9.5.19

Bianca Levy na transitória liquidez da performance

Ouvir o chamado da água, que não se contenta em permanecer estática, se espraiando em diferentes estados naturais e formatos, seja na vida ou na arte. Esse é o convite de “Elemento TransitóRIO- Caminho de volta para o mar”, exposição da artista paraense Bianca Levy, com lançamento nesta sexta feira, 10, às 19h, na Galeria Theodoro Braga, na Fundação Cultural do Pará.

“Elemento TransitóRIO” é fruto do processo de pesquisa desenvolvido pela artista no Mestrado em Artes da Universidade Federal do Pará (PPGArtes- UFPA). Contemplado pelo Prêmio Proex de Arte e Cultura da Ufpa, o projeto aborda a relação da artista com a água e com os arquétipos relacionados a este elemento, especialmente os presentes na mitologia iorubá. Foram cinco anos de mergulho poético, investigação e vivência consciente do elemento água em diferentes campos e linguagens até a concepção da exposição. 

“É difícil demarcar onde começa e onde termina um processo criativo.  Suas continuidades, descontinuidades e tangentes. Mesmo quando se ‘conclui’, ele segue em plena expansão e atualização. Inconscientemente já trabalho esta relação com a água antes mesmo de me reconhecer artista. A exposição vem para marcar o retorno dessa grande jornada, com uma inundação de obras produzidas nos últimos dois anos. É um fechamento desta fase de água, fechamento iniciado com o lançamento do meu livro ‘Aquífera’ em 2018, e que se encerra- pelo menos por hora, com Elemento TransitóRIO”, explica.

A arte atravessando a ancestralidade

Trabalhando no campo da performance nas Artes Visuais, Bianca propõe em suas obras a atualização dos arquétipos míticos da água em consonância com as pautas político-sociais contemporâneas, trazendo também a reflexão a respeito do corpo do performer em diálogo com os espaços públicos da cidade e a instauração de um tempo-espaço cósmico, onde a cidade (especificamente Belém, metrópole ribeirinha da Amazônia brasileira), exerce o protagonismo dela na criação das obras.

“É uma trama que parte de uma relação pessoal, de um retorno à minha ancestralidade e imanência, mas completamente atravessado pelos dramas e devires da cidade e nossa sociedade. Em sua universalidade, a água, nos arquétipos trabalhados na obra fala sobre todos nós” resume a artista.     

Com curadoria do Artista Visual e Professor Dr. Orlando Maneschy, a exposição conta com obras que transitam pela linguagem das artes visuais, especificamente da performance, com trabalhos nos formatos de vídeo-arte, fotoperformance e instalação. O caráter cíclico da água em suas mudanças de estados naturais e a jornada poética que o conjunto da obra apresenta, conduziram também o desenho da curadoria, que propõe um mergulho no universo da água em suas variadas formas e arquétipos, rumo ao encontro e comunhão total com este elemento.

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Foto: Mariory Cabrita
Além da parceria com Orlando Maneschy, Elemento TransitóRIO é marcado por encontros com artistas que inundaram o processo criativo com seus olhares no registro das performances; ou como Bianca gosta de enfatizar, artistas que performaram com ela por trás das câmeras. 

São eles: Juan Silva, Charles Vasconcelos, Maryori Cabrita, Marise Maués, André Mardock, Roger Elarrat e Melissa Barbery. “O olhar de cada um deles foi fundamental para a concepção das obras. Eles captaram o chamado da água e mergulharam nesta experiência comigo”, resume a artista.

Serviço
A exposição “Elemento TransitóRIO- Caminho de Volta para o Mar” fica em cartaz até o dia 7 de junho, na Galeria Theodoro Braga, no subsolo da Fundação Cultural do Pará - Av. Gentil Bittencourt, entre Quintino e Rui Barbosa. A entrada é gratuita.

(Holofote Virtual com informações da assessoria de imprensa)

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