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23.3.19

Artes cênicas ganha novo fôlego na cena cultural

Saiu o resultado do Edital da Mostra de Teatro Nilza Maria, o 1o lançado pela atual Secretaria de Cultura do Estado do Pará. Dos 54 grupos inscritos, 16 vão compor a programação, que será realizada de 27 a 31 de março no Parque da Residência - Teatro Gasômetro, Coreto e Anfiteatro – e no Teatro Waldemar Henrique, com entrada gratuita, comemorando o Dia Mundial do Teatro. O blog também publica o bate papo feito na semana passada com Adriano Barroso, Diretor de Artes Cênicas da Secult. Ele falou das ações da atual gestão na construção de uma política cultural para as artes cênicas e outras linguagens.

A lista publicada no Diário Oficial do Estado, nesta sexta-feira, 22, trouxe 17 espetáculos selecionados pela comissão formada por gestores da Secult e da Fundação Cultural do Pará, mas apenas 16 foram confirmados pela secretaria, que divulgou a noticia ontem, no final da tarde, pelas redes sociais. O espetáculo que fica de fora é “A Casa do Rio”, do Grupo Gruta, “uma das atrizes, não poderá participar”, informou ontem ao blog, Adriano Barroso, Diretor de Artes Cênicas da Secult.

Ficaram na programação, os espetáculos “Cada qual no Seu Barril”, da Cia. dos Notáveis Clowns; “Mukt Paier – Pés Livres”, de Paulo Roberto Alves, “Um homem sem títulos”, com Leonel Ferreira, da Cia. de Teatro Madalenas, que também entrou com mais um espetáculo na mostra “Marahú”, numa homenagem ao poeta Max Martins.

Também entraram “A Menina que dá com a cara nas paredes”, de Glaucia Pinto; “Solo de Marajó”, do Usina de Teatro, inspirado na obra de Dalcídio Jurandir; “A Mario Quintana com ternura”, de Gilberto Moura de Andrade; “Eu Mulheres”, de Patrícia Passos Nascimento; “Kaique, Internamente”, de Bruno Torres da Silva e “Guerra ao Horror", do Grupo Teatro Variete.

Fio de Pão, um dos espetáculos mais aplaudidos da In Bust
O público vai ver também “Viva o Circo”, da Companhia Foskaluz de Teatro; “A Pena e a Lei”, da Troupe Vira Rumos; “Sorteio de Contos”, com Lucas Alberto da Cunha, da Cia Sorteio de Contos; “Tremilikes, A Bruxa Do Futuro”, de Willian Furtado Souza; o engraçadíssimo “Fio de Pão - A Lenda Da Cobra Norato”, da In Bust – Teatro com Bonecos e “O Jardim de Alice”, do Projeto Camapu, estes dois últimos com trabalhos de atores, bonecos e marionetes.

A Secult espera que esta iniciativa traga de volta a efervescência das mostras de teatro que a cidade já teve na década de 1980, inicio da década de 90.  “Tínhamos um público enorme, os artistas todos se frequentando. Essa foi a ideia inicial para a construção desse edital. A ideia é que todos os anos tenhamos a mostra pra gente voltar a comemorar o Dia Mundial do Teatro”, diz Adriano Barroso, que também é ator e autor de teatro.

Marahú - Cia Madalenas de Teatro 
Uma homenagem à Max Martins
Ano que vem a intenção é lançar outros editais, um edital de fomento, para montagens e circulação, e um edital para quem mantém seu próprio espaço. Adriano explica que, neste caso, envolvendo todas as linguagens. 

“O que foi resistência até o ano passado, a gente quer que se transforme em existência. Temos poucas casas teatrais, ainda mais depois do desmonte que fizeram na politica cultural, separando Fundação Cultural do Pará e Secult, que são duas coisas independentes, mas que dividem a mesma verba para a cultura, então isso foi um crime que aconteceu. A Secult só gerencia o prédio do Teatro Gasômetro e o Theatro da Paz, em termos de espaço”, diz Adriano. 

Durante a Mostra de Teatro Nilza Maria também será lançado um “edital de pautas livres nos espaços da Secult. “Além do Teatro Gasômetro, o Museu do Estado, o Forte do Castelo e o Museu de Arte Sacra também serão palcos para espetáculos de todas as linguagens, não apenas as artes cênicas”, disse Adriano.

Adriano Barroso, em 2013, foi uma das vozes mais ativas no Movimento Chega, que exigia a saída de Paulo Chaves da Secretaria de Cultura. Na época, a classe artística repudiou a política de eventos, em detrimento do incentivo, o descaso com os fazedores de cultura, a falta de diálogo com a secretaria. Hoje, na diretoria de artes cênicas da Secult, ele reconhece que nem sempre querer é poder. Leia o bate papo com ele, que rolou na semana passada, logo após o lançamento do edital Mostra Nilza Maria.

Holofote Virtual: Adriano, o que mais te entusiasmou com o lançamento deste edital da Mostra de Teatro Nilza Maria, uma bela homenagem, aliás!

Adriano Barroso: De uma maneira mais ampla, eu te diria que minha empolgação é que eu tenho mais de 30 anos de carreira, uns 30 de militância, a gente viveu, nesse longo “inverno” que tivemos, um desmonte enorme da outra gestão. Éramos relegados à marginalidade, realmente, porque a gente não conseguia participar de nenhuma discussão, nenhuma conversa, a gente era invisibilizado.

Não competitiva, a Mostra Nilza Maria também será oportunidade para homenagear e entregar troféus. Decidimos premiar 20 pessoas. No dia 31, domingo, vamos fazer uma celebração para entregar uma placa para dona Nilza, agradecendo o empréstimo do nome e sua historia, além de 10 pessoas, por carregarem a bandeira do teatro há um tempo, e mais 10 por manterem seus espaços há pelo menos três anos, e que estão na resistência. Serão 20 prêmios para dizer muito obrigado por terem mantido essa chama acesa. É um troféu, não em dinheiro. E vamos juntos.

Holofote Virtual: De que maneira a Secult pensa em reverter essa situação? 

Adriano Barroso: Acredito nessa nova gestão, com a vinda da Úrsula (Vidal), que é uma pessoa que frequenta e que sempre frequentou os artistas, sempre esteve próxima aos artistas, entendendo os artistas, e que traz esse pensamento de que a gente ainda tem muito que fazer, construir, porque a máquina estava extremamente engessada. 

Precisamos ir tomando os primeiros passos. É um ano ainda atípico, que estamos vivendo com a herança da gestão passada, a gente faz o PPA para o ano que vem. Na verdade, a gente começa a trabalhar valendo no ano que vem. Esse ano eu acho que a ideia fundamental é quebrar esses conceitos de que a secretaria estava de costas para o artista, trazer o artista pra dentro para discutir coisas, chegar perto do artista. Acho que essa nossa função de facilitar o acesso entre o artista e seu publico é o que a gente deve fazer esse ano, mas queremos dar passos muito maiores.

Holofote Virtual: Vocês estão pensando em edital de fomento também e, claro, que chegue para todo o Estado, não só Belém. Como fazer isso dada às dimensões do Estado, como mudar a política de eventos tão criticada também na gestão anterior?

Adriano Barroso: Então, nós somos uma Secretaria Estadual. Estamos há três meses trabalhando. Esse mês, nós vamos fazer as escutas em Santarém, já em abril chegamos a Marabá, vamos integrar essa ideia do Governo Itinerante do Governador Helder Barbalho. 

Temos três sedes do governo. É o que nós queremos fazer mesmo. A nossa missão é fazer uma politica de cultura. Logicamente que estamos fazendo eventos, neste momento, mas essa relação não deverá ser a marca dessa gestão. A gente está fazendo eventos pontuais, que acho que são importantes para construir novamente um diálogo com os artistas, mas, mais do que isso. O artista é nosso meio. Nosso fim é o cidadão. A gente quer chegar com isso no cidadão. 

Holofote Virtual:: Nesta itinerância, como será feita a mobilização junto a produtores e artistas? São realidades diferentes em cada região, como vocês pretendem se instrumentalizar para realizar uma política de cultura que atenda as demandas?

Adriano Barroso: Sim, vivemos realidades muito diferentes. O sudeste do Pará, o Oeste do Pará e a capital são países diferentes, por isso estamos indo para fazer as escutas. Vamos a Santarém, e na verdade na região são 25 municípios. Estamos abrindo as escutas para entender a realidade e o que as pessoas querem.

Holofote Virtual: É preciso fazer esse mapeamento.

Adriano Barroso: Exatamente. A nossa ideia é essa. Ver o que já foi construído, em quatro, oito anos, e que já foi discutido, até na época do PT no governo. Há um mapeamento que foi iniciado, mas ficou engavetado. 

A nossa ideia é beber nestas fontes. E começar a facilitar as coisas. A gente tem hoje uma máquina burocratizada dentro da cultura, e isso é outro trampo que se tem que fazer, que é desburocratizar a cultura. É trampo pra caralho, mas que vamos fazer, queremos deixar esse legado. Facilitar artista e seu publico e a relação com o estado, neste momento, é um trabalho que estamos fazendo, mas vamos avançar.

1a reunião dos Fazedores de Cultura com a SECULT (janeiro)
Foto: Cláudio Ferreira
Holofote Virtual: No início do ano, a secretária Úrsula Vidal, em reunião histórica com os fazedores de cultura, no Teatro Gasômetro, alertou que não há recursos além dos que já comprometidos ainda na gestão passada e que o esforço será enorme para conseguir fazer algo além, ainda este ano. Como está esta situação? 

Adriano Barroso: A gente está revendo toda uma estrutura. Sabemos que o Governo do Estado tinha dois únicos eventos no ano, o Festival de Ópera e a Feira Pan Amazônica do Livro, e mais nada, e zero pra todo mundo e costas pra todo mundo. Então, a gente está revendo essas implicações. Temos dinheiro empenhado para estes dois eventos. Na teoria a gente não poderia nem fazer nada mais, porque só tem recurso pra isso mesmo. A gente conseguiu viabilizar essa mostra graças a um esforço enorme da secretária de pedir um dinheiro pra essas ações. 

Holofote Virtual: São estas as maiores urgências da categoria neste momento?

Adriano Barroso: Esse foi um ponto que discutimos na nossa setorial aqui, que acho que precisa de amadurecimento de todo mundo. Dos grupos, dos artistas, da secretaria de cultura. A Secult não tem que ser paternalista com essas pessoas. 

Precisamos que estejam organizados. Estamos trazendo uma parceria com o Sebrae pra dentro da secult, chamar os artistas para entender a economia criativa dentro da arte. Com o desmonte da cultura, principalmente o teatro, as artes cênicas, foram duramente golpeados. Estamos tentando devolver pro pessoal de artes cênicas essa fé de continuar o palco, de que vale a pena e que tem que ter público. É preciso vender o ingresso, o público precisa ser sensibilizado.

Adriano Barroso recepcionando artistas na reunião da Secult em 
janeiro. (Foto: Cláudio Ferreira).
Holofote Virtual: Adriano, e a tua carreira, em meio aos arranjos políticos e essa missão de fazer política cultural para este estado?

Adriano Barroso: Eu já estava morando em São Paulo, quando a Úrsula me chamou. Eu aceitei o convite porque tinham duas coisas que eu queria testar. Primeiro o nível do meu bocão, porque do outro lado era muito dedo e gritos e bocão, e realmente estou aprendendo que não é simples assim, querer aqui não é poder. 

A outra coisa recai sobre o que a própria Úrsula falou para todos nós que estamos hoje compondo a equipe. Que a gente é um grupo (eu conheço todo mundo que entrou) que está muito a fim de fazer a diferença, é um grupo muito coeso em relação a fazer política pública, entende, na pele, o que é ser artista. Esse papo foi delícia, pois queremos, com aval da secretária, chegar aqui e fazer algo de real importância pra cidade e para o estado. Perdi um filme, uma série (risos), mas entendi que não poderia dizer não a isso.

5.8.19

Adriano Barroso premiado Melhor Ator no Cine-Pe

Fotos: Divulgação/CinePe
O ator paraense soube neste domingo, em Belém, da premiação na 23ª edição do festival "CinePe", realizado entre 29 de julho e 04 de agosto em Recife, Pernambuco. É o 1º prêmio nacional de Adriano Barroso, em sua estreia como protagonista de um longa metragem. 

"Teoria do Ímpeto", de Marcelo Faria e Rafael Moura, selecionado entre 144 filmes brasileiros, estava entre os seis a entrarem na mostra competitiva. Foram quatro prêmios. Melhor direção, Melhor fotografia (André Carvalheira), Melhor ator (Adriano Barroso) e Melhor ator coadjuvante (Pablo Magalhães). O filme traz a história de uma família de classe média baixa que enfrenta dificuldades financeiras e problemas emocionais após a perda da mãe. 

Filmado em Brasília, há dois anos, já foi exibido em outros festivais na Europa: Londres, na Inglaterra e em Nice, na França, onde levou prêmio de “melhor roteiro” no Film Fest International, em maio, e nos Estados Unidos. Agora segue para Madri Espanha. “Esse foi o primeiro festival brasileiro do qual o filme participou”, diz Adriano Barroso, que estava entre amigos, neste domingo, ao receber a notícia.

“Esse filme é muito especial por diversos motivos. O principal é que é cinema puro. Um drama psicológico. Receber esse prêmio significa muita coisa. Sobretudo no momento péssimo que a gente está vivendo com o imbecil querendo golpear o cinema. E particularmente é bem legal esse prêmio vir em um festival tão importante quanto o CinePe. Dá um gás na carreira e serve de um bom brinde ao filme que fizemos com tanto carinho”. 

Cria do teatro, integrante do Grupo Gruta de Teatro, Adriano Barroso vem mergulhando, nos últimos vinte anos, numa carreira cada vez mais intensa no cinema. Além de “Teoria do Ímpeto”, filmou outro longa ano passado, “Dentes”, com Paola Oliveira, atualmente em fase de montagem, e também está no filme “Amanda”, do diretor Célio Cavalcante (AP), com a Mel Lisboa e Zezé Mota, que interpreta a atriz e ativista do movimento negro, a professora Zélia Amador de Deus.

O cinema parece que o fisgou sem volta. “Sim. Me afastei um pouco do palco pra me dedicar ao cinema. Mas o teatro é minha casa, minha alma. Meu signo. Tudo o que faço é por conta do teatro. Até mesmo minha atuação como escritor. Amo atuar pro cinema. Amo atuar no teatro. Pra mim, são complementares”.

O filme é candango, mas a premiação de Adriano Barroso contempla também o cinema paraense, onde ele iniciou sua carreira na telona. É ator de diversos curtas realizados por diretores do Pará, como “Dias” e “Matinta”, de Fernando Segtowick, “Ribeirinhos do Asfalto”, de Jorane Castro, e também diretor dos filmes “Paradoxos, Paixões e Terra Firme”, e “Antigamente não existia Dia”. 

Ator, Dramaturgo, Roteirista, Documentarista, Produtor de Elenco e Diretor de ator, ele também tem atuações em outros longas realizados na região, como Órfãos do Eldorado – Guilherme Coelho (2015), Serra Pelada, de Heitor Dhalia (2012) e Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios, de Beto Brant (2010). Fez ainda Araguaya, Conspiração do Silêncio, de Ronaldo Duque (2002) e Lendas Amazônicas, de Ronaldo Passarinho e Moisés Magalhães (1999).

Adriano Barroso atualmente também integra a equipe da Secretaria de Cultura do Estado. Leia entrevista com ele publicada no início deste ano: https://holofotevirtual.blogspot.com/search?q=Adriano+Barroso

(Leia mais sobre o 23º CinePe e sobre a premiação : https://glo.bo/2yDuBv0)

10.12.14

Improviso, criatividade, música e poesia no Carmo

O músico instrumentista MG Calibre e o ator, roteirista e diretor Adriano Barroso exploram, nesta quinta, 11, as possibilidades de diálogo entre som e poesia na conexão das duas linguagens artísticas com a criatividade e o improviso. A proposta faz parte da programação especial da mostra “[ENTRE] um lapso gostoso”, sempre às quintas, às 19h30, no Centro Cultural do Carmo.

O improviso de Calibre unido ao trabalho poético maturado por 20 anos, de Adriano Barroso, promete surpreender - ambos serão ousados no desafio de compartilhar a mesma cena, de forma inédita. Sem ensaios, os dois brindam com suas potencialidades individuais e as potencialidades de sons e letras para compor performances artísticas originais. “O Adriano sozinho já é uma performance, o meu trabalho sozinho também, então, eu sei que somos qualificados o suficiente para desenvolver alguma coisa na hora, juntos”, explica Calibre.

Com inspiração na proposta da arte urbana da mostra [ENTRE], de ser um movimento independente, o músico sentiu a confiança de criar e se envolver com a ambientação. “Eu gosto de ser verdadeiro e sentir as coisas do jeito que elas acontecem e pegar a vibe do momento. Isto foi o que me motivou a participar, a equipe envolvida, a atitude de cada artista convidado e, principalmente, a liberdade de criação e interação com a cidade de Belém e seus habitantes”, justifica.

Dentro do Centro Cultural do Carmo, ele ainda propõe a interação de sua música com as diversas linguagens dos artistas que compõem a mostra. “Meu trabalho também fará intervenção direta entre artista e ouvintes - juntos na descoberta, da mesma forma que eu vou descobrir o trabalho do Adriano, durante a apresentação. Minha performance musical terá uns momentos fragmentados de texto e outros buscando o pretexto na sonorização”.

Poemas viram livros na mão do autor
Adriano Barroso aproveitou a liberdade do movimento para apresentar dois projetos, na programação da mostra. Primeiro ele lançou seu documentário “Ópera Cabocla” e, amanhã, publica um livro de poesias, em edição limitada. “Serão vinte cópias artesanais, escritas à mão, uma a uma. Cada livro é um livro, uns serão bonitinhos, outros serão tortinhos”, diverte-se.

O projeto de publicar o livro “Tessitura da Carne”, que reúne 36 poesias de Adriano Barroso, em parceria com P.P. Condurú surgiu de um encontro artístico há dois anos. Juntos, eles trabalharam por três meses, Adriano refez os poemas e P.P. desenhou.

“Eu havia escrito um livro há 20 anos, poemas que engavetei e esqueci lá. Naquela época eu era muito amigo do Max Martins, que me orientava na escritura dos poemas, porém acabei enveredando para a prosa e os esqueci na gaveta sem intenção alguma de mexer neles. Um dia decidi mostrar os poemas e sugeriram que esse fosse o trabalho para fazer com o P.P.”, relembra.

Com esta iniciativa, “Tessitura da Carne” já tem algumas cópias vendidas, antes mesmo de seu lançamento. Aquelas que não forem adquiridas vão para o Bazar da mostra [ENTRE], no dia 18. “Se eu vender os vinte, acho que não vou produzir mais porque não sei se vou ter pique”, avisa o artista.

A programação da mostra “[ENTRE] um lapso gostoso” segue até o dia 23 de dezembro. No dia 18, às 19h30, será realizado um Bazar com obras de arte de artistas paraenses. O Centro Cultural do Carmo fica localizado na Praça do Carmo nº 40/48.

Serviço
Dia 11 de dezembro – 19h30. MG Calibre e Adriano Barroso. Vídeo Mapping de VJ Bode. Mostra com desenhos e painéis de P.P. Condurú. Vídeos Arte: "6.037 km" de Luciana Magno, “MIMOSO” de Juliana Notari e “Rizoma” de Ramiro Quaresma. Até o final da mostra, outras interações artísticas do grupo e convidados vão ocorrer no CCC, que está aberto a receber propostas de parceria para o espaço pelo e-mail centroculturaldocarmo@gmail.com




19.8.09

A Garça Dourada está de volta com nova montagem e elenco de atores

A estréia de “A Peleja da Princesa Mariana e seu Pássaro Garça Dourada contra a Terrível Rainha Valéria de Marambaia e a Feiticeira do Mal” ou simplesmente “A Garça Dourada”, adiada da semana passada para esta quinta-feira, às 21h, no Teatro Waldemar Henrique trouxe de volta à memória do público mais atento, certa montagem realizada no ano de 2002, através do Grupo In Bust Teatro com Bonecos, fruto de uma bolsa de pesquisa do IAP .

Com um nome extenso como este, poucos poderiam ter esquecido, mas o espetáculo desta vez tem montagem da Companhia Teatral Nós Outros, não é encenado por Atores com Bonecos mas só por atores. O texto continua sendo de Adriano Barroso, que desta vez também assina a direção ao lado de Ailson Braga.

Pesquisador da cultura popular, Adriano Barroso também assina outro texto nesta linha da cultura popular como “A Farsa do Boi ou O Desejo de Catirina”, premiado pelo Centro de Experimentação Artística do Intituto de Artes do Pará, no mesmo ano e depois montado para o teatro pelo Grupo Gruta.

No domingo passado, finalizando as gravações da minissérie "Miguel Miguel", onde fez a direção de atores, conversei com ele sobre este novo trabalho.

Cultura Popular - “Desde o ano 2000 pesquiso a cultura popular. A Peleja da Princesa Mariana surgiu porque eu sempre fui muito fascinado por Pássaros. Desde a minha infância eu sempre quis fazer espetáculo que trouxesse uma grande misutra. O Pássaro tem isso, é uma mistura de rádio novela, com reis, rainhas, corte, conto de fadas, isso é a minha cara”, diz Barroso que lembra também da lenda sobre o surgimento desse gênero de ópera amazônica.

“Dizem que o Pássaro surgiu na época em que os caboclos assistiam às montagens das óperas que eram trazidas da Europa para o Theatro da Paz. Lenda? Não sei, mas se for, de qualquer forma eu adoro isso”, risos. “Conta e reza a lenda que eles viam aqueles cenários, aquela música toda, de longe, e não entendiam muito, mas resolveram fazer a sua própria opera”, diz Barroso.

As diferenças entre os textos de a “A Farsa do Boi..” e de “A Peleja da Princesa Mariana...” se tornam um fato curisoso. Em “A Farsa do Boi”, a estrutura é de teatro de bonecos, mas foi encenada por atores. Há frases curtas, diálogos rápidos, perfeitos para o teatro de formas animadas. Já o texto da “Garça Dourada” seria mais propício para o teatro de ator.

“E foi aí o grande barato na época. O Aníbal (Pacha, do In Bust) me ligava e dizia estás maluco, tem muito texto, com boneco ninguém dá conta. E quando eu já estava indo reescrever, ele ligou outra vez e disse não, vamos fazer assim mesmo que dá”, relembra.

Parceria com a Companhia Nós Outros - Para Adriano a montagem do In Bust já era suficiente, mas o destino o levou, junto com Ailson Braga, a encarar como novo desafio, a partir da parceria de ambos com a Companhia Nós Outros iniciada em 2002 através de oficinas de preparação de atores que vem sendo desenvolvidas há três anos pelos dois diretores.

A montagem desse espetáculo, que ganhou espaço no Teatro Waldemar Henrique através do projeto Pauta-Residência, promovido pelo Sistema Integrado de Teatros – SIT , traz os novos atores que ingressaram em maio último no programa de formação e também os que já estão engajados desde 2007, formando assim um elenco de novos e mais experientes atores.

“O espetáculo que está estreando traz muita gente em cena, como é na encenação do Pássaro Junino. E como eu não costumo ligar muito pra autor, corto cena, diálogos, afinal a obra encenada é outra obra. Assim, esta monmtagem não tem nada haver com a anterior. Diferente do espetáculo com o In Bust temos na cena mais música, mais pulsação, o que é próprio dos atores, pois são 14 pessoas em cena”, explica Barroso.

Nesta montagem, de acordo com Adriano, há pouquíssima marcação. A finalidade é dar mais “liberade” ao ator. “O elenco está em cena o tempo todo. As referências ao Pássaro Junino estão no figurino. Os atores descem para a arena e jopgam. Jogam entre si e com o público. Eles têm a liberdade pra mudar o que era uma pretensa marca. O espetáculo mexe muito com o público, e todos precisam estar prontos para responder às interferências que o jogo permite”, finaliza.

Ficha Técnica

No elenco: Edielson Shinohara, Luciana Rodrigues, Jorge Monteiro, Kauê Almeida, Laila Cardoso, Neto Cabrali, Jaqueline Miranda, Danielle Ribeiro, Hudson Andrade, Leoci Medeiros, Augusto Castro, Nhofy Coso, Kleber Gemaque, Joana Sena.
Assistente de direção: Mary Ferreira
Direção musical: Júnior Cabrali
Preparação corporal: Bill Aguiar
Direção de palco: Frank Costa
Design gráfico cartaz: Dany Meirelles
Confecção de Figurino: Mariléia Aguiar (Blá)
Produção: Cia. Teatral Nós Outros. www.nosoutros.com.br
Fotografia de divuglação: Ailson Braga
Texto: Adriano Barroso
Direção: Adriano Barroso e Ailson Braga

Serviço
Espetáculo Garça Dourada. Em cartaz até dia 06 de setembro de 2009, de quinta a sábado, às 21h, e aos domingos, às 11h e 20h. Ingressos na bilheteria do teatro: R$ 20,00 (vinte reais) com meia para quem de direito. Outras informações: contato@nosoutros.com.br ou 9116 9424.

1.11.13

Um papo sobre roteiro com Adriano Barroso

Adriano Barroso,  no clic de Marcelo Lélis
“Como Nasce um Roteiro”? É o que o ator, diretor e roteirista Adriano Barroso vai discutir nesta sexta-feira, 1º de novembro, na estreia do projeto Sexta Assim, do Espaço Oficina Assim. A partir das 20h, na Trav. Feir Gil, 215 (entre Manoel Barata e Ó de Almeida). 

Inaugurado recentemente, o Espaço Oficina Assim vem desenvolvendo ações culturais pautadas na formação e vivências artísticas. Agora, também aposta no diálogo sobre arte, trazendo a experiência para o debate, de forma descontraída. O objetivo é reunir pessoas interessadas em arte e a fim de trocar ideia com artistas e profissionais atuantes em diversas áreas artísticas.

E para começar, o assunto é cinema.... Mais exatamente o roteiro, a arte de contar histórias utilizando-se de imagens. Como nasce uma ideia que dará origem a criação do roteiro, com as tramas, ações e dramas das personagens que por sua vez serão responsáveis em prender a atenção do espectador?

Autor de roteiros de curtas como “A Onda, Festa na Pororoca” (animação, Cassio Tavernard - 2005) e “Matinta” (Fernando Segtowick – 2010 – Premiado no Festival de Brasília), e co autor em tantos outros como na Minissérie Miguel Miguel, realizada em parceria com o diretor Roger Elarrat ou o recém lançado “Promessa em Azul e Branco”, da diretora Zienhe Castro, o também ator e diretor Adriano Barroso terá muito a contribuir com todas estas questões. 

Além de vasta experiência em teatro, no cinema ele dirigiu o documentário “Chupa-Chupa, a História que veio do céu” (DocTv 2007), e atuou em oito longas metragens, entre eles “Eu Receberia as piores noticias dos seus Lindos Lábios”, de Beto Brant e Renato Ciasca, e escreveu os livros: A Invenção do Mundo (Bolsa Funarte de criação artística), O Tamanho de Deus, e outros Contos Menores, para maiores” e “A Tessitura da Carne (a ser publicado). 

Partindo de sua experiência com o audiovisual, Adriano vai discutir o fazer de um roteiro, o cinema e suas possibilidades de realização em tempos de novas mídias e produções independentes. Ótima oportunidade de trocar ideias e tirar dúvida com profissional atuante. 

Serviço
Sexta Assim – Como Nasce um Roteiro. Por Adriano Barroso. No Espaço Oficina Assim – Trav. Feir Gil, 215 (entre Manoel Barata e Ó de Almeida) – Nesta sexta-feira, 1º de novembro, às 20h.

25.5.17

Gruta lança livro e um novo espetáculo em Belém

O Gruta de Teatro lança, nesta quinta-feira, 25, às 19h, no Teatro Waldemar Henrique, o livro "Ato-Paixão Segundo O Gruta", escrito por Adriano Barroso, que traz a trajetória do grupo. O lançamento chega acompanhado pelo espetáculo "A Casa do Rio", texto de Barroso, premiado pela Funarte, com direção de Henrique da Paz, fundador do grupo, que surge na década de 1970, em Icoaraci. A entrada é franca.

A Casa do Rio conta a história de três mulheres em um momento limite de encantamento. O espetáculo se utiliza de realismo fantástico, revelando sentimentos e as memória delas, que vivem há anos trancada em uma casa sobre o rio e precisarão encontrar suas luzes interiores para se encantar. Em cena, três grandes atrizes, Astrea Lucena, Monalisa da Paz e Waléria Costa, que reforçam um das marcas do grupo, o trabalho de ator. 

O livro “A Paixão segundo o Gruta” vem sendo escrito desde 2011, em paralelo às diversas atuações de Adriano Barroso pela literatura, televisão e cinema. Ator, Dramaturgo, Roteirista, Documentarista, Produtor de Elenco e Diretor de ator, ele traz vasta experiência como escritor de roteiros, dramaturgia de pássaros e outras investigações. Mais recentemente, entre outros trabalhos estão os roteiros de “Antigamente Não existia Dia” ( curta - 2017), “Paradoxos, Paixões e Terra Firme” (longa - 2017), “Ópera Cabocla” (média - 2013), e da série “Os Dinâmicos”,  animação com argumento meu, inspirado na trajetória do grupo “Vieira e Seu Conjunto”. O trabalho está na reta final e em breve estreia nas telinhas.

“O Gruta tem 50 anos na verdade ele é de 67, mas so foi homologado em 69”, diz ele. “A maior dificuldade de escrever o livro foi mesmo achar o tom, não sou um biógrafo, por tanto não poderia ser um livro técnico com metodologias de biografia. 

É um livro para contar história e o processo de trabalho do Gruta, esse foi o grande achado”, explica Adriano que pretende com isso contribuir com a memória da cidade e para que as novas gerações entendam como um grupo combativo e atuante trabalha.

“Há pouquíssima literatura sobre o teatro paraense do fim do seculo XX e a maioria são da academia. 

Quero também dar força para que os artistas possam contar suas histórias e engrandecer o paraense que não nos conhece, portanto não pode reconhecer. O Gruta também é um grupo que sempre se irmanou com outros artistas outros grupos. Há, por tanto, também, um pouquinho da história do Cena Aberta, do Cuíra, do Experiência”, diz o autor.


Entre idas, vindas e importantes produções

O Gruta já encenou grandes textos, alçando vôos ousados, que revolucionaram a cena teatral de Belém. São inesquecíveis “Auto da Cananéia” de Gil Vicente, em 1971; “Cínicas e Cênicas”, de Henrique da Paz e Marton Maués, um marco, em 1987; “Caoscomcadicáfica”, também de Henrique (adaptação de O Processo, de Kafka), em 1989; “A Vida que sempre morre, que se perde em que se perca?”, mais uma vez de Henrique, numa releitura de “Antígone”, de Sófocles; “Odeio Drummond”, de Barroso, em 1997, e na sequência “Hamlet Máquina”, de Heiner Müller, em 1998.

O diretor, Henrique da Paz, tem sua trajetória marcada pelo teatro, iniciada em 1967, na pequena vila de Icoaraci. Eram anos difícieis, talvez parecidos com o nosso tempo atual em que nos vemos retrocedendo um pouco no tempo no cenário político brasileiro. Vale dizer que em essência, o Gruta é um grupo atuante dentro desse contexto. 

“Foram anos difíceis. Ditadura. Censura. Mas nada disso me desanimou e continuei a fazer teatro, participando de todas as produções do grupo. Em 1969 comecei a participar de espetáculos não só em Icoaraci, mas também em Belém, no Grupo Experiência”, conotu Henrique ao Holofote Virtual, em entrevista realizada em 2011, sobre a temporada do espetáculo Aldeotas, um texto de Genro Camilo.

Ao longo de sua história, o grupo fez várias paradas em sua produção. E mais de 40 anos de existência, as dificuldades sempre foram muitas, mas os fundadores, integrantes nunca deixaram de produzir e sempre entre um hiato e outro, trouxe à tona grandes produções para Belém, viajou o país, e fez apresentações memoráveis em vários sentidos e que de certo são passagens que estão no livro de Adriano Barroso.

Outra marca do grupo também é sua etiqueta familiar. Profundidade eu diria. Adriano, que é casado com Monalisa, que são pais de Mariana, que é neta Henrique, que já foi casado com Waléria. Agregam em torno grandes amigos  e talentosos artistas. O que dizer de Astrea Lucena, atriz que tem trajetória tão longa quanto a de Henrique e ao do próprio Gruta, se não aplaudi-la. Inúmeros espetáculos de teatro encenados, textos lidos, e uma incursão pelo cinema e, mais recentemente, na televisão.

Eu tenho a melhor das expectativas, o maior dos desejos de ver agora e novamente o grupo em cena. Que tenham voltado para este e novos textos, reportagens de antigos espetáculos que de certo com releituras atualizadas devem novamente tomar conta de grandes palcos, aqui e outras cidades do país.

A CASA DO RIO
Ficha técnica

Direção: Henrique da Paz
Com: Astrea Lucena, Monalisa da Paz, Waleria Costa
Cenário: Boris Knez e Aldo Paz
Figurino: Jeferson Cecim
Maquiagem: Mariana Paz Barroso
Cabelos: Germana Chalu
Iluminação: Sonia Lopes
Assistente de iluminaçao: John Rente.
Produção: Belle Paiva Tati Brito
Apoio: Tv Norte independente.

Histórias que ajudam a contar o GRUTA

Na minha memória ficaram alguns de seus espetáculos encenados nos ano 1990 e, a seguir, disponibilizo alguns links com entrevistas e reportagens realizadas pelo Holofote Virtual que é bem novinho em relação ao grupo, surgiu em 2008, mas que já pôde registrar alguns momentos de sua produção. Evoé, Gruta, que vocês tragam a luz de sua dramaturgia a esta terra! 

Sobre A Casa e o Rio, leituras dramáticas realizadas na Da Tribu, em 2016! http://holofotevirtual.blogspot.com.br/2016/01/gruta-retorno-cidade-com-leituras.html

Entrevista com Henrique da Paz, sobre uma das retomadas em 2011
http://holofotevirtual.blogspot.com.br/2011/05/grupo-gruta-de-teatro-retorna-sua.html

Reportagem sobre Aldeotas
http://holofotevirtual.blogspot.com.br/2011/05/gruta-estreia-espetaculo-premiado-com.html

Entrevista com Genro Camilo, autor de Aldeotas
http://holofotevirtual.blogspot.com.br/2011/05/entrevista-gero-camilo-e-montagem-de.html

Super entrevista com Henrique da Paz, quando filmou a mini série Miguel Miguel, para Tv Cultura do Pará.
http://holofotevirtual.blogspot.com.br/2009/08/um-homem-de-teatro-desponta-no-cinema.html

Apanhado de textos sobre o Gruta, no Holofote Virtual
http://holofotevirtual.blogspot.com.br/search?q=Gruta

26.5.11

Papo com Gero Camilo sobre “Aldeotas” em Belém


É a segunda semana da temporada no Teatro Cuíra (R. 1º de março, com Riachuelo), com direção de Henrique da Paz e Adriano Barroso e Ailson Braga, no elenco. De quinta (26) a sáb. (28), às 21h, e no dom. (29), às 20h. Ingressos: R$ 20,00, c/ meia entrada para estudantes.

Em meio a montagem teatral de “Aldeotas”, em Belém, o Holofote Virtual teve o prazer de conversar com seu autor, Gero Camilo, que demonstrou em muitas palavras estar feliz de ver seu texto montado aqui pelo Gruta, grupo de teatro de longa jornada, com 42 anos de atuação no Pará.

A conversa ocorreu durante um dos ensaios do Gruta, numa sala do Colégio Moderno. Mesmo  à distância, pelo telefone, Gero é divertido e emociona com sua intensidade poética de ator e dramaturgo, um homem da arte, tão universal quanto a obra que vem construindo em sua carreira. Além de talentoso e gentil, não à toa, ele vem se destacando cada vez mais nos diversos trabalhos realizados no cinema e no teatro.

Carandiru, de Hector Babenco, Narradores de Javé, de Eliane Caffé, Bicho de Sete Cabeças, de Laís Bodansky, entre outros filmes, além dos recentes “Assalto ao Banco Central”, de Marcos Paulo, que estreia em julho e “Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios”, de Beto Brant, que deve chegar às telas logo no início do segundo semestre, são apenas alguns dos marcos de sua trajetória no cinema.

Além do cinema, Gero concretiza-se ainda mais como um homem do teatro. Até junho, ele estará em cartaz com o espetáculo “A Casa Amarela”, ocupando as noites de quartas e quintas no Teatro Eva Herz - Livraria Cultura, no Conjunto Nacional, situado na Av. Paulista (SP). O solo, com texto escrito por ele mesmo, faz uma reflexão sobre o sonho de Vincent van Gogh em fundar uma comunidade de artistas em Arles, no sul da França.

A Casa Amarela foi imortalizada em pintura a óleo, em 1888. Foi lá que Van Gogh viveu uma das mais intensas e espantosas oportunidades criativas da história, com Paul Gauguin. O lugar se tornou  um sonho revolucionário. A temporada do espetáculo em São Paulo, além de outros compromissos, não o permitiu que Gero encaixasse sua vinda a Belém durante as apresentações de Aldeotas.

Vontade não faltou. Mas é bem possível que isso aconteça em agosto deste ano, mês previsto para a estreia do filme de Brant, filmado em Santarém, e que lhe proporcionou o encontro dele com o ator Adriano Barroso, outro talento do teatro, do cinema e da literatura brasileira, no Pará. Há planos para um lançamento do filme em Belém, mas enquanto isso não acontece, para entrar em sintonia com Gero, segue a conversa que tivemos especialmente para o Holofote Virtual.

O ator, em Aldeotas
Holofote Virtual: O que você está achando disso, de um texto ser montado em Belém do Pará?

Gero Camilo: Estou achando ótimo. Há tempos eu queria ver uma outra leitura desse texto. Não sei dizer se é uma releitura no sentido do distanciamento, mas é muito prazeroso ver que tem alguém tendo um olhar sobre isso.

Holofote Virtual: Qual é a sensação de passar de autor e ator a expectador?

Gero Camilo: Era isso que queria. Ver Aldeotas de fora e, como público, adentrar no caminho da memória. E a partir do reconhecimento narrativo de um depoimento em cena, puxar o baú de memórias em uma dramaturgia feita. E eles (referindo-se a Adriano Barroso, Ailson Braga e Henrique da Paz, do Gruta) como homens de teatro, vão abrir, cada um, o seu baú para despertar em seus corpos de atores camadas de emoções, pensamentos de compreensão da vida.

Espero que eles se divirtam e se emocionem, pois quanto mais próximos chegarem disso, mais o público adentrará nestas memórias e com o depoimento deles, construirá a própria memória, a partir da história mágica que o teatro nos faz viver.

Holofote Virtual: Esta será a primeira montagem de Aldeotas feita depois que você mesmo o estreou, em 2004?

Gero Camilo: É a primeira vez. Existe uma montagem em andamento no Uruguai e um pedido que vem do México, que também quer montá-lo, mas ainda não existe nenhuma montagem concretizada como esta que está acontecendo em Belém, isso me deixa bem feliz.

Holofote Virtual: Como o encontro com  Adriano Barroso e a proposta montar o texto em Belém?

Gero Camilo: O encontro com o Adriano se deu nas filmagens de “Eu receberia as piores noticias dos seus lindos lábios”, em Santarém, do qual fizemos parte do mesmo elenco.

Desde que eu cheguei lá ele me deu este toque ‘eu preciso falar com você’, com aquela voz que é quase um anunciado bíblico, dando a impressão de que o céu vai abrir no campo e tudo vai clarear (risos). Na verdade, assim que cheguei naquele lugar eu disse a mim mesmo ‘nossa que vontade de fazer o Aldeotas aqui, tem tudo a ver’. E que bom que não precisou ser eu mesmo e que teve alguém da própria ‘aldeia’ que desejou fazê-lo. Para mim, tudo isso faz muito sentido.

Holofote Virtual: Tens um trabalho já conhecido pelo público no cinema, até mais do que no teatro, para o qual vens escrevendo, atuando, enfim, tens veia para a dramaturgia. Como é que a tua vida está voltada para esta área artística?

Gero Camilo: Na verdade, eu sou um poeta. É como me assumo e me assumir poeta me dá liberdade poética de ser mais expansivo na minha relação com os instrumentos e os braços artísticos da arte. Então eu realmente não sou um ator, eu sou um homem da arte, não me contento em ter um rótulo profissional com a arte porque ela se expande no meu encontro com as pessoas.

E meu encontro com as pessoas se dá a partir de um ponto de liberdade que gera o encontro e aí sim, a gente desenvolve a arte a partir disso, seja a música, que eu faço, através dos poemas que eu crio, da dramaturgia que eu enceno, mas o que me importa é o encontro com as pessoas, é isso que me interessa. Isso sempre foi desde o início, desde criança que escrevia e fui desenvolvendo isso e me relacionando com a arte.

Então, o desdobramento dramatúrgico é tão evidente quanto um reator. Para o bem do público, eu sou visto como ator de cinema, mas não é o grande publico que me faz artista, é a arte. O público, seja grande ou pequeno, me interessa por ser publico, não é a sua dimensão quantitativa que vai reconhecer meu ser poético.

Foto: Rodrigo Fuzar
Holofote Virtual: Tudo isso tem a ver com o fato de você vir do nordeste que possui matrizes cultuais tão fortes? O que o Ceará, de onde você vem, consegue impregnar na tua obra?

Gero Camilo: Isso permeia o meu trabalho, mas dentro de um discurso universalista, não regionalista. Quanto mais eu me penso ser, mais universalista eu me faço.

Eu não entendo e não me contento só com a tribo, eu acho a tribo necessária no sentido do que a gente quer fazer e dizer no momento do encontro, mas este encontro também se desloca geograficamente, então eu não me amarro à minha terra, que é só um ponto de referência dentro deste global em que vivemos.

Nada me espanta mais do que quando vejo o discurso que cai no regionalismo, ou quando ele se fecha na pequena aldeia. Acho que esta pequena aldeia se faz mais forte e valorosa quando se amplia na relação com o mundo.

Holofote Virtual: Quando você vem a Belém?

Gero Camilo: Estou louco pra fazer isso, pois não cheguei a Belém na época das filmagens do Brant. Fiquei direto em Santarém, mergulhado no filme, e encantado. É incrível a região. Então, o que eu quero de imediato é ver o filme, pois esta foi uma das experiências mais incríveis e cinematográficas que já tive. 

O que Beto Brant e todos vocês fizeram com a gente que esteve no Pará foi realmente uma viagem a Andara, um lugar mágico na relação com a vida, com a arte, com a natureza, com a cultura da aldeia. E tudo isso sendo doado ao cinema e se universalizando. Estou super curioso, não vi o ultimo corte.

 Para saber mais sobre o espetáculo em Belém, acesse aqui.

11.11.09

“A Tempestade” de Shakespeare ganha montagem em Ponta de Pedras

Atores e técnicos de artes cênicas de Ponta de Pedras, cidade do escritor Dalcídio Jurandir, no Marajó, estão vivendo dias de criação e de grande desafio.

Há uma montagem sendo feita por lá, "A Tempestade", de Shakespeare, através do projeto Cena Interior, elaborado pelo Sistema integrado de Teatros (SIT), com o objetivo de estabelecer uma política pública de formação profissional de atores e técnicos em todo o Pará.

Não há uma agenda de apresentações prevista. Mas com o espetáculo montado há possibilidades de apresentá-lo dentro de programções e outros projetos ligados às cênicas.

Embora a apresentação seja um resultado esperado por todos, o objetivo do projeto é bem maior, de formação mesmo, o que valoriza a iniciativa uma vez que a política cultural relevante, hoje, propõe sustentabilidade e não somente encerra-se em um evento de espetacularização da cultura.

“Nós modificamos vidas. Não damos o peixe; ensinamos a pescar. Nossa intenção é fazer com que atores e técnicos das cidades que recebem o projeto possam caminhar sozinhos em futuras produções teatrais”, afirma Ailson Braga, diretor do SIT.

O incentivo à produção local é o foco do projeto. “Durante um período, que varia entre três e quatro meses, um diretor artístico, sugerido pelos artistas de cada município, ministra oficinas sobre interpretação, figurino, luz e toda a logística para se montar um espetáculo”, explica Yeyé Porto, coordenadora e idealizadora do projeto.

Neste caso, o diretor artístico da vez é o ator, diretor e dramaturgo paraense, Adriano Barroso. A montagem de “A Tempestade” em Ponta de Pedras mistura o teatro elisabetano com comédia dell'arte. É uma experiência não convencional. Com 15 atores em cena, Adriano Barroso explica que a ideia é fazer com que todos eles participem da montagem e percebam as relações e semelhanças entre a realidade do texto shakesperiano com a cultura pontapedrense.

“Os seres encantados do texto tocam nas lendas marajoaras, o naufrágio e a vida nas águas têm relação direta com o cotidiano do Marajó. O texto na verdade é um pretexto para uma montagem com uma personalidade muito própria, que terá muitas referências da comédia dell'arte e será feito em uma carroça como as trupes de atores que faziam teatro nos tempos da comédia dell'arte”, afirma Adriano Barroso.

Pedro Nicácio (foto), o Pedrinho, ator e artesão de Ponta de Pedras, diz que a ida do projeto ao município marajoara é uma oportunidade única para a comunidade e para os artistas locais.

“Receber as oficinas e ter a oportunidade de trabalhar com um diretor que não tem medo de partilhar seus conhecimentos é muito importante para nós. A experiência está sendo inesquecível”, opina.

Além da oficina de montagem de Adriano Barroso, o Cena Interior levará a Ponta de Pedras as oficinas de figurino (Mariléa Aguiar), cenografia e adereços (Jorge Cunha) e iluminação (Sônia Lopes), além de contar com a assistência de direção de Monalisa da Paz.

A gerente de artes cênicas do SIT, Yeyé Porto, informa que o projeto ocorre também com o apoio das prefeituras dos municípios escolhidos. “A acolhida em Ponta de Pedras foi uma das melhores que nós tivemos. O apoio ao projeto da prefeitura de Ponta de Pedras é imprescindível para o sucesso do projeto”, afirma Yeyé.

Cena Interior - O Cena Interior leva aos municípios as rotinas de trabalho que geralmente eles não possuem, ou seja, a profissionalização do fazer teatral. Yeyé Porto explica que a Secult fornece todo o material necessário e o local onde a produção será executada, de forma gratuita.

Em cada município o trabalho é pensando de uma forma diferente para atender demandas distintas, uma vez que o movimento teatral em cada cidade se desenvolve de maneira diversa, em níveis diferente.

“Em Santarém o movimento teatral é grande e bem organizado. Lá, o objetivo foi criar uma dramaturgia experimental e que revelasse novos olhares sobre espaços cênicos. Em Igarapé-Açu foi necessário incentivar mesmo a criação de uma prática teatral, que era muito incipiente”, observa a coordenadora do projeto do SIT.

Para detectar tudo isso, o proejto começa bem antes da equipe chegar no município para ministrar as oficinas. “Cada cidade escolheu a sua área de interesse, assim como o tipo de produção teatral. Em Igarapé-Açu, por exemplo, os atores escolheram trabalhar com teatro de bonecos e montaram 'Tem gato no telhado', baseado na obra de Martins Pena. Já em Santarém, o teatro experimental foi o escolhido e se montou 'Macbeth', de Shakespeare, dentro de um casarão desocupado, com as cenas ocorrendo em várias salas da cas e até no quintal”, informa Yeyé.

O Cena Interior já vem sendo realizado desde 2008, quando quatro municípios foram atendidos: Santarém, Igarapé-Açu, Barcarena e Bragança. Em 2009, Moju e Ponta de Pedras receberam o projeto.

12.7.10

Projeto Casa da Atriz abre as portas para o Curta Cena

Depois da estréia com o espetáculo “A Troca e a Tarefa”, solo do Yeyé Porto, e com outros projetos em andamento – Deus ex Machina, Francisco, O Quarteto – além de oficinas e leituras dramáticas, o projeto A Casa da Atriz está com uma nova programação, o Curta Cena.

Foto da cena: Matapassarinho

Trata-se de mostra performática de seis encenações que variam de oito a dez minutos, onde se privilegia o trabalho do ator em cena, da criação do personagem à interpretação. Entre os diretores das performances, estão Marton Maués, Aníbal Pacha e Adriano Barroso.

A calçada em frente, o quintal e os cômodos da casa tornam-se espaços cênicos e a platéia é convidada a mergulhar em universos e criaturas tão diversos quanto densos e a se emocionar: função primeira do teatro.

A Casa da Atriz surgiu do desejo da família Porto de dividir sua vivência teatral com a comunidade. A residência dos Porto que já servia de base para seminários, reuniões, ensaios, dormitório para artistas em trânsito vai se tornando então um centro cultural e, principalmente, um local onde se experimenta, estuda e se faz teatro a partir de um coletivo de artistas que reúne atores, diretores, dramaturgos e técnicos.

CURTA A CENA

06 cenas, diferentes linguagens, infinitas possibilidades.

MEU PASSO QUEIMA SE TE APROXIMAS
Com Leoci Medeiros
Direção: Luciana Porto (8 minutos)
Um palhaço divide sua vida nas três campas que antecedem um espetáculo: desejos, realizações, a descoberta do amor.

MATAPASSARINHO
Com Alessandra Nogueira e Marcelo Villela
Direção: Marton Maués (10 minutos)
A morte de um pássaro e a sabedoria de um velho ensinando a uma menina o valor inestimável da vida.

DUAS SAIAS
Com Mariléia Aguiar
Direção: Aníbal Pacha (10 minutos)
Duas décadas da vida de uma mulher contadas a partir de suas roupas. Reflexão, poesia, ou apenas melancolia?

ISIDORA
Com Juliana Porto
Direção: Luciana Porto (10 minutos)
Uma mulher convida um viajante a ficar em sua cidade e conhecer os segredos de suas paredes.

DIONÍSIO
Com Hudson Andrade
Direção: Adriano Barroso (10 minutos)
Músico convidado: Júnior Cabrali
Para sobreviver um homem rouba a vida das pessoas. Mas o que ele toma para si lhe pertence?

OFÉLIA / ELECTRA
Com Monalisa da Paz
Direção: Adriano Barroso (10 minutos)
Um poema de libertação à mulher moderna.
Direção artística: Adriano Barroso e Aílson Braga
Direção de palco e iluminação: Frank Costa
Contrarregragem: Adriane Henderson, Kleber Gemaque, Rodrigo Costa.
Produção: Yeyé Porto e Paulo Porto.

Serviço
Curta cena - Na Casa da Atriz – Rua Oliveira Belo, nº 95 – entre Generalíssimo e D. Romualdo de Seixas. Dias 14 e 15 de julho de 2010 – 20 horas. INGRESSO LIVRE! O público paga quanto julgar que vale o espetáculo.

21.1.16

Gruta: retorno à cidade com Leituras Dramáticas

Temporada na Da Tribu: Rua Carlos Gomes, 117
O Grupo Gruta de Teatro, um dos mais antigos e consistentes do Pará,  deu início, ontem (20), a uma série de Leituras Dramáticas que seguirão nas próximas quartas-feiras de janeiro e fevereiro, sempre às 19h, com entrada franca, na Laje da Morada Da Tribu. A ação marca a retomada do grupo na cena teatral da cidade, que ganhará de presente duas novas montagens em 2016, além do lançamento de uma publicação, em novembro, quando o grupo completa 47 anos de atuação.

Um útero, um abrigo, uma fuga, um achado, o Gruta. Ao longo de sua história, o grupo já havia passado por algumas pausas de produção, mas sempre que esteve em cena, balançou nossos alicerces com suas montagens onde o trabalho de ator brilha em textos que já revolucionaram a cena teatral de Belém.

Entre eles, cito o “Auto da Cananéia”, de Gil Vicente, em 1971; “Cínicas e Cênicas”, em 1987; “Caoscomcadicáfica”, inspirado em “O Processo, de Kafka”, em 1989, adaptações de Henrique da Paz, como “A Vida que sempre morre, que se perde em que se perca?”, uma releitura de “Antígona”, de Sófocles, que será o foco da próxima Leitura Dramática, no dia 27 de janeiro, assim como “Hamlet Máquina”, de Heiner Müller, encenado em 1998, e que será lido, no dia 24 de fevereiro.

Ainda estão na programação, “O Auto da Índia”, no dia 17 de fevereiro e, por último, “A farsa do boi ou o Desejo de Catirina”, única leitura que não será realizada em uma quarta-feira, e está sendo programada, de forma diferenciada, a fim de contemplar o público infantil. Em breve, a data será anunciada.

Nesta última quarta-feira, 20, a estreia das leituras dramáticas teve Mariana Paz, Monalisa Paz e Valéria Costa, três gerações de atrizes, que se encontraram para a leitura de "A Casa do Rio", texto de Adriano Barroso, premiado pela Funarte. 

Ontem quem esteve presente à primeira leitura da programação viu três atrizes determinadas, além do reencontro de uma família no salutar ato do fazer teatro. O retorno, claro, causa emoção em todos eles, envolvidos a fundo na retomada do grupo.

“Isso me causa, de certa forma, ansiedade. Uma série de motivos, políticos, pessoais e a própria cidade, em suas configurações, contribuíram pra gente dar uma pausa. Não que tenhamos planejado esta pausa, assim como agora, naturalmente, chegamos ao momento de voltar, e resolvemos fazer isso com a leitura dos textos mais significativos do grupo.

Na verdade, pra mim é menos que um retorno, e mais uma continuidade do que já estamos fazendo durante todo este tempo, e de forma muito prazerosa, agora, que é ver minha filha, meus netos, todos influenciados e escolhendo o teatro para suas vidas”, diz o patriarca dessa gruta ou devo dizer, paixão pela arte cênica.

Henrique da Paz é o que se pode chamar de ponto de partida para o firmamento desta essência peculiar do Gruta. Ele, desde cedo, envolveu sua família com o teatro. “Meus irmãos já foram pra cena, foram bilheteiros, estiveram na portaria de espetáculos nossos. A Mariana (neta) cresceu neste ambiente, ainda pequena entrou brincando comigo em cena, pois não tinha ninguém pra tomar conta dela, enquanto estávamos encenando. Acho que acabou gostando”, lembra o avô. E ela, a neta, confirma!

“Eu trago na memória certas cenas desses espetáculos mais antigos, é claro que em alguns eu ainda estava na barriga da mamãe, mas posso dizer que fui criada no Teatro Waldemar Henrique e no Curro Velho”, diz Mariana, que atualmente faz o curso técnico de teatro na Escola de Teatro e Dança da UFPA e já pensa também em fazer a Licenciatura. “É muito legal trabalhar com minha mãe, mas ser dirigida pelo meu pai às vezes é complicado”, brinca a jovem Mariana, 17.

“Nós somos uma família de circo, mambembe”, brinca Adriano Barroso, autor, ator e, alternando com Henrique, diretor do Grupo. “Durante algum tempo a gente negou isso de passar a arte do teatro de pai e mãe, pra filho, filha, de avô que passa pra neto e genro”, diz ele, que é casado com Monalisa, pai de Mariana e genro de Henrique, que é ex-marido de Valéria Costa. “Mas depois a gente entendeu essa missão”, reflete o ator, autor e diretor que entrou para o grupo em 1996. 

“Quando eu cheguei junto, o grupo já era uma referência muito grande na cidade e fiquei muito a fim de fazer parte daquilo. Entrei no grupo em um momento que o Gruta começou a dar uma grande virada na trajetória, montando espetáculos mais porradas, espetáculos mais pra pensar.

Veio Tartufo (do parisiense Moliére), e Hamlet Máquina (do dramaturgo alemão Heiner Muller). Depois fomos para o que chamamos da fase regional, sobretudo com minhas pesquisas dentro das lendas amazônicas e cultura popular”, vai relembrando ele que está há três anos escrevendo a biografia do Gruta, para lançá-la no aniversário do grupo, no final deste ano.

E assim, é fato. O Gruta está de volta, e junto com ele, a atriz Valéria Costa, que estava morando em Porto Velho (RO), há 14 anos e sem fazer teatro, depois de ter encenado absolutamente todos os demais textos das leituras que seguem, a exceção deste primeiro, que Adriano montou no período de seu distanciamento.

“Estou me umedecendo”, diz Valéria, citando um pouco do texto que acabara de ler. “Passei muitos anos fora, mas estou de volta para rever os amigos’”, segue com o humor o papo com o blog, que esteve presente à leitura desta quarta-feira, 20. 

“Quando cheguei a Belém, começamos a falar desta volta do Gruta e o Adriano me convidou oficialmente para as leituras e novas montagens. Posso te dizer que nunca perdi a emoção de entrar no teatro, de me arrepiar, com vontades de chorar. Muito feliz com tudo isso e já estamos montando o esquema de ensaios”, conta.

Para Adriano Barroso, a leitura deste primeiro texto foi especial, na plateia, estavam pessoas que acompanham a trajetória do grupo. Nas próximas leituras, ele, as atrizes e Henrique também estarão em “cena’. Na última leitura, atenção: haverá estreia no elenco.

“Para ‘A Farsa do Boi ou o Desejo de Catirina’ estamos trazendo o Miguel (8 anos), pra cena e queremos fazer isso em um domingo de manhã, para melhor proveito do público infantil. Este é um texto que rodou muito, uma recriação do Boi Bumbá, que é engraçado, leve e tranquilo, feito para criança. Vamos mostrar um Gruta pra garotada”, diz Adriano.

Após as leituras dramáticas, que inauguram o ano do Gruta, estão previstos dois espetáculos novos. Um texto para monólogo, escrito por Adriano Barroso, “A invenção do Mundo”, com Monalisa, e um Kafka. “Estamos pensando em montar ‘A Metamorfose' ”, diz Monalisa.

O público pode esperar daí, boas surpresas. O Gruta sempre se apropriou muito bem de todos os textos que montou, “entendendo a cidade e a fazendo pensar. Isso me interessa muito”, continua Adriano. 

“Estamos pensando neste retorno, desde o ano passado, quando teve inicio uma nova movimentação em Belém, como a do projeto Circular retomando o Centro Histórico, as ocupações dos espaços públicos, e tudo isso que veio movido por questões políticas envolvendo a cidade, que antes fizeram com que os artistas se afastassem da cena.

A atitude para essas  ocupações nos permitiu congraçar novamente com a cidade. É o que faz sentido, pois se a gente mora em Belém, temos que fazê-la pensar, colocar a nossa arte em xeque, as questões da cidade em xeque”, reflete Barroso. “Começamos a fazer este ciclo de leituras, temos as duas novas montagens e a biografia do Gruta. É um ciclo que se fecha com a cidade para abrir uma outra Cabala”, finaliza, ele prevendo dias muito melhores.

4.11.11

Três vezes Adriano Barroso no Amazônia Doc

O Amazônia Doc inicia amanhã, no cine Olympia, com uma enxurrada de documentários, curtas e longas de ficção. Na abertura, será mostrado o inédito “Eu Receberia as Piores Notícias de seus Lindos Lábios”, longa metragem de Beto Brant, rodado na Amazônia. No elenco, atores paraenses, destacando-se Adriano Barroso que desponta em mais dois curtas que fazem parte da programação competitiva “Ribeirinhos do Asfalto” e “Matinta”. 

Pelo terceiro ano consecutivo, o Amazônia Doc traz para Belém o melhor em matéria de documentários feitos na Amazônia, seja ela brasileira ou internacional. Desde o ano passado, porém, o evento vem abrindo espaço também às produções de ficção, sem perder seu foco principal. 

Um dos momentos aguardados na abertura é a exibição do longa do cineasta paulista. Beto Brant filmou em 2010, em Santarém, reunindo no elenco principal Camila Pitanga (Lavinia) e os atores Gustavo Machado e Zé Carlos Machado. Juntos eles formam o triângulo amoroso que tenciona a história. 

O filme é uma adaptação cinematográfica do romance homônimo do escritor Marçal Aquino, publicado em 2005 pela Cia. das Letras. Mais uma vez, a parceria entre Beto e Marçal, promete. Já funcionou em “Os Matadores”, “Ação Entre Amigos” e “O Invasor”. Desta vez, o pano de fundo é um Brasil perfeito para uma história de paixão desesperada.

Nesse cenário, o romance entre o fotógrafo Cauby e a instável Lavínia, mulher fascinante de dupla personalidade (casada com o líder religioso local), é um gesto de delicadeza insuportável em meio à brutalidade e à cobiça. 

Com Dira em "Ribeirinhos"
O ator paraense Adriano Barroso, que também fez parte do elenco está em Recife filmando um novo trabalho. Em contato com o Holofote Virtual, ele disse que chega em Belém neste sábado, 05, especialmente para participar da abertura do Amazônia Doc.

Além do longa de Beto, Adriano também anda figurando no Amazônia Doc, assim como em outros festivais brasileiros através das exibições dos curtas “Matinta”, de Fernando Segtowick e “Ribeirinhos do Asfalto”, de Jorane Castro, premiados em festivais como o de Brasília e Gramado, respectivamente. Em ambos ele contracena com a atriz Dira Paes. 

“Estou em um momento bom da carreira de cinema. Tenho outros convites para o ano que vem, muito em consequência de meus últimos trabalhos em Matinta. Ribeirinhos e agora o Eu receberia...”, conta Adriano que também já recebeu convite para fazer uma série da Globo em 2012. 

“Aprendi muito com essa experiência com o Beto Brant, até porque foi uma reunião de artistas que deu frutos como o Aldeotas por exemplo”, diz ele referindo-se ao contato que teve com o poeta , ator e dramaturgo Genro Camilo, que também esta no elenco do longa, e é autor do texto Aldeotas – Lugar de Memória, montado pelo Grupo Gruta, este ano, em Belém, encenado por Adriano e Ailson Braga, com direção de Henrique da Paz. Sem dúvida um dos melhores espetáculos mostrados este ano por aqui. 

Em Recife, Adriano está fazendo “Periscópio”, do diretor Marcelo Costa, filme que conta a história de uma vila de pescadores que tem sua rotina modificada quando aparece na praia um sobrevivente de um desastre aéreo e que perdeu a memória. 

E em ""Matinta"
“Além disso, ele não fala a língua dos habitantes da ilha”, conta Adriano que faz parte do elenco principal junto aos atores Carlos Ramiro, de Porto Alegre e Brenda Ligia, de Recife. 

Amazônia Doc - O festival traz sete dias de programação inteiramente gratuita, voltada a todos os públicos. Será uma semana de Mostras Competitivas, Mostras Paralelas, Conferências, Debates e Oficinas. 

O festival contempla a exibição e premiação dos gêneros documentário e ficção produzidos nas diversas Amazônias, aprofundando as questões sociopolíticas e de fomento relativas ao audiovisual. 

Na Mostra Competitiva, os melhores filmes de curta, média e longa-metragens nacionais e internacionais disputarão os prêmios de Melhor Longa e Melhor Curta Documentário e Melhor Longa e Melhor Curta de Ficção, Melhor Direção, Melhor Roteiro e Melhor Filme, eleito pelo voto popular. Saiba de toda a programação do Amazônia Doc, aqui. 

Serviço
Abertura do Amazônia Doc. Neste sábado, 05, às 19h30, no Cine Olympia - Pres. Vargas. Exibição dos filmes "Um Outro Ensaio", curta de Natara Ney, e do longa "Eu Receberia as Piores Notícias de seus Lindos Lábios", de Beto Brant. "Ribieirnhos do Asfalto" será exibido no dia 07 e Matinta"', no dia 9 de novembro, dentro da Mostra Competitiva de Curta Metragem. Entrada franca.