Luxemburgo, via edital Mercosul Audiovisual Mostra de Curtas Infantis-Minc, foi contemplado como polo de exibição no Estado do Pará e em parceria com a Fundação Centro Cultural Parque Vila Maguary - FPM, traz a programação ao Cine Apuí nesta quarta-feira, 28, às 16h, com entrada gratuita.

A Mostra de Curtas Infantis do Mercosul Audiovisual traz seis filmes em curta-metragem produzidos com temas contextualizados na realidade de Argentina, Paraguai, Uruguai e Brasil, países-membros do Mercosul. E países associados, como a Colômbia. 

Na programação estão os brasileiros “Meu nome é Malaaum” (2021), dirigido por Luísa Copetti, “Sobre amizades e bicicletas” (2022), dirigido por Júlia Vidal e “Téo, o menino Azul” (2022), de Hygor Amorim. “Não estão sozinhos” (2022), produzido no Paraguai e dirigido por Mathias Maciel; O argentino “Esta lã é minha” (2018), dirigido por Duilio Gatti. De Juan Camilo Fonnegra, filme colombiano "A sistina” (2022).

Após a exibição dos filmes haverá roda de conversa com a atriz e cineasta Célia Maracajá; o realizador e cineclubista Francisco Weyl - o Capinteiro da Poesia; Luiz Adriano Damimello, professor da Faculdade de Artea Visuais da Universidade Federal do Pará; o escritor e roteirista Porakê Munduruku, a Presidente da FPM, Dani Franco; o cineasta e professor Cássio Tavernard. Fátima Afonso, fundadora e coordenadora do Centro Rosa Luxemburgo faz a mediação.

A coordenadora do  centro cultural, Dani Franco, diz que a “a ideia de reunir estes profissionais é porque eles podem contribuir muito para do debate sobre os temas abordados nos filmes exibidos e também para um diálogo a respeito deste edital, que é de inclusão e que hoje conta com os países do Mercosul.”

Serviço

Mercosul Audiovisual - Mostra de Curtas Infantis no Cine Apuí

Dia: 28 de agosto (quarta-feira)

Hora: 16h

Local: Teatro Municipal de Ananindeua

Entrada Franca

24.8.24

Theatro da Paz pode se tornar patrimônio mundial

Entre os dias 26 e 28 de agosto, Belém recebe a II Oficina de Mobilização para a preparação da candidatura dos Teatros da Amazônia a Patrimônio Mundial, organizada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). 

Após a etapa Manaus, onde o Teatro Amazonas passou pela mesma avaliação, chegou a vez do Theatro da Paz. A cerimônia de abertura, aberta ao público, acontecerá no dia 26 de agosto, às 9h30, e contará com a presença de importantes autoridades, incluindo o presidente do Iphan, Leandro Grass, e o secretário de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, Marcos Apolo Muniz. 

A candidatura dos Teatros da Amazônia é uma iniciativa que busca reconhecer a importância cultural, histórica e arquitetônica dessas edificações construídas no século XIX, durante o ciclo da borracha, um período de grande crescimento econômico na Amazônia. Ambos os teatros são ícones da modernização e urbanização da região, sendo os primeiros teatros brasileiros com estrutura arquitetônica preparada para óperas.

O processo de reconhecimento pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) envolve a justificativa dos valores universais dos bens, que devem demonstrar importância não apenas local, mas para toda a humanidade. O Iphan, como órgão coordenador, é responsável pela elaboração do Dossiê de candidatura que será apresentado ao Centro do Patrimônio Mundial da Unesco.

Durante os três dias de oficina, serão discutidos temas fundamentais para a elaboração do dossiê, incluindo os conceitos, princípios e procedimentos para a apresentação da candidatura. Além disso, a programação incluirá apresentações sobre a proteção, conservação e gestão dos teatros, visitas técnicas e debates.

No dia 27 de agosto, serão realizadas visitas técnicas, tanto no entorno da área de amortecimento do Theatro da Paz, como dentro do teatro, para avaliar o entorno do teatro e garantir que todos os aspectos de preservação sejam levados em conta na candidatura, assim como dentro do teatro para que os participantes conheçam de perto as particularidades do edifício histórico e compreendam melhor os desafios e as necessidades de conservação e gestão que o teatro enfrenta. 

Já no dia 28 de agosto, haverá uma reunião na sala Vicente Salles, no Palacete Bolonha, onde serão discutidas as próximas etapas da candidatura. Serão definidos critérios e estratégias para a elaboração do dossiê e as responsabilidades de cada instituição envolvida no processo.

Programação

Dia 26 de agosto (Segunda-feira)

9h: Credenciamento

9h30: Abertura com autoridades no Theatro da Paz

10h: 1ª Apresentação – Conceitos, princípios e procedimentos para a candidatura

11h: 2ª Apresentação – Contextualização histórica e embasamentos conceituais

12h às 14h: Intervalo de almoço

14h: Apresentações sobre a proteção, conservação e gestão do Teatro Amazonas e Theatro da Paz

17h às 18h: Debate

19h: Atração cultural

Dia 27 de agosto (Terça-feira)

9h30: Visita técnica à área de amortecimento do Theatro da Paz

12h às 14h: Intervalo de almoço

14h: Visita técnica ao Theatro da Paz

17h às 18h: Debate sobre a visita técnica e encaminhamentos

DIA: 28 de agosto (Quarta-feira)

Local: Sala Vicente Salles – Palacete Bolonha

9h30 – Próximas Etapas da Candidatura

12h às 14h - Intervalo de Almoço

14h – Instituição dos Grupos de Trabalho de Elaboração da Candidatura

16h às 17h – Encerramento: Debate e Encaminhamentos

Teatro musical estreia no XVIII Festival de Ópera

O XVIII Festival de Ópera do Theatro da Paz inovou este ano ao trazer um espetáculo musical em sua programação. "O Príncipe do Egito" é uma parceria entre o projeto Ópera Estúdio, da Fundação Carlos Gomes e a companhia Liga do Teatro. Teve pré-estreia ontem e fica em cartaz neste sábado, 24, às 19h, e domingo, às 17h. Ingressos na bilheteria.

"O Príncipe do Egito" não poupou esforços para entregar uma experiência visual e sonora de tirar o fôlego. Na pré-estreia realizada nesta sexta-feira, 23, o público foi conduzido a uma jornada épica pelo Egito antigo, onde a história de dois irmãos separados por um destino inexorável se desenrola com intensidade e paixão. A estreia para o público, neste final de semana, promete ser igualmente arrebatadora.

Combinando música, dança e drama, a encenação conta com a competência de jovens atores que integram o projeto Ópera Estúdio, um projeto de extensão da FCG. São quase 100 profissionais envolvidos. Ao todo, 58 músicos e mais 47 artistas, entre elenco e produção para realizar um musical, ambientado no Egito antigo. A direção geral e musical é de Pedro Messias, pela FUndação carlos Gomes. 

A direção teatral e adaptação dramatúrgica de Bárbara Gibson, com assisteência de direção de Theo Oliveira, produção executiva de Larissa Imbiriba; direção de palco, de Luiza Imbiriba e direção coreográfica de Paola Pinheiro e preparação de elenco de Paulo Jaime, que integram a Liga do Teatro.

Um pouco mais sobre a história

O Príncipe do Egito é uma história épica vivida por Moisés e Ramsés, que cresceram como irmãos na corte do faraó, em meio ao esplendor e poder do império egípcio. 

Apesar de suas origens distintas — Moisés nasceu hebreu, enquanto Ramsés é o herdeiro do trono egípcio — os dois desenvolveram um laço profundo de fraternidade e amizade. Porém, à medida que crescem, suas diferenças se tornam cada vez mais evidentes, culminando em um momento crucial quando Moisés descobre sua verdadeira identidade como hebreu e o sofrimento de seu povo, que vive como escravo sob o jugo egípcio.

Esse segredo abalador rompe o vínculo fraternal entre Moisés e Ramsés. Moisés, compelido por uma visão divina, decide abandonar a vida privilegiada que conhecia para liderar os hebreus rumo à liberdade. Ramsés, por outro lado, sente-se traído pela partida de Moisés e, agora como faraó, está determinado a manter seu poder e as tradições de seu povo, opondo-se ferozmente à libertação dos hebreus.

O confronto entre Moisés e Ramsés representa o choque de duas culturas e crenças, bem como uma luta pessoal entre dever, destino e identidade. Moisés é guiado por sua fé e pelo desejo de justiça, enquanto Ramsés, ainda preso às expectativas de seu papel como faraó, é motivado pela preservação de seu reino e legado.

A narrativa aborda temas profundos como o poder do perdão, a busca por identidade e a força da fé. Ao final, a travessia do Mar Vermelho simboliza a vitória de Moisés na condução de seu povo à liberdade, mas também o profundo impacto emocional de um confronto entre irmãos que, mesmo separados por seus caminhos opostos, compartilham um passado de amor e camaradagem.

Serviço

O Príncipe do Egito. Apresentações nos dias 24 de agosto, às 19h, e 25 de agosto, às 17h. Mais informações podem ser obtidas na bilheteria do Theatro da Paz pelo telefone (91) 3252-860. Av. Da Paz  - Presidente Vargas - Belém-Pa.